CRIANÇAS SURDAS USAM A VIBRAÇÃO DO SOM PARA TOCAR INSTRUMENTOS MUSICAIS

Com olhos atentos ao maestro, João Pedro dos Santos, 12, bate no surdo (o maior tambor das escolas de samba) com a precisão de um relógio. Não erra uma só vez.

Assim que o ensaio da banda acaba, eu logo me apresento e falo que gostaria de entrevistá-lo. Só havia me esquecido de uma coisa: João é surdo. Não escuta nada desde pequeno por causa de uma meningite -um tipo de infecção.

João e mais nove garotos da banda Música do Silêncio são deficientes auditivos. Eles são os responsáveis pelo tambores do grupo e dificilmente perdem o ritmo da música, como se pudessem escutá-la.

“É fácil. Não preciso ouvir. Eu sinto a música aqui dentro”, gesticula João, apontando para o peito.

Uma professora que escuta normalmente funcionou como intérprete entre a reportagem e os garotos.

Isso porque a comunicação entre surdos acontece em libras (Língua Brasileira de Sinais), em que são usados gestos para expressar palavras ou frases.

Emily Siqueira, 11, também faz parte do grupo. Ela nasceu surda e, em 2010, decidiu que queria aprender música. “Gostei de aprender o hino nacional. Primeiro aprendi a letra em libras. Depois senti a música na pele”, conta a menina.

À primeira vista, pode parecer que a música não faz parte do universo silencioso de quem não ouve. Mas nada impede a prática de instrumentos.

“Eles sentem a vibração das canções no corpo”, diz Fábio Bonvenuto, maestro da banda, que é formada por estudantes de escolas municipais de São Paulo. A iniciativa rendeu até um convite para apresentações em Portugal nesta semana.

PANDEIRO

Segundo Saul Cypel, professor da Faculdade de Medicina da USP, a música pode ajudar no desenvolvimento das crianças. “Além de estimular o corpo, ela melhora a autoestima. O deficiente passa a não se sentir estranho.”

Gabriel Vilela, 11, é surdo desde que nasceu. Ele batuca em um pandeiro para mostrar o que aprendeu nas aulas de música no projeto Guri, em Vinhedo (a 79 km de SP). Mas a vitória é outra. “Às vezes, vou sozinho de ônibus para o curso”, diz em libras.

 

Matéria de Bruno Molinero publicada originalmente na Folha de S.Paulo em 28/09/2013. Para lê-la na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2013/09/1348605-criancas-surdas-usam-a-vibracao-do-som-para-tocar-instrumentos-musicais.shtml

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Quer se aprofundar no assunto? Conheça “A musicalidade do surdo”, de Nadir Haguiara-Cervellini:

A MUSICALIDADE DO SURDO
Representação e estigma
Nadir Haguiara-Cervellini
PLEXUS EDITORIAL
Há muitos anos a autora vem desenvolvendo pesquisas sobre a possibilidade do surdo ser, também, um ser musical. Na sua dissertação de mestrado mostrou que o surdo poderia ser privilegiado com a música ao invés de privado dela por “não ouvir”. Este livro é uma adaptação de sua tese de doutorado, trabalhando de forma mais ampla seu tema predileto: vai para os conceitos de representação e estigma usando a atividade musical para defini-los.

 

TV CULTURA ENTREVISTA ANNA VERONICA MAUTNER

A psicanalista Anna Veronica Mautner concedeu entrevista ao programa Metrópolis, da TV Cultura, no dia do lançamento do livro Ninguém nasce sabendo (Summus), que aconteceu em 6 de agosto, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. Veja o vídeo: http://goo.gl/IzdKFF

A tecnologia vai suplantar a aptidão física? Em que medida a escola de hoje, mais moderna, é melhor que a de ontem, mais humana? Em tempos de politicamente correto e das lutas por inclusão, é possível trabalhar a diversidade nas instituições escolares? Se aprender tabuada é chato, conseguiremos formar cidadãos capazes de cuidar das próprias finanças? A autoridade em classe é mesmo uma ameaça? Estamos preparados para acolher a infância em todas as suas nuanças ou preferimos delegar a tarefa a qualquer um que se proponha a nos tirar esse fardo dos ombros? Essas são algumas das perguntas que a psicanalista lança para os leitores na obra.

O livro não traz receitas prontas ou respostas mágicas. Anna Veronica não diz como nem quando. Ao contrário, trava com o leitor uma conversa franca em que não faltam puxões de orelha. O objetivo é despertar a consciência para discutir com seriedade a educação que se pratica em nossas escolas e em nossas famílias.

Organizada em sete grandes seções, a obra apresenta textos ricos em reflexões e questionamentos originalmente publicados na Revista Profissão Mestre e no caderno Equilíbrio, da Folha de S.Paulo. A partir dos temas “A escola hoje”, “O papel do professor”, “Corpo e sociedade”, “Família e escola”, “Informação, tecnologia e comunicação”, “Infância e adolescência” e “Depois da escola”, a autora analisa questões fundamentais para a educação como o bullying, o professor na berlinda, a terapia ocupacional na escola, a autoridade, a educação online e à margem da escola, entre outros.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1340/Ningu%C3%A9m+nasce+sabendo

HOJE, 26 DE SETEMBRO, É DIA NACIONAL DO SURDO

No dia 26 de setembro, a Comunidade Surda Brasileira comemora o Dia Nacional do
Surdo, data em que são relembradas as lutas históricas por melhores condições de vida,
trabalho, educação, saúde, dignidade e cidadania. A Federação Mundial dos Surdos já celebra o Dia do Surdo internacionalmente a cada 30 de setembro. No Brasil, o dia 26 de setembro é celebrado devido ao fato desta data lembrar a inauguração da primeira escola para Surdos no país em 1857, com o nome de Instituto Nacional de Surdos Mudos do Rio de Janeiro, atual INES- Instituto Nacional de Educação de Surdos.

(extraído da Cartilha do Dia dos Surdos/Feneis-Federação Nacional
de Educação e Integração dos Surdos)

Conheça algumas obras da Plexus sobre surdez:


CRÔNICAS DA SURDEZ

Paula Pfeifer
Nesta obra, Paula Pfeifer discute um assunto que, por vezes, se torna tabu: a deficiência auditiva, que tanto afeta a comunicação e a interação humanas. Porém, a autora passa longe da autocomiseração e mostra que os surdos podem e devem levar uma vida feliz, independente e produtiva.


CIDADANIA, SURDEZ E LINGUAGEM
Desafios e realidades
Zilda Maria GesueliSamira KauchakjeIvani Rodrigues Silva
O livro trata de uma das pricipais questões que se tem ao lidar com o indivíduo surdo: o papel da língua de sinais no contexto ensino-aprendizagem. Em decorrência do fato de a língua ser imprescindível para que o surdo possa se constituir como sujeito do mundo, são discutidas questões relativas à família e à comunidade, trazendo contribuições para a compreensão da proposta de ensino bilíngüe para sujeitos surdos.
 

                                        CONSTRUÇÃO DE SENTIDOS NA ESCRITA DO ALUNO SURDO
Marília da Piedade Marinho Silva
Discute a questão da linguagem na educação do surdo, com base nas proposições de Vygotsky e Bakhtin, tomando como foco para a análise de redações de surdos os aspectos coesivos e o sentido do texto por meio dos enunciados e da continuidade temática. Percebe-se a interferência da LIBRAS, isto é, a condição bilíngüe – oral e de sinais – intervindo na instância interativa dos textos escritos.

 

IDENTIDADE E SURDEZ
O trabalho de uma professora surda com alunos ouvintes
Marília da Piedade Marinho Silva
Este livro descreve como uma professora portadora de surdez profunda se constrói como interlocutora de alunos ouvintes na pós-alfabetização. Utilizando referenciais teóricos de diferentes disciplinas, a autora constrói um estudo multidisciplinar sociocultural extremamente rico para os profissionais de fonoaudiologia e educação especial.

 

COMO BRINCAM AS CRIANÇAS SURDAS
Daniele Nunes Henrique Silva
O brincar, fonte promotora do desenvolvimento da criança, é a melhor forma de conhecermos os seus processos mentais, refinados com a mobilização da imaginação, da cognição e do afeto. E este é o tema que a autora há muito tempo estuda, trazendo agora ao leitor suas constatações da importância da relação entre a linguagem e o brincar. Suas reflexões mostram a riqueza da atividade infantil vista nos enunciados recriados no jogo imaginário que estão vinculados a cenas realmente vividas e observadas; essas relações compõem o tema central com ênfase nas possibilidades imaginativas da criança surda.

 

 

‘DA SARJETA AO ESTRELATO: A HISTÓRIA DO PRÍNCIPE DAS MADAMES’

Leia a seção desta semana de “Saiu no NP” :

No dia anterior, a equipe do jornal foi surpreendida com a história de um mendigo que, aguardando tranquilamente por uma quentinha da prefeitura, foi caçado pela bela psicóloga D.M.Z, 28, para uma breve aventura sexual em seu Fiat branco, estacionado a poucos metros da fila. “A mulher caiu em cima de mim feito uma gata no cio”, contou Paulo, de 52 anos, apelidado de Pelezão pela moça.

A brincadeira terminou com o flagra da polícia, que tirou o casal do banco traseiro do carro e o levou para a cela do 6º DP, no Cambuci. Ambos se apresentaram ao delegado nus da cintura para baixo. A mulher, segundo depoimento dos policiais, disse que a vontade surgiu no momento em que passava pelo local e alegou ter “uma filha e muitos problemas com o marido”.

D.M.Z. deixou seus brincos e um anel como garantia do pagamento da fiança de 60 mil cruzeiros. Já no caso de Pelezão, sua liberdade foi adquirida graças à piedade dos policiais, que fizeram uma vaquinha. No dia seguinte, Paulo já deixava de ser um indigente para se tornar o “ídolo das madames”, alçado à fama pelas manchetes do “NP”.

As mulheres distintas da sociedade paulistana passaram a frequentar a fila do Cetren em busca de Pelezão, que, por sua vez, arranjou um paletó azul e tratou de fazer a barba. Mas o astro não voltou à fila dos indigentes –ao contrário, foi hospedado em um hotel na alameda Barão de Limeira, às custas do jornal– e passou a receber todo tipo de regalia.

A atitude de D.M.Z. gerou especulações de todo tipo. Os repórteres do “NP” recorreram aos especialistas da USP e publicaram a seguinte explicação: “Uma série de pesquisas recentes de psicólogos e antropólogos franceses, reunidas por Georges Bataille, tem mostrado que a essência do erotismo está justamente nos contrastes: o claro e o escuro, o preto e o branco, a pureza e a impureza (…)”. A princesa e o mendigo, portanto.

Mas a solução intelectualoide não convenceu e, em 1º de setembro, o jornal decretou: “Pomba-gira encosta e psicóloga ataca”. Antes de ir verificar a fila do Cetren, D.M.Z., conforme constava de seu depoimento à polícia, participou de uma sessão num centro espírita e poderia ter sido possuída pela pomba-gira, que é “uma entidade que no passado foi mulher da vida e, uma vez incorporada por uma pessoa do sexo feminino, faz com que ela passe a agir, inconscientemente, como uma prostituta”.

A confusão entre espiritismo e candomblé vingou, ao passo que Pelezão passou a desfrutar de uma fama com a qual nunca sonhara: era assediado na rua, participou de programas na TV e no rádio e ganhou até um rock em sua homenagem, o “Melô do Pelezão”. A música, composta por um fã, contava a saga do ídolo e começava assim:

Vejam só a história que vou contar
De um mendigão que ficou famoso
Certo dia numa fila da Cetren
De repente aparece um alguém
Que lhe escolhe para ser
Seu Superman, daí 

Cenas de sexo explícito
Livre (refrão)

Era uma psicóloga
Que queria analisar
A potência do negrão
Fazendo do seu carro
Um consultório…

Paulo Gonçalves vivia agora uma vida de astro, com direito a fim de semana no Guarujá com os novos amigos da “high society”, passeio de jatinho e até um famoso advogado encarregado de cuidar do seu caso no 6º DP. Mas o que o ídolo das madames queria mesmo era um emprego. E foi assim que, em 9 de setembro, o “NP” anunciava que Pelezão era o novo rei das noites no Bixiga (região central).

Por meio de um amigo, o astro arranjara um bico como porteiro na cantina C… Que Sabe!, na rua Rui Barbosa. E, como ele mesmo disse que “macaco velho não mete a mão em cumbuca”, decidiu aproveitar a chance e garantir um futuro para si e para sua recém-conquistada noiva, Maria Aparecida Pontes, 50 anos. Segundo a reportagem, a sortuda era “copeira conceituadíssima numa agência de viagens internacionais”.

“Sei cozinhar muito bem. Assim, além do coração, vou prendê-lo também pelo estômago. Sem essa de sopinha rala na fila da Cetren.” Esse era o plano de Maria Aparecida para seu futuro com Pelezão, por quem caíra de amores logo que viu a primeira foto no “Notícias Populares”. Ela leu no jornal que ele estava hospedado na alameda Barão de Limeira e foi atrás do seu galã.

Estava assim tudo arranjado para que o astro voltasse ao anonimato tranquilamente, e a série de manchetes sobre Pelezão se encerrou em 24 de setembro de 1984. Menos de seis meses depois, porém, na edição de 12 de janeiro do ano seguinte, os fãs se decepcionaram ao saber que Pelezão estava de volta às ruas, sem emprego nem mulher.

O proprietário da cantina no Bixiga revelou que, durante o mês em que trabalhou ali, Pelezão pegou no batente mesmo apenas quatro ou cinco noites e criou alguns constrangimentos para as clientes. Indagado sobre o comportamento do ex-ídolo das madames, o empresário se esquivou: “Basta que eu diga que ele estava sempre embriagado”.

Para piorar, em julho daquele ano Paulo foi preso por tentar roubar o rádio de pilha de uma enfermeira na Santa Casa de Misericórdia. Àquela altura, o galã não tinha mais nada além de um par de sapatos, duas camisas e um paletó surrado. Na cadeia, porém, teve um breve momento de alegria quando um taxista levou para ele um bilhete de amor, que dizia:

“Meu pretão querido: nessas noites de inverno eu me recordo de você. E sinto falta do seu corpo ardente, quase fervendo. Ah, meu pretão, eu não vou te esquecer nunca. Vai fazer um ano. Você sabe muito bem quem sou. Não vejo a hora de você sair, meu Pelezão.”

Tudo indicava que era uma carta da psicóloga D.M.Z., mas o assunto morreu aí. E as madames ouviram falar de Pelezão pela última vez em 1986, quando o jornal descobriu que o ex-astro optara novamente pelo crime e fora preso roubando a casa de um professor no Ipiranga. Em 7 de outubro, lia-se numa página do “Notícias Populares”: “Pelezão é um novo hóspede do presídio do Hipódromo”. Daí em diante, nem seus colegas na fila da Cetren souberam mais do paradeiro do ídolo.

 

A seção “Saiu no NP”, da Folha de São Paulo, foi criada para marcar os 50 anos do lançamento do “Notícias Populares” – que circulou pela primeira vez em 15 de outubro de 1963. Para ler na íntegra, acesse: http://f5.folha.uol.com.br/saiunonp/2013/09/1345299-da-sarjeta-ao-estrelato-a-historia-do-principe-das-madames.shtml

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Conheça a história do jornal com o livro “Nada mais que a verdade”, da Summus Editorial:

NADA MAIS QUE A VERDADE
A extraordinária história do jornal Notícias Populares

Maik Rene Lima , Giancarlo Lepiani , Denis Moreira, Celso de Campos Jr.

Dez anos depois do último suspiro do mais polêmico dos periódicos brasileiros, Nada mais que a verdade retorna em edição revista e ampliada, conduzindo o leitor por quatro décadas de uma ciranda de crimes, sexo, devaneios e, sim, bom jornalismo. Mais que uma biografia do jornal, este livro é um romance fantástico – que, se não fosse real, poderia bem ter recheado as páginas de algumas edições do Notícias Populares.

 

“A NOTÍCIA COMO FÁBULA” ESTÁ ENTRE OS LIVROS FINALISTAS DO JABUTI

O livro A notícia como fábula – Realidade e ficção se confundem na mídia, do jornalista Renato Modernell, está entre os dez finalistas da categoria comunicação do Prêmio Jabuti 2013. Lançado em 2012 pela Summus Editorial, em coedição com a Editora Mackenzie, a obra recebeu nota de 8 a 10 de três jurados. Os finalistas foram selecionados de um universo de mais de dois mil títulos e textos inscritos em 27 categorias. Os vencedores serão conhecidos no dia 13 de novembro. Para saber mais sobre o prêmio, leia reportagem da Folha.com: http://goo.gl/XaAne9

Em seu livro, Modernell examina a forma pela qual a realidade e a ficção se entrelaçam nos textos jornalísticos. Alisando textos publicados em diferentes veículos e em épocas diversas, ele parte do pressuposto de que aquilo que consideramos “fato” e “imaginação” tem limites mais tênues e permeáveis do que comumente se supõe. “Sabemos que, em princípio, a missão do jornalista é narrar o que aconteceu, enquanto a do ficcionista é flanar no que poderia ter acontecido. Porém, desde quando essas categorias se separam como a água e o óleo? Não podemos negar que a arte da escrita (e isso vale para ambos os casos) tem poderes de envolvimento muito eficazes”, afirma.

O livro é resultado de um estudo de mestrado concluído em 2004, na USP, e aprofundado posteriormente pelo autor. Um trabalho que dialoga com a fantasia e não se limita ao repertório conceitual das áreas mais familiares do autor, como o jornalismo e a literatura. Suas reflexões passeiam, sem muita cerimônia, pelos domínios da filosofia, da mitologia e da arte. O texto por vezes assume a leveza da crônica, sem que isso prejudique seu rigor acadêmico.

Com base em uma larga experiência simultânea com o jornalismo e a narrativa ficcional, Modernell acredita que um texto de qualidade, assim como o voo de um pássaro, desafia os limites territoriais entre a realidade e a imaginação. Ao criar o conceito dos fatores de fabulação, ele aponta uma série de recursos de escrita capazes de “ficcionalizar” o texto jornalístico. Esses artifícios sutis escapam à percepção não só de quem lê, mas até de quem escreve.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1317/NOT%C3%8DCIA+COMO+F%C3%81BULA,+A

GAGUEIRA NÃO É PSICOLÓGICO E NÃO DEVE SER TRATADA COMO TABU

A gagueira é um distúrbio de linguagem que vem sendo desvendado pela genética e pelas neurociências. Na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (CID 10), gagueira é uma ruptura no ritmo da fala, na qual o indivíduo sabe precisamente o que deseja dizer, mas é incapaz de fazê-lo devido a movimentos involuntários – não prontamente controláveis. É uma ruptura na expressão oral de um indivíduo, caracterizada por desvios no fluxo, na suavidade, no ritmo, na velocidade e/ou no esforço com as quais as várias unidades da linguagem são ditas. Há interrupções significativas numa sequência estabelecida de sílabas e palavras emitidas em um determinado tempo, isto é, as interrupções são variáveis e não ocorrem em todos os momentos.

Os movimentos involuntários da gagueira ocorrem, na maioria dos casos, em crianças por volta dos três anos, mas pode se manifestar até os 12 anos. Crianças que têm parentes que gaguejam, possuem 70% de chances de também terem gagueira, principalmente crianças que tiveram complicações durante o parto. Também há relatos de casos de gagueiras que resultam de infecções não tratadas adequadamente, e outros que tem exposição a agentes tóxicos.

Vários estudos científicos demonstram que a gagueira ocorre na mesma proporção em qualquer nível sócio-econômico-intelectual. Portanto, ela se manifesta independentemente da escolaridade, da cultura, do grupo populacional, da situação social ou religiosa. Mas, tudo indica que meninos têm uma propensão maior a ter distúrbios de linguagem por causa do funcionamento cerebral.

Os sinais de que seu filho é gago

De acordo com a fonoaudióloga clínica, especializada em gagueira, do Instituto Brasileiro de Fluência, professora, autora de livros e artigos sobre gagueira, Anelise Junqueira Bohnen, mãe de Guilherme, muitos sinais podem ser percebidos pelos pais, como as rupturas do fluxo da fala, repetições de som (e-e-eu), repetições de sílabas (ca-ca-casa) ou repetições de palavras monossilábicas (eu-eu-eu), além de interrupções da sequência de sons (chamadas de bloqueios) ou prolongamentos  de sons (ssssapo).

Segundo a fonoaudióloga, em alguns casos os sinais vêm acompanhados de tensão muscular ou alguma alteração no volume da voz. As próprias crianças podem perceber as alterações e reclamar por não conseguirem falar direito. “Como gagueira do desenvolvimento ocorre predominantemente numa fase de aquisição de linguagem, outros distúrbios de fala, linguagem e motricidade oral também podem ocorrer nesta idade”, explica Anelise.

 

O que fazer? Ao perceber os sinais – ou algum dos sinais indicados pela especialista – é essencial que os pais busquem ajuda de um fonoaudiólogo, de preferência aquele que seja especialista em gagueira. O problema pode desaparecer em mais de 98% dos casos, se tratados precocemente.

Como trabalhar o problema em casa?

“Gagueira não deve ser tratada como tabu”, diz a fonoaudióloga, e é por isso que deve ser encarada e conversada com a criança. Lembre-se que seu filho percebe que, em certos momentos, sua boca não ‘obedece’ aos comandos. Mas, quase nunca a criança vai entender seus sentimentos e, por isso, os adultos precisam lhe explicar. Esconder é muito pior. A gagueira é involuntária e, por isso, não adianta os pais mandarem a criança falar devagar, repetir, respirar etc. “É essencial que os pais deixem que ela termine o que está dizendo não interrompendo e evitando mostrar expressões preocupadas, falando de forma fácil e direta, descobrindo formas de não fazer muitas perguntas, dando uma rotina e uma organização para a criança”, orienta Anelise.

Não é psicológico!

Segundo Anelise, o maior mito em torno da gagueira é de achar que tem origem psicológica. “Esse mito vem impedindo que muitas crianças superem a gagueira. Tem contribuído para aumentar a culpa de pais e cuidadores, tem dificultado muito tanto a vida presente quanto a vida futura das crianças”, afirma.

Gagueira pode ser eliminada na infância, mas dificilmente o será na idade adulta. Portanto, não se deve esperar para buscar ajuda. As consequências da falta de tratamento são várias, mas uma das maiores é a discriminação e a vergonha. Gagueira é um dos casos típicos em que “esperar para passar” só agrava a situação.

 

Matéria de Ana Lis Soares, publicada originalmente na revista Pais & Filhos, em 17.09.2013. para ler na íntegra, acesse: http://revistapaisefilhos.uol.com.br/nossa-crianca/gagueira-nao-e-psicologico-e-nao-deve-ser-tratada-como-tabu-diz-fonoaudiologa-especialista-

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o livro “Gagueira: origem e tratamento”, da fonoaudióloga Silvia Friedman, especialista no assunto:


Através da análise dos depoimentos escritos e falados de sete pessoas, a autora traçou um paralelo entre o processo de desenvolvimento da consciência e a manifestação da gagueira. E, a partir de uma cuidadosa interpretação do que estudou, aponta uma abordagem terapêutica eficiente.

PLEXUS EDITORIAL

PAPINHA INDUSTRIALIZADA É MAIS DOCE E TEM MENOS NUTRIENTES QUE A FEITA EM CASA

A coluna Equilíbrio do caderno Cotidiano da Folha de S.Paulo publicou nesta terça-feira, dia 17 de setembro, uma reportagem sobre papinhas prontas e deu destaque para o livro Comida de criança (MG Editores). Na reportagem a nutricionista Claudia Lobo, autora da obra, recomenda que as papinhas caseiras tenham pedacinhos e sejam servidas com os alimentos separados. Leia a íntegra: http://bit.ly/1eYWwVV

“Eu não gosto de salada!”; “Não tô com fome, mãe!”; “Detesto esse negócio verde no meu prato!”; “Por que eu tenho que comer isso?”; “Cadê a batata frita?” Que mãe nunca ouviu essas frases? Numa época em que o apelo do fast-food e a correria do dia a dia dificultam o consumo de alimentos saudáveis, muitas são as batalhas perdidas na conquista da saúde. Resultado: crianças obesas, com sérios problemas clínicos, e mães culpadas. Partindo da própria experiência, de quem conseguiu vencer a obesidade e hoje adota uma dieta saudável, Cláudia mostra no livro que é possível fazer seu filho gostar de alimentos naturais e nutritivos. O segredo? Aliar criatividade e conhecimento para mudar os hábitos alimentares da família.

Cláudia começa o livro com uma afirmação incômoda para as mães, mas totalmente verdadeira: “você é responsável pela qualidade e pela quantidade de comida que seu filho come”. Quando criança, a própria autora sempre teve suas vontades atendidas, só comia o que desejava. Bem intencionada e solícita, a mãe nunca imaginou que pudesse estar contribuindo para um quadro grave de obesidade. “Conto a minha história para ilustrar como é comum esse comportamento nas famílias. E, principalmente, para mostrar como isso acontece por falta deconhecimento”, afirma a nutricionista, que é mãe de dois filhos.

Dividida em cinco partes, a obra aborda os principais problemas do consumo de alimentos processados, explica a importância do consumo regular de proteínas, carboidratos, fibras e outros nutrientes, revela os benefícios do consumo de comida saudável e, principalmente, mostra como montar um cardápio equilibrado e tornar as refeições mais atraentes para as crianças.

“Todo o embasamento científico que apresento no livro é para convencer as mães da importância do que será posto em prática. Para entender a maneira como tudo funciona”, diz Cláudia. A alimentação saudável, explica a nutricionista, não é um ideal utópico, da dona de casa que tem todo o tempo do mundo. “O livro mostra que é possível, mesmo tendo de comer fora de casa, seguir as dicas e orientar a alimentação dos filhos, obtendo resultados e mantendo o bom hábito”, diz.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1241/Comida+de+crian%C3%A7a

 

CANTORES E FONOAUDIÓLOGOS ENSINAM COMO CUIDAR E MELHORAR A VOZ

A voz límpida ecoa durante o concerto. No entanto, para que a plateia contemple um espetáculo musical de qualidade, é preciso que o cantor tenha muito preparo vocal. Marly Montoni, por exemplo, é uma cantora lírica que cuida, e muito, da sua garganta e cordas vocais. Mas todo esse carinho com a voz pode – e deve – ser incorporado por pessoas comuns, já que ela pode se manter saudável até a terceira idade, apenas tomando alguns cuidados simples.

“Cuido muito da minha alimentação, bebo bastante água, procuro fazer exercícios físicos regularmente, além de dormir bem para descansar o corpo”, conta a soprano.

Pode não parecer, mas a alimentação é uma parte importante dos cuidados com a voz. A fonoaudióloga e também musicista Elizabeth Amin explica que o refluxo gastroesofágico é uma causa comum de rouquidão da população, e é normalmente reflexo de uma dieta ruim.

“A acidez do estômago volta pelo esôfago, que não tem as paredes preparadas para essa substância. Isso afeta a parte posterior das pregas vocais”, explica. “E acontece da noite para o dia. A pessoa dorme com a voz ótima e acorda rouca”, conta Elizabeth.

A causa desse problema está, muitas vezes, nos inocentes alimentos do dia a dia. Um chocolate, um cafezinho, um leite e ou até mesmo uma dose de álcool podem piorar a sensação de ardor. Além disso, para algumas pessoas, o leite pode ocasionar um aumento da secreção, que interfere na cristalinidade na voz. “É o vulgo pigarro, quando parece que tem algo na garganta”, explica Elizabeth.

E aí mora outro problema: o pigarro é maléfico, porque causa um choque nas pregas vocais, assim como acontece com a tosse. “Não há problema em pigarrear, desde que seja esporadicamente. Se isso se tornar um hábito, a pessoa terá problemas na voz”, explica a fonoaudióloga.

A água, tão companheira de cantores e de outros que fazem uso da voz, deve ser consumida em doses ao longo do dia. “Não adianta tomar dois litros de água de uma só vez, é preciso hidratar o corpo constantemente, e, por consequência, a laringe também ficará hidratada”, explica Elizabeth, que também trabalha como orientadora vocal do CoralUSP.

Impostar ou apoiar a voz é um truque usado tanto pelos cantores como pelos atores. Apoiar a voz significa ter uma boa respiração, deixar que o ar seja impulsionado pelo diafragma para que a garganta apenas se torne um cano de passagem, sem que as pregas vocais sejam forçadas.

Marly é casada com um cantor lírico e partilha cuidados vocais no dia a dia. “Não grito, procuro falar usando a respiração diafragmática, falar apoiado”, explica.

Exercícios para uma boa voz
Além do cuidado com o corpo e alimentação, começar o dia com um contagiante bocejo é muito saudável. “Essa atitude simples mexe com as estruturas do trato vocal e também alonga, permitindo que ele saia do modo de relaxamento”, recomenda o fonoaudiólogo e professor de técnica vocal Juvenal de Moura.

Marly também faz exercícios diários, como a vibração de língua. “É bom para tirar o pigarro”.

Mais conhecido pela onomatopeia “trrrrr”, o exercício é apenas contraindicado para pessoas que tenham hematomas ou hemorragia na prega vocal, constatados por um otorrinolaringologista. “Para que as pessoas saudáveis não tenham nenhum problema, indicamos fazer o exercício de um modo relaxado, sem forçar”, explica.

Elizabeth ressalta que é o acompanhamento de um fonoaudiólogo é importante. “Não precisa ser um acompanhamento longo, apenas o tempo necessário para a pessoa aprender a fazer exercícios vocais corretamente”, explica.

Odeio minha voz, e agora?
Muito aguda, grave ou estridente. É comum ouvir reclamações acerca do próprio tom de voz. No entanto, o problema tem solução: a coordenadora do departamento de voz da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, Maria Lucia Dragone explica que normalmente é possível fazer essa modificação.

“É sempre possível melhorar aspectos da voz que não estejam adequados à personalidade, sexo, estilo de vida ou necessidades profissionais”, explica. “Se a pessoa identifica algo que ela não gosta, há grandes chances do problema ser modificado ou minimizado”.

As reclamações são muitas, como é o caso das vozes estridentes ou agudas. “Algumas vezes essas vozes estão relacionadas à tensão fonatória, e podem ser facilmente transformadas. Por muitas vezes ela está relacionada à imagem de infantilização”, explica Maria Lúcia.

O tempo de fonoterapia varia de pessoa para pessoa. “Esperamos uma melhora já a partir da quinta sessão, e continuamos o tratamento até que o resultado seja satisfatório”, explica.

Voz de moça na terceira idade
Ao telefone, muitas sexagenárias podem se passar por garotinhas. E o segredo, que também vale para os homens, é simples: fazer exercícios vocais diários. “O canto é um excelente exercício para manter a voz jovial”, explica Elizabeth.

“Com os anos, a voz feminina vai ficando mais grave e a masculina mais aguda. Nas mulheres, isso acontece por conta dos hormônios, já nos homens, é por conta da perda muscular – as pregas vocais são músculos, então, se os homens perdem massa, a voz fica mais fina”, explica Moura.

Segundo ele, exercícios são essenciais. Bocejos, vibrações de língua, de lábio, e outros que equilibram a ressonância costumam surtir efeitos excelentes nas vozes dos idosos – mantendo-as como na juventude.

Inimigos da voz
Grito: o ar pode passar pelas pregas vocais em uma velocidade de até 80km/h, e isso machuca muito. A região tende a se recuperar rápido, mas, se essa atitude for frequente, a pessoa terá problemas, como hemorragias e edemas. Elizabeth explica, no entanto, que alguns têm “gogó de ouro”. Os homens, em geral, têm cordas vocais mais resistentes.

Pigarro: essa prática faz com que as pregas vocais se raspem uma na outra, provocando pequenas lesões.

Refluxo gastroesofágico: causa comum da rouquidão, é necessário que o problema seja tratado com um médico especializado. Mudanças na alimentação também ajudam a contornar o problema.

Sussurro : o problema não está no sussurro, mas sim no esforço que se faz para que as palavras sejam compreendidas. “Muitas pessoas cochicham e, ao mesmo tempo, querem ter volume na voz. Isso faz mal”, explica.

Riso excessivo: é possível rir até perder a voz. “Toda vez que rimos, batemos uma prega vocal contra a outra, como bater palmas. Se a pessoa é profissional da voz e já fez o aquecimento para usá-la, é melhor que não ria demais, senão ela não terá a mesma qualidade vocal”.

Curiosidades
Nossa voz é mais grave quando acordamos. Isso acontece, segundo Moura, por conta de um edema fisiológico. “Podemos comparar com nossos olhos, que amanhecem inchados. Com as pregas vocais é a mesma coisa: não demos trabalho algum para ela durante a noite, então ela relaxou. O inchaço vai diminuindo com o passar das horas ou com o aquecimento vocal”.

Durante a Tensão Pré-Menstrual (TPM) as mulheres ficam com a voz mais grave. Tudo por culpa do hormônio feminino estrogênio, que provoca inchaço no corpo todo – e as pregas vocais não saem ilesas. Quando o estrogênio cai, a voz volta ao normal. “Quem canta profissionalmente e é soprano, por exemplo, pode ter dificuldade na hora de cantar os agudos”, explica o fonoaudiólogo.

Maçã faz bem para a voz. Ela é adstringente e afina a saliva. “A maçã limpa o trato vocal, por onde passa o som. Com a saliva fina, a voz fica mais precisa”, explica Moura.
Matéria de Elioenai Paes publicada originalmente no iG São Paulo, em 13/09/2013. Para ler na íntegra, acesse: http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-09-13/cantores-e-fonoaudiologos-ensinam-como-cuidar-e-melhorar-a-voz.html

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça os livros do Grupo Summus que falam sobre o tema:

VOZ – PARTITURA DA AÇÃO
Lucia Helena Gayotto
Plexus Editora
O ator em cena revela uma relação profunda entre seus recursos vocais e a situação vivida pelo personagem. Assim, a voz pode e deve interferir, modificar a situação e realizar-se como ação vocal. Para estudar essa ação vocal a autora criou uma partitura vocal para registrar os recursos vocais aplicados ao personagem, e, a partir daí, desenvolveu ferramentas para a elaboração da voz, em diferentes situações cênicas. O livro, fundamental na área teatral, amplia tais possibilidades, também para outros profissionais que utilizam a voz em seu dia-a-dia: conferencista, locutores etc.
ESTÉTICA DA VOZ
Uma voz para o ator
Eudosia Acuña Quinteiro
Plexus Editora
Escrito de forma simples e objetiva, este livro promove um encontro entre o teatro e a fonoaudiologia, analisando a criação teatral do ponto de vista da voz e da fala. Abordando desde o processo respiratório até o aquecimento vocal, a obra é útil para profissionais da voz que atuam nas mais variadas áreas.
TRABALHANDO A VOZ
Vários enfoques em fonoaudiologia
Léslie Piccolotto Ferreira
Summus Editorial
Este livro nos traz diversas abordagens no trabalho com a voz. Ensina a tirarmos o maior proveito da expressão pela voz, sem cansaços ou afonias, além de mostrar trabalhos relativos ao uso da voz no teatro, para professores e todos os que precisam da voz como instrumento de trabalho. Possui também capítulos de prevenção e tratamento dos diversos distúrbios da voz.
PODER DA VOZ E DA FALA NO TELEMARKETING, O
Treinamento vocal para teleoperadores
Eudosia Acuña Quinteiro
Plexus Editora
Atualmente, é fundamental que os operadores de telemarketing sejam capacitados, especialmente no que diz respeito ao treinamento fonoaudiológico. Este livro mostra que, se bem orientados, os teleoperadores serão mais produtivos e não terão problemas de saúde associados ao uso excessivo/incorreto da voz, além de sofrerem menos com o estresse diário. Obra dedicada a fonoaudiólogos, profissionais de RH, ergonomistas e médicos do trabalho.

LEIA ENTREVISTA EXCLUSIVA DE ANNA VERONICA MAUTNER PARA A NEWSLETTER DIGITAL DA FEIRA DO LIVRO DE FRANKFURT

A psicanalista Anna Veronica Mautner, autora do livro Ninguém nasce sabendo (Summus Editorial), concedeu entrevista exclusiva à newsletter digital da Feira do Livro de Frankfurt, voltada para Educação e Tecnologia. Leia na íntegra: http://goo.gl/u6x02N.

A tecnologia vai suplantar a aptidão física? Em que medida a escola de hoje, mais moderna, é melhor que a de ontem, mais humana? Em tempos de politicamente correto e das lutas por inclusão, é possível trabalhar a diversidade nas instituições escolares? Se aprender tabuada é chato, conseguiremos formar cidadãos capazes de cuidar das próprias finanças? A autoridade em classe é mesmo uma ameaça? Estamos preparados para acolher a infância em todas as suas nuanças ou preferimos delegar a tarefa a qualquer um que se proponha a nos tirar esse fardo dos ombros? Essas são algumas das perguntas que a psicanalista lança para os leitores na obra.

O livro não traz receitas prontas ou respostas mágicas. Anna Veronica não diz como nem quando. Ao contrário, trava com o leitor uma conversa franca em que não faltam puxões de orelha. O objetivo é despertar a consciência para discutir com seriedade a educação que se pratica em nossas escolas e em nossas famílias.

Organizada em sete grandes seções, a obra apresenta textos ricos em reflexões e questionamentos originalmente publicados na Revista Profissão Mestre e no caderno Equilíbrio, da Folha de S.Paulo. A partir dos temas “A escola hoje”, “O papel do professor”, “Corpo e sociedade”, “Família e escola”, “Informação, tecnologia e comunicação”, “Infância e adolescência” e “Depois da escola”, a autora analisa questões fundamentais para a educação como o bullying, o professor na berlinda, a terapia ocupacional na escola, a autoridade, a educação online e à margem da escola, entre outros.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1340/Ningu%C3%A9m+nasce+sabendo

RENATA DI NIZO NO PROGRAMA MUNDO CORPORATIVO, DA RÁDIO CBN

O programa Mundo Corporativo, da Rádio CBN, entrevistou a consultora em comunicação e RH Renata Di Nizo em setembro. Assista abaixo ao bate-papo com o apresentador Milton Jung sobre o livro Reinventando a liderança, da Summus Editorial.

A ética na aplicação dos valores é um assunto espinhoso no mundo corporativo. Hoje, a maioria das empresas está preocupada com a retenção de pessoas talentosas. Quando se trata da gestão bem-sucedida em longo prazo, porém, os belos discursos na tentativa de valorizar os colaboradores são no mínimo ineficazes. Como transformar o discurso em prática?

O livro oferece um panorama atual dos entraves na cultura organizacional que incidem diretamente na insatisfação e nas expectativas dos colaboradores. Respaldada por relatos de participantes de seus cursos, a autora, que é especialista em dar treinamentos de liderança, comunicação e gestão de valores em grandes empresas, incentiva o leitor a refletir sobre o maior ativo de uma empresa: funcionários motivados e dedicados à tarefa de crescer com uma vantagem competitiva sustentável.

“Todo líder antenado quer melhorar sua performance de liderança para influenciar positivamente as equipes. Revisitar as questões de cultura e valores é a base para a construção de resultados sustentáveis. É um compromisso que requer uma visão sistêmica, interpessoal e interdepartamental”, afirma Renata. Segundo ela, é importante a gestão consciente dos valores nos bastidores da empresa.

No livro, Di Nizo aponta os problemas mais sérios encontrados nas corporações, segundo os próprios profissionais de Recursos Humanos. Falta de ética, desrespeito, fofoca e favorecimento de amigos em detrimento de pessoas mais competentes foram os mais citados. “A ética de valores é o principal caminho para mudar a cultura da empresa. Esse processo consiste basicamente em agir corretamente mesmo que ninguém esteja olhando”, afirma.

Ao longo da obra, Renata resgata valores como honra, respeito, amizade, transparência e espírito de equipe a fim de incentivar os líderes a promover transformações profundas no ambiente corporativo.

Dividido em três capítulos, o livro traz depoimentos de profissionais de Recursos Humanos e de líderes que participaram de diagnósticos e treinamentos sobre o tema. Além disso, apresenta uma enquete feita com pessoas de 13 a 62 anos, na Avenida Paulista, em São Paulo. “A ideia foi captar a fala espontânea dos transeuntes sobre os valores que importam no dia a dia”, complementa.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1332/REINVENTANDO+A+LIDERAN%C3%87A