‘CIRURGIA BARIÁTRICA É SEGURA, MAS TEM RISCO DE COMPLICAÇÕES’

A bariátrica costuma ser um procedimento seguro. Mas é preciso falar dos cuidados pós-cirurgia bariátrica que devem ser tomados para evitar complicações e efeitos colaterais.

Texto parcial de matéria de Rafael Machado, publicado originalmente
no Portal Drauzio Varella.

A cirurgia bariátrica é um procedimento indicado para reverter casos de obesidade grau 3. Ela ficou conhecida como “redução do estômago” porque muda a anatomia original do órgão e reduz sua capacidade de receber alimentos. No Brasil, são realizadas cerca de 65 mil cirurgias por ano, sendo 54 mil pela saúde suplementar (convênio) e 11 mil pelo sistema público de saúde.

Uma pessoa não operada tem espaço para consumir aproximadamente de 1 litro a 1,5 litro de alimentos. Já um estômago pós-bariátrica tem capacidade para 25 ml a 200 ml (equivalente a um copo americano). A cirurgia afeta ainda a produção do hormônio da saciedade, o GLP-1, o que diminui a vontade de comer, mas a redução da capacidade é mesmo a principal responsável pelo emagrecimento.

Cerca de 10% do peso é eliminado no primeiro mês, com uma perda que varia de 14% a 72% ao longo da vida. “Nos primeiros meses após a cirurgia, o paciente consegue comer apenas 200 g por refeição, o que faz com que ele perca peso expressivamente”, aponta o médico Marcos Leão Vilas Bôas, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). Uma pessoa não operada ingere entre 300 g e 500 g por refeição.

Em geral, a bariátrica é um procedimento seguro. A taxa de mortalidade fica entre 0,1% e 1%, de acordo com o tipo da cirurgia. A segurança e os resultados que proporciona contribuíram para que houvesse aumento de 84,73% no número de cirurgias realizadas no Brasil, passando de 34.6289 em 2011 para 63.969 em 2018. Somos o segundo país com maior número de procedimentos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Pouco se fala, porém, nos cuidados pós-cirúrgicos que devem ser tomados para evitar complicações e efeitos colaterais.

CUIDADOS IMEDIATOS APÓS A CIRURGIA BARIÁTRICA

Existem alguns critérios para passar pela cirurgia. Ela é recomendada para indivíduos obesos com IMC acima de 40 (para referência, é o caso de uma pessoa de 1,70 metro e 116 quilos), e pessoas que tenham IMC acima de 35 (como uma pessoa de 1,70 metro e 102 quilos) com doenças associadas, como diabetes, colesterol alto, hipertensão, hérnia de disco, esteatose hepática, entre outras.

Atualmente existem duas técnicas mais utilizadas. Sleeve ou manga é o método que retira parte do estômago sem alterar o intestino. Comumente é recomendada para pacientes que apresentem um quadro menos grave de obesidade. O outro método é chamado de bypass. Ele representa 70% das cirurgias realizadas no Brasil, sendo mais praticado no sistema público. Nesse caso, o estômago é reduzido com cortes ou grampos e é feita uma alteração no intestino para reconectá-lo à parte do estômago que irá permanecer funcional.

O que interfere mais no pós-cirúrgico é o modo como a cirurgia é realizada, que pode ser de duas formas: por laparoscopia — minimamente invasiva, por meio de uma pequena incisão no abdômen — ou aberta — através de um corte de 30 centímetros. Os cuidados são praticamente os mesmos, mas no caso do método aberto, por ser mais invasivo, o paciente deve ficar em repouso por mais tempo para que a cicatrização ocorra adequadamente. Quem fez a cirurgia por esse método também deve utilizar uma cinta ou faixa abdominal pelo período indicado pelo médico para evitar que os pontos se soltem.

PRIMEIROS DIAS APÓS A CIRURGIA BARIÁTRICA

 Nos primeiros dias, o maior desafio é conciliar nutrição e hidratação adequadas com um estômago cuja capacidade passou a ser muito reduzida. A quantidade de água recomendada tradicionalmente, de dois a três litros por dia, continua valendo, mas o paciente precisa fazer a ingestão em porções muito pequenas, tomadas várias vezes ao longo do dia. Há pacientes que são orientados a tomar quantidades da ordem de 50 ml a cada 30 minutos, por exemplo.

Quanto à alimentação, o paciente deve seguir dieta líquida durante 15 dias, passando para uma dieta pastosa ou branda até receber liberação para a dieta sólida. Em geral, essa fase demora 30 dias.

Durante seis semanas, o paciente também não deve fazer grandes esforços. Por outro lado, a recomendação não deve ser entendida como desculpa para não se movimentar. Pelo contrário, é essencial se manter ativo e fazer leves caminhadas.

O acompanhamento deve ser criterioso, principalmente no caso das mulheres, pois a alteração na absorção de nutrientes pode ser tanta que há risco de a perda de sangue da menstruação provocar anemia. O problema é agravado porque a cirurgia pode fazer com que o fluxo menstrual aumente. “Recomendamos que a paciente suspenda a menstruação com DIU ou anticoncepcional”, afirma Vilas Bôas, da SBCBM. Mas vale lembrar: o indicado é usar métodos como adesivos ou injeções, que não passam pelo estômago, pois a absorção no trato gástrico pode não ocorrer adequadamente. A suspensão é indicada mesmo para mulheres que queiram engravidar, pois pacientes pós-bariátrica devem aguardar pelo menos 15 meses e consultar seu médico antes de uma gestação.

O excesso de pele geralmente não oferece grandes riscos. Embora a sobrepele possa causar micoses e dermatites, esses são problemas que podem ser prevenidos ou evitados. De qualquer forma, costuma-se indicar cirurgia para retirá-la depois que o paciente se adéqua à nova rotina, pois ela contribui para melhorar a autoestima.

ESTADO EMOCIONAL APÓS CIRURGIA BARIÁTRICA

Com frequência, a saúde mental está envolvida de alguma forma na obesidade. O sobrepeso pode ser uma consequência de questões psicológicas anteriores, e fazer a cirurgia não é garantia de que elas irão desaparecer. O acompanhamento psicológico e psiquiátrico é essencial antes e depois do procedimento.

O impacto da mudança brusca na alimentação, peso e estilo de vida não pode ser subestimado. Pacientes que passaram pela cirurgia têm risco de automutilação aumentado em 50%, o que inclui traumas físicos, envenenamento e overdose de medicamentos e de álcool.

Amanda Aragão é  jornalista e professora, e passou por uma cirurgia bariátrica. Após recomendação médica e incentivo de amigos, a jornalista optou por fazer a bariátrica, mas afirma que a pressão social e estética tiveram papel fundamental na decisão. Na época, ela sofria de compulsão alimentar e tinha IMC acima de 40. “Após a cirurgia, eu internalizei que não podia seguir tendo compulsão, pois teria complicações.”

Ela eliminou 65 quilos no total, sendo 20 quilos só no primeiro mês. No seu caso, precisou ir somente duas vezes a consultas obrigatórias com psicólogo antes e duas vezes após a cirurgia. “Teria sido melhor se eu tivesse acompanhamento. Faltou ênfase médica sobre esse e outros cuidados”, relata Aragão. Ela afirma que um ano após a cirurgia quase chegou a ter depressão. “As pessoas começaram a me tratar melhor. Comecei a refletir sobre o meu valor: Ele sempre esteve ligado ao meu peso?” Atualmente ela conta com o apoio de terapia para auxiliá-la.

Embora a perda de peso seja rápida, há risco de o paciente recuperar o peso. Quem passou pelo procedimento tem dificuldade de comer excessivamente porque o estômago perde a capacidade de comportar grandes quantidades de alimentos, mas é necessário praticar exercícios e seguir um acompanhamento multidisciplinar com nutricionista, endocrinologista, gastroenterologista, psicólogo, entre outros profissionais.

(…)

Para ler na íntegra, acesse: https://drauziovarella.uol.com.br/obesidade/cirurgia-bariatrica-e-segura-mas-tem-risco-de-complicacoes/

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o livro:

CIRURGIA BARIÁTRICA E PARA O DIABETES
Um guia completo
Autor: Marcos Giansante
MG EDITORES

A obesidade é fator de risco para diversas enfermidades, entre elas hipertensão, doenças cardiovasculares e, principalmente, o diabetes – que, em 2014, matou mais que o HIV. Hoje, a cirurgia bariátrica é um procedimento seguro e eficaz, e reduz sobremaneira o surgimento dessas doenças relacionadas.

Neste livro destinado a obesos e a seus amigos e familiares, o cirurgião Marcos Giansante expõe sua vasta experiência no tratamento da obesidade. Em linguagem clara e sem jargões técnicos – e de forma humana e integrativa –, ele responde às principais dúvidas relacionadas ao tratamento cirúrgico da doença, como:
• o papel da cirurgia bariátrica, principalmente na parte metabólica, como tratamento complementar de doenças como o diabetes;
• as principais técnicas cirúrgicas utilizadas e as mais indicadas para cada caso;
• o pré e pós-operatório;
• a importância da alimentação e de atividades físicas na qualidade de vida do obeso e pós-operado.

‘A DESAFIADORA TAREFA DE CONVIVER COM FIBROMIALGIA’

Artigo do médico Dante Senra, publicado no VivaBem UOL,
em 26/10/2019.


Peregrinar por vários consultórios médicos em busca de alívio para o sofrimento tem sido a vida das pessoas acometidas por esse mal que a medicina desconhece a causa.

Exames que nada demonstram ainda fazem os indivíduos com fibromialgia serem rotulados como “exagerados e muitas vezes preguiçosos ou depressivos”. Embora possa estar ligada à ansiedade e depressão, não se sabe o que veio primeiro.

Trata-se de uma síndrome complexa e muitas vezes mal compreendida por quem convive com ela e até pela medicina.

É mais comum em mulheres em idade fértil (mas pode acometer qualquer gênero ou idade) e estima-se que acometa de 2 a 10% da população mundial.

Famosos como Lady Gaga e Morgan Freeman, acometidos pela doença, já deram diversos depoimentos contundentes sobre seu sofrimento.

No documentário “Five Foot Two”, de 2017, Gaga fala sobre sua dificuldade em encontrar tratamento e técnicas para controlar os sintomas. No mesmo ano, a celebridade cancelou sua participação no Rock in Rio, supostamente por conta das fortes dores causadas pela fibromialgia.

Já Freeman, em 2017, em declaração polemica, fala sobre legalização de drogas para controle da doença.

Fato é que se trata de uma doença cruel, de diagnóstico apenas clínico e, portanto, o diagnóstico depende da experiência do médico consultado. Com sintomas variados, pode acometer pessoas da mesma família e, portanto, pode haver, sim, um componente genético em sua gênese.

Sabe-se que o cérebro (e talvez os receptores cutâneos) interpreta os estímulos recebidos (um simples toque no corpo, como um abraço, por exemplo) de maneira alterada, aumentando a sensibilidade destes, causando dor e desconforto. O que não se sabe é por quê. Aí se desencadeia o quadro.

Quais são os sintomas?

O sintoma que predomina é a dor, que pode ser muscular, em articulações ou tendões e vem geralmente acompanhada de fadiga extrema (o indivíduo frequentemente acorda cansado), quadro que pode durar meses.

Esse quadro também pode vir acompanhado de perturbações no sono (em quase 90% das vezes), tais como insônia e apneia (noites mal dormidas podem piorar o quadro) e costumam se intensificar com o estresse e com temperaturas mais baixas.

O defeito típico do sono é se tornar superficial e/ou interrompido e, assim, frases como “acordo mais cansado do que deitei” e “parece que fui atropelado por um caminhão” são muito frequentes no consultório. Outro incômodo que costuma aparecer à noite é a chamada síndrome das pernas inquietas, na qual há necessidade de esticá-las ou mexe-las o tempo todo para aliviar o desconforto.

Dores de cabeça e problemas cognitivos como alterações da memória e dificuldade em se concentrar são também queixas bastante frequentes. Além de dormências e formigamento nas mãos e pés e até sintomas cardiológicos como palpitações, que podem estar presentes.

Isso sem falar dos distúrbios gastrointestinais como cólicas e até diarreias frequentes (síndrome do intestino irritável).

Como Tratar?

A aceitação da doença pelo próprio paciente e por quem convive com ele se tornam importantes desafios no dia a dia. Como não existe um padrão clássico de doença, também não existe um padrão referendado e indicado de tratamento medicamentoso para todos.

Não, a doença não é um transtorno de ordem psicológica, embora distúrbios emocionais se tornem quase sempre presentes pela difícil tarefa de conviver com ela, sem perspectiva de cura e com um grau exacerbado de sofrimento.

Mas embora nem todos os pacientes com fibromialgia apresentem depressão, ela hoje é considerada um fator agravante dos sintomas e precisa ser tratada. Em geral, inicia-se o tratamento da fibromialgia com antidepressivos.

Mas é possível conseguir períodos prolongados de calmaria, mesmo nas manifestações clínicas mais cruéis da doença, ou seja, a dor e a fadiga.

O alívio e controle da dor e a melhora da qualidade de vida são os objetivos fundamentais. Para isso, a melhor estratégia é a abordagem multidisciplinar sempre que possível, por médicos, psicólogos, nutricionistas e profissionais de educação física (sem esquecer a participação da família).

Esse grupo multidisciplinar, levando em consideração as características pessoais de cada indivíduo, deverá complementar o tratamento farmacológico (analgésicos, antidepressivos, relaxantes musculares, fitoterápicos e até homeopatia) com os não farmacológicos, como exercícios físicos, fisioterapia, massagens e técnicas de relaxamento (ioga e mindfulness, uma técnica de meditação que prega a atenção plena), dieta e acupuntura. Tais práticas (acupuntura, fitoterápicos, homeopatia), factíveis com um pouco de paciência e perseverança, foram incorporadas recentemente ao Sistema Único de Saúde (SUS) com a publicação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares.

Quero aqui ressaltar a importância de praticar exercícios físicos que tem sido considerada pelos reumatologistas (e endossada pelos pacientes) como uma das intervenções mais efetivas no tratamento da fibromialgia, sendo responsável por alivio considerável da dor e da fadiga. Obviamente individualizado, progressivo e evitando-se o alto impacto.

Grupos de apoio de indivíduos com a doença e até aplicativos para celulares e tablets discutem estratégias para lidar com as dores crônicas e fadiga, objetivando uma melhora na qualidade de vida.

Há inclusive um projeto de lei tramitando no congresso para promover aos diagnosticados o direito à dispensa do cumprimento de período de carência, para usufruir dos benefícios de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez.

É preciso falar muito sobre essa doença invisível aos olhos de quem não a sente, para que haja compreensão e mudança de comportamento da sociedade. Como dizia Shakespeare, “Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente”.

Para ler na íntegra, acesse: https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/danta-senrra/2019/10/26/a-desafiadora-tarefa-de-conviver-com-a-fibromialgia.htm

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o livro do reumatologista mexicano Manuel Martínez-Lavín, reconhecido como autoridade na área da fibromialgia:

FIBROMIALGIA SEM MISTÉRIO
Um guia para pacientes, familiares e médicos
Autor: Manuel Martínez-Lavín
MG EDITORES

Este livro esclarece vários aspectos de um problema de saúde polêmico e ainda não totalmente compreendido nem mesmo pela classe médica: a fibromialgia. Apresenta os principais sinais e sintomas dessa doença, explica por que seu diagnóstico é tão difícil e apresenta alguns conceitos importantes que explicam a provável causa e as possibilidades de tratamento do problema.

‘MEDITAÇÃO VEIO PARA FICAR PORQUE FUNCIONA MESMO’

Do Blog do Luiz Sperry, publicado no VivaBem UOL em 21/10/2019.

Podemos dizer que a meditação está na moda novamente. O que é algo estranho de se colocar, pois as práticas meditativas, originárias da Índia, já têm uma história de mais de seis mil anos. Da Índia foi para China, Japão e, em algum momento, espalhou-se pelo ocidente.

Sempre existiram momentos de aproximação e afastamento entre as culturas orientais e ocidentais. Lembrando de cabeça, sem nenhum rigor histórico, lembro que Alexandre, quando expandiu o seu império às portas do subcontinente indiano, assimilou vários elementos da cultura oriental à cultura grega. Depois, na Idade Média, os cruzados quebraram o imobilismo feudal em suas tentativas de conquistar a Terra Santa. As viagens de Marco Polo à China, assim como as rotas marítimas para o Oriente, botaram a Europa novamente em contato com esses elementos culturais.

A última que me vem à cabeça é o movimento hippie nas décadas de 1960 e 1970. O que era algo de fato underground, ligado a círculos muito restritos, ganhou proporções de fenômenos de massa. Ioga, tai chi e diversas outras práticas se tornaram quase comuns em grande parte do mundo ocidental. Eventualmente com algum conflito, como se pode ver na série Wild Wild Country, mas em geral houve uma boa assimilação. É evidente que grande parte das pessoas permanece cética a esse respeito, mas algumas resolveram pesquisar o que poderia justificar o efeito dessas práticas, ou não.

Aquilo que chamamos de meditação é uma série de práticas que tem como finalidade estabelecer uma situação de concentração profunda e autoconsciência, geralmente associada a exercícios posturais e respiratórios. Com essa história tão longa é evidente que existam diversas vertentes, em geral ligadas a preceitos religiosos, mas na prática há pouca variação entre elas. Como me disse um professor certa vez: “Meditar é sentar e ficar quieto”. E por mais que pareça meio besta, só quando a gente tenta que percebe que é relativamente complicado. Porque o corpo senta, mas a cabeça não para. Aí que entra a tal da técnica, para fazer com que a cabeça vá aquietando também.

O que a ciência ocidental fez foi padronizar tudo com o nome de mindfulness, de modo que os estudos sejam mais facilmente comparáveis, além de dar um apelo comercial maior para aqueles que possam ter alguma aversão a orientalismos. E os resultados são, de fato, surpreendentes.

As conclusões mostram eficácia em diversos quadros de doenças mentais (ansiedade, depressão) ou tabagismo. Mesmo em questões difíceis de se abordar, como a prevenção do suicídio, houve evidência positiva na eficácia de mindfullness.

Estudos de imagem mostram que mesmo um processo breve de oito semanas de mindfulness pode causar alterações estruturais em regiões cerebrais de maior importância, como o córtex pré-frontal, a ínsula e o hipocampo; percebe-se um aumento no volume dessas regiões. Em outras palavras, o cérebro fica “marombado”.

É um pouco assustador para nós médicos imaginar que um exercício de poucos minutos diários possa modificar não só o funcionamento como a própria forma do cérebro, um órgão que, em princípio, só vai atrofiando e piorando sua função ao longo dos anos. Não é por acaso que o mercado de meditação nos EUA movimente uma fortuna, havendo, inclusive, uma série de aplicativos para ajudar na prática de meditação e relaxamento.

Isso sem falar nos benefícios físicos, como controle de doenças cardiovasculares, dores crônicas e doenças inflamatórias. Parece que a moda dessa vez vai demorar para passar.

Para ler na íntegra, acesse https://luizsperry.blogosfera.uol.com.br/2019/10/21/meditacao-veio-para-ficar-porque-funciona-mesmo/

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o livro do médico especialista em meditação Roberto Cardoso:

MEDICINA E MEDITAÇÃO
Um médico ensina a meditar
Autor: Roberto Cardoso
MG EDITORES

Médico há mais de vinte anos e meditador há mais tempo ainda, o autor mostra com precisão várias técnicas de meditação e os seus benefícios para a saúde. Sem qualquer orientação religiosa, filosófica ou moral, trata-se de uma obra para ler, aprender e praticar. Edição revista, atualizada e ampliada.

‘SETEMBRO AMARELO: AÇÕES CHAMAM A ATENÇÃO PARA O TRATAMENTO DA DEPRESSÃO’

Matéria de Flávia Albuquerque, da Agência Brasil, Publicada no UOL VivaBem em 02/09/2019.

Todas as manhãs o girassol parte em busca do sol, seguindo a luminosidade insistentemente, porque precisa dela para crescer e florescer. Mesmo quando o sol está escondido entre as nuvens, a flor gira persistente, apesar da dificuldade, em direção à luz. Em alusão a esse comportamento da natureza, o girassol foi escolhido como símbolo da campanha “Na Direção da Vida – Depressão sem Tabu”, iniciativa do movimento mundial Setembro Amarelo, que tem o objetivo de abrir o diálogo e alertar a sociedade sobre o tema.

A campanha conduzida pela Upjohn, uma das divisões de um laboratório farmacêutico focada em doenças crônicas não transmissíveis, em parceria com a Abrata (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos) e participação do CVV (Centro de Valorização à Vida), trará ações digitais e de rua para combater os estigmas da depressão. O trabalho tem ainda o apoio de músicos, esportistas e influenciadores digitais que já passaram ou passam pelo problema, dividindo suas experiências.

Os usuários de redes sociais serão convidados a postar o ícone do girassol para mostrar que estão dispostos a falar sobre o assunto #depressaosemtabu. Eles também poderão conhecer o site do projeto, que traz informações sobre o tema e orientações sobre a identificação de comportamentos de risco em pessoas próximas.

“Queremos levar informação às pessoas. Quem visitar o local será convidado a deixar uma mensagem de coragem e apoio aos pacientes. Ao final, essas flores serão recolhidas e doadas para uma organização não governamental, que as transformará em buquês para serem distribuídos a pessoas que estão em tratamento”, explicou a neurologista da Upjohn, Elizabeth Bilevicius.

Depressão e suicídio

Segundo Bilevicius, para tratar a depressão e evitar o suicídio, o primeiro passo é ver a doença como um problema que precisa ser tratado. “Precisamos criar uma atmosfera de confiança para o paciente se sentir à vontade para dizer que tem a doença e legitimar o que ele sente. Essa é uma forma de encorajar a busca por ajuda adequada, criando um ambiente social mais empático e melhor informado para ajudar essa pessoa”, disse.

De acordo com as informações da Upjohn, mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e transtornos do humor. A depressão é o diagnóstico mais frequente, aparecendo em 36% das vítimas. O aumento dos casos entre os mais novos e com prevalência entre os homens faz da depressão a quarta maior causa de suicídio entre jovens no país. Outras doenças que podem ser tratadas, como o alcoolismo, a esquizofrenia e transtornos de personalidade, também afetam esses pacientes e por isso afirma-se que o suicídio pode ser evitado na maioria das vezes.

De acordo com as informações da Upjohn, mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e transtornos do humor. A depressão é o diagnóstico mais frequente, aparecendo em 36% das vítimas. O aumento dos casos entre os mais novos e com prevalência entre os homens faz da depressão a quarta maior causa de suicídio entre jovens no país. Outras doenças que podem ser tratadas, como o alcoolismo, a esquizofrenia e transtornos de personalidade, também afetam esses pacientes e por isso afirma-se que o suicídio pode ser evitado na maioria das vezes.

Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que o Brasil é o país com maior percentual de depressão na América Latina, chegando a 5,8% da população, o que corresponde a 12 milhões de brasileiros. A taxa é maior do que o valor global, que é de 4,4%. Igualmente maior do que em outros países, a taxa de suicídio entre adolescentes de 10 a 19 anos aumentou 24% de 2006 a 2015. A cada 46 minutos alguém tira a própria vida no Brasil.

O psiquiatra Teng Chei Tung, coordenador dos Serviços de Pronto-Socorro e Interconsultas do IPq (Instituto de Psiquiatria) do HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e vice-coordenador da Comissão de Emergência Psiquiátrica da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), explicou que a alta incidência entre os jovens está ligada à grande expectativa externa e interna de que eles se comportem como adultos, mesmo sem ter ainda as habilidades de um adulto, e à pressão de que o adolescente seja pleno, potente, competente e reconhecido.

“Então ele faz as coisas, erra e se frustra. Nessas frustrações os jovens podem entrar na depressão. Os preconceitos são os mesmos e são agravados pela desinformação. Para o jovem existe a influência do pensamento de que a saúde mental é só uma questão social, existencial e psicológica”, afirmou.

Teng disse que sentir tristeza é normal e que a frustração sempre traz alguma tristeza passageira, mas é preciso que as pessoas próximas fiquem atentas para perceber quando esse estado já se tornou uma depressão. Segundo ele, a tristeza é algo que gera introspecção, provoca reflexão e crescimento, mas o deprimido fica introspectivo por vários dias e semanas.

“Um dos parâmetros é quando há sofrimento excessivo e quando começa a causar real prejuízo. Afeta as relações interpessoais, produtividade no trabalho, ou sofrimento individual, ou seja, a pessoa está sofrendo mais do que que precisaria naquela situação. Não é que não pode ter tristeza e emoção, mas isso não pode prejudicar a pessoa a ponto de afetá-la fisicamente”, destacou.

Para Teng, a melhor forma de falar sobre a depressão é deixar claro que ela é uma doença que apresenta alterações biológicas e fisiológicas, envolvendo fatores genéticos e estruturais, o que significa que a pessoa nasce com a tendência de desenvolver o quadro depressivo. O tratamento inclui, principalmente, melhorar o estilo de vida. “Quem tem depressão precisa se equilibrar e cuidar da saúde, para não ter de novo a doença”, disse o médico.

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/09/02/setembro-amarelo-acoes-chamam-a-atencao-para-o-tratamento-da-depressao.htm

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O psiquiatra Teng Chei Tung é autor da MG Editores. Conheça seu livro:

ENIGMA BIPOLAR
Conseqüências, diagnóstico e tratamento do transtorno bipolar
Autor:  Teng Chei Tung
MG EDITORES

O transtorno bipolar é uma patologia cada vez mais comum – e, infelizmente, ainda mal compreendida. Este livro, escrito por um psiquiatra, esclarece e desmistifica os sintomas da doença, suas fases, os sintomas, as estratégias de tratamento mais modernas e os tipos de medicamento disponíveis. Fala, ainda, da importância do apoio do médico e da família no bem-estar do paciente.

‘ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NA ESCOLA: O SEGREDO COMEÇA EM CASA’

Texto de Dr. Sylvio Renan, autor da MG Editores, publicado originalmente no Blog do Pediatra, em 11/08/2019

Mais um retorno às aulas e com elas a rotina da lancheira e a missão dos pais para torna-las atrativas e saudáveis. E nem sempre é uma tarefa fácil, uma vez que a tentação da bolacha recheada, o refrigerante, o salgadinho ou a batatinha frita da cantina ou de coleguinhas estão sempre presentes, não é mesmo?

Mas para tornar a resistência a essas tentações mais fáceis, é importante saber que ela se fortalece a partir dos hábitos bem estabelecidos na rotina da casa da criança.  Ou seja, se a família tem por hábito uma alimentação regrada, equilibrada, nutritiva, a criança naturalmente terá gosto por este tipo de alimentação e aceitará tanto uma lancheira mais saudável, quanto saberá selecionar elas mesmo os alimentos mais apropriados na cantina.

Mas e se os pais não cultivam o hábito da alimentação saudável em casa? Bom, nunca é tarde para começar, pela saúde da criança e de toda a família. E pode ser mais fácil do que muitos pensam desde que se respeite o tempo de cada um. Para os mais resistentes, pode-se começar aos poucos, com substituições que vão aumentando gradativamente até que toda a adaptação seja concluída.

Para todos os casos, o importante é não radicalizar, podendo-se estabelecer uma ‘folga’ para a criança e estipulando um dia em um período em que ela teria a lancheira ou a cantina com um alimento que foge da sua rotina equilibrada.

Além disso, é fundamental mostrar para seu filho que o lanche saudável não sinônimo de aparência ou gosto “ruim”, mas pelo contrário, pode ser muito atraente e gostoso, se feito com criatividade e os ingredientes certos.

Por aqui, algumas dicas para uma lancheira nutritiva

– Frutas: o ideal é não cortar, sob o risco de algumas ficarem escuras e tirarem o atrativo do sabor, e também inferir na perda de nutrientes até o a hora do recreio. Assim, prefira frutas pequenas que possam ser mordidas inteiras ou que possam ser descascadas na hora, tais como uva, morango, mini maça, banana.

– No lugar dos sucos artificiais, prefira os de fruta natural ou água de coco que, embora calóricos, são funcionais
– Derivados de leite sem corantes
– Pão ou biscoito integral, sem recheio
– Lanches naturais, com queijo branco no lugar dos processados (amarelo)

Para ler na íntegra, acesse:  https://blogdopediatra.blogosfera.uol.com.br/2019/08/11/alimentacao-saudavel-na-escola-o-segredo-comeca-em-casa/

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Conheça os livros do dr. Sylvio Renan, publicados pela MG Editores:

PEDIATRIA HOJE
Orientações fundamentais para mães, pais e cuidadores


Nesta obra, Sylvio Renan Monteiro de Barros selecionou os principais textos publicados em seu site, o Blog do Pediatra, e no portal Minha Vida. Seu olhar cuidadoso e sensato, permeado pelos ensinamentos de D. W. Winnicott e também pelas mais recentes atualizações da medicina, constitui um farol no caminho de pais, mães, cuidadores, educadores e profissionais de saúde.

SEU BEBÊ EM PERGUNTAS E RESPOSTAS
Do nascimento aos 12 meses


Obra que reúne informações imprescindíveis para mães e pais de primeira viagem. Mas não se trata de um compêndio técnico sobre o “bebê-padrão”, e sim de um livro que aborda casos específicos atendidos pelo autor ao longo de três décadas de pediatria. Dividido em meses, traz perguntas e respostas sobre desenvolvimento físico e psicológico, alimentação, sono, comportamento, estímulos e cuidados com o bebê.


Quer saber mais sobre o assunto? Conheça também os livros na nutricionista Cláudia Lobo pela MG Editores:

ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NA INFÂNCIA
Conceitos, dicas e truques fundamentais


Todo dia surgem informações de como oferecer uma alimentação saudável aos filhos. Produtos que parecem ricos em nutrientes fazem sucesso, mas logo suas desvantagens são desmascaradas. Pensando nisso, a nutricionista Cláudia Lobo criou um guia para ajudar os pais a oferecer uma alimentação saudável às crianças. Mudança de hábitos, organização e perseverança são alguns dos ingredientes apontados por ela. Imperdível.

COMIDA DE CRIANÇA
Ajude seu filho a se alimentar bem sempre


Mostrando de maneira objetiva como montar um cardápio adequado à realidade de cada família, este livro ensina quais alimentos escolher na hora de comprar e por que fazê-lo; como economizar tempo e dinheiro; e como preparar refeições rápidas e nutritivas. Também sugere formas de transformar a própria criança em aliada no processo de educação alimentar e traz mais de 50 receitas nutritivas, ricamente ilustradas.

‘EXERCÍCIO, DIETA, NÃO FUMAR, SORTE: O QUE REALMENTE PROTEGE VOCÊ DO CÂNCER?’

Matéria de Luisa Picanço, publicada no UOL VivaBem,
em 08/08/2019.

Câncer: está aí um tema que ainda assusta muita gente. Não é por menos. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), essa é a segunda doença que mais provoca morte no mundo. No Brasil, a estimativa é que surjam 600 mil novos casos do problema por ano.

Por esse motivo, é comum pessoas questionarem o que funciona de verdade para evitar tumores, e se isso é realmente algo possível. A resposta é sim, pelo menos em algumas situações, e vamos mostrar a seguir o que realmente é capaz de inibir a doença.

Drible os fatores de risco Para começo de conversa, é importante saber que, mesmo que faça “tudo certo” –ou seja, leve uma vida só com bons hábitos –, qualquer pessoa pode ter câncer um dia. “Isso porque a idade é o principal fator de risco isolado da doença”, explica Ademar Lopes, cirurgião oncológico e vice-presidente do A.C. Camargo Cancer Center.

Porém, de acordo com uma pesquisa realizada por cientistas da USP (Universidade de São Paulo) em parceria com a Universidade Harvard (EUA), cerca de 114 mil casos de câncer no Brasil seriam inibidos com mudanças no estilo de vida que combatem os principais fatores de risco da doença, entre elas estão:

  • Não fumar;
  • Não se expor excessivamente ao sol;
  • Não exagerar no consumo de bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados;
  • Manter-se no peso adequado e evitar a obesidade;
  • Ingerir ao menos cinco porções de frutas, legumes e verduras por dia;
  • Praticar exercícios regularmente (ao menos 150 minutos por semana).

Segundo Mônica de Assis, médica sanitarista do Inca (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva), com essas atitudes é possível evitar, por exemplo, o câncer de pele, o câncer de pulmão, o câncer de boca, o câncer de cólon e reto, o câncer de mama e câncer de colo de útero, que são doenças passíveis de prevenção primária –ou seja, que o combate está associado ao estilo de vida.

Exames que ajudam a evitar a doença

Segundo o Inca, a prevenção secundária do câncer consiste em detectar a doença previamente e tratá-la no início ou até antes mesmo de se tornar um tumor –o que na maioria dos casos é determinante para o sucesso do tratamento.

Para isso, os médicos recomendam que exames periódicos sejam feitos na população de maneira geral, como no caso de mulheres entre 25 e 64 anos, que devem realizar o papanicolau anualmente nos dois primeiros exames e, se ambos tiverem resultado negativo, passar a fazer o teste a cada três anos. Essa é a principal forma de identificar lesões no colo do útero causadas pelo HPV (papiloma vírus humano), que podem virar um tumor.

Já o câncer de cólon e reto (no intestino) pode ter sua incidência reduzida com exames para identificação precoce e tratamento dos pólipos, lesões que podem progredir para um câncer.

Sem falar dos já conhecidos exames de PSA e toque retal, que devem ser realizados regularmente pelos homens a partir dos 50 anos para a detecção do câncer de próstata; e a mamografia, que o Inca recomenda que seja feita anualmente pelas mulheres também após os 50 anos, para prevenção do câncer de mama.

Vacinas que previnem tumores

Sim, existe ainda a possibilidade de inibir a doença com imunizações. É o caso do câncer do colo do útero e do câncer de fígado. Para o primeiro, existe no SUS (Sistema Único de Saúde) a vacina contra HPV, que deve ser dada para meninos e meninas com idade entre 9 a 14 anos.

Já o câncer de fígado está associado à infecção pelo vírus da hepatite B, e a vacina é um importante meio de evitar o problema.

E a questão genética?

Segundo o Inca, são raros os casos de cânceres que ocorrem exclusivamente devido a questões hereditárias. No entanto, existem fatores genéticos que podem tornar algumas pessoas mais sensíveis à ação de agentes ambientais (cigarro, obesidade, álcool etc.) que causam câncer.

“Quando há história de câncer na família é possível fazer um aconselhamento genético”, recomenda Lopes. Isso significa ir a uma ou mais consultas com um geneticista ou oncogeneticista para identificar o possível risco de desenvolver tumores. Assim, se necessário, a pessoa pode iniciar um tratamento precoce para evitar a doença ou atenuar consequências mais graves.

Se existe o risco hereditário também é recomendado que os exames de detecção precoce sejam realizados muito mais cedo do que para o restante da população.

Vale ressaltar que, para boa parte dos cânceres, somente 5% a 15% dos casos são hereditários e, geralmente, as mutações no DNA das células que levam ao surgimento de tumores são adquiridas ao longo dos anos, devido a um estilo de vida inadequado.

Câncer é uma questão de falta de sorte?

Há alguns anos, um trabalho científico realizado por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins (EUA) levantou uma discussão se o câncer não seria apenas uma questão de falta de sorte.

No estudo, falou-se sobre a probabilidade de ocorrência de algum erro no momento da divisão celular –fenômeno que ocorre normalmente no nosso organismo ao longo de toda a vida –, gerando uma nova célula defeituosa.

Normalmente, nosso corpo é programado para reconhecer esses erros e destruí-los, mas, se esse mecanismo falhar, podemos ter a replicação dessa célula e a formação de um tumor. Há pessoas que nunca vão desenvolver alguns tipos de câncer apenas por seus bons hábitos, mas há pessoas que vão mesmo com um estilo de vida adequado. Na dúvida, para não contar só com a sorte, a recomendação é evitar se expor aos possíveis causadores.

“Sabemos que alguns vírus e hábitos elevam o risco da doença, mas o fato é que o conhecimento científico não consegue ainda explicar porque a presença de fatores ambientais e mesmo hereditários podem resultar em um câncer em alguns indivíduos e em outros, não” explica Almeida.

Portanto, é fundamental para a prevenção de tumores seguir a máxima de fazer exercícios regularmente, manter-se no peso ideal, realizar um check-up médico periódico, ter uma alimentação saudável, evitar o cigarro ou produtos ligados ao tabaco, maneirar no consumo de álcool e de alimentos ultraprocessados e proteger-se do sol.

Fontes: Mônica de Assis, médica sanitarista da Divisão de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede do Inca (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva); Liz Almeida, médica epidemiologista e chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca; e Ademar Lopes, cirurgião oncológico e vice-presidente do A.C. Camargo Cancer Center.

Para ler na íntegra, acesse:
https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/08/08/treino-dieta-vacina-sorte-o-que-voce-realmente-ajuda-a-evitar-o-cancer.htm

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Quer saber mais sobre o assunto?  Conheça o livro:

CÂNCER E PREVENÇÃO
Organizadores: Ricardo CaponeroArtur Malzyner
MG EDITORES



Voltado para leigos, este livro, escrito por uma equipe multidisciplinar, explica o que é câncer e como preveni-lo; aborda a prevenção primária por meio de cirurgias, medicamentos, alimentação adequada e hábitos saudáveis; esclarece sobre a importância do diagnóstico precoce; e fala sobre os principais tipos de tratamento existentes. Fundamental para pacientes, familiares, psicólogos, enfermeiros etc.

‘CUIDADOS AO FINAL DA VIDA: ENTENDA A IMPORTÂNCIA DOS TRATAMENTOS PALIATIVOS’

Artigo de Dante Senra, originalmente em sua coluna no
UOL VivaBem, em 15/06/2019

Os cuidados ao final da vida, também chamados de paliativos, tornaram-se uma especialidade da medicina. A palavra paliar etimologicamente vem do latim palium, que significa proteção. O termo era usado para nomear o manto que os cavaleiros usavam na época das cruzadas para protegê-los do vento, frio e tempestades pelos caminhos que percorriam.

Os médicos que escolhem esta especialidade exercem a arte de cuidar com competência e humanidade dos pacientes e familiares diante da finitude da vida. Em outras palavras, promovem qualidade de vida diante das doenças diante das doenças que ameaçam sua continuidade, prevenindo e aliviando o sofrimento através do tratamento da dor e de outros problemas de natureza física, psicossocial e espiritual.

Ao contrário do que se imagina, nestas condições são acrescidos cuidados, e não retirados. Esses cuidados tem como princípios básicos a aceitação dos valores próprios e prioridades dos pacientes, afirmando a vida e encarando a morte como processo natural. Assim, centram-se no bem-estar do indivíduo doente, ajudando-o a viver intensamente quanto possível até o fim. Baseia-se na disponibilidade e compaixão e somente é prestado quando bem aceito pelo paciente e familiares.

Por que isso é importante?

Tamanha é a obviedade desta pergunta que parece até estranho explicar por que aliviar a dor, mas cabe aqui um reforço. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) cerca de 18 milhões de pessoas morrem com dor desnecessária todos os anos no mundo devido acesso inadequado ao tratamento. Na tentativa de amenizar este problema, em 2012, autoridades da saúde de mais de 200 países aprovaram a primeira resolução de Cuidados Paliativos na Assembleia Mundial de Saúde. A ideia era viabilizar o acesso e tornar os cuidados paliativos como tratamento de prioridade.

Talvez as únicas coisas que podem amenizar a dor da perda (se é que é possível isso) são a sensação de realização plena de nossas tarefas e obrigações como familiares e médicos, bem como a certeza que o sofrimento do paciente foi abortado ou pelo menos reduzido em grande parte.

Por isso os pilares do tratamento paliativo baseiam-se no controle dos sintomas nesta difícil fase da vida (dor, fadiga, falta de ar, insônia, falta de apetite, distúrbios gastrointestinais e alterações cognitivas) e no apoio a família. Para tal, uma equipe multidisciplinar (médicos, enfermeiras, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e até fonoaudiólogas) com formação específica na área é fundamental.

No cuidado paliativo todo o esforço é feito para que o paciente permaneça autônomo, com preservação de seu autocuidado sempre que possível. Apesar do número de doenças cardiovasculares e doenças infectocontagiosas estarem aumentando em nosso país e os números da violência serem assustadores, ainda é bem maior, segundo o DATASUS, a possibilidade de se morrer de uma doença crônica. Portanto, a necessidade desse cuidado pode não estar tão distante de nós.

Principais dificuldades dos cuidados paliativos

Somente não é possível a aplicação de cuidados paliativos quando a morte se instala de maneira súbita por doença, violência ou acidente. Mas, mesmo assim, sua aplicabilidade na prática é reduzida em nosso país. Diversos são os fatores dificultadores da atuação dos paliativistas.

A inclusão destes cuidados na atenção básica não ocorre. Outro fator que dificulta demais a sua aplicabilidade é quando estes cuidados são indicados na residência pois o preço alto dos medicamentos e o armazenamento, distribuição e descarte de opiáceos (medicamentos para dor controlados) praticamente inviabilizam o tratamento.

Mas, sem dúvida o maior dos obstáculos é o preconceito. Os profissionais desta área precisam vencer não só o preconceito de falar de cuidados paliativos tanto dos pacientes quanto dos familiares, como também a frustração do paciente devido a falência do tratamento da doença de base.

Com o entendimento de que a vida é finita a aceitação de cuidados paliativos talvez seja mais fácil, mas até hoje, famílias e pacientes ouvem de médicos e profissionais de saúde a frase “não há mais nada a fazer”. A médica inglesa Cicely Saunders sempre refutava: “ainda há muito a fazer”. Em 1967, ela fundou o St. Christopher´s Hospice, o primeiro serviço a oferecer cuidado integral ao paciente, desde o controle de sintomas, alívio da dor e do sofrimento psicológico. Até hoje, o St. Christopher é reconhecido como um dos principais serviços no mundo em Cuidados Paliativos e Medicina Paliativa.

Ela faleceu em 2005, em paz, sendo cuidada no St. Christopher. É dela a expressão que norteia e inspira essa excepcional especialidade médica: “Eu me importo por você ser você, eu me importo até o ultimo momento da sua vida e faremos de tudo o que está ao nosso alcance, não só para ajudar você a morrer em paz, mas também para você viver até o dia da sua morte!”

Para ler na íntegra, acesse:
https://vivabem.uol.com.br/colunas/danta-senrra/2019/06/15/cuidados-ao-final-da-vida.htm

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Se você é profissional de saúde e quer saber mais sobre o assunto, conheça:

CUIDADOS PALIATIVOS
Diretrizes para melhores práticas
Organizadores: Ricardo CaponeroMarcella Tardeli Esteves Angioleti SantanaAna Lucia Coradazzi
MG EDITORES



O conhecimento do ser humano evolui continuamente em todas as áreas. Na medicina, porém, o avanço de uma ampla gama de tecnologias voltadas para o prolongamento da vida – desejo primitivo dos seres humanos – deu lugar à tecnocracia. Esse movimento iludiu leigos (e muitos profissionais) e criou mitos, sobretudo o de que a morte poderia ser vencida. O problema é que essa obstinação terapêutica é hoje, muitas vezes, fonte de sofrimento – e paradoxalmente pode resultar no abreviamento do tempo de vida.
Assim, é fundamental resgatar a qualidade do cuidar, não só do ponto de vista biológico, mas também mental e espiritual. Não se trata de abandonar o desenvolvimento tecnológico, mas de integrá-lo à visão plural de cuidado.
Partindo desse pressuposto, esta obra – escrita por uma equipe multidisciplinar – se baseia numa prática integrativa, na qual todas as áreas de conhecimento trabalham juntas na busca da melhor qualidade de vida e da dignidade humana. Dividida em 16 capítulos, ela oferece protocolos seguros e eficazes que aliviam os principais sintomas dos pacientes que demandam atenção paliativa e traz uma série de opções de tratamento. Também são abordados temas como plano avançado de cuidados e diretivas antecipadas de vontade, além dos cuidados de fim de vida. Trata-se de uma referência fundamental num campo que está em franco desenvolvimento.

‘PESQUISA DA USP CHEGA A TRATAMENTO INÉDITO PARA FIBROMIALGIA’

De Gabrielly Borges e Pedro Teixeira, da Agência de Inovação da USP,
publicado no UOL VivaBem em 11/05/2019

Existe um novo meio de combate à fibromialgia, criado e aplicado por pesquisadores do Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, que conseguiu controlar a dor da fibromialgia em 90% dos pacientes. O tratamento é chamado de fotossônico e realizado a partir de um equipamento, considerado pioneiro no mundo, desenvolvido pela equipe que realiza a aplicação conjugada de ultrassom e laser terapêutico, de baixa intensidade. Tanto o protocolo da terapêutica como o aparelho utilizado são considerados inéditos.  Tradicionalmente, se apela à fisioterapia, realizada nos locais da dor, chamados de pontos gatilho ou tender point. O fotossônico, por sua vez, é aplicado em toda a palma da mão, sendo apenas três minutos em cada uma, duas vezes por semana. São necessárias dez sessões.

“O aparelho de ultrassom já é usado tradicionalmente na fisioterapia, em reabilitações. A propagação de ondas sonoras promove uma agitação e aquecimento nos tecidos biológicos, estimulando vasos sanguíneos, homogeneizando e melhorando a eficiência das ações metabólicas, enquanto o laser atua por meio da penetração da luz no nível bioquímico. Assim, desencadeia a liberação de endorfinas, inibindo a dor. Além disso, a emissão tem efeito regenerativo, como comprovado em diferentes casos de reabilitação, ou mesmo em cirurgias plásticas, na reposição de colágeno. A sobreposição dos dois métodos concilia os estímulos, gerando um resultado ampliado”, explica o professor Vanderlei Bagnato, diretor do IFSC ao Jornal da USP no Ar.

O físico conta que o método de tratamento da fibromialgia foi descoberto em um processo mais amplo. A empresa Finep buscou o IFSC para financiar uma pesquisa acerca de bisturis ultrassônicos. Como o Brasil não tem tecnologia na área, é obrigado a importar, resultando em um preço proibitivo das cirurgias laparoscópicas. Esse instrumental está em processo final e logo estará no mercado, mas o trabalho dos pesquisadores rendeu mais.

“O aprendizado desembocou no desenvolvimento de uma terapêutica para artrite e artrose, tanto em membros inferiores (principalmente joelho) como superiores (sobretudo mãos). Em um processo que já dura sete anos, mais de 500 pacientes já passaram por nós. O protocolo de ação teve muito sucesso, pessoas que não se locomoviam voltaram a ter um dia a dia independente. E, inspirados nisso, testamos o tratamento para a fibromialgia.” O professor relata que se trata de uma doença complexa, com diagnóstico difícil, que ninguém entende bem as causas. Os resultados foram novamente positivos, entre 60% e 70% tiveram um alívio muito bom da dor. Outra faixa reagiu em cerca de 50% ao tratamento, segundo os parâmetros de medição de incômodo. Isto é, conseguiu dormir mais facilmente e deixou de ter palpitação em certo lugar, mas ainda sente o quadro. E 10% não sentiram nenhum efeito. “São números expressivos, pois já tivemos muitos pacientes e a tendência é de melhora”, argumenta Bagnato.

Esses aparelhos estão em fase final de aprovação na Anvisa. Depois disso, essas inovações chegam de fato à sociedade. O professor salienta a importância do retorno dos profissionais, a partir do momento que têm essas ferramentas em mãos. Só assim se sabe o real efeito da pesquisa para o País, até para fora, dando a contrapartida necessária para a ciência também avançar. Além disso, o docente ressalta que todo cidadão do Estado de São Paulo, grosso modo do Brasil, tem a USP no seu dia a dia. “Seja por logística de transporte e construção civil, ou saúde, biotecnologia, novos fármacos, vacinas e até meio ambiente. Há um esforço geral de todas as universidades para contribuir.”

Para ler na íntegra, acesse: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2019/05/11/pesquisa-da-usp-chega-a-tratamento-inedito-para-fibromialgia.htm

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Quer saber mais sobre fibromialgia? Conheça o livro:
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FIBROMIALGIA SEM MISTÉRIO
Um guia para pacientes, familiares e médicos
Autor: Manuel Martínez-Lavín
MG EDITORES

Este livro esclarece vários aspectos de um problema de saúde polêmico e ainda não totalmente compreendido nem mesmo pela classe médica: a fibromialgia. Apresenta os principais sinais e sintomas dessa doença, explica por que seu diagnóstico é tão difícil e apresenta alguns conceitos importantes que explicam a provável causa e as possibilidades de tratamento do problema.

‘FALAR SOBRE BENEFÍCIOS DOS ALIMENTOS AJUDA A MELHORAR HÁBITOS DE CRIANÇAS’

Matéria de Roberta Jansen e Ana Paula Niederauer, do Estadão Conteúdo, e reproduzida no UOL VivaBem 09/05/2019

Reza uma das histórias mais queridas de especialistas em alimentação do mundo todo que quando as tiras do marinheiro Popeye surgiram, na década de 1930, o consumo de espinafre disparou entre crianças. Seria mesmo eficaz relacionar os benefícios dos alimentos de forma lúdica? Um estudo publicado nesta semana na revista científica Journal of Nutrition, Education and Behavior garante que sim.

Explicar para as crianças os benefícios de cada alimento é uma estratégia eficaz para fazer os pequenos comerem de forma mais saudável. A conclusão é de um estudo da Universidade Estadual de Washington e da Universidade Estadual da Flórida, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores descobriram que frases como “se você comer lentilhas, vai ficar mais forte e correr mais rapidamente” eram mais eficientes para convencer crianças a comerem do que apenas oferecer os alimentos sem nenhuma explicação.

O trabalho revela que há o dobro de chance de as crianças aceitarem as comidas mais saudáveis quando são informadas sobre os benefícios em termos que possam entender.

“Toda criança quer ser forte, rápida, pular mais alto”, diz a principal autora do estudo, Jane Lanigan, professora do Departamento de Desenvolvimento Humano da Universidade Estadual de Washington. “Com esses argumentos, as comidas ficam mais atraentes.”

A primeira infância é um período crítico para o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis. Mas, em um mundo repleto de ofertas de fast-food e doces, a maioria das crianças tem dificuldade de aceitar algumas refeições.

Para entender a importância da informação agregada, os especialistas ofereceram alimentos saudáveis a um grupo de 87 crianças de 3 a 5 anos. Antes de o experimento começar, pediram às crianças que informassem o quanto gostavam de quatro comidas: pimentão, tomate, quinoa e lentilha. Durante as seis semanas da experiência, os pesquisadores ofereceram os alimentos que as crianças menos gostavam com informações sobre os benefícios. Os demais alimentos eram oferecidos sem nenhuma explicação.

“Um mês depois do fim do experimento, descobrimos que as crianças estavam comendo o dobro dos alimentos sobre os quais receberam explicações, em comparação com os demais”, afirmou Jane.

A pesquisadora, que tem dois filhos, disse que poderia ter feito as coisas de forma diferente, se tivesse as informações que têm hoje. “Muitas vezes dizemos aos pais o que as crianças devem comer, mas não como fazê-las comer. E isso é muito importante.” O horário das refeições, diz, é um bom momento para que os pais estimulem a exploração de diferentes alimentos.

Exemplo

O pediatra Roberto Cooper, da Universidade Estácio de Sá, diz que a conversa com a criança é sempre crucial. Mas, segundo ele, o exemplo da família também é importante. “Não dá para cobrar da criança uma alimentação saudável, se a família não come de forma saudável. O exemplo de casa é anterior à explicação. Estamos falando de crianças de 1 ano e meio, que nem falam.”

A profissional de Educação Física Luciana Tella, mãe de Letícia, de 2 anos, sabe da importância do exemplo. Ela conta que a alimentação saudável é seguida tanto em sua casa como na dos avós. “Procuramos sempre comer salada, legumes e poucas frituras – e mais assados.”

Mãe de Gustavo, de 9 anos, e Vinícius, de 4, a empresária Rosana Venceslau também aposta no incentivo em casa, principalmente para o caçula, mais seletivo. Nesta Páscoa, aproveitou para falar da cenoura. “Para você correr como o coelhinho corre e enxergar bem igual ao coelhinho, tem de comer cenoura”, disse a Vinícius. “Ele prestou atenção e consegui convencê-lo”, garante. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://vivabem.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2019/05/09/falar-sobre-beneficios-dos-alimentos-ajuda-a-melhorar-habitos-de-criancas.htm?cmpid=copiaecola

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Tem interesse no assunto? Conheça :

ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NA INFÂNCIA
Conceitos, dicas e truques fundamentais
Autora: Cláudia Lobo
MG EDITORES

Todo dia surgem informações de como oferecer uma alimentação saudável aos filhos. Produtos que parecem ricos em nutrientes fazem sucesso, mas logo suas desvantagens são desmascaradas. Pensando nisso, a nutricionista Cláudia Lobo criou um guia para ajudar os pais a oferecer uma alimentação saudável às crianças. Mudança de hábitos, organização e perseverança são alguns dos ingredientes apontados por ela. Imperdível.

 

COMIDA DE CRIANÇA
Ajude seu filho a se alimentar bem sempre
Autora: Cláudia Lobo
MG EDITORES

Mostrando de maneira objetiva como montar um cardápio adequado à realidade de cada família, este livro ensina quais alimentos escolher na hora de comprar e por que fazê-lo; como economizar tempo e dinheiro; e como preparar refeições rápidas e nutritivas. Também sugere falimentaormas de transformar a própria criança em aliada no processo de educação alimentar e traz mais de 50 receitas nutritivas, ricamente ilustradas.

 

‘ANSIEDADE E DEPRESSÃO PODEM OCORRER AO MESMO TEMPO?’

Matéria de Amanda Massarana, publicado originalmente no UOL VivaBem,
em 09/05/2019.

A ansiedade e a depressão são problemas distintos, cada um com suas próprias características, e muitas vezes são até considerados opostos. Porém, na realidade, essas duas condições podem, sim, coexistir em uma mesma pessoa. Fato é que tanto a ansiedade quanto a depressão envolvem comportamentos que atrapalham muito a rotina, gerando um alto prejuízo social, profissional e nos relacionamentos interpessoais de forma geral.

Ansiedade e depressão juntas: como começa?

Mas, afinal, a ansiedade leva à depressão ou é o contrário? Não há como saber exatamente. “Muitas vezes os sintomas acontecem simultaneamente e a relação entre eles pode não ser tão simples de ser identificada”, afirma o psiquiatra Fernando Fernandes, do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Para tentar traçar esse caminho, o psicólogo André Rabelo, pesquisador de pós-doutorado da UnB (Universidade de Brasília), traz o exemplo de uma pessoa com depressão. Esse quadro gera uma situação de falta de controle, porque a pessoa se vê triste, sem energia e, mesmo tendo motivos para fazer o que precisa, ela não tem ânimo. Ao passar muito tempo assim, pode-se gerar uma angústia tão grande que pode levar à ansiedade. Da mesma forma, uma pessoa com ansiedade que sofre muito com preocupações excessivas, acaba pensando obsessivamente em uma mesma questão e não consegue regular isso. Então, com o passar do tempo e o sofrimento dessa condição, ela vai ficando debilitada, se achando inferior, menos capaz. Tudo isso vai deixando-a desesperançosa, melancólica, chegando aos sintomas da depressão.

No entanto, Fernandes reforça que é preciso compreender que existe uma diferença entre ter o sentimento de ansiedade e ter de fato um transtorno ansioso, como transtorno do pânico, fobias, transtorno de ansiedade generalizada e transtorno do estresse pós-traumático, por exemplo.

“O sentimento de ansiedade é normal até certo ponto, mas pode se tornar patológico. É um sentimento que pode acontecer tanto nos transtornos ansiosos, quanto na depressão”, ele explica. Dessa forma, é possível que o sentimento de ansiedade faça parte de um quadro depressivo. Inclusive, de acordo com Fernandes, metade dos casos de depressão caminham junto com a ansiedade.

“O sentimento de ansiedade é normal até certo ponto, mas pode se tornar patológico. É um sentimento que pode acontecer tanto nos transtornos ansiosos, quanto na depressão”, ele explica. Dessa forma, é possível que o sentimento de ansiedade faça parte de um quadro depressivo. Inclusive, de acordo com Fernandes, metade dos casos de depressão caminham junto com a ansiedade.

Como saber se tenho depressão e ansiedade

Uma pessoa que esteja convivendo com os dois problemas poderá apresentar os sintomas comuns de depressão e de ansiedade, como também pode não ter os sintomas tão explícitos. Fernandes afirma, inclusive, que existem diversos casos em que o paciente busca ajuda querendo tratar a ansiedade, mas que na verdade essa pessoa tem um quadro depressivo e não sabe.

“Já em outros casos, a pessoa tem a depressão e tem a associação de um transtorno ansioso, aí nós chamamos isso de comorbidade”, ele afirma. Dessa forma, a maneira mais segura de conseguir um diagnóstico e, consequentemente, o melhor tratamento é buscando ajuda especializada.

Sintomas de depressão e ansiedade

Conheça mais sobre os sintomas de cada uma das condições:

– Depressão: é caracterizada por sintomas como humor deprimido, juntamente com a diminuição do prazer, desde as atividades diárias até a perda da libido. Alterações de apetite, como aumento ou diminuição, assim como desregulação do sono também podem ocorrer, além de quadros de fadiga, cansaço, indisposição, sentimento de culpa e inadequação e dificuldade para se concentrar.

– Ansiedade: temos como característica a ansiedade em si como conhecemos, a preocupação excessiva, não necessariamente com um foco. Essa preocupação não é controlada pelo indivíduo, é uma invasão da mente. Junto com a ansiedade, pode surgir a inquietação, o nervosismo, a fadiga e o cansaço, além da dificuldade para se concentrar. Também pode haver alterações de sono, mas nesse caso, o sono se torna mais leve e com pouca qualidade. Entre os sintomas físicos, estão a falta de ar, o suor, a mão gelada, boca seca, tontura e náusea.

Prevenção e tratamento

Para entender se é hora de procurar ajuda especializada, o melhor é observar os seus sintomas. O que vai ser determinante é a intensidade e a frequência com que eles aparecem no dia a dia. “Estar ansioso antes de uma prova é comum, mas sentir-se assim todo dia, a maior parte do dia não, já é um indicativo de algo mais sério”, diz psicóloga Juliana Leonel, professora do Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas. O mesmo serve para a depressão.

Fernandes acrescenta que existem tratamentos medicamentosos que podem ajudar a tratar a depressão, o transtorno ansioso e a depressão ansiosa, além de terapias, que são uma excelente forma de tratamento. “Para transtornos ansiosos e depressão, a terapia cognitivo comportamental funciona muito bem e é o método com uma maior evidência de eficácia”, ele destaca.

Entretanto, o ideal é estar atento para se prevenir dessas condições, apostando em qualidade de vida, melhora da rotina, em boas noites de sono e na alimentação. E, se sentir que algo está errado, não tente ignorar o problema, busque ajuda, seja de um psicólogo ou psiquiatra. “Não há porque ter vergonha e estigma em procurar um profissional da saúde mental. Ao reconhecer os sintomas, procure ajuda porque quer ficar bem, porque está preocupado com a sua saúde”, finaliza Leonel.

Para ler na íntegra, acesse: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2019/05/09/ansiedade-e-depressao-podem-ocorrer-ao-mesmo-tempo.htm

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça:

transtornoestressTRANSTORNOS DE ANSIEDADE, ESTRESSE E DEPRESSÕES
Conhecer e tratar
Autor: Breno Serson
MG EDITORES

Insônia, falta ou excesso de apetite, falta de ar, tonturas, medos, aperto no peito, pensamentos angustiantes. Esses e outros sintomas físicos e mentais podem indicar um transtorno de ansiedade ou depressão, que atinge cada vez mais nossa sociedade contemporânea. Este livro objetiva partilhar conhecimento, em linguagem simples, estressesobre os transtornos ansiosos e depressivos e os tipos de tratamento disponíveis, refletindo sobretudo sobre a integração de tratamentos convencionais e de medidas gerais benéficas.