‘ASTROLOGIA MÉDICA, VOCACIONAL… CONHEÇA OS DIVERSOS TIPOS E SAIBA USÁ-LOS’

Matéria de Claudia Dias, publicada no Universa, do UOL, em 29/09/2018

Astron: estrelas, logos: estudo. Astrologia significa, literalmente, o estudo das estrelas e difere da astronomia por focar nas correlações entre os movimentos no céu e os acontecimentos na vida humana.

A definição resume propósito, mas deixa escapar todos seus braços e ramificações. Isso porque estamos acostumados a acompanhar no dia a dia apenas uma parte desse meio, dentro da visão ocidental.

Na verdade, o estudo dos astros vai muito mais longe e revela diferentes tipos e ramos, desmembramentos de uma história que soma milhares e milhares de anos.

“A astrologia desenvolveu-se, a princípio, como uma forma de adivinhação – previsão de eventos coletivos, como fomes e pragas, por exemplo. Não existia o foco individual. Com o advento da civilização grega e, posteriormente, da romana, suas mitologias foram totalmente incorporadas pela astrologia, tal qual a conhecemos hoje”, pontua a astróloga Maura Lanari.

A bagagem é bem ampla. Por isso, conforme argumenta a especialista, pode-se dizer que sua origem coincide com “o momento em que o homem saiu da caverna, viu que os corpos celestes se movimentavam e que, paralelamente, à sua volta, eventos se sucediam”. “Criou-se então uma linguagem simbólica, analógica para descrever esses movimentos e suas relações”, esclarece.

Os registros sobre essa observação encontram-se por toda parte, inclusive no Brasil, de acordo com Maura. “Na Serra dos Caiapós, há uma gruta situada num sítio arqueológico, onde é possível reconhecer símbolos cosmológicos semelhantes aos da astrologia mesopotâmica, gravados há mais de 10.000 anos, segundo medições arqueológicas”, ilustra.

O nascimento da linguagem ocidental coincide com o surgimento da humanidade na antiga região da Mesopotâmia – não à toa chamada “berço da civilização”. Também foi ali e naquele momento que surgiu o sistema védico (ou hindu) para estudo dos astros. “O chinês é o único sistema astrológico que se desenvolveu independente da influência mesopotâmica”, acrescenta Maura.

A seguir, com ajuda da especialista, listamos os principais tipos de sistemas e abordagens astrológicos.

Astrologia védica (hindu) Também é chamada Joytisha, que significa luminoso, celeste, brilhante, pertencente ao mundo da luz. Desenvolveu-se na Índia a partir de 1.500 a.C., com objetivo de fazer brilhar a luz cósmica sobre o verdadeiro caminho de vida de um indivíduo. Neste sistema, o mapa astral é levantado a partir da data, hora exata e local de nascimento, considerando as posições planetárias do zodíaco sideral, que utiliza a posição fixa das estrelas. O mapa astral védico representa os padrões cármicos do passado da pessoa. Seus planetas e casas têm significados semelhantes aos da vertente ocidental.

Astrologia chinesa

Os chineses foram um dos poucos povos a desenvolverem um sistema complexo de astrologia inteiramente independente das influências mesopotâmicas. Do mesmo modo que a linguagem ocidental tem 12 signos solares, a versão chinesa inclui 12 signos anuais, representados por igual número de animais. E em vez de quatro elementos da natureza vistos na linha tradicional, na chinesa há cinco: Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água.

Astrologia asteca (maia)

Desenvolvida e praticada na América Central, sua proposta é guiar a religião, a guerra e a vida cotidiana. “Há evidências da prática astrológica em entalhes de pedra feitos por artesãos desde 600 a.C.”, comenta Maura.

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Outras vertentes são:

Astrologia esotérica: usa os conceitos da astrologia mais para especulações filosóficas do que para aplicação prática às preocupações da vida cotidiana.

Astrologia medieval: desenvolvida e praticada pela civilização árabe entre 750 d.C. até 1.500 d.C.

Astrologia cabalística: fusão de princípios astrológicos e da cabala judaica.
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Mais derivações

Além dos sistemas astrológico, há diferentes ramos ou aplicações que foram desenvolvidas e são seguidas no mundo todo. De acordo com Maura Lanari, alguns dos desdobramentos são:

Astrologia médica
Traduz o simbolismo astrológico especificamente para questões de saúde. Ou seja, avalia Sol, Lua, ascendente e regente, casas VI (saúde, trabalho e cotidiano em geral) e XII (saúde mental e inconsciente coletivo), seus ocupantes e regente, bem como as relações (aspectos), como significadores de saúde.

Astrologia vocacional
Interpreta o mapa levando em conta todos os indicadores de talentos, vocação, predisposições, ritmos, potenciais e desafios, voltados para as escolhas profissionais, transições de carreira etc.

Astrologia empresarial
Aqui, as análises levam em conta fatores como: compatibilidade entre sócios, mudanças de objeto social, fusões, cisões e aquisições, entre outros. A intenção é chegar a um diagnóstico abrangente e preciso de todas as áreas que compõem a empresa, revelando aspectos geralmente não detectados por técnicas convencionais. Ao identificar ciclos de expansão e estruturação, desafios e potencialidades, serve de base para o planejamento de curto, médio e longo prazo.

Astrologia horária
Parte do princípio de que as condições de qualquer pergunta feita, bem como de sua resposta, encontram-se refletidas na configuração celeste do momento. “O maior atrativo é sua eficácia”, opina Maura. Pode ser usada para informações imediatas, sem a necessidade de análise prolongada de tendências ou do mapa individual de quem faz a pergunta.

Astrologia eletiva
Busca, dentre um período específico, o melhor momento para iniciar algo – um projeto, uma empresa, um casamento, uma cirurgia. Usa os mesmos conceitos da astrologia horária. Dependendo do contexto, conjuga os princípios horários com os do assunto em questão, tais como entrevista de emprego (vocacional) e agendamento de cirurgia (médica).

Astrologia mundial ou mundana
Era uma categoria abrangente, que incluía tudo que não se referisse às astrologias natal (análise do mapa astral) e horária. Ou seja, desde clima, terremotos, negócios, agricultura, entre outros, caíam no domínio da mundana. Na prática moderna, o termo se refere de maneira mais restrita à política e grandes movimentos coletivos. Os mapas são calculados para nações, eventos específicos (como assinatura de tratados e acordos internacionais), chefes de estado, eleições, partidos políticos etc.

Astrocartografia
Metodologia usada em astrologia de localização. O horóscopo é recalculado para um local diferente do de nascimento

Para lera matéria na íntegra, acesse:
https://altoastral.blogosfera.uol.com.br/2018/09/29/astrologia-medica-vocacional-conheca-os-diversos-tipos-e-saiba-usa-los/

 

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Ficou interessado no assunto? Conheça livros da Ágora sobre algumas das derivações mencionadas na matéria:

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O ESPELHO PARTIDO
Astrologia & Psicopatologia – A possibilidade de diagnóstico e prevenção
Autor: Rui Sá Silva Barros

O autor analisa a possibilidade de diagnóstico e prevenção de distúrbios psicológicos a partir do exame de mapas astrais. O texto se baseia em casos reais e no estudo da configuração astral de algumas personalidades, como Freud.

 

VOCAÇÃO, ASTROS E PROFISSÕES
Manual de astrologia vocacional (acompanha CD)
Autoras: Márcia MattosCiça Bueno

A astrologia, neste livro de duas das mais conceituadas profissionais da área, se mostra uma ferramenta poderosa para auxiliar na identificação da verdadeira vocação. Um CD para que cada um faça a própria análise astrológica, completa esta obra dirigida a jovens e adultos em busca do melhor caminho profissional.

 

O CAMINHO DA REALIZAÇÃO COM A AGRICULTURA CELESTE
Autor: Maurício Bernis

Exposta em linguagem prática e direta, a metodologia da agricultura celeste foi desenvolvida por Maurício Bernis para aqueles que buscam a autorrealização mas evitam clichês místicos e esotéricos. Ela soma conhecimentos de diversas vertentes filosóficas e de psicologia junguiana e se expressa por meio da astrologia. O símbolo do processo é a árvore, que espelha as energias da vida e da natureza – vem daí o nome da obra.

‘O QUE CAUSA O TRANSTORNO DO PÂNICO?’

………………………………____Artigo publicado originalmente no Blog do Luiz Sperry, no Portal VivaBem, UOL, em 30/07/2018.

Junto com a depressão, o transtorno do pânico é a doença psiquiátrica mais emblemática da atualidade. Não é uma doença propriamente nova, já podemos encontrar relatos precisos de quadros muito parecidos com isso que hoje chamamos pânico há mais de 150 anos. Emil Kraepelin, o maior dos psiquiatras de seu tempo descreveu um quadro chamado por ele de “neurose de terror” (Schrekneurose). Freud, o pai de todos psicanalistas, também escreveu sobre o assunto, que chamou de “neurose de angústia”.

Pois bem, existem evidentemente pequenas diferenças entre essas descrições antigas e aquilo que hoje chega na nossa clínica com o nome de transtorno do pânico. Mas são bem pequenas.

De uma maneira geral, o paciente com pânico tem dois tipos de sintomas: os físicos e os psíquicos.

Os sintomas físicos são diversos, sempre exuberantes: taquicardia, sudorese, falta de ar, dores no peito, tremores, formigamentos, dores abdominais, tontura, entre outros. Já os sintomas psicológicos em geral são: medo de morrer, medo de ficar louco para sempre e um certo estranhamento, como se o paciente não reconhecesse a si nem ao entorno.

Esses sintomas aparecem de uma hora para outra, como diriam os americanos “out of the blue”. Rapidamente ficam muito intensos, de modo que não é raro o paciente ir parar no setor de emergência dos hospitais. Essa crise que eu acabei de descrever se chama ataque de pânico. Ela é a base do transtorno do pânico.

A partir do momento em que você passa a ter crises repetidas é comum acontecer uma certa evitação de certos comportamentos e lugares que podem desencadear essas crises, ou mesmo um medo intenso de se ter o ataque numa situação não haja ninguém por perto para ajudar. O desamparo aparece então como um elemento central do pânico. Os ataques repetidos associados a esses pensamentos e limitações são o tal transtorno do pânico.

Mas aí se impõe a pergunta inicial que dá título a esse texto. Como surge isso tudo? A psiquiatria não se debruça longamente sobre o assunto. Vai dizer que o organismo está funcionando normalmente, o que não deixa de ser surpreendente tendo em vista a quantidade enorme que sintomas físicos que surgem “out of the blue”, como dizem os americanos. Isso vai provocar também uma dificuldade de aceitação da doença, uma vez que as pessoas associam, erroneamente,  “nada físico” com “doença nenhuma”. Isso leva a conflitos desnecessários e a uma série de abandonos de tratamento que poderiam ser evitados com um diálogo mais elaborado.

Gosto mais de uma explicação psicodinâmica do pânico. Freud dizia a respeito da neurose de angústia que era uma neurose atual. Com isso ele queria dizer que era uma doença causada por um distúrbio na vida sexual do paciente, atual, em oposição a outras doenças que teriam a ver com traumas do passado. Pessoalmente discordo dessa etiologia ser estritamente sexual, mas enxergo o pânico como resultado de uma série de possíveis conflitos na vida atual da pessoa.

Às vezes está na cara. Um casamento falido, contas para pagar, impagáveis, familiares doentes, metas impossíveis no trabalho. Ou ainda, porque não, uma vida sexual inteira que poderia ter sido e não foi. Em outros momentos o conflito não vem de bandeja; é necessária uma investigação mais cuidadosa dos possíveis motivos do surgimento dos sintomas.

Mas de uma forma geral considero a crise um grande alerta. Algo dentro de nós gritando: o que você está fazendo da sua vida? Temos uma tendência enorme a seguir em frente sem refletir sobre as nossas decisões e isso muitas vezes cobra um preço.

Por isso que mesmo tendo uma resposta tão boa aos antidepressivos, o transtorno do pânico insiste em voltar. É uma doença com uma recorrência muito grande, justamente porque muitas vezes as condições que levaram a ela não foram descobertas ou mesmo investigadas. Aí é como adiar o alarme para dormir mais alguns minutos. Não resolve e muitas vezes perdemos a hora.

Para acessar na íntegra: https://luizsperry.blogosfera.uol.com.br/2018/07/30/o-que-causa-o-transtorno-do-panico/

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça:

 

 

ANSIEDADE, FOBIAS, SÍNDROME DO PÂNICO
Esclarecendo suas dúvidas
Coleção Guias Ágora
Autora: Elaine Sheehan
EDITORA ÁGORA

Milhares de pessoas sofrem de síndrome do pânico ou de alguma das 270 formas de fobias conhecidas. O livro aborda os diferentes tipos de ansiedade, fobias, suas causas e sintomas. Ensina meios práticos para ajudar a controlar o nível de ansiedade e orienta quanto à ajuda profissional quando necessária.

‘DO BUMBUM À VAGINA: POR QUE AS BRASILEIRAS SÃO OBCECADAS POR PLÁSTICAS?’

Matéria da RFI, publicada no portal Universa , do UOL, em  25/07/2018.

O Brasil é o segundo país onde mais se realizam cirurgias plásticas, perdendo apenas para os Estados Unidos. Casos de brasileiras que morreram vítimas de cirurgias plásticas malsucedidas ocupam as páginas dos jornais todas as semanas. Na maioria desses tristes episódios, as histórias se repetem: as pacientes confiaram em procedimentos inadequados e médicos desqualificados e pagaram com suas vidas o sonho do corpo perfeito.

A ditadura da beleza no Brasil é um fenômeno que penaliza, mas que também banaliza, avalia o sociólogo especialista em Saúde Pública, Francisco Romão Ferreira, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). “Há uma preocupação excessiva com o corpo. Não só em termos de cirurgias plásticas, mas a quantidade de academias, salões de beleza e de farmácias no Brasil é algo gritante quando você compara com outros países. E essa preocupação estética está naturalizada no cotidiano e não para de crescer”, observa.

A necessidade de exibir um corpo perfeito e jovem acabou também por banalizar operações estéticas, como implantes de silicone, lipoaspirações, lifts faciais – frequentemente apresentados por clínicas como procedimentos simples, facilitados por pagamentos parcelados ou até consórcios por operadoras de crédito. “Essas operações são vendidas como descomplicadas e rápidas. Revistas sobre plásticas que podem ser compradas em bancas de jornais dão uma ideia irreal sobre esses procedimentos, como se você fosse fazer uma cirurgia no meio da semana pra ir na festa no sábado. Infelizmente tem público que acredita nessas promessas”, salienta o sociólogo.

Ferreira avalia que diversos fatores contribuem para este fenômeno no Brasil, um país com uma grande extensão litorânea, onde a maioria das capitais estão próximas da costa, onde faz calor em boa parte do ano e a cultura da praia é muito intensa. Além disso, o corpo, muitas vezes, é o principal bem dos brasileiros. “Em um país com uma desigualdade social muito grande, o físico é um capital para a ascensão social. Quando acesso ao ensino e à educação são bloqueados, o corpo vira uma possibilidade de evoluir socialmente”, diz.

Mas para o sociólogo não há dúvidas que a busca desenfreada da estética não é um fenômeno que diz respeito apenas a determinadas classes, mas é constatada entre pobres e ricos. Ele lembra, por exemplo, que nas favelas brasileiras, salões de beleza e academias têm forte presença.

As classes mais abastadas, por outro lado, se engajam em fenômenos da moda, como a recente febre do crossfit ou das corridas, que, por trás de atividades físicas, desenvolvem novos mercados, serviços e produtos imperativamente a serem adquiridos. “Em todas as camadas sociais, o sentido da existência se volta para o corpo”, afirma.

Vagina não escapa de padrão estético

Peitos, nádegas, rosto, barriga, coxas e até mesmo os lábios vaginais não escapam os ideais de beleza impostos pela sociedade. O Brasil é aliás, o país onde mais se realizam cirurgias estéticas  íntimas, seja para estreitar o canal vaginal, diminuir os grandes lábios ou retirar gordura do púbis.

“No Brasil, existe um padrão estético da vagina perfeita: simétrica, rosa ou branca, sem pelos, sem excesso de gordura”, diz Marcelle Jacinto da Silva, doutoranda em Sociologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), que trabalha sobre a questão em sua tese. Com outros dois pesquisadores, ela assina o artigo científico “A vagina pós-orgânica: intervenções e saberes sobre o corpo feminino acerca do embelezamento íntimo”, que trata das cirurgias íntimas realizadas por mulheres brasileiras.

No total, a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps) aponta que 13 mil labioplastias foram realizadas em 2016 no Brasil, com um aumento de 39% em relação ao ano anterior. Segundo especialistas, a maioria desses procedimentos não é realizada por uma questão funcional, mas puramente estética.

Para Marcelle Jacinto da Silva, esse ideal da vagina perfeita é primeiramente imposta pelas mídias, mas também pela indústria pornográfica, cujos conteúdos passaram a ser facilmente acessados na era da internet. Mas o que motiva essas mulheres a se submeterem à dolorida e, muitas vezes desnecessária cirurgia íntima, é o desejo de maridos, namorados e parceiros sexuais.

“Eu tenho encontrado muitos depoimentos de mulheres que falam que o pesou mais na escolha desta opção foi a visão do homem. Muitas delas alegam ter passado pelo procedimento por uma vontade própria, mas ao mesmo tempo alegam que o realizaram porque sentiam vergonha se mostrar sua genitália para o parceiro”, afirma a doutoranda.

A necessidade de agradar o parceiro alimenta fetiches masculinos, avalia Ferreira. “Há um tempo atrás, fiz uma série de entrevistas com mulheres que fizeram cirurgias plásticas, a maioria malsucedidas. Várias afirmaram que elas se submeteram a esses procedimentos por causa do parceiro. Para todas, essa era uma vontade única e exclusiva delas. Para todas, essa era uma vontade única e exclusiva delas. O que elas não se dão conta é que a motivação delas está pautado pelo olhar do outro.”

Segundo o sociólogo, mesmo que o padrão de beleza no Brasil tenha evoluído – passando das formas curvilíneas às mais fitness – no imaginário da sociedade, “o bumbum ainda é preferência nacional”. No entanto, ele lembra que as exigências do corpo perfeito mudam de acordo com as classes sociais. “Entre a classe média e classe média alta, o padrão valorizado é o da mulher com o corpo bem definido, mas magro. Mas entre as classes populares, a estética Mas entre as classes populares, a estética é outra: “o estereótipo da ‘gostosa’, com coxas, bumbum e peitos grandes, é mais valorizado”.

Esta é uma reprodução parcial. Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://universa.uol.com.br/noticias/rfi/2018/07/25/do-bumbum-a-vagina-por-que-as-brasileiras-sao-obcecadas-por-plasticas.htm

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Tem interesse no tema? Conheça:

A BELEZA IMPOSSÍVEL
Mulher, mídia e consumo
Autora: Rachel Moreno
EDITORA ÁGORA

A quem interessa vender uma beleza inalcançável? De que maneira a mídia manipula nossa consciência em nome dos interesses do mercado? Quais são as conseqüências para as adolescentes de hoje? Onde entram as “diferentes” – gordinhas, velhas, negras – nesse sistema? Rachel Moreno responde a estas e outras perguntas neste livro vigoroso e crítico, apontando caminhos para que possamos nos defender dessas armadilhas.

ROSA CUKIER LANÇA “VIDA E CLÍNICA DE UMA PSICOTERAPEUTA” NA LIVRARIA DA VILA, NA VILA MADALENA

A Editora Ágora e a Livraria da Vila (Vila Madalena – SP) promovem no dia 19 de junho, terça-feira, das 18h30 às 21h30, a noite de autógrafos do livro Vida e clínica de uma psicoterapeuta, da psicodramatista Rosa Cukier. A autora receberá amigos e convidados no piso superior da livraria, que fica na Rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena, São Paulo.

A obra reúne os frutos dos estudos da autora nos últimos dez anos. De forma clara e didática, ela aborda, entre outros temas, a importância do psicodrama e da dramatização como mecanismo de reparação, as adições, a codependência, a inveja e o estresse pós-traumático, tanto do paciente quanto do terapeuta. Para tanto, toma como base sua prática clínica e as ideias de grandes pensadores, como Jacob Levy Moreno, Joseph LeDoux, Peter Levine, Alice Miller e Melody Beattie.

Fundamental para psicodramatistas, assim como para estudantes que estão iniciando nesse caminho, o livro se baseia em grande parte na trajetória de Rosa, tanto no campo pessoal quanto no profissional. “Meu objetivo é que a obra os fertilize de ideias e, sobretudo, que os mobilize a levar em conta seu momento pessoal ao enveredar por alguma pesquisa científica. Para mim, essa é a chave que provoca minha curiosidade e me dá fôlego para ler tudo que leio e estudo”, afirma Rosa.

Dividida em oito capítulos, a obra é baseada em artigos escritos e publicados em revistas especializadas. “Sempre me senti mobilizada a estudar as questões ligadas à primeira infância, sobretudo o abuso infantil e as marcas indeléveis que este deixa no psiquismo. Violência doméstica, distúrbios narcísicos, borderlines, funcionamento cerebral – tenho a impressão de que sempre estudei a mesma coisa, de pontos de vistas diferentes, e sempre quis usar e ensinar a aplicar o psicodrama no tratamento dos quadros decorrentes”, diz Rosa.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1493/9788571832060

‘MULTIPLICAÇÃO DE FRAGMENTOS, UMA RODA DE CONVERSA’

“Cada vez mais os leitores aceitam identificar-se com a experiência do homem sem fama, do homem comum que por acaso capta e relata a própria historicidade (matéria que não se ensina na escola). De certa forma, muitos de nós voltamos ser contadores de histórias.” (Anna Veronica Mautner)

Daisy Perelmutter e Regina Favre desejam reunir pessoas para a experiência de ler e conversar sobre o livro Fragmentos de uma vida, de Anna Veronica Mautner. O fragmento alheio tem o poder de disparar nossa memória afetiva impulsionando o esforço oral e corporal de revelação de si por meio de detalhes sensíveis, em direção à construção narrativa de mais fragmentos que por sua vez, continuarão a se multiplicar, ecoando em outras narrativas, em outras redes. Não é imprescindível a leitura prévia. O livro se encontrará à venda no local do encontro.

Quem é Anna Veronica

Nasceu em Budapeste, imigrou aos 3 anos para o Brasil no limite do inicio da Segunda Guerra, criou-se em São Paulo, estudou Ciências Sociais na USP-Maria Antonia, conviveu com toda a geração dos sociólogos e filósofos que marcaram a esquerda paulista, foi jornalista no Última Hora e nos Diários Associados, foi professora da USP e da GV, conviveu com J.A.Gaiarsa, fundou o curso de psicoterapia reichiana no Instituto Sedes Sapientiæ, formou-se psicanalista na Sociedade Brasileira de Psicanálise, clinica há quase 50 anos.

Quem é Regina Favre

Filósofa (PUC/SP), psicoterapeuta em consultório há mais de 40 anos, professora e pesquisadora independente do corpo subjetivo. Vem desenvolvendo com grupos nos últimos 20 anos no Laboratório do Processo Formativo, estratégias de captação audiovisual, estudo e experiência desse corpo, sua anatomia, sua oralidade, sua performatividade, suas dramaturgias e narrativas, sua historicidade, suas políticas de corporificação e visualidade.

Quem é Daisy Perelmutter

Historiadora e socióloga com especialização em História Oral. Doutora em História Social e Mestre em Psicologia Clínica pela PUC/SP. Trabalha há mais de 30 anos na interface entre narrativas de histórias de vida, memória social e processos de produção de subjetividade. Engajada com vários projetos de história institucional, história de famílias, história de bairros, história de comunidades, pesquisa para instituições museológicas e documentárias.

Serviço:

Data: 30 de junho
Horário: das 10h às 14h
Local: Laboratório do Processo Formativo – Rua Apinajés, 1100, cj 507 – Perdizes –São Paulo – SP
Valor: R$ 50 (inscrição simbólica)
Inscrições: regina.favre@gmail.com
Vagas: 20
Mais informações: Blog da Anna Veronica – Fragmentos de Uma Vida

‘COMO IDENTIFICAR A DEPRESSÃO EM DIFERENTES FASES DA VIDA?’

Os dias estão tristes e sem graça já há algum tempo, fora que todos os problemas têm um peso muito grande, trazendo sofrimento em excesso. Melhor ligar o alerta: pode ser depressão. A doença, de acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, que é colaboradora do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do IPq (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo) possui dois componentes básicos: o psicológico/emocional e outro físico/orgânico, que podem mudar, dependendo da fase de vida.

Entre os comportamentos típicos, pessoas depressivas tendem a se desinteressar por coisas que gostavam de fazer, ficam com uma sensação de tristeza, têm insônia ou dormem demais, além de fadiga ou fome excessiva, cansaço excessivo, ganho ou perda de peso, apatia, sentimento de culpa, falta de concentração e, em casos mais graves, pensamentos suicidas, entre outros sintomas.

Com a ajuda da psicóloga, e da clínica médica Sadeb, separamos alguns sinais de depressão adaptados para as quatro fases principais da vida.

Na infância

  • Queda do rendimento escolar;
  • Se recusa a ir para a escola;
  • Esquece de fazer a lição de casa;
  • Não se relaciona com outros amiguinhos;
  • Chora por qualquer motivo.

Marina Vasconcelos explica que uma criança pode, sim, apresentar sintomas de depressão e que o quadro não precisa necessariamente estar associado a alguma situação em especial. “É o caso da depressão endógena, que é de origem biológica e/ou predisposição hereditária.”

Se você perceber sinais como esses, leve ao pediatra. O profissional está habilitado a indicar o melhor encaminhamento para o caso, pois é importante levar em conta que, mesmo sem causa emocional aparente, existem causas orgânicas para serem investigadas.

Algumas patologias, como o hipotireoidismo – condição na qual a glândula não produz a quantidade suficiente de hormônio da tireoide, também podem levar à depressão. Por isso, é importante essa investigação clínica para descobrir as causas, tanto orgânicas quanto psicológicas.

Na adolescência

  • Mudança no apetite;
  • Pensamentos suicidas;
  • Agressividade;
  • Postura antissocial;
  • Pouca energia.

Nesta fase cheia de mudanças físicas e hormonais, não é à toa que os nervos do adolescente ficam a flor da pele. Mas os pais e responsáveis precisam ficar atentos, pois o transtorno depressivo merece muita atenção, podendo até levar até ao suicídio.

“Procurar ajuda de um psicólogo e de um psiquiatra, se for o caso, não deve ser encarado como sinal de fraqueza ou preguiça, pois este trabalho em conjunto é o que ajudará o adolescente a sair do quadro depressivo”, diz.

Outra dica é tentar abordar naturalmente a doença, para que o adolescente se sinta acolhido e saiba que pode contar com outras pessoas, o que traz um grande alívio para quem está deprimido.

Na vida adulta

  • Insônia;
  • Perda de libido;
  • Alterações repentinas de humor;
  • Amargura;
  • Desânimo.

A pessoa ganha a pecha de preguiçosa, mal-humorada e até de chata, mas não reage porque realmente falta energia. “A vida de todos tem problemas e frustrações, mas o deprimido tem sérios problemas em lidar com isso. Tudo tem um peso muito grande, e ele acaba ficando sem reação”, ressalta.

Qualquer comportamento estranho deve ser relatado ao médico, que irá orientar qual é a melhor forma de tratar aquele indivíduo. Se você sentir que não tem abertura para falar do assunto com quem tem depressão, a dica é procurar um outro familiar, ou amigo, que tenha um canal de comunicação melhor com essa pessoa. Fazê-lo sentir-se acolhida é o primeiro passo para ajudar de forma efetiva.

Na terceira idade

  • Sensação de inutilidade;
  • Tristeza com a aproximação da morte;
  • Ansiedade sobre o futuro.

Amigos e familiares morrendo, saúde mais frágil e falta de um plano B para a vida após a aposentadoria, algo que deixa uma pessoa que era ativa, jogada no sofá por pura falta de atividades para ocupar o seu tempo. Todas essas situações vão deixando o idoso desanimado.

Para escapar da depressão nesta fase, Marina ressalta que é preciso encontrar atividade que preencham esse tempo livre – um curso, trabalho voluntário, focar na religiosidade, etc. “Também é importante procurar um terapeuta e, se for o caso, um psiquiatra, pois entrar com medicação pode ajudar bastante a melhorar aquele quadro”, diz a psicóloga.

“Tenho uma cliente que veio procurar terapia pela primeira vez aos 75 anos, e foi ótimo. Tudo depende da forma como encara a velhice. É necessário que a pessoa vá se adaptando as dificuldades da vida, e passe a ver as coisas pelo lado positivo”, ressalta.

Como ajudar uma pessoa com depressão?

Ao suspeitar que uma pessoa querida esteja com sinais de depressão, o primeiro passo é gerar um ambiente acolhedor. Faça com que ela perceba que você está ali para ouvi-la e compreendê-la. Mas não precisa ficar tentando “animar” ou dar bronca para “ver se ele acorda”. São atitudes que só irão aumentar a distância entre essa pessoa e você. É preciso ouvir, mas sem criticar.

Também desmistifique o medo de que os antidepressivos geram dependência. Esta é uma tarefa do médico em conjunto com a família. Só quando o deprimido aceita de fato o tratamento, sem preconceitos, é que haverá melhora do quadro. Ninguém fica ‘viciado’ nos remédios, mas a medicação restabelece um bom funcionamento do cérebro e isso, por si só, já é um grande passo.

Se você sentir que não tem abertura para falar do assunto com quem tem depressão, procure um outro familiar, ou amigo, que tenha um canal de comunicação melhor com essa pessoa. Fazê-la sentir-se acolhida é o primeiro passo para ajudar de forma efetiva. O deprimido precisa de atenção, mas não está fazendo isso ‘para chamar atenção’, como muitos acreditam.

 

Matéria de Vivian Ortiz, com participação da psicóloga Marina Vasconcellos, autora da Ágora, publicada no VivaBem em 14/04/2018. Para acessá-la na íntegra: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/04/14/depressao-nao-e-frescura-como-identifica-la-em-diferentes-fases-da-vida.htm

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Conheça os livros da Ágora com coautoria da psicóloga Marina Vasconcellos:

 

QUANDO A PSICOTERAPIA TRAVA
Como superar dificuldades
Organizadora: Marina Vasconcellos

Autores: Alexandre Saadeh, Christina A. FreireHeloisa Junqueira FleuryMarcia Almeida BatistaMaria Amalia Faller VitaleMarina VasconcellosMário Costa CarezzatoMilene De Stefano FéoMoysés AguiarRosa CukierSergio Perazzo, Wilson Castello de Almeida

Todo profissional que trabalha com terapia teme este momento e já passou por ele: alguns pacientes, ou algumas relações, travam. Aqui foram reunidos artigos de doze terapeutas contando sobre suas experiências e apontando saídas. Prefácio de Antonio Carlos Cesarino.
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PSICODRAMA COM CASAIS
Organizadora: Gisela M. Pires Castanho
Autor: Gisela M. Pires CastanhoJúlia MottaMaria Amalia Faller VitaleMaria Cecília Veluk Dias BaptistaMaria Cristina Romualdo GalatiMaria Rita SeixasMarina VasconcellosMarta EcheniqueMônica R. MauroDalmiro M. Bustos, Vivien Bonafer Ponzoni

Este livro foi escrito para todos aqueles que se interessam por terapia de casal e por psicodrama. São 11 capítulos escritos por psicodramatistas com experiências diversas, dotados de vários exemplos nos quais os profissionais mostram como exercem sua prática clínica.

‘GENTE QUE SE ACHA A ÚLTIMA BOLACHA DO PACOTE NEM SEMPRE É FELIZ’

Quando uma pessoa faz questão de dizer que se ama muito, que se sente à vontade na própria pele e que está pronta para encarar qualquer tipo de obstáculo na vida, desconfie.

Em muitos casos, o que parece fruto de uma autoestima elevada pode significar justamente o contrário, conforme mostram os indícios a seguir.

Excesso de autoconfiança pode mascarar inseguranças

Segundo a psicóloga e psicanalista Maria Eugênia Fernandes, diretora da APP (Associação de Psicoterapia Psicanalítica), algumas pessoas não conseguem aceitar as próprias fragilidades e se armam de artifícios para se mostrarem fortes.

“Elas fazem isso para se livrarem do sentimento de inferioridade e não se mostrarem de verdade. Porém, carregam dentro de si uma insatisfação enorme”, afirma.

“Além disso, tentar demonstrar autoconfiança em excesso pode servir como uma defesa ou proteção da pessoa contra possíveis decepções”, fala a psicóloga e coach Aline Saramago.

Buscar a perfeição é um erro

Há quem, na tentativa de mostrar ao mundo que tem uma boa autoestima, acabe mirando na perfeição, o que é um grande erro.

“Quem está atrás da perfeição pratica a autossabotagem, para dizer o mínimo. A busca constante deve ser pela melhoria contínua. Isso, sim, é possível e saudável”, conta Izabel Failde, psicóloga organizacional e consultora de desenvolvimento pessoal e autoliderança.

Autoestima muito alta soa como arrogância

Podemos dizer que alguém tem boa autoestima quando sente respeito, amor e orgulho por si mesmo.

“Já a pessoa arrogante transforma esse orgulho por si mesma em sentimento de superioridade e utiliza suas qualidades de maneira destrutiva nas relações, procurando inferiorizar ou humilhar os outros”, diz Maria Eugênia.

Provar a todo instante: para quê?

Quem tem, de fato, boa autoestima não precisa provar nada para ninguém, apenas ser verdadeiro com seus sentimentos e ações.

“Isso significa estar em paz com si próprio e com as pessoas ao redor”, diz Márcia Sando, psicóloga e coach de relacionamentos.

Ninguém é feliz o tempo todo

A “felicidade plena” se forma com a união de momentos, de acordo com Izabel Failde.

“Quem é feliz se sente feliz a maior parte do tempo, tem resiliência, sabe extrair aprendizados de qualquer situação. Uma boa autoestima ajuda a ‘voltar ao eixo’ mais rapidamente quando algo não está bem”, diz ela.

No entanto, quem faz questão de se mostrar 100% bem o tempo todo ou dizer que não tem medo de dificuldade alguma pode estar disfarçando emoções.

É preciso se aceitar como é

Para a psicóloga Maria Cristina Balieiro, coautora do livro “O Feminino e o Sagrado” (editora Ágora), mais importante do que investir no autoconhecimento para obter uma autoestima realista é aprender a gostar de si e a se aceitar como é.

“A autoaceitação é fundamental, mas sob um ponto de vista humano, não almejando a perfeição. É preciso aceitar as qualidades e os defeitos, a luz e a sombra”, diz.

Matéria de Heloísa Noronha, publicada originalmente no UOL, em 28/02/2018. Para lê-la na íntegra, acesse: https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2018/02/28/gente-que-se-acha-a-ultima-bolacha-do-pacote-nem-sempre-e-feliz.htm

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Conheça os livros de coautoria da psicóloga Cristina Balieiro publicados pela Ágora:

O FEMININO E O SAGRADO
Mulheres na jornada do herói
Autoras: Cristina BalieiroBeatriz Del Picchia

De que forma se entrelaçam o feminino, a mitologia, e as manifestações do sagrado na vida cotidiana? Partindo desse questionamento, as autoras entrevistaram 17 mulheres, cujas histórias compõem a obra. Tomando como base as etapas da jornada do herói, modelo mitológico descrito por Joseph Campbell, elas revelam histórias fortes de mulheres que tiveram a coragem de buscar o sagrado, pagando às vezes um alto preço por isso. As entrevistadas são: Ana Figueiredo, Andrée Samuel, Bettina Jespersen, Heloisa Paternostro, Jerusha Chang, Maria Aparecida Martins, Monica Jurado, Monika von Koss, Neiva Bohnenberger, Regina Figueiredo, Renata C. Lima Ramos, Rosane Almeida, Sandra Sofiati, Solange Buonocore e Soninha Francine.

 

 

MULHERES NA JORNADA DO HERÓI
Pequeno guia de viagem
Autoras: Cristina BalieiroBeatriz Del Picchia

Baseadas no grande sucesso da obra O feminino e o sagrado – Mulheres na jornada do herói, Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro produziram uma obra dinâmica e objetiva na qual resumem os passos da jornada descrita por Joseph Campbell e apresentam depoimentos de mulheres que superaram inúmeros desafios para atingir a plenitude no cotidiano.

 

‘NEM TODO ABUSADOR INFANTIL É PEDÓFILO, DIZ ESPECIALISTA EM VIOLÊNCIA SEXUAL’

Falar de abuso sexual infantil é complicado. Ao mesmo tempo que o tema emocionou os brasileiros na novela “O Outro Lado do Paraíso” (Globo), fora das telas, ele invade milhares de lares. Só em 2015 e 2016 foram 37 mil denúncias feitas ao número de proteção à criança e ao adolescente, o Disque 100, e no aplicativo Proteja Brasil. Mas para a psicóloga Rose Miyahara, essa é só a ponta de um iceberg, pois existe uma enorme subnotificação.

“Quando se fala em abuso sexual da criança e do adolescente, mexe-se em muitos tabus: da casa como local seguro, incesto, criança como agente de desejo sexual, homossexualidade”, diz ela, listando alguns porquês de se evitar encarar a questão.

Rose fala com conhecimento de causa: há mais de 30 anos trabalha no atendimento a crianças vítimas de violência e, mais recentemente, também com os adultos que cometeram o abuso, além de coordenar a formação do Centro de Referência a Vítimas de Violência Sexual do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo.

Rose recebeu a reportagem do UOL em seu consultório, na capital paulista, para abordar as questões que cercam seu tema de estudo.

UOL: Quais tabus surgem quando falamos de abuso sexual contra a criança e o adolescente?
Rosemary  Miyahara: Muitos. A família como lugar mais protegido para a criança, isso é um tabu. A violência sexual contra o menino, ela é menos denunciada pela própria família, porque tem a perspectiva de que o menino possa ser homossexual. Quantas vezes o constrangimento não era pelo abuso e, sim, porque o menino podia ser gay. O adolescente e a criança como sujeitos de desejo sexual é outro tabu, porque pega nessa questão do incesto.

UOL: O que você quer dizer com a criança ou adolescente como sujeito de desejo?
Rosemary: Tem aquilo que é próprio do nosso desenvolvimento. A criança, lá pelos três anos, vai buscar uma interação com o pai ou o menino com a mãe. É a fase do Édipo. Isso é parte da constituição do sujeito sexual, ter passado pelo triangulo edípico: eu desejo minha mamãe e o papai tem de dizer: “Não pode, essa daqui é sua mãe, minha mulher…” Isso é estruturante para uma sexualidade saudável.

UOL: E como isso está ligado com a questão do abuso?
Rosemary: Imagina quando isso não acontece? Quando essa menina vai procurar o pai dentro dessa perspectiva e não acontece a interdição? Ela querer o colo do papai, querer beijar na boca, querer manipular o pênis do pai e, muitas vezes, isso é entendido como um assédio. “A menina quis.” E daí? Ela quis dentro de uma perspectiva do que está vivendo como possibilidade. A responsabilidade de levar isso em uma cena de sexualidade adulta ou não é do adulto. Sempre.

UOL: A violência sexual muda a relação que a criança tem com sentimentos, como amor, atenção, carinho? Ficam distorcidos?
Rosemary: Com certeza. Dando supervisão nos abrigos, por exemplo, os educadores homens relatam que tudo o que as meninas vítimas de violência sexual querem buscam na base da sedução. Elas aprenderam que essa é a forma de serem notadas e amadas. É a confusão de línguas. A criança vai buscar o adulto na linguagem da ternura, recebe uma resposta na linguagem erótica e confunde ternura e erotismo. Percebe? São meninas que têm uma forma de buscar carinho e atenção de uma forma erotizada, e, muitas vezes, isso é interpretado como a menina que quer, levando a novos abusos.

UOL: Que consequências ficam para a vida adulta? É possível tratar?
Rosemary: Esse é o desafio que tomei para mim nesses quatro anos do doutorado: ajudar a pessoa a superar as sequelas psíquicas advindas de uma experiência como essa. Uma coisa que sempre me chamou atenção, na época em que estava na frente da recepção das crianças e famílias que buscavam atendimento, muito frequentemente, aparecia o relato emocionado de uma mãe que tinha vindo trazer a filha, que tinha sido abusada, e essa mãe relatava o abuso que ela própria tinha sofrido, pela primeira vez na vida.

UOL: Toda vítima de abuso fica traumatizada?
Rosemary: Não. A gente conta com a plasticidade do psiquismo infantil. Muitas vezes, se ela viveu em um clima amoroso, quando ela passa a saber que aquilo não podia ter acontecido e tem um apoio para que não se sinta culpada, ela não carrega isso.

UOL: Como os pais podem perceber os sinais e acabar com o abuso?
Rosemary: A primeira perspectiva é realmente apurar o olhar para isso. A grande maioria das vezes, a mãe estava ali na cena, fazendo comida no fogão e o padrasto mexendo com a criança atrás.

UOL: E em caso de dúvida?
Rosemary:  Nenhum pai, nenhuma mãe, nenhum professor tem a obrigação de ser um expert nessa área para dizer “isso é abuso ou não é abuso”. Qualificar como abuso é sempre uma coisa muito delicada. Então procure o serviço especializado. O Conselho Tutelar, para fazer  uma notificação. Isso não significa que é uma denúncia, que já vai prender a pessoa. É a notificação que vai disparar um processo de averiguação, de avaliação dessa situação.
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Texto parcial de matéria de Helena Bertho, publicada no UOL em  26/02/2018. Para ler na íntegra e assistir ao vídeo, acesse: https://estilo.uol.com.br/noticias/redacao/2018/02/26/nem-todo-abusador-infantil-e-pedofilo-diz-especialista-em-violencia-sexual.htm

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A psicóloga Rosemary Miyahara é coautora de dois livros sobre o assunto publicados pelo Grupo Summus. Conheça-os:

A VIOLAÇÃO DE DIREITOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Perspectivas de enfrentamento
Organizadoras: Rosemary Peres MiyaharaDalka Chaves de Almeida FerrariChristiane Sanches
SUMMUS EDITORIAL

Muitos são os dilemas e impasses dos profissionais que compõem a rede de proteção integral à criança e ao adolescente em situação de violência. Muitas também têm sido suas iniciativas e possibilidades no enfrentamento da questão. Trata-se, sem dúvida, de um campo em constante construção. Este livro comemora os 20 anos do Centro de Referência às Vítimas de Violência do Instituto Sedes Sapientiae, trazendo importantes contribuições ao debate nessa área. Escritos por profissionais da equipe e por parceiros de percurso de atuação, os textos retratam de forma vívida as conquistas e os desafios daqueles que lutam pelo direito que crianças e adolescentes têm de crescer e viver num ambiente seguro e acolhedor.
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O FIM DO SILÊNCIO NA VIOLÊNCIA FAMILIAR
Teoria e Prática
Autores: Tereza Cristina Cruz VecinaArlete Salgueiro ScodelarioBeatriz Dias Braga LorenciniCecília Noemi M. Ferreira de CamargoDalka Chaves de Almeida FerrariGisela Oliveira de MattosIrene Pires AntônioLígia FromerMaria Amélia de Sousa e SilvaMárcia Rosana Cavalheiro GarciaRonaldo Pereira de SantanaRosemary Peres MiyaharaAna Carolina Cais
EDITORA ÁGORA

Os artigos aqui reunidos foram escritos por profissionais de centro de referência às vítimas de violência – CNRVV. O livro aborda temas como a retrospectiva da questão da violência, o modo de funcionamento de uma sociedade e as intervenções possíveis.

É uma obra de grande importância para todos que lidam com esse tema devastador, mostrando que há, sim, saídas possíveis.

‘CRENÇAS POSITIVAS SOBRE A VELHICE REDUZEM RISCO DE DEMÊNCIA NA 3ª IDADE’

Idosos que adquiriram crenças positivas sobre a velhice ao longo da vida são menos propensos a desenvolver demência. Este efeito protetor foi encontrado em todos os participantes do estudo liderado pela Escola de Saúde Pública de Yale, nos Estados Unidos, inclusive naqueles que têm os genes que aumentam o risco de desenvolver a doença.

Publicado na revista PLOS ONE, o estudo relata que idosos com crenças positivas tinham 50% menos chance de ter a demência em comparação aos idosos que tinham crenças negativas. O estudo é o primeiro a examinar se as crenças de idade baseadas na cultura influenciam o risco de desenvolver demência entre pessoas mais velhas.

“Descobrimos que as crenças de idade positivas reduzem o risco da demência, mesmo com fatores genéticos envolvidos. O que seria caso de implementar uma campanha de saúde pública contra o ageísmo (discriminação etária), que é uma fonte de crenças negativas sobre a idade”, disse Becca Levy, principal autora do estudo.

Levy e sua equipe estudaram um grupo de 4.765 pessoas, com idade média de 72 anos, que estavam livres de demência no início do estudo. Cerca de 26% dos participantes tinham genes que aumentavam o risco da doença.

O estudo demonstrou que os portadores desses genes com crenças positivas sobre o envelhecimento tinham um risco de 2,7% de desenvolver demência, em comparação a um risco de 6,1% para aqueles com crenças negativas sobre envelhecer.

A demência aflige, principalmente, pessoas mais velhas e é marcada por perda de memória e incapacidade de realizar tarefas.

Matéria publicada originalmente no portal Viva Bem, do UOL, em 09/02/2018. Para ler na íntegra, acesse https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/02/09/crencas-positivas-sobre-o-envelhecimento-reduzem-risco-de-demencia.htm

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Se você tem interesse pelo assunto e deseja envelhecer com saúde, autoconfiança e alegria, conheça:

VELHICE
Uma nova paisagem
Autora: Maria Celia de Abreu
EDITORA ÁGORA

Estima-se que, em 2050, a população de pessoas com mais de 60 anos comporá 30% da população brasileira, ou seja, cerca de 66,5 milhões de pessoas. Ao lado do grande crescimento do número de idosos, há também o aumento da expectativa de vida: hoje, no Brasil, vive-se em média 75 anos. Assim, todos nós estamos ou muito em breve estaremos envolvidos com velhos: por sermos idosos, por termos alta probabilidade envelhecer ou porque nossos produtos tendem a ser consumidos por esse público. Por que, então, a velhice permanece um estigma em nossa sociedade?

A fim de mudar essa visão, a psicóloga Maria Celia de Abreu propõe neste livro transformar visões e ideias preconcebidas a respeito do velho. Partindo de estudos teóricos sobre a psicologia do envelhecimento e de vivências colhidas em grupos de estudos, ela propõe que a vida passe a ser encarada como uma estrada que percorre diversas paisagens diferentes – nem melhores nem piores que as outras.

Com exercícios de conscientização e exemplos práticos, a autora discorre sobre inúmeros assuntos pertinentes à velhice, como corpo, sexualidade, memória, perdas, luto e depressão. Fundamental para idosos, seus familiares, cuidadores, pesquisadores.

Prefácio de Mario Sergio Cortella.

 

‘7 PASSOS PARA DRIBLAR A ANSIEDADE TÍPICA DE INÍCIO DE RELACIONAMENTO’

Medo de gostar muito, de ser rejeitado, de não ter os sentimentos correspondidos ou de descobrir que o crush promissor não passa de uma roubada são comuns em todo começo de relação.

Na ânsia de fazer um relacionamento dar certo, no entanto, muita gente acaba metendo os pés pelas mãos. Resultado: etapas atropeladas e expectativas frustradas. Inspire-se nas sugestões abaixo para driblar a ansiedade típica do início.

1 – Cuidado com as idealizações

Segundo a psicóloga Mariana Uchôa, coautora do site “Coaching e Terapia”, não há mal algum em fazer planos e ter expectativas de construir um relacionamento feliz e saudável. “Há pessoas que mal começam a se relacionar e já se imaginam de mãos dadas com o par, aposentados, em uma casa de campo com filhos, netos e cachorros”, afirma. É um problema, ainda, se você projeta no outro aquilo que espera de um par ideal. “Isso só gera ansiedade. Em vez de olhar para quem é essa pessoa de verdade, você tenta encaixá-la em suas fantasias”, fala Adelsa Cunha, psicóloga e coautora do livro “Por Todas as Formas do Amor” (editora Ágora).

2 – Mantenha a espontaneidade

Por mais tentador que seja encarnar um personagem que você acredita ser sedutor e atrativo, não há nada mais interessante do que deixar a espontaneidade agir. “Manter a imagem ensaiada gera muita apreensão e não favorece em nada a construção de um vínculo real”, diz Marina Simas de Lima, consultora de relacionamento do Match Group LatAm, detentor de aplicativos e sites de relacionamento.

3 – Analise os pontos em comum e os divergentes

Dê tempo para ver a pessoa como ela realmente é. Converse bastante, troque ideias, repare como ela age e reage diante de circunstâncias negativas (um pedido que veio errado no restaurante ou um atraso seu em um compromisso, por exemplo). Analise quais características agradam e quais as chatices que você terá de relevar ou não. Mas lembre-se: dificilmente você mudará algo, a não ser que o outro queira.

4 – Não abra mão da individualidade

“É importante ter os próprios projetos, amigos e viagens. Não é saudável nem necessário parar toda a vida por causa da entrada dessa pessoa na sua vida. Fazer isso, além de aumentar a ansiedade, gera perda de identidade”, diz Marina.

5 – Não deposite sua felicidade nas mãos da pessoa

Evite olhar para ela como se fosse a tábua de salvação de uma vida amarga e solitária. Ela é só outro ser humano cheio de dúvidas e inseguranças como você. “Um amor serve para colorir mais a vida, e não para dar sentido a ela”, afirma Adelsa.

6 – Respeite seus limites desde o início

Por querer agradar e atender às expectativas alheias, muitas vezes, fazemos coisas que nem gostamos ou queremos fazer. “Deixar claro o que não agrada logo de cara é importante para que haja uma relação verdadeira. Se quem você é de verdade não agrada, é porque a relação não deve continuar. Não permita que a ansiedade te leve a fazer coisas contra sua vontade”, fala Mariana.

7 – Não se deixe levar pelos palpites

Tome cuidado para que a intromissão de amigos e parentes não aumente ainda mais o nível de ansiedade. Mesmo que ouça frases do tipo “essa pessoa não quer nada sério” ou “você vai acabar se machucando”, é você quem pode e deve definir os próximos passos. Claro que conselhos de pessoas queridas não devem ser desperdiçados. “Porém, segui-los o tempo todo à risca pode gerar muita tensão”, diz Mariana. Uma bela filtrada no que ouve e uma boa dose de cautela no que faz são passos seguros.

Matéria de Heloísa Noronha, publicada originalmente no UOL, em 31/01/2018. Para lê-la na íntegra, acesse: https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2018/01/31/7-passos-para-driblar-a-ansiedade-tipica-de-inicio-de-relacionamento.htm

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Saiba mais sobre o livro da psicóloga Adelsa Cunha:

POR TODAS AS FORMAS DE AMOR
O psicodramatista diante das relações amorosas
Organizadores: Adelsa Cunha e Carlos Roberto Silveira
Autores: Suzana Modesto DuclósCarlos CalventeCarlos Roberto SilveiraDalmiro M. BustosElisabeth Maria Sene- CostaEni FernandesIrany B. FerreiraMaria do Carmo Mendes RosaMaria Luiza Vieira SantosRosilda AntonioAdelsa Cunha
EDITORA ÁGORA

Esta obra amplia as reflexões sobre o amor, trazendo para o leigo informações sobre o tema e permitindo-lhe identificar-se com o conteúdo abordado. Além disso, sensibiliza o psicoterapeuta sobre a repercussão, em sua prática clínica, de conceitos e preconceitos relacionados às diferentes formas de amar. Entre os temas abordados estão homo e bissexualidade, amor na terceira idade, amores adolescentes e a dor do rompimento amoroso.