‘PAIS, AVÓS E O CABO DE GUERRA’

Você conseguiu a proeza de ter uma relação bacana com sua sogra/sogro ou pai/mãe, mas eis que chegou o pimpolho e tudo desandou? Ou ainda, era uma batalha até então, mas se tornou uma guerra declarada sem trégua depois que o bebê nasceu? Se você se reconhece nessa cena, seguem algumas reflexões.

Do lado dos pais recém-empossados na função, vivemos em tempos cujo equívoco (cada tempo terá sua própria propaganda enganosa sobre a criação de filhos) é supor que os pais, mas acima de tudo a mãe, são tudo que o pimpolho quer e precisa. Na realidade, bebês e crianças precisam de sujeitos adultos que se dediquem insanamente a eles por um bom período, mas não é imprescindível que seja a mãe e tampouco que seja uma mulher.

A propaganda enganosa de que os pais são tudo para os pequenos leva a crer que eles saberiam instintivamente como cuidar dos bebês. No entanto, eles não sabem e vão ter que inventar a roda com o carro andando, como todos nós. A insegurança que assombra os pais na atualidade passa também por uma experiência geralmente nula, pois não criamos mais os bebês de forma coletiva. Cada um tem o seu e tem que se virar para aprender como lidar com ele. Resumindo, não há instinto que garanta um saber, e tampouco podemos contar com a transmissão cultural de como cuidar dos bebês.

Quando você tem filhos, pode ficar assombrado pelo imperativo de fazer tudo melhor do que seus próprios pais fizeram e provar que suas inúmeras queixas sobre eles têm fundamento. Mas eis que as coisas vão saindo do controle no dia a dia e, por melhor que você seja, se descobre tão distante do que esperava ser. Nesses momentos de insegurança e cobrança excessivas, as sugestões mais inócuas dos avós podem cair como uma bomba na sua autoestima cambaleante.

Do outro lado do ringue temos os avós, com suas próprias questões. No mundo ideal, eles seriam os melhores candidatos a ajudar nessa inédita função, uma vez que a sobrevivência dos seus filhos é a prova de que eles devem ter feito alguma coisa certo. Mas a necessidade de justificarem seus erros e a busca por reconhecimento de seus acertos como pais podem criar uma tensão com as escolhas diferentes dos filhos. Os palpites “quase sempre” bem-intencionados dos avós podem estar a serviço de provar que no fundo eles é que tinham razão.

Além disso, os netos tão amados nos lembram o quanto ficamos velhos, e que somos os próximos candidatos à extinção. Nesse sentido, os netos têm um lado “presente de grego”. Eles são nossa continuidade e a marca de nosso fim. A resistência em passar cetro e coroa para a nova geração, assumindo o próprio envelhecimento, faz alguns avós ditarem regras e diagnósticos, desqualificando os pais novos.

Mas como fica o pimpolho, enquanto tudo isso ocorre?!

Dormindo, chorando, mamando, sujando as fraldas e assistindo ao cabo de guerra. Torçamos para que ele não seja a corda do jogo. Mas quer saber? Salvo raras exceções, os bebês vão muito bem obrigada, estando a salvo do narcisismo das pequenas diferenças, que se repete a cada nova geração. Afinal, não se trata do bebê a questão, não é? Mas sim, de nossas profundas inseguranças diante dos novos papéis tão arrebatadores, tanto de pais, quanto de avós.

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Artigo de  Vera Iaconelli publicado originalmente em sua coluna na Folha de S. Paulo. Para acessar na íntegra: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vera-iaconelli/2018/01/1952603-pais-avos-e-o-cabo-de-guerra.shtml

 

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Tem interesse pelo tema? Conheça:
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AVÓS E SOGRAS
Dilemas e delícias da família moderna
Autora: Elizabeth Monteiro
SUMMUS EDITORIAL

Que papel é reservado às avós no mundo de hoje? E às sogras? Certamente elas não são mais aquelas velhinhas que passavam o dia todo tricotando. Hoje, trabalham fora, cuidam ativamente dos netos e muitas vezes sustentam toda a família. Nesta obra, Betty Monteiro fala sobre o lugar dos avós na sociedade moderna, aponta limites para a intervenção na família e aponta caminhos para uma convivência intergeracional harmoniosa.

‘É IMPORTANTE IMPOR LIMITES AOS NOSSOS FILHOS?’

Como saber se já é hora de seu filho comer sozinho, se trocar, tomar banho ou até ajudar nas tarefas de casa? Esse foi o tema do Momento Papo de Mãe (TV Cultura) da última sexta-feira, dia 15/9, com participação da psicóloga Natércia Tiba e do escritor Renato Kaufmann, autor de Diário de um grávidoComo nascem os pais.

Assista:

 

Conheça os livros do autor publicados pela Mescla Editorial:

DIÁRIO DE UM GRÁVIDO

Este livro conta, com humor desconcertantemente sincero e apaixonado, como é atrapalhada e emocionante a gravidez do ponto de vista masculino. Do pânico da primeira notícia até o nascimento do bebê, passando pelo primeiro ultrassom, o sumiço do obstetra, a intrigante placenta, as outras grávidas e os hormônios ensandecidos, a obra traz uma perspectiva nova sobre um tema universal. Prefácio de Washington Olivetto.

COMO NASCEM OS PAIS
Crônicas de um pai despreparado

O bebê chegou. E agora? Do mesmo autor do best-seller Diário de um grávido, este livro traz textos deliciosos sobre o adorável e doloroso processo de tornar-se pai. Renato fala, de forma apaixonada e ácida, dos dois primeiros anos da vida de sua filha. Relatando episódios aparentemente comuns na vida de qualquer pai participante, ele constata que a vida mudou, em geral para melhor.

 

 

‘PAIS NÃO PODEM AFASTAR AVÓS DOS NETOS, PRINCIPALMENTE APÓS SEPARAÇÃO’

Pais não têm o direito de afastar avós de seus netos. Existe até uma lei que garante aos avós o direito à convivência com os netos em caso de separação dos pais.

Regina Beatriz Tavares da Silva, especialista em direito de família e presidente da ADFAS (Associação Brasileira de Direito de Família e das Sucessões), diz que os avós podem entrar com uma ação caso um dos pais dificulte a visita ao neto.

“O pedido de regulamentação das visitas dos avôs é muito bem visto pelos juízes, até por existir diversas pesquisas que mencionam o benefício dessa convivência para  as crianças e adolescentes”, afirma a advogada.

A psicopedagoga Elizabeth Monteiro, autora de vários livros sobre convivência familiar, diz que os pais deveriam aproveitar a experiência dos avós, principalmente em momentos de crise, como a separação do casal.

“Os avós podem ser aliados dos pais neste momento, podem ajudar a criança a compreender melhor o que está ocorrendo”, diz Betty.

Segundo ela, os pais precisam entender que quem está se separando são eles. “Os avós não têm nada a ver com isso.”

Betty afirma que os pais não podem falar mal dos avós para as crianças, nem mesmo quando estão com a razão. “Nada justifica denegrir a imagem de uma pessoa que a criança ama. Deixa a criança crescer e ela mesmo saberá fazer suas escolhas.”

Para a psicopedagoga, os pais devem estimular a convivência entre netos e avós. “Existem pesquisas mostrando que crianças que convivem com avós são mais felizes.”

VIVER MELHOR EM FAMÍLIA

Autora do livro “Viver Melhor em Família”, publicado pela Mescla Editorial, Betty estreia um programa com o mesmo nome em setembro no SBT. O programa será exibido nas manhãs de domingo.

Segundo ela, o programa será totalmente diferente daqueles no estilo ‘super nanny’. “Não vamos dar a receita, objetivo é fazer a pessoa pensar. Não existe uma fórmula mágica O que funciona para uma pessoa pode não ser bom para outra.”

No caso de crianças que fazem birra, por exemplo, Betty sugere que os pais se coloquem no lugar dela e entendam por que está agindo daquela maneira. “E também pensem sobre as atitudes que têm que podem interferir. Vamos estimular a pessoa a se colocar no lugar do outro para entendê-lo melhor.”

Texto da jornalista Fabiana Futema, publicado originalmente no blog Maternar, em 20/07/2016. Para lê-lo na íntegra, acesse (restrito a assinantes da Folha ou do UOL):
http://maternar.blogfolha.uol.com.br/2016/07/20/pais-nao-podem-afastar-avos-dos-netos-mesmo-apos-separacao/? 

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Conheça os livros da psicopedagoga Elizabeth Monteiro, publicados pelo Grupo Summus, clicando nas capas abaixo:

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