‘O TRANSTORNO BIPOLAR E O DILEMA DOS DIAGNÓSTICOS INCORRETOS: UM ESTUDO’

O Transtorno bipolar do humor é uma doença mental caracterizada pela alternância de humor.

Desta maneira, as pessoas acometidas por esse problema experimentam episódios de euforia (ou também chamado de “mania”) enquanto, em outros momentos, intercalam períodos de depressão, seguidos por episódios de normalidade.

Com o passar dos anos, entretanto, essa alternância repete-se com intervalos cada vez menores, apresentando algumas variações.

Muitas vezes, nem mesmo o paciente ou profissionais de saúde percebem a doença, o que retarda o adequado tratamento.

Montanha russa emocional

Euforia (ou mania) é um estado onde a pessoa experimenta significativa exaltação do humor, ao sentir um importante aumento de vitalidade – sem qualquer relação com algo específico -, o que confere grande vigor emocional ao indivíduo. Em geral, essa mudança de comportamento é repentina, entretanto, a pessoa tem dificuldade de perceber sua alteração pessoal, pois seu senso crítico acaba afetado, comprometendo assim sua capacidade de avaliar objetivamente as situações.

Durante um episódio de mania, por exemplo, uma pessoa impulsivamente pode sair de um emprego, gastar enormes quantias em seu cartão de crédito, pois se sente inabalável, ao experimentar sentimentos de grandeza, poder e fácil irritabilidade. (2)

Já durante um episódio depressivo, a mesma pessoa pode vir a se sentir muito exaurida, desanimada, inclusive, sem forças para sair da cama, por exemplo, e agora desenvolvendo mais consciência das situações criadas pelos momentos de euforia, o que reforça seu estado depressivo e suas ideações suicidas.

Assim, euforia e depressão intercalam-se.

Como a condição parcial de humor elevado não é totalmente compreendida pelo indivíduo como sintoma de uma doença, muitas vezes as pessoas apenas buscam ajuda nos momentos mais agudos de desânimo e de depressão.

Essa falta de informação é tão impactante que afeta o tratamento do transtorno.

Veja só: uma pesquisa recente apontou que 10% dos pacientes que buscam os cuidados básicos, no Reino Unido, recebem um diagnóstico incorreto, pois, ao relatarem os sintomas de maneira parcial (leia-se: não descrevendo sua alternância de humor), recebem apenas a indicação de antidepressivos para tratamento da depressão. (3)

Como resultado, recebem um tratamento inadequado, pois apenas medicamentos antidepressivos sem a associação com estabilizadores de humor – indicados para o tratamento do transtorno bipolar – aumentam o risco de mais instabilidade no humor, causando grande sofrimento ao indivíduo.

O estudo constatou que entre as pessoas com idade entre 16-40 anos, que haviam tomado antidepressivos, 10% delas tinham, na verdade, transtorno bipolar não diagnosticado.

O estudo recomenda que os profissionais de saúde devem rever as histórias de vida de pacientes com ansiedade ou depressão, pacientes particularmente mais jovens e aqueles que não estão indo bem, deveriam ficar mais atentos para as possíveis evidências de transtorno bipolar do humor.

Conclusão

A saúde mental, diferentemente da saúde física, ainda é um grande desafio a ser superado.

Diferentemente dos quadros onde a doença é “visível”, na saúde mental muitas vezes os sintomas, quando percebidos, são apontados de maneira simplista, como resultante de uma personalidade mais complicada ou excêntrica o que, na verdade, justificam os problemas.

Conforme descrito certa vez no prefácio do livro “Síndromes Psiquiátricas” (pág. 11):

“A boa notícia é que a maioria dos transtornos mentais tem tratamento. A má notícia é que são muito frequentes e que acometerão uma em cada quatro pessoas, produzindo sofrimento incomensurável.

A boa notícia é que há tratamentos farmacológicos que ajudam essas pessoas a se recuperar e aliviam muito esse sofrimento. A má notícia é que as pessoas com transtorno mental comumente não sabem que ele é a causa do sofrimento, e por isso não procuram ajuda.

A boa notícia é que há cada vez mais remédios com menos efeitos colaterais. A má notícia é que as pessoas que procuram ajuda, seu mal não é corretamente identificado, e elas não recebem tratamento adequado”. (2)

Portanto, fiquemos atentos e menos receosos na busca de profissionais de saúde mental.

Artigo publicado originalmente no Blog do Dr. Cristiano Nabuco. Para lê-lo na íntegra, acesse:
http://cristianonabuco.blogosfera.uol.com.br/2016/02/03/o-transtorno-bipolar-e-o-dilema-dos-diagnosticos-incorretos-um-estudo/

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Para saber mais sobre o assunto, conheça o livro do psiquiatra Teng Chei Tung, publicado pela MG Editores:

50051ENIGMA BIPOLAR
Conseqüências, diagnóstico e tratamento do transtorno bipolar
Autor: Teng Chei Tung
MG EDITORES

O transtorno bipolar é uma patologia cada vez mais comum – e, infelizmente, ainda mal compreendida. Este livro, escrito por um psiquiatra, esclarece e desmistifica os sintomas da doença, suas fases, os sintomas, as estratégias de tratamento mais modernas e os tipos de medicamento disponíveis. Fala, ainda, da importância do apoio do médico e da família no bem-estar do paciente.

 

‘DIAGNÓSTICO DE TRANSTORNO BIPOLAR DEPENDE DE EPISÓDIOS DE VARIAÇÕES’

Ouça abaixo entrevista com Teng Chei Tung, psiquiatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e autor do livro Enigma bipolar, da MG Editores.

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Conheça o livro:

50051ENIGMA BIPOLAR
Conseqüências, diagnóstico e tratamento do transtorno bipolar
Autor: Teng Chei Tung

O transtorno bipolar é uma patologia cada vez mais comum – e, infelizmente, ainda mal compreendida. Este livro, escrito por um psiquiatra, esclarece e desmistifica os sintomas da doença, suas fases, os sintomas, as estratégias de tratamento mais modernas e os tipos de medicamento disponíveis. Fala, ainda, da importância do apoio do médico e da família no bem-estar do paciente.

EDIÇÃO ESPECIAL DA REVISTA MENTE & CÉREBRO DESTACA O LIVRO “ENIGMA BIPOLAR”

A edição especial da revista Mente Cérebro – Quando o Cérebro e a Mente Adoecem – deu destaque para o livro Enigma bipolar, da MG Editores. O autor da obra, o psiquiatra Teng Chei Tung, assina o artigo “Transtorno bipolar, a doença da inconstância”, no qual afirma que o distúrbio bipolar é ainda uma doença cercada de preconceitos. Leia a íntegra: http://goo.gl/mvAOmF.

O transtorno bipolar é um distúrbio que afeta cada vez mais pessoas no mundo. Cerca de 10% da população convive com a doença. A falta de informação, entretanto, faz que a patologia seja descrita, muitas vezes, de forma caricata, como uma espécie de descontrole ou agressividade. À desinformação soma-se o preconceito, que parte tanto da sociedade quanto da classe médica. No livro Enigma bipolar – Consequências, diagnósticos e tratamento do transtorno bipolar , o psiquiatra, que há mais de vinte anos participa do Grupo de Doenças Afetivas (Gruda) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, assume a tarefa de desvendar os enigmas do transtorno bipolar.

Para cumprir esse objetivo, o autor esclarece pontos obscuros da patologia, como a complexidade do tratamento e a dificuldade de elaborar um diagnóstico correto. Ele também constrói um perfil das chamadas “doenças afetivas” e desmistifica o estigma do deprimido como pessoa sempre triste e incapaz, afirmando que, frequentemente, a insônia, o desânimo e a preguiça crônicos, que variam com o tempo, podem indicar um quadro de depressão ignorado pelo paciente e por aqueles que o cercam.

Em linguagem clara e abordando casos reais, Teng Chei Tung auxilia o portador da doença a enfrentar o problema. O psiquiatra responde no livro às principais questões sobre o distúrbio: possíveis causas, sintomas, tipos de tratamento, medicamentos disponíveis, consequências para a família, conceito de normalidade e até prevenção.

De acordo com o psiquiatra, a maioria dos pacientes não é diagnosticada como deveria e quase sempre é enquadrada como portadora de depressão unipolar. “Mesmo quando o diagnóstico está correto, diversos tratamentos úteis não são utilizados por falta de treinamento ou conhecimento”, afirma.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1061/Enigma+bipolar