‘DEZ HÁBITOS QUE PREJUDICAM A SAÚDE DO SEU CORAÇÃO’

Matéria de Danielle Sanches, publicada no portal VivaBem, do UOL, em 31/07/2018.

Você sai de casa sem tomar café da manhã? Dorme mal a maior parte das noites durante a semana? Ou pratica exercícios físicos sem estar com uma garrafinha de água sempre à mão? Pois estes hábitos bastante comuns e aparentemente inocentes podem estar prejudicando a saúde do seu coração.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% das mortes por doenças cardiovasculares – considerada a causa número um de mortes em todo o mundo – foram provocadas por ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral (AVC). E a grande maioria desses problemas pode ser evitada com mudanças no comportamento, ou seja, nos hábitos de vida.

“Pela nossa experiência em consultório, notamos que os pacientes estão chegando cada vez mais jovens com esses problemas”, avalia o médico cardiologista Guilherme Sangirardi, membro da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP). “E a melhor forma de evitar essas doenças é realmente pela prevenção”, acredita o especialista.

Confira então 10 hábitos frequentes que podem fazer mal à saúde do seu coração:

  1. Colocar muito sal na comida

O excesso de cloreto de sódio – como é chamado o nosso sal – na alimentação está ligado ao aumento da pressão arterial – problema que acomete cerca de 24% da população brasileira, de acordo com o Ministério da Saúde. O órgão segue a recomendação da OMS e orienta que o consumo de sal não ultrapasse cinco gramas por dia. Porém, não é o que acontece.

“O brasileiro consome, em média, 10 gramas de sal por dia”, alerta o cardiologista Marcelo Cantarelli, diretor da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI). Segundo o especialista, se a pessoa já apresenta algum problema de aumento de pressão, o consumo deve ser de, no máximo, dois gramas por dia.

Além do sal nas refeições, Sangirardi chama a atenção para o sódio contido em alimentos industrializados, como embutidos e refrigerantes. “É preciso estar atento a esse consumo também para não jogar por água o esforço de cuidar do sal na alimentação do dia a dia”, explica o médico.

Vale lembrar que problemas renais estão associados ao aumento da pressão arterial, um dos principais fatores de risco para problemas do coração.

  1. Ingerir muito açúcar

Embora sejam fonte de energia, o alto consumo de qualquer tipo de açúcar – o que inclui tanto o refinado como a frutose ou o mel, por exemplo – tende a levar à obesidade. “Uma dieta rica em açúcar, especialmente a versão refinada, ainda pode levar ao aparecimento da diabetes tipo 2”, diz Cantarelli. A OMS recomenda que a quantidade do alimento ingerida diariamente não ultrapasse os 25 gramas (cerca de duas colheres de sopa); a entidade, no entanto, estima que, no Brasil, o consumo diário seja 50% maior do que o recomendado.

  1. Analgésicos em excesso

Um estudo recente publicado no British Medical Journal comprovou o que os médicos já alertam há anos: o uso de medicamentos anti-inflamatórios do tipo não-esteroides, muito utilizados para combater inflamações e dores, pode colocar a saúde do coração em risco. Remédios como o diclofenato, ibuprofeno e o naproxeno estariam associados a um aumento nos casos de ataques cardíacos a partir de uma semana de uso contínuo.

“Esse tipo de medicamento precisa ser usado com cuidado especialmente por idosos, já que há a possibilidade de ocorrerem sangramentos no estômago e insuficiência dos rins”, explica Cantarelli.

  1. Pular o café da manhã

Um estudo da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard (HSPH, em inglês), nos Estados Unidos, mostrou que homens que pulavam o café da manhã tinham 27% mais chances de sofrer um ataque cardíaco ou serem vítimas de alguma doença coronariana.

Mais: quem não tinha o hábito de fazer essa refeição geralmente tinham mais fome ao longo do dia e comiam mais de noite, provavelmente por mudanças metabólicas causadas pela falta do desjejum. “Pular o café da manhã significa privar o organismo de energia, prolongando o tempo de jejum”, diz Cantarelli. “Não é preciso ingerir uma refeição farta, mas comer um pouco já ajuda a manter o organismo preparado para as tarefas iniciais do dia”, explica o especialista.

  1. Não ingerir água durante o exercício físico

Parece simples, mas não se hidratar durante a prática de atividades físicas leva a uma queda da pressão arterial e aumento da viscosidade do sangue, tornando o trabalho do coração mais difícil. “Isso aumenta a frequência cardíaca durante o exercício e sobrecarrega o coração, que já trabalhando mais por conta do exercício”, explica Cantarelli.

  1. Noites mal dormidas

A lista dos problemas para o coração de quem não dorme a noite é enorme. Inúmeros estudos ligam a falta de uma boa noite de sono ao aumento da obesidade, da pressão arterial e ao risco de desenvolver diabetes – todas doenças que, indiretamente, afetam a saúde cardíaca. Diretamente, o risco também existe.

“Quando dormimos, nosso corpo relaxa, a pressão arterial é reduzida e a frequência cardíaca também cai. O coração, que nunca para, consegue descansar dessa dessa maneira”, afirma Sangirardi. Se isso não acontece, portanto, o órgão acaba sobrecarregado, aumentando os riscos de infarto.

Foi o que comprovaram os médicos da Universidade de Warwick, na Inglaterra, que realizaram uma pesquisa sobre o impacto que a privação de sono ou mesmo uma noite mal dormida tem na saúde humana. De acordo com o estudo, publicado no European Heart Journal, quem dorme menos de seis horas por dia pode ter até 48% mais chance de desenvolver doenças cardíacas.

  1. Excesso de bebidas alcoólicas

Cirrose hepática, insuficiência cardíaca e hipertensão arterial são os principais problemas de quem abusa do álcool no dia a dia. A única bebida alcoólica que tem a simpatia dos médicos é o vinho tinto, feito a partir da uva, já que a bebida é conhecida por ter flavonóides – substâncias antioxidantes e que fazem bem à saúde. O consumo, no entanto, só é benéfico quando feito de forma moderada, ou seja, até uma taça por dia para a mulher e duas taças por dia para o homem.

O vinho tinto também tem efeito vasodilatador, reduzindo a pressão arterial. Mas Cantarelli explica que não é preciso começar a beber para conseguir esses benefícios. “O consumo de frutas vermelhas ou mesmo da uva in natura ou sucos delas também apresenta efeitos positivos no organismo”, afirma.

  1. Alto consumo de carne vermelha

Em 2015, a OMS divulgou um comunicado afirmando que as carnes vermelhas – provindas de animais como boi e porco – seriam “provavelmente carcinogênicas” aos seres humanos. O alerta na restrição de consumo também vale para a prevenção de doenças cardíacas.

“A gordura da carne é uma grande fonte de colesterol”, avalia Cantarelli. “O problema não é o consumo dela, mas o excesso, aliado a frituras”, explica.

No mesmo comunicado, alimentos processados como linguiça, bacon, presunto e salsicha em excesso são apontados como causadores de câncer colorretal. Esse tipo de produto é rico em sódio, nitratos e gorduras saturadas, o que elevam as chances de desenvolver doenças coronarianas. “Não é preciso abolir da refeição, mas seria interessante escolher peças menos gordurosas, grelhadas e incluir legumes e verduras no prato”, aconselha o médico.

  1. Saúde dental frágil

Cuidar dos dentes, acredite, é fundamental para a saúde do coração. De acordo com Cantarelli, as bactérias encontradas em infecções dentárias ou gengivites podem causar infecções na membrana interna do coração. “A endocardite bacteriana pode, em casos mais graves, destruir a válvula cardíaca ou até levar a uma infecção generalizada”, explica.

A saúde bucal também pode avisar quando o resto do corpo tem problemas. Segundo a American Heart Association, pessoas com periodontite (como são chamadas as infecções na gengiva) frequentemente compartilham de alguns fatores de risco para doenças do coração, como consumo de cigarro, idade avançada e diabetes.

  1. Falta de tempo para a família e/ou para os amigos

O estresse causado pela solidão associado a fatores como fumo e pressão alta estão associados ao aumento no risco de desenvolver doenças cardíacas. É o que diz um estudo liderado pela University College London, do Reino Unido, e publicado na revista científica PLOS Medicine.

A análise envolveu indivíduos de três países da Europa Oriental – uma região em que as taxas de problemas cardíacos são consideradas extremamente altas. Os médicos descobriram que as doenças do coração eram mais comuns em pessoas que raramente encontravam os amigos e familiares, eram solteiros, desempregados e apresentavam sintomas de depressão.

A explicação é simples: encontrar os amigos ou a família faz com que o corpo libere hormônios responsáveis por sensações de prazer, amor e bem-estar – justamente os mesmos que ajudam a melhorar o sono, reduzir a pressão arterial e a frequência cardíaca. “Tudo isso colabora para a saúde do coração, reduzindo a ocorrência de hipertensão arterial e infartos”, diz Cantarelli.
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Para acessar a matéria na íntegra: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/07/31/10-habitos-que-prejudicam-a-saude-do-seu-coracao.htm

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Se você tem interesse pelo tema, conheça:

CORAÇÃO: MANUAL DO PROPRIETÁRIO
Tudo o que você precisa saber para viver bem
Autor: Dr. Mauricio Wajngarten
MG EDITORES

Neste livro do cardiologista Maurício Wajingarten, publicado com o apoio do Incor e da Jovem Pan, estão reunidas as informações que todos nós gostaríamos de saber sobre como funciona, como “quebra”, como se examina e como se conserta nossa preciosa máquina. Com fotos e ilustrações.

‘O QUE CAUSA O TRANSTORNO DO PÂNICO?’

………………………………____Artigo publicado originalmente no Blog do Luiz Sperry, no Portal VivaBem, UOL, em 30/07/2018.

Junto com a depressão, o transtorno do pânico é a doença psiquiátrica mais emblemática da atualidade. Não é uma doença propriamente nova, já podemos encontrar relatos precisos de quadros muito parecidos com isso que hoje chamamos pânico há mais de 150 anos. Emil Kraepelin, o maior dos psiquiatras de seu tempo descreveu um quadro chamado por ele de “neurose de terror” (Schrekneurose). Freud, o pai de todos psicanalistas, também escreveu sobre o assunto, que chamou de “neurose de angústia”.

Pois bem, existem evidentemente pequenas diferenças entre essas descrições antigas e aquilo que hoje chega na nossa clínica com o nome de transtorno do pânico. Mas são bem pequenas.

De uma maneira geral, o paciente com pânico tem dois tipos de sintomas: os físicos e os psíquicos.

Os sintomas físicos são diversos, sempre exuberantes: taquicardia, sudorese, falta de ar, dores no peito, tremores, formigamentos, dores abdominais, tontura, entre outros. Já os sintomas psicológicos em geral são: medo de morrer, medo de ficar louco para sempre e um certo estranhamento, como se o paciente não reconhecesse a si nem ao entorno.

Esses sintomas aparecem de uma hora para outra, como diriam os americanos “out of the blue”. Rapidamente ficam muito intensos, de modo que não é raro o paciente ir parar no setor de emergência dos hospitais. Essa crise que eu acabei de descrever se chama ataque de pânico. Ela é a base do transtorno do pânico.

A partir do momento em que você passa a ter crises repetidas é comum acontecer uma certa evitação de certos comportamentos e lugares que podem desencadear essas crises, ou mesmo um medo intenso de se ter o ataque numa situação não haja ninguém por perto para ajudar. O desamparo aparece então como um elemento central do pânico. Os ataques repetidos associados a esses pensamentos e limitações são o tal transtorno do pânico.

Mas aí se impõe a pergunta inicial que dá título a esse texto. Como surge isso tudo? A psiquiatria não se debruça longamente sobre o assunto. Vai dizer que o organismo está funcionando normalmente, o que não deixa de ser surpreendente tendo em vista a quantidade enorme que sintomas físicos que surgem “out of the blue”, como dizem os americanos. Isso vai provocar também uma dificuldade de aceitação da doença, uma vez que as pessoas associam, erroneamente,  “nada físico” com “doença nenhuma”. Isso leva a conflitos desnecessários e a uma série de abandonos de tratamento que poderiam ser evitados com um diálogo mais elaborado.

Gosto mais de uma explicação psicodinâmica do pânico. Freud dizia a respeito da neurose de angústia que era uma neurose atual. Com isso ele queria dizer que era uma doença causada por um distúrbio na vida sexual do paciente, atual, em oposição a outras doenças que teriam a ver com traumas do passado. Pessoalmente discordo dessa etiologia ser estritamente sexual, mas enxergo o pânico como resultado de uma série de possíveis conflitos na vida atual da pessoa.

Às vezes está na cara. Um casamento falido, contas para pagar, impagáveis, familiares doentes, metas impossíveis no trabalho. Ou ainda, porque não, uma vida sexual inteira que poderia ter sido e não foi. Em outros momentos o conflito não vem de bandeja; é necessária uma investigação mais cuidadosa dos possíveis motivos do surgimento dos sintomas.

Mas de uma forma geral considero a crise um grande alerta. Algo dentro de nós gritando: o que você está fazendo da sua vida? Temos uma tendência enorme a seguir em frente sem refletir sobre as nossas decisões e isso muitas vezes cobra um preço.

Por isso que mesmo tendo uma resposta tão boa aos antidepressivos, o transtorno do pânico insiste em voltar. É uma doença com uma recorrência muito grande, justamente porque muitas vezes as condições que levaram a ela não foram descobertas ou mesmo investigadas. Aí é como adiar o alarme para dormir mais alguns minutos. Não resolve e muitas vezes perdemos a hora.

Para acessar na íntegra: https://luizsperry.blogosfera.uol.com.br/2018/07/30/o-que-causa-o-transtorno-do-panico/

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça:

 

 

ANSIEDADE, FOBIAS, SÍNDROME DO PÂNICO
Esclarecendo suas dúvidas
Coleção Guias Ágora
Autora: Elaine Sheehan
EDITORA ÁGORA

Milhares de pessoas sofrem de síndrome do pânico ou de alguma das 270 formas de fobias conhecidas. O livro aborda os diferentes tipos de ansiedade, fobias, suas causas e sintomas. Ensina meios práticos para ajudar a controlar o nível de ansiedade e orienta quanto à ajuda profissional quando necessária.

AUTORES DO LIVRO “VIDA, MORTE E LUTO” AUTOGRAFAM EM SÃO PAULO

A Summus Editorial e a Livraria da Vila (Shopping Pátio Higienópolis-SP) promovem no dia 7 de agosto (terça-feira), das 18h30 às 21h30, a noite de autógrafos do livro Vida, morte e luto – Atualidades brasileiras. A organizadora da obra, Karina Okajima Fukumitsu, e os autores recebem amigos e convidados na livraria, que fica no Shopping Pátio Higienópolis, piso Pacaembu (Av. Higienópolis, 618 – São Paulo).

Na sociedade moderna, tão identificada com a ciência e a tecnologia, a ideia da morte tornou-se incômoda a ponto de pessoas em situação terminal sentirem-se culpadas por seu adoecimento e pela iminente possibilidade de morrer. O tema da morte desapareceu da cultura do cotidiano, e a incapacidade de lidar com essa situação-limite reflete as dificuldades dos indivíduos que não contam com repertórios simbólicos para enfrentar a morte, o luto e a dor.

O livro contribui para a reinserção da questão da morte na cultura e acena com a possibilidade de ampliarmos nosso repertório simbólico para lidar com ela de forma serena, ajudando profissionais e leigos a compreender em profundidade um tema tão urgente no trato das questões fundamentais da existência humana.

Organizado por Karina, ela mesma confrontada com a proximidade da própria morte, e reunindo textos de diversos autores, a obra é multidisciplinar e apresenta os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro//Vida,+morte+e+luto

‘DO BUMBUM À VAGINA: POR QUE AS BRASILEIRAS SÃO OBCECADAS POR PLÁSTICAS?’

Matéria da RFI, publicada no portal Universa , do UOL, em  25/07/2018.

O Brasil é o segundo país onde mais se realizam cirurgias plásticas, perdendo apenas para os Estados Unidos. Casos de brasileiras que morreram vítimas de cirurgias plásticas malsucedidas ocupam as páginas dos jornais todas as semanas. Na maioria desses tristes episódios, as histórias se repetem: as pacientes confiaram em procedimentos inadequados e médicos desqualificados e pagaram com suas vidas o sonho do corpo perfeito.

A ditadura da beleza no Brasil é um fenômeno que penaliza, mas que também banaliza, avalia o sociólogo especialista em Saúde Pública, Francisco Romão Ferreira, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). “Há uma preocupação excessiva com o corpo. Não só em termos de cirurgias plásticas, mas a quantidade de academias, salões de beleza e de farmácias no Brasil é algo gritante quando você compara com outros países. E essa preocupação estética está naturalizada no cotidiano e não para de crescer”, observa.

A necessidade de exibir um corpo perfeito e jovem acabou também por banalizar operações estéticas, como implantes de silicone, lipoaspirações, lifts faciais – frequentemente apresentados por clínicas como procedimentos simples, facilitados por pagamentos parcelados ou até consórcios por operadoras de crédito. “Essas operações são vendidas como descomplicadas e rápidas. Revistas sobre plásticas que podem ser compradas em bancas de jornais dão uma ideia irreal sobre esses procedimentos, como se você fosse fazer uma cirurgia no meio da semana pra ir na festa no sábado. Infelizmente tem público que acredita nessas promessas”, salienta o sociólogo.

Ferreira avalia que diversos fatores contribuem para este fenômeno no Brasil, um país com uma grande extensão litorânea, onde a maioria das capitais estão próximas da costa, onde faz calor em boa parte do ano e a cultura da praia é muito intensa. Além disso, o corpo, muitas vezes, é o principal bem dos brasileiros. “Em um país com uma desigualdade social muito grande, o físico é um capital para a ascensão social. Quando acesso ao ensino e à educação são bloqueados, o corpo vira uma possibilidade de evoluir socialmente”, diz.

Mas para o sociólogo não há dúvidas que a busca desenfreada da estética não é um fenômeno que diz respeito apenas a determinadas classes, mas é constatada entre pobres e ricos. Ele lembra, por exemplo, que nas favelas brasileiras, salões de beleza e academias têm forte presença.

As classes mais abastadas, por outro lado, se engajam em fenômenos da moda, como a recente febre do crossfit ou das corridas, que, por trás de atividades físicas, desenvolvem novos mercados, serviços e produtos imperativamente a serem adquiridos. “Em todas as camadas sociais, o sentido da existência se volta para o corpo”, afirma.

Vagina não escapa de padrão estético

Peitos, nádegas, rosto, barriga, coxas e até mesmo os lábios vaginais não escapam os ideais de beleza impostos pela sociedade. O Brasil é aliás, o país onde mais se realizam cirurgias estéticas  íntimas, seja para estreitar o canal vaginal, diminuir os grandes lábios ou retirar gordura do púbis.

“No Brasil, existe um padrão estético da vagina perfeita: simétrica, rosa ou branca, sem pelos, sem excesso de gordura”, diz Marcelle Jacinto da Silva, doutoranda em Sociologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), que trabalha sobre a questão em sua tese. Com outros dois pesquisadores, ela assina o artigo científico “A vagina pós-orgânica: intervenções e saberes sobre o corpo feminino acerca do embelezamento íntimo”, que trata das cirurgias íntimas realizadas por mulheres brasileiras.

No total, a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps) aponta que 13 mil labioplastias foram realizadas em 2016 no Brasil, com um aumento de 39% em relação ao ano anterior. Segundo especialistas, a maioria desses procedimentos não é realizada por uma questão funcional, mas puramente estética.

Para Marcelle Jacinto da Silva, esse ideal da vagina perfeita é primeiramente imposta pelas mídias, mas também pela indústria pornográfica, cujos conteúdos passaram a ser facilmente acessados na era da internet. Mas o que motiva essas mulheres a se submeterem à dolorida e, muitas vezes desnecessária cirurgia íntima, é o desejo de maridos, namorados e parceiros sexuais.

“Eu tenho encontrado muitos depoimentos de mulheres que falam que o pesou mais na escolha desta opção foi a visão do homem. Muitas delas alegam ter passado pelo procedimento por uma vontade própria, mas ao mesmo tempo alegam que o realizaram porque sentiam vergonha se mostrar sua genitália para o parceiro”, afirma a doutoranda.

A necessidade de agradar o parceiro alimenta fetiches masculinos, avalia Ferreira. “Há um tempo atrás, fiz uma série de entrevistas com mulheres que fizeram cirurgias plásticas, a maioria malsucedidas. Várias afirmaram que elas se submeteram a esses procedimentos por causa do parceiro. Para todas, essa era uma vontade única e exclusiva delas. Para todas, essa era uma vontade única e exclusiva delas. O que elas não se dão conta é que a motivação delas está pautado pelo olhar do outro.”

Segundo o sociólogo, mesmo que o padrão de beleza no Brasil tenha evoluído – passando das formas curvilíneas às mais fitness – no imaginário da sociedade, “o bumbum ainda é preferência nacional”. No entanto, ele lembra que as exigências do corpo perfeito mudam de acordo com as classes sociais. “Entre a classe média e classe média alta, o padrão valorizado é o da mulher com o corpo bem definido, mas magro. Mas entre as classes populares, a estética Mas entre as classes populares, a estética é outra: “o estereótipo da ‘gostosa’, com coxas, bumbum e peitos grandes, é mais valorizado”.

Esta é uma reprodução parcial. Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://universa.uol.com.br/noticias/rfi/2018/07/25/do-bumbum-a-vagina-por-que-as-brasileiras-sao-obcecadas-por-plasticas.htm

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Tem interesse no tema? Conheça:

A BELEZA IMPOSSÍVEL
Mulher, mídia e consumo
Autora: Rachel Moreno
EDITORA ÁGORA

A quem interessa vender uma beleza inalcançável? De que maneira a mídia manipula nossa consciência em nome dos interesses do mercado? Quais são as conseqüências para as adolescentes de hoje? Onde entram as “diferentes” – gordinhas, velhas, negras – nesse sistema? Rachel Moreno responde a estas e outras perguntas neste livro vigoroso e crítico, apontando caminhos para que possamos nos defender dessas armadilhas.

‘CADA VEZ MAIS VELHA, POPULAÇÃO DO BRASIL CHEGA A 208 MILHÕES’

Matéria de Lucas Vettorazzo, publicada na Folha de S. Paulo, em 25/07/2018.

Projeção aponta que país terá mais idosos que jovens em 2060

O Brasil atingiu a marca de 208,4 milhões de habitantes em 2018, segundo estimativa do IBGE divulgada nesta quarta-feira (24).

O dado é uma projeção com base no levantamento populacional do Censo de 2010.

A população brasileira em 2018 teve aumento de 0,38% (ou 800 mil pessoas) em relação ao contingente de 2017, quando era de 207,6 milhões.

O dado mais recente mostrou que o crescimento populacional brasileiro está desacelerando. Ou seja, a cada ano a população cresce menos. De 2016 para 2017, o crescimento havia sido de 1,6 milhão de pessoas, o dobro do registrado na passagem de 2017 para 2018.

Alguns motivos levam à desaceleração da taxa de crescimento da população. O principal é a redução da taxa de fecundidade. Além disso, as mulheres estão engravidando mais tarde e a relação entre idosos e jovens está diminuindo.

O IBGE estimou que a população brasileira continuará a crescer pelos próximos 29 anos, até 2047, quando deverá atingir 233,2 milhões. Nos anos seguintes, estima o instituto, a população cairá gradualmente, até chegar a 228,3 milhões em 2060.

O instituto fez uma série de projeções de longo prazo. A expectativa é que até 2060 a população com mais de 60 anos mais que dobre de tamanho e atinja 32,1% do total. Esse indicador em 2018 está em 13,44%.

Movimento contrário ocorre na população de crianças de até 14 anos, que atualmente representa 21,3% do total e que em 2060 representará 14,7%. O confronto desses dois indicadores mostra o envelhecimento da população.

Em 2060, portanto, o país terá mais idosos do que crianças. Se comparadas ano a ano, as mudanças são tímidas. Num prazo mais longo, porém, os dados não deixam dúvida. Em 2060, um quarto (25%) da população terá mais de 65 anos, estima o instituto.

O Rio Grande do Sul, segundo o IBGE, é o estado que primeiro experimentará uma proporção maior de idosos em relação às crianças. Essa reversão se dará em 2029. Quatro anos mais tarde será a vez de Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Os estados do Sul e Sudeste apresentam atualmente populações mais velhas do que os do Norte e do Nordeste, por exemplo.

A idade média da população brasileira em 2018 é de 32,6 anos. O estado mais jovem é o Acre, com população com idade média de 24,9 anos. O Rio Grande do Sul é o mais envelhecido, com 35,9 anos.

ENVELHECIMENTO

O motivo para envelhecimento geral é que a expectativa de vida experimentou melhora na última década, enquanto a fecundidade caiu gradativamente. Atualmente, a expectativa de vida ao nascer é de 76,2 anos. Em 2060, será de 81.

Segundo o demógrafo do IBGE Tadeu Oliveira, a redução da fecundidade está associada ao aumento da participação da mulher no mercado de trabalho. Elas têm dado cada vez mais prioridade aos estudos ou à carreira e têm postergado a maternidade. A evolução tecnológica, que permite às mulheres engravidarem mais tarde, também tem impacto nos dados.

Em 2010, a idade média em que as brasileiras engravidavam pela primeira vez era de 26,5 anos. Em 2018, o número está em 27,1 anos. Em 2060, chegará aos 28,8 anos de idade.

Atualmente, a taxa de fecundidade é de 1,77 filho por mulher. Em 2060, esse número será de 1,66.

Em 2018, o país teve mais 1,6 milhão a mais de nascimentos do que mortes (até 1º de julho, data de referência da pesquisa). Apesar da expectativa de vida maior em 2060 frente a 2018, a relação entre nascimentos e óbitos sofrerá reversão no futuro.

O país terá, em 2060, 736 óbitos a mais do que nascimentos, segundo estimativa do IBGE, fato que contribui para o envelhecimento da população.

Para acessa a matéria na íntegra: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/07/com-populacao-cada-vez-mais-velha-brasil-atinge-208-milhoes-de-pessoas.shtml

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Tem interesse pelo assunto? Conheça alguns livros do Grupo Summus que abordam o envelhecimento saudável:

VENCENDO O TEMPO
Viver bem após os 60
Autora: Eda LeShan
EDITORA ÁGORA

Um livro para pessoas de qualquer idade que começam a refletir sobre o envelhecer. Em tópicos curtos, com texto fluente e abordando assuntos desde os do cotidiano até os mais profundos, “Vencendo o tempo” traz sugestões de como dar mais qualidade ao caminho do amadurecimento. Sem ressentimento, mas também sem o artificial discurso “cor-de-rosa”. A autora é psicóloga, tem vários livros publicados, e esse é fruto de sua experiência pessoal. Isto é, ela própria é uma senhora com bastante idade e vivências.
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VELHICE
Uma nova paisagem
Autora: Maria Celia de Abreu
EDITORA ÁGORA

A psicóloga Maria Celia de Abreu propõe neste livro transformar visões e ideias preconcebidas a respeito do velho. Partindo de estudos teóricos sobre a psicologia do envelhecimento e de vivências colhidas em grupos de estudos, ela propõe que a vida passe a ser encarada como uma estrada que percorre diversas paisagens diferentes – nem melhores nem piores que as outras.
Com exercícios de conscientização e exemplos práticos, a autora discorre sobre inúmeros assuntos pertinentes à velhice, como corpo, sexualidade, memória, perdas, luto e depressão. Fundamental para idosos, seus familiares, cuidadores, pesquisadores e para todos os que desejam envelhecer com saúde, autoconfiança e alegria, a obra conta com depoimentos de importantes personalidades sobre emoções que sentem ao encarar a ideia da velhice.
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EQUILÍBRIO HORMONAL E QUALIDADE DE VIDA
Estresse, bem-estar, alimentação e envelhecimento saudável
Autor: Sergio Klepacz
MG EDITORES

Sergio Klepacz, psiquiatra e autor de Uma questão de equilíbrio, mostra neste livro como a relação entre balanceamento hormonal, combate ao estresse e alimentação saudável pode levar a uma vida saudável e até mesmo deter o processo de envelhecimento. Ele discute as polêmicas questões da reposição hormonal e dos hormônios bioidênticos e relata casos reais de pacientes que procuraram respostas na medicina ortomolecular.
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SEXO E AMOR NA TERCEIRA IDADE
Autores: Robert N. ButlerMyrna I. Lewis
SUMMUS EDITORIAL

Butler e Lewis derrubam tabus e provam que o sexo e a sexualidade são experiências prazerosas, gratificantes e altamente saudáveis, após os 60 anos. É a época em que o ser humano possui maior experiência e disponibilidade de tempo para poder, apesar das dificuldades naturais, usufruir de uma vida sexual positiva.

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GERONTODRAMA: A VELHICE EM CENA
Estudos clínicos e psicodramáticos sobre envelhecimento e 3ª idade
Autora: Elisabeth Maria Sene- Costa
EDITORA ÁGORA

A autora, médica psiquiatra e psicodramatista, vem atuando há mais de 15 anos com idosos. Aos poucos foi agregando uma série de abordagens às técnicas do psicodrama imprimindo um cunho pessoal ao seu trabalho, que batizou de gerontodrama. O livro, que também apresenta os aspectos conceituais e clínicos do envelhecimento, é um guia completo para quem quer seguir essa especialização, ou para qualquer pessoa com curiosidade sobre o envelhecer. A apresentação é de José de Souza Fonseca Filho.

‘FILOFOBIA: O QUE É E COMO SUPERAR O MEDO PATOLÓGICO DE SE APAIXONAR’

………………………………………..Matéria de Heloísa Noronha, publicado no Universa, UOL, em 19/07/2018.

Imagine sentir um medo tão grande de se conectar emocionalmente a alguém, que só de pensar na pessoa você começa a sentir náuseas, falta de ar e os batimentos cardíacos acelerados. Esses são alguns dos sintomas da filofobia, o medo patológico de amar e de formar laços afetivos. Mais do que um temor de se entregar a uma nova paquera depois de uma decepção amorosa, a filofobia compromete seriamente várias esferas da vida, como o trabalho e as amizades. Entenda:

Como definir a filofobia? A palavra tem origem a partir da união dos termos gregos “filos”(amar) e “phobia” (medo). Trata-se de um transtorno de ansiedade bem específico, que se caracteriza pelo medo patológico de se apaixonar. A pessoa reage fugindo às situações em que isso pode ocorrer, chegando a se isolar e até a reagir agressivamente quando alguém tenta tirá-la dessa situação. É um temor injustificado, exacerbado e irracional.

O que a difere do medo de sofrer uma decepção amorosa? De acordo com especialistas, o medo de sofrer uma decepção amorosa é relativamente comum a todos nós. Afinal de contas, todo começo de relação vem acompanhado de receios e inseguranças: vai dar certo? Esta pessoa tem as mesmas intenções que eu? Serei feliz? São expectativas naturais, mas que não limitam nada. A filofobia, por sua vez, é um processo limitante que causa enorme sofrimento, pois as preocupações são mais intensas e apresentam sintomas emocionais e até mesmo físicos. Para quem tem a fobia, vincular-se a alguém significa perda total de controle.

Os sintomas variam de pessoa para pessoa. E, geralmente, vêm na forma de crises de ansiedade e/ou pânico, angústia, tensão, fuga, choro, tremores, sudorese, autoboicote, tremores, taquicardia, falta de ar, sensação de fraqueza, visão turva, boca seca, problemas gastrointestinais e vertigens. O grande problema é que quem está próximo não entende o que está se passando, até porque o filofóbico, normalmente, não sabe ou não consegue explicar o que sente de fato.

A doença acomete tanto mulheres quanto homens e, na maior parte das vezes, surge na infância. Ela tem início a partir de situações traumáticas envolvendo as relações afetivas. Exemplos? Pais emocionalmente distantes, agressivos, depressivos, abusivos, pouco empáticos e/ou carinhosos, que brigam muito na frente da criança. No entanto, isso não é regra, pois o comportamento filofóbico também pode dar sinais a partir da adolescência, quando os hormônios começam a impulsionar os contatos amorosos e/ou eróticos e possíveis desilusões e foram podem ser o gatilho para as crises de ansiedade. Alguns especialistas relatam também casos de pessoas que se tornaram filofóbicas depois dos 40 anos, faixa etária em que muitos casamentos se dissolvem e é preciso retornar ao processo dos encontros.

A fobia pode incluir também o medo de se relacionar com parentes e amigos. Pessoas com filofobia podem evitar a possibilidade de relacionar-se para se protegerem. Na intenção de não ter apego, negam seus sentimentos evitando o contato, com risco de isolamento social. Para elas, relacionar-se é sinônimo de perda do controle e vulnerabilidade à rejeição. A filofobia torna as pessoas infelizes e mais solitárias.

Outras áreas da vida são afetadas. Estudos, trabalho, círculos sociais, lazer… Tudo isso pode ser prejudicado, já que quem tem filofobia não consegue estabelecer relações interpessoais e costuma criar mecanismos de defesa para lidar com suas angústias.

Há tratamento? É possível superar a filofobia com o auxílio de um psicólogo e/ou psiquiatra. Cada caso é um caso, mas, na maior parte das vezes, o processo de cura conta com sessões de terapia e medicamentos específicos para diminuir a ansiedade. Vale registrar que, não tratada, a filofobia pode evoluir para maior isolamento social (comportamento 100% antissocial) e até depressão severa.

A ajuda de pessoas próximas é fundamental. É importante que elas sinalizem o comportamento de afastamento a quem sofre, pois muitas atitudes são inconscientes e há um sofrimento atrelado. O ideal é dar apoio à pessoa, sem criticá-la, julgá-la ou ridicularizá-la. Ajudá-la a separar o medo real do medo irreal pode ser um bom caminho, assim como incentivá-la a viver o momento presente, o aqui e agora, reforçando positivamente os pequenos avanços.
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FONTES: Carlos Eduardo Carrion, psiquiatra especializado em sexualidade, de Porto Alegre (RS); Marli Tagliari, psicóloga e terapeuta familiar e de casal do Instituto Sistemas Humanos, em São Paulo (SP), e Mônica Miranda da Glória, psicóloga da Policlínica Granato, em Niterói (RJ)
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Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2018/07/19/filofobia-como-e-e-como-superar-o-medo-patologico-de-se-apaixonar.htm

 

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Marli Tagliari, que contribuiu para a matéria, é coautora do livro Conheça o livro Terapia de casal e de família na clínica junguiana, da Summus. Conheça a obra:

 

TERAPIA DE CASAL E DE FAMÍLIA NA CLÍNICA JUNGUIANA
Teoria e prática
Organizadora: Vanda Lucia Di Yorio Benedito
Autores: Vanda Lucia Di Yorio BeneditoAurea Afonso M. CaetanoCláudia NejmeDeusa Rita Tardelli RoblesIrany de Barros AgostinhoIsabel Cristina Ramos de AraujoJane Eyre Sader de SiqueiraLiriam Jeanette EstephanoMaria Beatriz Vidigal Barbosa de AlmeidaMaria da Glória G. de MirandaMaria Silvia C. PessoaMarli TagliariOlga Maria FontanaSusan Carol AlbertAdriana Lopes Garcia
SUMMUS EDITORIAL

Este livro preenche uma lacuna existente na literatura da psicologia analítica no que se refere ao atendimento de casais. A coletânea aborda, entre outros assuntos, o histórico da abordagem no Brasil, a conjugalidade, o sonho como recurso terapêutico, o uso do sandplay e o processo de individuação.

‘DORMIR TEM FUNÇÃO ANTIOXIDANTE, APONTA ESTUDO’

……………………..Texto parcial de matéria da BBC News, publicada no portal VivaBem, do UOL, em 12/07/2018.

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Por que dormimos? Essa pergunta não encontra uma resposta muito clara na ciência pois, em termos evolutivos, parece um contrassenso um animal ficar em repouso por tanto tempo, à mercê de predadores. Além disso, quando dorme, um ser humano obviamente não obtém comida e acaba praticamente não interagindo com o meio ambiente.

Mas um novo estudo, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Columbia, de Nova York, e publicado nesta quinta-feira pela revista PLOS Biology, traz uma conclusão pertinente sobre a função do sono: dormir tem um efeito antioxidante no organismo.

Para chegar aos resultados, os cientistas utilizaram uma variedade mutante da drosófila, inseto mais conhecido como mosca-da-fruta, adaptada justamente para ter sono mais curto do que o normal – mantendo de modo intacto seus ritmos circadianos, no entanto. E encontraram novas evidências de como a falta de sono traz efeitos negativos para a saúde.

A conclusão principal foi que a privação do sono faz com que os animais tenham uma sensibilidade maior ao estresse oxidativo agudo – ou seja, uma noite bem dormida tem propriedades antioxidantes.

Para os pesquisadores, o entendimento da relação entre dormir e o estresse oxidativo pode ser um passo importante na compreensão de doenças humanas modernas – de distúrbios do sono a doenças neurodegenerativas.

“A maior parte dos animais dorme. Os seres humanos dormem quase um terço de suas vidas. E ainda hoje as funções fundamentais do sono permanecem desconhecidas”, afirma a pesquisadora Vanessa Hill, do Departamento de Genética da Universidade de Columbia, uma das autoras do estudo. “Utilizamos a drosófila de sono curto para descobrir o papel do sono na resistência ao estresse oxidativo. E observamos que quanto mais aumentávamos o tempo de sono das moscas, maior era essa resistência.”

Estresse prejudica o sono

Mas a análise não para por aí. Os pesquisadores descobriram que se trata de uma relação de mão dupla, ou seja, o estresse oxidativo também interfere no sono. “Quando reduzimos o estresse oxidativo em neurônios das drosófilas selvagens, observamos que elas reduziam seu tempo de sono”, explica.

É uma relação intrigante: o estresse oxidativo desencandeia o sono, que então age como antioxidante tanto para o corpo como para o cérebro.

Estresse oxidativo é uma condição de quando o organismo apresenta um desequilíbrio entre a produção de reativos de oxigênio e sua remoção – por meio de sistemas enzimáticos ou não enzimáticos.

Em tese, todo organismo vivo precisa de um equilíbrio entre suas células. Perturbações desse sistema podem provocar a produção de peróxidos e radicais livres, o que acaba danificando os componentes celulares.

De acordo com os pesquisadores de Columbia, esse estresse oxidativo, resultado do excesso de radicais livres, pode levar a uma disfunção orgânica. “Se a função do sono é defender-se do estresse oxidativo, o aumento do sono deve aumentar a resistência ao estresse oxidativo”, afirma Hill.

A atual pesquisa, portanto, mostra que sono tem propriedades antioxidantes, evitando justamente esses danos. Nos seres humanos, o estresse oxidativo é apontado como fator de predisposição a um espectro de doenças como Alzheimer, Parkinson, Huntington e aterosclerose.

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://vivabem.uol.com.br/noticias/bbc/2018/07/12/dormir-tem-funcao-antioxidante-aponta-estudo.htm

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Tem interesse em saber mais sobre problemas do sono? Conheça:

DURMA BEM, VIVA MELHOR
Autores: Stella TavaresPedro Paulo Porto JuniorPedro Luiz Mangabeira AlbernazMárcia CarmignaniAndrea Pen Mangabeira Albernaz
MG EDITORES

Quando os problemas de sono se repetem com frequência, é preciso admitir que se está diante de um caso de doença do sono e que é necessário tratá-la. Este livro, escrito por uma equipe multidisciplinar do Hospital Albert Einstein, mostra os procedimentos corretos em termos de exames de diagnóstico, os diferentes tratamentos e seus efeitos. Obra útil para um grande número de pessoas que dorme mal mas desconhece as causas do problema.

‘SIMPLES MUDANÇAS PODEM PREVENIR A OBESIDADE INFANTIL; VEJA RECOMENDAÇÕES’

…………….. Texto parcial de matéria de Paola Machado, publicada no portal VivaBem, do UOL, em 11/07/2018.

A obesidade é um assunto muito comentado e temos que dar a devida importância. De acordo com o POF (2010), em 1974 o sobrepeso entre meninos e meninas era de 10.9% e 8.6%, respectivamente. Em 2009, o número chegou a 34.8% em meninos e 32% em meninas. Já quando o assunto foi obesidade, as análises mostraram que, em 1974, 2.9% de meninos eram obesos e 1.8% das meninas, Em 2009, as porcentagens mostraram que a obesidade estava entre 16.6% dos meninos  e 11.8% das meninas.

Calcula-se que de 1 a 3 crianças e adolescentes –31% da população com idade entre 6 a 19 anos- apresentem algum grau de sobrepeso e obesidade, tendo uma chance de 80% em se tornar um adulto obeso.

De acordo com dados da VIGITEL de 2016, o excesso de peso cresceu em 26,3% em 10 anos. A prevalência de obesidade duplica a partir dos 25 anos de idade. Vale enfatizar ainda que mais da metade da população está com o peso acima do recomendado e 18.9% dos brasileiros estão obesos.

Trata-se de uma doença que pode ser caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal como conseqüência de um desequilíbrio energético, sendo que uma das principais causas pode ser explicada pelo consumo de energia excessiva ao seu gasto durante um período considerável.

Um estudo realizado pelo American Journal of Preventive Medicine mostrou que poucas calorias a menos por dia já é o suficiente para auxiliar na prevenção da obesidade infantil.

Os autores do estudo mostram que a redução de uma média de 64 calorias extras por dia é suficiente para auxiliar na prevenção de obesidade e melhora de qualidade de vida, se associada a diminuição da ingestão de alimentos calóricos e aumento de atividade física.

Pode parecer pouco, mas para crianças que têm um grande risco de obesidade é uma quantidade considerável. Um ponto muito importante é a questão do balanço energético que diz respeito à quantidade de calorias ingeridas versus o gasto calórico e as funções corporais e nível de atividade física.

Em particular, crianças e adolescentes que atualmente têm taxas mais altas de obesidade teriam que focar em uma maior redução no consumo calórico e aumento do gasto calórico para atingir a meta, com base na grande prevalência de obesidade infanto-juvenil nos últimos anos.

Para projetar quantos jovens seriam obesos em 2020, a pesquisadora Wang e seus colegas analisaram décadas de dados sobre as taxas de obesidade. Foram observados jovens de 1971 a 2008, com idade de 2 a 19 anos. Os estudiosos conseguiram a altura, peso, exames e até inquérito nutricional dos pacientes. Com base na tendência, os autores projetaram que a taxa de obesidade infantil seria de cerca de 21% em 2020.

Como sabemos que crianças e adolescentes que já estão com sobrepeso ou obesos precisarão de maiores reduções, e que prevenir a obesidade será mais eficaz do que tratá-la, devemos focar nossa atenção nas mudanças políticas e ambientais que possam ter mudanças precoces, amplas e impactos sustentáveis.

Os autores descrevem várias estratégias simples para prevenção da obesidade. São elas:

  1. Substituir todas as bebidas açucaradas (inclusive na escola) por água poderia reduzir a diferença energética em 12 calorias por dia.
  2. Participar de um de atividades físicas escolares poderia eliminar 19 calorias por dia entre crianças de 9 a 11 anos –o que temos no Brasil é bem diferente disso, as atividades físicas escolares são mínimas e cada vez menos incentivadas.
  3. Participar de um programa de atividades extra-escolares para crianças resulta em um adicional de 25 calorias gastas por dia.

Recomendações de alimentação infantil:

  • Adolescentes devem consumir uma quantidade de calorias adequadas às necessidades; privações ou excessos poderão comprometer o crescimento e o desenvolvimento.
  • Escolher alimentos com menos açúcar, sal e gorduras faz parte da educação alimentar.
  • Frutas e vegetais, cereais, leites e derivados, carne magra (ou ovos, peixe, frango, soja ou feijão) compõem uma alimentação saudável.
  • As frutas fornecem energia, fibras, minerais e vitaminas, podendo ser uma opção para lanches entre as refeições principais.
  • Alimentos ricos em ferro, como carne, peixe, verduras verde-escuro, grãos e castanhas devem ser consumidos com regularidade.
  • O leite é fonte de proteína e cálcio e deve fazer parte de uma alimentação balanceada.
  • Iogurte e queijo também podem ser opções de lanches entre as refeições, sobretudo aqueles com menor teor de açúcar/sal e gorduras.
  • Evitar alimentos e bebidas açucaradas entre as refeições ajuda na prevenção de excesso de peso e de cáries.
  • A ingestão regular de água também faz parte de um hábito de vida saudável.
  • Os hábitos alimentares dos pais servem de exemplos para os filhos. A alimentação da família tem que ser saudável e não apenas imposta a crianças e adolescentes.
  • Para completar um estilo de vida saudável, a prática de atividade física regular é essencial.

Recomendações da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica).

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://paolamachado.blogosfera.uol.com.br/2018/07/11/simples-mudancas-podem-prevenir-a-obesidade-infantil-veja-recomendacoes/

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Tem interesse no assunto? Conheça o livro:
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ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NA INFÂNCIA
Conceitos, dicas e truques fundamentais
Autora: Cláudia Lobo

Todo dia surgem informações de como oferecer uma alimentação saudável aos filhos. Produtos que parecem ricos em nutrientes fazem sucesso, mas logo suas desvantagens são desmascaradas. Pensando nisso, a nutricionista Cláudia Lobo criou um guia para ajudar os pais a oferecer uma alimentação saudável às crianças. Mudança de hábitos, organização e perseverança são alguns dos ingredientes apontados por ela.

CIRURGIA BARIÁTRICA CRESCE 47% EM CINCO ANOS NO BRASIL

……………………………………..Texto parcial de matéria de Gabriel Alves, publicada na Folha de S. Paulo, em 10/07/2018

Operações ainda são minoria no SUS, que atende os casos mais graves

​O número de cirurgias bariátricas realizadas no Brasil no último ano chegou aos 105,6 mil, crescimento de 47% em relação ao ano de 2012, quando foram feitos 72 mil procedimentos. Os dados são da SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica).

O aumento foi principalmente no setor privado, mas no SUS, que faz 9,8% do total de operações, também houve crescimento: 16,8% em relação ao último ano e 224% em relação a 2008, segundo o Ministério da Saúde.

No Brasil, quase uma em cada cinco pessoas adultas é obesa (18,9%). O índice é 60% maior do que o início da série histórica, em 2006, mas, depois de sucessivos crescimentos, parece ter estagnado nos últimos três anos, de acordo com a pesquisa Vigitel, feita por telefone, do Ministério da Saúde.

Já o sobrepeso atinge 53,8% da população que vive nas capitais. Doze anos atrás, esse índice era de 42,6% —homens são os mais atingidos.

É considerado obeso quem tem o IMC —índice de massa corpórea, calculado com o peso e altura da pessoa— maior que 40. A cirurgia bariátrica pode ser indicada em casos com IMC a partir de 30 (sobrepeso), a depender da gravidade das doenças relacionadas.

Pelas estimativas da SBCBM, 5 milhões de brasileiros atenderiam aos requisitos para passar por algum tipo de cirurgia bariátrica, que alteram o caminho natural do alimento no trato gastrointestinal, permitindo que o corpo absorva menos energia dos alimentos, além de promover alterações hormonais que favorecem a correção do diabetes e da obesidade.

Em uma conta simples, sem levar em conta mortes e novas indicações e considerando a estimativa de serem cerca de mil os cirurgiões habilitados a fazerem as bariátricas, levaria mais de 13 anos para essa fila ser zerada —isso considerando que eles fizessem uma operação por dia.

Para ler a matéria na íntyegra íntegra, acesse: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/07/cirurgia-bariatrica-cresce-47-em-cinco-anos-no-brasil.shtml

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Tem interesse e quer saber mais sobre o assunto? Conheça o livro recém-lançado pela MG Editores:

CIRURGIA BARIÁTRICA E PARA O DIABETES
Um guia completo
Autor: Marcos Giansante

A obesidade é fator de risco para diversas enfermidades, entre elas hipertensão, doenças cardiovasculares e, principalmente, o diabetes – que, em 2014, matou mais que o HIV. Hoje, a cirurgia bariátrica é um procedimento seguro e eficaz, e reduz sobremaneira o surgimento dessas doenças relacionadas.

Neste livro destinado a obesos e a seus amigos e familiares, o cirurgião Marcos Giansante expõe sua vasta experiência no tratamento da obesidade. Em linguagem clara e sem jargões técnicos – e de forma humana e integrativa –, ele responde às principais dúvidas relacionadas ao tratamento cirúrgico da doença, como:

  • o papel da cirurgia bariátrica, principalmente na parte metabólica, como tratamento complementar de doenças como o diabetes;
  • as principais técnicas cirúrgicas utilizadas e as mais indicadas para cada caso;
  • o pré e pós-operatório;
  • a importância da alimentação e de atividades físicas na qualidade de vida do obeso e pós-operado.

‘SÓ 2,4% DOS JOVENS BRASILEIROS QUEREM SER PROFESSOR’

                 .   …..     De Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo, reproduzido no UOL em 24/06/2018

Enquanto a maioria dos colegas de classe do ensino médio estudava para ser médico ou advogado, Henrique de Pinho José se imaginava dentro de uma sala de aula, ensinando Biologia. A vontade era tamanha que surpreendia os amigos e até mesmo os professores. José é uma exceção, já que no Brasil cada vez menos jovens querem seguir a carreira docente. Hoje, apenas 2,4% dos alunos de 15 anos têm interesse na profissão. Há dez anos, o porcentual era de 7,5%.

Os dados são do relatório Políticas Eficientes para Professores, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na média, os países avaliados também tiveram queda na proporção de alunos de 15 anos interessados pela carreira. O porcentual passou de 6% dos adolescentes para 4,2%. Segundo o estudo, a baixa atratividade da carreira se deve ao pouco reconhecimento social e aos salários.

Filho de pais que não tiveram a oportunidade de fazer faculdade, José conseguiu uma bolsa em uma escola particular no ensino médio e depois cursou Biologia e licenciatura. “Para famílias menos favorecidas, ser professor não é uma péssima ideia. Mas, na escola privada, os alunos são incentivados a irem para carreiras mais prestigiadas”, diz. Hoje, aos 25 anos, ele dá aula para crianças de 6 e 7 anos em uma escola municipal de Praia Grande, no litoral paulista.

No Brasil, são alunos como José que querem ser professores. O relatório indica que quanto menor a escolaridade dos pais, maior é a proporção dos interessados na carreira. Os dados mostram que a profissão é a escolha de 3,4% dos jovens filhos de pais que só concluíram o ensino fundamental. Entre os filhos de pais que cursaram até o ensino superior, o porcentual cai para 1,8%.

Desvalorização

Aluno do terceiro semestre de Letras do Instituto Singularidades, Maicon Ferreira, de 19 anos, lembra que foi desencorajado a seguir a carreira pelos professores da escola técnica onde fez o ensino médio integrado ao curso de Automação. “Muitos professores eram engenheiros e me aconselharam a escolher outra graduação. Eles diziam que quem dá aula ganha mal, é desvalorizado, passa por muito estresse. Mas eu sabia que era essa a carreira que queria seguir.

“De família de baixa renda, Ferreira conta que em casa sempre conviveu com problemas financeiros. Foi um projeto de Literatura, desenvolvido por um professor de Português, que o ajudou a seguir estimulado na escola. “Tive uma infância difícil, minha família sempre viveu com uma renda mensal per capita de no máximo R$ 300. Esse professor e o projeto fizeram com que eu me encontrasse, ganhasse autoestima. Quero ser esse professor para oferecer a outros alunos o mesmo que recebi.”

Para ler a reprodução no UOL, acesse: https://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2018/06/24/so-24-dos-jovens-brasileiros-querem-ser-professor.htm?cmpid=copiaecola

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Tem interesse pelo assunto? Conheça:

PROFISSÃO DOCENTE: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Sonia PeninMiquel Martínez

Partindo da premissa de que o trabalho docente se dá nos emaranhados de um contexto social e institucional, Sonia Penin, diretora da Faculdade de Educação da USP, e Miquel Martínez, diretor do Instituto de Ciências da Educação da Universidade de Barcelona, trazem elementos e perspectivas que enriquecem a análise da referida temática.