‘LUTO: PRESSÃO PARA BUSCAR A FELICIDADE ATRAPALHA A SUPERAÇÃO DE UMA MORTE’

Matéria de Simone Cunha e Veridiana Mercatelli, publicada no Universa,
do UOL, em 02/12/2018.

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“Após o enterro do meu pai, senti uma dor inexplicável, chorei por semanas. Ele era tudo para mim”, conta Priscila Janaína Pereira, 40 anos, auxiliar administrativo, que perdeu o pai em decorrência de um câncer, há 11 anos. Ela conta que, durante esse período, teve muitos momentos de revolta, pois o pai era seu alicerce. Mas precisou amadurecer na marra: “Tive uma gestação de risco, meu filho nasceu com insuficiência respiratória, sopro e hipoglicemia. Tive hemorragia e depois depressão pós-parto. Há três anos, passei por um outro problema e fui percebendo que uma dor supera a outra. Não esqueci o meu pai, mas saí do luto”.

De acordo com a psicóloga Sarah Vieira Carneiro, que estuda o luto há mais de dez anos, a dificuldade em lidar com a perda está ligada à rejeição a situações adversas. A ideia de que é preciso buscar a felicidade o tempo todo, tão comum na cultura ocidental, contribui para isso. “O enlutado é aquele a quem devemos evitar, não só porque não sabemos o que dizer a ele, mas porque ele nos remete às nossas mais profundas fragilidades”, avalia a especialista. Segundo Sarah, vivemos em uma sociedade incapaz de digerir pequenas frustrações: “É por isso que ficamos pasmados diante da morte e do luto e realizamos todas as manobras para mantê-los à distância”.

Há várias formas de vivenciar

Apesar de ser doloroso, é importante lembrar que o luto não é um obstáculo a ser superado. Para Maria Helena Pereira Franco, coordenadora do Laboratório de Luto (LELu) da PUC-SP, essa é uma vivência muito importante. “O luto precisa ser vivido, é uma experiência dolorosa, mas que possibilita uma construção de identidade e de significados importante”, explica.

A intensidade do sofrimento que a situação provoca depende de vários fatores, como a qualidade da relação mantida com a pessoa que se foi. “Além da dor, da falta, pode haver outras questões que não ficaram bem resolvidas, como arrependimentos”, comenta.

Um ponto bastante relevante é a condição em que se deu a separação: se houve uma morte violenta ou súbita, por exemplo, a superação pode ser mais difícil.

Para Andréa Copcinksi, 46 anos, chef confeiteira, a morte repentina do pai, há 21 anos, foi um trauma terrível. “Se não fosse minha mãe, acho que estaríamos perdidos. Ela juntou nosso medo de viver sem meu pai e transformou em força”, conta. Na época, Andréa não pensou em buscar ajuda para superar a perda, mas acredita que o processo poderia ter sido menos doloroso se houvesse agido de forma diferente: “Creio que um profissional teria nos auxiliado a viver os anos seguintes com menos ansiedade. Mas descobri que a gente aprende a conviver com a saudade, com a ausência, mas guarda no coração esse monte de amor que não pode mais dar”.

É preciso cuidado para não adoecer

Um luto que ocasiona muito sofrimento ou se prolonga pode levar à depressão em pessoas com predisposição à doença. A literatura acerca do tema sugere que o luto pode durar até dois anos. Porém, Sarah defende que, em um mundo com experiências tão diversas, pode ser um desrespeito ao enlutado impor-lhe um prazo para voltar a sorrir: “Não podemos acreditar que pessoas reajam às perdas de modo universal. Cada perda é única, com características e tempo próprios”.

De qualquer forma, quando o luto se torna um peso, impedindo que aquele que fica retome a própria vida, é essencial buscar ajuda. “Em princípio, a pessoa deveria ser avaliada por quem entende de luto. Algumas manifestações do luto são semelhantes às da depressão e o diagnóstico pode ser equivocado. Nem sempre o luto precisa ser medicado. Precisa ser entendido, avaliado, para se pensar a melhor conduta”, alerta a especialista da PUC.

Sandra Paton, 48, secretária executiva, perdeu o marido subitamente, com um infarto fulminante, há dois anos. “Tudo ficou escuro, perdeu o brilho e o sabor. Fiquei alguns dias em estado de choque. Muitos amigos por perto, mas não via nem ouvia direito”, fala. Reviver o assunto ainda causa muita dor, mas, para enfrentar a perda, ela decidiu buscar ajuda em um grupo religioso: “Encontrei a paz e o entendimento da morte. Percebi que estava superando o luto quando consegui contar a minha história sem chorar”.

Segundo a psicóloga, cercar-se de pessoas que entendem seu sentimento e respeitem o seu tempo e as suas reações é essencial. Poder falar é importante para transgredir a perda: “Quando a morte vem, desestabiliza tudo: não sabemos mais em quem acreditar, questionamos nossas relações, nossa fé, nossas crenças”. Ela diz que, nesse processo de ver tudo de ponta cabeça, podemos descobrir coisas únicas sobre o mundo, sobre as pessoas e sobre nós mesmos. “O crescimento não é uma regra, mas existe uma certa sabedoria no luto, aquele conhecimento que só tem quem colocou tudo em xeque, passou tudo a limpo e pode escolher ser diferente”, avalia Sarah.

Processo de aceitação também é singular

Falar sobre o luto com um pouco mais de naturalidade pode auxiliar no processo de aceitação. “Há coisas que não podemos controlar, estão fora da nossa linha de ação: a morte é a maior delas”, diz Sarah. Por isso, a ausência de sofrimento não significa falta de sentimento pela perda. “Perdi meu irmão em um assalto, com um tiro na cabeça. Não chorei, fiquei meio em choque. Sou de Manaus, mas estou em São Paulo há 15 anos e sempre imaginei que teria de fazer uma viagem para enterrar alguém, porém, jamais imaginei que pudesse ser meu irmão”, fala Adriana Chaves, 40 anos, editora de livros.

Ao retornar, ela mergulhou no trabalho. Como não convivia com o irmão há algum tempo, a ficha demorou a cair. Em São Paulo, a vida continuava na mesma rotina. “Certo dia, ouvi uma música que me lembrava muito ele, e me atentei que já fazia um ano que meu irmão havia partido. Fui para o banheiro e chorei sem parar. No dia seguinte, fiquei bem e acredito que foi o fim do meu luto”.

Maurício Serafim explica que o luto só termina, de fato, quando se aceita a perda. “No momento em que você volta a se amar, a cuidar de si, volta a viver”, garante. O cuidado com as outras pessoas que ficaram também é um sinal de superação. Mãe de gêmeas, a jornalista Marley Galvão, 47 anos, perdeu uma das filhas em 2011. “A Letícia apresentou uma grave infecção e não resistiu. A Isabela perdeu 80% do encéfalo e, hoje, faço de tudo para mantê-la bem. Creio que nunca me dei o direito ao luto pelo fato de a minha outra filha ter ficado com muitas sequelas. Tenho que seguir em frente, pois não consigo pensar em perdê-la também”, afirma.

Para ler na íntegra, acesse: https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2018/12/02/luto-e-processo-doloroso-mas-tambem-transformador.htm

 

Conheça os livros publicados pela Summus que têm a psicóloga Maria Helena Pereira Franco, uma das fontes da matéria, entre os autores:

 

FORMAÇÃO E ROMPIMENTO DE VÍNCULOS
O dilema das perdas na atualidade
Organizadora: Maria Helena Pereira Franco
Autores: Maria Cristina Lopes de Almeida AmazonasAirle Miranda de SouzaDanielle do Socorro Castro MouraDurval Luiz de FariaElizabeth QueirozGabriela GolinGeórgia Sibele Nogueira da SilvaJanari da Silva PedrosoJosé Ricardo de Carvalho Mesquita AyresMaíra R. de Oliveira NegromonteVera Regina R. RamiresMaria Helena Pereira FrancoMaria Julia KovácsMaria Lucia C. de Mello e SilvaMaria Thereza de Alencar LimaRoberta Albuquerque FerreiraRosane Mantilla de SouzaSilvia Pereira da Cruz BenettiSoraia SchwanTereza Cristina C. Ferreira de Araújo

Este livro reúne grandes especialistas em formação e rompimento de vínculos. Entre os temas abordados estão os dilemas dos estudantes de medicina diante da morte, a questão das perdas em instituições de saúde, o atendimento ao enlutado, a morte no contexto escolar, as consequências psicológicas do abrigamento precoce, as possibilidades de intervenção com crianças deprimidas pela perda e a preservação dos vínculos na separação conjugal.

A INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA EM EMERGÊNCIAS
Fundamentos para a prática
Organizadora: Maria Helena Pereira Franco
Autores: Cristina Foloni Delduque da CostaKarina Kunieda PolidoJulia Schmidt MasoJosé Paulo da FonsecaIsabela Garcia Rosa HispagnolIara Boccato AlvesGabriela CasellatoEster Passos AffiniEleonora JaburLilian Godau dos Anjos Pereira BiasotoCristiane Corsini PrizanteliClaudia Gregio CukiermanCibele Martins de Oliveira MarrasAriana OliveiraAna Lucia ToledoAdriana Silveira CogoAdriana Vilela Leite CésarViviane Cristina TorlaiLuciana MazorraLuiz Antonio ManzochiMarcelo M. S. GianiniMaria Angélica Ferreira DiasMaria Helena Pereira FrancoMaria Inês Fernandez RodriguezMariangela de AlmeidaPriscila Diodato TorolhoRachel Roso RighiniReginandréa Gomes VicenteRégis Siqueira RamosSamara KlugSandra Regina Borges dos SantosSandra Rodrigues de OliveiraSuzana Padovan

Este livro reúne experiências e reflexões sobre um campo de atuação novo no Brasil: o atendimento psicológico a pessoas em situações de emergência e desastre. Diversos especialistas abordam a importância de cuidar dessas pessoas e os procedimentos e técnicas mais indicados em cada caso. A saúde mental do psicólogo e os efeitos do transtorno de estresse pós-traumático também são analisados.

O RESGATE DA EMPATIA
Suporte psicológico ao luto não reconhecido
Organizadora: Gabriela Casellato
Autores: Valéria TinocoSandra Rodrigues de OliveiraRosane Mantilla de SouzaRegina Szylit BoussoPlínio de Almeida Maciel JrMaria Helena Pereira FrancoGabriela CasellatoDéria de OliveiraDaniela Reis e SilvaCristiane Ferraz PradeAna Cristina Costa Figueiredo

O tema do luto não sancionado é pouco abordado na literatura clínica. Neste volume, profissionais da área de saúde preenchem essa lacuna tratando de temas como aborto espontâneo, infidelidade conjugal, aposentadoria, morte de animais de estimação, perda de familiares por suicídio e o luto de cuidadores profissionais. Estratégias para lidar com a perda e os transtornos psiquiátricos decorrentes dela também fazem parte da obra.


VIDA, MORTE E LUTO
Atualidades brasileiras
Organizadora: Karina Okajima Fukumitsu
Autores: Leo PessiniAna Catarina Tavares LoureiroAvimar Ferreira JuniorDaniel Neves ForteDaniela AchetteElaine Gomes dos Reis AlvesElaine Marques HojaijElvira Maria Ventura FilipeEmi ShimmaFernanda Cristina MarquettiGabriela CasellatoGilberto SafraGláucia Rezende TavaresKarina Okajima FukumitsuTeresa Vera GouveaMarcello Ferretti FanelliMarcos Emanoel PereiraMaria Carlota de Rezende CoelhoMaria Helena Pereira FrancoMaria Julia KovácsMaria Luiza Faria Nassar de OliveiraMayra Luciana GaglianiMonja Coen Roshi Monja Heishin Nely Aparecida Guernelli NucciPatrícia Carvalho MoreiraPedro Morales Tolentino LeiteProtásio Lemos da Luz

Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.

‘EXISTE UM ‘PRAZO DE VALIDADE’ PARA O LUTO? ATÉ QUANDO ELE É NORMAL?’

Matéria de Gabriela Ingrid, publicada no Do UOL VivaBem, em 27/11/2018.

“Já se passaram oito anos da morte de um dos meus filhos. Sentir muito ainda e não poder falar no assunto sem chorar é normal?”

O luto é um processo que ocorre em todos os seres humanos quando há uma perda. Sofremos microlutos todos os dias, com expectativas, desejos que não se realizam, ideias que não dão certo. Mas existem os lutos maiores, como uma morte, a perda de emprego, de oportunidades. Em casos menores, nós vamos lidando com isso, superando e a vida continua. Quando se trata de perdas mais graves, como a morte de um filho, uma migração forçada ou até uma amputação, a sensação é mais intensa e demorada.

Um período de três meses a um ano é a media de duração do luto, mas pode chegar a até dois anos. Se a tristeza não diminui e o indivíduo não consegue retomar a vida, fica o tempo todo se sentindo culpado e infeliz, o problema se torna um luto patológico. Nesse caso, a depressão pode entrar em jogo e a busca por ajuda profissional, como tratamento psiquiátrico ou psicoterapêutico, pode ajudar.

É importante ressaltar que uma pessoa que sofre uma perda tão grande, como a de um filho, nunca vai esquecer essa situação. Ela vai se lembrar, principalmente em datas especiais, como aniversários. Mas isso tem que ser natural, sem tanta dor. Ela tem que trabalhar o luto até conseguir aceitar a realidade. E não pense que seguir em frente é algo controlável. É um processo inconsciente e pessoal que implica na necessidade de se adaptar ao mundo sem essa pessoa. Costuma-se dizer que a perda é para sempre e, neste sentido, sempre seremos afetados por ela. Mas o luto não é para sempre, ou seja, sempre é possível se organizar após uma perda.

Fontes: Valéria Ulbricht Tinoco, mestre e doutora pelo Programa de Psicologia Clínica da PUC-SP, cofundadora, professora e supervisora do instituto de psicologia Quatro Estações, especializado no atendimento a pessoas enlutadas; Roosevelt Cassorla, médico psiquiatra e psicanalista, analista didata da SBPSP (Sociedade Brasileira Psicanálise de São Paulo) e professor titular da Unicamp.

Para acessar na íntegra: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/11/27/existe-um-prazo-de-validade-para-o-luto-ate-quando-ele-e-normal.htm

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Valéria Ulbricht Tinoco é uma das coautoras no livro Resgate da empatia, da Summus. Conheça-o:

O RESGATE DA EMPATIA
Suporte psicológico ao luto não reconhecido
Organizadora: Gabriela Casellato
Autores: Valéria TinocoSandra Rodrigues de OliveiraRosane Mantilla de SouzaRegina Szylit BoussoPlínio de Almeida Maciel JrMaria Helena Pereira FrancoGabriela CasellatoDéria de OliveiraDaniela Reis e SilvaCristiane Ferraz PradeAna Cristina Costa Figueiredo
SUMMUS EDITORIAL

O tema do luto não sancionado é pouco abordado na literatura clínica. Neste volume, profissionais da área de saúde preenchem essa lacuna tratando de temas como aborto espontâneo, infidelidade conjugal, aposentadoria, morte de animais de estimação, perda de familiares por suicídio e o luto de cuidadores profissionais. Estratégias para lidar com a perda e os transtornos psiquiátricos decorrentes dela também fazem parte da obra.

 

‘PALMADA EDUCA? ESTUDO APONTA CONSEQUÊNCIAS PARA A VIDA ADULTA’

Artigo publicado no iG Delas, em 07/11/2018

Comportamentos violentos na educação tem consequências negativas para a formação de crianças e adolescentes, gerando adultos agressivos. Entenda

Apesar de algumas pessoas defenderem que adultos façam uso da palmada e de outros comportamentos agressivos para  impor limites e educar as crianças, quem estuda o assunto a fundo sabe que esse não é o melhor caminho para uma educação saudável.

O assunto voltou à tona na segunda-feira (5), quando a Academia Americana de Pediatria (AAP) apresentou uma nova política chamada de “Effective Discipline to Raise Healthy Children” (“Disciplina Eficaz para Criação de Crianças Saudáveis”), na qual expõe estratégias para educar as crianças sem o uso de palmada ou outras formas de violência física.

A ideia é que o documento seja uma referência para pediatras, pais e educadores, sendo um guia para uma forma de  educar saudável e que leve em conta as necessidades físicas e emocionais da criança, respeitando o tempo dela e garantindo seu desenvolvimento pleno.

A organização, que é uma das maiores autoridades de pediatria do mundo, comprova com base em estudos que o uso de violência na educação é algo extremamente ineficaz e que tem sérias consequências para o desenvolvimento cerebral, prejudicando a vida jovem e adulta.

As consequências da palmada

De acordo com um dos estudos apresentados na conferência da Academia Americana de Pediatria, as crianças que sofreram agressões mais de duas vezes por mês até os 3 anos de idade mostraram um comportamento mais agressivo aos 5 anos de idade. Aos 9 anos, estas mesmas crianças apresentaram comportamentos negativos.

Além desse estudo, outra pesquisa exposta no evento apontou de que maneira agressões às crianças interfere no desenvolvimento cerebral. De acordo com o material apresentado, bater, xingar e até mesmo gritar com as crianças pode fazer com que os hormônios do estresse aumentem, o que pode alterar a forma de cérebro. O abuso verbal também é relacionado com problemas mentais em pré-adolescentes e adolescentes.

Ou seja, a palmada e outros comportamentos agressivos devem estar cada vez mais distantes da realidade das famílias e da educação . “A boa notícia é que cada vez menos pais têm usado palmadas em relação ao passado. Podemos melhorar!”, diz Robert D. Sage, um dos autores da nova política da Academia Americana de Pediatria.

Para ler na íntegra, acesse https://delas.ig.com.br/filhos/2018-11-07/palmada-estudos.html

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Tem interesse pelo assunto? Conheça o livro da psicóloga Dora Lorch:

COMO EDUCAR SEM USAR A VIOLÊNCIA
Autora: Dora Lorch
SUMMUS EDITORIAL

Toda criança precisa compreender o mundo em que vive, e pais e educadores devem fornecer exemplos diários de boa conduta e agir de maneira coerente com o que dizem. Mas muitos optam pela violência e pela humilhação para “ensinar”. Agindo assim, criam seres humanos sem capacidade crítica e também violentos. Usando a psicologia para falar de birras, medos, mentiras, vergonha, inconsciente e brincadeiras, a autora constrói um singelo manual de boas maneiras – para os pais. Prefácio de Ruth Rocha.

“VIDA, MORTE E LUTO”, POR KARINA FUKUMITSU

Karina Okajima Fukumitsu fala sobre o livro Vida, morte e luto – Atualidades brasileiras, obra multidisciplinar organizada por ela e que conta com a autoria de diversos conceituados profissionais da saúde. Assista.

 

Para saber mais sobre o livro, acesse: https://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1497/Vida,+morte+e+luto

‘APÓS EXPERIÊNCIAS FAMILIARES, PSICÓLOGA VIRA ‘SUICIDOLOGISTA’ PARA PREVENIR CASOS’

…………………………………..Matéria de Marcella Franco, publicada na Folha de S. Paulo (versão online em 29/09/2018 e versão impressa em 30/09/2018)

Karina Fukumitsu, 47, atende familiares e alunos de escolas onde ocorreram suicídios

A primeira providência que Karina Fukumitsu, 47, toma antes de começar um atendimento é tirar os sapatos. Seja em consultas particulares ou em palestras, a psicóloga está sempre descalça e trajando roupas claras, como uma maneira, ela explica, de celebrar sua conexão com a vida. Fukumitsu é especialista em suicídios, e, atualmente, presta serviço a cinco colégios paulistanos com programas de prevenção e posvenção, em uma espécie de gestão de crise após a morte de um aluno.

Sua relação com o tema vai além da teoria. Quando criança, presenciou diversas tentativas de suicídio da mãe, a quem acudia com visitas desesperadas ao pronto-socorro. Nelas, chegou a ouvir médicos plantonistas sugerirem que a família colocasse mais afinco nas investidas, para que finalmente alguma resultasse exitosa.

Da constatação de que era preciso que a sociedade conversasse melhor sobre o tema, Fukumitsu tornou-se “suicidologista”. Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP), ela coordena o Programa R.A.I.S.E (Ressignificações e Acolhimento Integrativo do Sofrimento Existencial), no qual dedica-se a amparar parentes e amigos de pessoas que tiraram a própria vida. Ela conversou com a Folha em seu consultório, em São Paulo.

Por que as pessoas se interessam muito mais em esmiuçar detalhes de um suicídio do que, por exemplo, de um homicídio? De onde vem essa curiosidade?

Entre homicídio e suicídio há uma grande diferença. No homicídio, é o outro que agride e aniquila, enquanto no suicídio há o controle e a escolha da pessoa. Por isso temos algumas normas ditadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) que recomendam, por exemplo, não mostrar o método letal, não fazer a notificação de forma sensacionalista nem publicar fotos e notas de suicídio.

Quais são as consequências quando se desrespeita essas regras?

Você alimenta a elucubração. O suicídio já é uma morte que já vai causar uma necessidade intensa de explicações. E, quando a gente oferece apenas uma para um suicídio, a gente está se tornando reducionista, sendo que o suicídio precisa ser compreendido por um viés multifatorial. Apresentar explicações de causa e efeito é uma invasão à pessoa que se matou. Não se pode confundir o ato com uma história de vida. Se a gente não explica a nossa vida de uma maneira única, por que vai explicar a morte?

O suicídio tem culpados?

De jeito nenhum. Culpa é um arrependimento das ações que você não fez, uma utopia de que seria possível mudar o desfecho da situação. Se você soubesse que alguém ia se matar, você não faria tudo diferente? O suicídio é uma morte que causa muita culpa, e o que o sobrevivente enlutado menos precisa é ser acusado pela morte de alguém.

O que você recomenda quando um chega ao seu consultório, por exemplo, a mãe de uma pessoa que cometeu suicídio e que sente culpa?

A primeira coisa é que não adianta eu falar “não sinta culpa”, porque isso é não legitimar a dor e o sofrimento. A primeira conduta é legitimar essa dor, perguntando inclusive do que você se culpa. Digo que é como estar em uma montanha russa, na qual em alguns momentos você vai pensar direto nessa pessoa, e, em outros, você vai lembrar que ainda continua vivo apesar desse sofrimento.

Qual é o aspecto mais doloroso do suicídio?

O “nunca mais”.

Como funciona na prática o trabalho quando é chamada por uma escola?

Quem me contata geralmente é o diretor, contando que houve uma morte por suicídio. É preciso, então, alinhar com a família se vamos poder dizer que foi uma morte por suicídio. A primeira coisa é preservar a imagem da pessoa e dos familiares.

E caso a família diga não?

Daí tento que se permita ao menos contar para as pessoas da escola. O que não podemos é omitir nem mentir que a situação aconteceu. Publicamente, não falamos nem o nome nem o ano escolar do aluno, mas é importante falar com os colegas dessa pessoa porque a notícia já está correndo. Sugiro também que parem as acusações, porque isso é o que mais rola em conversas de WhatsApp. Alinho que, quando perguntarem como foi, não vamos falar nada além de “foi por suicídio”. As pessoas têm a morbidade de perguntar se a pessoa se enforcou, se tomou remédios, se se atirou, e isso é só alimentar sensacionalismo.

Seu trabalho tem uma duração específica ou depende de cada caso?

Depois de uma palestra inicial para os gestores e professores, falo com os pais dos outros alunos, e depois com os alunos. No meu trabalho, eu preciso ser prescindível. Sou aquela que ninguém quer ver de novo. A morte de alguém faz lembrar a nossa própria finitude, então ela vai provocar uma percepção de que você também é finito. E, toda vez que um suicídio assim acontece, nós, pais, começamos a pensar que pode acontecer com o nosso filho.

​A demanda pelo seu trabalho aumentou recentemente?

Sim, a partir do posicionamento de um colégio neste ano. Isso porque antes ninguém conhecia o trabalho de prevenção e posvenção, e porque entendemos a necessidade de se pensar sobre o suicídio.

A senhora fala que não há uma única razão para um suicídio, mas o uso de redes sociais, o cyberbullying e jogos como Baleia Azul, aplicativos como Momo e séries como “13 Reasons Why” podem influenciar os jovens? Como os pais podem lidar com isso?

Estes jogos que dão tarefas como a de cometer suicídio vêm sendo investigados há tempos. Qualquer um que apareça deve ser conversado na família. Devemos recomendar que nossos filhos não entrem nos aplicativos, porque sabemos que há dificuldade para sair. Se um pai descobre que um filho já instalou algo assim, deve sugerir estratégias em conjunto com o filho, e mencionar a gravidade dessa última tarefa do suicídio.

Como se faz prevenção em uma escola sem assustar os pais?

Juntamos os funcionários e os pais para a palestra, e apresento programas de enfrentamento de adversidades, acolhimento de sentimentos, valorização da vida. Na posvenção eu olho para a dor, e na prevenção eu acolho o que provoca a dor.

E qual a receptividade?

Muito grande, porque ela não acontece na dor, diferentemente da posvenção, quando estou lidando com pessoas assustadas e impactadas. Ali é caos, é lidar com a crise e minimizar o impacto do tsunami.

Qual o protocolo que a senhora sugere às escolas na posvenção?

Se o suicídio aconteceu no mesmo dia, recomendo luto de um dia. As atividades são suspensas naquele momento, e, no dia seguinte, acontece o luto. E recomendo que este um dia de luto aconteça não só em casos de suicídio, que isso seja mantido quando morrer algum outro aluno, por outra causa. Assim reforçamos que não há privilégio à pessoa que se mata, para que o jovem não pense que “vale mais a pena” morrer por suicídio. Depois, no segundo dia, não há conteúdo programático, mas, sim, uma conversa. Sugiro que os professores levem lenços de papel e deixem estrategicamente colocados na sala de aula.

O suicídio é a segunda causa de morte no mundo entre jovens de 15 a 29 anos de acordo com a OMS. O que estamos fazendo de errado?

O suicídio sempre aconteceu, mas, atualmente, estamos vivendo uma época em que precisamos prestar mais atenção aos nossos jovens, dar nosso tempo a eles. E não é qualquer tipo de tempo, é tempo de qualidade. Se possível, procure se aproximar de quem você ama, porque aí, sim, você consegue fazer alguma coisa.

SINAIS DE ALERTA GERAIS

  • Falar sobre querer morrer, não ter propósito, ser um peso para os outros ou estar se sentindo preso ou sob dor insuportável
  • Procurar formas de se matar
  • Usar mais álcool ou drogas
  • Agir de modo ansioso, agitado ou irresponsável
  • Dormir muito ou pouco
  • Se sentir isolado
  • Demonstrar raiva ou falar sobre vingança
  • Ter alterações de humor extremas

PARA DEPRESSÃO EM ADOLESCENTES

  • Mudanças marcantes na personalidade ou nos hábitos
  • Piora do desempenho na escola ou em outras atividades
  • Afastamento da família e de amigos
  • Perda de interesse em atividades de que gostava
  • Descuido com a aparência
  • Perda ou ganho inusitado de peso
  • Comentários autodepreciativos persistentes
  • Pessimismo em relação ao futuro, desesperança
  • Comentários sobre morte, sobre pessoas falecidas e interesse por essa temática
  • Doação de pertences que valorizava

ALGUNS MITOS SOBRE O SUICÍDIO

“Se eu perguntar sobre suicídio, poderei induzir uma pessoa a isso”

Questionar de modo sensato e franco fortalece o vínculo com a pessoa, que se sente acolhida e respeitada

“Ele está ameaçando o suicídio apenas para manipular os outros”

Muitas pessoas que se matam dão sinais verbais ou não verbais de sua intenção para amigos, familiares ou médicos. Não se pode deixar de considerar a existência desse risco

“Quem quer se matar se mata mesmo”

Essa ideia pode conduzir ao imobilismo. As pessoas que pensam em suicídio frequentemente estão ambivalentes entre viver ou morrer. Prevenção é impedir os casos que são evitáveis

“Uma vez suicida, sempre suicida”

A elevação do risco de suicídio costuma ser passageira e relacionada a algumas condições de vida. A ideação suicida não é permanente. Pessoas que já tentaram suicídio podem viver, e bem, uma longa vida

O QUE FAZER

  • Não deixe a pessoa sozinha
  • Tire de perto armas de fogo, álcool, drogas ou objetos cortantes
  • Leve a pessoa para uma assistência especializada
  • Ligue para canais de ajuda

188 ou 141
são os telefones do Centro de Valorização da Vida (CVV). Também é possível receber apoio emocional via internet (www.cvv.org.br), email, chat e Skype 24 horas por dia

90%
das pessoas que se suicidam possuíam transtornos mentais; elas poderiam ter sido tratadas

Para ler a matéria na íntegra, acesse:
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/10/apos-experiencias-familiares-psicologa-vira-suicidologista-para-prevenir-casos.shtml

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Karina O. Fukumtisu é organizadora e coautora do livro “Vida, morte e luto”, recém-lançado pela Summus. Conheça-o:

VIDA, MORTE E LUTO
Atualidades brasileiras
Organizadora: Karina Okajima Fukumitsu
Autores: Ana Catarina Tavares LoureiroAvimar Ferreira JuniorDaniel Neves ForteDaniela AchetteElaine Gomes dos Reis AlvesElaine Marques HojaijElvira Maria Ventura FilipeEmi ShimmaFernanda Cristina MarquettiGabriela CasellatoGilberto SafraGláucia Rezende TavaresLeo Pessini, Karina Okajima FukumitsuMarcello Ferretti FanelliMarcos Emanoel PereiraMaria Carlota de Rezende CoelhoMaria Helena Pereira FrancoMaria Julia KovácsMaria Luiza Faria Nassar de OliveiraMayra Luciana GaglianiMonja Coen Roshi Monja HeishinNely Aparecida Guernelli NucciPatrícia Carvalho MoreiraPedro Morales Tolentino LeiteProtásio Lemos da LuzTeresa Vera Gouvea
SUMMUS EDITORIAL

Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.

‘DICAS PARA MEDITAR’

O médico Roberto Cardoso, autor do livro Medicina e meditação, da MG Editores, traz em seu novo vídeo dicas para quem quer começar a meditar. Assista.

 

Visite o site do autor: https://www.robertocardoso.net

Conheça o livro:

MEDICINA E MEDITAÇÃO
Um médico ensina a meditar

Médico há mais de vinte anos e meditador há mais tempo ainda, o autor mostra com precisão várias técnicas de meditação e os seus benefícios para a saúde. Sem qualquer orientação religiosa, filosófica ou moral, trata-se de uma obra para ler, aprender e praticar. Edição revista, atualizada e ampliada.

 

‘ATENÇÃO MULTIDISCIPLINAR É CAMINHO PARA ALIVIAR SOFRIMENTO DE PACIENTE’

…………………….Matéria de Débora Miranda, publicada em 25/10/2018 no especial ……………………….VIVER COM.DOR, baseado no Seminário de mesmo nome organizado pela Folha de S. Paulo .

Grupos de dor avançam em hospitais; avaliação imprecisa do sintoma dificulta controle

………………………
Quase naturalizada por muito tempo, tanto entre médicos quanto entre doentes, a dor já recebe mais atenção. Seu controle ganha abordagem ampliada e envolve mais profissionais de saúde.

“Se o paciente estiver sofrendo, precisa de medicamento e, depois, de acompanhamento. Isso faz parte dos indicadores de qualidade de atendimento, e tem crescido muito no Brasil”, explica a anestesista Angela Maria Sousa, chefe do grupo de dor do Icesp (Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira).

Segundo ela, a dor sempre foi negligenciada. “O próprio paciente já via isso como fatalidade.” Hoje, hospitais investem em grupos de dor que reúnem especialistas de áreas como anestesia, neurologia, psicologia e fisioterapia para atuar na redução do sintoma.

O conceito em voga é o da “dor total”, criado entre os anos 1950 e 1960 pela inglesa Cicely Saunders (1918-2005), pioneira em cuidados paliativos. Segundo ela, a pessoa sente dor não só física, mas mental, emocional, social e espiritual. E se todas as dimensões não forem consideradas, o tratamento não terá sucesso.

“É importante que o profissional de saúde entenda o que causa sofrimento. Não adianta encher o paciente de remédio se o que ele precisa é de conforto”, diz Sousa.

A imprecisão na avaliação, que depende do testemunho do doente, dificulta o controle. Também os médicos enfrentam obstáculos para compreender a intensidade do sofrimento, que pode ultrapassar o sintoma físico.

Daí a importância de a análise envolver visão multidisciplinar, para propor tratamentos variados, a depender do tipo de acolhimento necessário.

“O paciente precisa se sentir amparado. Temos procedimentos hoje que aliviam a dor em até 90%, mas o médico não pode oferecer milagre”, diz Claudia Palmeira, do grupo de dor do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer.

Avaliar a dor com precisão é essencial para saber a melhor forma de tratá-la, mas isso exige uma análise aprofundada e muita paciência por parte dos profissionais de saúde.

A primeira percepção importante é a de que a dor é subjetiva. Cada pessoa tem um nível diferente de tolerância a ela. Ainda hoje os médicos utilizam a escala numérica de 0 a 10 para que as pessoas tentem classificar a intensidade do que sentem.

“Quem já teve experiências anteriores de dor estará mais vulnerável a ela. Se o paciente tem uma vida estressante ou se sofreu muito emocionalmente, também”, diz Claudia Palmeira, uma das coordenadoras do grupo de dor do IBCC (Instituto Brasileiro de Controle do Câncer).

Mulheres tendem a sentir mais dor do que os homens, por questões hormonais. A única exceção, segundo Palmeira, é a dor visceral. “Por isso a mulher suporta o parto normal.”

A esteticista Edvanda Cordeiro da Silva, 39, teve câncer na parede do abdome e sofreu muito com dores. Foi internada quando já estava debilitada. “Cheguei a pesar menos de 30 quilos. Tive pânico, ansiedade, medo. O psicológico atrapalha o tratamento.”

Ela conta que quando voltou da cirurgia sentia muita dor e a morfina ministrada já não fazia efeito. Foi tratada, então, com a bomba do opioide, controlada por ela mesma por meio de um dispositivo. “Quando sentia dor, era só apertar.”

Essa é uma das alternativas para dar autonomia ao paciente que tem dor forte por longos períodos. Mas o medicamento é controlado, para que não haja risco de overdose.

“Isso foi essencial para a minha recuperação. O tratamento foi muito eficaz, não tenho mais sentido dores nem desconfortos”, conta Silva.

Outro ponto importante é avaliar se a dor é aguda ou crônica. A aguda é resultado imediato de uma situação, como um pós-operatório ou um trauma. A crônica se prolonga. O tratamento será decidido a partir disso.

Há dores que são muito difíceis de serem tratadas, e os principais medicamentos utilizados para controlar esse sofrimento ainda são os opioides. O câncer é uma das doenças que provoca grande desconforto físico, como dor inflamatória e muscular. A dor por metástase óssea, por exemplo, é muito intensa. “Além disso, a doença envolve um sentimento de finitude”, diz Claudia Palmeira.

Para acessar na íntegra:
https://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2018/10/atencao-multidisciplinar-e-caminho-para-aliviar-sofrimento-de-paciente.shtml

Veja outras matérias do especial VIVER COM DOR em https://www1.folha.uol.com.br/especial/2018/viver-com-dor/

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Tem interesse pelo tema? Conheça os livros:

CONTROLE A DOR ANTES QUE ELA ASSUMA O CONTROLE
Autora: Margaret A. Caudill
SUMMUS EDITORIAL

O problema da dor mobiliza cada vez mais médicos, psicólogos e pesquisadores. Qual é o significado da dor? Que papel ela desempenha? É possível e desejável controlá-la? Estas são algumas perguntas que a autora, uma das pioneiras do estudo da dor, responde neste livro. Ela apresenta um programa de redução e controle de dores crônicas, com resultados comprovados, e fácil de ser seguido, apresentado de forma direta e detalhada. Um precioso instrumento para todos os que sofrem cronicamente de dores. Em formato 21 X 28 cm.

 

DORES CRÔNICAS
Um guia para tratar e prevenir
Autores: Kimeron N. Hardin, Ellen Mohr Catalano
SUMMUS EDITORIAL

Cada um de nós sofre de alguma dor crônica, ou conhece alguém que sofre. Ela pode variar de um simples incômodo até um verdadeiro inferno. Destinado a todos que queiram enfrentar o problema, este guia ajuda a identificar tipos de dor, fatores que contribuem para seu agravamento, e formas de melhorar a qualidade de vida combatendo as conseqüências da dor crônica.

 

VIVA BEM COM A DOR E A DOENÇA
O método da atenção plena
Autora: Vidyamala Burch
SUMMUS EDITORIAL

A dor crônica e a doença podem minar a qualidade de vida de quem sofre com elas. Visando orientar dortais pessoas, Vidyamala Burch oferece neste livro um método revolucionário para aliviar o sofrimento causado por diversas enfermidades e pelo estresse. Baseada na atenção plena (mindfulness) e na ideia de viver cada momento, ela apresenta técnicas de meditação e respiração profunda que combatem a dor e aumentam a sensação de bem-estar. Prefácio da edição brasileira de Stephen Little, diretor do Centro de Vivência em Atenção Plena e professor da sucursal brasileira da School of Life.

‘ATIVIDADE FÍSICA BEM DOSADA TRATA A DOR E EVITA QUE ELA SE TORNE CRÔNICA’

……………………….Matéria de Iara Biderman, publicada em 24/10/2018 no especial ………………………VIVER COM DOR, baseado no Seminário de mesmo nome organizado pela Folha de S. Paulo

Pesquisas recentes indicam exercícios como terapia eficaz para cortar desconforto do paciente
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Quando a dor se instala, é preciso se mexer logo. Alguns casos agudos —uma lesão por trauma, por exemplo— podem pedir um período de repouso imediatamente após o acidente, mas este deve ser o mais breve possível, afirma a fisiatra Lin Tchia Yeng, 55, responsável pela área de reabilitação do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas de São Paulo.

“O cérebro entende a falta de movimento como doença, e vai alimentando o circuito da dor”, diz Lin, para quem um período de mais de três dias de inatividade já causa efeitos indesejáveis.

Ficar mais de 15 dias sem se mexer pode iniciar a síndrome do imobilismo, cronificando as dores.

O uso da atividade física no tratamento da dor crônica é um consenso na medicina.

“Há vários estudos comprovando a eficácia de diferentes técnicas, só não há evidências para afirmar que determinada atividade dá mais resultado que as outras”, diz Victor Liggieri, fisioterapeuta e coordenador do grupo do HC.

No ano passado, a fundação Cochrane, rede global de cientistas independentes que investiga a efetividade de tratamentos a partir da revisão das melhores pesquisas disponíveis, analisou 381 estudos sobre os efeitos da atividade física na dor crônica de adultos.

Destes, 264 compararam tratamentos com e sem exercício físico em uma população de 20 mil pessoas. No total, o material analisado incluiu mais de 37 mil participantes.

As evidências indicam que o exercício é um tipo de intervenção terapêutica com pouco efeito adverso que pode melhorar o quadro de dor e as funções físicas, tendo como consequência a melhoria da qualidade de vida, conclui o trabalho da Cochrane.

A delegada aposentada Bertha Paschoalick, 56, chegou às evidências na prática. Há 30 anos ela sofre de dores causadas por hérnias nas regiões cervical e lombossacral, pinçamento do nervo ciático e artrose.

Várias vezes teve que ficar em repouso, mas, para ela, isso não funciona: “A médio prazo, a dor volta”.

Quando precisou fazer repouso absoluto, durante a gravidez, tomou injeções de anti-inflamatórios quase diariamente. Mas as dores na coluna só passaram depois que ela foi liberada para fazer exercícios e começou a ter aulas de ioga, conta.

“Já passei por situações em que nem opioides resolviam. Só melhora com exercício, uma droga natural e sem contra-indicações”, diz Bertha.

Para a ciência, a comparação com medicamentos psicoativos faz sentido. “Além dos efeitos nos sistemas músculo-esquelético e cardiovascular, a atividade física libera no cérebro substâncias com efeitos analgésicos, como as endorfinas”, explica a fisiatra Lin.

A substância e outros neurotransmissores produzidos durante os exercícios ajudam a modular o sistema nervoso central, diminuindo o nível de condução sensitiva das terminações nervosas até as regiões cerebrais que interpretam um estímulo como dolorido.

“O movimento evita a memória da dor e sua cronificação”, diz Liggieri. Outro efeito importante é a melhora do humor e da qualidade do sono. Depressão e noites mal dormidas são causas importantes de dores localizadas e difusas, de acordo com Lin.

Há também as questões mecânicas. Disfunções posturais, osteo-articulares e musculares estão relacionadas aos quadros de dor crônica, sejam como causas, ou como consequências.

Aí entra a adequação da técnica. Nos tratamentos, a genérica “atividade física” precisa ser personalizada a partir dos padrões de postura e de movimento de cada paciente. Fisioterapia e diferentes modalidades de exercícios podem ser usadas juntas ou sequencialmente, a partir da avaliação funcional de cada indivíduo.

“Se a pessoa tem dor lombar e foi observado encurtamento muscular, o alongamento é indicado; se há problema nos músculos estabilizadores da bacia, o fortalecimento da musculatura profunda com exercícios funcionais pode ser recomendado”, exemplifica Liggieri.

O que não pode é reforçar o mito de que algumas modalidades são as melhores para todos os casos e que não vão machucar ninguém.

A interpretação de que “quanto mais alongado, melhor”, é um desses mitos. Um dos temas debatidos atualmente é o da hipermobilidade causada por frouxidão ligamentar. “Muitos casos eram confundidos com fibromialgias e artroses”, conta Liggieri.

Quem tem esse problema pode conseguir colocar o pé atrás da cabeça como um mestre iogue, mas também sofre dores articulares e está mais propenso a lesões ao praticar exercícios para aumentar a amplitude dos movimentos. Nesses casos, o mais indicado é um programa de fortalecimento e estabilização da musculatura que protege as articulações.

Além da avaliação fisioterapêutica para definir os exercícios e orientar a prática, os princípios para iniciar qualquer atividade física devem ser respeitados: adaptação do corpo, progressão controlada de carga, periodização.

“Se a pessoa passar do seu limite, dá curto-circuito no sistema nervoso central e volta o quadro de dor”, diz Liggieri.

Tamara Roman, 64, sabe disso. A arquiteta paulista passou por duas cirurgias: uma para fixar articulações da coluna, em 2013, e outra para estabilizar a região do osso sacro-ilíaco, em 2015.

Por causa das operações, ela diz que nunca fica “cem por cento sem dor”. Mas um programa de musculação tem ajudado Tamara a reduzir os sintomas ao mínimo, com o cuidado de o treino jamais ultrapassar seu limites funcionais.

“Sou exagerada, quero resolver tudo logo, assim extrapolei na carga quando fazia o exercício de remada no aparelho”, diz a arquiteta. Por conta disso, foi obrigada a dar um tempo na academia até a situação se estabilizar. Enquanto isso, ela tem que se contentar com sessões de fisio e hidroterapia.

Amante das atividades físicas (“só não gosto de surfar, esquiar e de jogos coletivos com bola”), Tamara não vê a hora de retomar os treinos. “Quanto menos me mexo, mais doída eu fico.”

Para acessar na íntegra:
https://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2018/10/atividade-fisica-bem-dosada-trata-a-dor-e-evita-que-ela-se-torne-cronica.shtml

Veja outras matérias do especial VIVER COM DOR em https://www1.folha.uol.com.br/especial/2018/viver-com-dor/

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O fisioterapeuta Victor Liggieri, que participa da matéria, é autor de dois livros, totalmente ilustrados, publicados pela Summus. Conheça-os:

 

ALONGAMENTO E POSTURA
Um guia prático
Autores: Victor LiggieriChristina Ribeiro

Disseminado em diferentes países e culturas, o alongamento tornou-se rotina para a maioria da população fisicamente ativa. Porém, posturas inadequadas têm gerado dores e lesões no sistema musculoesquelético. Aqui, os autores apresentam informações atualizadas sobre o tema e fotos com orientações de como realizar com segurança os ajustes posturais necessários aos exercícios de alongamento.

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DE OLHO NA POSTURA
Cuide bem do seu corpo nas atividades do dia a dia
Autores: Victor LiggieriChristina Ribeiro

Hoje, quatro milhões de brasileiros são submetidos a tratamento devido a dores provocadas pela postura incorreta. Porém, com atitudes simples e consciência corporal é possível mudar tal realidade. Nesta obra didática, totalmente ilustrada com fotografias, o leitor aprenderá a desempenhar as tarefas do cotidiano – como sentar-se, digitar, dirigir, escovar os dentes, carregar objetos pesados, cuidar do bebê – sem prejudicar a coluna e as articulações.

‘GOVERNO MAPEIA 14 NOTÍCIAS FALSAS EM MÉDIA POR DIA SÓ RELACIONADAS À SAÚDE’

Matéria de Natália Cancian, publicada na Folha de S. Paulo em 12/10/2018

Vacinas, alimentos e remédios são os principais alvos de informações falsas, mostra levantamento

“Novas vacinas causam autismo e os governos sabem.” “Usar celular no escuro causa maculopatia (câncer no olho).” “Só água com vinagre pode matar bactéria presente no feijão.”

O que há em comum entre essas três frases, compartilhadas em correntes no WhatsApp e em outras redes sociais? É o Ministério da Saúde quem adverte: são informações falsas.

Ao completar um mês de funcionamento de um novo serviço para receber e verificar informações de saúde por meio do aplicativo de mensagem, a pasta afirma ter identificado 416 fake news —o equivalente a 14 por dia.

São correntes, textos disfarçados de notícias, imagens retiradas de contexto e áudios de supostos especialistas.

“A diferença é que, na saúde, a informação equivocada pode ter consequências graves”, alerta Renato Strauss, chefe da assessoria de imprensa e informação da pasta e à frente do grupo responsável pela checagem. “Uma pessoa que adere a um tratamento dito inovador pode agravar sua doença. Quem deixa de se vacinar pode ficar doente e chegar à morte”, afirma.

Segundo ele, além do serviço no Whatsapp, chamado de “Saúde sem fake news”, a pasta já identificou desde março outros 395 focos de informações falsas em redes sociais abertas, como Twitter e Facebook.

O controle é feito por meio de um monitoramento diário em mais de 7.000 menções e palavras-chave.

Vacinas, mitos sobre alimentação e sobre medicamentos são os alvos mais comuns de notícias falsas em saúde, aponta balanço da pasta. Dos 395 focos identificados nas redes, 89% eram sobre vacinas.

Já no serviço via WhatsApp, as vacinas responderam por 91 das 416 informações falsas repassadas à pasta no último mês. Outras 153 envolviam supostas “denúncias” ligadas a alimentação ou crenças de benefícios exagerados. Em 27 casos, o foco eram medicamentos “milagrosos”.

O governo tem redobrado as medidas para tentar evitar a propagação de fake news na área. Desde março, uma equipe de cinco pessoas se dedica exclusivamente a essa análise.

Agora, o ministério avalia criar novas ferramentas, como campanhas específicas em torno de alguns temas e listas de transmissão para que usuários cadastrados recebam alertas sobre informações já “desmascaradas”.

Ao contrário do que ocorria no passado, a maior parte das informações falsas recebidas pela pasta hoje não vem de sites, mas de correntes e informações em redes sociais, em que o contato com pessoas próximas e a agilidade no compartilhamento acaba por legitimar as informações.

“É fácil ver pelo grupo da família. Quem dissemina é uma pessoa que você conhece. É uma cadeia de confiança informal que acaba disseminando essa informação”, diz o assessor Strauss.

Segundo ele, uma das dicas para verificar se a informação é falsa é ver a data da notícia: a maioria se repete. “As fake news são cíclicas. A informação falsa de que a vacina causa autismo, por exemplo, de tempos em tempos aparece. As próprias imagens são as mesmas, de ano em ano.”

Ele lembra que a primeira vez que a pasta criou um grupo de controle de fake news ocorreu em 2008, quando sites passaram a vincular a campanha de vacinação contra a rubéola a uma tentativa de esterilização das mulheres. A situação levou o governo a criar força-tarefa para esclarecer.

Em abril, ganhou força em grupos do WhatsApp um áudio com voz feminina que dizia que a OMS (Organização Mundial de Saúde) não divulgava mortes em Goiás pelo vírus “H2N3” para “não alarmar a população”. O vírus, porém, nem sequer existe no Brasil —nem em nenhum lugar do mundo. A informação foi uma das que ganharam um selo “O Ministério da Saúde adverte: isso é fake news”.

Recentemente, um possível aumento na propagação de fake news tem sido investigado como um dos motivos para a queda na vacinação de crianças, que atingiu em 2017 o menor índice em 16 anos.

“Ainda vamos fazer um estudo sobre os motivos da não vacinação. Mas temos avaliação de que as fake news podem estar sim colaborando para isso”, diz a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Carla Domingues.

Se está mais fácil ter meios de verificar se uma informação é falsa, o difícil ainda é descobrir a origem dela.

Neste caso, a estratégia do governo é fazer intervenções em cada postagem para informar que se trata de fake news, com riscos à saúde. Outra é usar redes próprias para contrapor as informações.

Em outros casos, o governo também pode pedir a retirada do material do ar.

EMPRESAS DIZEM COLABORAR PARA EVITAR AS DESINFORMAÇÕES

O WhatsApp informou que, “dada a natureza privada” da plataforma, tem focado em “educar as pessoas sobre desinformação” e na capacitação de usuários com novas opções de controle no aplicativo —caso do marcador que avisa aos usuários quando uma mensagem foi encaminhada.

Já o Twitter diz que trabalha para “coibir tentativas de manipulação das conversas” na plataforma. “Uma das frentes prioritárias em que atuamos é a luta contra spam e contas automatizadas mal-intencionadas”.

O Facebook diz que lançou ferramenta de verificação de notícias denunciadas como falsas em parceria com as organizações de checagem Agência Lupa, Aos Fatos e AFP. “Se identificarem que não há fatos que sustentem o conteúdo, as postagens terão sua distribuição reduzida no feed de notícias e não poderão mais ser impulsionadas”, informa.

O número para solicitar checagem do Ministério da Saúde via WhatsApp é (61) 99289-4640. Você pode repassar esse texto para o maior número de pessoas possível.

MANUAL PARA NÃO PROPAGAR FAKE NEWS

  • Busque a fonte original
  • Faça uma busca na internet: muitos casos já foram desmentidos
  • Cheque a data: a “novidade” pode ser antiga
  • Leia a notícia inteira
  • Cheque o histórico de quem publicou
  • Se a notícia não tem fonte, não repasse

Para ler a matéria na íntegra (para assinantes ou cadastrados), acesse: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/10/governo-mapeia-14-noticias-falsas-em-media-por-dia-so-relacionadas-a-saude.shtml

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Tem interesse pelo assunto? Conheça:

A SAÚDE NA MÍDIA
Medicina para jornalistas, jornalismo para médicos
Autora: Roxana Tabakman
SUMMUS EDITORIAL

A saúde é a preocupação número um dos seres humanos, mas a mídia não tem profissionais bem preparados e as universidades não ensinam os médicos a lidar com os meios de comunicação. Numa era em que o paciente está cada vez mais informado, saber falar de saúde é fundamental. Nesta obra de fôlego, a autora recorre a médicos, jornalistas, pacientes e ONGs para propor caminhos concretos de interação.

‘MENOS DE 10% DOS HOSPITAIS TÊM EQUIPES DE CUIDADOS PALIATIVOS NO BRASIL’

………………………………………….Matéria de Cláudia Collucci e Mariana Versolato, publicada na Folha de S. Paulo em 14/10/2018

Gargalo começa nas universidades; apenas 14% dos cursos de medicina têm formação específica

Menos de 10% dos hospitais brasileiros têm equipes de cuidados paliativos, serviço essencial para que doentes graves e sem chances de cura tenham qualidade de vida até o fim.

Levantamento inédito da Academia Nacional de Cuidados Paliativos mostra que são apenas 177 serviços registrados nos 2.500 hospitais brasileiros com mais de 50 leitos—a maioria (58%) no Sudeste.

“Não há coordenação, muitos cuidados são oferecidos de forma isolada e irregular”, diz Daniel Forte, presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, que apresentou os dados nesta quinta (11) em evento em Lima, no Peru.

Entre os países latino-americanos, o Brasil só está à frente da República Dominicana e da Venezuela em termos de disponibilidade de serviços de cuidados paliativos. Uruguai, Argentina, Costa Rica e Chile são os mais bem colocados.

No evento, representantes de governos, da academia e da sociedade civil criaram uma força tarefa com objetivo de incentivar países da região a adotarem políticas públicas de cuidados paliativos.

Segundo Emilio Herrera, presidente do New Health Foundation, entidade que desenvolve modelos de atenção em cuidados paliativos, os últimos meses de vida acumulam mais sofrimento e mais gastos aos sistemas de saúde.

“Com os cuidados paliativos, os custos podem cair de 30% a 50%. Evitando internações e terapias desnecessárias, pode-se usar recursos para serviços que realmente vão fazer a diferença ao doente.”

Uma comissão de especialistas da revista Lancet elaborou um pacote essencial do que deve nortear as políticas públicas, ancorado em três pilares: expansão dos cuidados paliativos a todos os níveis da assistência, medicamentos genéricos para controle da dor, como morfina oral e injetável, e a capacitação e treinamento de profissionais da saúde.

Segundo Felicia Marie Knaul, da Universidad de Miami e membro da comissão Lancet, o pacote essencial tem custo de US$ 3 (R$ 11) per capita, dependendo do país e do tipo de doença.

“Muitos países pagam caro por medicamentos para dor porque não negociam bem”, diz Knaul.

Para os especialistas, porém, o que mais emperra o acesso a drogas como a morfina não é o preço, mas mitos e preconceitos que atingem médicos e familiares dos doentes.

“Não medicam uma pessoa com dor aguda nos seus momentos finais por medo da dependência. É o que chamamos de opiofobia”, diz Knaul.

Para Nicolás Dawidowicz, coordenador do Programa Nacional de Cuidados Paliativos da Argentina, parte do mito remonta ao tempo em que a prescrição da morfina só ocorria no fim da vida.

“Quando o paciente já estava morrendo, davam morfina para que ele não sofresse. As pessoas passaram a associá-la à morte. É um analgésico seguro, não acelera a morte.”

A Argentina é um dos países da América Latina em que doentes graves mais têm acesso à morfina, com consumo per capita anual de 14 mg , contra 10,6 no Brasil. A média global é de 61,3 mg per capita.

Com fabricação própria, a Argentina está capacitando equipes de saúde da família a prescrever morfina em um programa de cuidados paliativos na atenção primária.

“Garantir o acesso a essas substâncias ao doente com dor é uma obrigação por parte dos Estados. Do contrário, o paciente está condenado a sofrer uma dor desnecessária, uma tortura”, diz Dawidowicz.

No Brasil, os gargalos já começam na formação médica. Só 14% dos cursos de medicina oferecem a disciplina de cuidados paliativos e em só 6% desses ela é obrigatória.

Para Tania Pastrana, presidente da Associação Latino Americana de Cuidados Paliativos, a falta de educação sobre o tema é uma das principais barreiras ao acesso.

“Se os médicos e familiares dos doentes conhecessem mais sobre os cuidados paliativos e o manejo da dor, passariam a exigir isso.”

Porém, o que se vê hoje, é muitas vezes uma disputa entre especialidades. Há oncologistas que resistem em encaminhar pacientes aos cuidados paliativos e insistem em tratamentos inúteis.

“Há estudos mostrando que os cuidados paliativos melhoram a qualidade de vida, os sintomas, a aderência ao tratamento e prolongam a vida. Eu pergunto aos oncologistas: se existisse um remédio que fizesse isso tudo, você não daria ao seu paciente?”

O caso do engenheiro aposentado Armando Colotto, 88, exemplifica o que são os cuidados paliativos na prática. Com um problema cardíaco muito grave e incurável, ele já foi internado 13 vezes desde novembro de 2016.

“O coração dele está parando, parando, menos de 30% funciona. Nós íamos à emergência e era um terror. Colocaram até sonda sem necessidade”, conta a mulher, Clara, 79.

Foi então que o cardiologista sugeriu que um médico de cuidados paliativos acompanhasse o caso. “Eu estranhei quando ele falou em cuidados paliativos, foi um choque. Mas confio nele e aceitei.”

A partir daí, segundo Clara, Colotto voltou à vida. “Pela primeira vez ele falou o que estava sentindo. Ninguém sabia o que estava passando pela cabeça dele.”

Na sua fala, apareceu o medo de sentir dor, de ficar dependente dos outros. “O doutor Daniel [Forte] falou: ‘Você não vai sentir dor’. E aí começaram a dar morfina. O fato de alguém assegurar isso foi essencial, o ponto de virada. E ele ficou tranquilo.”

Até as internações estão diferentes, segundo ela. “Agora não ficam mais colocando fios, não tem nada invasivo. Todas as intervenções são feitas para suprimir as torturas que ele sofria, para dar conforto.”

Clara diz que tem parentes nos EUA e na Europa, e que nesses locais os cuidados paliativos são uma realidade, inclusive com o envolvimento da comunidade.

“O marido de uma amiga tinha câncer avançado e voluntários iam na casa dela todos os dias, cuidavam dele, da casa, das atividades dos dois. Aqui temos que avançar muito ainda. Faz tanta diferença…”

A jornalista Cláudia Collucci viajou a convite da Associação Latino Americana de Cuidados Paliativos

 

Para ler a matéria na íntegra (para assinantes ou cadastrados), acesse: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/10/menos-de-10-dos-hospitais-tem-equipes-de-cuidados-paliativos-no-brasil.shtml

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O médico Daniel Forte é um dos coautores do livro Vida, morte e luto, recém-lançado pela Summus.  Conheça a obra:

VIDA, MORTE E LUTO
Atualidades brasileiras
Organizadora: Karina Okajima Fukumitsu
Autores: Ana Catarina Tavares LoureiroAvimar Ferreira JuniorDaniel Neves ForteDaniela AchetteElaine Gomes dos Reis AlvesElaine Marques HojaijElvira Maria Ventura FilipeEmi ShimmaFernanda Cristina MarquettiGabriela CasellatoGilberto SafraGláucia Rezende TavaresLeo Pessini, Karina Okajima FukumitsuMarcello Ferretti FanelliMarcos Emanoel PereiraMaria Carlota de Rezende CoelhoMaria Helena Pereira FrancoMaria Julia KovácsMaria Luiza Faria Nassar de OliveiraMayra Luciana GaglianiMonja Coen Roshi Monja HeishinNely Aparecida Guernelli NucciPatrícia Carvalho MoreiraPedro Morales Tolentino LeiteProtásio Lemos da LuzTeresa Vera Gouvea
SUMMUS EDITORIAL

Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.