‘SEXO NA TERCEIRA IDADE! OS BENEFÍCIOS E OS ALERTAS PARA ESSA FASE DA VIDA’

Ter uma vida sexual ativa é a realidade de muitos idosos. Desequilíbrio hormonal, brinquedos sexuais e aplicativos de encontro envolvem o assunto

Ainda há quem pense que o sexo é algo raro quando se entra na terceira idade, mas a prática sexual  nessa fase da vida traz muitos benefícios para a saúde física e mental. O assunto pode parecer um tabu para algumas pessoas, porém não tem idade para o amor e os idosos estão cada vez mais ativos e usando até a tecnologia para encontrar parceiros.

“Tivemos grandes mudanças, para melhor, com o passar dos anos. O tabu diminuiu e os idosos estão se permitindo viver experiências novas”, afirma a sexóloga Priscila Junqueira. “Na terceira idade , normalmente, as pessoas já sabem o que gostam no sexo e estão mais confiantes”, completa.

Ser sexualmente ativo na terceira idade também é extremamente saudável. O andrologista e cirurgião geral e vascular Carlos Araujo Pinto explica que naturalmente os idosos não têm a mesma condição física dos jovens e algumas complicações com a saúde, que geralmente aparecem com a idade, podem até modificar as relações, mas o sexo não deixa de ser algo prazeroso.

“Por este motivo é sempre necessário consultar um especialista para verificar se está tudo bem clinicamente. Até mesmo porque muito idosos, principalmente homens, acabam se automedicando o que é extremamente perigoso e errado”, alerta o especialista.

Visitas ao médico ajudam no sexo

O acompanhamento clínico deve ser feito, mas a dúvida de muito idosos é saber com que frequência é necessário ir ao médico. Para Carlos, o ideal é visitar um profissional de confiança de uma a duas vezes por ano para fazer o famoso check-up geral. “É importante avaliar toda parte circulatória, hormonal, verificar se o idoso está na andropausa ou menopausa, além de uma avaliação de uma gama de fatores com exames de sangue”, fala.

O clínico geral e geriatra do Hospital das Clínicas de São Paulo, Paulo Camiz, completa dizendo que a necessidade de consultar um médico pode sofrer uma variável, dependendo das doenças e do estado de saúde que o paciente apresenta.

“Na consulta devem ser abordados temas como a libido, a qualidade das ereções, a lubrificação vaginal e possíveis queixas de dor local. O principal exame complementar é o da dosagem de testosterona para o homem, sem esquecer a avaliação médica em consulta, a chamada anamnese”, diz o geriatra.

Métodos contraceptivos

Com o passar dos anos, as mulheres chegam à fase da menopausa e passam a não ter mais a ovulação. Mas passar dos 50 não é garantia para evitar uma gravidez indesejada. Carlos conta que conhece vários casos em que as mulheres passaram dessa idade e conseguiram engravidar. “Comumente, elas devem procurar o ginecologista para verificar o melhor método contraceptivo, porém o mais importante é o preservativo que além de prevenir a gravidez indesejada, evita as DST”, aconselha.

Já para os homens o mais indicado é a vasectomia e também o preservativo. “É muito comum que os homens acima de 50 anos não utilizem preservativos, o que é um erro. No consultório, me deparo sempre com homens mais maduros que adquirem doenças por ter preconceito com a camisinha ou por terem relacionamentos parcialmente ‘duradouros’ e, por isso, acreditam que não existe mais a necessidade do uso do preservativo”, aponta o andrologista.

Para se ter uma ideia, o número de casos de HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) simplesmente dobrou entre as pessoas acima dos 50 anos na última década. É um dado preocupante ao levar em consideração que cerca de 80% dos adultos entre 50 e 90 anos são sexualmente ativos.

Dados do Ministério da Saúde indicam que de 4% a 5% das pessoas que possuem mais de 65 anos são portadores do vírus HIV, essa porcentagem representa um aumento de cerca de 103% entre os homens e mulheres da terceira idade no últimos anos. Por esses e outros motivos, é sempre importante se prevenir durante o sexo.

Desequilíbrio hormonal

Vale ressaltar que conforme a idade avança, o corpo vai passando por mudanças, então é preciso alguns cuidados. “Investigar como estão os hormônios é importante, pois o desequilíbrio hormonal pode trazer queda na libido, disfunção erétil e outras disfunções sexuais”, explica a sexóloga Priscila Junqueira.

Assim que a mulher vai entrando na menopausa, o casal paralelamente entra em uma frigidez e as relações sexuais passam de duas a três vezes por semana para uma vez a cada quinze dias e, em alguns casos, acontece somente uma vez por mês.

Isso é péssimo para o relacionamento! Por este motivo, é preciso avaliar toda parte hormonal de ambos e nunca aderir à automedicação. “É preciso verificar se há pré-existência de problemas circulatórios associados. É essencial ambos buscarem tratamentos médicos para uma vida sexual plena”, ressalta Carlos.

Em alguns casos, o uso da medicação é necessário, mas é preciso ficar atenta a alguns detalhes:

  • Automedicação é errado, então nada de utilizar o remédio que uma amiga, irmã, prima indicou;
  • Também não faça o contrário, é extremamente contraindicado o repasse de medicamentos;
  • Cada caso é um caso, então antes de tomar qualquer atitude ou conclusão precipitada é preciso ser avaliada por um especialista.

Existem também métodos naturais que podem ajudar. Segundo Paulo, a prática de atividade física e a proximidade do casal são alguns deles. “Ambos podem ter relações satisfatórias e prazerosas de maneira natural desde que saibam se estimular e tenham paciência um com o outro. A atividade física, além de deixar o casal fisicamente mais atrativo, também ajuda na libido”, explica.

Comunicação entre o casal

O sexo pode se tornar um assunto delicado com o passar dos anos, mas o diálogo entre o casal é fundamental. “Para muitos idosos, a sexualidade é um assunto bastante sensível e pouco explorado entre os casais. Isso faz com que muitos se privem de explorar uma condição que pode ser muito prazerosa e fonte de felicidade e união também nesta fase da vida”, fala Paulo.

A falta de comunicação pode atrapalhar a vida sexual, já que o tratamento não será completo se um dos dois tiver dificuldades de dividir os problemas que estão passando. “Recentemente atendi um paciente que não disse para a companheira que está com problemas na parte hormonal, circulatória e falhas no desempenho sexual”, expõe Carlos.

O tratamento precisa envolver o casal. O andrologista explica que é importantíssima a presença de ambos, pois muitas vezes na consulta, o homem conta parte dos sintomas e a companheira contribui com o restante das informações e assim o profissional consegue identificar qual é o real quadro clínico.

No Brasil, mais de 80% dos homens fazem uso de medicamentos para estimular a ereção sem uma prescrição médica e não dividem isso com a esposa. “O machismo ainda é muito presente, e isso faz com que eles se calem e acreditem que dividir o problema os farão ‘menos homens’. Alguns têm DST e acabam passando para a companheiras por falta de diálogo e uma conversa franca”, acrescenta Carlos.

 

Texto parcial de matéria de William Amorim, publicado originalmente no iG Dela, em 29/12/2016 e atualizado em 26/07/2017. Para ler a matéria na íntegra, acesse: http://delas.ig.com.br/amoresexo/2016-12-29/sexo-terceira-idade.html

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça:

SEXO E AMOR NA TERCEIRA IDADE
Autores: Robert N. Butler e Myrna I. Lewis
SUMMUS EDITORIAL

Butler e Lewis derrubam tabus e provam que o sexo e a sexualidade são experiências prazerosas, gratificantes e altamente saudáveis, após os 60 anos. É a época em que o ser humano possui maior experiência e disponibilidade de tempo para poder, apesar das dificuldades naturais, usufruir de uma vida sexual positiva.

VELHICE
Uma nova paisagem
Autora: Maria Celia de Abreu
EDITORA ÁGORA

Estima-se que, em 2050, a população de pessoas com mais de 60 anos comporá 30% da população brasileira, ou seja, cerca de 66,5 milhões de pessoas. Assim, todos nós estamos ou muito em breve estaremos envolvidos com velhos. Por que, então, a velhice permanece um estigma em nossa sociedade?

A fim de mudar essa visão, a psicóloga Maria Celia de Abreu propõe neste livro transformar visões e ideias preconcebidas a respeito do velho. Partindo de estudos teóricos sobre a psicologia do envelhecimento e de vivências colhidas em grupos de estudos, ela propõe que a vida passe a ser encarada como uma estrada que percorre diversas paisagens diferentes – nem melhores nem piores que as outras.

Com exercícios de conscientização e exemplos práticos, a autora discorre sobre inúmeros assuntos pertinentes à velhice, como corpo, sexualidade, memória, perdas, luto e depressão. Fundamental para idosos, seus familiares, cuidadores, pesquisadores e para todos os que desejam envelhecer com saúde, autoconfiança e alegria, a obra conta com depoimentos de importantes personalidades sobre emoções que sentem ao encarar a ideia da velhice.

‘JOVEM, REPENSE SEUS VALORES EM RELAÇÃO À VELHICE, RECOMENDA PSICÓLOGA’

Maria Célia Abreu fala com conhecimento da causa que defende. Aos 73 anos, a psicóloga e professora universitária por mais de 20 anos na PUC-SP, é taxativa: ainda há preconceito exacerbado com imagem dos velhos, diz. E os jovens precisam ficar mais atentos ao tema, completa a autora de “Velhice: uma nova paisagem” (editora Agora), livro em que reúne depoimentos, experiências e dicas sobre a questão que lhe é mais cara atualmente.

Maria Célia fala mansamente, mas é enfática. Esqueça expressões como “melhor idade” ou “idade do ouro”, elas fazem parte do esforço de reconhecimento do velho na sociedade, mas não passam disso, garante Maria Célia. E, em recado claro às gerações mais jovens, um recado: repensem seus valores em relação aos velhos.

Quais os efeitos dos preconceitos que ainda cercam a velhice?

O preconceito contra a velhice existe – muitas vezes não conscientizados – e cria uma crença falsa que restringe a sua exposição a experiências diversificadas. Se eu tenho um preconceito contra velho, não me aproximo de quem tenha mais idade e posso estar perdendo a oportunidade de uma convivência muito rica. É algo a ser reconhecido, trazido à consciência e depois combatido.

Os velhos também têm preconceito contra velhos?

O velho que também tem preconceito contra velho vai limitando a sua própria vida. Ele se educou nessa sociedade em que se dizia que velho era algo inferior, debilitado, incapaz, então ele apreende que está incapaz, decadente e começa a se comportar como tal. Como se não merecesse mais ser autônomo, ele vai ficando à parte do mundo, principalmente desse mundo tecnológico. Então, temos de ter consciência do nosso preconceito, tenhamos nós qualquer idade, sabendo que eles são prejudiciais.

O fato de os velhos serem hoje numericamente expressivos, uma tendência que vai persistir, não muda o cenário e a percepção que se tem dessa fase da vida?

Sim, os velhos eram um grupo numericamente pouco significativo até pouco tempo atrás. Hoje, se você vai ao velório de alguém com 60, 70 anos, ouve ‘nossa, morreu novo’. Há uma mudança muito grande na sociedade para se adaptar a essa quantidade de velhos. Os termos idade de ouro e melhor idade, por exemplo, são parte desse esforço, mas, claro, a velhice não é nada disso. Mas esses termos foram cunhados para fazer valer direitos. Aí o velho foi ganhando visibilidade.

Qual é a “nova paisagem” a que você se refere no seu livro? Você escreve por experiência própria?

Sim, há influência das minhas experiências. Nos últimos dois, três anos a gente está começando a entrar numa nova paisagem. Existia uma imagem que ainda usamos, que associa o envelhecimento à descida de uma montanha. Ao descer, a gente perde tudo aquilo que ganhou enquanto subia. Essa imagem é desesperante, desesperançada, péssima. A vida não é uma montanha que se sobe ou se desce. A vida é uma estrada que você não sabe o quanto ela será extensa ou não. Se você atravessa uma paisagem árida, cheia de pedregulhos, calma, ela vai acabar. A estrada continua. Não necessariamente todo começo de estrada tem paisagens amenas, há infâncias muito dolorosas. E não necessariamente o final, a velhice, é pobre. Muitas vezes é a melhor fase que a pessoa vive. A gente enaltece a infância e diz que a velhice é péssima. Isso não é verdade.

A velhice pode mesmo ser a melhor fase da vida de uma pessoa?

Todas as idades têm seu valor.

Por que a velhice assusta tanto? Ou é a morte?

Morrer pode acontecer em qualquer idade, mas se sabe que, uma vez velho, se está próximo do fim. Há quem enfrente isso muito bem. E tem quem relute diante da própria velhice. Quanto mais se falar sobre morte, isso deixa de ser tabu. E isso também é algo recente. A morte, os cuidados paliativos, o testamento vital, os cuidados que você pode ter para preparar a sua própria morte. Isso exige reflexão, coragem.

Há, de certo modo, uma profusão de estudos sobre o envelhecimento. Como, de fato, passamos a encarar a velhice de modo diferente? Na prática, a teoria é outra, não?

Já há inúmeras profissões lidando com o envelhecimento, isso é um bom sinal. O que sabemos é que tem de dar liberdade, respeitar e garantir autonomia aos velhos. A própria família carrega o preconceito, muitas vezes.

De quem ou de que instituições é a responsabilidade por falarmos e cuidarmos tão precariamente dos velhos?

Estamos num processo de transformação. O tema está se abrindo. Os políticos estão percebendo a força política dos velhos. E a indústria também está começando a perceber que o velho tem de ter uma atenção diferente do jovem.

Como lidar com a fragilidade do outro diante da própria fragilidade, no caso de pessoas de 60, por exemplo, que cuidam de pais acima de 80?

Essa turma, em geral, tem filhos demandando atenção além dos pais, o que faz com que haja uma geração espremida entre dois lados. Temos de lidar com as coisas com naturalidade. O velho é uma pessoa importante e de alguma forma você vai ter de se adaptar a ele, assim como se adapta aos filhos. É importante não interferir na vida dos pais mais do que eles precisam. O velho tem de lutar por sua autonomia. E o jovem tem de confiar que o velho é capaz. Com bom senso. Tem de saber e conversar sobre as limitações.

Os 50 anos são tidos como um marco, atualmente, as queixas começam aí. Para quem ainda não chegou, mas está perto, o que você diria?

Todas as fases da vida são apenas novas paisagens. O que conta é a prevenção. Para ser um velho legal, saudável e de cabeça aberta você tem de começar já a cuidar do corpo, da forma física, da saúde, tem de estudar, ler, aprender, manter o cérebro funcionando, participar da comunidade e cultivar relações afetivas. Jovem, é muito provável que você fique velho; é muito provável também que você trabalhe com velhos e para velhos. Convém repensar seus sentimentos em relação ao velho e à velhice, bem como os valores atribuídos a eles. É preciso se informar sobre esse segmento da população, ainda tão desconhecido. Você vai fazer parte dele.

Entrevista feita por Maria da Luz Miranda, publicada em O Globo em 15/07/2017. Acesso na íntegra para cadastrados: http://blogs.oglobo.globo.com/depois-dos-50/post/jovem-repense-seus-valores-em-relacao-velhice-recomenda-psicologa.html

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Conheça o livro de Maria Celia de Abreu:

VELHICE
Uma nova paisagem
EDITORA ÁGORA

Todos nós estamos ou muito em breve estaremos envolvidos com velhos: por sermos idosos, por termos alta probabilidade envelhecer ou porque nossos produtos tendem a ser consumidos por esse público. Por que, então, a velhice permanece um estigma em nossa sociedade? A fim de mudar essa visão, a psicóloga Maria Celia de Abreu propõe neste livro transformar visões e ideias preconcebidas a respeito do velho. Partindo de estudos teóricos sobre a psicologia do envelhecimento e de vivências colhidas em grupos de estudos, ela propõe que a vida passe a ser encarada como uma estrada que percorre diversas paisagens diferentes – nem melhores nem piores que as outras.

Com exercícios de conscientização e exemplos práticos, a autora discorre sobre inúmeros assuntos pertinentes à velhice, como corpo, sexualidade, memória, perdas, luto e depressão. Fundamental para idosos, seus familiares, cuidadores, pesquisadores e para todos os que desejam envelhecer com saúde, autoconfiança e alegria, a obra conta com depoimentos de importantes personalidades sobre emoções que sentem ao encarar a ideia da velhice.

‘A ARTE E AS NOVAS PAISAGENS DA VELHICE’

A ideia da velhice como uma nova paisagem muito me agrada. Da paisagem de agora, imagino um tempo futuro, onde se possa viver a explosão colorida. A Arte nos ajuda a perceber, na velhice, a possibilidade de se transformar, assim como a oportunidade de usar o fazer artístico para desrespeitar as regras impostas com a propriedade, característica da longevidade. Quem sabe, assim, o que expressamos na Arte feita e compreendida, não possa ser aplicada na própria vida?

Sinto-me numa paisagem estonteante, onde a maturidade permitiu que olhasse para os lados com uma certeza absoluta da realidade apresentada. Isso não quer dizer que minha paisagem não comporta sonhos e desejos, muito pelo contrário. Mas percebo a vida como um fato incontestável cujo poder de sonhar colabora para um florescer do entorno. Recentemente entrei em contato com as ideias da psicóloga Maria Celia de Abreu, onde em um encontro para refletir sobre seu novo livro “Velhice: Uma nova paisagem”, com atenção, a ouvimos falar sobre a importância de criarmos uma imagem mental para ressignificar o sentido do envelhecimento.

“Não gosto nem um pouco da imagem bastante difundida de que a vida consiste em nascer ao sopé da montanha, ir subindo, subindo, subindo até chegar ao topo, no auge da vida adulta, e depois começar a descer, descer, descer… até encontrar o fim da jornada em algum ponto imprevisto” (p.44) , diz a autora sobre essa ideia que nos remete a um caminho repleto de derrotas.

Pensar na vida como um caminho que nos é oferecido a percorrer com diversas paisagens, parece mais interessante.

Como regra, sabemos que neste trajeto, não é possível voltar atrás e caminhar é o fazer que nos cabe, sem contestação. E desta forma vamos vivendo a vida encontrando paisagens que ao longo do percurso vão se transformando em novas realidades. “Haverá ladeiras íngremes a ser galgadas ou descidas penosamente; haverá trechos desérticos, sob sol escaldante, coberto por pedregulhos pontiagudos; haverá trechos sob árvores frondosas, que fornecerão sombra e frutos; ou nossa estrada atravessará paisagens com campos floridos, riachos de águas cristalinas, lindos lagos serenos.” (p.47)

Cabe a nós escolher se caminharemos de mãos dadas ou sozinhos, mas se haverá luz ou escuridão, sol ou chuva, não sabemos, mas se faz necessário definir a paleta de cores que pretendemos usar nessa construção.

Se fizermos uma analogia com os diversos tipos de paisagens da História da Arte, podemos entender a loucura do viver que ora nos acolhe ora nos amedronta.

O fato é que as paisagens de nossa vida, assim como as que nos foram contadas pelos grandes artistas, modificam-se ao longo dos períodos e se não tivermos flexibilidade para aderir a cada nova situação apresentada, não daremos conta de pertencer ao tempo atual.

Nossa vida nada mais é do que o caminho que nos é ofertado a percorrer.

Ao pensarmos no Barroco Francês, movimento que aconteceu durante o século XVII cuja característica era criar um efeito avassalador através da fusão de várias artes, percorremos uma paisagem de total deslumbre. E de tão deslumbrados, não sabemos para onde olhar. Seguimos o percurso nos perdendo em meio a tanta beleza. O Palácio de Versalhes é um exemplo deste tipo de arte que une a arquitetura, pintura, escultura e jardinagem em uma fusão que conjuga a harmonia como resultado. Caminhar por seus jardins assemelha-se aos momentos em que precisamos nos perder para enfim prosseguir. Labirintos muitas vezes desenham o caminho do viver e compõem nossas vidas com seus percursos intrincados.

“Perder-se também é caminho”, como já dizia Clarice Lispector.

O percurso não para de se modificar, assim como os movimentos diversos que fazem a História da Arte algo tão engrandecedor. Do Barroco seguimos adiante até o Realismo, movimento que emergiu na França no início da revolução de 1848 como uma reação ao Romantismo que por volta de 1800, mostrava através da Arte um mundo de beleza que propunha elevar os sentimentos acima dos pensamentos. Devo dizer que em meu viver, paisagens românticas são corriqueiras e me trazem certa dificuldade de racionalizar a própria vida. Com o Realismo combatia-se essa ideia romântica de ver o mundo. Suas paisagens retratam a vida tal qual ela se apresenta de maneira pragmática, afinal a realidade deve ser maior do que a sensação.

Nos momentos de viver as paisagens reais, nos endurecemos como humanos e muitas vezes perdemos de vista nossa condição de contemplar o entorno.

A ideia da velhice como uma nova paisagem muito me agrada. Da paisagem de agora, imagino um tempo futuro, onde se possa viver a explosão colorida dos Fovistas que entre 1905 e 1907, revolucionaram a arte com cores violentas pintadas de forma arbitrária. Desejo um viver, para mim e para os idosos que cruzam meu caminho, que seja capaz de transformar toda e qualquer realidade em uma paisagem a nossa própria vontade. A Arte nos ajuda a perceber, na velhice, a possibilidade de se transformar, assim como a oportunidade de usar o fazer artístico para desrespeitar as regras impostas com a propriedade, característica da longevidade. Quem sabe, assim, o que expressamos na Arte feita e compreendida, não possa ser aplicada na própria vida?

No Centro Dia público onde trabalho, o livro da Maria Célia foi tema de conversa durante a aula de História da Arte, começamos com as paisagens do Barroco Francês para nas semanas seguintes desbravarmos novos cenários. Para o atelier de Arteterapia, a continuidade do tema se fez presente na pintura de telas onde cada idoso falava da sua paisagem atual.

Paisagens floridas, lago em meio às árvores e mares tranquilos compuseram as pinturas. O Centro Dia veio para modificar paisagens e suas velhices. O que era turvo, ganhou cor e luz e os trabalhos mostraram uma felicidade de existência em estética e em sorrisos.

Paisagens diversas para um único caminho. E assim seguimos vivendo a vida. Das de Monet com suas paisagens embaçadas, mescladas, à força das retratadas pelos expressionistas, uma vida rica é aquela que nos coloca a prova para aprendermos a sair do conforto. Tem outro jeito de existir? Para os que pensam na velhice como paisagens apagadas, a Arte possibilita ascender os holofotes e modificar a paleta de cores.

O caminho é o mesmo. O viajante segue os passos com a única e certeira incumbência de caminhar.

A passos lentos, muitas vezes trêmulos, mas passos certeiros rumo ao desejo de existência que se faz presente em todas as paisagens do nosso caminho.

Texto de Cristiane T. Pomeranz, publicado no Portal do Envelhecimento. Acesse na íntegra: http://www.portaldoenvelhecimento.com.br/arte-e-novas-paisagens-da-velhice/

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Conheça o livro:

Velhice: uma nova paisagemVELHICE
Uma nova paisagem
Autora: Maria Celia de Abreu
EDITORA ÁGORA 

Estima-se que, em 2050, a população de pessoas com mais de 60 anos comporá 30% da população brasileira. Ao lado do grande crescimento do número de idosos, há também o aumento da expectativa de vida. Por que, então, a velhice permanece um estigma em nossa sociedade?

A fim de mudar essa visão, a psicóloga Maria Celia de Abreu propõe neste livro transformar visões e ideias preconcebidas a respeito do velho. Partindo de estudos teóricos sobre a psicologia do envelhecimento e de vivências colhidas em grupos de estudos, ela propõe que a vida passe a ser encarada como uma estrada que percorre diversas paisagens diferentes – nem melhores nem piores que as outras.

Com exercícios de conscientização e exemplos práticos, a autora discorre sobre inúmeros assuntos pertinentes à velhice, como corpo, sexualidade, memória, perdas, luto e depressão. Fundamental para idosos, seus familiares, cuidadores, pesquisadores e para todos os que desejam envelhecer com saúde, autoconfiança e alegria, a obra conta com depoimentos de importantes personalidades sobre emoções que sentem ao encarar a ideia da velhice.

“VELHICE – UMA NOVA PAISAGEM” MAIS UMA VEZ INDICADO NO DOMINGÃO DO FAUSTÃO

Fausto Silva destaca a relevância do lançamento da obra Velhice – Uma nova paisagem em seu programa do dia 19 de março. Assista no vídeo abaixo.

 

 

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Conheça o livro:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1463/Velhice

 

 

NOITE DE AUTÓGRAFOS DE “VELHICE – UMA NOVA PAISAGEM” FOI UM SUCESSO

Maria Celia de Abreu recebeu amigos e convidados no lançamento de seu livro Velhice – Uma nova paisagem, da Editora Ágora. A noite de autógrafos ocorreu na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.

Confira abaixo alguns momentos do evento:

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Para saber mais sobre o livro, acesse: http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro//Velhice

‘MARIA CELIA DE ABREU LANÇA LIVRO’

Velhice – Uma nova paisagem” é o livro da psicóloga Dra. Maria Celia de Abreu publicado pela Editora Ágora, com lançamento marcado para o dia 13 de março, na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, em São Paulo. A obra traz  novos conceitos sobre o envelhecimento, além de  muitas informações para viver essa fase da maturidade com mais sabedoria e qualidade de vida. Dia 13, às 18h30, a autora faz palestra sobre o tema do livro e, em seguida, autografa os exemplares.

Publicado no Blog do Ideac em 19/02/2017: https://ideacblog.wordpress.com/2017/02/19/maria-celia-de-abreu-lanca-livro/

Velhice - uma nova paisagem