QUANDO A “DONA DE CASA” É O HOMEM

Nas relações modernas, às vezes os papéis se invertem – a mulher trabalha fora e o marido cuida da casa. Mas atenção: o “homem do lar” também tem direitos garantidos por lei.

Sim, eles existem. Homens que invertem os tradicionais papéis atribuídos aos sexos e – a exemplo do que fez John Lennon em meados dos anos 70 – ficam em casa cuidando dos filhos enquanto a mulher trabalha fora não são assim tão raros quanto se poderia supor. E se a relação chegar ao fim, esse homem poderá se encontrar numa situação típica de muitas donas de casa que abdicaram da vida profissional em prol da família: a dificuldade de se reintegrar ao mercado de trabalho e, portanto, de se sustentar sem a ajuda do cônjuge. O que fazer, então?

A lei tem uma resposta que pode surpreender os que ainda acham que a função do homem é pagar e a da mulher é receber. Se o ex-marido ou companheiro provar na justiça que não tem condições de trabalhar, ou que seus rendimentos são insuficientes, a mulher terá de lhe pagar pensão alimentícia – desde que sua situação financeira o permita. E tem mais. Se o regime do casamento for o da comunhão universal de bens, ele terá direito à metade de todo o patrimônio do casal após a separação. Se o regime for o da comunhão parcial de bens ou se o casal viveu em união estável, o homem terá direito à metade dos bens comprados durante o casamento ou a união. E isso é válido mesmo que os bens estejam apenas em nome da mulher, e mesmo que o homem não tenha contribuído financeiramente para sua aquisição.

Antes que essas informações provoquem indignação geral entre os membros do sexo feminino, é preciso lembrar que a Constituição de 1988 estabelece direitos iguais para ambos os sexos. Entre esses direitos está o da divisão de bens após a separação. Assim como o homem não pode se recusar a dividir com a mulher a parte que cabe a ela, alegando, por exemplo, que ele comprou determinados bens sozinho, o mesmo é válido para a mulher.

Recentemente, o Supremo Tribunal de Justiça expediu sentença favorável a um homem de Minas Gerais que reivindicava metade do patrimônio adquirido pela companheira durante o período que os dois viveram em união estável. Nos 12 anos em que estiveram juntos, a mulher havia comprado diversos bens. Quando a união chegou ao fim, ela doou aos filhos todos os imóveis adquiridos na constância da união estável, além de vender outros bens que estavam em seu nome, mas que também foram adquiridos ao longo da união. Mas sua tentativa de não partilhar o patrimônio não deu certo. Por decisão judicial, ela teve de dar ao ex-companheiro a parte que lhe cabia. Apesar dele não ter contribuído diretamente para a aquisição desses bens, no entender dos juízes, o trabalho doméstico é considerado uma contribuição indireta. A mulher teve, ainda, que pagar-lhe uma indenização por conta dos bens que ela já havia vendido. Como se vê, o “homem do lar” também tem os seus direitos.

*Ivone Zeger é advogada especialista em Direito de Família e Sucessão. Membro efetivo da Comissão de Direito de Família da OAB/SP é autora dos livros “Herança: Perguntas e Respostas”, “Família: Perguntas e Respostas” e “Direito LGBTI: Perguntas e Respostas – da Mescla Editorial www.ivonezeger.com.br

Artigo publicado no Blog Fausto Macedo, no Estadão, em 15/03/2017. Acesso para assinantes ou cadastrados: http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/quando-a-dona-de-casa-e-o-homem/

Para conhecer os livros da autora clique nos títulos acima ou acesse: http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/busca/ivone+zeger/all/0

 

 

‘A PAIXÃO PELO GIM’

Meu caso com o gim começou graças a Luís Buñuel. Quando escrevi um romance sobre a geração que foi jovem no final dos anos 60/começo dos 70, “O Fantasma de Luís Buñuel”, reli suas memórias e a descrição que ele faz do gim antes de dar sua receita do dry martini que me conquistou. Para ele, o gim era o companheiro ideal para a imaginação. “Por quê?” – pergunta-se. “Não tenho ideia. Mas constato isso.”

O que também, prazerosamente, passei a constatar. E o dry martini virou o rei dos drinques aqui de casa.

De vez em quando, topo um Negroni – também à base de gim –- oferecido pelo meu bartender preferido ou, saindo do gim com certo esforço, um Sazerac.  Quando convidada, aceito também com muito gosto o imbatível gim-tônica da querida amiga e historiadora, Zilda Yokoy, que acrescenta alguns bagos verde-azulados de zimbro à deliciosa mistura que delicadamente coloca em nossos copos.

Tendo escolhido o gim como bebida preferida, achava que saber que ele é feito de zimbro me bastava. De fato, basta, ou nem isso é preciso saber para apreciar o líquido translúcido e sutilmente cremoso cuja beleza, por si só, é uma atração estética adicionada à sua graça. No entanto, saber mais sobre algo que amamos não deixa de ser uma alegria; descobrir suas perfeições e intimidade só enriquece a experiência de desfrutá-lo.

Foi o que confirmei ao ler o livro recém-publicado pela editora Mescla, “Os segredos do gim”, de José Osvaldo Albano do Amarante, de cuja sapiência etílica ninguém pode duvidar. Assim fiquei sabendo que o gim não é inglês, como humildemente eu pensava, e sim uma invenção holandesa do século XVII, feito a partir de um destilado alcoólico básico de cereais como cevada, trigo, milho, centeio, e também – o que me pareceu estranhamente modernoso – uva, cana-de-açúcar e maçã. Só depois é que entram os inapreensíveis botânicos, a alma do gim: uma mistura de especiarias, ervas, flores e frutas, que tem como ingrediente predominante o inigualável zimbro, sem o qual o gim não é gim. É justamente nessa combinação que reside o maior segredo de cada produtor – há, inclusive, os que o mantêm a sete chaves.

O Tankeray London Dry Gin – feito com álcool de grão de trigo, e quatro destilações (não me pergunte por que, pois como o mestre Buñuel, não tenho ideia) – recebe a infusão de uma receita secreta da qual o produtor só divulga quatros ingredientes: bagos de zimbro, sementes de coentro, raiz de angélica e de alcaçuz. É meu preferido, mas penso talvez abandoná-lo agora que soube que o gim mais perfeito para um dry martini, segundo os principais bartenders do mundo, é seu irmão, o Tanqueray No.Ten Gin que, entre outras sutilezas, recebe uma pitada de flores de camomila. Não é demais?

Conhecer os botânicos do gim é a delícia extra que este livro nos traz. Dá vontade de conhecer alguns só pelo inusitado de sua mistura, como o que leva olho-de-dragão chinês, sementes de papoula branca turca e folhas de lótus chinesas; ou o que leva yuzu (fruta asiática híbrida) e açafrão.

Nas minhas próximas viagens levarei uma lista dos mais apaixonantes. E também daqueles dos quais quero distância, como um que leva pepino holandês, e outro que leva resina de franquincenso (resina aromática usada no incenso). Ou, pensando bem, talvez os experimente: até para o gim é preciso ter a mente aberta. Pois não é que me deu vontade de experimentar o brasileiro Arapuru London Dry Gin que leva em sua infusão de botânicos, fatias de caju desidratado, sementes de pacová, sementes de puxuri, e fruto seco de imbiriba?

Acho que farei meu próximo dry martini com esse.

Obrigado, Amarante!

PS: A quem interessar possa. A receita do dry martini do Buñuel é muito parecida com a inventada por Sir Winston Churchill, e que está no livro do Amarante. Basta adicionar sobre o gelo algumas gotas de Noilly Pratt e 4 gotas de angustura, mexer, e esvaziar o copo. O gelo conserva os vestígios sutis dos dois aromas, e sobre ele derrama-se o gim puro. Mexe-se um pouco et voilá! O melhor dry do mundo.
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Artigo publicado no Blog de Maria José Silveira, em 24/11/2016. Para acessar na íntegra: http://www.invencoesverdadeiras.com.br/2016/11/24/a-paixao-pelo-gim/


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Conheça o livro:

segredos-do-gim_3dOS SEGREDOS DO GIM
Autor: José Osvaldo Albano do Amarante
MESCLA EDITORIAL

Única obra brasileira do gênero, Os segredos do gim inova em todos os aspectos. Do projeto gráfico arrojado às formas de consumo, passando pela história do surgimento da bebida, o livro aborda a legislação brasileira e europeia que regulamenta a produção da bebida, as principais ervas aromáticas utilizadas no preparo, o processo de destilação, os grandes líderes mundiais na fabricação do gim, as principais marcas brasileiras e, claro, os coquetéis mais consumidos – e os mais exóticos. Totalmente ilustrado, traz ainda os melhores bares de gim no Brasil e no mundo.

Compre este título com desconto na Amazon.com.br:

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‘LIVRO NÃO VALE NADA’

Em artigo no Publish News (acesse na íntegra aqui), Julio Silveira fala do caso Cosac e conclui: ‘se não mudarmos, bibliocídios como a da Cosac vão se repetir, e se intensificar. E os livros no Brasil continuarão não valendo nada.

Tenho vergonha do título deste artigo. Por dois motivos. O primeiro é que ele soa como um daqueles textões que os trolls postam somente para chamar a atenção, e que muita gente compartilha com emojis vomitivos, sem ler sequer o lead.

O segundo motivo de eu ter vergonha é… bem… é que é verdade. Livro não vale nada. Pelo menos no Brasil.

Quando o PublishNews revelou que os livros da Cosac Naify vão virar aparas (ou papel higiênico) instalou-se o escândalo. “Fariseus!” “Biblioclastas!” e outros adjetivos mais diretos espocaram nas timelines, que acusavam alternadamente o governo, o capitalismo, os comunistas, o funk ou a internet pelo crime de sacrificar esse bem tão raro e precioso… o livro.

Não sei se livro é “precioso”, mas definitivamente não é “raro”. Para demonstrar isso não vou usar os cálculos de Gabriel Zaid em Livros demais (leiam e chorem). No lugar dos números, fiquem com duas cenas que testemunhei em duas décadas nesse mercado das ideias.

Em 2010, estava jantando em Barcelona, depois de ter enfrentado um vulcão islandês e agentes literárias catalãs. Recebi o alerta por SMS: um jornal iria acusar a editora — na qual eu acabara de entrar — de bibliocídio. Aquela editora havia mandado uma carta a todas as livrarias pedindo a quitação dos livros que estavam, há anos, em consignação. Ela oferecia descontos de 75% para acertos. Para os exemplares que, mesmo com esse desconto, não interessassem às livrarias, pedia-se que fossem enviadas as capas rasgadas (ou “cortadas diagonalmente com um estilete”, especificava), jogando fora os livros desencapados. A história já havia inflamado alguns jornalistas mas conseguimos, com franqueza e penitência, diminuir o tom da matéria. Felizmente para nós, o Facebook ainda não tinha tantos grupos de linchadores. Os livros? Viraram aparas.

E porque a editora não pediu simplesmente que fossem devolvidos os exemplares consignados e não vendidos? Porque alguém fez as contas e viu que o valor desses livros não cobriria o frete… ou a estocagem. Outro grande grupo editorial chegou a um impasse parecido. O proprietário do galpão subiu o preço do aluguel e a equipe foi procurar um outro lugar, mais longe e mais barato, para abrigar os encalhes. E aí alguém, insistindo na realidade dos fatos, veio de novo fazer as contas e viu que a liquidez desse estoque não compensava nem uma viagem do caminhão… e os livros viraram aparas.

Há muitas histórias assim, todas podem ser resumidas na piada das pilhas de encalhe como método de suicídio de editores. Mas nem todas essas pilhas são de livros que os leitores não quiseram. Muitas são de livros que sequer chegaram perto do leitor.

Em 2004, estava na Barra Funda, visitando a sede de uma grande rede de livrarias (que já não está entre nós). Fomos para lá tentar convencê-los a aceitar mais livros. Acabamos nos deparando com caixas de nossos títulos, que mandáramos em consignação (frete por nossa conta) havia um ou dois anos. Esses livros jamais tinham saído das caixas; estavam “esgotados”, embora a gente não tivesse vendido nem um quinto da tiragem. Como centenas e centenas de caixas de livros, de várias editoras, naquele labirinto de papelão.

São duas histórias de livros desvalorizados, desgarrados, aparados. Todo mundo que trabalha com isso tem uma penca de histórias dessas para contar, bem como uma penca de “explicações”.

Pode ser “histórico-cultural”: “o Brasil foi o último país a abolir a escravidão e instalar a imprensa. Livro nunca foi ‘útil’ em uma nação voltada para a exploração de matérias primas e de pessoas”. Tem a “Keynesiana”, que diz que “o governo deveria gastar para que os brasileiros melhorassem nossos vergonhosos índices de leitura”; tem a neoliberal que prega que “o governo provoca um excesso de demanda que desequilibra o mercado”…

Blá…
Blá…
Blá.

Eu não sei explicar e nem me arrisco a apontar uma solução. Mas tenho uma forte impressão de que as poucas iniciativas para combater esse quadro vão acabar agravando a situação. Fala-se até em aumentar o preço dos livros. Seguimos esperando um bom resultado de uma equação ruim, na qual todas as variáveis — editoras, livrarias, autores e leitores — estão no limite.

(O digital — onde não há encalhes nem gargalos de distribuição — seria uma saída, se não fosse encarado com desconfiança ou condescendência. Sem contar que, como lembrou o André Palme, no digital o conteúdo — histórias, ideias — são “impicotáveis”)

Se não mudarmos, bibliocídios como a da Cosac vão se repetir, e se intensificar.

E os livros no Brasil continuarão não valendo nada… enquanto não puderem ser lidos.

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital. Sua coluna no postal Publish News aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes,

‘E QUANDO AQUILO QUE FALAMOS AGRIDE O OUTRO’ – COM FLÁVIO GIKOVATE

Flavio-Gikovate falandoHá opiniões discrepantes em relação às pessoas que são muito cuidadosas e delicadas quando expressam seu ponto de vista, especialmente sobre temas polêmicos. Alguns as julgam falsas e hipócritas, pois escolhem as palavras com o intuito de agradar o interlocutor. Resultado: desconfia-se de sua sinceridade.

Outros, porém, pensam de forma diferente. Acham que são espíritos mais atentos, preocupados em não ser invasivos e grosseiros. Tomam cuidado, sim, porque não gostariam, em hipótese alguma, de magoar a pessoa com a qual estão conversando.

Pode parecer também que o tipo mais espontâneo e sincero é mais veemente na defesa de suas ideias, enquanto o mais delicado tem menos interesse em fazer prevalecer seu ponto de vista, ficando sempre “em cima do muro”.

Embora muitas vezes tais considerações sejam verdadeiras, penso que não é tão simples fazer a avaliação da conduta mais adequada. Esse assunto não só envolve questões morais, mas diz respeito à eficácia da comunicação entre as pessoas.

Sob o aspecto moral, a preocupação com o outro se impõe sempre. Ser honestos e sinceros não nos dá o direito de dizer tudo que pensamos. A franqueza pode ser prejudicial.

Por exemplo, se uma pessoa, ao encontrar um amigo de rosto abatido, falar: “Puxa, como você está pálido! Até parece doente”, estará sendo sincera, mas tremendamente insensível.

A verdade não subtrai o caráter agressivo da afirmação; pelo contrário o acentua. Na prática, acredito que uma boa forma de avaliar uma ação é pelo resultado. Se o efeito for destrutivo, a ação será nociva, independentemente da “boa intenção” daquele que a praticou.

A tese de que devemos falar tudo o que pensamos é ainda mais indefensável quando o objetivo é facilitar o entendimento e a comunicação. Indiscutivelmente o ser humano é vaidoso e, se sentir-se ofendido por alguma palavra ou atitude do outro, acabará desenvolvendo uma postura negativa em relação a essa pessoa.

Se alguém iniciar uma frase com expressões do tipo “Você não percebe nada”, “Qualquer idiota é capaz de compreender que…”, elas provocarão uma espécie de surdez imediata.
Não ouviremos o resto do argumento ou então o ouviremos com o intuito de encontrar bons raciocínios para derrubá-lo.

Quando nos expressamos, é preciso ter extremo cuidado com as palavras, pois elas atingem positiva ou negativamente o interlocutor. No processo de comunicação, a recepção é tão importante quanto a emissão dos sinais. Temos que nos lembrar disso se quisermos agir de modo construtivo para nós e para os demais.

O descaso pelo “receptor” indica desrespeito moral e agressividade (voluntária ou não). Há pessoas que só têm interesse em mostrar como são perspicazes e brilhantes. Querem ficar por cima. Querem ensinar e não aprender. Despertam raiva, não admiração, pois a arte de seduzir caminha exatamente na direção oposta.

Qual a pessoa que gosta de se aproximar de alguém cujo objetivo principal é a autopromoção constante? Quem atura discursos intermináveis baseados num narcisismo oco? Praticamente ninguém. O descaso pelo interlocutor é, a meu ver, fruto de um individualismo acirrado e oculta o desejo inconsciente de se dar mal na vida.

Artigo do psicoterapeuta Flávio Gikovate, publicado no Portal Raízes. Para acessá-lo na íntegra: http://www.portalraizes.com/quando-falar-e-agredir-flavio-gikovate/

Conheça os livros do autor publicados pela MG Editores em
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/busca/fl%C3%A1vio+gikovate/all/0

LEIA REPORTAGEM SOBRE MEDICINA INTEGRATIVA NA REVISTA GALILEU

A edição de fevereiro da Revista Galileu traz uma reportagem de capa sobre medicina integrativa. De acordo com a matéria, os tratamentos alternativos, adotados por hospitais no mundo todo e incluídos no SUS, são cada vez mais estudados e aceitos pela ciência. Leia a íntegra da reportagem: http://goo.gl/r4VV0

No livro Medicina integrativa – A cura pelo equilíbrio (MG Editores), o médico Paulo de Tarso Lima, um dos entrevistados na reportagem e um dos maiores especialistas brasileiros da área, reúne informações sobre os tratamentos, a filosofia e os resultados concretos dessa prática. A medicina integrativa vê o paciente como um todo, inter-relacionando sintomas, qualidade de vida e alimentação. O objetivo não é apenas curar, mas tornar o paciente ativo em sua recuperação e transformar seus hábitos para melhor.

Pioneiro no mercado editorial brasileiro, o livro mostra que, apesar dos fabulosos avanços dos últimos cem anos, a medicina convencional ainda não consegue tratar a doença e, ao mesmo tempo, prevenir seu surgimento. “É para equilibrar essa situação que surge a medicina integrativa, que se pauta pela união dos avanços científicos com as terapias e práticas complementares cujas evidências comprovem sua segurança e eficácia”, afirma o médico.

No livro, o autor aborda os conceitos que norteiam a prática e oferece dicas que podem ser adotadas e seguidas em qualquer momento do dia. São exercícios de relaxamento para a consciência corporal e para o cultivo da atenção plena; apresentação de uma pirâmide alimentar anti-inflamatória; demonstração de como montar um prato colorido e rico em nutrientes; informações sobre a relação entre alimentação e câncer; comparação entre alimentos orgânicos e não orgânicos; e sugestões para diminuir o nível de estresse. A mudança na dieta, a recomendação de atividades físicas, redução de estresse, terapias de corpo e mente ou uso de técnicas da medicina tradicional chinesa são diretrizes da medicina integrativa.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1193/Medicina+integrativa

“A INDISCIPLINA NA ESCOLA É UM PROBLEMA DE TODOS NÓS”, POR SILVIA GASPARIAN COLELLO

A indisciplina nas escolas brasileiras é um fato. Alastrando-se em diferentes instituições e segmentos do ensino, a falta de limites, o desrespeito e as ocorrências de violência e vandalismo são queixas que se multiplicam entre pais, professores e gestores. Mas, afinal, de quem é o problema e como lidar com ele?

Quando a indisciplina é encarada como um monólito, ou seja, como um bloco de ocorrências uniforme e incompreensível, resta apenas o perverso jogo de culpabilização: as escolas criticam os pais “que não educam os filhos”; os professores incriminam os alunos “carentes e desequilibrados” e as famílias culpam o “ensino de baixa qualidade”. Muitos apontam para a “a crise de valores, um mal do nosso tempo”.

Nesses casos, pouco pode ser feito, exceto defender-se das acusações, conformar-se com o “inevitável” e remediar a situação em âmbitos específicos: o professor tenta controlar a classe, o aluno suporta o bullying dos colegas, os pais repreendem o filho rebelde. Cada um lidando solitariamente com a situação, como se o problema fosse pessoal. Pior que isso, nem sempre sabem o que fazer.

Se, por outro lado, a indisciplina fosse compreendida na sua complexidade, entendendo-se, em cada caso, a conjugação de fatores sociais, institucionais, pedagógicos, afetivos e relacionais, o desafio poderia ser enfrentado na parceria responsável entre famílias, escolas e poder público. Um enfrentamento capaz de lidar com a gênese do problema (e não só com seus efeitos), articulando o projeto educativo à formação ética dos alunos.

Assim, a disciplina deixaria de ser um requisito para a eficiência escolar, passando à meta do projeto pedagógico, tão legítima quanto ensinar conteúdos.

Enfrentar a indisciplina requer medidas conjugadas em diferentes planos de intervenção. Na esfera sociopolítica, cabe o investimento na valorização da vida, do trabalho, da educação e da escola.

No que tange a cultura, importa promover a democratização dos bens culturais, fomentando iniciativas de lazer, esporte e inserção social da juventude. No âmbito escolar, é preciso não só cuidar da formação dos professores, como também fortalecer o projeto pedagógico a partir de sólidas diretrizes para a formação humana.

A cooperação entre pais e educadores é, igualmente, indispensável para a reconfiguração da vida estudantil, pois a negociação de metas e linhas de conduta favorece a educação em valores e a conquista da postura crítica entre os alunos.

Sob essa ótica, talvez, a questão possa ser respondida de modo mais efetivo: a indisciplina na escola é um problema de todos nós.

Silvia Gasparian Colello é professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e coordena o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Alfabetização e Letramento.

Texto especial para a Folha de S.Paulo, publicado originalmente na revista em 29/1/2013. Para conferir, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1221627-opiniao-a-indisciplina-nas-escolas-brasileiras-e-um-problema-de-todos-nos.shtml

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Conheça os títulos da autora, todos publicados pela Summus Editorial:

A escola que (não) ensina a escrever
Autora: Silvia M. Gasparian Colello
A fim de repensar as concepções acerca da língua, do ensino, da aprendizagem e das práticas pedagógicas, este livro levanta diversos questionamentos sobre a alfabetização como é praticada hoje nas escolas. Depois de analisar diversas falhas didáticas e tendências pedagógicas viciadas, a autora oferece alternativas que subsidiem a construção de uma escola que efetivamente ensine a escrever.

Textos em contextos - Reflexões sobre o ensino da língua escrita
Organizadora: Silvia M. Gasparian Colello
Autores: 
Teresa Cristina Fernandes TeixeiraÉrica de Faria DutraGláuci Helena Mora DiasMaria Aparecida Vedovelo SarrafMaria de Lurdes ValinoMartha Sirlene da SilvaMárcia Martins CastaldoNilma Guimarães Silvia M. Gasparian ColelloAndréa Luize
Com o objetivo de discutir a alfabetização em sua complexidade, esta obra usa o referencial socioconstrutivista para relacionar teoria e prática em diferentes abordagens: as concepções de ensino e de escrita, as trajetórias escolares na alfabetização de crianças e adultos, os processos cognitivos na aprendizagem da escrita, a produção textual na infância e adolescência, os desafios da transposição didática e a formação de professores alfabetizadores.

Alfabetização e letramento: pontos e contrapontos
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Valéria Amorim ArantesSilvia M. Gasparian ColelloSérgio Antônio da Silva Leite
É possível alfabetizar sem retornar à cultura cartilhesca? Qual o papel da afetividade na alfabetização? Como sistematizar o trabalho pedagógico em sala de aula? Que paradigmas devem ser revistos no caso da aprendizagem escrita? Essas e outras perguntas são respondidas e debatidas nesta obra fundamental ao professor.

REVISTA NOVA ESCOLA DESTACA O LIVRO IMAGINAÇÃO, CRIANÇA E ESCOLA

A edição de dezembro da Revista Nova Escola deu destaque para o livro Imaginação, criança e escola, da Summus Editorial, na Estante. Primeiro livro da coleção Imaginar e criar na educação infantil, a obra, da educadora Daniele Nunes Henrique Silva, analisa os processos que configuram a imaginação e mostra como a escola influencia as crianças. Veja a nota: http://goo.gl/HJ52W

Além de discutir o modo como as políticas educacionais tematizam os processos criativos e estéticos e qual é a repercussão dessas diretrizes na prática pedagógica, a autora apresenta situações de sala de aula em que se manifestam as atividades criadoras das crianças em idade pré-escolar e examina como elas se organizam nas dinâmicas interativas professor-aluno e aluno-aluno. “Não se trata de um manual, nem mesmo de um compêndio teórico. O objetivo do livro é compor um tipo de leitura que aproxime o leitor dos temas complexos implicados no desenvolvimento da criança, chamando a atenção para suas esferas criativas de expressão e representação do mundo”, afirma Daniele.

Na obra, ela reflete ainda sobre a importância do faz de conta, do desenho e da narrativa no desenvolvimento infantil e mostra como as próprias crianças pensam e sentem o ato de imaginar na escola, indicando que imaginação e pensamento não são processos excludentes; ao contrário, encontram-se interligados e interdependentes. Ao final de cada capítulo, o leitor terá sugestões de atividades que podem ser experimentadas em sala de aula. “Sem perder a profundidade acadêmica necessária à abordagem dos temas selecionados, mas ganhando uma dinamicidade na leitura, o livro traz boxes explicativos, episódios de sala de aula e sugestões de atividades”, complementa.

Para saber mais sobre o livro, acesse: http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1296/Imaginação,+criança+e+escola

 

Bienal do Livro: a conta não fecha

Leia a reprodução do artigo de Raul Wassermann, diretor do Grupo Editorial Summus, publicado na seção Tendências/Debates, da Folha de S. Paulo, no último dia 5 de agosto:

Nas conversas sobre passado e futuro das bienais do livro, lembro sempre da Fenit, feira de indústria textil que já foi chamada de “a São Paulo Fashion Week dos anos 1960″.

Aos poucos, participar dela ficou tão caro para a maioria das confecções que surgiu a moda de alugar espaços em hotéis para apresentar as coleções nos mesmos dias da Fenit.

Recentemente, Danuza Leão comentou a SPFW na Folha. Descreveu as badalações e escreveu: “Sem dúvida, a SPFW é muito luxuosa. Mas será que essa conta se paga?”

Tirando o “muito luxuosa”, a mesma pergunta poderia ser feita às bienais do livro de São Paulo, do Rio e até de alguns outros Estados.

O tempo passou. Veio a informática, passamos dos estandes dos anos 1970, armados a tábuas e pregos, às tentativas de nos tornarmos a Frankfurt ou a Paris dos trópicos.

Só que esquecemos dos leitores, da finalidade primeira de uma feira do livro: desenvolver o mercado.

Mesmo tendo presidido duas edições da bienal de São Paulo e participado de sua organização por um bom tempo, sempre defendi uma versão mais light, para o desenvolvimento do mercado. Eu me preocupava com a sua transformação em feirão.

Hoje temos investimentos em estandes luxuosos, que operam lado a lado com bancas de saldos, recebendo um público que passa por lá no fim de semana como variação da ida ao shopping. Os leitores, principalmente de não ficção, ficam em casa, buscando na internet o que não encontram nas livrarias, recusando-se a frequentar aquele ambiente superpovoado.

O Salão de Ideias, só para citar um espaço da bienal que antes atraía um colosso de gente, há várias edições simplesmente não acontece.

A programação cultural, aliás, já começou mal para a edição de 2012. Segundo a coluna “Painel das Letras”, da Folha, a organização não havia confirmado até as vésperas do evento quais autores internacionais deveriam participar neste ano.

As editoras, preocupadas, afirmaram que vão trazer autores de fora. A organização, que captou dinheiro da Lei Rouanet, disse que não tinha dinheiro para pagar as passagens, mas que incluiria os nomes sugeridos pelas editoras na programação.

Parceiras do mercado editorial, as livrarias não herdam nada, não há ação para levar o público a frequentá-las. O que existia foi enterrado.

Os números continuam sendo manipulados para sensibilizar a mídia. As declarações finais são sempre as mesmas, louvando a superação de todas as metas. Quem sai no prejuízo fica no silêncio, envergonhado.

Repito o que já disse há dois anos: por que não assumir que a fórmula está desgastada? Por que não criar um evento que só mostre a produção das editoras, com bons eventos culturais, proibição de descontos, iniciativas que levem público às livrarias e outros canais de venda e trazendo livreiros de todo o país?

Por que não retomar a tradição de dias reservados só para os profissionais? E por que não pensar em outro evento, com livreiros, que venda com descontos aqueles bons livros que toda editora tem, mas o público não encontra nas prateleiras?

Por que não fazer uma feira dirigida só ao público infantojuvenil? Vamos admitir: hoje adultos e crianças se atrapalham mutuamente.

Nada disso, entretanto, pode acontecer se não houver coragem e união da classe editorial. Insisto: é preciso sonhar com o desenvolvimento do mercado antes para colher em nossas empresas depois.

Enfim, a continuarmos na fórmula desgastada de sempre, só posso terminar com a pergunta de Danuza: será que essa conta se paga?

RAUL WASSERMANN, 69, é editor do Grupo Editorial Summus. Foi presidente da Câmara Brasileira do Livro e da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos

Para ver o artigo no site da Folha, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/1131926-tendenciasdebates-bienal-do-livro-a-conta-nao-fecha.shtml