‘VOCÊ CUIDA DO CORPO? CONFIRA SEIS DICAS PARA MELHORAR O SEU SONO’

Barulho, vida noturna, TV e celular. São diversos fatores que atrapalham uma boa noite de sono. E muitas vezes o problema é de difícil solução.

“Acredita-se que em 1900 as pessoas dormiam em torno de 9 horas por noite. Hoje em São Paulo dorme-se 6 horas”, diz Geraldo Lorenzi Filho, diretor do Laboratório do Sono do Incor (Instituto do Coração). “O grande vilão é a luz elétrica”, afirma.

Para os especialistas, o problema aumentou com os celulares. De acordo com Lorenzi, “é necessário fazer uma higiene do sono”. Assim como nos preocupamos com nossa alimentação, nosso condicionamento físico e nosso corpo, é preciso verificar se as noites estão sendo bem dormidas e eliminar o que está atrapalhando. Confira abaixo algumas formas de deixar o sono mais limpinho e inteiro.

Apague a luz, desligue a TV, deixe o celular na cômoda

O que nos faz adormecer é a melatonina, um hormônio que é secretado à noite e no escuro. Assim, para cair no sono, é fundamental evitar à exposição à luz. A higiene do sono pode começar aí. Procure deixar o ambiente escuro e desligue a TV. Caso a luminosidade da rua insista em entrar, uma dica é dormir com uma máscara nos olhos. Procure não levar o celular para a cama. Caso isso seja inevitável, uma dica é reduzir a intensidade de luz do dispositivo.

Você pode até estar acostumado, mas barulho atrapalha o sono

“Se você está num ambiente ruidoso e o barulho parar, você vai adormecer”, diz Moreno. Contudo, ruídos menores, com os quais você pensa estar acostumado, podem estar prejudicando seu sono. “A pessoa tem a sensação de que está dormindo, mas desperta em intervalos curtos, que ela não percebe. E o cérebro fica estimulado”, diz o neurologista Luciano Ribeiro. Eliminar o barulho ajuda na faxina do sono. Quando não dá para pedir para o mundo fazer mais silêncio, você pode tentar usar um protetor auricular.

Suas preocupações não devem ir para cama junto com você

Se você for se deitar com todas as suas preocupações, o debate com elas vai continuar noite adentro. Uma dica é “fazer um diário de preocupações antes de ir para cama, para não ficar remoendo elas”, diz Lorenzi. É importante adotar rituais antes de dormir que sinalizem à mente que o momento do sono chegou. A regularidade desses hábitos garantem um sono mais tranquilo, livre dos problemas a serem resolvidos durante o dia.

Bebida alcoólica e esporte não dão sono tranquilo

Você pode até dormir rapidamente depois de tomar um drinque, mas não será um sono tranquiloo. “O álcool é um depressor do sistema nervoso, gera sonolência, mas é agente perturbador do sono”, explica Moreno. Tente tomar bebidas alcoólicas, ao menos, três horas antes de dormir. O esporte, associado por muitos à indução do sono, também pode atrapalhar. “Libera adrenalina. Não é adequado [praticar esportes] se logo depois você precisar dormir”, diz Ribeiro. Mas caso você não tenha dificuldades em cair no sono depois da atividade esportiva noturna, não precisa tirá-la da agenda.

Cuidado com o uso de remédios

Medicamentos como ansiolíticos e antidepressivos atrapalham e modificam nosso sono. “O uso desses remédios tem de ser criterioso e com orientação médica para que não seja mais um fator interferindo na qualidade do sono”, diz Ribeiro. Segundo ele, é importante atentar para os problemas respiratórios, como ronco e apneia, que interferem na qualidade do seu sono e podem atrapalhar também quem dorme com você.

Cuide da temperatura do ambiente, do travesseiro e do colchão

Há detalhes que atrapalham o sono que são bem fáceis de perceber. Basta pensar naquele travesseiro grande demais, no colchão duro que você alguma vez teve que enfrentar, no quarto quente ou que não tinha cobertor. Imprevistos assim podem acontecer eventualmente, mas cuide para que esses elementos não estejam presentes no seu quarto. “O ideal é tornar ambiente adequado em todos aspectos”, diz Ribeiro.

Matéria de Fernando Cymbaluk, publicada originalmente no UOL Ciência e saúde, em 27/01/2017. Para acessá-la: https://noticias.uol.com.br/saude/listas/voce-cuida-do-corpo-da-alimentacao-que-tal-cuidar-tambem-do-sono.htm

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Tem interesse pelo assunto? Conheça o livro:

50047DURMA BEM, VIVA MELHOR
Autores: Stella TavaresPedro Paulo Porto JuniorPedro Luiz Mangabeira AlbernazMárcia CarmignaniAndrea Pen Mangabeira Albernaz
MG EDITORES

Quando os problemas de sono de repetem com freqüência, é preciso admitir que se está diante de um caso de doença do sono e que é necessário tratá-la. Este livro, escrito por uma equipe multidisciplinar do Hospital Albert Einstein, mostra os procedimentos corretos em termos de exames de diagnóstico, os diferentes tratamentos e seus efeitos. Obra útil para um grande número de pessoas que dorme mal mas desconhece as causas do problema.

‘LILY COLLINS REVELA TER SE SALVADO DA ANOREXIA; COMO IDENTIFICAR A DOENÇA?’

Quem melhor que uma pessoa que já passou por um quadro de anorexia para viver um personagem com esse problema? No lançamento do filme “To The Bone”, no Festival Sundance de Cinema, a atriz Lily Collins, de 27 anos, revelou que sofreu com o transtorno na adolescência.

A ideia da atriz era revelar a questão em um livro de memórias, mas a experiência catártica de interpretar a personagem Ellen trouxe a reflexão a público. Segundo a estrela, era a oportunidade de exorcizar o passado e alertar os jovens sobre transtornos alimentares.

“Eu escrevi um capítulo cerca de uma semana antes de chegar o script. Era o universo falando que existia um motivo para eu estar falando disso agora”, contou em entrevista ao site InStyle.

Mais celebridades revelaram o problema

Entre as famosas que já revelaram ter sido vítimas de anorexia estão modelos como Isabella Fiorentino, as atrizes Deborah Evelyn  e Raquel Fabbri, além das cantoras Lady Gaga e Demi Lovato.

Para Valéria Lemos Palazzo, membro da Academy for Eating Disorders e fundadora do Grupo de Apoio dos Distúrbios Alimentares, a revelação do quadro de anorexia por famosas nem sempre ajuda.

“É positivo quando a pessoa já superou o problema. Porém, quando a pessoa menciona que ainda sofre, só faz parecer que é possível viver e ser bem-sucedido mesmo com anorexia”, diz. Por isso, o padrão magérrimo exaltado nas passarelas e campanhas da moda é considerado um incentivo para quem não contornou o problema.

Problema real

A anorexia é um problema que atinge de 0,5% a 1% das adolescentes e mulheres adultas no mundo, segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde). Homens são minoria, mas casos entre eles têm chamado a atenção nos últimos anos.

Há uma predisposição genética para o transtorno, mas, geralmente, é desencadeado por pressões sociais e culturais. A anorexia se caracteriza por uma preocupação excessiva com alimentação, perda drástica de peso e distorção da imagem corporal.

Segundo Valéria, os primeiros sinais de um quadro de anorexia aparecem no comportamento da pessoa, como começar a restringir a alimentação, esconder o corpo com roupas largas, se pesar constantemente, agressividade e isolamento social.

Além disso, há os critérios diagnósticos, como o Índice de Massa Corpórea (IMC) abaixo de 20.

Como ajudar?

A especialista afirma que abordar uma pessoa anoréxica exige paciência. “O ideal não é apontar o fato de a pessoa estar muito magra, mas perguntar o objetivo da perda de peso pela qual ela está passando. Se a pessoa procura emagrecer com saúde, estabelece uma meta, por exemplo. Se alcançou o peso desejado, se só mantém. A vítima de anorexia mencionará uma meta irreal e sem limite”, diz Valéria.

Uma vez detectado o problema, a profissional indica que o caso seja relatado para um clínico geral ou pediatra que já acompanhe o jovem. Acompanhamento psicológico é essencial.

Matéria de Juliana Simon, publicada originalmente no UOL, em 24/01/2017. Para lê-la na íntegra, acesse: https://estilo.uol.com.br/vida-saudavel/noticias/redacao/2017/01/24/lily-collins-revela-ter-se-salvado-da-anorexia-como-identificar-a-doenca.htm

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Para saber mais sobre anorexia e distúrbios alimentares conheça os livros do Grupo Summus sobre o assunto:

 

20710ANOREXIA E BULIMIA
Guias Ágora – Esclarecendo suas dúvidas
Autora:
Julia Buckroyd
EDITORA ÁGORA

Nos últimos 25 anos, a anorexia e a bulimia transformaram-se em endemias entre os jovens do mundo ocidental. O livro traz informações atualizadas sobre o assunto, que ainda é pouco conhecido e que atinge uma enorme camada de jovens entre 15 e 25 anos de idade. A autora esclarece como a sociedade e a cultura colaboram com a criação dessas doenças, descreve os sintomas, as conseqüências e também como ajudar no âmbito familiar e profissional.

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10241A EXPERIÊNCIA ANORÉXICA
Autora: Marilyn Lawrence
SUMMUS EDITORIAL 

De forma simples e direta, a autora trata o complexo tema de anorexia que, nos tempos atuais, tem afligido um grande número de mulheres e jovens. O estudo busca entender por que a doença aflige basicamente o sexo feminino, e também analisa por que alguns tipos de tratamentos hospitalares são tão desastrosos. A autora oferece explicações e, principalmente, novas perspectivas. A quase inexistente bibliografia sobre a questão em nosso país torna esta obra consulta obrigatória.
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10124MULHERES FAMINTAS
Uma psicologia da anorexia nervosa
Autora: Angelyn Spignesi
SUMMUS EDITORIAL

Uma obra essencial que explora a anorexia através do imaginário, linguagem e metáforas espontaneamente produzidas pelos que sofrem deste mal. A autora conduz à dimensão simbólica da anorexia e à compreensão dos seus significados e conceitos mais profundos. O respeito da autora pela natureza da psique feminina fica evidente em cada página. Um convite para que as mulheres comecem a escrever sobre si mesmas, a partir de sua psique. Uma grande contribuição para o conhecimento do que é ser mulher.

10693O VÍCIO DA PERFEIÇÃO
Compreendendo a relação entre distúrbios alimentares e desenvolvimento psiquíco
Autora: Marion Woodman
SUMMUS EDITORIAL 

Este livro explora os temas Anorexia Nervosa, Bulimia e Obesidade. Com a apresentação de vários casos clínicos, a conceituada autora verifica a relação dessas síndromes com o momento sociocultural, a mitologia, a literatura e principalmente a psicologia profunda de C. G. Jung.

“TIREI MEUS FILHOS DA ESCOLA PARA EDUCÁ-LOS EM CASA E NÃO ME ARREPENDO”

Por questionar se a metodologia de ensino utilizada no Brasil é capaz de preparar as crianças para a vida, a fisioterapeuta e professora universitária Renata Costa de Miranda Santos, 39, de Belo Horizonte (MG), decidiu, em conjunto com seu marido, Cesar dos Santos, retirar seus três filhos da escola e educá-los em casa. Hoje, ela é membro da Associação Educar (Educação Domiciliar Reformada), que tem como objetivo divulgar o método e esclarecer dúvidas de outros pais que queiram segui-lo.

Segundo levantamento da Aned (Associação Nacional de Educação Domiciliar), seis mil crianças fazem “homeschooling (estudo em casa, em inglês)” no país. O método não é oficial, uma vez que a Constituição Federal e o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) afirmam ser obrigatória a matrícula de crianças em idade escolar na rede regular de ensino. No entanto, por conta de um recurso em julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Luís Roberto Barroso determinou a suspensão nacional de todos os processos que tratam dessa questão.

Leia, a seguir, o depoimento que Renata deu ao UOL.

Decisão em conjunto

Nós temos três filhos, os gêmeos Davi e Gabriel, 13 anos, e Raquel, 11 anos. Eu e meu marido, César, já tínhamos ouvido falar do “homeschooling” — ou educação domiciliar– porque alguns amigos estrangeiros que moram no Brasil eram adeptos dessa modalidade de ensino. Mas levou muitos anos para adotarmos a prática. Nesse período, lemos muito e estudamos bastante o assunto, incluindo diversas pesquisas científicas mundo afora. Só então, quando eles estavam no início do ensino fundamental II, optamos por retirá-los da escola e ensiná-los em casa. Isso faz dois anos.

O que mais nos motivou foi observar que havia excesso de conteúdos desnecessários, avaliações desconexas com a realidade, falta de vocação de alguns professores, muitas tarefas para casa e uma filosofia educacional comprovadamente ineficaz. Isso sem contar a carga horária pesada, que acaba por levar à perda da infância.

Para nós, o “homeschooling” é um estilo de vida. Não é trazer a escola para dentro de casa. É aproveitar toda e qualquer situação para o aprendizado. É andar com um caderninho para anotar todas as perguntas que são feitas no carro, para depois pesquisarmos. É ensinar qual é o compositor clássico que está tocando naquele momento no rádio. É olhar para o céu estrelado e mostrar e nomear as constelações, falar sobre as estações do ano, sobre o eixo de rotação e a inclinação da Terra.

Fomos os pioneiros a adotar esse sistema em nossa família e é um privilégio contar com o apoio de todos. Aqueles que têm uma formação específica nos auxiliam com o conhecimento de sua própria área e aqueles que não têm formação ajudam com sua experiência de vida, o que devo dizer que vale tanto ou mais.

A beleza do ensino domiciliar é que você opta pelo que compreende ser mais importante para a formação de seus filhos. É lógico que estamos atentos às diretrizes do MEC para cada idade ou ciclo, mas compreendemos que muitas coisas que o Estado considera importantes na formação da criança e do adolescente, na verdade não são. No início do semestre eu preparo um plano de ensino para cada disciplina.

De contos de fadas a Homero

Aqui em casa adotamos a educação clássica. Além de todas as disciplinas comuns do currículo, estudamos a lógica formal, línguas antigas, como o latim e o grego (em um curso online em que pagamos uma única matrícula), filosofia, teologia, entre outros assuntos. As crianças são livres para se aprofundar em uma área do conhecimento de que gostam, como astronomia, física, culinária ou instrumentos. Elas têm energia e tempo para desenvolverem projetos como uma mão robótica feita de papelão, abrir eletrodomésticos estragados que acham na rua e que trazem para casa, construir móveis em miniatura, pintar, esculpir. Tudo contribui para o desenvolvimento de habilidades essenciais para a vida. Enquanto na escola aprendem nos livros, em casa experimentam a realidade.

Temos poucos livros didáticos, mas muitas enciclopédias, coleções, livros de apreciação de arte e de música, além de obras específicas sobre o corpo humano, astronomia, recordes, curiosidades. Lemos muitos livros clássicos, desde contos de fadas originais até Homero. É uma formação que não subestima a capacidade da criança, mas proporciona o ambiente para que ela possa aprender. Lembrando que não há necessidade de adquirir todos os exemplares, basta uma boa biblioteca pública ou um conhecido generoso que empreste.

Dá para avaliar em tempo real se seu filho está ou não aprendendo. De vez em quando, imprimo uma ou outra avaliação para dar uma olhadinha em como eles operacionalizam e transferem o conhecimento para questões mais estruturadas. Também tenho auxílio de pessoas que doam aulas de assuntos específicos, como botânica, música ou realizam acompanhamento bimestral das crianças em matemática.

Avaliação em tempo real

Para ensiná-los, eu tirei uma licença na universidade onde leciono fisioterapia aplicada à neurologia, o Centro Universitário UNA, em Bom Despacho, cidade do interior mineiro. Dedicamos de três a quatro horas das nossas manhãs ao estudo mais formal, com livros e cadernos. Porém, fazemos grande parte das outras atividades juntos, experimentos científicos, leituras e pesquisas. Eles me auxiliam em todas as tarefas domésticas. À tarde, deixamos para atividades mais leves, como os projetos, leitura individual e aulas especializadas, como inglês e esportes. Os meninos fazem taekwondo com o pai em uma academia e eu e Raquel faremos natação este ano. Essas são algumas das poucas aulas que pagamos. Temos muitos passeios ao ar livre, visitas a museus e participamos da vida em sociedade, auxiliando pessoas que necessitam de ajuda, como uma mulher que acabou de ter bebê, um idoso que necessita ou um enfermo. Sempre que recebemos hóspedes, a regra é: quem vem tem que doar um pouco do seu conhecimento.

 

Texto parcial de reportagem de Melissa Diniz, publicada no UOL em 23/01/2017. Para ler a matéria completa, acesse: https://estilo.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2017/01/23/tirei-meus-filhos-da-escola-para-educa-los-em-casa-e-nao-me-arrependo.htm

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o livro:

10501EDUCAÇÃO FORMAL E NÃO-FORMAL: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Jaume Trilla, Elie Ghanem
SUMMUS EDITORIAL

Neste livro, os autores discorrem sobre os diferentes aspectos que contemplam essas duas perspectivas das práticas educativas, analisando seu aspecto histórico, social e político. Os pontos e contrapontos tecidos no diálogo estabelecido por Ghanem e Trilla sinalizam a importância da cooperação e da complementariedade entre a educação formal e a não formal, na busca de uma educação mais justa e mais democrática.

 

 

‘SÓ 7,3% DOS ALUNOS ATINGEM APRENDIZADO ADEQUADO EM MATEMÁTICA’

O percentual de estudantes com aprendizado adequado no Brasil aumentou do ensino fundamental ao ensino médio, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (18) pelo movimento Todos pela Educação. Persiste, no entanto, um gargalo em matemática, no terceiro ano do ensino médio. Ao deixar a escola, apenas 7,3% dos estudantes atingem níveis satisfatórios de aprendizado. O índice é menor que o da última divulgação, em 2013, quando essa parcela era 9,3%.

O índice é ainda menor quando consideradas apenas as escolas públicas. Apenas 3,6% têm aprendizado adequado, o que significa que 96,4% não aprendem o esperado na escola.

“É algo muito frustrante. A gente não está conseguindo avançar na gestão da política pública educacional”, diz a presidente executiva do movimento, Priscila Cruz.

“Matemática é uma disciplina cujo aprendizado é muito mais dependente da escola. Se não aprendeu na escola, não aprende na vida. Diferentemente de leitura e interpretação de texto, que é algo que os estudantes acabam praticando fora da escola”, acrescenta.

O Brasil não tem, oficialmente, uma definição clara do que deve ser aprendido em cada nível de ensino. O movimento Todos pela Educação estabelece metas para que em 2022, ano do bicentenário da independência do país, seja garantido a todas as crianças e jovens o direito à educação de qualidade. O movimento estabelece também metas intermediárias de aprendizado.

Pelos critérios do movimento, apesar de ter apresentado nacionalmente um aumento no percentual de estudantes com aprendizado adequado, o país cumpriu apenas a meta estipulada para o português no 5º ano do ensino fundamental. A meta para a matemática no 3º ano era que 40,6% tivessem o aprendizado adequado.

De acordo com a definição do Todos pela Educação, o aprendizado adequado de matemática no ensino médio significa que os estudantes tiraram pelo menos 350 no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Isso os coloca no nível 5 de 10.

São estudantes que conseguem pelo menos resolver equações, determinar a semelhança entre imagens e calcular, por exemplo, a divisão do lucro em relação a dois investimentos iniciais diferentes. “É o mínimo adequado”, diz Priscila

Municípios

O levantamento mostra uma melhora em relação à primeira etapa do ensino fundamental, que vai do 1º ao 5º ano – fase que, na educação pública, é geralmente de competência dos municípios.

Entre 2005 e 2015, houve um aumento dos municípios com maiores percentuais de estudantes com aprendizado adequado. Em 2005, 0,1% dos municípios tinha mais de 75% dos estudantes aprendendo o mínimo adequado à etapa. Esse índice saltou para 8,4% em 2015.

Em matemática, também houve aumento. Em 2005, nenhum município tinha mais de 75% dos estudantes com aprendizado adequado. Em 2015, eram 4,2%.

“A política educacional nas áreas de matrícula e insumos está ligada à expansão da educação, uma situação em que nem todos estão na escola e é necessário expandir. Agora, para universalizar a qualidade é preciso mudar a forma de fazer política educacional. Não é mais fazendo a mesma coisa para todas as escolas, tem que ter uma segmentação e uma caracterização para cada uma. Exige uma sofisticação de gestão muito maior”, defende Priscila.

Metas

Os números são baseados no resultado da Prova Brasil e do Saeb aplicados em 2015. A Prova Brasil é um dos componentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), considerado um importante indicador de qualidade do ensino. O índice vai até dez e é calculado de dois em dois anos. São divulgados indicadores do 5º e do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio, para português e matemática.

O Ideb de 2015 foi divulgado pelo governo no ano passado. A meta para o índice de 2015 foi cumprida apenas no início do ensino fundamental.

Atualmente em discussão, a Base Nacional Comum Curricular deverá definir o que os estudantes têm direito de aprender em cada etapa de ensino. Isso deve, segundo Priscila, ajudar na definição clara das metas de aprendizado. A expectativa é de que a Base do Ensino Fundamental seja divulgada até março pelo Ministério da Educação e a do ensino médio, ainda este ano.

 

Texto de Mariana Tokarnia, da Agência Brasi, publicado no UOL Educação em  18/01/2017. Para lê-lo na íntegra, acesse: https://educacao.uol.com.br/noticias/2017/01/18/so-73-dos-alunos-atingem-aprendizado-adequado-em-matematica.htm

 

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Tem interesse pelo assunto? Conheça o livro:

10953ENSINO DE MATEMÁTICA: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora:
Valéria Amorim Arantes
Autores: Ubiratan D’AmbrosioNilson José Machado
SUMMUS EDITORIAL 

A análise sobre a teoria e a prática do ensino da matemática (bem como suas dificuldades) é o foco desta obra. Nela, os autores discorrem sobre diferentes aspectos do ensino da matemática, analisando questões históricas, epistemológicas, sociais e políticas. Esse profícuo diálogo nos conduz a uma disciplina concebida como meio para a formação pessoal e para o exercício da cidadania.

 

 

‘COMUM NA VIDA REAL, RIVALIDADE DE “DOIS IRMÃOS” É ALIMENTADA PELOS PAIS’

O conflito central da minissérie “Dois Irmãos” (Globo), que estreou na segunda-feira (9), é a relação cheia de rivalidade entre os irmãos gêmeos Yaqub (Lorenzo Rocha/ Matheus Abreu/Cauã Reymond) e Omar (Enrico Rocha/ Matheus Abreu/Cauã Reymond). O drama típico da ficção é algo bem concreto para muitas famílias. Segundo psicólogos ouvidos pelo UOL, nascer do mesmo pai e da mesma mãe não é garantia de afeto instantâneo.

O laço sanguíneo não garante o afeto. Vai depender da experiência pós-nascimento”, afirma a psicóloga Vera Zimmermann, do Cria (Centro de Referência da Infância e da Adolescência) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Disputa em casa é treino para a vida

Para Vera, a relação entre irmãos tem por natureza um grande potencial de conflito. “A criança passa boa parte da vida dependente do amor dos pais. Eles não podem impedir que haja rivalidade entre os filhos. Faz parte do contexto e é saudável. No ambiente social, o indivíduo vai ter de batalhar pelo que quer. O que acontece em casa é um treino para a vida. O que os pais podem e devem fazer é impor limites [na rivalidade] e estimular vivências amorosas e cooperativas entre os irmãos.”

Tratamento equilibrado é fundamental

O que os pais não devem fazer –em prol de uma boa convivência— é tratar os filhos de forma diferente, como acontece na série. Na história, Zana (Juliana Paes) enche de carinhos Omar, que nasceu com problemas respiratórios, estimulando o ciúme em Yaqub.

Para a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar pela Unifesp, o tratamento diferenciado não se justifica nem quando um dos filhos tem problemas de saúde. “Se um inspira mais cuidados, os pais precisam compensar o outro de alguma forma, porque ele também necessita de atenção. O que se sente colocado de lado pode vir a sentir ciúme e inveja do irmão”, diz.

Vera Zimmermann fala que os pais não têm como agir de forma padronizada com todos os filhos, pois se tratam de pessoas diferentes. “Às vezes, uma mãe é mais ríspida com um dos filhos, que a afronta mais. Mas, mesmo assim, ela pode admirá-lo muito.”

Sentimento não está restrito à infância

O psicólogo Aurélio Melo, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, afirma que toda relação humana é construída, inclusive a de irmãos.

Melo ainda afirma que, ao contrário do que se possa pensar comumente, o sentimento de rivalidade entre irmãos não é algo restrito à infância. “Tem gente que passa a vida inteira lamentando ter sido preterido pelos pais”, fala o especialista.

Mas dá para resolver?

Quando os conflitos entre irmãos não são resolvidos na infância, só dois caminhos podem apontar para a solução na vida adulta. O primeiro é a procura de um terapeuta de família, motivada pelo desejo genuíno dos envolvidos em zerar o passado.

A segunda possibilidade é a ocorrência de algo capaz de impactar os irmãos, como o fato de um deles adoecer. “Ainda assim, vai depender de os envolvidos terem estrutura emocional para se reorganizarem e questionarem o passado”, fala Marina Vasconcellos.

Matéria de Adriana Nogueira, publicada originalmente no UOL, em 11/01/2017. Para acessá-la na íntegra: http://bit.ly/2iFeCmw

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Tem interesse pelo assunto? Conheça o livro:

10533IRMÃOS SEM RIVALIDADE
O que fazer quando os filhos brigam
Autoras: Adele Faber e Elaine Mazlish
SUMMUS EDITORIAL

Das mesmas autoras de Como falar para o seu filho ouvir e como ouvir para o seu filho falar, este livro aborda, entre outros, os seguintes tópicos: como ajudar os irmãos a conviverem bem, como tratar os filhos de forma diferente mas com justiça, como libertar as crianças de rótulos e como agir positivamente no momento das brigas. E, o que é mais importante, os pais aprenderão a resolver conflitos de forma pacífica.