‘NOVO ENSINO DE HISTÓRIA DA ÁFRICA NO PAÍS DESTACA RESISTÊNCIA E CULTURA AFRO’

Implementação de lei que tornou obrigatória a temática no currículo é irregular entre estados e municípios

Matéria de Angela Pinho, publicada na Folha de S. Paulo,
em 19/11/2019.

Eles à noite ganham vida, mandam cartas para as crianças e, no final do ano, saem de férias  para voltar com novos objetos.

Os bonecos da família Abayomi estão no centro do trabalho pedagógico da Escola Municipal Nelson Mandela, no Limão (zona norte de SP), que atende crianças de 4 a 6 anos. O pai, Azizi, é um príncipe africano. A mãe, Sofia, é sua mulher e branca. O casal tem dois filhos miscigenados, um de cor mais clara e outro de uma mais escura.

A partir da história deles, construída em conjunto com as crianças, a escola aborda diversos temas relacionados às questões étnico-raciais, como o racismo, a explicação biológica para a diferença de cor da pele e outras.

A escola é uma das que transformaram seu currículo desde a sanção da lei que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afrobrasileira. Dezesseis anos após a legislação entrar em vigor, a implementação da medida ainda é irregular pelo país. As iniciativas existentes, porém, têm cada vez mais tentado mostrar uma história do negro que vai muito além da escravidão.

Ao analisar os planos de educação de todos os estados e de uma amostra de municípios do país para uma publicação do Conselho Nacional de Educação (CNE) de 2018, a cientista social Edilene Machado Pereira, doutora pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), constatou que os planos estaduais, em regra, contemplam o previsto na lei, com ações que viabilizem a efetiva implementação, como capacitação de professores e produção de material didático.

Nos planos municipais, porém, muitas vezes há menção à lei, mas sem indicação de ações que a tornem efetiva. Ela observou ainda que muitos dos documentos, tanto no âmbito estadual como municipal, têm redação semelhante.

Curiosamente, entre as regiões analisadas, destacou-se a Sul, que tem a menor proporção de população negra, com uma série de ações.

Para Ivan Siqueira, presidente da Câmara de Educação Básica do Ministério da Educação, isso se deve à consolidação do quadro de técnicos das secretarias de Educação dessa região.

“Muitos estados e municípios colocaram a lei no currículo, mas quando se vai ver o que de fato acontece, verifica-se que, em muitos, é letra morta”, afirma. “O país avançou nesse sentido, mas é preciso fazer mais.”

Doutora em educação pela USP e consultora do Ceert (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades), Waldete Tristão corrobora a afirmação. Ela trabalha como formadora de educadores nessa temática. “Ainda nos surpreendemos ao chegar em instituições e secretarias e ver que, para muitos, esse é um assunto novo”, diz.

Nas escolas onde a lei saiu no papel, consolida-se cada vez mais a ideia de que falar em história e cultura afrobrasileira é ir muito além do período da escravidão, e enfatizar não só a opressão, mas também a resistência dos negros.

É o que ocorre na Nelson Mandela, que decidiu adotar esse nome por sugestão da própria comunidade escolar após um episódio traumático. Depois de começar a priorizar o tema, o muro do colégio amanheceu com uma pichação com uma suástica e a seguinte inscrição: “Vamos cuidar do futuro de nossas crianças brancas”.

A partir do episódio, em 2011, a escola decidiu aprofundar o trabalho, que todo ano é desenvolvido a partir de um tema.

Neste, cada sala ganhou o nome de uma mulher negra, como a cantora Dona Ivone Lara, a artista Lia de Itamaracá e a guerreira Dandara, mulher de Zumbi dos Palmares. As crianças pesquisam sobre elas e, a partir das descobertas, aparecem com perguntas, que vão do motivo de a cor da pele ser diferente de pessoa para pessoa e de por que algumas das homenageadas foram discriminadas. No segundo semestre, buscam saber mais sobre a própria história. Os pais também participam de muitas das atividades.

Como resultado, diz a coordenadora Marina Basques Masella, famílias que não se viam como negras passam a se reconhecer, e as crianças desenvolvem vocabulário para nomear as coisas em geral, e o racismo em particular, além de reconhecerem suas características físicas como referenciais de beleza, o que não acontecia antes para as negras.

Em vigor desde 2018, o currículo da cidade de São Paulo prevê que as crianças tenham contato com brinquedos e manifestações artísticas de origem africana ou afrobrasileira nas primeiras séries do ensino fundamental. Nas posteriores, o tema entra em cena em conteúdos de história e geografia, entre outras disciplinas.

Norteadora dos currículos das redes de ensino, a Base Nacional Comum Curricular também prevê a abordagem de cultura africana e da história do continente antes, durante e depois da escravidão.

A preocupação em ampliar o foco está presente também no ensino superior, que forma os futuros professores.

A tendência é privilegiar cada vez mais os atores africanos ao contar a história do continente, levando-se em conta a sua enorme heteogeneidade, diz Leila Leite Hernandez, professora de história da África na USP. Isso significa dizer quem eram os africanos, de onde vieram, o que faziam etc.

Ela explica que, ao se falar da servidão, há uma ênfase crescente na resistência dos negros, tanto na forma de rebeliões como em outras, como o trabalho lento e as fugas para o interior.

A nova abordagem abriu espaço para que as novas gerações aprendam na escola episódios como a Revolta dos Malês, levante de escravos muçulmanos na Bahia ocorrido em 1835.

Apesar dos avanços, Leila avalia que ainda é preciso mais. Na USP, pioneira na abordagem do tema no curso de história, a África é tema de apenas um semestre de disciplina obrigatória. E em outros espaços, nem isso.

“Em alguns lugares, a história da África continua sendo ensinada pelo marco da escravidão, que conta a história pela metade. É um problema tanto do ponto de vista da historiografia como da valorização da criança negra.”

Se conhecer o que passou é fundamental, ainda não é o suficiente, dizem educadores que trabalham com o tema.

“Não podemos nos ater ao passado. É preciso entender qual o legado da história dos povos africanos no Brasil nas relações cotidianas”, diz Manuelita Falcão Brito, superintendente de educação básica da Secretaria da Educação da Bahia. Por exemplo, compreender a relação entre escravidão e racismo e desigualdade.

O estado trabalha com o tema de forma transversal, com prioridade à formação de professores. Iniciativas das próprias escolas também são incentivadas.

Na rede particular, a prioridade à temática varia, ainda que a abordagem seja obrigatória, uma vez que está na BNCC.

Na região central de São Paulo, o Colégio Equipe é um dos que nos últimos anos passou a dar mais espaço ao assunto. Antes de se trabalhar a escravidão, a disciplina de história no ensino fundamental expõe aos alunos as diversas realidades africanas. Em uma parceria com a área de língua portuguesa, o tema é ampliado com a história em quadrinhos “Angola Janga”, de Marcelo D’Salete, que trata do quilombo de Palmares.

A ideia da escola é também ir além do passado. “Zumbi ainda é uma personalidade importante. Mas, mais do que personagens, a discussão caminha para atores sociais que atuam ainda hoje”, diz o professor de história Mauricio Freitas.

LIVROS PARA CONHECER MELHOR A HISTÓRIA DOS POVOS AFRICANOS

A África na Sala de Aula – Visita à História Contemporânea”, de Leila Leite Hernandez (Selo Negro, 680 págs., R$ 74 a R$ 81)

“Agbalá – um lugar continente”, de Marilda Castanha (Cosac Naify, 48 págs., a partir de R$ 17,90 na Amazon)

“Angola Janga”, HQ de Marcelo D’Salete (Editora Veneta, 432 págs., R$ 58 – R$ 89,90)

Coleção História Geral da África – dois volumes editados por Valter Roberto Silvério e disponibilizados para download gratuito no site da Unesco

“Coração das Trevas”, de Joseph Conrad (diversas editoras). A professora da USP Leila Leite Hernandez sugere aos adolescentes ler e emendar com o filme Apocalipse Now

“Histórias da Preta”, de Heloisa Pires Lima (Companhia das Letrinhas, 64 págs., R$ 35,90)

“Toques do Griô – memórias sobre contadores de histórias africanos”, de Heloisa Pires Lima e Leila Leite Hernandez (Melhoramentos, R$ 24,90 a R$ 49,60)

Fontes: Leila Leite Hernandez e Mauricio Freitas

Para ler na íntegra (apenas para assinantes da Folha de S. Paulo ou UOL), acesse https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/11/novo-ensino-de-historia-da-africa-no-pais-destaca-resistencia-e-cultura-afro.shtml

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Conheça o livro A África na sala de aula, de Leila Leite Hernandez, publicado pela Selo Negro Edições:

A ÁFRICA NA SALA DE AULA
Visita à história contemporânea
Autora: Leila Leite Hernandez
SELO NEGRO EDIÇÕES

Uma visão clara e abrangente da África contemporânea, que reúne questões polêmicas sobre o domínio europeu e a diversidade das lutas contestatórias até a formação dos Estados nacionais. Com rica pesquisa cartográfica, a obra interessa aos estudiosos de história, geografia, antropologia, ciência política e sociologia.
Edição revista.

‘MARIA DA PENHA DE SP LUTOU DIA APÓS DIA CONTRA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA’

Matéria publicada no Catraca Livre, em 12/11/2019.

Vítima de violência doméstica, Maria da Penha Nascimento de Campos decidiu colocar seu então marido na cadeia quando descobriu que ele tentou abusar de uma das filhas do casal, que tinha apenas 4 anos de idade. Ao ver uma marca de sangue no lençol, a mulher, que era costureira na época, ficou desconfiada e decidiu investigar o que havia ocorrido.

Após o agressor ser preso, ela enfim se viu livre da violência que sofria diariamente e teve um novo propósito na vida: ajudar outras mulheres que passavam pelo mesmo. Em meio a seu envolvimento com projetos contra o racismo e a violência doméstica, Maria da Penha criou a Associação Fala Negão / Fala Mulher, em 1992, e se tornou referência como ativista na zona leste de São Paulo.

Assim como a Maria da Penha que dá nome à lei contra a violência doméstica (criada em 2006), a Maria da Penha da capital paulista também se destacou no enfrentamento deste problema. Ela faleceu em 2008, aos 58 anos, em decorrência de um câncer.

Em entrevista à Catraca Livre, sua filha, Ana Minuto, especialista em liderança feminina, conta que sua mãe se casou com seu pai sem o consentimento de ambas as famílias. “Eu era bem pequena e cheguei a ir ao casamento deles. Uma das minhas tias conta que meu pai era muito terrível e até meu avô falou que não era uma boa opção pra ela. Mas vivemos com ele até os meus 4 anos, quando ele tentou abusar de mim”, afirma ela, hoje aos 44 anos.

Segundo Ana, seu pai tinha um problema sério com bebida e, quando estava alcoolizado, ficava extremamente violento. “Não me lembro com clareza dessa questão da violência doméstica, mas recordo que minha mãe tinha muitas marcas pelo corpo, mesmo sem eu entender o que significava aquilo”, relata. Depois do abuso, Ana passou por exames e não sofreu nenhum impacto físico.

Contar com uma família estruturada como apoio foi essencial para que Maria da Penha e as três filhas tivessem estabilidade emocional para passar por esse doloroso processo. “Muitas mães vivem isso sem ter para onde ir. Minha mãe, graças a Deus, pôde voltar para a casa da minha avó que, junto com meu avô, tio e tia se organizaram para ajudá-la na nossa criação”, explica. “Então, minha infância foi muito positiva e muito feliz, apesar do ocorrido.”

A vida e o desenvolvimento de Ana Minuto e de suas irmãs foi atrelada ao mundo político. Desde crianças, ou melhor, desde quando estavam na barriga da mãe, elas participavam das atividades nas organizações. Na mesma época, Maria da Penha começou a frequentar escolas de samba, pois seu pai já era sambista, e virou rainha de bateria. Por causa da violência doméstica, ela começou a se envolver mais com a questão feminina e, a partir de então, ajudou a criar várias associações e projetos com foco no enfrentamento do machismo e do racismo, como a rede de combate à violência doméstica em Itaquera, na zona leste de São Paulo.

“Minha mãe desenvolveu esse trabalho para pensar em políticas públicas contra violência doméstica. Também foi uma das precursoras dessas casas que cuidam das vítimas de agressões. Fez, ainda, algumas viagens internacionais para debater essa questão, principalmente abordando a liberdade financeira. Mas ela só conseguiu sair dessa situação porque tinha alguém que a ajudaria. A maioria das mulheres se mantém no ciclo da violência, pois depende do marido e não tem uma família ou uma rede de apoio”, relata Ana.

Além do envolvimento com os projetos sociais, Maria da Penha teve um ativismo muito presente nos lugares onde o negro era (e ainda é) apagado, isso por meio da própria associação, do Carnaval e também em sua atuação política no núcleo das mulheres negras do PT (Partido dos Trabalhadores).

Associação Fala Negão / Fala Mulher

A ONG Fala Negão, Fala Mulher, localizada em Itaquera, zona leste da capital paulista, foi criada há 27 anos e, desde então, desenvolve projetos para promover a educação, a cidadania e o respeito à diversidade.

Entre as muitas iniciativas feitas pela instituição, é possível destacar os cursos de alfabetização, as oficinas de hip hop e balé, encontros para debater questões raciais, de gênero e de sexualidade, orientação jurídica a mulheres vítimas de violência doméstica e discriminação racial, passeios culturais, entre outras.

Ana Minuto chegou a ser diretora da associação quando a mãe faleceu, em 2008, cargo que ocupou por cerca de 6 anos. “Eu atuava na área de tecnologia, mas saí do meu trabalho para me dedicar ao projeto. Através dessa experiência eu resolvi, ainda, que não queria mais trabalhar registrada. Então, fiz um curso de coach, o qual me ajudou a entender como poderia mudar esse cenário.”

Hoje, a especialista não é mais responsável pela ONG, mas continua desenvolvendo trabalhos sociais e faz parte de projetos, inclusive como voluntária.

“Quando você está envolvida [na questão da violência] dificilmente consegue sair, e eu tentei, pois era muito doloroso, eram muitas histórias difíceis, mas estava no meu DNA. A nossa forma de fazer política hoje e a nossa forma de representatividade são diferentes. Eu sei que o conhecimento que adquiri com minha mãe e a partir dos meus trabalhos torna o mundo de algumas pessoas melhor, inclusive o meu”, relata.

Legado de Maria da Penha

Ao indagar sobre o legado deixado pela mãe, Maria da Penha, afirma que ele se deu em diferentes esferas. A primeira foi a de transmitir uma mensagem tão forte e verdadeira para as filhas, que até hoje atuam por um mundo melhor como ativista, cada uma da sua maneira.

Para além da influência sobre a família, ela deixou uma marca na sociedade, como referência de sua época. “Ela é um ícone na zona leste em relação a direitos humanos. Qualquer pessoa que já era adulta há 30 anos, principalmente se atuou nessa região, vai saber quem foi minha mãe e o legado que ela deixou.”

Violência doméstica

Para Ana Minuto, o maior desafio do combate à violência doméstica atualmente é o entendimento do que o problema significa, por causa da desinformação. “Eu fazia palestras em escolas e as professoras reclamavam muito que os meninos tinham uma tendência de ficar puxando o cabelo das meninas. Isso é violência. Então, quando eu ia falar no local que isso é uma violência, as meninas diziam: ‘Não, ele faz isso porque gosta de mim’”, explica.

É necessário desmistificar o que é violência doméstica, pois ela acontece de inúmeras formas, seja através de como o homem fala com a vítima, de como ele a trata na rua ou se não a deixa trabalhar, por exemplo. Até mesmo as mulheres, que vivem em uma sociedade machista, replicam esse tipo de pensamento, e, por isso, se acontecer algo do tipo em seus relacionamentos, elas acharão que é natural. “Tem meninas hoje de 20 e poucos anos que apanham todos os dias. As mães delas apanharam, as avós delas apanharam, então a violência é natural em suas vidas”, diz a especialista.

Segundo ela, a grande dificuldade é enxergar, dentro desta naturalização, o que é a violência, já ela não tem idade, etnia ou classe social. “A mulher mais pobre tem tendência maior a sofrer violência doméstica, mesmo porque existe uma questão dos corpos do nosso país, que vem de uma violência, a escravidão. A nossa baixa autoestima se deu a partir dessa questão de como nosso país foi colonizado. O maior desafio é eu, enquanto mulher preta, entender o que é a violência pra mim, uma vez que eu convivi com a violência a vida toda.”

Embora seja otimista ao refletir sobre o problema, a especialista em liderança afirma que há uma coisa específica sobre a qual as pessoas falam muito, porém, fica na falácia: o empoderamento feminino. “Não existe empoderamento feminino sem protagonismo. Empoderamento tem a ver com protagonismo, sobre o que eu tenho que fazer para sair de uma situação. Você se empoderar não é o suficiente para sair de uma situação de violência doméstica.”

Ana Minuto pontua que sua mãe foi protagonista, e, por isso, conseguiu colocar seu pai na cadeia, que era alguém que ela amava. “Ela sabia que se não fizesse nada as coisas não iam mudar. Esse é o desafio do nosso país: a gente sempre espera que alguém vai vir e salvar tudo. A violência doméstica tem que ser combatida todos os dias. Diversidade é o mesmo: não adianta fazer um encontro por mês, tem que viver a diversidade diariamente, senão nada muda.”

Tudo isso passa pela questão da emancipação financeira das mulheres, seja via empreendedorismo ou via emprego. “É preciso que as pessoas criem consciência e estabeleçam uma rede que fale sobre o assunto. Muita gente reclama que só se fala de diversidade e machismo agora. Só se fala porque é necessário. Se não precisasse, seria ótimo, pois não existiria”, finaliza.

Campanha #ElaNãoPediu

Nenhuma mulher “pede” para apanhar. A culpa nunca é da vítima. A campanha #ElaNãoPediu, da Catraca Livre, tem como objetivo fortalecer o enfrentamento da violência doméstica no Brasil, por meio de conteúdos e também ao facilitar o acesso à rede de apoio existente, potencializando iniciativas reconhecidas. Conheça a nossa plataforma exclusiva.

Para ler na íntegra, acesse: https://catracalivre.com.br/cidadania/maria-da-penha-de-sp-lutou-dia-apos-dia-contra-violencia-domestica/

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Tem interesse pelo assunto e quer se aprofundar? Conheça:

O FIM DO SILÊNCIO NA VIOLÊNCIA FAMILIAR
Teoria e Prática
Organizadoras: Tereza Cristina Cruz VecinaDalka Chaves de Almeida Ferrari
SUMMUS EDITORIAL

Os artigos aqui reunidos foram escritos por profissionais de centro de referência às vítimas de violência – CNRVV. O livro aborda temas como a retrospectiva da questão da violência, o modo de funcionamento de uma sociedade e as intervenções possíveis. É uma obra de grande importância para todos que lidam com esse tema devastador, mostrando que há, sim, saídas possíveis.


‘CIRURGIA BARIÁTRICA É SEGURA, MAS TEM RISCO DE COMPLICAÇÕES’

A bariátrica costuma ser um procedimento seguro. Mas é preciso falar dos cuidados pós-cirurgia bariátrica que devem ser tomados para evitar complicações e efeitos colaterais.

Texto parcial de matéria de Rafael Machado, publicado originalmente
no Portal Drauzio Varella.

A cirurgia bariátrica é um procedimento indicado para reverter casos de obesidade grau 3. Ela ficou conhecida como “redução do estômago” porque muda a anatomia original do órgão e reduz sua capacidade de receber alimentos. No Brasil, são realizadas cerca de 65 mil cirurgias por ano, sendo 54 mil pela saúde suplementar (convênio) e 11 mil pelo sistema público de saúde.

Uma pessoa não operada tem espaço para consumir aproximadamente de 1 litro a 1,5 litro de alimentos. Já um estômago pós-bariátrica tem capacidade para 25 ml a 200 ml (equivalente a um copo americano). A cirurgia afeta ainda a produção do hormônio da saciedade, o GLP-1, o que diminui a vontade de comer, mas a redução da capacidade é mesmo a principal responsável pelo emagrecimento.

Cerca de 10% do peso é eliminado no primeiro mês, com uma perda que varia de 14% a 72% ao longo da vida. “Nos primeiros meses após a cirurgia, o paciente consegue comer apenas 200 g por refeição, o que faz com que ele perca peso expressivamente”, aponta o médico Marcos Leão Vilas Bôas, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). Uma pessoa não operada ingere entre 300 g e 500 g por refeição.

Em geral, a bariátrica é um procedimento seguro. A taxa de mortalidade fica entre 0,1% e 1%, de acordo com o tipo da cirurgia. A segurança e os resultados que proporciona contribuíram para que houvesse aumento de 84,73% no número de cirurgias realizadas no Brasil, passando de 34.6289 em 2011 para 63.969 em 2018. Somos o segundo país com maior número de procedimentos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Pouco se fala, porém, nos cuidados pós-cirúrgicos que devem ser tomados para evitar complicações e efeitos colaterais.

CUIDADOS IMEDIATOS APÓS A CIRURGIA BARIÁTRICA

Existem alguns critérios para passar pela cirurgia. Ela é recomendada para indivíduos obesos com IMC acima de 40 (para referência, é o caso de uma pessoa de 1,70 metro e 116 quilos), e pessoas que tenham IMC acima de 35 (como uma pessoa de 1,70 metro e 102 quilos) com doenças associadas, como diabetes, colesterol alto, hipertensão, hérnia de disco, esteatose hepática, entre outras.

Atualmente existem duas técnicas mais utilizadas. Sleeve ou manga é o método que retira parte do estômago sem alterar o intestino. Comumente é recomendada para pacientes que apresentem um quadro menos grave de obesidade. O outro método é chamado de bypass. Ele representa 70% das cirurgias realizadas no Brasil, sendo mais praticado no sistema público. Nesse caso, o estômago é reduzido com cortes ou grampos e é feita uma alteração no intestino para reconectá-lo à parte do estômago que irá permanecer funcional.

O que interfere mais no pós-cirúrgico é o modo como a cirurgia é realizada, que pode ser de duas formas: por laparoscopia — minimamente invasiva, por meio de uma pequena incisão no abdômen — ou aberta — através de um corte de 30 centímetros. Os cuidados são praticamente os mesmos, mas no caso do método aberto, por ser mais invasivo, o paciente deve ficar em repouso por mais tempo para que a cicatrização ocorra adequadamente. Quem fez a cirurgia por esse método também deve utilizar uma cinta ou faixa abdominal pelo período indicado pelo médico para evitar que os pontos se soltem.

PRIMEIROS DIAS APÓS A CIRURGIA BARIÁTRICA

 Nos primeiros dias, o maior desafio é conciliar nutrição e hidratação adequadas com um estômago cuja capacidade passou a ser muito reduzida. A quantidade de água recomendada tradicionalmente, de dois a três litros por dia, continua valendo, mas o paciente precisa fazer a ingestão em porções muito pequenas, tomadas várias vezes ao longo do dia. Há pacientes que são orientados a tomar quantidades da ordem de 50 ml a cada 30 minutos, por exemplo.

Quanto à alimentação, o paciente deve seguir dieta líquida durante 15 dias, passando para uma dieta pastosa ou branda até receber liberação para a dieta sólida. Em geral, essa fase demora 30 dias.

Durante seis semanas, o paciente também não deve fazer grandes esforços. Por outro lado, a recomendação não deve ser entendida como desculpa para não se movimentar. Pelo contrário, é essencial se manter ativo e fazer leves caminhadas.

O acompanhamento deve ser criterioso, principalmente no caso das mulheres, pois a alteração na absorção de nutrientes pode ser tanta que há risco de a perda de sangue da menstruação provocar anemia. O problema é agravado porque a cirurgia pode fazer com que o fluxo menstrual aumente. “Recomendamos que a paciente suspenda a menstruação com DIU ou anticoncepcional”, afirma Vilas Bôas, da SBCBM. Mas vale lembrar: o indicado é usar métodos como adesivos ou injeções, que não passam pelo estômago, pois a absorção no trato gástrico pode não ocorrer adequadamente. A suspensão é indicada mesmo para mulheres que queiram engravidar, pois pacientes pós-bariátrica devem aguardar pelo menos 15 meses e consultar seu médico antes de uma gestação.

O excesso de pele geralmente não oferece grandes riscos. Embora a sobrepele possa causar micoses e dermatites, esses são problemas que podem ser prevenidos ou evitados. De qualquer forma, costuma-se indicar cirurgia para retirá-la depois que o paciente se adéqua à nova rotina, pois ela contribui para melhorar a autoestima.

ESTADO EMOCIONAL APÓS CIRURGIA BARIÁTRICA

Com frequência, a saúde mental está envolvida de alguma forma na obesidade. O sobrepeso pode ser uma consequência de questões psicológicas anteriores, e fazer a cirurgia não é garantia de que elas irão desaparecer. O acompanhamento psicológico e psiquiátrico é essencial antes e depois do procedimento.

O impacto da mudança brusca na alimentação, peso e estilo de vida não pode ser subestimado. Pacientes que passaram pela cirurgia têm risco de automutilação aumentado em 50%, o que inclui traumas físicos, envenenamento e overdose de medicamentos e de álcool.

Amanda Aragão é  jornalista e professora, e passou por uma cirurgia bariátrica. Após recomendação médica e incentivo de amigos, a jornalista optou por fazer a bariátrica, mas afirma que a pressão social e estética tiveram papel fundamental na decisão. Na época, ela sofria de compulsão alimentar e tinha IMC acima de 40. “Após a cirurgia, eu internalizei que não podia seguir tendo compulsão, pois teria complicações.”

Ela eliminou 65 quilos no total, sendo 20 quilos só no primeiro mês. No seu caso, precisou ir somente duas vezes a consultas obrigatórias com psicólogo antes e duas vezes após a cirurgia. “Teria sido melhor se eu tivesse acompanhamento. Faltou ênfase médica sobre esse e outros cuidados”, relata Aragão. Ela afirma que um ano após a cirurgia quase chegou a ter depressão. “As pessoas começaram a me tratar melhor. Comecei a refletir sobre o meu valor: Ele sempre esteve ligado ao meu peso?” Atualmente ela conta com o apoio de terapia para auxiliá-la.

Embora a perda de peso seja rápida, há risco de o paciente recuperar o peso. Quem passou pelo procedimento tem dificuldade de comer excessivamente porque o estômago perde a capacidade de comportar grandes quantidades de alimentos, mas é necessário praticar exercícios e seguir um acompanhamento multidisciplinar com nutricionista, endocrinologista, gastroenterologista, psicólogo, entre outros profissionais.

(…)

Para ler na íntegra, acesse: https://drauziovarella.uol.com.br/obesidade/cirurgia-bariatrica-e-segura-mas-tem-risco-de-complicacoes/

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o livro:

CIRURGIA BARIÁTRICA E PARA O DIABETES
Um guia completo
Autor: Marcos Giansante
MG EDITORES

A obesidade é fator de risco para diversas enfermidades, entre elas hipertensão, doenças cardiovasculares e, principalmente, o diabetes – que, em 2014, matou mais que o HIV. Hoje, a cirurgia bariátrica é um procedimento seguro e eficaz, e reduz sobremaneira o surgimento dessas doenças relacionadas.

Neste livro destinado a obesos e a seus amigos e familiares, o cirurgião Marcos Giansante expõe sua vasta experiência no tratamento da obesidade. Em linguagem clara e sem jargões técnicos – e de forma humana e integrativa –, ele responde às principais dúvidas relacionadas ao tratamento cirúrgico da doença, como:
• o papel da cirurgia bariátrica, principalmente na parte metabólica, como tratamento complementar de doenças como o diabetes;
• as principais técnicas cirúrgicas utilizadas e as mais indicadas para cada caso;
• o pré e pós-operatório;
• a importância da alimentação e de atividades físicas na qualidade de vida do obeso e pós-operado.

‘DA MORTE AO DESEMPREGO: MAPA TRAZ EXTREMOS DA DESIGUALDADE DE SÃO PAULO’

Texto de Clara Cerioni, publicado na Exame.com em 05/112019.

A desigualdade que atinge a cidade de São Paulo faz com que um morador de Cidades Tiradentes, bairro do extremo leste, viva, em média, 23 anos a menos do que os habitantes de Moema, uma das regiões mais nobres da capital paulista.

Dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde mostram que a idade média de morte dos moradores da Cidades Tiradentes foi, no ano passado, de 57,31, ao passo que em Moema foi de 80,57. A média de São Paulo é de 68,7.

A estatística faz parte do Mapa da Desigualdade de 2019, divulgado nesta terça-feira (05) pela Rede Nossa São Paulo, organização dedicada a identificar desafios e propor políticas públicas para a capital paulista.

Neste ano, o levantamento conta com 53 indicadores que apontam as diferenças entre os 96 municípios da cidade. A análise dos números revela um abismo entre as regiões mais pobres e as mais ricas de São Paulo. Os dados contemplam áreas como habitação, meio ambiente, educação, cultura e segurança viária.

Na comparação entre Cidade Tiradentes e Moema — os dois extremos de menor e maior tempo de vida —, é possível identificar fatores que influenciam diretamente na idade média de vida dos moradores.

Enquanto a taxa de mortalidade infantil, que considera a proporção de óbitos para crianças menores de um ano para cada mil crianças nascidas nos distritos, é de 15,68 no extremo leste, na região nobre, o índice é 3,53. Já a taxa de mortalidade materna, que considera os óbitos de grávidas para cada dez mil crianças nascidas vivas, em Cidade Tiradentes chega a 5,5. Em Moema, o índice é zero.

Já em relação à disponibilidade de leitos hospitalares públicos ou privados disponíveis para cada mil habitantes, a desigualdade entre os dois bairros também é alta: a região do extremo leste tem índice de 0,77, ao passo que o bairro nobre registra 17,99.

Ainda nos aspectos relacionados à saúde, a estatística mais negativa de Moema é a proporção de mortes por câncer para cada cem mil habitantes. Enquanto o bairro nobre da capital paulista apresenta taxa de 148, Cidade Tiradentes tem 77,19. Uma das explicações para a diferença, é a quantidade de idosos que moram nas regiões.

“Ainda que o envelhecimento e a genética influenciem no desenvolvimento da doença, alguns fatores relacionados à vida urbana contribuem diretamente para seu surgimento. A exposição constante a poluentes, o sedentarismo, o estresse, a má qualidade do sono e o consumo de alimentos contaminados por agrotóxicos são alguns deles”, diz o Mapa da Desigualdade.

Em outros eixos também é possível verificar raízes para as diferenças entre a vida dos moradores das duas regiões: a taxa de emprego formal por dez habitantes com idade igual ou superior a quinze anos em Moema é de 9,40. Na Cidade Tiradentes, o índice despenca para 0,24.

O acesso à equipamentos públicos municipais de cultura para cada cem mil habitantes no bairro nobre da capital paulista é de 6,81. Já no extremo leste a proporção é de 2,63.

Feminicídio

Em relação a 2017, o homicídio de mulheres cresceu 167% em toda a cidade de São Paulo no ano passado. Já as ocorrências de violência contra a mulher subiram 51%.

Essa foi a primeira vez que o estudo trouxe dados comparativos sobre feminicídio. Apesar da relevância da estatística, não é possível afirmar com precisão que houve uma alta de morte de mulheres por serem mulheres. O mais provável é que, por ser uma lei recente, de 2015, as delegacias de polícia estejam tipificando com mais detalhes esses casos como feminicídio.

Os dados mostram que os distritos da Sé e Barra Funda concentram as maiores taxas nos dois indicadores. Na Sé, que lidera os casos de violência contra a mulher, foram registradas 8,4 ocorrências de feminicídio para cada 10 mil mulheres na faixa de 20 a 59. O número é 56 vezes maior que em outros 20 distritos da cidade. A violência contra a mulher também é maior nesse mesmo distrito, com 803,9 registros.

Veja na íntegra o Mapa da Desigualdade de 2019

(Com Estadão Conteúdo)

Para ler na íntegra: https://bit.ly/2Ci2T8T

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Tem interesse no assunto? Conheça os livros abaixo, da Selo Negro Edições:

RACISMO, SEXISMO E DESIGUALDADE NO BRASIL
Coleção Consciência em Debate
Autora: Sueli Carneiro
SELO NEGRO EDIÇÕES

Entre 2001 e 2010, a ativista e feminista negra Sueli Carneiro produziu inúmeros artigos publicados na imprensa brasileira. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil reúne, pela primeira vez, os melhores textos desse período. Neles, a autora nos convida a refletir criticamente a sociedade brasileira, explicitando de forma contundente como o racismo e o sexismo têm estruturado as relações sociais, políticas e de gênero.

RELAÇÕES RACIAIS E DESIGUALDADE NO BRASIL
Coleção Consciência em Debate
Autora: Gevanilda Santos
SELO NEGRO EDIÇÕES

Este livro apresenta o ponto de vista histórico das relações raciais e das desigualdades no Brasil, começando no século XIX e chegando aos dias de hoje. A autora mostra novos caminhos para uma educação antirracista e, sobretudo, para estimular seus valores intrínsecos: a igualdade das relações sociais, a consciência política da diversidade histórica, o respeito às diferenças – caminhos esses que nos conduzem à cidadania plena.

‘ASSIM COMO EM “BOM SUCESSO”, QUAL A MELHOR FORMA DE SE PREPARAR PRA MORTE?’

Texto parcial de matéria de Heloísa Noronha,
publicada originalmente no UOL Universa, em 02/11/2019.

Logo nos primeiros capítulo de “Bom Sucesso”, novela da faixa das 19h da Rede Globo, o milionário Alberto (Antonio Fagundes) e a costureira Paloma (Grazi Massafera) têm seus exames trocados: ela recebe o diagnóstico de que sofre de uma doença fatal e que lhe restam cerca de seis meses de vida, mas na verdade o doente é ele.

Após o esclarecimento da confusão, os dois ficam muito amigos e decidem encarar a vida de um outro jeito. Enquanto a moça passa por um processo de refinamento, sendo estimulada a gostar de livros e arte, o ricaço tenta deixar de ser ranzinza, fazer as pazes com o passado e resgatar relacionamentos importantes.

A jornada de Alberto é, de acordo com especialistas, similar a de inúmeras pessoas que precisam enfrentar a realidade de que lhes sobra pouco tempo de vida. Todo mundo sabe que um dia vai morrer; no entanto, ao tomar consciência de uma espécie de “data” para isso, muita gente promove transformações profundas em seu comportamento. As reações mais comuns já foram bastante estudadas e listadas pela psiquiatra suíça Elizabeth Küler-Ross (1926-2004) em cinco estágios — negação, raiva, negociação, depressão e aceitação.

Embora nem sempre essas cinco etapas percorrem essa ordem, a aceitação configura o momento em que “as fichas costumam cair”. “Isso inclui a percepção de que não se tem a eternidade para consertar as relações. Assim, o valor das coisas e da existência podem ser completamente alterados e ressignificados diante do fim”, expõe, de forma sucinta, Mara Lúcia Madureira, psicóloga cognitivo-comportamento e MBA em Gestão Estratégica de Pessoas.

Para a psicóloga Nazaré Jacobucci, mestranda em Cuidados Paliativos na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, em Portugal, e administradora do site Perdas e Luto, provavelmente a “ficha” que provoca mais dor ao “cair” sejam a confrontação dos sonhos não realizados durante a vida e a reflexão sobre as razões pelas quais não se concretizaram.

“A recepção da notícia de que se tem poucos meses de vida faz com que a pessoa reflita sobre a restrição de tempo que tem para viver aquilo que é significativo e que faz sentido em sua vida”, comenta a psicóloga Karina Okajima Fukumitsu, pós-doutora em Psicologia pela USP (Universidade de São Paulo) e autora do livro “Vida, Morte e Luto – Atualidades Brasileiras” (Ed. Summus Editorial). “A morte tira todas as ilusões, não há mais tempo para se perder! Assim, a partir da consciência da finitude acontece a compreensão de que ainda há vida a ser vivida, o que pode ajudar a pessoa a priorizar e a escolher as ‘batalhas’ que quer enfrentar”, completa.

(…)

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2019/11/02/assim-como-em-bom-sucesso-qual-a-melhor-forma-de-se-preparar-pra-morte.htm

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça alguns dos livros do Grupo Summus que abordam o tema, incluindo o de Karina Fukutmitsu, mencionado na matéria:


EXPERIÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS SOBRE A MORTE E O MORRER
O legado de Elisabeth Kübler-Ross para os nossos dias
Autores: Rodrigo Luz e Daniela Freitas Bastos
SUMMUS EDITORIAL

Neste livro, Rodrigo Luz e Daniela Freitas Bastos contam um pouco da trajetória pessoal e profissional de Elisabeth, aprofundam-se nos estudos que ela nos legou e reproduzem os seminários no contexto brasileiro. Por meio do depoimento dos pacientes-professores, eles nos permitem enfrentar de peito aberto o tabu da morte e entrar em contato com recursos que nos ajudem a lidar com os pacientes com empatia, respeito e compaixão.

VIDA, MORTE E LUTO
Atualidades brasileiras
Organizadora: Karina Okajima Fukumitsu
SUMMUS EDITORIAL

Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.

CUIDADOS PALIATIVOS
Diretrizes para melhores práticas
Organizadores: Ricardo CaponeroMarcella Tardeli Esteves Angioleti SantanaAna Lucia Coradazzi
MG EDITORES

O conhecimento do ser humano evolui continuamente em todas as áreas. Na medicina, porém, o avanço de uma ampla gama de tecnologias voltadas para o prolongamento da vida – desejo primitivo dos seres humanos – deu lugar à tecnocracia. Esse movimento iludiu leigos (e muitos profissionais) e criou mitos, sobretudo o de que a morte poderia ser vencida. O problema é que essa obstinação terapêutica é hoje, muitas vezes, fonte de sofrimento – e paradoxalmente pode resultar no abreviamento do tempo de vida.
Assim, é fundamental resgatar a qualidade do cuidar, não só do ponto de vista biológico, mas também mental e espiritual. Não se trata de abandonar o desenvolvimento tecnológico, mas de integrá-lo à visão plural de cuidado.
Partindo desse pressuposto, esta obra – escrita por uma equipe multidisciplinar – se baseia numa prática integrativa, na qual todas as áreas de conhecimento trabalham juntas na busca da melhor qualidade de vida e da dignidade humana. Dividida em 16 capítulos, ela oferece protocolos seguros e eficazes que aliviam os principais sintomas dos pacientes que demandam atenção paliativa e traz uma série de opções de tratamento. Também são abordados temas como plano avançado de cuidados e diretivas antecipadas de vontade, além dos cuidados de fim de vida. Trata-se de uma referência fundamental num campo que está em franco desenvolvimento.

VIVER O SEU MORRER
Autor: Stanley Keleman
SUMMUS EDITORIAL

Este livro é sobre o morrer, não sobre a morte. Estamos sempre morrendo um pouco, sempre perdendo alguém ou alguma coisa. São as nossas pequenas mortes, que nos ensinam o significado do morrer e nos oferecem condições de enfrentá-lo sem medo ou morbidez. É exatamente disso que trata este livro: estar pleno e inteiro para deparar-se com o morrer.



‘A DESAFIADORA TAREFA DE CONVIVER COM FIBROMIALGIA’

Artigo do médico Dante Senra, publicado no VivaBem UOL,
em 26/10/2019.


Peregrinar por vários consultórios médicos em busca de alívio para o sofrimento tem sido a vida das pessoas acometidas por esse mal que a medicina desconhece a causa.

Exames que nada demonstram ainda fazem os indivíduos com fibromialgia serem rotulados como “exagerados e muitas vezes preguiçosos ou depressivos”. Embora possa estar ligada à ansiedade e depressão, não se sabe o que veio primeiro.

Trata-se de uma síndrome complexa e muitas vezes mal compreendida por quem convive com ela e até pela medicina.

É mais comum em mulheres em idade fértil (mas pode acometer qualquer gênero ou idade) e estima-se que acometa de 2 a 10% da população mundial.

Famosos como Lady Gaga e Morgan Freeman, acometidos pela doença, já deram diversos depoimentos contundentes sobre seu sofrimento.

No documentário “Five Foot Two”, de 2017, Gaga fala sobre sua dificuldade em encontrar tratamento e técnicas para controlar os sintomas. No mesmo ano, a celebridade cancelou sua participação no Rock in Rio, supostamente por conta das fortes dores causadas pela fibromialgia.

Já Freeman, em 2017, em declaração polemica, fala sobre legalização de drogas para controle da doença.

Fato é que se trata de uma doença cruel, de diagnóstico apenas clínico e, portanto, o diagnóstico depende da experiência do médico consultado. Com sintomas variados, pode acometer pessoas da mesma família e, portanto, pode haver, sim, um componente genético em sua gênese.

Sabe-se que o cérebro (e talvez os receptores cutâneos) interpreta os estímulos recebidos (um simples toque no corpo, como um abraço, por exemplo) de maneira alterada, aumentando a sensibilidade destes, causando dor e desconforto. O que não se sabe é por quê. Aí se desencadeia o quadro.

Quais são os sintomas?

O sintoma que predomina é a dor, que pode ser muscular, em articulações ou tendões e vem geralmente acompanhada de fadiga extrema (o indivíduo frequentemente acorda cansado), quadro que pode durar meses.

Esse quadro também pode vir acompanhado de perturbações no sono (em quase 90% das vezes), tais como insônia e apneia (noites mal dormidas podem piorar o quadro) e costumam se intensificar com o estresse e com temperaturas mais baixas.

O defeito típico do sono é se tornar superficial e/ou interrompido e, assim, frases como “acordo mais cansado do que deitei” e “parece que fui atropelado por um caminhão” são muito frequentes no consultório. Outro incômodo que costuma aparecer à noite é a chamada síndrome das pernas inquietas, na qual há necessidade de esticá-las ou mexe-las o tempo todo para aliviar o desconforto.

Dores de cabeça e problemas cognitivos como alterações da memória e dificuldade em se concentrar são também queixas bastante frequentes. Além de dormências e formigamento nas mãos e pés e até sintomas cardiológicos como palpitações, que podem estar presentes.

Isso sem falar dos distúrbios gastrointestinais como cólicas e até diarreias frequentes (síndrome do intestino irritável).

Como Tratar?

A aceitação da doença pelo próprio paciente e por quem convive com ele se tornam importantes desafios no dia a dia. Como não existe um padrão clássico de doença, também não existe um padrão referendado e indicado de tratamento medicamentoso para todos.

Não, a doença não é um transtorno de ordem psicológica, embora distúrbios emocionais se tornem quase sempre presentes pela difícil tarefa de conviver com ela, sem perspectiva de cura e com um grau exacerbado de sofrimento.

Mas embora nem todos os pacientes com fibromialgia apresentem depressão, ela hoje é considerada um fator agravante dos sintomas e precisa ser tratada. Em geral, inicia-se o tratamento da fibromialgia com antidepressivos.

Mas é possível conseguir períodos prolongados de calmaria, mesmo nas manifestações clínicas mais cruéis da doença, ou seja, a dor e a fadiga.

O alívio e controle da dor e a melhora da qualidade de vida são os objetivos fundamentais. Para isso, a melhor estratégia é a abordagem multidisciplinar sempre que possível, por médicos, psicólogos, nutricionistas e profissionais de educação física (sem esquecer a participação da família).

Esse grupo multidisciplinar, levando em consideração as características pessoais de cada indivíduo, deverá complementar o tratamento farmacológico (analgésicos, antidepressivos, relaxantes musculares, fitoterápicos e até homeopatia) com os não farmacológicos, como exercícios físicos, fisioterapia, massagens e técnicas de relaxamento (ioga e mindfulness, uma técnica de meditação que prega a atenção plena), dieta e acupuntura. Tais práticas (acupuntura, fitoterápicos, homeopatia), factíveis com um pouco de paciência e perseverança, foram incorporadas recentemente ao Sistema Único de Saúde (SUS) com a publicação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares.

Quero aqui ressaltar a importância de praticar exercícios físicos que tem sido considerada pelos reumatologistas (e endossada pelos pacientes) como uma das intervenções mais efetivas no tratamento da fibromialgia, sendo responsável por alivio considerável da dor e da fadiga. Obviamente individualizado, progressivo e evitando-se o alto impacto.

Grupos de apoio de indivíduos com a doença e até aplicativos para celulares e tablets discutem estratégias para lidar com as dores crônicas e fadiga, objetivando uma melhora na qualidade de vida.

Há inclusive um projeto de lei tramitando no congresso para promover aos diagnosticados o direito à dispensa do cumprimento de período de carência, para usufruir dos benefícios de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez.

É preciso falar muito sobre essa doença invisível aos olhos de quem não a sente, para que haja compreensão e mudança de comportamento da sociedade. Como dizia Shakespeare, “Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente”.

Para ler na íntegra, acesse: https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/danta-senrra/2019/10/26/a-desafiadora-tarefa-de-conviver-com-a-fibromialgia.htm

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o livro do reumatologista mexicano Manuel Martínez-Lavín, reconhecido como autoridade na área da fibromialgia:

FIBROMIALGIA SEM MISTÉRIO
Um guia para pacientes, familiares e médicos
Autor: Manuel Martínez-Lavín
MG EDITORES

Este livro esclarece vários aspectos de um problema de saúde polêmico e ainda não totalmente compreendido nem mesmo pela classe médica: a fibromialgia. Apresenta os principais sinais e sintomas dessa doença, explica por que seu diagnóstico é tão difícil e apresenta alguns conceitos importantes que explicam a provável causa e as possibilidades de tratamento do problema.

‘MEDITAÇÃO VEIO PARA FICAR PORQUE FUNCIONA MESMO’

Do Blog do Luiz Sperry, publicado no VivaBem UOL em 21/10/2019.

Podemos dizer que a meditação está na moda novamente. O que é algo estranho de se colocar, pois as práticas meditativas, originárias da Índia, já têm uma história de mais de seis mil anos. Da Índia foi para China, Japão e, em algum momento, espalhou-se pelo ocidente.

Sempre existiram momentos de aproximação e afastamento entre as culturas orientais e ocidentais. Lembrando de cabeça, sem nenhum rigor histórico, lembro que Alexandre, quando expandiu o seu império às portas do subcontinente indiano, assimilou vários elementos da cultura oriental à cultura grega. Depois, na Idade Média, os cruzados quebraram o imobilismo feudal em suas tentativas de conquistar a Terra Santa. As viagens de Marco Polo à China, assim como as rotas marítimas para o Oriente, botaram a Europa novamente em contato com esses elementos culturais.

A última que me vem à cabeça é o movimento hippie nas décadas de 1960 e 1970. O que era algo de fato underground, ligado a círculos muito restritos, ganhou proporções de fenômenos de massa. Ioga, tai chi e diversas outras práticas se tornaram quase comuns em grande parte do mundo ocidental. Eventualmente com algum conflito, como se pode ver na série Wild Wild Country, mas em geral houve uma boa assimilação. É evidente que grande parte das pessoas permanece cética a esse respeito, mas algumas resolveram pesquisar o que poderia justificar o efeito dessas práticas, ou não.

Aquilo que chamamos de meditação é uma série de práticas que tem como finalidade estabelecer uma situação de concentração profunda e autoconsciência, geralmente associada a exercícios posturais e respiratórios. Com essa história tão longa é evidente que existam diversas vertentes, em geral ligadas a preceitos religiosos, mas na prática há pouca variação entre elas. Como me disse um professor certa vez: “Meditar é sentar e ficar quieto”. E por mais que pareça meio besta, só quando a gente tenta que percebe que é relativamente complicado. Porque o corpo senta, mas a cabeça não para. Aí que entra a tal da técnica, para fazer com que a cabeça vá aquietando também.

O que a ciência ocidental fez foi padronizar tudo com o nome de mindfulness, de modo que os estudos sejam mais facilmente comparáveis, além de dar um apelo comercial maior para aqueles que possam ter alguma aversão a orientalismos. E os resultados são, de fato, surpreendentes.

As conclusões mostram eficácia em diversos quadros de doenças mentais (ansiedade, depressão) ou tabagismo. Mesmo em questões difíceis de se abordar, como a prevenção do suicídio, houve evidência positiva na eficácia de mindfullness.

Estudos de imagem mostram que mesmo um processo breve de oito semanas de mindfulness pode causar alterações estruturais em regiões cerebrais de maior importância, como o córtex pré-frontal, a ínsula e o hipocampo; percebe-se um aumento no volume dessas regiões. Em outras palavras, o cérebro fica “marombado”.

É um pouco assustador para nós médicos imaginar que um exercício de poucos minutos diários possa modificar não só o funcionamento como a própria forma do cérebro, um órgão que, em princípio, só vai atrofiando e piorando sua função ao longo dos anos. Não é por acaso que o mercado de meditação nos EUA movimente uma fortuna, havendo, inclusive, uma série de aplicativos para ajudar na prática de meditação e relaxamento.

Isso sem falar nos benefícios físicos, como controle de doenças cardiovasculares, dores crônicas e doenças inflamatórias. Parece que a moda dessa vez vai demorar para passar.

Para ler na íntegra, acesse https://luizsperry.blogosfera.uol.com.br/2019/10/21/meditacao-veio-para-ficar-porque-funciona-mesmo/

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o livro do médico especialista em meditação Roberto Cardoso:

MEDICINA E MEDITAÇÃO
Um médico ensina a meditar
Autor: Roberto Cardoso
MG EDITORES

Médico há mais de vinte anos e meditador há mais tempo ainda, o autor mostra com precisão várias técnicas de meditação e os seus benefícios para a saúde. Sem qualquer orientação religiosa, filosófica ou moral, trata-se de uma obra para ler, aprender e praticar. Edição revista, atualizada e ampliada.

‘MAIORIA DOS BRASILEIROS AFIRMA QUE ESCOLA INCLUSIVA MELHORA EDUCAÇÃO’

Pesquisa indica que 86% apoiam medida à qual país aderiu há 10 anos e é parcialmente ignorada

Texto parcial de matéria de Jairo Marques, publicada no jornal
Folha de S. Paulo, em 15/10/2019

Uma década após o país ter decretado oficialmente adesão à convenção mundial da ONU pelos direitos das pessoas com deficiência —que, entre outros pontos, preconiza a educação inclusiva, em que toda criança estuda em um mesmo ambiente, sem segregação— o brasileiro indica apoiar o modelo.

Pesquisa nacional do Datafolha encomendada por um dos mais importantes organismos do Brasil na defesa dos direitos e do bem viver da criança, o Instituto Alana, feita com 2.074 pessoas em 130 municípios, indicou que 86% dos entrevistados avaliam que “as escolas ficam melhores quando incluem alunos com deficiência”.

Com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o levantamento foi realizado entre 10 e 15 de julho deste ano e contou com dez perguntas cujas respostas foram estimuladas por meio de um cartão entregue aos entrevistados para serem escolhidas.

Outros pontos considerados positivos à escola inclusiva na pesquisa foram que 76% dos entrevistados “acham que a criança com deficiência aprende mais ao lado de crianças sem deficiência” e 68% que se disseram contrários à afirmação de que “a criança com deficiência em sala atrasa o aprendizado das sem deficiência”.

Embora seja o modelo vigente e esteja sendo aplicado em todo o país, a escola inclusiva ainda enfrenta resistência, sobretudo entre organizações e famílias de pessoas com limitações intelectuais mais graves, que alegam faltar preparo ao professor e aos colégios para atender a esse público de forma satisfatória, além de dar a ele segurança e acolhimento adequados.

Rotineiramente, projetos de lei surgem no Congresso com o intuito de criar exceções ou propagados “aperfeiçoamentos” nas escolas onde todos estudam juntos —crianças com e sem deficiência.

As medidas tratam da abertura de salas especiais dentro de colégios, oferta de ensino institucionalizado ou ainda de abertura de possibilidade aos pais de educar seus filhos com deficiência em casa.

Não raro também acontecem a propagação de denúncias de bullying envolvendo

crianças com deficiência dentro das escolas regulares, o que motiva indignação e revolta de grupos que defendem um modelo com mais proteção a esse público.

A necessidade de mais aperfeiçoamento profissional para lidar com a diversidade em sala de aula também apareceu na pesquisa Datafolha/Alana.

Dos entrevistados, 67% apontam “falta de formação do professor para tratar com o aluno com deficiência”.

Ao mesmo tempo, os pesquisados não consideram que haja resistência à inclusão, uma vez que 71% acham que “o professor tem interesse em ensinar o aluno com deficiência”.

Para Raquel Franzim, coordenadora da área de educação do Instituto Alana, um dos desafios atuais mais importantes em relação à educação da criança com deficiência é não retroceder no modelo estabelecido, que é também o aplicado em outras várias partes do mundo.

 “Além de tentar garantir o acesso da criança com deficiência à escola, temos de tentar evitar o retrocesso que é o não direito à educação inclusiva”, afirma.

“É um desafio constante dar visibilidade a experiências positivas que acontecem em todo o país, mostrar que uma concepção protetiva e segregada de escola não é um caminho.”

Atualmente, a Lei Brasileira de Inclusão determina pena de reclusão a gestores de escolas que neguem matrícula a um aluno com deficiência.

A alegada dificuldade de condições das escolas em poder atender a todos também tem reflexos na pesquisa, quando 37% do entrevistados dizem que “concordam que a escola pode escolher se matricula ou não uma criança com deficiência”.

De acordo com Rodrigo Hübner Mendes, fundador e diretor executivo da Fundação Rodrigo Mendes —que, entre outras missões, oferece gratuitamente ferramentas práticas para que o professor ensine alunos com deficiência com demandas específicas—, os dados da pesquisa convergem com a observação das várias redes de ensino onde a instituição atua.

“Por um lado, [a pesquisa mostra] extraordinário amadurecimento da sociedade civil sobre o direito das pessoas com deficiência à educação em escolas comuns, acompanhado da percepção de que todos saem ganhando quando a escola abraça a diversidade humana”, afirma ele.

“Por outro lado, o estudo reforça o que várias outras pesquisas vêm revelando: formação sobre esse tema é uma das demandas prioritárias manifestadas pelos professores que estão em sala de aula.”

Para o Alana, um dos preceitos científicos que fortalecem a adoção da escola inclusiva, o que comprova que o benefício da inclusão tem repercussões em todo o ambiente escolar, principalmente nos alunos sem deficiência, aparece na pesquisa Datafolha, mesmo que de forma indireta.

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/10/maioria-dos-brasileiros-afirma-que-escola-inclusiva-melhora-educacao.shtml

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Tem interesse no tema? Conheça os livros da Summus Editorial sobre inclusão na educação:

A ESCOLA PARA TODOS E PARA CADA UM
Organizador: Augusto Galery
Autores: Patrícia VieiraEdith RubinsteinDeigles GiacomelIi AmaroAugusto GaleryAndreia Pinto


Uma escola para todos e para cada um é um projeto inovador, que demanda radical e contínua transformação nas abordagens de ensino e aprendizagem. Mais do que uma crítica à instituição escolar atual – esse “sapato pesado” cujos problemas vêm sendo tratados em diversas pesquisas –, o paradigma inclusivo de educação requer a reinvenção da escola e de todas as suas práticas e didáticas. Trata-se de uma abordagem que não menospreza a complexidade do sujeito que aprende, inserido em contextos sociais, econômicos, ambientais e culturais diversos.
Destinada a profissionais e estudantes da educação e da saúde, como professores de todos os níveis, gestores, psicólogos e alunos dos cursos de pedagogia e psicologia – e também a pessoas com deficiência e seus representantes –, esta obra apresenta, entre outros temas:

• o conceito de inclusão; • os entraves à verdadeira educação inclusiva; • as principais dúvidas e angústias de pais e professores; • a inclusão na perspectiva da legislação brasileira; • recursos, procedimentos e práticas que ajudam os alunos – com e sem dificuldades físicas e/ou psíquicas – a estabelecer uma relação rica e prazerosa com o aprendizado; • casos reais de sucesso em escolas públicas e particulares de diversas localidades do país; • possibilidades de superar as barreiras à inclusão.

INCLUSÃO E EDUCAÇÃO
Doze olhares sobre a educação inclusiva
Organizador: David Rodrigues

Desenvolver uma escola que rejeite a exclusão e promova a aprendizagem conjunta e sem barreiras.
Trata-se de um objetivo ambicioso e complexo porque a escola sempre conviveu com a seleção, e só aparentemente é “para todos e para cada um”. Aqui, doze especialistas apresentam suas perspectivas sobre o tema, abrindo horizontes para que os professores reflitam sobre a sua prática.

INCLUSãO ESCOLAR
O que é? Por quê? Como fazer?
Autora: Maria Teresa Eglér Mantoan

Escrito por uma das maiores especialistas em inclusão escolar no Brasil, esta obra aborda o assunto de maneira clara e didática. Baseando-se na legislação sobre o tema, Maria Teresa Eglér Mantoan explica o que é educação inclusiva, discute os passos necessários para implantá-la e ressalta suas vantagens. Livro fundamental para educadores que desejam saltar da teoria para a prática.

INCLUSÃO ESCOLAR: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Rosângela Gavioli PrietoMaria Teresa Eglér Mantoan

Neste livro, Maria Teresa Eglér Mantoan e Rosângela Gavioli Prieto adentram os labirintos da inclusão escolar analisando, com muito rigor científico e competência, suas diferentes facetas. No diálogo que estabelecem, abordam pontos polêmicos e controvertidos, que vão desde as inovações propostas por políticas educacionais e práticas escolares que envolvem o ensino regular e especial até as relações entre inclusão e integração escolar.

INCLUSÃO NA PRÁTICA
Estratégias eficazes para a educação inclusiva
Autora: Rossana Ramos

Atualmente, as escolas brasileiras já estão convencidas de que devem receber crianças com deficiência. Contudo, elas ainda têm dificuldade de lidar com as diferenças. Em linguagem simples e fundamentada teoricamente, a obra – que relata experiências bem- -sucedidas – discute as questões reais do processo de inclusão, permitindo ao professor identificar os problemas que precisa solucionar.

‘NA ESCOLA BRITÂNICA SUMMERHILL, QUEM DECIDE SÃO OS ESTUDANTES’

Reportagem publicada pelo jornal O Globo, em 17/09/2019.

Na Escola Summerhill, quem toma as decisões são os estudantes. Baseada em um modelo democrático pautado pela autogestão, a instituição britânica dá liberdade a seus alunos para que eles escolham regras de convivência, o modo como vão estudar e, até mesmo, se farão provas ou não.

Mas se engana quem pensa que a Summerhill é um experimento novo fadado a uma vida curta. Com quase cem anos, a instituição se notabilizou como a primeira escola democrática do mundo, colecionando casos de sucesso e estudantes nos bancos universitários.

Diretor da escola, Henry Readhead ministro uma das principais palestras do Educação 360 Encontro Internacional, na Cidade das Artes, sobre os valores que norteiam a Summerhill. O evento é uma realização dos jornais O GLOBO e “Extra”, com patrocínio de Itaú Social, Fundação Telefônica/Vivo, Colégio Ph e Universidade Estácio, e apoio institucional de TV Globo, Unicef, Unesco, Fundação Roberto Marinho e Canal Futura.

— Na escola, a liberdade é absoluta. A pessoa é livre para vestir, fazer e dizer o que quiser. Mas o ponto mais importante é que liberdade não é licença. Ela deve ser acompanhada pela sabedoria — frisa Readhead, neto do fundador da Summerhill.

A escola tem cerca de 450 leis, todas criadas pelos alunos em reuniões que ocorrem três vezes por semana.

— Os estudantes, na verdade, gostam de regras. As nossas leis tornam as coisas mais simples.

Além disso, a liberdade dos alunos é orientada pelo binômio “licença e não licença”. Não há licença, por exemplo, para fazer bullying ou desrespeitar regras criadas pelo corpo discente.

Infrações aos ditames da escola são discutidas nos encontros semanais, onde são estabelecidas punições de caráter lúdico. Não há hierarquia na aplicação dessas leis. Todos podem ser punidos, inclusive professores e diretores. Esse tratamento horizontalizado é outro alicerce na filosofia da Summerhill.

— Em uma reunião, o meu voto vale o mesmo que o de uma criança de seis anos — explica o britânico, destacando ainda que desigualdades ligadas a gênero, etnia ou idade foram eliminadas, já que a voz de todos têm o mesmo peso.

O diretor esclareceu também que o ensino na escola é pautado por métodos pedagógicos profissionalizados, praticados por professores experientes. Mas a parte central do aprendizado é que ele não é algo compulsório.

— Muitas pessoas acham que, se as crianças não forem forçadas, elas não vão aprender. Isso é mito.

Readhead considera que o aprendizado envolve o ato de se apaixonar por um determinado assunto.

— A infância é uma época muito importante. Ela pode ser repleta de amor, paixão e diversão. Podemos fazer um sistema educacional que nutra, em vez de fazer justamente o contrário — diz o educador.

Para ler na íntegra (restrito a assinantes do jornal): https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/educacao-360/na-escola-britanica-summerhill-quem-decide-sao-os-estudantes-23955775

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Quer saber mais sobre Summerhill? Conheça o livro publicado pela Summus:

SUMMERHILL
Uma infância com liberdade
Autor: Matthew Appleton
SUMMUS EDITORIAL

Fundada na Inglaterra em 1921 por Alexander Neill, Summerhill ficou conhecida como a escola mais livre do mundo. Nela, as crianças são encorajadas a tomar decisões e a desenvolver-se a seu ritmo. As aulas não são obrigatórias e os alunos podem escolher as matérias que desejam estudar. Baseado em diversos conceitos de seu amigo Wilhelm Reich, Neill acreditava que os aspectos emocionais dos seres humanos eram mais importantes que quaisquer outros, paradigma que predomina na instituição até hoje.

Ao longo dos anos, Summerhill consolidou-se como uma escola democrática, onde crianças, adolescentes e adultos convivem em nível de igualdade e aprendem que o conceito de liberdade implica responsabilidade e empatia.

Criticada por muitos, adorada por outros, mas sempre envolta em mitos, Summerhill é retratada neste livro por alguém que lá viveu por quase uma década. Trabalhando como pai – espécie de cuidador – de dezenas de alunos, Matthew Appleton aprendeu valiosas lições, que compartilha aqui com os leitores. Da dificuldade de manter a privacidade às assembleias democráticas, do desabrochar das crianças às mudanças constantes de regras e à autorregulação, Appleton constrói um rico relato, mostrando inclusive as tentativas do Ministério da Educação inglês de fechar a escola. E, claramente, toma posição: Summerhill é para ele, de fato, o melhor lugar para promover uma infância com liberdade.


‘DIA DO IDOSO: ENVELHECER COM QUALIDADE DE VIDA É POSSÍVEL’

De acordo com especialistas, alguns cuidados podem ser tomados para envelhecer de forma saudável

Matéria de Pedro Peduzzi, da Agência Brasil,
publicada no UOL em 01/10/2019

Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Internacional do Idoso (hoje, 1º de outubro) é uma oportunidade para que as pessoas lembrem que a idade chega para todos, e que, com ela, novas dificuldades surgirão. Especialistas consultados pela Agência Brasil, no entanto, garantem: é possível envelhecer com qualidade de vida.

Segundo o médico geriatra e diretor científico da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), Renato Bandeira de Mello, qualidade de vida é algo subjetivo: depende da percepção do indivíduo sobre o que é felicidade.

Mas, em termos gerais, acrescenta o geriatra, qualidade de vida na velhice está associada a vida ativa: a busca por hábitos saudáveis como atividade física, alimentação saudável; e a manter a mente estimulada com novas atividades. Outro fator associado à qualidade de vida na terceira idade são as relações sociais.”Isso significa contato com a família, amigos e colegas de trabalhos”, resume Mello.

Família

O papel da família para a qualidade de vida do idoso, além de relevante, está previsto em leis. “Mais do que um papel, os familiares têm obrigação com os idosos. Isso, inclusive, é respaldado pelo Estatuto do Idoso”, explica o diretor da SBGG.

Nesse sentido, o estatuto prevê que a família se envolva nos cuidados e na proteção do idoso, “respeitando os seus limites e a autonomia a fim de não o cercear de suas liberdades e desejos”, acrescenta Mello.

Coordenadora-geral do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso, Eunice Silva destaca ser o ambiente familiar o que registra a maioria das violações de direitos da pessoa idosa. Segundo ela, entre os fatores que resultam em enfermidades, quedas, demência e internamentos prolongados estão a violência doméstica, os maus tratos e o abandono.

“É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, educação, cultura, esporte, lazer, trabalho, cidadania, liberdade e dignidade, ao respeito e às convivências familiar e comunitária”, argumenta a coordenadora do conselho que é vinculado ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Sociedade

De acordo com o médico geriatra e diretor da SBGG, no caso de idosos doentes que precisam de cuidado especial, além do apoio familiar é necessário o apoio da sociedade, que precisa estar atenta também às próprias mudanças que acontecem ao longo do tempo.

“Há que se pensar que, no futuro, os núcleos familiares serão menores. Precisaremos encontrar meios para construir uma sociedade que possa cuidar do idoso”, disse ao lembrar que a qualidade de vida dos idosos depende, ainda, de infraestruturas e de relações que enxerguem esse público não apenas como consumidor, mas como potencial colaborador.

“Bancos, lojas, mercados, transportes e outros serviços e estabelecimentos precisam buscar formas de inclusão, não apenas como consumidor, mas também como força de trabalho”, disse ele à Agência Brasil.

Políticas Públicas

Estar antenado com relação às políticas públicas pode ajudar a melhorar a qualidade de vida do idoso. No âmbito do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Eunice Silva destaca o Programa Viver – Envelhecimento Ativo e Saudável.

“Ele representa a aplicação, na prática, do Estatuto do Idoso”, explica a coordenadora, referindo-se ao documento que preconiza o envelhecimento como um “direito personalíssimo”, e que sua proteção representa um direito social.

Segundo Eunice, em 2019 a Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa tem atuado no sentido de levar, a capitais e municípios mais distantes, a inclusão na tecnologia digital para as pessoas idosas.

Na avaliação da coordenadora, esse tipo de tecnologia, que vem sendo disponibilizada pelo Programa Viver, representa um “instrumento libertador e emancipatório, voltado à autonomia e à ampliação dos limites da convivência familiar, da educação, da saúde e da mobilidade física”.

“A meta é implantarmos 100 programas no ano de 2019. O Programa Viver, conta com 202 municípios cadastrados”, explica Eunice. Para ter acesso ao programa nos municípios já implantados, basta aos idosos se cadastrarem nos centros de acolhimento do programa.

A Secretaria informa que tem atuado também para equipar e fortalecer os Conselhos de Direitos Municipais da Pessoa Idosa, por meio da capacitação de conselheiros no Programa Nacional de Educação Continuada em Direitos Humanos, na modalidade de EAD (Ensino a Distância).

Saúde

Entre as políticas públicas ofertadas pelo Ministério da Saúde aos idosos está a Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, que é oferecida gratuitamente a este público. Mais de 3 milhões de cadernetas foram entregues a municípios em 2018.

De acordo com a pasta, essa caderneta passou por algumas atualizações, que permitem melhor conhecer as necessidades de saúde dessa população atendida na atenção primária, de forma a melhor identificar o comprometimento da capacidade funcional, condições de saúde, hábitos de vida e vulnerabilidades.

A caderneta apresenta, ainda, orientações relativas alimentação saudável, atividade física, prevenção de quedas, sexualidade e armazenamento de medicamentos.

Em outra frente de ações – neste caso voltada a profissionais de saúde e gestores, ajudando-os na tarefa de melhorar a qualidade de vida dos idosos – o MS disponibilizou o aplicativo Saúde da Pessoa Idosa. Ele pode ser obtido gratuitamente por meio do Google Play.

Estatísticas

Dados apresentados pelo Ministério da Saúde apontam que atualmente, os idosos representam 14,3% dos brasileiros, o que corresponde a 29,3 milhões de pessoas.

Segundo o Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) divulgado em 2018, 75,3% dos idosos brasileiros dependem “exclusivamente” dos serviços prestados no Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda segundo o levantamento, 83,1% realizaram pelo menos uma consulta médica nos últimos 12 meses.

Tendo por base dados obtidos por meio da Pesquisa Nacional de Saúde, o MS informa que 24,6% dos idosos tem diabetes, 56,7% tem hipertensão, 18,3% são obesos e 66,8% tem excesso de peso.

As doenças do aparelho circulatório são a principal causa de internação entre idosos. Em 2018, foram 641 mil internações registradas no Sistema Único de Saúde (SUS) de pacientes acima de 60 anos.

Acidentes

De acordo com a SBGG, as principais causas de mortes acidentais de idosos são atropelamento e quedas, o que, segundo seu diretor, pode levar a consequências diretas, como lesões e fraturas, e indiretas, como medo de cair e isolamento social, entre outros.

“A maior parte das quedas da própria altura ocorrem em casa por falta de adaptação do ambiente, excesso de obstáculos, falta de barras de apoio, presença de piso sem antiderrapante e que são perigos contínuos na vida do idoso”, acrescenta o médico geriatra.

A Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, distribuída pelo Ministério da Saúde, recomenda 11 cuidados práticos para a prevenção de quedas em idosos:

  • Evitar tapetes soltos;
  • Escadas e corredores devem ter corrimão nos dois lados;
  • Usar sapatos fechados com solado de borracha;
  • Colocar tapete antiderrapante no banheiro;
  • Evitar andar em áreas com piso úmido;
  • Evitar encerar a casa;
  • Evitar móveis e objetos espalhados pela casa;
  • Deixar uma luz acesa à noite, para o caso de precisar se levantar;
  • Esperar que o ônibus pare completamente para você subir ou descer;
  • Utilizar sempre a faixa de pedestre;
  • Se necessário, usar bengalas, muletas ou outros instrumentos de apoio.

Para ler na íntegra, acesse: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/10/01/dia-do-idoso-envelhecer-com-qualidade-de-vida-e-possivel.htm

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Tem interesse no assunto? Conheça alguns livros do grupo Summus que falam sobre envelhecimento:

VELHICE
Uma nova paisagem
Autora: Maria Celia de Abreu
EDITORA ÁGORA

A psicóloga Maria Celia de Abreu propõe neste livro transformar visões e ideias preconcebidas a respeito do velho. Partindo de estudos teóricos sobre a psicologia do envelhecimento e de vivências colhidas em grupos de estudos, ela propõe que a vida passe a ser encarada como uma estrada que percorre diversas paisagens diferentes – nem melhores nem piores que as outras.

Com exercícios de conscientização e exemplos práticos, a autora discorre sobre inúmeros assuntos pertinentes à velhice, como corpo, sexualidade, memória, perdas, luto e depressão. Fundamental para idosos, seus familiares, cuidadores, pesquisadores e para todos os que desejam envelhecer com saúde, autoconfiança e alegria, a obra conta com depoimentos de importantes personalidades sobre emoções que sentem ao encarar a ideia da velhice.

VIVA BEM A VELHICE
Aprendendo a programar sua vida
Autores: M. E. Vaughan, B. F. Skinner
SUMMUS EDITORIAL

Um dos mais notáveis psicólogos do século XX, ele próprio já beirando os oitenta anos de idade, ensina — em linguagem agradável e bem-humorada — como os idosos podem administrar sua vida, sem depender dos outros, criando para si mesmos um meio ambiente estimulante e adequado.

GERONTODRAMA: A VELHICE EM CENA
Estudos clínicos e psicodramáticos sobre envelhecimento e 3ª idade
Autora: Elisabeth Maria Sene- Costa
EDITORA ÁGORA

A autora, médica psiquiatra e psicodramatista, vem atuando há mais de 15 anos com idosos. Aos poucos foi agregando uma série de abordagens às técnicas do psicodrama imprimindo um cunho pessoal ao seu trabalho, que batizou de gerontodrama. O livro, que também apresenta os aspectos conceituais e clínicos do envelhecimento, é um guia completo para quem quer seguir essa especialização, ou para qualquer pessoa com curiosidade sobre o envelhecer. A apresentação é de José de Souza Fonseca Filho.

EQUILÍBRIO HORMONAL E QUALIDADE DE VIDA
Estresse, bem-estar, alimentação e envelhecimento saudável
Autor: Sergio Klepacz
MG EDITORES

Sergio Klepacz, psiquiatra e autor de Uma questão de equilíbrio, mostra neste livro como a relação entre balanceamento hormonal, combate ao estresse e alimentação saudável pode levar a uma vida saudável e até mesmo deter o processo de envelhecimento. Ele discute as polêmicas questões da reposição hormonal e dos hormônios bioidênticos e relata casos reais de pacientes que procuraram respostas na medicina ortomolecular.

SEXO E AMOR NA TERCEIRA IDADE
Autor: Robert N. Butler, Myrna I. Lewis
SUMMUS EDITORIAL

Butler e Lewis derrubam tabus e provam que o sexo e a sexualidade são experiências prazerosas, gratificantes e altamente saudáveis, após os 60 anos. É a época em que o ser humano possui maior experiência e disponibilidade de tempo para poder, apesar das dificuldades naturais, usufruir de uma vida sexual positiva.