‘CASAR OU NÃO CASAR: EIS A QUESTÃO’

Sinal dos tempos: ao iniciar um relacionamento, o casal realiza uma romântica viagem ao cartório mais próximo e registra um documento no qual esclarece suas intenções. Em geral, as cláusulas e disposições que o casal faz constar no contrato resumem-se ao seguinte: o que é meu é meu, o que é seu é seu, e quando o relacionamento acabar, ninguém deve nada a ninguém. Carimbos e assinaturas devidamente providenciados, o casal deixa o cartório feliz da vida, com a certeza de que o patrimônio de cada um está devidamente protegido de eventuais intempéries que possam acometer o relacionamento amoroso. Será?

Não raro, quando me deparo com interlocutores ávidos por obter as melhores respostas para as dúvidas em direito de família e direito sucessório, uma delas é mesmo singular “- Dra. Ivone, o que é mais interessante para um casal: formalizar de uma vez o casamento ou manter o relacionamento como união estável?”

Difícil resposta. Cada casal, individualmente falando, traz uma história de vida, relacionamentos anteriores, filhos, algum tipo de sociedade profissional, enfim, uma série de envolvimentos passados e presentes que podem interferir e modificar tanto a trajetória profissional como a amorosa/sentimental.

Não por outro motivo observamos que a prática dos chamados contratos de relacionamento está tão disseminada que é possível encontrar, após uma rápida consulta na internet, modelos desses documentos prontos para imprimir e assinar. Contudo, é preciso ter cuidado – e uma boa orientação profissional – na hora de elaborar tais contratos. Do contrário, você pode pensar que acabou de adquirir um seguro capaz de proteger seus bens de rompimentos afetivos e de outros “sinistros” advindos de uma separação, quando, na verdade, está se expondo a uma bela e custosa briga na Justiça.

Quer ver um exemplo? Certa vez um cliente me trouxe um contrato que ele havia baixado da Internet. O documento possuía uma cláusula na qual os contratantes se comprometiam a não fazer nenhuma exigência futura em relação ao patrimônio um do outro. Mais adiante, outra cláusula informava que os dois garantiam jamais, em hipótese alguma, exigir pensão alimentícia do parceiro ou parceira se o relacionamento chegasse ao fim. Tudo muito bonito no papel.

Na prática, porém, as coisas não são bem assim. Se a relação vier a se tornar uma união estável – definida pelo artigo 1.723 do Código Civil Brasileiro de 2002 como um relacionamento público, continuo e duradouro, estabelecido com o objetivo de constituir família (havendo ou não filhos em comum) –, o regime de bens que prevalece é o equivalente ao da comunhão parcial de bens. De acordo com esse regime, os parceiros têm direito, após a separação e o devido reconhecimento judicial da união estável, à metade dos bens adquiridos pelo casal a título oneroso durante o relacionamento.

E se um dos companheiros vier a falecer, o parceiro sobrevivente poderá receber herança, em proporções que dependerão da existência de outros herdeiros e de seu grau de parentesco com o falecido. Cabe lembrar que esses direitos independem do fato de o parceiro ter ou não contribuído financeiramente para a aquisição dos bens em questão. Além disso, é bom que se deixe claro: pessoas que vivem em união estável também podem requerer o pagamento de pensão alimentícia ao fim do relacionamento.

Tendo tudo isso em mente, voltemos aos contratos. Os parceiros de uma união estável podem estabelecer, por meio de documento registrado em cartório, um acordo referente à administração e partilha de seus bens diferente das estipulações previstas pelo regime da comunhão parcial. Contudo, nada impede que, no futuro, um dos dois recorra à justiça para contestar esse acordo, alegando, por exemplo, que as circunstâncias mudaram e que agora ele ou ela necessita de amparo econômico. E, dependendo do entendimento que tiver do caso, o juiz pode lhe dar razão.

É importante ressaltar que nem mesmo um contrato elaborado por advogado, segundo parâmetros legais, está imune de ser judicialmente contestado. Porém, quanto maior for o embasamento legal do documento, maiores serão as chances de que o juiz o aceite na ocorrência de uma eventual disputa judicial. Conclusão: informe-se e consulte um advogado especializado em Direito de Família antes de baixar um contrato de relacionamento da Internet.

Gastar um pouco de tempo e de dinheiro antes pode lhe poupar de uma série de despesas e de dores de cabeça depois.

 

Ivone Zeger é advogada especialista em Direito de Família e Sucessão. Membro efetivo da Comissão de Direito de Família da OAB/SP é autora dos livros “Herança: Perguntas e Respostas”, “Família: Perguntas e Respostas” e “Direito LGBTI: Perguntas e Respostas – da Mescla Editorial.

Artigo publicado no Estadão, em 10/10/2017. Para acessar na íntegra (restrito a assinantes ou cadastrados): http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/casar-ou-nao-casar-eis-a-questao/

 

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Conheça os livros da autora:

FAMÍLIA
Perguntas e respostas
Autora: Ivone Zeger

Quando o assunto é direito da família, somente uma especialista como Ivone Zeger pode responder de forma simples e direta às principais dúvidas relacionadas com casamento, divórcio, pensão alimentícia, partilha de bens, adoção, violência doméstica, filhos, união gay etc. – tudo de acordo com as mudanças ocorridas na legislação.

 

HERANÇA
Perguntas e respostas
Autora: Ivone Zeger

Quais são os motivos para deserdar alguém? Bens de família também entram no pagamento da dívida? Quando uma pessoa morre sem deixar testamento, quem fica com os bens? O que cabe aos enteados? E à segunda esposa? Divorciados têm direito à herança do cônjuge? O que é usufruto? Filhos têm de dividir a herança com o avô?

Essas são apenas algumas das perguntas respondidas neste livro. Com base em sua ampla experiência em Direito de Família e Sucessão, a advogada Ivone Zeger esclarece – em linguagem simples e objetiva, bem distante do “juridiquês” que assusta os leigos – as dúvidas mais comuns que todos temos sobre o assunto.

DIREITO LGBTI
Perguntas e respostas
Autora: Ivone Zeger

Esta obra de Ivone Zeger tem o objetivo de responder a questões relativas a casamento, união estável, adoção, inseminação artificial, dissolução de união estável, divórcio, partilha de bens, herança, entre outros temas pertencentes ao Direito de Família, porém voltados ao público homossexual, bissexual e transexual.

 

‘MULHERES CONTAM AS MAIORES CULPAS QUE SURGIRAM COM A MATERNIDADE’

Por mais injusto que possa parecer, o sentimento de culpa é algo que chega junto com a maternidade. Os motivos vão dos mais comuns, como os planos de parto e amamentação não saírem como o desejado, até aqueles que surgem depois do período de licença, como o fato de deixar o filho para voltar ao trabalho. Cada uma segue e lida com suas dores de uma forma.

E é bom que seja assim. Segundo Anna Mehoudar, psicanalista do Gamp 21 (Grupo de Apoio à Maternidade e Paternidade), ser mãe [e pai] é um aprendizado contínuo, que não termina no primeiro mês ou ano dos filhos.

“No começo da vida materna, a mulher precisa lidar com a ambivalência de ter nos braços algo que sempre quis (ou não necessariamente) e sofrer por tê-lo. O conflito psíquico está presente. Nesses momentos, o entendimento de que a figura dela como pessoa não se desfez com a chegada do bebê é essencial.”

Além disso, a especialista cita a pressão da sociedade, que idolatra a infância e faz a mãe se sentir culpada por não cuidar da criança da forma “ideal”. “É perfeitamente aceitável que os pais queiram dar tudo do bom e do melhor, mais do que tiveram e o famoso discurso de não cometer os erros daqueles que os criaram. Entretanto, não é possível ter controle de tudo e, muitas vezes, os planos não saem como previstos e o filho está ‘muito bem, obrigada'”.

Diante de todos esses embates, é preciso procurar ajuda, seja especializada, na terapia, ou em grupos para que encontre semelhantes.

A seguir, conversamos com cinco mulheres sobre as culpas que as acompanham na caminhada da maternidade.

Terapia me fez entender que não posso fazer o papel do pai

“Desde que meus filhos tinham 2 e 3 anos, sou separada do pai e me sinto muito culpada pela responsabilidade de cria-los sozinha. Preciso responder pela educação, valores e tudo o que tange a formação deles como ser humano, e não sinto que faço com excelência. Tento dividir esses conflitos com meu ex-marido, que só convive com as crianças de 15 em 15 dias, mas sou ignorada. Além dessa falta de apoio do pai deles, conto com a cobrança dos familiares. Quando me vi sem ânimo, paciência e descontando nos meus filhos toda essa frustração, comecei a fazer terapia. Estava enxergando o meu papel como ‘o chato’ da vida deles, mas, hoje, também com a ajuda de grupos relacionados à maternidade, consegui ampliar minha visão sobre o assunto. Sigo sem apoio e reconhecimento, mas entendi que não posso deixar de fazer o meu papel de mãe, mas que não sou o pai. A responsabilidade é dele e não devo me culpar pela atitude dos outros”, Daniela, 34, mãe de duas crianças, de 7 e 8 anos.

Minha filha estava abaixo do peso por minha culpa

“Ser mãe é a experiência mais legal e sofrida que o ser humano pode viver. É uma mistura de sentimentos. Ao mesmo tempo que amo minha filha de uma forma indescritível, já tive (e tenho) pensamentos de arrependimento por ter decidido tê-la. Então, no primeiro sorriso, vem a culpa de ter sentido isso. Eu não tive o parto que desejei, passei por uma cesárea depois de cerca de sete horas em trabalho de parto. Fiquei muito frustrada. Depois disso, quando ela estava com três meses, em uma consulta com o pediatra, descobri que meu leite não era o suficiente. Aquilo me arrasou. Minha filha estava abaixo do peso porque eu não era capaz de alimentá-la da maneira correta? Até hoje não consigo entender como tinha tanto leite, ouvia o choro e não percebia que era fome porque ela tinha acabado de passar mais de uma hora no peito. Acho que esse remorso seguirá para sempre, mas também penso que faz parte dessa loucura que é a maternidade”, Sandra, 32, mãe de uma menina de 2 anos.

Texto parcial extraído de reportagem de Thais Carvalho Diniz, publicada no UOL em 06/10/2017. Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://estilo.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2017/10/06/mulheres-contam-as-maiores-culpas-que-surgiram-com-a-maternidade.htm

 

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A psicanalista Anna Mehoudar é autora da Summus Editorial. Conheça seu livro:

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DA GRAVIDEZ AOS CUIDADOS COM O BEBÊ
Um manual para pais e profissionais

A gravidez e o parto são marcos na vida da mulher e da família. Neste livro, dedicado a pais e a profissionais de saúde, a psicanalista Anna Mehoudar aborda os aspectos clínicos e psicológicos da gestação e dos primeiros meses com o bebê. Voltada para o parto humanizado e a atenção global à gestante, a obra tem caráter prático e cobre uma vasta gama de assuntos, da mala a ser levada na maternidade à amamentação.

‘PÔR FILHO PARA PENSAR NÃO É CASTIGO: VEJA AÇÕES EDUCATIVAS PARA CADA IDADE’

Quando seu filho faz alguma coisa errada, você o coloca no cantinho para pensar no que fez? Temos uma má notícia: as chances de ele mudar o comportamento são mínimas. “A criança de até 6 anos não tem a compreensão moral das coisas, dos seus atos. Ela obedece porque alguém diz que aquilo é certo ou errado. Ou porque a mãe fica triste ou contente” diz a psicóloga infantil Elizabeth Monteiro. Além disso, vincular o pensar — algo positivo e enriquecedor — a um castigo não é uma boa ideia.

Para a especialista, o castigo só tem fundamento se for educativo e não punitivo. “Caso contrário, só serve para descarregar a raiva do adulto e para medir poder”, explica. Quer saber o que pode funcionar de verdade na hora de corrigir os erros do seu filho? Veja estas dicas dos especialistas, sempre levando em conta a idade da criança:

Até 3 anos

Em vez de colocar de castigo ao desobedecer, é melhor mudar o foco da criança. Nesta fase, ela é oposicionista e teimosa por natureza. Claro, falar com firmeza (sem gritar) e ter coerência é importante, mas será mais eficiente distraí-la.
O que fazer: se estiver pulando no sofá e não quiser descer, chame-a para pintar uma caixa de papelão, desenhar no box do banheiro com pasta de dente ou fazer um bolo na cozinha – sim, precisa ter criatividade! Já se quiser que seu filho não mexa nas coisas, mantenha o ambiente livre e os objetos “proibidos” fora de seu alcance. Nesta idade, a criança precisa mexer em tudo, porque ao explorar ela desenvolve a percepção tátil, gustativa, visual e entende para que que serve cada coisa.

Até os 5 anos

Nesta fase, a criança acha que é o centro do universo, mas já é possível ajudá-la a construir a noção de que as atitudes têm consequências.
O que fazer: quando ela estiver muito irritada ou tendo um ataque de birra, por exemplo, você pode mandá-la para o quarto para se acalmar. Também funciona sair de perto e voltar quando a criança estiver calma. Outra maneira de educar, ajudando a entender o sistema atitude-consequência, é, dizer “após guardar os brinquedos, você poderá sair para brincar” ou “depois que tomar seu banho poderá voltar para assistir à TV mais um pouquinho”.

A partir dos 6 anos

A criança já entende um pouco melhor que todo ato tem uma consequência. Portanto, pode arcar com o preço de suas escolhas.
O que fazer: se seu filho enrola para sair de casa de manhã, em vez de ameaçar, deixe o perder a aula, a prova, a matéria. Ele é quem vai sair no prejuízo. Perceba os motivos pelos quais vocês sempre discutam e trabalhe neles. Um pré-adolescente que nunca está pronto na hora de sair de casa, pode ser excluído do passeio, vez ou outra.

Em todas as idades

Se a criança agride fisicamente ou verbalmente outra pessoa, mostrando-se muito descontrolada, deverá ser retirada do lugar para esperar se acalmar. Só depois, quando estiver tranquila, os pais deverão conversar sobre a atitude dela e fazê-la refletir.

Fontes: Adriana Lot Dias, psicóloga e pedagoga. Clay Brites, pediatra e professor da Unicamp. Elizabeth Monteiro, psicóloga, pedagoga e autora do livro “Criando Filhos em Tempos Difíceis – Atitudes e Brincadeiras Para uma Infância Feliz” (Summus Editorial).

 

Matéria de Carolina Prado e Gabriela Guimarães, publicada originalmente no UOL, em 03/10/2017. Para acessá-la na íntegra:
https://estilo.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2017/10/03/por-filho-para-pensar-nao-e-castigo-veja-acoes-educativas-para-cada-idade.htm

 

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Conheça todas as obras da psicóloga Elizabeth Monteiro publicadas pelo Grupo Summus:

CRIANDO FILHOS EM TEMPOS DIFÍCEIS
Atitudes e brincadeiras para uma infância feliz

Buscando aprimorar a interação entre pais e filhos, Betty Monteiro aborda neste livro os benefícios do brincar e explica as brincadeiras preferidas pelas crianças em cada fase do desenvolvimento. Fala ainda sobre a “criança difícil”– a que não come, a medrosa, a do contra etc. – e dá dicas para lidar com conflitos. Em linguagem simples e fluida, ela nos convida a voltar à infância e a aproveitar melhor o tempo com os pequenos.

 

CRIANDO ADOLESCENTES EM TEMPOS DIFÍCEIS

O amor parental não é estático: ele muda com o tempo e com os filhos. Por isso, os pais precisam atualizar seu modo de sentir e amar. Com uma linguagem direta e delicada, Elizabeth Monteiro fala sobre a necessidade de proteger os adolescentes de ameaças como as drogas e, ao mesmo tempo, de incentivar a autonomia deles. Sem fórmulas mágicas, a autora estabelece com pais e educadores um diálogo amplo e profícuo.

 

A CULPA É DA MÃE
Reflexões e confissões acerca da maternidade

Neste livro emocionante e catárquico, a psicoterapeuta Elizabeth Monteiro relata suas experiências – muitas vezes desastradas – como mãe de quatro filhos. Partindo das relações familiares na época de sua avó e passando pela própria infância, ela mostra que as mães, independentemente da geração, erram. Mas não devem se sentir culpadas por isso. Prefácio de Lya Luft.

 

AVÓS E SOGRAS
Dilemas e delícias da família moderna

Que papel é reservado às avós no mundo de hoje? E às sogras? Certamente elas não são mais aquelas velhinhas que passavam o dia todo tricotando. Hoje, trabalham fora, cuidam ativamente dos netos e muitas vezes sustentam toda a família. Nesta obra, Betty Monteiro fala sobre o lugar dos avós na sociedade moderna, aponta limites para a intervenção na família e aponta caminhos para uma convivência intergeracional harmoniosa.

 

CADÊ O PAI DESSA CRIANÇA?

Pais ausentes, descomprometidos, perdidos em seus papéis. Nessa realidade contemporânea, se A culpa é da mãe, cadê o pai da criança? Baseada em sua experiência clínica e em pesquisas diversas, Betty Monteiro aborda os conflitos familiares, os modelos inadequados de pais – ilustrados com casos clínicos – e dá sugestões para resgatar a identidade paterna e mostrar sua importância na formação dos pequenos.

 

VIVER MELHOR EM FAMÍLIA
Dicas e atitudes para relacionamentos saudáveis e filhos felizes

Criar filhos e manter relações familiares harmônicas não é tarefa fácil. Neste livro, Betty reúne reflexões e comentários publicados em suas cinco obras anteriores. Além de se dirigir às mães, a coletânea também pode ser lida por avós, pais e cuidadores.

 

‘SAIBA COMO LIDAR COM AS BRIGAS ENTRE IRMÃOS’

Irmãos brigam mesmo, é assim! Mas alguns quebra-paus passam do limite. Saiba lidar com eles

Não importa o motivo: seja pelo brinquedo novo, pelo controle do videogame, seja até pela última bolacha do pacote, os pequenos sempre arranjam uma razão para implicar uns com os outros. E só quem é mãe sabe o quanto esses desentendimentos podem ser desgastantes. Afinal, não bastassem todos os outros afazeres, ficar toda hora mediando os conflitos das crianças consome uma energia danada! Se você também já está cansada de tanta briga, confira os conselhos da psicóloga Ana Paula Magosso Cavaggioni, de Santo André (SP), para conseguir ter paz em casa!

ELES QUEREM ATENÇÃO

Com a chegada do segundo filho (ou do terceiro…), as crianças precisam aprender a dividir não só o espaço mas também os cuidados e a atenção dos pais. Para os mais velhos a situação é pior, pois um bebê dá muito trabalho e pode ser difícil entender essa mudança de foco. “É comum que eles comecem as brigas com o intuito de chamar a atenção dos pais”, diz Ana Paula. Se essa disputa não for bem trabalhada na infância, pode até se estender para outras fases da vida. Daí ser tão importante ensinar os filhos a resolver os conflitos numa boa desde cedo.

O QUE FAZER QUANDO A CONFUSÃO SE INSTALA

Tudo depende da maneira como eles estão brigando. “Se passarem a se agredir fisicamente ou se estiverem se xingando com nomes feios, os pais precisam interferir na hora”, defende a expert. Em compensação, se for apenas um desentendimento, vale a pena espiar para ver como eles resolvem o conflito — o ideal é que consigam chegar a uma solução sozinhos. Se bem que, enquanto forem pequenos, não tem jeito: a presença dos pais provavelmente será requisitada, pois não possuem maturidade sufi ciente para resolver por si sós essas questões. Nesses casos, estabelecer acordos pode ser uma boa saída. Por exemplo, ambos querem brincar com o mesmo carrinho? Diga isso em voz alta e pergunte: “De que maneira podemos resolver isso?”. Permita que eles participem da conversa e exponham suas ideias e pontos de vista. Se ficarem calados, sugira uma proposta, como: “Que tal se cada um der duas voltas e depois passar para o outro?”. Ao final, deixe claro o que ficou resolvido e pergunte se concordam. “Depois, fiscalize por um tempo para saber se eles estão cumprindo o que foi estabelecido”, diz Ana Paula.

NÃO SEI QUEM COMEÇOU. E AGORA?

“Os pais raramente sabem quem começou a briga, e qual dos lados está certo”, tranquiliza Ana Paula. Justamente por isso é indicado conversar com cada um separadamente. Mas não é preciso achar um culpado, sabia? Basta perguntar à criança como ela se comportou. Se ela garantir que não fez nada de errado, confronte-a com a versão do irmão. Depois, aponte a atitude que não está correta e explique por que não se deve agir assim. Tente não menosprezar o sentimento de raiva da criança e demonstre que existem outras maneiras de lidar com isso. “O importante é não dar privilégio para um porque é mais novo ou para o outro porque costuma ser menos arteiro”, orienta a especialista. E nada de compará- lo ao irmão, ao primo ou ao amigo na hora de chamar a atenção. Cada pequeno tem seu próprio ritmo de aprendizado!

CUIDADO COM O TOM DE VOZ!

De vez em quando, a casa fica um caos, a criançada não para de gritar e você precisa elevar o tom para ser ouvida. Tudo bem, acontece. O problema é fazer isso porque você está nervosa e não aguenta mais a situação. Nesse caso, respire fundo e espere a raiva passar. Afinal, você está tentando ensinar a eles como lidar com esse tipo de sentimento sem perder a razão, não é? O mesmo vale para as discussões com o marido ou outros parentes dentro de casa: não vale dar mau exemplo, combinado?

 

Matéria de por Ana Bardella, publicada na Revista Máxima. Para aessa na íntegra: http://maxima.uol.com.br/noticias/comportamento/saiba-como-lidar-com-as-brigas-entre-irmaos.phtml#.Wc02FFSPLIU

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça:

 

IRMÃOS SEM RIVALIDADE
O que fazer quando os filhos brigam
Autoras: Elaine MazlishAdele Faber
SUMMUS EDITORIAL

Das mesmas autoras de Como falar para o seu filho ouvir e como ouvir para o seu filho falar, este livro aborda, entre outros, os seguintes tópicos: como ajudar os irmãos a conviverem bem, como tratar os filhos de forma diferente mas com justiça, como libertar as crianças de rótulos e como agir positivamente no momento das brigas. E, o que é mais importante, os pais aprenderão a resolver conflitos de forma pacífica.

‘PROJETOS USAM DANÇA COMO TERAPIA PARA PESSOAS COM DEPRESSÃO E IDOSOS’

Em uma sala espelhada, 40 pessoas enfileiradas fazem caretas e fecham os punhos perto da cabeça: é a hora do macaco. Destinado a pessoas com depressão, o ensaio de dança é encerrado com a mímica de um leão –acompanhada de tentativas de rugidos por alguns.

“No teatro oriental, os bichos são arquétipos gestuais humanos, eles revelam emoções interessantes”, diz o coreógrafo Ivaldo Bertazzo, um dos responsáveis pelo “Próximo Passo – O Espetáculo”, projeto que, usando dança como terapia complementar, busca ajudar pessoas a enfrentar a depressão.

“Quando fazemos os bichos estamos pensando em forças primitivas. Para o público é uma expressão estética, mas internamente são músculos para serem trabalhados nas forças mais essenciais.”

O resultado dos quatro meses de ensaios será apresentado no Sesc Vila Mariana a partir de 6 de outubro.

“A depressão traz sensação de peso, as pessoas perdem a autoestima, a corporalidade”, diz Giuliana Cividanes, pesquisadora da Unifesp e consultora da Libbs, farmacêutica que patrocina o projeto. “A dança é um movimento lúdico ligado ao ritmo, à música, e atinge o corpo. É algo também feito com a mente.”

Aranaí Guarabira, 44, diz que os ensaios para o espetáculo ajudaram-na a olhar para si mesma, “rasgar o corpo e falar ‘olha quem você é'”, numa espécie de processo de aceitação da doença. “Eu estava bem contida, um pouco com vergonha de estar passando por isso”, diz.

Frequentadora de mais de uma década das corridas de São Silvestre, Ana Cintra, 60, se viu forçada a parar por causa de uma lesão. Usou os ensaios como “uma tábua de salvação” num momento em que começava a temer a chegada de outra crise depressiva.

Carmen Santana, professora de saúde coletiva na Unifesp, afirma que estudos mostram que atividades como coral, artes plásticas e dança têm benefícios na qualidade de vida e na saúde mental.

O tratamento da depressão, diz a professora, abrange medicamentos, psicoterapia e também atividade física. Ela afirma que as três formas de terapia trabalham juntas, daí a importância de mantê-las em dia.”Independente da idade, atividades criativas promovem transformação pessoal”.

Já outro projeto usa “pas de bourrée”, “sous-sus” e “arabesque” para incentivar atividades sociais entre idosos. Se o leitor não está entendendo nada, calma, não precisa pesquisar. A resposta é balé.

“Como temos uma sequência coreográfica diferente a cada aula, ela força a memorização e a capacidade de concentração. Eu percebo um grande avanço nisso nos alunos”, diz Priscila Monsano, fisioterapeuta, bailarina e criadora do projeto Balleterapia.

Monsano suavizou e redesenhou posições e movimentos do balé clássico, como grandes piruetas e giros, para possibilitar que seus 42 alunos –maior parte entre 60 e 70 anos– pratiquem a dança. “É uma forma segura para trabalhar com um organismo que já tem limitações”.

“Em geral, quando as pessoas começam a dançar, vemos que há um cuidado diferente com o corpo, mais amoroso. Aumenta o autocuidado”, diz Santana, da Unifesp.

Segundo Alexandre Busse, geriatra do Hospital das Clínicas da USP, a atividade física para idosos é importante para manutenção e desenvolvimento do equilíbrio e da flexibilidade, o que auxilia na prevenção de quedas. Além disso, pode ajudar a reduzir quadros de dor.

Ele afirma que antes de iniciar qualquer atividade é importante a realização de uma avaliação para determinar riscos cardíacos e de quedas.

Os especialistas também podem auxiliar na escolha de uma atividade que melhor se enquadre às limitações do idoso, como tai chi chuan e dança circular, modalidade que pode ser feita com as pessoas sentadas.

Segundo o geriatra, esse tipo de atividade traz ganhos cognitivos. “É como se estivesse dando uma reserva para o cérebro. Se essa pessoa estiver eventualmente sendo acometida por Alzheimer, ela demora mais tempo para desenvolver os sintomas, diz Busse. “A atividade física é a verdadeira pílula do envelhecimento bem-sucedido.”

Matéria de Phillippe Watanabe, publicada na Folha de S. Paulo, em 26/09/2017. Para lê-la na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2017/09/1921706-projetos-usam-danca-como-terapia-para-pessoas-com-depressao-e-idosos.shtml

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Quer saber mais sobre dançaterapia? Conheça os livros da Summus sobre o assunto:

 

DANÇATERAPIA
Autora: María Fux

María Fux é bailarina, coreógrafa e professora com uma brilhante trajetória profissional. Relata neste livro a sua experiência de mais de 30 anos com o ensino da dança para crianças, adolescentes e adultos afetados pela surdez e outras deficiências sensoriais e motoras. Sua experiência neste trabalho possibilitou o desenvolvimento de várias técnicas que são fruto da intuição, paciência, perseverança e, acima de tudo, empatia. O livro mostra todas as possibilidades de seu trabalho e como, através do movimento, podemos recuperar o equilíbrio e a alegria de viver.

 

DEPOIS DA QUEDA… DANÇATERAPIA!
Autora: María Fux

Neste livro, María Fux relata sua recente queda e conseqüente fratura da patela. Ela utiliza essa experiência para explicar ao leitor como as partes sadias do corpo – assim como no trabalho com deficientes – são as que determinam a reconstrução corporal integral. Num estilo informal e espontâneo, María organiza recordações e experiências, transmitindo ao leitor suas propostas para uma pedagogia artística, artesanal, que se apóia na música e no poder da palavra.
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FORMAÇÃO EM DANÇATERAPIA
Autora: María Fux

Neste livro, a autora amplia os aspectos e conceitos que regem a dançaterapia. É apresentada uma série de vivências pessoais que permitem compreender como ela descobriu seu corpo, enriqueceu seu movimento e desenvolveu sua criatividade. María Fux relata suas experiências no ensino e utiliza-as como linha-mestra para definir o processo de formação do dançaterapeuta.
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DANÇA, EXPERIÊNCIA DE VIDA
Autora:
María Fux

María Fux condensa neste livro sua experiência de mais de 30 anos como coreógrafa e bailarina e, sobretudo, como educadora que transmite sua linguagem artística. O livro mostra como podemos nos expressar através do corpo como meio de comunicação a serviço da educação, mesmo quando há problemas de deficiência física ou limitação pela idade.
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SER DANÇATERAPEUTA HOJE
Autora: María Fux

A dançaterapeuta argentina María Fux é conhecida pela sensibilidade com que trabalha com todos os tipos de público, extraindo dos movimentos corporais, da música e do silêncio uma trama que entrelaça palavras, corpos, ritmos vozes, linhas e cor. Neste livro, ela compara algumas das ferramentas criativas que utiliza para promover a comunicação em seus grupos de trabalho.

 

‘8 PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE COMO A CIÊNCIA VÊ A CURA GAY’

A liminar concedida pelo juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14ª Vara do Distrito Federal, causou polêmica ao permitir que psicólogos ofereçam terapias de “reversão sexual” para pacientes gays, sem qualquer censura ou autorização do CFP (Conselho Federal de Psicologia).
O UOL esclarece como a ciência vê esse tema:

1 – A homossexualidade é considerada uma doença?

Não. Desde 1973, a Associação Americana de Psiquiatria excluiu a homossexualidade da lista de doenças listadas no DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

A OMS (Organização Mundial da Saúde) só tomou a mesma decisão em 1990, enquanto o CFP (Conselho Federal de Psicologia) proibiu os tratamentos desde 1999.

Com a despatologização, o termo homossexualismo foi abandonado, já que o sufixo -ismo é muito usado para nomear doenças.

2 – Se não é doença, o que é?

Uma orientação sexual. Uma série de estudos mostraram que a homossexualidade não passa de uma variação de comportamento comum entre os seres humanos e que não implica em uma diferenciação que pode ser revertida com intervenção médica.

3 – E por que homossexuais procuram ajuda profissional?

Principalmente por causa do preconceito. Por crescer em uma sociedade heteronormativa, os homossexuais passam por um processo difícil de aceitar sua orientação sexual e assumir ela para a família e os amigos. Sem contar que ainda precisam lidar com o preconceito da sociedade em que vivem.

4 – O que fez os psiquiatras não considerarem a homossexualidade um distúrbio?

A classe médica desconsiderou a homossexualidade como distúrbio por dois motivos: uma série de estudos científicos e pela luta dos ativistas LGBT.

Em 1948, o biólogo norte-americano Alfred Kinsey publicou um estudo sobre o comportamento sexual do homem e tratou a homossexualidade como uma possibilidade, não como patologia. Em 1957, a psicóloga Evelyn Hooker também publicou um estudo em que comparou 30 homossexuais com 30 heterossexuais e não identificou qualquer distúrbio psicológico no grupo gay.

5 – E como se sabe que ser gay não é uma escolha?

Isso é demonstrado também por uma série de estudos comportamentais e biológicos. Um deles feito pelo neurocientista Simon LeVay encontrou uma evidência biológica de que os homens gays já nascem com essa orientação por conta de uma diferença na região do hipotálamo.

Um outro estudo citado pela APA (Associação Americana de Psiquiatria) avaliou 3.261 gêmeos com idades entre 34 e 43 anos e revelou que “análises quantitativas mostraram uma variação do comportamento atípico do gênero durante a infância e que a orientação sexual dos adultos é em parte devida à genética”.

Outra evidência observada pelo cientista belga Jacques Balthazat é que a exposição a certos hormônios durante o desenvolvimento fetal tem um papel importante na orientação sexual. O estudo concluiu que homossexuais foram expostos a atípicas condições endócrinas durante a gestação.

A Associação Americana de Psiquiatria diz que “a opinião preponderante da comunidade científica é que há um forte componente biológico na orientação sexual, e que interação genética, hormonal e fatores ambientais interagem na orientação de uma pessoa”.

6 – Um especialista, como um psicólogo, pode ajudar a fazer com que um homossexual vire heterossexual?

O papel do psicólogo não é “curar”, mas, sim, ajudar o paciente a buscar qualidade de vida em todos os aspectos, inclusive sexual. Após a decisão do juiz brasileiro, o CFP (Conselho Federal de Psicologia) soltou uma declaração, dizendo que a homossexualidade não deve ser tratada.

7 – E o que provou que a cura gay não funcionava?

Os principais tratamentos focavam na apresentação de uma série de estímulos homoeróticos e, ao mesmo tempo, administração de substâncias que provocassem enjoos e nojo. Outras terapias, também violentas, eram administração de hormônios e eletroconvulsoterapia.

No entanto, uma série de estudos científicos desqualificou “esses tratamentos” por não terem material clínico suficiente de modificação na orientação sexual. Sem contar que uma série de estudos antropológicos também comprovavam que existiam gays entre outros povos, como gregos e indígenas. E esse comportamento era encarado com naturalidade entre esses povos.

8 – Quais as consequências de um “tratamento de reorientação sexual”?

Esse tipo de “tratamento” pode causar frustrações não só para o paciente, mas para seus familiares. Além de comprometer a saúde mental por aumentar o risco de depressão, suicídio e ansiedade.

Fontes: Alexandre Saadeh, coordenador do Ambulatório de Transtorno de Identidade de Gênero e Orientação Sexual do IPq (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas); Carla Zeglio, diretora e psicoterapeuta sexual do INPASEX; Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da USP; Edith Modesto, psicanalista e fundadora do GPH (Grupo de Pais de Homossexuais).

Matéria publicada originalmente no UOL Comportamento, em 23/09/2017. Para acessá-la na íntegra: https://estilo.uol.com.br/vida-saudavel/noticias/redacao/2017/09/23/8-perguntas-e-respostas-sobre-como-a-ciencia-ve-a-cura-gay.htm

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Conheça o livro de Edith Modesto, uma das fontes da matéria e autora das Edições GLS:

ENTRE MULHERES
Depoimentos homoafetivos

Este livro traz depoimentos de mulheres lésbicas e bissexuais de várias idades, profissões e classes sociais. Os temas são variados: relações familiares, juventude, religião, trabalho e preconceito. Trata-se do relato vivo da experiência de cada uma dessas mulheres, que deixaram todo o conforto emocional do mundo convencional para viver a dura vida de homossexual em um país tipicamente machista.

‘ QUANDO A DOR DE PERDER UM BEBÊ NÃO É RESPEITADA: “VAI INCINERAR COM O LIXO” ’

Perder um filho é dilacerante para pais e mães. Mas famílias que perderam seus bebês –antes mesmo do nascimento ou logo após– relatam dificuldade de encontrar espaço físico e acolhimento para viver o seu luto, ainda no hospital. Há mulheres que são colocadas no mesmo ambiente com mães que estão recebendo seus filhos saudáveis ou em quartos vizinhos, tendo de ouvir o choro de recém-nascidos e a alegria das famílias.

A psicóloga Larissa Rocha, uma das fundadoras do projeto Do Luto à Luta: Apoio à Perda Gestacional e Neonatal, perdeu um filho aos cinco meses de gestação, em função de um problema chamado gestação molar (na qual um tumor, geralmente benigno, desenvolve-se no útero), e viveu situações desrespeitosas em uma maternidade privada no Rio de Janeiro.

“Do meu quarto, logo após a curetagem, ouvia bebês chorarem. Funcionários entravam e me perguntavam do meu filho. Ganhei kit maternidade, um brinde distribuído em algumas maternidades particulares”, conta Larissa, que perdeu um bebê entre as gestações dos filhos Tomás, 4 anos, e Mila, 1.

Na falta de um protocolo oficial que oriente hospitais e profissionais da saúde a lidarem com a perda gestacional e neonatal, o Do Luto à Luta reivindica um tratamento mais humanizado com base em algumas orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde).

“O uso de uma pulseira diferente pela mãe que perdeu o filho já evitaria que ela fosse alvo de perguntas indelicadas. Se não é viável ter uma ala só para o atendimento delas na maternidade, elas poderiam, pelo menos, serem colocadas afastadas das mães com seus filhos nos braços”, diz Larissa.

“Se pesar menos de 500 g, vai incinerar com o lixo hospitalar”

“Era noite e cismei que o Felipe não estava mexendo. Estava com cinco para seis meses de gestação. Na manhã seguinte, eu e meu marido fomos para o hospital público mais perto da minha casa. Estava fazendo o pré-natal pelo SUS [Sistema Único de Saúde]. O médico tentou ouvir o coração do bebê, e nada. Fiz um ultrassom, que constatou que o Felipe estava morto. O médico virou para mim e falou: ‘Você fez alguma coisa para isso acontecer?’. Insinuando que eu tinha provocado um aborto! Fui até o lado de fora do hospital dar a notícia para o meu marido, porque não tinham deixado ele ficar lá dentro comigo. Sentamos os dois na calçada e choramos. Quando entrei, tive de tomar remédio para expulsar o bebê. Fiquei 24 horas em trabalho de parto, vendo outras mães tendo seus filhos saudáveis. Morrendo de dor, a cada vez que ia ser examinada para conferir a dilatação, ouvia das enfermeiras: ‘Foi você que perdeu o bebê, não é?’. Na hora em que finalmente ele nasceu, a que estava comigo falou sem rodeios: ‘Se pesar mais de 500 g tem de fazer funeral, se não, vai incinerar com o lixo hospitalar’. Disse isso e colocou ele e a placenta em uma bacia de alumínio e levou. Sei que o luto era meu, mas não teve respeito.” Kátia Gonçalves Moreira, 38 anos, é mãe também de Fernanda, 17, e Mariana, 10.

 

Texto parcial de matéria de Adriana Nogueira, publicada no UOL em 22/09/2017. Para acessar na íntegra e ver outras histórias, clique em https://estilo.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2017/09/22/maes-que-perderam-seus-bebes-vivem-o-luto-no-meio-da-alegria-da-maternidade.htm

 

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MATERNIDADE INTERROMPIDA
O drama da perda gestacional
Autora: Maria Manuela Pontes
EDITORA ÁGORA

Por vezes o ciclo da vida inverte-se: morre-se antes de nascer. Estará a sociedade civil consciente da fragilidade da maternidade e do vigor desse sono eterno que nos desvincula da existência? Este livro denuncia os processos da dor e do luto em mulheres que enfrentaram o drama da perda gestacional. São testemunhos reais de uma dura realidade que, silenciosa, clama por ser ouvida.
Prefácio de Maria Helena Pereira Franco.

‘FORMAÇÃO É CALCANHAR DE AQUILES DOS PROFESSORES DE MATEMÁTICA DO BRASIL’

Acabo de receber material muito interessante do meu colega Humberto Bortolossi, da Universidade Federal Fluminense, intitulado “Formação de professores de matemática: O que é realmente necessário e prioritário?”, que recomendo vivamente aos leitores.

Humberto fez mestrado no Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e doutorado em matemática na PUC-Rio, com uma excelente tese sobre otimização de redes de produção e distribuição energia.

Ele combina cultura acadêmica e tecnológica fora de série com uma diversidade de interesses de estudo igualmente invulgar: educação em matemática, popularização da ciência, formação de professores e muito mais. Humberto tem mais uma grande qualidade: ao contrário de tantos teóricos da educação que “pesquisam” o tema em seus gabinetes sem jamais chegarem perto da sala de aula, ele põe a mão na massa e submete suas ideias e experiências ao duro julgamento da realidade.

A formação de professores é o calcanhar de Aquiles da nossa educação básica. O professor é elemento crucial da cadeia educativa e, no entanto, a formação oferecida na maior parte das nossas licenciaturas em matemática é totalmente inadequada, além de obsoleta. No Brasil, a esmagadora maioria dos licenciados da área é egressa de faculdades particulares com controles de qualidade duvidosos. Muitas dessas instituições não têm jeito, precisam ser fechadas. Para outras, um efetivo controle por parte das autoridades poderia fazer uma grande diferença. Mas nossas melhores universidades públicas também não estão isentas de críticas.

Em artigo publicado em março de 2011 na revista “Notices”, da American Mathematical Society (Sociedade Americana de Matemática), o professor emérito Hung-Hsi Wu da Universidade da Califórnia, em Berkeley, pergunta: “Para formarmos bons professores de francês, deveríamos exigir que eles aprendam latim, no lugar de francês? Afinal, latim é a língua mãe do francês e, sendo um idioma mais complicado, aqueles que conseguirem aprendê-lo deverão estar bem habilitados para o francês.”

Claro que é uma ironia mas, segundo Wu, tem muito a ver com o que fazem as licenciaturas em matemática em seu país. No Brasil não é diferente.

Humberto cita outra observação de Wu: na formação do professor de matemática, em contraste com outras disciplinas que apenas “olham para a frente”, para o que será visto na pós-graduação, é indispensável devotar tempo considerável a “olhar para trás”, isto é, a analisar tópicos elementares de um ponto de vista avançado.

Ensinamos na escola que raiz cúbica de 2 é o número que elevado ao cubo dá 2. Mas nunca gastamos tempo para mostrar ao licenciando que tal número existe. Para dividir duas frações devemos multiplicar a primeira pela inversa da segunda. Por quê?

Também não explicamos ao futuro professor de matemática o que significa realmente a expressão decimal de um número: porque é que 0,99999999999999 é o mesmo que 1? Não ensinamos essas coisas porque supõe-se que elas são simples e o estudante já aprendeu no ensino médio –as duas suposições estão erradas– e que na faculdade deve aprender coisas avançadas.

Deve-se aprender latim, para ensinar francês.

Mais de cem anos atrás, o grande matemático e educador alemão Felix Klein (1849-1925), outro que colocava as mãos na massa, já criticava o fato de que “por muito tempo [] os homens da universidade preocuparam-se exclusivamente com as suas ciências, sem considerarem as necessidades das escolas, nem mesmo se preocupando em estabelecer uma conexão com a matemática escolar”.

O resultado é o que Klein chamou “dupla descontinuidade na formação do professor”: ao chegar à universidade, o futuro professor é confrontado com ensinamentos avançados sem conexão aparente com os temas da escola básica; e, ao final dos estudos, quando volta à escola como professor, vê-se na posição de ter que ensinar a matemática elementar tradicional, do mesmo modo de sempre.

Nas palavras de Klein “seus estudos universitários permaneciam apenas uma lembrança mais ou menos agradável, que não tinha nenhuma influência sobre o seu ensinar”. Embora Klein escrevesse no pretérito, pensando na Alemanha, no Brasil tal situação perdurou até o século 21.

Mudanças começaram a acontecer a partir do Projeto Klein em Matemática, realizado entre 2008 e 2012 pelas sociedades científicas da área, com o apoio da Capes. O Mestrado Profissional para Professores de Matemática (Profmat) nasceu em 2011, sob a influência das ideias de Klein, Wu e outros. Não é surpresa que o mestrado tenha sido “acusado” por alguns educadores de valorizar demais o conteúdo matemático, e por alguns matemáticos de omitir tópicos avançados ensinados em muitas licenciaturas.

A coleção de livros “Matemática para o Ensino” e a revista eletrônica “Professor de Matemática On-line”, ambas da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), são também produtos diretos do Projeto Klein.

Outra importante iniciativa em curso, com o apoio do Impa, é o Projeto Livro Aberto de Matemática, um esforço de professores –universitários e da escola básica– para produzir, de maneira colaborativa, livros didáticos de matemática com excelência acadêmica e licença aberta. Confira no site como colaborar.

Muito mais é necessário, evidentemente. Não tenho dúvida de que a “saída” passa pelo envolvimento cada vez maior da comunidade matemática universitária nas questões do ensino da disciplina, em colaboração com a comunidade de professores da escola básica e levando em conta os mais recentes avanços na pesquisa na área do ensino da matemática.

Nesse sentido, é urgente repensar as nossas licenciaturas em matemática. Existe um ótimo ponto de partida: o estudo de diretrizes curriculares que a SBM vem aprimorando há alguns anos.

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Coluna de Marcelo Vianna, publicada na Folha de S. Paulo, em 22/09/2017. Para acessá-la na íntegra: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloviana/2017/09/1920520-formacao-e-calcanhar-de-aquiles-dos-professores-de-matematica-do-brasil.shtml

 

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Saiba mais sobre ensino de matemática com o livro:

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ENSINO DE MATEMÁTICA: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Ubiratan D’Ambrosio e Nilson José Machado
SUMMUS EDITORIAL

A análise sobre a teoria e a prática do ensino da matemática (bem como suas dificuldades) é o foco desta obra. Nela, os autores discorrem sobre diferentes aspectos do ensino da matemática, analisando questões históricas, epistemológicas, sociais e políticas. Esse profícuo diálogo nos conduz a uma disciplina concebida como meio para a formação pessoal e para o exercício da cidadania.

‘MINDFULNESS: COMO A ATENÇÃO PLENA PODE TE AJUDAR NA VIDA’

Quero começar este texto com uma informação que, provavelmente, deixará você chocado. Quando estamos acordados, passamos quase metade do tempo com o pensamento vagando por aí.

Em vez de focar no aqui e agora, ficamos presos ao passado, futuro ou qualquer outra coisa que esteja acontecendo longe de nós.

Surpreendente, né? A universidade de Harvard realizou um estudo que introduziu o tema da seguinte forma:

Diferentemente de qualquer outro animal, os seres humanos gastam muito tempo pensando em coisas que não estão acontecendo ao seu redor, contemplando eventos que aconteceram no passado, talvez aconteçam no futuro, ou que nunca irão acontecer. De fato, uma mente vaga parece ser o modo padrão de operação do cérebro humano.

Eles concluíram que a nossa mente fica vagando em 46,9% do tempo em que estamos acordados. Deu para entender? Se você fica 16 horas acordado, vai passar aproximadamente 7h30 viajando.

Ou, mais especificamente, pensando em algo diferente daquilo que você está de fato fazendo.

Se você está lavando louça, fica pensando em outra coisa. Se está arrumando a cama, fica pensando em outra coisa. Se está dirigindo, fica pensando em outra coisa. Se está trabalhando, fica pensando em outra coisa. Se está transando, fica pensando em outra.

Ops, corrigindo, o sexo na verdade foi a única atividade que teve resultados diferentes. O que é compreensível, né?

OS PERIGOS DE SER MULTITASK

Você já deve ter reparado a grande dificuldade que temos em conseguir manter o foco total numa atividade. Por mais que você esteja fazendo aquilo, sua cabeça fica girando em outros assuntos.

E se não estiver, essa concentração plena provavelmente durará poucos minutos.

Podemos jogar boa parte da culpa dessa realidade nos tempos modernos, em que a comunicação acontece numa dinâmica absurda e os estímulos externos são exagerados.

É o tal do multitask. Como se tivéssemos necessidade de sempre estarmos conectados, produzindo algo, conversando com pessoas.

Acontece que essa mentalidade multitarefa gera estresse e ansiedade em nós.

MINDFULNESS, MUITO PRAZER

Apesar de o fato de divagar em relação ao presente nos possibilitar reflexões importantes — como filosofar, planejar coisas, solucionar problemas, etc — isso pode ter um alto custo emocional se você não tomar cuidado com a dose.

O intento da pesquisa de Harvard era descobrir qual a relação entre uma mente vaga e a felicidade.

E adivinha só o que eles descobriram?

O chamado mindfulness, um estado de consciência focado em prestar atenção no aqui e agora, ajuda a aliviar o estresse, a ansiedade e melhora o bem-estar geral (incluindo físico e emocional) das pessoas.

O QUE SIGNIFICA ATENÇÃO PLENA

Pode-se dizer que o mindfulness é uma espécie de meditação ativa, na qual você dedica o seu foco à atividade que está fazendo, sem deixar divagações sobre o passado, futuro ou coisas ao seu redor perturbarem sua mente.

Este estado mental, que muitas pessoas chamam de atenção plena, tem origem na milenar meditação budista e, nos últimos anos, virou uma febre mundial entre pessoas que buscam uma melhor qualidade de vida para si.

Uma boa notícia é você pode praticar o mindfulness em qualquer lugar ou ocasião. Dirigindo o carro. Trabalhando no computador. Preparando o jantar. Tanto faz.

A chave é voltar 100% da sua consciência à atividade que está desempenhando naquele momento, sem juízos de valor ou observações mentais.

Nada de pensar “que saco lavar essa louça, quero terminar logo para assistir Netflix”. Deixe as reflexões para outro momento.

Nesta hora você deve simplesmente sentir a temperatura da água batendo na sua mão, observar as texturas da porcelana, reparar na espuma se formando…

COMO PRATICAR O MINDFULNESS

O mindfulness não é algo que se domina da noite para o dia. É preciso paciência até desenvolver a disciplina necessária para obter o controle da própria mente.

Esse é aquele tipo de habilidade simples e, ao mesmo tempo, complexa. Você leva um minuto para aprender e a vida inteira para dominar.

Mas começar é fácil. Basta você se esforçar para manter o foco em toda atividade que fizer e, quando um pensamento avulso te distrair, você deve gentilmente deixá-lo ir embora da mesma maneira repentina que chegou.

Você não precisa brigar com ele, porque isso vai te trazer ainda mais ansiedade. Relaxa.

Pense que o seu cérebro é um quarto. Basta abrir a janela e deixar o vento levar o pensamento intruso embora, da maneira mais suave e natural possível.

Com o tempo isso vai virar um hábito.

E aquela aceleração toda de abrir o WhatsApp a cada 5 minutos, suar frio por causa da reunião de amanhã, sofrer por algo que aconteceu ontem, em breve, farão parte de um passado distante para você.
……..

Texto de Thiago Sievers, publicado originalmente no portal El Hombre. Para acessar na íntegra:  http://www.elhombre.com.br/mindfulness-como-a-atencao-plena-pode-te-ajudar-na-vida/

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Tem interesse pelo assunto? Conheça o livro:
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VIVA BEM COM A DOR E A DOENÇA
O método da atenção plena
Autora: Vidyamala Burch
SUMMUS EDITORIAL

A dor crônica e a doença podem minar a qualidade de vida de quem sofre com elas. Visando orientar tais pessoas, Vidyamala Burch oferece neste livro um método revolucionário para aliviar o sofrimento causado por diversas enfermidades e pelo estresse. Baseada na atenção plena e na ideia de viver cada momento, ela apresenta técnicas de meditação e respiração profunda que combatem a dor e aumentam a sensação de bem-estar. Prefácio da edição brasileira de Stephen Little.

 

‘10 CURIOSIDADES SOBRE BOLLYWOOD’

Assista abaixo ao vídeo do canal Cinema e Pipoca sobre o excêntrico cinema indiano, conhecido como Bollywood. As curiosidades foram extraídas do livro Diário de Bollywood – Curiosidades e segredos da maior indústria de cinema do mundo (Summus), do jornalista Franthiesco Ballerini.

Saiba mais sobre o livro Diário de Bollywood:


Misto de diário de campo e grande reportagem, a obra aborda as principais características do cinema indiano, conhecido mundialmente como Bollywood. Reflete com olhar crítico os pontos fortes desta indústria, suas dificuldades e o momento de transição inédito por que passa a indústria cinematográfica indiana. Por fim, faz um paralelo com o cinema de Hollywood e da América Latina.