‘CIRURGIA BARIÁTRICA: ENTENDA OS TIPOS, COMPLICAÇÕES E QUEM PODE FAZER’

Publicado no Blog de Cintia Cercato, no UOL,  08/03/2019

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Cada vez mais pessoas sofrem com o excesso de peso e a obesidade. E as estatísticas tem mostrado que o número de casos graves também vem aumentando significativamente. De acordo com os dados de inquéritos populacionais brasileiros a obesidade grau 3 (índice de massa corpórea maior ou igual a 40 kg/m2) aumentou 255% entre os anos de 1975 e 2003. Uma pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica mostra que de 2007 a 2014 o número de pessoas com obesidade grau 3 praticamente dobrou, atingindo cerca de 6,8 milhões de brasileiros. E como reflexo desse crescimento, o número de cirurgias bariátricas aumentou 46,7% entre 2012 e 2017. Foram realizadas mais de 105 mil cirurgias em nosso meio no ano de 2017.

Para quem está indicada a cirurgia?

De acordo com a Resolução 2131/15 do Conselho Federal de Medicina, a cirurgia está indicada para pessoas com índice de massa corpórea (IMC) acima de 40 kg/m2 ou para aquelas que apresentam o IMC maior do que 35 kg/m2 e portadoras de doenças que possam ser agravadas pela obesidade e que melhoram quando a mesma é tratada de forma eficaz. A lista de doenças é extensa e inclui diabetes tipo 2, apneia do sono, doenças cardiovasculares, osteoartrose, refluxo gastroesofágico, entre outras condições.

O tratamento cirúrgico deverá ser proposto se a pessoa tiver realizado tratamento clínico por pelo menos dois anos e não tiver obtido um resultado satisfatório. A idade mínima para realizar a cirurgia deve ser de 18 anos, mas adolescentes com 16 anos completos e menores de 18 anos poderão ser operados, desde que haja a concordância dos pais ou responsáveis legais e que exista uma avaliação de risco-benefício cuidadosa por uma equipe multiprofissional que inclua o pediatra.

Quais os tipos de cirurgia mais realizadas?

As técnicas mais realizadas são as  restritivas e as mistas. As cirurgias que apenas diminuem o tamanho do estômago são chamadas de restritivas e incluem a banda gástrica e a gastrectomia vertical. A cirurgia de banda gástrica se caracteriza pela colocação de uma cinta que aperta o estômago deixando-o com o formato de uma ampulheta. A gastrectomia vertical se baseia na remoção de 70-80% do estômago, e tem sido cada vez mais realizada em nosso meio.

Nas cirurgias mistas além da redução do tamanho do estômago há também um desvio do trânsito intestinal. Em nosso país a técnica do Bypass gástrico com reconstrução em Y de Roux ainda é a mais realizada. Nessa técnica o estômago é grampeado sendo criado um novo reservatório gástrico com um volume de apenas 50 ml e cerca de um metro do intestino é desviado. Esse desvio promove uma mudança na produção de hormônios intestinais que participam da regulação de fome e saciedade, mas que também tem efeitos metabólicos.

Quais as principais complicações da cirurgia?

Muitos são os benefícios da cirurgia, uma vez que é o tratamento mais efetivo para perda sustentada de peso em longo prazo. Mas não é isenta de complicações. Existem complicações cirúrgicas, como fistulas, estenose de anastomoses, hérnias com oclusão intestinal. Além disso podem ocorrer complicações nutricionais, particularmente nas cirurgias mistas, como deficiência da absorção de vitaminas e minerais. Esse tipo de complicação pode ser evitado com uso de polivitamínicos. Outro problema, que já discuti aqui no blog é o aumento do risco de alcoolismo após a cirurgia. Por essas razões é fundamental o acompanhamento médico regular após o procedimento, para que os benefícios prevaleçam e os riscos sejam minimizados.

Para ler na integra, acesse: https://cintiacercato.blogosfera.uol.com.br/2019/03/08/cirurgia-bariatrica-entenda-os-tipos-complicacoes-e-quem-pode-fazer/

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o livro da MG:

CIRURGIA BARIÁTRICA E PARA O DIABETES
Um guia completo
Autor: Marcos Giansante
MG EDITORES

A obesidade é fator de risco para diversas enfermidades, entre elas hipertensão, doenças cardiovasculares e, principalmente, o diabetes – que, em 2014, matou mais que o HIV. Hoje, a cirurgia bariátrica é um procedimento seguro e eficaz, e reduz sobremaneira o surgimento dessas doenças relacionadas.
Neste livro destinado a obesos e a seus amigos e familiares, o cirurgião Marcos Giansante expõe sua vasta experiência no tratamento da obesidade. Em linguagem clara e sem jargões técnicos – e de forma humana e integrativa –, ele responde às principais dúvidas relacionadas ao tratamento cirúrgico da doença, como:
• o papel da cirurgia bariátrica, principalmente na parte metabólica, como tratamento complementar de doenças como o diabetes;
• as principais técnicas cirúrgicas utilizadas e as mais indicadas para cada caso;
• o pré e pós-operatório;
• a importância da alimentação e de atividades físicas na qualidade de vida do obeso e pós-operado.

‘BENEFÍCIOS FÍSICOS DA MEDITAÇÃO’

O médico Roberto Cardoso, autor de Medicina e meditação,da MG Editores, fala em seu novo vídeo sobre os benefícios da meditação para a saúde física. Assista.

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Assista aos vídeos anteriores:

‘Alguns desacertos conceituais com meditação’: https://www.gruposummus.com.br/blog/?p=7393
“O que é meditação”: http://www.gruposummus.com.br/blog/?p=7331
“O que não é meditação”: http://www.gruposummus.com.br/blog/?p=7280

‘FAKE NEWS DAS ANTIGAS, MOVIMENTO ANTIVACINA SEGUE COM FORÇA NAS REDES SOCIAIS’

Matéria de  Matheus Alleoni publicada originalmente no iG Saúde, em 13/01/2019.

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Notícias falsas, medo de efeitos colaterais e luta por liberdade individual são motivações do grupo que ameaça a saúde de milhões de crianças pelo mundo

A onda de notícias falsas que invadiu os debates políticos nos últimos anos vai, aos poucos, proliferando-se para outras áreas. E a ciência não é exceção. Um dos maiores exemplos disso é o crescimento do movimento antivacina, que cada vez mais. conquista pais e mães mal informados ao redor do mundo.

O movimento antivacina , ou Anti-Vaxxers, como o grupo ficou conhecido nos Estados Unidos, é contra a imunização e reúne pessoas com diversas motivações para odiar as vacinas. Para alguns, a vacinação pode causar autismo e outras doenças. Outros rejeitam a vacinação por motivos religiosos. Também existem aqueles que acham que os ingredientes das injeções não são “naturais” o suficiente.

Pegando carona com as redes sociais e o clima político divisivo, o movimento voltou a crescer na última década, em especial no Estados Unidos. O resultado? O estado de Nova York já vive seu maior surto de sarampo desde 1990. Foram 170 casos reportados de setembro do ano passado até janeiro e, segundo o governo do estado, a culpa é dos Anti-Vaxxers .

Para entender o movimento, seus adeptos e a série de consequências que o fez tão relevante em pleno 2019, no entanto, é preciso explicar suas origens, suas principais influências e seus perigos. Leia, abaixo, tudo o que você precisa saber sobre os Anti-Vaxxers.

A primeira vacina catalogada no mundo foi inventada por Edward Jenner que, em 1796, criou um método de imunização para a varíola, primeiro em vacas e depois em seres humanos. Já no século XIX surgiram os primeiros céticos em relação à eficácia e aos possíveis efeitos colaterais da imunização.

A técnica ainda era experimental e causava dúvidas em muitos, inclusive em pessoas de dentro da comunidade científica. A inoculação (ato de injetar o vírus em algum organismo para desenvolver a vacina) era feita em humanos e o processo de coleta do vírus vinha diretamente de feridas de infectados. Nesse caso, o ceticismo fez bem e ajudou no avanço das técnicas de imunização.

Após a vacina de Jenner ser fundamental no combate ao surto de varíola do século XIX, o francês Louis Pasteur desenvolveu uma téncica para deixar os vírus atenuados enquanto criava a vacina antirábica em 1885.

Ainda assim, boa parte da sociedade ainda tinha dúvida em relação à imunização. Sempre empurrados pela desconfiança de parte da sociedade, os pesquisadores da área foram avançando. Primeiro, veio a aprovação da comunidade médica, que passou a reconhecer a imunologia como um braço da prática. A vacina BCG, de 1909, combateu o tuberculose. Já em 1940, cientistas brasileiros conseguiram desenvolver a vacina contra a febre amarela.

Em 1955, um dos maiores avanços da história da medicina: a invenção da vacina contra a poliomielite, que assolava recém-nascidos de todo o mundo. Hoje, a doença está praticamente erradicada . A desconfiança, no entanto, não acabou.

Surgiram, ainda no século XIX, as Anti-vaccination Leagues no Reino Unido. Na época, o país criou uma lei que tornava mandatória a imunização de crianças. Já nesse período, era possível ver que o grupo antivacina era bastante dividido: além daqueles que não acreditavam na imunização e temiam supostos efeitos colaterais, havia os que não queriam vacinar os filhos por motivos religiosos. A Igreja Católica chegou a se posicionar contra as vacinas

Os Anti-Vaxxers e as fake News

Depois de ficar dormente por algumas décadas, o movimento antivacina voltou a aparecer com força nos anos 70. Dessa vez, os religiosos fanáticos e aqueles que não acreditavam nos efeitos da imunização ganhavam a companhia de outro grupo: os adeptos dos produtos naturais. No auge do movimento hippie, muitos norte-americanos pararam de imunizar seus filhos pois consideravam o método artificial demais.

Outro fato que ajudou a esquentar o debate aconteceu na Inglaterra: 36 crianças acabaram tendo uma série de sequelas neurológicas após tomarem a vacina contra difteria, tétano e coqueluche. O caso foi bastante divulgado pela imprensa e rendeu até documentário. Alguns pais chegaram a processar o estado, mas acabaram perdendo na Justiça pois a relação entre as vacinas e as sequelas jamais foi confirmada.

Se um caso duvidoso já fez estrago nos anos 1970, foi em 1998, ainda antes do termo ‘fake news’ ser cunhado, que a indústria da imunização sofreu o seu mais duro golpe, que reverbera até os dias de hoje. Uma pesquisa publicada pelo Dr. Andrew Wakefield na  The Lancet , uma das mais respeitadas publicações sobre medicina do Reino Unido, tentava comprovar a relação entre a vacina para sarampo, rubéola e caxumba e casos de autismo em crianças.

Ao longo dos anos, a teoria do médico, que nunca foi aceita pelos colegas, foi exposta como fraudulenta. A Justiça tirou o diploma de Wakefield, considerando que ele agiu de má fé, no entanto, o artigo se espalhou e voltou a causar ceticismo na população em relação à imunização. Até hoje, Andrews é creditado pelo surto de sarampo na Inglaterra nos anos 1990. A doença era considerada erradicada no país.  Até hoje, Wakefield é um importante militante do movimento antivacinas. Em 2016, ele dirigiu o documentário “Vaxxed”, que volta a relacionar a imunização com o autismo.

Quem são os Anti-Vaxxers de hoje?

Nos dias de hoje, é possível dizer que Wakefield é o principal “influenciador” do movimento antivacina nos Estados Unidos, país onde o grupo tem mais força. No entanto, além das pessoas que acreditam que vacinas causam autismo e/ou outras doenças, os anti-vaxxers ainda contam com religiosos fanáticos, veganos e conspiracionistas.

Navegando por grupos antivacina nas redes sociais, no entanto, é possível perceber que a desinformação é a grande responsável pela crença da maioria dos adeptos desse movimento. Na internet, eles citam o artigo fraudulento de Wakefield como única fonte científica e também compartilham informações falsas e até memes contra as vacinas. Além disso, os integrantes frequentemente trocam histórias sobre como sofrem preconceito do resto da sociedade.

“Meus pais me julgam por não ter vacinado meus três filhos e meu irmão sempre tenta discutir sobre isso. Eu não quero discutir sobre nada, sinto vontade de chorar”, escreveu a participante de um desses grupos no Facebook. “Se vacinas fossem saudáveis, você poderia colocar numa colher e comer. Tente e você morrerá”, filosofou outra.

A histeria também é uma característica latente do grupo. “Meu marido vacinou minha filha sem a minha permissão, eu posso mandar prendê-lo ou processá-lo?”, perguntou uma mulher. “Meu médico quer que eu imunize as crianças e pare de utilizar óleos naturais. É claro que não vou fazer nenhum dos dois”, gabou-se outra.

O perfil geral é bastante homogêneo: mães, norte-americanas, na faixa dos 30 anos, suburbanas, de classe média-alta, donas de casa ou vendedoras em empresas de marketing multinível.

Famosos Anti-Vaxxers

Celebridades de Hollywood também têm grande responsabilidade pela força do movimento antivacina nos Estados Unidos. A mais vocal é a atriz Jenny McCarthy, que afirma que seu filho, Evan, “contraiu” autismo por conta das vacinas. O famoso ator e comediante Jim Carrey,  ex-companheiro de McCarthy e que foi padrasto de Evan, também milita contra as vacinas ao lado da ex.

A lista de famosos que se posicionaram publicamente contra as vacinas ainda conta com o comediante Charlie Sheen, as atrizes Alicia Silverstone e Selma Blair, a famosa ativista Erin Brockovich e o vencedor do Oscar Robert De Niro.

É claro que o atual presidente norte-americano, Donald Trump, não poderia ficar fora de mais essa polêmica. Em 2014, o hoje chefe de Estado relacionou vacinas com autismo em um tweet: “Uma criança saudável vai ao médico, leva uma injeção com muitas vacinas, não se sente bem e muda. AUTISMO. São muitos e muitos casos”, escreveu o republicano, que não fez nenhuma grande alteração no programa de imunização norte-americano desde que chegou à Casa Branca.

Debate sobre liberdade

Se quase todos os debates levantados pelos Anti-Vaxxers do século XXI são pautados por informações falsas, um ainda gera muita controvérsia mesmo fora da comunidade que não acredita nas vacinas: o da liberdade individual.

O argumento do movimento antivacina aprovado por grande parte da sociedade é o de que a vontade pessoal de cada pessoa ou dos pais deve ser soberana. Outros acreditam que a vacinação deve ser imposta pelo estado pelo bem da coletividade.

Nos Estados Unidos, muitas pessoas protestam contra a imunização obrigatória. Algumas delas não fazem parte de grupos antivacina, mas acreditam que os pais têm o direito constitucional de não imunizarem os filhos. Por lá, apenas três estados exigem a carteira de vacinação para que uma criança seja matricula numa escola pública: Califórnia, Virginia do Oeste e Mississippi. Nos demais, existem as chamadas restrições religiosas e/ou filosóficas.

No Brasil, é proibido por lei não imunizar as crianças por razões que não sejam médicas. A carteira da vacinação é obrigatória na hora de matricular os filhos nas escolas e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina que pais que falham em vacinar os filhos podem levar multas ou ser processados por negligência e maus tratos.

Imunologista pediátrica com mais de 30 anos de carreira, a Dra. Delva Longhi acredita que o estado deve obrigar a imunização das crianças. “Muitas vezes, os pais nem têm conhecimento da importância da vacina. Outros não querem ou não podem perder um dia de trabalho para levar os filhos. Se não houver nenhuma exigência, nossos níveis de imunização vão cair muito”, explica a médica.

Anti-Vaxxers no Brasil?

Sobre o movimento antivacina no Brasil , a médica conta que o grupo ainda é tímido. “Entre meus pacientes, acho que não chega a 1%”, conta a imunologista, que também traça um perfil do grupo. “São sempre pessoas com boa condição financeira, aparentemente esclarecidas e muito influenciadas pela cultura dos Estados Unidos”, diz.

Ainda que de forma tímida, os Anti-Vaxxers vão deixando sua marca no País. De acordo com o Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, a vacinação de crianças menores de um ano teve seu menor índice de cobertura nos últimos 16 anos em 2018.

Hoje, o Brasil vive dois grandes surtos de sarampo: um em Roraima e um no Amazonas. Foram 10.274 casos confirmados em apenas um ano.  No entanto, o Ministério de Saúde atribui a epidemia ao alto índice de imigração de venezuelanos para o País.

Os perigos de não imunizar

O debate sobre a vacinação vai além das liberdades individuais, uma vez que uma pessoa não imunizada pode representar riscos para os demais. “Pegando o exemplo de uma escola ou de um hospital, onde existem crianças de todas as idades. Um paciente de 5 anos que não está em dia com as vacinas pode contaminar uma criança mais nova que ainda não tem idade para determiandas vacinas”, explica a Dra. Longhi. “Isso pode ter consequências sérias para a saúde ou até mesmo causar a morte”, completa.

Sobre os efeitos colaterais, a médica admite que algumas vacinas podem causar mal-estar, mas diz que o “custo-benefício em se vacinar é muito maior”. O Ministério da Saúde, em seu site oficial, também fala sobre a importância da imunização. “Com respaldo técnico de equipes especializadas, o Ministério da Saúde garante que a vacinação é segura, sendo que seu resultado não se resume a evitar doenças. Vacinas salvam vidas”, diz o comunicado.

De olho no crescimento do  movimento antivacina  e outros grupos conspiracionistas, o Ministério da Saúde criou uma página apenas para desbancar notícias falsas espalhadas pelas redes socias. A iniciativa começou em agosto de 2018 e, apenas no primeiro mês, a pasta desmentiu seis fake news sobre imunização.

 

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://saude.ig.com.br/2019-01-13/movimento-antivacina-anti-vaxxers.html

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Para esclarecer todas as suas dúvidas sobre o assunto, conheça o livro:

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VACINAR, SIM OU NÃO?
Um guia fundamental
Autores: Monica LeviGuido Carlos LeviGabriel Oselka
MG EDITORES

Desde o surgimento da primeira vacina, no fim do século XVIII, centenas de milhares de mortes foram evitadas e dezenas de moléstias, combatidas. Estima-se que, nos últimos dois séculos, as vacinas proporcionaram um aumento de cerca de 30 anos em nossa expectativa de vida.

Porém, nos últimos anos, um grande movimento internacional contra as vacinas tem chamado a atenção de pais, profissionais de saúde e educadores. Partindo de informações contraditórias e de dados sem comprovação científica, seus membros alegam ter o direito de escolher vacinar ou não os filhos. No entanto, essa decisão, que de início parece individual, tem consequências coletivas, fazendo por vezes ressurgir epidemias que se consideravam erradicadas.

Escrito por dois pediatras e um infectologista, todos com vasta experiência em imunização, este livro apresenta:

  • um histórico do surgimento e da consolidação das vacinas;
  • os benefícios da imunização para a saúde individual e coletiva;
  • os mitos – pseudocientíficos e religiosos – associados a elas, como o de que a vacina tríplice viral provoca autismo;
  • as respostas da ciência a esses mitos;
  • as consequências da não vacinação para os indivíduos e a comunidade;
  • as reações adversas esperadas e como agir caso isso aconteça;
  • as implicações éticas e legais da vacinação compulsória.

‘ANSIEDADE NÃO É TUDO IGUAL: CONHEÇA 10 SUBTIPOS QUE PRECISAM DE TRATAMENTO’

Matéria de Giulia Granchi, publicada originalmente no UOL VivaBem,
em 13/12/2018.

De forma geral, a ansiedade, considerada um fenômeno biológico, é necessária para a sobrevivência dos seres humanos e alguns animais. Ela nos ajuda a reagir em situações de perigo, ficar vigilante e atingir metas.

Quando ficamos com frio na barriga antes de uma apresentação no trabalho, por exemplo, e a situação é isolada, a ansiedade é considerada normal. Mas se o sentimento toma conta da mente de forma exagerada e começa a atrapalhar nas atividades diárias, devemos nos preocupar. São sinais que o quadro se tornou patológico, chamado de transtorno de ansiedade, e um aconselhamento profissional é necessário.

Mas se engana quem pensa que todos que sofrem de ansiedade têm o mesmo transtorno. De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, feito pela Associação Americana de Psiquiatria, existem 9 subtipos da doença, cada um deles com diferentes sintomas. Confira abaixo:

  1. Transtorno de ansiedade generalizada

Esse é o tipo o mais comum e frequente. É caracterizado por ansiedade e preocupação excessivas frequentes causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes por pelo menos seis meses. Para que ocorra o diagnóstico, o quadro precisa estar associado com três ou mais dos seguintes seis sintomas: inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele, cansaço, falta de concentração, irritabilidade, tensão muscular e dificuldade para adormecer.

  1. Mutismo seletivo

Ao se encontrarem com outros indivíduos em interações sociais, as pessoas com mutismo seletivo não iniciam a conversa ou respondem reciprocamente quando os outros falam com elas. O quadro é mais comum em crianças, mas pode persistir na vida adulta. As situações de relacionamento interpessoal são marcadas por forte sensação de ansiedade e os indivíduos costumam ser prejudicados em suas relações pessoais e desempenho acadêmico ou no trabalho. A dificuldade na fala também pode interferir na comunicação social, embora as crianças com esse transtorno ocasionalmente usem meios não verbais, como usar as mãos para se comunicar.

  1. Transtorno de ansiedade de separação

Assim como o mutismo seletivo, este transtorno é mais comum em crianças, mas existem adultos com o problema também. Ele é caracterizado pelo medo ou ansiedade excessivo em relação à separação por apego, podendo ser com uma pessoa, animais com objetos e até lugares, como a mudança de casa.  Quando separadas das figuras importantes de apego, as crianças diagnosticadas podem apresentar dificuldade em socializar, apatia, tristeza ou dificuldade de concentração. Dependendo da idade, elas também podem criar medos excessivos de animais monstros, escuro, ladrões, acidentes e outras situações que lhes dão a percepção de perigo. Os indivíduos com o quadro limitam suas atividades independentes longe de casa ou das figuras de apego –muitas vezes não querem realizar tarefas básicas como ir à escola ou supermercado sozinhos.

  1. Transtorno de pânico

É caracterizado por episódios de ataques de pânico recorrentes, cuja característica principal é um surto abrupto de medo ou desconforto intenso que alcança um pico em minutos e costuma durar até meia hora. Os sintomas incluem taquicardia, sudoreses, tremores, falta de ar, sensação de asfixia, dores no peito, náusea, tontura, calafrios, parestesias (anestesia ou sensações de formigamento), desrealização (sensações de irrealidade), medo de perder o controle ou “enlouquecer” e medo de morrer.

Apesar de serem pontuais, os ataques podem se repetir sem gatilhos específicos, o que costuma gerar ansiedade e preocupação para sair de casa em pacientes que sofrem do quadro. Confira dicas para lidar com um ataque de pânico.

  1. Fobias específicas

É o medo excessivo em situações específicas, como entrar em um elevador, encontrar um rato, estar próximo de janelas altas… A resposta de medo, ansiedade e estresse é automática nesses casos, que se repetem toda vez que o paciente não consegue evitar a situação. Mas o que diferencia esse quadro do medo comum é a intensidade exagerada dos sintomas. Por exemplo, se a pessoa tem fobia de injeções, ela não conseguirá nem deixar que outra pessoa aplique uma vacina ou medicamento nela dessa forma, e já apresentará sintomas de pânico. Uma pessoa que tem um medo não patológico de agulhas consegue lidar com isso de forma um pouco melhor.

  1. Fobia social

É o nome dado ao medo ou ansiedade exagerados de ser exposto a possível avaliação por outras pessoas em situações sociais. O desconforto vai além da fala em público: pessoas com o diagnósticos se sentem constrangidas e humilhadas simplesmente ao serem observadas em atividades comuns, como comer, beber e escrever. O grau e o tipo de ansiedade podem variar em diferentes ocasiões.

  1. Agorafobia

É quando o indivíduo tem medo ou ansiedade de espaços que, em geral, não consideram seguros. Nesses casos, a insegurança é desproporcional ao perigo do que realmente pode acontecer. Pacientes com esse quadro sentem medo de serem atacados, não conseguirem sair do local em que estão ou não serem socorridos, e passam a evitar lugares ou pedirem companhia.

  1. Transtorno de ansiedade induzido pelo uso de substâncias

Acontece pelo uso excessivo de substâncias como drogas (maconha, ecstasy, cocaína…), excesso de cafeína, álcool, medicamentos como opioide e anfetamina. Os pacientes diagnosticados com este subtipo de ansiedade têm suas atividades diárias prejudicadas por preocupações excessivas e até ataques de pânico que acontecem junto ou separadamente do uso das substâncias.

  1. Transtorno de ansiedade devido a outra condição médica

O transtorno é desenvolvido por causa da descoberta (comprovada clinicamente) de uma condição de médica, incluindo diferentes doenças e alterações físicas. Os sinais podem incluir sintomas proeminentes de ansiedade ou ataques de pânico, que compromete o funcionamento social do indivíduo.

  1. Especificado e não especificado

Esta categoria é destinada aos casos que, apesar do sofrimento persistente e avassalador, não entram nos critérios das especificações dos subtipos acima, ou não acontecem a tempo suficiente para que ocorra o diagnóstico.

Fontes: Higor  Caldato, psiquiatra pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e  Luiz Vicente Figueira de Mello, médico supervisor do Programa Ansiedade do Instituto de Psiquiatria FMUSP e médico assistente pela Fundação Faculdade de Medicina.

Para ler na íntegra, acesse: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/12/13/ansiedade-nao-e-tudo-igual-conheca-9-subtipos-que-precisam-de-tratamento.htm

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Tem interesse no assunto? Conheça o livro do psiquiatra e psicoterapeuta Breno Serson, especializado no tema:

TRANSTORNOS DE ANSIEDADE, ESTRESSE E DEPRESSÕES
Conhecer e tratar
Autor: Breno Serson
MG EDITORES

Insônia, falta ou excesso de apetite, falta de ar, tonturas, medos, aperto no peito, pensamentos angustiantes. Esses e outros sintomas físicos e mentais podem indicar um transtorno de ansiedade ou depressão, que atinge cada vez mais nossa sociedade contemporânea. Este livro objetiva partilhar conhecimento, em linguagem simples, sobre os transtornos ansiosos e depressivos e os tipos de tratamento disponíveis, refletindo sobretudo sobre a integração de tratamentos convencionais e de medidas gerais benéficas.

‘DICAS PARA MEDITAR’

O médico Roberto Cardoso, autor do livro Medicina e meditação, da MG Editores, traz em seu novo vídeo dicas para quem quer começar a meditar. Assista.

 

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29 DE SETEMBRO: DIA MUNDIAL DO CORAÇÃO

 

Criado no ano 2000 pela WHF – World Heart Federation, o Dia Mundial do Coração é comemorado neste sábado, 29 de setembro. Em 2018, a entidade está aumentando a conscientização sobre um fator de risco cada vez mais importante: a poluição do ar. Quase uma em cada cinco mortes por doenças cardiovasculares são causadas pela poluição do ar, um total de 3 milhões de mortes no mundo a cada ano.

Pesquisas revelam que 7 milhões de pessoas morrem prematuramente todos os anos por causa da poluição do ar: 1,4 milhão de acidente vascular cerebral e mais de 2 milhões por doenças cardíacas.

Uma pesquisa cientifica recente, publicada pela revista Nature, adverte que a exposição ao dióxido de nitrogênio e às partículas finas da poluição do ar está claramente ligada à mortalidade por doenças cardiovasculares. A má qualidade do ar também é classificada como a quarta causa de DALY (Disability Adjusted Life Years), ou seja, um ano de vida saudável perdida,  de acordo com o mais recente Estudo Global do Ônus das Doenças.

Para a WHD, a redução da exposição à poluição do ar tornou-se um desafio crucial que o mundo precisa enfrentar se quiser continuar avançando na meta de reduzir o impacto das doenças não transmissíveis, especialmente cardiovasculares.

Além de alertar a população sobre os riscos da poluição do ar, a celebração do Dia Mundial do Coração tem como objetivo reforçar junto ao público a importância de manter a boa saúde do coração. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 300 mil pessoas sofrem infarto agudo do miocárdio por ano. Infelizmente, para 30% delas, a doença é fatal.

Por isso, para os mais cuidadosos e preocupados com a manutenção desse órgão fundamental do corpo humano, o livro Coração, manual do proprietário: tudo o que você precisa saber para viver bem, escrito pelo cardiologista Mauricio Wajngarten, da MG Editores, explica tudo sobre o seu funcionamento. O livro é  um manual sobre o coração acessível a todos. Já no primeiro capítulo, o médico explica o funcionamento do órgão a partir de analogias e desenhos divertidos.

No capítulo Conversando com o seu ‘mecânico’, o cardiologista dá dicas de como o paciente e o médico devem se comportar durante a consulta, explica o que é anamnese, bateria de perguntas que o médico faz ao paciente, exame físico etc. As doenças que podem afetar o coração como arteriosclerose, angina, enfarto, derrame, entre outras, são descritas no capítulo Sinais de desgaste do equipamento.

Em Manutenção preventiva, ele explica como lidar com “fatores de risco controláveis” como diabetes, tabagismo, colesterol, triglicérides, estresse, depressão etc. e, também, com “fatores de risco incontroláveis” como herança genética, raça, sexo e idade. E o cardiologista ressalta que os fatores controláveis ou modificáveis são responsáveis por 70% das doenças do coração.

Apertando os parafusos mostra o que é possível fazer para consertar um coração meio entupido: angioplastia, ponte de safena, cirurgia das valvas; ou um coração que bate pouco: marcapasso, transplante de coração e ressuscitação cardiorrespiratória.

No livro, o cardiologista fala da necessidade de cuidar do coração nas diferentes fases da vida: infância, adolescência, maturidade e velhice. Também explica como cuidar do coração durante o sexo, no verão e no inverno. Quanto aos exercícios físicos, ele garante que basta caminhar meia hora por dia para manter o coração saudável.

Para saber mais, acesse: https://www.gruposummus.com.br/mg/livro/9788572550307

‘A DESCOBERTA DE UMA FRAUDE EM PESQUISA SOBRE AUTISMO’

………………………………………..Matéria de Fabiana Cambricoli, publicada no jornal O Estado de S.Paulo, em 17 Setembro 2018

Jornalista desmascarou médico que mentiu em estudo relacionando vacinação com ocorrência de autismo

Foi numa trivial entrevista com uma mãe ativista antivacinas que o jornalista britânico Brian Deer percebeu que havia alguma coisa errada no estudo científico publicado em 1998 que ligava a vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, rubéola e caxumba) à ocorrência de autismo.

Conduzida pelo médico britânico Andrew Wakefield e publicada na The Lancet, uma das revistas científicas mais renomadas do mundo, a pesquisa acompanhou 12 crianças que desenvolveram transtornos de desenvolvimento dias após serem vacinadas. Depois da divulgação do estudo, as taxas de cobertura dessa vacina no Reino Unido começaram a cair ano a ano, chegando ao seu nível mais baixo em 2003, com apenas 79% da população imunizada.

VACINAÇÃO

Foi nesse contexto que o então repórter do The Sunday Times, de Londres, resolveu investigar a controvérsia em torno da tríplice viral e descobriu uma das maiores fraudes da história da ciência mundial: o médico responsável pelo estudo havia manipulado dados dos paciente por interesses próprios.

“Quando entrevistei essa ativista, mãe de uma das crianças do estudo, vi que as informações que ela me passava não batiam com nenhum dos casos relatados na pesquisa. Achei estranho e fui procurar quem tinha financiado esse estudo. Foi então que descobri que Wakefield havia sido contratado por advogados para produzir dados contra a vacina para que eles pudessem ganhar dinheiro processando os fabricantes do produto”, resumiu Deer, em entrevista exclusiva ao Estado, concedida na semana passada, quando esteve em São Paulo para participar de um seminário do Instituto Butantã sobre os desafios da educação e da comunicação sobre vacinas.

Após a publicação da primeira reportagem sobre a fraude no estudo, em fevereiro de 2004, o jornalista continuou investigando Wakefield e descobriu outros conflitos de interesse. “Reunimos informações que mostravam que ele tinha registrado a patente da sua própria vacina contra o sarampo, que ele dizia ser mais segura.”

Até mesmo uma estratégia de Wakefield para negar as acusações acabou comprovando a fraude. “Ele resolveu me processar por causa das reportagens e, na ação, seus advogados de defesa anexaram os prontuários médicos dos pacientes que participaram do estudo. Nesses documentos, comprovamos que ele havia manipulado os dados. Em alguns casos, por exemplo, os pacientes relatavam que os sintomas de autismo tinham começado antes da vacinação e Wakefield falava no estudo que haviam começado dias depois da imunização”, diz o jornalista.

A série de matérias seguiu até 2010, quando o médico teve o registro profissional cassado e o periódico The Lancet revogou a publicação do artigo fraudulento.

Mesmo com tantas evidências de que o estudo foi manipulado e com diversas pesquisas posteriores demonstrando que o imunizante não causa autismo, movimentos antivacina no mundo, inclusive no Brasil, seguem disseminando a informação como verdade e acreditando em Wakefield – que hoje espalha suas ideias antivacina nos EUA.

Para Deer, essa crença permanece por três motivos: (1) as pessoas nem sempre têm condições de discernir a informação correta das chamadas fake news; (2) há uma crise de confiança em profissionais e instituições, o que faz os pacientes preferirem acreditar em dados divulgados em redes sociais do que nos seus médicos; (3) e os pais de crianças com transtornos de desenvolvimento que acreditam que o problema foi ocasionado pelas vacinas são constantemente usados por pessoas como Wakefield para comprovar suas teses.

Caminho

Para Deer, a busca pela informação séria e baseada em evidências é o melhor caminho contra as fake news que prejudicam a saúde pública. “Podemos comprovar isso vendo a situação do Reino Unido em meio ao surto atual de sarampo na Europa. As taxas da doença lá não são tão altas como as da Grécia e Itália justamente porque a fraude de Wakefield ficou muito conhecida e as pessoas voltaram a se vacinar. É o acesso à informação que leva a decisões acertadas.”

Para ler na íntegra (para assinantes ou cadastrados): https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,a-descoberta-de-uma-fraude-em-pesquisas,70002505464

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Quer saber mais sobre o assunto? Saiba tudo sobre vacinação com o livro recém-lançado pela MG Editores:
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VACINAR, SIM OU NÃO?
Um guia fundamental
Autores: Monica LeviGuido Carlos LeviGabriel Oselka

Desde o surgimento da primeira vacina, no fim do século XVIII, centenas de milhares de mortes foram evitadas e dezenas de moléstias, combatidas. Estima-se que, nos últimos dois séculos, as vacinas proporcionaram um aumento de cerca de 30 anos em nossa expectativa de vida.

Porém, nos últimos anos, um grande movimento internacional contra as vacinas tem chamado a atenção de pais, profissionais de saúde e educadores. Partindo de informações contraditórias e de dados sem comprovação científica, seus membros alegam ter o direito de escolher vacinar ou não os filhos. No entanto, essa decisão, que de início parece individual, tem consequências coletivas, fazendo por vezes ressurgir epidemias que se consideravam erradicadas.

Escrito por dois pediatras e um infectologista, todos com vasta experiência em imunização, este livro apresenta:

  • um histórico do surgimento e da consolidação das vacinas;
  • os benefícios da imunização para a saúde individual e coletiva;
  • os mitos – pseudocientíficos e religiosos – associados a elas, como o de que a vacina tríplice viral provoca autismo;
  • as respostas da ciência a esses mitos;
  • as consequências da não vacinação para os indivíduos e a comunidade;
  • as reações adversas esperadas e como agir caso isso aconteça;
  • as implicações éticas e legais da vacinação compulsória.

‘MEDITAÇÃO PARA ANSIOSOS: VEJA OS BENEFÍCIOS E COMO FAZER’

Matéria de Amanda Preto, publicada originalmente no portal VivaBem,
do UOL, em 08/09/2018.

 

Cada vez mais se fala em meditação e mindfulness (também conhecida como atenção plena). E dados os casos crescentes de ansiedade e estresse, não é de se estranhar: estudos já apontam como essas técnicas podem ajudar quem sofre com esse problema.

Estamos falando especificamente de uma revisão de estudos da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, que 47 pesquisas relacionamento meditação e saúde mental e perceberam que eles podem ajudar em casos de ansiedade, depressão e até dor. Apesar de ser uma redução moderada, ela abrange múltiplas dimensões negativas do problema.

A explicação é simples: o ansioso é aquele que está sempre no futuro tentando solucionar problemas que ainda não existem e que possivelmente nem existirão. “A meditação é uma forma de se colocar no aqui e agora, pois ajuda a tirar a mente das ocupações do futuro que são geradoras de ansiedade”, elucida Marcos Rojo, PhD em Ciência do Ioga e mestre pelo Departamento de Neurologia da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Duvida? Faça o teste

Dá para fazer o teste agora mesmo. Se você está se sentindo ansioso e sem foco, tente este exercício rápido para lhe trazer ao aqui e agora: enquanto lê este texto, preste atenção à sua respiração, ao modo como o ar entra e sai pelas suas narinas. Só o fato de respirar com consciência já lhe trará mais clareza e tranquilidade, benefícios que você também pode obter por meio da meditação.

Os níveis de desatenção no mundo atual são muito grandes, e os dados científicos nos indicam que em aproximadamente 47% do tempo não estamos atentos ao que estamos fazendo no momento, considera Marcelo Demarzo, médico, especialista em Medicina Preventiva e fundador e coordenador do Mente Aberta – Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde. “O estado de mindfulness seria então como um antídoto a viver desatento, no piloto automático, e reagindo sem consciência às situações”, explica o especialista.

O objetivo da meditação, portanto, é obter maior reconhecimento dos nossos estados internos, sensações corporais, emoções e impulsos. “A partir daí, podemos lidar melhor com o estresse do dia a dia, além de amenizar a ansiedade, depressão, dor crônica, e doenças crônicas em geral”, fala Demarzo.

Dicas para meditar mais facilmente

Meditar pode ser um pouco desagradável inicialmente a quem é ansioso. Limpar a mente dos pensamentos e focar no presente pode ser difícil para quem está condicionado a intercalar entre o passado e o futuro. Por isso, separamos algumas dicas dos especialistas:

  1. Não precisa demorar muito
    Meditação não tem relação com quantidade do tempo, mas sim com a qualidade. O mais simples e recomendado é começar observando a respiração, ainda que seja por apenas 5 minutos duas vezes ao dia, e ir aumentando gradativamente até 20 minutos, se for confortável
  1. Pratique sempre
    Escolha um horário do dia fixo para meditar. O mais recomendado é pela manhã, quando o corpo ainda está descansado e a mente mais tranquila e apta para relaxar. Mas qualquer momento em que você possa parar um pouco já ajuda.
  1. Escolha o lugar certo
    Medite em um lugar tranquilo e sem perturbações. Se ajudar, você pode até criar um “espacinho da tranquilidade”, com almofadas, incensos e elementos que lhe ajudem a entrar no clima.
  1. Cuide das expectativas
    Normalmente, a meditação é vista como uma experiência divina, em que você tem visões e revelações. Mas, na verdade, ela deve ser encarada como um momento de conexão com você, seu corpo e seus pensamentos. Apenas deixe que as sensações se aflorem e que a prática mostre o que você precisa.
  1. Não se preocupe com as divagações
    Para quem é ansioso, é normal que a mente se distraia. Do nada você pode se flagrar pensando em algum problema ou algo que precisa fazer depois, mesmo se estiver no seu local de tranquilidade para meditar. Na verdade, essa divagação da mente pode acontecer até com quem é mais tranquilo, pois a maioria das pessoas despende energia atenção e atenção em várias atividades ao mesmo tempo –o que favorece o mecanismo da ansiedade e da agitação. E tudo bem se isso acontecer!
  1. Não desista!
    Lembre-se de que a prática conduz ao aprimoramento. Nas primeiras vezes, pode ser difícil se concentrar e até respirar. O importante é estabelecer um curto período em sua rotina para que seu cérebro compreenda os efeitos da prática e peça por mais momentos assim.

Meditação simples em apenas três passos

Marcelo Demarzo ensina uma técnica de apenas três minutos de meditação mindfulness. “Faça antes ou depois de momentos estressantes, como uma reunião no trabalho ou alguma conversa difícil, pois ajuda a lhe tornar mais consciente e menos reativo em situações do tipo”, recomenda.

  1. Fique em uma posição confortável e deixe o corpo se acomodar. Aos poucos, leve a atenção para o seu corpo. Perceba as sensações físicas (contato com o chão ou cadeira; temperatura da pele, possíveis desconfortos ou pontos de tensão), como também o surgimento de pensamentos ou emoções presentes em sua experiência naquele momento;
  2. Comece a levar a atenção mais focada para as sensações e respiração –movimentos do tórax e do abdome na inspiração e expiração do ar; ou, ainda a sensação do ar entrando e saindo pelas narinas. É importante seguir o fluxo natural, sem tentar alterá-lo, apenas observando. Faça isso por um tempo;
  3. Antes de encerrar a sessão, atente-se de novo para tudo o que está sentindo. Sintonize sua atenção com os sons, a temperatura e outros elementos do ambiente. Encerre a prática devagar, abrindo os olhos com calma.

Para acessar na íntegra: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/09/08/meditacao-e-ansiedade-veja-os-beneficios-e-como-fazer.htm

 

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Tem interesse sobre o assunto? Conheça o livro:


MEDICINA E MEDITAÇÃO

Um médico ensina a meditar
Autor: Roberto Cardoso
MG EDITORES

Médico há mais de vinte anos e meditador há mais tempo ainda, o autor mostra com precisão várias técnicas de meditação e os seus benefícios para a saúde. Sem qualquer orientação religiosa, filosófica ou moral, trata-se de uma obra para ler, aprender e praticar. Edição revista, atualizada e ampliada.

‘BRASILEIRAS COM CALVÍCIE ENFRENTARAM MEDOS E PASSARAM A SE ACEITAR’

Texto parcial de matéria de Vinícius Lemos, de Cuiabá para a BBC News Brasil, publicada no UOL em 02/09/2018

 

Na manhã de 11 de junho de 2017, Fernanda de Freitas, de 26 anos, colocou um ponto final em uma luta que travava desde a infância. Ela pediu ao marido que raspasse os fios que restavam em sua cabeça. Ao ficar totalmente calva, olhou-se no espelho e sorriu.

“Foi uma libertação para mim. Não apenas do cabelo, mas de todo o peso que carreguei ao longo da vida”, diz.

Na infância, aos três anos, Fernanda foi diagnosticada com alopecia areata, doença que causa queda de cabelo e de pelos do corpo. A partir de então, passou a consumir remédios e produtos para cuidar dos fios. Durante um período, chegou a tomar, diariamente, seis cápsulas de medicamentos com corticoide. Os fármacos apenas reduziam a intensidade da queda capilar, mas não evitavam que o cabelo continuasse caindo.

“Quando notava, eles (fios) tinham desaparecido. De repente, havia uma nova falha no meu couro cabeludo”, relata. Seu cabelo era uma das primeiras coisas em que pensava ao acordar. “Sempre ia para o espelho olhar se ainda tinha cabelo em minha cabeça.”

O fator emocional intensificava o problema. “Se eu estava muito feliz, caía. A situação se repetia quando eu estava muito triste. Não tinha o que fazer.”

A alopecia é um dos motivos mais associados a problemas capilares. Ela atinge homens e mulheres e representa a perda de pelo em qualquer parte do corpo. O problema pode ser causado por influências genéticas, processos inflamatórios locais ou doenças sistêmicas.

Um dos tipos mais comuns de alopécia é a areata, que é uma doença autoimune – quando as células atacam o próprio organismo. Ela atinge aproximadamente 2% da população mundial, em diferentes níveis – pode afetar desde pequenas áreas do couro cabeludo até causar a completa ausência dos fios em todo o corpo.

Outro tipo comum da alopecia é a androgenética, que também é autoimune e causa o afinamento progressivo dos fios. Mais recorrente entre os homens, estima-se que atinja 5% das mulheres.

Conforme especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, há outros motivos que também causam a perda dos fios, como estresse, uso exagerado de processos químicos no cabelo, dietas, consumo de medicamentos e doenças que afetam outras áreas do corpo, como o hipotireoidismo.

Segundo a Sociedade Brasileira do Cabelo, 50% das mulheres têm alguma queixa sobre queda capilar.

De acordo com o médico tricologista Ademir Carvalho Leite Júnior, presidente da Academia Brasileira de Tricologia – área que se dedica a estudos do cabelo –, o número de mulheres com problemas capilares tem aumentado. “Hoje, ao menos 70% dos pacientes que atendo são mulheres. Não era assim quando comecei. Elas estão perdendo mais cabelo.”

Leite orienta que as mulheres procurem ajuda médica logo que perceberem os primeiros sinais de falhas no couro cabeludo.

No Sistema Único de Saúde (SUS) não há nenhum tipo de tratamento para pacientes que sofrem com a perda de cabelo.

Batalha de décadas

Desde a infância, Fernanda preferia esconder a doença de colegas e conhecidos. “Somente a minha família e amigos muito próximos sabiam. Para mim era inadmissível comentar sobre isso com outras pessoas”, relata.

Ela teve dificuldades para contar sobre a alopecia ao marido, com quem está há dez anos. “Nós estávamos no início do namoro e eu relutei, mas falei sobre o assunto. Ele me perguntou se a alopecia matava ou prejudicava algum órgão e respondi que não. Então, ele disse que eu não deveria dar tanta importância.”

Antes de decidir tornar-se calva, Fernanda tinha de lidar diariamente com a baixa autoestima ocasionada pela dificuldade em aceitar a perda de cabelo. “Para mim, era inadmissível uma mulher careca”, conta. Ela costumava passar horas em frente ao espelho antes de sair, para disfarçar as falhas no couro cabeludo. “Apesar disso, nunca me privei de pintá-lo ou deixá-lo maior. Eu tinha uma vida normal nesse aspecto.”

A psicóloga Rosane Granzotto explica que a dificuldade em aceitar a perda dos fios acontece em razão da relevância que as mulheres costumam atribuir ao cabelo. “Ele faz parte da imagem, do modelo estético que a cultura perpetua para a mulher. A perda dos fios é como a ausência de uma parte do corpo feminino e esse fato requer uma reconfiguração da autoimagem.”

Há três anos, Fernanda mudou os hábitos e passou a adotar uma rotina que considera mais saudável. Aprofundou-se em estudos sobre alimentação e começou a publicar vídeos no YouTube.

“Fui lendo sobre o assunto e percebi como os remédios eram prejudiciais para o meu organismo. Eu não comia alimentos industrializados, mas me entupia de medicamentos e decidi, há pouco mais de um ano, parar de consumi-los”, relata.

Mas, sem os remédios e com o estresse das provas da faculdade – ela cursa Nutrição -, os fios passaram a cair ainda mais e novas falhas apareceram. O cabelo ficou cada vez mais escasso.

“Eu já não conseguia mais disfarçar, mas tinha que gravar vídeos e atender meus clientes”, comenta Fernanda, que trabalha como life coach. Ela comprou uma peruca sob medida, com fios humanos. “O problema é que demoraria três meses para chegar, porque viria da China. Então não me restavam muitas opções, mas eu não cogitava voltar aos medicamentos.”

Diante da falta de opções, raspar os fios virou a melhor alternativa. “Eu chorei muito, mas não havia outra mas não havia outra saída”, diz. O marido apoiou a decisão da mulher. “Ele viu o meu sofrimento e me incentivou a ficar careca.”

Liberdade

Mas, ao se olhar no espelho, depois de raspar os fios, Fernanda teve a maior sensação de liberdade de sua vida. “Eu me enxerguei de verdade pela primeira vez. Parece que o cabelo me escondia”, conta. No mesmo dia, a jovem publicou uma foto mostrando o novo visual em suas redes sociais. “Contei toda a minha história com a alopecia areata. Muitas pessoas me elogiaram e me apoiaram. Foi muito lindo”, diz.

A jovem nunca chegou a utilizar a peruca comprada na China. “Quando ela chegou, usei algumas vezes por brincadeira, mas nunca para sair nas ruas ou algo do tipo. Hoje em dia me sinto mais bonita careca.”
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Para ler a matéria na completa, acesse:
https://universa.uol.com.br/noticias/bbc/2018/09/02/brasileiras-com-calvicie-enfrentaram-medos-e-se-aceitam.htm

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O médico tricologista presidente da ABT, dr. Ademir Carvalho Leite Júnior, é autor da MG Editores. Conheça seus livros:

 

É OUTONO PARA OS MEUS CABELOS
Histórias de mulheres que enfrentam a queda capilar

Embora grande número de mulheres sofra com a queda acentuada de cabelos, não há literatura a respeito. O assunto é tabu, mas o autor enfrentou o tema com a delicadeza que ele exige. O livro aborda os diversos problemas de queda, os exames, os tratamentos e as causas – sempre recorrendo a histórias verídicas de pacientes para ilustrar os casos.

 

TEM ALGUMA COISA ERRADA COMIGO…
Como detectar, entender e tratar a síndrome dos ovários policísticos

Este livro traz duas informações muito importantes para adolescentes e jovens do sexo feminino que apresentam um ou mais dos sintomas a seguir de forma persistente: acne, pêlos em excesso, problemas menstruais, obesidade, infertilidade e queda de cabelos.

A primeira informação, não muito agradável, é que isso pode indicar a presença de uma doença denominada síndrome dos ovários policísticos.

A segunda é boa: a doença é tratável e curável! Conheça tudo sobre a síndrome – a sop – nesta obra de um dermatologista com especialização no assunto. O Dr. Ademir Júnior elaborou um texto cuidadoso, informativo e de fácil compreensão para ser lido por profissionais e por leigos interessados no assunto, jovens e adolescentes em especial.
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SOCORRO, ESTOU FICANDO CARECA!

Quem não se lembra daquela famosa marchinha que diz “é dos carecas que elas gostam mais”? Verdade ou mentira, o fato é que a grande maioria dos homens fica bastante infeliz com os primeiros sinais de calvície, que podem aparecer ainda na juventude. Escrito por um médico que sentiu o problema na própria pele, ou melhor, na própria cabeça, este livro aborda o tema da calvície de maneira leve e descomplicada, ao mesmo tempo que oferece informações científicas e atualizadas ao leitor. O autor explica por que surge a calvície, como se desenvolve, os fatores que a agravam e os tratamentos mais modernos e eficazes para combatê-la e amenizá-la.

‘DEZ HÁBITOS QUE PREJUDICAM A SAÚDE DO SEU CORAÇÃO’

Matéria de Danielle Sanches, publicada no portal VivaBem, do UOL, em 31/07/2018.

Você sai de casa sem tomar café da manhã? Dorme mal a maior parte das noites durante a semana? Ou pratica exercícios físicos sem estar com uma garrafinha de água sempre à mão? Pois estes hábitos bastante comuns e aparentemente inocentes podem estar prejudicando a saúde do seu coração.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% das mortes por doenças cardiovasculares – considerada a causa número um de mortes em todo o mundo – foram provocadas por ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral (AVC). E a grande maioria desses problemas pode ser evitada com mudanças no comportamento, ou seja, nos hábitos de vida.

“Pela nossa experiência em consultório, notamos que os pacientes estão chegando cada vez mais jovens com esses problemas”, avalia o médico cardiologista Guilherme Sangirardi, membro da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP). “E a melhor forma de evitar essas doenças é realmente pela prevenção”, acredita o especialista.

Confira então 10 hábitos frequentes que podem fazer mal à saúde do seu coração:

  1. Colocar muito sal na comida

O excesso de cloreto de sódio – como é chamado o nosso sal – na alimentação está ligado ao aumento da pressão arterial – problema que acomete cerca de 24% da população brasileira, de acordo com o Ministério da Saúde. O órgão segue a recomendação da OMS e orienta que o consumo de sal não ultrapasse cinco gramas por dia. Porém, não é o que acontece.

“O brasileiro consome, em média, 10 gramas de sal por dia”, alerta o cardiologista Marcelo Cantarelli, diretor da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI). Segundo o especialista, se a pessoa já apresenta algum problema de aumento de pressão, o consumo deve ser de, no máximo, dois gramas por dia.

Além do sal nas refeições, Sangirardi chama a atenção para o sódio contido em alimentos industrializados, como embutidos e refrigerantes. “É preciso estar atento a esse consumo também para não jogar por água o esforço de cuidar do sal na alimentação do dia a dia”, explica o médico.

Vale lembrar que problemas renais estão associados ao aumento da pressão arterial, um dos principais fatores de risco para problemas do coração.

  1. Ingerir muito açúcar

Embora sejam fonte de energia, o alto consumo de qualquer tipo de açúcar – o que inclui tanto o refinado como a frutose ou o mel, por exemplo – tende a levar à obesidade. “Uma dieta rica em açúcar, especialmente a versão refinada, ainda pode levar ao aparecimento da diabetes tipo 2”, diz Cantarelli. A OMS recomenda que a quantidade do alimento ingerida diariamente não ultrapasse os 25 gramas (cerca de duas colheres de sopa); a entidade, no entanto, estima que, no Brasil, o consumo diário seja 50% maior do que o recomendado.

  1. Analgésicos em excesso

Um estudo recente publicado no British Medical Journal comprovou o que os médicos já alertam há anos: o uso de medicamentos anti-inflamatórios do tipo não-esteroides, muito utilizados para combater inflamações e dores, pode colocar a saúde do coração em risco. Remédios como o diclofenato, ibuprofeno e o naproxeno estariam associados a um aumento nos casos de ataques cardíacos a partir de uma semana de uso contínuo.

“Esse tipo de medicamento precisa ser usado com cuidado especialmente por idosos, já que há a possibilidade de ocorrerem sangramentos no estômago e insuficiência dos rins”, explica Cantarelli.

  1. Pular o café da manhã

Um estudo da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard (HSPH, em inglês), nos Estados Unidos, mostrou que homens que pulavam o café da manhã tinham 27% mais chances de sofrer um ataque cardíaco ou serem vítimas de alguma doença coronariana.

Mais: quem não tinha o hábito de fazer essa refeição geralmente tinham mais fome ao longo do dia e comiam mais de noite, provavelmente por mudanças metabólicas causadas pela falta do desjejum. “Pular o café da manhã significa privar o organismo de energia, prolongando o tempo de jejum”, diz Cantarelli. “Não é preciso ingerir uma refeição farta, mas comer um pouco já ajuda a manter o organismo preparado para as tarefas iniciais do dia”, explica o especialista.

  1. Não ingerir água durante o exercício físico

Parece simples, mas não se hidratar durante a prática de atividades físicas leva a uma queda da pressão arterial e aumento da viscosidade do sangue, tornando o trabalho do coração mais difícil. “Isso aumenta a frequência cardíaca durante o exercício e sobrecarrega o coração, que já trabalhando mais por conta do exercício”, explica Cantarelli.

  1. Noites mal dormidas

A lista dos problemas para o coração de quem não dorme a noite é enorme. Inúmeros estudos ligam a falta de uma boa noite de sono ao aumento da obesidade, da pressão arterial e ao risco de desenvolver diabetes – todas doenças que, indiretamente, afetam a saúde cardíaca. Diretamente, o risco também existe.

“Quando dormimos, nosso corpo relaxa, a pressão arterial é reduzida e a frequência cardíaca também cai. O coração, que nunca para, consegue descansar dessa dessa maneira”, afirma Sangirardi. Se isso não acontece, portanto, o órgão acaba sobrecarregado, aumentando os riscos de infarto.

Foi o que comprovaram os médicos da Universidade de Warwick, na Inglaterra, que realizaram uma pesquisa sobre o impacto que a privação de sono ou mesmo uma noite mal dormida tem na saúde humana. De acordo com o estudo, publicado no European Heart Journal, quem dorme menos de seis horas por dia pode ter até 48% mais chance de desenvolver doenças cardíacas.

  1. Excesso de bebidas alcoólicas

Cirrose hepática, insuficiência cardíaca e hipertensão arterial são os principais problemas de quem abusa do álcool no dia a dia. A única bebida alcoólica que tem a simpatia dos médicos é o vinho tinto, feito a partir da uva, já que a bebida é conhecida por ter flavonóides – substâncias antioxidantes e que fazem bem à saúde. O consumo, no entanto, só é benéfico quando feito de forma moderada, ou seja, até uma taça por dia para a mulher e duas taças por dia para o homem.

O vinho tinto também tem efeito vasodilatador, reduzindo a pressão arterial. Mas Cantarelli explica que não é preciso começar a beber para conseguir esses benefícios. “O consumo de frutas vermelhas ou mesmo da uva in natura ou sucos delas também apresenta efeitos positivos no organismo”, afirma.

  1. Alto consumo de carne vermelha

Em 2015, a OMS divulgou um comunicado afirmando que as carnes vermelhas – provindas de animais como boi e porco – seriam “provavelmente carcinogênicas” aos seres humanos. O alerta na restrição de consumo também vale para a prevenção de doenças cardíacas.

“A gordura da carne é uma grande fonte de colesterol”, avalia Cantarelli. “O problema não é o consumo dela, mas o excesso, aliado a frituras”, explica.

No mesmo comunicado, alimentos processados como linguiça, bacon, presunto e salsicha em excesso são apontados como causadores de câncer colorretal. Esse tipo de produto é rico em sódio, nitratos e gorduras saturadas, o que elevam as chances de desenvolver doenças coronarianas. “Não é preciso abolir da refeição, mas seria interessante escolher peças menos gordurosas, grelhadas e incluir legumes e verduras no prato”, aconselha o médico.

  1. Saúde dental frágil

Cuidar dos dentes, acredite, é fundamental para a saúde do coração. De acordo com Cantarelli, as bactérias encontradas em infecções dentárias ou gengivites podem causar infecções na membrana interna do coração. “A endocardite bacteriana pode, em casos mais graves, destruir a válvula cardíaca ou até levar a uma infecção generalizada”, explica.

A saúde bucal também pode avisar quando o resto do corpo tem problemas. Segundo a American Heart Association, pessoas com periodontite (como são chamadas as infecções na gengiva) frequentemente compartilham de alguns fatores de risco para doenças do coração, como consumo de cigarro, idade avançada e diabetes.

  1. Falta de tempo para a família e/ou para os amigos

O estresse causado pela solidão associado a fatores como fumo e pressão alta estão associados ao aumento no risco de desenvolver doenças cardíacas. É o que diz um estudo liderado pela University College London, do Reino Unido, e publicado na revista científica PLOS Medicine.

A análise envolveu indivíduos de três países da Europa Oriental – uma região em que as taxas de problemas cardíacos são consideradas extremamente altas. Os médicos descobriram que as doenças do coração eram mais comuns em pessoas que raramente encontravam os amigos e familiares, eram solteiros, desempregados e apresentavam sintomas de depressão.

A explicação é simples: encontrar os amigos ou a família faz com que o corpo libere hormônios responsáveis por sensações de prazer, amor e bem-estar – justamente os mesmos que ajudam a melhorar o sono, reduzir a pressão arterial e a frequência cardíaca. “Tudo isso colabora para a saúde do coração, reduzindo a ocorrência de hipertensão arterial e infartos”, diz Cantarelli.
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Para acessar a matéria na íntegra: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/07/31/10-habitos-que-prejudicam-a-saude-do-seu-coracao.htm

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Se você tem interesse pelo tema, conheça:

CORAÇÃO: MANUAL DO PROPRIETÁRIO
Tudo o que você precisa saber para viver bem
Autor: Dr. Mauricio Wajngarten
MG EDITORES

Neste livro do cardiologista Maurício Wajingarten, publicado com o apoio do Incor e da Jovem Pan, estão reunidas as informações que todos nós gostaríamos de saber sobre como funciona, como “quebra”, como se examina e como se conserta nossa preciosa máquina. Com fotos e ilustrações.