‘QUEM DEVE TOMAR A VACINA CONTRA O SARAMPO NA CAMPANHA NACIONAL DE 2019?’

Publicado no portal MSN/Estilo de Vida em 07/10/2019.

Começou a campanha nacional de vacinação contra o sarampo de 2019. A vacina trivalente, que ainda protege contra caxumba e rubéola, estará disponível nos postos de saúde de todo o Brasil, com foco em dois grupos: crianças de 6 meses a menores de 5 anos e adultos de 20 a 29 anos.

Como há dois públicos-alvo, a campanha será dividida. De 7 a 25 de outubro, os pais devem levar as crianças dentro daquela faixa etária para receber a vacina. Haverá um Dia D no 19 de outubro, um sábado.

O Ministério da Saúde pretende imunizar 2,6 milhões de pequenos. Eles estão entre os grupos mais suscetíveis às complicações do vírus.

Após um intervalo, o dia 18 de novembro marca o início da vacinação contra o sarampo entre brasileiros de 20 a 29 anos. Espera-se proteger 13,6 milhões de adultos.

Esse pessoal, embora mais resistente do que as crianças aos efeitos graves do sarampo, apresenta taxas de vacinação especialmente baixas.

É importante ressaltar que tanto a vacina tríplice viral como a tetravalente (que evita também a catapora) são aplicadas na rede pública o ano todo em brasileiros de até 49 anos que cumprem certos requisitos, dentro ou fora de surtos. Siga as orientações do Calendário Nacional de Vacinação para proteger você e sua família desde cedo.

Em um comunicado do dia 4 de outubro, o Ministério da Saúde informou que há 5 404 casos confirmados de sarampo em território nacional. Mais de 95% estão concentrados em São Paulo, mas 18 estados já registraram infecções pelo vírus. Seis pessoas morreram.

Para ler na íntegra, acesse: https://www.msn.com/pt-br/saude/medicina/quem-deve-tomar-a-vacina-contra-o-sarampo-na-campanha-nacional-de-2019/ar-AAIoEXf?ocid=spartanntp

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Saiba mais sobre o assunto e tire todas as suas dúvidas com o livro:

VACINAR, SIM OU NÃO?
Um guia fundamental
Autores: Monica LeviGuido Carlos LeviGabriel Oselka
MG EDITORES

Desde o surgimento da primeira vacina, no fim do século XVIII, centenas de milhares de mortes foram evitadas e dezenas de moléstias, combatidas. Estima-se que, nos últimos dois séculos, as vacinas proporcionaram um aumento de cerca de 30 anos em nossa expectativa de vida.

Porém, nos últimos anos, um grande movimento internacional contra as vacinas tem chamado a atenção de pais, profissionais de saúde e educadores. Partindo de informações contraditórias e de dados sem comprovação científica, seus membros alegam ter o direito de escolher vacinar ou não os filhos. No entanto, essa decisão, que de início parece individual, tem consequências coletivas, fazendo por vezes ressurgir epidemias que se consideravam erradicadas.

Escrito por dois pediatras e um infectologista, todos com vasta experiência em imunização, este livro apresenta:

• um histórico do surgimento e da consolidação das vacinas;
• os benefícios da imunização para a saúde individual e coletiva;
• os mitos – pseudocientíficos e religiosos – associados a elas, como o de que a vacina tríplice viral provoca autismo;
• as respostas da ciência a esses mitos;
• as consequências da não vacinação para os indivíduos e a comunidade;
• as reações adversas esperadas e como agir caso isso aconteça;
• as implicações éticas e legais da vacinação compulsória.

‘A DEPRESSÃO É POP’

Parte da reportagem especial Depressão em Xeque,
de Gabriela Ingrid, publicada originalmente no UOL VivaBem
em 13/09/2019.

Realmente, a discussão em torno da depressão é maior e mais complexa hoje. Várias celebridades expuseram que já lutaram uma batalha contra a doença, do youtuber Whindersson Nunes à cantora Adele, passando pelo ator Jim Carrey. “Antes a psicofobia, que é o preconceito contra as pessoas que têm transtornos e deficiências mentais, era maior”, diz Ana Paula Carvalho, psiquiatra e coordenadora da Liga da Depressão do HC da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Segundo a especialista, o fato de ter muita gente famosa revelando que luta contra a depressão tem impacto maior do que qualquer médico falar na TV ou em um livro sobre a doença.

Segundo a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), o estigma é um dos principais obstáculos ao tratamento adequado dos transtornos psiquiátricos. Muitas pessoas evitam procurar o psiquiatra, ou até mesmo custam a reconhecer os primeiros sinais de doenças como depressão e ansiedade, por causa do preconceito que ainda está relacionado à psiquiatria. Muitas vezes transtornos do tipo são associados à loucura ou até mesmo a coisas banais, que não necessitariam de um tratamento.

De acordo com uma pesquisa conduzida pelo Ibope em agosto desse ano, 53% das pessoas entre 18 e 24 anos acredita que a maioria dos antidepressivos não funciona ou não sabe opinar sobre isso. 57% dos brasileiros de todas as faixas etárias acha que o psicólogo é o profissional mais adequado para o quadro. Além disso, 44% das pessoas não falaria sobre a depressão no trabalho.

“Diminuiu-se o estigma, então a pessoa começa a buscar mais tratamento, conversa mais sobre o assunto, então a doença aparece mais. Estamos quebrando o preconceito em relação à saúde mental”
Fernando Fernandes

Segundo o livro “A Tristeza Perdida” (Editora Summus) escrito por Allan Horwits, professor de sociologia na Rutgers University, e Jerome Wakefield, professor de trabalho social na Universidade de Nova York, a taxa de transtornos depressivos na população não sofreu um aumento generalizado. O que mudou foi o crescente número de pessoas que buscam tratamento para essa condição, o aumento das prescrições de medicamentos antidepressivos, o número de artigos sobre o tema na mídia e literatura científica e a crescente presença da depressão como um fenômeno na cultura popular.

Para ler na íntegra, acesse: https://bit.ly/2lO8zTa

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Conheça o livro mencionado na matéria:

A TRISTEZA PERDIDA
Como a psiquiatria transformou a depressão em moda
Autores: Jerome C. WakefieldAllan V. Horwitz
SUMMUS EDITORIAL


Nos últimos anos, a depressão se transformou no distúrbio mais tratado por psiquiatras. Ao mesmo tempo, o consumo de antidepressivos aumentou significativamente. Neste livro, Horvitz e Wakefield criticam tal postura, mostrando que a tristeza, comum a todo ser humano, vem sendo tratada como doença – e expondo as implicações dessa prática para a saúde.




https://www.uol.com.br/vivabem/reportagens-especiais/depressao-realmente-e-o-mal-de-seculo-especialistas-buscam-responder-essa-questao/index.htm?utm_source=chrome&utm_medium=webalert&utm_campaign=uol#depressao-em-xeque

‘SUICÍDIO: PESSOAS PRÓXIMAS FALAM SOBRE DOR E DIFÍCIL RETORNO À ROTINA’

Chamadas de “sobreviventes suicidas”, as pessoas que estão sofrendo após o suicídio de alguém próximo enfrentam preconceito, incompreensão e o desafio de retomar a rotina

Texto parcial de reportagem de Fernando Mellis,
publicada originalmente no portal R7, em 10/09/2019.

Vergonha, culpa, dúvidas, raiva… esses são alguns dos sentimentos experimentados por aqueles que perdem algum ente querido por suicídio. O luto dessas pessoas envolve tabus, estigmas, preconceitos e muita desinformação, ingredientes que podem afetar a saúde mental dos que ficam.

Em suicidologia, o termo “sobrevivente suicida” se refere a uma pessoa que está sofrendo após o suicídio de alguém próximo e não a alguém que sobreviveu a uma tentativa de suicídio.

O ato solitário e de profundo desespero tem um efeito potencialmente devastador em quem fica. Um estudo coordenado pela pesquisadora Julie Cerel, da Universidade do Kentucky (EUA), mostrou que aproximadamente 135 pessoas são impactadas com um único suicídio. Além disso, estima-se que 25 pessoas próximas da vítima podem tentar se matar ou ter ideias suicidas.

Isso significa que diante dos 12.495 suicídios registrados no Brasil em 2017, segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 1,6 milhão de pessoas podem ter sido afetadas de alguma forma e, deste grupo, 300 mil podem vir a atentar contra a própria vida. O psicólogo norte-americano John R. Jordan, autor de diversos livros sobre o assunto e que trabalha há mais de 25 anos com sobreviventes suicidas, explica como isso se dá.

“As pessoas que conhecem alguém que morreu por suicídio têm 1,6 mais chance de ter ideias suicidas; 2,9 vezes mais chances de ter planos suicidas; e 3,7 vezes mais chances de tentar suicídio, em relação a outras pessoas que não conheciam.”

A morte por suicídio é normalmente violenta e repentina. Pode ser ainda que parentes e amigos tenham de lidar com investigações policiais e com a imprensa até que se tenha certeza do que aconteceu, o que adiciona ainda mais trauma a estas pessoas.

“Uma cena que até hoje me aterroriza”

“Tivemos um fim de semana normal com as nossas filhas e na segunda-feira encontrei meu marido morto, enforcado em casa”, conta Eliana* (nome trocado). “É uma cena que nunca vai sair da minha cabeça e até hoje me aterroriza.”

Foi o primeiro contato com o suicídio que a família teve, mas não seria o último. Dois anos depois, a filha mais velha do casal também tirou a própria vida, aos 18 anos. Mentalmente abalada após a morte do pai, a jovem entrou em um quadro depressivo que, apesar de ajuda especializada e medicamentos, agravou-se.

“É normal você se perguntar: ‘será que o suicídio do pai teve alguma influência na decisão dela?’ Eu nunca vou saber, tento não buscar muitas respostas porque sei que nunca vou encontrá-las. Meu objetivo hoje é me preservar e cuidar da minha outra filha, porque sei que precisamos uma da outra e é nela que busco forças para seguir.”

Tsunami existencial

“O suicídio para quem fica é um tsunami existencial. Mas o que você faz depois de um tsunami? Se reconstrói”, explica a psicóloga Karina Okajima Fukumitsu, autora de livros sobre o tema, incluindo Suicídio e luto: histórias de filhos sobreviventes; e Sobreviventes enlutados por suicídio – cuidados e intervenções, este último lançado neste mês.

Eliana relata a angústia de quando é perguntada sobre como perdeu o marido e a filha. “Falar de suicídio é para muita gente algo completamente inusitado. Tem quem me olha de cara feia, o que me deixa mal, porque eu não tenho culpa e não posso ter vergonha pelo que aconteceu.”

Uma das grandes dificuldades do sobrevivente é encontrar pessoas que não façam julgamentos.

“O que se matou não era corajoso, fraco, covarde… era uma pessoa que estava em intenso sofrimento. Quem sou eu para julgar quem estava em sofrimento? Quem está longe julga, quem está perto compreende”, diz Karina.

“Jamais vou fazer o que ele fez”

A jornalista Paula Fontenelle, autora do livro Suicídio: o futuro interrompido – guia para sobreviventes, e a irmã desenvolveram depressão após o pai se suicidar com um tiro, aos 58 anos, em 2005. Na publicação, ela relata a dificuldade de não ter sido um período de luto “normal”.

“As particularidades têm início logo cedo. Quando uma pessoa morre por motivos de doença, acidente, o que for, por mais desconfortável que seja, todos demonstram solidariedade imediata, querem saber dos detalhes, falam abertamente sobre a situação, oferecem conforto. No suicídio, não. O incômodo se expressa no silêncio, na ausência do que dizer, no inconformismo, na incredulidade. É como se as palavras fossem inúteis, como se nada pudesse amenizar a dor e essa reação vai alimentando, com o tempo, a nossa própria resistência em expor o que sentimos.”

Em entrevista, Paula conta que buscou respostas em livros após o suicídio do pai, mas como não achou no Brasil nada que pudesse ter as explicações que ela tentava achar, resolveu escrever o próprio livro, que agora está sendo relançado em inglês, nos Estados Unidos.

“Apesar de o livro ter me ajudado no longo prazo, enquanto eu escrevia, acabava revivendo muitas coisas e isso teve um impacto negativo. Comecei a sentir uma tristeza que vinha do nada, dores físicas, dificuldade de concentração.” Paula e a irmã foram diagnosticadas com depressão.

“A minha irmã teve depressão antes de mim. Ela passou por uma coisa que não passei, porque eu estava de férias nos Estados Unidos quando ele morreu. Ela viu meu pai um dia antes de ele se matar, percebeu que ele não estava bem. Então ela se sentiu muito culpada.”

Mesmo assim, a jornalista diz que as duas nunca pensaram em tirar a própria vida. “Lembro que ela me falou: ‘Eu jamais vou fazer o que ele fez, não vou fazer minha filha passar pelo que eu estou passando.”

Atualmente, Paula mantém um site no qual compartilha informações e orientações sobre o assunto.

Suicídios em alta no país

O número de pessoas mortas por suicídio no Brasil cresce ano após ano desde 2002. Apenas em 2017, a alta foi de 9,3%, na comparação com o ano anterior, segundo dados do Ministério da Saúde. A taxa é de 6 óbitos por 100 mil habitantes.

Mortes autoprovocadas intencionalmente são a terceira maior causa de óbito por causas externas (que não sejam doenças, por exemplo), com 12,4 mil casos no Brasil em 2017, atrás apenas de acidentes (68,5 mil) e agressões (63,7 mil).

A maior parte dos óbitos decorrentes de suicídio ocorre nas faixas etárias de 20 a 39 anos (5.009 casos, com aumento de 8,65% em 2017) e de 40 a 59 anos (4.195, alta de 7,67%). Entre os idosos, foram 2.210 suicídios (alta de 10,72%).

No entanto, o que chama atenção é o crescimento acima das demais idades nos suicídios no grupo com idades entre 10 e 19 anos: 1.047 casos — alta de 16,72%.

A Associação Brasileira de Psiquiatria estima que 17% dos brasileiros (35,5 milhões) já pensaram em suicídio. No entanto, entre pensar e planejar há uma diferença. Nem todos os que pensam em tirar a própria vida vão de fato levar a ideia adiante, observa a psicóloga Karina Fukumitsu. “O comportamento suicida envolve o pensamento, a ideação, o planejamento e o ato em si.”

O suicídio é um ato definitivo para um problema temporário.(Karina Fukumitsu)

Segundo ela, ao contrário do que muitos pensam, “o suicídio não é contagioso”. “O grande vilão que a gente tem que atacar é o sofrimento. É o sofrimento que provoca as pessoas a pensarem em se matar”, acrescenta.

Para ler a matéria completa, acesse:  https://estudio.r7.com/suicidio-a-dor-dos-que-ficam-10092019

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Para saber mais sobre o assunto, conheça os livros da psicóloga Karina Okajima Fukumitsu pela Summus Editorial, incluindo o recém-lançado focado em posvenção do suicídio:

SOBREVIVENTES ENLUTADOS POR SUICÍDIO
Cuidados e intervenções
Autora: Karina Okajima Fukumitsu

Segundo a Organização das Nações Unidas, a cada 40 segundos uma pessoa se suicida no planeta. São quase 800 mil casos de morte autoinfligida por ano. Esses dados alarmantes têm chamado a atenção de profissionais de saúde, educadores e responsáveis pela elaboração de políticas públicas. Porém, além de prevenir esse tipo de ocorrência, é preciso cuidar daqueles que enfrentam o suicídio de um ente querido: os sobreviventes.
Maior especialista brasileira no tema, Karina Okajima Fukumitsu reúne neste livro anos de pesquisa e de trabalho de campo com mães, pais, irmãos e amigos de pessoas que se suicidaram, desvendando o processo de choque, dor, agonia e tristeza pelo qual passam. Denominando posvenção o cuidado específico com esse público, a autora aborda os impactos do suicídio, detalha as dificuldades emocionais enfrentadas pelos sobreviventes, aponta caminhos para ressignificar a dor, apresenta propostas de prevenção e propõe políticas públicas para transformar a impotência individual em potência coletiva.

VIDA, MORTE E LUTO
Atualidades brasileiras
Organizadora: Karina Okajima Fukumitsu
Autor(es): Leo PessiniAna Catarina Tavares LoureiroAvimar Ferreira JuniorDaniel Neves ForteDaniela AchetteElaine Gomes dos Reis AlvesElaine Marques HojaijElvira Maria Ventura FilipeEmi ShimmaFernanda Cristina MarquettiGabriela CasellatoGilberto SafraGláucia Rezende TavaresKarina Okajima FukumitsuTeresa Vera GouveaMarcello Ferretti FanelliMarcos Emanoel PereiraMaria Carlota de Rezende CoelhoMaria Helena Pereira FrancoMaria Julia KovácsMaria Luiza Faria Nassar de OliveiraMayra Luciana GaglianiMonja Coen Roshi Monja Heishin Nely Aparecida Guernelli NucciPatrícia Carvalho MoreiraPedro Morales Tolentino LeiteProtásio Lemos da Luz

Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.

‘VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA: SAIBA COMO IDENTIFICAR SE SEU MARIDO FAZ ISSO’

Reportagem de Laura Reif, publicada na revista AzMina, publicada em 04/09/2019.

Esse tipo de agressão pode ser difícil de identificar, pois muitas vezes é mascarada como ciúmes e caracterizada por controle, ofensas e humilhações

Quando falamos em violência contra a mulher, a primeira coisa que vem à mente é um tapa, soco ou um empurrão. Mas não é apenas a agressão física que define um relacionamento violento. Uma forma mais subjetiva de violência é a psicológica. Se você se sente constantemente sem autoestima, é humilhada, diminuída, sofre ameaças verbais e tem medo de dar sua opinião, você pode estar sendo vítima de violência psicológica.

Esse tipo de agressão pode ser difícil de identificar, pois muitas vezes é mascarado como ciúmes e é caracterizado por controle, ofensas e humilhações. Boa parte das vezes, a vítima tem dificuldade em romper a relação, pois o abuso psicológico ocorre de maneira gradual, mas constante, minando a autoestima e anulando a pessoa.

A violência psicológica é bem comum. Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública com o Datafolha, a violência por meio de ofensas, xingamentos ou humilhação foi a mais comum no Brasil em 2018, atingindo 22% das mulheres. 

Esse tipo de violência normalmente precede a agressão física. Ao minar a autoestima da mulher, muitas vezes o (ou a) companheiro(a) faz com que a mulher acredite que aquela relação é a única possível e não tenha forças para sair, tornando-se mais suscetível a tolerar agressões. 

O que é

A Lei Maria da Penha classifica violência psicológica como qualquer conduta que cause dano emocional e à autoestima da mulher, que prejudiquem o seu pleno desenvolvimento, que vise degradar ou controlar suas ações comportamentos, crenças e decisões. O Instituto Maria da Penha lista algumas dessas condutas: 

  • ameaças
  • constrangimento
  • humilhação
  • manipulação
  • isolamento (proibir de estudar e viajar ou de falar com amigos e parentes)
  • vigilância constante
  • perseguição contumaz
  • insultos
  • chantagem
  • exploração
  • limitação do direito de ir e vir
  • ridicularização
  • tirar a liberdade de crença
  • distorcer e omitir fatos para deixar a mulher em dúvida sobre a sua memória e sanidade (gaslighting)

Alguns exemplos comuns desse tipo de abuso são o mansplaining ou gaslighting: comportamentos abusivos por meio dos quais é possível diminuir a mulher e minar sua auto confiança. 

“Quando você, mulher, tiver certeza do que está falando e mesmo assim o homem tenta mostrar para você – ou explicar de maneira banal – o que já é óbvio, ou dizer que você está errada, você está sofrendo esse tipo de abuso, de violência”, afirma a psicóloga especializada em traumas Daiane Daumichen. 

Ela diz que a mulher pode não se importar com essa atitude no momento, mas que ao longo do tempo se torna uma ferramenta para enfraquecê-la, tornando-a vulnerável e dependente. “Um homem que realmente quer orientar e dar suporte, não a faz sentir-se ‘burra’”, completa.

O abuso psicológico pode ocorrer nas mais diversas esferas da vida, até no trabalho. Um chefe que diminui uma funcionária por ser mulher e a trata como incapaz – mesmo que ela seja qualificada – e desmerece seu conhecimento, está fazendo abuso psicológico.

Como identificar

A terapeuta de relacionamentos Sabrina Costa chama a atenção os sinais que podem indicar que uma mulher está sendo vítima de violência psicológica:

  • – Se sentir incapaz de ter sucesso na vida;
  • Dúvidas sobre sua capacidade intelectual;
  • Se sentir inferior ao companheiro;
  • Se sentir oprimida;
  • Perda do ânimo diante da vida;
  • Sentir culpa pelas discussões e pelos problemas na relação;
  • Esconder de amigos e parentes ou justificar certos tipos de comportamentos do parceiro.
  • Leia mais: Você não está louca! Entenda como funciona o gaslighting
  • Um exemplo muito relatado por mulheres é de casos em que o companheiro faz críticas constantes à sua aparência e capacidade intelectual, concluindo que ninguém mais pode querer ficar com ela. 

Recuperando a autoestima

Às vezes a mulher só consegue perceber que sofreu esse tipo de abuso quando consegue sair da relação tóxica. “O que, infelizmente, é triste, pois o tempo em que foi submetida a essa situação pode deixar sequelas”, explica Daiane.

Para a terapeuta Sabrina, é importante a mulher tirar um tempo para si para se recuperar, fazendo algo que traga a sensação de que ela é útil e capaz. “Porém dependendo de como foi afetada psicologicamente, é necessário buscar ajuda de terapeutas e psicólogos”, diz.

É um caminho longo para se chegar ao resgate da autoestima, da identidade perdida, pois a consequência do abuso psicológico gera impactos difíceis de serem solucionados sozinhos. Daiane explica que em certos casos a vítima sofre as consequências do abuso psicológico mesmo longe do agressor, tempos após o rompimento da relação.

“É importante o acompanhamento de profissionais especializados para que a vítima possa identificar os danos causados, buscar sua cura e uma nova forma de se relacionar com os outros e consigo mesma”, completa Daiane.

Para ler na íntegra, acesse: https://azmina.com.br/reportagens/violencia-psicologica-saiba-como-identificar/

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Tem interesse pelo assunto? Conheça:

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA NAS RELAÇÕES CONJUGAIS
Pesquisa e intervenção clínica
Autora: Adelma Pimentel
SUMMUS EDITORIAL

A violência psicológica que permeia a convivência dos casais é o tema deste livro. Essa modalidade de agressão aparece nas relações conjugais com intensa incidência e sem que seja reconhecida pelos cônjuges, sobretudo pela mulher. Visando estudar e combater o fenômeno, Adelma Pimentel caracteriza a violência psicológica e propõe a nutrição psicológica, por meio da Gestalt-terapia, para o enfrentamento da violência que atinge o casal.

FERIDAS INVISÍVEIS
Abuso não-físico contra mulheres
Autora: Mary Susan Miller
SUMMUS EDITORIAL

Milhões de mulheres em todo o mundo sofrem uma violência não-física por parte de maridos e companheiros, nem sempre fácil de identificar e neutralizar: Intimidações, manipulação emocional e sexual, humilhações, chantagens financeiras, etc. Este livro expõe a existência do problema, oferece meios de identificá-lo e sugere alternativas para que a mulher possa fugir do pesadelo.

“É UM SACRIFÍCIO SE LIVRAR DE MAUS HÁBITOS, MAS VALE MUITO A PENA”

Matéria publicada originalmente no Blog da Saúde, em 28/07/2019

“É um sacrifício sair de uma rotina de maus hábitos. Criar uma rotina saudável é mais difícil ainda, mas vale muito a pena. Eu pude ver isso depois de emagrecer e me sentir mais disposta”, a descrição é da médica veterinária Luiza Cysne, de 32 anos que chegou a pesar 122 quilos e hoje está com 59 quilos.

De fato, balancear o cardápio é uma tarefa difícil principalmente pela correria do dia a dia. Mas, cuidar da alimentação é fundamental para evitar doenças causadas por falta de nutrientes e combater e a obesidade.

Luiza fez uma reeducação alimentar após uma cirurgia devido ao peso, e conta que a alimentação adequada nessa época foi é importante para manter a saúde e para melhorar a vida. “Eu bebia muito refrigerante, só comia fritura, massas, hambúrgueres, esses alimentos faziam parte da minha rotina, o que me levou a ter problemas de saúde. Hoje eu tomo café da manhã, coisa que eu não fazia, troquei o refrigerante pelo suco e isso me ajudou muito a ter uma vida melhor, me sinto mais disposta”, fala.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda cinco porções diárias, pelo menos cinco dias da semana, de frutas, verduras e hortaliças. Atualmente, 23% da população brasileira faz o consumo recomendado pela organização.

Adotar um cardápio balanceado, com o consumo maior de frutas, legumes e verduras variadas, diminuição da quantidade de açúcar e sal e redução do consumo de alimentos processados e ultraprocessados, é essencial para regular o bom funcionamento do organismo e melhorar a disposição.

Isso porque, além de auxiliarem na imunidade do nosso organismo contra as infecções, contribuem para combater a obesidade, a hipertensão e o diabetes. Aumentar o consumo desse tipo de alimento nas refeições diárias, além de garantir saúde, permite maior ingestão de fontes de fibra fontes de vitaminas e minerais. “Eles contribuem para a prevenção de muitas doenças e agravos, dentre as vitaminas e os minerais. A gente pode citar, por exemplo, vitamina A, zinco, magnésio, entre outras”, comenta a diretora do Departamento de Promoção da Saúde da Secretaria Atenção Primária, do Ministério da Saúde, Lívia de Almeida Faller

A diretora ainda ressalta facilidade de encontrar esses alimentos no Brasil, um país que tem um clima favorável para esse consumo durante todo o ano. “Podemos consumir frutas em qualquer uma das refeições, café da manhã, almoço, jantar ou em pequenos lanches. Além disso, temos a vantagem de temos diferentes frutas o ano inteiro em diversas regiões no país”, reforça Lívia.

Pesquisa

Dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), em 2018, revelam que houve uma mudança significativa entre os hábitos alimentares dos brasileiros. Essa melhora foi de um aumento de 15,5% no consumo recomendado de frutas e hortaliças em comparação com 2008.

A pesquisa Vigitel apontou ainda que o consumo é mais frequente entre as mulheres, 27,2% do que entre os homens, 18,4%. Com o estudo, podemos observar que o consumo aumenta de acordo com o grau de escolaridade, em ambos os sexos: 33,3% das mulheres com 12 ou mais anos de escolaridade fazem consumo regular desses alimentos e 24,5% dos homens com 12 ou mais anos de escolaridade fazem consumo regular.

Para ajudar no consumo desses alimentos e prevenir e controlar doenças, como a obesidade, a hipertensão e o diabetes, o Ministério da Saúde, disponibiliza o Guia Alimentar para a População Brasileira, que traz informações e orientações para facilitar a adoção de escolhas alimentares mais adequadas e saudáveis pela população.

Também há o livro Alimentos regionais brasileiros, que traz uma imensa e variada lista de frutas, hortaliças, leguminosas, tubérculos, cereais, ervas, entre outros, existentes em nosso país, além de receitas culinárias, dicas de como cozinhar com mais saúde e uma lista de possíveis substituições para as preparações desenvolvidas, ressaltando nossa diversidade cultural. “O conhecimento e utilização desses alimentos no cotidiano estimula uma alimentação mais adequada, saudável e nutritiva para a população brasileira”, enfatizou a diretora.

A atividade física é outro ponto fundamental para a melhora e na saúde. Vale lembrar que as atividades físicas contribuem para a perda de peso, promovem melhoras na condição física, no funcionamento biológico, além de reduzir o estresse e melhorar o humor. A prática de atividade física no tempo livre, pelo menos 150 minutos na semana, aumentou 25,7% (de 2009 a 2018), saindo de 30,3%, em 2009, para 38,1% em 2018.

Para ler na íntegra, acesse: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/07/28/vale-a-pena-mudar-habitos-para-melhorar-a-saude.htm

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Tem interesse pelo assunto? Conheça os livros do médico Paulo Eiró Gonsalves, autor de várias obras sobre o tema:

MAUS HÁBITOS ALIMENTARES
Esclarecendo suas dúvidas
Coleção Guias Ágora
ÁGORA EDITORIAL

Às vezes sabemos que determinada coisa não é muito saudável, mas, na dúvida, continuamos a usá-la. Outras vezes, desconhecemos totalmente a composição do que ingerimos. Este livro vai ajudar a esclarecer todas as dúvidas sobre o teor dos “maus” alimentos, naturais ou manipulados, e será de grande ajuda para quem já percebeu que a boa saúde requer bons hábitos alimentares.

COMO EU COMO?
MG EDITORES

As pessoas, felizmente, têm se preocupado cada vez mais com o quê comem. Mas é preciso dar atenção também a como fazemos nossas refeições e este é o objetivo deste livro.
Aspectos como horário, ambiente, utensílios utilizados, aspecto visual e nossa escolhas de dietas são agregados aos sábios conselhos alimentares deste conceituado médico e escritor.

O QUE É BOM SABER
Sobre alimentos, exercícios, medicamentos naturais e terapias alternativas que previnem e curam doenças
MG EDITORES

A sabedoria popular não falha: remédios, plantas, verduras e frutas podem prevenir e curar uma série de enfermidades. E terapias alternativas e práticas corporais também ajudam a manter o organismo saudável. Este compêndio organizado pelo doutor Paulo Eiró traz informações úteis sobre recursos naturais acessíveis a qualquer um que busque qualidade de vida.

FRUTAS QUE CURAM
MG EDITORES


Há muito tempo são conhecidas as virtudes curativas das frutas, largamente empregadas no tratamento dos mais diversos males. Neste livro o Dr. Paulo Eiró apresenta as propriedades terapêuticas e o modo de emprego das frutas nas várias doenças. De forma extremamente prática, o leitor terá informações sobre as várias doenças, bem como sobre as frutas utilizadas para seu tratamento.

‘DÚVIDAS SOBRE VACINAS SE ESPALHAM, DIZ EXECUTIVO’

Da Agência Brasil, publicado no VivaBem UOL em 22/05/2019.

Dúvidas sobre vacinas se espalharam nas redes sociais como uma doença, e informações falsas de que elas “matam pessoas” deveriam ser retiradas pelas empresas que operam plataformas digitais, disse o chefe da aliança global de vacinas Gavi nessa terça-feira (21).

Falando em um evento patrocinado pelos Estados Unidos por ocasião da assembleia anual da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra, o diretor executivo da Gavi, Seth Berkley, lembrou que há forte consenso científico a respeito da segurança das vacinas.

Para ele, as redes sociais privilegiam conteúdo sensacionalista em vez de fatos científicos, convencendo rapidamente pessoas que nunca viram familiares morrerem evitáveis.

“Temos que pensar nisso como uma doença. Isso é uma doença”, disse Berkley. “Isso se espalha na velocidade da luz, literalmente.”

A OMS diz que a imunização insuficiente está causando surtos de sarampo globais, cujos números estão atingindo picos em países que estavam quase livres da doença, incluindo os Estados Unidos.

A desinformação sobre vacinas, que a OMS diz salvarem 2 milhões de vidas por ano, não é uma questão de liberdade de expressão, e as empresas de redes sociais precisam tirá-la da internet, disse Berkley. “Lembro que isso mata pessoas”.

Para lerna íntegra: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2019/05/22/duvidas-sobre-vacinas-se-espalham-diz-executivo.htm

 
Saiba mais sobre vacinas com o livro:

VACINAR, SIM OU NÃO?
Um guia fundamental
Autores: Monica LeviGuido Carlos LeviGabriel Oselka
MG EDITORES


Desde o surgimento da primeira vacina, no fim do século XVIII, centenas de milhares de mortes foram evitadas e dezenas de moléstias, combatidas. Estima-se que, nos últimos dois séculos, as vacinas proporcionaram um aumento de cerca de 30 anos em nossa expectativa de vida.

Porém, nos últimos anos, um grande movimento internacional contra as vacinas tem chamado a atenção de pais, profissionais de saúde e educadores. Partindo de informações contraditórias e de dados sem comprovação científica, seus membros alegam ter o direito de escolher vacinar ou não os filhos. No entanto, essa decisão, que de início parece individual, tem consequências coletivas, fazendo por vezes ressurgir epidemias que se consideravam erradicadas.

Escrito por dois pediatras e um infectologista, todos com vasta experiência em imunização, este livro apresenta:

• um histórico do surgimento e da consolidação das vacinas;
• os benefícios da imunização para a saúde individual e coletiva;
• os mitos – pseudocientíficos e religiosos – associados a elas, como o de que a vacina tríplice viral provoca autismo;
• as respostas da ciência a esses mitos;
• as consequências da não vacinação para os indivíduos e a comunidade;
• as reações adversas esperadas e como agir caso isso aconteça;
• as implicações éticas e legais da vacinação compulsória.

NOITE DE AUTÓGRAFOS DE “CUIDADOS PALIATIVOS – DIRETRIZES PARA MELHORES PRÁTICAS”

Autores, amigos e convidados prestigiam o lançamento do livro Cuidados paliativos  – Diretrizes para melhores práticas, da MG Editores. O evento aconteceu ontem, 21/03, na Livraria da Vila da Alameda Lorena, em São Paulo. Veja abaixo alguns  dos momentos da noite.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

‘MACHISMO, SEXISMO E MISOGINIA: QUAIS SÃO AS DIFERENÇAS?’

Matéria de Heloísa Noronha, publicada no Universa, do UOL, em 03/12/2018 .

Esses três conceitos podem estar relacionados, mas cada um deles tem especificidades importantes e, normalmente, são combatidos por quem defende as mulheres. É válido ressaltar que machismo, sexismo e até mesmo misoginia não são cultuados apenas pelo sexo masculino. Há muitas mulheres que acreditam que são inferiores aos homens em certos aspectos e que não devem ter os mesmos direitos que eles. Esses valores costumam ser perpetuados, principalmente, na família, e aprendidos logo na primeira infância.

Machismo

Tem como raiz uma palavra latina (macho) e trata-se, principalmente, do enaltecimento do sexo masculino sobre o feminino, expresso por comportamentos, opiniões e sentimentos que declaram a desigualdade de direitos entre os dois. Sendo assim, machista é toda pessoa que julga a mulher como inferior ao homem em aspectos físicos, culturais e intelectuais. Sabe aquelas piadinhas que dizem “lugar de mulher é na cozinha” ou “mulher só sabe pilotar fogão”? Pois é. O machismo desqualifica a mulher perante o homem e é a principal causa do feminicídio por perpetuar a crença de que, numa relação, o parceiro é o “dono” da parceira.

Misoginia

A origem da palavra misoginia vem do idioma grego e significa ódio à mulher. É diferente do machismo por envolver um forte conteúdo emocional à base de repulsa e aversão. Geralmente é decorrente da fase de construção da identidade masculina e costuma ser um resquício da dificuldade de elaboração dos sentimentos ambíguos de amor e ódio em relação às figuras parentais. Pode, ainda, indicar insegurança em relação à própria masculinidade, o que propicia o desejo de ser cruel com a mulher. Alguns estudiosos destacam que a misoginia só se aplica àquelas que não correspondem a um certo “ideal” do que significa ser mulher – por exemplo, ser uma boa mãe ou uma boa esposa. Quando a repulsa é destinada aos homens é chamada de misandria.

Sexismo

O sexismo, em princípio, se baseia na ideia de que o homem é melhor e mais competente do que a mulher, uma concepção que se assemelha ao machismo, mas vai além. Trata-se de uma atitude discriminatória que define quais usos e costumes devem ser respeitados por cada sexo, desde o modo de vestir até o comportamento social adequado. Ser sexista não é privilégio do grupo masculino, pois mulheres ou gays também podem adotar seu discurso. A sociedade, de maneira geral, é sexista e educa as crianças de forma a reproduzir modelos binários em que a tendência é de que um sexo deva ser complementar ao outro. Ter medo de que um menino “vire gay” por brincar com boneca é um pensamento sexista. Já a expressão “mulheres são de Marte e homens são de Vênus” é sexista por constranger os sexos a serem de uma determinada forma, tanto em relação ao seu comportamento quanto em relação ao seu caráter. Outro exemplo é colocar as mulheres sempre na condição de vítima, ideia que sinaliza uma condição de eterna submissão. Uma das consequências da cultura sexista é a homofobia e a desigualdade de poder, oportunidades e salários que homens e mulheres vivem no mundo profissional.

FONTES:
Ana Maria Fonseca Zampieri, sexóloga e autora do livro “Erotismo, Sexualidade, Casamento e Infidelidade (Ed. Ágora), e Malvina Muszkat, psicanalista e autora do livro “O Homem Subjugado – O dilema das masculinidades no mundo contemporâneo” (Ed. Summus)

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2018/12/03/machismo-sexismo-e-misoginia-quais-sao-as-diferencas.htm

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Conheça os livros mencionados acima:

EROTISMO, SEXUALIDADE, CASAMENTO E INFIDELIDADE
Sexualidade Conjugal e Prevenção do HIV e da AIDS
Autora: Ana Maria Fonseca Zampieri
EDITORA ÁGORA

Este livro aborda temas tabus no cenário do casamento brasileiro heterossexual, colocando em evidência a questão da AIDS. Ele contém vários aspectos da visão do mundo, da ciência e das relações de gênero. É obra imprescindível aos profissionais que trabalham com seres humanos tanto do ponto de vista psicológico e clínico, como social. A vasta bibliografia é, em si, muito valiosa.

 

O HOMEM SUBJUGADO
O dilema das masculinidades no mundo contemporâneo
Autora: Malvina E. Muszkat
SUMMUS EDITORIAL

Neste livro, a autora Malvina Muszkat propõe que se repense o fenômeno da violência sob a perspectiva da subjetividade masculina na dinâmica dos relacionamentos, de forma a buscar maneiras mais eficientes de se promover o dialogo e evitar o confronto. Transitando por áreas como antropologia, sociologia, mitologia e psicanálise, Malvina mostra como a imagem da masculinidade foi construída ao longo dos séculos e de que forma os homens foram proibidos de demonstrar seus medos e fraquezas.
Talvez seja possível criar homens com comportamentos diferentes dos usualmente atribuídos a eles em nossa sociedade. Se não há apenas uma forma de ser mulher, por que haveria apenas uma forma de ser homem?

‘FIBROMIALGIA: NOVO TRATAMENTO REDUZ DOR DE PACIENTES’

………………………..Matéria da Agência FAPESP com o portal VivaBem, do UOL, publicada em 13/08/2018

Um novo equipamento, que permite a emissão conjugada de laser de baixa intensidade e ultrassom terapêutico, tem reduzido consideravelmente a dor de pacientes com fibromialgia.

Em vez de ser feita nos pontos de dor, a aplicação é realizada nas palmas das mãos, e está apresentando maior ação analgésica e anti-inflamatória. Como consequência da redução do mal-estar, os pacientes tiveram também melhora no sono, na capacidade de executar tarefas cotidianas e na qualidade de vida como um todo.

No artigo publicado no Journal of Novel Physiotherapies, pesquisadores do CEPOF (Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica) –um CEPID (Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão) apoiado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa  do Estado de São Paulo) — descrevem a aplicação concomitante de laser e ultrassom por três minutos na palma da mão de pacientes diagnosticados com fibromialgia, em um tratamento total de 10 sessões, duas vezes por semana.

No estudo, orientado por Vanderlei Salvador Bagnato, professor titular e diretor do IFSC-USP (Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo), 48 mulheres de 40 a 65 anos diagnosticadas com fibromialgia foram divididas em seis grupos de oito na Unidade de Pesquisa Clínica, parceria do IFSC com a Santa Casa de Misericórdia de São Carlos.

Três grupos receberam emissões de laser, ultrassom ou a conjugação de ultrassom e laser na região do músculo trapézio. Os outros três grupos tiveram como foco do tratamento as palmas das mãos.

Os resultados mostraram que o tratamento realizado nas mãos foi mais eficiente para os três tipos de técnicas, sendo que o tratamento com a combinação de laser e ultrassom ofereceu melhoras significativas aos pacientes.

“Os resultados da aplicação de ultrassom e laser conjugados nos pontos de dor, como o músculo trapézio, foram extremamente positivos, mas eles não conseguiam atingir as outras principais inervações afetadas pela doença. Já o tratamento na palma das mãos teve um resultado global, restabelecendo a qualidade de vida dos pacientes e, claro, eliminando a dor”, disse Juliana da Silva Amaral Bruno, fisioterapeuta e primeira autora do estudo.

De acordo com o estudo, a normalização de fluxo sanguíneo tanto periférico como cerebral a partir das áreas sensíveis das mãos promove, ao longo das sessões, a normalização do limiar de dor do paciente.

“É importante lembrar que isso não é uma cura, mas uma forma de tratamento em que não é necessário fazer uso de medicamentos”, disse Antônio Eduardo de Aquino Junior, pesquisador do IFSC-USP, um dos autores do artigo à Agência FAPESP.

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Para ler a matéria na íntegra, acesse:
https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/08/13/fibromialgia-novo-tratamento-reduz-dor-de-pacientes.htm

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Quer saber mais sobre fibromialgia? Conheça
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FIBROMIALGIA SEM MISTÉRIO
Um guia para pacientes, familiares e médicos
Autor: Manuel Martínez-Lavín
MS EDITORES

Este livro esclarece vários aspectos de um problema de saúde polêmico e ainda não totalmente compreendido nem mesmo pela classe médica: a fibromialgia. Apresenta os principais sinais e sintomas dessa doença, explica por que seu diagnóstico é tão difícil e apresenta alguns conceitos importantes que explicam a provável causa e as possibilidades de tratamento do problema.

“OS HOMENS ANDAM PERDIDOS E ANGUSTIADOS”

Ao fim de anos a ouvir mulheres agredidas e maridos agressores, a psicanalista brasileira concluiu que o problema é que elas conquistaram direitos e mudaram as suas práticas, mas eles não se aperceberam.

Há meio século os homens dominavam as mulheres e tinham até o direito de lhes bater. Os tempos mudaram. Elas hoje já não são dependentes dos maridos e bater passou a ser considerado crime. Eles estão desorientados com as mudanças e não sabem como exercer a sua masculinidade perante uma mulher que já não se deixa dominar. A paulistana Malvina Muszkat, de 75 anos, que falou ao telefone com a SÁBADO, explica este fenómeno no seu livro, O Homem Subjugado – o Dilema das Masculinidades no Mundo Contemporâneo, recentemente lançado no Brasil.

Como chegou à conclusão de que os homens estão subjugados?
Durante muitos anos ouvi mulheres agredidas pelos maridos e percebi que era insuficiente ouvir só o ponto de vista delas para poder trabalhar com esse fenómeno complexo. Comecei a falar também com os homens e foi ficando claro que eles também sofriam o impacto das exigências que a sociedade tinha também com eles. Ser forte, produtivo, vigoroso, ser capaz de controlar a mulher e os filhos não era tarefa fácil. Se falhassem chamavam-lhes “mulherzinha” e “frouxo”, seriam questionados na sua masculinidade. Hoje as mulheres conquistaram os seus direitos, entraram no mercado de trabalho, mudaram as suas práticas e até conseguiram aprovar leis a seu favor e ficou ainda mais difícil. Muitos ainda não perceberam que tinham de rever as suas posições e continuaram a querer responder às exigências que a sociedade patriarcal lhes impôs – e não estão a dar conta.

Foram apanhados de surpresa?
Costumo dizer que elas fizeram tudo isso e eles não se aperceberam. É como se tivessem sido apanhados de surpresa: como é, agora já não temos a autoridade absoluta? Como vamos exercer a nossa masculinidade? O modelo patriarcal baseava-se na relação dominador-dominado, que era apoiado pelo Direito e pela Ciência.  E agora como se sentir homem diante de uma mulher que já não se deixa dominar?

Qual era a principal razão para os homens baterem nas mulheres?
Temos de voltar atrás 50 anos, em que era permitido aos homens matar uma mulher em nome da honra, então bater nas mulheres era a coisa mais normal, tanto quanto bater numa criança.

Isso acontecia porque as mulheres eram dependentes.
Sim, elas dependiam dos homens não só financeiramente como do ponto de vista moral. Homens e mulheres sempre foram subjugados pela cultura. Desde a luta pelo direito ao voto, no fim do século XIX, elas têm questionado essa cultura, rompendo vagarosamente com aquela submissão consensual que tínhamos no passado.

E eles ainda estão confusos?
Sim porque as mulheres já não têm medo de se separar deles, podem trabalhar, evitar a gravidez, ou seja, ter vida própria. Bater passou a ser agressão, ou seja, saímos de um binómio dominador-dominado para um binómio novo: vítima- -agressor. Aquilo que era consensual, que toda a gente aceitava, tornou-se crime. É aqui que começa a confusão na masculinidade. A legislação acompanhou isso, porque as mulheres exigiram leis que as protegessem.

Porque é que critica as leis aplicadas aos agressores?
Não digo que eles não devem ser punidos, jamais direi isso. Mas não basta pô-los na prisão para mudarem de comportamento. A minha tese é que as mulheres fizeram todo esse trabalho de ressignificação dos valores, impuseram grandes transformações na sociedade, então há que rever as leis de punição de acordo com as novas perspectivas culturais. Temos de ajudar os homens a ressignificar esses conceitos que ainda conservam, que são tradicionais. Foi com base nisto que os trouxemos para a instituição.

O que é preciso para eles entenderem?
Em primeiro lugar é preciso uma evolução das próprias famílias. Eles não têm de ser educados para controlar as suas emoções ou para responder com força e poder. Será que ele precisa disso tudo para se sentir homem? É isso que questionamos com eles. A masculinidade do patriarcado assenta em bases muito frágeis, ou seja, tudo o que não é masculino é visto como feminino. Se um menino é mais sensível, se brinca com bonecas, chora mais e está mais ligado à mãe, vai ser rotulado de “bichinha”. Então, desde muito cedo eles sentem-se obrigados a ser duros. São esses preceitos que temos de desconstruir.

E isso não está a ser fácil para os homens…
Não é nada fácil ser homem na nossa cultura. Acho que nunca foi porque, por exemplo, eles eram obrigados a ir para a guerra. Por isso sempre tiveram que ser viris com medo da homofobia, que ainda é o grande fantasma da nossa cultura. Então, para não serem “mariquinhas” têm de ser fortes, bravos e saber usar a força. Isso sempre representou um sacrifício para os homens, só que eles nunca se deram conta porque nem se questionavam.

É por isso que diz que os homens se sentem desorientados?
Exactamente. Para ser homem era preciso duas coisas: ser diferente da mulher e dominá-la. Mas hoje eles já não podem dominá-las e nem sempre querem ser diferentes – preferem ser pais amorosos, maridos ternos e não querem entrar em todas as lutas. É muito angustiante para alguns homens mudar de modelo.

Porque é que acha que as mulheres estão ferozes com eles?
Nos encontros que tenho com jovens vejo que as mulheres estão muito agressivas com os homens, muito mais do que as gerações antigas, e eles estão muito perdidos. Hoje, as famílias educam as filhas mulheres para serem corajosas para competir no mercado de trabalho, mas não têm coragem de educar os filhos homens para serem ternos, com medo da homofobia.

Qual é o seu método de trabalho com os agressores?
Fazemos grupos operativos em que questionamos os valores de domínio e o direito de agredir física ou psicologicamente. Trabalhamos com esses homens no sentido de eles repensarem os seus próprios mitos. Será que para ser homem, eu tenho que usar sempre a força? O homem continua subjugado à cultura patriarcal, ele não percebeu que houve grandes mudanças. Esta agressividade, que foi estimulada durante séculos, é uma causa de risco para eles. Os homens morrem mais, mais cedo, praticam mais homicídios e suicídios e ficam mais deprimidos.

Eles são vítimas da sua própria educação?
Sim. Aqui no Brasil, a mortalidade nos homens entre os 18 e os 25 anos, é muito elevada por causas violentas. Morrem no trânsito porque conduzem exaltados, morrem no tráfico de droga, etc. O tal modelo de ter de ser forte para ser homem coloca-os em alto risco. Colocamos essa discussão na mesa e é muito curioso porque como eles nunca falam dos seus medos com ninguém, por ser vergonhoso, quando falam entre si as coisas começam a mudar.

É como tirar uma máscara?
Isso! Quando eles agridem, achando que é um sinal de poder, nós mostramos- lhes que é um sinal de fraqueza, só bate quem não tem argumentos, quem não sabe dialogar. Por isso é que nas classes menos educadas há mais violência do que nas classes onde é maior o capital intelectual.

Entende que essa mudança das mulheres era inevitável?
Foi uma revolução social importantíssima, a par do desenvolvimento da ciência e da tecnologia, e estas mudanças eram inevitáveis. O que manteve as mulheres domináveis durante séculos foi a Igreja e a Ciência, que são as instituições que ditam os movimentos sociais. Os Estados poderiam colaborar mais com políticas públicas que facilitassem para que os homens participem mais na vida familiar, na criação dos seus filhos. Até há poucos anos, os pais nunca iam à escola saber dos seus filhos, era sempre as mães. Não era assunto de homens.

Os homens ainda vão demorar a adaptar-se?
Acho que podíamos apressar o processo se introduzíssemos este tema nas escolas, se preparássemos as famílias para isso e se trabalhássemos com os agressores no sentido de eles entenderem e não resolver o assunto, mandando-os para a cadeia.

O que antes era visto como cavalheirismo, como pagar a conta do restaurante, agora pode ser considerado machista?
É e os homens não sabem lidar com isso. Na hora de pagar a conta do restaurante o melhor é falar disso abertamente, mas é muito difícil saber como se comportar. Agora como tudo é abuso, começa a ser complicado para os homens aproximarem-se das mulheres. O que no meu tempo era charmoso, como assobiar ou dizer uma palavra para uma moça bonita, hoje é interpretado como abuso e isso acaba por levar a cultura para trás e não para a frente. A liberdade e a espontaneidade vão desaparecendo.

Acha que elas exageram?
Elas não admitem nem uma brincadeira. Nalgumas universidades daqui as mulheres criaram autênticos tribunais para julgar se os homens se portam bem ou mal e acho que isso é muito prejudicial para os relacionamentos. Precisamos de dialogar, não é só julgar. Claro que aquele homem grosseiro que se encostou a mim no Metro tem de ser visto de forma diferente do meu colega de turma, que pode cometer uma falha ao dizer uma piada machista, sem ter tido a intenção de ofender. Elas estão muito intransigentes.

Com tanto feminismo, acha que as mulheres ainda criam filhos para serem homens, no sentido machista?
É verdade, depois elas vão criar os filhos no mesmo padrão. Ainda é muito difícil para as famílias criarem filhos homens que sejam ternos, que choram, que gostam de ficar no colo da mãe. Há uns até que gostam de pintar as unhas e as mães morrem de medo da homofobia – esse é um problema que perdura na nossa cultura. Estive recentemente nos Estados Unidos e lá há um grupo de jovens casais que estão a criar os filhos como se eles não tivessem sexo. Não lhes dão nome feminino nem masculino e vestem-nos com roupas unissexo para que as crianças possam ser livres para escolher o seu género.

E isso é pedagógico?
Não sei se é pedagógico, eu acho é que é inevitável porque cada vez mais existem várias modalidades de sexo, acabou essa coisa de ser só homem e mulher. É um caminho que não tem retorno. Eu não julgo, eu constato.

Texto de Sónia Bento, revista SÁBADO, Portugal.


Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1483/Homem+subjugado,+O