‘COMO DOR DE CABEÇA INTENSA LEVOU MINEIRA A ENFRENTAR DEPRESSÃO’

Foram oito anos convivendo com crises de enxaqueca quase diárias até que um vazio começou a tomar conta da vida da fotógrafa Aline Resende, 29.

As coisas que a faziam feliz, como a leitura, foram perdendo o sentido. E, por mais que tentasse lutar contra, a única vontade que tinha era ficar na cama dormindo ou vagando em seus próprios pensamentos. O que lhe restou foi o medo de encontrar com as pessoas, a vergonha de falar sobre os seus sentimentos e a culpa.

“Tinha apenas 25 anos e sabia que aquele vazio não era normal”, afirmou ela, que, mesmo que tivesse um histórico de depressão na família, se sentia “inatingível”. “Achava que a doença era algo controlável. Engano meu”.

Diagnosticada com depressão, foram seis meses de tratamento psiquiátrico até afugentar o sentimento de vazio e também suas crises rotineiras de enxaqueca.

A associação entre dor crônica e depressão é recorrente. Um estudo do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) mostra a relação bidirecional entre ansiedade ou depressão e algumas doenças físicas crônicas.

“Durante todos os anos de enxaqueca era difícil sentir prazer nas coisas. Como sentir prazer diante de uma dor constante?”, questiona a mineira, que se diz hoje feliz e saudável.

Dor crônica, ansiedade e depressão

O levantamento feito na USP mensurou essa relação em pessoas adultas residentes na Região Metropolitana de São Paulo e mostra dados preocupantes.

A dor crônica foi a mais comum entre os indivíduos com transtorno de humor, como depressão e bipolaridade, ocorrendo em 50% dos casos de transtornos de humor, seguidos por doenças respiratórias (33%), doença cardiovascular (10%), artrite (9%) e diabetes (7%).

O estudo mostra que indivíduos com transtornos de humor ou de ansiedade tiveram incidência duas vezes maior de doenças crônicas. “Muitas vezes fica até difícil saber o que vem primeiro.

” Os distúrbios de ansiedade também são largamente associados com dor crônica (45%) e doenças respiratórias (30%), assim como com artrite e doenças cardiovasculares (11% cada). A hipertensão foi associada a ambos em 23% dos casos.

Como aponta Laura, que coordenou o estudo, os dados mostram a necessidade de maior atenção ao tema. “Com esses números precisamos atentar para a necessidade de passar a informação para o médico que está na linha de frente, no atendimento primário.”

De acordo com a especialista, ainda não se sabe por que a relação entre dor crônica e ansiedade ou depressão é tão intensa, já que os mecanismos da dor crônica são pouco conhecidos.

“O que se sabe é que a inflamação é a base tanto para dores crônicas, que inclui alguns tipos de cefaleia, como para os transtornos de humor e ansiedade. Portanto, todos afetam o sistema imunológico do sistema neurológico.”

Tratamento

No caso de Aline, o tratamento foi marcado por seções semanais com o psiquiatra e o ajuste de doses de antidepressivos, que ela toma até hoje, mas apenas por causa da enxaqueca. “Já fiquei um tempo sem os remédios e não tive recaídas da depressão, mas as dores na cabeça voltaram com toda força. Portanto, a recomendação médica foi continuar com o medicamento.”

A psiquiatra explica que os antidepressivos tratam a depressão e, em alguns casos, também a cefaleia. “Isso porque esses remédios contam com um componente chamado de amitriptilina, que combate diretamente as inflamações neurais –base das duas doenças”, aponta.

De volta a uma vida normal e feliz

“Passei a ter uma vida social normal, que muitas vezes era tolhida pelas minhas dores de cabeça. Sem contar que, atualmente, trabalho com muito mais gás e até tenho ânimo para frequentar a academia”, conta Aline, que lembra o estigma que envolve a depressão.

“A gente não tem vergonha de falar que sofre de uma doença no fígado, mas se sente completamente envergonhado de contar que sofre de uma doença mental. A gente não escolhe ter um problema nos rins, e o mesmo vale para a depressão.”

Matéria de Larissa Leiros Baron, publicada originalmente no UOL, 27/07/2017. Para lê-la na íntegra, acesse: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2017/07/27/como-a-dor-de-cabeca-levou-mineira-a-seis-meses-depressao.htm

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Se você quer saber mais sobre dores crônicas, conheça os livros da Summus que falam sobre o assunto:

DORES CRÔNICAS
Um guia para tratar e prevenir
Autores: Kimeron N. Hardin e Ellen Mohr Catalano

Cada um de nós sofre de alguma dor crônica, ou conhece alguém que sofre. Ela pode variar de um simples incômodo até um verdadeiro inferno. Destinado a todos que queiram enfrentar o problema, este guia ajuda a identificar tipos de dor, fatores que contribuem para seu agravamento, e formas de melhorar a qualidade de vida combatendo as conseqüências da dor crônica.

CONTROLE A DOR ANTES QUE ELA ASSUMA O CONTROLE
Autora: Margaret A. Caudill

O problema da dor mobiliza cada vez mais médicos, psicólogos e pesquisadores. Qual é o significado da dor? Que papel ela desempenha? É possível e desejável controlá-la? Estas são algumas perguntas que a autora, uma das pioneiras do estudo da dor, responde neste livro. Ela apresenta um programa de redução e controle de dores crônicas, com resultados comprovados, e fácil de ser seguido, apresentado de forma direta e detalhada. Um precioso instrumento para todos os que sofrem cronicamente de dores. Em formato 21 X 28 cm.

VIVA BEM COM A DOR E A DOENÇA
O método da atenção plena
Autora: Vidyamala Burch

A dor crônica e a doença podem minar a qualidade de vida de quem sofre com elas. Visando orientar tais pessoas, Vidyamala Burch oferece neste livro um método revolucionário para aliviar o sofrimento causado por diversas enfermidades e pelo estresse. Baseada na atenção plena (mindfulness) e na ideia de viver cada momento, ela apresenta técnicas de meditação e respiração profunda que combatem a dor e aumentam a sensação de bem-estar. Prefácio da edição brasileira de Stephen Little, diretor do Centro de Vivência em Atenção Plena e professor da sucursal brasileira da School of Life.

‘MUITO ALÉM DO SOM: ENTENDA OS BENEFÍCIOS DA MUSICOTERAPIA PARA IDOSOS’

Saiba como a prática oferecida pelo SUS pode ajudar no envelhecimento ativo e colaborar no tratamento de doenças relacionadas à terceira idade

A sala principal não estava muito cheia quando a terapeuta ocupacional Flávia Kaori Kanegava apareceu. Algumas pessoas estavam espalhadas pelo jardim e outras assistiam à televisão. Mas, bastaram poucos minutos para que ela reunisse todas em uma grande roda. Muitas vieram por iniciativa própria, enquanto aquelas que resistiam, aos poucos, foram cedendo até se juntarem à maioria. Seja em suas cadeiras de roda ou no sofá, em pouco tempo, estavam todos atentos para que estava prestes a começar.

“É para cantar bem bonito”, disse dona Olinda. E assim o fizeram. Ao som de “Como é grande o meu amor por você”, de Roberto Carlos, era possível ouvir as vozes de quase 30 senhores e senhoras, residentes do Cora Residencial Sênior, uma Instituição de Longa Permanência para idosos, onde a musicoterapia passou a fazer parte da rotina dos hóspedes.

Envelhecer melhor

A prática não tem muito a ver com entonação ou aulas de canto. A ideia é mais voltada à colaboração direta para o envelhecimento ativo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prática estimula a fala, aumenta a criatividade, movimenta o corpo, exercita a memória, reduz sintomas de depressão e age na prevenção de doenças associadas ao aumento de idade e início de doenças crônicas.

“Por desenvolver aspectos cognitivos, como atenção, concentração, memória, organização e planejamento, os exercícios com música são bastante completos, já que a parte física também é trabalhada”, explica Flávia.

Reabilitação

Antes de começar o coral, a terapeuta ocupacional incentiva os idosos a fazerem exercícios vocais, e depois pede para que eles cantem, com o auxílio da letra – impressa e entregue a cada participante. No meio da aula, ela troca de música e, ao som de “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa, os sorrisos começam a brotar na sala e o balanço dos corpos fica impossível de ser contido.

Porém, a agilidade de seus corpos já não é a mesma. Os movimentos, sutis, são feitos de seus assentos, com um gingado tímido, mas encorajados pela profissional. “Aqui o objetivo é estimular o cérebro e os movimentos, ainda que singelos, ajudam muito. Temos vários pacientes com demência causada por Alzheimer ou AVE [acidente vascular encefálico] que passam a ficar afásicos com o tempo, mas quando a música toca vejo que eles conseguem participar da atividade de um jeito bem mais natural, colaborando para a reabilitação”, explica Flávia.

A profissional também aproveita o encontro semanal para resgatar memórias provocadas pelas canções escolhidas, sendo esse um outro jeito de desenvolver a atividade cerebral, segundo ela.

“Tem gente aqui que não consegue saber que horas são. Mas, quando a música toca, todo mundo participa. É uma coisa que todos gostamos. Eu gosto porque ajuda a me lembrar do meu tempo de solteira, quando era menina”, contou dona Joice Seabra, de 92 anos.

Quem também reconhece os benefícios da musicoterapia não só para o corpo, mas também para a mente e o coração é dona Viviana Papni, de 97 anos. “Sinto muitas saudades quando escuto as músicas. Lembro-me de quando estudei piano, lembro-me de tudo com muito carinho”.

Doenças

Além de provocar a sensação de bem-estar, maior facilidade em se expressar, reduzir o estresse e melhorar as condições físicas, um estudo comandado pelo Instituto Max Planck de Neurociência e Cognição Humana de Leipzig, na Alemanha, conseguiu comprovar também que, uma vez que a música está relacionada às emoções mais profundas, as letras e as melodias são raramente esquecidas por pacientes com Alzheimer, por exemplo.

Essa constatação também pode ser percebida no documentário “Alive Inside”, produzido nos Estados Unidos, que mostra a atividade sendo capaz de fazer com que o cérebro de pacientes com Alzheimer ficasse mais ativo depois de terem que lidar com canções conhecidas, fazendo com que respondessem melhor a estímulos após a terapia.

Além disso, pessoas portadoras de doenças como Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, autismo, ou que sofreram acidente vascular cerebral (AVC) são beneficiadas com a prática, conforme constatam outras pesquisas.

SUS

Diante de tantas vantagens, a atividade foi incorporada recentemente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. Desde janeiro deste ano, outras terapias como meditação, reiki e quiropraxia são oferecidas gratuitamente à população.

Para saber onde encontrar o local adequado onde as sessões de musicoterapia são aplicadas e participar, é preciso entrar em contato com a secretaria de saúde do seu estado ou cidade.

Matéria de Marina Teodoro, publicada originalmente no iG, em 26/07/2017. Para acessá-la na íntegra: http://saude.ig.com.br/2017-07-26/musicoterapia-idosos.html

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Quer saber mais sobre musicoterapia? Conheça os livros da Summus:

MÚSICA E SAÚDE
Autora: Even Ruud

Compilação de textos das conferências do Congresso de Musicoterapia (Oslo, 1985). Especialistas internacionais mostram as ligações entre a musicoterapia e outros campos do conhecimento, como a neurologia, a percepção corporal e a semiótica. O leitor encontra aqui reflexões e métodos sobre as diferentes formas de trabalhar com música em terapia.

CAMINHOS DA MUSICOTERAPIA
Autora: Even Ruud

Este livro pretende esclarecer as relações entre a musicoterapia e os diferentes caminhos existentes na área da saúde mental e observar como estes diversos procedimentos estão vinculados a tendências filosóficas distintas.

TEORIA DA MUSICOTERAPIA
Contribuição ao conhecimento do contexto não-verbal
Autor: Rolando Benenzon

A musicoterapia é uma técnica que explora a relação entre emoções e música dentro de um processo terapêutico. Neste livro, o Dr. Benenzon esclarece os fundamentos teóricos da musicoterapia, contribuindo para a orientação na formação de musicoterapeutas em nível universitário.

O DESPERTAR PARA O OUTRO
Musicoterapia
Autora: Clarice Moura Costa

A partir de um embasamento teórico e de casos clínicos, a autora traça os objetivos e os limites da proposta psicoterápica apoiada na música. São mostradas as possibilidades de restauração dos processos de sociabilização e as reações dos pacientes.

‘HOTEL DO SONO EM SP QUER ENSINAR COMO DORMIR MELHOR’

Coisas que eu aprendi depois de passar uma noite no Hotel do Sono, em São Paulo: quarto e banheiro com iluminação indireta de fato ajudam a ligar o botão da sonolência, não é só o chá de camomila que ajuda a dormir melhor (alface, cereja e aveia também estão na lista) e é muito, muito difícil desapegar do celular pelo menos duas horas antes de dormir, como foi recomendado.

Confesso que, na falta de TV no quarto, às vezes uso o aplicativo da Netflix como sonífero. Eu sei que muitos médicos torceriam o nariz –tanto para as luzes fortes a essa hora como para a proximidade do aparelho na cama–, mas para mim funciona. Infelizmente, não sou do tipo que deita na cama e apaga.

Mas, depois de ter recebido várias recomendações para ter um sono melhor, me senti na obrigação de colocá-las em prática. Fiz uma refeição leve, bebi suco de maracujá, tomei um banho quente à meia luz e fui pra cama já com sono.

Fiquei quietinha por uns 50 minutos, mas barulhos inusuais (caminhões passando, o ruído do frigobar) não ajudaram. Ansiosa, não resisti e peguei o celular (no modo noturno, com pouca luz). Sanada a abstinência, o sono veio.

COMO FUNCIONA

Instalado em um casarão na Vila Mariana onde normalmente funciona o We Hostel, o Hotel do Sono é temporário e talvez se torne itinerante, dependendo de seu sucesso.

Ele funciona até o dia 24 de julho e, até lá, oferece atividades gratuitas ao público: palestras com médicos do sono, tour guiado com dicas de como dormir melhor e exemplos de um bom quarto e aulas de meditação e respiração. Só é preciso agendar um horário no site do projeto. A hospedagem, porém, não é aberta ao público.

A iniciativa é da Medley, que não revela quanto gastou no empreendimento, que incluiu uma reforma no hostel e novo mobiliário.

A empresa, junto com a Sanofi, lidera o mercado de tratamentos terapêuticos para a insônia, segundo Carlos Aguiar, diretor da Medley. “Mas não estamos fazendo propaganda de remédio, não há nenhuma menção a isso no hotel. Estamos levantando a bandeira do problema e dizendo ‘você precisa cuidar do seu sono e, se não conseguir melhorá-lo mudando o comportamento, procure seu médico'”, afirma ele.

“Não dormir bem não é normal. Ter problema no sono é um problema de saúde e pode ter consequências a curto e longo prazo, mas muita gente não reconhece isso”, diz Rosa Hasan, neurologista especialista em sono e médica assistente no laboratório do sono do IPq (Instituto de Psiquiatria do HC da USP).

Segundo ela, dormir mal pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, de obesidade e de alterações cognitivas, perda de libido e piora a aparência da pele.

O quadro é pior em cidades grandes. Segundo estudo publicado na revista científica “Sleep Medicine”, até 40% das pessoas que moram na cidade de São Paulo sofrem de insônia em algum grau. O transtorno é a dificuldade de manter o sono (e não só de pegar nele) e causa cansaço, irritação, dificuldade de concentração e dor de cabeça.

Além das dicas já conhecidas para ter uma boa e reparadora noite de sono, Hasan faz uma recomendação pertinente e atual: quando estiver prestes a dormir, evite entrar em contato com conteúdo que cause preocupação, aborrecimento e brigas (leia-se: talvez seja a melhor hora para silenciar aquele grupo no WhatsApp).

Matéria de Mariana Versolato, editora-adjunta de “Cotidiano, publicado na Folha S. paulo, em 18/07/2017. Para lê-la na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2017/07/1902032-hotel-do-sono-em-sp-quer-ensinar-como-dormir-melhor.shtml

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Quer saber mais sobre problemas do sono e tratamentos? Conheça o livro:

DURMA BEM, VIVA MELHOR
Autores: Stella TavaresPedro Paulo Porto JuniorPedro Luiz Mangabeira AlbernazMárcia CarmignaniAndrea Pen Mangabeira Albernaz
MG EDITORES

Quando os problemas de sono de repetem com freqüência, é preciso admitir que se está diante de um caso de doença do sono e que é necessário tratá-la. Este livro, escrito por uma equipe multidisciplinar do Hospital Albert Einstein, mostra os procedimentos corretos em termos de exames de diagnóstico, os diferentes tratamentos e seus efeitos. Obra útil para um grande número de pessoas que dorme mal mas desconhece as causas do problema.

‘FUTILIDADE TERAPÊUTICA’

Existe a ideia geral de que se um tratamento existe e está disponível ele é útil e deve ser empregado sempre que possível. No entanto, isso nem sempre é verdadeiro.

Da mesma forma, nenhum tratamento é intrinsecamente fútil. Se fosse assim, um tratamento fútil deveria ser abandonado de imediato, como já aconteceu com tratamentos que se tornaram obsoletos frente a novos conceitos ou novos métodos terapêuticos, por exemplo, tratamento da sífilis com sais arsenicais, cirurgia para úlcera gástrica, etc.

Qualquer tratamento disponível pode ser útil ou fútil na dependência de como, quando e, principalmente, para quem ele é empregado.

Tratamentos que produzam a cura, com restabelecimento pleno do estado de saúde ao patamar que existia antes da intercorrência da doença é potencialmente útil.

Quando a cura não é possível, os tratamentos tem a intenção de melhorar o estado de saúde, proporcionar melhor qualidade de vida. São tratamentos paliativos. Nessas circunstâncias chamamos esses tratamentos de paliativos.

Nos tratamentos de intenção paliativa é fundamental que se estabeleça qual o resultado esperado com o tratamento, quais seus eventos adversos associados e qual o exato benefício na qualidade ou tempo de vida.

É muito comum que se estabeleçam desfechos intermediários, paralelos, não diretamente relacionados com a qualidade de vida. Transfusões de sangue para corrigir o nível de hemoglobina e não para melhorar sintomas decorrentes da anemia; drogas vasoativas para elevar a pressão de pacientes em fase final de vida, etc. Em geral esses procedimentos adiam a morte, prolongam o processo de morrer, sem trazer benefícios reais à qualidade de vida.

Outras vezes, adotam-se medidas com intenção paliativa, mas que poderiam ser substituídas por procedimentos de efeitos mais rápidos, mais simples, ou de menor custo.

O objetivo principal dos cuidados paliativos é discernir entre o que pode ser útil e o que é potencialmente fútil, ao que chamamos de “distanásia” por prolongarem um sofrimento desnecessário.

Como disse o Papa João Paulo II, É lícito, em sã consciência, abdicar de métodos extraordinários que prolongariam a vida de forma desproporcional, sem qualidade de vida. Tudo pode ser disponível, mas nem tudo convém.

Artigo do oncologista Ricardo Caponero, publicado no portal do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Para acessá-lo na íntegra: http://centrodeoncologia.org.br/noticias-cancer/futilidade-terapeutica/

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Dr. Ricardo Caponero é oncologista Clínico e Coordenador do CATSMI – Centro Avançado de Terapia de Suporte e Medicina Integrativa. Conheça suas obras publicadas pela MG Editores:

A COMUNICAÇÃO MÉDICO-PACIENTE NO TRATAMENTO ONCOLÓGICO
Um guia para profissionais de saúde, portadores de câncer e seus familiares
Autor: Ricardo Caponero

Apesar de todos os avanços médicos e tecnológicos das últimas décadas, o câncer ainda é considerado tabu para a maioria das pessoas. Assim, quando o indivíduo descobre-se portador da doença, por vezes depara com uma espécie de “conspiração do silêncio”, o que pode prejudicar o tratamento e provocar consequências psicológicas profundas. Por outro lado, a equipe médica nem sempre está preparada para transmitir ao paciente informações claras, precisas e verdadeiras. Partindo de uma experiência de mais de 30 anos com pacientes oncológicos, Ricardo Caponero explica aqui como estabelecer e manter uma comunicação respeitosa e franca com o portador de câncer. Além de ensinar técnicas que ajudam na transmissão de informações – quase sempre difíceis –, ele aborda a comunicação como forma de tratamento, os entraves a ela, as possíveis soluções e os aspectos legais ligados ao exercício da medicina. Porém, acima de tudo, quebra a aridez do tema relatando histórias verídicas de confiança, entrega e encontro.
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CÂNCER E PREVENÇÃO
Organizadores: Ricardo CaponeroArtur Malzyner
Autores: Vanessa MastroDaniele Evaristo Vieira AlvesElge Werneck Araújo JúniorElza Maria de Oliveira Dertonio Donato Emerson Neves dos SantosFernanda de Campos Prudente SilvaMaria da Glória Gonçalves GimenesMaurício Antranig Nicolian MuradianRicardo CaponeroSimone Aparecida Oguchi FalcariTassiana Barros PetrilliValéria BrazolotoArtur Malzyner

Voltado para leigos, este livro, escrito por uma equipe multidisciplinar, explica o que é câncer e como preveni-lo; aborda a prevenção primária por meio de cirurgias, medicamentos, alimentação adequada e hábitos saudáveis; esclarece sobre a importância do diagnóstico precoce; e fala sobre os principais tipos de tratamento existentes. Fundamental para pacientes, familiares, psicólogos, enfermeiros etc.

PODER SUAVE (SOFT POWER) NO METRÓPOLIS, DA TV CULTURA

O jornalista Franthiesco Ballerini, autor de Poder Suave (Soft Power), falou sobre o tema de seu livro no programa Metrópolis (TV Cultura) do último domingo, 16/7. Assista ao vídeo abaixo com sua participação (a partir de 11’50’’) e saiba mais sobre essa capacidade de um Estado ou uma instituição influenciar a opinião pública .

 

 

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1464/9788532310644

‘5 MITOS E VERDADES SOBRE PILATES QUE VOCÊ PRECISA SABER’

O pilates é um exercício físico bastante recomendado para quem quer cuidar do corpo e não é fã das academias convencionais

Apesar de ser uma atividade relativamente nova no Brasil, com 26 anos de atuação no país, o pilates já ganhou bastante popularidade e atinge cada vez mais adeptos. As aulas ajudam a melhorar a flexibilidade, a postura, o fortalecimento dos músculos e a emagrecer. Porém, alguns mitos sobre a atividade ainda circulam por aí, impedindo que muita gente conheça os benefícios da prática por preconceito ou falta de conhecimento. Outro ponto que pode pesar é o peço, já que para praticar pilates é preciso investir uma quantia considerável por mês. O preço médio, em São Paulo, varia entre R$ 200 a R$ 600 (semanal ou três vezes na semana), dependendo da região, e se as aulas são particulares ou em grupo. O educador físico Douglas Paiva, também fundador da Pure Pilates, respondeu pra gente algumas questões sobre o exercício.

Sobre os valores, ele comenta: “O pilates muitas vezes é visto como uma atividade cara porque é comparado às aulas de academia, em que muitas pessoas são atendidas pelo mesmo instrutor. Porém, as turmas são enxutas, com no máximo com três alunos, o que acaba tornando as aulas mais personalizadas e, consequentemente, com resultados mais satisfatórios. Além disso, se você comparar com uma sessão de fisioterapia, no caso de praticar pilates para reabilitação, o valor acaba se tornando justo. Outro ponto que deve ser levado em conta é o investimento na prevenção de doenças, que quando instauradas acabam saindo muito mais caro do que as sessões.”

Pilates é só alongamento? O Pilates também é alongamento mas não se resume a isso como muitas pessoas pensam. Grávidas não devem praticar Pilates A não ser que haja alguma recomendação médica em casos de gravidez de risco, Pilates pode e deve ser praticado por grávidas. Pilates é coisa de mulher Pilates é coisa de mulher, mas também de homem. Para começar, ele foi criado por um homem, Joseph Pilates, que aplicou a técnica nele mesmo, obtendo ótimos resultados. Até um tempo atrás os estúdios eram dominados pela classe feminina, culturalmente mais preocupada com a saúde e estética, mas de um tempo pra cá a realidade mudou. Idosos não devem praticar Pilates

O pilates é um ótimo aliado dos idos e deve sim ser praticado por quem não tenha restrição médica. Além de proporcionar mais autonomia e energia ao praticante, que geralmente possui limitações, previne doenças típicas da terceira idade.

Pilates solo e pilates em estúdio são a mesma coisa Não são, apesar de terem a mesma essência. O pilates solo não conta com o apoio de equipamentos e exige do aluno um controle maior, já que tudo depende da força do próprio corpo. Algumas vezes são usadas bolas ou outros acessórios para diversificar os exercícios. No pilates em estúdio existem os equipamentos para a realização das aulas, que permitem aumento de carga e personalização deacordo com o objetivo de cada um.Ambas atividades são benéficas, vale verificar qual delas mais se encaixa com o seu perfil.

Matéria publicada originalmente na Revista Viva Mais. Para acessá-la na íntegra: http://vivamais.uol.com.br/noticias/viva-saudavel/5-mitos-e-verdades-sobre-pilates-que-voce-precisa-saber.phtml

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Para saber mais sobre pilates, conheça os livros da Summus:

O CORPO PILATES
Um guia para fortalecimento, alongamento e tonificação sem o uso de máquinas
Autora: Brooke Siler

O método desenvolvido por Joseph Pilates prioriza os movimentos realizados sem aparelhos, utilizando o corpo como ferramenta única e para desenvolver força, resistência e flexibilidade. Neste livro, encontramos a sequência de movimentos fiéis às intenções originais de Pilates, com instruções e desenhos explicativos precisos e esclarecedores.

 

DESAFIOS DO CORPO PILATES
Na academia, em casa e no dia a dia
Autora: Brooke Siler

Um programa de condicionamento físico deve possibilitar força, flexibilidade e condicionamento cardiovascular. Partindo das práticas de Pilates no solo, descritas em O corpo Pilates, Brooke Siler demonstra neste livro de que forma esses objetivos podem ser atingidos em um mesmo programa de exercícios. Também propõe algumas formas de levar para o dia-a-dia, sob supervisão de um orientador, os princípios de controle corporal do Pilates.

‘ENSINO DE MATEMÁTICA ENGATINHA ATÉ NAS ESCOLAS PRIVADAS DE ELITE DO PAÍS’

A enorme dificuldade do Brasil no ensino da matemática vai muito além do universo da rede pública.

O desempenho das escolas privadas de elite do país na disciplina só supera o obtido por alunos de nível socioeconômico inferior à média das nações desenvolvidas.

Quando comparadas a instituições de ensino que atendem alunos de renda elevada na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), as notas de escolas brasileiras com perfil socioeconômico equivalente são decepcionantes.

Os dados foram levantados pela Fundação Lemann com base no Pisa, exame internacional de aprendizagem.

No último teste, em 2015, alunos brasileiros de instituições privadas de elite tiveram uma média de 497,2 pontos em matemática, contra 541 pontos obtidos pelos estudantes de classe mais alta que frequentam todos os tipos de escolas na OCDE.

A distância de 43,8 pontos equivale, segundo a escala do Pisa, a um atraso na aprendizagem superior a um ano.

“É uma diferença muito significativa, considerando que se trata de uma classe socialmente privilegiada”, diz Ernesto Martins Faria, economista da Fundação Lemann, responsável pelo estudo.

O recorte do Pisa por nível socioeconômico revela que o desempenho das escolas brasileiras da classe super alta também perde para o obtido por instituições cujos alunos têm renda apenas um pouco acima da média na OCDE.

O nível socioeconômico tem forte correlação com o desempenho escolar. Alunos mais ricos contam com contexto cultural e social mais sólido para alcançar melhores resultados. Além disso, escolas privadas são, em geral, mais bem estruturadas.

As questões de matemática do Pisa buscam testar a capacidade de jovens de 15 anos de identificar padrões e resolver problemas da vida real. Assim, o raciocínio é mais importante que a memorização.

“Não ensinamos os alunos a raciocinar porque ainda prevalece a cultura de treinamento para provas”, afirma Antonio José Lopes, doutor em didática de matemática e autor de livros didáticos.

Lopes diz que nem o ensino da tabuada deveria se pautar apenas na memorização e ilustra com um exemplo:

“O aluno pode não se lembrar quanto é 7 vezes 9. Mas, se ele sabe raciocinar, vai se dar conta que 9 é próximo de dez. E é mais fácil multiplicar 7 por 10 e depois subtrair 7”.

CULTURAL

O problema do Brasil, dizem especialistas, envolve várias dimensões e que atingem todo tipo de escola. Passa por falta de apoio às escolas e deficiências na formação de professores. “Parece existir uma fragilidade na forma como ensinamos matemática”, diz Faria, da Lemann.

Existe, ainda, uma cultura familiar e social de aversão à matemática. “Começamos a incutir na cabeça das crianças desde muito cedo que matemática é difícil, é para poucos”, diz Ricardo Falzetta, gerente de conteúdo do Movimento Todos Pela Educação.

A OCDE divide a aprendizagem em seis patamares de proficiência. Entre as escolas privadas brasileiras, apenas 0,4% dos alunos se enquadra no nível 6, o mais elevado.

Nesse estágio, os jovens atingiram o que a organização chama de “pensamento e argumentação avançados”, conseguindo atacar novos problemas matemáticos.

A fatia de alunos da rede privada brasileira que não consegue atingir o nível 2 (capazes de empregar algoritmos básicos, fórmulas e convenções) é de 30%. Nas públicas, o cenário é pior. São 77%. No Chile, por exemplo, o percentual é de 14%. No Japão, 9%.

DIFICULDADE

Você recebe uma pergunta matemática e a primeira coisa que vem à cabeça não é a solução, mas sim: não sei matemática, vou errar. É o que se chama de “ansiedade matemática”, explica o professor Flavio Comin, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

“Essa sensação ocupa a memória de trabalho e é quase uma profecia autorrealizável”, completa Comin.

O pesquisador afirma que dificuldades dos alunos com o aprendizado de matemática tem uma relação forte com as famílias. “Os pais não sabem matemática e, a partir do 4º e 5º ano, começam a se desengajar no acompanhamento dos estudos dos filhos.”

A falta de estímulos para que os estudantes se interessem pela disciplina atinge todo tipo de aluno.

“Mas em um país com grande desigualdades, as crianças de classe média alta podem ter a impressão de que não precisam se esforçar, elas sabem o lugar onde estão”, diz o docente, que coordena estudos sobre o conhecimento matemático de adultos, em relação a outros países.

Diretor do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), Marcelo Viana também insiste na imagem negativa do tema. “O Brasil é de longe o país que tem menos contato com a matemática pura”, diz ele, que é colunista da Folha. “O discurso que a matemática é difícil, só para gênios, cria um álibi de que não é preciso aprender”, diz.

Ambos pesquisadores ressaltam o impacto da qualidade de professores.

“Todos os estudos mostram a importância do professor. E a dificuldade aqui do ponto de vista da gestão da sala de aula é que a formação ainda é muito teórica”, completa Comin, da UFRGS.

E o problema é mais grave. Em todo o país, 67,5% dos professores de matemática do ensino médio nem sequer têm formação na área.

A Base Nacional Comum Curricular é vista por especialistas como um potencial de mudança. Além de definir o que os alunos devem aprender a cada ano da educação básica, o documento –ainda em análise– deve impactar em alterações no modelo de formação docente no país.

Antonio José Lopes, especialista em didática para o ensino da matemática, não é tão otimista. “A base engessa o conteúdo por série. Não prevê que a aprendizagem da matemática evolua como um processo. Limita o ensino a tópicos fragmentados.”

O custo de o país ir mal em matemática se tornará, segundo estudos, cada vez mais alto. Sobretudo porque praticamente todo o desenvolvimento tecnológico tem forte ligação com a área.

Entre 1980 e 2012, ocupações que exigiam, ao mesmo tempo, elevadas habilidades matemáticas e características como a capacidade de trabalhar em grupo aumentaram 7,2 pontos percentuais em relação ao total da força de trabalho nos Estados Unidos, de acordo com pesquisa do economista David Deming, da Universidade Harvard (EUA).

OUTRAS ÁREAS

Além de matemática, o Pisa avalia, a cada três anos, a aprendizagem de alunos de 15 anos em ciências e leitura.

Nessas outras duas disciplinas, o déficit de aprendizagem entre as escolas privadas de elite do Brasil e as das nações ricas é menor do que em matemática. Em ciências, a nota de alunos brasileiros de nível socioeconômico mais alto é 27,3 pontos menor que dos alunos mais ricos da OCDE. Em leitura, a desfasagem do Brasil é de 25,3 pontos.

 

Matéria de Érica Fraga e Paulo Saldaña, publicada na Folha de S. Paulo em 09/07/2017. Para lê-la na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2017/07/1899625-ensino-de-matematica-engatinha-ate-nas-escolas-privadas-de-elite-do-pais.shtml

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Tem interesse pelo assunto? Conheça:

ENSINO DE MATEMÁTICA: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Ubiratan D’Ambrósio e Nilson José Machado
SUMMUS EDITORIAL

A análise sobre a teoria e a prática do ensino da matemática (bem como suas dificuldades) é o foco desta obra. Nela, os autores discorrem sobre diferentes aspectos do ensino da matemática, analisando questões históricas, epistemológicas, sociais e políticas. Esse profícuo diálogo nos conduz a uma disciplina concebida como meio para a formação pessoal e para o exercício da cidadania.

‘JOVEM, REPENSE SEUS VALORES EM RELAÇÃO À VELHICE, RECOMENDA PSICÓLOGA’

Maria Célia Abreu fala com conhecimento da causa que defende. Aos 73 anos, a psicóloga e professora universitária por mais de 20 anos na PUC-SP, é taxativa: ainda há preconceito exacerbado com imagem dos velhos, diz. E os jovens precisam ficar mais atentos ao tema, completa a autora de “Velhice: uma nova paisagem” (editora Agora), livro em que reúne depoimentos, experiências e dicas sobre a questão que lhe é mais cara atualmente.

Maria Célia fala mansamente, mas é enfática. Esqueça expressões como “melhor idade” ou “idade do ouro”, elas fazem parte do esforço de reconhecimento do velho na sociedade, mas não passam disso, garante Maria Célia. E, em recado claro às gerações mais jovens, um recado: repensem seus valores em relação aos velhos.

Quais os efeitos dos preconceitos que ainda cercam a velhice?

O preconceito contra a velhice existe – muitas vezes não conscientizados – e cria uma crença falsa que restringe a sua exposição a experiências diversificadas. Se eu tenho um preconceito contra velho, não me aproximo de quem tenha mais idade e posso estar perdendo a oportunidade de uma convivência muito rica. É algo a ser reconhecido, trazido à consciência e depois combatido.

Os velhos também têm preconceito contra velhos?

O velho que também tem preconceito contra velho vai limitando a sua própria vida. Ele se educou nessa sociedade em que se dizia que velho era algo inferior, debilitado, incapaz, então ele apreende que está incapaz, decadente e começa a se comportar como tal. Como se não merecesse mais ser autônomo, ele vai ficando à parte do mundo, principalmente desse mundo tecnológico. Então, temos de ter consciência do nosso preconceito, tenhamos nós qualquer idade, sabendo que eles são prejudiciais.

O fato de os velhos serem hoje numericamente expressivos, uma tendência que vai persistir, não muda o cenário e a percepção que se tem dessa fase da vida?

Sim, os velhos eram um grupo numericamente pouco significativo até pouco tempo atrás. Hoje, se você vai ao velório de alguém com 60, 70 anos, ouve ‘nossa, morreu novo’. Há uma mudança muito grande na sociedade para se adaptar a essa quantidade de velhos. Os termos idade de ouro e melhor idade, por exemplo, são parte desse esforço, mas, claro, a velhice não é nada disso. Mas esses termos foram cunhados para fazer valer direitos. Aí o velho foi ganhando visibilidade.

Qual é a “nova paisagem” a que você se refere no seu livro? Você escreve por experiência própria?

Sim, há influência das minhas experiências. Nos últimos dois, três anos a gente está começando a entrar numa nova paisagem. Existia uma imagem que ainda usamos, que associa o envelhecimento à descida de uma montanha. Ao descer, a gente perde tudo aquilo que ganhou enquanto subia. Essa imagem é desesperante, desesperançada, péssima. A vida não é uma montanha que se sobe ou se desce. A vida é uma estrada que você não sabe o quanto ela será extensa ou não. Se você atravessa uma paisagem árida, cheia de pedregulhos, calma, ela vai acabar. A estrada continua. Não necessariamente todo começo de estrada tem paisagens amenas, há infâncias muito dolorosas. E não necessariamente o final, a velhice, é pobre. Muitas vezes é a melhor fase que a pessoa vive. A gente enaltece a infância e diz que a velhice é péssima. Isso não é verdade.

A velhice pode mesmo ser a melhor fase da vida de uma pessoa?

Todas as idades têm seu valor.

Por que a velhice assusta tanto? Ou é a morte?

Morrer pode acontecer em qualquer idade, mas se sabe que, uma vez velho, se está próximo do fim. Há quem enfrente isso muito bem. E tem quem relute diante da própria velhice. Quanto mais se falar sobre morte, isso deixa de ser tabu. E isso também é algo recente. A morte, os cuidados paliativos, o testamento vital, os cuidados que você pode ter para preparar a sua própria morte. Isso exige reflexão, coragem.

Há, de certo modo, uma profusão de estudos sobre o envelhecimento. Como, de fato, passamos a encarar a velhice de modo diferente? Na prática, a teoria é outra, não?

Já há inúmeras profissões lidando com o envelhecimento, isso é um bom sinal. O que sabemos é que tem de dar liberdade, respeitar e garantir autonomia aos velhos. A própria família carrega o preconceito, muitas vezes.

De quem ou de que instituições é a responsabilidade por falarmos e cuidarmos tão precariamente dos velhos?

Estamos num processo de transformação. O tema está se abrindo. Os políticos estão percebendo a força política dos velhos. E a indústria também está começando a perceber que o velho tem de ter uma atenção diferente do jovem.

Como lidar com a fragilidade do outro diante da própria fragilidade, no caso de pessoas de 60, por exemplo, que cuidam de pais acima de 80?

Essa turma, em geral, tem filhos demandando atenção além dos pais, o que faz com que haja uma geração espremida entre dois lados. Temos de lidar com as coisas com naturalidade. O velho é uma pessoa importante e de alguma forma você vai ter de se adaptar a ele, assim como se adapta aos filhos. É importante não interferir na vida dos pais mais do que eles precisam. O velho tem de lutar por sua autonomia. E o jovem tem de confiar que o velho é capaz. Com bom senso. Tem de saber e conversar sobre as limitações.

Os 50 anos são tidos como um marco, atualmente, as queixas começam aí. Para quem ainda não chegou, mas está perto, o que você diria?

Todas as fases da vida são apenas novas paisagens. O que conta é a prevenção. Para ser um velho legal, saudável e de cabeça aberta você tem de começar já a cuidar do corpo, da forma física, da saúde, tem de estudar, ler, aprender, manter o cérebro funcionando, participar da comunidade e cultivar relações afetivas. Jovem, é muito provável que você fique velho; é muito provável também que você trabalhe com velhos e para velhos. Convém repensar seus sentimentos em relação ao velho e à velhice, bem como os valores atribuídos a eles. É preciso se informar sobre esse segmento da população, ainda tão desconhecido. Você vai fazer parte dele.

Entrevista feita por Maria da Luz Miranda, publicada em O Globo em 15/07/2017. Acesso na íntegra para cadastrados: http://blogs.oglobo.globo.com/depois-dos-50/post/jovem-repense-seus-valores-em-relacao-velhice-recomenda-psicologa.html

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Conheça o livro de Maria Celia de Abreu:

VELHICE
Uma nova paisagem
EDITORA ÁGORA

Todos nós estamos ou muito em breve estaremos envolvidos com velhos: por sermos idosos, por termos alta probabilidade envelhecer ou porque nossos produtos tendem a ser consumidos por esse público. Por que, então, a velhice permanece um estigma em nossa sociedade? A fim de mudar essa visão, a psicóloga Maria Celia de Abreu propõe neste livro transformar visões e ideias preconcebidas a respeito do velho. Partindo de estudos teóricos sobre a psicologia do envelhecimento e de vivências colhidas em grupos de estudos, ela propõe que a vida passe a ser encarada como uma estrada que percorre diversas paisagens diferentes – nem melhores nem piores que as outras.

Com exercícios de conscientização e exemplos práticos, a autora discorre sobre inúmeros assuntos pertinentes à velhice, como corpo, sexualidade, memória, perdas, luto e depressão. Fundamental para idosos, seus familiares, cuidadores, pesquisadores e para todos os que desejam envelhecer com saúde, autoconfiança e alegria, a obra conta com depoimentos de importantes personalidades sobre emoções que sentem ao encarar a ideia da velhice.

HERANÇA VIRTUAL

Você já pensou na sua herança virtual? Confira as explicações de Ivone Zeger, advogada especialista em direito de família e sucessão e autora da Mescla.

http://www.radiojustica.jus.br/radiojustica/noticia!visualizarNoticia.action?menuSistema=mn314&entity.id=345945#

Conheça os livros da dra. Ivone Zeger publicados pela Mescla Editorial:
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FAMÍLIA
Perguntas e respostas

Quando o assunto é direito da família, somente uma especialista como Ivone Zeger pode responder de forma simples e direta às principais dúvidas relacionadas com casamento, divórcio, pensão alimentícia, partilha de bens, adoção, violência doméstica, filhos, união gay etc. – tudo de acordo com as mudanças ocorridas na legislação.

 

HERANÇA
Perguntas e respostas

Quais são os motivos para deserdar alguém? Bens de família também entram no pagamento da dívida? Quando uma pessoa morre sem deixar testamento, quem fica com os bens? O que cabe aos enteados? E à segunda esposa? Divorciados têm direito à herança do cônjuge? O que é usufruto? Filhos têm de dividir a herança com o avô?
Essas são apenas algumas das perguntas respondidas neste livro. Com base em sua ampla experiência em Direito de Família e Sucessão, a advogada Ivone Zeger esclarece – em linguagem simples e objetiva, bem distante do “juridiquês” que assusta os leigos – as dúvidas mais comuns que todos temos sobre o assunto.

 

‘SAIBA COMO EXERCÍCIOS PODEM PROTEGER O CÉREBRO CONTRA O ALZHEIMER’

De acordo com um novo estudo, praticar exercícios em ritmo moderado diariamente melhora a saúde e a atividade dos neurônios

Simples mudanças no estilo de vida podem ajudar a prevenir o Alzheimer. De acordo com um novo estudo publicado no periódico científico Journal of Alzheimer’s Disease, praticar exercícios regularmente e em ritmo moderado estimula o bom funcionamento de diversas regiões do cérebro, até mesmo em pessoas geneticamente predispostas à doença.

Metabolismo da glicose

A partir do metabolismo da glicose no cérebro, os pesquisadores puderam medir a saúde da atividade cerebral e o funcionamento dos neurônios de 93 voluntários com, em média, 64 anos de idade e histórico de Alzheimer na família – apenas uma variação genética relacionada a doença já indica alto risco de desenvolvê-la. Em pessoas com a doença, as regiões do cérebro tendem a teo metabolismo da glicose, processo que fornece às células cerebrais a quantidade correta de energia.

Os resultados mostraram que os participantes que gastavam pelo menos 68 minutos em exercícios físicos de intensidade moderada (caminhada rápida) ou intensa (corrida extenuante), tinham um padrão de metabolismo da glicose mais saudável do que as que praticaram menos. As atividades físicas mais leves não mostraram os mesmos benefícios, nem mesmo mudanças significativas. Já a atividade física vigorosa apresentou um melhor padrão da glicose apenas em uma região do cérebro, o hipocampo.

O estudo

Para detectar a relação entre as diferentes intensidades de atividade física e a atividade cerebral, os participantes utilizaram um acelerômetro durante uma semana para registrar os exercícios físicos praticados e foram submetidos a tomografias cerebrais (PET/CT) para medir a glicose no cérebro.

Poder da intensidade

Segundo Ozioma Okonkwo, professor na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos e principal autor do estudo, apenas maiores doses de exercícios mais intensos oferecem os benefícios, sugerindo que não é preciso se exercitar ao extremo para prevenir a doença. Pesquisas anteriores mostraram que exercícios de intensidade moderada e vigorosa podem ter resultados similares, porém o atual estudo indica que exagerar no treino não é necessário.

Para os especialistas, a capacidade de quantificar a conexão entre a atividade física moderada a intensa e a saúde do cérebro é algo importante para as pesquisas sobre o Alzheimer. No entanto, mais estudos precisam ser feitos para descobrir a relação de causa e efeito entre os exercícios e o metabolismo da glicose e demonstrar seus benefícios. Inclusive, a equipe de pesquisa está à procura de pessoas com leves problemas de memória para ajudar a determinar a dose certa de exercícios físicos em testes laboratoriais.

Nunca é tarde

Pesquisas anteriores também já estabeleceram uma conexão entre o metabolismo da glicose e a função cognitiva. “Estamos mostrando agora que um estilo de vida ativo de intensidade moderada realmente aumenta a função neuronal”, disse o professor. “Acho seguro dizer que este é provavelmente um dos caminhos pelos quais o exercício reduz o declínio cognitivo na terceira idade.”
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Matéria publicada originalmente na Veja.com, em 28/06/2017. Para lê-la na íntegra, acesse: http://veja.abril.com.br/saude/saiba-como-exercicios-podem-proteger-o-cerebro-contra-o-alzheimer/………….

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Quer saber mais sobre Alzheimer? Conheça o livro dos psiquiatras canadenses especializados em neurologia :


DOENÇA DE ALZHEIMER
O guia completo
Autores: Serge Gauthier Judes Poirier

Este livro apresenta uma visão geral das últimas novidades médicas e científicas sobre os avanços recentes em pesquisa, as causas e os tratamentos da doença de Alzheimer, formas de prevenção que vêm sendo desenvolvidas e hábitos e estilos de vida que foram validados cientificamente e podem desacelerar ou impedir a progressão sintomática da doença.