‘MINDFULNESS: COMO A ATENÇÃO PLENA PODE TE AJUDAR NA VIDA’

Quero começar este texto com uma informação que, provavelmente, deixará você chocado. Quando estamos acordados, passamos quase metade do tempo com o pensamento vagando por aí.

Em vez de focar no aqui e agora, ficamos presos ao passado, futuro ou qualquer outra coisa que esteja acontecendo longe de nós.

Surpreendente, né? A universidade de Harvard realizou um estudo que introduziu o tema da seguinte forma:

Diferentemente de qualquer outro animal, os seres humanos gastam muito tempo pensando em coisas que não estão acontecendo ao seu redor, contemplando eventos que aconteceram no passado, talvez aconteçam no futuro, ou que nunca irão acontecer. De fato, uma mente vaga parece ser o modo padrão de operação do cérebro humano.

Eles concluíram que a nossa mente fica vagando em 46,9% do tempo em que estamos acordados. Deu para entender? Se você fica 16 horas acordado, vai passar aproximadamente 7h30 viajando.

Ou, mais especificamente, pensando em algo diferente daquilo que você está de fato fazendo.

Se você está lavando louça, fica pensando em outra coisa. Se está arrumando a cama, fica pensando em outra coisa. Se está dirigindo, fica pensando em outra coisa. Se está trabalhando, fica pensando em outra coisa. Se está transando, fica pensando em outra.

Ops, corrigindo, o sexo na verdade foi a única atividade que teve resultados diferentes. O que é compreensível, né?

OS PERIGOS DE SER MULTITASK

Você já deve ter reparado a grande dificuldade que temos em conseguir manter o foco total numa atividade. Por mais que você esteja fazendo aquilo, sua cabeça fica girando em outros assuntos.

E se não estiver, essa concentração plena provavelmente durará poucos minutos.

Podemos jogar boa parte da culpa dessa realidade nos tempos modernos, em que a comunicação acontece numa dinâmica absurda e os estímulos externos são exagerados.

É o tal do multitask. Como se tivéssemos necessidade de sempre estarmos conectados, produzindo algo, conversando com pessoas.

Acontece que essa mentalidade multitarefa gera estresse e ansiedade em nós.

MINDFULNESS, MUITO PRAZER

Apesar de o fato de divagar em relação ao presente nos possibilitar reflexões importantes — como filosofar, planejar coisas, solucionar problemas, etc — isso pode ter um alto custo emocional se você não tomar cuidado com a dose.

O intento da pesquisa de Harvard era descobrir qual a relação entre uma mente vaga e a felicidade.

E adivinha só o que eles descobriram?

O chamado mindfulness, um estado de consciência focado em prestar atenção no aqui e agora, ajuda a aliviar o estresse, a ansiedade e melhora o bem-estar geral (incluindo físico e emocional) das pessoas.

O QUE SIGNIFICA ATENÇÃO PLENA

Pode-se dizer que o mindfulness é uma espécie de meditação ativa, na qual você dedica o seu foco à atividade que está fazendo, sem deixar divagações sobre o passado, futuro ou coisas ao seu redor perturbarem sua mente.

Este estado mental, que muitas pessoas chamam de atenção plena, tem origem na milenar meditação budista e, nos últimos anos, virou uma febre mundial entre pessoas que buscam uma melhor qualidade de vida para si.

Uma boa notícia é você pode praticar o mindfulness em qualquer lugar ou ocasião. Dirigindo o carro. Trabalhando no computador. Preparando o jantar. Tanto faz.

A chave é voltar 100% da sua consciência à atividade que está desempenhando naquele momento, sem juízos de valor ou observações mentais.

Nada de pensar “que saco lavar essa louça, quero terminar logo para assistir Netflix”. Deixe as reflexões para outro momento.

Nesta hora você deve simplesmente sentir a temperatura da água batendo na sua mão, observar as texturas da porcelana, reparar na espuma se formando…

COMO PRATICAR O MINDFULNESS

O mindfulness não é algo que se domina da noite para o dia. É preciso paciência até desenvolver a disciplina necessária para obter o controle da própria mente.

Esse é aquele tipo de habilidade simples e, ao mesmo tempo, complexa. Você leva um minuto para aprender e a vida inteira para dominar.

Mas começar é fácil. Basta você se esforçar para manter o foco em toda atividade que fizer e, quando um pensamento avulso te distrair, você deve gentilmente deixá-lo ir embora da mesma maneira repentina que chegou.

Você não precisa brigar com ele, porque isso vai te trazer ainda mais ansiedade. Relaxa.

Pense que o seu cérebro é um quarto. Basta abrir a janela e deixar o vento levar o pensamento intruso embora, da maneira mais suave e natural possível.

Com o tempo isso vai virar um hábito.

E aquela aceleração toda de abrir o WhatsApp a cada 5 minutos, suar frio por causa da reunião de amanhã, sofrer por algo que aconteceu ontem, em breve, farão parte de um passado distante para você.
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Texto de Thiago Sievers, publicado originalmente no portal El Hombre. Para acessar na íntegra:  http://www.elhombre.com.br/mindfulness-como-a-atencao-plena-pode-te-ajudar-na-vida/

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Tem interesse pelo assunto? Conheça o livro:
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VIVA BEM COM A DOR E A DOENÇA
O método da atenção plena
Autora: Vidyamala Burch
SUMMUS EDITORIAL

A dor crônica e a doença podem minar a qualidade de vida de quem sofre com elas. Visando orientar tais pessoas, Vidyamala Burch oferece neste livro um método revolucionário para aliviar o sofrimento causado por diversas enfermidades e pelo estresse. Baseada na atenção plena e na ideia de viver cada momento, ela apresenta técnicas de meditação e respiração profunda que combatem a dor e aumentam a sensação de bem-estar. Prefácio da edição brasileira de Stephen Little.

 

‘MINDFULNESS: SAIBA COMO APLICAR ESTA TÉCNICA DE MEDITAÇÃO NO SEU DIA A DIA’

Não podemos negar que nossa mente é cheia de distrações. Estamos trabalhando, por exemplo, e do nada começamos a pensar na prestação do carro, em renovar a academia, sem esquecer de dar aquela olhada no celular para não perder nenhuma notificação.

Focar a atenção em apenas uma tarefa é um desafio e a meditação mindfulness pode ser a resposta para se manter presente. De modo geral, o treinamento visa refinar a sua atenção com exercícios diários para desenvolver a concentração.

A técnica afeta até a felicidade. Em um estudo publicado na Science, pesquisadores da Universidade de Harvard (EUA) apontam que em 46,9% do tempo não estamos prestando atenção no que fazemos. Nossa mente “viaja na maionese” e isso nos desanima. Os dados comprovam que somos mais alegres quando ações e pensamentos se alinham.

“Miindfulness é ter atenção plena, deixar de fazer as coisas no piloto automático e começar a notá-las, conseguindo fazer escolhas mais conscientes”, afirma Alexandre Lunardelli, sócio fundador da Academia de Mindfulness, em São Paulo.

A prática melhora o foco, a produtividade e o autocontrole, além de diminuir a ansiedade e o estresse. Quer dar uma chance? É possível ter contato com a técnica durante atividades rotineiras.

De acordo com Katya Stübing, professora de meditação Mindfulness do Núcleo SaberSer, em São Paulo, podemos treinar durante vários momentos do dia. Veja as dicas:

  • Um minuto de atenção: você presta atenção ao escovar os dentes ou aproveita o momento para mexer no celular ou fazer xixi? “A escovação é um começo simples e efetivo. Foque nas ações táteis, tente não se distrair, pense nas cerdas, na gengiva, no gosto da pasta, no momento”.
  • Diminuir o automatismo: o exercício anterior vale para toda ação que você faz em piloto automático como trocar de roupa, tomar banho ou até correr na esteira da academia. Foque nas sensações, no corpo, ambiente, em como você se sente e como se manter presente. “Usar o celular na esteira distrai, mas você se ausenta da ação, sua cabeça sai da academia. Seria bom estar presente de corpo e alma. Desligue o aparelho e foque nas reações dos músculos, no suor, no porquê é importante estar ali”.
  • A mente prega peças: você vai se distrair durante o exercício, mas não se irrite. Perceba a distração, entenda porquê ela apareceu e volte para o momento de foco na atividade inicial.
  • Sem julgar: para treinar o mindfulness é preciso cultivar uma atitude que envolve abrir mão de julgamentos, aceitar as situações como são, reconhecer a realidade e desenvolver curiosidade pela experiência.

Prática formal

A meditação mindfulness é um pacotinho, além das práticas ao longo do dia também é importante tirar alguns minutos para um exercício mais duradouro. “Pode ser por 40 ou 5 minutos, o importante é tirar um tempo do dia para ter os benefícios”, diz Marcelo Demarzo, professor do departamento de medicina preventiva e coordenador do Mente Aberta da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Saiba como tentar

  • Xiiiu: para se concentrar é importante escolher um lugar silencioso e com poucas distrações. Deixe o celular longe e desligue a televisão para não ter interferências.
  • Escolha a pose: ache uma posição confortável para não ter incômodos durante a meditação. Você pode ficar deitado ou sentado, com olhos abertos ou fechados, o que for melhor para você.
  • Mantenha o controle: comece observando as sensações corporais, como o contato com o solo e a temperatura da pele. Aos poucos, concentre nos movimentos do corpo durante a respiração: no tórax e abdômen, na sensação do ar nas narinas.
  • Distrações mentais: se aparecer alguma distração, pensamento ou preocupação, apenas perceba e deixe passar, sem se prender ou julgar, e volte a se concentrar na respiração.
  • Antes do fim: depois de focar ao máximo na respiração, volte sua atenção para as sensações corporais e aos poucos termine a prática.
  • Internet pode ajudar: existem aplicativos e sites que podem ajudar iniciantes. Você pode usar o app gratuito HeadSpace ou ouvir uma técnica meditativa de pouco mais de três minutos do centro Mente Aberta.

 

Matéria de Maria Júlia Marques, publicada originalmente no UOL em 26/06/2017. Para lê-la na íntegra, acesse: https://estilo.uol.com.br/vida-saudavel/noticias/redacao/2017/06/26/mindfulness-saiba-como-aplicar-esta-tecnica-de-meditacao-no-seu-dia-a-dia.htm

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Autora: Vidyamala Burch
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A dor crônica e a doença podem minar a qualidade de vida de quem sofre com elas. Visando orientar tais pessoas, Vidyamala Burch oferece neste livro um método revolucionário para aliviar o sofrimento causado por diversas enfermidades e pelo estresse. Baseada na atenção plena (mindfulness) e na ideia de viver cada momento, ela apresenta técnicas de meditação e respiração profunda que combatem a dor e aumentam a sensação de bem-estar. Prefácio da edição brasileira de Stephen Little, diretor do Centro de Vivência em Atenção Plena e professor da sucursal brasileira da School of Life.

‘MEDITAÇÃO MINDFULNESS AJUDA DE POLICIAIS A DEPENDENTES QUÍMICOS’

Perceba o ambiente à sua volta. Sinta sua respiração, o ar entrando e saindo. Não tente controlar o ar, apenas o perceba. Quais são os seus pensamentos e sentimentos? Onde está sua mente? Concentre-se neste exato momento, no agora.

O mindfulness (“atenção plena”) é uma forma de meditação que pretende concentrar a atenção das pessoas no momento presente. A prática, normalmente usada para controle do estresse, começou a ser pesquisada com seriedade e utilizada até mesmo para combater dependências químicas e ajudar policiais militares a lidar com o tenso trabalho do dia a dia.

A aposentada Sonia Schaal, 61, após ter câncer de mama, desenvolveu um problema na coluna. Dor e preocupação com um possível retorno do tumor tiraram o sono dela. O jeito foi começar a tomar benzodiazepínicos, também conhecidos como calmantes ou ansiolíticos.

“É horrível usar remédio tarja preta. Eu tomava umas duas, três gotas por noite, todos os dias”, diz Sonia, que usou a droga por dois anos. “Você fica ‘sonado’, não consegue acordar direito e não tem a qualidade de sono que teria com o sono fisiológico.”

Sonia afirma que, por um período de tempo, mais especificamente um ano, foi dependente do remédio.

O cansaço – e um anúncio no jornal do bairro– levou a aposentada a um grupo que utilizava o mindfulness para ajudar mulheres a combater o uso de substâncias químicas.

“A ideia do programa era recrutar pessoas que faziam uso crônico desses medicamentos”, afirma Viviam Barros, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Saúde e Uso de Substâncias da Unifesp.

Ela afirma que a maior parte desses remédios é prescrita. A recomendação, porém, é que o uso aconteça por, no máximo, quatro semanas.

As técnicas de mindfulness foram trabalhadas com as participantes em sessões semanais de duas horas, por oito semanas. Após isso, elas foram acompanhadas por mais 6 meses.

A pesquisadora afirma que as mulheres que desenvolveram a meditação conseguiram abandonar mais facilmente e com menos sofrimento os remédios. Além disso, elas também passaram a sofrer menos por terem insônia.

“Elas aprenderam a lidar com a insônia”, diz Viviam. Segundo ela, com a prática, as participantes do projeto aprenderam a perceber movimentos que a mente faz.

“Por exemplo, quando a pessoa vê que ela não está conseguindo dormir. Começam a surgir vários pensamentos. ‘Amanhã tenho que trabalhar, não vou conseguir trabalhar, estarei muito cansada.’ Isso vai aumentando o grau de ansiedade, o que intensifica ainda mais os pensamentos”, afirma Viviam, que nomeia o processo de “espiral ruminativa de pensamentos”.

Com o mindfulness, segundo a pesquisadora, as pessoas passam a reconhecer o que acontece em suas mentes sem necessariamente serem “carregadas” por isso.

“Vivemos no piloto automático”, diz Sonia. “Com o mindfulness a pessoa percebe como ela mesma funciona.”

TENSÃO DIÁRIA

Com base em experiências realizadas em outros países, foi iniciado também um projeto piloto de mindfulness para policiais em um batalhão da Polícia Militar de São Paulo.

“São pessoas que poderiam se beneficiar da técnica para lidar melhor com o stress e com as emoções. Ajuda a ter mais empatia”, diz Marcelo Demarzo, coordenador do Mente Aberta, centro de pesquisa ligado à Unifesp.

O tenente-coronel Marcio da Silva, um dos policiais a participar do projeto, diz que as meditações proporcionaram mais tranquilidade, calma e serenidade na vida profissional e na familiar.

Texto parcial de matéria de Phillippe Watanabe publicada na Folha de S. Paulo, em 11/02/2017. Para lê-la na íntegra, acesse:
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2017/02/1857820-meditacao-mindfulness-ajuda-de-policiais-a-dependentes-quimicos.shtml

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‘MINDFULNESS VS. MEDITAÇÃO: AFINAL, QUAL É A DIFERENÇA ENTRE AS TÉCNICAS?’

Mindfulness é meditação, mas meditação não é mindfulness. Os mais críticos dizem que mindfulness é meditação de americano, estilo fast-food. Quem a defende, afirma que é um treino mental e traz os benefícios da prática milenar de forma laica, para o homem moderno.

Há mais de 500 tipos de meditação — hindu, zen budista, cabala e sufi são as mais conhecidas. A maioria delas busca o autoconhecimento e a serenidade. “Siddhartha Gautama, Shakyamuni Buddha ou só Buda foi quem falou que a causa do sofrimento humano estava na mente, por isso essa busca constante em acalmá-la, atingindo a serenidade”, afirma o professor e pesquisador da USP, Rubens Maciel. Especialista em meditação, ele explica que mindfulness bebe muito das técnicas de tradicionais.

Com raízes budistas, mindfulness é o que está na moda por enquanto. Na livraria Saraiva, por exemplo, há mais de 200 títulos sobre a prática — na norte-americana Amazon são mais de 83 mil títulos, entre livros, e-books, CDs e DVDs.

Mas, enquanto Buda buscava a serenidade, a principal promessa do mindfulness é atingir o foco, a atenção plena. “Quando você exercita, como em uma academia, a sua capacidade de focar e estar com a atenção totalmente voltada para uma única coisa ou tarefa, sua produtividade e memória vão melhorar. Mindfulness ensina as técnicas para exercitar a mente”, explica Rita Kawamata, instrutora da Assertiva Mindfulness desde 2014. Ela oferece cursos específicos para crianças hiperativas e pessoas com distúrbios alimentares.

“Mindfulness pode ser praticada por todos, inclusive crianças”, afirma a psicóloga Ingrid Arantes, que indica meditação para os seus pacientes. Para ela, a técnica é um tipo de meditação.

“Meditação mindfulness não é desligar a mente, desativar o pensamento, nem controlar a mente, mas, sim, a capacidade de ficar no momento presente”, explica Stephen Little, físico, budista e diretor de aprendizagem da The School of Life, no Brasil.

Ensinamentos de Buda
O termo mindfulness foi cunhado em 1979 pelo professor Jon Kabat Zinn, na Universidade do Massachusetts, nos EUA, onde também foram feitos os primeiros estudos em pacientes que sofriam com dores crônicas. Adepto do budismo zen, Kabat Zinn sistematizou algumas técnicas que aprendeu após anos de meditação e ioga. O curso Mindfulness Based Stress Reduction (Redução de Stress Baseado em Mindfulness) passou a ser dado em oito semanas e seu principal foco era melhorar a qualidade de vida dos pacientes que estavam sob estresse devido a doenças.

De acordo com Maciel, da USP, a década de 1970 marca a chegada dos ensinamentos orientais ao ocidente, por causa da invasão do Tibet e a ida de muitos monges budistas para os EUA e Europa. “Foi quando o ocidente começou a descobrir os benefícios da meditação, alvo de inúmeras pesquisas científicas”, diz o professor e pesquisador.

Há cinco anos, Maciel dá cursos de meditação para alunos e funcionários do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Os resultados da sua pesquisa, entretanto, ainda não foram publicados. “Muitos sentem as melhorias ainda durante o curso e relatam que estão mais calmos, atentos e menos ansiosos, além de notarem melhoria nas relações familiares”, afirma o especialista.

Esses mesmos benefícios são elencados pelos alunos da instrutora Rita. A reportagem do UOL acompanhou uma aula em uma academia na zona sul de São Paulo, na qual os alunos aprendiam a praticar a fala consciente e a escuta ativa. Em duplas, enquanto um falava o outro apenas ouvia, vigiando a própria mente para não tirar o foco do que o colega dizia. Não era permitido responder. Quem terminava a fala antes dos cinco minutos estabelecidos, ficava em silêncio (que ali é muito bem-vindo).

“Mindfulness está relacionado a sair do piloto automático, não se deixar levar pelos condicionamentos. O outro pilar é a atitude gentil, que não é julgadora e prevê o acolhimento e a compreensão das coisas e dos outros como são”, diz Rita

O professor da USP explica que mindfulness baseia-se muito em duas linhas da meditação: a Theravada e a Vipassana. Essas práticas buscam a quietude e serenidade mental. “A mente da maioria das pessoas é selvagem, como um macaco que pula de galho em galho. Pensa-se sobre muitas coisas ao mesmo tempo. A mente age por conta própria, fazendo correlações. Quem medita, busca viver e focar no presente, aquietar a mente”, explica. Atenção e a produtividade são consequências dessa ordem mental.

Estresse, ansiedade e depressão
Maciel explica que os ansiosos estão em constante sofrimento e isso se manifesta em dores e doenças. “Se você está o tempo todo pensando ‘será que o meu chefe gostou do trabalho? Será que meu namorado vai ligar? Será que vai dar certo?’, o seu corpo reage como se estivesse em constante ameaça e por isso libera mais cortisol, hormônio que afeta o bom funcionamento do sistema imunológico”, diz. E completa: “ao aquietar a mente a meditação isso muda o metabolismo, tornando o sistema imunológico mais resistente”.

Qual escolher?
“Quem quer estender o estado de presença [atenção plena] para o dia, vai achar a orientação de mindfulness mais atraente”, afirma Stephen Little. Para a psicóloga Ingrid, o importante mesmo é meditar, “Independentemente de modismos, fico muito feliz que as pessoas estejam preocupadas em meditar. É algo que te conecta com você mesmo e possibilita um universo interior de paz, tranquilidade e amor”, diz.

Os especialistas, porém, fazem um alerta sobre a massificação dos cursos de meditação: “Mindfulness não é ‘fast’, é uma prática de artesão. Infelizmente, está sendo divulgado cada vez mais como a nova panaceia mental”, afirma Little. Rubens Maciel diz que muita gente faz o curso de oito semanas e já se diz um instrutor, “mas para ser um mestre de meditação é preciso ter, no mínimo, dez mil horas dedicadas à prática”, afirma. Para quem quer começar a meditar, Maciel aconselha buscar locais que seguem a linha Theravada, que é a mais tradicional. Little dá uma dica: “pergunte ao instrutor de mindfulness se ele já deu, ao menos, dez cursos”.

Matéria de Heloísa Negrão, publicada originalmente no UOL, em 07/12/206. Para lê-la na íntegra, acesse: http://estilo.uol.com.br/vida-saudavel/noticias/redacao/2016/12/07/mindfulness-vs-meditacao-qual-e-a-diferenca-entre-as-tecnicas.htm

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Para saber mais sobre meditação, conheça alguns dos livros do Grupo Summus sobre o tema:
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10716VIVA BEM COM A DOR E A DOENÇA
O método da atenção plena
Autora: Vidyamala Burch
SUMMUS EDITORIAL

A dor crônica e a doença podem minar a qualidade de vida de quem sofre com elas. Visando orientar tais pessoas, Vidyamala Burch oferece neste livro um método revolucionário para aliviar o sofrimento causado por diversas enfermidades e pelo estresse. Baseada na atenção plena e na ideia de viver cada momento, ela apresenta técnicas de meditação e respiração profunda que combatem a dor e aumentam a sensação de bem-estar. Prefácio da edição brasileira de Stephen Little, diretor do Centro de Vivência em Atenção Plena e professor da sucursal brasileira da School of Life.
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50065MEDICINA E MEDITAÇÃO
Um médico ensina a meditar
Autor: Roberto Cardoso
MG EDITORES

Médico há mais de vinte anos e meditador há mais tempo ainda, o autor mostra com precisão várias técnicas de meditação e os seus benefícios para a saúde. Sem qualquer orientação religiosa, filosófica ou moral, trata-se de uma obra para ler, aprender e praticar. Edição revista, atualizada e ampliada.

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60038CHAN TAO
Essência da meditação
Autores: Norva M. Leite, Lilian F Takeda, Jou E. Jia
PLEXUS EDITORA

Este livro foi escrito por um dos melhores médicos acupunturistas do Brasil, o dr. Jou Eel Jia, foi preparado para ensinar meditação e a cultura tradicional chinesa a um número cada vez maior de pessoas. Somos levados, por intermédio de algumas lendas e um pouco de filosofia, aos caminhos do conhecimento de nossa essência através da meditação.
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20039MEDITAÇÃO JUDAICA
Um guia prático
Autor: Aryeh Kaplan
EDITORA ÁGORA 

Este livro, baseado na tradição e com pinceladas de transcendentalismo, é um guia essencial para a meditação judaica. Com explicações claras e exercícios fáceis de fazer, apresenta várias técnicas meditativas – como mantras, contemplação, visualização e preces –, permitindo ao leitor desenvolver uma conexão mais forte com seu lado espiritual.
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20704NÃO FAÇA NADA, SÓ FIQUE SENTADO
Um retiro de meditação budista ao alcance de todos
Autora: Sylvia Boorstein
EDITORA ÁGORA

Um livro indicado para aqueles que, eventualmente, já se sentiram atraídos pela meditação budista mas não souberam como começar a praticar. A autora, Sylvia Boorstein, psicoterapeuta de origem judaica, consegue trazer o budismo para o cotidiano da vida moderna. Em linguagem clara e direta, ela explica os ensinamentos milenares do budismo, de um jeito fácil de entender, acreditar e praticar. Seguindo este guia, com dedicação e perseverança, o leitor estará se iniciando ou se aprofundando na prática da meditação budista.
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20717NOSSA LUZ INTERIOR
O verdadeiro significado da meditação
Autor: J. Krishnamurti
EDITORA ÁGORA

Para os seguidores de Krishnamurti, este livro é um presente de novo milênio. Para quem vai conhecê-lo agora, ele talvez represente um reinício de vida. Trata-se de uma coletânea de textos extraídos de palestras ainda não-publicadas. São insights atemporais sobre onde encontrar as verdadeiras fontes da liberdade, da sabedoria e da generosidade humana dentro de cada um de nós. Ele faz considerações sobre o que é, de fato, a meditação – tema central desta obra – e induz o leitor a procurar o seu próprio modo de colocá-la em prática.

MEDITAÇÃO DA ‘ATENÇÃO PLENA’ MONOPOLIZA PESQUISAS SOBRE O TEMA

Talvez você já tenha se perguntado se meditação “funciona”, mas as questões que se seguem a essa são ainda mais capciosas. A primeira é como mensurar os benefícios desse tipo de prática.

A maior parte dos testes na área de saúde são feitos do seguinte modo: enquanto um grupo recebe o tratamento testado, um segundo grupo recebe um placebo.

Como o efeito placebo funciona em até 30% dos casos, é importante que os participantes não saibam se estão recebendo o tratamento real ou uma água com açúcar, assim os resultados podem ser comparados.

Mas como ministrar um placebo de meditação? Um estudo publicado neste mês na revista “Biological Psychiatry” buscava investigar os efeitos da meditação “mindfulness” (atenção plena, ou consciência plena) na redução de estresse.

Para isso, os pesquisadores recrutaram 35 pessoas desempregadas que estavam passando pelo estresse de buscar um novo trabalho.

O grupo foi para um retiro de três dias de meditação. Enquanto metade deles recebia aulas de mindfulness, a outra metade fazia sessões de relaxamento nas quais o instrutor inseria piadas e distrações em momentos-chave para impedir que os participantes de fato se concentrassem.

“Recrutamos pessoas que não tinham experiência prévia com meditação, de modo que não percebessem o truque”, explica David Creswell, psicólogo da universidade americana Carnegie Mellon que chefiou o estudo.

Quase todos os participantes afirmaram que se sentiam mais relaxados e que tinham desenvolvido respostas melhores ao estresse, mas ressonâncias magnéticas mostraram alterações significativas -como ativação de áreas cerebrais associadas à sensação de calma- apenas no grupo que meditou de verdade.

Quatro meses depois, um exame de sangue mostrou que o grupo da meditação real tinha níveis de inflamação consideravelmente menores que o grupo do relaxamento, ainda que poucas pessoas de ambos os grupos tivessem dado prosseguimento às práticas.

O tipo de meditação que Creswell utilizou em sua pesquisa tem raízes budistas e deu origem a um programa de redução de estresse criado pelo professor Jon Kabat-Zinn, da Faculdade de Medicina da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, na década de 1970.

Iniciado no budismo, Kabat-Zinn queria desenvolver um método que ajudasse pacientes crônicos a lidar com a doença, melhorando sua resposta aos tratamentos.

“Toda meditação busca a atenção plena, mas a particularidade do mindfulness é buscar estar no presente com curiosidade”, explica o físico e budista ordenado Stephen Little, diretor do Centro de Vivência em Atenção Plena e professor da sucursal brasileira da School of Life.

Nas aulas, os alunos devem prestar atenção à respiração e a sensações corporais, inclusive as desagradáveis.

Em parte por ter nascido em um ambiente acadêmico, a mindfulness tem se estabelecido como a modalidade queridinha dos médicos e monopoliza boa parte das pesquisas sobre meditação. No Brasil, a Unifesp, por exemplo, tem um centro dedicado a ela.

“Imagino que outros tipos de meditação tenham eficácia semelhante, mas como a maior parte das pesquisas recentes trabalha com mindfulness, ela acaba chamando atenção dos médicos. Já sabemos, por exemplo, que melhora o parâmetro imunológico e reduz a ansiedade”, diz a psiquiatra Valéria Melo, do hospital Emilio Ribas.

O treinamento de mindfulness costuma ser feito em dois meses, com sessões de 2h30 por semana, e inclui exercícios de respiração e postura, além de explicações científicas sobre a origem e os efeitos do estresse. Custa cerca de R$ 900, com aulas semanais de 2h30 de duração, mais material didático para praticar em casa.

Quem quiser se inteirar da técnica pode fazer workshops como o da School of Life (R$ 185, com encontro no dia 17/03) ou no Centro Cultural da Índia (de graça, dia 15/03), ambos em São Paulo.

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Texto de Juliana Cunha publicado na Folha de S. Paulo, em 01/03/2016. Para acessá-lo na íntegra: http://bit.ly/1QjF7cU

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Para saber mais sobre o assunto, conheça os livros do Grupo Summus:

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50065MEDICINA E MEDITAÇÃO
Um médico ensina a meditar
Autor: Roberto Cardoso
MG EDITORES 

Médico há mais de vinte anos e meditador há mais tempo ainda, o autor mostra com precisão várias técnicas de meditação e os seus benefícios para a saúde. Sem qualquer orientação religiosa, filosófica ou moral, trata-se de uma obra para ler, aprender e praticar. Edição revista, atualizada e ampliada.