‘UM ANO APÓS MEC MUDAR REGRA, POLOS DE ENSINO A DISTÂNCIA AUMENTAM 133%’

…………………………………………………………………Matéria de Júlia Marques, publicada no Estadão Conteúdo e reproduzida no UOL em 28/05/2018.

Mariane Gouveia, de 51 anos, estuda até nas brechas do trabalho. Entre uma reunião e outra como mediadora de conflitos em um centro judiciário de Praia Grande, na Baixada Santista, ela aproveita para assistir a aulas ou rever explicações na tela do celular. Mariane cursa uma graduação a distância – modalidade que cresce no país.

Um ano após a publicação de um decreto que regulamenta a modalidade, o número de polos de ensino a distância (EAD) autorizados no Brasil cresceu 133%. Antes da regra, eram 6.583. Hoje já chegam a 15.394, segundo dados do Ministério da Educação (MEC). O resultado é a capilarização do EAD no País. Entidades de classe, a maior parte ligada a carreiras da área de saúde, porém, criticam o modelo, enquanto especialistas veem risco de que a expansão resulte em queda na qualidade e falta de fiscalização.

O decreto eliminou a exigência de que o governo fizesse visitas prévias aos câmpus e deu autonomia às instituições para a criação dos próprios polos, desde que elas cumpram parâmetros de qualidade definidos pelo governo. O número de polos que podem ser criados hoje é calculado com base no Conceito Institucional (CI) da escola, obtido em avaliações feitas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep). Quanto maior o conceito, maior a qualidade. Instituições com CI igual a 3 (o mínimo satisfatório) podem ter até 50 polos; se o CI é igual a 4, o número aumenta para 150 e, se o CI é 5, a instituição pode criar até 250 polos.

A regra também regulamentou o surgimento de centros exclusivos para educação a distância. Mas, desde maio do ano passado, isso não ocorreu. As quatro instituições credenciadas no país para oferecer apenas cursos a distância já existiam antes do decreto.

Logística

Para Mariane, veterana de graduações presenciais, a instalação de um polo da Estácio em Praia Grande pesou na decisão pelo curso de Mediação, um tecnólogo focado na solução de conflitos judiciais. Ela trabalha e mora na cidade e, no início do curso, teve de ir mais vezes ao polo para tirar dúvidas sobre a plataforma. Hoje, elogia a possibilidade de estudar e continuar trabalhando. “Não preciso esperar terminar a faculdade para aí sim entender a prática.”

A unidade foi uma das 171 que passaram a funcionar a partir do segundo semestre do ano passado. Segundo Aroldo Alves, vice-presidente de EAD da Estácio, a quantidade de municípios com unidades quase dobrou no período. “Vamos aos menores, para dar acesso ao ensino superior onde não seria viável a instalação de um câmpus.”

Diretor da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), Luciano Sathler diz que as regras para a modalidade no Brasil facilitam o acesso ao ensino superior. “Antes, tínhamos um número muito grande de polos com poucas instituições.”

Opção

O ensino a distância não é a primeira opção de brasileiros. É o que mostra estudo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), que entrevistou 1.012 pessoas. 56% disseram preferir a graduação presencial, contra 27% que preferem o EAD. Para Celso Niskier, vice-presidente da Abmes, porém, cresce o número de adeptos do ensino a distância, especialmente entre os mais novos. “O jovem tem compreensão maior de como a tecnologia pode ser usada no ensino.” Cursos online na área de Educação são os que registram mais matrículas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Para ler a reprodução no UOL, acesse: https://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2018/05/28/um-ano-apos-mec-mudar-regra-polos-de-ensino-a-distancia-aumentam-133.htm

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça:

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: José Manuel MoranJosé Armando Valente
SUMMUS EDITORIAL

Qual o papel das novas tecnologias de informação e comunicação no cotidiano das escolas e dos cursos de formação profissional? A educação a distância e as novas modalidades de ensino e aprendizagem ampliam o acesso à educação de qualidade ou prejudicam o processo educativo? O diálogo estabelecido entre os autores deste livro nos ajuda a compreender essas questões e as complexas relações entre tecnologia e educação neste início de século.

MORRE ALBERTO DINES

Foto de Jaqueline Machado

Lamentamos informar que faleceu nesta terça-feira, 22 de maio de 2018, aos 86 anos, o jornalista Alberto Dines, devido a problemas respiratórios. Segundo Norma Couri, sua esposa, ele estava internado no hospital Albert Einstein há 10 dias por causa de uma forte gripe, que acabou evoluindo para uma pneumonia. Um dos mais conhecidos e respeitados jornalistas brasileiros, Dines foi autor de livros de ficção, reportagem, história e biografias. Pela Summus Editorial, lançou em 2009 a nona edição do livro “O papel do jornal e a profissão do jornalista”, obra clássica na área da comunicação, lançada há quase 45 anos.

Jornalista desde 1952, Dines foi repórter das revistas Visão e Manchete, editor da Última Hora e do Diário da Noite e criador de Fatos e Fotos. No Jornal do Brasil, ao longo de quase doze anos, deu sequência a uma reforma editorial que marcou o jornalismo brasileiro. Nesse período, editou os “Cadernos de Jornalismo e Comunicação” (1965-1973), experiência pioneira de reflexão sobre mídia. Precursor da função de ombudsman com a coluna “Jornal dos Jornais” (Folha de S.Paulo, 1975-1977), na Folha também foi diretor da sucursal do Rio de Janeiro e colunista político.

Dines foi professor de jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), professor-visitante na Universidade de Columbia (Nova York) e um dos criadores, na Unicamp, do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) – onde em 1996 foi desenvolvido o projeto do “Observatório da Imprensa”, que teve edições na TV e no rádio.

Organizou a edição fac-similar da coleção do Correio Braziliense, primeiro periódico a circular no Brasil. Foi diretor editorial do Grupo Abril em Portugal, onde viveu entre 1988 e 1995, trabalhando e realizando pesquisas para Vínculos do fogo – Antônio José da Silva, o Judeu, e outras história da Inquisição em Portugal e no Brasil, Tomo I.

Em “O papel do jornal e a profissão de jornalista”, Dines discorre sobre um dos seus temas prediletos: o papel da imprensa no desenvolvimento do país. Na obra, revista, ampliada e atualizada, ele retoma o debate sobre a polêmica questão da necessidade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão e revigora aspectos fundamentais para o exercício da profissão, como transparência, consciência profissional e interesse público.

Ele deixou quatro filhos, de seu primeiro casamento, com Ester Rosali.

‘BETTY MONTEIRO NO CBN GERAÇÕES’

Culpa, controle, divisão de tarefas e outras questões da rotina das mães entram em discussão

No fim de semana do Dia das Mães, a psicóloga e escritora Betty Monteiro e a jornalista e apresentadora Mariana Kotscho conversaram com Cássia Godoy sobre a maternidade. Ouça abaixo.

Clique nas capas abaixo e saiba mais sobre os livros da psicóloga Betty Monteiro:
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‘SEXO NA TERCEIRA IDADE É MAIS COMUM E IMPORTANTE DO QUE VOCÊ IMAGINA’

De acordo com um estudo recente, 73% das pessoas entre 65 e 80 anos se dizem satisfeitas com o que acontece entre quatro paredes; veja detalhes

Sexo é coisa de gente jovem e, conforme as pessoas vão envelhecendo, a frequência com a qual transam diminui até tornar-se baixíssima durante a velhice, certo? Bom, apesar de muita gente ter horror à ideia de que os avôs e avós ou pais e mães ainda transam, dados de um estudo recente mostram que a frequência do sexo na terceira idade e o entusiasmo das pessoas com relação a ele é maior do que costumamos imaginar.

Tem vontade e satisfação, sim!

Divulgado na última semana, o estudo em questão foi realizado por pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e levantou alguns dados curiosos sobre o sexo na terceira idade . Se você pensa que pessoas mais velhas não têm sexo em mente, se engana: das mil pessoas entre 65 e 80 anos entrevistadas para o estudo, 84% dos homens e 69% das mulheres acreditam que o sexo é algo importante no relacionamento.

Quando os interesses são levados para a prática, os números caem um pouco, mas seguem mostrando que o fogo não precisa se apagar conforme a pele vai ficando enrugadinha. Entre as pessoas de 65 e 70 anos que foram entrevistadas, 46% delas são sexualmente ativas, enquanto para os idosos de 71 a 75 anos a porcentagem cai para 39% e, para os que têm entre 76 e 80, cai para 25%.

E quanto à satisfação com o que acontece entre quatro paredes? De acordo com o estudo, 73% dos entrevistados pelos pesquisadores afirmam estar satisfeitos com a vida sexual (sendo 37% dessas pessoas extremamente felizes e 36% relativamente felizes). Conforme mostram os dados, as mulheres se mostram mais contentes que os homens com o sexo (43% ante 31% deles), assim como as pessoas comprometidas são mais satisfeitas que as solteiras (40% versus 30%).

Obviamente, a saúde também tem parte nessa satisfação, já que, conforme mostram os dados, pessoas que estão em melhores condições de saúde se mostram bem mais contentes com a vida sexual do que aquelas que sofrem com problemas de saúde (40% contra 28%).

Falar sobre é importante

Apesar de os  dados do estudo mostrar que o sexo na terceira idade é algo importante e relativamente frequente para os idosos, falar sobre essa situação é uma história completamente diferente; de acordo com a pesquisa, apenas 17% dos participantes conversaram sobre suas vidas sexuais com médicos nos últimos dois anos.

Dado que, de acordo com outro estudo , o que mais faz a libido da mulher cair conforme a idade vai avançando é o medo de sentir dor na relação e problemas como incontinência urinária, discutir a vida sexual com médicos pode fazer com que o sexo na terceira idade melhore expressivamente.

Publicado originalmente no Delas – iG, em 07/05/2018. Para acessar na íntegra:
http://delas.ig.com.br/amoresexo/2018-05-07/sexo-na-terceira-idade-estudo.html

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Tem interesse pelo assunto? Conheça:

SEXO E AMOR NA TERCEIRA IDADE
Autores: Robert N. Butler, Myrna I. Lewis
SUMMUS EDITORIAL

Butler e Lewis derrubam tabus e provam que o sexo e a sexualidade são experiências prazerosas, gratificantes e altamente saudáveis, após os 60 anos. É a época em que o ser humano possui maior experiência e disponibilidade de tempo para poder, apesar das dificuldades naturais, usufruir de uma vida sexual positiva.

 

“FILHA DE DONALD TRUMP É ARMA DE ‘SOFT POWER’ DOS EUA”

Ivanka vai no lugar do pai à Cúpula das Américas, em Lima, com discurso feminista

Com a ausência do presidente Donald Trump reforçando a percepção de que a América Latina não é prioridade para Washington, a Casa Branca aposta na presença de Ivanka Trump em Lima para gerar um pouco de boa vontade entre os países da região.

Filha e assessora do republicano, ela participará de uma discussão sobre empoderamento feminino na Cúpula Empresarial, evento paralelo à Cúpula das Américas, que reúne chefes de Estado e governo do continente.

Nesta quarta (11), Ivanka afirmou que também lançará uma iniciativa para “impelir o empoderamento econômico das mulheres na região”, sem dar mais detalhes.

Segundo a Folha apurou, cogitou-se dar a Ivanka a honra de fazer o discurso de abertura da cúpula empresarial, mas a deferência não foi confirmada.

Ela acompanhará o vice-presidente, Mike Pence. Virão para a cúpula também Jared Kushner, marido de Ivanka, o secretário de Comércio, Wilbur Ross, e o representante de comércio, Robert Lighthizer, para debater tarifas anunciadas por Trump que atingem, entre outros, o aço brasileiro.

A vinda do presidente era cercada de tensões, por causa de políticas da Casa Branca que desagradam a região, como o prolongamento do muro na fronteira com o México, a renegociação de acordos comerciais e o endurecimento contra imigração.

O cancelamento foi recebido com um misto de alívio e decepção. Trata-se do primeiro líder americano a não comparecer à cúpula desde a criação do evento, em 1994.

Ivanka é acionada com frequência para fazer “diplomacia presidencial”. Quando ela foi a Pyeongchang para as Olimpíadas de Inverno, o pai tuitou: “Minha filha acaba de chegar na Coreia do Sul. Não poderíamos ter uma pessoa melhor ou mais inteligente representando nosso país”.

Mas o “soft power” de Ivanka nem sempre prospera.

Em abril do ano passado, ela dividiu o palco com a chanceler alemã Angela Merkel e com a diretora do FMI, Christine Lagarde. Mas recebeu vaias ao afirmar que seu pai “era um tremendo defensor de apoio a famílias”.

Chefiando a delegação dos EUA em uma cúpula global de empreendedorismo na Índia, em novembro de 2017, foi alvo de críticas ao fazer campanha por empoderamennto feminino enquanto sua linha de roupas emprega mulheres ganhando salários minúsculos na Índia e em Bangladesh.

Para Ivanka, a cúpula já começou com uma saia justa.

Em briefing, um jornalista perguntou a um funcionário da Casa Branca: “Dado que o tema da cúpula é governança democrática contra corrupção, e a América do Sul teve várias ditaduras que empregavam parentes em altos cargos, vocês sentem que há uma diferença entre isso e sua posição na Casa Branca?”

Não houve resposta.

 

De Patrícia Campos Mello, publicado originalmente na Folha de S. Paulo, em 12/04/2018. Para acessar na íntegra: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/04/filha-de-donald-trump-e-arma-de-soft-power-dos-eua.shtml

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Que saber mais sobre Soft Power? Conheça:

 

PODER SUAVE (SOFT POWER)
Autor: Franthiesco Ballerini
SUMMUS EDITORIAL

Utilizado pela primeira vez pelo cientista político Joseph Nye na década de 1980, o termo “poder suave” (soft power) designa a capacidade de um Estado ou uma instituição influenciar a opinião pública para que seus objetivos sejam cumpridos. Acompanhando a humanidade há milênios, o poder suave se fez sentir sobretudo na cultura. O exemplo mais clássico é Hollywood, que, com seus filmes e produtos dele derivados, reproduz um estilo de vida que serve muito bem aos interesses americanos no campo da política e da economia. Porém, diversos outros tipos de poder suave têm mostrado sua força ao longo dos séculos, deixando claro que ideias podem, por vezes, ser mais persuasivas que canhões.

Publicação única no Brasil, fruto de mais de dois anos de intensas pesquisas e dezenas de entrevistas, este livro explica os mecanismos de ação do poder suave e sua expressão em áreas como música, cinema, artes plásticas, dança e artes visuais. Obra atual e perene, é dedicada a estudantes e profissionais de Comunicação, Relações Internacionais e Ciências Políticas, mas sobretudo a todos aqueles que desejam conhecer melhor uma força tão sutil e, ao mesmo tempo, inquestionável.

 

 

‘MELHORAR A POSTURA EVITA ESTRESSE, DORES E ATÉ INTESTINO PRESO’

Enquanto lê esse texto, você está sentado “confortavelmente”, todo esparramado e com a coluna curvada? Então, antes de mais nada, ajeite-se na cadeira! Manter a postura correta no dia a dia – ou seja, sentar com as costas retas, apoiadas no encosto, as pernas paralelas e os pés no solo; manter a tela do computador na altura dos olhos; agachar para pegar coisas no chão em vez de dobrar o corpo; andar com o tronco reto etc. – evita não só dores nas costas, como também melhora vários aspectos da sua saúde.

“Como a coluna é nosso pilar de sustentação, a má postura sobrecarrega estruturas pelo corpo todo”, alerta Alexandre Fogaça Cristante, ortopedista do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Sim, aquela dor chata que você sente no calcanhar ou na cabeça podem estar relacionadas com a falta de alinhamento.

“O organismo funciona como um todo e, quando você não o posiciona da forma natural, ele faz compensações”, explica a fisioterapeuta Samira Poliseli, especialista em osteopatia pela Escola de Osteopatia de Madrid. A seguir, mostramos os benefícios que você vai ter ao deixar esse jeito relaxado de sentar –e de caminhar, malhar etc.

Reduz dores e lesões no treino

Quando você não se preocupa em manter uma postura adequada no dia a dia ou nos exercícios, há o encurtamento de músculos, tendões e ligamentos. Aí, um dos lados do corpo fica sobrecarregado. Isso gera desgaste nas articulações e, com o tempo, há risco de hérnias de disco, lesões no quadril e nos joelhos, tendinites e bursites nos ombros, fascite plantar entre outros problemas. “Para as mulheres, vale até repensar o uso diário do salto alto. Ele encurta a musculatura posterior da perna e aumenta a sobrecarga na região lombar”, explica o cirurgião ortopédico Edson Pudles, de Curitiba.

Minimiza a dor de cabeça

Na coluna cervical, entre as vértebras C1 e C2, há várias terminações nervosas importantes. Se elas forem constantemente pressionadas –como quando você fica muito tempo olhando para baixo ao digitar no smartphone — o resultado é uma inflamação. “Isso ativa um gânglio chamado trigeminal, um dos grandes responsáveis pela origem de dor de cabeça e até enxaqueca”, explica Aline Turbino, neurologista especialista em enxaquecas e dores cranianas pela Unifesp e médica da Casa de Saúde Santa Marcelina, em São Paulo.

 

Melhora a respiração e o fôlego

Manter os ombros sempre curvados para a frente diminui a expansão da caixa torácica e prejudica a entrada de ar no pulmão. “Aí, a pessoa precisa fazer mais esforço para respirar”, diz Fogaça.

 

Ajuda no funcionamento do intestino

A postura ruim “espreme” o órgão, que tem dificuldades em fazer os movimentos necessários para expulsar as fezes. Aliás, uma das melhores dicas para acabar com o sofrimento no banheiro é sentar de maneira adequada no trono: com os pés em um apoio para que os joelhos fiquem mais elevados que o quadril.

 

Reduz o estresse e evita a depressão

O organismo de quem sente dores constantes e intensas nas costas geralmente sofre um processo inflamatório permanente, que pode até modificar receptores cerebrais ligados ao bom humor e ao relaxamento. “Toda dor crônica pode causar mudanças neuroquímicas e gerar transtornos psiquiátricos como estresse, depressão e ansiedade”, alerta Aline Turbino.

 

Matéria de Manuela Biz publicada no VivaBem, do UOL, em 12/04/2018. Para lê-la na íntegra, acesse: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/04/12/beneficios-que-voce-tem-ao-melhorar-a-postura.htm

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Tem interesse pelo assunto? Conheça os livros da Summus específicos sobre postura corporal:
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ALONGAMENTO E POSTURA
Um guia prático
Autores: Victor LiggieriChristina Ribeiro

Disseminado em diferentes países e culturas, o alongamento tornou-se rotina para a maioria da população fisicamente ativa. Porém, posturas inadequadas têm gerado dores e lesões no sistema musculoesquelético. Aqui, os autores apresentam informações atualizadas sobre o tema e fotos com orientações de como realizar com segurança os ajustes posturais necessários aos exercícios de alongamento.
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DE OLHO NA POSTURA
Cuide bem do seu corpo nas atividades do dia a dia
Autores: Victor LiggieriChristina Ribeiro

Hoje, quatro milhões de brasileiros são submetidos a tratamento devido a dores provocadas pela postura incorreta. Porém, com atitudes simples e consciência corporal é possível mudar tal realidade. Nesta obra didática, totalmente ilustrada com fotografias, o leitor aprenderá a desempenhar as tarefas do cotidiano – como sentar-se, digitar, dirigir, escovar os dentes, carregar objetos pesados, cuidar do bebê – sem prejudicar a coluna e as articulações.
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DIAGNÓSTICO CLÍNICO POSTURAL
Um guia prático
Autora: Angela Santos

Um bom diagnóstico é fundamental para definir procedimentos que envolvam a postura do ser humano. Lançando mão da biomecânica, da osteopatia e de técnicas fisioterápicas, a autora apresenta uma linguagem diagnóstica única para os diversos ramos profissionais que lidam com o movimento humano, suas patologias, expressões e desenvolvimento.
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POSTURA CORPORAL: UM GUIA PARA TODOS
Autora: Angela Santos

Aplicação prática dos conhecimentos de anatomia e fisiologia dos ossos, músculos e articulações em reabilitação postural. Contém informações preciosas para profissionais e orientação acessível aos leigos interessados na prevenção e no tratamento de desvios posturais.

‘UMA EDUCAÇÃO PARA O NOSSO TEMPO NÃO DEPENDE SÓ DE RECURSOS DIGITAIS, MAS SIM DE PRÁTICAS INOVADORAS’

Preocupados com a escassez e com o desperdício de água na cidade de Granja, no interior do Ceará, alunos de uma turma do terceiro ano do ensino médio da Escola Estadual de Educação Profissional Guilherme Teles Gouveia e seu professor, Marcos Deames Araújo Silva, assumiram o desafio de colocar a educação ambiental em prática. Aliando o conhecimento que construíram na escola, com tecnologias de uso cotidiano da população, criaram o aplicativo Consustime, para melhorar a gestão dos recursos hídricos residenciais.

A iniciativa é capaz de ajudar qualquer usuário de smartphone a monitorar o consumo e a economizar água nas mais diferentes atividades. Para isso, basta conectar ao chuveiro de uma residência, por exemplo, um dispositivo que se comunica com o celular via bluetooth para medir o fluxo de água e até programar seu desligamento automático quando o consumo atingir o volume de 50 litros, considerado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) mais do que suficiente para o banho. Os alunos ainda criaram uma página em redes sociais em que divulgam a iniciativa e promovem campanhas, concursos e outras atividades interativas entre os usuários do aplicativo.

Já em Belo Horizonte (MG), foi a proliferação do Aedes aegypti – mosquito responsável pela transmissão da dengue, febre chikungunya e do zika vírus – que mobilizou os alunos do terceiro ano do ensino médio do Colégio Técnico da Universidade Federal de Minas Gerais e o professor Humberto Honda a procurarem novas respostas para a identificação de criadouros e combate ao mosquito. Surgiu, assim, o projeto Airgainst Dengue, que consiste no uso de drones para realizar mapeamento fotográfico das áreas mais afetadas e, em seguida, o reconhecimento automático de focos de reprodução do mosquito por meio de machine learning – programação de computador capaz de automatizar processos analíticos.

Ambos os projetos podem ser considerados bons exemplos de como o uso de tecnologias no processo de ensino e aprendizagem pode trazer bons resultados pedagógicos e, ainda, contribuir com soluções inovadoras para problemas para problemas enfrentados pelas comunidades em que as escolas estão inseridas. Por isso, foram também premiados, respectivamente, como vencedor nacional e vencedor regional do Prêmio Respostas para o Amanhã, iniciativa da Samsung, com coordenação geral do CENPEC – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária.

Mas o que o desenvolvimento do Consustime, no Ceará, e do Airgainst Dengue, em Minas Gerais, têm em comum? O que ambos os projetos nos dizem sobre as potencialidades e limites do uso de tecnologias na educação? A complexidade da questão demandaria uma análise mais aprofundada, mas acredito ser oportuno compartilhar com os leitores algumas lições que podemos tirar a partir das experiências premiadas.

A primeira delas é que tanto na Escola Estadual de Educação Profissional Guilherme Teles Gouveia, quanto no Colégio Técnico da Universidade Federal de Minas Gerais a tecnologia por si só não é tomada como sinônimo de inovação. Ela vem acompanhada de um projeto pedagógico em que a inovação, a mobilização de interesses dos jovens, a possibilidade de construção colaborativa do conhecimento e a promoção do pensamento crítico, da autoria e do protagonismo dos alunos estão no centro do trabalho da escola.

Já passados quase vinte anos no século XXI, sabemos que a simples presença de dispositivos eletrônicos nas salas de aula não significam inovação e mobilização do interesse e envolvimento dos alunos, pois computadores, aplicativos e recursos digitais podem reproduzir velhas práticas de ensino que pouco ajudam os alunos a aprender. Podem, por exemplo, reforçar estratégias como repetição e memorização, que não ajudam a avançar no desenvolvimento do raciocínio lógico, das diferentes linguagens, do conhecimento científico ou da análise de acontecimentos sociais.

Fosse esse o caso, os alunos das duas escolas não seriam sequer capazes de identificar a dimensão e as causas da escassez de água ou da proliferação do Aedes aegypti e menos ainda de propor intervenções capazes de enfrentá-las a partir de seus conhecimentos nas áreas de tecnologia, ciências da natureza e matemática. Ao contrário, o desenvolvimento desses projetos pedagógicos permitiu aos alunos que se apropriassem de conceitos importantes para o desenvolvimento do pensamento científico e do raciocínio lógico e matemático e que avançassem no domínio da linguagem tecnológica, além de ampliarem sua capacidade de ler e compreender a realidade, analisá-la de forma crítica e propor soluções.

Outro ponto importante, que ambas as experiências revelam, é que os professores têm papel fundamental na inovação dos processos de aprendizagem. Apesar das inúmeras informações disponíveis na web sobre gestão de recursos hídricos e combate ao Aedes aegypti, tanto o professor Marcos, quanto o professor Humberto e seus colegas de equipe tiveram papel fundamental em orientar seus alunos e em desenvolver suas habilidades para selecionar, analisar, categorizar e checar a veracidade dessas informações, além de relacioná-las com os desafios e os contextos locais. Esse processo precisa ser mediado por um profissional com saberes específicos, por isso a ideia de que a tecnologia pode substituir o professor é um mito.

Uma terceira lição que as escolas de Granja e de Belo Horizonte nos ensinam é que a educação mais significativa quando considera o contexto de relações em que se constrói e seu papel na vida em sociedade. Assim, não só os projetos buscam responder às demandas das comunidades em que as escolas estão inseridas, como também só foram possíveis porque as escolas já trabalhavam a linguagem de programação como um conteúdo escolar, observando que vivemos em uma época em que as relações são fortemente mediadas pela cultura digital e pela comunicação social.

Por último, e não menos importante, o Consustime e o Airgainst Dengue também só foram possíveis porque as escolas em que foram criados contavam com uma infraestrutura mínima, com a disponibilidade de dispositivos, programas, ferramentas e conectividade à internet. Num país em que 20% das escolas de ensino médio não têm laboratório de informática, mais de 44% não têm laboratório de ciências e 20% não têm acesso à internet banda-larga, não é por acaso que esses projetos tenham surgido em colégios técnicos e de tempo integral, as ilhas de excelência da rede pública.

Enfim, o que essas experiências nos mostram é que, embora uma educação com tecnologias por si só não se traduza em inovação e na qualidade a que almejamos, os alunos e a comunidade têm muito a ganhar quando o cotidiano escolar se torna permeável a tecnologias capazes de garantir o direito à educação, de estimular novas formas de aprendizagem explorando as dimensões colaborativas da produção de conhecimento, de formar redes de aprendizagem, de conectar os conhecimentos escolares com os anseios e interesses das crianças, adolescentes e jovens e de trazer respostas para problemas concretos do mundo contemporâneo. Afinal, uma educação para o nosso tempo não depende só de recursos digitais, mas de práticas de ensino inovadoras que eles podem ajudar a construir.

Artigo de  Anna Helena Altenfelder, publicado no UOL Educação em 28/03/2018. Para acessá-lo na íntegra: https://educacao.uol.com.br/colunas/anna-altenfelder/2018/03/28/uma-educacao-para-o-nosso-tempo-nao-depende-so-de-recursos-digitais-mas-sim-de-praticas-inovadoras.htm

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Tem interesse pelo assunto? Conheça o livro:

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TEMAS TRANSVERSAIS, PEDAGOGIA DE PROJETOS E MUDANÇAS NA EDUCAÇÃO
Coleção Novas Arquiteturas Pedagógicas
Autor: Ulisses F. Araújo
SUMMUS EDITORIAL

Nas décadas recentes a sociedade vem passando por mudanças que impactam a sala de aula, o currículo das escolas e os próprios objetivos da educação. Este livro discute como os chamados temas transversais, articulados com a pedagogia de projetos e com os princípios de interdisciplinaridade, podem apontar caminhos inovadores para a educação formal e para uma ressignificação da prática docente.

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‘CASTIGOS FÍSICOS NA INFÂNCIA ESTÃO LIGADOS A TRANSTORNOS NA FASE ADULTA’

Uso de palmadas é reprovado  por especialistas; não há indícios de que essas punições possam fazer bem

Nem a ciência nem a Lei da Palmada foram suficientes para convencer boa parte dos pais e cuidadores de que castigos físicos não têm valor educativo, abrem feridas no psiquismo, prejudicam o desenvolvimento e devem, portanto, ser abolidos de vez.

Embora não existam dados posteriores à aprovação da lei, em 2014, especialistas dizem que a ideia da punição física com fins educativos continua arraigada na sociedade brasileira e, portanto, é uma realidade difícil de mudar.

O método pode aparentar eficácia instantânea, porque diante de uma surra ou um tapa a criança tende a interromper o comportamento indesejável, mas não funciona a longo prazo. “É um adestramento, a submissão total”, diz a psicanalista Isabel Kahn, professora na área de infância e família da PUC-SP.

A comunidade científica vem estudando a ligação entre as surras e problemas de saúde mental na vida adulta, e os trabalhos ajudaram a embasar a decisão de 53 países de proibir o castigo físico, incluindo o Brasil.

Uma pesquisa recente publicada no periódico da Sociedade Internacional para Prevenção ao Abuso e à Negligência Infantil concluiu que adultos que apanhavam na infância corriam maior risco de fazer uso abusivo de álcool e de drogas e tinham mais probabilidade de tentar o suicídio.

Foram ouvidos 8.300 adultos da Califórnia, que responderam perguntas sobre situações adversas na infância e saúde mental na vida adulta.

Um trabalho de 2016 no Journal of Family Psychology, analisou dados de 160 mil participantes ao longo de 50 anos e concluiu que as surras não apenas não levam a bom comportamento como estão relacionadas a uma ampla gama de indicadores negativos, incluindo, mais uma vez, prejuízos à saúde mental.

O pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP Renato Alves diz que as pesquisas não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito. Por outro lado, nenhum estudo concluiu que bater melhora o desenvolvimento da criança ou a saúde física ou mental.

“É preocupante porque muita gente diz que apanhou e é um cidadão de bem. O problema desse raciocínio é que se pega o exemplo particular e o generaliza”, afirma Alves.

Nos EUA, onde as pesquisas foram realizadas, surras com fins educativos são moeda corrente e liberadas inclusive em escolas públicas de muitos estados.

No Brasil, um levantamento feito em 2010 pelo NEV revelou que 20% dos entrevistados haviam sido punidos fisicamente e de forma regular na infância. O índice dos que apanharam ao menos uma vez foi bem mais alto (70%).

FALTA DE CONVERSA

A advogada Marília (nome fictício), 32, diz que apanhou poucas vezes da mãe, mas sempre de forma muito agressiva. “Ela quebrou um dedo meu quando eu tinha 15 anos porque fui a uma matinê sem permissão.”

A advogada diz que não tem filhos porque teme ser para eles a péssima mãe que sua mãe foi, mas acredita que dava motivos para apanhar –de forma leve. Ela mesma diz ter dado uns “corretivos” no irmão menor. “Fui uma adolescente inconformada, respondona. Quando eu tinha 12, 13 anos, eu devia mesmo ter levado uma palmada, um puxão de orelha.”

Segundo a psicóloga e psicanalista Juliana Wierman, coordenadora da psicoterapia infantil do Prove (Programa de Atendimento e Pesquisa em Violência) da Unifesp, muitos pais que apanharam quando pequenos repetem a atitude com os filhos. “Uns acreditam que é a maneira correta de educar e outros não sabem agir de outra forma –e se culpam por isso.”

Para ela, é preciso mudar a crença de que a conversa não funciona para inibir atitudes impróprias. “Resolve, sim, se vai sendo estabelecida desde cedo. Há diferença entre ser firme e ser violento. Tem que explicar o motivo, ser firme com carinho”, diz.

Já a cabeleireira Meire Gomes, 47, que apanhava quase diariamente dos avós e dos tios, decidiu fazer tudo diferente quando se tornou mãe.

“Eu converso com eles sobre tudo e tento entender a razão de estarem rebeldes. Não quero que sofram o que eu sofri. Eu me sentia envergonhada e culpada, porque tudo era motivo para apanhar”. Ela é mãe de um menino de 8 e um rapaz de 19 anos.

Segundo as psicanalistas, castigos físicos frequentes podem causar na criança sentimentos de pouca valia e levá-la a ver o mundo como um lugar ameaçador, além de passar a ideia de que é legítimo impor a vontade pela força.

Elas também podem reproduzir o lugar de vítima em outras relações. “Vemos isso com crianças que foram vítimas de abuso sexual, que quando recebem carinho ficam desconfiadas. Também há crianças que foram abusadas e se tornam abusadoras”, afirma Wierman.

Texto parcial de matéria de Rachel Botelho, publicada originalmente na Folha de S. Paulo, em 06/03/1966.  Para ler na íntegra, acesse: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/03/castigos-fisicos-na-infancia-estao-ligados-a-transtornos-na-fase-adulta.shtml

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Para saber mais sobre o tema, conheça:

COMO EDUCAR SEM USAR A VIOLÊNCIA
Autora: Dora Lorch
SUMMUS EDITORIAL

Toda criança precisa compreender o mundo em que vive, e pais e educadores devem fornecer exemplos diários de boa conduta e agir de maneira coerente com o que dizem. Mas muitos optam pela violência e pela humilhação para “ensinar”. Agindo assim, criam seres humanos sem capacidade crítica e também violentos. Usando a psicologia para falar de birras, medos, mentiras, vergonha, inconsciente e brincadeiras, a autora constrói um singelo manual de boas maneiras – para os pais. Prefácio de Ruth Rocha.

‘NEM TODO ABUSADOR INFANTIL É PEDÓFILO, DIZ ESPECIALISTA EM VIOLÊNCIA SEXUAL’

Falar de abuso sexual infantil é complicado. Ao mesmo tempo que o tema emocionou os brasileiros na novela “O Outro Lado do Paraíso” (Globo), fora das telas, ele invade milhares de lares. Só em 2015 e 2016 foram 37 mil denúncias feitas ao número de proteção à criança e ao adolescente, o Disque 100, e no aplicativo Proteja Brasil. Mas para a psicóloga Rose Miyahara, essa é só a ponta de um iceberg, pois existe uma enorme subnotificação.

“Quando se fala em abuso sexual da criança e do adolescente, mexe-se em muitos tabus: da casa como local seguro, incesto, criança como agente de desejo sexual, homossexualidade”, diz ela, listando alguns porquês de se evitar encarar a questão.

Rose fala com conhecimento de causa: há mais de 30 anos trabalha no atendimento a crianças vítimas de violência e, mais recentemente, também com os adultos que cometeram o abuso, além de coordenar a formação do Centro de Referência a Vítimas de Violência Sexual do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo.

Rose recebeu a reportagem do UOL em seu consultório, na capital paulista, para abordar as questões que cercam seu tema de estudo.

UOL: Quais tabus surgem quando falamos de abuso sexual contra a criança e o adolescente?
Rosemary  Miyahara: Muitos. A família como lugar mais protegido para a criança, isso é um tabu. A violência sexual contra o menino, ela é menos denunciada pela própria família, porque tem a perspectiva de que o menino possa ser homossexual. Quantas vezes o constrangimento não era pelo abuso e, sim, porque o menino podia ser gay. O adolescente e a criança como sujeitos de desejo sexual é outro tabu, porque pega nessa questão do incesto.

UOL: O que você quer dizer com a criança ou adolescente como sujeito de desejo?
Rosemary: Tem aquilo que é próprio do nosso desenvolvimento. A criança, lá pelos três anos, vai buscar uma interação com o pai ou o menino com a mãe. É a fase do Édipo. Isso é parte da constituição do sujeito sexual, ter passado pelo triangulo edípico: eu desejo minha mamãe e o papai tem de dizer: “Não pode, essa daqui é sua mãe, minha mulher…” Isso é estruturante para uma sexualidade saudável.

UOL: E como isso está ligado com a questão do abuso?
Rosemary: Imagina quando isso não acontece? Quando essa menina vai procurar o pai dentro dessa perspectiva e não acontece a interdição? Ela querer o colo do papai, querer beijar na boca, querer manipular o pênis do pai e, muitas vezes, isso é entendido como um assédio. “A menina quis.” E daí? Ela quis dentro de uma perspectiva do que está vivendo como possibilidade. A responsabilidade de levar isso em uma cena de sexualidade adulta ou não é do adulto. Sempre.

UOL: A violência sexual muda a relação que a criança tem com sentimentos, como amor, atenção, carinho? Ficam distorcidos?
Rosemary: Com certeza. Dando supervisão nos abrigos, por exemplo, os educadores homens relatam que tudo o que as meninas vítimas de violência sexual querem buscam na base da sedução. Elas aprenderam que essa é a forma de serem notadas e amadas. É a confusão de línguas. A criança vai buscar o adulto na linguagem da ternura, recebe uma resposta na linguagem erótica e confunde ternura e erotismo. Percebe? São meninas que têm uma forma de buscar carinho e atenção de uma forma erotizada, e, muitas vezes, isso é interpretado como a menina que quer, levando a novos abusos.

UOL: Que consequências ficam para a vida adulta? É possível tratar?
Rosemary: Esse é o desafio que tomei para mim nesses quatro anos do doutorado: ajudar a pessoa a superar as sequelas psíquicas advindas de uma experiência como essa. Uma coisa que sempre me chamou atenção, na época em que estava na frente da recepção das crianças e famílias que buscavam atendimento, muito frequentemente, aparecia o relato emocionado de uma mãe que tinha vindo trazer a filha, que tinha sido abusada, e essa mãe relatava o abuso que ela própria tinha sofrido, pela primeira vez na vida.

UOL: Toda vítima de abuso fica traumatizada?
Rosemary: Não. A gente conta com a plasticidade do psiquismo infantil. Muitas vezes, se ela viveu em um clima amoroso, quando ela passa a saber que aquilo não podia ter acontecido e tem um apoio para que não se sinta culpada, ela não carrega isso.

UOL: Como os pais podem perceber os sinais e acabar com o abuso?
Rosemary: A primeira perspectiva é realmente apurar o olhar para isso. A grande maioria das vezes, a mãe estava ali na cena, fazendo comida no fogão e o padrasto mexendo com a criança atrás.

UOL: E em caso de dúvida?
Rosemary:  Nenhum pai, nenhuma mãe, nenhum professor tem a obrigação de ser um expert nessa área para dizer “isso é abuso ou não é abuso”. Qualificar como abuso é sempre uma coisa muito delicada. Então procure o serviço especializado. O Conselho Tutelar, para fazer  uma notificação. Isso não significa que é uma denúncia, que já vai prender a pessoa. É a notificação que vai disparar um processo de averiguação, de avaliação dessa situação.
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Texto parcial de matéria de Helena Bertho, publicada no UOL em  26/02/2018. Para ler na íntegra e assistir ao vídeo, acesse: https://estilo.uol.com.br/noticias/redacao/2018/02/26/nem-todo-abusador-infantil-e-pedofilo-diz-especialista-em-violencia-sexual.htm

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A psicóloga Rosemary Miyahara é coautora de dois livros sobre o assunto publicados pelo Grupo Summus. Conheça-os:

A VIOLAÇÃO DE DIREITOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Perspectivas de enfrentamento
Organizadoras: Rosemary Peres MiyaharaDalka Chaves de Almeida FerrariChristiane Sanches
SUMMUS EDITORIAL

Muitos são os dilemas e impasses dos profissionais que compõem a rede de proteção integral à criança e ao adolescente em situação de violência. Muitas também têm sido suas iniciativas e possibilidades no enfrentamento da questão. Trata-se, sem dúvida, de um campo em constante construção. Este livro comemora os 20 anos do Centro de Referência às Vítimas de Violência do Instituto Sedes Sapientiae, trazendo importantes contribuições ao debate nessa área. Escritos por profissionais da equipe e por parceiros de percurso de atuação, os textos retratam de forma vívida as conquistas e os desafios daqueles que lutam pelo direito que crianças e adolescentes têm de crescer e viver num ambiente seguro e acolhedor.
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O FIM DO SILÊNCIO NA VIOLÊNCIA FAMILIAR
Teoria e Prática
Autores: Tereza Cristina Cruz VecinaArlete Salgueiro ScodelarioBeatriz Dias Braga LorenciniCecília Noemi M. Ferreira de CamargoDalka Chaves de Almeida FerrariGisela Oliveira de MattosIrene Pires AntônioLígia FromerMaria Amélia de Sousa e SilvaMárcia Rosana Cavalheiro GarciaRonaldo Pereira de SantanaRosemary Peres MiyaharaAna Carolina Cais
EDITORA ÁGORA

Os artigos aqui reunidos foram escritos por profissionais de centro de referência às vítimas de violência – CNRVV. O livro aborda temas como a retrospectiva da questão da violência, o modo de funcionamento de uma sociedade e as intervenções possíveis.

É uma obra de grande importância para todos que lidam com esse tema devastador, mostrando que há, sim, saídas possíveis.

“DANÇA E EDUCAÇÃO”, LANÇAMENTO DA SUMMUS EDITORIAL

…………..Neste livro inspirador, Fernanda de Souza Almeida mostra as diferentes possibilidades para expandir o potencial do uso da dança na educação de crianças. Em 30 sequências didáticas, ela revela como despertar o interesse por uma educação mais prazerosa, colocando os pequenos como centro do processo, valorizando talentos, imaginações e inteligências criativas.

A criança tem outro campo de percepção. Sua curiosidade, sensibilidade e capacidade de produção simbólica são expressas em gestos e movimentos. Portanto, a valorização do movimento, do brincar, das relações e das interações, oferecendo diversas possibilidades para expandir suas potencialidades, é fundamental. No livro Dança e educação – 30 experiências lúdicas com crianças, lançamento da Summus Editorial, a educadora e mestre em Artes Fernanda de Souza Al­meida apresenta 30 sequências didáticas com­pletas que almejam a expansão da criatividade, da sensibilidade, da expressividade e do conhe­cimento de si, do outro e do meio. Sem reduzir o processo a passos, repetições, elaborações de coreografias para datas festivas ou mímicas de letras de música, a autora inspira o docente a criar novas perspectivas educacionais.

O objetivo é que as experiências socializadas no livro despertem o interesse por uma educação mais prazerosa que coloque os pequenos como centro do processo, valorizando seus talentos, suas imaginações e suas inteligências criativas ao compreender o mundo. “Um passo em direção a uma melhor qualidade do processo educacional infantil, no qual a arte seria um dos pilares centrais”, complementa a professora.

“Em nossas (an)danças por muitos contextos, presenciamos ações que priorizam essa linguagem como lazer, brinquedos cantados, processos de musicalização, catarse para liberar as emoções, gastar energia, desenvolvimento da autoestima, atividade física e em datas comemorativas”, conta a autora. No entanto, diz ela, a dança como arte, com seus elementos próprios, metodologias e processos de criação, ainda está pouco presente nos universos educacionais formais em relação à demanda brasileira com a infância.

A obra nasceu de um dinamismo complexo entre dança, criança, lúdico e educação proveniente de vivências profissionais, especialmente das ações em projetos de extensão e de pesquisa com crianças entre 2 e 10 anos de idade. “Trata-se de um desejo de compartilhar essas experiências, que são propostas em dança ora com seus elementos gerais, ora com o cerne nas danças de rua (breaking e krump), balé, danças brasileiras (coco, cacuriá, capoeira) e creative dance; inundadas de dicas de músicas, vídeos e leituras extras”, conta a autora. Segundo ela, são atividades que privilegiam a expansão da criatividade, da sensibilidade, da pesquisa do movimento, do conhecimento de si, do outro e do meio, além da integração das linguagens e do brincar.

Para saber mais sobre o livro, acesse http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1482/9788532310897

Fernanda também é autora do livro Que dança é essa?, publicado pela Summus em 2016.