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Notícias ÁGORA REEDITA O TEATRO DA ESPONTANEIDADE
Os textos fundamentais e a análise dos aspectos teóricos e práticos do psicodrama estão no livro O teatro da espontaneidade, registro histórico de J.L. Moreno. A obra reúne apreciações dos contemporâneos do autor, visões críticas sobre suas ideias e aplicações do método que transformou a psicoterapia – especialmente a grupal. Indicado para estudantes e profissionais de psicologia, de educação e de teatro, a reedição da obra chega como uma importante iniciativa da Editora Ágora e da Daimon Editora. É uma verdadeira
aula sobre um dos mais importantes pilares do psicodrama para os interessados em artes expressivas.
O teatro da espontaneidade, originalmente lançado em 1923, conclui a trilogia vienense de J. L. Moreno. Depois, emigrou para os Estados Unidos, em 1925, quando finalizou suas principais criações: a sociometria, a psicoterapia de grupo e o psicodrama. Nesta edição ampliada estão os conceitos e fundamentos que se tornariam base para a filosofia moreniana: a espontaneidade e a criatividade. Histórica e cientificamente relevante, a obra, editada pela última vez no Brasil em 1984, volta a apresentar toda a contribuição do autor, sob a tradução do professor psicodramatista Moysés Aguiar.
O livro é dividido em cinco partes, a primeira trata do teatro do conflito, no palco e no público, ou teatro grupal; a segunda apresenta propriamente o teatro da espontaneidade, o metateatro e a dramaturgia experimental e aplicações. A terceira parte aborda o teatro terapêutico e considera o lugar como fator significativo na terapia. O teatro do criador, na quarta parte, desenvolve o drama da criação, os diagramas de interação, traz notas sobre a relação do psicodrama com o teatro e do teatro da espontaneidade com o método de Stanislavski, além de manchetes históricas. Por último, a quinta parte discorre sobre Goethe e o psicodrama, considerando o processo delirante de Lila e a psicologia analítica, com especial registro de comentários do pensador.
Moreno influenciou experiências expressivas das artes e das psicoterapias do século passado, como o Living Theater, o Teatro Aberto e, num exemplo mais moderno, o Teatro do Oprimido, do brasileiro Augusto Boal. A influência das técnicas psicodramáticas também permearam trabalhos de autores como Fritz Perls, da Gestalt-terapia, Eric Berne, da análise transacional, Virginia Satir, da terapia familiar, e em procedimentos da terapia cognitivo-comportamental.
O teatro espontâneo de Viena foi a ponte que levou Moreno ao teatro terapêutico, o psicodrama, e que hoje representa evolução não apenas nos palcos, mas também para o experimentador em psicologia, para o educador, o sociólogo, o psicólogo social, o fonoaudiólogo, o psicólogo clínico, o psicoterapeuta e o psiquiatra.
J. L. Moreno (1889-1974) nasceu na Romênia. Quando tinha 5 anos, sua família emigrou para a Áustria. Lá estudou e exerceu a medicina até os 35 anos, quando novamente emigrou, agora para os Estados Unidos. Em 1936, abriu um pequeno hospital em Beacon, Nova York, que se tornou um centro alternativo aos clássicos tratamentos psiquiátricos da época – insulina e eletrochoque – e ao então rígido formato das cinco sessões psicanalíticas semanais. Moreno tratava os pacientes em um palco, o palco psicodramático. Lá os protagonistas viviam seus dramas, delírios e alucinações. Buscavam não somente uma simples catarse, mas, como dizia ele, uma catarse de integração, na qual os aspectos criativos da “doença” eram incorporados à personalidade do portador.
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Foco no autorRoberto Porto Simões
Professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Brasil). Autor dos livros: Introdução a relações públicas (co-autoria com E. Wend-hausen); Relações públicas: função política (Summus, 4ª ed., 2001); Relações públicas e micropolítica (Summus, 2001). Co-autor do capítulo "Public relations performance in South and Central America" (em International public relations: a comparative analysis, livro organizado por H. Culbertson e Ni Chen, 1996). Muitos artigos publicados no Brasil e do exterior. Palestras realizadas no país e em grande número de países.
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