‘ESCRITA É INCENTIVADA EM JOGO PRODUZIDO POR PESQUISADORA DA FEUSP’

Em um levantamento feito pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o Brasil tem 13 milhões de analfabetos. Mas a questão é mais complexa do que se imagina. Esse número pode ser ainda maior se forem considerados os chamados analfabetos funcionais, ou seja, aqueles que tem dificuldade de compreender textos simples. Com isso em mente, a pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), Silvia Colello, idealizou um jogo para estimular a prática da escrita.

O jogo chamado de “Escola: dá pra encarar?”, que conquistou o segundo lugar na categoria game no Prêmio ARede Educa, foi desenvolvido como parte da tese de Livre-Docência junto ao Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação da FEUSP e contou com a participação de crianças da ONG Instituto Franco Vive, de São Paulo (SP), da faixa etária de 6 a 10 anos, oriundas da rede pública de ensino.

“Enquanto os filhos de classes sociais mais privilegiadas tem pais que contam histórias e que usam a língua escrita e possuem livros em casa, as crianças da Ong não tem esse acesso. Então montei essa pesquisa para descobrir uma maneira de fazer com que essas crianças se envolvessem mais no aprendizado da escrita”

Que vocês resolvam o problema!

Em formato de tabuleiro, os estudantes só conseguem chegar ao final – e vencer o jogo – após uma série de resoluções de problemas relacionados à escola. Para Colello, esse tipo de atividade desperta nos alunos o senso de responsabilidade e a vontade de aprender. O jogo possui três vertentes de problemas: pedagógicos, relacionais e administrativos.

“Propus isso porque, apesar das crianças irem todo dia à escola, elas tem uma visão muito superficial sobre seu funcionamento. Então, na maioria das atividades, o que se ouvia eram coisas do tipo ‘tem que ir pra escola pra não ser burro’ ou ‘tem que ir pra escola pra ser alguém na vida’”, comenta.

A pesquisadora parte do princípio de que não podemos subestimar as crianças, apesar de muitas delas terem uma relação ruim com o conhecimento e com a escola. Ao trazer problemas concretos, pelo quais muitas delas passam, foi quando a experiência se intensificou. Um dos exemplos de problemas era quanto a um troféu que uma turma ganhou. Eles tinham que decidir em que sala esse troféu ficaria.

Com isso, ao longo do trajeto do tabuleiro, eles vão acumulando ou repassando problemas e ao final, é visto o saldo de problemas restantes; a partir deles os alunos produzem textos explicando como poderiam resolvê-los. “Fiquei impressionada com o impacto que esse jogo teve, ao gerar neles uma reflexão da cultura escolar”.

As fases do interesse

Colello observou também o impacto que tinha quando os convidava para jogar. De início, conta ela, os estudantes ficavam arredios e perguntavam, de longe. “o que que é isso aí?”. “Muitas crianças estão tão desencantadas do ambiente escolar que já chegam falando ‘ah, eu não quero fazer’, então eu as deixava só observando”, explica.

No segundo momento do jogo a pesquisadora explica que as coisas já mudavam. Aqueles que antes não queriam participar, começavam a interferir nas ideias dos colegas. O terceiro momento é o da tomada de atitude, com os alunos impondo seus pensamentos e suas ideias.

Colello afirma que a conclusão óbvia a que chegou foi que, sim, as crianças da periferia estão atrasadas. A conclusão não óbvia é que, pelo pouco que se faz, elas reagem muito. “Isso põe abaixo a ideia de que as crianças são apáticas, e que não querem se envolver na aprendizagem”.

“A ideia é que a escola pode mudar, ela deve mudar, se aproximar do lúdico. Deve provocar a criança com suas atividades, para elas saírem dessa condição de marasmo e se tornarem mais protagonistas do seu conhecimento”, afirma a pesquisadora.

Texto publicado originalmente no site da Faculdade de Educação da USP. Para acessá-lo na íntegra: http://www4.fe.usp.br/escrita-e-incentivada-em-jogo-produzido-por-pesquisadora-da-feusp

*** 

 

Silvia Colello é autora da Summus Editorial. Conheça seus livros:

10657ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Silvia M. Gasparian Colello, Sérgio Antônio da Silva Leite

Neste livro, dois especialistas da Unicamp e da USP ampliam a compreensão do ensino da língua escrita. É possível alfabetizar sem retornar à cultura cartilhesca? Qual o papel da afetividade na alfabetização? Como sistematizar o trabalho pedagógico em sala de aula? Que paradigmas devem ser revistos no caso da aprendizagem escrita? Essas e outras perguntas são respondidas e debatidas nesta obra fundamental ao professor.
…..

10246A ESCOLA QUE (NÃO) ENSINA A ESCREVER
Autora: Silvia M. Gasparian Colello

A fim de repensar as concepções acerca da língua, do ensino, da aprendizagem e das práticas pedagógicas, este livro levanta diversos questionamentos sobre a alfabetização como é praticada hoje nas escolas. Depois de analisar diversas falhas didáticas e tendências pedagógicas viciadas, a autora oferece alternativas que subsidiem a construção de uma escola que efetivamente ensine a escrever.

 

10711TEXTOS EM CONTEXTOS
Reflexões sobre o ensino da língua escrita
Organizadora: Silvia M. Gasparian Colello
Autores: Teresa Cristina Fernandes Teixeira, Érica de Faria Dutra, Gláuci Helena Mora Dias, Maria Aparecida Vedovelo Sarraf, Maria de Lurdes Valino, Martha Sirlene da Silva, Márcia Martins Castaldo, Nilma Guimarães , Silvia M. Gasparian Colello, Andréa Luize

Com o objetivo de discutir a alfabetização em sua complexidade, esta obra usa o referencial socioconstrutivista para relacionar teoria e prática em diferentes abordagens: as concepções de ensino e de escrita, as trajetórias escolares na alfabetização de crianças e adultos, os processos cognitivos na aprendizagem da escrita, a produção textual na infância e adolescência, os desafios da transposição didática e a formação de professores alfabetizadores.

‘CÂMARA APROVA EXIGÊNCIA DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO’

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (13) uma emenda que altera a proposta de reforma do ensino médio e volta a tornar obrigatória a oferta de conteúdos de filosofia e sociologia nesta etapa de ensino.

As duas disciplinas, antes previstas pela Lei de Diretrizes e Bases, que rege a educação no país, haviam sido excluídas na medida provisória apresentada pelo governo em setembro deste ano.

Agora, a maioria dos deputados votou a favor de que o ensino de filosofia, sociologia, artes e educação física seja ofertado nesta etapa –foram 324 votos a favor e apenas cinco contrários.

O texto aprovado na Câmara, porém, não fala em disciplinas específicas, mas sim em “estudos e práticas” que devem ser inseridos na BNCC (base nacional comum curricular), documento que definirá quais os conteúdos comuns a todas as escolas do país.

Isso significa que esses estudos não necessariamente ocorrerão por meio de disciplinas separadas –caberá à base e às redes de ensino a definição desse modelo.

Atualmente, os conteúdos que deverão fazer parte da base nacional curricular estão em discussão no Conselho Nacional de Educação.

Antes da aprovação da emenda, o ensino de artes e educação física, também excluídos na MP, já haviam sido reintroduzidos no currículo do ensino médio por meio de parecer aprovado em uma comissão no Congresso.

Texto parcial de matéria publicada originalmente na Folha de S. Paulo. Por Natália Cancian E  Ranier Bragon. Para acessar na íntegra: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/12/1841196-camara-aprova-exigencia-de-filosofia-e-sociologia-no-ensino-medio.shtml

***

Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o livro:

10060A FILOSOFIA VAI À ESCOLA
Autor: Matthew Lipman
SUMMUS EDITORIAL

O ensino da filosofia nas escolas é aqui defendido como uma forma de oferecer às crianças e aos jovens a oportunidade de discutir conceitos universais e desenvolver um espírito crítico e investigativo. Publicação fundamental no contexto brasileiro, onde a inserção da filosofia nos currículos escolares ainda é uma questão controvertida.

‘ALUNO BRASILEIRO GOSTA DE CIÊNCIAS, MAS É MASSACRADO PELO CONTEÚDO’

Os resultados do exame internacional Pisa mostram uma esquizofrenia nacional. Os alunos por aqui gostam mais de ciências do que quem estuda em países desenvolvidos, mas, em comparação internacional, o desempenho brasileiro é bem menor.

De acordo com o Pisa, 40% dos estudantes do país declaram que querem seguir carreiras ligadas à ciência e à tecnologia –taxa maior do que a encontrada nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que é de 24%.

Mais: metade dos alunos brasileiros afirma ter interesse por ciências –foco do Pisa deste ano. Os estudantes por aqui disseram que até se divertem com conteúdos científicos.

O problema é, na hora da avaliação, quem estuda no Brasil acerta só 30,6% das questões de ciências. Para se ter uma ideia do que isso significa, na Finlândia, país referência na educação mundial, o índice de acerto nas mesmas questões chega a 56,4%.

Menos da metade de nossos estudantes sabe o básico de ciências. Em Estados como Alagoas, o pior do país no exame, os brasileirinhos erram três de cada quatro questões de ciências.

Estamos no final da fila na avaliação de ciências, em 63º lugar, de um total de 70 países. É basicamente um desastre.

Gostar de ciências, como declaram os estudantes brasileiros no Pisa, não é difícil. A ciência explica a vida em todas as suas formas e trata do mundo de uma escala milhares de vezes menor do que a espessura de um fio de cabelo até o tamanho do Universo.

Quem é curioso gosta de ciências. Jovens são curiosos.
…………………………….. 

Texto de Sabine Righetti, publicado na Folha de S. Paulo, em 06/1’2/2016. Para ler a matéria na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/12/1838911-aluno-brasileiro-gosta-de-ciencias-mas-e-massacrado-pelo-conteudo.shtml

***

 Para saber mais sobre o ensino de ciências, conheça o livro:

10891ENSINO DE CIÊNCIAS: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Nélio Bizzo, Attico Chassot
SUMMUS EDITORIAL 

Transitando entre história, filosofia e ensino de ciências, esta obra aborda, entre outros temas, a origem das espécies e do homem, o papel da igreja na história da ciência, a dimensão dos conteúdos nas disciplinas científicas, as relações entre o saber popular e o saber científico, a interdisciplinaridade e a transversalidade. Livro fundamental para a formação de professores de ciência no contexto brasileiro.

Compre este título com desconto na Amazon.com.br:

………………………………………

JOSÉ SERGIO CARVALHO AUTOGRAFA “POR UMA PEDAGOGIA DA DIGNIDADE” NA FACULDADE DE EDUCAÇÃO, NA USP

A Summus Editorial e a Faculdade de Educação da USP (FEUSP) promovem no dia 31 de março, quinta-feira, das 19h às 22h, a noite de autógrafos do livro Por uma pedagogia da dignidade – Memórias e reflexões sobre a experiência escolar. O autor do livro, o professor José Sergio Carvalho, receberá amigos e convidados no auditório da Faculdade, que fica na Av. da Universidade, 308 – Bloco B – Térreo, Cidade Universitária, São Paulo.

Numa obra sensível e original, Carvalho lança um olhar diferente para imagem social da escola e aborda a singularidade da dimensão experiencial e existencial da instituição. Construído com base em suas experiências como aluno, professor e pai, o livro questiona alguns mitos dos discursos correntes sobre educação, aborda as relações entre escola e família e mostra que a vida escolar é uma experiência que produz significados ao configurar identidades individuais e coletivas.

“Os textos que compõem a obra têm a pretensão de estabelecer um diálogo crítico com os efeitos dessa desconfiança generalizada que se abateu sobre a imagem da escola na sociedade contemporânea. Não no sentido de rejeitar liminarmente as teses que lhes deram origem, mas ao ressaltar um aspecto que nela costuma permanecer oculto: o fato de que a escola é um lugar de experiências. Nela adentramos cada vez mais cedo e permanecemos cada vez mais tempo: encontramos mestres e charlatões; fazemos amigos e inimigos; descobrimos objetos belos que nos comovem e travamos contato com aspectos trágicos de nossa condição e existência”, diz.

Na obra, há ocasiões em que os escritos trazem à tona os ecos distantes da voz do aluno; em outras, o clamor presente da voz do professor. Neles emergem ora as preocupações do pai, ora as inquietações do pesquisador, a indignação do cidadão e a esperança do militante. Em alguns trechos, seus objetos são recordações e observações do cotidiano escolar; em outros, a leitura de um romance, a síntese de uma investigação teórica ou a interpretação de uma obra cinematográfica.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1435/Por+uma+pedagogia+da+dignidade

Por uma pedagogia da dignidade

‘ESCOLA INOVADORA’ NÃO TEM PROVA OU CARTEIRA

Escolas sem prova, salas de aula sem carteira, turmas com alunos de idades diferentes e professores que, em vez de ensinar apenas os temas relacionados à sua disciplina, estimulam o debate e a curiosidade dos estudantes. Essas foram algumas das iniciativas adotadas nos últimos anos por escolas públicas e privadas de São Paulo, que foram reconhecidas como “inovadoras” pelo Ministério da Educação.

No fim de 2015, o MEC mapeou escolas com propostas pedagógicas e iniciativas que fogem do modelo convencional. Em todo o Brasil, foram identificadas 178 instituições com projetos considerados criativos e inovadores, sendo que mais de um quarto delas (48 unidades) estão no Estado de São Paulo.

O objetivo, segundo o ministério, é superar o isolamento dessas experiências, fomentar uma mudança de cultura em torno do modelo da escola e inspirar professores, pais e alunos para as novas iniciativas. Já que, apesar de inúmeros diagnósticos de que o modelo antigo (com aulas expositivas, alunos enfileirados e provas) não atende à demanda dos jovens, pouco se alterou nas escolas.

Uma das “escolas inovadoras” é o colégio municipal Guia Lopes, no Limão, na zona norte da capital, que atende 315 crianças de 4 e 5 anos. A escola tem a proposta de usar os diferentes espaços da unidade para estimular o aprendizado, focado em dois grandes projetos: contra o racismo e discriminação de gênero e sobre sustentabilidade e consumo.

“Na brinquedoteca temos bonecas negras e todos, meninos e meninas, brincam com elas. Na horta, montada pelos próprios alunos, fazemos a discussão sobre a diversidade biológica. Tínhamos muitos espaços ociosos na escola e decidimos usá-los porque cada ambiente propicia um aprendizado diferente”, disse a diretora Cibele Racy. Ela conta que um dos futuros objetivos é montar turmas com alunos de diferente idades, em vez de separá-los por série.

Gestão democrática

Na Escola Politeia, na Água Branca, zona oeste de São Paulo, o nome que remete às cidades-Estado da Grécia Antiga faz todo o sentido com o projeto pedagógico proposto. A metodologia do colégio prevê que assuntos que competem ao cotidiano dos alunos sejam submetidos a assembleias, assim como na “polis” grega. Professores, funcionários e alunos discutem, entre outras questões, que passeio querem fazer ao longo do ano.

“Trabalhamos pela formação de estudantes com autonomia”, resume a educadora Carol Sumiê. No primeiro encontro deste ano, por exemplo, um estudante sugeriu uma visita ao Planetário do Ibirapuera, na zona sul. Em outra, discutiu-se a prioridade de uso dos computadores da sala de informática.

Há ainda comissões sobre diversos temas, como a de manutenção. “Queremos a formação de um sujeito político e atuante na comunidade em que vive”, diz a educadora.

As turmas são divididas por ciclos e não por séries. Assim, em vez de salas do 1º ao 9º ano, há mistura de alunos de faixas etárias próximas. Não há provas: a preferência é por uma avaliação contínua, feita por trabalhos e pesquisas semestrais.

Nem as disciplinas tradicionais escapam. Para que os alunos aprendam Português e Redação, por exemplo, os temas são inseridos em um contexto de um trabalho temático. A estudante Luísa Carneiro, de 11 anos, decidiu aprender mais sobre a polícia. “Quero entender como eles trabalham.” A aluna diz que o formato ajuda a se desenvolver melhor.

No colégio Wish, no Jardim Anália Franco, na zona leste, os alunos também não são separados em séries, mas em turmas multietárias. Os da educação infantil têm turmas mistas. Apenas o 1.º ano do ensino fundamental é separado. Os alunos de 2º e 3º e os de 4º e 5º ano ficam em turmas mistas. “Começamos a misturar as faixas etárias em projetos pontuais. Neste ano fizemos turmas multietárias por causa da interação entre os alunos e a ideia de que os saberes não são lineares”, diz Andressa Lutiano, diretora do Wish.

As turmas têm no máximo 26 alunos e dois professores em sala. Os alunos são estimulados a pesquisar sobre assuntos que os interesse e, assim, se aprofundar nas disciplinas. “Tivemos aluno do 3º ano que quis pesquisar sobre a 2ª Guerra Mundial”, diz.

Os casos de bullying diminuíram com a nova organização da escola, segundo Andressa. “Quanto mais diversificada a turma, menor é a incidência de provocações e preconceitos.” Andressa admite que as mudanças assustaram alguns pais no início, mas que a escola sempre adotou transparência e a participação dos responsáveis para as novas propostas.

Informações do jornal O Estado de S. Paulo, reproduzidas pelo UOL Educação em 22/02/2016. Acesse a matéria em http://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2016/02/22/escola-inovadora-nao-tem-prova-ou-carteira.htm

***

Para aprofundar-se nos temas, conheça os livros da coleção Novas Arquiteturas Pedagógicas:
…..

11006AUTOGESTÃO NA SALA DE AULA
As assembleias escolares
Autor: Ulisses F. Araújo
SUMMUS EDITORIAL

Depois de conceituar a educação baseada na resolução de conflitos, esta obra oferece um guia prático para implantar as assembleias escolares, incluindo os passos a serem seguidos na promoção das assembleias de classe, de escola, de docentes e dos fóruns escolares. Por fim, dá voz aos sujeitos que já vivenciaram as assembleias, mostrando as mudanças vividas nas relações escolares e sua contribuição para a ética e a cidadania.

…………………..

10958TEMAS TRANSVERSAIS, PEDAGOGIA DE PROJETOS E MUDANÇAS NA EDUCAÇÃO
Autor: Ulisses F. Araújo
SUMMUS EDITORIAL

Nas décadas recentes a sociedade vem passando por mudanças que impactam a sala de aula, o currículo das escolas e os próprios objetivos da educação. Este livro discute como os chamados temas transversais, articulados com a pedagogia de projetos e com os princípios de interdisciplinaridade, podem apontar caminhos inovadores para a educação formal e para uma ressignificação da prática docente.

 

‘AS CRIANÇAS NEGRAS SÃO MAIS PUNIDAS DO QUE AS BRANCAS’, DIZ PEDAGOGA

Existe racismo na sala de aula, e ele começa na educação infantil. Isso é o que afirma Ellen de Lima Souza, mestre e doutoranda do Programa de Pós-graduação em Educação da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e diretora do Itesa (Instituto de Tecnologia, Especialização e Aprimoramento Profissional).

Segundo a pedagoga, a escola normalmente é um ambiente inóspito para as crianças negras. Ellen estudou como elas são vistas por professoras de educação infantil e constatou duas visões distintas: o negro que gera nas docentes piedade (uma postura paternalista) ou expectativa (que deve necessariamente assumir uma postura ativista). Para mudar essa realidade, ela propõe que os professores assumam uma postura de protagonismo em sala de aula, de geradores de conhecimento, para trabalhar a autonomia e a independência nas crianças.

UOL Educação – Crianças também podem ser racistas?

Ellen de Lima Souza – Sim, podem. E são. As pessoas não esperam que elas reproduzam atitudes racistas. Depois da família, o primeiro ambiente de socialização é a escola, onde a criança é mais exposta ao racismo.

UOL – De que forma o preconceito se apresenta em sala de aula?

Souza – Quando você tem criança que se recusa a se sentar ao lado de outra negra, que diz que tem nojo de negro, que vê o negro sempre em papéis de subalternidade; quando crianças negras não são selecionadas a participar ou não têm protagonismo em atividades culturais, festas. Isso faz com que as crianças naturalizem a desigualdade e reproduzam ofensas, como quando dizem que o negro é feio, burro, cheira mal e outras coisas bastante pesadas.

UOL – Como os professores costumam tratar o tema na educação infantil?

Souza – Na minha dissertação [de mestrado], fui buscar professoras premiadas pelas práticas que já exerciam, de uma educação para a igualdade, e percebi que elas são atingidas por duas percepções básicas em relação aos negros: um sentimento forte de paternalismo, ela tem pena da criança negra, entende que ela vai necessariamente sofrer o racismo, e tem um sentimento de piedade; a outra percepção é a que gera nas professoras uma expectativa de que a criança negra tem que ser ativista. Por outro lado, existem as professoras que não têm essa consciência de uma educação para a igualdade. Essas acreditam que o Brasil vive uma democracia racial, trata o negro com indiferença e pune a criança negra com muita frequência. Aliás, desde bebês, as crianças negras são mais punidas do que as crianças brancas, recebem apelidos depreciativos e, nas situações de conflito, são as preteridas ou as culpadas.

UOL – Então como o tema deve ser tratado em sala de aula?

Souza – Na dissertação, a primeira coisa que eu proponho é que o professor crie metodologias e didáticas, ele é o protagonista em sala de aula, tem um papel social, é alguém que garante direitos, que deve ver o sujeito como autor e não reprodutor do conhecimento. Depois, eu trabalho com três conceitos básicos, baseados na mitologia iorubá: as perspectivas da ancestralidade, da corporalidade e da oralidade. Esses conceitos ajudam a criança, seja negra ou não negra, a desenvolver sua identidade, suas relações, desenvolver a emoção, física e intelectualmente, das várias formas possíveis. O professor precisa lidar com as crianças para potencializar e valorizar a condição de ser negro, já que a criança aprendeu sempre que é algo ruim. Essas perspectivas fazem com que as crianças sejam cada vez mais independentes, autônomas, aprendam a respeitar, dão a ideia de pertencimento étnico, de que a criança não está sozinha.

UOL – E o que fazer quando os pais não querem que os filhos participem dessas atividades?

Souza – Eu acho que é preciso procurar o Ministério Público, a Justiça. Ensinar história e cultura afro-brasileira é primordial. Se esse pai ou essa mãe não quer o filho estude cultura africana e afro-brasileira, ele deve pagar uma escola confessional. A escola pública é de todos, é da criança negra, da não negra, da boliviana, e se você não quer que o seu filho aprenda esses valores, tira do serviço público. A escola pública brasileira que tem que ser laica. A gente aprendeu os valores cristãos, por que as crianças não podem aprender parte da filosofia africana?

UOL – Quais são os impactos de discutir racismo na educação infantil?

Souza – A criança que tem condição de trabalhar a partir de uma educação igualitária vai além do que está posto, tem novas perspectivas de valores, uma nova cosmologia de mundo. Ela recebe essa gama de informações e fica com pensamento mais abrangente. Indiretamente, faz com que ela saiba lidar com questões de gênero, de orientação sexual, diferenças entre empobrecidos e não empobrecidos.

Reportagem de Marcelle Souza, publicada originalmente no UOL Educação, em 12/01/2016. Para lê-la na íntegra, acesse: http://educacao.uol.com.br/noticias/2016/01/12/as-criancas-negras-sao-mais-punidas-do-que-as-brancas-diz-pedagoga.htm

***

Se você tem interesse pelo assunto, conheça os livros abaixo, da Selo Negro Edições:

40014RACISMO E ANTI-RACISMO NA EDUCAÇÃO
Repensando nossa escola
Autora: Eliane Cavalleiro

Diversos olhares sobre o ambiente da sala de aula procuram captar os racismos presentes nesse cotidiano. Alguns dos assuntos que nos alertam para uma educação anti-racista são a revista especializada em educação, o livro infantil, o tratamento dado à África e outros.
 

40027TRAMAS DA COR
Enfrentando o preconceito no dia-a-dia escolar
Autora: Rachel de Oliveira

Com sensibilidade e singeleza, a autora utiliza um relato ficcional dos problemas enfrentados por uma menina negra em sua escola para abordar as questões básicas do racismo por parte de crianças e adultos em nossos estabelecimentos de ensino. Sugere posturas saudáveis para enfrentar os problemas mediante o incremento da auto-estima e o conhecimento de figuras ilustres da história negra.


40018AÇÕES AFIRMATIVAS EM EDUCAÇÃO
Experiências brasileiras
Organizadora: Cidinha da Silva

Este livro busca aprofundar o debate sobre as ações afirmativas, ampliando-o para além das cotas. São apresentados programas que visam garantir o acesso, a permanência e o sucesso de negros/as na universidade, possibilitando a realização do sonho de jovens que vivenciam processos estruturais de exclusão; são discutidas as metodologias de seleção de pessoas negras nesses projetos; são abordadas a África e a Afro-Ascendência na perspectiva da cultura construída pela matriz banto. Finalmente, são considerados os principais aspectos da discussão sobre as cotas para negros/as, especialmente o falso dilema – quem é negro/a no Brasil? – uma vez que, quando se trata de garantir direitos, a pessoa negra se desvanece na decantada miscigenação racial brasileira.

O PAPEL DOS PAIS NA ESCOLHA PROFISSIONAL DOS FILHOS

Criar os filhos é uma tarefa que exige tempo, bom-senso e dedicação. Quer saber mais sobre qual é o papel dos pais na educação dos filhos? Confira abaixo o vídeo do programa Mulheres (TV Gazeta), com a participação da psicóloga Elizabeth Monteiro, autora do livro Criando adolescentes em tempos difíceis.

-

Elizabeth Monteiro iniciou sua carreira lecionando para crianças de ensino fundamental. Cursou Pedagogia e especializou-se em Psicopedagogia, tendo em seguida se formado psicóloga. Ao mesmo tempo que estudava e trabalhava, cuidava de sua família. É casada há mais de quarenta anos, tem quatro filhos e dois netos. É autora de Criando adolescentes em tempos difíceis (Summus Editorial, 2009), A culpa é da mãe (Summus, 2012), Criando filhos em tempos difíceis – Atitudes e brincadeiras para uma infância feliz (Summus, 2013), Cadê o pai dessa criança? (Summus, 2013) e Avós e sogras (Summus, 2014), e defende o respeito aos jovens e o resgate da dignidade humana. Hoje, dá cursos e palestras por todo o Brasil e atende crianças, adolescentes, adultos, famílias e escolas.

‘UMA EM CADA CINCO CRIANÇAS NO BRASIL NÃO SABE LER AOS OITO ANOS’

Uma em cada cinco crianças matriculadas no 3º ano do ensino fundamental de escolas públicas do país não tem desempenho adequado em leitura. No quesito escrita, são 34,46% dos alunos abaixo do nível esperado.

Esses estudantes estão classificados no nível 1 da ANA (Avaliação Nacional da Alfabetização). Isso significa que não conseguem ler um texto básico. “Os [estudantes] do nível 2 leem texto simples e têm habilidades mais simples, como recuperar uma informação. Uma habilidade que demanda mais: inferir o fim da história. No nível 2 e 3, os alunos estão lendo. E no nível 4 estão lendo além do esperado hoje”, explicou Chico Soares, presidente do Inep (instituto do MEC responsável pelo exame).

Em escrita, esses alunos podem apresentar desempenho com troca ou omissão de letras e produzem textos ilegíveis ou com grande quantidade de erros ortográficos. “A situação de escrita é pior do que a de leitura”, afirmou Soares. Em ambas as áreas, as regiões Norte e Nordeste têm desempenho inferior à média nacional.

O diagnóstico foi feito a partir da ANA, aplicada no ano passado para cerca de 2,3 milhões de alunos do 3º ano do fundamental, em 49 mil escolas públicas do país. Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira (17) pelo Ministério da Educação.

“Esse é o ponto que mais inspira preocupação”, afirmou o ministro Renato Janine (Educação), sobre o grande número de alunos com baixo desempenho em leitura e escrita. “A gente não deve fugir da realidade de que temos crianças que, aos 8 anos, não estão onde deveriam estar”, afirmou Chico Soares, presidente do Inep (instituto do MEC responsável pelo exame).

O teste é uma das ações do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, lançado pela presidente Dilma Rousseff em 2012. O objetivo é garantir que, ao final dessa etapa escolar, todas as crianças brasileiras estejam plenamente alfabetizadas. Além de uma prova nacional, a iniciativa prevê a formação de alfabetizadores e distribuição de material didático para os docentes.

‘INACEITÁVEIS’

O secretário-executivo do MEC, Luiz Cláudio Costa, reconheceu que alguns números são “inaceitáveis”, mas a pasta pondera que o objetivo da ANA, a partir de agora, é contribuir para melhorias em sala de aula.

“Esses dados vão indicar muito bem ao responsável onde deve ser a intervenção pedagógica principal. Se seu aluno nem palavras escreve é uma coisa. Se ele está no nível 3, é outra coisa. Não é uma questão de ranking, de punição, é de orientação”, concluiu Janine.

Texto de Flávia Foreque, publicado originalmente na Folha de S. Paulo, em 17/09/2015. Para ler a matéria na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2015/09/1682956-57-dos-alunos-de-oito-anos-tem-baixo-aprendizado-em-matematica.shtml

***

Se você tem interesse pelo assunto, não deixe de conhecer o livro:

10246A ESCOLA QUE (NÃO) ENSINA A ESCREVER
Autora: Silvia M. Gasparian Colello
SUMMUS EDITORIAL

A fim de repensar as concepções acerca da língua, do ensino, da aprendizagem e das práticas pedagógicas, este livro levanta diversos questionamentos sobre a alfabetização como é praticada hoje nas escolas. Depois de analisar diversas falhas didáticas e tendências pedagógicas viciadas, a autora oferece alternativas que subsidiem a construção de uma escola que efetivamente ensine a escrever.