‘A HISTÓRIA DO CASTELO RÁ-TIM-BUM. E POR QUE SEU SUCESSO PERDURA’

Texto parcial de matéria de Cesar Gaglioni, publicada
no Nexo Jornal em 10/Nov/2019.

Programa infantil da TV Cultura estreou em 1994 e ainda conquista fãs. O ‘Nexo’ conversou com o jornalista Bruno Capelas, autor de livro que remonta a trajetória da produção e avalia o seu legado

Quem passasse pela Avenida Europa, uma das principais vias do bairro do Jardins, em São Paulo, entre os meses de julho de 2014 e janeiro de 2015 se depararia com uma grande fila, que se chegava a dar a volta em quarteirões. A espera não era para alguma uma casa de shows ou para ver celebridades, mas sim para visitar o MIS (Museu da Imagem e do Som). Entre esses meses, o espaço recebeu uma exposição focada nos bastidores do programa infantil “Castelo Rá-tim-bum”, exibido originalmente duas décadas antes — entre 1994 e 1997 — pela TV Cultura. Ao todo, mais de 400 mil pessoas visitaram a exposição, fazendo com que o MIS se tornasse o museu mais visitado da cidade em 2014.

  A trajetória de “Castelo Rá-tim-bum” é contada em “Raios e trovões”, livro publicado em novembro de 2019 pela editora Summus, assinado pelo jornalista Bruno Capelas. Nele, o autor traça uma cronologia dos bastidores do programa, entrevista figuras ligadas à produção e demonstra o impacto que o programa teve para a cultura pop nacional.

A origem do programa

O “Castelo Rá-tim-bum” teve sua origem em 1990, quando a TV Cultura produziu o programa infantil “Rá-tim-bum”. Seus quadros mais famosos eram as aulas de conhecimentos gerais com o professor Tibúrcio, interpretado por Marcelo Tas, e as histórias apresentadas no quadro “Senta que lá vem história”. Nomes importantes do audiovisual brasileiro passaram pelo programa, como o roteirista Flávio de Souza, o animador Flávio Del Carlo e os cineastas Fernando Meirelles e Paulo Morelli.

“Rá-tim-bum” foi um sucesso para a TV Cultura, tanto de audiência, como de crítica: o programa venceu, em 1995, o prêmio de Melhor Programa Infantil no Festival de Televisão de Nova York.

Dois anos depois da estreia, a TV Cultura decidiu produzir uma nova versão do programa. A empreitada ficou na mão de Flávio de Souza e do diretor Cao Hamburger, indicado para o programa por Fernando Meirelles.

Quando começaram a criar os conceitos para o programa, Hamburger e Souza tiveram tantas ideias que perceberam que o “Rá-tim-bum 2” seria uma empreitada nova e original.

Inicialmente batizado de “Mundo encantado”, o programa traria três crianças que usavam portais mágicos para viajar pelo mundo, com cada episódio mostrando o trio em um lugar diferente. A ideia foi apresentada à TV Cultura, que não aprovou a iniciativa pelo custo de produção, alto demais o canal.

Souza e Hamburger acharam uma solução: ambientar todas as aventuras em um único local. A primeira ideia, sugerida pela Cultura, era limitar os episódios a um ambiente escolar, com os alunos sendo interpretados por bonecos de espuma. Cao Hamburger não gostou da ideia. “Eu não queria fazer a ‘Escolinha do professor Raimundo’ com bonecos”, afirmou o cineasta em entrevista ao livro “Raios e trovões”.

Em um estalo, Hamburger teve a ideia de trazer alguns conceitos de “Mundo encantado” para dentro de um castelo mágico, cujo dono era um cientista chamado Dr. Victor, em referência ao Dr. Victor Frankenstein, do romance “Frankenstein”, de Mary Shelley. O título provisório dado ao projeto foi “Castelo encantado”.

Roberto Muylaert, à época presidente da Fundação Padre Anchieta, entidade que administra a TV Cultura, buscou a Fiesp, (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), em busca de patrocínio para a nova produção. Os executivos da entidade toparam investir, mas com uma condição: o título do programa precisava conter a palavra “Rá-tim-bum”. Assim surgiu o nome “Castelo Rá-tim-bum”.

No meio do processo, Flávio de Souza saiu do projeto, assinando contrato com o SBT. Entrou na jogada Anna Muylaert, roteirista e filha do presidente da Fundação Padre Anchieta. Meses antes do começo das filmagens o elenco principal foi escalado:

Cássio Scapin, ator conhecido dos palcos paulistanos foi escalado para viver o protagonista do “programa”: o aprendiz de feiticeiro Nino, uma criança de 300 anos de idade que morava no castelo com seus tios

Luciano Amaral, ator que já tinha feito sucesso na Cultura com o programa “Mundo da lua” interpretava Pedro, um dos amigos de Nino que visitava o castelo diariamente

Cinthya Rachel, atriz conhecida pela peça “A fuga do planeta Kiltran” foi escalada para viver Biba, amiga de Nino e visita diária no castelo

Fredy Allan, ator que contracenou com Rachel e Amaral em “A fuga do planeta Kiltran”, vivia Zequinha, o mais novo do trio de amigos de Nino

Sérgio Mamberti, ator que já tinha uma carreira consagrada nos palcos e na política como um dos fundadores do PT foi escalado para viver o Dr. Victor, tio de Nino, feiticeiro, inventor e um dos donos do castelo

Rosi Campos, atriz com carreira consagrada no cinema e na TV interpretava Morgana, tia-avó de Nino e uma feiticeira prestes a completar 6.000 anos de idade.

Além dos cinco atores principais, o “Castelo Rá-tim-bum” contava com a participação de personagens convidados, como o Dr. Abobrinha, vilão interpretado por Pascoal da Conceição, um especulador imobiliário que queria derrubar o castelo para construir um shopping center; e o extraterrestre Etevaldo (Wagner Bello), que ocasionalmente visitava Nino e seus amigos.

Criaturas mágicas também habitavam o castelo, sendo representadas em tela por bonecos de espuma — era o caso de Celeste, uma cobra cor-de-rosa que morava dentro de uma árvore no meio do castelo; e o Gato Pintado, um felino leitor que vivia na biblioteca do Dr. Victor.

O próprio castelo era um personagem. Com um visual inspirado nas construções projetadas pelo arquiteto espanhol Antoni Gaudí (1852-1926), o cenário trazia uma série de traquitanas e objetos de cena, que eram uma ponte para introduzir na trama principal os quadros educativos — como o famoso “Que som é esse?”, no qual o programa apresentava instrumentos musicais para as crianças.

As filmagens do “Castelo” começaram em maio de 1993, e se estenderam até o começo de 1994. Ao todo, 90 episódios e um especial foram gravados.

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2019/11/10/A-hist%C3%B3ria-do-Castelo-R%C3%A1-tim-bum.-E-por-que-seu-sucesso-perdura?utm_campaign=anexo&utm_source=anexo

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Conheça o livro:

RAIOS E TROVÕES
A história do fenômeno Castelo Rá-Tim-Bum
Autor: Bruno Capelas
Summus Editorial

“Morcego, ratazana, baratinha e companhia: está na hora da feitiçaria!”. Lançado em 1994 pela TV Cultura, o Castelo Rá-Tim-Bum é até hoje a maior produção infantil já feita pela televisão brasileira. Nesse sentido, Raios e trovões dá a senha para os leitores que quiserem entrar nos bastidores do programa: dos detalhes de figurinos e cenários à rotina de gravações, passando pela criação dos roteiros e escolha do elenco. Baseado em mais de 30 entrevistas com quem viveu o Castelo, o livro mostra como a Cultura conseguiu, em meio a um dos piores momentos da economia brasileira, realizar um projeto que marcou gerações, unindo entretenimento, informação e educação. Para isso, Bruno Capelas faz um mergulho pela história da emissora, em uma trajetória que passa por antenas, incêndios, bonecos de espuma e muito bom humor. Raios e trovões também avança até os dias de hoje, contando por que personagens como Nino, Zequinha, Dr. Victor, Celeste, Bongô, Penélope e Etevaldo permanecem vivos no coração e na mente de crianças pequenas e de outras já bem crescidas – afinal, “porque sim não é resposta!”

‘RAIOS E TROVÕES’ FAZ LEITOR VIAJAR NO TEMPO

Matéria de Eliana Silva de Souza publicada originalmente no Caderno 2,
de O Estado de S. Paulo, em 6/11/2019.

Bruno Capelas, repórter do ‘Estado’, lança livro sobre ‘Castelo Rá-Tim-Bum’, sucesso da TV Cultura

Um livro que certamente vai atingir em cheio toda uma geração, proporcionando uma verdadeira viagem no tempo. Raios e Trovões – A História do Fenômeno Castelo Rá-Tim-Bum (Summus Editorial), do jornalista do Estado Bruno Capelas, surge da vivência do próprio autor, que é dessa turma que nasceu nos anos 1990 e acompanhou diariamente as aventuras de Nino, Pedro, Biba, Zeca e tantos outros personagens, que marcaram uma fase extremamente criativa e importante da TV Cultura. A obra, que trata da importância do programa infantil para a emissora e para as crianças, será lançada no dia 27, às 19h30, na Livraria da Vila.

Seguindo a trajetória dos infantis de sucesso da TV Cultura, como é o caso de O Mundo da Lua, Capelas tem como ponto de partida a incrível mostra com os cenários do icônico programa da TV Cultura Castelo RáTim-Bum – A Exposição, que ocupou as instalações do Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, em 2014, e que foi vista por mais de 400 mil pessoas. O sucesso foi tamanho que obrigou o museu a mexer em seus horários para poder atender todos os interessados. Na mesma linha, em 2017, o Memorial da América Latina sediou uma nova exposição, Rá-Tim-Bum, o Castelo, que atraiu um público de pelo menos 800 mil pessoas.

O mais relevante, no entanto, é que tudo isso se deu por se tratar de um programa que marcou a infância de muita gente, crianças e adultos. Todos queriam ver de perto o porteiro pedindo a senha para liberar a entrada, o quarto do Nino e a árvore no meio da sala. É esse um dos motivos que levaram Capelas a se debruçar sobre o tema e colocar tudo em formato de livro, que teve início como um trabalho de conclusão de curso na faculdade.

“Sou geração Cultura e, como outros que nasceram nos anos 1990, também cresci vendo esses programas, Castelo Rá-TimBum , Mundo da Lua , X-Tudo ”, conta o autor, explicando a razão de ter escolhido o tema. “Tinha

que ser sobre algo que eu quisesse muito falar, alguma coisa muito minha, daí pensei no Castelo, pois ninguém tinha escrito sobre ele”, completa.

Fã assumido dos inúmeros programas da Cultura, Capelas contou com uma boa parcela de sorte para sua pesquisa. “Parte dela eu fiz em 2014. O Castelo estava comemorando 20 anos quando a exposição foi montada, o que me ajudou muito a conseguir encontrar algumas pessoas, principalmente os profissionais que trabalharam por trás das câmeras”, revela Capelas, que afirma que quis dar espaço a esses profissionais que pouco aparecem.

Como destaca o jornalista, quando se fala em Castelo RáTim-Bum, sempre se tem em mente nomes como os criadores Cao Hamburger e Flávio de Souza ou de Anna Muylaert, coordenadora de textos. “Quis mostrar que o Castelo é uma construção de muita gente, como o Silvio Galvão, que fez a árvore, a maquete, o jardim”, afirma.

O que Capelas expõe no livro é fruto de mais de 30 entrevistas, muita pesquisa de acervo, horas debruçado em material recheado de curiosidades, com cada capítulo contando uma história diferente que ajuda a elucidar a trajetória bem-sucedida da atração. Aos poucos, ele vai revelando curiosidades, como o fato de a abertura ter sido feita de trás para frente ou como era rotina de gravações. “Certa vez, teve uma enchente no cenário e todo mundo ajudou, ficando de joelho no chão, a repintar tudo”, conta, emocionado, o escritor, que aos poucos vai detalhando a trajetória do Castelo.

“Entre tantas divertidas curiosidades, o leitor vai descobrir, por exemplo, que o quarto do Nino foi um improviso, pois, na verdade, era para ser um portal, que levaria para qualquer lugar do castelo”, explica.

Para o autor, o sucesso dos programas infantis da Cultura tem relação com quem produzia o material. “Era um monte de gente que se encontrou no Castelo. A trilha sonora era Grupo Rumo, do Karnak, o Flávio de Souza era do grupo de teatro Pod Minoga, o Cao tinha feito curta-metragem de massinha ECA.” Com o programa, a TV Cultura inovou, passou por cima das dificuldades, mas optou por não dar continuidade ao trabalho, conta Capelas. “O Roberto Muylaert, que montou essa estrutura na emissora, saiu e, na sequência, houve corte de verbas. Mas foi um momento muito rico.”

Para ler na íntegra (assinantes ou cadastrados no jornal O Estado de S. Paulo), acesse: https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,raios-e-trovoes-livro-de-bruno-capelas-faz-leitor-viajar-no-tempo,70003077244

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Conheça o livro:

RAIOS E TROVÕES
A história do fenômeno Castelo Rá-Tim-Bum
Autor: Bruno Capelas
SUMMUS EDITORIAL

“Morcego, ratazana, baratinha e companhia: está na hora da feitiçaria!”. Lançado em 1994 pela TV Cultura, o Castelo Rá-Tim-Bum é até hoje a maior produção infantil já feita pela televisão brasileira. Nesse sentido, Raios e trovões dá a senha para os leitores que quiserem entrar nos bastidores do programa: dos detalhes de figurinos e cenários à rotina de gravações, passando pela criação dos roteiros e escolha do elenco. Baseado em mais de 30 entrevistas com quem viveu o Castelo, o livro mostra como a Cultura conseguiu, em meio a um dos piores momentos da economia brasileira, realizar um projeto que marcou gerações, unindo entretenimento, informação e educação. Para isso, Bruno Capelas faz um mergulho pela história da emissora, em uma trajetória que passa por antenas, incêndios, bonecos de espuma e muito bom humor. Raios e trovões também avança até os dias de hoje, contando por que personagens como Nino, Zequinha, Dr. Victor, Celeste, Bongô, Penélope e Etevaldo permanecem vivos no coração e na mente de crianças pequenas e de outras já bem crescidas – afinal, “porque sim não é resposta!”


‘SÍNDROME DA FADIGA CRÔNICA ATINGE MAIS MULHERES’

Caracterizada por uma exaustão que não cessa com repouso, a condição costuma aparecer após uma gripe ou infecção

Matéria de Maurício Brum e Sílvia Lisboa, com colaboração de Juan Ortiz, publicada na revista Claudia em 30/08/2019

Nos últimos anos, Joyce* vinha sentindo uma dificuldade enorme para realizar tarefas diárias. Arquiteta com mais de três décadas de carreira, precisou fechar o escritório. Por muito tempo, se esforçou para ir às obras e atender os clientes, mas chegava ao final do expediente acabada. “Era como se tivesse sido atropelada por um caminhão”, recorda a porto-alegrense de 65 anos.

Preocupada, foi atrás de ajuda médica nas mais diversas especialidades, tomou antidepressivos e fez reposição hormonal. Nada ajudou. “Minha cabeça sempre funcionou muito bem. Sabia que era algo físico”, relata.

Há três anos, um clínico geral começou a suspeitar de que se tratava de uma condição atípica. O diagnóstico, porém, viria apenas após ter descartado todas as outras hipóteses. O último teste, para verificar um possível distúrbio do sono, consistia em ficar dias inteiros sem fazer nada e, depois, passar uma noite na clínica sob observação. Mesmo assim, ela acordava cansada.

O veredito chegou, finalmente, no início deste ano. Joyce sofre de síndrome da fadiga crônica (SFC), também chamada de encefalomielite miálgica, doença rara, de causas desconhecidas, caracterizada pela exaustão extrema – que não passa com repouso nem depois de noites bem-dormidas –, dores nos músculos e na garganta, gânglios inchados, além de lapsos de memória. Embora tratável, ainda não tem cura. “Suga a energia”, resume Joyce. É comum os pacientes reportarem que sentem o corpo entrar em curto-circuito.

Embora esteja presente no Código Internacional de Doenças (CID) há 50 anos, a encefalomielite miálgica só ganhou a alcunha de SFC – e definições mais claras – a partir de 1988. Um trabalho de revisão publicado em The Lancet, uma das principais revistas médicas do mundo, utilizou dados americanos e concluiu que entre 0,2% e 0,4% da população adulta é afetada pela síndrome – sendo o número de mulheres quatro vezes maior que o de homens.

Como várias doenças podem causar cansaço extremo, o diagnóstico é um desafio. Geralmente, a síndrome aparece após uma gripe ou infecção banal. “A pessoa deve suspeitar se estiver sentindo falta de energia intensa e constante há pelo menos seis meses”, alerta o reumatologista Roberto Heymann, professor da Universidade Federal de São Paulo. Outro sinal é não entender de onde vem o cansaço. “A falta de causa aparente é importante, pois, se houver outros motivos, o diagnóstico de SFC deve ser desconsiderado”, avisa ele.

A fadiga crônica também costuma ser confundida com a fibromialgia, que, embora tenha sintomas e tratamento semelhantes, é caracterizada por dor física mais intensa. “Na SFC, o principal é a fadiga”, esclarece a clínica geral e reumatologista Liz Ribeiro Wallim, professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

Com o passar dos meses, a doença pode progredir e se tornar incapacitante, afetando não só a qualidade de vida e o rendimento no trabalho mas até mesmo o relacionamento com a família. “É uma condição que gera preconceito, pois tem indícios parecidos com o comportamento de preguiçosos”, lamenta Joyce.

Os parentes dela nunca tinham passado por algo semelhante e, embora seu abatimento fosse nítido, no começo eles não acreditavam que o cansaço fosse verdadeiro. “As pessoas tendem a dizer que é vontade de chamar a atenção. Mas o sofrimento é real, não tem nada de frescura ou invenção”, alerta Liz.

O fato de as causas ainda não terem sido totalmente esclarecidas colabora para a confusão. Não se sabe, por exemplo, porque acomete mais mulheres. “Acredita-se que existam fatores hormonais, culturais e sociais associados”, diz Roberto. Alguns estudos também têm sugerido influência genética, mas fatores ambientais podem ser igualmente importantes. “Hoje se sabe que afeta mais indivíduos que sofreram traumas, abusos e negligência na infância”, afirma o psiquiatra Mario Francisco Juruena, professor do King’s College de Londres, um dos centros de excelência no estudo da SFC.

Vítima da SFC, a psicóloga britânica Kristina Downing-Orr transformou a busca pela cura em um mantra. “Eu me recuso”, ela repetia quando não tinha energia para ficar em pé por nove segundos antes de cair prostrada. Durante os dois anos em que sofreu com a condição, após duas viroses, Kristina juntou as poucas forças que lhe restavam para ler pesquisas, peregrinar por médicos e testar tratamentos. Sua batalha resultou no livro Vencendo a Fadiga Crônica (Summus, 2011). Nele, a psicóloga conta como conseguiu se levantar com uma combinação de terapia cognitivo-comportamental, exercícios, dieta e medicação.

O tratamento exige dedicação total nos primeiros meses. Segundo o psiquiatra Mario, demanda a integração dos quatro sistemas: psicológico, neurológico, imune e endócrino. Isto é, ajuda o paciente com uma abordagem que associa mente (nossos pensamentos e emoções), interações neuroquímicas do cérebro, hormônios e células de defesa. “A compreensão dos quadros de fadiga e depressão relacionada a eles e suas influências hormonais e no eixo que regula as reações ao estresse é fundamental para entender e tratar a SFC”, explica.

Estudos recentes revelam que as pessoas mais afetadas pela doença têm taxas reduzidas de cortisol no sangue. Em excesso, esse hormônio ligado ao estresse causa estragos na imunidade, mas níveis muito baixos deixam o indivíduo prostrado e letárgico. Publicado na revista britânica Nature em 2012, um caso mostra que a reposição hormonal e a administração de psicotrópicos podem ser benéficas por regular os níveis de cortisol e tratar a depressão atípica associada à síndrome – ela provoca sono, compulsão a doces e sensação de peso nos membros.

Uma pesquisa desenvolvida na Escola de Medicina de San Diego, nos Estados Unidos, constatou que vários metabólitos também apresentam níveis menores na SFC, como se o indivíduo estivesse hibernando. Essa desordem causa uma reação em cadeia que gera problemas na oxigenação do sangue, nas taxas de açúcar, lipídios e aminoácidos.

Hoje em dia, opta-se por um tratamento multidisciplinar contra a doença, e a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é indicada como uma coadjuvante importante. Para Kristina, que encarou uma versão severa da doença, a TCC ajudou a controlar os pensamentos de desespero. “A angústia é compreensível, mas as pessoas costumam exaltar os ‘não consigo’ e minimizam os sentimentos do ‘consigo’ ”, escreveu.

Essa catastrofização piora o quadro e mina as chances de melhora. Na TCC, a pessoa aprende a notar esse tipo de pensamento e a tirá-lo do piloto automático. Ou seja, em vez de falar: “Eu nunca vou me recuperar”, optar por: “Estou trabalhando para me recuperar”. Pode não ser fácil, mas é decisivo para motivá-la a enfrentar os sintomas mais debilitantes.

Os exercícios, desde que moderados e graduais, também são aliados. É claro que, para alguém que não consegue sequer se levantar da cama, qualquer atividade física parece fora de cogitação. Mas isso é apenas uma visão prévia. À medida que a medicação surte efeito, iniciam-se a TCC e um plano de atividades físicas que deve ir se intensificando aos poucos. Os treinos ajudam a regular os hormônios desalinhados. Além disso, dão ao paciente a sensação de ter domado a doença, o que é essencial para um bom prognóstico. O sono é outro aspecto que merece atenção. Apesar do cansaço extremo, as pessoas afetadas pela SFC não conseguem relaxar. “Por isso, deve-se evitar exercícios e estimulantes antes de dormir”, recomenda Roberto Heymann.

Estima-se que cerca de 50% dos pacientes conseguem voltar ao trabalho; se não for em tempo integral, pelo menos parcialmente. Depois de ter de abandonar a arquitetura, Joyce virou designer de joias e bijuterias – ocupação que lhe permitiu ajustar a carga às necessidades do corpo.

Hoje, trabalha algumas horas por semana quando tem disposição e aceita só as demandas que se adequam às suas limitações. Por orientação médica, faz exercícios físicos moderados, procura não dormir demais e evita atividades de longa duração. Tem dado certo. “Sofri muitos anos com a incerteza”, desabafa. “Agora pelo menos sei o que tenho.”

*Nome trocado para preservar a identidade da entrevistada.

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://claudia.abril.com.br/saude/sindrome-da-fadiga-cronica-atinge-mais-mulheres/

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Conheça o livro de Kristina Downing-Orr, mencionado na matéria:

VENCENDO A FADIGA CRÔNICA
Seu guia passo a passo para o restabelecimento completo
Autora: Kristina Downing-Orr
SUMMUS EDITORIAL

A síndrome da fadiga crônica acomete milhares de pessoas no mundo todo, mas poucas delas sabem que sofrem da doença. Esta obra explica o que é fadiga crônica, oferece uma abordagem clínica completa, discute aspectos psicológicos ligados ao distúrbio e propõe mudanças nutricionais e de estilo de vida que podem melhorar sobremaneira o dia dos pacientes.

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“TELENOVELA ‘A MORTA SEM ESPELHO’, ESCRITA POR NELSON RODRIGUES, ESTÁ PERDIDA”

Autor foi descoberto pelo cinema, com adaptações de ‘Boca de Ouro’ e ‘Bonitinha, mas Ordinária’, mas também foi parar na televisão

Matéria de Nelson de Sá, publicada na Folha de S.Paulo,
em 06/09/2019.

Nelson Rodrigues, no momento em que foi descoberto pelo cinema, com as adaptações de “Boca de Ouro” e “Bonitinha, mas Ordinária”, sucessos de bilheteria às vésperas do golpe de 1964, também foi parar na televisão.

Walter Clark, então na TV Rio, emissora que dividia programação com a paulista Record, da mesma família, encomendou o que seria a primeira telenovela produzida na cidade, em 1963 —dois anos antes de surgir a Globo.

Era para ser a “novela das oito”, mas o juizado de menores ordenou 22h30. Segundo Clark, na autobiografia “O Campeão de Audiência” (Summus), “como não existia essa faixa de novelas e não havia o hábito do público, tivemos de cancelá-la” após dois meses.

“Terminou, afinal, ‘A Morta Sem Espelho’, um dramalhão fúnebre, um enredo deletério, de neuróticos e assassinos”, publicou o Correio da Manhã em 9 de novembro, acrescentando, porém, elogios “à linguagem ousada, solta e inesperada” do autor.

Uma cena ficou célebre, aquela em que o personagem do ator Ítalo Rossi desperta sua mulher com uma arma, dizendo: “Acorda para morrer”. Mas o texto da “primeira novela brasileira de todos os tempos”, como descreve Ruy Castro na biografia “O Anjo Pornográfico” (Companhia das Letras, 1992), se perdeu, assim como as gravações.

Procurados, a atriz Fernanda Montenegro e o pesquisador e editor Caco Coelho disseram não ter pistas nem desta nem de outras duas novelas que Nelson Rodrigues escreveu no ano seguinte, “Sonho de Amor” e “O Desconhecido”.

Coelho chegou a ir aos arquivos da censura, mas “tinham destruído”, e a várias pessoas do elenco, sem sucesso. Restam fotos, resumos e depoimentos, inclusive sobre a divergência entre Clark e o autor, quanto ao gênero.

O objetivo do primeiro era uma atração “naquele espírito de combate à Excelsior”, emissora então em ascensão, “com uma programação mais sofisticada”. Já o dramaturgo queria o folhetim.

“Novela é um gênero de concessão”, dizia, mas que “pode ser bonito, pode ser a obra mais hierática”, sagrada.

“Eu queria fazer folhetim no duro, bem cabeludo. Nunca me deixaram. O pessoal queria intelectualizar o negócio. Se você quiser elevar o folhetim, fica ridículo, atroz.” Na síntese de Nelson Rodrigues, que nunca mais escreveria telenovela, “o bom folhetim é isso: coisas tremendas, adúlteras fugindo em carruagens”.

Para ler na íntegra, acesse: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/09/telenovela-escrita-por-nelson-rodrigues-esta-perdida.shtml

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Conheça o livro de Walter Clark, mencionado na matéria:

O CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA
Uma autobiografia
Autores:  Walter ClarkGabriel Priolli
SUMMUS EDITORIAL

Walter Clark foi um dos mais importantes profissionais da televisão brasileira. Nesta autobiografia, escrita com o jornalista Gabriel Priolli, ele conta sua trajetória pessoal – marcada por grandes paixões, inúmeras mulheres e muito luxo – e profissional – sobretudo na TV Rio e, mais tarde, na Globo. Trata‑se de leitura indispensável para entender a implantação e a consolidação da TV no Brasil – até hoje o veículo de comunicação mais poderoso do país.

SEU FILHO É O CENTRO DO SEU RELACIONAMENTO? ENTENDA POR QUE ISSO É TÃO RUIM



Matéria de Heloísa Noronha, publicada originalmente 
no Universa│UOL , em 27/08/2019.

Em seu livro “Mulheres Querem Sexo, Homens Sempre têm Dor de cabeça: Destruindo os Mitos Sobre Sexo e Relacionamentos Amorosos” (Ed. Cultrix), o terapeuta de casal alemão Christian Thiel afirma que as relações chamadas de child-centered (em tradução livre, centradas no filho) são um dos principais motivos para o afastamento de vários casais. De tão concentrados no filho, não só na fase de bebê, muitos se transformam em “sócios” na administração da casa e da vida em família e acabam se distanciando emocional e sexualmente. Nem sempre o desfecho é a separação: em alguns casos, a situação fica no piloto automático e as pessoas passam anos a fio convivendo nessas circunstâncias cômodas, mas infelizes. A boa notícia é que dá, sim, para reverter essa condição, mas primeiro é preciso compreender como os dois chegaram a esse ponto.

Ter um filho é, obviamente, uma experiência transformadora. E é lógico que nos primeiros meses pós-nascimento, por causa da nova rotina e dos cuidados essenciais, como a amamentação, a atenção dos pais fique 100% voltada ao bebê. Depois de um tempo é natural que o casal volte a se concentrar também na relação, mas isso depende de vários fatores que vão desde a possibilidade de contar com uma rede de apoio até o fato de o modelo familiar ser mais ou menos ansioso.

Na opinião da terapeuta de relacionamentos Rosangela Matos, que atua com atendimento online, após os primeiros seis meses de vida da criança os pais podem começar a dar pequenas “fugidinhas” para namorar. “Os familiares são importantes para dar um suporte. Aceitar ajuda é bom para todos: para o casal, que precisa fortalecer o vínculo homem-mulher; para a família, que se sente fazendo parte desse momento tão especial, e para o filho, que vai ter pais felizes ao seu lado”, comenta. “Porém, é importante que, antes disso, o casal separe alguns minutos para estar junto para falar do seu dia, trocar um abraço, um chamego e um sentir que o outro está ali”, completa Rosangela.

Já Triana Portal, psicóloga clínica e terapeuta de casal, de São Paulo (SP), observa que o casal consegue voltar ao “normal” por volta dos 3 anos de idade do filho, idade na qual já houve o desfralde, os pais não sofrem tanto com a privação de sono e a criança apresenta uma certa autonomia. “É uma fase em que o par realmente consegue ter mais intimidade e liberdade para passear e fazer pequenas viagens. Isso pode variar muito dependendo das características de cada família, mas os três primeiros anos costumam ser os mais desafiadores para qualquer casal. É, inclusive, uma fase em são registrados muitos divórcios”, fala.

Para Rosangela, um filho pode tanto unir quanto afastar um casal e um fator é determinante para isso: o alinhamento. “Muitos pais, especialmente os de primeira viagem, se preparam para a chegada do pequeno, assistem a filmes e documentários, fazem cursos, compram livros… Poucos, no entanto, procuram ajuda para se prepararem emocionalmente para a mudança na relação amorosa. O foco passa a ser o pequeno, os assuntos mudam. Dormir até tarde no fim de semana, passar uma tarde vendo filme agarradinho no sofá ou sair para se divertir nem sempre são possíveis. As mudanças são muitas e pegam o mais unido dos casais”, afirma.

Problema também para a criança

À medida que a criança cresce, o excesso de trabalho, o cansaço e a culpa por não dar tudo o que o filho precisa – principalmente tempo – acaba levando o casal a concentrar todas as suas energias na criança e a se descuidar dos papéis de homem e mulher. Com filhos, praticamente qualquer decisão deve levá-los em conta: do cardápio do jantar até a forma de gastar o dinheiro e o que a família vai fazer no fim de semana. No entanto, alguns pais e mães acabam superestimando essas resoluções, atribuindo poder à criança e desequilibrando a relação. “É o que chamo de ‘filiarcado’, ou seja, permitir que a criança decida tudo”, diz Elizabeth Monteiro, psicóloga e psicopedagoga, autora dos livros “Criando Filhos em Tempos Difíceis” e “Criando Adolescentes em Tempos Difíceis” (Summus Editorial).

Para Elizabeth, às vezes as pessoas simplesmente se entregam ao tipo de relação child-centered por puro desânimo. “Está todo mundo cansado demais. É mais fácil abrir mão de autoridade e, por comodismo, deixar a situação como está. Porém, essa não é a solução ideal para ninguém”, afirma. Um dos riscos é a criança se transformar num adulto mimado, já que sempre teve suas vontades atendidas. Vai comer o pão que o diabo amassou, claro, porque dificilmente alguém vai atender suas demandas como papai e mamãe faziam. Para o casal, uma das consequências é, quando o filho crescer e for embora de casa, enfrentar a chamada “síndrome do ninho vazio”. Como o filho possivelmente era o único elo forte que os unia, o que restará? Isso sem contar que, após tantos anos de afastamento, é possível que um sequer reconheça o outro como pessoa.

Segundo a psicóloga Renata de Azevedo, especialista em terapia de casal pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), alguns casais já estavam afastados antes mesmo de terem filhos. “Alguns, inclusive, acreditavam que o bebê salvaria a relação. Com o nascimento, os casais que estavam mal ficam pior ainda, pois o afastamento, o stress e alguns atritos são comuns nessa fase de adaptação. Outros casais colocam todo o seu afeto e a carência em cima do filho e não sobra tempo, espaço e energia para mais ninguém, inclusive o seu cônjuge. Dessa forma, a distância aumenta e passam a ser apenas pais”, observa. O filho passa a ser o centro e o único elo entre o casal durante anos.

Separar os papéis é fundamental

Um filho toma toma tempo, espaço, energia, pesa no orçamento, limita a intimidade. Resgatar ou manter a mesma relação de amor anterior à sua chegada é bem difícil. Com alguns ajustes no dia a dia e na forma de configurar as tarefas domésticas e as atividades em família, dá para o casal encontrar um equilíbrio saudável para lidar com tudo. “É possível reverter, mas a mudança precisa fazer sentido. Ambos devem estar cientes que a reversão de um padrão de comportamento ou rotina é um processo, leva tempo e exige paciência para adaptação do novo formato”, avisa Triana.

Uma conversa franca sobre o que mudou para cada um depois da chegada do filho, o que mais faz falta e o que pode ser feito diferente é o primeiro e mais importante passo, segundo Rosangela. Se o casal está vivendo essa situação é importante sentar e conversar sobre isso para que possam ir mudando seus comportamentos aos poucos.

Uma criança precisa que suas necessidades emocionais e físicas sejam supridas, mas também necessita que os pais estimulem sua segurança e autonomia. “Grande parte dos problemas da vida adulta são resultado da primeira infância, na melhor das intenções os pais vão se anulando e não percebem o quanto isso impacta nos filhos. Os pequenos devem ter limites e também aprender a conviver com a família e outras pessoas além dos pais. E precisam saber que os pais são um casal e que eles priorizam também essa relação”, diz a terapeuta.

Para Triana, os casais child-centered precisam se conscientizar de várias verdades. A primeira é que construir um “reinado” para o filho não é a melhor forma de educar. “E, em seguida, devem entender que se não estiverem inteiros nem felizes não conseguirão cuidar bem do filho. A relação conjugal precisa de constante manutenção, algo que dá trabalho e demanda atenção. Valorizar a intimidade, o sexo e os momentos de lazer sem os filhos, não os torna pais negligentes ou maus”, declara. Para isso, também é fundamental que cada um cuide bem de sua autoestima, assim ficam menos inseguros, têm mais clareza de pensamento e objetivos e levam a vida de forma mais assertiva.

“As pessoas também precisam compreender que têm o direito de ser homem e mulher, não precisam ser apenas pai e mãe pelo resto da vida. Dá para vivenciar todos os papéis sem negligenciar nenhum. Além disso, os filhos gostam de saber que os pais namoram, se curtem, saem, apreciam ficar juntos. Isso é benéfico para o desenvolvimento da criança, que cresce aprendendo um modelo saudável de relacionamento”, pontua a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Para ler na íntegra o texto publicado no UOL Universa, acesse: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2019/08/27/relacionamento-child-centered-voce-esta-vivendo-um.htm

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Conheça abaixo alguns livros das autoras Elizabeth Monteiro e Marina Vasconcellos. Outros podem ser encontrados no site do Grupo Editorial Summus.

CRIANDO FILHOS EM TEMPOS DIFÍCEIS
Atitudes e brincadeiras para uma infância feliz
Autora: Elizabeth Monteiro
SUMMUS EDITORIAL

Buscando aprimorar a interação entre pais e filhos, Betty Monteiro aborda neste livro os benefícios do brincar e explica as brincadeiras preferidas pelas crianças em cada fase do desenvolvimento. Fala ainda sobre a “criança difícil”– a que não come, a medrosa, a do contra etc. – e dá dicas para lidar com conflitos. Em linguagem simples e fluida, ela nos convida a voltar à infância e a aproveitar melhor o tempo com os pequenos.

 

CRIANDO ADOLESCENTES EM TEMPOS DIFÍCEIS
Autora: Elizabeth Monteiro
SUMMUS EDITORIAL

O amor parental não é estático: ele muda com o tempo e com os filhos. Por isso, os pais precisam atualizar seu modo de sentir e amar. Com uma linguagem direta e delicada, Elizabeth Monteiro fala sobre a necessidade de proteger os adolescentes de ameaças como as drogas e, ao mesmo tempo, de incentivar a autonomia deles. Sem fórmulas mágicas, a autora estabelece com pais e educadores um diálogo amplo e profícuo.

QUANDO A PSICOTERAPIA TRAVA
Como superar dificuldades
Organizadora: Marina da Costa Manso Vasconcellos
SUMMUS EDITORIAL

Buscando aprimorar a interação entre pais e filhos, Betty Monteiro aborda neste livro os benefícios do brincar e explica as brincadeiras preferidas pelas crianças em cada fase do desenvolvimento. Fala ainda sobre a “criança difícil”– a que não come, a medrosa, a do contra etc. – e dá dicas para lidar com conflitos. Em linguagem simples e fluida, ela nos convida a voltar à infância e a aproveitar melhor o tempo com os pequenos.



‘POR QUE USAR A AFETIVIDADE PARA MOBILIZAR ADOLESCENTES’

Estudantes nessa faixa etária precisam de adesão emocional e de acreditar que a escola se preocupa verdadeiramente com eles

Artigo de Jordana Balduino e Rosana Teixeira,
publicada na revista Nova Escola, em 22/08/2019

Quando pequenos, os estudantes, em geral, têm apreço à escola. Levam os pais pelos corredores mostrando a sala em que estudam, apontam para seus desenhos nas paredes e apresentam os coleguinhas. À medida em que vão crescendo, esses comportamentos muitas vezes dão lugar à apatia ou ao descaso. Às vezes, até à raiva do ambiente escolar. Por quê? O que se perde nesse processo?

Acreditamos que uma das explicações (não a única, claro) é que a escola muitas vezes deixa de prestar atenção no componente afetivo do processo educativo para focar somente nas experiências formais de aprendizagem. Para Vygotsky (1995), a aprendizagem, na verdade, se amplia à medida em que as redes de interações e vínculos também se ampliam, englobando aspectos não somente cognitivos, mas, também, afetivos.

Segundo o teórico do ensino, construir conhecimento é uma ação compartilhada, fundada nas trocas entre sujeitos – professores, alunos, família e equipe escolar. Isso porque não aprendemos somente dentro das quatro paredes da sala de aula, mas também trocando conhecimento com colegas, conversando sobre a matéria com os pais, contando algo para alguém da equipe escolar…. Quando falamos isso, não estamos pensando somente nos conteúdos didáticos, mas no desenvolvimento do (a) estudante como um todo. Ele ou ela é uma pessoa que, além de pensar, também sente, chora, se emociona, sonha. E quando entramos na escola, não deixamos as emoções do outro lado da porta – elas entram com a gente.

Dimensão afetiva da aprendizagem

Olhando especificamente para o Ensino Médio, temos um desafio gigantesco em termos de aprendizagem. O Ideb para a etapa, considerando apenas a rede pública, foi de apenas 3,5 pontos, em 2017. A meta para o país era de 4,7. O índice não tem evoluído como o esperado. Em 2009, 2011 e 2013, o Ideb do Ensino Médio da rede pública se manteve estável em 3,4. Em 2015, subiu para 3,5 e se manteve assim em 2017. Isso indica, entre outras coisas, que a escola não está se conectando com esse jovem, não está sabendo engajá-lo. Esse aspecto, muitas vezes, é negligenciado pelas escolas que não levam em consideração a dimensão afetiva da aprendizagem e do desenvolvimento.

Diferentes estudos vêm sendo desenvolvidos nas últimas décadas – por Fernandéz (1991), Dantas (1992), Snyders (1993), Pinheiro (1995), Almeida (1997), Pereira (1998) e Tassoni (2003) – defendendo que o afeto é indispensável na atividade de ensinar. De forma geral, todos entendem que as relações entre ensino e aprendizagem são movidas pela mediação do outro e que, portanto, é possível identificar as condições afetivas favoráveis que facilitam a construção do sujeito e do conhecimento.

Pensando na perspectiva de Vygotsky, se o desenvolvimento dos sujeitos é um processo construído pelos contextos histórico, cultural e social no qual estão inseridos, a escola exerce um papel fundante neste sentido. Tassoni (2000), em uma pesquisa com o objetivo de analisar os aspectos afetivos na interação em sala de aula, percebeu que estes influenciam diretamente no processo ensino-aprendizagem. Compreendendo que a Educação não se dá apenas na relação professor-aluno, mas é mediada por todos os integrantes da equipe escolar de maneira complementar, podemos pensar que é na rotina do colégio – e interação com todos – que os objetos do conhecimento ganham um contorno afetivo, gerando aproximação ou afastamento por parte do estudante.

Segundo Leite e cols. (2006, p. 17), a partir da notoriedade que o tema da afetividade vem alcançando no âmbito educacional nos últimos anos, o conceito de homem centrado apenas na sua dimensão racional, típico da visão cartesiana na escola, vem sendo revisto. A principal direção é de uma concepção de ser humano em que afetividade e cognição são interpretadas como dimensões indissociáveis do mesmo processo, não sendo mais aceitável analisá-las isoladamente.

Como usar a afetividade para engajar os alunos

É justamente pela afetividade que podemos trazer o jovem para mais perto da escola. Para convencê-lo a realizar alguma tarefa, precisamos não somente de uma aceitação e compreensão racional da situação por parte do estudante, mas também do componente afetivo, de uma adesão emocional à proposta. Para dar significado à experiência, precisamos de uma troca com nosso ambiente social – as conversas com professores, momentos compartilhados com os colegas, a convivência diária com a equipe escolar…. Todas essas pequenas interações, que muitas vezes são ignoradas ou até mesmo desencorajadas, são importantíssimas.

Para que os adolescentes se sintam acolhidos e dispostos a não só viverem as experiências proporcionadas pela escola, mas também a atuarem nela de forma ativa, eles precisam sentir que aquelas pessoas que compõem seu cenário escolar se importam verdadeiramente com eles. E mais: que suas ações fazem alguma diferença na escola, que eles não são mais um na multidão, e que são capazes de interagir e agir em seu meio e transformá-lo.

Isso é relativamente simples com estudantes que já são engajados, têm um “bom” desempenho acadêmico e constroem redes de relações com facilidade. Com os alunos considerados “problemáticos”, a criação do vínculo jovem-escola é um processo muito mais complexo. Estes já consideram o colégio um espaço de enfrentamento diário, de ataques à sua autoestima, de inúmeras possibilidades de falhar e de pouquíssima compreensão de seus esforços, que parecem inúteis frente ao grande caminho que parecem ter que percorrer para “chegar aos pés” de seus colegas de bom desempenho.

Assim, uma Educação que tem como objetivo romper os estigmas e como foco a formação integral, precisa possibilitar ao estudante seu reconhecimento como um sujeito autônomo, cujo futuro não está traçado e determinado, mas é possível de ser construído por ele ao longo do tempo. E construído de fato, com as próprias mãos. Falar é, claro, mais fácil do que executar, mas a escola precisa pensar em como dar protagonismo ao jovem. Esse protagonismo ou envolvimento pode ser feito de diferentes formas com estudantes adolescentes, por exemplo, contando com sua participação na organização e produção de eventos; estabelecendo espaços de expressão de suas individualidades e de diálogo entre eles, e entre eles e diferentes pessoas da equipe escolar.

Tais ações são fundamentais para dar voz e acolher cada jovem em sua singularidade, tornando a escola “para todos e para cada um” (Kupfer et al). Ao integrar o estudante no coletivo da escola e ao permitir que ele exerça seu protagonismo, a escola realiza sua função de construção de um verdadeiro sentimento de pertencimento que, por sua vez, deve implicar nos resultados de aprendizagem.

Jordana de Castro Balduino Paranahyba é psicóloga, com mestrado e doutorado em Educação e professora adjunta de Psicologia da Educação na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (FE/UFG). Rosana Ferrari Pandim Lisboa Teixeira é psicóloga, com atuação escolar, e mestranda em psicologia na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (FE/UFG).

Para saber mais

ALMEIDA, A. R. S. (1997) A emoção e o professor: um estudo à luz da teoria de Henri Wallon. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 13, n º 2, p. 239-249, mai/ago.
DANTAS, H. (1992) Afetividade e a construção do sujeito na psicogenética de Wallon, em La Taille, Y., Dantas, H., Oliveira, M. K. Piaget, Vygotsky e Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus Editorial Ltda.
FERNANDÉZ, A. (1991) A inteligência aprisionada. Porto Alegre: Artes Médicas.
LEITE, S. A. S. e cols. (2006). Afetividade e Práticas Pedagógicas. São Paulo: Casa do Psicólogo. 
OLIVEIRA, M. K. (1992) O problema da afetividade em Vygotsky, em La Taille, Y., Dantas, H., Oliveira, M. K. Piaget, Vygotsky e Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus Editorial Ltda.
PEREIRA, M. I. G. G. (1998) Emoções e conflitos: análise da dinâmica das interações numa classe de educação infantil. Tese de doutorado, Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo.
PINHEIRO, M. M. (1995) Emoção e afetividade no contexto da sala de aula: concepções de professores e direções para o ensino. Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica, São Paulo.
REGO, T. C. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. Petrópolis: Vozes, 1995.
SAVIANI, D. Pedagogia Histórico-Crítica. Campinas: Autores Associados, 2013.
SNYDERS, G. (1993) Alunos felizes. São Paulo: Paz e terra.
KUPFER, M. C. et al. A escola protagonista. Propostas LV para práticas inclusivas e transformadoras. In: KUPFER, M.C.; PATTO, M. H. S.;
OLTOLINI, R. (Orgs.) Práticas inclusivas em escolas transformadoras: acolhendo o aluno-sujeito. São Paulo: Escuta: Fapesp, 2017, p. 9-16.
TASSONI, E. C. M. Afetividade e aprendizagem: a relação professor-aluno. In: REUNIÃO ANUAL DA ANPEd, 23, 2000, Caxambu. Anais… Caxambu: ANPEd, 2000.
VYGOTSKY, L. S. A construção social do pensamento e da linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

Para ler na íntegra, acesse: https://novaescola.org.br/conteudo/18215/por-que-usar-a-afetividade-para-mobilizar-adolescentes

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Conheça a nova edição, lançada em 2019, do livro Piaget, Vigostski, Wallon, da Summus Editorial:

PIAGET, VIGOTSKI, WALLON – EDIÇÃO REVISTA
Teorias psicogenéticas em discussão
Autores: Yves de La TailleMarta Kohl de OliveiraHeloysa Dantas


Jean Piaget, Lev S. Vigotski e Henri Wallon são os três maiores teóricos estudados no universo da educação e da psicologia. Nesta edição revista de uma obra consagrada por crítica e público, Yves de La Taille, Marta Kohl de Oliveira e Heloysa Dantas traduzem para o leitor o pensamento vivo desses autores.

Analisando as ideias de Piaget, Yves de La Taille aborda conceitos como ser social, ética, autonomia, coerção versus colaboração e obediência versus justiça. Ao esclarecer os principais construtos da teoria construtivista, ele ressalta a importância da afetividade na educação.

Debruçando-se sobre os contrutos de Vigotski, Marta Kohl de Oliveira destaca tópicos como linguagem, formação de conceitos e metacognição. Partindo de uma abordagem holística do ser humano, a autora analisa a fundo a abordagem sócio-histórica e as implicações da afetividade para a cognição.

Já Heloysa Dantas dedica-se ao pensamento de Henry Wallon, destacando a emoção como instrumento típico da espécie humana e mostrando a interligação entre afetividade e inteligência – concluindo, como seus colegas, que a comunicação afetiva é fundamental para uma educação efetiva.

Trata-se, definitivamente, de um livro fundamental na área da pedagogia.

EXISTE JEITO CERTO DE ALFABETIZAR?

A autora da Summus Editorial e professora da Faculdade de Educação da USP, Silvia Colello, foi entrevistada por Myrian Clark no programa #MyNewsEntrevista, Elas conversam sobre “o porquê de as nossas crianças não aprenderem e qual seria o melhor método de alfabetização e as vantagens e as especificidades de cada método.” Confira no vídeo abaixo.

Para conhecer os livros de Silvia Colello pela Summus, acesse https://www.gruposummus.com.br/summus/autor//Silvia+M.+Gasparian+Colello

‘MACHISMO É DOENÇA, DIZ ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSICOLOGIA’

O assunto foi um dos temas de ontem do Em Pauta, da GloboNews. Assista em http://g1.globo.com/globo-news/globo-news-em-pauta/videos/t/todos-os-videos/v/machismo-e-doenca-diz-associacao-americana-de-psicologia/7299352/

Conheça o livro da psicanalista Malvina Muszkat, mencionado no programa:


O HOMEM SUBJUGADO

O dilema das masculinidades no mundo contemporâneo
Autora: Malvina E. Muszkat
SUMMUS EDITORIAL

Neste livro, a autora Malvina Muszkat, propõe que se repense o fenômeno da violência sob a perspectiva da subjetividade masculina na dinâmica dos relacionamentos, de forma a buscar maneiras mais eficientes de se promover o dialogo e evitar o confronto. Transitando por áreas como antropologia, sociologia, mitologia e psicanálise, Malvina mostra como a imagem da masculinidade foi construída ao longo dos séculos e de que forma os homens foram proibidos de demonstrar seus medos e fraquezas.

‘LUTO: PRESSÃO PARA BUSCAR A FELICIDADE ATRAPALHA A SUPERAÇÃO DE UMA MORTE’

Matéria de Simone Cunha e Veridiana Mercatelli, publicada no Universa,
do UOL, em 02/12/2018.

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“Após o enterro do meu pai, senti uma dor inexplicável, chorei por semanas. Ele era tudo para mim”, conta Priscila Janaína Pereira, 40 anos, auxiliar administrativo, que perdeu o pai em decorrência de um câncer, há 11 anos. Ela conta que, durante esse período, teve muitos momentos de revolta, pois o pai era seu alicerce. Mas precisou amadurecer na marra: “Tive uma gestação de risco, meu filho nasceu com insuficiência respiratória, sopro e hipoglicemia. Tive hemorragia e depois depressão pós-parto. Há três anos, passei por um outro problema e fui percebendo que uma dor supera a outra. Não esqueci o meu pai, mas saí do luto”.

De acordo com a psicóloga Sarah Vieira Carneiro, que estuda o luto há mais de dez anos, a dificuldade em lidar com a perda está ligada à rejeição a situações adversas. A ideia de que é preciso buscar a felicidade o tempo todo, tão comum na cultura ocidental, contribui para isso. “O enlutado é aquele a quem devemos evitar, não só porque não sabemos o que dizer a ele, mas porque ele nos remete às nossas mais profundas fragilidades”, avalia a especialista. Segundo Sarah, vivemos em uma sociedade incapaz de digerir pequenas frustrações: “É por isso que ficamos pasmados diante da morte e do luto e realizamos todas as manobras para mantê-los à distância”.

Há várias formas de vivenciar

Apesar de ser doloroso, é importante lembrar que o luto não é um obstáculo a ser superado. Para Maria Helena Pereira Franco, coordenadora do Laboratório de Luto (LELu) da PUC-SP, essa é uma vivência muito importante. “O luto precisa ser vivido, é uma experiência dolorosa, mas que possibilita uma construção de identidade e de significados importante”, explica.

A intensidade do sofrimento que a situação provoca depende de vários fatores, como a qualidade da relação mantida com a pessoa que se foi. “Além da dor, da falta, pode haver outras questões que não ficaram bem resolvidas, como arrependimentos”, comenta.

Um ponto bastante relevante é a condição em que se deu a separação: se houve uma morte violenta ou súbita, por exemplo, a superação pode ser mais difícil.

Para Andréa Copcinksi, 46 anos, chef confeiteira, a morte repentina do pai, há 21 anos, foi um trauma terrível. “Se não fosse minha mãe, acho que estaríamos perdidos. Ela juntou nosso medo de viver sem meu pai e transformou em força”, conta. Na época, Andréa não pensou em buscar ajuda para superar a perda, mas acredita que o processo poderia ter sido menos doloroso se houvesse agido de forma diferente: “Creio que um profissional teria nos auxiliado a viver os anos seguintes com menos ansiedade. Mas descobri que a gente aprende a conviver com a saudade, com a ausência, mas guarda no coração esse monte de amor que não pode mais dar”.

É preciso cuidado para não adoecer

Um luto que ocasiona muito sofrimento ou se prolonga pode levar à depressão em pessoas com predisposição à doença. A literatura acerca do tema sugere que o luto pode durar até dois anos. Porém, Sarah defende que, em um mundo com experiências tão diversas, pode ser um desrespeito ao enlutado impor-lhe um prazo para voltar a sorrir: “Não podemos acreditar que pessoas reajam às perdas de modo universal. Cada perda é única, com características e tempo próprios”.

De qualquer forma, quando o luto se torna um peso, impedindo que aquele que fica retome a própria vida, é essencial buscar ajuda. “Em princípio, a pessoa deveria ser avaliada por quem entende de luto. Algumas manifestações do luto são semelhantes às da depressão e o diagnóstico pode ser equivocado. Nem sempre o luto precisa ser medicado. Precisa ser entendido, avaliado, para se pensar a melhor conduta”, alerta a especialista da PUC.

Sandra Paton, 48, secretária executiva, perdeu o marido subitamente, com um infarto fulminante, há dois anos. “Tudo ficou escuro, perdeu o brilho e o sabor. Fiquei alguns dias em estado de choque. Muitos amigos por perto, mas não via nem ouvia direito”, fala. Reviver o assunto ainda causa muita dor, mas, para enfrentar a perda, ela decidiu buscar ajuda em um grupo religioso: “Encontrei a paz e o entendimento da morte. Percebi que estava superando o luto quando consegui contar a minha história sem chorar”.

Segundo a psicóloga, cercar-se de pessoas que entendem seu sentimento e respeitem o seu tempo e as suas reações é essencial. Poder falar é importante para transgredir a perda: “Quando a morte vem, desestabiliza tudo: não sabemos mais em quem acreditar, questionamos nossas relações, nossa fé, nossas crenças”. Ela diz que, nesse processo de ver tudo de ponta cabeça, podemos descobrir coisas únicas sobre o mundo, sobre as pessoas e sobre nós mesmos. “O crescimento não é uma regra, mas existe uma certa sabedoria no luto, aquele conhecimento que só tem quem colocou tudo em xeque, passou tudo a limpo e pode escolher ser diferente”, avalia Sarah.

Processo de aceitação também é singular

Falar sobre o luto com um pouco mais de naturalidade pode auxiliar no processo de aceitação. “Há coisas que não podemos controlar, estão fora da nossa linha de ação: a morte é a maior delas”, diz Sarah. Por isso, a ausência de sofrimento não significa falta de sentimento pela perda. “Perdi meu irmão em um assalto, com um tiro na cabeça. Não chorei, fiquei meio em choque. Sou de Manaus, mas estou em São Paulo há 15 anos e sempre imaginei que teria de fazer uma viagem para enterrar alguém, porém, jamais imaginei que pudesse ser meu irmão”, fala Adriana Chaves, 40 anos, editora de livros.

Ao retornar, ela mergulhou no trabalho. Como não convivia com o irmão há algum tempo, a ficha demorou a cair. Em São Paulo, a vida continuava na mesma rotina. “Certo dia, ouvi uma música que me lembrava muito ele, e me atentei que já fazia um ano que meu irmão havia partido. Fui para o banheiro e chorei sem parar. No dia seguinte, fiquei bem e acredito que foi o fim do meu luto”.

Maurício Serafim explica que o luto só termina, de fato, quando se aceita a perda. “No momento em que você volta a se amar, a cuidar de si, volta a viver”, garante. O cuidado com as outras pessoas que ficaram também é um sinal de superação. Mãe de gêmeas, a jornalista Marley Galvão, 47 anos, perdeu uma das filhas em 2011. “A Letícia apresentou uma grave infecção e não resistiu. A Isabela perdeu 80% do encéfalo e, hoje, faço de tudo para mantê-la bem. Creio que nunca me dei o direito ao luto pelo fato de a minha outra filha ter ficado com muitas sequelas. Tenho que seguir em frente, pois não consigo pensar em perdê-la também”, afirma.

Para ler na íntegra, acesse: https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2018/12/02/luto-e-processo-doloroso-mas-tambem-transformador.htm

 

Conheça os livros publicados pela Summus que têm a psicóloga Maria Helena Pereira Franco, uma das fontes da matéria, entre os autores:

 

FORMAÇÃO E ROMPIMENTO DE VÍNCULOS
O dilema das perdas na atualidade
Organizadora: Maria Helena Pereira Franco
Autores: Maria Cristina Lopes de Almeida AmazonasAirle Miranda de SouzaDanielle do Socorro Castro MouraDurval Luiz de FariaElizabeth QueirozGabriela GolinGeórgia Sibele Nogueira da SilvaJanari da Silva PedrosoJosé Ricardo de Carvalho Mesquita AyresMaíra R. de Oliveira NegromonteVera Regina R. RamiresMaria Helena Pereira FrancoMaria Julia KovácsMaria Lucia C. de Mello e SilvaMaria Thereza de Alencar LimaRoberta Albuquerque FerreiraRosane Mantilla de SouzaSilvia Pereira da Cruz BenettiSoraia SchwanTereza Cristina C. Ferreira de Araújo

Este livro reúne grandes especialistas em formação e rompimento de vínculos. Entre os temas abordados estão os dilemas dos estudantes de medicina diante da morte, a questão das perdas em instituições de saúde, o atendimento ao enlutado, a morte no contexto escolar, as consequências psicológicas do abrigamento precoce, as possibilidades de intervenção com crianças deprimidas pela perda e a preservação dos vínculos na separação conjugal.

A INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA EM EMERGÊNCIAS
Fundamentos para a prática
Organizadora: Maria Helena Pereira Franco
Autores: Cristina Foloni Delduque da CostaKarina Kunieda PolidoJulia Schmidt MasoJosé Paulo da FonsecaIsabela Garcia Rosa HispagnolIara Boccato AlvesGabriela CasellatoEster Passos AffiniEleonora JaburLilian Godau dos Anjos Pereira BiasotoCristiane Corsini PrizanteliClaudia Gregio CukiermanCibele Martins de Oliveira MarrasAriana OliveiraAna Lucia ToledoAdriana Silveira CogoAdriana Vilela Leite CésarViviane Cristina TorlaiLuciana MazorraLuiz Antonio ManzochiMarcelo M. S. GianiniMaria Angélica Ferreira DiasMaria Helena Pereira FrancoMaria Inês Fernandez RodriguezMariangela de AlmeidaPriscila Diodato TorolhoRachel Roso RighiniReginandréa Gomes VicenteRégis Siqueira RamosSamara KlugSandra Regina Borges dos SantosSandra Rodrigues de OliveiraSuzana Padovan

Este livro reúne experiências e reflexões sobre um campo de atuação novo no Brasil: o atendimento psicológico a pessoas em situações de emergência e desastre. Diversos especialistas abordam a importância de cuidar dessas pessoas e os procedimentos e técnicas mais indicados em cada caso. A saúde mental do psicólogo e os efeitos do transtorno de estresse pós-traumático também são analisados.

O RESGATE DA EMPATIA
Suporte psicológico ao luto não reconhecido
Organizadora: Gabriela Casellato
Autores: Valéria TinocoSandra Rodrigues de OliveiraRosane Mantilla de SouzaRegina Szylit BoussoPlínio de Almeida Maciel JrMaria Helena Pereira FrancoGabriela CasellatoDéria de OliveiraDaniela Reis e SilvaCristiane Ferraz PradeAna Cristina Costa Figueiredo

O tema do luto não sancionado é pouco abordado na literatura clínica. Neste volume, profissionais da área de saúde preenchem essa lacuna tratando de temas como aborto espontâneo, infidelidade conjugal, aposentadoria, morte de animais de estimação, perda de familiares por suicídio e o luto de cuidadores profissionais. Estratégias para lidar com a perda e os transtornos psiquiátricos decorrentes dela também fazem parte da obra.


VIDA, MORTE E LUTO
Atualidades brasileiras
Organizadora: Karina Okajima Fukumitsu
Autores: Leo PessiniAna Catarina Tavares LoureiroAvimar Ferreira JuniorDaniel Neves ForteDaniela AchetteElaine Gomes dos Reis AlvesElaine Marques HojaijElvira Maria Ventura FilipeEmi ShimmaFernanda Cristina MarquettiGabriela CasellatoGilberto SafraGláucia Rezende TavaresKarina Okajima FukumitsuTeresa Vera GouveaMarcello Ferretti FanelliMarcos Emanoel PereiraMaria Carlota de Rezende CoelhoMaria Helena Pereira FrancoMaria Julia KovácsMaria Luiza Faria Nassar de OliveiraMayra Luciana GaglianiMonja Coen Roshi Monja Heishin Nely Aparecida Guernelli NucciPatrícia Carvalho MoreiraPedro Morales Tolentino LeiteProtásio Lemos da Luz

Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.

‘APÓS EXPERIÊNCIAS FAMILIARES, PSICÓLOGA VIRA ‘SUICIDOLOGISTA’ PARA PREVENIR CASOS’

…………………………………..Matéria de Marcella Franco, publicada na Folha de S. Paulo (versão online em 29/09/2018 e versão impressa em 30/09/2018)

Karina Fukumitsu, 47, atende familiares e alunos de escolas onde ocorreram suicídios

A primeira providência que Karina Fukumitsu, 47, toma antes de começar um atendimento é tirar os sapatos. Seja em consultas particulares ou em palestras, a psicóloga está sempre descalça e trajando roupas claras, como uma maneira, ela explica, de celebrar sua conexão com a vida. Fukumitsu é especialista em suicídios, e, atualmente, presta serviço a cinco colégios paulistanos com programas de prevenção e posvenção, em uma espécie de gestão de crise após a morte de um aluno.

Sua relação com o tema vai além da teoria. Quando criança, presenciou diversas tentativas de suicídio da mãe, a quem acudia com visitas desesperadas ao pronto-socorro. Nelas, chegou a ouvir médicos plantonistas sugerirem que a família colocasse mais afinco nas investidas, para que finalmente alguma resultasse exitosa.

Da constatação de que era preciso que a sociedade conversasse melhor sobre o tema, Fukumitsu tornou-se “suicidologista”. Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP), ela coordena o Programa R.A.I.S.E (Ressignificações e Acolhimento Integrativo do Sofrimento Existencial), no qual dedica-se a amparar parentes e amigos de pessoas que tiraram a própria vida. Ela conversou com a Folha em seu consultório, em São Paulo.

Por que as pessoas se interessam muito mais em esmiuçar detalhes de um suicídio do que, por exemplo, de um homicídio? De onde vem essa curiosidade?

Entre homicídio e suicídio há uma grande diferença. No homicídio, é o outro que agride e aniquila, enquanto no suicídio há o controle e a escolha da pessoa. Por isso temos algumas normas ditadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) que recomendam, por exemplo, não mostrar o método letal, não fazer a notificação de forma sensacionalista nem publicar fotos e notas de suicídio.

Quais são as consequências quando se desrespeita essas regras?

Você alimenta a elucubração. O suicídio já é uma morte que já vai causar uma necessidade intensa de explicações. E, quando a gente oferece apenas uma para um suicídio, a gente está se tornando reducionista, sendo que o suicídio precisa ser compreendido por um viés multifatorial. Apresentar explicações de causa e efeito é uma invasão à pessoa que se matou. Não se pode confundir o ato com uma história de vida. Se a gente não explica a nossa vida de uma maneira única, por que vai explicar a morte?

O suicídio tem culpados?

De jeito nenhum. Culpa é um arrependimento das ações que você não fez, uma utopia de que seria possível mudar o desfecho da situação. Se você soubesse que alguém ia se matar, você não faria tudo diferente? O suicídio é uma morte que causa muita culpa, e o que o sobrevivente enlutado menos precisa é ser acusado pela morte de alguém.

O que você recomenda quando um chega ao seu consultório, por exemplo, a mãe de uma pessoa que cometeu suicídio e que sente culpa?

A primeira coisa é que não adianta eu falar “não sinta culpa”, porque isso é não legitimar a dor e o sofrimento. A primeira conduta é legitimar essa dor, perguntando inclusive do que você se culpa. Digo que é como estar em uma montanha russa, na qual em alguns momentos você vai pensar direto nessa pessoa, e, em outros, você vai lembrar que ainda continua vivo apesar desse sofrimento.

Qual é o aspecto mais doloroso do suicídio?

O “nunca mais”.

Como funciona na prática o trabalho quando é chamada por uma escola?

Quem me contata geralmente é o diretor, contando que houve uma morte por suicídio. É preciso, então, alinhar com a família se vamos poder dizer que foi uma morte por suicídio. A primeira coisa é preservar a imagem da pessoa e dos familiares.

E caso a família diga não?

Daí tento que se permita ao menos contar para as pessoas da escola. O que não podemos é omitir nem mentir que a situação aconteceu. Publicamente, não falamos nem o nome nem o ano escolar do aluno, mas é importante falar com os colegas dessa pessoa porque a notícia já está correndo. Sugiro também que parem as acusações, porque isso é o que mais rola em conversas de WhatsApp. Alinho que, quando perguntarem como foi, não vamos falar nada além de “foi por suicídio”. As pessoas têm a morbidade de perguntar se a pessoa se enforcou, se tomou remédios, se se atirou, e isso é só alimentar sensacionalismo.

Seu trabalho tem uma duração específica ou depende de cada caso?

Depois de uma palestra inicial para os gestores e professores, falo com os pais dos outros alunos, e depois com os alunos. No meu trabalho, eu preciso ser prescindível. Sou aquela que ninguém quer ver de novo. A morte de alguém faz lembrar a nossa própria finitude, então ela vai provocar uma percepção de que você também é finito. E, toda vez que um suicídio assim acontece, nós, pais, começamos a pensar que pode acontecer com o nosso filho.

​A demanda pelo seu trabalho aumentou recentemente?

Sim, a partir do posicionamento de um colégio neste ano. Isso porque antes ninguém conhecia o trabalho de prevenção e posvenção, e porque entendemos a necessidade de se pensar sobre o suicídio.

A senhora fala que não há uma única razão para um suicídio, mas o uso de redes sociais, o cyberbullying e jogos como Baleia Azul, aplicativos como Momo e séries como “13 Reasons Why” podem influenciar os jovens? Como os pais podem lidar com isso?

Estes jogos que dão tarefas como a de cometer suicídio vêm sendo investigados há tempos. Qualquer um que apareça deve ser conversado na família. Devemos recomendar que nossos filhos não entrem nos aplicativos, porque sabemos que há dificuldade para sair. Se um pai descobre que um filho já instalou algo assim, deve sugerir estratégias em conjunto com o filho, e mencionar a gravidade dessa última tarefa do suicídio.

Como se faz prevenção em uma escola sem assustar os pais?

Juntamos os funcionários e os pais para a palestra, e apresento programas de enfrentamento de adversidades, acolhimento de sentimentos, valorização da vida. Na posvenção eu olho para a dor, e na prevenção eu acolho o que provoca a dor.

E qual a receptividade?

Muito grande, porque ela não acontece na dor, diferentemente da posvenção, quando estou lidando com pessoas assustadas e impactadas. Ali é caos, é lidar com a crise e minimizar o impacto do tsunami.

Qual o protocolo que a senhora sugere às escolas na posvenção?

Se o suicídio aconteceu no mesmo dia, recomendo luto de um dia. As atividades são suspensas naquele momento, e, no dia seguinte, acontece o luto. E recomendo que este um dia de luto aconteça não só em casos de suicídio, que isso seja mantido quando morrer algum outro aluno, por outra causa. Assim reforçamos que não há privilégio à pessoa que se mata, para que o jovem não pense que “vale mais a pena” morrer por suicídio. Depois, no segundo dia, não há conteúdo programático, mas, sim, uma conversa. Sugiro que os professores levem lenços de papel e deixem estrategicamente colocados na sala de aula.

O suicídio é a segunda causa de morte no mundo entre jovens de 15 a 29 anos de acordo com a OMS. O que estamos fazendo de errado?

O suicídio sempre aconteceu, mas, atualmente, estamos vivendo uma época em que precisamos prestar mais atenção aos nossos jovens, dar nosso tempo a eles. E não é qualquer tipo de tempo, é tempo de qualidade. Se possível, procure se aproximar de quem você ama, porque aí, sim, você consegue fazer alguma coisa.

SINAIS DE ALERTA GERAIS

  • Falar sobre querer morrer, não ter propósito, ser um peso para os outros ou estar se sentindo preso ou sob dor insuportável
  • Procurar formas de se matar
  • Usar mais álcool ou drogas
  • Agir de modo ansioso, agitado ou irresponsável
  • Dormir muito ou pouco
  • Se sentir isolado
  • Demonstrar raiva ou falar sobre vingança
  • Ter alterações de humor extremas

PARA DEPRESSÃO EM ADOLESCENTES

  • Mudanças marcantes na personalidade ou nos hábitos
  • Piora do desempenho na escola ou em outras atividades
  • Afastamento da família e de amigos
  • Perda de interesse em atividades de que gostava
  • Descuido com a aparência
  • Perda ou ganho inusitado de peso
  • Comentários autodepreciativos persistentes
  • Pessimismo em relação ao futuro, desesperança
  • Comentários sobre morte, sobre pessoas falecidas e interesse por essa temática
  • Doação de pertences que valorizava

ALGUNS MITOS SOBRE O SUICÍDIO

“Se eu perguntar sobre suicídio, poderei induzir uma pessoa a isso”

Questionar de modo sensato e franco fortalece o vínculo com a pessoa, que se sente acolhida e respeitada

“Ele está ameaçando o suicídio apenas para manipular os outros”

Muitas pessoas que se matam dão sinais verbais ou não verbais de sua intenção para amigos, familiares ou médicos. Não se pode deixar de considerar a existência desse risco

“Quem quer se matar se mata mesmo”

Essa ideia pode conduzir ao imobilismo. As pessoas que pensam em suicídio frequentemente estão ambivalentes entre viver ou morrer. Prevenção é impedir os casos que são evitáveis

“Uma vez suicida, sempre suicida”

A elevação do risco de suicídio costuma ser passageira e relacionada a algumas condições de vida. A ideação suicida não é permanente. Pessoas que já tentaram suicídio podem viver, e bem, uma longa vida

O QUE FAZER

  • Não deixe a pessoa sozinha
  • Tire de perto armas de fogo, álcool, drogas ou objetos cortantes
  • Leve a pessoa para uma assistência especializada
  • Ligue para canais de ajuda

188 ou 141
são os telefones do Centro de Valorização da Vida (CVV). Também é possível receber apoio emocional via internet (www.cvv.org.br), email, chat e Skype 24 horas por dia

90%
das pessoas que se suicidam possuíam transtornos mentais; elas poderiam ter sido tratadas

Para ler a matéria na íntegra, acesse:
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/10/apos-experiencias-familiares-psicologa-vira-suicidologista-para-prevenir-casos.shtml

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Karina O. Fukumtisu é organizadora e coautora do livro “Vida, morte e luto”, recém-lançado pela Summus. Conheça-o:

VIDA, MORTE E LUTO
Atualidades brasileiras
Organizadora: Karina Okajima Fukumitsu
Autores: Ana Catarina Tavares LoureiroAvimar Ferreira JuniorDaniel Neves ForteDaniela AchetteElaine Gomes dos Reis AlvesElaine Marques HojaijElvira Maria Ventura FilipeEmi ShimmaFernanda Cristina MarquettiGabriela CasellatoGilberto SafraGláucia Rezende TavaresLeo Pessini, Karina Okajima FukumitsuMarcello Ferretti FanelliMarcos Emanoel PereiraMaria Carlota de Rezende CoelhoMaria Helena Pereira FrancoMaria Julia KovácsMaria Luiza Faria Nassar de OliveiraMayra Luciana GaglianiMonja Coen Roshi Monja HeishinNely Aparecida Guernelli NucciPatrícia Carvalho MoreiraPedro Morales Tolentino LeiteProtásio Lemos da LuzTeresa Vera Gouvea
SUMMUS EDITORIAL

Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.