‘ELE MATOU A MULHER PORQUE QUERIA VER O CELULAR DELA. CIÚME É LEGAL?’

Texto de Nina Lemos, publicado em sua coluna no UOL Universa,
em 07/08/2019.

“O que você está escrevendo nesse celular?”, “Está falando com quem?”, “Me dá essa senha aí, libera, me deixa ver o que você está escrevendo.”

 Talvez você já tenha passado por isso. Quem sabe o seu namorado ou marido seja do tipo “controlador” e ciumento. Talvez você até ache que isso é “bonitinho”, uma fofura. Pois eu tenho uma história triste e apavorante para contar.

A dona de casa Sandra Nobre dos Santos foi assassinada no interior do Paraná na segunda-feira e o principal suspeito é seu marido (mais uma vez um marido que mata a mulher). Motivo: ele estava com “ciúmes” de uma conversa no celular. Ele chegou em casa e pegou o celular da esposa para ver com quem ela falava e pediu a senha.

Sandra, que carregava o filho mais novo do casal no colo (um bebê de um ano), errou o número. O marido empunhou uma arma. Atirou duas vezes e a matou. Quem contou a história foi uma irmã de Sandra, que ouviu o relato do filho de 11 anos do casal, que viu tudo e está em estado de choque.

Sandra tinha 35 anos e quatro filhos. O suspeito, até a tarde de terça-feira, ainda estava foragido. Ela é mais uma vítima de uma epidemia que cresce no Brasil, a do feminicídio (em alguns estados, como São Paulo, o crime cresceu 76% no primeiro trimestre do ano). Sandra se encaixa em algumas tristes estatísticas:

  • Os parceiros são suspeitos de 71% dos casos de feminicídio no Brasil.
  • O lugar onde uma mulher mais corre perigo é em casa.
  • 30% dos crimes são motivados, segundo pesquisadores, por “ciúme.” “Ciúme”.

Bem, que ciúme é esse, que faz com que alguém mate uma mulher friamente na frente dos filhos?

Não, eu não sou daquelas que acham que todo homem é um assassino ou estuprador em potencial. Agora, vamos encarar a realidade: um cara possessivo, que controla seus passos, que briga por ciúme, que tenta te controlar, saber com que você anda, que reclama das roupas que você veste pode, sim, ser perigoso. Se ele não te matar com um tiro, pode, no mínimo, te deixar infeliz por anos.

Então homens possessivos são, sim, uma ameaça à integridade física e mental das mulheres. Se seu namorado ou marido tiver reações exageradas de ciúme, ligue o alerta. Se ele ficar agressivo quando ciumento, pense que você provavelmente não está em uma relação boa e pode se machucar. Procure ajuda. Fale com uma amiga. Tente escapar. É sério. Nossas vidas estão em jogo. 

Ciúme é saudável?

Há muito tempo, desde que me lembro por gente, ouço as frases: “ah, mas um pouco de ciúme é saudável”; “ah, ciúme apimenta a relação”; “ah, quem ama tem ciúme.”

O que acho, depois de muita experiência na vida e de ler sobre casos como o da Sandra (prestem atenção, eles acontecem todos os dias!) é que ciúme não é bom, não é saudável e muito menos prova de amor. Esse sentimento, assim como controle e posse, são apenas provas de insegurança e babaquice mesmo.

Se um cara a trata como propriedade dele, desculpe: não faz isso porque te ama, mas porque acha que você é propriedade dele. Se alguém te controla, isso não é prova de amor, mas de necessidade de controle, de medir seus passos. Não é romântico. Em doses leves, ciúme é chato. Em doses violentas, é perigoso.

Se não dá a senha do celular

E não, ninguém tem obrigação de contar para quem telefonou, ou tem o direito de invadir o celular de outra pessoa. “Ah, mas quem não deve não teme”, dizem muitos. Discordo fortemente. Celulares e computadores são aparelhos pessoais. As suas conversas com amigas e amigos são só suas. Ninguém tem o direito de invadir a sua privacidade. E, claro, você também não pode invadir a privacidade de ninguém. Deixe o celular do seu namorado em paz!

Nem todos concordam. Em 2015, a dupla sertaneja Henrique e Diego lançou a música “Senha do Celular”, que faz sucesso até hoje. Eles cantam: “Se não deixa pegar o celular/É porque tá traindo/E tá mentindo/Alguma coisa tem/Se não deixa pegar o celular/É porque tá devendo/Me enganando de papo com outro alguém.”

Bem, que imagem é essa que esses homens têm das mulheres? Que estamos por aí, “aprontando”. Bem, mesmo se fosse o caso, não seria motivo para agressão, muito menos morte (é óbvio). Mas não, queridos, existe uma coisa simples chamada individualidade, independência, direito de falar com quem quiser. Acordem!

Ah, mas as mulheres também não são ciumentas? Claro que são. E também são chatas quando enciumadas e também precisam aprender a se controlar. Agora, os dados mostram, por “ciúmes”, alguns homens MATAM. E não, não é por amor.  

Como dizia um slogan antigo de quando eu era criança: “quem ama não mata”. Vou além. Quem ama até sente ciúme. Mas se controla. Por sinal, a capacidade de se controlar, de não sair fazendo tudo o que passa pela cabeça é o que nos difere de crianças e de assassinos. Por isso, se seu parceiro “ficar louco de ciúme”, se assuste. Como diria a dupla sertaneja, se um cara age assim, é porque “alguma coisa tem.”

Para ler na íntegra, cesse:
https://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2019/08/07/ele-matou-a-mulher-porque-queria-ver-o-celular-dela-ciume-e-legal/

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Tem interesse no assunto? Conheça o livro:

CIÚME
O lado amargo do amor
Autor: Eduardo Ferreira-Santos
EDITORA ÁGORA

O autor, psiquiatra, mergulha no tema do ciúme, mostrando as causas de seu surgimento e suas conseqüências para as relações afetivas – como dependência, perda de auto-estima e até distúrbios psicológicos graves. Ele também aponta saídas para situações neuróticas. Afinal, o ciúme acaba transformando o amor, sentimento altruísta por natureza, no mais exacerbado egoísmo.

“MEU EX-PARCEIRO É GAY. HOJE, EU, ELE E NOSSOS MARIDOS ATÉ SAÍMOS JUNTOS”

Matéria de Jacqueline Elise, publicada originalmente no UOL Universa,
em 25/07/2019.

Milena Telles descobriu que o marido era gay quando eles já tinham uma filha

No episódio da novela “A Dona do Pedaço” que foi ao ar na última quarta (24), Lyris (Deborah Evelyn) foi à construtora de seu marido Agno (Malvino Salvador) para contar a todos o segredo dele e o motivo da separação do casal: Agno, na verdade, é gay.

A reação de Lyris é semelhante a que acontece na vida real, segundo a psicóloga e psicoterapeuta Vera Moris, coautora do livro “Coragem de ser: relatos de homens, pais e homossexuais” (Edições GLS). A maioria dos relacionamentos desfeitos quando um dos pares descobre que o cônjuge é gay acaba com uma briga feia e eles não costumam manter uma amizade depois disso.

Mas há pontos fora da curva. A gerontóloga Milena Telles Longhi, de São Paulo (SP), conta que descobriu, depois de quatro anos casada, que seu marido era gay. Eles conseguiram reconstruir a relação como amigos e costumam sair juntos, em casais: Milena, seu ex, e os companheiros de ambos. A história de Milena e de seu ex-marido fez parte do livro de Moris. Leia o relato:

“Eu e o João nos conhecemos em meados de 2011, num estande de venda de apartamentos. A gente trabalhava com educação infantil para uma amiga de minha mãe. Ela sempre dizia que ele era uma pessoa incrível, então ficamos amigos. Em julho daquele ano, eu estava solteira e fomos a uma festa juntos. Foi quando ficamos pela primeira vez.

Ele me pediu em namoro no Sesc Pompeia. A gente se dava tão bem, ele era muito engraçado e brincalhão. Conversávamos muito sobre sexualidade, até porque sou uma pessoa bem aberta para falar sobre isso. Eu mesma sou bissexual, e acho que esse foi um ponto muito importante da nossa história, para nos entendermos melhor.

Muitas pessoas me disseram que ‘já imaginavam’ que ele fosse gay, porque ele era mais delicado. Mas, na minha cabeça, isso não era um problema. Perguntei várias vezes se ele também era bi, se ele tinha interesse em homens, se já tinha ficado com algum, mas ele negava. Nunca tive dúvida de que ele me amava, porque sempre demonstrou isso. Ele me pediu em casamento em um avião, durante uma viagem nossa. Quando nossa filha Giovanna nasceu, em 2013, ele ficou muito emocionado. Ficamos juntos por quatro anos.

Não tinha nada estranho no nosso relacionamento. Mas sempre teve uma coisa da parte dele que me deixava com a pulga atrás da orelha. Sempre fui uma pessoa muito livre, nunca gostei de pertencer a alguém e nem acho que alguém tem de ser ‘meu’. E, justamente por ser assim, achava que não precisava mentir, que ele poderia me avisar se fosse sair com alguém. Mas ele sempre dizia que ‘estava trabalhando’, avisava tudo em cima da hora, me enrolava e às vezes não voltava para casa. Quando voltava, estava bêbado. Eu ficava puta. Ele não fazia isso todos os dias, mas eu ficava preocupada, porque ele tinha um irmão alcoólatra. Em relação à sexualidade, ele nunca tinha apresentado qualquer questão.

Eu estava em uma situação precária; nossa filha era muito pequena, morávamos em uma casa muito simples, em cima de um bar. Brigamos muito nessa época, tentei conversar várias vezes com ele, até que disse para ele fazer terapia logo, porque seria minha última tentativa de fazer aquilo dar certo. Foi quando ele começou a se abrir.

Uma vez, enquanto víamos TV, assistimos à propaganda de uma boneca. Ele comentou que a boneca era legal e eu comentei, de brincadeira: ‘Você não é gay, mas tem alvará, né?’. E aí ele abriu o jogo: ‘Meu terapeuta falou que eu precisava te contar isso. Já fiquei com homens’. Achei bom que ele já tivesse experimentado, de verdade, e fiquei mais feliz ainda por ele estar se abrindo. Até pedi detalhes, porque achei que isso tinha sido antes de nós ficarmos juntos.

Só que, algumas horas depois, minha ficha caiu. E eu perguntei se, quando ele saía e não voltava para casa, ele estava ficando com outros homens. Ele confessou que sim. Na hora não consegui demonstrar sentimento. Sofri calada, porque me machucou demais por dentro. Aquilo foi o começo do nosso fim como marido e mulher.

Não brigamos nem nada, apesar de ter doído demais. Lembro de ter passado por momentos no trabalho em que eu olhava para o nada, sem saber o que fazer. Eu amava aquele homem, mas sabia que eu não podia mais ficar com ele. Lidei com isso saindo com outras pessoas, meio que para ‘machucar’ meus sentimentos pelo João. No começo foi horrível, mas aos poucos foi ficando mais fácil. Nos separamos depois de quatro anos juntos e ‘nos reinventamos’ como amigos.

As pessoas diziam que eu estava sendo traída, mas não consigo enxergar como uma traição. Aquela era a forma de conseguir viver aquilo. Eu sabia que, se não fosse pela questão de ele ser homossexual, ele não faria isso comigo. Ele precisava viver essa questão interna. Tanto que hoje ele se casou com outro homem, eu também me casei com outra pessoa, e sei que ele não trai o novo marido dele.

Vejo que agora estamos muito melhor. Estaremos para sempre na vida um do outro, e acho que isso é muito bonito. Já nos ofendemos e brigamos, mas sempre voltamos ao normal porque nos amamos demais, agora como irmãos. Ele se casou com outro cara, e eu me casei com outra pessoa, o Neto, e tive outra filha.

Costumam me perguntar como é para Neto aceitar essa nossa dinâmica, mas desde que nos conhecemos eu fui muito honesta: ‘Prazer, sou a Milena, tenho uma filha pequena e meu ex-marido, pai dela, é gay. Amo o João, mas de outra forma’. Então, se ele me quisesse, teria que ser desse jeito.

Eles têm uma convivência ótima. Às vezes, o João vai lá em casa cuidar das meninas para que eu e meu marido possamos trabalhar e fazer outras coisas. Todo mundo se ajuda aqui, acho muito saudável e dá leveza para todos os lados. Tem dias que eu chego em casa tarde do trabalho e estão lá meu marido e João bebendo cerveja, batendo papo e comendo pizza.

Pra Giovanna foi mais complicado. Até pouco tempo atrás ela dizia que deixou de ser bebê quando a gente se divorciou. A princípio, quando nos separamos, morávamos perto e tínhamos guarda compartilhada. Mas ela chorava muito, foi bem difícil. Ela falava que queria nos ver juntos de novo. Agora, ela amadureceu, entendeu melhor a situação, fez terapia e ganhou uma irmã mais nova também, filha do Neto.

O sonho dela é que a gente tenha uma casa enorme para que possamos morar todos juntos: eu, Neto, a irmãzinha dela, o João, o marido dele e as filhas deles! Nós sempre saímos para jantar com eles, minhas filhas e as meninas do João têm uma relação ótima, frequentamos os aniversários uns dos outros. Estamos combinando de viajarmos juntos em breve. Foi um processo, mas hoje vejo que compensa demais”.

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2019/07/25/minha-historia-eu-meu-ex-marido-e-o-marido-dele.htm

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Conheça o livro “Coragem de ser”, mencionado na matéria:

CORAGEM DE SER
Relatos de homens, pais e homossexuais
Autores: Vera MorisFábio Paranhos
EDIÇÕES GLS

Contrariando o senso comum, estudo recente realizado na Universidade de Toronto, no Canadá, estimou que mais da metade dos pais homossexuais era composta por pais biológicos e não adotivos. De início, essa informação gera questionamentos do tipo: por que se casou e teve filhos se sabia ser gay? Por que escondeu o fato da família? Trata-se de um ato de covardia?

Este livro mostra que esse raciocínio, mais que incorreto, é preconceituoso. Esses homens se casaram com parceiras por quem estavam apaixonados e com elas tiveram filhos. Viveram, entre o namoro e o casamento, uma vida satisfatória. Para alguns, encontrar a mulher amada depois de uma infância e de uma adolescência problemáticas representava a possibilidade de constituir família. Porém, mais tarde, eles constataram aquilo que não conseguiam mais esconder: a inevitável atração – tanto sexual quanto afetiva – por pessoas do mesmo sexo.

Como agir diante de tal constatação? Que fazer quando se percebe que não se pode mais enganar a si mesmo? Como não machucar as pessoas que ama – pais, amigos, parentes próximos e, sobretudo, a esposa e os filhos?

Neste livro, Vera Moris e Fabio Paranhos apresentam 15 depoimentos de homens que assumiram a homossexualidade depois de ter formado uma família. A vergonha, a dor e a culpa aparecem nos relatos, assim como a esperança, a capacidade de superação e o amor incondicional pelos filhos.

‘FRANÇA PROÍBE PALMADAS E DISCUTE EQUILÍBRIO ENTRE RIGOR E TOLERÂNCIA’

Uns dizem que castigo físico não traz benefício; outros, que a autoridade dos pais está sendo minada

Matéria de Lucas Neves, publicada originalmente na Folha de S. Paulo,
em 15/07/2019

A aprovação da chamada “lei antipalmada” pelo Senado da França, no começo deste mês, reavivou o debate no país sobre o ponto de equilíbrio entre repressão violenta e tolerância excessiva na criação de filhos.

O texto, que entrou em vigor na última quinta (11), interdita as chamadas “violências educativas ordinárias”, estabelecendo que a autoridade dos pais deve ser exercida sem agressões físicas ou psicológicas. Esta última provisão passará a ser lida durante cerimônias de casamento civil celebradas nas prefeituras do país.

Trata-se de uma medida eminentemente simbólica. A lei não fixa punições para pais ou professores que continuem dando palmadas e tapas em crianças ou gritando com elas —é comum, nas ruas francesas, ver adultos repreendendo com veemência (dedo em riste e voz tonitruante) traquinagens ou manhas mirins. Já existiam, é claro, sanções para episódios de agressão grave e/ou continuada.

A França se tornou o 56º país a proscrever castigos físicos em crianças. O primeiro, em 1979, foi a Suécia, seguida pouco depois por vizinhos escandinavos. No Brasil, a legislação antipalmada data de 2014.

A sociedade francesa é conhecida pelo rigor em métodos e práticas educativas, um modelo esmiuçado em best-sellers como “Crianças Francesas Não Fazem Manha”, de Pamela Druckerman. Mas há quem defenda que é hora de rever esse paradigma.

“Saímos de uma concepção de educação que embutia uma violência inata, segundo a qual cabia aos pais ‘adestrar’ as crianças para a vida adulta”, diz a socióloga Christine Castelain-Meunier, da EHESS (Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais).

“Na Idade Média, a punição era bem-vista porque o corpo não contava. A ideia era usar os castigos físicos para domesticar a alma”, afirma a pesquisadora, que lança em setembro “L’instinct paternel” (o instinto paterno). “Ainda bem que saímos disso.”

A filósofa Anne-Sophie Chazaud não mostra o mesmo entusiasmo pela lei, ainda que pense ser inaceitável “o uso cotidiano da violência como instrumento de educação e disciplina”. Segundo ela, porém, “um tapinha ou palmada eventual não é grave, talvez seja até indispensável para avançar na vida”.

Na visão da analista, que prepara um livro sobre a liberdade de expressão, a lei marca uma intrusão na esfera privada e incrimina a priori os pais. “Ela interdita todos os subterfúgios a que sabemos que os pais recorrem para construir sua autoridade”, observa Chazaud. “E quem vai dizer o que configura violência? Há hoje pais que consideram que obrigar uma criança a dar bom dia ou a pedir desculpa é uma agressão.”

Na visão dela, “há muito angelismo e imaturidade” no debate sobre a criação infantil.

“Uma corrente da psicologia acha que tudo é negociável [na relação entre pais e filhos], que sociedade e família são a mesma coisa”, afirma. “Mas a família não é uma democracia. Não há simetria entre pais e filhos, uns são responsáveis pelos outros, sustentam-nos.”

Aí se toca no nervo, aponta a filósofa: a ideia de assimetria é inadmissível na pós-modernidade. “Educação não é só diversão, não é ser amigo da criança. Que bom que somos carinhosos, mas fazer o bem não significa não punir quando preciso.”

Chazaud se exaspera com a atenção dada ao assunto e “à moralização da vida privada”, em detrimento do combate aos “reais maus-tratos contra crianças abandonadas e mulheres, por exemplo”.

Ela culpa o que chama de “esquerdismo cultural” pela proeminência do debate em torno da palmada. “A criança, dentro dessa perspectiva, representa uma das minorias cujos direitos se deve proteger. Mas ela não é isso. A infância é transitória. A criança existe para ser progressivamente integrada à comunidade adulta por meio da educação.”

O resultado disso, na leitura da filósofa, é a imposição de uma tirania doméstica capitaneada pelos pequenos, que impõem a todos seu comportamento e seus caprichos.

A pertinência da imagem é contestada por Castelain-Meunier. “Dizemos que a criança virou rainha porque, na sociedade de consumo, pode escolher o que quer: o chocolate, a batata frita. Mas isso é ser um consumidor, não um monarca”, pondera.

A socióloga afirma que as expectativas e cobranças direcionadas à cria são significativas. “Pedimos muito a elas: ter boas notas, tocar bem instrumentos, mostrar aptidão para esportes.”

“Deveríamos lhes dar mais chances de desenvolver suas competências, adaptando o currículo escolar às características da pós-modernidade e incluindo, por exemplos, cursos de vídeo e histórias em quadrinhos [obsessão francesa] no currículo das crianças e aulas sobre como criar empresas no dos adolescentes.”

Para ler na íntegra (assinantes Folha de S. Paulo ou UOL), acesse: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2019/07/franca-proibe-palmadas-e-discute-equilibrio-entre-rigor-e-tolerancia.shtml

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Tem interesse pelo assunto? Conheça:

COMO EDUCAR SEM USAR A VIOLÊNCIA
Autora: Dora Lorch
SUMMUS EDITORIAL


Toda criança precisa compreender o mundo em que vive, e pais e educadores devem fornecer exemplos diários de boa conduta e agir de maneira coerente com o que dizem. Mas muitos optam pela violência e pela humilhação para “ensinar”. Agindo assim, criam seres humanos sem capacidade crítica e também violentos. Usando a psicologia para falar de birras, medos, mentiras, vergonha, inconsciente e brincadeiras, a autora constrói um singelo manual de boas maneiras – para os pais. Prefácio de Ruth Rocha.

‘DEPRESSÃO PÓS-PARTO: PORQUE MUITAS VEZES OS SINTOMAS SÃO MENOSPREZADOS’

Reproduzido do Blog do Luiz Sperry,
publicado em 15/07/2019.

Não tenho inveja da maternidade
Nem da lactação
Não tenho inveja da adiposidade
Nem da menstruação
Só tenho inveja da longevidade
E dos orgasmos múltiplos

Não foi à toa que Caetano cantou essa bola. A maternidade não é para qualquer um, muito menos para homens. Diversas mudanças que acontecem dia após dia, com um bebê dentro de você, te impondo de saída uma série de restrições antes mesmo de nascer. É sabido que gestantes são muito sensíveis. Mas eventualmente as coisas ficam piores.

Provavelmente por conta das gestantes serem consideradas sensíveis que os quadros de humor relacionados à gestação e ao pós-parto são complexos. Grande parte dos sintomas são menosprezados como se fosse esperado que a mulher sofresse em decorrência da gestação e, principalmente, das demandas do recém-nascido. Mas a depressão pós-parto, quando ocorre, pode ser devastadora.

Existe uma grande quantidade de fatores que estão relacionados com depressão pós-parto, como: baixo nível sócio-econômico, dificuldades durante a gestação e no parto, dificuldades de relação com familiares ou com o pai da criança, gravidez indesejada, antecedentes de depressão e outros. Somando-se a essas condições as demandas físicas do parto e pós-parto, as variações hormonais intensas causadas pela gestação e aleitamento, surgem os quadros de depressão.

Voltamos então para a velha questão de depressão não é tristeza, depressão não é cansaço. Existe um quadro, chamado de baby blues ou blues puerperal que ocorre em até 80% das mães. Existem alguns sintomas de depressão, como fadiga e/ou irritabilidade, mas não todos para se definir a depressão de fato. Esse quadros podem evoluir para a depressão, que é mais grave e pode impactar na relação mãe-bebê e levar a prejuízo no desenvolvimento da criança.

Por isso é importante estar atento e tratar. Os antidepressivos, apesar de passarem para o leite, são bastante seguros de uma maneira geral. Lembro uma vez, logo que saí da residência, fui trabalhar num posto. Assustado que era, tratei de proibir todas as mães que tomavam antidepressivo de amamentar. Não passou uma semana e as pediatras me esculacharam. Fui pego pelo braço e levado para uma sala onde elas falaram da dificuldade que era para elas conseguir convencer as mães a amamentarem seus rebentos. E eu estava botando tudo a perder. Botei o rabo entre as pernas e pedi desculpa. Ficou a lição de que antidepressivo não é motivo para, necessariamente, interromper a amamentação. E ficou um certo trauma também. Com pediatra não se brinca.

Bem recentemente foi lançado nos EUA a brexanolona, uma medição endovenosa específica para esses casos. Trata-se exatamente de um hormônio sintético, que viria e atenuar os efeitos da variação hormonal intensa após o parto; a ver.

Importante lembrar que talvez o melhor jeito de evitar a depressão na gravidez e pós-parto seja justamente cuidar da mãe e do bebê. Tem coisas que só a mãe pode fazer, mas tem coisas que não necessariamente. Estejamos atentos a isso.

Para ler na íntegra, acesse: https://luizsperry.blogosfera.uol.com.br/2019/07/15/depressao-pos-parto-porque-muitas-vezes-os-sintomas-sao-menosprezados/

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o volume da Coleção Guias Ágora que fala especificamente sobre o tema:

DEPRESSÃO PÓS-PARTO
Esclarecendo suas dúvidas
Autora: Erika Harvey
Coleção Guias Ágora
ÁGORA EDITORIAL

O livro mostra a diferença entre a depressão conhecida como “baby blues”, que afeta quase todas as mulheres após o parto, sem maiores conseqüências, e a depressão grave que requer intervenção de profissional capacitado. Saber identificar essa diferença, às vezes bastante sutil, cabe à própria mulher, aos familiares à sua volta e aos seus médicos, e esta leitura é de grande utilidade para todos.

‘METADE DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES SE SENTE INSEGURA NAS ESCOLAS PÚBLICAS’

Matéria de Júlia Barbon, publicada originalmente
na Folha de S.Paulo, em 26/06/2019.

Bullying e violência foram apontados como motivo por alunos em pesquisa feita por ONG

NOVA IGUAÇU (RJ)

Aos 13 anos de idade, Marina decidiu parar de estudar. A gota d’água foi o dia em que teve que se esconder em um posto de saúde ao ser perseguida a caminho da escola. Mas ela já vinha acumulando o peso de outras violências que via e vivia no colégio.

“Chupeta de baleia”, “perereca zoiuda” e “esquisitona” eram alguns dos apelidos que escutava frequentemente por ser “gordinha” e ter olhos grandes. Um professor chegou a dizer que ela tinha um grau de autismo por não entender a matéria, outra jogava o apagador nos alunos.

Uma vez por mês, discussões entre colegas terminavam em confusão ou até briga física. “Esse tipo de coisa acumulou, e perdi a vontade de estudar”, diz ela, hoje aos 17 anos e cursando o 2º ano do ensino médio, porque perdeu um ano na escola.

O sentimento de adolescentes como Marina —seu nome foi trocado para preservar sua identidade— foi alvo de uma pesquisa lançada recentemente que mostrou que 52% dos estudantes da rede pública não se sentem seguros no colégio, principalmente meninas e negros.

A ONG Visão Mundial, que tem projetos na área da infância e adolescência, entrevistou 3.814 alunos de 9 a 17 anos em agosto e setembro de 2018, em 67 escolas públicas de sete municípios onde atua no país, sobretudo no Nordeste.

Isso inclui as capitais Salvador (BA), Fortaleza (CE) e Recife (PE), além das cidades de Nova Iguaçu (na zona metropolitana do Rio de Janeiro), Canapi e Inhapi (em AL, com 18 mil habitantes) e Governador Dix-Sept Rosado (no sertão do RN, com 12 mil moradores).

 “A informação sobre violência contra a criança ainda é muito precária no Brasil. Os dados vêm basicamente do Disque 100 [do governo federal] e da saúde, e eles são muito importantes para criar políticas públicas”, ressalta Karina Lira, especialista em proteção à infância da ONG.

O pior resultado apareceu na cidade de Marina, Nova Iguaçu, que fica na Baixada Fluminense, uma das regiões mais violentas do estado. Ali, 68% dos estudantes se sentem inseguros no ambiente escolar, índice bem acima da média.

 “A escola, que deveria ser esse espaço de formação cidadã e diálogo, acaba sendo o espaço onde eles presenciam conflitos. Isso não significa que ela seja a causa do problema, mas é preciso entender que ela está inserida num contexto de violência urbana, doméstica e exclusão social”, diz Lira, lembrando que mais da metade das vítimas de homicídio no país têm entre 15 e 29 anos.

Na região onde Marina mora, por exemplo, atuam tanto o tráfico como a milícia. Nos períodos em que os dois grupos estão em guerra, os alunos passam dias sem poder ir ao colégio. “Eu sinto cheiro de maconha dentro da minha própria casa, os caras ficam fumando bem em frente”, conta a jovem.

Um terço dos estudantes que responderam à pesquisa já teve aulas canceladas por tiroteios ou outros riscos externos. A mesma proporção também já foi alvo ou vivenciou efeitos da violência urbana, assim como já sofreu ameaças de abuso físico no colégio.

Já as brigas entre alunos são frequentes para 84% dos entrevistados. É o que Bernardo, 14, chama de “gritaria”: “Bate-boca durante a aula acontece quase diariamente”, diz ele, que também teve o nome preservado. O medo de se envolver e apanhar era frequente quando mais novo, na escola particular onde estudava.

“Me zoavam por causa do meu jeito, da minha voz, por sempre andar com meninas, e às vezes por eu tirar notas boas. Era ‘bichinha, menininha, baitola’. Eu fingia que estava ignorando, mas o psicológico ficava muito abalado.”

Ele chegou a passar seis meses inventando desculpas para faltar ao colégio. Se trancava no banheiro dizendo que estava com dor de barriga, esperando a van passar, até que um dia não aguentou mais e desabafou para os pais. “Eu era muito novo pra esse tipo de peso.”

Os impactos imediatos e futuros da violência na fase escolar podem ser múltiplos: dificuldade na aprendizagem e disciplina, problemas para estabelecer vínculos, lesões físicas, gravidez na adolescência, envolvimento com drogas, depressão, tentativa de suicídio e desistência de estudar.

A evasão escolar é o fator mais decisivo para levar jovens a cometerem crimes extremamente violentos —mais do que famílias desestruturadas—, concluiu um estudo de 2016 do sociólogo gaúcho Marcos Rolim. Todos os entrevistados que cumpriam pena tinham largado a escola aos 11 ou 12 anos.

Também causam consequências as violências vividas dentro de casa, onde 22% das crianças e adolescentes dizem não se sentir seguros. Seis em cada dez afirmam que apanham quando fazem algo de errado, mais de um terço costuma presenciar xingamentos e um quinto, agressões.

“Um dos grandes desafios é que a violência em casa é vista como problema privado. Quando uma mãe diz que bate porque ama, a criança internaliza isso, e é provável que faça o mesmo no futuro. É preciso romper esse ciclo e dizer que existem outras formas de educar, com respeito”, diz Karina Lira, da ONG Visão Mundial.

Para isso, ela defende a criação do que chama de “redes de proteção”, que envolvam escola, professor, família, comunidade e até outras esferas da sociedade, como postos de saúde, centros de assistência, delegacias, igrejas e associações de moradores.

Um exemplo foram as “comissões de proteção” implantadas em 36 escolas municipais de Fortaleza desde 2013, em um projeto da ONG em parceria com a prefeitura local. São grupos responsáveis por identificar situações de violência naquele espaço e pensar na prevenção e acolhimento das crianças.

 “Testamos, sistematizamos e agora queremos tornar isso uma política pública, e não isolada”, afirma Lira. A organização também está voltando aos colégios que participaram da pesquisa recente para montar planos de assistência locais.

Foi uma cadeia desse tipo que fez com que o bullying a Bernardo finalmente cessasse. Sua mãe, quando ouviu as queixas e o choro do filho, foi conversar com a escola, que conversou com os alunos sem expor o menino. “Ainda bem que parou”, sussurra para si mesmo.

Para ler na íntegra (assinantes Folha de S.Paulo e UOL), acesse: 
https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/06/metade-das-criancas-e-adolescentes-se-sente-insegura-nas-escolas-publicas.shtml

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A SOCIEDADE DA INSEGURANÇA E A VIOLÊNCIA NA ESCOLA
Autora: Flávia Schilling
SUMMUS EDITORIAL
Coleção Novas Arquiteturas Pedagógicas


Entre os discursos da violência como uma epidemia e o silêncio por ela provocado, há discursos inauditos e imprevistos que apontam para uma compreensão ampliada das questões que nos preocupam. Este livro discute a violência que está na escola, apresentando as várias dimensões que cercam o problema e apontando algumas ações possíveis que estão ao alcance de todos nós.

‘CUIDADOS AO FINAL DA VIDA: ENTENDA A IMPORTÂNCIA DOS TRATAMENTOS PALIATIVOS’

Artigo de Dante Senra, originalmente em sua coluna no
UOL VivaBem, em 15/06/2019

Os cuidados ao final da vida, também chamados de paliativos, tornaram-se uma especialidade da medicina. A palavra paliar etimologicamente vem do latim palium, que significa proteção. O termo era usado para nomear o manto que os cavaleiros usavam na época das cruzadas para protegê-los do vento, frio e tempestades pelos caminhos que percorriam.

Os médicos que escolhem esta especialidade exercem a arte de cuidar com competência e humanidade dos pacientes e familiares diante da finitude da vida. Em outras palavras, promovem qualidade de vida diante das doenças diante das doenças que ameaçam sua continuidade, prevenindo e aliviando o sofrimento através do tratamento da dor e de outros problemas de natureza física, psicossocial e espiritual.

Ao contrário do que se imagina, nestas condições são acrescidos cuidados, e não retirados. Esses cuidados tem como princípios básicos a aceitação dos valores próprios e prioridades dos pacientes, afirmando a vida e encarando a morte como processo natural. Assim, centram-se no bem-estar do indivíduo doente, ajudando-o a viver intensamente quanto possível até o fim. Baseia-se na disponibilidade e compaixão e somente é prestado quando bem aceito pelo paciente e familiares.

Por que isso é importante?

Tamanha é a obviedade desta pergunta que parece até estranho explicar por que aliviar a dor, mas cabe aqui um reforço. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) cerca de 18 milhões de pessoas morrem com dor desnecessária todos os anos no mundo devido acesso inadequado ao tratamento. Na tentativa de amenizar este problema, em 2012, autoridades da saúde de mais de 200 países aprovaram a primeira resolução de Cuidados Paliativos na Assembleia Mundial de Saúde. A ideia era viabilizar o acesso e tornar os cuidados paliativos como tratamento de prioridade.

Talvez as únicas coisas que podem amenizar a dor da perda (se é que é possível isso) são a sensação de realização plena de nossas tarefas e obrigações como familiares e médicos, bem como a certeza que o sofrimento do paciente foi abortado ou pelo menos reduzido em grande parte.

Por isso os pilares do tratamento paliativo baseiam-se no controle dos sintomas nesta difícil fase da vida (dor, fadiga, falta de ar, insônia, falta de apetite, distúrbios gastrointestinais e alterações cognitivas) e no apoio a família. Para tal, uma equipe multidisciplinar (médicos, enfermeiras, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e até fonoaudiólogas) com formação específica na área é fundamental.

No cuidado paliativo todo o esforço é feito para que o paciente permaneça autônomo, com preservação de seu autocuidado sempre que possível. Apesar do número de doenças cardiovasculares e doenças infectocontagiosas estarem aumentando em nosso país e os números da violência serem assustadores, ainda é bem maior, segundo o DATASUS, a possibilidade de se morrer de uma doença crônica. Portanto, a necessidade desse cuidado pode não estar tão distante de nós.

Principais dificuldades dos cuidados paliativos

Somente não é possível a aplicação de cuidados paliativos quando a morte se instala de maneira súbita por doença, violência ou acidente. Mas, mesmo assim, sua aplicabilidade na prática é reduzida em nosso país. Diversos são os fatores dificultadores da atuação dos paliativistas.

A inclusão destes cuidados na atenção básica não ocorre. Outro fator que dificulta demais a sua aplicabilidade é quando estes cuidados são indicados na residência pois o preço alto dos medicamentos e o armazenamento, distribuição e descarte de opiáceos (medicamentos para dor controlados) praticamente inviabilizam o tratamento.

Mas, sem dúvida o maior dos obstáculos é o preconceito. Os profissionais desta área precisam vencer não só o preconceito de falar de cuidados paliativos tanto dos pacientes quanto dos familiares, como também a frustração do paciente devido a falência do tratamento da doença de base.

Com o entendimento de que a vida é finita a aceitação de cuidados paliativos talvez seja mais fácil, mas até hoje, famílias e pacientes ouvem de médicos e profissionais de saúde a frase “não há mais nada a fazer”. A médica inglesa Cicely Saunders sempre refutava: “ainda há muito a fazer”. Em 1967, ela fundou o St. Christopher´s Hospice, o primeiro serviço a oferecer cuidado integral ao paciente, desde o controle de sintomas, alívio da dor e do sofrimento psicológico. Até hoje, o St. Christopher é reconhecido como um dos principais serviços no mundo em Cuidados Paliativos e Medicina Paliativa.

Ela faleceu em 2005, em paz, sendo cuidada no St. Christopher. É dela a expressão que norteia e inspira essa excepcional especialidade médica: “Eu me importo por você ser você, eu me importo até o ultimo momento da sua vida e faremos de tudo o que está ao nosso alcance, não só para ajudar você a morrer em paz, mas também para você viver até o dia da sua morte!”

Para ler na íntegra, acesse:
https://vivabem.uol.com.br/colunas/danta-senrra/2019/06/15/cuidados-ao-final-da-vida.htm

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Se você é profissional de saúde e quer saber mais sobre o assunto, conheça:

CUIDADOS PALIATIVOS
Diretrizes para melhores práticas
Organizadores: Ricardo CaponeroMarcella Tardeli Esteves Angioleti SantanaAna Lucia Coradazzi
MG EDITORES



O conhecimento do ser humano evolui continuamente em todas as áreas. Na medicina, porém, o avanço de uma ampla gama de tecnologias voltadas para o prolongamento da vida – desejo primitivo dos seres humanos – deu lugar à tecnocracia. Esse movimento iludiu leigos (e muitos profissionais) e criou mitos, sobretudo o de que a morte poderia ser vencida. O problema é que essa obstinação terapêutica é hoje, muitas vezes, fonte de sofrimento – e paradoxalmente pode resultar no abreviamento do tempo de vida.
Assim, é fundamental resgatar a qualidade do cuidar, não só do ponto de vista biológico, mas também mental e espiritual. Não se trata de abandonar o desenvolvimento tecnológico, mas de integrá-lo à visão plural de cuidado.
Partindo desse pressuposto, esta obra – escrita por uma equipe multidisciplinar – se baseia numa prática integrativa, na qual todas as áreas de conhecimento trabalham juntas na busca da melhor qualidade de vida e da dignidade humana. Dividida em 16 capítulos, ela oferece protocolos seguros e eficazes que aliviam os principais sintomas dos pacientes que demandam atenção paliativa e traz uma série de opções de tratamento. Também são abordados temas como plano avançado de cuidados e diretivas antecipadas de vontade, além dos cuidados de fim de vida. Trata-se de uma referência fundamental num campo que está em franco desenvolvimento.

‘CONVENÇÃO DE IOGA REÚNE CENTENAS DE PESSOAS EM SÃO PAULO’

É a primeira vez que uma representante da família Iyengar vem ao Brasil

Matéria de Iara Biderman, publicada originalmente no jornal
A Folha de S. Paulo, em 19/05/2019

Mais de 300 tapetinhos de ioga forram o salão do Tênis Clube Paulista. Localizado no bairro da Aclimação, entre o Paraíso e a Liberdade, o clube sedia as atividades da 3ª Convenção Brasileira de Iyengar Yoga.

Ao lado dos tapetes, blocos, mantas, cintos e cordas ajudam pessoas de diferentes idades e condicionamento físico a sustentarem os “ásanas” (posturas). São os “props”, objetos de apoio típicos da Iyengar.

Mesmo alunos menos experientes mantêm o equilíbrio, até em posturas complicadas, como as que ficam com as pernas para o ar e a cabeça para baixo, sustentando todo o peso do corpo.

Seguindo as instruções da professora, que indica as sequências de exercícios e corrige os alinhamentos corporais, nem parece ser algo tão difícil. Em alguns momentos, a sincronia dos corpos lembra uma coreografia bem ensaiada, embora seja a primeira vez que o grupo todo pratica junto. E com aquela professora.

Abhijata Iyengar, a mestra, é a alma da terceira convenção de Iyengar realizada no Brasil. A associação brasileira foi criada há 13 anos, mas é a primeira vez que um membro da família Iyengar vem ao país.

Neta de B.K.S. Iyengar (1918-2014), fundador dessa linha dentro da hata-ioga, ela é a sucessora responsável por manter o legado do avô, que sistematizou o aprendizado da prática milenar e, mesmo respeitando a tradição, transgrediu ao ministrar aulas mistas e democratizar o conhecimento das técnicas.

Tudo isso é encarado de forma simples e natural pela indiana de 36 anos, formada em bioinformática e mãe de dois filhos, de seis e dois anos. Este modo de ser é transmitido na aula.

“Quando você vê que tudo é simples, os nós na cabeça se desfazem naturalmente. Foi isso que B.S.K. me ensinou, é onde se apoia a prática do Iyengar”, diz ela.

O método não se baseia em explicações e divagações teóricas, o ensino parte do corporal, físico. “Não é para criar fantasias, dizer feche os olhos e medite. A pessoa pode estar de olhos fechados sonhando com o que vai comer no jantar. Isso não é meditação.”

O aprendizado começa com posturas em que a mente está ativamente envolvida com o corpo, concentrada na posição do quadril, no alinhamento dos pés ou de cabeça e ombros, por exemplo. A partir dos aspectos mais simples, a evolução no caminho da ioga ocorre de maneira tangível e compreensível, segundo Abhijata.

Descomplicar ou mesmo desmistificar a prática é um dos méritos de B.S.K. Iyengar, que mostrou ser possível conciliar o caminho (também espiritual) com as demandas da vida mundana.

Lição aprendida por Abhijata, que, como boa parte das mulheres fazem hoje, equilibra uma agenda de aulas, palestras, convenções, reuniões, trabalho e cuidados com a casa ou com os filhos.

“Como eu faço isso? Acho que é a vida. Tento estar inteira em cada coisa. Veja, tento, mas agora, por exemplo, estou pensando no que meus filhos estão fazendo”, diz.

Abhijata conversou com a repórter após passar mais de oito horas entre aulas e reuniões no primeiro dia da convenção em São Paulo. Ela está há quase dois meses em tour pela América Latina.

A ioga ajuda, é claro. “É o que me dá energia, foco. Sem a prática eu viveria totalmente dividida entre as inúmeras coisas que preciso e quero fazer”, diz.

Concentração, relaxamento ou alívio de dores são alguns dos benefícios da ioga, mas o que ela realmente oferece, segundo Abhijata, é integração e união entre a mente e o coração.

A oferta não é inalcançável nem exige de ninguém se afastar dos comuns-mortais e renunciar ao mundo. Ao contrário, é estar nele, só que de outra forma.

“O mundo está um caos porque estamos desconectados do que fazemos, das outras pessoas, da sociedade, da natureza. A prática da ioga conecta a pessoa consigo mesma; a partir daí, a harmonia com tudo o que está em volta se torna possível”, afirma Abhijata.

Para ler na íntegra (assinantes Folha de S.Paulo e UOL), acesse: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2019/05/convencao-de-ioga-reune-centenas-de-pessoas-em-sao-paulo.shtml

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Se você tem interesse no tema, conheça:

LUZ NA VIDA
A jornada da ioga para a totalidade, a paz interior e a liberdade suprema
Autor: B. K. S. Iyengar
SUMMUS EDITORIAL

Considerado o maior mestre de hata-ioga do planeta, o autor criou um método que permite a todos – inclusive idosos, portadores de deficiências ou de doenças crônicas – praticar ioga e recuperar ou aprimorar a saúde. Seus ensinamentos não têm nada de dogmáticos: usando de sabedoria, simplicidade e experiência, ele mostra como atingir a paz interior por meio da ação, da reflexão e do autoconhecimento. Obra imprescindível para os que buscam qualidade de vida.

‘PESQUISA DA USP CHEGA A TRATAMENTO INÉDITO PARA FIBROMIALGIA’

De Gabrielly Borges e Pedro Teixeira, da Agência de Inovação da USP,
publicado no UOL VivaBem em 11/05/2019

Existe um novo meio de combate à fibromialgia, criado e aplicado por pesquisadores do Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, que conseguiu controlar a dor da fibromialgia em 90% dos pacientes. O tratamento é chamado de fotossônico e realizado a partir de um equipamento, considerado pioneiro no mundo, desenvolvido pela equipe que realiza a aplicação conjugada de ultrassom e laser terapêutico, de baixa intensidade. Tanto o protocolo da terapêutica como o aparelho utilizado são considerados inéditos.  Tradicionalmente, se apela à fisioterapia, realizada nos locais da dor, chamados de pontos gatilho ou tender point. O fotossônico, por sua vez, é aplicado em toda a palma da mão, sendo apenas três minutos em cada uma, duas vezes por semana. São necessárias dez sessões.

“O aparelho de ultrassom já é usado tradicionalmente na fisioterapia, em reabilitações. A propagação de ondas sonoras promove uma agitação e aquecimento nos tecidos biológicos, estimulando vasos sanguíneos, homogeneizando e melhorando a eficiência das ações metabólicas, enquanto o laser atua por meio da penetração da luz no nível bioquímico. Assim, desencadeia a liberação de endorfinas, inibindo a dor. Além disso, a emissão tem efeito regenerativo, como comprovado em diferentes casos de reabilitação, ou mesmo em cirurgias plásticas, na reposição de colágeno. A sobreposição dos dois métodos concilia os estímulos, gerando um resultado ampliado”, explica o professor Vanderlei Bagnato, diretor do IFSC ao Jornal da USP no Ar.

O físico conta que o método de tratamento da fibromialgia foi descoberto em um processo mais amplo. A empresa Finep buscou o IFSC para financiar uma pesquisa acerca de bisturis ultrassônicos. Como o Brasil não tem tecnologia na área, é obrigado a importar, resultando em um preço proibitivo das cirurgias laparoscópicas. Esse instrumental está em processo final e logo estará no mercado, mas o trabalho dos pesquisadores rendeu mais.

“O aprendizado desembocou no desenvolvimento de uma terapêutica para artrite e artrose, tanto em membros inferiores (principalmente joelho) como superiores (sobretudo mãos). Em um processo que já dura sete anos, mais de 500 pacientes já passaram por nós. O protocolo de ação teve muito sucesso, pessoas que não se locomoviam voltaram a ter um dia a dia independente. E, inspirados nisso, testamos o tratamento para a fibromialgia.” O professor relata que se trata de uma doença complexa, com diagnóstico difícil, que ninguém entende bem as causas. Os resultados foram novamente positivos, entre 60% e 70% tiveram um alívio muito bom da dor. Outra faixa reagiu em cerca de 50% ao tratamento, segundo os parâmetros de medição de incômodo. Isto é, conseguiu dormir mais facilmente e deixou de ter palpitação em certo lugar, mas ainda sente o quadro. E 10% não sentiram nenhum efeito. “São números expressivos, pois já tivemos muitos pacientes e a tendência é de melhora”, argumenta Bagnato.

Esses aparelhos estão em fase final de aprovação na Anvisa. Depois disso, essas inovações chegam de fato à sociedade. O professor salienta a importância do retorno dos profissionais, a partir do momento que têm essas ferramentas em mãos. Só assim se sabe o real efeito da pesquisa para o País, até para fora, dando a contrapartida necessária para a ciência também avançar. Além disso, o docente ressalta que todo cidadão do Estado de São Paulo, grosso modo do Brasil, tem a USP no seu dia a dia. “Seja por logística de transporte e construção civil, ou saúde, biotecnologia, novos fármacos, vacinas e até meio ambiente. Há um esforço geral de todas as universidades para contribuir.”

Para ler na íntegra, acesse: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2019/05/11/pesquisa-da-usp-chega-a-tratamento-inedito-para-fibromialgia.htm

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Quer saber mais sobre fibromialgia? Conheça o livro:
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FIBROMIALGIA SEM MISTÉRIO
Um guia para pacientes, familiares e médicos
Autor: Manuel Martínez-Lavín
MG EDITORES

Este livro esclarece vários aspectos de um problema de saúde polêmico e ainda não totalmente compreendido nem mesmo pela classe médica: a fibromialgia. Apresenta os principais sinais e sintomas dessa doença, explica por que seu diagnóstico é tão difícil e apresenta alguns conceitos importantes que explicam a provável causa e as possibilidades de tratamento do problema.

‘FALAR SOBRE BENEFÍCIOS DOS ALIMENTOS AJUDA A MELHORAR HÁBITOS DE CRIANÇAS’

Matéria de Roberta Jansen e Ana Paula Niederauer, do Estadão Conteúdo, e reproduzida no UOL VivaBem 09/05/2019

Reza uma das histórias mais queridas de especialistas em alimentação do mundo todo que quando as tiras do marinheiro Popeye surgiram, na década de 1930, o consumo de espinafre disparou entre crianças. Seria mesmo eficaz relacionar os benefícios dos alimentos de forma lúdica? Um estudo publicado nesta semana na revista científica Journal of Nutrition, Education and Behavior garante que sim.

Explicar para as crianças os benefícios de cada alimento é uma estratégia eficaz para fazer os pequenos comerem de forma mais saudável. A conclusão é de um estudo da Universidade Estadual de Washington e da Universidade Estadual da Flórida, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores descobriram que frases como “se você comer lentilhas, vai ficar mais forte e correr mais rapidamente” eram mais eficientes para convencer crianças a comerem do que apenas oferecer os alimentos sem nenhuma explicação.

O trabalho revela que há o dobro de chance de as crianças aceitarem as comidas mais saudáveis quando são informadas sobre os benefícios em termos que possam entender.

“Toda criança quer ser forte, rápida, pular mais alto”, diz a principal autora do estudo, Jane Lanigan, professora do Departamento de Desenvolvimento Humano da Universidade Estadual de Washington. “Com esses argumentos, as comidas ficam mais atraentes.”

A primeira infância é um período crítico para o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis. Mas, em um mundo repleto de ofertas de fast-food e doces, a maioria das crianças tem dificuldade de aceitar algumas refeições.

Para entender a importância da informação agregada, os especialistas ofereceram alimentos saudáveis a um grupo de 87 crianças de 3 a 5 anos. Antes de o experimento começar, pediram às crianças que informassem o quanto gostavam de quatro comidas: pimentão, tomate, quinoa e lentilha. Durante as seis semanas da experiência, os pesquisadores ofereceram os alimentos que as crianças menos gostavam com informações sobre os benefícios. Os demais alimentos eram oferecidos sem nenhuma explicação.

“Um mês depois do fim do experimento, descobrimos que as crianças estavam comendo o dobro dos alimentos sobre os quais receberam explicações, em comparação com os demais”, afirmou Jane.

A pesquisadora, que tem dois filhos, disse que poderia ter feito as coisas de forma diferente, se tivesse as informações que têm hoje. “Muitas vezes dizemos aos pais o que as crianças devem comer, mas não como fazê-las comer. E isso é muito importante.” O horário das refeições, diz, é um bom momento para que os pais estimulem a exploração de diferentes alimentos.

Exemplo

O pediatra Roberto Cooper, da Universidade Estácio de Sá, diz que a conversa com a criança é sempre crucial. Mas, segundo ele, o exemplo da família também é importante. “Não dá para cobrar da criança uma alimentação saudável, se a família não come de forma saudável. O exemplo de casa é anterior à explicação. Estamos falando de crianças de 1 ano e meio, que nem falam.”

A profissional de Educação Física Luciana Tella, mãe de Letícia, de 2 anos, sabe da importância do exemplo. Ela conta que a alimentação saudável é seguida tanto em sua casa como na dos avós. “Procuramos sempre comer salada, legumes e poucas frituras – e mais assados.”

Mãe de Gustavo, de 9 anos, e Vinícius, de 4, a empresária Rosana Venceslau também aposta no incentivo em casa, principalmente para o caçula, mais seletivo. Nesta Páscoa, aproveitou para falar da cenoura. “Para você correr como o coelhinho corre e enxergar bem igual ao coelhinho, tem de comer cenoura”, disse a Vinícius. “Ele prestou atenção e consegui convencê-lo”, garante. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://vivabem.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2019/05/09/falar-sobre-beneficios-dos-alimentos-ajuda-a-melhorar-habitos-de-criancas.htm?cmpid=copiaecola

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Tem interesse no assunto? Conheça :

ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NA INFÂNCIA
Conceitos, dicas e truques fundamentais
Autora: Cláudia Lobo
MG EDITORES

Todo dia surgem informações de como oferecer uma alimentação saudável aos filhos. Produtos que parecem ricos em nutrientes fazem sucesso, mas logo suas desvantagens são desmascaradas. Pensando nisso, a nutricionista Cláudia Lobo criou um guia para ajudar os pais a oferecer uma alimentação saudável às crianças. Mudança de hábitos, organização e perseverança são alguns dos ingredientes apontados por ela. Imperdível.

 

COMIDA DE CRIANÇA
Ajude seu filho a se alimentar bem sempre
Autora: Cláudia Lobo
MG EDITORES

Mostrando de maneira objetiva como montar um cardápio adequado à realidade de cada família, este livro ensina quais alimentos escolher na hora de comprar e por que fazê-lo; como economizar tempo e dinheiro; e como preparar refeições rápidas e nutritivas. Também sugere falimentaormas de transformar a própria criança em aliada no processo de educação alimentar e traz mais de 50 receitas nutritivas, ricamente ilustradas.

 

‘ANSIEDADE E DEPRESSÃO PODEM OCORRER AO MESMO TEMPO?’

Matéria de Amanda Massarana, publicado originalmente no UOL VivaBem,
em 09/05/2019.

A ansiedade e a depressão são problemas distintos, cada um com suas próprias características, e muitas vezes são até considerados opostos. Porém, na realidade, essas duas condições podem, sim, coexistir em uma mesma pessoa. Fato é que tanto a ansiedade quanto a depressão envolvem comportamentos que atrapalham muito a rotina, gerando um alto prejuízo social, profissional e nos relacionamentos interpessoais de forma geral.

Ansiedade e depressão juntas: como começa?

Mas, afinal, a ansiedade leva à depressão ou é o contrário? Não há como saber exatamente. “Muitas vezes os sintomas acontecem simultaneamente e a relação entre eles pode não ser tão simples de ser identificada”, afirma o psiquiatra Fernando Fernandes, do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Para tentar traçar esse caminho, o psicólogo André Rabelo, pesquisador de pós-doutorado da UnB (Universidade de Brasília), traz o exemplo de uma pessoa com depressão. Esse quadro gera uma situação de falta de controle, porque a pessoa se vê triste, sem energia e, mesmo tendo motivos para fazer o que precisa, ela não tem ânimo. Ao passar muito tempo assim, pode-se gerar uma angústia tão grande que pode levar à ansiedade. Da mesma forma, uma pessoa com ansiedade que sofre muito com preocupações excessivas, acaba pensando obsessivamente em uma mesma questão e não consegue regular isso. Então, com o passar do tempo e o sofrimento dessa condição, ela vai ficando debilitada, se achando inferior, menos capaz. Tudo isso vai deixando-a desesperançosa, melancólica, chegando aos sintomas da depressão.

No entanto, Fernandes reforça que é preciso compreender que existe uma diferença entre ter o sentimento de ansiedade e ter de fato um transtorno ansioso, como transtorno do pânico, fobias, transtorno de ansiedade generalizada e transtorno do estresse pós-traumático, por exemplo.

“O sentimento de ansiedade é normal até certo ponto, mas pode se tornar patológico. É um sentimento que pode acontecer tanto nos transtornos ansiosos, quanto na depressão”, ele explica. Dessa forma, é possível que o sentimento de ansiedade faça parte de um quadro depressivo. Inclusive, de acordo com Fernandes, metade dos casos de depressão caminham junto com a ansiedade.

“O sentimento de ansiedade é normal até certo ponto, mas pode se tornar patológico. É um sentimento que pode acontecer tanto nos transtornos ansiosos, quanto na depressão”, ele explica. Dessa forma, é possível que o sentimento de ansiedade faça parte de um quadro depressivo. Inclusive, de acordo com Fernandes, metade dos casos de depressão caminham junto com a ansiedade.

Como saber se tenho depressão e ansiedade

Uma pessoa que esteja convivendo com os dois problemas poderá apresentar os sintomas comuns de depressão e de ansiedade, como também pode não ter os sintomas tão explícitos. Fernandes afirma, inclusive, que existem diversos casos em que o paciente busca ajuda querendo tratar a ansiedade, mas que na verdade essa pessoa tem um quadro depressivo e não sabe.

“Já em outros casos, a pessoa tem a depressão e tem a associação de um transtorno ansioso, aí nós chamamos isso de comorbidade”, ele afirma. Dessa forma, a maneira mais segura de conseguir um diagnóstico e, consequentemente, o melhor tratamento é buscando ajuda especializada.

Sintomas de depressão e ansiedade

Conheça mais sobre os sintomas de cada uma das condições:

– Depressão: é caracterizada por sintomas como humor deprimido, juntamente com a diminuição do prazer, desde as atividades diárias até a perda da libido. Alterações de apetite, como aumento ou diminuição, assim como desregulação do sono também podem ocorrer, além de quadros de fadiga, cansaço, indisposição, sentimento de culpa e inadequação e dificuldade para se concentrar.

– Ansiedade: temos como característica a ansiedade em si como conhecemos, a preocupação excessiva, não necessariamente com um foco. Essa preocupação não é controlada pelo indivíduo, é uma invasão da mente. Junto com a ansiedade, pode surgir a inquietação, o nervosismo, a fadiga e o cansaço, além da dificuldade para se concentrar. Também pode haver alterações de sono, mas nesse caso, o sono se torna mais leve e com pouca qualidade. Entre os sintomas físicos, estão a falta de ar, o suor, a mão gelada, boca seca, tontura e náusea.

Prevenção e tratamento

Para entender se é hora de procurar ajuda especializada, o melhor é observar os seus sintomas. O que vai ser determinante é a intensidade e a frequência com que eles aparecem no dia a dia. “Estar ansioso antes de uma prova é comum, mas sentir-se assim todo dia, a maior parte do dia não, já é um indicativo de algo mais sério”, diz psicóloga Juliana Leonel, professora do Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas. O mesmo serve para a depressão.

Fernandes acrescenta que existem tratamentos medicamentosos que podem ajudar a tratar a depressão, o transtorno ansioso e a depressão ansiosa, além de terapias, que são uma excelente forma de tratamento. “Para transtornos ansiosos e depressão, a terapia cognitivo comportamental funciona muito bem e é o método com uma maior evidência de eficácia”, ele destaca.

Entretanto, o ideal é estar atento para se prevenir dessas condições, apostando em qualidade de vida, melhora da rotina, em boas noites de sono e na alimentação. E, se sentir que algo está errado, não tente ignorar o problema, busque ajuda, seja de um psicólogo ou psiquiatra. “Não há porque ter vergonha e estigma em procurar um profissional da saúde mental. Ao reconhecer os sintomas, procure ajuda porque quer ficar bem, porque está preocupado com a sua saúde”, finaliza Leonel.

Para ler na íntegra, acesse: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2019/05/09/ansiedade-e-depressao-podem-ocorrer-ao-mesmo-tempo.htm

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça:

transtornoestressTRANSTORNOS DE ANSIEDADE, ESTRESSE E DEPRESSÕES
Conhecer e tratar
Autor: Breno Serson
MG EDITORES

Insônia, falta ou excesso de apetite, falta de ar, tonturas, medos, aperto no peito, pensamentos angustiantes. Esses e outros sintomas físicos e mentais podem indicar um transtorno de ansiedade ou depressão, que atinge cada vez mais nossa sociedade contemporânea. Este livro objetiva partilhar conhecimento, em linguagem simples, estressesobre os transtornos ansiosos e depressivos e os tipos de tratamento disponíveis, refletindo sobretudo sobre a integração de tratamentos convencionais e de medidas gerais benéficas.