“O MÍNIMO PARA VIVER”: COMO ESCAPAR DOS GATILHOS DE TRANSTORNOS ALIMENTARES

Filmes, séries, novelas e reportagens podem fragilizar pessoas que já passaram pelo problema ou têm algum tipo de predisposição

Uma jovem que sofre com anorexia, depois de inúmeros tratamentos falhos, inicia um novo tratamento contra o problema com um médico nada convencional. Ao lado dela, outros seis jovens com transtornos alimentares.

Essa é a história do filme “ O Mínimo Para Viver ”, da Netflix. A ideia é retratar a realidade das pessoas que sofrem com transtornos alimentares , mostrar que elas não seguem necessariamente um padrão estético e que a luta não é exatamente conta a balança, mas contra a mente da pessoa. Entretanto, essas mesmas informações que podem ser de grande aprendizado para o público em geral podem desencadear pensamentos ruins naqueles que já passaram pelos problemas ou têm alguma predisposição.

Gatilhos para os transtornos

Rita Calegari, psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, explica em entrevista ao Delas que isso acontece porque esse tipo de filme, assim como a série “13 Reasons Why”, que trata sobre suicídio, promove muita angústia pela forma com que são contados. “Pode fragilizar quem tem alguma aproximação com o tema, dependendo do indivíduo, da fase do tratamento ou a gravidade do transtorno”, afirma a especialista.

A psicóloga alerta que a fragilidade pode ser momentânea também. Um determinado mês ou uma determinada semana em que a pessoa está mais frágil e um filme, série ou até reportagem não cai bem. E os “gatilhos” podem não dar nenhum sinal antes de serem iniciados, como ocorre no filme da Netflix.

Sendo assim, aconselha Rita, se você acha que não está em uma fase boa para assistir a um produto com esse tema, não assista. “Se acha que pode fazer mal, respeite. É importante escutar a voz de dentro. Ninguém precisa provar nada para ninguém, e estamos falando de transtornos sérios, que matam aos poucos. Se você não se sente pronta, não precisa nem ficar se justificando. Apenas ouça a voz interior. Ela precisa ser reconhecida.”

É preciso respeitar os limites do próprio corpo e mente. A psicóloga explica que o objetivo da arte é realmente gerar sentimentos nas pessoas, nesse caso, a angústia. Então até pessoas que não têm problema algum podem ficar mais pensativas após assistir ao filme.

Já se a pessoa assistiu uma produção que não lhe fez bem, é importante ter com quem conversar. “Pense nisso como um bom mecanismo: conversar com um grupo de apoio, com um psicólogo, amigo, família. Fale o que incomodou, com o que se identificou, além de respeitar seus limites – se começou a assistir e percebeu que não vai ser legal, pode parar de assistir.”

Se você é mãe ou responsável de algum jovem, é interessante assistir junto, conversar, se interessar sobre o assunto para que seja possível ajudar os mais novos. Para Rita, o maior problema ainda é o tabu e o silêncio em torno do tema, e os adultos têm obrigação educativa de se informar sobre o assunto. “É bom conversar, dar um interpretação e significado para tudo o que foi visto e sentido. Nunca deixar os jovens sozinhos, já que eles precisam de nossas mãos como guias.”

Tabus

A produção da Netflix conta detalhes da vida de pessoas com transtornos alimentares. Se por um lado mostrar isso pode atingir pessoas com fragilidades, não falar disso pode criar um tabu ainda maior sobre o problema. O ponto, segundo Rita, é a sociedade aprender a conviver com toda a tecnologia que temos hoje.

“Estamos falando da primeira geração que já nasceu digital. A forma de falar dos problemas mudou, e a forma como lidamos com eles também deve mudar. Mas ainda são precisos estudos para avaliar os malefícios e benefícios dessas produções, não dá para falar se são totalmente boas ou ruins.”

Mesmo assim, a psicóloga encara com bons olhos a produção. Ainda mais pelo fato dela não ter romantizado os transtornos alimentares. “Pelo que eu vi do filme e das críticas, parece que há um conheço de que não há romantização do problema, e essa é a grande crítica dos órgãos sobre essas produções, que não se glamurize o problema, para servir mesmo para discussão.”

O problema de não se discutir essas questões é que elas se tornam tabus até mesmo para as pessoas mais próximas, familiares e amigos. Há muitas críticas que são mal fundamentadas, algumas pessoas não entendem que se trata de um problema de saúde e, pior, ainda acham que a pessoa está apenas querendo chamar atenção. O resultado? O indivíduo acaba se isolando quando não é compreendido, e isso só piora a situação.

Transtornos alimentares

Os mais conhecidos são a Bulimia e a Anorexia, mas não sãos os únicos transtornos alimentares. Normalmente, a pessoa passa a ter hábitos alimentares diferentes, como comer demais à noite ou ingerir coisas não nutritivas, como terra e plástico, só que o mais importante sobre esses transtornos é entender que se tratam de transtornos mentais associados à alimentação.

A psicóloga ainda explica que muitas pessoas acreditam que a pessoa que tem anorexia, por exemplo, não está fazendo algo saudável para a vida dela. Mas o problema é que para a pessoa que sofre com o transtorno ficar sem comer ou fazer muitos exercícios é algo bom.

“O conceito de saudável depende muito da boca de quem está falando. Muito anoréxicos, como a jovem do filme, olham para o espelho e se veem gordos. É preciso ter muito cuidado por conta da alteração de percepção, porque o saudável muda de sentido. É como se colocássemos óculos com lentes rosa, e aí passamos a enxergar e a julgar o mundo com essa coloração.”

As mulheres jovens são as principais pacientes dos transtornos alimentares, mas não são as únicos. Já percebe-se um aumento de casos entre homens e até mesmo em crianças. No caso das mulheres, a maior parte dos casos ocorre da adolescência até a faixa dos 30 anos, uma fase em que a mulher precisa afirmar seu lugar no mundo. A relação comida e família também tem grande importância, então os hábitos familiares e as cobranças que são feitas aos pequenos podem aumentar o risco desses problemas nos mais novos.

“É muito importante a avaliação médica e o diagnóstico correto. Muitas vezes, as pessoas adiam a ida ao médico, e o problema se agrava”, alerta Rita. No caso dos transtornos alimentares, o tratamento é feito por um equipe multidisciplinar, formada por médico, nutricionista e psicólogo. Caso suspeite que algum conhecido esteja passando por um problema ou se você mesma não está bem, procure um desses profissionais.

Matéria de Gabriela Brito, publicada no iG Delas em 02/08/2017. Para acessá-la na íntegra: http://delas.ig.com.br/saudedamulher/2017-08-02/transtornos-alimentares.html

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça as obras do Grupo Summus que falam sobre o tema:

ANOREXIA E BULIMIA
Esclarecendo suas dúvidas
Autora: Julia Buckroyd
EDITORA ÁGORA

Nos últimos 25 anos, a anorexia e a bulimia transformaram-se em endemias entre os jovens do mundo ocidental. O livro traz informações atualizadas sobre o assunto, que ainda é pouco conhecido e que atinge uma enorme camada de jovens entre 15 e 25 anos de idade. A autora esclarece como a sociedade e a cultura colaboram com a criação dessas doenças, descreve os sintomas, as conseqüências e também como ajudar no âmbito familiar e profissional.

A EXPERIÊNCIA ANORÉXICA
Autora: Marilyn Lawrence
SUMMUS EDITORIAL

De forma simples e direta, a autora trata o complexo tema de anorexia que, nos tempos atuais, tem afligido um grande número de mulheres e jovens. O estudo busca entender por que a doença aflige basicamente o sexo feminino, e também analisa por que alguns tipos de tratamentos hospitalares são tão desastrosos. A autora oferece explicações e, principalmente, novas perspectivas. A quase inexistente bibliografia sobre a questão em nosso país torna esta obra consulta obrigatória.

MULHERES FAMINTAS
Uma psicologia da anorexia nervosa
Autora: Angelyn Spignesi
SUMMUS EDITORIAL

Uma obra essencial que explora a anorexia através do imaginário, linguagem e metáforas espontaneamente produzidas pelos que sofrem deste mal. A autora conduz à dimensão simbólica da anorexia e à compreensão dos seus significados e conceitos mais profundos. O respeito da autora pela natureza da psique feminina fica evidente em cada página. Um convite para que as mulheres comecem a escrever sobre si mesmas, a partir de sua psique. Uma grande contribuição para o conhecimento do que é ser mulher.

O VÍCIO DA PERFEIÇÃO
Compreendendo a relação entre distúrbios alimentares e desenvolvimento psiquíco
Autora: Marion Woodman
SUMMUS EDITORIAL

Este livro explora os temas Anorexia Nervosa, Bulimia e Obesidade. Com a apresentação de vários casos clínicos, a conceituada autora verifica a relação dessas síndromes com o momento sociocultural, a mitologia, a literatura e principalmente a psicologia profunda de C. G. Jung.

‘SEXO NA TERCEIRA IDADE! OS BENEFÍCIOS E OS ALERTAS PARA ESSA FASE DA VIDA’

Ter uma vida sexual ativa é a realidade de muitos idosos. Desequilíbrio hormonal, brinquedos sexuais e aplicativos de encontro envolvem o assunto

Ainda há quem pense que o sexo é algo raro quando se entra na terceira idade, mas a prática sexual  nessa fase da vida traz muitos benefícios para a saúde física e mental. O assunto pode parecer um tabu para algumas pessoas, porém não tem idade para o amor e os idosos estão cada vez mais ativos e usando até a tecnologia para encontrar parceiros.

“Tivemos grandes mudanças, para melhor, com o passar dos anos. O tabu diminuiu e os idosos estão se permitindo viver experiências novas”, afirma a sexóloga Priscila Junqueira. “Na terceira idade , normalmente, as pessoas já sabem o que gostam no sexo e estão mais confiantes”, completa.

Ser sexualmente ativo na terceira idade também é extremamente saudável. O andrologista e cirurgião geral e vascular Carlos Araujo Pinto explica que naturalmente os idosos não têm a mesma condição física dos jovens e algumas complicações com a saúde, que geralmente aparecem com a idade, podem até modificar as relações, mas o sexo não deixa de ser algo prazeroso.

“Por este motivo é sempre necessário consultar um especialista para verificar se está tudo bem clinicamente. Até mesmo porque muito idosos, principalmente homens, acabam se automedicando o que é extremamente perigoso e errado”, alerta o especialista.

Visitas ao médico ajudam no sexo

O acompanhamento clínico deve ser feito, mas a dúvida de muito idosos é saber com que frequência é necessário ir ao médico. Para Carlos, o ideal é visitar um profissional de confiança de uma a duas vezes por ano para fazer o famoso check-up geral. “É importante avaliar toda parte circulatória, hormonal, verificar se o idoso está na andropausa ou menopausa, além de uma avaliação de uma gama de fatores com exames de sangue”, fala.

O clínico geral e geriatra do Hospital das Clínicas de São Paulo, Paulo Camiz, completa dizendo que a necessidade de consultar um médico pode sofrer uma variável, dependendo das doenças e do estado de saúde que o paciente apresenta.

“Na consulta devem ser abordados temas como a libido, a qualidade das ereções, a lubrificação vaginal e possíveis queixas de dor local. O principal exame complementar é o da dosagem de testosterona para o homem, sem esquecer a avaliação médica em consulta, a chamada anamnese”, diz o geriatra.

Métodos contraceptivos

Com o passar dos anos, as mulheres chegam à fase da menopausa e passam a não ter mais a ovulação. Mas passar dos 50 não é garantia para evitar uma gravidez indesejada. Carlos conta que conhece vários casos em que as mulheres passaram dessa idade e conseguiram engravidar. “Comumente, elas devem procurar o ginecologista para verificar o melhor método contraceptivo, porém o mais importante é o preservativo que além de prevenir a gravidez indesejada, evita as DST”, aconselha.

Já para os homens o mais indicado é a vasectomia e também o preservativo. “É muito comum que os homens acima de 50 anos não utilizem preservativos, o que é um erro. No consultório, me deparo sempre com homens mais maduros que adquirem doenças por ter preconceito com a camisinha ou por terem relacionamentos parcialmente ‘duradouros’ e, por isso, acreditam que não existe mais a necessidade do uso do preservativo”, aponta o andrologista.

Para se ter uma ideia, o número de casos de HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) simplesmente dobrou entre as pessoas acima dos 50 anos na última década. É um dado preocupante ao levar em consideração que cerca de 80% dos adultos entre 50 e 90 anos são sexualmente ativos.

Dados do Ministério da Saúde indicam que de 4% a 5% das pessoas que possuem mais de 65 anos são portadores do vírus HIV, essa porcentagem representa um aumento de cerca de 103% entre os homens e mulheres da terceira idade no últimos anos. Por esses e outros motivos, é sempre importante se prevenir durante o sexo.

Desequilíbrio hormonal

Vale ressaltar que conforme a idade avança, o corpo vai passando por mudanças, então é preciso alguns cuidados. “Investigar como estão os hormônios é importante, pois o desequilíbrio hormonal pode trazer queda na libido, disfunção erétil e outras disfunções sexuais”, explica a sexóloga Priscila Junqueira.

Assim que a mulher vai entrando na menopausa, o casal paralelamente entra em uma frigidez e as relações sexuais passam de duas a três vezes por semana para uma vez a cada quinze dias e, em alguns casos, acontece somente uma vez por mês.

Isso é péssimo para o relacionamento! Por este motivo, é preciso avaliar toda parte hormonal de ambos e nunca aderir à automedicação. “É preciso verificar se há pré-existência de problemas circulatórios associados. É essencial ambos buscarem tratamentos médicos para uma vida sexual plena”, ressalta Carlos.

Em alguns casos, o uso da medicação é necessário, mas é preciso ficar atenta a alguns detalhes:

  • Automedicação é errado, então nada de utilizar o remédio que uma amiga, irmã, prima indicou;
  • Também não faça o contrário, é extremamente contraindicado o repasse de medicamentos;
  • Cada caso é um caso, então antes de tomar qualquer atitude ou conclusão precipitada é preciso ser avaliada por um especialista.

Existem também métodos naturais que podem ajudar. Segundo Paulo, a prática de atividade física e a proximidade do casal são alguns deles. “Ambos podem ter relações satisfatórias e prazerosas de maneira natural desde que saibam se estimular e tenham paciência um com o outro. A atividade física, além de deixar o casal fisicamente mais atrativo, também ajuda na libido”, explica.

Comunicação entre o casal

O sexo pode se tornar um assunto delicado com o passar dos anos, mas o diálogo entre o casal é fundamental. “Para muitos idosos, a sexualidade é um assunto bastante sensível e pouco explorado entre os casais. Isso faz com que muitos se privem de explorar uma condição que pode ser muito prazerosa e fonte de felicidade e união também nesta fase da vida”, fala Paulo.

A falta de comunicação pode atrapalhar a vida sexual, já que o tratamento não será completo se um dos dois tiver dificuldades de dividir os problemas que estão passando. “Recentemente atendi um paciente que não disse para a companheira que está com problemas na parte hormonal, circulatória e falhas no desempenho sexual”, expõe Carlos.

O tratamento precisa envolver o casal. O andrologista explica que é importantíssima a presença de ambos, pois muitas vezes na consulta, o homem conta parte dos sintomas e a companheira contribui com o restante das informações e assim o profissional consegue identificar qual é o real quadro clínico.

No Brasil, mais de 80% dos homens fazem uso de medicamentos para estimular a ereção sem uma prescrição médica e não dividem isso com a esposa. “O machismo ainda é muito presente, e isso faz com que eles se calem e acreditem que dividir o problema os farão ‘menos homens’. Alguns têm DST e acabam passando para a companheiras por falta de diálogo e uma conversa franca”, acrescenta Carlos.

 

Texto parcial de matéria de William Amorim, publicado originalmente no iG Dela, em 29/12/2016 e atualizado em 26/07/2017. Para ler a matéria na íntegra, acesse: http://delas.ig.com.br/amoresexo/2016-12-29/sexo-terceira-idade.html

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça:

SEXO E AMOR NA TERCEIRA IDADE
Autores: Robert N. Butler e Myrna I. Lewis
SUMMUS EDITORIAL

Butler e Lewis derrubam tabus e provam que o sexo e a sexualidade são experiências prazerosas, gratificantes e altamente saudáveis, após os 60 anos. É a época em que o ser humano possui maior experiência e disponibilidade de tempo para poder, apesar das dificuldades naturais, usufruir de uma vida sexual positiva.

VELHICE
Uma nova paisagem
Autora: Maria Celia de Abreu
EDITORA ÁGORA

Estima-se que, em 2050, a população de pessoas com mais de 60 anos comporá 30% da população brasileira, ou seja, cerca de 66,5 milhões de pessoas. Assim, todos nós estamos ou muito em breve estaremos envolvidos com velhos. Por que, então, a velhice permanece um estigma em nossa sociedade?

A fim de mudar essa visão, a psicóloga Maria Celia de Abreu propõe neste livro transformar visões e ideias preconcebidas a respeito do velho. Partindo de estudos teóricos sobre a psicologia do envelhecimento e de vivências colhidas em grupos de estudos, ela propõe que a vida passe a ser encarada como uma estrada que percorre diversas paisagens diferentes – nem melhores nem piores que as outras.

Com exercícios de conscientização e exemplos práticos, a autora discorre sobre inúmeros assuntos pertinentes à velhice, como corpo, sexualidade, memória, perdas, luto e depressão. Fundamental para idosos, seus familiares, cuidadores, pesquisadores e para todos os que desejam envelhecer com saúde, autoconfiança e alegria, a obra conta com depoimentos de importantes personalidades sobre emoções que sentem ao encarar a ideia da velhice.

‘BRIGAS ENTRE MARCOS E EMILLY NO “BBB” AQUECEM DEBATE SOBRE VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA’

A atual edição do “Big Brother Brasil” levantou a questão da violência psicológica e da agressão contra a mulher com o casal Marcos e Emilly. O médico acabou eliminado na atração depois de os dois terem protagonizado diversas brigas – a mais chocante aconteceu na madrugada de domingo (9), quando Marcos encurralou a moça em um canto da sala e colocou o dedo na cara dela enquanto gritava. Outras cenas mostraram Marcos imobilizando Emilly enquanto a moça pedia que ele a soltasse e paresse de machucá-la.

As cenas e o desenrolar do caso seguem movimentando as redes sociais. O Delas conversou com psicólogas para tentar entender o que faz uma pessoa ser tão agrevissa, mostrar como a mulher pode e deve se defender de uma violência psicológica ou física e também comparar a reação de Emilly depois das brigas e da penalização ao então namorado com a de outras mulheres que sofreram com situações parecidas.

Confinamento x agressividade 

De acordo com a psicóloga especialista em desenvolvimento humano Marilena Bigoto, a violência ocorre quando uma pessoa tenta intimidar a outra usando manipulação, chantagem ou até mesmo algum artifício físico. Apesar de não ter muito contato com o programa, a profissional afirma que os atos de Marcos durante a situação descrita demonstraram, sim, agressividade. “Existem perfis de personalidade que definem pessoas mais agressivas. Elas lidam menos com a raiva, ficam mais impulsivas, mais intimidativas, se tornam mais agressivas diante de uma contrariedade ou de um estresse”, explica ela.

A psicóloga frisa que nada justifica as atitudes intimidadoras e agressivas do participante com Emilly, mas afirma que fatores como o confinamento e as brigas frequentes com a participante podem estar fazendo com que o comportamento naturalmente impaciente e agressivo de Marcos aflorem mais. “Uma pessoa em estado de confinamento, sob pressão, vai mostrar o pior dela”, afirma Marilena.

O que fazer em casos como este?

As cenas mostradas no programa – que ocorreram uma semana após o protesto de funcionárias e artistas da Rede Globo acerca do caso envolvendo assédio sexual por parte do ator José Mayer – motivaram manifestações acaloradas nas redes sociais, em que internautas e até artistas cobraram uma postura da emissora com relação ao caso.

No programa de domingo (9), o apresentador Tiago Leifert ressaltou a importância de abordar assunto e afirmou que a produção do “BBB” conversou com o casal, se colocando à disposição de Emilly para o caso de ela se sentir ameaçada. Durante a segunda-feira (11), porém, a polícia foi à casa do reality após a delegada Márcia Noeli, diretora da Delegacia.

Especializada de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá, instaurar um inquérito para investigar suspeitas de agressão. Na noite do mesmo dia, o participante foi expulso do programa.

De acordo com a psicóloga, as atitudes da emissora e da polícia estão corretas. “Se ela sente que não tem voz, que ela não consegue se defender, é certo alguém interferir”, afirma.

Relacionamento abusivo

Segundo a convenção de Belém do Pará e a Lei Maria da Penha, qualquer ato ou conduta que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual e psicológico à mulher, tanto na esfera pública quanto na privada, é considerado violência. Segundo a também psicóloga Miriam Farias, pessoas que passam por relacionamentos abusivos ou situações que envolvem violência física, psicológica, assédio sexual e moral podem sofrer de estresse pós-traumático, que pode ser acompanhado de depressão, pânico e outros transtornos de ansiedade. Por isso, é importante que as mulheres busquem a ajuda de pessoas confiáveis que as apoiem na hora de fazer uma denúncia e, se necessário, recorram à assistência psicológica.

Após a expulsão de Marcos, Emilly entrou em desespero e se sentiu culpada pelo que aconteceu. Vivian e Ieda, as outras finalistas do reality, consolaram a moça e explicaram que o programa apenas impediu que algo pior acontecesse. De acordo com Miriam, essa reação é comum para pessoas que passam por relacionamentos abusivos ou casos que envolvem violência psicológica ou física por parte do parceiro. “A pessoa muitas vezes não se dá conta de que está em uma relação destrutiva. Ela não consegue identificar que é abusiva porque aprendeu a se relacionar assim e desconhece as características de uma relação saudável”, afirma.

Texto de Fernanda Labate, publicado originalmente no Delas – iG em 11/04/2017. Para lê-lo na íntegra, acesse: http://delas.ig.com.br/comportamento/2017-04-11/marcos-emilly-violencia-psicologica.html

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Quer saber mais sobre violência psicológica? Conheça os livros do Grupo Summus que falam sobre o assunto:

 

10661FERIDAS INVISÍVEIS
Abuso não-físico contra mulheres
Autora: Mary Susan Miller
SUMMUS EDITORIAL 

Milhões de mulheres em todo o mundo sofrem uma violência não-física por parte de maridos e companheiros, nem sempre fácil de identificar e neutralizar: Intimidações, manipulação emocional e sexual, humilhações, chantagens financeiras, etc. Este livro expõe a existência do problema, oferece meios de identificá-lo e sugere alternativas para que a mulher possa fugir do pesadelo.
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10719VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA NAS RELAÇÕES CONJUGAIS
Pesquisa e intervenção clínica
Autora: Adelma Pimentel
SUMMUS EDITORIAL

A violência psicológica que permeia a convivência dos casais é o tema deste livro. Essa modalidade de agressão aparece nas relações conjugais com intensa incidência e sem que seja reconhecida pelos cônjuges, sobretudo pela mulher. Visando estudar e combater o fenômeno, Adelma Pimentel caracteriza a violência psicológica e propõe a nutrição psicológica, por meio da Gestalt-terapia, para o enfrentamento da violência que atinge o casal.


20813QUEM GRITA PERDE A RAZÃO
A educação começa em casa e a violência também
Autora: Luiza Ricotta
EDITORA ÁGORA

Associamos a palavra violência aos episódios graves que temos presenciado no país e no mundo. Mas existe outro tipo de violência mais sutil, às vezes mais danosa e perigosa, presente no dia-a-dia de muitas famílias e a autora mostra como identificá-la dentro de casa. Ela aponta soluções para pessoas em busca de caminhos para melhorar a qualidade de vida no lar, favorecendo o desenvolvimento psicológico, emocional e social.

‘OMS DEDICA DIA MUNDIAL DA SAÚDE À DEPRESSÃO, MAL QUE ATINGE MAIS DE 300 MILHÕES’

Número de pessoas que vivem com a doença, segundo a organização, está aumentando – 18% entre 2005 e 2015; porém, poucos buscam ajuda médica

Em geral, quando tocamos no tema saúde, muitas pessoas pensam em questões relacionadas à saúde física. Porém, a saúde mental é tão importante quanto e merece ser discutida com a mesma atenção e cuidado que qualquer outra doença. Logo, não é por menos que a Organização Mundial da Saúde (OMS) se preocupou, neste Dia Mundial da Saúde, em lembrar dos cuidados a serem tomados em relação à depressão.

A depressão tem tratamento e o primeiro passo é conversar sobre o assunto. A doença, segundo a entidade, afeta pessoas de todas as idades e estilos de vida, causa angústia e interfere na capacidade de o paciente fazer até mesmo as tarefas mais simples do dia a dia.

“No pior dos casos, a doença pode levar ao suicídio, segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos”, destacou a OMS. “Ainda assim, ela pode ser prevenida e tratada. Uma melhor compreensão sobre o que é a doença e como ela deve ser prevenida e tratada pode ajudar a reduzir o estigma associado à condição, além de levar mais pessoas a procurar ajuda”, completou a entidade.

O número de pessoas que vivem deprimidas, segundo a OMS, está aumentando – 18% entre 2005 e 2015. A estimativa é que, atualmente, mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofram com o transtorno em todo o mundo. O órgão alertou ainda que a doença figura como a principal causa de incapacidade laboral no planeta.

A depressão é diferente de flutuações habituais de humor e respostas emocionais de curta duração aos desafios da vida cotidiana. Especialmente quando de longa duração e com intensidade moderada ou severa, ela pode se tornar um sério problema de saúde”, destacou a organização. Os dados mostram que quase 800 mil pessoas morrem anualmente em razão de suicídio.

Brasil

De acordo com a OMS, cerca de 5,8% da população brasileira sofrem da doença – um total de 11,5 milhões de casos. O índice é o maior na América Latina e o segundo maior nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos, que registram 5,9% da população com o transtorno e um total de 17,4 milhões de casos.

O levantamento mostra que, além do Brasil e dos Estados Unidos, países como a Ucrânia, Austrália e Estônia também registram altos índices da doença em sua população – 6,3%, 5,9% e 5,9%, respectivamente. Entre as nações com os menores índices do transtorno estão as Ilhas Salomão (2,9%) e a Guatemala (3,7%). A prevalência na população mundial, segundo a OMS, é 4,4%.

Tratamento

A organização também alertou que, apesar da existência de tratamentos efetivos, menos da metade das pessoas afetadas no mundo – e, em alguns países, menos de 10% dos casos – recebe ajuda médica. As barreiras incluem falta de recursos, falta de profissionais capacitados e o estigma social associado a transtornos mentais, além de falhas no diagnóstico.

“O fardo da depressão e de outras condições envolvendo a saúde mental está em ascensão em todo o mundo”, concluiu a OMS, ao cobrar uma resposta compreensiva e coordenada para as desordens mentais por parte de todos os países-membros.

Artigo publicado originalmente no iG – Saúde. Acesse na íntegra em http://saude.ig.com.br/2017-04-07/depressao.html

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Quer saber mais sobre o tema? Conheça alguns livros publicados pelo Grupo Summus:

 

20007

UNIVERSO DA DEPRESSÃO
Histórias e tratamentos pela psiquiatria e pelo psicodrama
Autora: Elisabeth Maria Sene-Costa
EDITORA ÁGORA

Este livro é o resultado de uma ousada proposta para obtenção do título de mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP. A autora, psicóloga, estudou com profundidade os aspectos fisiológicos e clínicos da depressão e em seguida desenvolveu um tratamento apoiado no psicodrama. Tese inovadora e muito bem embasada, útil para profissionais das áreas médica e psi.

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50119

TRANSTORNOS DE ANSIEDADE, ESTRESSE E DEPRESSÕES
Conhecer e tratar
Autor: Breno Serson
MG EDITORES

Insônia, falta ou excesso de apetite, falta de ar, tonturas, medos, aperto no peito, pensamentos angustiantes. Esses e outros sintomas físicos e mentais podem indicar um transtorno de ansiedade ou depressão, que atinge cada vez mais nossa sociedade contemporânea. Este livro objetiva partilhar conhecimento, em linguagem simples, sobre os transtornos ansiosos e depressivos e os tipos de tratamento disponíveis, refletindo sobretudo sobre a integração de tratamentos convencionais e de medidas gerais benéficas. ……

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20806DEPRESSÃO PÓS-PARTO
Guias Ágora – Esclarecendo suas dúvidas
Autora: Erika Harvey
EDITORA ÁGORA

O livro mostra a diferença entre a depressão conhecida como “baby blues”, que afeta quase todas as mulheres após o parto, sem maiores conseqüências, e a depressão grave que requer intervenção de profissional capacitado. Saber identificar essa diferença, às vezes bastante sutil, cabe à própria mulher, aos familiares à sua volta e aos seus médicos, e esta leitura é de grande utilidade para todos.
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20705DEPRESSÃO
Esclarecendo suas dúvidas
Autora: Sue Breton
EDITORA ÁGORA

A depressão cobre uma vasta gama de emoções, desde o abatimento por um episódio do cotidiano até o forte impulso suicida. Este guia mostra os diferentes tipos de depressão e explica os sentimentos que os caracterizam, para ajudar os familiares e os profissionais a entender a pessoa em depressão. Ensina também como ajudar a si mesmo e a outros depressivos.

‘PESQUISA RECRIA NEURÔNIOS E ENCONTRA GENE LIGADO À ANOREXIA’

Neurônios derivados do organismo de meninas que sofrem de anorexia possuem um padrão característico de ativação do DNA, associado ao sistema que regula a sensação de prazer durante a alimentação.

Os dados sugerem que seria possível projetar medicamentos específicos contra o distúrbio.

“A anorexia ainda carrega muito estigma social, e muitos acreditam que seja algo psicológico. No entanto, é uma doença com bases biológicas claras, gerada a partir de contribuições genéticas e ambientais”, argumenta o biólogo brasileiro Alysson Muotri, que trabalha na Universidade da Califórnia em San Diego, autor do estudo.

Apesar de afetar 1% das pessoas com uma aversão irracional à ideia de ganhar peso (e que pode levar à morte), ainda falta muito para entender como a doença surge.

Para chegar às conclusões descritas em artigo na revista “Translational Psychiatry”, Muotri e colegas adotaram uma abordagem que tem rendido descobertas a respeito de autismo e mal de Parkinson, por exemplo.

Já que é praticamente impossível investigar diretamente o que acontece nas células cerebrais de pessoas com esses problemas enquanto elas ainda estão vivas, os cientistas usaram uma tecnologia que cria neurônios a partir de uma simples biópsia de pele.

A tecnologia em questão é a das células iPS (células pluripotentes induzidas), por meio da qual a amostra de tecido da pele recebe modificações para que as células voltem a um estado extremamente versátil, semelhante ao das células de um embrião com poucos dias de vida.

O passo seguinte é o cultivo delas num “caldo” específico, que propicia a transformação delas no tipo celular desejado –no caso, neurônios do córtex, a “área nobre” do cérebro.

Como os neurônios obtidos por esse método possuem o mesmo material genético dos que estão no cérebro da pessoa que foi submetida à biópsia, espera-se que eles simulem, de forma razoavelmente precisa, o que ocorre no organismo do doente.

Com base nisso, os cientistas obtiveram amostras de quatro adolescentes com um quadro de anorexia severa e refratárias a terapias leves.

Os pesquisadores também produziram neurônios derivados de quatro mulheres e meninas saudáveis, de modo a poder comparar as duas populações de células.

A preferência por pacientes do sexo feminino na adolescência se justifica porque a anorexia é dez vezes mais comum entre mulheres, e os sintomas costumam aparecer alguns anos após a puberdade.

Depois que os neurônios derivados de ambos os grupos do sexo feminino tinham se estabelecido numa cultura de células, os cientistas fizeram uma extensa análise da expressão gênica deles–ou seja, do padrão de ativação ou desativação de DNA nas células, o qual, por sua vez, rege o funcionamento celular por meio da produção maior ou menor de proteínas e outras moléculas.

De maneira geral, as diferenças entre os dois grupos de neurônios são sutis, embora eles pareçam se comportar de forma distinta –os neurônios das jovens anoréxicas têm mais em comum entre si do que com os das mulheres e meninas saudáveis. A ativação elevada de um gene específico nos neurônios “anoréxicos”, porém, chamou a atenção dos pesquisadores.

Trata-se do pedaço de DNA conhecido como TACR1, que contém a receita para a produção de uma fechadura bioquímica na qual se encaixa a taquicinina. “Ela atua no eixo cérebro-intestino e foi associada à sensação de gordura corporal”, explica Muotri.

Ou seja, parece que ajuda a regular a impressão que cada pessoa tem de estar magra ou gorda –uma das peças que fica fora de lugar para quem tem anorexia, um distúrbio que faz pessoas magérrimas continuarem a achar que estão muito acima do peso.

Curiosamente, já existem drogas que são antagonistas do TACR1, ou seja, atrapalham seu funcionamento. São usadas por pacientes que fazem quimioterapia e, por isso, perdem o apetite.

“Seria tentador testar isso agora [em quem sofre de anorexia], mas acredito que ainda é cedo”, diz Muotri. “Essas drogas têm muito efeito colateral e talvez tivessem de ser usadas cronicamente, o que não seria tão vantajoso.”

Para o psiquiatra Antonio Leandro Nascimento, da UFRJ, a abordagem adotada no novo trabalho é muito interessante por tentar investigar os aspectos celulares e genéticos da gênese da anorexia. “Mas não podemos esquecer que são apenas uma parte do quebra-cabeça. O ambiente e os aspectos culturais também são importantes”.

Segundo Nascimento, hoje não existem medicamentos voltados especificamente para os pacientes anoréxicos –o tratamento é centrado na terapia cognitivo-comportamental. Por isso, identificar possíveis alvos para drogas é importante, afirma.

Metéria de Reinaldo José Lopes, publicada originalmente na Folha de S. Paulo. Para lê-la na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2017/03/1866579-pesquisa-recria-neuronios-e-encontra-gene-ligado-a-anorexia.shtml

 

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Quer saber mais sobre anorexia? Conheça os livros do Grupo Summus:

20710ANOREXIA E BULIMIA
Guias Ágora – Esclarecendo suas dúvidas
Autora: Julia Buckroyd
EDITORA ÁGORA

Nos últimos 25 anos, a anorexia e a bulimia transformaram-se em endemias entre os jovens do mundo ocidental. O livro traz informações atualizadas sobre o assunto, que ainda é pouco conhecido e que atinge uma enorme camada de jovens entre 15 e 25 anos de idade. A autora esclarece como a sociedade e a cultura colaboram com a criação dessas doenças, descreve os sintomas, as conseqüências e também como ajudar no âmbito familiar e profissional.

10241A EXPERIÊNCIA ANOREXICA
Autora: Marilyn Lawrence
SUMMUS EDITORIAL 

De forma simples e direta, a autora trata o complexo tema de anorexia que, nos tempos atuais, tem afligido um grande número de mulheres e jovens. O estudo busca entender por que a doença aflige basicamente o sexo feminino, e também analisa por que alguns tipos de tratamentos hospitalares são tão desastrosos. A autora oferece explicações e, principalmente, novas perspectivas. A quase inexistente bibliografia sobre a questão em nosso país torna esta obra consulta obrigatória.

10124MULHERES FAMINTAS
Uma psicologia da anorexia nervosa
Autora: Angelyn Spignesi
SUMMUS EDITORIAL

Uma obra essencial que explora a anorexia através do imaginário, linguagem e metáforas espontaneamente produzidas pelos que sofrem deste mal. A autora conduz à dimensão simbólica da anorexia e à compreensão dos seus significados e conceitos mais profundos. O respeito da autora pela natureza da psique feminina fica evidente em cada página. Um convite para que as mulheres comecem a escrever sobre si mesmas, a partir de sua psique. Uma grande contribuição para o conhecimento do que é ser mulher.

10693O VÍCIO DA PERFEIÇÃO
Compreendendo a relação entre distúrbios alimentares e desenvolvimento psiquíco
Autora: Marion Woodman
SUMMUS EDITORIAL 

Este livro explora os temas Anorexia Nervosa, Bulimia e Obesidade. Com a apresentação de vários casos clínicos, a conceituada autora verifica a relação dessas síndromes com o momento sociocultural, a mitologia, a literatura e principalmente a psicologia profunda de C. G. Jung.

 

‘LILY COLLINS REVELA TER SE SALVADO DA ANOREXIA; COMO IDENTIFICAR A DOENÇA?’

Quem melhor que uma pessoa que já passou por um quadro de anorexia para viver um personagem com esse problema? No lançamento do filme “To The Bone”, no Festival Sundance de Cinema, a atriz Lily Collins, de 27 anos, revelou que sofreu com o transtorno na adolescência.

A ideia da atriz era revelar a questão em um livro de memórias, mas a experiência catártica de interpretar a personagem Ellen trouxe a reflexão a público. Segundo a estrela, era a oportunidade de exorcizar o passado e alertar os jovens sobre transtornos alimentares.

“Eu escrevi um capítulo cerca de uma semana antes de chegar o script. Era o universo falando que existia um motivo para eu estar falando disso agora”, contou em entrevista ao site InStyle.

Mais celebridades revelaram o problema

Entre as famosas que já revelaram ter sido vítimas de anorexia estão modelos como Isabella Fiorentino, as atrizes Deborah Evelyn  e Raquel Fabbri, além das cantoras Lady Gaga e Demi Lovato.

Para Valéria Lemos Palazzo, membro da Academy for Eating Disorders e fundadora do Grupo de Apoio dos Distúrbios Alimentares, a revelação do quadro de anorexia por famosas nem sempre ajuda.

“É positivo quando a pessoa já superou o problema. Porém, quando a pessoa menciona que ainda sofre, só faz parecer que é possível viver e ser bem-sucedido mesmo com anorexia”, diz. Por isso, o padrão magérrimo exaltado nas passarelas e campanhas da moda é considerado um incentivo para quem não contornou o problema.

Problema real

A anorexia é um problema que atinge de 0,5% a 1% das adolescentes e mulheres adultas no mundo, segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde). Homens são minoria, mas casos entre eles têm chamado a atenção nos últimos anos.

Há uma predisposição genética para o transtorno, mas, geralmente, é desencadeado por pressões sociais e culturais. A anorexia se caracteriza por uma preocupação excessiva com alimentação, perda drástica de peso e distorção da imagem corporal.

Segundo Valéria, os primeiros sinais de um quadro de anorexia aparecem no comportamento da pessoa, como começar a restringir a alimentação, esconder o corpo com roupas largas, se pesar constantemente, agressividade e isolamento social.

Além disso, há os critérios diagnósticos, como o Índice de Massa Corpórea (IMC) abaixo de 20.

Como ajudar?

A especialista afirma que abordar uma pessoa anoréxica exige paciência. “O ideal não é apontar o fato de a pessoa estar muito magra, mas perguntar o objetivo da perda de peso pela qual ela está passando. Se a pessoa procura emagrecer com saúde, estabelece uma meta, por exemplo. Se alcançou o peso desejado, se só mantém. A vítima de anorexia mencionará uma meta irreal e sem limite”, diz Valéria.

Uma vez detectado o problema, a profissional indica que o caso seja relatado para um clínico geral ou pediatra que já acompanhe o jovem. Acompanhamento psicológico é essencial.

Matéria de Juliana Simon, publicada originalmente no UOL, em 24/01/2017. Para lê-la na íntegra, acesse: https://estilo.uol.com.br/vida-saudavel/noticias/redacao/2017/01/24/lily-collins-revela-ter-se-salvado-da-anorexia-como-identificar-a-doenca.htm

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Para saber mais sobre anorexia e distúrbios alimentares conheça os livros do Grupo Summus sobre o assunto:

 

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Guias Ágora – Esclarecendo suas dúvidas
Autora:
Julia Buckroyd
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10241A EXPERIÊNCIA ANORÉXICA
Autora: Marilyn Lawrence
SUMMUS EDITORIAL 

De forma simples e direta, a autora trata o complexo tema de anorexia que, nos tempos atuais, tem afligido um grande número de mulheres e jovens. O estudo busca entender por que a doença aflige basicamente o sexo feminino, e também analisa por que alguns tipos de tratamentos hospitalares são tão desastrosos. A autora oferece explicações e, principalmente, novas perspectivas. A quase inexistente bibliografia sobre a questão em nosso país torna esta obra consulta obrigatória.
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10124MULHERES FAMINTAS
Uma psicologia da anorexia nervosa
Autora: Angelyn Spignesi
SUMMUS EDITORIAL

Uma obra essencial que explora a anorexia através do imaginário, linguagem e metáforas espontaneamente produzidas pelos que sofrem deste mal. A autora conduz à dimensão simbólica da anorexia e à compreensão dos seus significados e conceitos mais profundos. O respeito da autora pela natureza da psique feminina fica evidente em cada página. Um convite para que as mulheres comecem a escrever sobre si mesmas, a partir de sua psique. Uma grande contribuição para o conhecimento do que é ser mulher.

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Compreendendo a relação entre distúrbios alimentares e desenvolvimento psiquíco
Autora: Marion Woodman
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‘MINDFULNESS VS. MEDITAÇÃO: AFINAL, QUAL É A DIFERENÇA ENTRE AS TÉCNICAS?’

Mindfulness é meditação, mas meditação não é mindfulness. Os mais críticos dizem que mindfulness é meditação de americano, estilo fast-food. Quem a defende, afirma que é um treino mental e traz os benefícios da prática milenar de forma laica, para o homem moderno.

Há mais de 500 tipos de meditação — hindu, zen budista, cabala e sufi são as mais conhecidas. A maioria delas busca o autoconhecimento e a serenidade. “Siddhartha Gautama, Shakyamuni Buddha ou só Buda foi quem falou que a causa do sofrimento humano estava na mente, por isso essa busca constante em acalmá-la, atingindo a serenidade”, afirma o professor e pesquisador da USP, Rubens Maciel. Especialista em meditação, ele explica que mindfulness bebe muito das técnicas de tradicionais.

Com raízes budistas, mindfulness é o que está na moda por enquanto. Na livraria Saraiva, por exemplo, há mais de 200 títulos sobre a prática — na norte-americana Amazon são mais de 83 mil títulos, entre livros, e-books, CDs e DVDs.

Mas, enquanto Buda buscava a serenidade, a principal promessa do mindfulness é atingir o foco, a atenção plena. “Quando você exercita, como em uma academia, a sua capacidade de focar e estar com a atenção totalmente voltada para uma única coisa ou tarefa, sua produtividade e memória vão melhorar. Mindfulness ensina as técnicas para exercitar a mente”, explica Rita Kawamata, instrutora da Assertiva Mindfulness desde 2014. Ela oferece cursos específicos para crianças hiperativas e pessoas com distúrbios alimentares.

“Mindfulness pode ser praticada por todos, inclusive crianças”, afirma a psicóloga Ingrid Arantes, que indica meditação para os seus pacientes. Para ela, a técnica é um tipo de meditação.

“Meditação mindfulness não é desligar a mente, desativar o pensamento, nem controlar a mente, mas, sim, a capacidade de ficar no momento presente”, explica Stephen Little, físico, budista e diretor de aprendizagem da The School of Life, no Brasil.

Ensinamentos de Buda
O termo mindfulness foi cunhado em 1979 pelo professor Jon Kabat Zinn, na Universidade do Massachusetts, nos EUA, onde também foram feitos os primeiros estudos em pacientes que sofriam com dores crônicas. Adepto do budismo zen, Kabat Zinn sistematizou algumas técnicas que aprendeu após anos de meditação e ioga. O curso Mindfulness Based Stress Reduction (Redução de Stress Baseado em Mindfulness) passou a ser dado em oito semanas e seu principal foco era melhorar a qualidade de vida dos pacientes que estavam sob estresse devido a doenças.

De acordo com Maciel, da USP, a década de 1970 marca a chegada dos ensinamentos orientais ao ocidente, por causa da invasão do Tibet e a ida de muitos monges budistas para os EUA e Europa. “Foi quando o ocidente começou a descobrir os benefícios da meditação, alvo de inúmeras pesquisas científicas”, diz o professor e pesquisador.

Há cinco anos, Maciel dá cursos de meditação para alunos e funcionários do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Os resultados da sua pesquisa, entretanto, ainda não foram publicados. “Muitos sentem as melhorias ainda durante o curso e relatam que estão mais calmos, atentos e menos ansiosos, além de notarem melhoria nas relações familiares”, afirma o especialista.

Esses mesmos benefícios são elencados pelos alunos da instrutora Rita. A reportagem do UOL acompanhou uma aula em uma academia na zona sul de São Paulo, na qual os alunos aprendiam a praticar a fala consciente e a escuta ativa. Em duplas, enquanto um falava o outro apenas ouvia, vigiando a própria mente para não tirar o foco do que o colega dizia. Não era permitido responder. Quem terminava a fala antes dos cinco minutos estabelecidos, ficava em silêncio (que ali é muito bem-vindo).

“Mindfulness está relacionado a sair do piloto automático, não se deixar levar pelos condicionamentos. O outro pilar é a atitude gentil, que não é julgadora e prevê o acolhimento e a compreensão das coisas e dos outros como são”, diz Rita

O professor da USP explica que mindfulness baseia-se muito em duas linhas da meditação: a Theravada e a Vipassana. Essas práticas buscam a quietude e serenidade mental. “A mente da maioria das pessoas é selvagem, como um macaco que pula de galho em galho. Pensa-se sobre muitas coisas ao mesmo tempo. A mente age por conta própria, fazendo correlações. Quem medita, busca viver e focar no presente, aquietar a mente”, explica. Atenção e a produtividade são consequências dessa ordem mental.

Estresse, ansiedade e depressão
Maciel explica que os ansiosos estão em constante sofrimento e isso se manifesta em dores e doenças. “Se você está o tempo todo pensando ‘será que o meu chefe gostou do trabalho? Será que meu namorado vai ligar? Será que vai dar certo?’, o seu corpo reage como se estivesse em constante ameaça e por isso libera mais cortisol, hormônio que afeta o bom funcionamento do sistema imunológico”, diz. E completa: “ao aquietar a mente a meditação isso muda o metabolismo, tornando o sistema imunológico mais resistente”.

Qual escolher?
“Quem quer estender o estado de presença [atenção plena] para o dia, vai achar a orientação de mindfulness mais atraente”, afirma Stephen Little. Para a psicóloga Ingrid, o importante mesmo é meditar, “Independentemente de modismos, fico muito feliz que as pessoas estejam preocupadas em meditar. É algo que te conecta com você mesmo e possibilita um universo interior de paz, tranquilidade e amor”, diz.

Os especialistas, porém, fazem um alerta sobre a massificação dos cursos de meditação: “Mindfulness não é ‘fast’, é uma prática de artesão. Infelizmente, está sendo divulgado cada vez mais como a nova panaceia mental”, afirma Little. Rubens Maciel diz que muita gente faz o curso de oito semanas e já se diz um instrutor, “mas para ser um mestre de meditação é preciso ter, no mínimo, dez mil horas dedicadas à prática”, afirma. Para quem quer começar a meditar, Maciel aconselha buscar locais que seguem a linha Theravada, que é a mais tradicional. Little dá uma dica: “pergunte ao instrutor de mindfulness se ele já deu, ao menos, dez cursos”.

Matéria de Heloísa Negrão, publicada originalmente no UOL, em 07/12/206. Para lê-la na íntegra, acesse: http://estilo.uol.com.br/vida-saudavel/noticias/redacao/2016/12/07/mindfulness-vs-meditacao-qual-e-a-diferenca-entre-as-tecnicas.htm

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Para saber mais sobre meditação, conheça alguns dos livros do Grupo Summus sobre o tema:
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10716VIVA BEM COM A DOR E A DOENÇA
O método da atenção plena
Autora: Vidyamala Burch
SUMMUS EDITORIAL

A dor crônica e a doença podem minar a qualidade de vida de quem sofre com elas. Visando orientar tais pessoas, Vidyamala Burch oferece neste livro um método revolucionário para aliviar o sofrimento causado por diversas enfermidades e pelo estresse. Baseada na atenção plena e na ideia de viver cada momento, ela apresenta técnicas de meditação e respiração profunda que combatem a dor e aumentam a sensação de bem-estar. Prefácio da edição brasileira de Stephen Little, diretor do Centro de Vivência em Atenção Plena e professor da sucursal brasileira da School of Life.
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50065MEDICINA E MEDITAÇÃO
Um médico ensina a meditar
Autor: Roberto Cardoso
MG EDITORES

Médico há mais de vinte anos e meditador há mais tempo ainda, o autor mostra com precisão várias técnicas de meditação e os seus benefícios para a saúde. Sem qualquer orientação religiosa, filosófica ou moral, trata-se de uma obra para ler, aprender e praticar. Edição revista, atualizada e ampliada.

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60038CHAN TAO
Essência da meditação
Autores: Norva M. Leite, Lilian F Takeda, Jou E. Jia
PLEXUS EDITORA

Este livro foi escrito por um dos melhores médicos acupunturistas do Brasil, o dr. Jou Eel Jia, foi preparado para ensinar meditação e a cultura tradicional chinesa a um número cada vez maior de pessoas. Somos levados, por intermédio de algumas lendas e um pouco de filosofia, aos caminhos do conhecimento de nossa essência através da meditação.
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20039MEDITAÇÃO JUDAICA
Um guia prático
Autor: Aryeh Kaplan
EDITORA ÁGORA 

Este livro, baseado na tradição e com pinceladas de transcendentalismo, é um guia essencial para a meditação judaica. Com explicações claras e exercícios fáceis de fazer, apresenta várias técnicas meditativas – como mantras, contemplação, visualização e preces –, permitindo ao leitor desenvolver uma conexão mais forte com seu lado espiritual.
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20704NÃO FAÇA NADA, SÓ FIQUE SENTADO
Um retiro de meditação budista ao alcance de todos
Autora: Sylvia Boorstein
EDITORA ÁGORA

Um livro indicado para aqueles que, eventualmente, já se sentiram atraídos pela meditação budista mas não souberam como começar a praticar. A autora, Sylvia Boorstein, psicoterapeuta de origem judaica, consegue trazer o budismo para o cotidiano da vida moderna. Em linguagem clara e direta, ela explica os ensinamentos milenares do budismo, de um jeito fácil de entender, acreditar e praticar. Seguindo este guia, com dedicação e perseverança, o leitor estará se iniciando ou se aprofundando na prática da meditação budista.
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20717NOSSA LUZ INTERIOR
O verdadeiro significado da meditação
Autor: J. Krishnamurti
EDITORA ÁGORA

Para os seguidores de Krishnamurti, este livro é um presente de novo milênio. Para quem vai conhecê-lo agora, ele talvez represente um reinício de vida. Trata-se de uma coletânea de textos extraídos de palestras ainda não-publicadas. São insights atemporais sobre onde encontrar as verdadeiras fontes da liberdade, da sabedoria e da generosidade humana dentro de cada um de nós. Ele faz considerações sobre o que é, de fato, a meditação – tema central desta obra – e induz o leitor a procurar o seu próprio modo de colocá-la em prática.