‘EDUCAÇÃO, INCLUSÃO E SOCIEDADE’

Discutir inclusão me traz sensações quase antagônicas. A primeira delas, impulsiva, é de que não há muito a falar a respeito: trata-se de uma questão de princípios, de valores, portanto já óbvia para quem vive em nosso tempo. Mas, ao trazer para o plano racional, não é necessário nem um segundo para concluir que há muito a discutir e, principalmente, a fazer.

De forma simplificada, entendo inclusão como valores, atitudes e práticas que se traduzem no respeito a diferenças e ao tratamento equitativo a pessoas diferentes, de forma a garantir oportunidades a todos. Se aplica a pessoas com deficiência, mas não se esgota aí.

Como mãe de uma jovem de 22 anos com Síndrome de Down, refletir, praticar e lutar por ela é parte da minha vida. Por conta disso, e por trabalhar com políticas sociais, especialmente de educação, vivo intensamente o que acontece no plano da consolidação dos direitos das pessoas com deficiência e principalmente da prática deles.

Em junho de 2015, há quase um ano, foi sancionada a Lei Brasileira da Inclusão. Ela amplia e concretiza direitos às pessoas com deficiência, que já há algum tempo vinham sendo construídos pela sociedade. Sei que, na prática, inclusão de verdade não se faz nem por lei nem por decreto. É bem mais complicado. Mas, por outro lado, sei que leis e decretos são fundamentais para que a inclusão ocorra, para conscientizar a sociedade e obrigá-la a pensar e agir de forma inclusiva. Ou seja, trata-se de condição necessária, mas não suficiente.

Bem, agora que temos a lei, vamos à prática. Mãos à obra! Rampas de acesso, vagas para deficientes, acesso e assentos preferenciais, tudo com muita dificuldade, mas até já fazem parte do nosso dia a dia.

Mas na educação é complicado. Logo a seguir à aprovação da lei, assistimos a algumas manifestações bastante inadequadas por parte de entidades, escolas e profissionais. No entanto, há de ser destacado que já se identificam inúmeros movimentos e articulações para garantir o direito à educação de qualidade a todos, o que inclui (é sempre preciso lembrar) as pessoas com deficiência.

Uma parcela dessas pessoas, com idade próxima à de minha filha, já viveu num contexto mais amplo de inclusão. Apesar de poucas, algumas escolas garantiram educação inclusiva. Mais que isso, muitos contaram com pais combativos que abriram espaços para seus filhos e para todos os demais. O resultado é que já foram muito melhor tratados e acolhidos pela sociedade do que gerações anteriores.  Mas isso ainda é um processo em construção, não generalizável.
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Texto parcial extraído de artigo de Vera Cabral, publicado originalmente no UOL, em 28/04/2016. Para lê-lo na íntegra, acesse: http://educacao.uol.com.br/colunas/vera-cabral/2016/04/28/educacao-inclusao-e-sociedade.htm

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Saiba mais sobre o assunto com os livros:

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INCLUSÃO ESCOLAR

O que é? Por quê? Como fazer?
Autora: Maria Teresa Eglér Mantoan
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INCLUSÃO E EDUCAÇÃO

Doze olhares sobre a educação inclusiva
Organizador: David Rodrigues
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INCLUSÃO NA PRÁTICA

Estratégias eficazes para a educação inclusiva
Autora: Rossana Ramos
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INCLUSÃO ESCOLAR: PONTOS E CONTRAPONTOS

Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Rosângela Gavioli PrietoMaria Teresa Eglér Mantoan
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CIDADANIA, SURDEZ E LINGUAGEM

Desafios e realidades
Autoras: Zilda Maria GesueliSamira KauchakjeIvani Rodrigues Silva
PLEXUS EDITORIA

 

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