‘COMO TATÁ, VETERANOS RECORREM A FONOAUDIÓLOGOS PARA COMPOR PERSONAGENS’

Com experiência no humor, que tem como característica a fala rápida, a carioca Tatá Werneck tem sofrido críticas por conta de sua dicção na novela “I Love Paraisópolis”, que começou dia 11 de maio. Algumas frases ditas por Danda, moradora da comunidade Paraisópolis, em São Paulo, soam incompressíveis para o público.

Para doutora em linguística e fonoaudióloga Claudia Cotes, a novela pede uma forma de falar diferente daquela da comédia, já que envolve interpretação e diálogo. Entre as mudanças sugeridas pela profissional, está colocar ênfase nos sons marcando mais as palavras. Ciente do problema, a direção da Globo já escalou um fonoaudiólogo para aprimorar a dicção da atriz, conforme informação do colunista do UOL Flávio Ricco. Em seu Twitter, a atriz afirmou que faz aulas de fonoaudiologia há cerca de dois meses.

“Fazer o outro rir, chorar, pensar, não importa. Voz é emoção. Som é sentimento. Os novos talentos são vozes sociais. Por isso, têm responsabilidades. A primeira é dar o som perfeito para o ouvinte, em sinal de respeito. A dedicação de um artista é retribuída de três formas: riso, choro e aplausos”, complementa a especialista.

Como Tatá e outros colegas de profissão, o ator Mauro Mendonça, hoje com 84 anos, precisou de ajuda profissional por conta da entonação baixa e de seu jeito tímido para compor seus primeiros personagens. “Tinha a voz muito para dentro, mineiro, tímido… Mas adquiri uma escala vocal que não imaginava que tinha com a ajuda de uma professora. Teve um tempo que só falava de um jeito. É importantíssimo o trabalho vocal para o ator”, disse em entrevista ao UOL.

Vítima de depressão na década de 70, Mauro buscou a ajuda da fonoaudióloga dos artistas Glorinha Beuttenmüller, responsável por treinar os jornalistas Sérgio Chapelin, William Bonner, Fátima Bernardes, Ana Paula Padrão, Carlos Nascimento e a atriz Irene Ravache. “Nunca deixei de fazer uma peça, uma novela sem a ajuda dela. Ela teve uma paciência enorme comigo, porque eu estava muito deprimido, a voz não saía. Na primeira aula, ela falou: ‘Você dorme mal e acorda pior ainda’. Era exatamente isso, achava ela uma bruxa. Fazia exercícios para soltar a voz, imitava vilões”, contou o ator, que recebeu a indicação da amiga e atriz Fernanda Montenegro.

Para atriz veterana Vera Holtz, ter o auxílio de um fonoaudiólogo contribui para o artista organizar suas escolhas durante o processo criativo. “Você passa a conhecer seu delicado e fundamental instrumento de trabalho, a voz, e aprende a usá-lo corretamente para não machucar suas cordas vocais. Além disso, percebe sua extensão vocal, a emissão das palavras, articulação, projeção e corrige problemas em seu aparelho fonador. Recentemente, tive uma preparadora no Rio e aprendi muito com ela. Organizar vocalmente as cenas que ia criando, economizar a voz em determinados momentos. Usar diferentes regiões para poupá-la”, explicou Vera.

Quando encarnou a vilã Violeta de “Três Irmãs” (2009), Vera precisou atenuar seu sotaque de Tatuí, interior de São Paulo, para encarnar a rica que vivia em uma cidade praiana do Rio de Janeiro. “Quando fiz a vilã atenuamos os ‘erres’ e não foi difícil, pois contava com os cuidados de um continuísta, que atentamente me alertava quando eles teimavam em aparecer”, contou a atriz.

Sotaques: ter ou não?

Com 32 anos de carreira, a atriz afirma que a adaptação ou não dos diversos sotaques brasileiros varia de acordo com a temática da obra e do perfil do papel. “Ele [sotaque] é uma riqueza desta terra estranha e diversa. Dependendo da personagem é necessário [adaptar] e contamos com profissionais competentes nessa área para nos ajudar”, disse. Ela ainda contou ter mais facilidades com a pronúncia do sul – “Tenho uma vivência maior”.

Na estrada há 61 anos, Mauro diz ter um “sotaque teatral” e acredita que é obrigação do artista se adaptar a pronúncia de acordo com os projetos. “Isso é o trabalho de cada um. No teatro, por exemplo, você precisa ser claro e falar ao centro. É necessário envolver todos. Depois de algumas pesquisas, viram que as falas corretas para o teatro são a carioca e a paulista, claro, sem os vícios”, disse.

Ele também se mostrou avesso à unificação das falas nos folhetins. “Lamento muito que a TV Globo esteja uniformizando a maneira de falar. Os sotaques regionais são lindos, mas quase não existem mais. Agora, existe o antes e o depois da fala com a TV Globo”.

“Os iniciantes já sabem da necessidade de ter bons profissionais ao lado deles, pois a maioria vem de cursos especializados e é sempre bom continuar ouvindo os mais experientes”, destacou Vera.

Procurada pela reportagem do UOL, a assessoria de imprensa de Tatá afirmou que a atriz não teria interesse em comentar o assunto e estaria ocupada com as gravações da novela.

Texto de Amanda Serra publicado originalmente no UOL, em 29/05/2015. Para ler a matéria na íntegra, acesse: http://televisao.uol.com.br/noticias/redacao/2015/05/29/como-tata-veteranos-recorrem-a-fonoaudiologos-para-compor-personagens.htm

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Veja  alguns livros do Grupo Summus que falam sobre o tema:

60077ESTÉTICA DA VOZ
Uma voz para o ator
Autora: Eudosia Acuña Quinteiro
Plexus Editora

Escrito de forma simples e objetiva, este livro promove um encontro entre o teatro e a fonoaudiologia, analisando a criação teatral do ponto de vista da voz e da fala. Abordando desde o processo respiratório até o aquecimento vocal, a obra é útil para profissionais da voz que atuam nas mais variadas áreas.

10326TRABALHANDO A VOZ
Vários enfoques em fonoaudiologia
Autora: Léslie Piccolotto Ferreira
Summus Editorial 

Este livro nos traz diversas abordagens no trabalho com a voz. Ensina a tirarmos o maior proveito da expressão pela voz, sem cansaços ou afonias, além de mostrar trabalhos relativos ao uso da voz no teatro, para professores e todos os que precisam da voz como instrumento de trabalho. Possui também capítulos de prevenção e tratamento dos diversos distúrbios da voz.

‘ESCOLA NO RIO DIZ QUE MÃE DEVE PAGAR MONITOR PARA ALUNO COM DEFICIÊNCIA’

Mães de crianças com deficiência são obrigadas a pagar um “facilitador” para que seus filhos possam acompanhar as aulas em escolas da rede pública municipal do Rio de Janeiro. A denúncia foi feita por Sheila Velloso, que tenta, desde o começo do ano, matricular o filho Pedro, de 8 anos. Ela explica que o filho tem síndrome de Cornélia de Lange, uma doença neurológica rara, e precisa de acompanhamento constante, mas a escola pública em que ele foi matriculado, a Pedro Ernesto, na Lagoa, não oferece o serviço.

“Fiz a matrícula dele e me falaram que no momento não tinha ninguém para acompanhar o meu filho. Concordei que ele não podia ficar sem ninguém. A diretora me apresentou uma menina que estava chegando e era facilitadora de outra criança. Ela disse que ia todo dia com a criança, e que a mãe paga R$ 1.000 para ficar com ele, orientando. Voltei na regional e me falaram ‘no momento não temos ninguém, se você conseguir alguém, ótimo, você traz aqui e a gente faz a fichinha’”.

Sheila conta que procurou a rede municipal depois de ter a matrícula negada em cinco escolas particulares e uma amiga elogiar o trabalho oferecido pelo município. Há cerca de um mês, ela resolveu dar visibilidade ao caso por meio de um abaixo-assinado virtual que já conta mais de 10 mil apoiadores.

“O que eu sei é que toda criança tem direito à escola, seja ela deficiente ou não. É o caso do meu filho. Ele é especial, ele precisa de uma orientadora ou facilitadora, e eu fiquei sabendo que na rede municipal tem isso; outras mães têm isso; então eu fui buscar, eu queria isso para o meu filho também. Se tem direito, vamos lá, tem que ter direito, então. O objetivo é conseguir a escola, não quero mais nada”, enfatizou ela.

Sheila explica que não existe associação no Brasil que reúna parentes de pessoas com síndrome de Cornélia de Lange, apenas grupos de apoio em redes sociais. A doença afeta o desenvolvimento físico e intelectual da criança. “Agora ele fica a semana toda dentro de casa, só faz terapia ocupacional e fono[audiologia], atividades paralelas, mas escola mesmo ele não está frequentando”, acrescentou.

Fundadora da organização não governamental Escola de Gente, que trabalha com inclusão, a jornalista e escritora Cláudia Werneck ressalta que é obrigação do município garantir acesso à escola para qualquer criança, já que o direito à educação é tão indisponível quanto o direito à vida.

“Toda criança tem direito à escola, e isso independe de como essas crianças são, se enxergam, se têm uma síndrome genética ou não. Não existe não aceitar uma criança. Nesse caso, a escola condicionou a aceitação da criança à mãe fazer desembolsos particulares de um facilitador, isso também é inconstitucional, a escola pública não pode cobrar nada da família dos estudantes”, ressaltou Cláudia.

A procuradora Regional da República Eugênia Gonzaga, do Ministério Público Federal em São Paulo, especialista em direitos de pessoa com deficiência, explica que os apoios necessários à inclusão de criança com deficiência fazem parte da obrigação do Estado com a educação.

Segundo ela, “é ilegal. Não tem previsão em lei isso, e já tem até uma nota técnica do Ministério da Educação falando que isso é irregular. A gente ouve falar isso há anos no Rio de Janeiro, e agora é que os pais começaram a denunciar. Fere o código do consumidor, fere o direito da criança, é uma discriminação indevida da criança com deficiência”.

De acordo com Eugênia, os pais devem documentar a exigência feita, para comprovar a irregularidade no Ministério Público. “Elas [mães] poderiam comprovar de alguma forma essa exigência da escola, porque às vezes a escola fala isso de boca, mas na hora de colocar no papel não [confirma]. Então, talvez provocar uma resposta por escrito da escola, para que conste essa prova de que a escola está fazendo exigência, e levar isso para o Ministério Público Estadual”, sugere.

A secretária Municipal de Educação, Helena Bomeny, garante que essa não é a prática da rede. “Eu não sei como chegou essa informação à mãe, porque isso não procede. Nós oferecemos um estagiário, voluntário, para ficar como mediador na sala de aula junto com o professor. Então, eu acho que é um grande mal entendido, porque não se pode cobrar nada”, destaca.

De acordo com ela, o caso de Pedro Velloso foi o primeiro que ela soube, e a rede tem mais de 1.500 estagiários e voluntários que fazem a mediação de crianças com deficiência nas escolas. “A gente pode entender que em uma determinada escola, como não havia um aluno incluído, na hora não tem [mediador]. Então, a coordenadoria, junto com o Instituto Helena Antipoff, faz o remanejamento profissional para que a escola passe a ter o mediador. Às vezes demora um dia, dois, três dias, porque a escola não tem e vai passar a ter essa necessidade”, disse ela.

A secretária explica que todas as coordenadorias regionais de Educação têm equipes do instituto, que é uma referência nacional em deficiência e altas habilidades, e que todos os casos de inclusão de criança com deficiência devem ser analisados por especialistas.

“Quando a gente faz a matrícula de qualquer aluno com deficiência é importantíssimo que o instituto esteja presente, porque junto com os pais é que eles vão decidir onde o aluno deve ficar melhor, se numa classe especial, numa sala especial ou se vai ser incluído. A gente advoga sempre tentar incluir o aluno, porque ele evolui muito melhor”, acrescentou.

Sheila Velloso relata que só soube do Instituto Helena Antipoff na última segunda-feira (25), quando ligaram para ela marcando reunião para amanhã (28).

Texto de Akemi Nitahara, da Agência Brasil, publicado no UOL Educação em 28/05/2015. Para lê-lo na íntegra, acesse: http://educacao.uol.com.br/noticias/2015/05/28/escola-no-rio-diz-que-mae-deve-pagar-monitor-para-aluno-com-deficiencia.htm#fotoNav=5

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Para saber mais sobre inclusão e educação especial, conheça alguns livros do Grupo Editorial Summus sobre os temas:

60073
CIDADANIA, SURDEZ E LINGUAGEM
Desafios e realidades
Autoras: Zilda M. Gesueli, Samira Kauchakje, Ivani Rodrigues Silva
Plexus Editora
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60068
COMO BRINCAM AS CRIANÇAS SURDAS
Autora: Daniele Nunes Henrique Silva
Plexus Editora

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60033
A CRIANÇA SURDA

Linguagem e cognição numa perspectiva sociointeracionista
Autora: Marcia Goldfeld
Plexus Editora

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60056
EDUCAÇÃO MOTORA EM PORTADORES DE DEFICIÊNCIA

Formação da consciência corporal
Autora: Chrystianne Simões Frug
Plexus Editora

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20892
INCLUSÃO COMEÇA EM CASA

Um diário de mãe
Autora: Iva Folino Proença
Editora Ágora

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10078
INCLUSÃO E EDUCAÇÃO
Doze olhares sobre a educação inclusiva
Org.: David Rodrigues
Summus Editorial

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10999
INCLUSÃO ESCOLAR

O que é? Por quê? Como fazer?
Autora: Maria Teresa Eglér Mantoan
Summus Editorial

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10733INCLUSÃO ESCOLAR
Coleçao Pontos e Contrapontos

Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autoras: Rosângela Gavioli Prieto, Maria Teresa Eglér Mantoan
Summus Editorial

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10654
INCLUSÃO NA PRÁTICA

Estratégias eficazes para a educação inclusiva
Autora: Rossana Ramos
Summus Editorial

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60085
SUPERANDO OBSTÁCULOS

A leitura e a escrita de crianças com deficiência intelectual
Autora: Maria Elisabeth Grillo
Plexus Editorial

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‘COMO O TEMPERAMENTO INTEREFERE EM SUA CARREIRA’

Especialista fala da importância do autoconhecimento para tomar as decisões certas na vida profissional

O que leva um indivíduo a executar bem, durante anos a fio, um trabalho do qual no fundo ele não gosta nem um pouco? Por que uma pessoa se sente confinada e infeliz ao atuar no mundo corporativo enquanto outra faz questão de que tudo ali funcione na mais perfeita ordem e experimenta nisso um sentimento de realização pessoal? Por que um médico prefere dar expediente no consultório e outro no campo, atendendo vítimas de emergências?

Na tentativa de entender essas distinções, a jornalista, pedagoga e consultora de carreira Maria de Luz Calegari escreveu há alguns anos o livro Temperamento e Carreira (Summus Editorial), em parceria com o consultor Orlando H. Gemignani. Orientadora vocacional, Maria da Luz defende, no livro e no trabalho, que o sucesso e a satisfação profissionais estão ligados ao temperamento das pessoas e ao modo como esse temperamento interfere em suas decisões e determina suas ações. “Me interessei em pesquisar e escrever sobre temperamentos, porque descobri que eles determinam nossa forma de ser e de estar no mundo.”

Na prática, fazer um teste vocacional que permita identificar qual dos quatro temperamentos universais (artesão, guardião, idealista e racional) predomina na personalidade da pessoa e encontrar as atividades com as quais se tem mais afinidade, pode ajudar a ser mais feliz no trabalho. Não se trata nesse caso do conceito de temperamento popular, que em geral se refere ao gênio e ao humor, mas sim do temperamento estudado na psicologia. “Nas últimas décadas as teorias do ponto de vista psicológico avançaram bastante em virtude de contribuições da neurociência”, diz.

Maria da Luz já criou e aplicou inúmeros testes de orientação baseados na teoria dos temperamentos. Segundo ela, um bom ponto de partida é essa , e publicada no site do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee). “Adultos e adolescentes se acham nas respostas.”

Na entrevista a seguir, Maria da Luz descreve os perfis profissionais que costumam ser associados a cada um dos quatro temperamentos universais. Entenda, por exemplo, porque os artesãos são tipos de espírito livre e tendem a sentir-se frustrados em ambientes corporativos.

Como o temperamento ajuda a direcionar a carreira de quem está prestes a escolher uma profissão, ou mesmo um profissional em dúvida diante da própria trajetória?

Acredito que temos um temperamento que é inato e que esse temperamento é determinante para as áreas que seremos vocacionados. Certa vez, dei orientação para uma pessoa cujo teste vocacional apontou para ela como carreira principal relações públicas. Ela preferia ser atriz. Expliquei que não havia conflito, porque os talentos e inteligências requeridos para as duas profissões são praticamente os mesmos. Sendo atriz, porém, ela não teria a segurança e a estabilidade da carreira de relações públicas numa grande empresa. Férias, décimo terceiro, plano de saúde, vale-refeição. O que você valoriza mais, perguntei. Estabilidade, segurança? Novidade, surpresa, imprevistos? Há pessoas que gostam de viver, digamos, de uma forma não tão estável, porque a estabilidade requer que se adaptem a regras e regulamentos e elas gostam de ter agenda livre e administrar o próprio tempo. Elas não são feitas para trabalhar no mundo corporativo, regrado e estruturado. Ou seja, a vocação é um chamamento interior. Em primeiro lugar, a pessoa tem de se perguntar em que carreira será feliz, trabalhará empolgada e entusiasmada e não só na expectativa de um contracheque. Se o indivíduo está mais propício à estabilidade material, as carreiras mais soltas, ligadas à arte, talvez não sejam para ele. Por isso é importante conhecer o temperamento, as características de personalidade e os interesses que falam mais alto.

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Texto de Viviane Zandonadi, publicado no Estadão – Educação, em 22/05/2015. Para ler a entrevista completa, acesse: http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,como-o-temperamento-interfere-em-sua-carreira,1692729

‘DEPRESSÃO NÃO É O MESMO QUE TRISTEZA, ENTENDA A DIFERENÇA’

A pessoa deprimida não consegue, sozinha, se livrar dos sentimentos de tristeza e desânimo. Ela geralmente precisa de medicamentos específicos, receitados por um psiquiatra.

A vida parece não ter mais cor, tudo parece ter se tornado entediante e chato. Sair da cama de manhã é um sacrifício. No trabalho, a dificuldade de concentrar-se é enorme e, mesmo nos momentos de lazer, parece que nada agrada. Se você está assim ou conhece alguém que apresenta esses sintomas, fique alerta: pode ser depressão.

A doença já atinge 350 milhões de pessoas no mundo todo, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde. E, ao contrário do que muita gente pensa, não está relacionada apenas à tristeza que pode decorrer de uma situação de perda. Uma crise de depressão pode ser desencadeada por um fato triste ou estressante, mas também pode ocorrer sem nenhum motivo aparente, por causa de um desequilíbrio das substâncias químicas que atuam no cérebro.

Na pessoa deprimida, a tristeza e a melancolia, muitas vezes associadas com desânimo, pessimismo e baixa autoestima, predominam e se prolongam por períodos superiores a duas semanas. “O deprimido também tem alterações em seu padrão de sono e alimentação: pode perder o apetite ou passar a comer compulsivamente, assim como dormir muitas horas por dia ou sofrer de insônia”, explica Elizabeth Sene-Costa, psiquiatra pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e autora do livro “Universo da Depressão(Editora Ágora).

Não tem cura, mas tem tratamento

A doença pode ter diferentes níveis de gravidade e, nos casos mais complicados, pode até levar o paciente a se isolar completamente da vida profissional e social. “A depressão grave é aquela em que a pessoa não sai da cama, não toma banho, não quer comer”, diz a psiquiatra. E de nada adianta dizer ao deprimido para “reagir”. Seria o mesmo que dizer a uma pessoa com diabetes que ela deve se curar sem ajuda médica. O deprimido, tanto quanto os outros doentes, precisa de tratamento.

O médico especializado em depressão é o psiquiatra, que poderá prescrever o medicamento adequado, na dose certa para cada caso. Assim como o diabetes, a depressão não tem cura. Algumas pessoas têm que tomar medicação a vida inteira. Outras precisarão usá-la apenas nos momentos de crise. “O ideal é que o tratamento com medicamentos seja associado à terapia”, diz a médica.

Artigo publicado no site do Programa Via Saúde. Para lê-lo na íntegra, acesse:
http://www.programaviasaude.com.br/dicas/saude/depressaeo-naeo-e-o-mesmo-que-tristeza-entenda-a-diferenca

Conheça o livro:

20007UNIVERSO DA DEPRESSÃO
Histórias e tratamentos pela psiquiatria e pelo psicodrama
EDITORA ÁGORA
Autora: Elisabeth Maria Sene-Costa

Este livro é o resultado de uma ousada proposta para obtenção do título de mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP. A autora, psicóloga, estudou com profundidade os aspectos fisiológicos e clínicos da depressão e em seguida desenvolveu um tratamento apoiado no psicodrama. Tese inovadora e muito bem embasada, útil para profissionais das áreas médica e psi.

AUTORES DE “TERAPIA DE CASAL E DE FAMÍLIA NA CLÍNICA JUNGUIANA” AUTOGRAFAM NA LIVRARIA DA VILA, EM SÃO PAULO

A Summus Editorial e a Livraria da Vila (Al. Lorena – SP) promovem no dia 28 de junho, quinta-feira, das 18h30 às 21h30, o lançamento do livro Terapia de casal e de família na clínica junguiana. A organizadora da obra, Vanda Lucia Di Yorio Benedito, e os autores recebem os convidados no piso térreo da livraria, que fica na Alameda Lorena, 1.731, Jardim Paulista, São Paulo.

Um dos temas mais controvertidos e em ebulição na sociedade atual, a família vem passando por grandes transformações, a partir de novos desenhos vividos no dia a dia, levando-se em conta laços de parentesco biológico e social, de afeto e de contratos formais e informais, entre outros. Diante desse variado leque de configurações, os psicoterapeutas somam esforços, compartilhando estudos e experiências com o intuito de suprir as demandas familiares. A coletânea Terapia de casal e de família na clínica junguiana – Teoria e prática reúne, entre outros temas, o histórico da abordagem no Brasil, a conjugalidade, o sonho como recurso terapêutico, o uso do sandplay e o processo de individuação.

Dividida em duas partes, a obra inclui a apresentação de casos clínicos acrescidos de reflexões das autoras. Temas clássicos na psicologia junguiana, como o trabalho com a sombra, as polaridades, a traição e a morte, também são analisados ao longo dos capítulos.

“O trabalho com casais e famílias ampliou meu entendimento do que Jung chamou de unilateralidade da consciência”, diz Vanda Lúcia. Segundo ela, esse campo terapêutico propicia o exercício da pluralidade, da incerteza, da relatividade, da aceitação das várias possibilidades de percepção, favorecendo assim a melhor integração do indivíduo na família e no casal. “Essa visão sistêmica promove a busca de contextos que podem ser entendidos como opostos entre si, de forma a ampliar nossa compreensão dos eventos”, explica a psicoterapeuta.

Para saber mais sobre a obra, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1414/9788532310125

Terapia_de_casal_e_de_família

‘27% DOS PAIS DE PORTADORES DE DOWN ACEITAM FILHOS COMO SÃO, DIZ ESTUDO’

Um estudo inédito realizado no Canadá revelou que 27% dos pais de portadores de síndrome de Down não esperam a cura dos filhos porque aprenderam a aceitar a condição deles e os amam como eles são.

“Para eles, a cura significaria perder o filho da maneira como ele é. Os pais os aceitam e os amam como eles são. Para eles, o mais importante é que a população tenha compaixão e veja seus filhos como crianças normais, que talvez demorem um pouco mais para aprender as coisas, mas que vão aprender”, explicou Catriona Hippman, pesquisadora e conselheira genética da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá. O estudo será divulgado no sábado (23), durante o 4º Fórum Internacional Síndrome de Down, no Auditório do Centro de Convenções da Unicamp, em Campinas (SP).

A pesquisa, que abordou mais de 100 casais ao longo dos últimos oito anos, sobre a possibilidade de cura dos filhos, também mostrou que outros 41% dos casais considerariam a cura um alívio e ficariam muito felizes caso isso acontecesse. Já os outros 32% não souberam responder, por não considerar a cura o mais importante.

Com as opiniões sobre a possível cura bem divididas entre os casais, Catriona decidiu perguntar o que eles gostariam que as pesquisas sobre a síndrome investigassem. “A maioria deles pediu para que os pesquisadores descobrissem formas de fazer a sociedade acolher e entender melhor a síndrome e seus portadores”, disse.

O preconceito e a falta de informação foram apontados como grandes desafios pelos pais. Além disso, para eles, o mais importante é dar qualidade de vida aos filhos, com o desenvolvimento de pesquisas que os ajudem a melhorar a parte cognitiva para facilitar o aprendizado, e outros, que os ajudem nos problemas físicos decorrentes da síndrome.

“Esses pais querem que os pesquisadores parem de gastar tempo e dinheiro procurando a cura. Eles querem descobrir formas de dar qualidade de vida aos filhos”, contou Catriona. A conselheira afirmou também que um dos pedidos dos pais é que os próprios médicos parem de ver os portadores da síndrome de Down como doentes. “Os pais percebem um certo receio dos médicos até na hora de contar que o bebê tem Down. Eles querem que os médicos parem de ver a síndrome como uma doença, já que essas pessoas podem levar uma vida normal, mas como um pouco mais de dificuldade”, ressaltou.

Texto de Fabiana Marchezi, publicado no UOL em 21/05/2015. Para lê-lo na íntegra, acesse: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2015/05/21/27-dos-pais-de-portadores-de-sindrome-de-down-nao-desejam-a-cura-de-filhos.htm

 

Se você tem interesse pelo assunto, conheça o livro “Inclusão começa em casa“, da Ágora:

20892INCLUSÃO COMEÇA EM CASA
Um diário de mãe
Autora: Iva Folino Proença

José Manoel, o filho da autora, tem síndrome de Down. Iva conta sua história com uma honestidade comovente, sem medo de se expor: raiva, frustrações, pequenas e grandes alegrias. Escrito há 35 anos, este livro continua sendo um grande conforto para os pais em situações similares.

‘IMPLANTES E IDEIAS AJUDAM A MELHORAR DIA A DIA DE QUEM VIVE COM SURDEZ’

Surdez é a segunda deficiência mais comum no Brasil, mas o país parece não estar preparado para incluir esses cidadãos.

Pelo menos dez milhões de brasileiros sofrem de algum grau de surdez. É a segunda deficiência mais comum entre nós. Mas parece que o Brasil não estar preparado para incluir esses cidadãos.

O “trio ternura” mostrado no vídeo é formado por meninas lindas que nasceram surdas e, antes de completar dois anos, fizeram um implante coclear, uma prótese que devolve a audição. Emilly, Ana e Manoela cresceram ouvindo tudo e deu nisso: cantam e falam pelos cotovelos.

Essa vida é um direito garantido por lei para os mais de 10 milhões de brasileiros com algum grau de surdez. O implante, por exemplo, é fornecido de graça pelo governo desde 1999. Muitas pessoas não sabem disso, e outras não têm dinheiro para pagar viagem e hospedagem, que o SUS não cobre.

“Basta imaginar uma pessoa que mora no interior de um estado grande e fica com essa dificuldade de transporte, entre o interior e a capital”, diz o médico do Hospital das Clínicas Robinson Tsuji.

Sem o implante, a vida de quem não escuta fica muito mais difícil, principalmente porque a nossa sociedade não está preparada para incluir os surdos. Por exemplo, num aeroporto: bem na hora do embarque, o sistema de alto faltantes anuncia: ‘O seu embarque mudou do Portão 2 para o Portão 7′. Sem essa informação, você provavelmente perderá o seu voo.

Dentro da escola a consequência da exclusão é mais grave. Os alunos com audição normal conseguem acompanhar a aula toda, mas quem não escuta bem tem dificuldade mesmo com o aparelho no ouvido. Toda vez que a professora se vira para o quadro, o tom de voz fica mais baixa e o aparelho não consegue captar. E essa parte da explicação, já foi perdida.

Existem soluções: um microfone transmite a voz do professor diretamente para o aparelho auditivo. Onde há alunos com surdez profunda, é fundamental a presença de um intérprete de libras, a Língua Brasileira de Sinais. É lei. Mas nem toda escola tem um.

“A secretaria tem que encaminhar para alguma escola que tenha estrutura especializada”, diz o professor de otorrinolaringologia da USP Ricardo Bento.

Silvana sente falta de material visual para os alunos surdos, que passam a vida recebendo menos informação sobre tudo.

“Se não tiver uma explicação pra que serve, por que que usa e o que é aquilo. Tudo, tudo, tudo precisa ser explicado, senão ele não entende”, diz a intérprete de libras Silvana Torres.

Erika está no ensino médio e quer fazer vestibular para Psicologia. Sabe que vai ter dificuldade. Foi assim desde criança. Mas não falta esperança.

Quando a inclusão dos surdos for uma realidade no Brasil, ela afirma, em libras, “a vida vai ficar melhor”.

Matéria exibina no Jornal Nacional, na edição do dia 21/05/2015. Para assistir ao vídeo, acesse: http://glo.bo/1c8jPyT

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Se você tem interesse pelo assunto, conheça alguns livros do Grupo Summus:

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60073CIDADANIA, SURDEZ E LINGUAGEM
Desafios e realidades
Autoras: Zilda Maria Gesueli, Samira Kauchakje, Ivani Rodrigues Silva
PLEXUS EDITORA

O livro trata de uma das pricipais questões que se tem ao lidar com o indivíduo surdo: o papel da língua de sinais no contexto ensino-aprendizagem. Em decorrência do fato de a língua ser imprescindível para que o surdo possa se constituir como sujeito do mundo, são discutidas questões relativas à família e à comunidade, trazendo contribuições para a compreensão da proposta de ensino bilíngüe para sujeitos surdos.
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60094NOVAS CRÔNICAS DA SURDEZ
Epifanias do implante coclear
Autora: Paula Pfeifer
PLEXUS EDITORA

Nesta obra, Paula Pfeifer conta como foi perder a audição desde a infância até chegar à surdez bilateral profunda aos 31 anos e, então, fazer um implante coclear e voltar a ouvir. A jornada em direção ao som foi cheia de altos e baixos, e o livro mostra com sinceridade os melhores e os piores momentos desse caminho: da decisão de fazer a cirurgia aos meses seguintes à ativação dos eletrodos.
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60092CRÔNICAS DA SURDEZ
Autora: Paula Pfeifer
PLEXUS EDITORA 

Nesta obra, Paula Pfeifer discute um assunto que, por vezes, se torna tabu: a deficiência auditiva, que tanto afeta a comunicação e a interação humanas. Porém, a autora passa longe da autocomiseração e mostra que os surdos podem e devem levar uma vida feliz, independente e produtiva. Dividido em três partes, o livro relata como Paula lidou com as dificuldades e as agruras da surdez, traz textos que ela escreveu no blogue Crônicas da Surdez – que tem milhares de acessos mensais –, além de apresentar depoimentos emocionantes de leitores. Temas como preconceito, tecnologia, mercado de trabalho e bullying são apresentados de forma leve, sem julgamentos, permitindo aos deficientes auditivos, a seus familiares e a profissionais de saúde refletir sobre as experiências cotidianas e sobre a capacidade de superação inerente a todos nós.
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60071A MUSICALIDADE DO SURDO
Representação e estigma
Autora: Nadir Haguiara-Cervellini
PLEXUS EDITORA

Há muitos anos a autora vem desenvolvendo pesquisas sobre a possibilidade do surdo ser, também, um ser musical. Na sua dissertação de mestrado mostrou que o surdo poderia ser privilegiado com a música ao invés de privado dela por “não ouvir”. Este livro é uma adaptação de sua tese de doutorado, trabalhando de forma mais ampla seu tema predileto: vai para os conceitos de representação e estigma usando a atividade musical para defini-los.
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Educação de surdos: pontos e contrapontosEDUCAÇÃO DE SURDOS: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autoras: Regina Maria de Souza, Núria Silvestre
SUMMUS EDITORIAL

Quarto volume da coleção Pontos e Contrapontos, esta obra discute as conseqüências da inclusão da língua brasileira de sinais nos cursos de formação de professores. O tema suscita discussões: como manter o equilíbrio entre a língua oral e a de sinais? Qual a posição do implante coclear nesse processo? Podem, a escola e a família, impor ao surdo uma dessas linguagens? Livro fundamental para a era da inclusão.

‘FORA DA ESCOLA: CONHEÇA FAMÍLIAS QUE ENSINAM OS FILHOS EM CASA’

Lorena Dias mora em Brasília, tem 17 anos e acabou de entrar na faculdade de jornalismo. Essa seria mais uma história entre tantas outras semelhantes, se não fosse um detalhe: a garota não cursou o ensino médio regular, matriculada em uma escola, como a maioria dos adolescentes brasileiros. Ela estudou em casa, com a ajuda dos pais, Lilian e Ricardo Dias.

Segundo a Aned (Associação Nacional de Ensino Domiciliar), existem hoje, no Brasil, cerca de 2.500 famílias cujos filhos estão fora das instituições de ensino. Para o Ministério da Educação e Cultura, o ensino em casa fere o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) da Educação Nacional e a própria Constituição Federal. Todos indicam que a criança deve ser regularmente matriculada na rede de ensino particular ou pública.

Por não ser regulamentado no Brasil, o ensino domiciliar gera controvérsias e é preciso que os pais interessados em optar pela prática saibam que não existe consenso legal sobre o assunto. Alguns podem conseguir ir adiante com os estudos superiores, como Lorena e Juliana, mas houve casos em que os pais foram penalizados pela prática, já que o Conselho Tutelar pode fazer uma denúncia no Ministério Público e abrir uma ação por abandono intelectual, prevista no Código Penal Brasileiro.

Há diversas maneiras de praticar o ensino domiciliar (também chamado pelo termo em inglês “homeschooling”). Algumas famílias compram sistemas de estudo, outras acompanham o currículo nacional e há ainda as que decidem com os filhos o programa a ser seguido. Algumas têm horários estipulados para as atividades, outras possuem dias e horários flexíveis.

“Para certas disciplinas ou áreas do conhecimento, alguns pais contam com a ajuda de professores especializados ou aulas particulares. E, tanto entre crianças quanto entre adolescentes, a internet é amplamente utilizada para pesquisas e estudos”, afirma Luciane Muniz Ribeiro Barbosa, professora do Departamento de Educação e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo.

“O intuito da educação domiciliar é ensinar o adolescente a ser autodidata, a pesquisar. A partir daí, ele vai se desenvolvendo sozinho”, diz Ricardo Dias, pai de Lorena. Por ter estudado em casa, Lorena teve de conquistar na Justiça o direito de cursar o ensino superior. Embora ainda caiba recurso para o Ministério da Educação e Cultura, o caso abriu precedentes e coloca de novo o tema em discussão.

A dona de casa Renata Correa, 32, de Contagem (MG), também se encantou com a possibilidade de educar os três filhos –de 4, 11 e 12 anos– em casa. Tudo começou porque Felipe, o do meio, começou a ter problemas sérios de adaptação onde estudava. Engordou, pedia todo dia para não ir, tinha dificuldade em entender as ordens da professora. “No meio disso tudo, descobrimos que ele é daltônico”, conta a mãe.

O ensino domiciliar pareceu uma solução. “Além dos estudos em casa, comecei a me reunir com famílias locais que também fizeram essa opção. Em um mês, Felipe voltou a ficar bem, a gostar novamente de estudar”, conta. Os filhos de Renata estudam de três a quatro horas por dia e, com outras crianças do grupo de adeptos do “homeschooling”, vão a museus, zoológicos, realizam feiras de ciências e de livros, entre outras atividades.

Os filhos do representante comercial George Freedman da Silva, 46, de Timóteo (MG), têm, atualmente, 12, 18 e 19 anos. “Os dois mais velhos fizeram o ensino fundamental na escola, mas o médio em casa”, diz o pai. Juliana, a mais velha, faz faculdade de nutrição na cidade de Pitágoras (MG). “Ela fez o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o que deu a ela o certificado de conclusão da etapa.”

Pelo fato de Juliana ter mais de 18 anos, não foi necessário entrar na Justiça para que ela se matriculasse na faculdade, como ocorreu com Lorena, que obteve uma liminar inédita no Brasil para ter o direito de cursar a universidade mesmo sem ter estudado de forma tradicional.

Socialização

Uma das maiores críticas que alguns especialistas fazem ao “homeschooling” diz respeito à socialização. “Uma criança que é privada do encontro com seus pares pode ter dificuldade de se sentir pertencente a um grupo e de se desenvolver. A aprendizagem com os colegas é riquíssima. Permite que a criança esteja exposta a diferentes pontos de vista, implica que ela tenha uma outra figura importante na vida, com quem tenha de dialogar e compartilhar, que é o professor”, diz Maria Teresa Mantoan, professora de pós-graduação em educação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Maria Teresa ainda afirma que o papel da escola não é simplesmente transmitir conhecimento, mas introduzir o cidadão na vida pública. “É o lugar no qual a criança vai vivenciar o que é ter direito e deveres”, declara.

Os adeptos do ensino domiciliar discordam. “Essa questão da socialização é um mito. No ambiente escolar, o professor pode ajudar uma criança, mas não 40. A socialização pode ser até mais pobre. Primeiro só há 30 minutos por dia para ela, já que o aluno não pode conversar durante as aulas. No intervalo, são várias crianças da mesma idade, geralmente do mesmo nível social e que moram na mesma região. Ou seja, não há contato com o novo, o diferente”, fala Dias.

E como fica o vestibular?

Para a professora Luciane Muniz Ribeiro Barbosa, se bem preparado, o adolescente que estudou em casa estará apto a entrar em uma faculdade. “Se você tem condições favoráveis ao estudo, com materiais apropriados, recursos para aprofundamento de atividades e pesquisas, aulas particulares de conteúdos específicos, se necessário, como isso pode atrapalhar a aprovação no exame vestibular?”, questiona.

Os filhos de Renata Correa ainda têm anos de estudo pela frente, mas ela partilha dessa segurança. “Se eles quiserem fazer faculdade –e isso será uma escolha deles–, estarão preparados para isso. Minha parte estou fazendo”, diz.

Em termos burocráticos, tudo o que uma pessoa precisa para cursar uma faculdade é um certificado de conclusão do ensino médio. O Enem serve para esse propósito e pode ser prestado por qualquer pessoa maior de 18 anos. Já para os menores de idade é necessária uma liminar judicial que garanta a validade da prova.

Matéria de Carol Salles e Amanda Sandoval, publicada originalmente no UOL, em 21/05/2015. Para lê-la na íntegra, acesse:
http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2015/05/21/fora-da-escola-conheca-familias-que-ensinam-os-filhos-em-casa.htm

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Que saber mais sobre educação domiciliar? Conheça o livro:
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10501EDUCAÇÃO FORMAL E NÃO-FORMAL: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora:
Valéria Amorim Arantes
Autores: Jaume Trilla, Elie Ghanem
SUMMUS EDITORIAL

Neste livro, os autores discorrem sobre os diferentes aspectos que contemplam essas duas perspectivas das práticas educativas, analisando seu aspecto histórico, social e político. Os pontos e contrapontos tecidos no diálogo estabelecido por Ghanem e Trilla sinalizam a importância da cooperação e da complementariedade entre a educação formal e a não formal, na busca de uma educação mais justa e mais democrática.

ÊNIO BRITO PINTO AUTOGRAFA NO INSTITUTO GESTALT DE SÃO PAULO, EM SÃO PAULO

A Summus Editorial e o Instituto Gestalt de São Paulo (IGSP) promovem no dia 23 de maio, sábado, das 17h às 20h, o lançamento do livro Elementos para uma compreensão diagnóstica em psicoterapia – O ciclo de contato e os modos de ser. O psicoterapeuta Ênio Brito Pinto, autor da obra, receberá amigos e convidados no instituto, que fica na Rua Ferreira Araújo, 652 – Pinheiros, São Paulo. Na mesma noite, ele também lança Orientação sexual, da Ideias e Letras.

11010Um dos fundamentos da psicoterapia, a compreensão diagnóstica é uma das atividades mais importantes e complexas desempenhadas pelos profissionais no processo terapêutico em todas as abordagens. Esse é o foco do livro Elementos para uma compreensão diagnóstica em psicoterapia. Partindo desse pressuposto, Ênio utiliza o ciclo de contato, adaptado do modelo proposto por Jorge Ponciano Ribeiro, para distinguir oito estilos de personalidade: o dessensibilizado, o defletor, o introjetor, o projetor, o profletor, o retrofletor, o egotista e o confluente.

“O conhecimento do estilo dos clientes facilita a descoberta do melhor caminho para que a terapia lhes seja útil”, afirma o psicoterapeuta. Única na Gestalt-terapia mundial, a obra inova ao trazer uma importante ferramenta para o trabalho psicoterapêutico em diversas abordagens. Em linguagem simples, o autor trata de um aspecto ainda pouco explorado na Gestalt-terapia e se fundamenta na ideia de que um bom diagnóstico é a melhor maneira de se começar a realçar a singularidade de cada cliente, início do processo de ajudá-lo a se apossar dessa singularidade e desenvolvê-la ao máximo a cada momento da vida.

Inspirado nas palavras de Frederick Perls, o autor faz uma ampliação do modo de se utilizar a compreensão diagnóstica em psicoterapia e propõe o uso do ciclo de contato como um fundamento para a construção de um referencial tipológico. “O conhecimento do próprio estilo por parte do terapeuta facilita o abrandamento das próprias cristalizações e das cristalizações dos clientes, de maneira que a pessoa possa, mais e mais, reagir a cada situação, abdicando da repetição compulsória de vivências e comportamentos”, explica o psicoterapeuta.

“Não se trata de uma continuação do trabalho de Perls, embora todo o meu modo de pensar esteja em grande parte sustentado nos trabalhos e nas ousadas ideias dele e daqueles que o ajudaram a iniciar a abordagem gestáltica em psicologia”, revela o autor. Fundamentado em algumas ideias de Perls, Ênio vem desenvolvendo um caminho próprio com o intuito de contribuir para o desenvolvimento da abordagem.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1412/Elementos+para+uma+compreens%C3%A3o+diagn%C3%B3stica+em+psicoterapia

Convite Elementos_para_uma_compreensão_e_Orientação_sexual

‘ENSINO A DISTÂNCIA SUPERA PRECONCEITO, MAS CURSOS AINDA PODEM MELHORAR’

A opção de estudar em casa ou em outro lugar qualquer, mas longe das tradicionais salas de aula tem atraído mais brasileiros jovens.

O avanço da educação a distância é documentado pelo Ministério da Educação: no dado mais atual, de 2013, o número de universitários em cursos virtuais subiu 16,2% em relação a 2011, com 1,1 milhão de matriculados, quase o dobro do crescimento registrado na graduação tradicional (8,4%) no período. A alta no número de inscritos em vestibulares nesses cursos foi ainda mais significativa: 80% em dois anos.

Luana Carvalho, 29, de São Paulo, é aluna de um dos 1.200 cursos a distância do país. Faz geografia pela Anhanguera via computador. Mas também segue todos os dias para o campus da UniÍtalo, onde estuda pedagogia. Ela explica a maior diferença entre os dois mundos.

“No curso a distância, você pode escolher quando quer ver a aula, e o quanto dela você quer ver, o que não acontece nos presenciais. Também precisa ser mais dedicado e seguir uma linha própria de estudo no primeiro caso”, diz.

Para o MEC, é o “amadurecimento da modalidade” que tem atraído mais adeptos. “O preconceito com esses cursos está sendo diluído em função da entrada das universidades públicas”, afirma Nara Maria Pimentel, diretora da Universidade de Brasília, que tem oito licenciaturas nesse formato.

No país, 97 instituições públicas oferecem graduação a distância. Mas as faculdades privadas detêm a maior parcela de cursos: 60%. Mesmo virtual, o curso exige do aluno ao menos um encontro presencial mensal no polo de ensino, para estreitar laços com professores. Há instituições com modelo híbrido, com matérias presenciais e a distância.

A PUC-RJ precisou fechar seu curso de história nesse modelo por “não dar conta de atender a todos os interessados”, segundo a coordenadora Gilda de Campos. Já o Mackenzie está indo na direção contrária. A universidade aguarda autorização para abrir ao menos três cursos virtuais de graduação ainda este ano, segundo adianta o reitor da faculdade, Benedito Aguiar Neto.

Para uma escola criar um curso a distância precisa ao mesmo tempo investir em infraestrutura tecnológica e na orientação de professores.

“É quase como pensar em uma nova universidade, focando em revisões curriculares a todo o tempo. É uma adaptação a um estudante que não é mais aquele do século 19 “, diz Pimentel.

Segundo especialistas ouvidos pela Folha, a modalidade a distância amplia o acesso ao ensino superior, mas a qualidade dos cursos ainda precisa melhorar. “As turmas são maiores que as presenciais, e o conteúdo é mais leve. Essa é uma postura perigosa porque compromete a formação dos alunos”, completa Pimentel.

Mas, para Luana, que além de duas faculdades se empenha na tarefa de mãe, o ensino a distância foi a saída. “Hoje, não tem como ficar sem estudar.”

Matéria de Camila de Lira, publicado originalmente na Folha de S.Paulo, em 18/05/2015. Para lê-la na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2015/05/1630244-ensino-a-distancia-supera-preconceito-mas-cursos-ainda-podem-melhorar.shtml

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Para saber mais sobre o assunto, conheça o livro:

10715EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: José Manuel Moran e José Armando Valente
SUMMUS EDITORIAL

Qual o papel das novas tecnologias de informação e comunicação no cotidiano das escolas e dos cursos de formação profissional? A educação a distância e as novas modalidades de ensino e aprendizagem ampliam o acesso à educação de qualidade ou prejudicam o processo educativo? O diálogo estabelecido entre os autores deste livro nos ajuda a compreender essas questões e as complexas relações entre tecnologia e educação neste início de século.