‘POSTURA E SAÚDE’

Professora de Educação Física do Colégio PM aborda a postura corporal em relação à integridade física dos estudantes

Falar sobre “postura” remete a discussões e informações que parecem estar relacionadas ao passado, mas, ao oposto do que possa parecer, sempre será um diálogo atual. Como confirma a estatística da Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% da população apresenta dores nas costas, com grande parte dos casos provocados pela inércia aliada à má postura.

No âmbito escolar, persistem os hábitos posturais incorretos e frequentemente repetidos, gerando danos físicos e também de aprendizagem. A começar pelo peso da mochila nas costas que, segundo pesquisas, seria adequado carregar apenas 10% do peso corporal. Nas salas de aula, durante o tempo que permanecem em aulas expositivas, muitos alunos sentam-se “deitando na cadeira”, recostando-se sobre a mesa ou ainda apoiando os pés na cadeira, entre outros.

A fisioterapeuta Mei Wang, especialista em neurologia e ortopedia pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que “a má postura causa a sobrecarga e desvios da coluna vertebral, o que provoca a redução da capacidade respiratória, pois se a respiração não está correta, o ar não vai chegar de forma satisfatória ao cérebro, prejudicando a aprendizagem e a capacidade de guardar informações”.

Além disso, a dificuldade em manter uma postura adequada também está relacionada à insuficiência de conscientização corporal, pois com a imobilidade suprindo a mobilidade, crianças e jovens muitas vezes só percebem seu corpo quando estão diante de desafios cognitivos, motores e socioemocionais proporcionados nas aulas de Educação Física. Ao atravessar um percurso, por exemplo, precisam manter a concentração, têm que perceber a disposição dos materiais para poder adotar diferentes posturas (passar por cima/por baixo/entre obstáculos, subir/descer…), devem saber onde inicia e onde termina etc. Já os jogos demandam a criação de estratégias, com organização e planejamento, mediante a interação com os membros da própria equipe e dos adversários, assim como executar as habilidades específicas da modalidade esportiva.

Muitos são os benefícios físicos e de aprendizagem diante do conhecimento de si. Por essa razão, “aprender sobre o corpo deve estar no contexto do jogo e da brincadeira”, como diz André Trindade, autor do livro “Mapas do corpo”.


Por Simone Gagliardi Saldys – Professora de Educação Física, especialista em Psicomotricidade (Educação e Clínica) –, publicado originalmente no Portal Cruz Azul, em 03/01/2018. Para acessar na íntegra: http://www.cruzazulsp.com.br/postura-e-saude/
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Conheça o livro Mapas do corpo:

MAPAS DO CORPO
Educação postural de crianças e adolescentes
Autor: André Trindade
SUMMUS EDITORIAL

Este livro resume a experiência de mais de 25 anos de André Trindade como psicomotrista e psicólogo. Profundamente ligado à área do movimento, o autor domina magistralmente a arte de orientar crianças e adolescentes a adquirir e manter uma boa postura. Dividida em sete partes, a obra trata, entre outros temas, da linguagem corporal, da pele, dos ossos, músculos e articulações e do que ele denomina “Mapas do corpo” – conjunto de referências capazes de determinar distâncias, direções e ligações entre as partes do corpo, a fim de facilitar o movimento coordenado.

O objetivo de André é que professores – não apenas os de educação física – e pais auxiliem crianças e adolescentes a conhecer o próprio corpo e relacionar-se de modo saudável com o ambiente. Em cada uma das partes citadas o autor, generosamente, compartilha conosco dezenas de atividades para estimular a boa postura, a flexibilidade, a autoconfiança, o prazer da brincadeira. Com reflexões profundas, ele mostra que as novas tecnologias trouxeram muitos benefícios, mas também problemas, como o isolamento, a desestruturação postural e a entrada precoce no mundo adulto. Totalmente ilustrado com desenhos e belíssimas fotografias, o livro é um convite – sem broncas nem lições de moral – para que nós, adultos, repensemos a maneira como lidamos com crianças e adolescentes. Prefácio de Rosely Sayão.

‘CIENTISTAS DESCOBREM SINTOMAS QUE PODEM PREVER TRANSTORNO BIPOLAR’

Um novo estudo publicado no periódico Harvard Review of Psychiatry revelou dois padrões de sintomas que podem ser usados para prever o desenvolvimento da bipolaridade. Apesar de pesquisas anteriores já identificarem possíveis fatores ambientais e genéticos do distúrbio, pouco se sabe sobre a doença e sobre o tipo de comportamento que pode levar a ela.

A nova pesquisa, entretanto, analisou 39 estudos anteriores sobre os sintomas e fatores de risco da bipolaridade e procurou padrões entre as descobertas.

O primeiro padrão de sintomas que os cientistas descobriram incluía mudanças de humor, períodos de excitação e depressão profunda. A maioria das pessoas jovens com esses sintomas não desenvolve a bipolaridade. Mas muitos daqueles que foram diagnosticados com a doença apresentaram esses sintomas.

O segundo padrão de sintomas inclui ansiedade, distúrbios de atenção e comportamentais, como déficit de atenção e hiperatividade. Segundo os cientistas, os sinais encontrados no primeiro padrão são os que mais têm relação com o transtorno. Além disso, a análise encontrou alguns fatores de risco como lesões na cabeça, abuso sexual, físico ou de drogas, estresse e parto prematuro.

Diagnóstico correto desafia médicos

A bipolaridade é caracterizada por transtornos de humor, que vão de crises de depressão à euforia excessiva (mania). Segundo a ABTB (Associação Brasileira de Transtorno Bipolar), a doença afeta cerca de 4% da população adulta no mundo.

Entretanto, pelo fato de a ciência ter poucas respostas sobre o distúrbio, muitas vezes ele é confundido com outras doenças, como a depressão. Um paciente bipolar tratado erroneamente com depressão pode piorar, eventualmente levando a desfechos suicidas. Tratando direito desde o começo, a qualidade de vida melhora muito, daí a importância de estudos como esse.

Publicado originalmente no Portal VivaBem, do UOL, em 16/01/2018. Para acessar na íntegra: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/01/16/cientistas-descobrem-possiveis-sintomas-que-podem-prever-transtorno-bipolar.htm

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Quer saber mais sobre transtorno bipolar? Conheça o livro do psiquiatra Teng Chei Tung:

ENIGMA BIPOLAR
Conseqüências, diagnóstico e tratamento do transtorno bipolar
Autor: Teng Chei Tung
MG EDITORES

O transtorno bipolar é uma patologia cada vez mais comum – e, infelizmente, ainda mal compreendida. Este livro, escrito por um psiquiatra, esclarece e desmistifica os sintomas da doença, suas fases, os sintomas, as estratégias de tratamento mais modernas e os tipos de medicamento disponíveis. Fala, ainda, da importância do apoio do médico e da família no bem-estar do paciente.

‘CIÚME NORMAL OU DOENTIO? AVALIE COMO VOCÊ AGE EM 5 SITUAÇÕES DO COTIDIANO’

Em pequenas doses, sentir ciúme em uma relação amorosa é natural. No entanto, há quem perca o controle, mesmo sem motivos concretos.

A maneira como cada um de nós reage determina se o que sentimos é saudável ou merece atenção, como apontam os exemplos a seguir.

Situação 1: o par está dedicando muita atenção a alguém

Normal
Há uma sensação de desconforto. A pessoa que não faz a linha ciumenta apenas vai reclamar se realmente for deixada de lado. Ou se, depois de analisar as evidências, concluir que o entusiasmo do par está, de fato, além da conta. Mesmo assim, o comum é que se aproxime para participar da conversa de maneira cordial. E, quando o casal estiver a sós, aí, sim, é hora de ter uma conversa honesta e sem ameaças, para poder esclarecer as coisas, antes de tomar qualquer atitude.

Fora de controle
Vítima de uma fantasia constante de que pode er alvo de traição e abandono, a pessoa interpreta de cara que o par está dando em cima de alguém e, sem pensar, questiona o que está acontecendo de forma agressiva e descontrolada.

Situação 2: seu amor tem uma amizade especial

Normal
Pode até pintar um ciumezinho da pessoa por ela ter feito parte do passado do seu amor e, juntos, os dois terem compartilhado várias histórias e aventuras. Porém, a amizade não é vista como uma ameaça ao relacionamento.

Fora de controle
Ciumentos patológicos não hesitam em fazer chantagens do tipo “ou pessoa ou eu”. Na cabeça deles, houve um envolvimento no passado ou ainda deve haver. Esse tipo de insegurança pode detonar uma relação promissora ou fazer com que seja vivida à base de mentiras e omissões, já que o par pode passar a esconder que continua a manter contato com o amigo.

Situação 3: discussão de relacionamento

Normal
Por mais que ambos estejam tensos, existe o mínimo de respeito na conversa, que ocorre sempre quando estiverem a sós.

Fora de controle
Acontece na forma de monólogo, ou melhor, de barraco. Gritos e acusações não têm momento certo para acontecer. Quando a raiva sobe à cabeça, qualquer local é propício. Depois do escândalo, em geral, há a ressaca moral na forma de remorso e pedidos de desculpas.

Situação 4: ansiedade sobre o futuro da relação

Normal
Existe o medo de perder a pessoa amada para um terceiro elemento, mas é transitório e baseado em fatos. O maior desejo é preservar o relacionamento, pois há a vontade de compartilhar a vida com o par.

Fora de controle
Caracteriza-se por ser exagerado, sem motivo aparente que o provoque, deixando o ciumento absolutamente inseguro e transformando-o em um cerceador da liberdade do outro. Parece que só o par pode dar sentido à vida da pessoa.

Situação 5: a vida, de modo geral, do par

Normal
Há o interesse genuíno de saber como foi o dia do outro. Como a pessoa preza a própria individualidade, encara com naturalidade o fato de que o outro tenha interesses e hobbies próprios. Às vezes, uma ou outra coisinha –como um comentário de alguém em uma rede social– provoca uma pontada de ciúme, mas qualquer dúvida ou ansiedade é discutida pelo casal.

Fora de controle
A relação vira uma espécie de investigação, com checagem de celulares e ligações recebidas constantemente, que e-mails recebeu e por qual motivo, com quem falou e sobre o que, onde está e a que horas volta… Atrasos ou demora em responder mensagens no WhatsApp são motivos de desconfiança e gritaria. Os questionamentos são intermináveis e, por mais que a pessoa se explique, o ciumento nunca se dá por satisfeito.

Fontes: Andrea Lorena Stravogiannis, psicóloga, neuropsicóloga e colaboradora do Programa de Transtornos do Impulso do IPq-USP (Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo); Eduardo Ferreira-Santos, psiquiatra, psicoterapeuta e autor do livro “Ciúme – O Lado Amargo do Amor” (editora Ágora); Poema Ribeiro, psicóloga e sexóloga, e Raquel Fernandes Marques, psicóloga da Clínica Anime, de São Paulo.

Matéria de Heloísa Noronha, publicada originalmente no UOL, em 12/01/2018. Para acessá-la na íntegra: https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2018/01/12/ciume-normal-ou-doentio-avalie-como-voce-age-em-5-situacoes-do-cotidiano.htm

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Saiba mais sobre o livro do psiquiatra e psicoterapeura Eduardo Ferreira Santos:

CIÚME
O lado amargo do amor
EDITORA ÁGORA

O autor, que é psiquiatra, mergulha no tema do ciúme, mostrando as causas de seu surgimento e suas conseqüências para as relações afetivas – como dependência, perda de auto-estima e até distúrbios psicológicos graves. Ele também aponta saídas para situações neuróticas. Afinal, o ciúme acaba transformando o amor, sentimento altruísta por natureza, no mais exacerbado egoísmo.