’8 MANEIRAS DE COMBATER A OBESIDADE INFANTIL EM FAMÍLIA’

Já são 41 milhões de crianças com sobrepeso no mundo, apontou recentemente um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS). E o número cresce exponencialmente, principalmente em países em desenvolvimento, como o Brasil. Entre as muitas causas estão o consumo exacerbado de alimentos processados e com alto teor de gorduras e açúcares (também por influência da falta de regulamentação governamental do marketing maciço que a indústria faz com foco nas crianças), além do aumento do sedentarismo nas cidades.

Os dados são assustadores e, sem exagerar, indicam uma epidemia. Segundo Artur Delgado, pediatra especialista em nutrição do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), de São Paulo, a projeção é de que o Brasil se torne um dos países com maior número de crianças obesas num futuro próximo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, e que a realidade é pior principalmente entre os 5 e 10 anos. “Isso já está acontecendo, mas muitas vezes as famílias não enxergam que seus filhos se incluem nessa estatística, ou mesmo a gravidade da situação”, explica o pediatra. O que significa que aquele excesso de dobrinhas do seu filho pode ser mais do que “fofura”, atenção! Segundo uma pesquisa da Universidade de Gothenburg, na Suécia, por exemplo, um em cada dois pais de crianças com sobrepeso acha que o mesmo está com o peso adequado. Para chegar a essa estatística, os cientistas analisaram 16 mil crianças europeias com idade entre 2 e 9 anos.

“Antigamente dizia-se para as mães não se preocuparem porque ‘com a idade ele emagrece’. Mas a realidade mudou e hoje não é bem assim. Crianças obesas provavelmente serão adultos obesos e enfrentarão problemas de saúde por conta disso”, afirma a psicóloga Camile Apolinário, uma das coordenadoras do Centro de Obesidade Infantil do Hospital Sabará (SP). Entre eles estão diabetes, colesterol alto e síndrome metabólica. Mas saiba que o combate e prevenção da obesidade infantil se dá, principalmente, dentro de casa. “Não vejo chances de real sucesso se não houver o envolvimento de todos os integrantes da família. Ela está no coração de toda e qualquer mudança de hábito, e é isso que precisa ser feito”, ressalta Camile. Veja aqui as importantes atitudes que toda família pode – e deve – ter para vencer essa luta desde agora.

1) Controlar o ganho de peso desde a gestação

Inúmeros estudos comprovam que o ganho de peso excessivo ou insuficiente da mãe durante a gestação afeta a programação metabólica do bebê, algo que ele carregará para a vida, explica o pediatra Delgado. Como uma pesquisa realizada com 42 mil mulheres e 91 mil crianças pelo Hospital da Criança de Boston (EUA), cujo resultado mostrou que para cada quilo ganho pela gestante na gravidez, o índice de massa corporal (IMC) da criança aos 12 anos cresce em 8%.

2) Amamentar

A amamentação exclusiva até os seis meses de idade está provada como uma arma no combate à obesidade das crianças. Se não for possível amamentar, busque fórmulas lácteas compatíveis com a idade e necessidades da criança, evitando alimentá-la com leite de vaca, por exemplo.

3) Visitar o pediatra regularmente

E escutar o profissional no que diz respeito ao peso e aos hábitos alimentares do seu filho. É ele quem vai alertar em caso de possível sobrepeso e fazer as orientações nutricionais adequadas para lidar com o problema precocemente.

4) Dar o exemplo

Seu filho comerá o que você come, ou o que permite que ele coma. Sendo assim, não dá para esperar que ele goste de legumes e verduras se os pais não comem. Que tal abraçar a oportunidade de mudar a própria alimentação e quem sabe descobrir que o saudável é também prazeroso?

5) Brincar ao ar livre

Uma das dificuldades de mudar os maus hábitos alimentares está na nossa cultura de atrelar a vida social e o lazer somente à mesa. Portanto, que tal mudar os programas do final de semana? Um passeio no parque pode ser mais divertido – e saudável – do que almoçar fora e/ou passear no shopping. Assim você combate o sedentarismo, outro ponto crucial quando o assunto é obesidade infantil.

6) Estabelecer uma rotina na hora de comer e dormir

Dormir e comer fora de hora ou a cada dia em um horário e local diferentes são tão prejudiciais quantos os itens citados acima. Estabeleçam uma rotina que inclua ir para a cama cedo, não beliscar entre as refeições e não comer em frente à televisão, e logo verão bons resultados.

7) Ser paciente

Hábitos são difíceis de ser mudados. As atitudes que levaram o seu filho a ganhar peso não sumirão como passe de mágica, portanto é preciso ter paciência. E também perseverança para dizer não e explicar o porquê – em uma linguagem acessível – todas as vezes que ele quiser voltar atrás nos hábitos pouco saudáveis.

8) E flexível!

Não dá para proibir 100% das besteiras que seu filho gosta de comer sem ser traumático. Tudo o que é proibido, afinal, chama a atenção. Tente mudar os hábitos aos poucos – e com bastante diálogo!

Texto de Isabel Malzoni, publicado originalmente no blog itmãe, em 17/02/2016. Para lê-lo na íntegra, acese: http://itmae.uol.com.br/baby-and-kids/8-maneiras-de-combater-a-obesidade-infantil-em-familia

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 Se você tem interesse pelo assunto, conheça o livro da MG Editores:

50079ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NA INFÂNCIA
Conceitos, dicas e truques fundamentais
Autora: Cláudia Lobo

Todo dia surgem informações de como oferecer uma alimentação saudável aos filhos. Produtos que parecem ricos em nutrientes fazem sucesso, mas logo suas desvantagens são desmascaradas. Pensando nisso, a nutricionista Cláudia Lobo criou um guia para ajudar os pais a oferecer uma alimentação saudável às crianças. Mudança de hábitos, organização e perseverança são alguns dos ingredientes apontados por ela. Imperdível. 

 

‘ESCOLA INOVADORA’ NÃO TEM PROVA OU CARTEIRA

Escolas sem prova, salas de aula sem carteira, turmas com alunos de idades diferentes e professores que, em vez de ensinar apenas os temas relacionados à sua disciplina, estimulam o debate e a curiosidade dos estudantes. Essas foram algumas das iniciativas adotadas nos últimos anos por escolas públicas e privadas de São Paulo, que foram reconhecidas como “inovadoras” pelo Ministério da Educação.

No fim de 2015, o MEC mapeou escolas com propostas pedagógicas e iniciativas que fogem do modelo convencional. Em todo o Brasil, foram identificadas 178 instituições com projetos considerados criativos e inovadores, sendo que mais de um quarto delas (48 unidades) estão no Estado de São Paulo.

O objetivo, segundo o ministério, é superar o isolamento dessas experiências, fomentar uma mudança de cultura em torno do modelo da escola e inspirar professores, pais e alunos para as novas iniciativas. Já que, apesar de inúmeros diagnósticos de que o modelo antigo (com aulas expositivas, alunos enfileirados e provas) não atende à demanda dos jovens, pouco se alterou nas escolas.

Uma das “escolas inovadoras” é o colégio municipal Guia Lopes, no Limão, na zona norte da capital, que atende 315 crianças de 4 e 5 anos. A escola tem a proposta de usar os diferentes espaços da unidade para estimular o aprendizado, focado em dois grandes projetos: contra o racismo e discriminação de gênero e sobre sustentabilidade e consumo.

“Na brinquedoteca temos bonecas negras e todos, meninos e meninas, brincam com elas. Na horta, montada pelos próprios alunos, fazemos a discussão sobre a diversidade biológica. Tínhamos muitos espaços ociosos na escola e decidimos usá-los porque cada ambiente propicia um aprendizado diferente”, disse a diretora Cibele Racy. Ela conta que um dos futuros objetivos é montar turmas com alunos de diferente idades, em vez de separá-los por série.

Gestão democrática

Na Escola Politeia, na Água Branca, zona oeste de São Paulo, o nome que remete às cidades-Estado da Grécia Antiga faz todo o sentido com o projeto pedagógico proposto. A metodologia do colégio prevê que assuntos que competem ao cotidiano dos alunos sejam submetidos a assembleias, assim como na “polis” grega. Professores, funcionários e alunos discutem, entre outras questões, que passeio querem fazer ao longo do ano.

“Trabalhamos pela formação de estudantes com autonomia”, resume a educadora Carol Sumiê. No primeiro encontro deste ano, por exemplo, um estudante sugeriu uma visita ao Planetário do Ibirapuera, na zona sul. Em outra, discutiu-se a prioridade de uso dos computadores da sala de informática.

Há ainda comissões sobre diversos temas, como a de manutenção. “Queremos a formação de um sujeito político e atuante na comunidade em que vive”, diz a educadora.

As turmas são divididas por ciclos e não por séries. Assim, em vez de salas do 1º ao 9º ano, há mistura de alunos de faixas etárias próximas. Não há provas: a preferência é por uma avaliação contínua, feita por trabalhos e pesquisas semestrais.

Nem as disciplinas tradicionais escapam. Para que os alunos aprendam Português e Redação, por exemplo, os temas são inseridos em um contexto de um trabalho temático. A estudante Luísa Carneiro, de 11 anos, decidiu aprender mais sobre a polícia. “Quero entender como eles trabalham.” A aluna diz que o formato ajuda a se desenvolver melhor.

No colégio Wish, no Jardim Anália Franco, na zona leste, os alunos também não são separados em séries, mas em turmas multietárias. Os da educação infantil têm turmas mistas. Apenas o 1.º ano do ensino fundamental é separado. Os alunos de 2º e 3º e os de 4º e 5º ano ficam em turmas mistas. “Começamos a misturar as faixas etárias em projetos pontuais. Neste ano fizemos turmas multietárias por causa da interação entre os alunos e a ideia de que os saberes não são lineares”, diz Andressa Lutiano, diretora do Wish.

As turmas têm no máximo 26 alunos e dois professores em sala. Os alunos são estimulados a pesquisar sobre assuntos que os interesse e, assim, se aprofundar nas disciplinas. “Tivemos aluno do 3º ano que quis pesquisar sobre a 2ª Guerra Mundial”, diz.

Os casos de bullying diminuíram com a nova organização da escola, segundo Andressa. “Quanto mais diversificada a turma, menor é a incidência de provocações e preconceitos.” Andressa admite que as mudanças assustaram alguns pais no início, mas que a escola sempre adotou transparência e a participação dos responsáveis para as novas propostas.

Informações do jornal O Estado de S. Paulo, reproduzidas pelo UOL Educação em 22/02/2016. Acesse a matéria em http://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2016/02/22/escola-inovadora-nao-tem-prova-ou-carteira.htm

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Para aprofundar-se nos temas, conheça os livros da coleção Novas Arquiteturas Pedagógicas:
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11006AUTOGESTÃO NA SALA DE AULA
As assembleias escolares
Autor: Ulisses F. Araújo
SUMMUS EDITORIAL

Depois de conceituar a educação baseada na resolução de conflitos, esta obra oferece um guia prático para implantar as assembleias escolares, incluindo os passos a serem seguidos na promoção das assembleias de classe, de escola, de docentes e dos fóruns escolares. Por fim, dá voz aos sujeitos que já vivenciaram as assembleias, mostrando as mudanças vividas nas relações escolares e sua contribuição para a ética e a cidadania.

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10958TEMAS TRANSVERSAIS, PEDAGOGIA DE PROJETOS E MUDANÇAS NA EDUCAÇÃO
Autor: Ulisses F. Araújo
SUMMUS EDITORIAL

Nas décadas recentes a sociedade vem passando por mudanças que impactam a sala de aula, o currículo das escolas e os próprios objetivos da educação. Este livro discute como os chamados temas transversais, articulados com a pedagogia de projetos e com os princípios de interdisciplinaridade, podem apontar caminhos inovadores para a educação formal e para uma ressignificação da prática docente.

 

“CRIANÇA NEGRA SOFRE RACISMO TODO DIA NA ESCOLA”, DIZ MC SOFFIA, 11

Desde pequena, a menina de nome extenso e pernas compridas vai a passeatas, palestras e eventos contra o racismo. Criada em uma família formada por mulheres negras e militantes, ela aprendeu a ter orgulho da cabeleira “que não é dura, é crespa”. Prestes a completar 12 anos, Soffia Gomes da Rocha Gregório Corrêa, a MC Soffia, declama sobre a beleza da negritude, as brincadeiras da infância, e, sobretudo, se aceitar do jeito que se é.

Ao UOL, na casa da avó materna no centro de São Paulo, no começo de fevereiro, a revelação do hip hop paulistano afirma que sofre e fica indignada quando lê sobre casos de pessoas famosas agredidas por comentários racistas na internet, a exemplo da jornalista Maria Júlia Coutinho e da atriz Taís Araújo. Porém ela lembra que o racismo é uma presença persistente no cotidiano das pessoas comuns:

“Tem criança negra que sofre racismo todo dia na escola, e isso a televisão não mostra. Tem criança que fica com trauma, trancada em casa, não quer sair na rua”, afirma.

As situações vividas por ela mesma é um norte para MC Soffia, ao escrever as letras de suas músicas, em parceria com a mãe, a produtora de eventos Kamilah Pimentel, 29, e a avó, a pedagoga e bonequeira, Lúcia da Rocha, 54. A consciência racial da garota é resultado da educação proporcionada pelas duas mulheres.

Quando eu era menor já falaram do meu cabelo, já falaram da minha cor. Eu não gosto de ficar lembrando. Eu sempre digo que meu cabelo não é duro, e sim o preconceito das pessoas.”

MC Soffia diz cantar para que as crianças negras não se tranquem mais em casa. E conta a história de uma nova amiga, que conheceu após uma de suas apresentações. A menina foi alvo de brincadeiras racistas dos colegas e depois obrigada pela professora a pedir desculpas aos agressores porque quis denunciá-los. “A gente nem sabia o que conversar, mas ela ficou muito feliz quando ouviu minhas músicas”.

“A primeira coisa que falam para uma criança negra é sobre o cabelo dela. Existe uma pressão muito grande na sociedade que valoriza apenas uma estética, a do cabelo liso, e isso se mexe muito com psicológico das crianças e, principalmente, das mulheres”, afirma Kamilah, que foi mãe aos 18. Dois anos depois, ela mesma deixou de alisar o cabelo para servir de referência à filha. “Os pais precisam criar filhos fortes para que saibam enfrentar o preconceito. Não adianta esconder a realidade”.

Pedagoga aposentada, a avó materna Lúcia da Rocha diz que a família “sempre teve consciência racial”, mas ela própria só passou a exercer a militância, nos últimos 15 anos. “O racismo está impregnado na sociedade e algumas atitudes são naturalizadas, por isso muita gente acha normal esta ‘obrigação’ de se alisar o cabelo crespo, por exemplo”.

Bonecas Negras

Além do laço no cabelo black power, outra marca registrada de MC Soffia em seus shows é a presença das bonecas Makena, uma criação de sua avó. Um dia, Lúcia tomou um “choque” ao ver a capa de uma revista que ensinava a fazer bonecas. A que ilustrava a capa era negra. “Eu só tive bonecas brancas na minha infância”, diz. Comprou a revista e resolveu confeccionar a Makena, que significa “A Feliz”, na língua kikuyu, falada pelo maior grupo étnico do Quênia.

MC Soffia estuda no Projeto Âncora, uma ONG que se transformou em escola na cidade de Cotia. O local fica a dois quilômetros da casa da mãe, na Cohab Raposo Tavares, zona oeste de São Paulo. “Lá a gente discute racismo, tem aula de música, pintura, horta. Eu passo o dia todo lá”, explica MC Soffia.

Em seus dois quartos, um na casa do pai e outro na da mãe, MC Soffia coleciona mais de 100 bonecas, quase todas negras. É capaz de citar numa mesma frase, em andamento acelerado ídolos como a figura histórica Dandara dos Palmares, o militante Malcom X, a cantora Beyoncé e criticar o personagem “bobo” Cirilo, da novela Carrossel.

MC Soffia é considerada uma revelação no cenário musical paulistano, desde sua primeira apresentação solo, na Viradinha Cultural em 2015, e já ganhou elogios de músicos como Criolo e Karol Conka. Ela começou a cantar quando participou do coletivo Hip Hop do Futuro. Suas letras mostram um trabalho consciente, de estilo simples e tom positivo. A exemplos dos versos de “Flortaleza”: Somos mulheres, sim/Com certeza/Somos lindas e fortes/Flortaleza.

“A gente sempre mantém um controle. Chegam muitos convites, mas ela só se apresenta nos finais de semana, em eventos culturais. As prioridades dela são os estudos e viver a infância como uma criança normal”, diz a mãe Kamilah.

MC Soffia começou a gravar o primeiro disco, mas também tem outros planos para o futuro. “Eu quero ser médica cardiologista, e eu também vou ser jogadora de futebol, jogadora de basquete, jogadora de vôlei, atriz, modelo, cineasta…” E a lista não para.

Reportagem de Flávio Costa, publicada originalmente no UOL, em 12/02/2016. Acesse a matéria na íntegra e assista aos vídeos em http://bit.ly/20szM5B

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Se você tem interesse pelo assunto, conheça algumas obras da Selo Negro Edições que abordam o tema:

 

40014RACISMO E ANTI-RACISMO NA EDUCAÇÃO
Repensando nossa escola
Autora: Eliane Cavalleiro

Diversos olhares sobre o ambiente da sala de aula procuram captar os racismos presentes nesse cotidiano. Alguns dos assuntos que nos alertam para uma educação anti-racista são a revista especializada em educação, o livro infantil, o tratamento dado à África e outros.

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40027TRAMAS DA COR
Enfrentando o preconceito no dia-a-dia escolar
Autora: Rachel de Oliveira

Com sensibilidade e singeleza, a autora utiliza um relato ficcional dos problemas enfrentados por uma menina negra em sua escola para abordar as questões básicas do racismo por parte de crianças e adultos em nossos estabelecimentos de ensino. Sugere posturas saudáveis para enfrentar os problemas mediante o incremento da auto-estima e o conhecimento de figuras ilustres da história negra.

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40023O SORTILÉGIO DA COR
Identidade, raça e gênero no Brasil
Autora: Elisa Larkin Nascimento

Livro que se insere na nova corrente de reflexões sobre o negro brasileiro. Colocando o problema da identidade no centro de sua análise, a autora mostra que a identidade não é apenas um conceito teórico, mas se manifesta concretamente na realidade social. O livro descreve a recusa dos afrodescendentes em ver sua identidade diluída em uma homogeneidade cultural ditada pela branquitude e pelo universalismo europeu.

 

‘O TRANSTORNO BIPOLAR E O DILEMA DOS DIAGNÓSTICOS INCORRETOS: UM ESTUDO’

O Transtorno bipolar do humor é uma doença mental caracterizada pela alternância de humor.

Desta maneira, as pessoas acometidas por esse problema experimentam episódios de euforia (ou também chamado de “mania”) enquanto, em outros momentos, intercalam períodos de depressão, seguidos por episódios de normalidade.

Com o passar dos anos, entretanto, essa alternância repete-se com intervalos cada vez menores, apresentando algumas variações.

Muitas vezes, nem mesmo o paciente ou profissionais de saúde percebem a doença, o que retarda o adequado tratamento.

Montanha russa emocional

Euforia (ou mania) é um estado onde a pessoa experimenta significativa exaltação do humor, ao sentir um importante aumento de vitalidade – sem qualquer relação com algo específico -, o que confere grande vigor emocional ao indivíduo. Em geral, essa mudança de comportamento é repentina, entretanto, a pessoa tem dificuldade de perceber sua alteração pessoal, pois seu senso crítico acaba afetado, comprometendo assim sua capacidade de avaliar objetivamente as situações.

Durante um episódio de mania, por exemplo, uma pessoa impulsivamente pode sair de um emprego, gastar enormes quantias em seu cartão de crédito, pois se sente inabalável, ao experimentar sentimentos de grandeza, poder e fácil irritabilidade. (2)

Já durante um episódio depressivo, a mesma pessoa pode vir a se sentir muito exaurida, desanimada, inclusive, sem forças para sair da cama, por exemplo, e agora desenvolvendo mais consciência das situações criadas pelos momentos de euforia, o que reforça seu estado depressivo e suas ideações suicidas.

Assim, euforia e depressão intercalam-se.

Como a condição parcial de humor elevado não é totalmente compreendida pelo indivíduo como sintoma de uma doença, muitas vezes as pessoas apenas buscam ajuda nos momentos mais agudos de desânimo e de depressão.

Essa falta de informação é tão impactante que afeta o tratamento do transtorno.

Veja só: uma pesquisa recente apontou que 10% dos pacientes que buscam os cuidados básicos, no Reino Unido, recebem um diagnóstico incorreto, pois, ao relatarem os sintomas de maneira parcial (leia-se: não descrevendo sua alternância de humor), recebem apenas a indicação de antidepressivos para tratamento da depressão. (3)

Como resultado, recebem um tratamento inadequado, pois apenas medicamentos antidepressivos sem a associação com estabilizadores de humor – indicados para o tratamento do transtorno bipolar – aumentam o risco de mais instabilidade no humor, causando grande sofrimento ao indivíduo.

O estudo constatou que entre as pessoas com idade entre 16-40 anos, que haviam tomado antidepressivos, 10% delas tinham, na verdade, transtorno bipolar não diagnosticado.

O estudo recomenda que os profissionais de saúde devem rever as histórias de vida de pacientes com ansiedade ou depressão, pacientes particularmente mais jovens e aqueles que não estão indo bem, deveriam ficar mais atentos para as possíveis evidências de transtorno bipolar do humor.

Conclusão

A saúde mental, diferentemente da saúde física, ainda é um grande desafio a ser superado.

Diferentemente dos quadros onde a doença é “visível”, na saúde mental muitas vezes os sintomas, quando percebidos, são apontados de maneira simplista, como resultante de uma personalidade mais complicada ou excêntrica o que, na verdade, justificam os problemas.

Conforme descrito certa vez no prefácio do livro “Síndromes Psiquiátricas” (pág. 11):

“A boa notícia é que a maioria dos transtornos mentais tem tratamento. A má notícia é que são muito frequentes e que acometerão uma em cada quatro pessoas, produzindo sofrimento incomensurável.

A boa notícia é que há tratamentos farmacológicos que ajudam essas pessoas a se recuperar e aliviam muito esse sofrimento. A má notícia é que as pessoas com transtorno mental comumente não sabem que ele é a causa do sofrimento, e por isso não procuram ajuda.

A boa notícia é que há cada vez mais remédios com menos efeitos colaterais. A má notícia é que as pessoas que procuram ajuda, seu mal não é corretamente identificado, e elas não recebem tratamento adequado”. (2)

Portanto, fiquemos atentos e menos receosos na busca de profissionais de saúde mental.

Artigo publicado originalmente no Blog do Dr. Cristiano Nabuco. Para lê-lo na íntegra, acesse:
http://cristianonabuco.blogosfera.uol.com.br/2016/02/03/o-transtorno-bipolar-e-o-dilema-dos-diagnosticos-incorretos-um-estudo/

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Para saber mais sobre o assunto, conheça o livro do psiquiatra Teng Chei Tung, publicado pela MG Editores:

50051ENIGMA BIPOLAR
Conseqüências, diagnóstico e tratamento do transtorno bipolar
Autor: Teng Chei Tung
MG EDITORES

O transtorno bipolar é uma patologia cada vez mais comum – e, infelizmente, ainda mal compreendida. Este livro, escrito por um psiquiatra, esclarece e desmistifica os sintomas da doença, suas fases, os sintomas, as estratégias de tratamento mais modernas e os tipos de medicamento disponíveis. Fala, ainda, da importância do apoio do médico e da família no bem-estar do paciente.

 

‘A HORA DA IDEIA’

“…., ao contrário de uma crença bastante difundida, a capacidade de inovar vai além de algumas poucas mentes iluminadas. Nem está limitada a grandes ideias que mudarão os rumos da história. Ela fica logo ali, acessível para quem estiver disposto a sair do trilho, a colocar uma nova moldura na realidade, a fazer diferentes combinações, a experimentar.”

A Hora da Ideia
Entrevistas, vídeos e exercícios fazem parte da reportagem feita por Juliana Carpanez para o TAB UOL desta semana, sobre criatividade. Acesse o conteúdo pelo link: http://tab.uol.com.br/criatividade/


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Conheça algumas obras da Summus para se aprofundar no assunto:

10701IDEIAS
100 técnicas de criatividade
Autor: Guy Aznar
Esta obra é uma preciosa ferramenta para transformar as limitações, os medos e as incertezas em propostas positivas, isto é, em ideias. Por meio de conselhos que estimulam a criatividade, métodos para aproveitar as técnicas existentes e exemplos concretos, Guy Aznar mostra que a criatividade aplicada à produção de ideias é um processo que pode ser desenvolvido, ensinado e organizado.

10536CRIATIVIDADE NO TRABALHO E NA VIDA
Autor:
 Roberto Menna Barreto
Autor do mais bem-sucedido livro sobre criatividade publicado no Brasil, Roberto Menna Barreto, nesta sua nova obra, expande seus conceitos de forma a abarcar todas as possíveis aplicações da criatividade na vida pessoal e profissional. Calcado em sua experiência em mais de quinhentos seminários para grandes empresas e público em geral, apresenta-nos um livro de grande fôlego, ambicioso, inspirador, irresistível.

10526ESCRITA CRIATIVA
O prazer da linguagem
Autora: Renata Di Nizo
Sim, todos podem escrever bem – e, principalmente, gostar de escrever. Neste livro, Renata Di Nizo oferece numerosas técnicas de criatividade que possibilitam a descoberta do potencial criativo – muitas vezes oculto por uma rotina cansativa e a falta de estímulos adequados. Indicado para todas as pessoas que desejam se comunicar melhor por escrito, especialmente profissionais, acadêmicos e estudantes.

10435SER CRIATIVO
Autor: Stephen Nachmanovitch
Uma abordagem profunda do processo criativo, permitindo ao leitor entrar em contato com suas próprias possibilidades e oportunidades. Uma celebração da singularidade humana: ao fazê-lo, o autor nos ajuda a utilizar melhor nossos recursos de engenhosidade e criatividade lúdica, fornecendo-nos um guia capaz de desenvolver nosso potencial na vida cotidiana e nas atividades artísticas.

Para ver todas os livros sobre criatividade publicados pelo Grupo Summus, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/categoria/Criatividade