‘MARIAH CAREY SOFRE DE TRANSTORNO BIPOLAR; SAIBA COMO É A DOENÇA’

A cantora Mariah Carey admitiu sofrer de transtorno bipolar, em uma entrevista publicada na revista People, nesta terça-feira (10). Ela afirma ter sido diagnosticada em 2001, ao ser hospitalizada por ter uma série de problemas físicos e mentais, mas só decidiu se abrir agora para falar sobre o problema.

“Até pouco tempo atrás, eu vivia em negação e isolamento e em constante medo de que alguém me expusesse. Era um fardo pesado para carregar e eu não conseguia mais. Eu cedi, recebi tratamento e coloquei pessoas positivas ao meu redor, para voltar a fazer o que amo –escrever canções e fazer música”, disse ela, à People.

Sintomas vão de depressão à euforia

Caracterizada pela alternância de humor, o transtorno faz com que as pessoas experimentem episódios de euforia (ou também chamado de “mania”) enquanto, em outros momentos, intercalam períodos de depressão, seguidos por episódios de normalidade.

Nos episódios com depressão, a pessoa sente tristeza profunda, apatia, alterações do sono, falta de sentido para a vida, esquecimentos e ideias suicidas. “Na fase de euforia, no entanto, a pessoa fica ‘ligada nos 220’”, explica o médico psiquiatra Luiz Sperry, colunista do VivaBem. “Enquanto na depressão você sente pouca energia e se sente a pior pessoa do mundo, na euforia você sente muita energia e vira a melhor pessoa do mundo. Isso pode levar a um quadro psicótico, no qual o paciente sai da realidade, pedindo demissão do emprego, fazendo gastos descontrolados de dinheiro, envolvimentos afetivos apressados, atividade sexual aumentada e, em casos mais graves, tendo delírios e alucinações.”

Mariah, por exemplo, conta que suas crises a afetaram por muitos anos, até ela procurar ajuda. “Não era uma insônia normal, eu não ficava ‘contando carneirinhos’. Eu estava trabalhando e trabalhando e trabalhando… Eu ficava irritada e em constante medo de decepcionar as pessoas. Uma hora, bati na parede. Acho que meus episódios depressivos foram caracterizados por ter pouca energia. Eu me sentia sozinha e triste, até culpada de que não fazia o necessário para minha carreira”, desabafou.

De acordo com Sperry, o tempo de duração das crises variam muito de pessoa para pessoa, mas geralmente as depressivas duram meses e as crises maníacas são mais curtas, durando semanas.

Diagnóstico é prejudicado pela confusão dos sintomas

Como a condição parcial de humor elevado não é totalmente compreendida pelo indivíduo como sintoma de uma doença, muitas vezes as pessoas apenas buscam ajuda nos momentos mais agudos de depressão. Para se ter ideia, em geral, o diagnóstico leva mais de dez anos para ser concluído, porque os sinais podem ser confundidos com os de doenças como esquizofrenia, depressão, síndrome do pânico, distúrbios da ansiedade.

Entretanto, o que define mesmo o diagnóstico é a crise maníaca, que só existe no quadro bipolar, ao contrário da depressão, explica Sperry. Mas como é difícil o paciente notá-la como algo estranho, ele acaba tratando a depressão primeiro e, ao ver que o quadro depressivo não melhora ou evolui mal, o especialista começa a suspeitar de um transtorno bipolar. “Mas esse diagnóstico pode levar meses ou anos.”

Doença não tem cura, mas há tratamento

O transtorno bipolar não tem cura, mas pode ser controlado. O tratamento inclui o uso de estabilizadores de humor e psicoterapia. Mariah, por exemplo, está fazendo uso de ambos. “Eu estou tomando medicamentos que parecem muito bons. Não me deixam tão cansada ou nada assim. Achar este equilíbrio é o mais importante”, disse.

Se o tratamento for seguido à risca, a instabilidade emocional é prevenida, assim como a recorrência das crises, fazendo com que a pessoa leve uma vida praticamente normal. “Agora estou num lugar legal, estou confortável em discutir minhas lutas com o transtorno bipolar. Eu tenho esperanças de que podemos tirar o estigma das pessoas que passam por isso sozinhas. A doença pode isolar pessoas, mas isso não precisa definir quem você é e eu me recuso a deixar isso me definir ou me controlar”, disse a cantora.

Matéria publicada no portal VivaBem, do UOL, em 11/04/2018. Para acessar na íntegra:
https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/04/11/mariah-carey-sofre-de-transtorno-bipolar-saiba-como-e-a-doenca.htm

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Para saber mais sobre transtorno bipolar, conheça o livro do psiquiatra Teng Chei Tung, especializado em transtornos do humor:
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ENIGMA BIPOLAR
Conseqüências, diagnóstico e tratamento do transtorno bipolar
Autor: Teng Chei Tung
MG EDITORES

O transtorno bipolar é uma patologia cada vez mais comum – e, infelizmente, ainda mal compreendida. Este livro, escrito por um psiquiatra, esclarece e desmistifica os sintomas da doença, suas fases, os sintomas, as estratégias de tratamento mais modernas e os tipos de medicamento disponíveis. Fala, ainda, da importância do apoio do médico e da família no bem-estar do paciente.

‘CIENTISTAS DESCOBREM SINTOMAS QUE PODEM PREVER TRANSTORNO BIPOLAR’

Um novo estudo publicado no periódico Harvard Review of Psychiatry revelou dois padrões de sintomas que podem ser usados para prever o desenvolvimento da bipolaridade. Apesar de pesquisas anteriores já identificarem possíveis fatores ambientais e genéticos do distúrbio, pouco se sabe sobre a doença e sobre o tipo de comportamento que pode levar a ela.

A nova pesquisa, entretanto, analisou 39 estudos anteriores sobre os sintomas e fatores de risco da bipolaridade e procurou padrões entre as descobertas.

O primeiro padrão de sintomas que os cientistas descobriram incluía mudanças de humor, períodos de excitação e depressão profunda. A maioria das pessoas jovens com esses sintomas não desenvolve a bipolaridade. Mas muitos daqueles que foram diagnosticados com a doença apresentaram esses sintomas.

O segundo padrão de sintomas inclui ansiedade, distúrbios de atenção e comportamentais, como déficit de atenção e hiperatividade. Segundo os cientistas, os sinais encontrados no primeiro padrão são os que mais têm relação com o transtorno. Além disso, a análise encontrou alguns fatores de risco como lesões na cabeça, abuso sexual, físico ou de drogas, estresse e parto prematuro.

Diagnóstico correto desafia médicos

A bipolaridade é caracterizada por transtornos de humor, que vão de crises de depressão à euforia excessiva (mania). Segundo a ABTB (Associação Brasileira de Transtorno Bipolar), a doença afeta cerca de 4% da população adulta no mundo.

Entretanto, pelo fato de a ciência ter poucas respostas sobre o distúrbio, muitas vezes ele é confundido com outras doenças, como a depressão. Um paciente bipolar tratado erroneamente com depressão pode piorar, eventualmente levando a desfechos suicidas. Tratando direito desde o começo, a qualidade de vida melhora muito, daí a importância de estudos como esse.

Publicado originalmente no Portal VivaBem, do UOL, em 16/01/2018. Para acessar na íntegra: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/01/16/cientistas-descobrem-possiveis-sintomas-que-podem-prever-transtorno-bipolar.htm

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Quer saber mais sobre transtorno bipolar? Conheça o livro do psiquiatra Teng Chei Tung:

ENIGMA BIPOLAR
Conseqüências, diagnóstico e tratamento do transtorno bipolar
Autor: Teng Chei Tung
MG EDITORES

O transtorno bipolar é uma patologia cada vez mais comum – e, infelizmente, ainda mal compreendida. Este livro, escrito por um psiquiatra, esclarece e desmistifica os sintomas da doença, suas fases, os sintomas, as estratégias de tratamento mais modernas e os tipos de medicamento disponíveis. Fala, ainda, da importância do apoio do médico e da família no bem-estar do paciente.

‘O TRANSTORNO BIPOLAR E O DILEMA DOS DIAGNÓSTICOS INCORRETOS: UM ESTUDO’

O Transtorno bipolar do humor é uma doença mental caracterizada pela alternância de humor.

Desta maneira, as pessoas acometidas por esse problema experimentam episódios de euforia (ou também chamado de “mania”) enquanto, em outros momentos, intercalam períodos de depressão, seguidos por episódios de normalidade.

Com o passar dos anos, entretanto, essa alternância repete-se com intervalos cada vez menores, apresentando algumas variações.

Muitas vezes, nem mesmo o paciente ou profissionais de saúde percebem a doença, o que retarda o adequado tratamento.

Montanha russa emocional

Euforia (ou mania) é um estado onde a pessoa experimenta significativa exaltação do humor, ao sentir um importante aumento de vitalidade – sem qualquer relação com algo específico -, o que confere grande vigor emocional ao indivíduo. Em geral, essa mudança de comportamento é repentina, entretanto, a pessoa tem dificuldade de perceber sua alteração pessoal, pois seu senso crítico acaba afetado, comprometendo assim sua capacidade de avaliar objetivamente as situações.

Durante um episódio de mania, por exemplo, uma pessoa impulsivamente pode sair de um emprego, gastar enormes quantias em seu cartão de crédito, pois se sente inabalável, ao experimentar sentimentos de grandeza, poder e fácil irritabilidade. (2)

Já durante um episódio depressivo, a mesma pessoa pode vir a se sentir muito exaurida, desanimada, inclusive, sem forças para sair da cama, por exemplo, e agora desenvolvendo mais consciência das situações criadas pelos momentos de euforia, o que reforça seu estado depressivo e suas ideações suicidas.

Assim, euforia e depressão intercalam-se.

Como a condição parcial de humor elevado não é totalmente compreendida pelo indivíduo como sintoma de uma doença, muitas vezes as pessoas apenas buscam ajuda nos momentos mais agudos de desânimo e de depressão.

Essa falta de informação é tão impactante que afeta o tratamento do transtorno.

Veja só: uma pesquisa recente apontou que 10% dos pacientes que buscam os cuidados básicos, no Reino Unido, recebem um diagnóstico incorreto, pois, ao relatarem os sintomas de maneira parcial (leia-se: não descrevendo sua alternância de humor), recebem apenas a indicação de antidepressivos para tratamento da depressão. (3)

Como resultado, recebem um tratamento inadequado, pois apenas medicamentos antidepressivos sem a associação com estabilizadores de humor – indicados para o tratamento do transtorno bipolar – aumentam o risco de mais instabilidade no humor, causando grande sofrimento ao indivíduo.

O estudo constatou que entre as pessoas com idade entre 16-40 anos, que haviam tomado antidepressivos, 10% delas tinham, na verdade, transtorno bipolar não diagnosticado.

O estudo recomenda que os profissionais de saúde devem rever as histórias de vida de pacientes com ansiedade ou depressão, pacientes particularmente mais jovens e aqueles que não estão indo bem, deveriam ficar mais atentos para as possíveis evidências de transtorno bipolar do humor.

Conclusão

A saúde mental, diferentemente da saúde física, ainda é um grande desafio a ser superado.

Diferentemente dos quadros onde a doença é “visível”, na saúde mental muitas vezes os sintomas, quando percebidos, são apontados de maneira simplista, como resultante de uma personalidade mais complicada ou excêntrica o que, na verdade, justificam os problemas.

Conforme descrito certa vez no prefácio do livro “Síndromes Psiquiátricas” (pág. 11):

“A boa notícia é que a maioria dos transtornos mentais tem tratamento. A má notícia é que são muito frequentes e que acometerão uma em cada quatro pessoas, produzindo sofrimento incomensurável.

A boa notícia é que há tratamentos farmacológicos que ajudam essas pessoas a se recuperar e aliviam muito esse sofrimento. A má notícia é que as pessoas com transtorno mental comumente não sabem que ele é a causa do sofrimento, e por isso não procuram ajuda.

A boa notícia é que há cada vez mais remédios com menos efeitos colaterais. A má notícia é que as pessoas que procuram ajuda, seu mal não é corretamente identificado, e elas não recebem tratamento adequado”. (2)

Portanto, fiquemos atentos e menos receosos na busca de profissionais de saúde mental.

Artigo publicado originalmente no Blog do Dr. Cristiano Nabuco. Para lê-lo na íntegra, acesse:
http://cristianonabuco.blogosfera.uol.com.br/2016/02/03/o-transtorno-bipolar-e-o-dilema-dos-diagnosticos-incorretos-um-estudo/

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Para saber mais sobre o assunto, conheça o livro do psiquiatra Teng Chei Tung, publicado pela MG Editores:

50051ENIGMA BIPOLAR
Conseqüências, diagnóstico e tratamento do transtorno bipolar
Autor: Teng Chei Tung
MG EDITORES

O transtorno bipolar é uma patologia cada vez mais comum – e, infelizmente, ainda mal compreendida. Este livro, escrito por um psiquiatra, esclarece e desmistifica os sintomas da doença, suas fases, os sintomas, as estratégias de tratamento mais modernas e os tipos de medicamento disponíveis. Fala, ainda, da importância do apoio do médico e da família no bem-estar do paciente.

 

‘DIAGNÓSTICO DE TRANSTORNO BIPOLAR DEPENDE DE EPISÓDIOS DE VARIAÇÕES’

Ouça abaixo entrevista com Teng Chei Tung, psiquiatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e autor do livro Enigma bipolar, da MG Editores.

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Conheça o livro:

50051ENIGMA BIPOLAR
Conseqüências, diagnóstico e tratamento do transtorno bipolar
Autor: Teng Chei Tung

O transtorno bipolar é uma patologia cada vez mais comum – e, infelizmente, ainda mal compreendida. Este livro, escrito por um psiquiatra, esclarece e desmistifica os sintomas da doença, suas fases, os sintomas, as estratégias de tratamento mais modernas e os tipos de medicamento disponíveis. Fala, ainda, da importância do apoio do médico e da família no bem-estar do paciente.

EDIÇÃO ESPECIAL DA REVISTA MENTE & CÉREBRO DESTACA O LIVRO “ENIGMA BIPOLAR”

A edição especial da revista Mente Cérebro – Quando o Cérebro e a Mente Adoecem – deu destaque para o livro Enigma bipolar, da MG Editores. O autor da obra, o psiquiatra Teng Chei Tung, assina o artigo “Transtorno bipolar, a doença da inconstância”, no qual afirma que o distúrbio bipolar é ainda uma doença cercada de preconceitos. Leia a íntegra: http://goo.gl/mvAOmF.

O transtorno bipolar é um distúrbio que afeta cada vez mais pessoas no mundo. Cerca de 10% da população convive com a doença. A falta de informação, entretanto, faz que a patologia seja descrita, muitas vezes, de forma caricata, como uma espécie de descontrole ou agressividade. À desinformação soma-se o preconceito, que parte tanto da sociedade quanto da classe médica. No livro Enigma bipolar – Consequências, diagnósticos e tratamento do transtorno bipolar , o psiquiatra, que há mais de vinte anos participa do Grupo de Doenças Afetivas (Gruda) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, assume a tarefa de desvendar os enigmas do transtorno bipolar.

Para cumprir esse objetivo, o autor esclarece pontos obscuros da patologia, como a complexidade do tratamento e a dificuldade de elaborar um diagnóstico correto. Ele também constrói um perfil das chamadas “doenças afetivas” e desmistifica o estigma do deprimido como pessoa sempre triste e incapaz, afirmando que, frequentemente, a insônia, o desânimo e a preguiça crônicos, que variam com o tempo, podem indicar um quadro de depressão ignorado pelo paciente e por aqueles que o cercam.

Em linguagem clara e abordando casos reais, Teng Chei Tung auxilia o portador da doença a enfrentar o problema. O psiquiatra responde no livro às principais questões sobre o distúrbio: possíveis causas, sintomas, tipos de tratamento, medicamentos disponíveis, consequências para a família, conceito de normalidade e até prevenção.

De acordo com o psiquiatra, a maioria dos pacientes não é diagnosticada como deveria e quase sempre é enquadrada como portadora de depressão unipolar. “Mesmo quando o diagnóstico está correto, diversos tratamentos úteis não são utilizados por falta de treinamento ou conhecimento”, afirma.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1061/Enigma+bipolar