“NÓS, MULHERES NEGRAS, SOMOS TRIPLAMENTE DISCRIMINADAS”, DIZ PROFESSORA

Há 23 anos, em 25 de julho de 1992, acontecia pela primeira vez um encontro de mulheres negras latino-americanas e caribenhas nas terras de Santo Domingo, na República Dominicana. Foi quando instituiu-se um dia em memória a todas elas e suas lutas.

Para a professora mineira Luana Tolentino, 25 de julho é um dia para comemorar as conquistas das mulheres negras, assim como também é um momento de reflexão, de luta por mais direitos e de denunciar a situação de opressão e de desvantagem em que vivem as mulheres negras, não só no Brasil, mas em toda a América Latina e no Caribe.

Na última década, é perceptível o aumento significativo de políticas públicas em benefício de jovens, mulheres e homens negros, como a criação da Secretaria da Igualdade Racial e o sistema de cotas. “Ainda temos um caminho longo e tortuoso para percorrer, mas os avanços e as mudanças ocorridas nos últimos anos me deixam bastante esperançosa de que podemos, sim, construir um país melhor para todos nós”, aponta ela.

Mesmo com a humildade e o otimismo de quem aguarda dias mais justos, Luana pensa que a sociedade brasileira ainda precisa passar por um processo de reeducação: “Uma educação antirracista e antissexista, ou como nas palavras da médica e feminista Fátima Oliveira ‘o nosso país precisa passar por uma faxina moral’”.

É necessário assumir que o Brasil é um país extremamente racista, o que ocasiona a exclusão e a marginalização de mais da metade da população. É inaceitável que ainda hoje as negras tenham menor escolaridade, recebam menores salários e apresentem índices maiores de mortalidade materna, quando comparadas a mulheres brancas.

Luana conta que é por meio das ações que ela e outras ativistas buscam educar e denunciar a situação de desigualdade em que se encontram, não somente as mulheres, mas toda a população negra.

Sua história se assemelha a de muitas outras mulheres negras do Brasil. Entre os 13 e 18 anos, ela trabalhou como babá, faxineira e doméstica, quando experimentou diversas formas de humilhações. “Essas profissões continuam sendo ocupadas majoritariamente pelas afrodescendentes, mas fico extremamente feliz que esse quadro esteja mudando”, compara.

Há sete anos ela é professora de História do ensino fundamental e médio e, apesar de todas as dificuldades que envolvem a profissão, dar aula, ensinar e aprender são as atividades que ela mais gosta na vida. Luana também é historiadora, bolsista do CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) pela UFMG, pesquisa sobre a imprensa feminina e feminista, e também cronista.

“Nós, mulheres negras, somos triplamente discriminadas, em função do gênero, da raça e também de classe, já que a grande maioria das afro-brasileiras pertence às classes mais pobres. Mesmo que ascendamos socialmente, não ficamos imunes ao preconceito e às humilhações.”

Há cerca de dois anos, ao chegar numa escola particular para dar uma palestra, o porteiro perguntou se ela estava procurando vaga para o cargo de serviços gerais. A atitude reflete na concepção de boa parte da sociedade, que acredita que os negros devem estar sempre em ocupações de menor prestígio social e econômico. “Espera-se que não tenhamos voz, que estejamos prontas para servir os outros, numa eterna perpetuação do regime escravagista”, critica.

Matéria de Amanda Garcia , publicada originalmente no iG, em 25/07/2015. Para Lê-la na íntegra, acesse: http://delas.ig.com.br/comportamento/2015-07-25/nos-mulheres-negras-somos-triplamente-discriminadas-diz-professora.html

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Se você tem interesse pelo tema, conheça alguns livros da Selo Negro Edições:


40046RACISMO, SEXISMO E DESIGUALDADE NO BRASIL
Consciência em Debate
Autora: Sueli Carneiro

Entre 2001 e 2010, a ativista e feminista negra Sueli Carneiro produziu inúmeros artigos publicados na imprensa brasileira. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil reúne, pela primeira vez, os melhores textos desse período. Neles, a autora nos convida a refletir criticamente a sociedade brasileira, explicitando de forma contundente como o racismo e o sexismo têm estruturado as relações sociais, políticas e de gênero.

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40070MULHERES NEGRAS NO BRASIL ESCRAVISTA E DO PÓS-EMANCIPAÇÃO
Organizadores:
Juliana Barreto Farias, Giovana Xavier, Flávio Gomes

Como foi a participação das mulheres cativas na sociedade escravista e nas primeiras décadas da pós-emancipação? Como protestaram mirando a escravidão e contrariando a ideia de que aceitaram com passividade a opressão imposta? Os ensaios desta coletânea, que abrange os séculos 18 a 20, constituem um quadro amplo e fascinante das experiências das mulheres africanas, crioulas, cativas e forras.

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OUTROS TIPOS DE SONHOS

Organizações de mulheres negras e políticas de transformação
Autora: Julia Sudbury

Este livro busca repensar e transformar os conceitos do feminismo. Entrevistando uma série de ativistas, a autora traça um quadro histórico das organizações de mulheres negras. As entrevistadas descrevem e teorizam o próprio trabalho, recuperando a imagem da sua ação coletiva para o pensamento atual.

HÁ 135 ANOS, NASCIA “O MESTRE SALA DOS MARES”

A Censura no governo militar

A abolição da escravatura, em 13 de maio de 1888, ocorreu sem inclusão social, restando aos libertos a pobreza, o subemprego e o estigma de séculos de escravidão. Este quadro excludente, o historiador e jornalista gaúcho, Décio Freitas (1922-2004), que foi dirigente do Partido Comunista Brasileiro, conceituou de “Brasil inconcluso”, título de um de seus livros.

No mês de junho de 1880, há 135 anos, nasceu João Cândido e nada mais justo que nos lembremos do samba que evoca a sua figura e o exemplo de resistência contra a opressão. Essa composição, imortalizada na voz de Elis Regina (1945-1982), poderia, também, ser batizada com o título de “Mestre-Sala da Liberdade”, devido à sua luta contra a injustiça e o desrespeito à dignidade humana. Na escola de samba, o mestre-sala corteja e protege a porta-bandeira. No caso do Almirante Negro, ele defendeu a porta-bandeira da liberdade no bailar das águas.

“O Mestre-Sala dos Mares” nasceu em Encruzilhada, no Rio Grande do Sul, em 24/6/1880. Filho dos ex-escravos João Felisberto e Inácia Cândido Felisberto. João Cândido, com apenas 13 anos, lutou a serviço do governo na Revolução Federalista do Rio Grande do Sul (1893-1895). Aos 14 anos se alistou no Arsenal de Guerra do Exército e com 15 anos ingressou na Escola de Aprendizes Marinheiros de Porto Alegre. Passados cinco anos foi promovido a marinheiro de primeira classe. Ao completar 21 anos, em 1903, foi promovido a cabo-de-esquadra, embora tenha sido rebaixado a marinheiro de primeira classe, por introduzir no navio um baralho para jogar. Serviu na Marinha do Brasil por 15 anos, tempo em que viajou pelo Brasil e outros países.

A Revolta da Chibata /1910

À noite, em 22 de novembro de 1910, eclodiu, no Rio de Janeiro, a “Revolta da Chibata”, devido aos castigos corporais sofridos pelos marujos, que eram punidos com chibatadas como à época da escravidão. Após Marcelino Menezes ter recebido, como castigo, 250 chibatadas, no encouraçado Minas Gerais, a marujada, composta por 90% de negros pobres, rebelou-se. O movimento tramado por marinheiros, como Francisco Dias Martins, o “Mão Negra” e os cabos Gregório e Avelino, teve como porta-voz o timoneiro João Cândido.

O “Mestre Sala dos Mares” era prestigiado pelos colegas, sendo com frequên-

cia designado para exercer liderança a bordo, inclusive, em suas viagens por outros países da Europa. Na Marinha, João Cândido devido a seu bom comportamento nunca sofrera castigos físicos. Em 1910, foi enviado à Inglaterra, para conduzir o encouraçado Minas Gerais ao Brasil.

Durante a viagem inaugural do Minas Gerais, João Cândido e companheiros ficam sabendo do movimento em prol da melhoria das condições de trabalho que exerciam os marinheiros britânicos entre 1903 e 1906. Tomaram conhecimento, também, da insurreição dos russos embarcados no encouraçado Potemkin, em 1905, que se tornaria tema de filme em 1925.

No calor da luta, quando eclodiu a revolta, três oficiais e o comandante do encouraçado Minas Gerais, João Batista das Neves, foram mortos, o que trouxe consequências trágicas para os envolvidos. O motim se estendeu a outros navios, sendo seus comandantes destituídos. Além do Minas Gerais, os marujos tomaram os navios Bahia, São Paulo, Deodoro, Timbira e Tamoio, hasteando bandeiras vermelhas e um pavilhão: “Ordem e Liberdade”.

Cerca de 2.300 homens comandaram os navios de guerra, direcionando mais de 80 canhões para o Palácio do Catete (RJ). Além da anistia, os marujos exigiam o fim dos castigos, aumento do soldo e redução da carga horária. Em 25/11/1910, o presidente Hermes da Fonseca (1855-1923) lhes deu anistia, porém, três dias depois, decretou as expulsões da Marinha e prisões. Os marujos, após devolverem os navios aos oficiais, foram surpreendidos: haviam sido traídos. Na imprensa, neste ínterim, alguns periódicos começaram a criticar a fragilidade do Governo e da Marinha ao concederem a Anistia aos revoltosos. Alguns membros da Marinha, inclusive, de alta patente faziam declarações públicas no mesmo sentido. Os jornais da época registram que a população local teve o reflexo de buscar abrigo fora do centro da cidade e das regiões litorâneas, temendo os canhões dos poderosos navios que estavam apontados para o Palácio do Catete. Embora o receio, uma parte da imprensa manifestou simpatia pelas reivindicações dos marujos.

Texto de Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite via Guest Post, publicado originalmente no Portal Geledés. Para ler a matéria completa, acesse: http://www.geledes.org.br/ha-135-anos-nascia-o-mestre-sala-dos-mares/#ixzz3e0FJdxH1

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Para saber mais sobre o Almirante Negro, conheça o livro:

40045JOÃO CÂNDIDO
Autor: Fernando Granato
SELO NEGRO EDIÇÕES

Conhecido como “Almirante negro”, João Cândido Felisberto foi o líder da Revolta da Chibata, ocorrida no Rio de Janeiro em 1910. Figura importante na luta por melhores condições na Marinha, esse herói brasileiro só teve sua anistia concedida em 2008, 39 anos após sua morte. Fruto de ampla pesquisa, esta biografia mostra o lado humano de João Cândido, cuja vida foi marcada por tragédias, perseguições e miséria.
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Esta obra faz parte da coleção Retratos do Brasil Negro, coordenada por Vera Lúcia Benedito, mestre e doutora em Sociologia/Estudos Urbanos pela Michigan State University (EUA) e pesquisadora e consultora da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. O objetivo da Coleção é abordar a vida e a obra de figuras fundamentais da cultura, da política e da militância negra. Para conhecer a coleção completa, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/colecao/Retratos%20do%20Brasil%20Negro

SELO NEGRO COMEMORA 15 ANOS

logo_selo_negroA coluna Babel, publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo no sábado, 29 de novembro, deu destaque para a Selo Negro Edições. A coluna informa que o selo do Grupo Editorial Summus, que está fazendo 15 anos, programa para 2015 o lançamento da edição revista e ampliada do livro Dicionário escolar afro-brasileiro, de Nei Lopes. Acesse o link para ver a nota: http://goo.gl/mMMim7

Partindo do pressuposto de que a igualdade social pode ser alcançada especialmente pela educação, Nei apresenta aos jovens o Dicionário escolar afro-brasileiro. 40029Em linguagem clara e acessível, na forma de verbetes, ele apresenta ao estudante brasileiro informações e dados sobre o universo dos afrodescendentes.

Militante de longa data e profundo conhecedor da cultura afro-brasileira, Nei conseguiu a proeza de unir sua erudição ao didatismo. “É um trabalho diferente em forma e conteúdo, pois traz informações mais pertinentes ao universo e à área de interesse do estudante, dando ênfase à luta contra o racismo no Brasil”, diz.

O maior objetivo da obra, segundo Nei, é elevar a autoestima do jovem afrodescendente, dando visibilidade às personalidades negras que tanto fizeram pelo país mas que foram esquecidas no conteúdo escolar. “Na minha infância, não havia referência ao negro brasileiro, não havia exemplos positivos. Eles existem e o repertório é grande. O jovem precisa saber disso”, afirma, lembrando que o momento atual, de reforma de currículos escolares, é propício para oferecer opções de literatura.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/9788587478290

Para conhecer todos os livros publicados pela Selo Negro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/selonegro/?editora=selonegro

CAPOEIRA É RECONHECIDA COMO PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE

A Roda de Capoeira ganhou o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) nesta quarta-feira (26/11). O reconhecimento é dado a expressões e tradições culturais que são passadas de geração pelo mundo e foi concedido depois de uma votação na sede da Unesco, em Paris.

Em 2013, as pesquisadoras Elisabeth Vidor e Letícia Vidor de Sousa Reis lançaram o livro Capoeira – Uma herança cultural afro-brasileira, pela Selo Negro Edições40093 Com ilustrações e fotografias, a obra revela como o movimento corporal contribuiu para ampliar o espaço político e social do negro.

Reconhecida hoje como um dos símbolos da cultura brasileira, a capoeira nem sempre teve esse status. Os adeptos foram perseguidos durante muitos anos, especialmente na passagem do Império para a República. Associada à vadiagem e à violência, a capoeira só deixou de ser considerada crime há pouco mais de 80 anos.

No livro, as autoras retratam as origens sociais e culturais do movimento e mostram como a capoeira contribuiu para que os negros conquistassem e ampliassem seu espaço político e social no Brasil.

“A capoeira é ambígua, ao mesmo tempo jogo, dança e luta. Seus movimentos corporais privilegiam os pés e os quadris e, ao inverterem a hierarquia corporal dominante, colocam o mundo literal e metaforicamente de pernas para o ar”, explicam as autoras. Segundo elas, para entender o significado social e simbólico dessa inversão utiliza-se a linguagem do corpo como fonte principal de informação para enunciar as regras da gramática gestual da capoeira.

A partir de uma abordagem inovadora, é possível entender a capoeira também como uma forma de resistência do negro, desde o tempo da escravidão até os dias atuais. Entre as várias culturas de resistência negra desenvolvidas no país, a capoeira é uma das mais significativas, constituída com base em culturas provenientes da África. Dividido em três capítulos, o livro traz, com detalhes, a história da capoeira carioca no século 19. As autoras fazem uma interpretação antropológica dos movimentos corporais da capoeira para a compreensão da especificidade da relação entre negros e brancos no Brasil.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1355/Capoeira

RÁDIO NACIONAL DE BRASÍLIA ENTREVISTA FLÁVIO GOMES, UM DOS AUTORES DE “POLÍTICAS DA RAÇA”

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Confira abaixo a entrevista de Flávio Gomes, um dos organizadores de Políticas da raça – Experiências e legados da abolição e da pós-emancipação no Brasil, lançamento da Selo Negro, à Rádio Nacional de Brasília.

 

 

Esta coletânea, escrita por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, aborda um longo período da história do nosso país: dos anos 1870, com o início do movimento abolicionista, a 2010, quando o STF julgou constitucionais as cotas raciais na Universidade de Brasília. Entre outros assuntos abordados estão: a formação dos quilombos; a migração de libertos por São Paulo e Rio de Janeiro; os negros no movimento republicano brasileiro; as representações culturais dos negros na música, na cultura, nas artes e na religião; linchamentos raciais no Oeste paulista; a luta entre imigrantes e ex-escravizados pela posse de terra e por moradia; a atuação dos negros na luta contra a monarquia; as relações entre o movimento operário e os trabalhadores negros; comunismo, integralismo e a Frente Negra Brasileira. Trata-se de uma obra completa, lastreada tanto pelo uso de fontes e abordagens diversas quanto pela pluralidade de ideias e pela multiplicidade de interpretações.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/selonegro/livro/1392/POL%C3%8DTICAS+DA+RA%C3%87A

 

 

SELO NEGRO LANÇA “POLÍTICAS DA RAÇA”

Organizado pelos professores Flávio Gomes e Petrônio Domingues, o livro reúne vários historiadores, nacionais e estrangeiros, que aceitaram o desafio de apresentar textos originais sobre a experiência histórica dos negros no período da escravidão e pós-escravidão.

Dos anos 1870, com o início do movimento abolicionista no Brasil, a 2012, quando o Superior Tribunal Federal (STF) julgou constitucionais as cotas raciais na Universidade de Brasília, inúmeros e decisivos foram os processos de abolição e emancipação no país. Apesar disso, pouco se sabe das dezenas de milhares de homens e mulheres escravos que, com seus filhos, conheceram a liberdade no século XIX, ainda numa sociedade escravista. Será que a liberdade significava o simples fim da escravidão? O livro Políticas da raça – Experiências e legados da abolição e da pós-emancipação no Brasil, lançamento da Selo Negro Edições, 40098reúne uma coletânea de artigos de grandes pesquisadores brasileiros e estrangeiros que buscaram essa resposta, enfrentando o desafio de pensar a abolição e o pós-emancipação no Brasil.

Trata-se de uma obra completa, que aborda assuntos como: a formação dos quilombos entre 1880 e 1881; a migração de libertos por São Paulo e pelo Rio de Janeiro; os negros no movimento republicano brasileiro; os ex-escravizados em Salvador; um novo enfoque sobre o quadro A redenção de Cã, de Modesto Brocos; os linchamentos raciais no Oeste paulista; a luta entre imigrantes e ex-escravos pela posse da terra e de moradia; os negros que ajudaram a lutar contra a monarquia; o fortalecimento do maracatu, da capoeira e dos instrumentos africanos; as relações entre o movimento operário e os trabalhadores negros; comunismo, integralismo e a Frente Negra Brasileira; e as representações da Mãe Preta ao longo dos anos.

“São 17 capítulos que versam sobre temas variados, lastreados tanto pelo uso de fontes e abordagens diversas quanto pela pluralidade de ideias e pela multiplicidade de interpretações”, afirmam os historiadores Flávio Gomes e Petrônio Domingues, organizadores do livro. Outro grande mérito, segundo eles, é responder em certa medida as questões ligadas à lei 10.639, que obriga o ensino de história e cultura afro-brasileira na rede de ensino em todo o país.

Quando começam e quando terminam as histórias do pós-emancipação? Se ainda precisamos conhecer muito sobre as experiências e os debates acerca da liberdade, da cidadania, das culturas políticas, das expectativas de direitos e das perspectivas da sociedade brasileira que não necessariamente iniciaram no dia seguinte ao 13 de maio de 1888, também deveríamos (precisaríamos?) definir quando se dá o fim da pós-emancipação. Tais balizas e definições – para além de arcabouços conceituais, universos empíricos e temas transversais – ainda aguardam mais e mais pesquisas, evidências, argumentos e interpretações, na avaliação dos organizadores.

Colocando a experiência histórica brasileira em tela, o livro demonstra que o legado não resolvido da emancipação é uma parte do tempo presente da nação mesmo após mais de 120 anos do fim da escravidão. “O anseio por autodeterminação, reconhecimento, políticas redistributivas, igualdade nas relações sociais, direitos humanos e acesso aos recursos da terra e aos frutos do próprio trabalho ainda continua no horizonte de milhares de brasileiros”, concluem.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/selonegro/livro/9788587478986

RACISMO NÃO

A Revista IstoÉ fez ampla reportagem sobre o episódio que envolveu o jogador de futebol Daniel Alves. Ao comer uma banana jogada por um torcedor, em mais um ato de intolerância nos estádios, o brasileiro desencadeou uma campanha global contra o preconceito racial. A educadora Eliane Cavalleiro, organizadora do livro Racismo e antirracismo na educação (Selo Negro Edições), foi uma das entrevistadas na reportagem. Leia a íntegra: http://goo.gl/IHaf2J

Como integrar a temática racismo ao refletirmos sobre o tipo de educação que queremos? Como o ambiente educacional organiza seu cotidiano para a 40014presença do preconceito, de discriminações raciais diárias? O livro, lançado em 2001, traz, sob diferentes óticas, contribuições de vários autores. São diversos olhares sobre o ambiente da sala de aula, procurando captar os racismos presentes nesse cotidiano. Alguns dos assuntos que nos alertam para uma educação antirracista são a revista especializada em educação, o livro infantil, o tratamento dado à África, entre outros.

O trato pedagógico vai traçando, nas análises, referências à África, aos PCNS (Parâmetros Curriculares Nacionais e Pluralidade Cultural), às questões sobre letramento (entendido aqui como conjunto das práticas e dos usos sociais que envolvem tanto a leitura como a oralidade realizados pelos sujeitos, em distintos conceitos socioculturais), até uma inevitável comparação com o modelo norte-americano que envolve relações raciais e educação.

Autoestima e embranquecer para ser aceito são algumas das polêmicas questões  que nos dão dicas sobre nossa responsabilidade por um ambiente antirracista na escola.

São reflexões construídas por educadores e militantes, na maioria negros. Baseadas na observação sensível desse cotidiano, eles tiram da invisibilidade e do silêncio práticas racistas e contribuem para iniciativas que assumem com responsabilidade uma educação antirracista.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/699/Racismo+e+Anti-Racismo+na+educa%C3%A7%C3%A3o

HOJE É DIA INTERNACIONAL PARA A ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL

A ONU instituiu o dia 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial em memória do massacre de Shaperville.

Em 21 de março de 1960, em Joanesburgo, na África do Sul, 20.000 pessoas faziam um protesto contra a Lei do Passe, que obrigava a população negra a transportar um cartão que continha os locais onde era permitida a sua circulação. Porém, mesmo tratando-se de uma manifestação pacífica, a polícia do regime de apartheid abriu fogo sobre a multidão desarmada, resultando em 69 mortos e 186 feridos.

O tema escolhido para as comemorações em 2014 é “O papel dos líderes na luta contra o racismo e a discriminação racial”. Escolhido pelo Escritório do Alto Comissariado dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), visa destacar o papel fundamental que os líderes desempenham na mobilização da “vontade política” em combater o racismo e a discriminação racial.

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40056Principal marco legal da política de promoção da igualdade racial no Brasil, o Estatuto da Igualdade Racial entrou em vigor em 20 de outubro de 2010 e reúne um conjunto de diretrizes para a igualdade de oportunidades e o combate à discriminação em virtude de raça/etnia. Para saber mais sobre o assunto, conheça a obra O estatuto da igualdade racial (Selo Negro Edições), de Sidney de Paula Oliveira. Além de abordar os dispositivos mais significativos do texto legal, esta obra analisa a importância do documento, os pontos que ficaram de fora quando de sua aprovação e as consequências desse marco fundamental para a igualdade racial no Brasil.

O Estatuto da Igualdade Racial faz parte da Coleção Consciência em Debate, que pretende discutir assuntos prementes que interessam não somente aos movimentos negros como a todos os brasileiros. Conheça todos os volumesda coleção, acessando: http://www.gruposummus.com.br/selonegro/colecao/Consci%C3%AAncia%20em%20Debate

 

7 ANOS DE ESCRAVIDÃO NO BRASIL

O caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo, publicado no sábado (8 de março), deu destaque para a biografia de Luiz Gama, da coleção Retratos do Brasil Negro (Selo Negro Edições), escrita pelo professor Luiz Carlos Santos. A reportagem principal, intitulada “Sete anos de escravidão no Brasil”, informa que a história do abolicionista e intelectual baiano vai virar filme e seriado de TV. Leia a reportagem na íntegra: http://goo.gl/KLRz45

40043Considerado um dos maiores abolicionistas do Brasil, Luiz Gonzaga Pinto da Gama tornou-se o arauto da libertação dos negros e da luta contra a opressão. Advogado, jornalista, poeta, membro da maçonaria e fundador do Partido Republicano Paulista, Gama morreu em 1882 tendo libertado, nos tribunais, mais de 500 negros. A biografia de Gama revela a trajetória de uma das personalidades mais importantes do século XIX no Brasil imperial e escravista, destacando sua atuação pioneira como abolicionista e intelectual. “Trata-se de uma biografia singular que articula luta com inteligência”, revela o autor. Para Santos, Gama foi o pai da negritude brasileira e manteve firme o princípio que norteou toda sua vida.

A biografia traça o perfil de um jovem negro, autodidata, profundo conhecedor das letras e das leis, radical na luta pela liberdade e pelos ideais republicanos, em um império escravocrata. Incansável agitador das causas negras, Gama foi perseguido e ameaçado de morte. Para o autor, seu espírito de superação fortaleceu a atuação abolicionista. “Sua vida é uma forte referência para a nossa história e permite uma releitura da história do Brasil”, complementa. E deverá ser, diz ele, uma das grandes contribuições à luta pela equidade.

Dividido em três capítulos e um anexo, o livro aborda a vida do abolicionista desde a infância, passando pela escravidão e a luta pela liberdade, que adotou como projeto de vida, com atuação intensa nos tribunais, na imprensa, na literatura e na política. A biografia mostra o menino negro que nasceu livre, em Salvador, na Bahia, foi vendido como escravo aos dez anos pelo próprio pai e na juventude aprendeu a ler e tomou ciência de sua condição de homem livre. “A vida de Gama sugere, sem dúvida, um filme de enredo original e capaz de romper os paradigmas do cinema nacional da favela trágica”, afirma o autor.

Para redesenhar o perfil de Luiz Gama, o professor percorreu caminhos sutis e cheios de atalhos. Negro alfabetizado aos 17 anos e livre aos 18, por conquista própria, Gama transformou-se em um símbolo da luta abolicionista e republicana. Resultado de extensa pesquisa, incluindo a carta autobiográfica escrita para o amigo Lucio de Mendonça, que tem sido objeto de estudos e interpretações diversas, a obra mostra que Gama também fez da literatura espaço de militância.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1219/Luiz+Gama

 

CONHEÇA “CAPOEIRA”, O LIVRO RECÉM-LANÇADO PELA SELO NEGRO EDIÇÔES

 

As pesquisadoras Letícia Vidor de Sousa ReisElisabeth Vidor  resgatam o contexto histórico da capoeira no Brasil. Reconhecida hoje como um dos símbolos da cultura brasileira, a capoeira nem sempre teve esse status. Os adeptos foram perseguidos durante muitos anos, 40093especialmente na passagem do Império para a República. Associada à vadiagem e à violência, a capoeira só deixou de ser considerada crime há pouco mais de 80 anos. Atendendo ao que preconiza a Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino das culturas africanas, afro-brasileiras e indígenas nas escolas, as pesquisadoras Elisabeth Vidor e Letícia Vidor de Sousa Reis decidiram se aprofundar no estudo do tema. No livro Capoeira – Uma herança cultural afro-brasileira, lançamento da Selo Negro Edições, as autoras retratam as origens sociais e culturais do movimento e mostram como a capoeira contribuiu para que os negros conquistassem e ampliassem seu espaço político e social no Brasil.  Com ilustrações e fotografias, a obra revela como o movimento corporal contribuiu para ampliar o espaço político e social do negro.

 

“A capoeira é ambígua, ao mesmo tempo jogo, dança e luta. Seus movimentos corporais privilegiam os pés e os quadris e, ao inverterem a hierarquia corporal dominante, colocam o mundo literal e metaforicamente de pernas para o ar”, explicam as autoras. Segundo elas, para entender o significado social e simbólico dessa inversão utiliza-se a linguagem do corpo como fonte principal de informação para enunciar as regras da gramática gestual da capoeira.

 

A partir de uma abordagem inovadora, é possível entender a capoeira também como uma forma de resistência do negro, desde o tempo da escravidão até os dias atuais. Entre as várias culturas de resistência negra desenvolvidas no país, a capoeira é uma das mais significativas, constituída com base em culturas provenientes da África. Dividido em três capítulos, o livro traz, com detalhes, a história da capoeira carioca no século 19. As autoras fazem uma interpretação antropológica dos movimentos corporais da capoeira para a compreensão da especificidade da relação entre negros e brancos no Brasil.

 

Além do conhecimento científico, as pesquisadoras também tiveram experiências práticas com o mundo da capoeira. Nessa condição, elas  analisam essa cultura com uma visão objetiva e subjetiva, revivendo traços importantes da história do Brasil, destacando a presença dos negros e suas formas de vida com uma percepção e compreensão próprias. Ao longo da obra, descrevem os fatos históricos de maneira sutil, possibilitando ao leitor uma reflexão mais atenta.

 

Surgida provavelmente nos quilombos brasileiros, quando o Brasil ainda era colônia de Portugal, a capoeira era utilizada como meio de defesa pelos escravos em suas fugas, já que eles não portavam armas. Durante cerca de meio século, a capoeira permaneceu na ilegalidade, deixando de ser considerada crime perante a lei apenas na década de 1930. O argumento principal para a descriminalização dessa prática foi a sua transformação em esporte. “O sentido dessa manifestação afro-brasileira se altera de acordo com as mudanças do lugar social do negro no país: de empecilho ao progresso à expressão de originalidade social”, complementam as autoras.

 

As leis federais 10.639/2003 e 11.645/2008 tornam obrigatório o ensino das culturas africanas, afro-brasileiras e indígenas nas escolas, possibilitando o reconhecimento e a valorização de sua presença no Brasil por meio da educação.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1355/Capoeira