‘PARA PALIATIVISTAS, É CRUCIAL HAVER HONESTIDADE COM PACIENTE GRAVE’

O consenso entre profissionais de saúde é que nos últimos meses de vida de um paciente, esgotadas as alternativas de tratamento, o melhor é garantir que ele receba cuidados paliativos para amenizar a dor e melhorar a qualidade de vida.

O problema é quando o tratamento médico convencional –que incluem os cuidado paliativos– acabam sendo substituídos por supostas alternativas, modalidades sem qualquer comprovação mensurável de benefícios quando o assunto é a cura da doença ou sobrevida.

Foi mais ou menos essa discussão que surgiu após a morte do jornalista e apresentador de TV Marcelo Rezende, no último sábado (16), em decorrência de um câncer de pâncreas em estágio avançado. Ele estava com 65 anos.

Nos últimos meses, Marcelo Rezende publicou periodicamente em suas redes sociais vídeos em que dizia estar buscando a cura por meio da fé. O fato de ele ter abandonado o tratamento convencional acabou fomentando a discussão sobre sua saúde.

“É uma questão ética. Qualquer paciente tem o direito de aceitar ou recusar qualquer tipo de tratamento. É um princípio básico”, diz a médica paliativista Maria Goretti Maciel, diretora do Instituto Paliar, em São Paulo.

Mesmo assim, diz a especialista, o papel do médico é tentar esclarecer o panorama do tratamento e fazer um exercício de empatia, de modo a entrar no universo do paciente e tentar, sob o ponto de vista dele, ajudar a fazer as melhores escolhas.

“O que não pode acontecer é culpar um homem pela própria morte, como se ele tivesse morrido porque não quis se tratar. Ele morreu em decorrência de uma doença grave, a chance de um tratamento curativo era muito pequena. Talvez o tratamento postergasse a morte, talvez ele tenha escolhido viver bem ou talvez ele tivesse um grande medo. A gente não pode julgar”, diz Goretti Maciel.

Para o geriatra André Filipe dos Santos, da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, é fundamental deixar claro para o paciente por quais procedimentos ele passará e para quê.

“Existe a modalidade de quimioterapia paliativa, para melhorar os sintomas do câncer e a qualidade de vida, e não para curar. Curiosamente, 70% dos pacientes que recebem esse tratamento acham que estão curados.

FILOSOFIA

Segundo o filósofo e professor Rafael Nogueira, é comum haver uma espécie de despreparo, ou “falta de treino filosófico” quando o assunto é a morte.

“Muitas vezes a mensagem é dura e a pessoa não aceita, já que aquilo que a medicina promete é muito pouco. Aí ela sai em busca de tratamentos que sejam mais afins à sua teimosia”, diz.

Segundo Nogueira, há ao menos outras duas maneiras mais maduras de lidar com o tema. Uma é esgotar os recursos oferecidos pela medicina e pela ciência “e só aí partir para a pseudomedicina/tratamentos alternativos”, como chás e cirurgias espirituais.

E o jeito mais “cristão e comum” é seguir o tratamento convencional e, ao mesmo tempo rezar e pedir orações para os amigos familiares, por exemplo. “Se a medicina não funcionar, Deus é chamado para prestar um auxílio”.

 

Texto parcial extraído de matéria de Gabriel Alves, publicada originalmente na Folha de S. Paulo em 20/09/2017. Para lê-la na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2017/09/1920027-para-paliativistas-e-crucial-haver-honestidade-com-paciente-grave.shtml

 

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Se você tem interesse pelo assunto, conheça:

A COMUNICAÇÃO MÉDICO-PACIENTE NO TRATAMENTO ONCOLÓGICO
Um guia para profissionais de saúde, portadores de câncer e seus familiares
Autor: Ricardo Caponero
MG EDITORES

Apesar de todos os avanços médicos e tecnológicos das últimas décadas, o câncer ainda é considerado tabu para a maioria das pessoas. Assim, quando o indivíduo descobre-se portador da doença, por vezes depara com uma espécie de “conspiração do silêncio”, o que pode prejudicar o tratamento e provocar consequências psicológicas profundas. Por outro lado, a equipe médica nem sempre está preparada para transmitir ao paciente informações claras, precisas e verdadeiras. Partindo de uma experiência de mais de 30 anos com pacientes oncológicos, Ricardo Caponero explica aqui como estabelecer e manter uma comunicação respeitosa e franca com o portador de câncer. Além de ensinar técnicas que ajudam na transmissão de informações – quase sempre difíceis –, ele aborda a comunicação como forma de tratamento, os entraves a ela, as possíveis soluções e os aspectos legais ligados ao exercício da medicina. Porém, acima de tudo, quebra a aridez do tema relatando histórias verídicas de confiança, entrega e encontro.

‘FUTILIDADE TERAPÊUTICA’

Existe a ideia geral de que se um tratamento existe e está disponível ele é útil e deve ser empregado sempre que possível. No entanto, isso nem sempre é verdadeiro.

Da mesma forma, nenhum tratamento é intrinsecamente fútil. Se fosse assim, um tratamento fútil deveria ser abandonado de imediato, como já aconteceu com tratamentos que se tornaram obsoletos frente a novos conceitos ou novos métodos terapêuticos, por exemplo, tratamento da sífilis com sais arsenicais, cirurgia para úlcera gástrica, etc.

Qualquer tratamento disponível pode ser útil ou fútil na dependência de como, quando e, principalmente, para quem ele é empregado.

Tratamentos que produzam a cura, com restabelecimento pleno do estado de saúde ao patamar que existia antes da intercorrência da doença é potencialmente útil.

Quando a cura não é possível, os tratamentos tem a intenção de melhorar o estado de saúde, proporcionar melhor qualidade de vida. São tratamentos paliativos. Nessas circunstâncias chamamos esses tratamentos de paliativos.

Nos tratamentos de intenção paliativa é fundamental que se estabeleça qual o resultado esperado com o tratamento, quais seus eventos adversos associados e qual o exato benefício na qualidade ou tempo de vida.

É muito comum que se estabeleçam desfechos intermediários, paralelos, não diretamente relacionados com a qualidade de vida. Transfusões de sangue para corrigir o nível de hemoglobina e não para melhorar sintomas decorrentes da anemia; drogas vasoativas para elevar a pressão de pacientes em fase final de vida, etc. Em geral esses procedimentos adiam a morte, prolongam o processo de morrer, sem trazer benefícios reais à qualidade de vida.

Outras vezes, adotam-se medidas com intenção paliativa, mas que poderiam ser substituídas por procedimentos de efeitos mais rápidos, mais simples, ou de menor custo.

O objetivo principal dos cuidados paliativos é discernir entre o que pode ser útil e o que é potencialmente fútil, ao que chamamos de “distanásia” por prolongarem um sofrimento desnecessário.

Como disse o Papa João Paulo II, É lícito, em sã consciência, abdicar de métodos extraordinários que prolongariam a vida de forma desproporcional, sem qualidade de vida. Tudo pode ser disponível, mas nem tudo convém.

Artigo do oncologista Ricardo Caponero, publicado no portal do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Para acessá-lo na íntegra: http://centrodeoncologia.org.br/noticias-cancer/futilidade-terapeutica/

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Dr. Ricardo Caponero é oncologista Clínico e Coordenador do CATSMI – Centro Avançado de Terapia de Suporte e Medicina Integrativa. Conheça suas obras publicadas pela MG Editores:

A COMUNICAÇÃO MÉDICO-PACIENTE NO TRATAMENTO ONCOLÓGICO
Um guia para profissionais de saúde, portadores de câncer e seus familiares
Autor: Ricardo Caponero

Apesar de todos os avanços médicos e tecnológicos das últimas décadas, o câncer ainda é considerado tabu para a maioria das pessoas. Assim, quando o indivíduo descobre-se portador da doença, por vezes depara com uma espécie de “conspiração do silêncio”, o que pode prejudicar o tratamento e provocar consequências psicológicas profundas. Por outro lado, a equipe médica nem sempre está preparada para transmitir ao paciente informações claras, precisas e verdadeiras. Partindo de uma experiência de mais de 30 anos com pacientes oncológicos, Ricardo Caponero explica aqui como estabelecer e manter uma comunicação respeitosa e franca com o portador de câncer. Além de ensinar técnicas que ajudam na transmissão de informações – quase sempre difíceis –, ele aborda a comunicação como forma de tratamento, os entraves a ela, as possíveis soluções e os aspectos legais ligados ao exercício da medicina. Porém, acima de tudo, quebra a aridez do tema relatando histórias verídicas de confiança, entrega e encontro.
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CÂNCER E PREVENÇÃO
Organizadores: Ricardo CaponeroArtur Malzyner
Autores: Vanessa MastroDaniele Evaristo Vieira AlvesElge Werneck Araújo JúniorElza Maria de Oliveira Dertonio Donato Emerson Neves dos SantosFernanda de Campos Prudente SilvaMaria da Glória Gonçalves GimenesMaurício Antranig Nicolian MuradianRicardo CaponeroSimone Aparecida Oguchi FalcariTassiana Barros PetrilliValéria BrazolotoArtur Malzyner

Voltado para leigos, este livro, escrito por uma equipe multidisciplinar, explica o que é câncer e como preveni-lo; aborda a prevenção primária por meio de cirurgias, medicamentos, alimentação adequada e hábitos saudáveis; esclarece sobre a importância do diagnóstico precoce; e fala sobre os principais tipos de tratamento existentes. Fundamental para pacientes, familiares, psicólogos, enfermeiros etc.

NOITE DE AUTÓGRAFOS DE “A COMUNICAÇÃO MÉDICO-PACIENTE NO TRATAMENTO ONCOLÓGICO”

Na terça-feira, dia 28, o oncologista Ricardo Caponero autografou seu livro A comunicação médico-paciente no tratamento oncológico, da MG Editores.
Veja abaixo alguns momentos do evento que reuniu amigos e convidados do autor na Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi, em São Paulo.

Para conhecer o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1420/Comunica%C3%A7%C3%A3o+m%C3%A9dico-paciente+no+tratamento+oncol%C3%B3gico,+A

RICARDO CAPONERO AUTOGRAFA O LIVRO “A COMUNICAÇÃO MÉDICO-PACIENTE NO TRATAMENTO ONCOLÓGICO” EM SÃO PAULO

A MG Editores e a Livraria da Vila (Shopping JK Iguatemi) promovem no dia 28 de julho, terça-feira, das 18h30 às 21h30, a noite de autógrafos do livro A comunicação médico-paciente no tratamento oncológico – Um guia para profissionais de saúde, portadores de câncer e seus familiares. O oncologista Ricardo Caponero, autor da obra, receberá os convidados na livraria, que fica na Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2041 – Itaim Bibi, SP.

Apesar de todos os avanços médicos e tecnológicos das últimas décadas, o câncer ainda é considerado tabu para a maioria das pessoas. Assim, quando o indivíduo se descobre portador da doença, por vezes depara com uma espécie de “conspiração do silêncio”, o que pode prejudicar o tratamento e provocar consequências psicológicas profundas. Por outro lado, a equipe médica nem sempre está preparada para transmitir ao paciente informações claras, precisas e verdadeiras. Partindo de uma experiência de mais de 30 anos na área, o oncologista Ricardo Caponero dispôs-se a criar um guia sobre como dialogar com esses pacientes. No livro, ele explica como estabelecer e manter uma comunicação respeitosa e franca e, ao mesmo tempo, efetiva e terapêutica.

Embora seja uma atividade comum e rotineira na área da saúde, a arte da comunicação assume um papel muito mais significativo em situações particulares em que a mobilização de grande quantidade de conteúdo emocional está em evidência. Na oncologia, ela se dá entre o profissional e um paciente que não gostaria de estar ali, que sabe que vai ouvir muitas coisas que não desejaria ouvir ou nega a doença que tem. Se a comunicação já apresenta dificuldades, nessas circunstâncias ela se torna ainda mais desafiadora.

Por isso, segundo Caponero, os oncologistas deveriam conhecer em profundidade os meandros da comunicação dinâmica, já que ela é parte fundamental do tratamento. “Os profissionais que participam do diagnóstico devem estar minimamente esclarecidos sobre a importância e o impacto que a comunicação exerce – tanto como alento quanto como sofrimento”, afirma.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1420/Comunica%C3%A7%C3%A3o+m%C3%A9dico-paciente+no+tratamento+oncol%C3%B3gico,+A

Comunicacao medico-paciente

RÁDIO UNESP ENTREVISTA ONCOLOGISTA AUTOR DA MG EDITORES

Ouça entrevista da Rádio UNESP com Ricardo Caponero, autor da obra A comunicação médico-paciente no tratamento oncológico:
http://podcast.unesp.br/perfil-17072015-ricardo-caponero-entrevista-2330

Ricardo CaponeroGraduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Caponero é especialista em Oncologia pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) e em Cancerologia Clínica pela Associação Médica Brasileira (AMB), além de mestre em Oncologia Molecular pelo Centro de Investigaciones Oncológicas de Madri, Espanha. Membro da American Society of Clinical Oncology (Asco), da European Society for Medical Oncology (Esmo), da Multinational Association of Supportive Care in Cancer (Mascc), da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc), da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia (SBPO) e da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos (ABCP), é ex-presidente e atual diretor científico dessa última instituição. Atua como oncologista na Clinonco – Clínica de Oncologia Médica, em São Paulo. É ainda coautor do livro Câncer e prevenção, também da MG editores.

‘SILÊNCIO PODE PREJUDICAR TRATAMENTO DE PACIENTES COM CÂNCER’

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Rádio CBN entrevista o oncologista Ricardo Caponero, mestre em Oncologia Molecular e autor do livro A comunicação médico-paciente no tratamento oncológico.
Ouça:

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Conheça o livro:

50113A COMUNICAÇÃO MÉDICO-PACIENTE NO TRATAMENTO ONCOLÓGICO
Um guia para profissionais de saúde, portadores de câncer e seus familiares
Autor: Ricardo Caponero
MG EDITORES

Apesar de todos os avanços médicos e tecnológicos das últimas décadas, o câncer ainda é considerado tabu para a maioria das pessoas. Assim, quando o indivíduo descobre-se portador da doença, por vezes depara com uma espécie de “conspiração do silêncio”, o que pode prejudicar o tratamento e provocar consequências psicológicas profundas. Por outro lado, a equipe médica nem sempre está preparada para transmitir ao paciente informações claras, precisas e verdadeiras. Partindo de uma experiência de mais de 30 anos com pacientes oncológicos, Ricardo Caponero explica aqui como estabelecer e manter uma comunicação respeitosa e franca com o portador de câncer. Além de ensinar técnicas que ajudam na transmissão de informações – quase sempre difíceis –, ele aborda a comunicação como forma de tratamento, os entraves a ela, as possíveis soluções e os aspectos legais ligados ao exercício da medicina. Porém, acima de tudo, quebra a aridez do tema relatando histórias verídicas de confiança, entrega e encontro.

‘QUAL A REAÇÃO A UM DIAGNÓSTICO DE CÂNCER?’


Pesquisa mostra que 70% pensam em morte e desespero; nervosismo impede esperança na possibilidade de cura 

Quando estava grávida de seis meses, Renata Berzoini, 38 anos, descobriu que tinha um tumor na mama. O obstetra que também é mastologista notou algo estranho no seio e pediu exames. “Fui ver como estava o bebê e recebi uma notícia destas. Pânico total. Só pensava que precisava cuidar dos meus filhos e que não podia morrer”, disse Renata.

Ela fez quimioterapia durante a gravidez e não amamentou Gustavo, hoje com 1 ano e quatro meses. Durante os exames para a cirurgia, no entanto, ela teve uma notícia ainda mais assustadora: tinha um tumor da bacia e metástase óssea. “Descobri da pior maneira possível, numa sexta-feira, ao ler a palavra metástase no exame. Fiquei completamente desesperada”, disse.

A reação de Renata – que segue em tratamento – ilustra o resultado de um estudo que perguntou a 443 pessoas com câncer qual foi o primeiro pensamento ao serem  informados do diagnóstico da doença. Medo, desespero e morte são as palavras que vêm à cabeça de pacientes quando é dada a fatídica notícia de que há um câncer no corpo. Especialistas afirmam que em geral o paciente pouco consegue atentar às informações passadas, muito menos aos próximos procedimentos. O raciocínio fica apenas na palavra maldita que buzina sem parar.

No estudo realizado pela Oncoguia no ano passado, 70% relataram ter pensamentos negativos e apenas 30% pensaram na cura, fé e superação. Entre os pessimistas, 88 pessoas afirmaram pensar em desespero, 85 morte, 49 ficaram em choque, outros 49 sentiram medo, 21 pensaram em tristeza e 13 em dúvida.

“Infelizmente, a gente ainda tem este peso na palavra câncer. Vemos que em geral a pessoa desaba logo após a notícia e precisa de um segundo momento para se recuperar e para saber quais são os próximos passos”, diz a psico-oncologista e presidente do Instituto Oncoguia Luciana Holtz. Ela afirma que se o médico, ao contar o diagnóstico, disser tumor e não câncer, o paciente não se assusta porque não se dá conta do que é. Mas, quando o médico pronuncia câncer, a reação tende a ser de desespero.

A onco-psicóloga afirma que a falta de conhecimento e o fato de a maioria das pessoas relacionar o câncer a morte gera mais desespero que o necessário. “No ano passado fizemos uma pesquisa onde foram ouvidas mais de 2 mil pessoas. Sessenta por cento respondeu que câncer é a doença que mais mata e sabemos que isto não é verdade”, disse. No Brasil e em todo o mundo, doenças cardiovasculares são as que mais matam.

Renata lembra até hoje que a notícia do câncer de mama foi numa quarta  e a confirmação do diagnóstico num sábado, e que o diabnóstico da metástase foi lido numa sexta-feira. “Senti muito medo. Cheguei até a negar, mas encarei tudo muito rápido.Acho que se não estivesse grávida e não tivesse o meu filho mais velho talvez não tivesse segurado a barra tão rápido”, diz a gerente financeira que afirma que quer viver até os 90 anos.

Péssima notícia 

Em um estudo da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP, a enfermeira Talitha Bordini de Mello constatou que a escolha das palavras e o local onde é feita a comunicação influenciam muito sobre compreensão sobre a doença. “A comunicação influencia muito o jeito como a doença repercute na vida das pessoas”, explica.

Thalita entrevistou 24 mães do setor de oncologia pediátrica do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, mulheres que enfrentavam a pior notícia de suas vidas. De acordo com Thalita, uma mãe chegou a relatar que era como se tivessem dado a sentença de morte do filho.

“Elas recebem uma notícia muito difícil e vinculam isso logo à morte. Mas percebi que mesmo quando o tratamento é difícil, ou quando não tem cura, mesmo assim elas continuam com esperança”, disse.

Pensar no pior contraria os dados do sucesso do tratamento contra a doença. Em crianças, a curabilidade do câncer no Brasil chega a 70%. “Por isso é importante que a notícia seja dada por um médico próximo, com informações claras, que possa responder a todas as dúvidas e que dê um direcionamento. Não existe receita, mas algumas regras precisam ser cumpridas“, diz.
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Matéria de Maria Fernanda Ziegler, publicada originalmente no Portal iG, em 18/03/2014. Para lê-la na íntegra, acesse: http://saude.ig.com.br/minhasaude/2014-03-18/qual-a-reacao-a-um-diagnostico-de-cancer.html

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Quer saber mais sobre psico-oncologia? Conheça alguns livros do Grupo Summus sobre o assunto:

20536HISTÓRIAS QUE CURAM 
Conversas sábias ao pé do fogão
Esta é uma obra de reflexão e de histórias sobre pessoas, contadas em tom intimista, como as antigas conversas nas mesas de cozinha, ao pé do fogão. Rachel N. Remen é médica e terapeuta, especializada em psico-oncologia e tem outro livro publicado pela Summus, O paciente como ser humano.
Rachel Naomi Remen

10642PSICO-ONCOLOGIA
Caminhos e perspectivas
Nesta obra, a psico-oncologia é abordada por meio de três diferentes referenciais teóricos: psicanalítico, fenomenológico e sistêmico. Além disso, apresenta trabalhos realizados com crianças e adultos com câncer, familiares e profissionais de saúde. Destinado a psicooncologistas, estudantes, pesquisadores e profissionais de saúde.
Carmen M. Bueno Neme

 

10665RESGATANDO O VIVER 
Psico-oncologia no Brasil
Maria Margarida M. J. de Carvalho
Um livro que oferece alguns modelos de atendimento psicológico ao paciente de câncer, em serviços hospitalares de psico-oncologia e em grupos de apoio particulares. Os relatos, provenientes de diferentes partes do Brasil, são depoimentos ao mesmo tempo didáticos e emocionantes, facilitando a leitura e envolvendo fortemente o leitor. A organizadora, Maria Margarida M. J. de Carvalho, é conselheira do CORA (Centro Oncológico de Recuperação e Apoio).

 

10383TEMAS EM PSICO-ONCOLOGIA
Vicente A. de Carvalho, Rita de Cássia Macieira, Regina Paschoalucci Liberato, Maria Teresa Veit, Maria Julia Kovács, Maria Jacinta Benites Gomes, Maria Helena Pereira Franco, Luciana Holtz de C. Barros
Nesta obra de referência, endossada pela Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia, diversos especialistas discutem a abrangência e as especificidades da psico-oncologia, bem como a transdisciplinaridade de sua abordagem. Falam também de seus aspectos psicossociais e dos diversos tipos de tratamento, bem como de bioética e pesquisa de ponta.

 

Para ver todos os livros do Grupo que abordam o tema, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/busca/c%C3%A2ncer/all/0

ONCOCHECKUP: SAIBA COMO E QUANDO FAZER EXAMES PARA PREVENÇÃO DO CÂNCER

90% dos cânceres são curados quando detectados em estágio inicial; oncologistas recomendam que, se há casos na família, os exames sejam feitos 15 anos antes

Como se sabe, o maior fator de risco para se ter um câncer é a idade avançar, o que explica boa parte do aumento dos casos no País. Mas, o que fazer enquanto isso? Não basta só torcer para que a doença passe longe. É possível, sim, se precaver.

Além de cuidar da alimentação e evitar maus hábitos como o fumo e o sedentarismo, o indicado é procurar um médico. Exames periódicos, chamados de oncocheckup, são necessários para afastar qualquer suspeita – e detectar qualquer alteração precocemente, já que muitos cânceres são silenciosos e vêm à tona apenas quando estão em estágio mais avançado.

“A pessoa tem que procurar um bom médico – um que converse bastante com o paciente, que fique com ele ao menos por uns 30 minutos e o examine dos pés à cabeça. E, com base nos fatores de risco da pessoa, o médico deve pedir os exames apropriados”, recomenda Ademar Lopes, cirurgião oncológico e vice-presidente do Hospital A.C. Camargo Cancer Center.

A hora certa de começar

Para as mulheres, o exame de papanicolau deve ser feito anualmente desde o início da vida sexual, já que detecta casos de câncer de colo do útero. A mamografia deve entrar no calendário a partir dos 35 anos. “Se fizermos diagnóstico precoce e tratamento apropriado, podemos curar 90% dos casos de câncer, a baixo custo e sem mutilação. Se for esperar identificar pelo exame de toque, o estágio já estará avançado”, explica Lopes.

No caso dos homens, o exame de toque que detecta o câncer de próstata deve ser feito anualmente a partir dos 45 anos.

Homens e mulheres devem fazer a colonoscopia a partir dos 50 anos. O exame, que detecta câncer no intestino, deve ser feito a cada cinco anos. “Quase 100% dos cânceres no intestino vem de um pólipo, que é uma verruguinha pedindo para ser retirada. O mais importante é que a pessoa portadora desses pólipos não sente nada”, explica Lopes, alertando para a detecção precoce. “Se o indivíduo já teve casos na família também, deve fazer os exames a cada 3 ou 4 anos. Se alguma alteração foi detectada, ele deve fazer o exame anualmente”, completa.

Em todos os tipos de câncer, o início dos cuidados deve ser antecipado se houver casos na família. A recomendação do vice-presidente do Hospital A. C. Camargo é que os exames comecem a ser feitos quando a pessoa tiver 10 ou 15 anos a menos do que tinha o familiar quando descobriu a doença. Isso significa que, se a mãe da paciente teve câncer de mama aos 40, ela deve fazer mamografia a partir dos 25, 30 anos de idade.

Atenção: alguns cânceres não têm diagnóstico precoce

Apesar de o oncocheckup ajudar na precaução e no adiantamento do diagnóstico, existem cânceres que burlam essa lógica. O câncer de pulmão, por exemplo, não é detectável ainda no começo, assim como o de pâncreas e ovários. Quando aparecem, já estão avançados.

A leucemia é outro exemplo. Surge do nada. A pessoa pode fazer um exame de sangue em um mês e estar com todos os resultados normais e, no mês seguinte, ser diagnosticada com a doença. “Não existe um exame que antecipe o diagnóstico. O anúncio são os sintomas como febre persistente, sangramento e cansaço”, explica Gilberto Colli, hematologista do Hospital do Câncer de Barretos. “A partir daí, um exame clínico e um hemograma confirmam a suspeita. A leucemia pode surgir de uma hora para a outra, independente se é criança, jovem ou idoso.”

Hereditariedade

Não basta ter tido um parente com câncer para concluir que é algo hereditário. Apenas de 8% a 10% dos cânceres são hereditários e um exame genético detalhado é capaz de identificar essa mutação de genes, para que a prevenção e identificação seja feita ainda cedo.

“Em alguns casos, se for identificado uma chance de ter câncer no intestino por razões genéticas, até uma cirurgia preventiva pode ser feita”, explica Sérgio Serrano, vice-diretor clínico do Hospital do Câncer de Barretos.

Nos casos de familiares que tiveram câncer a partir dos 50 anos, os descendentes, via de regra, não devem se preocupar com hereditariedade. O surgimento da doença, nesse caso, é creditado à idade, maus hábitos e outros fatores. Mas compensa, sempre, relatar ao médico e fazer o oncocheckup.

Prevenção é o melhor remédio

De qualquer forma, a prevenção é a saída mais concreta quando o assunto é câncer. Manter um estilo de vida saudável, fugir do sedentarismo e ter uma dieta rica em antioxidantes, que ‘reparam’ as células que sofreram mutação durante o dia, é a melhor forma de lutar para que essa doença se mantenha longe.

“Não fumar, não beber, se proteger contra o HPV, alimentar-se bem, não se expor excessivamente ao sol, manter um estilo de vida tranquilo com alimentos mais naturais e crus é muito importante”, explica Hezio Jadir Fernandes Junior, diretor do Instituto Paulista de Cancerologia.

E, claro, não se esquecer de manter os exames em dia. “O problema acontece quando a pessoa faz o oncocheckup, sai tranquila e demora muito para voltar no médico de novo. Essa falsa sensação de segurança abre portas para cânceres silenciosos crescerem e não serem detectados no estágio em que já poderiam ser, dificultando a cura”, conclui Serrano.

 

Matéria de Elioenai Paes, publicada originalmente no iG São Paulo, em 18/01/2014. Para lê-la na íntegra, acesse: http://saude.ig.com.br/minhasaude/2014-01-18/oncocheckup-saiba-como-e-quando-fazer-exames-para-prevencao-do-cancer.html

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o livro “Câncer e prevenção”, da Ágora, organizado pelos médicos oncologistas Ricardo Caponero e Artur Malzyner:

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Voltado para leigos, este livro, escrito por uma equipe multidisciplinar, explica o que é câncer e como preveni-lo; aborda a prevenção primária por meio de cirurgias, medicamentos, alimentação adequada e hábitos saudáveis; esclarece sobre a importância do diagnóstico precoce; e fala sobre os principais tipos de tratamento existentes. Fundamental para pacientes, familiares, psicólogos, enfermeiros etc.

 

 

 

 

Para conhecer o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1350/C%C3%A2ncer+e+preven%C3%A7%C3%A3o

CÂNCER DE MAMA: MAMOGRAFIA E EXAME CLÍNICO REDUZEM TAXA DE MORTALIDADE

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres. Em 2012, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), foram estimados 52.680 novos casos no Brasil. Em 2013, esse número deve chegar a 60 mil. A expectativa é de que uma em cada 7 mulheres tenha câncer de mama ao longo da vida. A prevenção continua sendo a principal aliada das mulheres na luta contra a doença.

Embora seja uma prática bastante indicada para detectar grandes nódulos, o autoexame não é mais recomendado como método preventivo. Isso porque ele implica um diagnóstico mais tardio do que os obtidos com exames de imagem. A sensibilidade de equipamentos como a mamografia e o ultrassom das mamas, por exemplo, permite detectar nódulos de dimensões tão pequenas quanto 0,2 ou 0,3 cm, que seriam imperceptíveis ao toque. Um estudo do Plano de Seguro-Saúde da Grande Nova York (HIP, em inglês) mostrou uma diminuição de 30% nos casos de morte nas mulheres submetidas ao rastreamento.

“Nessa área da medicina, o diagnóstico precoce é diretamente relacionado com o sucesso do tratamento. Com métodos mais sensíveis conseguimos diagnosticar com muita frequência casos que iriam ameaçar a saúde da mulher apenas muito mais tarde”, afirma o oncologista Artur Malzyner, organizador do livro Câncer e prevenção, lançado recentemente pela MG Editores. Na obra, Malzyner explica que o diagnóstico precoce em oncologia visa reduzir o risco de morte e possibilitar tratamentos com menor probabilidade de sequelas e outras complicações.

A partir dos 40 anos as mulheres devem ser submetidas a exames clínicos (palpação) feitos por médico ou enfermeiros treinados para detectar tumores superficiais de até 1 cm. O exame mamográfico (radiografia capaz de detectar nódulos pequenos de poucos milímetros) é indicado a cada dois anos a mulheres de 50 a 69 anos. Para mulheres consideradas de alto risco recomendam-se os exames anuais a partir dos 35 anos. 

Câncer e prevenção

Voltado para leigos, o livro Câncer e prevenção foi escrito por uma equipe multidisciplinar. A obra explica o que é câncer e como preveni-lo; aborda a prevenção primária por meio de cirurgias, medicamentos, alimentação adequada e hábitos saudáveis; esclarece sobre a importância do diagnóstico precoce; e fala sobre os principais tipos de tratamento existentes. Conteúdo fundamental para pacientes, familiares, psicólogos e enfermeiros.

 

 

AUTORES DO LIVRO “CÂNCER E PREVENÇÃO” AUTOGRAFAM NA LIVRARIA CULTURA, EM SÃO PAULO

A MG Editores, a Clinonco e a Livraria Cultura do Conjunto Nacional promovem no dia 11 de setembro, quarta-feira, das 18h30 às 21h30, o lançamento do livro Câncer e prevenção. Os organizadores da obra, os oncologistas Artur Malzyner e Ricardo Caponero, e os autores recebem os convidados no piso térreo da livraria, que fica na Avenida Paulista, 2073, São Paulo.

Estima-se que surgiram mais de 500 mil novos casos de câncer no Brasil em 2012. Considerada a segunda causa de morte no mundo, ficando atrás apenas dos problemas cardiovasculares, a doença ainda é um enigma para a maioria das pessoas. Apesar do maior acesso à informação, inúmeras dúvidas continuam cercando o assunto. Para ajudar pacientes com câncer e familiares a prevenir e enfrentar a doença, uma equipe multidisciplinar composta por especialistas da Clinonco – Clínica de Oncologia Médica, uma das pioneiras em oncologia no país e referência no tratamento humanizado, reuniu informações fundamentais sobre o tema, em linguagem simples e direta. O resultado está no livro Câncer e prevenção.

Dividida em quatro partes – “Noções gerais sobre a doença”, “Prevenção primária: é possível evitar a ocorrência do câncer?”, “Diagnóstico precoce” e “Tratamento” -, a obra aborda o câncer em todas as suas dimensões, desmistificando a doença e conscientizando a população acerca da importância de preveni-la.

Os autores tratam de assuntos como fatores de risco, alimentação e vida saudável, conduta durante o tratamento, fatores genéticos e importância do apoio clínico e psicológico ao paciente. Também tratam de questões polêmicas, como o uso de forno de micro-ondas, telefones celulares e potes plásticos e as cirurgias preventivas, como a feita nas mamas pela atriz Angelina Jolie e as que evitam o câncer de intestino e de ovário.

Cerca de 30% a 40% de todos os cânceres podem ser prevenidos com alimentação e estilo de vida mais saudáveis. Por isso, os autores chamam a atenção para a importância de focar a saúde, e não o câncer, e listam todas as possibilidades para quem deseja prevenir o mal. O estresse tem sido apontado como um fator desencadeante de câncer, visto que pode levar à exaustão física e emocional. Entretanto, estudos demonstram que mais importante que o fator estressante é a forma como se lida com ele.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro//C%C3%A2ncer+e+preven%C3%A7%C3%A3o