‘RACISMO É PROBLEMA MEU, SEU, DA ESCOLA – É DE TODOS NÓS’

Quem acompanhou as notícias vindas dos Estados Unidos no mês de agosto achou que se tratava do noticiário de meados do século passado, quando as imagens do movimento dos direitos civis dos negros lutando por igualdade ganharam o mundo. Apesar de a escravidão no país ter sido abolida em 1863, o racismo era institucionalizado de diversas maneiras. Um dos exemplos mais concretos disso eram os lugares separados para negros no transporte, no comércio e nos prédios públicos, segregando-os espacialmente nas cidades.

Mas tudo isso foi na década de 1960. Ideias de grupos como a Ku Klux Klan ficaram no passado… certo? Errado. O erro é exatamente esse: pensar que o racismo foi superado e que, vez ou outra, domina a mídia por conta de conflitos aparentemente pontuais, como vimos acontecer agora em Charlottesville, no estado da Virgínia. Confrontos em um protesto de supremacistas brancos – sim, supremacistas brancos em 2017! – deixaram diversos feridos e uma pessoa morta.

É chocante ouvir esses grupos declararem abertamente ódio contra negros, judeus, homossexuais, imigrantes e refugiados. É chocante porque nos dá a percepção de que a escravidão em diversos pontos do mundo não foi suficiente para entendermos a dimensão desse crime. É chocante porque entendemos que o genocídio de milhões de pessoas na Segunda Guerra Mundial também não bastou para finalmente enxergarmos o outro como igual. E também é chocante porque estamos vendo novamente discursos políticos e “oficiais”, por assim dizer, legitimarem ideias absurdas e asquerosas como as nazistas. Auschwitz, o campo de concentração localizado na Polônia, hoje é um museu que abre as portas para milhões de pessoas todos os anos. Não aprendemos nada?

Precisamos entender que o racismo sempre existiu e que pode infelizmente perdurar por muito mais tempo se as noções de igualdade e equidade não forem absorvidas por todos nós.

É o que o professor Daniel T. Willingham, do Departamento de Psicologia da Universidade da Virgínia (EUA), diz: “Estou certo de que não estamos vendo um ressurgimento do racismo, do antissemitismo e do chauvinismo, mas tendo um olhar mais realista sobre o que sempre esteve lá”. Ele mostra como a influência e a persuasão dos grupos de extrema-direita criam dúvidas sobre fatos concretos, sobrepondo “crenças pessoais” – como a ideia de que os brancos são superiores aos negros – a fatos históricos e até à ciência. Esses grupos negam a realidade para fazer valer o preconceito como meio de construir uma sociedade em que eles acreditam.

Assim, negam a desigualdade estrutural que se vê no mundo inteiro em relação a negros e brancos. Aqui no Brasil, exemplos não faltam – os dados estão em todas as esferas sociais. As áreas em que isso fica mais latente são a segurança pública e a educação.

Segundo o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, das 58.467 mortes violentas intencionais ocorridas no país em 2015, 54% ocorreram entre jovens de 15 a 24 anos. Desses, 73% eram pretos e pardos. Já de acordo com o Mapa da Violência 2016, que analisa os homicídios por armas de fogo no Brasil, somente em três estados (Tocantins, Acre e Paraná) os brancos morrem mais do que os negros em decorrência desse tipo de crime.

No acesso à educação, as diferenças também são gritantes. Quando observamos o percentual dos jovens de até 16 anos que conseguem concluir o Ensino Fundamental, as taxas são de 82,6% para os brancos e 66,4% para os negros. Já dentre o 1,7 milhão de jovens de 15 a 17 anos que estão fora da escola, 9,6% e 58,7% autodeclaram-se, respectivamente, pretos e pardos.

Tais percentuais são superiores à participação dos dois grupos na população geral dessa faixa etária: 8,3% e 50,4%, respectivamente. Não dá para dissociar os dados do parágrafo anterior desses, não? Também não dá para desassociar os dados do parágrafo anterior desses, não? Também não dá para desassociar ambos dos dados socioeconômicos: segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a média da renda familiar per capita da população parda e preta era um pouco superior à metade (55% e 56%, respectivamente) da renda dos brancos em 2014.

Precisamos de políticas públicas focalizadas que atendam a essas disparidades e as solucionem para garantir os direitos da população negra do Brasil. Ao mesmo tempo, precisamos que as famílias e as escolas trabalhem juntas para desconstruir preconceitos e mostrar que a naturalização dessas diferenças é errada. Mostrando a verdadeira história, instruímos nossas crianças e jovens a verem o mundo despido de discursos oportunistas e ideologicamente interessados.

Retomo o professor Daniel T. Willingham: precisamos fazer, por meio da educação, que as pessoas busquem evidências – e não opiniões e crenças alheias – com o objetivo de enxergar e construir um mundo de direitos iguais para todos, seja nos Estados Unidos, seja no Brasil – seja em qualquer lugar.

E isso se aprende em casa, mas também na escola. É missão dos nossos educadores. Porque é na escola – ao sair das quatro paredes de casa – que a criança e o jovem vão, finalmente, ter contato com o novo, o diferente, o discordante, o diverso e a história. Como chegamos até aqui e por que as coisas são desse jeito? Precisamos ensiná-los. A resistência em aceitar que somos uma sociedade racista deve, sim, começar a ser desconstruída no ambiente escolar.

No Brasil, hoje, temos leis que designam que o ensino da história dos povos africanos e indígenas seja obrigatório nas nossas escolas, como é o caso das leis n° 10.639 e n° 11.645. Mas isso não é suficiente. Precisamos que histórias como a da professora Diva Guimarães, que emocionou a plateia da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) deste ano, sirvam como exemplo do que não podemos mais tolerar – como as cenas de Charlottesville.

Artigo de Priscila Cruz, com colaboração de Mariana Mandelli, publicado originalmente no UOL Educação em 30/08/2017. Para acessá-lo na íntegra: https://educacao.uol.com.br/colunas/priscila-cruz/2017/08/30/racismo-e-problema-meu-seu-da-escola—e-de-todos-nos.htm?cmpid=copiaecola

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Tem interesse no assunto? Conheça os livros da Selo Negro Edições:

 


RACISMO E ANTI-RACISMO NA EDUCAÇÃO
Repensando nossa escola
Autora: Eliane Cavalleiro

Diversos olhares sobre o ambiente da sala de aula procuram captar os racismos presentes nesse cotidiano. Alguns dos assuntos que nos alertam para uma educação anti-racista são a revista especializada em educação, o livro infantil, o tratamento dado à África e outros.
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TRAMAS DA COR
Enfrentando o preconceito no dia-a-dia escolar
Autora: Rachel de Oliveira

Com sensibilidade e singeleza, a autora utiliza um relato ficcional dos problemas enfrentados por uma menina negra em sua escola para abordar as questões básicas do racismo por parte de crianças e adultos em nossos estabelecimentos de ensino. Sugere posturas saudáveis para enfrentar os problemas mediante o incremento da auto-estima e o conhecimento de figuras ilustres da história negra.

 

RACISMO, SEXISMO E DESIGUALDADE NO BRASIL
Consciência em Debate
Autora: Sueli Carneiro

Entre 2001 e 2010, a ativista e feminista negra Sueli Carneiro produziu inúmeros artigos publicados na imprensa brasileira. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil reúne, pela primeira vez, os melhores textos desse período. Neles, a autora nos convida a refletir criticamente a sociedade brasileira, explicitando de forma contundente como o racismo e o sexismo têm estruturado as relações sociais, políticas e de gênero.
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“CRIANÇA NEGRA SOFRE RACISMO TODO DIA NA ESCOLA”, DIZ MC SOFFIA, 11

Desde pequena, a menina de nome extenso e pernas compridas vai a passeatas, palestras e eventos contra o racismo. Criada em uma família formada por mulheres negras e militantes, ela aprendeu a ter orgulho da cabeleira “que não é dura, é crespa”. Prestes a completar 12 anos, Soffia Gomes da Rocha Gregório Corrêa, a MC Soffia, declama sobre a beleza da negritude, as brincadeiras da infância, e, sobretudo, se aceitar do jeito que se é.

Ao UOL, na casa da avó materna no centro de São Paulo, no começo de fevereiro, a revelação do hip hop paulistano afirma que sofre e fica indignada quando lê sobre casos de pessoas famosas agredidas por comentários racistas na internet, a exemplo da jornalista Maria Júlia Coutinho e da atriz Taís Araújo. Porém ela lembra que o racismo é uma presença persistente no cotidiano das pessoas comuns:

“Tem criança negra que sofre racismo todo dia na escola, e isso a televisão não mostra. Tem criança que fica com trauma, trancada em casa, não quer sair na rua”, afirma.

As situações vividas por ela mesma é um norte para MC Soffia, ao escrever as letras de suas músicas, em parceria com a mãe, a produtora de eventos Kamilah Pimentel, 29, e a avó, a pedagoga e bonequeira, Lúcia da Rocha, 54. A consciência racial da garota é resultado da educação proporcionada pelas duas mulheres.

Quando eu era menor já falaram do meu cabelo, já falaram da minha cor. Eu não gosto de ficar lembrando. Eu sempre digo que meu cabelo não é duro, e sim o preconceito das pessoas.”

MC Soffia diz cantar para que as crianças negras não se tranquem mais em casa. E conta a história de uma nova amiga, que conheceu após uma de suas apresentações. A menina foi alvo de brincadeiras racistas dos colegas e depois obrigada pela professora a pedir desculpas aos agressores porque quis denunciá-los. “A gente nem sabia o que conversar, mas ela ficou muito feliz quando ouviu minhas músicas”.

“A primeira coisa que falam para uma criança negra é sobre o cabelo dela. Existe uma pressão muito grande na sociedade que valoriza apenas uma estética, a do cabelo liso, e isso se mexe muito com psicológico das crianças e, principalmente, das mulheres”, afirma Kamilah, que foi mãe aos 18. Dois anos depois, ela mesma deixou de alisar o cabelo para servir de referência à filha. “Os pais precisam criar filhos fortes para que saibam enfrentar o preconceito. Não adianta esconder a realidade”.

Pedagoga aposentada, a avó materna Lúcia da Rocha diz que a família “sempre teve consciência racial”, mas ela própria só passou a exercer a militância, nos últimos 15 anos. “O racismo está impregnado na sociedade e algumas atitudes são naturalizadas, por isso muita gente acha normal esta ‘obrigação’ de se alisar o cabelo crespo, por exemplo”.

Bonecas Negras

Além do laço no cabelo black power, outra marca registrada de MC Soffia em seus shows é a presença das bonecas Makena, uma criação de sua avó. Um dia, Lúcia tomou um “choque” ao ver a capa de uma revista que ensinava a fazer bonecas. A que ilustrava a capa era negra. “Eu só tive bonecas brancas na minha infância”, diz. Comprou a revista e resolveu confeccionar a Makena, que significa “A Feliz”, na língua kikuyu, falada pelo maior grupo étnico do Quênia.

MC Soffia estuda no Projeto Âncora, uma ONG que se transformou em escola na cidade de Cotia. O local fica a dois quilômetros da casa da mãe, na Cohab Raposo Tavares, zona oeste de São Paulo. “Lá a gente discute racismo, tem aula de música, pintura, horta. Eu passo o dia todo lá”, explica MC Soffia.

Em seus dois quartos, um na casa do pai e outro na da mãe, MC Soffia coleciona mais de 100 bonecas, quase todas negras. É capaz de citar numa mesma frase, em andamento acelerado ídolos como a figura histórica Dandara dos Palmares, o militante Malcom X, a cantora Beyoncé e criticar o personagem “bobo” Cirilo, da novela Carrossel.

MC Soffia é considerada uma revelação no cenário musical paulistano, desde sua primeira apresentação solo, na Viradinha Cultural em 2015, e já ganhou elogios de músicos como Criolo e Karol Conka. Ela começou a cantar quando participou do coletivo Hip Hop do Futuro. Suas letras mostram um trabalho consciente, de estilo simples e tom positivo. A exemplos dos versos de “Flortaleza”: Somos mulheres, sim/Com certeza/Somos lindas e fortes/Flortaleza.

“A gente sempre mantém um controle. Chegam muitos convites, mas ela só se apresenta nos finais de semana, em eventos culturais. As prioridades dela são os estudos e viver a infância como uma criança normal”, diz a mãe Kamilah.

MC Soffia começou a gravar o primeiro disco, mas também tem outros planos para o futuro. “Eu quero ser médica cardiologista, e eu também vou ser jogadora de futebol, jogadora de basquete, jogadora de vôlei, atriz, modelo, cineasta…” E a lista não para.

Reportagem de Flávio Costa, publicada originalmente no UOL, em 12/02/2016. Acesse a matéria na íntegra e assista aos vídeos em http://bit.ly/20szM5B

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Se você tem interesse pelo assunto, conheça algumas obras da Selo Negro Edições que abordam o tema:

 

40014RACISMO E ANTI-RACISMO NA EDUCAÇÃO
Repensando nossa escola
Autora: Eliane Cavalleiro

Diversos olhares sobre o ambiente da sala de aula procuram captar os racismos presentes nesse cotidiano. Alguns dos assuntos que nos alertam para uma educação anti-racista são a revista especializada em educação, o livro infantil, o tratamento dado à África e outros.

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40027TRAMAS DA COR
Enfrentando o preconceito no dia-a-dia escolar
Autora: Rachel de Oliveira

Com sensibilidade e singeleza, a autora utiliza um relato ficcional dos problemas enfrentados por uma menina negra em sua escola para abordar as questões básicas do racismo por parte de crianças e adultos em nossos estabelecimentos de ensino. Sugere posturas saudáveis para enfrentar os problemas mediante o incremento da auto-estima e o conhecimento de figuras ilustres da história negra.

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40023O SORTILÉGIO DA COR
Identidade, raça e gênero no Brasil
Autora: Elisa Larkin Nascimento

Livro que se insere na nova corrente de reflexões sobre o negro brasileiro. Colocando o problema da identidade no centro de sua análise, a autora mostra que a identidade não é apenas um conceito teórico, mas se manifesta concretamente na realidade social. O livro descreve a recusa dos afrodescendentes em ver sua identidade diluída em uma homogeneidade cultural ditada pela branquitude e pelo universalismo europeu.

 

PRÉ-ESCOLA DE SP USA BONECOS PARA DISCUTIR RACISMO COM ALUNOS

Racismo é o tema da aula e a sala parece pequena para a energia de 35 crianças de 4 e 5 anos na Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) Guia Lopes, no Limão, zona norte de São Paulo. “Apartheid é quando o negro fica separado do branco”, explica uma das alunas no dia em que a reportagem do UOL visitou a escola.

Em outros tempos e em outras escolas, o 13 de maio, data da Abolição da Escravatura no Brasil, era data comemorativa a ser lembrada com direito à lembrança da Princesa Isabel e da Lei Áurea. Mas nessa escola, não. Porque a questão do negro na sociedade é tema de todo dia.

Na atividade, as duas professoras fazem perguntas sobre preconceito, racismo e a vida de Nelson Mandela. Os dedinhos para o alto mostram que a turma está afiada e todos querem falar o que aprenderam nas aulas anteriores. “Mandela foi presidente da África do Sul”, diz uma vozinha no fundo da sala. “Ele foi preso”, afirma outro aluno. “Ganhou o prêmio da paz”, acrescenta um garoto.

Mas não pense que todos os conceitos foram ensinados para os alunos de uma só vez. O debate sobre racismo faz parte das atividades pedagógicas de todas as turmas da Emei Guia Lopes desde 2011, quando a comunidade escolar adotou o personagem Azizi, um príncipe africano que virou o mascote da escola.

Lei 10.639/03

Esse foi o mote usado para montar um projeto pedagógico para a escola que atendesse à lei 10.639/03, que trata da inclusão do ensino de história e cultura afro-brasileira no currículo escolar. “Durante uma reunião, perguntei às professoras se havia preconceito entre crianças de 4 e 5 anos. Metade delas disse que não e a outra metade não sabia responder”, disse a diretora Cibele Racy.

A partir daí, Azizi foi incorporado ao cotidiano da Emei, que tem mais de 400 alunos, e protagonizou um dos primeiros debates sobre racismo com as crianças.”Perguntamos se ele podia casar com a Sofia [que é branca]. No começo, a maioria dos alunos disse que não, porque ele era negro e ela, branca”, conta Cibele.

A escola envolveu as famílias na discussão. Pais e mães participaram do debate contando como se conheceram e como começaram a namorar antes dos filhos nascerem. “No fim, os alunos concordaram que, se o Azizi e a Sofia se amavam, poderiam se casar”, explica a diretora.

Junto às discussões, professores começaram a trabalhar diferentes aspectos da cultura negra e até a tradicional festa junina foi substituída por uma comemoração afro-brasileira.

Beleza nas diferenças

No ano passado, os pequenos foram questionados como seriam os filhos do casal Azizi e Sofia. Discutiram sobre diferenças físicas e descobriram o que era melanina (proteína responsável pela pigmentação da pele). “Foi muito interessante, porque eles começaram a disputar quem tinha mais melanina”, conta Cibele.

Os filhos mestiços do casal Azizi e Sofia “nasceram” durante a última festa da escola (com direito a parto feitos pelos aluno) e foram integrados à comunidade escolar. Hoje eles possuem um espaço todo especial no pátio interno e diariamente visitam as salas de aula para ajudar professoras e alunos a falar de maneira lúdica sobre racismo e preconceito.

Em 2014, o tema escolhido para permear as discussões durante todo o ano foi a vida de Nelson Mandela, que no mundo de fantasia criado pelos alunos lutou contra o monstro do Apartheid e foi transformado em avô do príncipe Azizi. Com ele, vieram várias “crianças” –bonecos negros, orientais, brancos e deficientes que vão incitar outros debates em sala de aula.

Na semana passada, por exemplo, uma das turmas teve que votar no boneco que adotaria. O grupo discutiu e acabou escolhendo o garoto negro. “O branco é melhor do que o negro”, disse um menino durante o debate. A afirmação serviu de mote para uma pergunta: por quê? E, após uma conversa, ele pensou bem e corrigiu: “acho que tá errado [o que disse]”.

Revistas sem negros

Em outra turma, eles relembraram o que aprenderam sobre a vida de Mandela e o Apartheid. Foram unânimes em dizer que no Brasil não havia separação entre negros e brancos, já que eles dividiam a mesma mesa naquela sala de aula. Na próxima etapa da atividade, porém, tiveram que procurar cinco pessoas negras na mesma revista. “Professora, eu não encontro nenhum negro na minha revista”, reclamou uma das alunas.

“Percebemos que depois que começamos a discutir diversidade, os pais se aproximaram mais da escola. Recebemos pais homossexuais, crianças com deficiência e as famílias passaram a valorizar mais a beleza dos seus filhos”, diz a diretora. O hino adotado pela escola é uma música que diz “Ninguém é igual à ninguém, ainda bem”. Ainda bem.

Texto de Marcelle Souza, publicado originalmente no UOL, em 13/05/2014. Para lê-lo na íntegra, acesse: http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/05/13/escola-publica-de-sp-usa-bonecos-para-discutir-racismo-na-pre-escola.htm

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40014Se você quer saber mais sobre assunto, conheça o livro Racismo e anti-racismo na educação – Repensando nossa escola, da Selo negro Edições:

Autora: Eliane Cavalleiro

Diversos olhares sobre o ambiente da sala de aula procuram captar os racismos presentes nesse cotidiano. Alguns dos assuntos que nos alertam para uma educação anti-racista são a revista especializada em educação, o livro infantil, o tratamento dado à África e outros.

REPORTAGEM DA REVISTA ISTOÉ CITA O LIVRO “A TV NO ARMÁRIO”

A edição 2303 da revista IstoÉ, publicada em 15 de janeiro, deu destaque para o livro A TV no armário (Edições GLS), do jornalista Irineu Ramos Ribeiro. A reportagem, intitulada “Um personagem contra o preconceito” – capa da edição – mostra como a atuação do ator Mateus Solano, 30057na novela Amor à vida, colocou o debate sobre a homossexualidade nos lares brasileiros. Leia a reportagem na íntegra: http://goo.gl/nwpdNB.

Em pleno século XXI, os meios de comunicação ainda abordam a questão da homossexualidade de forma preconceituosa. Embora se esforcem para ser “politicamente corretos”, na prática, são incapazes de lidar com a diferença. Para Ribeiro, a mídia, em geral, aponta a sexualidade com deboche, discriminação e caricaturização. No livro A TV no armário, ele analisa diversos aspectos do tratamento dado aos gays na programação humorística, em telejornais e em novelas, demonstrando as diversas formas pelas quais o preconceito é estimulado. Baseando-se no pensamento de Michel Foucault e noções da teoria queer, ou teoria do estranhamento, o autor comprova que a televisão brasileira acaba transmitindo valores negativos, depreciativos e caricatos no que se refere aos gays. “Está na hora de mudar de rumo”, afirma, lembrando que a mídia tem um papel determinante na formação de identidade.

Fruto de ampla pesquisa, desenvolvida durante dois anos, incluindo também a observação de toda a programação de TV, a obra abre caminhos para problematizar a maneira pejorativa como a comunidade LGBT é retratada na telinha. Ribeiro mostra, em quatro capítulos, que os meios de comunicação ainda precisam percorrer um longo caminho para retratar as diferenças de gênero, ajudando a reafirmar a identidade gay e a construir um mundo onde a diversidade seja respeitada. “A TV tem dificuldade de se pautar por abordagens que informam sobre a amplitude que o tema sexualidade implica. A consequência disso é que acabam se restringindo à reprodução de enfoques que estimulam o preconceito”, complementa o autor.

Ao longo da obra, o autor discorre sobre o limiar dos gêneros, abordando questões como ambiguidade, identidade, sexualidade e formas de pensar. Fala sobre o desenvolvimento das identidades sexuais “proscritas” no decorrer do século XX e as relações de poder na mídia televisiva. Faz um breve histórico do movimento homossexual no mundo e de algumas de suas lutas até chegar à década de 1970, quando o gênero passa a ter uma conotação social ampla. “O conceito de gênero se refere à construção social e cultural que se organiza a partir da diferença sexual”, revela o autor.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1217/TV+no+arm%C3%A1rio,+A

ÉPOCA NEGÓCIOS ENTREVISTA FLÁVIO GIKOVATE

A edição de dezembro da revista Época Negócios publicou entrevista com Flávio Gikovate. Na reportagem, intitulada “O consumismo da elite é desespero”, o psiquiatra fala do consumismo dos ricos, de liderança e de temas atuais. Leia a íntegra: http://goo.gl/sNSmFd

Conferencista e autor consagrado, Gikovate lançou em 2013 o livro Sexualidade sem fronteiras, o trigésimo segundo de sua carreira. Na obra, ele põe de lado velhos pontos de vista e crenças, fruto da tradição religiosa e dos preconceitos mais tradicionais, e traz para o centro do debate as variáveis que interferem na vida sexual.

O primeiro passo nessa jornada de volta à evolução é entender que o caráter lúdico do erotismo desvincula o sexo do compromisso social. Esse é o clima que deve prevalecer 50094nas relações sexuais. Cada um de nós deve escolher e vivenciar os tipos de carícia – consentida – que mais lhe agradarem; cada um de nós deve ser livre para (re)direcionar os interesses eróticos da forma como bem nos aprouver. Só assim os rótulos se tornarão descabidos e desnecessários, e em vez de falarmos em hétero, homo, bissexualidade etc. falaremos em sexualidade.

“Minha proposta é de um mundo sem preconceitos (não só os de natureza sexual) no qual o sexo fosse verdadeiramente lúdico. Isso significaria tratá-lo como uma brincadeira em que não cabem cobranças, preocupações com o desempenho ou medo de fracasso, e na qual podemos considerar que tudo que é de consentimento recíproco é também legítimo”, afirma o psicoterapeuta.

Gikovate tem-se dedicado com mais afinco nos últimos anos a pensar sobre nossa condição de seres biopsicossociais, ou seja, indivíduos constituídos por ideias e ações tanto biológicas e psicológicas quanto decorrentes da educação e dos valores que recebemos ao longo da vida. “São tantas as variáveis implicadas em nosso futuro, do ponto de vista sexual – variáveis de caráter inato, determinadas pela nossa história de vida e também pelo contexto sociocultural em que vivemos, que tudo pode acontecer. É uma pena que essa liberdade não possa ser exercida, pois quando uma pessoa diz a si mesma ‘Eu sou heterossexual’ ou ‘Eu sou gay’ ela determina e delimita as fronteiras em que vai atuar”, diz.

Para saber mais sobre este livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1330/SEXUALIDADE+SEM+FRONTEIRAS

Para conhecer todos os títulos do autor pela MG Editores, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/busca/gikovate/all/1

 

 

“VOCÊ CONHECE AQUELA?”, POR DAGOBERTO JOSÉ FONSECA

Dagoberto José Fonseca, autor de “Você conhece aquela? – A piada, o riso e o racismo à brasileira”, analisa como as piadas sobre negros contribuem para propagar o racismo e abre caminho para discutirmos mais profundamente as relações étnico-raciais em nosso país. Assista no vídeo abaixo sua apresentação sobre a obra, lançada pela Selo Negro Edições.

Clique e saiba mais sobre o livro: http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1320/Voc%C3%AA+conhece+aquela%C2%A7