‘COMO PAIS PODEM AJUDAR E APOIAR OS FILHOS QUANDO ELES SE ASSUMEM HOMOSSEXUAIS?’

Muitos pais ainda não são capazes de aceitar a homossexualidade dos filhos, mas fazê-lo pode tornar o momento muito mais simples para aqueles que estão saindo do armário; psicólogo dá dicas de como lidar com isso

Muitos filhos homossexuais ainda não têm coragem de se assumir para os pais. Em alguns casos, isso acontece porque eles sentem medo de sofrer e de não serem aceitos pela família. Já que a sexualidade dessas pessoas já faz com que elas corram riscos e encarem o preconceito da sociedade, é muito importante que os pais compreendam a situação e consigam apoiá-los.

De acordo com o Psicólogo Oswaldo M. Rodrigues Jr, do  Instituto Paulista de Sexualidade, muitos pais sentem dificuldades em aceitar a sexualidade dos filhos por já terem “planejado” a vida deles – inclusive no aspecto afetivo – mentalmente. “Ao perceber que um filho não está cumprindo os desígnios que estipularam para este filho, ele ‘deve estar errado’, e isto se aplica a sexo”, explica o psicólogo.

O primeiro passo que os pais devem dar para que o processo de aceitação fique mais suave é aprender a administrar as próprias frustrações e entender que os filhos não estão seguindo o caminho esperado. “Eles precisam aprender a ser assertivos, afirmativos e não hostis, não agressivos. Este é um ponto difícil, pois adultos já estão limitados pelas formas que já conhecem e consideram corretas”, diz o Rodrigues.

Mãe e filha contra a homofobia

A fotógrafa Nanah Farias é um exemplo de mãe que conseguiu aceitar e apoiar a filha lésbica. Ela sempre esteve por perto da moça e da namorada dela, e percebeu que as duas poderiam protagonizar um ensaio fotográfico feito por ela. Quando viu o resultado, Nanah decidiu publicar as fotos em apoio ao relacionamento da filha, mesmo sabendo que o projeto estaria suscetível a críticas negativas.

A filha de Nanah não se assumiu para a mãe logo de cara e já estava namorando uma menina quando decidiu se abrir com a mãe sobre a própria sexualidade. A relação das duas ficou abalada porque Nanah sentiu que a filha e a namorada – que também era amiga de Nanah – não confiaram nela para contar a verdade. “Eu fiquei com raiva porque ela mentiu para mim sendo que a gente tem uma política de não mentir em casa”, diz a mãe.

“Todos sofrem com isso. É muito difícil você falar para uma pessoa que não está acostumada com homossexuais na família que ela precisa aceitar. É preciso se acostumar que a sua filha é diferente das relações que estamos acostumados. Você vai vendo e se acostumando que está tudo bem e normal”, comenta Nanah.

Os amigos de Nanah ainda estranham o fato de ela receber normalmente a namorada da filha em casa. “Eu digo que é a mesma coisa que quando meu filho chega com a namorada dele. Eu abraço a menina e ela almoça com a gente”, diz a mãe. Ela ainda fala sobre a importância de os pais amarem os filhos homossexuais “Eu penso assim: se ela é minha filha, eu a amo de qualquer jeito. Por que não amar só porque ela tem uma namorada? Ela continua igual”, finaliza.

Por Carina Brito, publicado originalmente no iG, em 17/04/2017. Para ler na íntegra, acesse: http://igay.ig.com.br/2017-04-17/pais-ajudar-filhos-homossexuais.html 

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Para saber mais sobre o assunto? Conheça o livro: 

30031PAPAI, MAMÃE, SOU GAY!
Um guia para compreender a orientação sexual dos filhos
Autora: Rinna Riesenfeld

Escrito por uma sexóloga e terapeuta com longa experiência em lidar com pais aflitos, este livro responde as inúmeras questões dos familiares de homossexuais. Repleto de exemplos e diálogos reais, o guia é essencial para a compreensão do preconceito, da sexualidade e da importância dos poderosos laços familiares.

 

‘ESTUDO SUGERE QUE ASSUMIR ORIENTAÇÃO SEXUAL NA ESCOLA É MELHOR PARA O ALUNO’

Adolescentes gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros (GLBT) que “saem do armário” quando estão na escola tendem a ter uma autoestima mais elevada e níveis mais baixos de sintomas depressivos ao chegar à idade adulta, em comparação com jovens que escondem sua orientação sexual. A conclusão é de um estudo conduzido pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.

O trabalho, publicado no American Journal of Orthopsychiatry, é um dos primeiros a documentar os benefícios de se assumir a orientação sexual na escola, apesar do fato de muitos jovens sofrerem bullying por causa disso.

A equipe, coordenada pelo pesquisador Stephen Russel, analisou dados de uma iniciativa conhecida como Projeto Aceitação Familiar, que inclui pesquisas e intervenções promovidas pela Universidade do Estado de São Francisco para o bem-estar de crianças e adolescentes GLBT.

A pesquisa contou com 245 jovens brancos de 21 a 25 anos do projeto, que relataram ter sofrido bullying na escola por causa de sua orientação sexual, tendo saído ou não do armário. O grupo que assumiu a condição na escola apresentava uma autoestima mais elevada, mais satisfação com a vida e menos índices de depressão.

Russell comenta que adolescentes GLBT com frequência são orientados pelos adultos a manter sua orientação sexual em segredo, até para se protegerem de agressões e constrangimentos. Mas a pesquisa mostra que o conselho pode não ser o melhor para esses jovens a longo prazo, já que esconder algo tão importante sobre a própria identidade pode afetar a saúde mental.

Um dos fatos que incentivou Russell a fazer a pesquisa foi o caso de uma escola, na Flórida, que em 2008 foi processada por vetar a criação de um grupo de gays assumidos. Os diretores argumentaram que isso seria prejudicial aos próprios estudantes, e o pesquisador, na época, viu o quanto faltavam trabalhos para fundamentar a decisão da Justiça.

De qualquer forma, antes que qualquer adolescente tome a decisão de sair do armário, é preciso pesar bem os prós e os contras, pois nem tudo que é bom para a maioria é bom para todo mundo. Também vale a pena levar em consideração que alguns indivíduos demoram mais para definir sua orientação sexual do que outros.

Texto publicado originalmente no Blog do Jairo Bouer, em 10/02/2015. Para lê-lo na íntegra, acesse: http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2015/02/10/estudo-sugere-que-assumir-orientacao-sexual-na-escola-e-melhor-para-o-aluno/

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Se você tem interesse pelo assunto, conheça o livro Uma outra verdade, do psicólogo Claudio Picazio:

30058UMA OUTRA VERDADE
Perguntas e respostas para pais e educadores sobre homossexualidade na adolescência
Autor: Claudio Picazio
EDIÇÕES GLS
A adolescência é, por si só, uma fase complexa. Porém, quando o jovem se descobre homo ou bissexual, as complicações aumentam. Especialista no atendimento desse público, Claudio Picazio aborda neste livro os problemas enfrentados pelos adolescentes LGBT e aponta soluções baseadas na ética e no resgate da dignidade.

Para conhecer todos os títulos do autor pelas Edições GLS, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/busca/claudio+picazio//all/0