CONHEÇA O PENSAMENTO DE LAURA GUTMAN, AUTORA DE “O PODER DO DISCURSO MATERNO”, EM ENTREVISTA À REVISTA PAIS E FILHOS

A edição de novembro da revista Pais e Filhos traz ampla entrevista com a terapeuta argentina Laura Gutman, que lançou pela Editora Ágora o livro O poder do discurso materno. Na reportagem, Laura destaca a importância de nos reconectarmos com a criança que fomos para ver o mundo – e os filhos – com nossos próprios olhos. Leia a íntegra: http://goo.gl/WE2Eec.

As lembranças se organizam na consciência por meio de palavras, que quase sempre foram proferidas por nossa mãe. Logo que nascemos – e às vezes antes –, nossa mãe determina “como somos”: a boazinha, o estudioso, a ovelha negra, o avoado, o terrível. Assim, organizamos as lembranças do ponto de vista do discurso materno e acabamos por vestir certos personagens, atuando sempre da mesma forma na esperança de obter amor e aceitação. Mas até que ponto esses rótulos de fato refletem quem somos? Quantas de nossas dificuldades afetivas, profissionais e familiares advêm daí?

No livro O poder do discurso materno, Laura explica o funcionamento de sua metodologia de construção da biografia humana. Um processo de autoconhecimento que permite às pessoas entrar em contato com experiências esquecidas no inconsciente e, com base em um novo ponto de vista, libertar-se do passado opressor e criar novas maneiras de ser e estar no mundo.

Sem dar conselho, nem apontar falhas nem culpados, Laura conduz o indivíduo por uma jornada de autoconhecimento, desvendando experiências infantis que não estão racionalmente organizadas na consciência. “Não importa o que é correto ou o que é incorreto. A única coisa que importa é compreendermo-nos mais e entendermos a lógica de nossas ações, de nossos rancores, de nosso medo ou de nossa rigidez. Se estamos procurando o equilíbrio fora de nós, não o encontraremos nunca”, afirma terapeuta.

O livro mostra que esse mergulho interior por vezes é duro, dolorido, mas o potencial de crescimento que advém dele é capaz de transformar por completo aqueles que têm coragem o bastante para enfrentar um processo de mudança de condicionamento e de pautas que adquirimos quando crianças. “Emergem daí seres humanos mais completos e aptos a manter relações familiares e amorosas harmônicas”, complementa a autora.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1348/Poder+do+discurso+materno,+O

‘VIOLÊNCIA DOMÉSTICA PASSA DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO, DIZ ESTUDO’

Quatro a cada cinco famílias com pais envolvidos em violência doméstica tiveram filhos que, adultos, cometeram atos violentos contra os parceiros.

O risco de violência doméstica frequentemente é passado de pais para filhos, diz um novo estudo. Pesquisadores analisaram dados de mais de 1600 famílias norte-americanas e descobriram que perto de quatro a cada cinco famílias com pais envolvidos em violência com o parceiro tiveram filhos que, adultos, cometeram violência contra os parceiros. E 75% destas famílias tiveram filhos que, adultos, se tornaram vítimas de violência doméstica.

“Estas famílias infelizmente não conseguiram quebrar o ciclo da violência”, disse a autora do estudo Kelly Knight, professora-assistente da Faculdade de Justiça Criminal da Sam Houston State University, no Texas, em uma publicação sobre o estudo.

“A maioria dos pais e mães que viveram situações de violência tiveram filhos que acabaram crescendo para viver a mesma experiência”, disse Knight.

Exemplos de violência doméstica envolvendo parceiros incluem empurrar, agarrar, bater, atirar coisas, socar, bater usando objetos, sufocar, ameaçar com arma, usar arma e tentar matar um parceiro ou cônjuge.

A grande maioria de pais e mães envolvidos no estudo – 92% – disse ter cometido ao menos um ato de violência doméstica, e cerca de dois terços declararam ter cometido ao menos um ato violento contra o parceiro ou parceira. Entre seus filhos adultos, quatro a cada cinco disseram ter cometido ao menos um incidente menor de violência doméstica.

66% dos pais e 36% de seus filhos já adultos relataram ter sido vítimas de violência pelas mãos dos parceiros, apurou o estudo. Além disso, 93% dos pais e 78% dos filhos adultos declararam ter sido vítimas de incidentes menores de violência doméstica.

Um quinto das pessoas disseram ter participado em três ou mais tipos de violência doméstica, de acordo com o estudo, que deve ser apresentado este mês no encontro anual da Sociedade Americana de Criminologia em Atlanta. Os dados e conclusões da pesquisa são preliminares e ainda não foram pesquisadas em uma publicação revisada por pares.

Texto do , publicado no iG em 07/11/2013. Para lê-lo na íntegra, acesse:
http://delas.ig.com.br/comportamento/2013-11-07/violencia-domestica-passa-de-geracao-em-geracao-diz-estudo.html

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Se você se interessa pelo assunto, conheça o livro A transmissão geracional em diferentes contextos – Da pesquisa à intervenção, da Summus:

Autoras: Maria Aparecida Penso, Liana Fortunato Costa

Obra pioneira e multidisciplinar que conta com autores de várias correntes da psicologia, todos com o objetivo de analisar a transmissão geracional e suas consequências. A primeira parte enfoca a questão sistêmica, faz a ponte entre o psicodrama e a transmissão geracional e aborda o genograma. A segunda parte discute como lidar com casos de violência, especialmente familiar.

Para ler o sumário e as primeiras páginas deste livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/indice/10494.pdf

 

LEIA ENTREVISTA DA PSICÓLOGA ELIZABETH NO SITE DELAS, DO IG

Em entrevista ao site Delas, do Portal IG, a psicóloga Elizabeth Monteiro fala sobre o seu novo livro: Cadê o pai dessa criança?, lançamento da Summus Editorial. Ela afirma que a família mudou e os homens não acompanharam essa evolução. Leia a reportagem na íntegra: http://zip.net/bvlnHb.

Pesquisas e reportagens têm alardeado nos últimos anos uma mudança no comportamento dos pais: eles estariam mais participativos na vida dos filhos. Há certamente um avanço, porém muito longe do ideal. Infelizmente, a maioria das famílias ainda convive com um pai perdido em seu papel. Eles não interrompem o trabalho para dar um telefonema para casa e certificar-se de que os filhos estão bem; não vão à escola saber como está o desempenho; não se preocupam em dar bons exemplos; não têm a menor ideia do quanto a ausência prejudica o desenvolvimento dos filhos.

No livro Cadê o pai dessa criança?, Elizabeth fala diretamente com esses pais: o ausente, o violento, o folgado, o ignorante, o workaholic e até o abusador. De forma direta e contundente, ela mostra a importância de resgatar a identidade paterna e afirma: “Assim como a mãe, o pai tem a obrigação de cuidar do filho de maneira amorosa, respeitosa, ser presente e atuante. Do contrário, não é pai”.

Na avaliação da psicóloga, o homem não nasce pai. Ele se transforma em pai – o que difere da mulher, que biologicamente já vem com preparo para exercer a maternidade e se especializa desde criança, com as brincadeiras com bonecas. “A mulher, ao engravidar, começa a desenvolver uma ligação afetiva e maternal com o filho”, afirma. Segundo ela, o homem tem de aprender a desenvolver o amor paterno. E o filho só precisa de um pai coerente, que tenha bom-senso, boa dose de bom humor e postura amiga. De qualquer forma, o pai ideal está longe de ser perfeito. “Tudo que é perfeito ou imperfeito demais é patológico”, alerta a autora.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1352/Cad%C3%AA+o+pai+dessa+crian%C3%A7a%C2%A7

 

‘ENSINAR OS FILHOS EM CASA GANHA FORÇA NO BRASIL E GERA POLÊMICA’

Uma nova batalha vem sendo travada dentro e especialmente fora das salas de aula do Brasil. A polêmica gira em torno da chamada educação domiciliar, em que famílias optam por ensinar seus filhos na própria casa e não na escola.

De um lado da trincheira estão pais que defendem o direito de eles próprios – e não o Estado – decidirem como e onde os filhos serão educados. Ao se dizerem insatisfeitos com o sistema educacional do país, eles mostram aprovações dos filhos em exames como o Enem para corroborar a eficácia da educação domiciliar.

No outro lado da disputa estão o governo e alguns juristas alegando que tirar uma criança da escola é ilegal, além de alguns educadores, que criticam a proposta, especialmente com argumento de que essa prática colocaria as crianças em uma bolha.

Mais sedimentado em países como os Estados Unidos, o homeschooling (como também é conhecido pela expressão em inglês) vem ganhando fôlego no Brasil. Segundo a Aned (Associação Nacional de Educação Domiciliar), há mil famílias associadas no grupo. Mas Ricardo Iene, cofundador do órgão, calcula que, pela quantidade de e-mails que recebe, sejam mais de 2 mil famílias educando seus filhos em casa no Brasil.

O movimento também está conquistando espaço na esfera política. No próximo dia 12, haverá uma audiência pública em Brasília para discutir o tema, na Comissão de Educação e Cultura da Câmara. Na pauta, estará também o Projeto de Lei (PL) do deputado Lincoln Portela (PR-MG), que autoriza o ensino domiciliar.

Para a Aned, o direito ao ensino domiciliar já é reconhecido por convenções internacionais de que o Brasil é signatário, mas a previsão das regras em lei daria mais segurança aos pais que optam por esta modalidade de ensino.

POR QUE EM CASA?

“Quando meu filho tinha 7 anos, um garoto da escola, que tinha 10 anos, batia nele e o perseguia por causa do nosso sotaque baiano”, conta Ricardo Iene, cofundador da Aned (Associação Nacional de Educação Domiciliar), que é natural da Bahia, mas mora em Belo Horizonte (MG) há cinco anos. “Também havia um garoto que ficava assediando milha filha.”

“Fui várias vezes na escola, reclamar, conversar, tentar resolver esses problemas. Mas nunca adiantou.”

O bullying foi um dos motivos que, há três anos, influenciou Ricardo a tirar da escola, Guilherme, de 13 anos, e Lorena, de 15 anos. Mas certamente não foi a única motivação. Tanto para o publicitário que vive em BH como para outros pais ouvidos pela BBC, é sempre um conjunto de fatores que o impulsionam a tomar essa decisão.

Mas um deles parece estar sempre presente: o desejo de estar mais envolvidos e presentes na criação dos filhos.

“Vemos crianças hoje em dia que entram na escola às 7 da manhã e ficam até bem depois das 17h ou 18h, porque elas ficam fazem balé, natação e várias outras atividades. Além da agenda cheia como a de um adulto dessas crianças, mal sobra tempo para o convívio familiar”, diz M.L.C, mãe de 4 filhos, todos em homeschool, que não quis se identificar por temor de ser denunciada.

Ricardo também sentia falta do envolvimento de outros pais quando frequentava as reuniões na escola dos filhos, tanto das instituições públicas como das particulares. “Muitos pais nem participavam. E aí, ficava ainda mais difícil melhorar a situação da escola.”

Outro ponto que impulsionou o publicitário e outras famílias a optarem pelo homeschool é o fato de não concordarem com alguns valores morais passados na escola. Ricardo diz que ele e outros associados da Aned costumam se incomodar especialmente com a abordagem de temas como sexo e homossexualidade.

VIVENDO EM UMA BOLHA?

Mas se do lado dos pais praticantes da educação domiciliar só se ouve elogios do tipo “agora meu filho aprende e não apenas decora”, do lado dos educadores, o que se vem são dúvidas e críticas. Muitas críticas.

“Se os pais estão insatisfeitos com a escola, há muitas outras alternativas antes de se colocar o filho em uma bolha”, afirma a educadora Silvia Colello, professora de Psicologia da Educação e outras disciplinas da Faculdade de Educação da USP.

“Além do mais, qual a lição subliminar que se está passando ao filho ao tirá-lo da escola? Certamente algo como, diante de um problema, basta resolver apenas a minha parte, salvar a própria pele, e o resto que se dane.”

Para a educadora, os pais também erram ao acreditarem que com educação domiciliar estão protegendo seus filhos, por estarem em um ambiente amigável, sem bullying, sem competição. “Infelizmente, a vida não é assim. Mais cedo ou mais tarde, essa criança vai se deparar com a realidade. Vai começar em um emprego, por exemplo, onde há competição, bullying, tudo isso.”

Silvia também cita a importância da escola não apenas pelo conteúdo, mas também pela convivência que se tem com outras pessoas e o aprendizado que se tem com isso, seja na hora de se aprender a lidar com o outro, de aprender com os colegas, comparar seus trabalhos e até mesmo de lidar com brigas e desentendimentos. “Toda essa vivência é tão importante quanto português, matemática ou história”, diz a educadora.

Os homeschoolers, no entanto, dizem que as crianças não vivem em uma bolha e têm essa convivência ao encontrarem amigos no clube, na praça, na igreja ou na casa deles e ao frequentarem atividades, como natação, fotografia e judô.

“Acho contraditório”, afirma a educadora. “Se o problema é a perseguição na escola, não tem bullying na aula de natação?”

LUTA DE TODOS

A educadora Maria Celi Chaves Vasconcelos, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) aponta um outro problema na prática da educação domiciliar no Brasil de hoje: a falta de fiscalização do Estado. Algo que foi reforçado durante a pesquisa para seu pós-doutorado, sobre o homeschooling e suas implicações hoje tanto no Brasil como em Portugal.

“Diferentemente dos portugueses, que já conseguiram colocar todas as suas crianças na escola, nós ainda estamos caminhando para isso. Então, no momento, seria difícil conciliar sistemas diferentes de educação”, diz.

“Como o governo conseguiria fiscalizar as crianças em educação domiciliar se ainda não faz isso de maneira satisfatória nem com as próprias escolas públicas?” Segundo ela, em Portugal, as crianças em homeschools são registradas nós órgãos regionais e as autoridades fazem um acompanhamento da educação delas.

Ela vê aspectos positivos no método, como ensinamentos passados não apenas em salas de aula, mas também em locais como museus e planetários. E acredita que escolha dos pais em relação à educação dos filhos seja algo inevitável no futuro, quando o Brasil atingir suas metas educacionais.

Enquanto isso, Silvia, a educadora da USP, também defende que essa opção é prejudicial ao projeto de educação do país como um todo.

“É claro que a ensino no Brasil ainda está bem aquém do esperado, mas é preciso se ter uma frente de luta e não de alienação. E essa luta não é só do Estado, mas também das escolas, dos pais, dos professores e de toda a sociedade.”

Texto de Mariana Della Barba, da BBC Brasil, publicado na Folha de S.Paulo em 01/11/2013. Para lê-lo na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/bbc/2013/11/1366471-ensinar-os-filhos-em-casa-ganha-forca-no-brasil-e-gera-polemica.shtml

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Saiba mais sobre o assunto lendo “Educação formal e não-formal: pontos e contrapontos”, da Summus.


Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Jaume TrillaElie Ghanem

Neste livro, os autores discorrem sobre os diferentes aspectos que contemplam essas duas perspectivas das práticas educativas, analisando seu aspecto histórico, social e político. Os pontos e contrapontos tecidos no diálogo estabelecido por Ghanem e Trilla sinalizam a importância da cooperação e da complementariedade entre a educação formal e a não formal, na busca de uma educação mais justa e mais democrática.