‘MARIA DA PENHA DE SP LUTOU DIA APÓS DIA CONTRA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA’

Matéria publicada no Catraca Livre, em 12/11/2019.

Vítima de violência doméstica, Maria da Penha Nascimento de Campos decidiu colocar seu então marido na cadeia quando descobriu que ele tentou abusar de uma das filhas do casal, que tinha apenas 4 anos de idade. Ao ver uma marca de sangue no lençol, a mulher, que era costureira na época, ficou desconfiada e decidiu investigar o que havia ocorrido.

Após o agressor ser preso, ela enfim se viu livre da violência que sofria diariamente e teve um novo propósito na vida: ajudar outras mulheres que passavam pelo mesmo. Em meio a seu envolvimento com projetos contra o racismo e a violência doméstica, Maria da Penha criou a Associação Fala Negão / Fala Mulher, em 1992, e se tornou referência como ativista na zona leste de São Paulo.

Assim como a Maria da Penha que dá nome à lei contra a violência doméstica (criada em 2006), a Maria da Penha da capital paulista também se destacou no enfrentamento deste problema. Ela faleceu em 2008, aos 58 anos, em decorrência de um câncer.

Em entrevista à Catraca Livre, sua filha, Ana Minuto, especialista em liderança feminina, conta que sua mãe se casou com seu pai sem o consentimento de ambas as famílias. “Eu era bem pequena e cheguei a ir ao casamento deles. Uma das minhas tias conta que meu pai era muito terrível e até meu avô falou que não era uma boa opção pra ela. Mas vivemos com ele até os meus 4 anos, quando ele tentou abusar de mim”, afirma ela, hoje aos 44 anos.

Segundo Ana, seu pai tinha um problema sério com bebida e, quando estava alcoolizado, ficava extremamente violento. “Não me lembro com clareza dessa questão da violência doméstica, mas recordo que minha mãe tinha muitas marcas pelo corpo, mesmo sem eu entender o que significava aquilo”, relata. Depois do abuso, Ana passou por exames e não sofreu nenhum impacto físico.

Contar com uma família estruturada como apoio foi essencial para que Maria da Penha e as três filhas tivessem estabilidade emocional para passar por esse doloroso processo. “Muitas mães vivem isso sem ter para onde ir. Minha mãe, graças a Deus, pôde voltar para a casa da minha avó que, junto com meu avô, tio e tia se organizaram para ajudá-la na nossa criação”, explica. “Então, minha infância foi muito positiva e muito feliz, apesar do ocorrido.”

A vida e o desenvolvimento de Ana Minuto e de suas irmãs foi atrelada ao mundo político. Desde crianças, ou melhor, desde quando estavam na barriga da mãe, elas participavam das atividades nas organizações. Na mesma época, Maria da Penha começou a frequentar escolas de samba, pois seu pai já era sambista, e virou rainha de bateria. Por causa da violência doméstica, ela começou a se envolver mais com a questão feminina e, a partir de então, ajudou a criar várias associações e projetos com foco no enfrentamento do machismo e do racismo, como a rede de combate à violência doméstica em Itaquera, na zona leste de São Paulo.

“Minha mãe desenvolveu esse trabalho para pensar em políticas públicas contra violência doméstica. Também foi uma das precursoras dessas casas que cuidam das vítimas de agressões. Fez, ainda, algumas viagens internacionais para debater essa questão, principalmente abordando a liberdade financeira. Mas ela só conseguiu sair dessa situação porque tinha alguém que a ajudaria. A maioria das mulheres se mantém no ciclo da violência, pois depende do marido e não tem uma família ou uma rede de apoio”, relata Ana.

Além do envolvimento com os projetos sociais, Maria da Penha teve um ativismo muito presente nos lugares onde o negro era (e ainda é) apagado, isso por meio da própria associação, do Carnaval e também em sua atuação política no núcleo das mulheres negras do PT (Partido dos Trabalhadores).

Associação Fala Negão / Fala Mulher

A ONG Fala Negão, Fala Mulher, localizada em Itaquera, zona leste da capital paulista, foi criada há 27 anos e, desde então, desenvolve projetos para promover a educação, a cidadania e o respeito à diversidade.

Entre as muitas iniciativas feitas pela instituição, é possível destacar os cursos de alfabetização, as oficinas de hip hop e balé, encontros para debater questões raciais, de gênero e de sexualidade, orientação jurídica a mulheres vítimas de violência doméstica e discriminação racial, passeios culturais, entre outras.

Ana Minuto chegou a ser diretora da associação quando a mãe faleceu, em 2008, cargo que ocupou por cerca de 6 anos. “Eu atuava na área de tecnologia, mas saí do meu trabalho para me dedicar ao projeto. Através dessa experiência eu resolvi, ainda, que não queria mais trabalhar registrada. Então, fiz um curso de coach, o qual me ajudou a entender como poderia mudar esse cenário.”

Hoje, a especialista não é mais responsável pela ONG, mas continua desenvolvendo trabalhos sociais e faz parte de projetos, inclusive como voluntária.

“Quando você está envolvida [na questão da violência] dificilmente consegue sair, e eu tentei, pois era muito doloroso, eram muitas histórias difíceis, mas estava no meu DNA. A nossa forma de fazer política hoje e a nossa forma de representatividade são diferentes. Eu sei que o conhecimento que adquiri com minha mãe e a partir dos meus trabalhos torna o mundo de algumas pessoas melhor, inclusive o meu”, relata.

Legado de Maria da Penha

Ao indagar sobre o legado deixado pela mãe, Maria da Penha, afirma que ele se deu em diferentes esferas. A primeira foi a de transmitir uma mensagem tão forte e verdadeira para as filhas, que até hoje atuam por um mundo melhor como ativista, cada uma da sua maneira.

Para além da influência sobre a família, ela deixou uma marca na sociedade, como referência de sua época. “Ela é um ícone na zona leste em relação a direitos humanos. Qualquer pessoa que já era adulta há 30 anos, principalmente se atuou nessa região, vai saber quem foi minha mãe e o legado que ela deixou.”

Violência doméstica

Para Ana Minuto, o maior desafio do combate à violência doméstica atualmente é o entendimento do que o problema significa, por causa da desinformação. “Eu fazia palestras em escolas e as professoras reclamavam muito que os meninos tinham uma tendência de ficar puxando o cabelo das meninas. Isso é violência. Então, quando eu ia falar no local que isso é uma violência, as meninas diziam: ‘Não, ele faz isso porque gosta de mim’”, explica.

É necessário desmistificar o que é violência doméstica, pois ela acontece de inúmeras formas, seja através de como o homem fala com a vítima, de como ele a trata na rua ou se não a deixa trabalhar, por exemplo. Até mesmo as mulheres, que vivem em uma sociedade machista, replicam esse tipo de pensamento, e, por isso, se acontecer algo do tipo em seus relacionamentos, elas acharão que é natural. “Tem meninas hoje de 20 e poucos anos que apanham todos os dias. As mães delas apanharam, as avós delas apanharam, então a violência é natural em suas vidas”, diz a especialista.

Segundo ela, a grande dificuldade é enxergar, dentro desta naturalização, o que é a violência, já ela não tem idade, etnia ou classe social. “A mulher mais pobre tem tendência maior a sofrer violência doméstica, mesmo porque existe uma questão dos corpos do nosso país, que vem de uma violência, a escravidão. A nossa baixa autoestima se deu a partir dessa questão de como nosso país foi colonizado. O maior desafio é eu, enquanto mulher preta, entender o que é a violência pra mim, uma vez que eu convivi com a violência a vida toda.”

Embora seja otimista ao refletir sobre o problema, a especialista em liderança afirma que há uma coisa específica sobre a qual as pessoas falam muito, porém, fica na falácia: o empoderamento feminino. “Não existe empoderamento feminino sem protagonismo. Empoderamento tem a ver com protagonismo, sobre o que eu tenho que fazer para sair de uma situação. Você se empoderar não é o suficiente para sair de uma situação de violência doméstica.”

Ana Minuto pontua que sua mãe foi protagonista, e, por isso, conseguiu colocar seu pai na cadeia, que era alguém que ela amava. “Ela sabia que se não fizesse nada as coisas não iam mudar. Esse é o desafio do nosso país: a gente sempre espera que alguém vai vir e salvar tudo. A violência doméstica tem que ser combatida todos os dias. Diversidade é o mesmo: não adianta fazer um encontro por mês, tem que viver a diversidade diariamente, senão nada muda.”

Tudo isso passa pela questão da emancipação financeira das mulheres, seja via empreendedorismo ou via emprego. “É preciso que as pessoas criem consciência e estabeleçam uma rede que fale sobre o assunto. Muita gente reclama que só se fala de diversidade e machismo agora. Só se fala porque é necessário. Se não precisasse, seria ótimo, pois não existiria”, finaliza.

Campanha #ElaNãoPediu

Nenhuma mulher “pede” para apanhar. A culpa nunca é da vítima. A campanha #ElaNãoPediu, da Catraca Livre, tem como objetivo fortalecer o enfrentamento da violência doméstica no Brasil, por meio de conteúdos e também ao facilitar o acesso à rede de apoio existente, potencializando iniciativas reconhecidas. Conheça a nossa plataforma exclusiva.

Para ler na íntegra, acesse: https://catracalivre.com.br/cidadania/maria-da-penha-de-sp-lutou-dia-apos-dia-contra-violencia-domestica/

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Tem interesse pelo assunto e quer se aprofundar? Conheça:

O FIM DO SILÊNCIO NA VIOLÊNCIA FAMILIAR
Teoria e Prática
Organizadoras: Tereza Cristina Cruz VecinaDalka Chaves de Almeida Ferrari
SUMMUS EDITORIAL

Os artigos aqui reunidos foram escritos por profissionais de centro de referência às vítimas de violência – CNRVV. O livro aborda temas como a retrospectiva da questão da violência, o modo de funcionamento de uma sociedade e as intervenções possíveis. É uma obra de grande importância para todos que lidam com esse tema devastador, mostrando que há, sim, saídas possíveis.


VEM AÍ O 22º CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICODRAMA

A Editora Ágora é mais uma vez a patrocinadora oficial do Congresso Brasileiro de Psicodrama. Maior editora de livros de psicodrama da América Latina, a Ágora comercializará os seus títulos e de outras editoras, com exclusividade, nesta que será a 22ª edição do evento. O Congresso acontece de 29 de abril a 2 de maio de 2020, em Gramado – RS.  Abaixo e no site www.cbpfebrap.com.br, você encontra todas as informações para inscrições. Participe!

SEU FILHO É O CENTRO DO SEU RELACIONAMENTO? ENTENDA POR QUE ISSO É TÃO RUIM



Matéria de Heloísa Noronha, publicada originalmente 
no Universa│UOL , em 27/08/2019.

Em seu livro “Mulheres Querem Sexo, Homens Sempre têm Dor de cabeça: Destruindo os Mitos Sobre Sexo e Relacionamentos Amorosos” (Ed. Cultrix), o terapeuta de casal alemão Christian Thiel afirma que as relações chamadas de child-centered (em tradução livre, centradas no filho) são um dos principais motivos para o afastamento de vários casais. De tão concentrados no filho, não só na fase de bebê, muitos se transformam em “sócios” na administração da casa e da vida em família e acabam se distanciando emocional e sexualmente. Nem sempre o desfecho é a separação: em alguns casos, a situação fica no piloto automático e as pessoas passam anos a fio convivendo nessas circunstâncias cômodas, mas infelizes. A boa notícia é que dá, sim, para reverter essa condição, mas primeiro é preciso compreender como os dois chegaram a esse ponto.

Ter um filho é, obviamente, uma experiência transformadora. E é lógico que nos primeiros meses pós-nascimento, por causa da nova rotina e dos cuidados essenciais, como a amamentação, a atenção dos pais fique 100% voltada ao bebê. Depois de um tempo é natural que o casal volte a se concentrar também na relação, mas isso depende de vários fatores que vão desde a possibilidade de contar com uma rede de apoio até o fato de o modelo familiar ser mais ou menos ansioso.

Na opinião da terapeuta de relacionamentos Rosangela Matos, que atua com atendimento online, após os primeiros seis meses de vida da criança os pais podem começar a dar pequenas “fugidinhas” para namorar. “Os familiares são importantes para dar um suporte. Aceitar ajuda é bom para todos: para o casal, que precisa fortalecer o vínculo homem-mulher; para a família, que se sente fazendo parte desse momento tão especial, e para o filho, que vai ter pais felizes ao seu lado”, comenta. “Porém, é importante que, antes disso, o casal separe alguns minutos para estar junto para falar do seu dia, trocar um abraço, um chamego e um sentir que o outro está ali”, completa Rosangela.

Já Triana Portal, psicóloga clínica e terapeuta de casal, de São Paulo (SP), observa que o casal consegue voltar ao “normal” por volta dos 3 anos de idade do filho, idade na qual já houve o desfralde, os pais não sofrem tanto com a privação de sono e a criança apresenta uma certa autonomia. “É uma fase em que o par realmente consegue ter mais intimidade e liberdade para passear e fazer pequenas viagens. Isso pode variar muito dependendo das características de cada família, mas os três primeiros anos costumam ser os mais desafiadores para qualquer casal. É, inclusive, uma fase em são registrados muitos divórcios”, fala.

Para Rosangela, um filho pode tanto unir quanto afastar um casal e um fator é determinante para isso: o alinhamento. “Muitos pais, especialmente os de primeira viagem, se preparam para a chegada do pequeno, assistem a filmes e documentários, fazem cursos, compram livros… Poucos, no entanto, procuram ajuda para se prepararem emocionalmente para a mudança na relação amorosa. O foco passa a ser o pequeno, os assuntos mudam. Dormir até tarde no fim de semana, passar uma tarde vendo filme agarradinho no sofá ou sair para se divertir nem sempre são possíveis. As mudanças são muitas e pegam o mais unido dos casais”, afirma.

Problema também para a criança

À medida que a criança cresce, o excesso de trabalho, o cansaço e a culpa por não dar tudo o que o filho precisa – principalmente tempo – acaba levando o casal a concentrar todas as suas energias na criança e a se descuidar dos papéis de homem e mulher. Com filhos, praticamente qualquer decisão deve levá-los em conta: do cardápio do jantar até a forma de gastar o dinheiro e o que a família vai fazer no fim de semana. No entanto, alguns pais e mães acabam superestimando essas resoluções, atribuindo poder à criança e desequilibrando a relação. “É o que chamo de ‘filiarcado’, ou seja, permitir que a criança decida tudo”, diz Elizabeth Monteiro, psicóloga e psicopedagoga, autora dos livros “Criando Filhos em Tempos Difíceis” e “Criando Adolescentes em Tempos Difíceis” (Summus Editorial).

Para Elizabeth, às vezes as pessoas simplesmente se entregam ao tipo de relação child-centered por puro desânimo. “Está todo mundo cansado demais. É mais fácil abrir mão de autoridade e, por comodismo, deixar a situação como está. Porém, essa não é a solução ideal para ninguém”, afirma. Um dos riscos é a criança se transformar num adulto mimado, já que sempre teve suas vontades atendidas. Vai comer o pão que o diabo amassou, claro, porque dificilmente alguém vai atender suas demandas como papai e mamãe faziam. Para o casal, uma das consequências é, quando o filho crescer e for embora de casa, enfrentar a chamada “síndrome do ninho vazio”. Como o filho possivelmente era o único elo forte que os unia, o que restará? Isso sem contar que, após tantos anos de afastamento, é possível que um sequer reconheça o outro como pessoa.

Segundo a psicóloga Renata de Azevedo, especialista em terapia de casal pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), alguns casais já estavam afastados antes mesmo de terem filhos. “Alguns, inclusive, acreditavam que o bebê salvaria a relação. Com o nascimento, os casais que estavam mal ficam pior ainda, pois o afastamento, o stress e alguns atritos são comuns nessa fase de adaptação. Outros casais colocam todo o seu afeto e a carência em cima do filho e não sobra tempo, espaço e energia para mais ninguém, inclusive o seu cônjuge. Dessa forma, a distância aumenta e passam a ser apenas pais”, observa. O filho passa a ser o centro e o único elo entre o casal durante anos.

Separar os papéis é fundamental

Um filho toma toma tempo, espaço, energia, pesa no orçamento, limita a intimidade. Resgatar ou manter a mesma relação de amor anterior à sua chegada é bem difícil. Com alguns ajustes no dia a dia e na forma de configurar as tarefas domésticas e as atividades em família, dá para o casal encontrar um equilíbrio saudável para lidar com tudo. “É possível reverter, mas a mudança precisa fazer sentido. Ambos devem estar cientes que a reversão de um padrão de comportamento ou rotina é um processo, leva tempo e exige paciência para adaptação do novo formato”, avisa Triana.

Uma conversa franca sobre o que mudou para cada um depois da chegada do filho, o que mais faz falta e o que pode ser feito diferente é o primeiro e mais importante passo, segundo Rosangela. Se o casal está vivendo essa situação é importante sentar e conversar sobre isso para que possam ir mudando seus comportamentos aos poucos.

Uma criança precisa que suas necessidades emocionais e físicas sejam supridas, mas também necessita que os pais estimulem sua segurança e autonomia. “Grande parte dos problemas da vida adulta são resultado da primeira infância, na melhor das intenções os pais vão se anulando e não percebem o quanto isso impacta nos filhos. Os pequenos devem ter limites e também aprender a conviver com a família e outras pessoas além dos pais. E precisam saber que os pais são um casal e que eles priorizam também essa relação”, diz a terapeuta.

Para Triana, os casais child-centered precisam se conscientizar de várias verdades. A primeira é que construir um “reinado” para o filho não é a melhor forma de educar. “E, em seguida, devem entender que se não estiverem inteiros nem felizes não conseguirão cuidar bem do filho. A relação conjugal precisa de constante manutenção, algo que dá trabalho e demanda atenção. Valorizar a intimidade, o sexo e os momentos de lazer sem os filhos, não os torna pais negligentes ou maus”, declara. Para isso, também é fundamental que cada um cuide bem de sua autoestima, assim ficam menos inseguros, têm mais clareza de pensamento e objetivos e levam a vida de forma mais assertiva.

“As pessoas também precisam compreender que têm o direito de ser homem e mulher, não precisam ser apenas pai e mãe pelo resto da vida. Dá para vivenciar todos os papéis sem negligenciar nenhum. Além disso, os filhos gostam de saber que os pais namoram, se curtem, saem, apreciam ficar juntos. Isso é benéfico para o desenvolvimento da criança, que cresce aprendendo um modelo saudável de relacionamento”, pontua a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Para ler na íntegra o texto publicado no UOL Universa, acesse: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2019/08/27/relacionamento-child-centered-voce-esta-vivendo-um.htm

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Conheça abaixo alguns livros das autoras Elizabeth Monteiro e Marina Vasconcellos. Outros podem ser encontrados no site do Grupo Editorial Summus.

CRIANDO FILHOS EM TEMPOS DIFÍCEIS
Atitudes e brincadeiras para uma infância feliz
Autora: Elizabeth Monteiro
SUMMUS EDITORIAL

Buscando aprimorar a interação entre pais e filhos, Betty Monteiro aborda neste livro os benefícios do brincar e explica as brincadeiras preferidas pelas crianças em cada fase do desenvolvimento. Fala ainda sobre a “criança difícil”– a que não come, a medrosa, a do contra etc. – e dá dicas para lidar com conflitos. Em linguagem simples e fluida, ela nos convida a voltar à infância e a aproveitar melhor o tempo com os pequenos.

 

CRIANDO ADOLESCENTES EM TEMPOS DIFÍCEIS
Autora: Elizabeth Monteiro
SUMMUS EDITORIAL

O amor parental não é estático: ele muda com o tempo e com os filhos. Por isso, os pais precisam atualizar seu modo de sentir e amar. Com uma linguagem direta e delicada, Elizabeth Monteiro fala sobre a necessidade de proteger os adolescentes de ameaças como as drogas e, ao mesmo tempo, de incentivar a autonomia deles. Sem fórmulas mágicas, a autora estabelece com pais e educadores um diálogo amplo e profícuo.

QUANDO A PSICOTERAPIA TRAVA
Como superar dificuldades
Organizadora: Marina da Costa Manso Vasconcellos
SUMMUS EDITORIAL

Buscando aprimorar a interação entre pais e filhos, Betty Monteiro aborda neste livro os benefícios do brincar e explica as brincadeiras preferidas pelas crianças em cada fase do desenvolvimento. Fala ainda sobre a “criança difícil”– a que não come, a medrosa, a do contra etc. – e dá dicas para lidar com conflitos. Em linguagem simples e fluida, ela nos convida a voltar à infância e a aproveitar melhor o tempo com os pequenos.



‘ELE MATOU A MULHER PORQUE QUERIA VER O CELULAR DELA. CIÚME É LEGAL?’

Texto de Nina Lemos, publicado em sua coluna no UOL Universa,
em 07/08/2019.

“O que você está escrevendo nesse celular?”, “Está falando com quem?”, “Me dá essa senha aí, libera, me deixa ver o que você está escrevendo.”

 Talvez você já tenha passado por isso. Quem sabe o seu namorado ou marido seja do tipo “controlador” e ciumento. Talvez você até ache que isso é “bonitinho”, uma fofura. Pois eu tenho uma história triste e apavorante para contar.

A dona de casa Sandra Nobre dos Santos foi assassinada no interior do Paraná na segunda-feira e o principal suspeito é seu marido (mais uma vez um marido que mata a mulher). Motivo: ele estava com “ciúmes” de uma conversa no celular. Ele chegou em casa e pegou o celular da esposa para ver com quem ela falava e pediu a senha.

Sandra, que carregava o filho mais novo do casal no colo (um bebê de um ano), errou o número. O marido empunhou uma arma. Atirou duas vezes e a matou. Quem contou a história foi uma irmã de Sandra, que ouviu o relato do filho de 11 anos do casal, que viu tudo e está em estado de choque.

Sandra tinha 35 anos e quatro filhos. O suspeito, até a tarde de terça-feira, ainda estava foragido. Ela é mais uma vítima de uma epidemia que cresce no Brasil, a do feminicídio (em alguns estados, como São Paulo, o crime cresceu 76% no primeiro trimestre do ano). Sandra se encaixa em algumas tristes estatísticas:

  • Os parceiros são suspeitos de 71% dos casos de feminicídio no Brasil.
  • O lugar onde uma mulher mais corre perigo é em casa.
  • 30% dos crimes são motivados, segundo pesquisadores, por “ciúme.” “Ciúme”.

Bem, que ciúme é esse, que faz com que alguém mate uma mulher friamente na frente dos filhos?

Não, eu não sou daquelas que acham que todo homem é um assassino ou estuprador em potencial. Agora, vamos encarar a realidade: um cara possessivo, que controla seus passos, que briga por ciúme, que tenta te controlar, saber com que você anda, que reclama das roupas que você veste pode, sim, ser perigoso. Se ele não te matar com um tiro, pode, no mínimo, te deixar infeliz por anos.

Então homens possessivos são, sim, uma ameaça à integridade física e mental das mulheres. Se seu namorado ou marido tiver reações exageradas de ciúme, ligue o alerta. Se ele ficar agressivo quando ciumento, pense que você provavelmente não está em uma relação boa e pode se machucar. Procure ajuda. Fale com uma amiga. Tente escapar. É sério. Nossas vidas estão em jogo. 

Ciúme é saudável?

Há muito tempo, desde que me lembro por gente, ouço as frases: “ah, mas um pouco de ciúme é saudável”; “ah, ciúme apimenta a relação”; “ah, quem ama tem ciúme.”

O que acho, depois de muita experiência na vida e de ler sobre casos como o da Sandra (prestem atenção, eles acontecem todos os dias!) é que ciúme não é bom, não é saudável e muito menos prova de amor. Esse sentimento, assim como controle e posse, são apenas provas de insegurança e babaquice mesmo.

Se um cara a trata como propriedade dele, desculpe: não faz isso porque te ama, mas porque acha que você é propriedade dele. Se alguém te controla, isso não é prova de amor, mas de necessidade de controle, de medir seus passos. Não é romântico. Em doses leves, ciúme é chato. Em doses violentas, é perigoso.

Se não dá a senha do celular

E não, ninguém tem obrigação de contar para quem telefonou, ou tem o direito de invadir o celular de outra pessoa. “Ah, mas quem não deve não teme”, dizem muitos. Discordo fortemente. Celulares e computadores são aparelhos pessoais. As suas conversas com amigas e amigos são só suas. Ninguém tem o direito de invadir a sua privacidade. E, claro, você também não pode invadir a privacidade de ninguém. Deixe o celular do seu namorado em paz!

Nem todos concordam. Em 2015, a dupla sertaneja Henrique e Diego lançou a música “Senha do Celular”, que faz sucesso até hoje. Eles cantam: “Se não deixa pegar o celular/É porque tá traindo/E tá mentindo/Alguma coisa tem/Se não deixa pegar o celular/É porque tá devendo/Me enganando de papo com outro alguém.”

Bem, que imagem é essa que esses homens têm das mulheres? Que estamos por aí, “aprontando”. Bem, mesmo se fosse o caso, não seria motivo para agressão, muito menos morte (é óbvio). Mas não, queridos, existe uma coisa simples chamada individualidade, independência, direito de falar com quem quiser. Acordem!

Ah, mas as mulheres também não são ciumentas? Claro que são. E também são chatas quando enciumadas e também precisam aprender a se controlar. Agora, os dados mostram, por “ciúmes”, alguns homens MATAM. E não, não é por amor.  

Como dizia um slogan antigo de quando eu era criança: “quem ama não mata”. Vou além. Quem ama até sente ciúme. Mas se controla. Por sinal, a capacidade de se controlar, de não sair fazendo tudo o que passa pela cabeça é o que nos difere de crianças e de assassinos. Por isso, se seu parceiro “ficar louco de ciúme”, se assuste. Como diria a dupla sertaneja, se um cara age assim, é porque “alguma coisa tem.”

Para ler na íntegra, cesse:
https://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/08/07/ele-matou-a-mulher-porque-queria-ver-o-celular-dela-ciume-e-legal/

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Tem interesse no assunto? Conheça o livro:

CIÚME
O lado amargo do amor
Autor: Eduardo Ferreira-Santos
EDITORA ÁGORA

O autor, psiquiatra, mergulha no tema do ciúme, mostrando as causas de seu surgimento e suas conseqüências para as relações afetivas – como dependência, perda de auto-estima e até distúrbios psicológicos graves. Ele também aponta saídas para situações neuróticas. Afinal, o ciúme acaba transformando o amor, sentimento altruísta por natureza, no mais exacerbado egoísmo.

‘DEPRESSÃO PÓS-PARTO: PORQUE MUITAS VEZES OS SINTOMAS SÃO MENOSPREZADOS’

Reproduzido do Blog do Luiz Sperry,
publicado em 15/07/2019.

Não tenho inveja da maternidade
Nem da lactação
Não tenho inveja da adiposidade
Nem da menstruação
Só tenho inveja da longevidade
E dos orgasmos múltiplos

Não foi à toa que Caetano cantou essa bola. A maternidade não é para qualquer um, muito menos para homens. Diversas mudanças que acontecem dia após dia, com um bebê dentro de você, te impondo de saída uma série de restrições antes mesmo de nascer. É sabido que gestantes são muito sensíveis. Mas eventualmente as coisas ficam piores.

Provavelmente por conta das gestantes serem consideradas sensíveis que os quadros de humor relacionados à gestação e ao pós-parto são complexos. Grande parte dos sintomas são menosprezados como se fosse esperado que a mulher sofresse em decorrência da gestação e, principalmente, das demandas do recém-nascido. Mas a depressão pós-parto, quando ocorre, pode ser devastadora.

Existe uma grande quantidade de fatores que estão relacionados com depressão pós-parto, como: baixo nível sócio-econômico, dificuldades durante a gestação e no parto, dificuldades de relação com familiares ou com o pai da criança, gravidez indesejada, antecedentes de depressão e outros. Somando-se a essas condições as demandas físicas do parto e pós-parto, as variações hormonais intensas causadas pela gestação e aleitamento, surgem os quadros de depressão.

Voltamos então para a velha questão de depressão não é tristeza, depressão não é cansaço. Existe um quadro, chamado de baby blues ou blues puerperal que ocorre em até 80% das mães. Existem alguns sintomas de depressão, como fadiga e/ou irritabilidade, mas não todos para se definir a depressão de fato. Esse quadros podem evoluir para a depressão, que é mais grave e pode impactar na relação mãe-bebê e levar a prejuízo no desenvolvimento da criança.

Por isso é importante estar atento e tratar. Os antidepressivos, apesar de passarem para o leite, são bastante seguros de uma maneira geral. Lembro uma vez, logo que saí da residência, fui trabalhar num posto. Assustado que era, tratei de proibir todas as mães que tomavam antidepressivo de amamentar. Não passou uma semana e as pediatras me esculacharam. Fui pego pelo braço e levado para uma sala onde elas falaram da dificuldade que era para elas conseguir convencer as mães a amamentarem seus rebentos. E eu estava botando tudo a perder. Botei o rabo entre as pernas e pedi desculpa. Ficou a lição de que antidepressivo não é motivo para, necessariamente, interromper a amamentação. E ficou um certo trauma também. Com pediatra não se brinca.

Bem recentemente foi lançado nos EUA a brexanolona, uma medição endovenosa específica para esses casos. Trata-se exatamente de um hormônio sintético, que viria e atenuar os efeitos da variação hormonal intensa após o parto; a ver.

Importante lembrar que talvez o melhor jeito de evitar a depressão na gravidez e pós-parto seja justamente cuidar da mãe e do bebê. Tem coisas que só a mãe pode fazer, mas tem coisas que não necessariamente. Estejamos atentos a isso.

Para ler na íntegra, acesse: https://luizsperry.blogosfera.uol.com.br/2019/07/15/depressao-pos-parto-porque-muitas-vezes-os-sintomas-sao-menosprezados/

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o volume da Coleção Guias Ágora que fala especificamente sobre o tema:

DEPRESSÃO PÓS-PARTO
Esclarecendo suas dúvidas
Autora: Erika Harvey
Coleção Guias Ágora
ÁGORA EDITORIAL

O livro mostra a diferença entre a depressão conhecida como “baby blues”, que afeta quase todas as mulheres após o parto, sem maiores conseqüências, e a depressão grave que requer intervenção de profissional capacitado. Saber identificar essa diferença, às vezes bastante sutil, cabe à própria mulher, aos familiares à sua volta e aos seus médicos, e esta leitura é de grande utilidade para todos.

‘NOVOS CAMINHOS PARA O VELHO’

Artigo de Maria Celia de Abreu*, publicado no jornal O globo, em 07/03/2019

Psicóloga e coordenadora de instituto para terceira idade diz que, à medida que sua população envelhece, país terá de rever seus valores sobre o tema

O aumento da longevidade e a diminuição de nascimentos trazem grandes modificações para a distribuição demográfica no Brasil do século XXI. Nos anos 1940, a expectativa média de vida de um brasileiro era em torno dos 40 e poucos anos; hoje, na primeira década do século XXI, vai além dos 70; viver 100 anos já não nos parece uma meta inatingível.

Entretanto, famílias com dez filhos, que eram comuns, tornaram-se uma raridade, ao mesmo tempo em que casais com um só filho, ou sem filhos, são encontrados com frequência. Somos uma sociedade que vem envelhecendo depressa, com tendência a acelerar ainda mais esse fenômeno.

Não é fácil se adaptar a situações novas, que geram uma verdadeira revolução, mas, neste caso, é imprescindível. Precisamos rever com urgência nossos valores em relação ao envelhecimento e ir em busca de bons caminhos para uma velhice com a melhor qualidade de vida possível.

As ciências, entre elas a psicologia, investiram em compreender a adolescência e a infância. Porém, não conhecemos a fundo características de pessoas com mais de 60 anos — que dirá com mais de 80 —,porque a existência delas como um grupo significativo para a população geral do país é recente. Estes estudos estão começando a florescer.

Uma reflexão sobre a qualidade de vida depois dos 80 anos precisa começar por distinguir entre o que é fato comprovado e o que é preconceito. Tal revisão de informações versus crenças deve ser feita pelos idosos e também pelos que com eles convivem, para que seu relacionamento não lhes seja nocivo ou restritivo e também para que os mais jovens se preparem para o seu futuro.

Qual é o valor que se atribui ao velho? Já é tempo de considerar que os seres humanos, qualquer que seja a sua idade cronológica, têm todos o mesmo valor.

Não é por não ser capaz de produzir bens como um jovem que seu papel na sociedade desaparece – crença que nos foi imposta pelo capitalismo e seu endeusamento da produção de bens de consumo. É preciso entender que a função do velho na sociedade só é diferente, mas não é inferior. Incorporar esse novo princípio é um desafio e tanto.

Suas consequências serão variadas: por exemplo, não será mais possível considerar o velho uma caricatura, um estereótipo do qual se debocha. Não vai dar mais para censurar e impedir o velho que se enamora ou que quer para si uma companhia; nem considerar alguém incapaz de trabalhar, de aprender ou de criar, só por sua idade.

Quem se livra do preconceito relativo ao desvalor do velho passa a respeitar sua capacidade de ser autônomo, de fazer escolhas sobre os rumos da própria vida, incluindo como quer usar o patrimônio e o dinheiro que lhe pertencem.

A não ser quando se instalou uma demência cognitiva, o fato de o velho precisar de alguma ajuda para atos cotidianos — como cuidar da casa, da roupa, da alimentação, da locomoção, da higiene — precisa ser discriminado do exercício de sua liberdade. Dependência é uma coisa, autonomia é outra.

Infantilizar o velho, muitas vezes superprotegendo-o, mesmo que seja carinhosamente, tolhe suas iniciativas, humilha, diminui, provoca a estagnação e o retrocesso.

À luz dessas reflexões, instituições tradicionais, tais como as propostas de moradia para quem tem mais de 80 anos, estão sendo radicalmente revistas. Não se aceita mais que a individualidade de cada morador seja ignorada, que suas funções cognitivas e de sociabilidade não sejam estimuladas, que seja tirado do morador asilado o exercício da liberdade.

O próprio interessado, desde que lúcido, deve fazer sua escolha de onde quer morar, e esta ser respeitada, sem mágoas e ressentimentos. Hoje, morar em uma instituição de longa permanência para idosos é uma opção tão válida quanto morar com um parente ou sozinho, com ou sem a presença de um cuidador.

É animador constatar que surgem caminhos novos para melhor atender a população crescente de quem tem mais de 80. O Sesc foi pioneiro em oferecer atividades e cursos para idosos. Faculdades da terceira idade são relativamente recentes, e se propagaram muito rapidamente, bem como cursos de iniciativa isolada específicos para idosos: informática, atualidades, dança e teatro e por aí afora, respondendo a demandas.

Há empresas de turismo atendendo a velhos. A indústria de calçados e de confecções começa a perceber que velhos precisam de mercadorias com características diferenciadas. As faculdades voltadas para a área da saúde começaram a incluir em sua grade curricular a disciplina da gerontologia. Nos hospitais, as maternidades estão diminuindo e as UTIs, crescendo, enquanto a medicina preventiva passa a ser valorizada.

Centro-dia

Surgida há poucos anos, a instituição conhecida como centro-dia vem se multiplicando rapidamente, provando sua utilidade e adequação. É um local onde a pessoa idosa passa algumas horas, embora continue morando em sua residência; ali lhe são oferecidas atividades que visam inclusão social, como a estimulação de habilidades cognitivas, a escuta de sua fala e o favorecimento da socialização.

Não é um local onde o velho é “depositado” enquanto os membros da família estão trabalhando e estudando e não podem supervisioná-lo, mas onde seu frequentador continua crescendo como ser humano, estimulado, desafiado, com acolhimento, respeito e alegria.

Infelizmente, nossa sociedade ainda não consegue dar as mesmas oportunidades aos velhos de todas as classes socioeconômicas. Os mais pobres, como sempre, saem penalizados. O fundamento desta realidade é o preconceito torto, pernicioso, falso, de que o rico vale mais que o pobre — um modo de pensar a ser destruído, tanto quanto seu paralelo, o de que o jovem vale mais que o velho.

São muitos os caminhos possíveis a serem descobertos que conduzem a uma vida de mais qualidade para quem já viveu pelo menos 80 anos. São muitos os tabus que dificultam essas descobertas e que necessitam ser desmascarados.

Nessa aventura pioneira, a mídia tem uma função fundamental, seja para estimular a reflexão, seja para apontar soluções e divulgar as que comprovam ser efetivas. Muita coisa há de mudar para melhor para os velhos que vivem no século XXI.

* Maria Celia de Abreu é psicóloga com doutorado pela PUC-SP e coordenadora do Ideac (Instituto para o  Desenvolvimento Educacional, Artístico e Científico)

Para acessar na íntegra: https://oglobo.globo.com/sociedade/artigo-novos-caminhos-para-velho-23503082

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Maria Celia de Abreu é autora do livro “Velhice – Uma nova paisagem”, da Ágora. Conheça-o:

VELHICE
Uma nova paisagem
EDITORA ÁGORA

Estima-se que, em 2050, a população de pessoas com mais de 60 anos comporá 30% da população brasileira, ou seja, cerca de 66,5 milhões de pessoas. Ao lado do grande crescimento do número de idosos, há também o aumento da expectativa de vida: hoje, no Brasil, vive-se em média 75 anos. Assim, todos nós estamos ou muito em breve estaremos envolvidos com velhos: por sermos idosos, por termos alta probabilidade envelhecer ou porque nossos produtos tendem a ser consumidos por esse público. Por que, então, a velhice permanece um estigma em nossa sociedade?

A fim de mudar essa visão, a psicóloga Maria Celia de Abreu propõe neste livro transformar visões e ideias preconcebidas a respeito do velho. Partindo de estudos teóricos sobre a psicologia do envelhecimento e de vivências colhidas em grupos de estudos, ela propõe que a vida passe a ser encarada como uma estrada que percorre diversas paisagens diferentes – nem melhores nem piores que as outras.

Com exercícios de conscientização e exemplos práticos, a autora discorre sobre inúmeros assuntos pertinentes à velhice, como corpo, sexualidade, memória, perdas, luto e depressão. Fundamental para idosos, seus familiares, cuidadores, pesquisadores e para todos os que desejam envelhecer com saúde, autoconfiança e alegria, a obra conta com depoimentos de importantes personalidades sobre emoções que sentem ao encarar a ideia da velhice.

‘ANSIEDADE CONTROLADA, SONO MELHOR E MAIS: 6 BENEFÍCIOS EM RESPIRAR DIREITO’

Matéria de Dimone Cunha, publicada originalmente
no UOL VivaBem, em 28/02/2019

 

A respiração é uma ação que acontece sem termos de pensar nela. Mesmo assim, ela pode sofrer influência das emoções. O ser humano nasce respirando de forma correta –inspirando pelas narinas, enchendo os pulmões e liberando oxigênio para nutrir as células do corpo — mas a exigência de uma vida mais agitada e estressada vai modificando esse padrão.

A ansiedade, por exemplo, provoca uma respiração superficial, com um padrão ruim, em que há aumento da frequência, mas não da profundidade. E isso pode se tornar algo automático e perene, modificando o tônus muscular da cadeia respiratória.

Por isso, os métodos de controle da respiração podem ajudar a monitorar e regular as inalações e exalações, contribuindo diretamente com a saúde. Veja as vantagens de respirar corretamente para todo seu corpo:

  1. Controle da ansiedade

Em um estado de ansiedade, a respiração fica mais acelerada ativando o sistema nervoso simpático, responsável por várias reações do corpo ao estresse. A ansiedade aumenta a frequência respiratória, eleva a frequência cardíaca e produz mais adrenalina.

O sistema nervoso autônomo é dividido em parassimpático e simpático, que atuam de forma antagônica: enquanto um é responsável pelo estado de alerta (simpático), o outro oferece uma sensação calma (parassimpático). A respiração profunda e lenta possibilita diminuir a frequência cardíaca e a liberação de adrenalina, acalmando o simpático e elevando o parassimpático, promovendo um estado de equilíbrio no organismo.

  1. Alívio do estresse

Um estudo realizado em 2016, na Universidade Técnica de Munique, conduzido por Anselm Doll mostrou que o foco atencional alivia o estresse e as emoções negativas, ativando o córtex pré-frontal. Essa ativação ocorre em áreas cerebrais relacionadas com a sensação de bem-estar, criando novas conexões e garantindo melhor controle, por isso concentrar a atenção na respiração pode favorecer o alívio de situações estressoras e emoções negativas.

  1. Melhora da insônia

A dificuldade em pegar no sono nada mais é que o reflexo de uma mente acelerada, em estado de estresse e ansiedade. Em 2015, Cheryl Yang e sua equipe da Universidade Nacional Yang-Ming, em Taiwan, confirmaram que 20 minutos de exercícios de respiração lenta (seis ciclos de respiração por minuto) antes de dormir melhora significativamente o sono.

  1. Redução da pressão arterial

Se o sistema nervoso simpático estiver ativado, ele eleva a produção de adrenalina que reduz o nível do calibre dos vasos arteriais, fazendo com que a pressão arterial aumente. Por isso, pessoas com hipertensão que meditam ou apostam em técnicas de relaxamento e respiração tendem a conseguir controlar melhor a pressão arterial.

  1. Diminuição de dores lombares

A respiração mais curta tensiona o diafragma, que tem inserções na coluna lombar. Aliviar essas tensões pode reduzir uma eventual dor lombar. Além disso, a própria tensão psicológica gera um tônus muscular geral no corpo muito maior do que o necessário, o que também pode gerar mais desconfortos lombares.

  1. Sensação de bem-estar

Uma respiração tranquila consegue elevar a atividade do nervo vago, que está relacionado ao sistema nervoso parassimpático. Ao estimular esse nervo o ritmo cardíaco e a pressão arterial diminuem, os músculos relaxam e este conjunto de ações promove uma sensação de tranquilidade. Estando mais calma, a pessoa pode tomar decisões mais assertivas e agir com mais atenção e precisão.

Treinando a respiração

Para reaprender a respirar de forma tranquila e correta, é válido apostar em práticas que acalmem e sirvam de válvulas de escape ao estresse. As atividades físicas são muito conhecidas por seus mecanismos ansiolíticos e antiestresse, além disso, praticar ioga e meditação podem ser relevantes para uma receita de saúde física e mental.

A respiração lenta e controlada é muito usada por praticantes de ioga e de meditação para promover estados mentais calmantes e contemplativos. São técnicas usadas clinicamente para suprimir o excesso de estresse, até para certos tipos de ataques de pânico. Assim, o treinamento respiratório deve ser restrito aos momentos da aula/terapia, que deve ser frequente até que o novo padrão seja incorporado e automatizado.

Para exercitar em casa

Confira três técnicas de respiração simples para fazer:

1) Deitado, coloque as mãos no abdômen, na altura do umbigo e respire um pouco mais profundamente, sentindo que o abdômen move as mãos, soltando o ar devagar. Repita cerca de dez vezes e volte a respirar livremente;

2) Sentado de forma confortável e com a coluna ereta, realize inspirações profundas seguidas de expirações profundas, totalizando 10 respirações seguidas de ritmo respiratório normal;

3) Sentado de forma confortável, respire pelas duas narinas, mantendo a palma da mão esquerda relaxada no colo, e deixando a mão direita para abrir e fechar as narinas. Coloque o indicador e dedo médio entre as sobrancelhas, quando for respirar, feche a narina direita e solte pela esquerda; depois puxe pela esquerda, e solta pela direita, intercalando sempre. Repita oito vezes.  Fontes: Paulo José Zimermann Teixeira, pneumologista da SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia) e professor da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre); Elisa Kozasa, pesquisadora do Instituto do Cérebro da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, de São Paulo; Danielle Bedin, pneumologista no Hospital Beneficência Portuguesa e doutora em pneumologia pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo); Danilo Santaella, educador físico, doutor em pneumologia e coordenador do setor de ensino e pesquisa do CEPEUSP (Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo).
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Para ler na íntegra, acesse: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2019/02/28/ansiedade-controlada-sono-melhor-e-mais-6-beneficios-em-respirar-direito.htm

 

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Tem interesse pelo tema? Conheça os livros do Grupo Summus:

RESPIR-AÇÕES
A respiração para uma vida saudável
Autor: Philippe Campignion
SUMMUS EDITORIAL

Partindo dos conceitos desenvolvidos por Godelieve Denys-Struyf em Cadeias musculares e articulares, o autor faz um estudo profundo e detalhado do processo respiratório. Analisa esse processo em conexão com a musculatura corporal como um todo, bem como a essência dos mecanismos envolvidos. Sugere ao leitor meios de tomar consciência do seu modo particular de respirar, e a partir daí trabalhar sua própria respiração, descobrindo formas de respirar melhor. Impresso a 4 cores, formato 21 X 28 cm, contém mais de 100 ilustrações.


RESPIRAÇÃO

Autor: Philippe Emmanuel Souchard
SUMMUS EDITORIAL

Este livro é um moderno instrumento de estudo de todos os órgãos envolvidos no ato de respirar. Da anatomia à neurofisiologia, passando pela fisiopatologia e estresse, o autor chega à reeducação do processo respiratório e à respiração total. Numerosas fotografias e ilustrações.

 

RESPIRAÇÃO, ANGÚSTIA E RENASCIMENTO
Autor:
José Ângelo Gaiarsa
EDITORA ÁGORA

Quantos de nossos problemas estão relacionados com a respiração, algo tão fundamental e, paradoxalmente, tão negligenciado? Ao tratar do significado desse fenômeno e de seu valor psicológico, este livro amplia a consciência corporal do leitor e traz exercícios respiratórios, casos clínicos e até mesmo análises etimológicas, por considerar a palavra um derivado da respiração. Com rica fundamentação teórica, a obra torna-se acessível graças ao modo peculiar de escrever de J. A. Gaiarsa.

MORRE, AOS 83 ANOS, A PSICANALISTA ANNA VERONICA MAUTNER

Faleceu na tarde desta quarta-feira, dia 30 de janeiro de 2019, a psicanalista Anna Veronica Mautner por falência múltipla dos órgãos. Ela foi internada há cerca de duas semanas com infecção pulmonar, após passar por uma infecção urinária.

Anna Veronica nasceu em Budapeste, na Hungria, em 1935. Imigrou para o Brasil aos 3 anos de idade, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial. Criou-se em São Paulo, no bairro da Lapa. Durante a juventude, militou no Movimento Juvenil Sionista-Socialista (Dror) e estudou Ciências Sociais na Universidade de São Paulo.

Conviveu com toda uma geração de sociólogos e filósofos que marcaram a esquerda paulista. Também viveu a época áurea do Rio de Janeiro, onde atuou como jornalista no Última Hora e nos Diários Associados. Foi professora da USP e da Fundação Getulio Vargas e trabalhou em Nova York, em Londres e no Canadá.

Sua vida profissional começou muito cedo no salão de beleza dos pais. Lá ela tinha permissão para ficar, desde que quieta. E, assim, aprendeu a ouvir aos 5 anos. Aos 12, dava aulas de português aos estrangeiros que chegavam refugiados da guerra e ouvia suas histórias. Na juventude, levada por amigos mais velhos, circulou pelo Rio de Janeiro e conheceu os trotskistas da época: Mário Pedrosa, Bruno Giorgi, Alfredo Volpi, ministro Ribeiro da Costa, o poeta Dante Milano, o jornalista Medeiros Lima e tantos outros.  Também ouvia histórias de Clarice Lispector e Ligia Clark, antes da fama, e dos irmãos Oswaldo e Assis Chateaubriand.

Amiga de J. A. Gaiarsa, Anna atravessou a contracultura e fundou o curso de Psicoterapia Reichiana no Instituto Sedes Sapientiae. Formou-se psicanalista na Sociedade Brasileira de Psicanálise e clinicou por quase 50 anos.

Foi colunista do caderno Equilíbrio, da Folha, de 2000 a 2013, e, nos últimos tempos, colaborava escrevendo textos para a página de opinião do jornal.

Sua rica existência influenciou centenas de pessoas e formou várias gerações de terapeutas, entre elas Regina Favre, que em 2018 aceitou o desafio de mergulhar em seus textos e extrair um compilado que pudesse captar sua essência. O resultado está no livro Fragmentos de uma vida, lançado pela Editora Ágora, o último de Anna Veronica. Ela também escreveu O cotidiano nas entrelinhas (2001), Educação ou o quê? (2011) e Ninguém nasce sabendo (2013). Conheça-os:
https://www.gruposummus.com.br/gruposummus/autor//Anna+Veronica+Mautner

Anna Veronica deixa três filhos e cinco netos.

‘EDUCAÇÃO SEXUAL NAS ESCOLAS É NECESSÁRIA PARA QUE O SEXO NÃO SEJA REPRIMIDO’

Artigo de Regina Navarro publicado originalmente em seu blog no UOL Universa,
em 09/01/2019.

Pesquisa Datafolha, feita com 2077 pessoas em 130 municípios, perguntou aos brasileiros sobre dois temas: educação sexual e discussão política em sala de aula. A conclusão foi de que 54% concordam com educação sexual nas escolas e 71% acreditam que assuntos políticos devem ser abordados.

Escolhi o primeiro tema para tratar aqui. A educação sexual nas escolas é fundamental, na medida em que contribui para evitar gravidez precoce, DSTs, homofobia e violência contra a mulher. O debate com os alunos pode contribuir, e muito, para a diminuição dos preconceitos e a maior aceitação da diversidade.

Desde cedo as crianças aprendem que todas as ofensas e xingamentos estão ligados ao sexo. A partir daí concluir que sexo é algo sujo e perigoso é o caminho mais comum. A consequência na vida adulta é a grande quantidade de pessoas que sofrem com seus medos, culpas, dúvidas, frustrações e disfunções sexuais.

O psicoterapeuta e escritor José Ângelo Gaiarsa dizia que sexo reprimido é liberdade reprimida e acrescentava: “O sexo é responsável pela maior perseguição na área dos costumes humanos e o maior mistério diante do óbvio. Todas as forças repressoras de todas as épocas se voltaram sistematicamente contra a sexualidade humana”.

Um bom exemplo é o que ocorreu, há pouco mais de um ano, quando 150 pais indignados fizeram um abaixo-assinado e o entregaram ao Ministério Público de Rondônia. Eles queriam a retirada de um livro escolar da 8ª série que tem ilustrações de um pênis, autoexame de mama e do órgão reprodutor feminino, na cidade de Ji-Paraná (RO).

Sem ser percebida como tal, a repressão sexual vai se instalando e condiciona o surgimento de valores e regras para controlar a sexualidade das pessoas. Tudo isso passa a ser visto como natural, fazendo parte da vida, o que causa grandes prejuízos.

Para ler na íntegra, acesse: https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/01/09/educacao-sexual-nas-escolas-e-necessaria-para-que-o-sexo-nao-seja-reprimido/

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Conheça alguns dos livros do já falecido psicoterapeuta José Ângelo Gaiarsa, mencionado no artigo:

 

AMORES PERFEITOS

Para J. A. Gaiarsa, um dos maiores críticos da família e da hipocrisia social que a cerca, o conjunto de regras que obedecemos desde que nascemos – regras essas que transmitimos a nossos filhos mesmo tendo sofrido com elas – só serve a um propósito: o da opressão. Neste livro, ele mostra que o amor não pode ficar restrito a determinadas amarras. Prepare-se para rever todos os seus (pre)conceitos sobre fidelidade, família, relacionamentos e felicidade.

 

SEXO: TUDO QUE NINGUÉM FALA SOBRE O TEMA

Como o próprio título indica, e sendo o autor quem é, este livro fala sobre intimidades, em linguagem permitida apenas com o espelho ou pessoas muito íntimas. A intenção era essa mesmo: ajudar o leitor a despir suas máscaras sociais e refletir com honestidade sobre sua própria sexualidade, que inclui o corpo a corpo e a afetividade.

 

EDUCAÇÃO FAMILIAR E ESCOLAR PARA O TERCEIRO MILÊNIO

Gaiarsa combate aqui a idéia de que o indivíduo nasce com aptidões mínimas de aprendizado. Ao contrário, a revolução pedagógica proposta pelo autor fundamenta-se em que toda criança, ao nascer, é um gênio potencial; aprender vai muito além de palavras; durante a infância são incutidas no indivíduo grande parte das perturbações mentais, psiconeuróticas e psicossomáticas que conhecemos. Obra indicada para psicólogos, educadores e leigos.

 

SOBRE UMA ESCOLA PARA O NOVO HOMEM

Aqui o autor ajuda a questionar (e demolir!) o sistema educacional brasileiro, que, segundo ele, é arcaico e reacionário. Educar significa conduzir, diz ele, e a escola não está cumprindo seu papel. Além de críticas, o livro traz idéias e propostas para humanizar o ensino e ajudar as crianças a se prepararem para um mundo diferente.

 

A FAMÍLIA DE QUE SE FALA E A FAMÍLIA DE QUE SE SOFRE
O livro negro da família, do amor e do sexo

Ardoroso defensor da criança em estado puro – ou seja, sem a intervenção maléfica dos adultos –, José Angelo Gaiarsa analisa nesta obra, em edição revista, como transformamos um ser pleno de possibilidades em um indivíduo mesquinho, preconceituoso e frustrado.

A fim de inspirar novas leis sobre a família e provocar no leitor reflexões sobre seu modo de agir diante dos filhos e da vida, o autor propõe o resgate do prazer, da amorosidade e da espontaneidade para aprimorar os relacionamentos. Afinal, diz ele, “a finalidade primeira de qualquer civilização amante da vida é empenhar-se por inteiro para que a geração seguinte seja definitivamente melhor, oferecendo a todo ser humano recém-nascido tudo de que ele precisa e todos de que precisa”.

 

‘ASTROLOGIA MÉDICA, VOCACIONAL… CONHEÇA OS DIVERSOS TIPOS E SAIBA USÁ-LOS’

Matéria de Claudia Dias, publicada no Universa, do UOL, em 29/09/2018

Astron: estrelas, logos: estudo. Astrologia significa, literalmente, o estudo das estrelas e difere da astronomia por focar nas correlações entre os movimentos no céu e os acontecimentos na vida humana.

A definição resume propósito, mas deixa escapar todos seus braços e ramificações. Isso porque estamos acostumados a acompanhar no dia a dia apenas uma parte desse meio, dentro da visão ocidental.

Na verdade, o estudo dos astros vai muito mais longe e revela diferentes tipos e ramos, desmembramentos de uma história que soma milhares e milhares de anos.

“A astrologia desenvolveu-se, a princípio, como uma forma de adivinhação – previsão de eventos coletivos, como fomes e pragas, por exemplo. Não existia o foco individual. Com o advento da civilização grega e, posteriormente, da romana, suas mitologias foram totalmente incorporadas pela astrologia, tal qual a conhecemos hoje”, pontua a astróloga Maura Lanari.

A bagagem é bem ampla. Por isso, conforme argumenta a especialista, pode-se dizer que sua origem coincide com “o momento em que o homem saiu da caverna, viu que os corpos celestes se movimentavam e que, paralelamente, à sua volta, eventos se sucediam”. “Criou-se então uma linguagem simbólica, analógica para descrever esses movimentos e suas relações”, esclarece.

Os registros sobre essa observação encontram-se por toda parte, inclusive no Brasil, de acordo com Maura. “Na Serra dos Caiapós, há uma gruta situada num sítio arqueológico, onde é possível reconhecer símbolos cosmológicos semelhantes aos da astrologia mesopotâmica, gravados há mais de 10.000 anos, segundo medições arqueológicas”, ilustra.

O nascimento da linguagem ocidental coincide com o surgimento da humanidade na antiga região da Mesopotâmia – não à toa chamada “berço da civilização”. Também foi ali e naquele momento que surgiu o sistema védico (ou hindu) para estudo dos astros. “O chinês é o único sistema astrológico que se desenvolveu independente da influência mesopotâmica”, acrescenta Maura.

A seguir, com ajuda da especialista, listamos os principais tipos de sistemas e abordagens astrológicos.

Astrologia védica (hindu) Também é chamada Joytisha, que significa luminoso, celeste, brilhante, pertencente ao mundo da luz. Desenvolveu-se na Índia a partir de 1.500 a.C., com objetivo de fazer brilhar a luz cósmica sobre o verdadeiro caminho de vida de um indivíduo. Neste sistema, o mapa astral é levantado a partir da data, hora exata e local de nascimento, considerando as posições planetárias do zodíaco sideral, que utiliza a posição fixa das estrelas. O mapa astral védico representa os padrões cármicos do passado da pessoa. Seus planetas e casas têm significados semelhantes aos da vertente ocidental.

Astrologia chinesa

Os chineses foram um dos poucos povos a desenvolverem um sistema complexo de astrologia inteiramente independente das influências mesopotâmicas. Do mesmo modo que a linguagem ocidental tem 12 signos solares, a versão chinesa inclui 12 signos anuais, representados por igual número de animais. E em vez de quatro elementos da natureza vistos na linha tradicional, na chinesa há cinco: Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água.

Astrologia asteca (maia)

Desenvolvida e praticada na América Central, sua proposta é guiar a religião, a guerra e a vida cotidiana. “Há evidências da prática astrológica em entalhes de pedra feitos por artesãos desde 600 a.C.”, comenta Maura.

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Outras vertentes são:

Astrologia esotérica: usa os conceitos da astrologia mais para especulações filosóficas do que para aplicação prática às preocupações da vida cotidiana.

Astrologia medieval: desenvolvida e praticada pela civilização árabe entre 750 d.C. até 1.500 d.C.

Astrologia cabalística: fusão de princípios astrológicos e da cabala judaica.
…………..

Mais derivações

Além dos sistemas astrológico, há diferentes ramos ou aplicações que foram desenvolvidas e são seguidas no mundo todo. De acordo com Maura Lanari, alguns dos desdobramentos são:

Astrologia médica
Traduz o simbolismo astrológico especificamente para questões de saúde. Ou seja, avalia Sol, Lua, ascendente e regente, casas VI (saúde, trabalho e cotidiano em geral) e XII (saúde mental e inconsciente coletivo), seus ocupantes e regente, bem como as relações (aspectos), como significadores de saúde.

Astrologia vocacional
Interpreta o mapa levando em conta todos os indicadores de talentos, vocação, predisposições, ritmos, potenciais e desafios, voltados para as escolhas profissionais, transições de carreira etc.

Astrologia empresarial
Aqui, as análises levam em conta fatores como: compatibilidade entre sócios, mudanças de objeto social, fusões, cisões e aquisições, entre outros. A intenção é chegar a um diagnóstico abrangente e preciso de todas as áreas que compõem a empresa, revelando aspectos geralmente não detectados por técnicas convencionais. Ao identificar ciclos de expansão e estruturação, desafios e potencialidades, serve de base para o planejamento de curto, médio e longo prazo.

Astrologia horária
Parte do princípio de que as condições de qualquer pergunta feita, bem como de sua resposta, encontram-se refletidas na configuração celeste do momento. “O maior atrativo é sua eficácia”, opina Maura. Pode ser usada para informações imediatas, sem a necessidade de análise prolongada de tendências ou do mapa individual de quem faz a pergunta.

Astrologia eletiva
Busca, dentre um período específico, o melhor momento para iniciar algo – um projeto, uma empresa, um casamento, uma cirurgia. Usa os mesmos conceitos da astrologia horária. Dependendo do contexto, conjuga os princípios horários com os do assunto em questão, tais como entrevista de emprego (vocacional) e agendamento de cirurgia (médica).

Astrologia mundial ou mundana
Era uma categoria abrangente, que incluía tudo que não se referisse às astrologias natal (análise do mapa astral) e horária. Ou seja, desde clima, terremotos, negócios, agricultura, entre outros, caíam no domínio da mundana. Na prática moderna, o termo se refere de maneira mais restrita à política e grandes movimentos coletivos. Os mapas são calculados para nações, eventos específicos (como assinatura de tratados e acordos internacionais), chefes de estado, eleições, partidos políticos etc.

Astrocartografia
Metodologia usada em astrologia de localização. O horóscopo é recalculado para um local diferente do de nascimento

Para lera matéria na íntegra, acesse:
https://altoastral.blogosfera.uol.com.br/2018/09/29/astrologia-medica-vocacional-conheca-os-diversos-tipos-e-saiba-usa-los/

 

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Ficou interessado no assunto? Conheça livros da Ágora sobre algumas das derivações mencionadas na matéria:

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O ESPELHO PARTIDO
Astrologia & Psicopatologia – A possibilidade de diagnóstico e prevenção
Autor: Rui Sá Silva Barros

O autor analisa a possibilidade de diagnóstico e prevenção de distúrbios psicológicos a partir do exame de mapas astrais. O texto se baseia em casos reais e no estudo da configuração astral de algumas personalidades, como Freud.

 

VOCAÇÃO, ASTROS E PROFISSÕES
Manual de astrologia vocacional (acompanha CD)
Autoras: Márcia MattosCiça Bueno

A astrologia, neste livro de duas das mais conceituadas profissionais da área, se mostra uma ferramenta poderosa para auxiliar na identificação da verdadeira vocação. Um CD para que cada um faça a própria análise astrológica, completa esta obra dirigida a jovens e adultos em busca do melhor caminho profissional.

 

O CAMINHO DA REALIZAÇÃO COM A AGRICULTURA CELESTE
Autor: Maurício Bernis

Exposta em linguagem prática e direta, a metodologia da agricultura celeste foi desenvolvida por Maurício Bernis para aqueles que buscam a autorrealização mas evitam clichês místicos e esotéricos. Ela soma conhecimentos de diversas vertentes filosóficas e de psicologia junguiana e se expressa por meio da astrologia. O símbolo do processo é a árvore, que espelha as energias da vida e da natureza – vem daí o nome da obra.