‘MAIORIA DOS BRASILEIROS AFIRMA QUE ESCOLA INCLUSIVA MELHORA EDUCAÇÃO’

Pesquisa indica que 86% apoiam medida à qual país aderiu há 10 anos e é parcialmente ignorada

Texto parcial de matéria de Jairo Marques, publicada no jornal
Folha de S. Paulo, em 15/10/2019

Uma década após o país ter decretado oficialmente adesão à convenção mundial da ONU pelos direitos das pessoas com deficiência —que, entre outros pontos, preconiza a educação inclusiva, em que toda criança estuda em um mesmo ambiente, sem segregação— o brasileiro indica apoiar o modelo.

Pesquisa nacional do Datafolha encomendada por um dos mais importantes organismos do Brasil na defesa dos direitos e do bem viver da criança, o Instituto Alana, feita com 2.074 pessoas em 130 municípios, indicou que 86% dos entrevistados avaliam que “as escolas ficam melhores quando incluem alunos com deficiência”.

Com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o levantamento foi realizado entre 10 e 15 de julho deste ano e contou com dez perguntas cujas respostas foram estimuladas por meio de um cartão entregue aos entrevistados para serem escolhidas.

Outros pontos considerados positivos à escola inclusiva na pesquisa foram que 76% dos entrevistados “acham que a criança com deficiência aprende mais ao lado de crianças sem deficiência” e 68% que se disseram contrários à afirmação de que “a criança com deficiência em sala atrasa o aprendizado das sem deficiência”.

Embora seja o modelo vigente e esteja sendo aplicado em todo o país, a escola inclusiva ainda enfrenta resistência, sobretudo entre organizações e famílias de pessoas com limitações intelectuais mais graves, que alegam faltar preparo ao professor e aos colégios para atender a esse público de forma satisfatória, além de dar a ele segurança e acolhimento adequados.

Rotineiramente, projetos de lei surgem no Congresso com o intuito de criar exceções ou propagados “aperfeiçoamentos” nas escolas onde todos estudam juntos —crianças com e sem deficiência.

As medidas tratam da abertura de salas especiais dentro de colégios, oferta de ensino institucionalizado ou ainda de abertura de possibilidade aos pais de educar seus filhos com deficiência em casa.

Não raro também acontecem a propagação de denúncias de bullying envolvendo

crianças com deficiência dentro das escolas regulares, o que motiva indignação e revolta de grupos que defendem um modelo com mais proteção a esse público.

A necessidade de mais aperfeiçoamento profissional para lidar com a diversidade em sala de aula também apareceu na pesquisa Datafolha/Alana.

Dos entrevistados, 67% apontam “falta de formação do professor para tratar com o aluno com deficiência”.

Ao mesmo tempo, os pesquisados não consideram que haja resistência à inclusão, uma vez que 71% acham que “o professor tem interesse em ensinar o aluno com deficiência”.

Para Raquel Franzim, coordenadora da área de educação do Instituto Alana, um dos desafios atuais mais importantes em relação à educação da criança com deficiência é não retroceder no modelo estabelecido, que é também o aplicado em outras várias partes do mundo.

 “Além de tentar garantir o acesso da criança com deficiência à escola, temos de tentar evitar o retrocesso que é o não direito à educação inclusiva”, afirma.

“É um desafio constante dar visibilidade a experiências positivas que acontecem em todo o país, mostrar que uma concepção protetiva e segregada de escola não é um caminho.”

Atualmente, a Lei Brasileira de Inclusão determina pena de reclusão a gestores de escolas que neguem matrícula a um aluno com deficiência.

A alegada dificuldade de condições das escolas em poder atender a todos também tem reflexos na pesquisa, quando 37% do entrevistados dizem que “concordam que a escola pode escolher se matricula ou não uma criança com deficiência”.

De acordo com Rodrigo Hübner Mendes, fundador e diretor executivo da Fundação Rodrigo Mendes —que, entre outras missões, oferece gratuitamente ferramentas práticas para que o professor ensine alunos com deficiência com demandas específicas—, os dados da pesquisa convergem com a observação das várias redes de ensino onde a instituição atua.

“Por um lado, [a pesquisa mostra] extraordinário amadurecimento da sociedade civil sobre o direito das pessoas com deficiência à educação em escolas comuns, acompanhado da percepção de que todos saem ganhando quando a escola abraça a diversidade humana”, afirma ele.

“Por outro lado, o estudo reforça o que várias outras pesquisas vêm revelando: formação sobre esse tema é uma das demandas prioritárias manifestadas pelos professores que estão em sala de aula.”

Para o Alana, um dos preceitos científicos que fortalecem a adoção da escola inclusiva, o que comprova que o benefício da inclusão tem repercussões em todo o ambiente escolar, principalmente nos alunos sem deficiência, aparece na pesquisa Datafolha, mesmo que de forma indireta.

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/10/maioria-dos-brasileiros-afirma-que-escola-inclusiva-melhora-educacao.shtml

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Tem interesse no tema? Conheça os livros da Summus Editorial sobre inclusão na educação:

A ESCOLA PARA TODOS E PARA CADA UM
Organizador: Augusto Galery
Autores: Patrícia VieiraEdith RubinsteinDeigles GiacomelIi AmaroAugusto GaleryAndreia Pinto


Uma escola para todos e para cada um é um projeto inovador, que demanda radical e contínua transformação nas abordagens de ensino e aprendizagem. Mais do que uma crítica à instituição escolar atual – esse “sapato pesado” cujos problemas vêm sendo tratados em diversas pesquisas –, o paradigma inclusivo de educação requer a reinvenção da escola e de todas as suas práticas e didáticas. Trata-se de uma abordagem que não menospreza a complexidade do sujeito que aprende, inserido em contextos sociais, econômicos, ambientais e culturais diversos.
Destinada a profissionais e estudantes da educação e da saúde, como professores de todos os níveis, gestores, psicólogos e alunos dos cursos de pedagogia e psicologia – e também a pessoas com deficiência e seus representantes –, esta obra apresenta, entre outros temas:

• o conceito de inclusão; • os entraves à verdadeira educação inclusiva; • as principais dúvidas e angústias de pais e professores; • a inclusão na perspectiva da legislação brasileira; • recursos, procedimentos e práticas que ajudam os alunos – com e sem dificuldades físicas e/ou psíquicas – a estabelecer uma relação rica e prazerosa com o aprendizado; • casos reais de sucesso em escolas públicas e particulares de diversas localidades do país; • possibilidades de superar as barreiras à inclusão.

INCLUSÃO E EDUCAÇÃO
Doze olhares sobre a educação inclusiva
Organizador: David Rodrigues

Desenvolver uma escola que rejeite a exclusão e promova a aprendizagem conjunta e sem barreiras.
Trata-se de um objetivo ambicioso e complexo porque a escola sempre conviveu com a seleção, e só aparentemente é “para todos e para cada um”. Aqui, doze especialistas apresentam suas perspectivas sobre o tema, abrindo horizontes para que os professores reflitam sobre a sua prática.

INCLUSãO ESCOLAR
O que é? Por quê? Como fazer?
Autora: Maria Teresa Eglér Mantoan

Escrito por uma das maiores especialistas em inclusão escolar no Brasil, esta obra aborda o assunto de maneira clara e didática. Baseando-se na legislação sobre o tema, Maria Teresa Eglér Mantoan explica o que é educação inclusiva, discute os passos necessários para implantá-la e ressalta suas vantagens. Livro fundamental para educadores que desejam saltar da teoria para a prática.

INCLUSÃO ESCOLAR: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Rosângela Gavioli PrietoMaria Teresa Eglér Mantoan

Neste livro, Maria Teresa Eglér Mantoan e Rosângela Gavioli Prieto adentram os labirintos da inclusão escolar analisando, com muito rigor científico e competência, suas diferentes facetas. No diálogo que estabelecem, abordam pontos polêmicos e controvertidos, que vão desde as inovações propostas por políticas educacionais e práticas escolares que envolvem o ensino regular e especial até as relações entre inclusão e integração escolar.

INCLUSÃO NA PRÁTICA
Estratégias eficazes para a educação inclusiva
Autora: Rossana Ramos

Atualmente, as escolas brasileiras já estão convencidas de que devem receber crianças com deficiência. Contudo, elas ainda têm dificuldade de lidar com as diferenças. Em linguagem simples e fundamentada teoricamente, a obra – que relata experiências bem- -sucedidas – discute as questões reais do processo de inclusão, permitindo ao professor identificar os problemas que precisa solucionar.

‘NA ESCOLA BRITÂNICA SUMMERHILL, QUEM DECIDE SÃO OS ESTUDANTES’

Reportagem publicada pelo jornal O Globo, em 17/09/2019.

Na Escola Summerhill, quem toma as decisões são os estudantes. Baseada em um modelo democrático pautado pela autogestão, a instituição britânica dá liberdade a seus alunos para que eles escolham regras de convivência, o modo como vão estudar e, até mesmo, se farão provas ou não.

Mas se engana quem pensa que a Summerhill é um experimento novo fadado a uma vida curta. Com quase cem anos, a instituição se notabilizou como a primeira escola democrática do mundo, colecionando casos de sucesso e estudantes nos bancos universitários.

Diretor da escola, Henry Readhead ministro uma das principais palestras do Educação 360 Encontro Internacional, na Cidade das Artes, sobre os valores que norteiam a Summerhill. O evento é uma realização dos jornais O GLOBO e “Extra”, com patrocínio de Itaú Social, Fundação Telefônica/Vivo, Colégio Ph e Universidade Estácio, e apoio institucional de TV Globo, Unicef, Unesco, Fundação Roberto Marinho e Canal Futura.

— Na escola, a liberdade é absoluta. A pessoa é livre para vestir, fazer e dizer o que quiser. Mas o ponto mais importante é que liberdade não é licença. Ela deve ser acompanhada pela sabedoria — frisa Readhead, neto do fundador da Summerhill.

A escola tem cerca de 450 leis, todas criadas pelos alunos em reuniões que ocorrem três vezes por semana.

— Os estudantes, na verdade, gostam de regras. As nossas leis tornam as coisas mais simples.

Além disso, a liberdade dos alunos é orientada pelo binômio “licença e não licença”. Não há licença, por exemplo, para fazer bullying ou desrespeitar regras criadas pelo corpo discente.

Infrações aos ditames da escola são discutidas nos encontros semanais, onde são estabelecidas punições de caráter lúdico. Não há hierarquia na aplicação dessas leis. Todos podem ser punidos, inclusive professores e diretores. Esse tratamento horizontalizado é outro alicerce na filosofia da Summerhill.

— Em uma reunião, o meu voto vale o mesmo que o de uma criança de seis anos — explica o britânico, destacando ainda que desigualdades ligadas a gênero, etnia ou idade foram eliminadas, já que a voz de todos têm o mesmo peso.

O diretor esclareceu também que o ensino na escola é pautado por métodos pedagógicos profissionalizados, praticados por professores experientes. Mas a parte central do aprendizado é que ele não é algo compulsório.

— Muitas pessoas acham que, se as crianças não forem forçadas, elas não vão aprender. Isso é mito.

Readhead considera que o aprendizado envolve o ato de se apaixonar por um determinado assunto.

— A infância é uma época muito importante. Ela pode ser repleta de amor, paixão e diversão. Podemos fazer um sistema educacional que nutra, em vez de fazer justamente o contrário — diz o educador.

Para ler na íntegra (restrito a assinantes do jornal): https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/educacao-360/na-escola-britanica-summerhill-quem-decide-sao-os-estudantes-23955775

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Quer saber mais sobre Summerhill? Conheça o livro publicado pela Summus:

SUMMERHILL
Uma infância com liberdade
Autor: Matthew Appleton
SUMMUS EDITORIAL

Fundada na Inglaterra em 1921 por Alexander Neill, Summerhill ficou conhecida como a escola mais livre do mundo. Nela, as crianças são encorajadas a tomar decisões e a desenvolver-se a seu ritmo. As aulas não são obrigatórias e os alunos podem escolher as matérias que desejam estudar. Baseado em diversos conceitos de seu amigo Wilhelm Reich, Neill acreditava que os aspectos emocionais dos seres humanos eram mais importantes que quaisquer outros, paradigma que predomina na instituição até hoje.

Ao longo dos anos, Summerhill consolidou-se como uma escola democrática, onde crianças, adolescentes e adultos convivem em nível de igualdade e aprendem que o conceito de liberdade implica responsabilidade e empatia.

Criticada por muitos, adorada por outros, mas sempre envolta em mitos, Summerhill é retratada neste livro por alguém que lá viveu por quase uma década. Trabalhando como pai – espécie de cuidador – de dezenas de alunos, Matthew Appleton aprendeu valiosas lições, que compartilha aqui com os leitores. Da dificuldade de manter a privacidade às assembleias democráticas, do desabrochar das crianças às mudanças constantes de regras e à autorregulação, Appleton constrói um rico relato, mostrando inclusive as tentativas do Ministério da Educação inglês de fechar a escola. E, claramente, toma posição: Summerhill é para ele, de fato, o melhor lugar para promover uma infância com liberdade.


‘DIA DO IDOSO: ENVELHECER COM QUALIDADE DE VIDA É POSSÍVEL’

De acordo com especialistas, alguns cuidados podem ser tomados para envelhecer de forma saudável

Matéria de Pedro Peduzzi, da Agência Brasil,
publicada no UOL em 01/10/2019

Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Internacional do Idoso (hoje, 1º de outubro) é uma oportunidade para que as pessoas lembrem que a idade chega para todos, e que, com ela, novas dificuldades surgirão. Especialistas consultados pela Agência Brasil, no entanto, garantem: é possível envelhecer com qualidade de vida.

Segundo o médico geriatra e diretor científico da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), Renato Bandeira de Mello, qualidade de vida é algo subjetivo: depende da percepção do indivíduo sobre o que é felicidade.

Mas, em termos gerais, acrescenta o geriatra, qualidade de vida na velhice está associada a vida ativa: a busca por hábitos saudáveis como atividade física, alimentação saudável; e a manter a mente estimulada com novas atividades. Outro fator associado à qualidade de vida na terceira idade são as relações sociais.”Isso significa contato com a família, amigos e colegas de trabalhos”, resume Mello.

Família

O papel da família para a qualidade de vida do idoso, além de relevante, está previsto em leis. “Mais do que um papel, os familiares têm obrigação com os idosos. Isso, inclusive, é respaldado pelo Estatuto do Idoso”, explica o diretor da SBGG.

Nesse sentido, o estatuto prevê que a família se envolva nos cuidados e na proteção do idoso, “respeitando os seus limites e a autonomia a fim de não o cercear de suas liberdades e desejos”, acrescenta Mello.

Coordenadora-geral do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso, Eunice Silva destaca ser o ambiente familiar o que registra a maioria das violações de direitos da pessoa idosa. Segundo ela, entre os fatores que resultam em enfermidades, quedas, demência e internamentos prolongados estão a violência doméstica, os maus tratos e o abandono.

“É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, educação, cultura, esporte, lazer, trabalho, cidadania, liberdade e dignidade, ao respeito e às convivências familiar e comunitária”, argumenta a coordenadora do conselho que é vinculado ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Sociedade

De acordo com o médico geriatra e diretor da SBGG, no caso de idosos doentes que precisam de cuidado especial, além do apoio familiar é necessário o apoio da sociedade, que precisa estar atenta também às próprias mudanças que acontecem ao longo do tempo.

“Há que se pensar que, no futuro, os núcleos familiares serão menores. Precisaremos encontrar meios para construir uma sociedade que possa cuidar do idoso”, disse ao lembrar que a qualidade de vida dos idosos depende, ainda, de infraestruturas e de relações que enxerguem esse público não apenas como consumidor, mas como potencial colaborador.

“Bancos, lojas, mercados, transportes e outros serviços e estabelecimentos precisam buscar formas de inclusão, não apenas como consumidor, mas também como força de trabalho”, disse ele à Agência Brasil.

Políticas Públicas

Estar antenado com relação às políticas públicas pode ajudar a melhorar a qualidade de vida do idoso. No âmbito do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Eunice Silva destaca o Programa Viver – Envelhecimento Ativo e Saudável.

“Ele representa a aplicação, na prática, do Estatuto do Idoso”, explica a coordenadora, referindo-se ao documento que preconiza o envelhecimento como um “direito personalíssimo”, e que sua proteção representa um direito social.

Segundo Eunice, em 2019 a Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa tem atuado no sentido de levar, a capitais e municípios mais distantes, a inclusão na tecnologia digital para as pessoas idosas.

Na avaliação da coordenadora, esse tipo de tecnologia, que vem sendo disponibilizada pelo Programa Viver, representa um “instrumento libertador e emancipatório, voltado à autonomia e à ampliação dos limites da convivência familiar, da educação, da saúde e da mobilidade física”.

“A meta é implantarmos 100 programas no ano de 2019. O Programa Viver, conta com 202 municípios cadastrados”, explica Eunice. Para ter acesso ao programa nos municípios já implantados, basta aos idosos se cadastrarem nos centros de acolhimento do programa.

A Secretaria informa que tem atuado também para equipar e fortalecer os Conselhos de Direitos Municipais da Pessoa Idosa, por meio da capacitação de conselheiros no Programa Nacional de Educação Continuada em Direitos Humanos, na modalidade de EAD (Ensino a Distância).

Saúde

Entre as políticas públicas ofertadas pelo Ministério da Saúde aos idosos está a Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, que é oferecida gratuitamente a este público. Mais de 3 milhões de cadernetas foram entregues a municípios em 2018.

De acordo com a pasta, essa caderneta passou por algumas atualizações, que permitem melhor conhecer as necessidades de saúde dessa população atendida na atenção primária, de forma a melhor identificar o comprometimento da capacidade funcional, condições de saúde, hábitos de vida e vulnerabilidades.

A caderneta apresenta, ainda, orientações relativas alimentação saudável, atividade física, prevenção de quedas, sexualidade e armazenamento de medicamentos.

Em outra frente de ações – neste caso voltada a profissionais de saúde e gestores, ajudando-os na tarefa de melhorar a qualidade de vida dos idosos – o MS disponibilizou o aplicativo Saúde da Pessoa Idosa. Ele pode ser obtido gratuitamente por meio do Google Play.

Estatísticas

Dados apresentados pelo Ministério da Saúde apontam que atualmente, os idosos representam 14,3% dos brasileiros, o que corresponde a 29,3 milhões de pessoas.

Segundo o Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) divulgado em 2018, 75,3% dos idosos brasileiros dependem “exclusivamente” dos serviços prestados no Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda segundo o levantamento, 83,1% realizaram pelo menos uma consulta médica nos últimos 12 meses.

Tendo por base dados obtidos por meio da Pesquisa Nacional de Saúde, o MS informa que 24,6% dos idosos tem diabetes, 56,7% tem hipertensão, 18,3% são obesos e 66,8% tem excesso de peso.

As doenças do aparelho circulatório são a principal causa de internação entre idosos. Em 2018, foram 641 mil internações registradas no Sistema Único de Saúde (SUS) de pacientes acima de 60 anos.

Acidentes

De acordo com a SBGG, as principais causas de mortes acidentais de idosos são atropelamento e quedas, o que, segundo seu diretor, pode levar a consequências diretas, como lesões e fraturas, e indiretas, como medo de cair e isolamento social, entre outros.

“A maior parte das quedas da própria altura ocorrem em casa por falta de adaptação do ambiente, excesso de obstáculos, falta de barras de apoio, presença de piso sem antiderrapante e que são perigos contínuos na vida do idoso”, acrescenta o médico geriatra.

A Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, distribuída pelo Ministério da Saúde, recomenda 11 cuidados práticos para a prevenção de quedas em idosos:

  • Evitar tapetes soltos;
  • Escadas e corredores devem ter corrimão nos dois lados;
  • Usar sapatos fechados com solado de borracha;
  • Colocar tapete antiderrapante no banheiro;
  • Evitar andar em áreas com piso úmido;
  • Evitar encerar a casa;
  • Evitar móveis e objetos espalhados pela casa;
  • Deixar uma luz acesa à noite, para o caso de precisar se levantar;
  • Esperar que o ônibus pare completamente para você subir ou descer;
  • Utilizar sempre a faixa de pedestre;
  • Se necessário, usar bengalas, muletas ou outros instrumentos de apoio.

Para ler na íntegra, acesse: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/10/01/dia-do-idoso-envelhecer-com-qualidade-de-vida-e-possivel.htm

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Tem interesse no assunto? Conheça alguns livros do grupo Summus que falam sobre envelhecimento:

VELHICE
Uma nova paisagem
Autora: Maria Celia de Abreu
EDITORA ÁGORA

A psicóloga Maria Celia de Abreu propõe neste livro transformar visões e ideias preconcebidas a respeito do velho. Partindo de estudos teóricos sobre a psicologia do envelhecimento e de vivências colhidas em grupos de estudos, ela propõe que a vida passe a ser encarada como uma estrada que percorre diversas paisagens diferentes – nem melhores nem piores que as outras.

Com exercícios de conscientização e exemplos práticos, a autora discorre sobre inúmeros assuntos pertinentes à velhice, como corpo, sexualidade, memória, perdas, luto e depressão. Fundamental para idosos, seus familiares, cuidadores, pesquisadores e para todos os que desejam envelhecer com saúde, autoconfiança e alegria, a obra conta com depoimentos de importantes personalidades sobre emoções que sentem ao encarar a ideia da velhice.

VIVA BEM A VELHICE
Aprendendo a programar sua vida
Autores: M. E. Vaughan, B. F. Skinner
SUMMUS EDITORIAL

Um dos mais notáveis psicólogos do século XX, ele próprio já beirando os oitenta anos de idade, ensina — em linguagem agradável e bem-humorada — como os idosos podem administrar sua vida, sem depender dos outros, criando para si mesmos um meio ambiente estimulante e adequado.

GERONTODRAMA: A VELHICE EM CENA
Estudos clínicos e psicodramáticos sobre envelhecimento e 3ª idade
Autora: Elisabeth Maria Sene- Costa
EDITORA ÁGORA

A autora, médica psiquiatra e psicodramatista, vem atuando há mais de 15 anos com idosos. Aos poucos foi agregando uma série de abordagens às técnicas do psicodrama imprimindo um cunho pessoal ao seu trabalho, que batizou de gerontodrama. O livro, que também apresenta os aspectos conceituais e clínicos do envelhecimento, é um guia completo para quem quer seguir essa especialização, ou para qualquer pessoa com curiosidade sobre o envelhecer. A apresentação é de José de Souza Fonseca Filho.

EQUILÍBRIO HORMONAL E QUALIDADE DE VIDA
Estresse, bem-estar, alimentação e envelhecimento saudável
Autor: Sergio Klepacz
MG EDITORES

Sergio Klepacz, psiquiatra e autor de Uma questão de equilíbrio, mostra neste livro como a relação entre balanceamento hormonal, combate ao estresse e alimentação saudável pode levar a uma vida saudável e até mesmo deter o processo de envelhecimento. Ele discute as polêmicas questões da reposição hormonal e dos hormônios bioidênticos e relata casos reais de pacientes que procuraram respostas na medicina ortomolecular.

SEXO E AMOR NA TERCEIRA IDADE
Autor: Robert N. Butler, Myrna I. Lewis
SUMMUS EDITORIAL

Butler e Lewis derrubam tabus e provam que o sexo e a sexualidade são experiências prazerosas, gratificantes e altamente saudáveis, após os 60 anos. É a época em que o ser humano possui maior experiência e disponibilidade de tempo para poder, apesar das dificuldades naturais, usufruir de uma vida sexual positiva.

‘SÍNDROME DA FADIGA CRÔNICA ATINGE MAIS MULHERES’

Caracterizada por uma exaustão que não cessa com repouso, a condição costuma aparecer após uma gripe ou infecção

Matéria de Maurício Brum e Sílvia Lisboa, com colaboração de Juan Ortiz, publicada na revista Claudia em 30/08/2019

Nos últimos anos, Joyce* vinha sentindo uma dificuldade enorme para realizar tarefas diárias. Arquiteta com mais de três décadas de carreira, precisou fechar o escritório. Por muito tempo, se esforçou para ir às obras e atender os clientes, mas chegava ao final do expediente acabada. “Era como se tivesse sido atropelada por um caminhão”, recorda a porto-alegrense de 65 anos.

Preocupada, foi atrás de ajuda médica nas mais diversas especialidades, tomou antidepressivos e fez reposição hormonal. Nada ajudou. “Minha cabeça sempre funcionou muito bem. Sabia que era algo físico”, relata.

Há três anos, um clínico geral começou a suspeitar de que se tratava de uma condição atípica. O diagnóstico, porém, viria apenas após ter descartado todas as outras hipóteses. O último teste, para verificar um possível distúrbio do sono, consistia em ficar dias inteiros sem fazer nada e, depois, passar uma noite na clínica sob observação. Mesmo assim, ela acordava cansada.

O veredito chegou, finalmente, no início deste ano. Joyce sofre de síndrome da fadiga crônica (SFC), também chamada de encefalomielite miálgica, doença rara, de causas desconhecidas, caracterizada pela exaustão extrema – que não passa com repouso nem depois de noites bem-dormidas –, dores nos músculos e na garganta, gânglios inchados, além de lapsos de memória. Embora tratável, ainda não tem cura. “Suga a energia”, resume Joyce. É comum os pacientes reportarem que sentem o corpo entrar em curto-circuito.

Embora esteja presente no Código Internacional de Doenças (CID) há 50 anos, a encefalomielite miálgica só ganhou a alcunha de SFC – e definições mais claras – a partir de 1988. Um trabalho de revisão publicado em The Lancet, uma das principais revistas médicas do mundo, utilizou dados americanos e concluiu que entre 0,2% e 0,4% da população adulta é afetada pela síndrome – sendo o número de mulheres quatro vezes maior que o de homens.

Como várias doenças podem causar cansaço extremo, o diagnóstico é um desafio. Geralmente, a síndrome aparece após uma gripe ou infecção banal. “A pessoa deve suspeitar se estiver sentindo falta de energia intensa e constante há pelo menos seis meses”, alerta o reumatologista Roberto Heymann, professor da Universidade Federal de São Paulo. Outro sinal é não entender de onde vem o cansaço. “A falta de causa aparente é importante, pois, se houver outros motivos, o diagnóstico de SFC deve ser desconsiderado”, avisa ele.

A fadiga crônica também costuma ser confundida com a fibromialgia, que, embora tenha sintomas e tratamento semelhantes, é caracterizada por dor física mais intensa. “Na SFC, o principal é a fadiga”, esclarece a clínica geral e reumatologista Liz Ribeiro Wallim, professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

Com o passar dos meses, a doença pode progredir e se tornar incapacitante, afetando não só a qualidade de vida e o rendimento no trabalho mas até mesmo o relacionamento com a família. “É uma condição que gera preconceito, pois tem indícios parecidos com o comportamento de preguiçosos”, lamenta Joyce.

Os parentes dela nunca tinham passado por algo semelhante e, embora seu abatimento fosse nítido, no começo eles não acreditavam que o cansaço fosse verdadeiro. “As pessoas tendem a dizer que é vontade de chamar a atenção. Mas o sofrimento é real, não tem nada de frescura ou invenção”, alerta Liz.

O fato de as causas ainda não terem sido totalmente esclarecidas colabora para a confusão. Não se sabe, por exemplo, porque acomete mais mulheres. “Acredita-se que existam fatores hormonais, culturais e sociais associados”, diz Roberto. Alguns estudos também têm sugerido influência genética, mas fatores ambientais podem ser igualmente importantes. “Hoje se sabe que afeta mais indivíduos que sofreram traumas, abusos e negligência na infância”, afirma o psiquiatra Mario Francisco Juruena, professor do King’s College de Londres, um dos centros de excelência no estudo da SFC.

Vítima da SFC, a psicóloga britânica Kristina Downing-Orr transformou a busca pela cura em um mantra. “Eu me recuso”, ela repetia quando não tinha energia para ficar em pé por nove segundos antes de cair prostrada. Durante os dois anos em que sofreu com a condição, após duas viroses, Kristina juntou as poucas forças que lhe restavam para ler pesquisas, peregrinar por médicos e testar tratamentos. Sua batalha resultou no livro Vencendo a Fadiga Crônica (Summus, 2011). Nele, a psicóloga conta como conseguiu se levantar com uma combinação de terapia cognitivo-comportamental, exercícios, dieta e medicação.

O tratamento exige dedicação total nos primeiros meses. Segundo o psiquiatra Mario, demanda a integração dos quatro sistemas: psicológico, neurológico, imune e endócrino. Isto é, ajuda o paciente com uma abordagem que associa mente (nossos pensamentos e emoções), interações neuroquímicas do cérebro, hormônios e células de defesa. “A compreensão dos quadros de fadiga e depressão relacionada a eles e suas influências hormonais e no eixo que regula as reações ao estresse é fundamental para entender e tratar a SFC”, explica.

Estudos recentes revelam que as pessoas mais afetadas pela doença têm taxas reduzidas de cortisol no sangue. Em excesso, esse hormônio ligado ao estresse causa estragos na imunidade, mas níveis muito baixos deixam o indivíduo prostrado e letárgico. Publicado na revista britânica Nature em 2012, um caso mostra que a reposição hormonal e a administração de psicotrópicos podem ser benéficas por regular os níveis de cortisol e tratar a depressão atípica associada à síndrome – ela provoca sono, compulsão a doces e sensação de peso nos membros.

Uma pesquisa desenvolvida na Escola de Medicina de San Diego, nos Estados Unidos, constatou que vários metabólitos também apresentam níveis menores na SFC, como se o indivíduo estivesse hibernando. Essa desordem causa uma reação em cadeia que gera problemas na oxigenação do sangue, nas taxas de açúcar, lipídios e aminoácidos.

Hoje em dia, opta-se por um tratamento multidisciplinar contra a doença, e a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é indicada como uma coadjuvante importante. Para Kristina, que encarou uma versão severa da doença, a TCC ajudou a controlar os pensamentos de desespero. “A angústia é compreensível, mas as pessoas costumam exaltar os ‘não consigo’ e minimizam os sentimentos do ‘consigo’ ”, escreveu.

Essa catastrofização piora o quadro e mina as chances de melhora. Na TCC, a pessoa aprende a notar esse tipo de pensamento e a tirá-lo do piloto automático. Ou seja, em vez de falar: “Eu nunca vou me recuperar”, optar por: “Estou trabalhando para me recuperar”. Pode não ser fácil, mas é decisivo para motivá-la a enfrentar os sintomas mais debilitantes.

Os exercícios, desde que moderados e graduais, também são aliados. É claro que, para alguém que não consegue sequer se levantar da cama, qualquer atividade física parece fora de cogitação. Mas isso é apenas uma visão prévia. À medida que a medicação surte efeito, iniciam-se a TCC e um plano de atividades físicas que deve ir se intensificando aos poucos. Os treinos ajudam a regular os hormônios desalinhados. Além disso, dão ao paciente a sensação de ter domado a doença, o que é essencial para um bom prognóstico. O sono é outro aspecto que merece atenção. Apesar do cansaço extremo, as pessoas afetadas pela SFC não conseguem relaxar. “Por isso, deve-se evitar exercícios e estimulantes antes de dormir”, recomenda Roberto Heymann.

Estima-se que cerca de 50% dos pacientes conseguem voltar ao trabalho; se não for em tempo integral, pelo menos parcialmente. Depois de ter de abandonar a arquitetura, Joyce virou designer de joias e bijuterias – ocupação que lhe permitiu ajustar a carga às necessidades do corpo.

Hoje, trabalha algumas horas por semana quando tem disposição e aceita só as demandas que se adequam às suas limitações. Por orientação médica, faz exercícios físicos moderados, procura não dormir demais e evita atividades de longa duração. Tem dado certo. “Sofri muitos anos com a incerteza”, desabafa. “Agora pelo menos sei o que tenho.”

*Nome trocado para preservar a identidade da entrevistada.

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://claudia.abril.com.br/saude/sindrome-da-fadiga-cronica-atinge-mais-mulheres/

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Conheça o livro de Kristina Downing-Orr, mencionado na matéria:

VENCENDO A FADIGA CRÔNICA
Seu guia passo a passo para o restabelecimento completo
Autora: Kristina Downing-Orr
SUMMUS EDITORIAL

A síndrome da fadiga crônica acomete milhares de pessoas no mundo todo, mas poucas delas sabem que sofrem da doença. Esta obra explica o que é fadiga crônica, oferece uma abordagem clínica completa, discute aspectos psicológicos ligados ao distúrbio e propõe mudanças nutricionais e de estilo de vida que podem melhorar sobremaneira o dia dos pacientes.

https://amzn.to/2owmzlN

“TELENOVELA ‘A MORTA SEM ESPELHO’, ESCRITA POR NELSON RODRIGUES, ESTÁ PERDIDA”

Autor foi descoberto pelo cinema, com adaptações de ‘Boca de Ouro’ e ‘Bonitinha, mas Ordinária’, mas também foi parar na televisão

Matéria de Nelson de Sá, publicada na Folha de S.Paulo,
em 06/09/2019.

Nelson Rodrigues, no momento em que foi descoberto pelo cinema, com as adaptações de “Boca de Ouro” e “Bonitinha, mas Ordinária”, sucessos de bilheteria às vésperas do golpe de 1964, também foi parar na televisão.

Walter Clark, então na TV Rio, emissora que dividia programação com a paulista Record, da mesma família, encomendou o que seria a primeira telenovela produzida na cidade, em 1963 —dois anos antes de surgir a Globo.

Era para ser a “novela das oito”, mas o juizado de menores ordenou 22h30. Segundo Clark, na autobiografia “O Campeão de Audiência” (Summus), “como não existia essa faixa de novelas e não havia o hábito do público, tivemos de cancelá-la” após dois meses.

“Terminou, afinal, ‘A Morta Sem Espelho’, um dramalhão fúnebre, um enredo deletério, de neuróticos e assassinos”, publicou o Correio da Manhã em 9 de novembro, acrescentando, porém, elogios “à linguagem ousada, solta e inesperada” do autor.

Uma cena ficou célebre, aquela em que o personagem do ator Ítalo Rossi desperta sua mulher com uma arma, dizendo: “Acorda para morrer”. Mas o texto da “primeira novela brasileira de todos os tempos”, como descreve Ruy Castro na biografia “O Anjo Pornográfico” (Companhia das Letras, 1992), se perdeu, assim como as gravações.

Procurados, a atriz Fernanda Montenegro e o pesquisador e editor Caco Coelho disseram não ter pistas nem desta nem de outras duas novelas que Nelson Rodrigues escreveu no ano seguinte, “Sonho de Amor” e “O Desconhecido”.

Coelho chegou a ir aos arquivos da censura, mas “tinham destruído”, e a várias pessoas do elenco, sem sucesso. Restam fotos, resumos e depoimentos, inclusive sobre a divergência entre Clark e o autor, quanto ao gênero.

O objetivo do primeiro era uma atração “naquele espírito de combate à Excelsior”, emissora então em ascensão, “com uma programação mais sofisticada”. Já o dramaturgo queria o folhetim.

“Novela é um gênero de concessão”, dizia, mas que “pode ser bonito, pode ser a obra mais hierática”, sagrada.

“Eu queria fazer folhetim no duro, bem cabeludo. Nunca me deixaram. O pessoal queria intelectualizar o negócio. Se você quiser elevar o folhetim, fica ridículo, atroz.” Na síntese de Nelson Rodrigues, que nunca mais escreveria telenovela, “o bom folhetim é isso: coisas tremendas, adúlteras fugindo em carruagens”.

Para ler na íntegra, acesse: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/09/telenovela-escrita-por-nelson-rodrigues-esta-perdida.shtml

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Conheça o livro de Walter Clark, mencionado na matéria:

O CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA
Uma autobiografia
Autores:  Walter ClarkGabriel Priolli
SUMMUS EDITORIAL

Walter Clark foi um dos mais importantes profissionais da televisão brasileira. Nesta autobiografia, escrita com o jornalista Gabriel Priolli, ele conta sua trajetória pessoal – marcada por grandes paixões, inúmeras mulheres e muito luxo – e profissional – sobretudo na TV Rio e, mais tarde, na Globo. Trata‑se de leitura indispensável para entender a implantação e a consolidação da TV no Brasil – até hoje o veículo de comunicação mais poderoso do país.

‘AOS 45 ANOS, EDUCAÇÃO DE ADULTOS EM COLÉGIO DE SP RESISTE A ENCOLHIMENTO DO SETOR’

Professor viajou com alunos migrantes do Santa Cruz para conhecê-los melhor; ‘perdi a vergonha de falar’, diz aluna

Reportagem de Angela Pinho, publicada originalmente
no jornal Folha de S.Paulo, em 26/09/2019.

Á medida que o dia escurece, as salas e corredores do tradicional Colégio Santa Cruz, em São Paulo, ganham novos rostos, sons e cores.

Crianças e adolescentes de uniforme amarelo dão lugar a jovens e adultos, muitos com a roupa do trabalho. Em vez de carro, a maioria chega de transporte público. Alguns, inclusive, são motoristas e empregados domésticos das famílias dos estudantes que frequentam o local durante o dia.

Criada há 45 anos, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Colégio Santa Cruz resiste ao encolhimento da modalidade. Tradicionalmente marginalizada pelas políticas educacionais, ela foi ainda mais deixada de lado nos últimos anos.

No dia 2 de janeiro, a Secadi, secretaria responsável por essa e outras áreas no Ministério da Educação, foi extinta pelo governo Jair Bolsonaro. O único programa de alfabetização de adultos, que já tinha índices baixos de eficiência e havia sido encolhido, não recebeu nenhum repasse.

A EJA também não tem política federal de formação de professores, e há alguns anos suas matrículas têm caído. De 2010 a 2018, a queda foi de 17%, chegando a um total de 3,5 milhões.

O público em potencial é muito maior. O país tem 11 milhões de pessoas de 15 anos ou mais que não sabem ler um bilhete simples.

A dificuldade de jovens e adultos que trabalham o dia todo estudarem é um dos motivos; outro é o baixo investimento no setor.

Atrair esse público à escola e garantir sua permanência demanda políticas que vão além da sala de aula, afirma Fernando Frochtengarten, diretor de cursos noturnos do Santa Cruz.

Por isso, além de subsidiar integralmente a mensalidade dos 450 alunos da EJA, o colégio também banca o transporte deles, além de um lanche na escola, e tem parcerias com advogados e psicanalistas para os estudantes que precisam. Não à toa, as matrículas ali têm aumentado, na contramão do que ocorre no país.

O auxílio para o transporte é importante porque, ao longo dos ano, a escola teve uma importante mudança no perfil dos alunos do antigo supletivo.

Se antes a maioria vivia em bairros próximos à escola, que fica em Alto de Pinheiros (zona oeste), atualmente a maior parte vem de bairros mais distantes ou de cidades da Grande São Paulo, o que fez o colégio antecipar o fim das aulas em 20 minutos.

Fernando atribui a mudança à expansão imobiliária, que esvaziou as áreas mais pobres perto do colégio, e à redução do número de empregados domésticos que dorme na casa dos patrões.

Uma característica do alunado, porém, se mantém. Eles são, na maioria, migrantes.

Gente como Onésima Bispo dos Santos, 43. Nascida na zona rural de Itaberaba, interior da Bahia, ela chegou a São Paulo para trabalhar como empregada doméstica sem saber ler nem escrever.

Pegar ônibus era uma dificuldade, assim como anotar recados. Até que o filho de sua patroa, que também estudou no Santa Cruz, falou da EJA, e ela começou a frequentar as aulas.

Incluir os estudos na rotina não foi fácil. Onésima chega da escola pouco antes da meia-noite e às 5h já tem que estar de pé para levar seus netos na escola.

Mas vale a pena. Mais do que aprender a ler e escrever, ela diz que recuperou sua voz. Explica: “Há uns anos, eu estaria embaixo da mesa de tanta vergonha de falar. Mordia os lábios, em qualquer lugar queria entrar muda e sair calada”. O motivo era o medo de cometer erros.

A desenvoltura atual não se deve apenas ao aprendizado da norma culta da língua. “A gente aprende aqui que ter sotaque e falar de um jeito ou de outro não é ofensa”, afirma.

De fato, a oralidade também é bastante trabalhada no projeto pedagógico, em atividades como rodas de conversa.

Para conhecer melhor a realidade de seus alunos migrantes, Fernando viajou com alguns deles para a região do sul da Bahia de onde muitos vieram. Também foi para o norte de Minas conversar com familiares de outros estudantes.

Mas embora ainda seja predominante, a participação dos alunos de fora da capital paulista vem caindo no EJA do Santa Cruz, que começa a receber os filhos dos migrantes.

Não foi a única mudança. Desde que foi criado o curso noturno do colégio, três anos depois da primeira regulamentação dos cursos supletivos, muita coisa se transformou na EJA em todo o país.

Em primeiro lugar, a modalidade ganhou esse nome. Em segundo, deixou de ser uma mera transposição do ensino regular de crianças para considerar o contexto de alunos de uma faixa etária mais avançada, que chegam à escola com outra bagagem e demandam, portanto, abordagem diferente.

Em terceiro lugar, a EJA passou a receber cada vez mais um público mais jovem. Atualmente, quase dois terços dos alunos da modalidade têm até 30 anos.

No Santa Cruz, o perfil predominante ainda é de estudantes mais velhos, mas, no ensino médio, 23% têm até 25 anos.

Um deles é Lucas Neumann, 23, que parou de estudar há dez anos e agora está prestes a concluir o ensino médio.

Atender a um público heterogêneo, de faixas etárias e origens diferentes, é um desafio. Uma das saídas encontradas é oferecer um leque opções de áreas em que o aluno pode se aprofundar.

Algo de que a escola não abre mão, diz Fernando, é o ensino presencial, no momento em que a modalidade a distância ganha espaço —a maior parte da carga horária da EJA pode ser oferecida remotamente.

“Os alunos, muitas vezes, são pessoas solitárias, carentes de conversa e escuta, participam de relações muito hierárquicas”, afirmam. “Nesse sentido, a escola é um espaço não só de formação acadêmica, mas também de vida social.”

Para ler na íntegra (assinantes da Folha de S.Paulo ou UOL), acesse: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/09/aos-45-anos-educacao-de-adultos-em-colegio-de-sp-resiste-a-encolhimento-do-setor.shtml

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Fernando Frochtengarten é autor do livro Caminhando sobre fronteiras, publicado pela Summus. Conheça a obra:

CAMINHANDO SOBRE FRONTEIRAS
O papel da educação na vida de adultos migrantes
Autor: Fernando Frochtengarten
SUMMUS EDITORIAL

Esta belíssima obra examina a experiência de retomada da vida escolar por adultos trabalhadores migrantes. Partindo de sua experiência como Educador de Jovens e Adultos em São Paulo, o autor reflete sobre os papéis da escola na participação de migrantes pouco letrados na sociedade urbana. Ao mesmo tempo, analisa os impactos gerados pela condição de educador em seu olhar sobre o mundo familiar.

‘COMO TRATAR O TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE’

Psicoterapia deve ser usada junto ao tratamento com remédios

Matéria publicada originalmente no jornal Folha de S. Paulo,
em 20/09/2019.

Com tantas fontes de informação e distração, especialmente no celular, com diversos aplicativos e mensagens pipocando no WhatsApp, como manter a atenção e o foco?

Essa dificuldade, porém, não pode ser equiparada ao TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), caracterizado por desatenção (sintoma mais comum em meninas) e hiperatividade/impulsividade (mais comum em meninos).

Mesmo com esses sintomas definidos, o diagnóstico do TDAH não é simples e é feito clinicamente. Não há exames que possam auxiliar na identificação do problema, diz Rodrigo Martins Leite, do Instituto de Psiquiatria da USP.

Ele afirma que alguns pontos são evidentes desde o começa da vida, como fracassos escolares, problemas disciplinares, atraso escolar e, com o passar do tempo, dificuldade para entrar na universidade e dificuldades no trabalho.

São esses impactos que ajudam a diferenciar uma desatenção comum de um transtorno, que atinge de 3% a 5% das crianças. Sua causa não está totalmente clara, mas sabe-se que há fatores genéticos e ambientais envolvidos.

Segundo Leite, dinâmicas familiares em que a família tem dificuldade de colocar certos limites às crianças somadas à predisposição genética favorecem o quadro.

É importante ressaltar que deve-se estar atento à adesão ao tratamento, ou seja, seguir as orientações e manter tanto a terapia medicamentosa quanto a psicoterapia.

Ele consiste em medicação —como ritalina— aliada à psicoterapia, que é fundamental, segundo Leite. Em alguns casos também pode ser indicada terapia familiar. “Se você não cuida do sistema inteiro, não está fazendo um bom trabalho. Se você não pensa em estratégias além da medicação, está oferecendo um tratamento de qualidade questionável.”

Segundo o psiquiatra, é comum haver baixa adesão ao tratamento e, por isso, dificuldades por toda a vida.

Para ler na íntegra, acesse https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2019/09/como-tratar-o-transtorno-do-deficit-de-atencao-e-hiperatividade.shtml

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça:

TDAH E MEDICALIZAÇÃO
Implicações neurolinguísticas e educacionais do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade
Autoras: Rita SignorAna Paula Santana
PLEXUS EDITORA

Esta obra representa uma significativa contribuição a um debate que tem mobilizado pais, educadores, estudantes e profissionais de saúde: o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e a medicalização da educação. Medicalizar significa transformar aspectos de ordem social, pedagógica, cultural e afetiva em doença (transtorno, distúrbio). Partindo dessa realidade inquietante, Rita Signor e Ana Paula Santana mostram os problemas de deixar de lado o contexto social e a história de cada criança ao avaliá-la, apontando o papel da formação dos profissionais (de educação e saúde) na produção do chamado TDAH. Seguindo esse entendimento, as autoras questionam a qualidade do ensino no Brasil, o excesso de diagnósticos voltados ao campo educacional, os testes padronizados da área da saúde, o crescente consumo de medicamentos e as políticas públicas, entre outros fatores que legitimam o fenômeno da medicalização. Amparadas na perspectiva sócio-histórica, refletem sobre essas e outras questões neste livro corajoso e pioneiro, que conta também com dois estudos de caso que comprovam que a afetividade do educador e o trabalho interdisciplinar na escola podem mudar o futuro de muitos adolescentes e crianças.

HIPERATIVIDADE
Como ajudar seu filho
Autora:  Maggie Jones
PLEXUS EDITORA

Livro precioso para pais de crianças que sofrem desse aflitivo distúrbio. A autora fornece informação essencial sobre tratamentos convencionais, tratamentos alternativos, alimentação e dietas adequadas, cuidados específicos para as diversas idades. Mostra os passos práticos que os pais podem dar para compreender, apoiar e cuidar da criança, possibilitando à família inteira progredir de forma positiva.

‘PASSO A PASSO PARA SUPERAR A TIMIDEZ’

Artigo publicado no portal A Mente É Maravilhosa,
em 28/08/2019.

A timidez é, em muitas ocasiões, aquela barreira que nos separa dos nossos objetivos e nos impede de apreciar os momentos da vida. Um obstáculo que temos que aprender a enfrentar para podermos nos mostrar da forma como somos.

Superar a timidez é um desafio para muitas pessoas. Não se trata de uma doença ou um distúrbio, mas de uma condição emocional na qual a vergonha prevalece a nível emocional e a dissimulação a nível comportamental.

O tímido não rejeita os outros nem evita o contato em sentido estrito. Muitas vezes até mesmo gosta da companhia dos outros. Também não teme os outros em termos globais. O que ele teme é ser exposto aos outros, ser objeto de atenção dos outros.

Para superar a timidez, é importante que tenhamos certeza do que é esta característica. Especificamente, não devemos confundi-la com a introversão. O introvertido pode ser tímido ou não, já que as duas características nem sempre coincidem.

Vamos ver tudo isso em mais detalhes a seguir.

O que é a timidez?

Existem, basicamente, três abordagens para entender a timidez. A primeira é a organicista. De acordo com ela, esse traço provavelmente tem uma origem genética. Tem a ver com certas anormalidades nas glândulas de secreção, particularmente nas glândulas pituitária e adrenal.

A abordagem comportamental, por sua vez, indica que a timidez é um comportamento aprendido. Geralmente tem sua origem na infância; às vezes pelos modelos parentais, às vezes porque a criança não é suficientemente reconhecida e valorizada pelos adultos ao seu redor.

Além disso, também pode surgir diante de alguma forma de abuso.

A psicanálise, por outro lado, aponta que a timidez é uma manifestação de um conflito do indivíduo consigo mesmo ou com uma parte de si mesmo. Isso está associado à repressão inconsciente de um ou vários instintos.

O tímido, quando exposto, sente que incorreu em uma ação incorreta ou imprópria. Sente que foi descoberto e não pode se defender. Também pode sentir que foi marcado pelo julgamento e a desaprovação dos outros.

Os primeiros passos para superar a timidez

Pelo menos 50% das pessoas se definem como tímidas em um ou mais aspectos. Então, este é um problema bastante comum.

Superar a timidez só se torna um objetivo importante se você achar que essa característica o limita significativamente. Especialmente se você acha que ela lhe causa sofrimento.

Nesses casos, vale a pena se dedicar para superar a timidez. Não é tão difícil. Os primeiros passos a dar são os seguintes:

Identifique seu tipo de timidez. Basicamente, existe uma timidez global e uma outra ocasional. A primeira está constantemente presente. A segunda aparece apenas diante de certas pessoas ou circunstâncias. Por isso, a primeira coisa a fazer é identificar a que tipo você corresponde.

Identifique os gatilhos. Tente se lembrar dos momentos em que você se sentiu mais envergonhado. O que essas situações têm em comum? Quais são os fatores que mais influenciaram para que você se sentisse tão envergonhado? Quais presenças tiveram um efeito especial em você?

Um passo a passo prático

Se você sente que as limitações provocadas pela timidez são relevantes na sua vida, a psicoterapia pode ajudá-lo. Atualmente, existem conhecimentos e meios para superar essas limitações.

Por outro lado, se a timidez não o condiciona tanto, você pode tentar seguir em frente usando alguma das estratégias que apresentaremos a seguir. Siga estas etapas:

Aceite que você é tímido. Você não está cometendo um crime, você simplesmente tem um traço de personalidade que, inclusive, muitos acham atraente. Sim, você é tímido e ponto.

Defina 10 situações de “risco”. Faça uma lista das dez situações sociais mais temidas. Não importa o quão improváveis ou absurdas elas possam parecer. Tente ser muito realista e específico. Por exemplo: “Contar uma piada e ninguém rir”.

Organize os dados. Classifique sua lista da situação mais simples à mais complexa. Por simples entendemos aquela que não lhe causa tanto medo. Por complexa, a que mais o incomoda, paralisa ou incapacita.

Domine o inventário. Depois de definir essas situações estressantes, comece a trabalhar uma por uma. Tente se expor a circunstâncias que o levem a enfrentar cada medo.

Ative seu detector. Quando você começar a se sentir envergonhado, pare por um minuto. Tome nota de seus pensamentos e emoções. Não faça nada antes de entender o que está acontecendo com você.

Anime-se. Mantenha uma postura corporal que o encoraje a continuar e valorize cada progresso que fizer. Evite comparações e destaque as características que melhor o definem de forma positiva. Pense em tudo que você contribui para os outros.

A timidez, por si só, não é um problema. O problema surge quando ela provoca emoções desagradáveis em nós, ​​ou nos afasta dos objetivos que desejamos alcançar.

Para ler na íntegra, acesse: https://amenteemaravilhosa.com.br/superar-a-timidez/

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Quer saber mais sobre timidez? Conheça:

MORRENDO DE VERGONHA
Um guia para tímidos e ansiosos
Autores: Teresa Flynn, Cheryl N. Carmin, C. Alec Pollard, Barbara G. Markway
SUMMUS EDITORIAL

Pessoas que sofrem de fobia ou ansiedade em situações sociais não conseguem comer diante de outras pessoas, não utilizam banheiro público, fracassam em tentar expressar opiniões, apavoram-se diante de testes ou exames etc. Neste livro um grupo de psicólogos estuda o problema e apresenta um programa para vencê-lo. Analisando situações específicas, oferecem meios de auto-avaliação e recursos para dominar as fobias sociais.

TIMIDEZ
Esclarecendo suas dúvidas
Autores: Lynne Crawford, Linda Taylor
EDITORA ÁGORA

A timidez excessiva interfere na vida profissional, social e emocional das pessoas. Este livro mostra como identificar o problema e como quebrar os padrões de comportamento autodestrutivos da timidez. Apresenta conselhos e técnicas simples e poderosas para enfrentar as mais diversas situações.

‘OPÇÃO PELO TIPO DE ALFABETIZAÇÃO VAI ALÉM DA TEORIA’

Educadores e governo divergem sobre qual método deve ser utilizado no país

Reportagem de Ana Luiza Tieghi, publicada originalmente na
Folha de S. Paulo, em 07/09/2019.

Educadores brasileiros travam uma batalha há décadas para definir qual é o melhor método de alfabetização e se é preciso adotar um sistema único no país.

A discussão ganhou novo gás neste ano com o governo Bolsonaro. O ministro da educação, Abraham Weintraub, e seu secretário de alfabetização, Carlos Francisco de Paula Nadalim, creditaram os maus resultados brasileiros em indicadores às ideias de Paulo Freire (1921-1997), educador que desenvolveu um método de alfabetização para adultos baseado na vivência do aluno.

Segundo a mais recente Avaliação Nacional da Alfabetização, 54,7% dos estudantes no terceiro ano do ensino fundamental têm desempenho insuficiente em leitura —não conseguem identificar a finalidade de um texto e localizar uma informação explícita.

Em entrevista à Folha, em novembro de 2018, o escritor Olavo de Carvalho, conselheiro do atual governo e professor de Nadalim, afirmou que o “método sócio-construtivista só forma analfabetos”. Segundo ele, era necessário voltar ao sistema fônico, o “beabá, como era nos anos 1960, 1970”.

A metodologia mais comum nas escolas públicas do país é uma mistura de construtivismo com sistemas tradicionais, entre eles o uso de silabários, segundo Claudemir Belintane, professor da Faculdade de Educação da USP.

Em 15 de agosto, o MEC lançou sua nova Política Nacional de Alfabetização. Embora o ministério afirme que “não obriga a escolha prioritária de nenhum método”, educadores ouvidos pela reportagem apontam que há no documento uma preferência pelo modelo fônico.

A didática é aplicada por Nadalim em sua escola privada em Londrina (PR) e faz parte da mesma família do sistema adotado por cartilhas como a “Caminho Suave”, com as quais boa parte dos adultos de hoje foram alfabetizados.

Essas metodologias não são mais usadas em larga escala no Brasil por serem consideradas ultrapassadas pelos educadores. São didáticas que se baseiam na memorização das letras e sílabas. A criança aprende primeiro o que é a letra “b” e a letra “e”, depois que pode juntá-las na sílaba “be” e então formar a palavra “bebê”.

Para Belintane, esse sistema não é indicado porque trata os alunos de forma homogênea, sem respeitar o conhecimento que cada um já carrega.

Para Telma Weisz, coordenadora da pós-graduação em alfabetização do Instituto Vera Cruz, não é com uma nova forma de alfabetizar que o país vai melhorar seus indicadores. “Quem faz a escola é o professor. Os governos que querem que a escola vá bem investem nele.”

O método fônico é bem diferente da teoria construtivista, que se popularizou no país depois dos anos 1980.

Essa linha de pensamento consiste em assumir que a criança cria hipóteses sobre como se escreve antes de começar a alfabetização formal. As escolas usam essas suposições para ensinar. Por exemplo, é comum que a criança associe cada sílaba de uma palavra a uma letra. O professor atua a partir dessa ideia da criança.

A escola Anglo 21, no Alto da Boa Vista (zona sul de São Paulo), é uma das que apostam na teoria construtivista. “Não ensinamos letras e sílabas”, afirma Cíntia Simão, coordenadora de educação infantil do colégio.

Ela explica que há fases em que a criança pode escrever “caza” em vez de “casa”, e não há problema nisso, porque é algo provisório. Exercícios de ortografia são utilizados apenas quando ela já sabe ler e escrever com independência.

“Esperamos formar leitores e escritores melhores, que não conheçam só ortografia, mas que saibam redigir bons textos”, afirma Simão.

A mesma linha é adotada pela Escola Viva, na Vila Olímpia (zona sul da capital).

Daniela Munerato, coordenadora de educação infantil, acredita que esse tipo de trabalho forma alunos para lidar com diferentes tipos de texto, mas exige mais preparo do professor. “É mais fácil ter uma cartilha e mandar todo mundo abrir na mesma lição.”

No colégio Santa Maria, no Jardim Taquaral (zona sul), os professores usam uma mistura de métodos.

Para Sueli Gomes, orientadora pedagógica da escola, a teoria construtivista não funciona com todos.

“Nem toda criança vai aprender sozinha. Se você pede para ela escrever do jeito que ela pensa que é, muitas ficam desamparadas”, afirma.

A escola usa inclusive o sistema fônico, dependendo da necessidade da criança. “É um dos passos da alfabetização, mas o processo vai além disso.”

Com ensino bilíngue, a escola Brasil-Canadá, em Perdizes (zona oeste de São Paulo), aplica um método semelhante ao fônico para alfabetizar em inglês, mas prefere a linha sócio-interacionista para ensinar em português, explica Bruna Elias, diretora pedagógica da instituição.

Essa linha parte de textos para ensinar os sons e as formas das letras e sílabas, mas isso é feito em rodas de conversa e trabalhos em grupo.

Independentemente da metodologia adotada pela escola, os pais podem ajudar na alfabetização apresentando a leitura e a escrita para os filhos.

Na hora de escolher o colégio, Gomes diz que é bom os pais saberem que existem diferentes formas de alfabetizar, mas que “é mais importante descobrir se os professores estão interessados em ensinar o aluno da maneira que ele pode aprender”.

Como atualmente se usam metodologias diferentes daquelas que os pais vivenciaram quando crianças, pode causar estranhamento ver o filho escrevendo com letras trocadas. Ainda assim, não é indicado tentar ensinar a criança por conta própria.

“A primeira coisa que os pais devem fazer é legitimar a escola que eles escolheram”, diz Cíntia Simão, coordenadora de educação infantil do colégio Anglo 21. “Se nós damos espaços para as hipóteses da criança sobre a escrita, os pais têm que suportar isso.”

É melhor prestar atenção se a criança se mostra descontente por estar com o desenvolvimento atrasado em relação aos colegas, o que, segundo Gomes, poderia indicar uma falha na alfabetização.

Para ler na íntegra, acesse (assinantes Folha de S.Paulo e UOL): https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/09/opcao-pelo-tipo-de-alfabetizacao-vai-alem-da-teoria.shtml

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Tem interesse pelo assunto? Conheça alguns livros da Summus que falam sobre o tema:

ALFABETIZAçãO E LETRAMENTO: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Silvia M. Gasparian ColelloSérgio Antônio da Silva Leite

Neste livro, dois especialistas da Unicamp e da USP ampliam a compreensão do ensino da língua escrita. É possível alfabetizar sem retornar à cultura cartilhesca? Qual o papel da afetividade na alfabetização? Como sistematizar o trabalho pedagógico em sala de aula? Que paradigmas devem ser revistos no caso da aprendizagem escrita? Essas e outras perguntas são respondidas e debatidas nesta obra fundamental ao professor.

A ESCOLA QUE (NãO) ENSINA A ESCREVER
Autora: Silvia M. Gasparian Colello


A fim de repensar as concepções acerca da língua, do ensino, da aprendizagem e das práticas pedagógicas, este livro levanta diversos questionamentos sobre a alfabetização como é praticada hoje nas escolas. Depois de analisar diversas falhas didáticas e tendências pedagógicas viciadas, a autora oferece alternativas que subsidiem a construção de uma escola que efetivamente ensine a escrever.

A ESCOLA E A PRODUÇÃO TEXTUAL
Práticas interativas e tecnológicas
Autora: Silvia M. Gasparian Colello

Como as crianças entendem o papel da escola? Como o vínculo que estabelecem com ela afeta a aprendizagem? Por que os alunos têm tanta dificuldade de se alfabetizar? Como compreender o ensino da escrita no mundo tecnológico? Em um momento de tantas inovações, de que forma lidar com os desafios do ensino e renovar as práticas pedagógicas?
Na busca de um projeto educativo compatível com as demandas de nosso tempo e o perfil de nossos alunos, Silvia Colello discute aqui como as condições de trabalho na escola podem interferir na produção textual, favorecendo a aprendizagem da língua. Para tanto, lança mão da escrita como resolução de problemas em práticas tecnológicas e interativas. Conhecer as muitas variáveis desse processo é, indiscutivelmente, um importante aval para a construção de uma escola renovada. Afinal, é possível transformar a leitura e a escrita em uma aventura intelectual?

‘SETEMBRO AMARELO: AÇÕES CHAMAM A ATENÇÃO PARA O TRATAMENTO DA DEPRESSÃO’

Matéria de Flávia Albuquerque, da Agência Brasil, Publicada no UOL VivaBem em 02/09/2019.

Todas as manhãs o girassol parte em busca do sol, seguindo a luminosidade insistentemente, porque precisa dela para crescer e florescer. Mesmo quando o sol está escondido entre as nuvens, a flor gira persistente, apesar da dificuldade, em direção à luz. Em alusão a esse comportamento da natureza, o girassol foi escolhido como símbolo da campanha “Na Direção da Vida – Depressão sem Tabu”, iniciativa do movimento mundial Setembro Amarelo, que tem o objetivo de abrir o diálogo e alertar a sociedade sobre o tema.

A campanha conduzida pela Upjohn, uma das divisões de um laboratório farmacêutico focada em doenças crônicas não transmissíveis, em parceria com a Abrata (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos) e participação do CVV (Centro de Valorização à Vida), trará ações digitais e de rua para combater os estigmas da depressão. O trabalho tem ainda o apoio de músicos, esportistas e influenciadores digitais que já passaram ou passam pelo problema, dividindo suas experiências.

Os usuários de redes sociais serão convidados a postar o ícone do girassol para mostrar que estão dispostos a falar sobre o assunto #depressaosemtabu. Eles também poderão conhecer o site do projeto, que traz informações sobre o tema e orientações sobre a identificação de comportamentos de risco em pessoas próximas.

“Queremos levar informação às pessoas. Quem visitar o local será convidado a deixar uma mensagem de coragem e apoio aos pacientes. Ao final, essas flores serão recolhidas e doadas para uma organização não governamental, que as transformará em buquês para serem distribuídos a pessoas que estão em tratamento”, explicou a neurologista da Upjohn, Elizabeth Bilevicius.

Depressão e suicídio

Segundo Bilevicius, para tratar a depressão e evitar o suicídio, o primeiro passo é ver a doença como um problema que precisa ser tratado. “Precisamos criar uma atmosfera de confiança para o paciente se sentir à vontade para dizer que tem a doença e legitimar o que ele sente. Essa é uma forma de encorajar a busca por ajuda adequada, criando um ambiente social mais empático e melhor informado para ajudar essa pessoa”, disse.

De acordo com as informações da Upjohn, mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e transtornos do humor. A depressão é o diagnóstico mais frequente, aparecendo em 36% das vítimas. O aumento dos casos entre os mais novos e com prevalência entre os homens faz da depressão a quarta maior causa de suicídio entre jovens no país. Outras doenças que podem ser tratadas, como o alcoolismo, a esquizofrenia e transtornos de personalidade, também afetam esses pacientes e por isso afirma-se que o suicídio pode ser evitado na maioria das vezes.

De acordo com as informações da Upjohn, mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e transtornos do humor. A depressão é o diagnóstico mais frequente, aparecendo em 36% das vítimas. O aumento dos casos entre os mais novos e com prevalência entre os homens faz da depressão a quarta maior causa de suicídio entre jovens no país. Outras doenças que podem ser tratadas, como o alcoolismo, a esquizofrenia e transtornos de personalidade, também afetam esses pacientes e por isso afirma-se que o suicídio pode ser evitado na maioria das vezes.

Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que o Brasil é o país com maior percentual de depressão na América Latina, chegando a 5,8% da população, o que corresponde a 12 milhões de brasileiros. A taxa é maior do que o valor global, que é de 4,4%. Igualmente maior do que em outros países, a taxa de suicídio entre adolescentes de 10 a 19 anos aumentou 24% de 2006 a 2015. A cada 46 minutos alguém tira a própria vida no Brasil.

O psiquiatra Teng Chei Tung, coordenador dos Serviços de Pronto-Socorro e Interconsultas do IPq (Instituto de Psiquiatria) do HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e vice-coordenador da Comissão de Emergência Psiquiátrica da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), explicou que a alta incidência entre os jovens está ligada à grande expectativa externa e interna de que eles se comportem como adultos, mesmo sem ter ainda as habilidades de um adulto, e à pressão de que o adolescente seja pleno, potente, competente e reconhecido.

“Então ele faz as coisas, erra e se frustra. Nessas frustrações os jovens podem entrar na depressão. Os preconceitos são os mesmos e são agravados pela desinformação. Para o jovem existe a influência do pensamento de que a saúde mental é só uma questão social, existencial e psicológica”, afirmou.

Teng disse que sentir tristeza é normal e que a frustração sempre traz alguma tristeza passageira, mas é preciso que as pessoas próximas fiquem atentas para perceber quando esse estado já se tornou uma depressão. Segundo ele, a tristeza é algo que gera introspecção, provoca reflexão e crescimento, mas o deprimido fica introspectivo por vários dias e semanas.

“Um dos parâmetros é quando há sofrimento excessivo e quando começa a causar real prejuízo. Afeta as relações interpessoais, produtividade no trabalho, ou sofrimento individual, ou seja, a pessoa está sofrendo mais do que que precisaria naquela situação. Não é que não pode ter tristeza e emoção, mas isso não pode prejudicar a pessoa a ponto de afetá-la fisicamente”, destacou.

Para Teng, a melhor forma de falar sobre a depressão é deixar claro que ela é uma doença que apresenta alterações biológicas e fisiológicas, envolvendo fatores genéticos e estruturais, o que significa que a pessoa nasce com a tendência de desenvolver o quadro depressivo. O tratamento inclui, principalmente, melhorar o estilo de vida. “Quem tem depressão precisa se equilibrar e cuidar da saúde, para não ter de novo a doença”, disse o médico.

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/09/02/setembro-amarelo-acoes-chamam-a-atencao-para-o-tratamento-da-depressao.htm

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