‘ANTIBIÓTICO DOXICICLINA PODE SER ESPERANÇA NO TRATAMENTO DO PARKINSON’

Um estudo publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature, sugere que o medicamento antibiótico doxiciclina – usado há mais de meio século contra infecções bacterianas – pode ser indicado em doses mais baixas para o tratamento da doença de Parkinson.

Segundo os autores, a substância reduz a toxicidade de uma proteína conhecida como α-sinucleína, que em certas condições forma agregados que recobrem e lesam as células do sistema nervoso central. A morte dos neurônios dopaminérgicos (produtores do neurotransmissor dopamina) é o principal evento relacionado ao desenvolvimento de sintomas como tremores, lentidão de movimentos voluntários e rigidez, entre outros. Não há atualmente fármacos capazes de impedir que esse processo degenerativo progrida.

A pesquisa contou com apoio da FAPESP e a participação de três cientistas brasileiros vinculados à Universidade de São Paulo (USP): Elaine Del-Bel, da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP), Leandro R. S. Barbosa e Rosangela Itri, ambos do Instituto de Física (IF), na capital.

“Temos dados animadores de experimentos com camundongos e uma grande esperança de que o efeito neuroprotetor também possa ser observado em pacientes humanos. Esse tratamento poderia impedir a evolução da doença de Parkinson e, portanto, pretendemos iniciar em breve um ensaio clínico”, disse Del-Bel em entrevista à Agência FAPESP.

A descoberta agora detalhada nas páginas da Scientific Reports ocorreu de forma fortuita, há cerca de cinco anos, quando Marcio Lazzarini, ex-aluno de Del-Bel, realizava o pós-doutorado no Max Planck Institute of Experimental Medicine, na Alemanha.

Para estudar possíveis alternativas terapêuticas contra o Parkinson em camundongos, o grupo recorreu, naquela época, a um modelo bastante consagrado para induzir nos animais uma condição semelhante à doença humana. O método consiste em administrar uma neurotoxina – a 6-idroxidopamina (6-OHDA) – que causa a morte dos neurônios dopaminérgicos.

“Mas para nossa surpresa, dos 40 animais que receberam a 6-OHDA, apenas dois desenvolveram sintomas de parkinsonismo, enquanto os demais permaneceram saudáveis. Uma técnica do laboratório percebeu que os roedores haviam sido alimentados por engano com uma ração que contém doxiciclina. Começamos então a investigar a hipótese de que a substância poderia ter protegido os neurônios”, contou Del-Bel.

O grupo repetiu o experimento e acrescentou um segundo grupo de animais que, em vez de receber a doxiciclina pela ração, foi tratado com injeções do antibiótico em doses baixas no peritônio.

“Foi um sucesso nos dois casos. Publicamos os resultados na revista Glia, em 2013, sugerindo que, em doses subantibióticas, a doxiciclina poderia ter um efeito anti-inflamatório, protegendo os neurônios dopaminérgicos”, contou Del-Bel.

Mecanismo de ação

Entender os mecanismos por trás do efeito neuroprotetor da doxiciclina tem sido o foco dos estudos mais recentes, realizados em colaboração com o grupo liderado pela pesquisadora Rosana Chehin, da Universidade de Tucumán, na Argentina, além de duas pesquisadoras do Instituto do Cérebro e da Medula Espinhal sediado em Paris, na França: Rita Raisman-Vozari e Julia Sepulveda-Diaz. A colaboração com Chehin tem apoio da FAPESP por meio de um acordo com o Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas de la República Argentina (Conicet), no âmbito do Programa SPRINT – São Paulo Researchers in International Collaboration.

Nesses novos ensaios, que envolveram métodos de caraterização estrutural e espectroscópicos, o foco foi a proteína α-sinucleína – considerada uma das principais causadoras da morte dos neurônios dopaminérgicos.

“A α-sinucleína é uma proteína desordenada pequena que, na presença da membrana celular, se agrega formando fibras com uma ordem estrutural de empilhamento de folhas-beta ao longo do eixo. Chamamos essas fibras de amiloides. Já foi provado que grandes fibras amiloides dessa proteína não são tóxicas para as células e sim os chamados estágios oligoméricos, formados por pequenas quantidades de α-sinucleína agregada. Esses oligômeros são capazes de lesar a membrana dos neurônios”, contou a professora Itri.

Os pesquisadores sintetizaram pequenos oligômeros de α-sinucleína para estudar in vitro se a doxiciclina interferia no processo de agregação e de formação de fibras.

Com uma combinação de três diferentes técnicas – ressonância magnética nuclear, espalhamento de raios X a baixos ângulos e espectroscopia por infravermelho – foi possível perceber duas situações distintas. No meio sem doxiciclina, α-sinucleína se agrega em direção à formação de fibras amiloides. Já no meio contendo o antibiótico, a proteína forma outro tipo de agregado, com forma e tamanho diferente. Nos testes em cultura de células e membranas modelo, observamos que eles não causaram danos à membrana celular”, contou Itri.

Os testes em cultura foram feitos com células imortalizadas de neuroblastoma humano. Usando técnicas de microscopia eletrônica de transmissão, o grupo observou que a presença de doxiciclina no meio de cultura reduziu a agregação de α-sinucleína em mais de 80%. “Como consequência, aumentou a viabilidade das células em mais de 80%”, contou Del-Bel.

No âmbito de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP, a professora da FORP-USP tem investigado mais profundamente os efeitos do tratamento com doxiciclina em camundongos. “A investigação também está vinculada ao projeto “Mecanismos celulares e moleculares envolvidos no papel de neurotransmissores atípicos em transtornos neuropsiquiátricos”, coordenado por Francisco Silveira Guimarães”, diz Del-Bel.

“Ainda não temos dados publicados, mas posso adiantar que a doxiciclina melhora os sintomas da doença no modelo animal. Resultados preliminares nos sugerem que, além da ação anti-inflamatória, de diminuir a liberação de algumas citocinas, a doxiciclina também altera a expressão de alguns genes-chave para o desenvolvimento do Parkinson”, disse Del-Bel.

Segundo a pesquisadora, evidências da literatura científica indicam que os agregados de α-sinucleína podem recobrir e lesar não apenas os neurônios, como também astrócitos e as demais células da glia. Além de Parkinson, portanto, esse processo está relacionado ao desenvolvimento de outras doenças neurodegenerativas, como a demência com corpos de Lewy (DCL) – o segundo tipo mais comum após o Alzheimer. Estudos futuros poderão investigar se a doxiciclina também pode ter efeito benéfico nessas outras situações.

O artigo “Repurposing doxycycline for synucleinopathies: remodelling of α-synuclein oligomers towards non-toxic parallel beta-sheet structured species” pode ser lido em: www.nature.com/articles/srep41755.

 

Matéria de Karina Toledo para  Agência FAPESP. Para lê-la na íntegra, acesse:

http://agencia.fapesp.br/antibiotico_doxiciclina_pode_ser_esperanca_no_tratamento_do_parkinson/24835/

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 Tem interesse pelo assunto? Conheça:


60055CONHECENDO MELHOR A DOENÇA DE PARKINSON
Uma abordagem multidisciplinar com orientações práticas para o dia-a-dia
Organizador: João Carlos Papaterra Limongi
PLEXUS EDITORA

Um livro especializado, com textos atraentes, simples, dirigido ao leitor que precisa de mais informação do que aquela recebida no consultório médico. Esclarece as mudanças que a enfermidade ocasiona, auxiliando tanto o portador da doença quanto a sua família. Inclui informações sobre a doença em si, exposição ilustrada de exercícios físicos, recomendações para melhorar o desempenho no falar e esclarecimentos sobre alimentação adequada.

Matéria de Karina Toledo para  Agência FAPESP. Para lê-la na íntegra, acesse:

http://agencia.fapesp.br/antibiotico_doxiciclina_pode_ser_esperanca_no_tratamento_do_parkinson/24835/

‘MÃE E FILHA SURDAS PASSAM POR CIRURGIA PARA RETOMAR AUDIÇÃO’

Com surdez profunda desde bebê, a dentista Alexandra Mottola Tavares, 35, conseguiu desenvolver bem a fala e sempre se virou fazendo leitura labial. Nunca esteve em seus planos tentar otimizar a audição.

Mudou de ideia depois da chegada da primeira filha, Maria Paola, 5. A garota herdou sua deficiência auditiva, mas fez o chamado implante coclear. Agora ouve com desenvoltura e impõe novos desafios na relação com a mãe.

A cirurgia da menina foi realizada quando ela tinha um ano e seis meses, na Santa Casa de São Paulo, pelo SUS, que banca o procedimento em apenas um dos ouvidos.

O implante é feito na cóclea, na parte interna da orelha, e tem potencial de resultados muito superior a qualquer aparelho auditivo, quando indicado –em cerca de 80% dos casos, segundo especialistas.

Hoje em dia, Maria Paola canta, tagarela, fala com desenvoltura e sem intercorrências –o que é natural no caso dos surdos–, além de perceber sons sem olhar para a boca das pessoas [para ler os lábios], ponto que mais mexeu com as convicções da mãe.

“Existia a tecnologia, eu era apta a adotá-la e percebi que se eu pudesse ouvir melhor, minha filha também poderia se beneficiar, a nossa interação seria melhor. E assim tem sido. As respostas da nossa comunicação evoluem a cada dia. Pedi orientação em oração e tudo está dando certo”, afirma a mãe.

Alexandra fez a operação de implante com êxito, há cerca de um ano, no Hospital das Clínicas de Campinas (SP), também pelo SUS. Não sente nenhum incômodo, mas está se acomodando aos poucos com a tecnologia.

“Já consigo ouvir mais que o dobro do que conseguia com o aparelho antigo, tradicional [não invasivo]. O som agora é mais claro, limpo. Percebo o som da chuva, dos passarinhos e até a gritaria das crianças”, diz.

Alexandra e a filha, e também um de seus irmãos, uma tia e a mãe, possuem a Síndrome de Waardenburg, de ocorrência genética, que, além da surdez, pode ter repercussões na pele e na coloração do cabelo.

“O percentual de passar a surdez é de 50% e a Paola herdou de mim. Ela é a mais velha. Tenho outros dois filhos, Samuel, 3, e João David, de 1 ano e oito meses. Os meninos ouvem perfeitamente. Agora, com o implante, consigo diferenciar os choros e os gritos de todos. Sei quando é uma brincadeira ou que algo errado aconteceu.”

SOMBRAS

A dentista, formada pela Universidade Federal de Alfenas, tenta atualmente perceber a voz dos filhos sem fazer a leitura labial, o que desenvolveu com 12 anos de fonoaudiologia e atenção da família. Maria Paola também faz fono, mas raramente precisa olhar para o interlocutor para entendê-lo.

“Estou reaprendendo muitas coisas. A minha adaptação à leitura labial é grande e é difícil reprogramar o cérebro. Na faculdade, os professores, às vezes, se esqueciam de olhar para os alunos na hora da explicação ou usavam projetores, então, fui conseguindo ler os lábios deles mesmo nas sombras.”

A segurança dos filhos também pesou na decisão da mãe, que fica a maior parte do tempo em casa cuidando deles. O pai, Francimar Bernardino Tavares, 30, é enfermeiro e trabalha também em período noturno.

“Pedi muito a Deus para me ajudar com o cuidado dos meus filhos. Fiz o implante por eles, para aumentar a segurança e melhorar minha relação com eles. Com outras pessoas, podia pedir para falar mais devagar, para olhar para mim [para ler os lábios], mas com crianças o processo é bem mais difícil.”

ENCONTRO

No último dia 11 de fevereiro, em São Paulo, o Parque Ibirapuera recebeu um dos maiores eventos de troca de experiências e informações entre surdos implantados do mundo, o Cochlear Day. Foi em uma das edições anteriores do evento que Alexandra obteve mais informações sobre o dispositivo e se encorajou a fazer a cirurgia.

“No meu caso, tudo está sendo ótimo até aqui e acho que vai melhorar mais, meus filhos vão ganhar mais com uma mãe que pode compreendê-los melhor, mas a decisão de fazer ou não o implante é de cada um, assim como são individuais os resultados da cirurgia”, diz a mãe.

Reportagem de Jairo Marques, publicada originalmente na Folha de S. Paulo, 19/02/2017. Para acessá-la na íntegra: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/02/1860083-mae-e-filha-surdas-passam-por-cirurgia-para-retomar-audicao.shtml

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Se você tem interesse pelo assunto, conheça da blogueira Paula Pfeifer, editados pela Plexus:

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60092CRÔNICAS DA SURDEZ

Nesta obra, Paula Pfeifer discute um assunto que, por vezes, se torna tabu: a deficiência auditiva, que tanto afeta a comunicação e a interação humanas. Porém, a autora passa longe da autocomiseração e mostra que os surdos podem e devem levar uma vida feliz, independente e produtiva. Dividido em três partes, o livro relata como Paula lidou com as dificuldades e as agruras da surdez, traz textos que ela escreveu no blogue Crônicas da Surdez – que tem milhares de acessos mensais –, além de apresentar depoimentos emocionantes de leitores. Temas como preconceito, tecnologia, mercado de trabalho e bullying são apresentados de forma leve, sem julgamentos, permitindo aos deficientes auditivos, a seus familiares e a profissionais de saúde refletir sobre as experiências cotidianas e sobre a capacidade de superação inerente a todos nós.

 

60094NOVAS CRÔNICAS DA SURDEZ
Epifanias do implante coclear

Nesta obra, Paula Pfeifer conta como foi perder a audição desde a infância até chegar à surdez bilateral profunda aos 31 anos e, então, fazer um implante coclear e voltar a ouvir. A jornada em direção ao som foi cheia de altos e baixos, e o livro mostra com sinceridade os melhores e os piores momentos desse caminho: da decisão de fazer a cirurgia aos meses seguintes à ativação dos eletrodos.

 

‘SAIBA COMO IDENTIFICAR A DISLEXIA E CONHEÇA A HISTÓRIA DE QUEM VIVE COM ELA’

O transtorno afeta leitura, escrita e soletração, mas é possível conviver com isso: “Sei que tenho um problema e tenho que lidar com ele. Para falar a verdade, na maioria das vezes nem me lembro de que sou disléxico”

No processo de aprendizagem, ela começa a dar sinais, porém é difícil chegar ao diagnóstico, já que muitas vezes é confundida com preguiça. A dislexia se caracteriza como uma dificuldade de leitura, escrita e soletração e tem origem neurobiológica. Conheça a história de quem convive com o transtorno e descubra maneiras simples de detectá-la.

A fonoaudióloga Ana Lúcia Duran conta que, ao longo do tempo, a forma de classificar a dislexia foi sofrendo alterações. Atualmente vários autores dividem o transtorno em grau leve e severo, e categorizam o tipo de acordo com a dificuldade mais evidente, que pode ser:

- Auditiva: dificuldade de percepção sonora e associação fonema/ grafema;
- Visual: dificuldade de percepção espacial (inversão de letras);
- Mista: ocorrem sintomas auditivos e visuais.

Identificando o problema

É no período de alfabetização e nos primeiros anos do ensino fundamental que os sinais mais notáveis costumam aparecer. Queixas ligadas ao histórico escolar, por exemplo, pode ser um alerta. “Trocas de sons na fala não esperados para idade, dificuldades em tarefas metafonológicas, como na identificação de rimas, e incompetência nas habilidades de noção espacial e temporal são sinais que merecem atenção”, alerta Ana Lúcia.

A especialista ressalta que esse transtorno ocorre em indivíduos com inteligência normal ou acima da média. “Não há comprometimento cognitivo, mas a dificuldade leva à desmotivação em relação ao aprendizado. O diagnóstico deve ser realizado sempre por uma equipe multidisciplinar composta por médico neurologista, fonoaudiólogo e psicólogo”, explica.

Lidando com o transtorno

A comerciante Adriana Oraggio conta que sempre achou que alguma coisa não estava certa com o filho, Bruno Oraggio, mas o laudo de dislexia só veio quando o garoto tinha 11 anos, depois de passar por duas avaliações multidisciplinares. “A fase de alfabetização foi muito complicada. As coisas não fluíam igual estava acontecendo com as crianças da mesma idade. Ele tinha muita dificuldade, entendia perfeitamente tudo, mas na hora de passar para o papel era quase impossível”, lembra.

Adriana diz que Bruno fazia acompanhamento com fonoaudióloga e psicóloga desde os 5 anos e, depois que foi diagnosticado, passou a fazer acompanhamento com uma psicopedagoga, um neurologista e precisou permanecer na fonoaudióloga.

Falta de foco ou motivação?

Segundo Ana Lúcia, é comum ouvir reclamações de que os indivíduos disléxicos são desatentos. A fonoaudióloga fala que é preciso verificar se realmente é uma dificuldade manter o foco ou se é uma falta de motivação.

“Para que a criança desenvolva seus talentos é necessário um olhar cuidadoso e sensível do educador, buscando seus centros de interesse e desenvolvendo, a partir daí, estratégias facilitadoras para a leitura e escrita”, acrescenta a especialista.

Tratamento

Quando não há outras comorbidades (duplo diagnóstico) não é necessário o uso de medicamentos, mas é fundamental passar por uma terapia com fonoaudiólogo especialista em linguagem. A intervenção de um psicólogo só é preciso quando o disléxico sofre prejuízos emocionais.

“Com o tratamento, as melhoras foram muitas. Principalmente na autoestima, porque ele começou a acompanhar os outros amigos da classe e isso fez com que tudo melhorasse. Hoje o Bruno tem uma vida escolar normal. E as cobranças também são iguais as de qualquer garoto da mesma idade”, diz Adriana.

Aos 15 anos, Bruno fala que já se acostumou com o transtorno que possui. “Sempre achei que o meu problema era mais falta de atenção mesmo e que eu era o culpado. Hoje sei que tenho um problema e tenho que lidar com ele. Para falar a verdade, na maioria das vezes nem me lembro de que sou disléxico”, conta o jovem.

Postura dos pais e escola

Para Ana Lúcia, é fundamental que as pessoas que estão ao redor de quem possui o transtorno tenham compreensão das dificuldades que ela enfrenta. “Preguiça não é diagnóstico e rótulos deste gênero são muito prejudiciais”, afirma.

Ela completa dizendo que a escola também deve estar preparada para atender às necessidades do indivíduo com dislexia. “Deve haver adaptação de atividades e avaliações, de acordo com as necessidades individuais de cada aluno, em respeito a legislação vigente (Lei 13.146 capitulo IV art. 27 a 30), tomando sempre todos os cuidados para não expor o aluno”, completa a especialista.

Matéria de Beatriz Bradley e William Amorim, publicada originalmente no iG Delas, em 19/09/2016. Para acessar na íntegra: http://delas.ig.com.br/filhos/2016-09-19/dislexia.html

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Para saber mais sobre dislexia conheça a obra:


60081
A DISLEXIA EM QUESTÃO
Autora: 
Giselle Massi
PLEXUS EDITORIAL

A obra problematiza o reconhecimento da dislexia como distúrbio ou dificuldade de aprendizagem da escrita. Discutindo a inconsistência etiológica e sintomatológica desse suposto distúrbio, bem como a fragilidade das formas de diagnosticá-lo, a autora analisa casos de sujeitos rotulados como portadores de dislexia e mostra que eles – ao contrário dos rótulos que carregam – estão em pleno processo de construção da escrita.

‘HIPERATIVIDADE PRECISA DE REMÉDIO? CONHEÇA TERAPIAS ALTERNATIVAS’

Uma criança inquieta, que na escola mal para sentada na cadeira, é uma forte candidata a receber um diagnóstico comum no Brasil: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), tratado, na maioria dos casos, com remédios tarja preta. Houve um tempo em que os psicofármacos usados no tratamento, como a famosa ritalina, até se esgotavam nas farmácias brasileiras. Esse tempo passou?

Não que o TDAH tenha saído da agenda dos profissionais da educação ou da rotina dos pais desesperados por uma cura para o “mau comportamento” dos filhos. O que aconteceu foi que começaram a surgir alternativas aos medicamentos, que apresentam efeitos colaterais fortes, como taquicardia e insônia. A modernização das terapias para exercitar o cérebro, como o método Neurofeedback, tem apontado um outro caminho possível para “medicar” de forma natural quem tem o transtorno.

A proposta do Neurofeedback, que teve sua origem no Japão, é treinar o intelecto para que o paciente consiga sustentar um determinado esforço mental por mais tempo. Ou seja, se a intenção dele for fazer uma tarefa inteira em sala de aula, com os meses de prática o cérebro vai saber como atingir esse objetivo. Chega a um ponto em que o raciocínio passa a se manter estável, evitando interrupções seguidas, como ocorre com quem tem TDAH.

Para alcançar um bom nível de concentração, no treinamento do Neurofeedback a criança fica conectada a um computador. As ondas cerebrais são medidas com ajuda de eletrodos. Quando o software detecta desatenção, imediatamente envia um sinal. Ao longo de dezenas de sessões, o jovem aprende a se controlar.

Neurofeedback no Brasil

Pediatra há 20 anos, Valéria Modesto, pós-graduada em Neurociências pelo Instituto D’Or, no Rio de Janeiro, já trabalha com Neurofeedback no Brasil. Ela faz atendimentos clínicos na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Os pacientes têm respondido bem às intervenções terapêuticas.

A especialista enfrenta resistência entre a classe médica com o projeto que criou em 2011 para cuidar de pessoas com TDAH, o “Mente Confiante”, mas diz que não vai desistir.

Convencida das possibilidades do Neurofeedback, Modesto diz que a aplicação das técnicas provoca outras mudanças, como “controle da tensão muscular, sudorese, frequência cardíaca e modulação do ritmo biológico do sistema nervoso central”. Os efeitos, de acordo com ela, permanecem de um a dois anos.

Luta contra os medicamentos

A terapia livre de químicos é defendida por muitos especialistas justamente porque continua fazendo efeito sobre o paciente mesmo depois de concluídas as séries de exercícios de estimulação cerebral.

Para a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp Maria Aparecida Moysés, o diagnóstico precipitado do TDAH com a prescrição de medicamentos pode inclusive mascarar o diagnóstico de outras doenças. “Esse diagnóstico, que é um rótulo, não ajuda. Não podemos sedar o sofrimento. Muitos profisionais deixam de diagnosticar psicose e autismo e colocam tudo no gavetão do TDAH.” A pediatra adverte que o estado de “atenção” produzido pela ritalina não é o efeito terapêutico dela, mas uma reação adversa.

Na verdade, Moysés também é contra tratamentos alternativos como o Neurofeedback, por questionar a própria existência do TDAH. “O Neurofeedback também é um erro porque parte do princípio de que o déficit de atenção é uma doença. Esse é um transtorno jamais se comprovou. Algumas crianças são mais agitadas, mais ativas. Isso é uma doença?”, questiona.

 

Texto parcial extraído de matéria de Maurício Cancilieri, da Deutsche Well Brasil, publicada no UOL em 22/07/2016. Para lê-lo na integra: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2016/07/22/hiperatividade-precisa-de-remedio-conheca-terapias-alternativas.htm

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Quer saber mais sobre hiperatividade? Conheça:

60074HIPERATIVIDADE
Como ajudar seu filho
Autora: Maggie Jones
PLEXUS EDITORA

Livro precioso para pais de crianças que sofrem desse aflitivo distúrbio. A autora fornece informação essencial sobre tratamentos convencionais, tratamentos alternativos, alimentação e dietas adequadas, cuidados específicos para as diversas idades. Mostra os passos práticos que os pais podem dar para compreender, apoiar e cuidar da criança, possibilitando à família inteira progredir de forma positiva.

 

‘DISLEXIA: PAIS DEVEM FICAR ATENTOS AOS SINAIS E CONTROLAR A ANSIEDADE’

Profissional explica que de 4 a 6% da população pode ter o distúrbio e que o diagnóstico precoce ajuda no tratamento

Você já ouviu falar em dislexia? O distúrbio genético afeta apenas de 4 a 6% da população, mas é de extrema importância que os pais fiquem atentos desde a infância dos filhos, já que descobrir o problema cedo é essencial para seu tratamento.

Em entrevista ao iG Delas, a psicopedagoga Sheila Leal explica que a dislexia é um distúrbio específico da leitura e escrita, que também pode ser agravado nas questões matemáticas.

“O maior desafio é fazer com que a letra seja reconhecida e seja transformada em som. A criança vê a letra mas não reconhece o som que ela produz”. Isso quer dizer que a pessoa tem dificuldades na rota fonoaudióloga.

Para entendermos um pouco melhor, ela explica que o momento em que um dislexico vai ler é como nós lemos algo em um língua que não dominamos. “A criança lê bem devagar”, explica Sheila.

Segundo a profissional existem três tipos diferentes do distúrbio genético:

Visual: as crianças trocam as letras de lugar na hora da leitura.
Auditiva: elas não conseguem processar o som.
Mista: as duas coisas acontecem.

Além disso, o grau também pode variar entre leve, moderada e severa. Nesta última, são crianças que, com 13 anos, ainda não conseguiram ser alfabetizadas. Segundo a psicopedagoga, o problema nunca vem sozinho. “A pessoa que tem dislexia, tem outros problemas, a não ser que consiga detectar a doença muito cedo”.

Disgrafia

Muito comum nas crianças que têm esse distúrbio, a disgrafia é um problema específico de coordenação motora no momento da escrita.

Discalculia

Também pode estar presente na pessoa dislexica. “É uma dificuldade em reconhecer números, tempo, espaço, cores, meses, ano e dia da semana”, diz a psicopedagoga.

Disortografia

A criança que tem disortografia, segundo Sheila, escreve uma mesma palavra de maneiras diferentes.

A dislexia não tem cura, mas existe tratamentos. É nessa hora que os pais da criança têm que estar atentos, já que o diagnóstico deve ser feito o quanto antes. “Só vai ser detectado antes, com um pai e uma mãe extremamente presentes na vida da criança”.

Veja alguns sinais que podem detectá-la:

Uma criança que não consegue detectar cores depois dos 5 anos
Atraso de linguagem
Criança com 7 anos que ainda fala errado

“Existem muitos pré-requisitos, mas a criança já começa a dar os sinais a partir dos 4 anos”, explica ela, que o diagnóstico preciso acontece por volta dos 7 ou 8 anos da pessoa.

Relação dos pais

A profissional ressalta a importância dos pais da criança nessa fase e fala sobre a ansiedade. “Eles querem ver o filho alfabetizado com 6 anos e dificilmente isso vai acontecer. A gente precisa gerenciar a ansiedade”, conta.

Sheila ainda conta que uma simples brincadeira pode fazer com que os pais percebam que tem algo errado e devem saber que se tem um filho com esse tipo de problema, tem um filho com uma “mente brilhante”, que essas crianças têm um QI acima da média e habilidades diferenciadas.

Matéria publicada originalmente no portal iG Delas em 14/06/2016. Para acessá-la na íntegra:
http://delas.ig.com.br/filhos/2016-06-14/dislexia-pais-devem-ficar-atentos-sinais-controlar-ansiedade.html

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Saiba mais sobre o assunto com o livro:

60081A DISLEXIA EM QUESTÃO
Autora: Giselle Massi
PLEXUS EDITORA

A obra problematiza o reconhecimento da dislexia como distúrbio ou dificuldade de aprendizagem da escrita. Discutindo a inconsistência etiológica e sintomatológica desse suposto distúrbio, bem como a fragilidade das formas de diagnosticá-lo, a autora analisa casos de sujeitos rotulados como portadores de dislexia e mostra que eles – ao contrário dos rótulos que carregam – estão em pleno processo de construção da escrita.

 

‘APÓS OUVIR, É HORA DE CONTAR’

O jornal Extra-RJ publicou entrevista com a escritora Paula Pfeifer, que lança nesta quarta-feira, 29 de abril, na Livraria da Travessa de Ipanema, no Rio, o livro Novas crônicas da surdez (Plexus Editora). A coluna do Ancelmo Gois, em O Globo, também deu destaque para o lançamento. Leia a entrevista do jornal Extra-RJ na íntegra: http://goo.gl/9T4Ayv

Paula ExtraMilhares de pessoas no mundo sabem o que significa ter um ouvido biônico. Paula é uma delas. Ela é surda oralizada: começou a perder a audição na infância até chegar à surdez bilateral profunda aos 31 anos, quando decidiu investigar a possibilidade de fazer um implante coclear para voltar a ouvir. A jornada em direção ao som foi cheia de altos e baixos. No livro, ela retrata com sinceridade os melhores e os piores momentos desse caminho – da decisão de fazer a cirurgia aos meses seguintes à ativação dos eletrodos.

“A cirurgia me proporcionou o reencontro comigo mesma e com uma infinidade de emoções e sentimentos que precisaram ser adormecidos com o passar dos anos”, conta a autora.

A publicação do primeiro livro (Crônicas da Surdez, também da Plexus Editora) mudou completamente a vida da gaúcha de Santa Maria (RS). “Minha vontade de desmitificar a surdez só crescia e o universo começou a conspirar a meu favor para que isso acontecesse”, recorda-se Paula. Com a grande repercussão da obra vieram os convites para falar em público e, a partir daí, uma sucessão de pequenas coincidências que culminaram com a realização do implante. “A melhor coisa que já fiz até hoje”, afirma.

Nessa nova obra, Paula fala sobre a sua opção pelo som e compartilha as suas vivências. É a história de uma pessoa que nasceu ouvinte e ficou surda, trajetória essa muito diferente da de pessoas que já nasceram sem ouvir e não conheceram o som. É um relato humano sobre impressões, descobertas, sentimentos, medos e angústias durante a jornada que teve início em 2013 e seguirá até o fim dos seus dias.

“Como alguém que passou por todos os graus da deficiência considerei perfeitamente possível ser uma pessoa feliz, produtiva e independente até o grau severo”, conta a autora, lembrando que sua personalidade foi mudando imperceptivelmente ao longo dos anos. E isso, diz ela, tem que ver com a dificuldade de interação e comunicação que a surdez traz. “Eu vivia com a sensação de que algo muito importante estava faltando e tornei-me dependente dos outros para coisas tão básicas quanto marcar uma consulta médica”, afirma Paula.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1410/Novas+cr%C3%B4nicas+da+Surdez 

 

PAULA PFEIFER AUTOGRAFA O LIVRO “NOVAS CRÔNICAS DA SURDEZ” NA LIVRARIA DA TRAVESSA, NO RIO

A Plexus Editora e Livraria da Travessa (Ipanema – Rio de Janeiro) promovem no dia 29 de abril, quarta-feira, às 19h, a noite de autógrafos do livro Novas crônicas da surdez. A autora Paula Pfeifer recebe aos convidados na livraria, que fica Rua Visconde de Pirajá, 572 – Ipanema, Rio de Janeiro.

Milhares de pessoas no mundo sabem o que significa ter um ouvido biônico. A gaúcha Paula Pfeifer é uma delas. Ela é surda oralizada: começou a perder a audição na infância até chegar à surdez bilateral profunda aos 31 anos, quando decidiu investigar a possibilidade de fazer um implante coclear para voltar a ouvir. A jornada em direção ao som foi cheia de altos e baixos. No livro, a escritora retrata com sinceridade os melhores e os piores momentos desse caminho – da decisão de fazer a cirurgia aos meses seguintes à ativação dos eletrodos.

“A cirurgia me proporcionou o reencontro comigo mesma e com uma infinidade de emoções e sentimentos que precisaram ser adormecidos com o passar dos anos”, conta a autora.

A publicação do primeiro livro (Crônicas da Surdez, também da Plexus Editora) mudou completamente a vida da gaúcha de Santa Maria (RS). “Minha vontade de desmitificar a surdez só crescia e o universo começou a conspirar a meu favor para que isso acontecesse”, recorda-se Paula. Com a grande repercussão da obra vieram os convites para falar em público e, a partir daí, uma sucessão de pequenas coincidências que culminaram com a realização do implante. “A melhor coisa que já fiz até hoje”, afirma.

Nessa nova obra, Paula fala sobre a sua opção pelo som e compartilha as suas vivências. É a história de uma pessoa que nasceu ouvinte e ficou surda, trajetória essa muito diferente da de pessoas que já nasceram sem ouvir e não conheceram o som. É um relato humano sobre impressões, descobertas, sentimentos, medos e angústias durante a jornada que teve início em 2013 e seguirá até o fim dos seus dias.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/9788585689940

Novas cronicas da surdez

‘O SOM DO RENASCER’

A Revista Donna, encarte do jornal Zero Hora, deu destaque para o livro Novas crônicas da surdez, de Paula Pfeifer, que acaba de ser lançado pela Plexus Editora. Na reportagem, Paula conta como foi o processo de adaptação ao implante coclear. “Foi uma mudança muito radical. Passei 15, 20 anos me educando para ser deficiente e, de repente, passei a ouvir”, conta. Clique para ler a matéria na íntegra: http://goo.gl/oesql5

Milhares de pessoas no mundo sabem o que significa ter um ouvido biônico. A gaúcha Paula Pfeifer é uma delas. 60094Ela é surda oralizada: começou a perder a audição na infância até chegar à surdez bilateral profunda aos 31 anos, quando decidiu investigar a possibilidade de fazer um implante coclear para voltar a ouvir. A jornada em direção ao som foi cheia de altos e baixos. No livro Novas crônicas da surdez – Epifanias do implante coclear, lançamento da Plexus Editora, a escritora retrata com sinceridade os melhores e os piores momentos desse caminho – da decisão de fazer a cirurgia aos meses seguintes à ativação dos eletrodos.

“A cirurgia me proporcionou o reencontro comigo mesma e com uma infinidade de emoções e sentimentos que precisaram ser adormecidos com o passar dos anos”, conta a autora.

60092A publicação do primeiro livro (Crônicas da Surdez, também da Plexus Editora) mudou completamente a vida da gaúcha de Santa Maria (RS). “Minha vontade de desmitificar a surdez só crescia e o universo começou a conspirar a meu favor para que isso acontecesse”, recorda-se Paula. Com a grande repercussão da obra vieram os convites para falar em público e, a partir daí, uma sucessão de pequenas coincidências que culminaram com a realização do implante. “A melhor coisa que já fiz até hoje”, afirma.

Nessa nova obra, Paula fala sobre a sua opção pelo som e compartilha as suas vivências. É a história de uma pessoa que nasceu ouvinte e ficou surda, trajetória essa muito diferente da de pessoas que já nasceram sem ouvir e não conheceram o som. É um relato humano sobre impressões, descobertas, sentimentos, medos e angústias durante a jornada que teve início em 2013 e seguirá até o fim dos seus dias.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1410/Novas+cr%C3%B4nicas+da+Surdez

 

FÁTIMA BERNARDES E LEDA NAGLE ENTREVISTAM AUTORA DO LIVRO “CRÔNICAS DA SURDEZ”

60092A gaúcha Paula Pfeifer, autora do livro Crônicas da surdez (Plexus Editora), participa nesta terça-feira, dia 21, dos programas Encontro com Fátima Bernardes (TV Globo) e Sem Censura (TV Brasil), respectivamente às 10h40 e 16h. No domingo (20), o jornal O Globo publicou ampla reportagem destacando o livro e a história de Paula. Leia na íntegra a matéria intitulada “Com humor e emoção, deficiência invisível virá crônicas e livro”: http://goo.gl/iZDrIT

O livro traz um relato franco e arrebatador sobre experiências e descobertas em meio às dificuldades e às agruras da surdez. Temas como preconceito, tecnologia, mercado de trabalho e bullying são apresentados de forma leve, sem julgamentos, permitindo aos deficientes auditivos, a seus familiares e a profissionais de saúde refletir sobre o cotidiano e sobre a capacidade de superação inerente a todos nós.

Funcionária pública em Santa Maria (RS), Paula nunca se deixou rotular. Claro que, ao receber o diagnóstico de deficiência auditiva bilateral neurossensorial progressiva na adolescência, ficou abalada. Depois da negação, veio a necessidade de saber mais, de conhecer o problema e de encontrar maneiras de superar os obstáculos. Em 2003, formou-se em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Maria e fez seu trabalho de graduação sobre a escolha da modalidade linguística pelas famílias de crianças com deficiência auditiva. Era o primeiro passo para desvendar esse universo.

Apaixonada por viagens, Paula coleciona carimbos no passaporte. Em uma de suas investidas em terras longínquas, teve a ideia de escrever. Em 2007, criou o blogue Sweetest Person, que trata de moda, beleza, maquiagem e literatura. Em pouco tempo, o espaço ganhou milhares de fãs. Foi o impulso de que precisava para, em 2010, dar o segundo passo. Também com milhares de acessos, inclusive de países como Portugal, Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Argentina, o blogue Crônicas da Surdez já foi notícia em importantes jornais e revistas brasileiros. “Foi com a criação desse canal que me dei conta da quantidade de pessoas que têm vivenciado a surdez presas numa bolha de solidão e falta de conhecimento”, afirma Paula.

Para saber mais sobre o livro, acesse: http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1328/Cr%C3%B4nicas+da+surdez

PREFEITURA RESTRINGE ACESSO A REMÉDIO PARA CRIANÇAS HIPERATIVAS

Uma portaria da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo restringiu a distribuição na rede pública de um remédio indicado para crianças e adolescentes hiperativos ou com deficit de atenção.

O metilfenidato, mais conhecido pelas marcas Ritalina e Concerta, é usado no tratamento do TDAH (Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade) e virou alvo de uma discussão mundial sobre seu consumo abusivo.

Por ser um estimulante, há relatos inclusive de seu uso para fins recreativos por adultos, misturado ao álcool.

Para a prefeitura, a norma que entrou em vigor no mês passado disciplina a prescrição do medicamento e tenta evitar seu uso desnecessário.

Já a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), que elabora um manifesto contrário à medida, diz que ela burocratiza o acesso à droga no SUS e pune as crianças pobres que precisam dela.

Antes, bastava o médico avaliar o jovem e prescrever a medicação em receituário especial amarelo (para substância psicotrópica).

Agora, uma equipe multidisciplinar (formada por médico, psicólogo entre outros) da secretaria deverá avaliar a criança, pedir exames e preencher formulário com dados sobre sua saúde física e psicossocial, situação escolar e familiar, entre outros.

No caso de paciente de instituições vinculadas ao SUS, o formulário ainda terá que passar pelo crivo da Coordenadoria Regional de Saúde.
“Só há duas explicações para essa portaria: ou foi feita por falta de conhecimento científico ou é uma questão ideológica para economizar medicamento”, afirma o psiquiatra Antonio Geraldo da Silva, presidente da ABP.

O médico José Ruben de Alcântara Bonfim, da assistência farmacêutica da Secretaria da Saúde da gestão Fernando Haddad (PT), diz que em nenhum momento a portaria visa diminuir custos. Por ano são distribuídos 700 mil comprimidos do remédio na rede pública paulistana.

Bonfim afirma que a portaria tem fundamento científico e visa a segurança do paciente. “Não é só prescrever a medicação. Precisamos ser criteriosos e acompanhar de perto essas crianças”, diz.

Silva, da ABP, também critica o fato de a portaria tirar do médico a primazia da prescrição do medicamento, que agora envolverá uma equipe. “A prescrição é única e exclusiva do médico”, diz.

Bonfim discorda. “O médico não deixará de participar, mas a decisão tem que ser compartilhada com a equipe, com psicólogos, com a família, com a escola.”

O psicanalista Paulo Schiller aprovou a nova portaria. “O medicamento está sendo usado de maneira indiscriminada. O diagnóstico não leva em conta a família, a escola, o ambiente onde a criança vive. Baseia-se só num conjunto de sinais e sintomas.”

Para ele, existe hoje uma pressão grande da indústria farmacêutica para a venda desses medicamentos.

Já o psiquiatra Rodrigo Bressan, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), discorda que haja excesso de diagnóstico de TDHA no Brasil. “Há um subdiagnóstico. Muita criança abandona a escola por causa do transtorno. Precisamos de bons médicos para prescrever às pessoas certas.”

 

Matéria de CLÁUDIA COLLUCCI, publicada originalmente na Folha de S.Paulo em 15/07/2014 . Para lê-la na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/07/1486061-prefeitura-restringe-acesso-a-remedio-para-criancas-hiperativas.shtml

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Se interessa pelo assunto? Conheça o livro Hiperatividade, da Plexus Editora:
60074HIPERATIVIDADE
Como ajudar seu filho
Autora: Maggie Jones

Livro precioso para pais de crianças que sofrem desse aflitivo distúrbio. A autora fornece informação essencial sobre tratamentos convencionais, tratamentos alternativos, alimentação e dietas adequadas, cuidados específicos para as diversas idades. Mostra os passos práticos que os pais podem dar para compreender, apoiar e cuidar da criança, possibilitando à família inteira progredir de forma positiva.