‘A HORA DOS PROJETOS’

Aulas expositivas, em que os alunos permanecem silenciosos, ouvindo a explicação do conteúdo, à espera do momento em que estarão liberadas as perguntas perdem o sentido. Em vez disso, na escola do futuro, o aluno terá liberdade para estudar o conteúdo indicado pelo professor onde e como achar mais conveniente. O espaço de sala será utilizado, então, para debater os temas pesquisados e produzir grandes projetos relacionados a eles. E o estudo será norteado pelos interesses do grupo.

Na prática, funciona mais ou menos assim: em conjunto, a turma decide que construirá o miniprotótipo de um carro movido a energia solar, por exemplo. E, aos poucos, realiza pesquisas em fontes variadas para colocar o plano em prática. O processo todo requer o acesso a temas de diversas disciplinas. Por isso, há quem aposte que o ensino não será mais dividido em tantas matérias.

A Finlândia, por exemplo, anunciou há poucos meses uma reforma educacional. A partir do próximo ano letivo, todas as escolas de nível fundamental terão de incluir no mínimo dois projetos multidisciplinares em seu currículo. Trata-se de uma medida para motivar os alunos e atender às mudanças do mercado de trabalho. “O sistema antigo foi desenhado para as necessidades da era industrial”, disse a secretária de Educação da capital, Helsinque, Marjo Kyllönen, à época em que as novidades foram divulgadas.

Nesse novo cenário, a escola torna-se um espaço não apenas de consumo, mas também de produção de conteúdo. “Ela passa a ser o ambiente para fazer o conhecimento circular”, diz o educador Marcelo Bueno, diretor da Estilo de Aprender, em São Paulo. Em vez de ensinar tendo como objetivo principal a vida adulta, a formação acadêmica ou a preparação para a carreira profissional, ela serve de terreno para experimentos do presente. E, por que não, para solucionar problemas atuais? É o que faz a Technovation, um evento internacional que desafia meninas de dez a 18 anos a criarem aplicativos para resolver dificuldades da comunidade onde vivem.

Na última edição, as vencedoras da etapa nacional foram cinco garotas do Ensino Fundamental, moradoras de uma favela no Real Parque, na zona sul paulistana. Incomodadas com o lixo nas ruas da vizinhança, elas tentaram entender por que a sujeira se espalhava. Em seguida, criaram um aplicativo que avisa os moradores sobre o horário em que o caminhão de coleta passa. O sucesso do programa virou um minidocumentário.

Texto de Giuliana Bergamo, parte do TAB “Escola do Futuro”, produzido pelo UOL. Para ler o conteúdo na íntegra, acesse: http://tab.uol.com.br/escola-do-futuro/

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Quer se aprofundar no assunto? Conheça o livro:

10958TEMAS TRANSVERSAIS, PEDAGOGIA DE PROJETOS E MUDANÇAS NA EDUCAÇÃO
Autor: Ulisses F. Araújo
SUMMUS EDITORIAL

Nas décadas recentes a sociedade vem passando por mudanças que impactam a sala de aula, o currículo das escolas e os próprios objetivos da educação. Este livro discute como os chamados temas transversais, articulados com a pedagogia de projetos e com os princípios de interdisciplinaridade, podem apontar caminhos inovadores para a educação formal e para uma ressignificação da prática docente.

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