‘7 PASSOS PARA DRIBLAR A ANSIEDADE TÍPICA DE INÍCIO DE RELACIONAMENTO’

Medo de gostar muito, de ser rejeitado, de não ter os sentimentos correspondidos ou de descobrir que o crush promissor não passa de uma roubada são comuns em todo começo de relação.

Na ânsia de fazer um relacionamento dar certo, no entanto, muita gente acaba metendo os pés pelas mãos. Resultado: etapas atropeladas e expectativas frustradas. Inspire-se nas sugestões abaixo para driblar a ansiedade típica do início.

1 – Cuidado com as idealizações

Segundo a psicóloga Mariana Uchôa, coautora do site “Coaching e Terapia”, não há mal algum em fazer planos e ter expectativas de construir um relacionamento feliz e saudável. “Há pessoas que mal começam a se relacionar e já se imaginam de mãos dadas com o par, aposentados, em uma casa de campo com filhos, netos e cachorros”, afirma. É um problema, ainda, se você projeta no outro aquilo que espera de um par ideal. “Isso só gera ansiedade. Em vez de olhar para quem é essa pessoa de verdade, você tenta encaixá-la em suas fantasias”, fala Adelsa Cunha, psicóloga e coautora do livro “Por Todas as Formas do Amor” (editora Ágora).

2 – Mantenha a espontaneidade

Por mais tentador que seja encarnar um personagem que você acredita ser sedutor e atrativo, não há nada mais interessante do que deixar a espontaneidade agir. “Manter a imagem ensaiada gera muita apreensão e não favorece em nada a construção de um vínculo real”, diz Marina Simas de Lima, consultora de relacionamento do Match Group LatAm, detentor de aplicativos e sites de relacionamento.

3 – Analise os pontos em comum e os divergentes

Dê tempo para ver a pessoa como ela realmente é. Converse bastante, troque ideias, repare como ela age e reage diante de circunstâncias negativas (um pedido que veio errado no restaurante ou um atraso seu em um compromisso, por exemplo). Analise quais características agradam e quais as chatices que você terá de relevar ou não. Mas lembre-se: dificilmente você mudará algo, a não ser que o outro queira.

4 – Não abra mão da individualidade

“É importante ter os próprios projetos, amigos e viagens. Não é saudável nem necessário parar toda a vida por causa da entrada dessa pessoa na sua vida. Fazer isso, além de aumentar a ansiedade, gera perda de identidade”, diz Marina.

5 – Não deposite sua felicidade nas mãos da pessoa

Evite olhar para ela como se fosse a tábua de salvação de uma vida amarga e solitária. Ela é só outro ser humano cheio de dúvidas e inseguranças como você. “Um amor serve para colorir mais a vida, e não para dar sentido a ela”, afirma Adelsa.

6 – Respeite seus limites desde o início

Por querer agradar e atender às expectativas alheias, muitas vezes, fazemos coisas que nem gostamos ou queremos fazer. “Deixar claro o que não agrada logo de cara é importante para que haja uma relação verdadeira. Se quem você é de verdade não agrada, é porque a relação não deve continuar. Não permita que a ansiedade te leve a fazer coisas contra sua vontade”, fala Mariana.

7 – Não se deixe levar pelos palpites

Tome cuidado para que a intromissão de amigos e parentes não aumente ainda mais o nível de ansiedade. Mesmo que ouça frases do tipo “essa pessoa não quer nada sério” ou “você vai acabar se machucando”, é você quem pode e deve definir os próximos passos. Claro que conselhos de pessoas queridas não devem ser desperdiçados. “Porém, segui-los o tempo todo à risca pode gerar muita tensão”, diz Mariana. Uma bela filtrada no que ouve e uma boa dose de cautela no que faz são passos seguros.

Matéria de Heloísa Noronha, publicada originalmente no UOL, em 31/01/2018. Para lê-la na íntegra, acesse: https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2018/01/31/7-passos-para-driblar-a-ansiedade-tipica-de-inicio-de-relacionamento.htm

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Saiba mais sobre o livro da psicóloga Adelsa Cunha:

POR TODAS AS FORMAS DE AMOR
O psicodramatista diante das relações amorosas
Organizadores: Adelsa Cunha e Carlos Roberto Silveira
Autores: Suzana Modesto DuclósCarlos CalventeCarlos Roberto SilveiraDalmiro M. BustosElisabeth Maria Sene- CostaEni FernandesIrany B. FerreiraMaria do Carmo Mendes RosaMaria Luiza Vieira SantosRosilda AntonioAdelsa Cunha
EDITORA ÁGORA

Esta obra amplia as reflexões sobre o amor, trazendo para o leigo informações sobre o tema e permitindo-lhe identificar-se com o conteúdo abordado. Além disso, sensibiliza o psicoterapeuta sobre a repercussão, em sua prática clínica, de conceitos e preconceitos relacionados às diferentes formas de amar. Entre os temas abordados estão homo e bissexualidade, amor na terceira idade, amores adolescentes e a dor do rompimento amoroso.

 

‘O QUE NÃO É MEDITAÇÃO”

Dr. Roberto Cardoso, autor de Medicina e meditação, da MG Editores, fala sobre o que NÃO é meditação no vídeo abaixo. Assista.

Visite o site do autor: https://www.robertocardoso.net

Conheça o livro:

MEDICINA E MEDITAÇÃO
Um médico ensina a meditar

Médico há mais de vinte anos e meditador há mais tempo ainda, o autor mostra com precisão várias técnicas de meditação e os seus benefícios para a saúde. Sem qualquer orientação religiosa, filosófica ou moral, trata-se de uma obra para ler, aprender e praticar. Edição revista, atualizada e ampliada.

‘PAIS, AVÓS E O CABO DE GUERRA’

Você conseguiu a proeza de ter uma relação bacana com sua sogra/sogro ou pai/mãe, mas eis que chegou o pimpolho e tudo desandou? Ou ainda, era uma batalha até então, mas se tornou uma guerra declarada sem trégua depois que o bebê nasceu? Se você se reconhece nessa cena, seguem algumas reflexões.

Do lado dos pais recém-empossados na função, vivemos em tempos cujo equívoco (cada tempo terá sua própria propaganda enganosa sobre a criação de filhos) é supor que os pais, mas acima de tudo a mãe, são tudo que o pimpolho quer e precisa. Na realidade, bebês e crianças precisam de sujeitos adultos que se dediquem insanamente a eles por um bom período, mas não é imprescindível que seja a mãe e tampouco que seja uma mulher.

A propaganda enganosa de que os pais são tudo para os pequenos leva a crer que eles saberiam instintivamente como cuidar dos bebês. No entanto, eles não sabem e vão ter que inventar a roda com o carro andando, como todos nós. A insegurança que assombra os pais na atualidade passa também por uma experiência geralmente nula, pois não criamos mais os bebês de forma coletiva. Cada um tem o seu e tem que se virar para aprender como lidar com ele. Resumindo, não há instinto que garanta um saber, e tampouco podemos contar com a transmissão cultural de como cuidar dos bebês.

Quando você tem filhos, pode ficar assombrado pelo imperativo de fazer tudo melhor do que seus próprios pais fizeram e provar que suas inúmeras queixas sobre eles têm fundamento. Mas eis que as coisas vão saindo do controle no dia a dia e, por melhor que você seja, se descobre tão distante do que esperava ser. Nesses momentos de insegurança e cobrança excessivas, as sugestões mais inócuas dos avós podem cair como uma bomba na sua autoestima cambaleante.

Do outro lado do ringue temos os avós, com suas próprias questões. No mundo ideal, eles seriam os melhores candidatos a ajudar nessa inédita função, uma vez que a sobrevivência dos seus filhos é a prova de que eles devem ter feito alguma coisa certo. Mas a necessidade de justificarem seus erros e a busca por reconhecimento de seus acertos como pais podem criar uma tensão com as escolhas diferentes dos filhos. Os palpites “quase sempre” bem-intencionados dos avós podem estar a serviço de provar que no fundo eles é que tinham razão.

Além disso, os netos tão amados nos lembram o quanto ficamos velhos, e que somos os próximos candidatos à extinção. Nesse sentido, os netos têm um lado “presente de grego”. Eles são nossa continuidade e a marca de nosso fim. A resistência em passar cetro e coroa para a nova geração, assumindo o próprio envelhecimento, faz alguns avós ditarem regras e diagnósticos, desqualificando os pais novos.

Mas como fica o pimpolho, enquanto tudo isso ocorre?!

Dormindo, chorando, mamando, sujando as fraldas e assistindo ao cabo de guerra. Torçamos para que ele não seja a corda do jogo. Mas quer saber? Salvo raras exceções, os bebês vão muito bem obrigada, estando a salvo do narcisismo das pequenas diferenças, que se repete a cada nova geração. Afinal, não se trata do bebê a questão, não é? Mas sim, de nossas profundas inseguranças diante dos novos papéis tão arrebatadores, tanto de pais, quanto de avós.

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Artigo de  Vera Iaconelli publicado originalmente em sua coluna na Folha de S. Paulo. Para acessar na íntegra: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vera-iaconelli/2018/01/1952603-pais-avos-e-o-cabo-de-guerra.shtml

 

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Tem interesse pelo tema? Conheça:
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AVÓS E SOGRAS
Dilemas e delícias da família moderna
Autora: Elizabeth Monteiro
SUMMUS EDITORIAL

Que papel é reservado às avós no mundo de hoje? E às sogras? Certamente elas não são mais aquelas velhinhas que passavam o dia todo tricotando. Hoje, trabalham fora, cuidam ativamente dos netos e muitas vezes sustentam toda a família. Nesta obra, Betty Monteiro fala sobre o lugar dos avós na sociedade moderna, aponta limites para a intervenção na família e aponta caminhos para uma convivência intergeracional harmoniosa.

‘O QUE TODO MUNDO DEVERIA SABER: OS DIREITOS DO PACIENTE COM CÂNCER’

Praticamente todo mundo conhece ou ouviu falar de alguém que passou por essa situação. A pessoa descobre que está com câncer e, como se não bastasse ter de lidar com as dificuldades inerentes à doença, precisa enfrentar também empecilhos de outra ordem. Uma hora é o plano de saúde que recusa o tratamento integral, outra hora é o SUS (Sistema Único de Saúde) que não possui os medicamentos que o paciente necessita, mas não tem condições de comprar… E assim o cidadão, que já está vivendo uma fase extremamente delicada de sua vida, sente-se perdido e abandonado nesse momento tão crucial.

De tanto ouvir perguntas do tipo: “Mas doutora, o plano de saúde não tem que arcar com o meu tratamento?”, “O SUS não é obrigado a fornecer o meu remédio?” e outras do gênero, decidi fazer uma pesquisa sobre o assunto. Foi assim que descobri a existência do Instituto Oncoguia, uma associação sem fins lucrativos que se dedica à louvável missão de, entre outras coisas, informar o paciente com câncer sobre os seus direitos. Vou resumir aqui algumas das dúvidas mais frequentes – e também algumas informações de grande utilidade, que boa parte da população desconhece. Para saber mais, consulte o site do Oncoguia no endereço www.oncoguia.com.br, que oferece informações detalhadas, inclusive quanto a aspectos como documentação necessária e outros procedimentos.

Plano de saúde antigo não prevê tratamento para o câncer. O que fazer?

Os planos antigos são aqueles cuja assinatura do contrato ocorreu até 1º de janeiro de 1999. Esses contratos não estão sujeitos à fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), nem aos termos da Lei dos Planos de Saúde e, em tese, podem prever diversas exclusões e limitações no atendimento. É comum esses contratos não cobrirem procedimentos relacionados a doenças crônicas ou infecciosas, como AIDS, câncer, diabetes, doenças cardíacas, entre outras. Mas isso não significa que esses planos podem recusar tratamento. Eles são obrigados a seguir as regras do Código de Defesa do Consumidor, que considera abusiva, e, portanto nula, toda e qualquer cláusula que fuja da assistência integral à saúde do usuário. Há inúmeras decisões judiciais nesse sentido. Mas se você tiver que recorrer à justiça, não se desespere. Pessoas com idade a partir de 60 anos ou portadoras de doenças graves (como o câncer) têm direito à prioridade na tramitação de processos, bem como atendimento preferencial pela Defensoria Pública em relação aos serviços de assistência judiciária gratuita.

Como obter medicamentos gratuitos

Em decisão emitida em março de 2010, O Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que o SUS deve garantir o fornecimento de remédios ou arcar com procedimentos médicos nos casos em que o paciente em tratamento não tiver condições de fazê-lo. A decisão, que abre precedente para outras ações, foi tomada no julgamento de nove recursos movidos pela União, estados e municípios para suspender determinações judiciais que mantinham a cobertura do SUS para tratamentos, procedimentos cirúrgicos, realização de exames e fornecimento de medicamentos. A decisão sinaliza o entendimento que o Supremo deverá adotar no julgamento do recurso sobre o fornecimento de remédios de alto custo. Portanto, se os médicos ou atendentes do SUS alegarem que não possuem ou não podem fornecer os remédios que você precisa – e, se na avaliação de seu médico, esse medicamento for essencial – envie uma carta para o secretario da Saúde ou para o diretor do hospital. Informe a situação atual, a necessidade do medicamento, anexe o relatório e o receituário médico e solicite que o remédio seja fornecido em um prazo razoável. Caso você tenha que ingressar com uma ação judicial, a carta serve como prova de que você solicitou a medicação e não foi atendido.

Saque do Fundo de Garantia

A pessoa com câncer pode sacar o FGTS. Além disso, o titular da conta também pode realizar o saque caso seu cônjuge ou companheiro, pais, filhos e irmãos (menores de 21 anos ou inválidos) sejam portadores da doença. Além disso, pai e mãe podem sacar o fundo simultaneamente se o paciente for seu filho.

Transporte gratuito

Segundo a lei, têm direito à isenção do pagamento de tarifas de transporte coletivo sob responsabilidade do Estado de São Paulo pessoas com deficiência cuja gravidade comprometa sua capacidade de trabalho. Por resolução do poder executivo, esse benefício foi estendido às pessoas com doenças graves em situações específicas que justificam a isenção, tais como pacientes com câncer em tratamento de radioterapia, quimioterapia ou cobaltoterapia. A gratuidade se estende ao metrô, aos ônibus municipal da SPtrans, aos ônibus e microonibus intermunicipais da EMTU e aos trens da CPTM. O interessado deverá solicitar a Carteira de Identificação do Passageiro Especial (CIPES) ou o Bilhete Especial nas empresas responsáveis pelo respectivo transporte. Para isso, precisa apresentar a devida documentação (que inclui laudo médico emitido pelo SUS).

Isenção de impostos

O paciente com câncer ou com outra doença grave tem direito a isenção do Imposto de Renda que incide sobre os rendimentos recebidos a título de aposentadoria, pensão ou reforma, inclusive as complementações – mesmo que a doença tenha sido adquirida após a concessão da aposentadoria, pensão ou reforma. Além disso, o paciente de câncer com qualquer tipo de limitação física que o incapacite de dirigir veículo comum poderá adquirir veículo especial adaptado às suas necessidades com isenção dos seguintes impostos: IPI, ICMS, IOF e IPVA.

 

Ivone Zeger é advogada especialista em Direito de Família e Sucessão. Membro efetivo da Comissão de Direito de Família da OAB/SP é autora dos livros “Herança: Perguntas e Respostas”, “Família: Perguntas e Respostas” e “Direito LGBTI: Perguntas e Respostas”, todos pela Mescla Editorial.

Artigo publicado no Estadão em 21/01/2018. Para acessar na íntegra (restrito a assinantes ou cadastrados): http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/o-que-todo-mundo-deveria-saber-os-direitos-do-paciente-com-cancer/

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Conheça os livros da autora:

FAMÍLIA
Perguntas e respostas

Quando o assunto é direito da família, somente uma especialista como Ivone Zeger pode responder de forma simples e direta às principais dúvidas relacionadas com casamento, divórcio, pensão alimentícia, partilha de bens, adoção, violência doméstica, filhos, união gay etc. – tudo de acordo com as mudanças ocorridas na legislação.
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HERANÇA
Perguntas e respostas

Quais são os motivos para deserdar alguém? Bens de família também entram no pagamento da dívida? Quando uma pessoa morre sem deixar testamento, quem fica com os bens? O que cabe aos enteados? E à segunda esposa? Divorciados têm direito à herança do cônjuge? O que é usufruto? Filhos têm de dividir a herança com o avô?

Essas são apenas algumas das perguntas respondidas neste livro. Com base em sua ampla experiência em Direito de Família e Sucessão, a advogada Ivone Zeger esclarece – em linguagem simples e objetiva, bem distante do “juridiquês” que assusta os leigos – as dúvidas mais comuns que todos temos sobre o assunto.

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DIREITO LGBTI
Perguntas e respostas

Esta obra de Ivone Zeger tem o objetivo de responder a questões relativas a casamento, união estável, adoção, inseminação artificial, dissolução de união estável, divórcio, partilha de bens, herança, entre outros temas pertencentes ao Direito de Família, porém voltados ao público homossexual, bissexual e transexual.

‘A DITADURA DA IMAGEM’

Psiquiatra da Cruz Azul aborda os transtornos alimentares ligados à busca desenfreada pelo corpo ideal

Aparecer em uma mídia social sorrindo, exibindo um corpo com relevo de músculos moldados por exercícios tenazes e dietas mirabolantes, repleto de tatuagens que exaltem os volumes e contornos bem delineados, complementados de adornos como piercings que provoquem a imaginação sensual no Facebook e no Instagram, no final das contas, pode ter um alto preço.

Enquanto se aparece como belo ícone é “tudo de bom”, “é nóis na fita”, “linda, lindo, kkk”… A imagem vale mais do que mil palavras no nosso cotidiano da exibição da alegria. Desconfia-se que esta seja pouco verdadeira, mas o instantâneo da fama compensa o “discurso, o papo cabeça, a filosofia”.

A construção de um resultado final com esta alegoria a exibir é fruto de um árduo trabalho, que profissionais da área de saúde mental tipificam como: impulso, compulsão, baixa autoestima, narcisismo ferido, obsessividade, distorção da imagem corporal, purgação, funcionamento autopunitivo, perversão, esvaziamento psíquico e desamparo, ou seja, designações que revelam o inverso do que o sorriso e a força muscular tentam disfarçar: dor psíquica, insegurança e sentimento de fraqueza.

Quando se coloca a questão sobre: “o que veio a se chamar transtorno alimentar?”, é indissociável a conjunção entre imagem corporal/autoimagem, procedimentos compulsivos relacionados à dieta e atividade/inatividade física com comportamentos estereotipados e moldados por ideias obsessivas relacionadas à aparência.

Pode-se colocar no mesmo tacho, na mesma panela de pressão: anorexia, bulimia, vigorexia, obesidade, alcoolismo de um lado e, de outro, o “como me vejo” e “como devo me modificar”, seja pela dieta ou ausência dela, pelo excedente a ser expelido via vômito ou atividade física excessiva e ainda pela inação e autoabandono.

Os sentimentos de desamparo, fraqueza, tristeza, abandono e vazio são “tratados” na arena ou no teatro do corpo, o qual deve ser belo a todo custo, envolvendo comportamentos aditivos (comer muito e expelir, comer muito ou beber muito e se narcotizar pela saciedade como uma droga, buscar purgar/punir pela adição de exercícios para ter o tônus e a endorfina) ou restritivos (não comer, isolar-se porque se sente gordo mesmo estando esquelético, enfim, punindo-se).

O que os psicanalistas chamam de “oralidade”, que é o prazer pela boca ou mesmo evitá-lo, conduz tudo. Na raiz, a noção de que, como seres no início de nossas vidas, o prazer oral teria sido o primeiro deleite, aquele que se mantém vivo como um sentido, com mais vigor do que o sexo, posto que se precisa lidar com isso constantemente, várias vezes ao dia. A sexualidade genital pode esperar, mas, a fome, não. Esta é primordial, renovável a cada pequeno período de tempo, que se faz sentir de modo impositivo a ponto de que, quando se está faminto, não se pode pensar em outra coisa que não seja alimentar-se, um fato inadiável.

Portanto, as carências, insuficiências e instabilidades ganham tradução nisto que mais se sente, representando no que as pessoas cedem nesta busca por saciar/bloquear em prol da estética. Por exemplo, as pessoas vão às academias e conversam sobre o que comeram no final de semana passado e precisam descontar nos exercícios ou citam aquilo que vão poder comer depois dos treinos.

Tudo isso que foi dito sinaliza que os transtornos alimentares graves, como anorexia ou bulimia, denotam uma continuidade em grau maior das preocupações com a aparência, o apelo às dietas e a obstinação pela qual o indivíduo tende a não pensar sobre suas angústias fundamentais quanto a estar vivo, assim como ter responsabilidade sobre si e sua própria vida, deslocando tudo sobre o espelho do corpo e não o retrato da alma, neste nosso mundo que se esquiva das palavras buscando a imposição pela ditadura da imagem do belo corpo.

Por Dr. Carlos Neumann – Psiquiatra da Cruz Azul, Doutor em Psicologia Clínica e Psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise –, publicado originalmente no Portal Cruz Azul, em 03/01/2018. Para acessar na íntegra: Para lê-lo na íntegra, acesse: http://www.cruzazulsp.com.br/a-ditadura-da-imagem/

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Tem interesse pelo assunto? Conheça:

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A BELEZA IMPOSSÍVEL
Mulher, mídia e consumo
Autora: Rachel Moreno
EDITORA ÁGORA

A quem interessa vender uma beleza inalcançável? De que maneira a mídia manipula nossa consciência em nome dos interesses do mercado? Quais são as conseqüências para as adolescentes de hoje? Onde entram as “diferentes” – gordinhas, velhas, negras – nesse sistema? Rachel Moreno responde a estas e outras perguntas neste livro vigoroso e crítico, apontando caminhos para que possamos nos defender dessas armadilhas.

‘POSTURA E SAÚDE’

Professora de Educação Física do Colégio PM aborda a postura corporal em relação à integridade física dos estudantes

Falar sobre “postura” remete a discussões e informações que parecem estar relacionadas ao passado, mas, ao oposto do que possa parecer, sempre será um diálogo atual. Como confirma a estatística da Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% da população apresenta dores nas costas, com grande parte dos casos provocados pela inércia aliada à má postura.

No âmbito escolar, persistem os hábitos posturais incorretos e frequentemente repetidos, gerando danos físicos e também de aprendizagem. A começar pelo peso da mochila nas costas que, segundo pesquisas, seria adequado carregar apenas 10% do peso corporal. Nas salas de aula, durante o tempo que permanecem em aulas expositivas, muitos alunos sentam-se “deitando na cadeira”, recostando-se sobre a mesa ou ainda apoiando os pés na cadeira, entre outros.

A fisioterapeuta Mei Wang, especialista em neurologia e ortopedia pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que “a má postura causa a sobrecarga e desvios da coluna vertebral, o que provoca a redução da capacidade respiratória, pois se a respiração não está correta, o ar não vai chegar de forma satisfatória ao cérebro, prejudicando a aprendizagem e a capacidade de guardar informações”.

Além disso, a dificuldade em manter uma postura adequada também está relacionada à insuficiência de conscientização corporal, pois com a imobilidade suprindo a mobilidade, crianças e jovens muitas vezes só percebem seu corpo quando estão diante de desafios cognitivos, motores e socioemocionais proporcionados nas aulas de Educação Física. Ao atravessar um percurso, por exemplo, precisam manter a concentração, têm que perceber a disposição dos materiais para poder adotar diferentes posturas (passar por cima/por baixo/entre obstáculos, subir/descer…), devem saber onde inicia e onde termina etc. Já os jogos demandam a criação de estratégias, com organização e planejamento, mediante a interação com os membros da própria equipe e dos adversários, assim como executar as habilidades específicas da modalidade esportiva.

Muitos são os benefícios físicos e de aprendizagem diante do conhecimento de si. Por essa razão, “aprender sobre o corpo deve estar no contexto do jogo e da brincadeira”, como diz André Trindade, autor do livro “Mapas do corpo”.


Por Simone Gagliardi Saldys – Professora de Educação Física, especialista em Psicomotricidade (Educação e Clínica) –, publicado originalmente no Portal Cruz Azul, em 03/01/2018. Para acessar na íntegra: http://www.cruzazulsp.com.br/postura-e-saude/
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Conheça o livro Mapas do corpo:

MAPAS DO CORPO
Educação postural de crianças e adolescentes
Autor: André Trindade
SUMMUS EDITORIAL

Este livro resume a experiência de mais de 25 anos de André Trindade como psicomotrista e psicólogo. Profundamente ligado à área do movimento, o autor domina magistralmente a arte de orientar crianças e adolescentes a adquirir e manter uma boa postura. Dividida em sete partes, a obra trata, entre outros temas, da linguagem corporal, da pele, dos ossos, músculos e articulações e do que ele denomina “Mapas do corpo” – conjunto de referências capazes de determinar distâncias, direções e ligações entre as partes do corpo, a fim de facilitar o movimento coordenado.

O objetivo de André é que professores – não apenas os de educação física – e pais auxiliem crianças e adolescentes a conhecer o próprio corpo e relacionar-se de modo saudável com o ambiente. Em cada uma das partes citadas o autor, generosamente, compartilha conosco dezenas de atividades para estimular a boa postura, a flexibilidade, a autoconfiança, o prazer da brincadeira. Com reflexões profundas, ele mostra que as novas tecnologias trouxeram muitos benefícios, mas também problemas, como o isolamento, a desestruturação postural e a entrada precoce no mundo adulto. Totalmente ilustrado com desenhos e belíssimas fotografias, o livro é um convite – sem broncas nem lições de moral – para que nós, adultos, repensemos a maneira como lidamos com crianças e adolescentes. Prefácio de Rosely Sayão.

‘CIENTISTAS DESCOBREM SINTOMAS QUE PODEM PREVER TRANSTORNO BIPOLAR’

Um novo estudo publicado no periódico Harvard Review of Psychiatry revelou dois padrões de sintomas que podem ser usados para prever o desenvolvimento da bipolaridade. Apesar de pesquisas anteriores já identificarem possíveis fatores ambientais e genéticos do distúrbio, pouco se sabe sobre a doença e sobre o tipo de comportamento que pode levar a ela.

A nova pesquisa, entretanto, analisou 39 estudos anteriores sobre os sintomas e fatores de risco da bipolaridade e procurou padrões entre as descobertas.

O primeiro padrão de sintomas que os cientistas descobriram incluía mudanças de humor, períodos de excitação e depressão profunda. A maioria das pessoas jovens com esses sintomas não desenvolve a bipolaridade. Mas muitos daqueles que foram diagnosticados com a doença apresentaram esses sintomas.

O segundo padrão de sintomas inclui ansiedade, distúrbios de atenção e comportamentais, como déficit de atenção e hiperatividade. Segundo os cientistas, os sinais encontrados no primeiro padrão são os que mais têm relação com o transtorno. Além disso, a análise encontrou alguns fatores de risco como lesões na cabeça, abuso sexual, físico ou de drogas, estresse e parto prematuro.

Diagnóstico correto desafia médicos

A bipolaridade é caracterizada por transtornos de humor, que vão de crises de depressão à euforia excessiva (mania). Segundo a ABTB (Associação Brasileira de Transtorno Bipolar), a doença afeta cerca de 4% da população adulta no mundo.

Entretanto, pelo fato de a ciência ter poucas respostas sobre o distúrbio, muitas vezes ele é confundido com outras doenças, como a depressão. Um paciente bipolar tratado erroneamente com depressão pode piorar, eventualmente levando a desfechos suicidas. Tratando direito desde o começo, a qualidade de vida melhora muito, daí a importância de estudos como esse.

Publicado originalmente no Portal VivaBem, do UOL, em 16/01/2018. Para acessar na íntegra: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/01/16/cientistas-descobrem-possiveis-sintomas-que-podem-prever-transtorno-bipolar.htm

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Quer saber mais sobre transtorno bipolar? Conheça o livro do psiquiatra Teng Chei Tung:

ENIGMA BIPOLAR
Conseqüências, diagnóstico e tratamento do transtorno bipolar
Autor: Teng Chei Tung
MG EDITORES

O transtorno bipolar é uma patologia cada vez mais comum – e, infelizmente, ainda mal compreendida. Este livro, escrito por um psiquiatra, esclarece e desmistifica os sintomas da doença, suas fases, os sintomas, as estratégias de tratamento mais modernas e os tipos de medicamento disponíveis. Fala, ainda, da importância do apoio do médico e da família no bem-estar do paciente.

‘CIÚME NORMAL OU DOENTIO? AVALIE COMO VOCÊ AGE EM 5 SITUAÇÕES DO COTIDIANO’

Em pequenas doses, sentir ciúme em uma relação amorosa é natural. No entanto, há quem perca o controle, mesmo sem motivos concretos.

A maneira como cada um de nós reage determina se o que sentimos é saudável ou merece atenção, como apontam os exemplos a seguir.

Situação 1: o par está dedicando muita atenção a alguém

Normal
Há uma sensação de desconforto. A pessoa que não faz a linha ciumenta apenas vai reclamar se realmente for deixada de lado. Ou se, depois de analisar as evidências, concluir que o entusiasmo do par está, de fato, além da conta. Mesmo assim, o comum é que se aproxime para participar da conversa de maneira cordial. E, quando o casal estiver a sós, aí, sim, é hora de ter uma conversa honesta e sem ameaças, para poder esclarecer as coisas, antes de tomar qualquer atitude.

Fora de controle
Vítima de uma fantasia constante de que pode er alvo de traição e abandono, a pessoa interpreta de cara que o par está dando em cima de alguém e, sem pensar, questiona o que está acontecendo de forma agressiva e descontrolada.

Situação 2: seu amor tem uma amizade especial

Normal
Pode até pintar um ciumezinho da pessoa por ela ter feito parte do passado do seu amor e, juntos, os dois terem compartilhado várias histórias e aventuras. Porém, a amizade não é vista como uma ameaça ao relacionamento.

Fora de controle
Ciumentos patológicos não hesitam em fazer chantagens do tipo “ou pessoa ou eu”. Na cabeça deles, houve um envolvimento no passado ou ainda deve haver. Esse tipo de insegurança pode detonar uma relação promissora ou fazer com que seja vivida à base de mentiras e omissões, já que o par pode passar a esconder que continua a manter contato com o amigo.

Situação 3: discussão de relacionamento

Normal
Por mais que ambos estejam tensos, existe o mínimo de respeito na conversa, que ocorre sempre quando estiverem a sós.

Fora de controle
Acontece na forma de monólogo, ou melhor, de barraco. Gritos e acusações não têm momento certo para acontecer. Quando a raiva sobe à cabeça, qualquer local é propício. Depois do escândalo, em geral, há a ressaca moral na forma de remorso e pedidos de desculpas.

Situação 4: ansiedade sobre o futuro da relação

Normal
Existe o medo de perder a pessoa amada para um terceiro elemento, mas é transitório e baseado em fatos. O maior desejo é preservar o relacionamento, pois há a vontade de compartilhar a vida com o par.

Fora de controle
Caracteriza-se por ser exagerado, sem motivo aparente que o provoque, deixando o ciumento absolutamente inseguro e transformando-o em um cerceador da liberdade do outro. Parece que só o par pode dar sentido à vida da pessoa.

Situação 5: a vida, de modo geral, do par

Normal
Há o interesse genuíno de saber como foi o dia do outro. Como a pessoa preza a própria individualidade, encara com naturalidade o fato de que o outro tenha interesses e hobbies próprios. Às vezes, uma ou outra coisinha –como um comentário de alguém em uma rede social– provoca uma pontada de ciúme, mas qualquer dúvida ou ansiedade é discutida pelo casal.

Fora de controle
A relação vira uma espécie de investigação, com checagem de celulares e ligações recebidas constantemente, que e-mails recebeu e por qual motivo, com quem falou e sobre o que, onde está e a que horas volta… Atrasos ou demora em responder mensagens no WhatsApp são motivos de desconfiança e gritaria. Os questionamentos são intermináveis e, por mais que a pessoa se explique, o ciumento nunca se dá por satisfeito.

Fontes: Andrea Lorena Stravogiannis, psicóloga, neuropsicóloga e colaboradora do Programa de Transtornos do Impulso do IPq-USP (Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo); Eduardo Ferreira-Santos, psiquiatra, psicoterapeuta e autor do livro “Ciúme – O Lado Amargo do Amor” (editora Ágora); Poema Ribeiro, psicóloga e sexóloga, e Raquel Fernandes Marques, psicóloga da Clínica Anime, de São Paulo.

Matéria de Heloísa Noronha, publicada originalmente no UOL, em 12/01/2018. Para acessá-la na íntegra: https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2018/01/12/ciume-normal-ou-doentio-avalie-como-voce-age-em-5-situacoes-do-cotidiano.htm

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Saiba mais sobre o livro do psiquiatra e psicoterapeura Eduardo Ferreira Santos:

CIÚME
O lado amargo do amor
EDITORA ÁGORA

O autor, que é psiquiatra, mergulha no tema do ciúme, mostrando as causas de seu surgimento e suas conseqüências para as relações afetivas – como dependência, perda de auto-estima e até distúrbios psicológicos graves. Ele também aponta saídas para situações neuróticas. Afinal, o ciúme acaba transformando o amor, sentimento altruísta por natureza, no mais exacerbado egoísmo.