‘PALMADA EDUCA? ESTUDO APONTA CONSEQUÊNCIAS PARA A VIDA ADULTA’

Artigo publicado no iG Delas, em 07/11/2018

Comportamentos violentos na educação tem consequências negativas para a formação de crianças e adolescentes, gerando adultos agressivos. Entenda

Apesar de algumas pessoas defenderem que adultos façam uso da palmada e de outros comportamentos agressivos para  impor limites e educar as crianças, quem estuda o assunto a fundo sabe que esse não é o melhor caminho para uma educação saudável.

O assunto voltou à tona na segunda-feira (5), quando a Academia Americana de Pediatria (AAP) apresentou uma nova política chamada de “Effective Discipline to Raise Healthy Children” (“Disciplina Eficaz para Criação de Crianças Saudáveis”), na qual expõe estratégias para educar as crianças sem o uso de palmada ou outras formas de violência física.

A ideia é que o documento seja uma referência para pediatras, pais e educadores, sendo um guia para uma forma de  educar saudável e que leve em conta as necessidades físicas e emocionais da criança, respeitando o tempo dela e garantindo seu desenvolvimento pleno.

A organização, que é uma das maiores autoridades de pediatria do mundo, comprova com base em estudos que o uso de violência na educação é algo extremamente ineficaz e que tem sérias consequências para o desenvolvimento cerebral, prejudicando a vida jovem e adulta.

As consequências da palmada

De acordo com um dos estudos apresentados na conferência da Academia Americana de Pediatria, as crianças que sofreram agressões mais de duas vezes por mês até os 3 anos de idade mostraram um comportamento mais agressivo aos 5 anos de idade. Aos 9 anos, estas mesmas crianças apresentaram comportamentos negativos.

Além desse estudo, outra pesquisa exposta no evento apontou de que maneira agressões às crianças interfere no desenvolvimento cerebral. De acordo com o material apresentado, bater, xingar e até mesmo gritar com as crianças pode fazer com que os hormônios do estresse aumentem, o que pode alterar a forma de cérebro. O abuso verbal também é relacionado com problemas mentais em pré-adolescentes e adolescentes.

Ou seja, a palmada e outros comportamentos agressivos devem estar cada vez mais distantes da realidade das famílias e da educação . “A boa notícia é que cada vez menos pais têm usado palmadas em relação ao passado. Podemos melhorar!”, diz Robert D. Sage, um dos autores da nova política da Academia Americana de Pediatria.

Para ler na íntegra, acesse https://delas.ig.com.br/filhos/2018-11-07/palmada-estudos.html

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Tem interesse pelo assunto? Conheça o livro da psicóloga Dora Lorch:

COMO EDUCAR SEM USAR A VIOLÊNCIA
Autora: Dora Lorch
SUMMUS EDITORIAL

Toda criança precisa compreender o mundo em que vive, e pais e educadores devem fornecer exemplos diários de boa conduta e agir de maneira coerente com o que dizem. Mas muitos optam pela violência e pela humilhação para “ensinar”. Agindo assim, criam seres humanos sem capacidade crítica e também violentos. Usando a psicologia para falar de birras, medos, mentiras, vergonha, inconsciente e brincadeiras, a autora constrói um singelo manual de boas maneiras – para os pais. Prefácio de Ruth Rocha.

“VIDA, MORTE E LUTO”, POR KARINA FUKUMITSU

Karina Okajima Fukumitsu fala sobre o livro Vida, morte e luto – Atualidades brasileiras, obra multidisciplinar organizada por ela e que conta com a autoria de diversos conceituados profissionais da saúde. Assista.

 

Para saber mais sobre o livro, acesse: https://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1497/Vida,+morte+e+luto

‘APÓS EXPERIÊNCIAS FAMILIARES, PSICÓLOGA VIRA ‘SUICIDOLOGISTA’ PARA PREVENIR CASOS’

…………………………………..Matéria de Marcella Franco, publicada na Folha de S. Paulo (versão online em 29/09/2018 e versão impressa em 30/09/2018)

Karina Fukumitsu, 47, atende familiares e alunos de escolas onde ocorreram suicídios

A primeira providência que Karina Fukumitsu, 47, toma antes de começar um atendimento é tirar os sapatos. Seja em consultas particulares ou em palestras, a psicóloga está sempre descalça e trajando roupas claras, como uma maneira, ela explica, de celebrar sua conexão com a vida. Fukumitsu é especialista em suicídios, e, atualmente, presta serviço a cinco colégios paulistanos com programas de prevenção e posvenção, em uma espécie de gestão de crise após a morte de um aluno.

Sua relação com o tema vai além da teoria. Quando criança, presenciou diversas tentativas de suicídio da mãe, a quem acudia com visitas desesperadas ao pronto-socorro. Nelas, chegou a ouvir médicos plantonistas sugerirem que a família colocasse mais afinco nas investidas, para que finalmente alguma resultasse exitosa.

Da constatação de que era preciso que a sociedade conversasse melhor sobre o tema, Fukumitsu tornou-se “suicidologista”. Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP), ela coordena o Programa R.A.I.S.E (Ressignificações e Acolhimento Integrativo do Sofrimento Existencial), no qual dedica-se a amparar parentes e amigos de pessoas que tiraram a própria vida. Ela conversou com a Folha em seu consultório, em São Paulo.

Por que as pessoas se interessam muito mais em esmiuçar detalhes de um suicídio do que, por exemplo, de um homicídio? De onde vem essa curiosidade?

Entre homicídio e suicídio há uma grande diferença. No homicídio, é o outro que agride e aniquila, enquanto no suicídio há o controle e a escolha da pessoa. Por isso temos algumas normas ditadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) que recomendam, por exemplo, não mostrar o método letal, não fazer a notificação de forma sensacionalista nem publicar fotos e notas de suicídio.

Quais são as consequências quando se desrespeita essas regras?

Você alimenta a elucubração. O suicídio já é uma morte que já vai causar uma necessidade intensa de explicações. E, quando a gente oferece apenas uma para um suicídio, a gente está se tornando reducionista, sendo que o suicídio precisa ser compreendido por um viés multifatorial. Apresentar explicações de causa e efeito é uma invasão à pessoa que se matou. Não se pode confundir o ato com uma história de vida. Se a gente não explica a nossa vida de uma maneira única, por que vai explicar a morte?

O suicídio tem culpados?

De jeito nenhum. Culpa é um arrependimento das ações que você não fez, uma utopia de que seria possível mudar o desfecho da situação. Se você soubesse que alguém ia se matar, você não faria tudo diferente? O suicídio é uma morte que causa muita culpa, e o que o sobrevivente enlutado menos precisa é ser acusado pela morte de alguém.

O que você recomenda quando um chega ao seu consultório, por exemplo, a mãe de uma pessoa que cometeu suicídio e que sente culpa?

A primeira coisa é que não adianta eu falar “não sinta culpa”, porque isso é não legitimar a dor e o sofrimento. A primeira conduta é legitimar essa dor, perguntando inclusive do que você se culpa. Digo que é como estar em uma montanha russa, na qual em alguns momentos você vai pensar direto nessa pessoa, e, em outros, você vai lembrar que ainda continua vivo apesar desse sofrimento.

Qual é o aspecto mais doloroso do suicídio?

O “nunca mais”.

Como funciona na prática o trabalho quando é chamada por uma escola?

Quem me contata geralmente é o diretor, contando que houve uma morte por suicídio. É preciso, então, alinhar com a família se vamos poder dizer que foi uma morte por suicídio. A primeira coisa é preservar a imagem da pessoa e dos familiares.

E caso a família diga não?

Daí tento que se permita ao menos contar para as pessoas da escola. O que não podemos é omitir nem mentir que a situação aconteceu. Publicamente, não falamos nem o nome nem o ano escolar do aluno, mas é importante falar com os colegas dessa pessoa porque a notícia já está correndo. Sugiro também que parem as acusações, porque isso é o que mais rola em conversas de WhatsApp. Alinho que, quando perguntarem como foi, não vamos falar nada além de “foi por suicídio”. As pessoas têm a morbidade de perguntar se a pessoa se enforcou, se tomou remédios, se se atirou, e isso é só alimentar sensacionalismo.

Seu trabalho tem uma duração específica ou depende de cada caso?

Depois de uma palestra inicial para os gestores e professores, falo com os pais dos outros alunos, e depois com os alunos. No meu trabalho, eu preciso ser prescindível. Sou aquela que ninguém quer ver de novo. A morte de alguém faz lembrar a nossa própria finitude, então ela vai provocar uma percepção de que você também é finito. E, toda vez que um suicídio assim acontece, nós, pais, começamos a pensar que pode acontecer com o nosso filho.

​A demanda pelo seu trabalho aumentou recentemente?

Sim, a partir do posicionamento de um colégio neste ano. Isso porque antes ninguém conhecia o trabalho de prevenção e posvenção, e porque entendemos a necessidade de se pensar sobre o suicídio.

A senhora fala que não há uma única razão para um suicídio, mas o uso de redes sociais, o cyberbullying e jogos como Baleia Azul, aplicativos como Momo e séries como “13 Reasons Why” podem influenciar os jovens? Como os pais podem lidar com isso?

Estes jogos que dão tarefas como a de cometer suicídio vêm sendo investigados há tempos. Qualquer um que apareça deve ser conversado na família. Devemos recomendar que nossos filhos não entrem nos aplicativos, porque sabemos que há dificuldade para sair. Se um pai descobre que um filho já instalou algo assim, deve sugerir estratégias em conjunto com o filho, e mencionar a gravidade dessa última tarefa do suicídio.

Como se faz prevenção em uma escola sem assustar os pais?

Juntamos os funcionários e os pais para a palestra, e apresento programas de enfrentamento de adversidades, acolhimento de sentimentos, valorização da vida. Na posvenção eu olho para a dor, e na prevenção eu acolho o que provoca a dor.

E qual a receptividade?

Muito grande, porque ela não acontece na dor, diferentemente da posvenção, quando estou lidando com pessoas assustadas e impactadas. Ali é caos, é lidar com a crise e minimizar o impacto do tsunami.

Qual o protocolo que a senhora sugere às escolas na posvenção?

Se o suicídio aconteceu no mesmo dia, recomendo luto de um dia. As atividades são suspensas naquele momento, e, no dia seguinte, acontece o luto. E recomendo que este um dia de luto aconteça não só em casos de suicídio, que isso seja mantido quando morrer algum outro aluno, por outra causa. Assim reforçamos que não há privilégio à pessoa que se mata, para que o jovem não pense que “vale mais a pena” morrer por suicídio. Depois, no segundo dia, não há conteúdo programático, mas, sim, uma conversa. Sugiro que os professores levem lenços de papel e deixem estrategicamente colocados na sala de aula.

O suicídio é a segunda causa de morte no mundo entre jovens de 15 a 29 anos de acordo com a OMS. O que estamos fazendo de errado?

O suicídio sempre aconteceu, mas, atualmente, estamos vivendo uma época em que precisamos prestar mais atenção aos nossos jovens, dar nosso tempo a eles. E não é qualquer tipo de tempo, é tempo de qualidade. Se possível, procure se aproximar de quem você ama, porque aí, sim, você consegue fazer alguma coisa.

SINAIS DE ALERTA GERAIS

  • Falar sobre querer morrer, não ter propósito, ser um peso para os outros ou estar se sentindo preso ou sob dor insuportável
  • Procurar formas de se matar
  • Usar mais álcool ou drogas
  • Agir de modo ansioso, agitado ou irresponsável
  • Dormir muito ou pouco
  • Se sentir isolado
  • Demonstrar raiva ou falar sobre vingança
  • Ter alterações de humor extremas

PARA DEPRESSÃO EM ADOLESCENTES

  • Mudanças marcantes na personalidade ou nos hábitos
  • Piora do desempenho na escola ou em outras atividades
  • Afastamento da família e de amigos
  • Perda de interesse em atividades de que gostava
  • Descuido com a aparência
  • Perda ou ganho inusitado de peso
  • Comentários autodepreciativos persistentes
  • Pessimismo em relação ao futuro, desesperança
  • Comentários sobre morte, sobre pessoas falecidas e interesse por essa temática
  • Doação de pertences que valorizava

ALGUNS MITOS SOBRE O SUICÍDIO

“Se eu perguntar sobre suicídio, poderei induzir uma pessoa a isso”

Questionar de modo sensato e franco fortalece o vínculo com a pessoa, que se sente acolhida e respeitada

“Ele está ameaçando o suicídio apenas para manipular os outros”

Muitas pessoas que se matam dão sinais verbais ou não verbais de sua intenção para amigos, familiares ou médicos. Não se pode deixar de considerar a existência desse risco

“Quem quer se matar se mata mesmo”

Essa ideia pode conduzir ao imobilismo. As pessoas que pensam em suicídio frequentemente estão ambivalentes entre viver ou morrer. Prevenção é impedir os casos que são evitáveis

“Uma vez suicida, sempre suicida”

A elevação do risco de suicídio costuma ser passageira e relacionada a algumas condições de vida. A ideação suicida não é permanente. Pessoas que já tentaram suicídio podem viver, e bem, uma longa vida

O QUE FAZER

  • Não deixe a pessoa sozinha
  • Tire de perto armas de fogo, álcool, drogas ou objetos cortantes
  • Leve a pessoa para uma assistência especializada
  • Ligue para canais de ajuda

188 ou 141
são os telefones do Centro de Valorização da Vida (CVV). Também é possível receber apoio emocional via internet (www.cvv.org.br), email, chat e Skype 24 horas por dia

90%
das pessoas que se suicidam possuíam transtornos mentais; elas poderiam ter sido tratadas

Para ler a matéria na íntegra, acesse:
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/10/apos-experiencias-familiares-psicologa-vira-suicidologista-para-prevenir-casos.shtml

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Karina O. Fukumtisu é organizadora e coautora do livro “Vida, morte e luto”, recém-lançado pela Summus. Conheça-o:

VIDA, MORTE E LUTO
Atualidades brasileiras
Organizadora: Karina Okajima Fukumitsu
Autores: Ana Catarina Tavares LoureiroAvimar Ferreira JuniorDaniel Neves ForteDaniela AchetteElaine Gomes dos Reis AlvesElaine Marques HojaijElvira Maria Ventura FilipeEmi ShimmaFernanda Cristina MarquettiGabriela CasellatoGilberto SafraGláucia Rezende TavaresLeo Pessini, Karina Okajima FukumitsuMarcello Ferretti FanelliMarcos Emanoel PereiraMaria Carlota de Rezende CoelhoMaria Helena Pereira FrancoMaria Julia KovácsMaria Luiza Faria Nassar de OliveiraMayra Luciana GaglianiMonja Coen Roshi Monja HeishinNely Aparecida Guernelli NucciPatrícia Carvalho MoreiraPedro Morales Tolentino LeiteProtásio Lemos da LuzTeresa Vera Gouvea
SUMMUS EDITORIAL

Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.

‘ATENÇÃO MULTIDISCIPLINAR É CAMINHO PARA ALIVIAR SOFRIMENTO DE PACIENTE’

…………………….Matéria de Débora Miranda, publicada em 25/10/2018 no especial ……………………….VIVER COM.DOR, baseado no Seminário de mesmo nome organizado pela Folha de S. Paulo .

Grupos de dor avançam em hospitais; avaliação imprecisa do sintoma dificulta controle

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Quase naturalizada por muito tempo, tanto entre médicos quanto entre doentes, a dor já recebe mais atenção. Seu controle ganha abordagem ampliada e envolve mais profissionais de saúde.

“Se o paciente estiver sofrendo, precisa de medicamento e, depois, de acompanhamento. Isso faz parte dos indicadores de qualidade de atendimento, e tem crescido muito no Brasil”, explica a anestesista Angela Maria Sousa, chefe do grupo de dor do Icesp (Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira).

Segundo ela, a dor sempre foi negligenciada. “O próprio paciente já via isso como fatalidade.” Hoje, hospitais investem em grupos de dor que reúnem especialistas de áreas como anestesia, neurologia, psicologia e fisioterapia para atuar na redução do sintoma.

O conceito em voga é o da “dor total”, criado entre os anos 1950 e 1960 pela inglesa Cicely Saunders (1918-2005), pioneira em cuidados paliativos. Segundo ela, a pessoa sente dor não só física, mas mental, emocional, social e espiritual. E se todas as dimensões não forem consideradas, o tratamento não terá sucesso.

“É importante que o profissional de saúde entenda o que causa sofrimento. Não adianta encher o paciente de remédio se o que ele precisa é de conforto”, diz Sousa.

A imprecisão na avaliação, que depende do testemunho do doente, dificulta o controle. Também os médicos enfrentam obstáculos para compreender a intensidade do sofrimento, que pode ultrapassar o sintoma físico.

Daí a importância de a análise envolver visão multidisciplinar, para propor tratamentos variados, a depender do tipo de acolhimento necessário.

“O paciente precisa se sentir amparado. Temos procedimentos hoje que aliviam a dor em até 90%, mas o médico não pode oferecer milagre”, diz Claudia Palmeira, do grupo de dor do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer.

Avaliar a dor com precisão é essencial para saber a melhor forma de tratá-la, mas isso exige uma análise aprofundada e muita paciência por parte dos profissionais de saúde.

A primeira percepção importante é a de que a dor é subjetiva. Cada pessoa tem um nível diferente de tolerância a ela. Ainda hoje os médicos utilizam a escala numérica de 0 a 10 para que as pessoas tentem classificar a intensidade do que sentem.

“Quem já teve experiências anteriores de dor estará mais vulnerável a ela. Se o paciente tem uma vida estressante ou se sofreu muito emocionalmente, também”, diz Claudia Palmeira, uma das coordenadoras do grupo de dor do IBCC (Instituto Brasileiro de Controle do Câncer).

Mulheres tendem a sentir mais dor do que os homens, por questões hormonais. A única exceção, segundo Palmeira, é a dor visceral. “Por isso a mulher suporta o parto normal.”

A esteticista Edvanda Cordeiro da Silva, 39, teve câncer na parede do abdome e sofreu muito com dores. Foi internada quando já estava debilitada. “Cheguei a pesar menos de 30 quilos. Tive pânico, ansiedade, medo. O psicológico atrapalha o tratamento.”

Ela conta que quando voltou da cirurgia sentia muita dor e a morfina ministrada já não fazia efeito. Foi tratada, então, com a bomba do opioide, controlada por ela mesma por meio de um dispositivo. “Quando sentia dor, era só apertar.”

Essa é uma das alternativas para dar autonomia ao paciente que tem dor forte por longos períodos. Mas o medicamento é controlado, para que não haja risco de overdose.

“Isso foi essencial para a minha recuperação. O tratamento foi muito eficaz, não tenho mais sentido dores nem desconfortos”, conta Silva.

Outro ponto importante é avaliar se a dor é aguda ou crônica. A aguda é resultado imediato de uma situação, como um pós-operatório ou um trauma. A crônica se prolonga. O tratamento será decidido a partir disso.

Há dores que são muito difíceis de serem tratadas, e os principais medicamentos utilizados para controlar esse sofrimento ainda são os opioides. O câncer é uma das doenças que provoca grande desconforto físico, como dor inflamatória e muscular. A dor por metástase óssea, por exemplo, é muito intensa. “Além disso, a doença envolve um sentimento de finitude”, diz Claudia Palmeira.

Para acessar na íntegra:
https://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2018/10/atencao-multidisciplinar-e-caminho-para-aliviar-sofrimento-de-paciente.shtml

Veja outras matérias do especial VIVER COM DOR em https://www1.folha.uol.com.br/especial/2018/viver-com-dor/

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Tem interesse pelo tema? Conheça os livros:

CONTROLE A DOR ANTES QUE ELA ASSUMA O CONTROLE
Autora: Margaret A. Caudill
SUMMUS EDITORIAL

O problema da dor mobiliza cada vez mais médicos, psicólogos e pesquisadores. Qual é o significado da dor? Que papel ela desempenha? É possível e desejável controlá-la? Estas são algumas perguntas que a autora, uma das pioneiras do estudo da dor, responde neste livro. Ela apresenta um programa de redução e controle de dores crônicas, com resultados comprovados, e fácil de ser seguido, apresentado de forma direta e detalhada. Um precioso instrumento para todos os que sofrem cronicamente de dores. Em formato 21 X 28 cm.

 

DORES CRÔNICAS
Um guia para tratar e prevenir
Autores: Kimeron N. Hardin, Ellen Mohr Catalano
SUMMUS EDITORIAL

Cada um de nós sofre de alguma dor crônica, ou conhece alguém que sofre. Ela pode variar de um simples incômodo até um verdadeiro inferno. Destinado a todos que queiram enfrentar o problema, este guia ajuda a identificar tipos de dor, fatores que contribuem para seu agravamento, e formas de melhorar a qualidade de vida combatendo as conseqüências da dor crônica.

 

VIVA BEM COM A DOR E A DOENÇA
O método da atenção plena
Autora: Vidyamala Burch
SUMMUS EDITORIAL

A dor crônica e a doença podem minar a qualidade de vida de quem sofre com elas. Visando orientar dortais pessoas, Vidyamala Burch oferece neste livro um método revolucionário para aliviar o sofrimento causado por diversas enfermidades e pelo estresse. Baseada na atenção plena (mindfulness) e na ideia de viver cada momento, ela apresenta técnicas de meditação e respiração profunda que combatem a dor e aumentam a sensação de bem-estar. Prefácio da edição brasileira de Stephen Little, diretor do Centro de Vivência em Atenção Plena e professor da sucursal brasileira da School of Life.

‘ATIVIDADE FÍSICA BEM DOSADA TRATA A DOR E EVITA QUE ELA SE TORNE CRÔNICA’

……………………….Matéria de Iara Biderman, publicada em 24/10/2018 no especial ………………………VIVER COM DOR, baseado no Seminário de mesmo nome organizado pela Folha de S. Paulo

Pesquisas recentes indicam exercícios como terapia eficaz para cortar desconforto do paciente
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Quando a dor se instala, é preciso se mexer logo. Alguns casos agudos —uma lesão por trauma, por exemplo— podem pedir um período de repouso imediatamente após o acidente, mas este deve ser o mais breve possível, afirma a fisiatra Lin Tchia Yeng, 55, responsável pela área de reabilitação do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas de São Paulo.

“O cérebro entende a falta de movimento como doença, e vai alimentando o circuito da dor”, diz Lin, para quem um período de mais de três dias de inatividade já causa efeitos indesejáveis.

Ficar mais de 15 dias sem se mexer pode iniciar a síndrome do imobilismo, cronificando as dores.

O uso da atividade física no tratamento da dor crônica é um consenso na medicina.

“Há vários estudos comprovando a eficácia de diferentes técnicas, só não há evidências para afirmar que determinada atividade dá mais resultado que as outras”, diz Victor Liggieri, fisioterapeuta e coordenador do grupo do HC.

No ano passado, a fundação Cochrane, rede global de cientistas independentes que investiga a efetividade de tratamentos a partir da revisão das melhores pesquisas disponíveis, analisou 381 estudos sobre os efeitos da atividade física na dor crônica de adultos.

Destes, 264 compararam tratamentos com e sem exercício físico em uma população de 20 mil pessoas. No total, o material analisado incluiu mais de 37 mil participantes.

As evidências indicam que o exercício é um tipo de intervenção terapêutica com pouco efeito adverso que pode melhorar o quadro de dor e as funções físicas, tendo como consequência a melhoria da qualidade de vida, conclui o trabalho da Cochrane.

A delegada aposentada Bertha Paschoalick, 56, chegou às evidências na prática. Há 30 anos ela sofre de dores causadas por hérnias nas regiões cervical e lombossacral, pinçamento do nervo ciático e artrose.

Várias vezes teve que ficar em repouso, mas, para ela, isso não funciona: “A médio prazo, a dor volta”.

Quando precisou fazer repouso absoluto, durante a gravidez, tomou injeções de anti-inflamatórios quase diariamente. Mas as dores na coluna só passaram depois que ela foi liberada para fazer exercícios e começou a ter aulas de ioga, conta.

“Já passei por situações em que nem opioides resolviam. Só melhora com exercício, uma droga natural e sem contra-indicações”, diz Bertha.

Para a ciência, a comparação com medicamentos psicoativos faz sentido. “Além dos efeitos nos sistemas músculo-esquelético e cardiovascular, a atividade física libera no cérebro substâncias com efeitos analgésicos, como as endorfinas”, explica a fisiatra Lin.

A substância e outros neurotransmissores produzidos durante os exercícios ajudam a modular o sistema nervoso central, diminuindo o nível de condução sensitiva das terminações nervosas até as regiões cerebrais que interpretam um estímulo como dolorido.

“O movimento evita a memória da dor e sua cronificação”, diz Liggieri. Outro efeito importante é a melhora do humor e da qualidade do sono. Depressão e noites mal dormidas são causas importantes de dores localizadas e difusas, de acordo com Lin.

Há também as questões mecânicas. Disfunções posturais, osteo-articulares e musculares estão relacionadas aos quadros de dor crônica, sejam como causas, ou como consequências.

Aí entra a adequação da técnica. Nos tratamentos, a genérica “atividade física” precisa ser personalizada a partir dos padrões de postura e de movimento de cada paciente. Fisioterapia e diferentes modalidades de exercícios podem ser usadas juntas ou sequencialmente, a partir da avaliação funcional de cada indivíduo.

“Se a pessoa tem dor lombar e foi observado encurtamento muscular, o alongamento é indicado; se há problema nos músculos estabilizadores da bacia, o fortalecimento da musculatura profunda com exercícios funcionais pode ser recomendado”, exemplifica Liggieri.

O que não pode é reforçar o mito de que algumas modalidades são as melhores para todos os casos e que não vão machucar ninguém.

A interpretação de que “quanto mais alongado, melhor”, é um desses mitos. Um dos temas debatidos atualmente é o da hipermobilidade causada por frouxidão ligamentar. “Muitos casos eram confundidos com fibromialgias e artroses”, conta Liggieri.

Quem tem esse problema pode conseguir colocar o pé atrás da cabeça como um mestre iogue, mas também sofre dores articulares e está mais propenso a lesões ao praticar exercícios para aumentar a amplitude dos movimentos. Nesses casos, o mais indicado é um programa de fortalecimento e estabilização da musculatura que protege as articulações.

Além da avaliação fisioterapêutica para definir os exercícios e orientar a prática, os princípios para iniciar qualquer atividade física devem ser respeitados: adaptação do corpo, progressão controlada de carga, periodização.

“Se a pessoa passar do seu limite, dá curto-circuito no sistema nervoso central e volta o quadro de dor”, diz Liggieri.

Tamara Roman, 64, sabe disso. A arquiteta paulista passou por duas cirurgias: uma para fixar articulações da coluna, em 2013, e outra para estabilizar a região do osso sacro-ilíaco, em 2015.

Por causa das operações, ela diz que nunca fica “cem por cento sem dor”. Mas um programa de musculação tem ajudado Tamara a reduzir os sintomas ao mínimo, com o cuidado de o treino jamais ultrapassar seu limites funcionais.

“Sou exagerada, quero resolver tudo logo, assim extrapolei na carga quando fazia o exercício de remada no aparelho”, diz a arquiteta. Por conta disso, foi obrigada a dar um tempo na academia até a situação se estabilizar. Enquanto isso, ela tem que se contentar com sessões de fisio e hidroterapia.

Amante das atividades físicas (“só não gosto de surfar, esquiar e de jogos coletivos com bola”), Tamara não vê a hora de retomar os treinos. “Quanto menos me mexo, mais doída eu fico.”

Para acessar na íntegra:
https://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2018/10/atividade-fisica-bem-dosada-trata-a-dor-e-evita-que-ela-se-torne-cronica.shtml

Veja outras matérias do especial VIVER COM DOR em https://www1.folha.uol.com.br/especial/2018/viver-com-dor/

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O fisioterapeuta Victor Liggieri, que participa da matéria, é autor de dois livros, totalmente ilustrados, publicados pela Summus. Conheça-os:

 

ALONGAMENTO E POSTURA
Um guia prático
Autores: Victor LiggieriChristina Ribeiro

Disseminado em diferentes países e culturas, o alongamento tornou-se rotina para a maioria da população fisicamente ativa. Porém, posturas inadequadas têm gerado dores e lesões no sistema musculoesquelético. Aqui, os autores apresentam informações atualizadas sobre o tema e fotos com orientações de como realizar com segurança os ajustes posturais necessários aos exercícios de alongamento.

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DE OLHO NA POSTURA
Cuide bem do seu corpo nas atividades do dia a dia
Autores: Victor LiggieriChristina Ribeiro

Hoje, quatro milhões de brasileiros são submetidos a tratamento devido a dores provocadas pela postura incorreta. Porém, com atitudes simples e consciência corporal é possível mudar tal realidade. Nesta obra didática, totalmente ilustrada com fotografias, o leitor aprenderá a desempenhar as tarefas do cotidiano – como sentar-se, digitar, dirigir, escovar os dentes, carregar objetos pesados, cuidar do bebê – sem prejudicar a coluna e as articulações.

‘GOVERNO MAPEIA 14 NOTÍCIAS FALSAS EM MÉDIA POR DIA SÓ RELACIONADAS À SAÚDE’

Matéria de Natália Cancian, publicada na Folha de S. Paulo em 12/10/2018

Vacinas, alimentos e remédios são os principais alvos de informações falsas, mostra levantamento

“Novas vacinas causam autismo e os governos sabem.” “Usar celular no escuro causa maculopatia (câncer no olho).” “Só água com vinagre pode matar bactéria presente no feijão.”

O que há em comum entre essas três frases, compartilhadas em correntes no WhatsApp e em outras redes sociais? É o Ministério da Saúde quem adverte: são informações falsas.

Ao completar um mês de funcionamento de um novo serviço para receber e verificar informações de saúde por meio do aplicativo de mensagem, a pasta afirma ter identificado 416 fake news —o equivalente a 14 por dia.

São correntes, textos disfarçados de notícias, imagens retiradas de contexto e áudios de supostos especialistas.

“A diferença é que, na saúde, a informação equivocada pode ter consequências graves”, alerta Renato Strauss, chefe da assessoria de imprensa e informação da pasta e à frente do grupo responsável pela checagem. “Uma pessoa que adere a um tratamento dito inovador pode agravar sua doença. Quem deixa de se vacinar pode ficar doente e chegar à morte”, afirma.

Segundo ele, além do serviço no Whatsapp, chamado de “Saúde sem fake news”, a pasta já identificou desde março outros 395 focos de informações falsas em redes sociais abertas, como Twitter e Facebook.

O controle é feito por meio de um monitoramento diário em mais de 7.000 menções e palavras-chave.

Vacinas, mitos sobre alimentação e sobre medicamentos são os alvos mais comuns de notícias falsas em saúde, aponta balanço da pasta. Dos 395 focos identificados nas redes, 89% eram sobre vacinas.

Já no serviço via WhatsApp, as vacinas responderam por 91 das 416 informações falsas repassadas à pasta no último mês. Outras 153 envolviam supostas “denúncias” ligadas a alimentação ou crenças de benefícios exagerados. Em 27 casos, o foco eram medicamentos “milagrosos”.

O governo tem redobrado as medidas para tentar evitar a propagação de fake news na área. Desde março, uma equipe de cinco pessoas se dedica exclusivamente a essa análise.

Agora, o ministério avalia criar novas ferramentas, como campanhas específicas em torno de alguns temas e listas de transmissão para que usuários cadastrados recebam alertas sobre informações já “desmascaradas”.

Ao contrário do que ocorria no passado, a maior parte das informações falsas recebidas pela pasta hoje não vem de sites, mas de correntes e informações em redes sociais, em que o contato com pessoas próximas e a agilidade no compartilhamento acaba por legitimar as informações.

“É fácil ver pelo grupo da família. Quem dissemina é uma pessoa que você conhece. É uma cadeia de confiança informal que acaba disseminando essa informação”, diz o assessor Strauss.

Segundo ele, uma das dicas para verificar se a informação é falsa é ver a data da notícia: a maioria se repete. “As fake news são cíclicas. A informação falsa de que a vacina causa autismo, por exemplo, de tempos em tempos aparece. As próprias imagens são as mesmas, de ano em ano.”

Ele lembra que a primeira vez que a pasta criou um grupo de controle de fake news ocorreu em 2008, quando sites passaram a vincular a campanha de vacinação contra a rubéola a uma tentativa de esterilização das mulheres. A situação levou o governo a criar força-tarefa para esclarecer.

Em abril, ganhou força em grupos do WhatsApp um áudio com voz feminina que dizia que a OMS (Organização Mundial de Saúde) não divulgava mortes em Goiás pelo vírus “H2N3” para “não alarmar a população”. O vírus, porém, nem sequer existe no Brasil —nem em nenhum lugar do mundo. A informação foi uma das que ganharam um selo “O Ministério da Saúde adverte: isso é fake news”.

Recentemente, um possível aumento na propagação de fake news tem sido investigado como um dos motivos para a queda na vacinação de crianças, que atingiu em 2017 o menor índice em 16 anos.

“Ainda vamos fazer um estudo sobre os motivos da não vacinação. Mas temos avaliação de que as fake news podem estar sim colaborando para isso”, diz a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Carla Domingues.

Se está mais fácil ter meios de verificar se uma informação é falsa, o difícil ainda é descobrir a origem dela.

Neste caso, a estratégia do governo é fazer intervenções em cada postagem para informar que se trata de fake news, com riscos à saúde. Outra é usar redes próprias para contrapor as informações.

Em outros casos, o governo também pode pedir a retirada do material do ar.

EMPRESAS DIZEM COLABORAR PARA EVITAR AS DESINFORMAÇÕES

O WhatsApp informou que, “dada a natureza privada” da plataforma, tem focado em “educar as pessoas sobre desinformação” e na capacitação de usuários com novas opções de controle no aplicativo —caso do marcador que avisa aos usuários quando uma mensagem foi encaminhada.

Já o Twitter diz que trabalha para “coibir tentativas de manipulação das conversas” na plataforma. “Uma das frentes prioritárias em que atuamos é a luta contra spam e contas automatizadas mal-intencionadas”.

O Facebook diz que lançou ferramenta de verificação de notícias denunciadas como falsas em parceria com as organizações de checagem Agência Lupa, Aos Fatos e AFP. “Se identificarem que não há fatos que sustentem o conteúdo, as postagens terão sua distribuição reduzida no feed de notícias e não poderão mais ser impulsionadas”, informa.

O número para solicitar checagem do Ministério da Saúde via WhatsApp é (61) 99289-4640. Você pode repassar esse texto para o maior número de pessoas possível.

MANUAL PARA NÃO PROPAGAR FAKE NEWS

  • Busque a fonte original
  • Faça uma busca na internet: muitos casos já foram desmentidos
  • Cheque a data: a “novidade” pode ser antiga
  • Leia a notícia inteira
  • Cheque o histórico de quem publicou
  • Se a notícia não tem fonte, não repasse

Para ler a matéria na íntegra (para assinantes ou cadastrados), acesse: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/10/governo-mapeia-14-noticias-falsas-em-media-por-dia-so-relacionadas-a-saude.shtml

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Tem interesse pelo assunto? Conheça:

A SAÚDE NA MÍDIA
Medicina para jornalistas, jornalismo para médicos
Autora: Roxana Tabakman
SUMMUS EDITORIAL

A saúde é a preocupação número um dos seres humanos, mas a mídia não tem profissionais bem preparados e as universidades não ensinam os médicos a lidar com os meios de comunicação. Numa era em que o paciente está cada vez mais informado, saber falar de saúde é fundamental. Nesta obra de fôlego, a autora recorre a médicos, jornalistas, pacientes e ONGs para propor caminhos concretos de interação.

‘MENOS DE 10% DOS HOSPITAIS TÊM EQUIPES DE CUIDADOS PALIATIVOS NO BRASIL’

………………………………………….Matéria de Cláudia Collucci e Mariana Versolato, publicada na Folha de S. Paulo em 14/10/2018

Gargalo começa nas universidades; apenas 14% dos cursos de medicina têm formação específica

Menos de 10% dos hospitais brasileiros têm equipes de cuidados paliativos, serviço essencial para que doentes graves e sem chances de cura tenham qualidade de vida até o fim.

Levantamento inédito da Academia Nacional de Cuidados Paliativos mostra que são apenas 177 serviços registrados nos 2.500 hospitais brasileiros com mais de 50 leitos—a maioria (58%) no Sudeste.

“Não há coordenação, muitos cuidados são oferecidos de forma isolada e irregular”, diz Daniel Forte, presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, que apresentou os dados nesta quinta (11) em evento em Lima, no Peru.

Entre os países latino-americanos, o Brasil só está à frente da República Dominicana e da Venezuela em termos de disponibilidade de serviços de cuidados paliativos. Uruguai, Argentina, Costa Rica e Chile são os mais bem colocados.

No evento, representantes de governos, da academia e da sociedade civil criaram uma força tarefa com objetivo de incentivar países da região a adotarem políticas públicas de cuidados paliativos.

Segundo Emilio Herrera, presidente do New Health Foundation, entidade que desenvolve modelos de atenção em cuidados paliativos, os últimos meses de vida acumulam mais sofrimento e mais gastos aos sistemas de saúde.

“Com os cuidados paliativos, os custos podem cair de 30% a 50%. Evitando internações e terapias desnecessárias, pode-se usar recursos para serviços que realmente vão fazer a diferença ao doente.”

Uma comissão de especialistas da revista Lancet elaborou um pacote essencial do que deve nortear as políticas públicas, ancorado em três pilares: expansão dos cuidados paliativos a todos os níveis da assistência, medicamentos genéricos para controle da dor, como morfina oral e injetável, e a capacitação e treinamento de profissionais da saúde.

Segundo Felicia Marie Knaul, da Universidad de Miami e membro da comissão Lancet, o pacote essencial tem custo de US$ 3 (R$ 11) per capita, dependendo do país e do tipo de doença.

“Muitos países pagam caro por medicamentos para dor porque não negociam bem”, diz Knaul.

Para os especialistas, porém, o que mais emperra o acesso a drogas como a morfina não é o preço, mas mitos e preconceitos que atingem médicos e familiares dos doentes.

“Não medicam uma pessoa com dor aguda nos seus momentos finais por medo da dependência. É o que chamamos de opiofobia”, diz Knaul.

Para Nicolás Dawidowicz, coordenador do Programa Nacional de Cuidados Paliativos da Argentina, parte do mito remonta ao tempo em que a prescrição da morfina só ocorria no fim da vida.

“Quando o paciente já estava morrendo, davam morfina para que ele não sofresse. As pessoas passaram a associá-la à morte. É um analgésico seguro, não acelera a morte.”

A Argentina é um dos países da América Latina em que doentes graves mais têm acesso à morfina, com consumo per capita anual de 14 mg , contra 10,6 no Brasil. A média global é de 61,3 mg per capita.

Com fabricação própria, a Argentina está capacitando equipes de saúde da família a prescrever morfina em um programa de cuidados paliativos na atenção primária.

“Garantir o acesso a essas substâncias ao doente com dor é uma obrigação por parte dos Estados. Do contrário, o paciente está condenado a sofrer uma dor desnecessária, uma tortura”, diz Dawidowicz.

No Brasil, os gargalos já começam na formação médica. Só 14% dos cursos de medicina oferecem a disciplina de cuidados paliativos e em só 6% desses ela é obrigatória.

Para Tania Pastrana, presidente da Associação Latino Americana de Cuidados Paliativos, a falta de educação sobre o tema é uma das principais barreiras ao acesso.

“Se os médicos e familiares dos doentes conhecessem mais sobre os cuidados paliativos e o manejo da dor, passariam a exigir isso.”

Porém, o que se vê hoje, é muitas vezes uma disputa entre especialidades. Há oncologistas que resistem em encaminhar pacientes aos cuidados paliativos e insistem em tratamentos inúteis.

“Há estudos mostrando que os cuidados paliativos melhoram a qualidade de vida, os sintomas, a aderência ao tratamento e prolongam a vida. Eu pergunto aos oncologistas: se existisse um remédio que fizesse isso tudo, você não daria ao seu paciente?”

O caso do engenheiro aposentado Armando Colotto, 88, exemplifica o que são os cuidados paliativos na prática. Com um problema cardíaco muito grave e incurável, ele já foi internado 13 vezes desde novembro de 2016.

“O coração dele está parando, parando, menos de 30% funciona. Nós íamos à emergência e era um terror. Colocaram até sonda sem necessidade”, conta a mulher, Clara, 79.

Foi então que o cardiologista sugeriu que um médico de cuidados paliativos acompanhasse o caso. “Eu estranhei quando ele falou em cuidados paliativos, foi um choque. Mas confio nele e aceitei.”

A partir daí, segundo Clara, Colotto voltou à vida. “Pela primeira vez ele falou o que estava sentindo. Ninguém sabia o que estava passando pela cabeça dele.”

Na sua fala, apareceu o medo de sentir dor, de ficar dependente dos outros. “O doutor Daniel [Forte] falou: ‘Você não vai sentir dor’. E aí começaram a dar morfina. O fato de alguém assegurar isso foi essencial, o ponto de virada. E ele ficou tranquilo.”

Até as internações estão diferentes, segundo ela. “Agora não ficam mais colocando fios, não tem nada invasivo. Todas as intervenções são feitas para suprimir as torturas que ele sofria, para dar conforto.”

Clara diz que tem parentes nos EUA e na Europa, e que nesses locais os cuidados paliativos são uma realidade, inclusive com o envolvimento da comunidade.

“O marido de uma amiga tinha câncer avançado e voluntários iam na casa dela todos os dias, cuidavam dele, da casa, das atividades dos dois. Aqui temos que avançar muito ainda. Faz tanta diferença…”

A jornalista Cláudia Collucci viajou a convite da Associação Latino Americana de Cuidados Paliativos

 

Para ler a matéria na íntegra (para assinantes ou cadastrados), acesse: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/10/menos-de-10-dos-hospitais-tem-equipes-de-cuidados-paliativos-no-brasil.shtml

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O médico Daniel Forte é um dos coautores do livro Vida, morte e luto, recém-lançado pela Summus.  Conheça a obra:

VIDA, MORTE E LUTO
Atualidades brasileiras
Organizadora: Karina Okajima Fukumitsu
Autores: Ana Catarina Tavares LoureiroAvimar Ferreira JuniorDaniel Neves ForteDaniela AchetteElaine Gomes dos Reis AlvesElaine Marques HojaijElvira Maria Ventura FilipeEmi ShimmaFernanda Cristina MarquettiGabriela CasellatoGilberto SafraGláucia Rezende TavaresLeo Pessini, Karina Okajima FukumitsuMarcello Ferretti FanelliMarcos Emanoel PereiraMaria Carlota de Rezende CoelhoMaria Helena Pereira FrancoMaria Julia KovácsMaria Luiza Faria Nassar de OliveiraMayra Luciana GaglianiMonja Coen Roshi Monja HeishinNely Aparecida Guernelli NucciPatrícia Carvalho MoreiraPedro Morales Tolentino LeiteProtásio Lemos da LuzTeresa Vera Gouvea
SUMMUS EDITORIAL

Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.

‘ATRITOS EM TEMPO DE ELEIÇÃO ABREM ROMBOS NAS RELAÇÕES FAMILIARES’

……………………………………………Coluna de Cláudia Collucci, publicada em 09/10/2018, no jornal A Folha de S. Paulo.

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Segundo psicóloga, está difícil entender que pensar diferente não é ser adversário

Essas eleições tóxicas continuam provocando efeitos adversos na saúde física e mental das pessoas. Não só pela insensatez de todas ordens e do clima de insegurança, mas também pelos conflitos familiares que têm surgido.

Nos últimos dias, vários amigos relataram profunda tristeza ao descobrir, por exemplo, que pais, irmãos ou parentes próximos são eleitores do candidato Jair Bolsonaro (PSL).

“Preciso de ajuda para enfrentar esse segundo turno. Meu pai fazendo campanha para o coiso já está demais”, disse uma amiga.

“Descobri que meus pais vão votar nele. E o pior: estão mentindo para mim. Meu pai disse que votaria no Álvaro Dias, e mamãe iria anular o voto. Minha sobrinha os desmascarou hoje. Estou arrasado”, comentou outro amigo.

“Estou me sentindo órfã”, desabafou outra.

Não faltam na trajetória do candidato à Presidência pelo PSL declarações machistas, racistas e de ódio às minorias. Em entrevista à TV Record, ele negou ter falado essas asneiras, ainda que exista farto material gravado e publicado a respeito disso.

A questão aqui não é o candidato, mas o endosso a essas ideias por meio do voto. Quando se trata de alguém não muito próximo, é mais fácil ignorar, excluir, bloquear ou colocar a pessoa no modo soneca. Mas e quando esse alguém é seu pai, sua mãe ou seu irmão?

Como um gay pode lidar com o sofrimento de ver o pai ou a mãe votando em alguém que já disse: “Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”?

Para falar sobre isso, entrevistei a psicóloga Maria Helena Franco, professora titular da PUC e uma das maiores especialistas brasileiras em situações de perdas e lutos. Veja o depoimento dela:

“Tenho ouvido muito de pessoas que estão vivendo um choque, uma decepção. Votar em Bolsonaro é muito mais do que escolher para um candidato à Presidência. É tudo o que vem nesse pacote e que está abrindo fissuras, rombos nas relações entre as pessoas.

A fala dele, o discurso contra gays, acabou virando porta-voz de algumas condições que já existiam nas famílias, mas que ficam meio camufladas, não autorizadas de serem expressas. Gosto de pensar no ventríloquo. A voz parece que sai do boneco, mas quem fala é o ventríloquo. Bolsonaro faz o papel desse boneco para sair a voz que as famílias não tinham coragem de trazer. E isso é uma ferida grande.

Existe todo um discurso de aceitação, de que somos bons, uma família que se ama, mas, de repente, aparece um boneco trazendo a voz da pessoa que não teve coragem de falar o que pensa.

Estou vendo muito tristeza nas famílias. Hoje [segunda, 8] foi um dia de consultório em que esse foi o tema principal. As pessoas estão tristes, preocupadas pela possibilidade de terem agido democraticamente e estarem num beco sem saída. A polarização fez muito mal, e isso se manifesta nas famílias.

Está muito difícil as pessoas conseguirem conversar e entender que pensar diferente não é ser adversário, que não se trata de enfrentamento. A intimidade da família permite que a gente converse com segurança. Mas, com os ânimos exaltados, isso está ameaçado. Ficou uma história de ‘nós contra eles’ —quem pensa diferente de mim é um adversário.

Acho isso grave. Família tem que nos dar uma base segura até para divergir, para falar “não dá mais para conversar, fui”. Mas tem que ter uma base segura, senão a gente se desarticula demais.

O Estado também é um representante de base segura para a gente se colocar de maneiras diversas, argumentar, divergir e ter liberdade para se expressar.

Luto significa rompimento de uma relação, de um vínculo significativo. Pode ser com uma pessoa, mas pode ser também com uma ideia. Essa abstração do luto é muito importante de pensar nesse momento.

Será que estamos falando de ideologias? De  projeto? O que se rompeu, o que não foi o desejado, o esperado? Espera-se que pessoas com mais de 16 anos já consigam lidar com frustração. Você tem um candidato de sua escolha, um partido, um projeto de governo que corresponde ao que você entenda como bom, certo, necessário, plausível. Mas se aquele fulano não é eleito, a gente se frusta. Será que a gente não consegue lidar com frustração? Será que a diferença ideológica precisa virar um cabo de guerra? Uma queda de braço?

O que acontece é que o nosso povo escavou trincheiras e ficou entrincheirado. Se a gente se coloca nessa posição de entrincheirado, é um luto que vai pedir que eu refaça significados. Significados de um projeto de país e de governo.

Esse luto por uma abstração fica difícil de se percebido, vem com cara de frustração. E as pessoas estão lidando muito mal com frustrações.” 

Para ler a coluna na íntegra (para assinantes ou cadastrados), acesse:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/claudiacollucci/2018/10/atritos-em-tempo-de-eleicao-abrem-rombos-nas-relacoes-familiares.shtml?loggedpaywall

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Maria Helena Pereira Franco é autora da Summus. Conheça seus livros sobre luto:

FORMAÇÃO E ROMPIMENTO DE VÍNCULOS
O dilema das perdas na atualidade
Organizadora: Maria Helena Pereira Franco
Autores: Maria Cristina Lopes de Almeida AmazonasAirle Miranda de SouzaDanielle do Socorro Castro MouraDurval Luiz de FariaElizabeth QueirozGabriela GolinGeórgia Sibele Nogueira da SilvaJanari da Silva PedrosoJosé Ricardo de Carvalho Mesquita AyresMaíra R. de Oliveira NegromonteVera Regina R. RamiresMaria Helena Pereira FrancoMaria Julia KovácsMaria Lucia C. de Mello e SilvaMaria Thereza de Alencar LimaRoberta Albuquerque FerreiraRosane Mantilla de SouzaSilvia Pereira da Cruz BenettiSoraia SchwanTereza Cristina C. Ferreira de Araújo

Este livro reúne grandes especialistas em formação e rompimento de vínculos. Entre os temas abordados estão os dilemas dos estudantes de medicina diante da morte, a questão das perdas em instituições de saúde, o atendimento ao enlutado, a morte no contexto escolar, as consequências psicológicas do abrigamento precoce, as possibilidades de intervenção com crianças deprimidas pela perda e a preservação dos vínculos na separação conjugal.
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A INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA EM EMERGÊNCIAS
Fundamentos para a prática
Organizadora: Maria Helena Pereira Franco
Autores: Cristina Foloni Delduque da CostaKarina Kunieda PolidoJulia Schmidt MasoJosé Paulo da FonsecaIsabela Garcia Rosa HispagnolIara Boccato AlvesGabriela CasellatoEster Passos AffiniEleonora JaburLilian Godau dos Anjos Pereira BiasotoCristiane Corsini PrizanteliClaudia Gregio CukiermanCibele Martins de Oliveira MarrasAriana OliveiraAna Lucia ToledoAdriana Silveira CogoAdriana Vilela Leite CésarViviane Cristina TorlaiLuciana MazorraLuiz Antonio ManzochiMarcelo M. S. GianiniMaria Angélica Ferreira DiasMaria Helena Pereira FrancoMaria Inês Fernandez RodriguezMariangela de AlmeidaPriscila Diodato TorolhoRachel Roso RighiniReginandréa Gomes VicenteRégis Siqueira RamosSamara KlugSandra Regina Borges dos SantosSandra Rodrigues de OliveiraSuzana Padovan

Este livro reúne experiências e reflexões sobre um campo de atuação novo no Brasil: o atendimento psicológico a pessoas em situações de emergência e desastre. Diversos especialistas abordam a importância de cuidar dessas pessoas e os procedimentos e técnicas mais indicados em cada caso. A saúde mental do psicólogo e os efeitos do transtorno de estresse pós-traumático também são analisados.
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O RESGATE DA EMPATIA
Suporte psicológico ao luto não reconhecido
Organizadora: Gabriela Casellato
Autores: Valéria TinocoSandra Rodrigues de OliveiraRosane Mantilla de SouzaRegina Szylit BoussoPlínio de Almeida Maciel JrMaria Helena Pereira FrancoGabriela CasellatoDéria de OliveiraDaniela Reis e SilvaCristiane Ferraz PradeAna Cristina Costa Figueiredo

O tema do luto não sancionado é pouco abordado na literatura clínica. Neste volume, profissionais da área de saúde preenchem essa lacuna tratando de temas como aborto espontâneo, infidelidade conjugal, aposentadoria, morte de animais de estimação, perda de familiares por suicídio e o luto de cuidadores profissionais. Estratégias para lidar com a perda e os transtornos psiquiátricos decorrentes dela também fazem parte da obra.

 

VIDA, MORTE E LUTO
Atualidades brasileiras
Organizadora: Karina Okajima Fukumitsu
Autores: Leo PessiniAna Catarina Tavares LoureiroAvimar Ferreira JuniorDaniel Neves ForteDaniela AchetteElaine Gomes dos Reis AlvesElaine Marques HojaijElvira Maria Ventura FilipeEmi ShimmaFernanda Cristina MarquettiGabriela CasellatoGilberto SafraGláucia Rezende TavaresKarina Okajima FukumitsuTeresa Vera GouveaMarcello Ferretti FanelliMarcos Emanoel PereiraMaria Carlota de Rezende CoelhoMaria Helena Pereira FrancoMaria Julia KovácsMaria Luiza Faria Nassar de OliveiraMayra Luciana GaglianiMonja Coen RoshiMonja Heishin Nely Aparecida Guernelli NucciPatrícia Carvalho MoreiraPedro Morales Tolentino LeiteProtásio Lemos da Luz

Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.

‘VOCÊ FOI ENSINADA A ROMANTIZAR RELAÇÕES ABUSIVAS? SAIBA COMO PARAR COM ISSO’

…………………………….Matéria de Heloísa Noronha, publicada originalmente no Universa, do UOL, em 26/09/2018

 

Por maiores que sejam os avanços dos recentes movimentos feministas, existem certas crenças difíceis de abandonar. Afinal, muitas foram aprendidas na infância, transmitidas por nossa família, e têm raízes culturais. O problema é que algumas dessas convicções, principalmente as que dizem respeito a relacionamentos afetivos, nem sempre são conscientes.

E, por serem alimentadas pela indústria do lazer (cinema, novelas, livros), têm seu lado nocivo e até mesmo machista romantizado. Só que há uma linha muito tênue entre o que é amor e o que é controle e, consequentemente, abuso.

O ciúme, por exemplo, ainda é tido como uma prova de amor. “Acredita-se que se há crises de ciúme com direito a brigas, discussões e gritos, existe amor. O homem que age dessa forma estaria ‘cuidando’ da parceira. Por trás disso, porém, há toda uma manobra de silêncio e de prisão dessa mulher. Trata-se de um pensamento que precisa ser modificado”, fala a psicóloga Livia Marques, do Rio de Janeiro (RJ).

Certos filmes, novelas e livros contribuem para perpetuar ideias românticas enganosas, normalizando o comportamento abusivo. Alguns exemplos do que tais produtos ensinam, seja  nas entrelinhas ou de maneira explícita:

  1. quanto mais exagerada a declaração de amor de um homem, maior seu sentimento;
  2. amor bom é amor cheio de obstáculos e empecilhos;
  3. toda mulher precisa de um “salvador”;
  4. quem sente ciúme ama de verdade.

“O que nos é passado é que o amor bom faz sofrer e que é para ser assim, mesmo. Não, não é. Mas vejo no consultório que amores calmos, para certas pessoas, não têm a menor graça, não fazem vibrar. Muita gente precisa da briga, da endorfina… A graça está na relação estilo iô-iô, que vai e volta, que desmancha e faz as pazes”, conta Mônica Bayeh, psicóloga clínica e psicoterapeuta, do Rio de Janeiro (RJ). Acreditar nessas crenças configura um risco enorme: o de aliviar a barra de um parceiro agressivo, justificando a violência como um “excesso de amor”.

Menos valor às mulheres

É claro que o romantismo e uma certa dose de fantasia fazem parte da vida. “No entanto, não devem limitar a mulher. Ela tem voz própria e deve ser aceita”, afirma Livia. Na opinião da psicanalista Malvina Muszkat, autora do livro “O homem subjugado – O dilema das masculinidades no mundo contemporâneo” (Ed. Summus), as ideias de origem romântica reproduzem um inconsciente coletivo que atribui menos valor às mulheres do que aos homens tanto social quanto profissionalmente. “Homens são criados para brilhar e mulheres para seduzir. Eles são criados para serem fortes, poderosos e rudes, enquanto elas aprendem a ser afetivamente dependentes e submissas”, diz.

Segundo Malvina, o sentimentalismo tóxico e abusivo é muitas vezes perpetuado – de modo nem sempre consciente – pelas próprias mulheres, que estimulam seus homens a se comportarem como heróis, como nos tempos do amor romântico. “Apesar de, inúmeras vezes, competentes e corajosas em vários campos da vida, algumas mulheres ainda são românticas a ponto de se sentirem  prestigiadas quando homens ‘fortes e poderosos’ demonstram sua fragilidade quando atingidos pelo ciúme”, explica.

De acordo com especialistas, uma das formas mais eficazes para romper definitivamente esse padrão é educando meninos e meninas de forma igualitária, ensinando-os a respeitar as mulheres sem reproduzir discursos ultrapassados e machistas. “A criação das meninas tende a ser mais restritiva do que a dos meninos. As pessoas dizem ‘menina não faz isso’, ‘menina não faz aquilo’. As garotas que são criadas para ser obedientes e submissas tendem a reproduzir esse tipo de aprendizado nas relações adultas”, comenta Mônica. Outro fator determinante de uma relação abusiva é a base das relações com os pais na infância. Crianças que vivenciaram relações abusivas costumam buscar parceiros abusivos.

Mulher não precisa de ninguém!

A ideia de que toda mulher precisa de um homem que a complete e que a proteja pode estar por trás da dificuldade que algumas têm de se desvencilhar de relacionamentos abusivos. “Elas suportam tudo, desde que não estejam sós”, observa Malvina, que salienta ainda que identificar crenças tóxicas não é difícil, pois elas agem como uma espécie de “droga”. “Difícil é abrir mão dos seus efeitos secundários, como a sensação de ter domínio sobre o homem e o falso incremento da autoestima”, conta.

Resgatar uma visão mais realista sobre a relação homem-mulher é algo bem-vindo. Antes de ser feliz com um par, a pessoa precisa encontrar felicidade e segurança Antes de ser feliz com um par, a pessoa precisa encontrar felicidade e segurança nela mesma. “Mulheres devem entender de uma vez por todas que não precisam de um salvador. E que ninguém é feliz o tempo todo, pois todo relacionamento tem seus altos e baixos”, exemplifica Mônica. Os homens, segundo Malvina, em qualquer fase da vida também devem ser orientados e ter a oportunidade de revelarem sua fragilidade e ternura. “A verdade é que homens são muito mais dependentes das mulheres do que o oposto. Homens são obrigados a se proteger com uma máscara social que, ao mesmo tempo, encobre suas dificuldades e estimula sua violência”, pondera.

Para acessar a matéria na íntegra: https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2018/09/26/voce-foi-ensinada-a-romantizar-relacoes-abusivas-saiba-como-parar-com-isso.htm

 

Conheça o livro da psicóloga Malvina Muszkat, mencionado na matéria:

O HOMEM SUBJUGADO
O dilema das masculinidades no mundo contemporâneo
Autora: Malvina E. Muszkat
SUMMUS EDITORIAL

Neste livro, a autora Malvina Muszkat, propõe que se repense o fenômeno da violência sob a perspectiva da subjetividade masculina na dinâmica dos relacionamentos, de forma a buscar maneiras mais eficientes de se promover o dialogo e evitar o confronto. Transitando por áreas como antropologia, sociologia, mitologia e psicanálise, Malvina mostra como a imagem da masculinidade foi construída ao longo dos séculos e de que forma os homens foram proibidos de demonstrar seus medos e fraquezas.

Talvez seja possível criar homens com comportamentos diferentes dos usualmente atribuídos a eles em nossa sociedade. Se não há apenas uma forma de ser mulher, por que haveria apenas uma forma de ser homem?40

‘SABE O QUE É INCESTO EMOCIONAL? VEJA SE VOCÊ FOI VÍTIMA E MUDE ESSE PADRÃO’

……………………………………..Matéria de Heloísa Noronha, publicada originalmente no portal Universa, do UOL, em 04/10/2018

 

O incesto emocional não tem a ver com sexo. Porém, é um tipo de interação que confunde os limites entre o adulto e a criança de uma maneira psicologicamente inadequada e que tem consequências tão devastadoras quanto um abuso físico. Nem sempre é algo intencional. “Muitos pais e mães sequer se dão conta do que estão fazendo”, diz a psicóloga e psicopedagoga Elizabeth Monteiro, autora do livro “A Culpa É da Mãe – Reflexões e Confissões Acerca da Maternidade” (Ed. Summus). Trata-se de um processo inconsciente. Para entender melhor do que se trata, vale conhecer quais são as situações mais recorrentes:

Situação 1: a criança é colocada no papel de confidente

Em casais onde o diálogo é complicado ou quando a relação entre os dois não anda bem, o incesto emocional ocorre quando um dos dois passa a tratar o filho como ouvinte de reclamações e desabafos. “Quando um casal enfrenta problemas, os filhos podem não ter maturidade para entender o que está acontecendo. E, com frequência, saber detalhes da situação mais machuca do que ajuda”, fala a psicóloga Dora Lorch, autora de “Como Educar Sem Violência” (Ed. Summus). “Vou dar o exemplo do pai que trai a mãe: ele foi infiel à mulher, não aos filhos, mas em alguns relatos parece que o pai traiu os filhos ao se relacionar sexualmente com outra pessoa. Será? Será que desejar viver com outro alguém faz dele um pai menos carinhoso com os filhos?”, indaga.

Ouvir certas confidências faz a criança se sentir usada e aprisionada, mesmo que ela não se dê conta disso. Outro comportamento comum é desprezar a diferença de idade e a hierarquia e tratar essa criança como se fossem amigos, e não mãe/pai e filho. Isso acontece entre pais e mães que querem participar dos programas dos filhos de uma maneira invasiva. “Na vida familiar, é preciso haver uma hierarquia e um certo distanciamento para permitir que o filho cresça e se desenvolva como pessoa”, diz Dora.

Situação 2: a criança vira substituta de um parceiro

Ou seja, o pai ou a mãe transfere para a criança a atenção e o carinho que gostaria de receber do par. Atinge com maior frequência com filhos do sexo oposto e quando a mãe ou o pai é solitário. “Os recém-divorciados podem sentir a ausência do parceiro intensamente. Com aspectos de seus filhos lembrando-os do ex, a ocorrência de incesto emocional pode ser aumentada”, informa Monica Pessanha, psicopedagoga e psicanalista infantil e de adolescentes, informa Monica Pessanha, psicopedagoga e psicanalista infantil e de adolescentes, de São Paulo (SP).

“Pela dificuldade de lidar com a família fragmentada, muitos genitores buscam refazer o imaginário da família ideal ‘readaptando’ a criança para a função de marido/pai ou esposa/mãe. Em determinados casos, um dos pais até projeta na criança a expectativa de que ela possa ser o marido ou a esposa perfeita que não tiveram”, comenta Silvia Malamud, psicóloga clínica especializada em terapia de casais e família, também da capital paulista.

Silvia diz que, como tanto crianças como adolescentes têm necessidades emocionais relacionadas às suas idades, o peso dessas demandas costumam afetar drasticamente sua futura vida emocional e afetiva. “Volta e meia recebo em meu consultório jovens em estados depressivos severos, com perda de interesse pela vida, pelos estudos e por tudo o que poderia auxiliá-los em seus rumos de vida adulta independente. Eles sequer alimentam a esperança de serem eles mesmos pela árdua missão que têm de substituir os pais”, relata a terapeuta.

Até mesmo casais que vivem juntos podem virar reféns desse mecanismo sufocante quando não são conectados emocionalmente e levam uma vida automatizada mais voltada para fora do que para dentro. “Nesse padrão de funcionamento, muitos pais acabam sendo permissivos além da medida, permitindo que filhos durmam entre o casal, por exemplo, num contexto que, muitas vezes, ativa ainda mais a desconexão da dupla, promovendo outros tipos de conexões psicológicas não saudáveis”, explica Silvia.

Situação 3: o filho como “propriedade” dos pais

“Ela é a princesinha do papai”, “Ele é o namoradinho da mamãe”, “Só vai namorar depois que fizer 20 anos”, “Se aparecer algum(a) vagabundo(a) aqui na porta, eu boto para correr”… Frases tidas como carinhosas, em princípio, podem apenas sinalizar superproteção. No entanto, o que muitos pais e mães expressam sem se dar conta, na verdade, é um sentimento nocivo de posse e ciúme. No futuro, a probabilidade de atrapalharem os relacionamentos amorosos dos filhos é muito grande.

Segundo Silvia Malamud, há pais e mães que criam seus filhos para lhe fazerem companhia e não deixam que se relacionem com amigos. “Eles morrem de medo do mundo e obrigam os filhos a viver sob seus medos, em condomínios fechados e círculos sociais restritos, viabilizando a diversão apenas pela internet. Sei de adultos cujos pais nunca permitiram que fossem dormir na casa de amigos ou parentes. Não por achar a casa ou os pais dos amigos inadequados, mas por puro medo deles saírem de perto e se verem frente à sua própria solidão, de perderem o controle”, completa.

Outra forma de incesto emocional é a invasão de privacidade, quando os pais querem exercer sua autoridade entrando e saindo quando bem quiserem de seus quartos e banheiros.

Da sensação inicial de poder à autoestima em frangalhos

De acordo com Monica Pessanha, o incesto emocional tem maior poder na primeira infância, pois a criança vive com os pais uma fusão emocional que até os dois anos de idade é importante para sua sobrevivência saudável. “Mas, quando os pais não se desligam, essa criança poderá criar no futuro uma incapacidade de se ligar intimamente a uma vida saudável com um parceiro adulto”, avisa.

As crianças podem se sentir importantes ou especiais porque são os confidentes escolhidos pelos pais. “Embora provavelmente saibam que estão sendo tratadas de forma diferente das crianças ao redor, a sensação de maturidade pode ser estimulante. Elas também podem sentir-se úteis ou mesmo poderosas, pois são elas quem orientam seus pais durante uma jornada adulta. Porém, mesmo se sentindo bem, ao longo dessa jornada com os pais, há o risco de a criança começar a apresentar problemas emocionais”, observa Monica.

Para Dora Lorch, em muitos casos, os filhos se sentem amados e valorizados sem perceber o alto preço que estão pagando por esse amor. “A questão é que esse comportamento vai minando a autoestima e semeando a dúvida sobre suas qualidades, opiniões e, por fim, sobre a maneira como a pessoa vê a realidade. Ela fica vulnerável e fragilizada”, pontua.

Quem eu sou? Crianças vítimas do incesto emocional nunca se sentem livres para serem quem são. “É como se os pais tivessem lhes tirado a possibilidade de solidificar a própria identidade”, diz Monica. Como esses danos não são facilmente detectados, podem emergir na adolescência ou na vida adulta através de distúrbios alimentares, autoagressão (cortes como forma de autopunição), uso de drogas e depressão em diversos níveis com risco de suicídio.

O problema mais fácil de identificar, porém, é a dificuldade em estabelecer relacionamentos afetivos saudáveis e duradouros. “Muitos filhos são orientados, de modo camuflado ou direto, para que tomem cuidado nos seus relacionamentos por conta dos sofrimentos causados pelas escolhas erradas dos pais. O aviso ‘subterrâneo’, portanto, é que o ideal seria que permanecessem atados ao papel de maridos e esposas desses pais, esses, sim, os parceiros ‘ideais’. Como consequência, ou os relacionamentos são fadados ao fracasso ou essas pessoas sequer pensam em ter algo mais consciente e muitas vezes nem buscam”, afirma Silvia.

E há, ainda, quem se torna alvo fácil de parceiros abusivos, perpetuando a dinâmica tóxica e doentia que vivia na família.

Mudança difícil

Quebrar esse padrão é árduo e complexo. “Sei de casos em que os filhos só conseguiram se libertar e viver como queriam depois da morte dos pais”, diz Elizabeth Monteiro. Na opinião da psicopedagoga, libertar-se é difícil porque essas pessoas cresceram sob o peso da culpa e das chantagens emocionais. “Ao longo da vida, muitas quiseram cortar o vínculo doentio, mas são poucos, de fato, os que conseguem cortar. As sensações de ingratidão e de ter uma dívida com os pais fala mais alto. Além disso, os filhos assumem o papel complementar dessa trama: os pais precisam dominar e eles acabam precisando ser dominados”, afirma.

Já Silvia Malamud destaca que não é raro que a identidade dos filhos desse tipo de abuso fique ‘misturada’ com a do pai ou a da mãe. “Daí, na vida adulta, existe enorme dificuldade em se saber onde um começa e o outro termina. Por conta desse desarranjo, há a dificuldade de impor limites. Como a identidade está baseada na lealdade para com os pais, a vítima ora se sente onipotente, ora se percebe com receio de ser rejeitada se não cumprir com a identidade planejada para ela. Portanto, sentimentos de inferioridade e de não pertencimento sempre serão pano de fundo”, diz.

Por mais difícil que seja, e na maior parte das vezes o processo exige uma terapia, as pessoas precisam se esforçar para estabelecer limites saudáveis com os pais. “Elas têm que trabalhar para recuperar seu senso de identidade, afastando-se de se colocar no papel de cuidador em seus relacionamentos. E isso não é fácil. É um problema para ser tratado a longo prazo, e quase sempre em um processo terapêutico, até porque o incesto emocional é devastador devido à natureza indireta e encoberta do trauma”, aponta Monica.

Para acessar na íntegra: https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2018/10/04/sabe-o-que-e-incesto-emocional-veja-se-foi-vitima-e-nao-perpetue-o-padrao.htm

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Conheça os livros das psicólogas Elizabeth Monteiro e Dora Lorch, mencionados na matéria:


A CULPA É DA MÃE
Autora:
Elizabeth Monteiro
SUMMUS EDITORIAL

Neste livro emocionante e catárquico, a psicoterapeuta Elizabeth Monteiro relata suas experiências – muitas vezes desastradas – como mãe de quatro filhos. Partindo das relações familiares na época de sua avó e passando pela própria infância, ela mostra que as mães, independentemente da geração, erram. Mas não devem se sentir culpadas por isso. Prefácio de Lya Luft.

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COMO EDUCAR SEM USAR A VIOLÊNCIA
Autora:
Dora Lorch
SUMMUS EDITORIAL

Toda criança precisa compreender o mundo em que vive, e pais e educadores devem fornecer exemplos diários de boa conduta e agir de maneira coerente com o que dizem. Mas muitos optam pela violência e pela humilhação para ” ensinar”. Agindo assim, criam seres humanos sem capacidade crítica e também violentos. Usando a psicologia para falar de birras, medos, mentiras, vergonha, inconsciente e brincadeiras, a autora constrói um singelo manual de boas maneiras – para os pais. Prefácio de Ruth Rocha.