‘EQM – PASSAGEM DE IDA E VOLTA PARA A MORTE’

Um dos maiores mistérios da existência humana é a compreensão do que acontece com a nossa consciência após a morte. Continuamos como observadores de um outro mundo ou apagamos completamente? Uma forma de buscar respostas é pesquisar sobre as “experiências de quase-morte” (EQM), termo traduzido de “near-death experiences”, criado em 1975 pelo pioneiro nos estudos desses fenômenos, o médico americano Raymond Moody Jr. São experiências subjetivas que ocorrem em situações ameaçadoras de vida. Os elementos mais comuns são: sentir paz, total serenidade, ver um túnel ou uma luz forte, encontrar parentes falecidos, revisar a vida, sair do corpo e vê-lo de cima, e retornar de forma consciente ao corpo.

Não há consenso entre os pesquisadores sobre a melhor forma de definir esse tipo de experiência e nem como estudá-la. O desafio é conseguir separar reações fisiológicas ou delírios de uma real consciência. A forma que parece mais concreta para uma investigação, e a mais utilizada, é o uso de casos de parada cardíaca, quando a pessoa é considerada clinicamente morta e volta a viver, relatando ter estado consciente durante o período em que estava morta.

E por que interessa à ciência investigar esse tipo de experiência? Porque a implicação disso é enorme. Se a consciência funciona mesmo com o cérebro parado, implica que ela é uma entidade independente do cérebro, ou seja, não é apenas fruto de conexões elétricas e químicas dos neurônios. Isso contradiz a concepção de que a mente e a consciência são produtos de atividade neural, dando mais um nó na cabeça dos cientistas, que não sabem ao certo nem como os pensamentos são formados ou como a subjetividade e o “eu” consolidam-se em nosso ser. O vencedor do prêmio Nobel, Dr. John Eccles, defende que a consciência é uma entidade a parte, ou seja, não pode ser reduzida apenas a atividades cerebrais. As experiências com EQM poderiam contribuir nesse sentido.

Um médico destemido, Sam Parnia, consolidou-se como um especialista em ressuscitação. Ele diz que “ninguém que morra de algo reversível deve morrer mais disso”. Além de investigar formas mais eficazes de ressuscitar pacientes, Dr. Parnia dedicou-se a um estudo intitulado “Aware Study”. A sigla “Aware” refere-se a “awareness during resuscitation” e quer dizer “consciência durante o processo de ressuscitação”. Dr. Parnia pretendia demonstrar a existência de uma consciência após a morte, confirmando de forma objetiva as experiências de quase-morte, mas nesse sentido, não conseguiu. Após a divulgação dos resultados, passou a dizer que o importante era “abrir portas para novas descobertas”. Alguns veículos da mídia resolveram pular na onda do vendável e da informação rápida e sucinta e divulgar sumários pobres sobre os resultados da pesquisa, com títulos como: “First Hint of Life Afte Death in Biggest ever Scientific Study” (“Primeiro indício de vida após a morte no maior estudo científico de todos os tempos”), reproduzidos com rapidez no Brasil e compartilhado no Facebook.

O “Aware Study” define-se no seu site como “o maior estudo já realizado nesse campo” – das experiências de quase-morte. Foram estudados 2060 pacientes que sofreram uma parada respiratória, em quinze hospitais na Inglaterra, nos Estados Unidos e na Áustria. A pesquisa durou quatro anos e usou um sistema de entrevistas qualitativo e quantitativo, formado em três etapas. Foi a primeira vez que se usou marcadores objetivos para tentar separar as experiências reais dos eventos alucinatórios, com testes que procuraram identificar a validade visual e sonora dos relatos. Utilizou-se placas com imagens específicas colocadas em locais escondidos da visão convencional, mas que poderiam ser vistas por alguém “flutuando acima de seu corpo”, na sala de ressuscitação, para verificar se algum paciente as mencionava, como prova de estarem conscientes durante o processo. Seria uma forma de diferenciar de forma objetiva alucinações ou efeitos fisiológicos de um real evento de “Experiência Fora do Corpo”.

Os casos foram estudados em 2008, mas o resultados dos estudos só foram divulgados em outubro de 2014, na publicação Resuscitation. Do total dos pacientes estudados, 39% relataram a percepção de uma consciência enquanto estavam clinicamente mortos, mas não descreveram eventos específicos. Para Dr. Parnia isso sugere que muitos pacientes podem perder a memória desses eventos após a recuperação, devido a drogas sedativas ou danos cerebrais. Uma das conclusões do estudo é a de que “os temas relacionados à experiência da morte parecem muito mais amplos do que a compreensão que temos deles até agora”. Também se afirma haver “indícios de que algumas memórias de consciência visual são compatíveis com o chamado “experiência fora do corpo” e podem corresponder a eventos reais”. 46% relataram memórias relacionadas aos sete maiores temas cognitivos humanos: medo, animal ou plantas, luz clara, violência e perseguição e deja-vu. Apenas 2% dos pacientes relataram memórias visuais, como ver os médicos na sala.

Após uma parada cardíaca, a atividade elétrica do cérebro cessa em 20 a 30 segundos e só retoma quando o coração volta a bater. Cientificamente falando, não deveria haver nenhuma consciência durante esse período. Alguns cientistas afirmam que o relato de consciência é fruto da atividade cerebral ocorrida logo antes da parada cardíaca ou imediatamente após, nos primeiros segundos da ressuscitação. O indivíduo está inconsciente mas ainda tem ondas cerebrais presentes, dando a impressão de que ocorreram enquanto o corpo estava morto. Isso poderia explicar porque é comum os pacientes relatarem ver um túnel, já que a redução de fluxo sanguíneo para a retina e para o córtex visual, a zona do cérebro responsável pelo processamento da visão, provoca um estreitamento do campo visual.

Pesquisa da University of Michigan, anterior a do “Aware Study”, com ratos em laboratórios, indicou haver estímulos cerebrais isolados e esporádicos mesmo após a parada respiratória. Isso justificaria fisiologicamente as experiências de quase-morte, como sentir paz, pensar em memórias do passado ou mesmo encontrar parentes mortos, oferecendo uma explicação totalmente científica para esse tipo de fenômeno. Os pesquisadores também afirmaram terem encontrado uma prova de que a morte é um processo e não um evento, ou seja, ela ocorre aos poucos. Dr. Parnia critica esse estudo por ele ter sido feito em cérebros de ratos, e por isso pouco poder ser aplicado ao cérebro humano, “não há um modelo animal de experiências de quase-morte”, ele diz. O “Aware Study” foi realizado apenas com seres humanos.

As conclusões da tão esperada pesquisa do “Aware Study” desapontam. Primeiro porque divulga-se que foram estudados 2060 pacientes, mas 1920 deles não puderam ser ressuscitados (ou seja, morreram) ou não foram capazes de dar entrevista, caindo consideravelmente o número de pacientes realmente entrevistados.  Apenas 140 dos 2060 foram realmente estudados para se averiguar a possibilidade de terem tido uma experiência de quase-morte. Muito também se falou sobre a iniciativa do estudo em esconder na sala de ressuscitação placas com imagens específicas, de forma que apenas o paciente pudesse “vê-la” de cima, fora do corpo, para tentar comprovar a presença de uma consciência, de forma objetiva. Mas nenhum foi capaz de identificá-las. Nenhum.

Mas o fato de que 2% dos pacientes tiveram alguma forma de consciência visual verificada (terem identificado um médico que estava na sala, por exemplo) é excitante e indica que há muito ainda para se pesquisar sobre a relação cérebro-consciência, um campo obscuro já não mais privilégio das religiões.

O “Aware Study” pode não ter conseguido resultados convincentes, mas o doutor Parnia tem contribuições importantes no campo da ressuscitação e assim, no lidar com a morte. Ele explica alguns casos interessantes, como o de uma menina que foi ressuscitada após 16 horas morta, no livro “Erasing Death” (“Apagar a Morte”, disponível em português de Portugal, ed. Pergaminho, 2013).

Pelo ponto de vista científico, continuamos com as mesmas dúvidas: a consciência é apenas fruto da atividade cerebral? É o cérebro que ativa a consciência ou é a consciência que ativa o cérebro? E por último, que raios acontece depois que morremos? Continuamos a observar o mundo ou desaparecemos numa infinita gelatina sem cor e cheia de granulados, que me parece ser a galáxia em que vivemos.

Arrastada por 50 metros no asfalto – o depoimento de Vania Toledo

A forma mais popular de nos referirmos a uma experiência de quase-morte é nos casos em a pessoa sobrevive a um acidente grave e relata memórias sobre o período em que esteve desacordada, por exemplo. Escutamos depoimentos de amigos e nos assustamos com a vivacidade e profundidade da experiência. Não há dúvidas de que passar por uma situação de risco iminente de morte é transformador. Os relatos são vívidos e intrigam também por assemelharem-se muito uns aos outros. Os elementos presentes numa experiência de quase-morte já foram definidos por pesquisadores e confirmados com depoimentos. Apesar de não haver consenso e nem provas concretas quanto a uma explicação científica para sua ocorrência.

Conversei com a fotógrafa Vania Toledo sobre um acidente gravíssimo que ela teve em 1991. Num momento da sua recuperação, foi dada como morta por 11 médicos.

Numa tarde de domingo, Vania saía de um cinema na rua Augusta em São Paulo quando foi atropelada por um carro. Ela segurou no para-choque para levantar-se mas o motorista resolveu sair andando como se nada tivesse acontecido, arrastando Vania por 50 metros, grudada no para-choque. As pessoas na rua começaram a gritar e a polícia interveio, acionando a sirene. O motorista finalmente parou. Ele e seus três amigos estavam bêbados.

Vania desmaiou e conta ter se visto de cima, morta no asfalto. “Parecia que eu estava numa grua de cinema, bem alta, como se estivesse nas nuvens. Na minha frente, tinha um brilho muito forte, como uma luz diretamente nos meus olhos. Eu sentia paz misturada com medo. Acho que era o medo do desconhecido, porque eu senti que estava indo embora, mas eu adoro a vida e gostaria muito de viver”, diz Vania. Ela considera que o medo a trouxe de volta, junto com a força da vontade de criar seu filho e continuar seus projetos.

Após o acidente, ela leu outros relatos sobre esse tipo de experiência e, numa conversa com o dramaturgo Caio Fernando Abreu (1948 – 1996), que era espírita, entendeu ter visto o túnel da morte, que liga a vida real com a vida após a morte.

“Quando eu vi os bombeiros chegando, eu voltei para o meu corpo”. Vania foi para o Hospital Santa Casa, onde passou por 22 cirurgias. De lá foi transferida para o Hospital Sírio Libanês, em que permaneceu por seis meses e meio na UTI. Seu ortopedista a chama de “milagre”. Ela foi dada como morta em consequência de uma septicemia (infecção generalizada grave). Sobreviveu.

“O que eu passei não foi uma fantasia, é algo profundamente íntimo e doloroso para mim, algo que eu nunca conto para ninguém”, afirma Vania. “É como se eu tivesse visto o portão que dá para o outro lado, mas eu decidi não abrir e não entrar. O fato de você sobreviver a isso e poder constatar a força da recuperação e de reverter todos os prognósticos médicos, é no fundo, a força da vida. É a possibilidade de decisão interna que temos de dirigir pelo menos um pouquinho o nosso destino, o mínimo poder de decisão que o ser humano tem de viver ou não”.

Vania comemora seu aniversário todo ano no dia 11 de novembro, dia do acidente. “É uma nova vida que me foi dada a viver”.

Texto de Camila Appel, publicado originalmente no blog Morte Sem Tabu, em 14/05/2015. Para lê-lo na íntegra, acesse:
http://mortesemtabu.blogfolha.uol.com.br/2015/05/14/eqm-passagem-de-ida-e-volta-para-a-morte/

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Tem interesse pelo assunto? Conheça o livro da Summus:

10734LIÇÕES DA LUZ
O que podemos aprender com as experiências de proximidade da morte
Autores: Kenneth Ring, Evelyn Elsaesser Valarino

A experiência de proximidade com a morte é considerada uma revelação de profunda beleza e densidade, capaz de transformar uma vida. Os autores organizam os ensinamentos revelados por essa experiência para que qualquer pessoa possa desfrutá-los, utilizando-os em sua vida cotidiana e num processo de crescimento espiritual.

 

 

 

 

‘PESQUISA DEMONSTRA COMO A FALTA DE SONO AFETA A TOMADA DE DECISÕES NA CRISE’

Estudo é pioneiro em mostrar impacto do cansaço em situações de risco nas quais as circunstâncias mudam constantemente e é preciso decidir o melhor caminho a seguir

A diferença entre a vida e a morte na sala de cirurgia, no campo de batalha ou durante um tiroteio policial muitas vezes se resume à capacidade de adaptação ao inesperado. A privação do sono – um dos grandes males da vida moderna – pode prejudicar isso, aponta um estudo da Washington State University publicado este mês na revista científica Sleep.

Pela primeira vez, os pesquisadores conseguiram reproduzir, em laboratório, uma simulação de como a falta de sono afeta aspectos críticos da tomada de decisão em situações-limítrofes do mundo real. Os resultados fornecem pistas de como ficar sem dormir por longos períodos pode levar médicos, socorristas, soldados e outros profissionais que lidam com crises a tomarem decisões catastróficas.

A história recente está cheia de exemplos das consequências, por vezes devastadoras, de pessoas “funcionando” sem dormir o suficiente. Investigações sobre o colapso na usina nuclear de Chernobyl e a explosão do ônibus espacial Challenger, por exemplo, mostraram que operadores privados de sono tiveram papéis cruciais nesses acidentes.

Criar uma situação controlada, em laboratório, que simula suficientemente bem as circunstâncias que levaram a lapsos graves de julgamento do mundo real sempre foi um desafio para os cientistas. Estudos já publicados anteriormente conseguiram mostrar como o sono compromete a atenção, mas os efeitos disso em testes de cognição e na tomada de decisões ainda são raros nesse campo de estudo.

Normalmente, a tomada de decisão é um processo dinâmico que exige de cada indivíduo se inteirar do que está ocorrendo em volta dela, como resultado de suas ações e de mudanças nas circunstâncias. Um cirurgião, por exemplo, pode notar uma mudança nos sinais vitais de um paciente no meio de um procedimento. Ele usa essa informação, também chamada de feedback, para decidir qual o melhor caminho a seguir.

“Um aspecto inovador deste estudo foi o uso de uma tarefa simples de laboratório que capta o aspecto essencial da tomada de decisões no mundo real, de se adaptar a novas informações em uma situação de mudança”, disse John Hinson, professor de psicologia e um dos autores da pesquisa.

“Estudos anteriores sobre perda de sono e tomada de decisões não levaram em conta a importância da adaptação de cada indivíduo à evolução das circunstâncias na hora de determinar se a perda de sono pode ou não levar a falhas em tomadas de decisão.”

Para o experimento, foram usados 26 voluntários saudáveis, dos quais, 13 foram selecionados aleatoriamente para passar 62 horas sem dormir, enquanto a outra metade do grupo pôde descansar. Durante seis dias e noites, os participantes viviam em um laboratório que lembrava um hotel, onde realizaram uma tarefa de aprendizagem reversa concebida para testar a capacidade deles de usar feedback para orientar decisões futuras.

Na tarefa, os indivíduos foram apresentados a uma série de números que, desconhecidos para eles, foram pré-definidos como “vá” (resposta) e “não vá” (não-resposta). Eles tinham menos de um segundo para decidir se respondiam ou não a cada número mostrado. Toda vez que eles identificaram corretamente um número com um valor de “vá”, recebiam uma recompensa monetária fictícia. Erros resultavam em perda.

Depois de algum tempo, tanto o grupo privado de sono quanto os que puderam descansar começaram a entender a tarefa e a selecionar os números certos. Em seguida veio a parte difícil. Os pesquisadores inverteram as contingências, de modo que os participantes tiveram que recusar uma resposta aos números que significavam “vá” e responder aos números que indicavam “não vá”.

Isso mostra, defendem os pesquisadores, que não importa o quanto uma pessoa quer fazer a escolha certa, a perda de sono faz algo com o cérebro que simplesmente impede o uso do feedback de forma eficaz. Para eles, a pesquisa fornece uma nova ferramenta para investigar como a privação do sono produz erros de decisão em situações da vida real onde a informação muda ao longo do tempo.

“Nossos resultados nos dizem que colocar as pessoas privadas de sono em ambientes de potencialmente perigosos é um negócio inerentemente arriscado e levanta uma série de implicações médicas, jurídicas e financeiras”, disse Hans Van Dongen, diretor do Centro de Pesquisas do Sono e da Washington State University, outro autor do estudo.

Texto publicado originalmente no iG, em 12/05/2015. Para lê-lo na integra, acesse:
http://saude.ig.com.br/minhasaude/2015-05-12/pesquisa-demonstra-como-a-falta-de-sono-afeta-a-tomada-de-decisoes-na-crise.html

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Você sofre de algum distúrbio do sono ou conhece alguém nesta situação? Conheça:

50047DURMA BEM, VIVA MELHOR
Autores: Stella Tavares, Pedro Paulo Porto Junior, Pedro Luiz Mangabeira Albernaz, Márcia Carmignani, Andrea Pen Mangabeira Albernaz
MG EDITORES

Quando os problemas de sono de repetem com freqüência, é preciso admitir que se está diante de um caso de doença do sono e que é necessário tratá-la. Este livro, escrito por uma equipe multidisciplinar do Hospital Albert Einstein, mostra os procedimentos corretos em termos de exames de diagnóstico, os diferentes tratamentos e seus efeitos. Obra útil para um grande número de pessoas que dorme mal mas desconhece as causas do problema.

 

‘PROFISSÃO PROFESSORA: CARREIRA PASSA DE MÃE PARA FILHA’

Há cerca de 20 anos, Roberta Bento costumava ver a filha Taís sentar as bonecas e brincar de professora. “Ela escrevia no quadro, copiava os textos no caderno de cada boneca, fazia os exercícios e depois corrigia as respostas”, diz a mãe. Naquela época, Taís imitava a mãe, que dava aulas particulares na sala que ficava nos fundos de casa, e ainda não sabia que a brincadeira viraria realidade.

“Uma vez cheguei em casa e a Taís estava dando aula de inglês para a moça que cuidava dela”, diz Roberta, que começou a dar aulas para o Mobral, antigo EJA (Educação de Jovens e Adultos), quando tinha 17 anos.

A menina cresceu e bem que tentou fugir da carreira da mãe. “Fiz um ano de administração e comecei a dar aulas de inglês. Vendo a prática em sala de aula, eu percebi que queria mesmo ir para a área da educação. Prestei vestibular na USP [Universidade de São Paulo] e fui estudar pedagogia”, conta Taís, formada em 2011.

Apesar da inspiração em casa, Taís diz que não foi fácil escolher a carreira de professora. “No colégio, ninguém estimula você a ir para pedagogia, letras. Eles querem número de aprovados em medicina, engenharia, direito. Em casa, eu tinha o exemplo da minha mãe, que sempre foi muito realizada naquilo que fazia”, diz.

“Quando eu decidi mudar de curso, algumas pessoas disseram para a minha mãe: ‘Você investiu tanto na educação dela para ela fazer pedagogia?'”.

De mãe e filha a sócias

Superado o preconceito, mãe e filha começaram a compartilhar as experiências e os desafios da carreira. Taís trabalhou durante seis anos em escolas públicas e particulares até montar uma página no Facebook com dicas para pais de crianças que estavam mal na escola.

Em pouco tempo, a jovem conseguiu convencer a mãe a deixar a vice-presidência de uma empresa de projetos educacionais para escolas públicas para criarem juntas o projeto “Socorro! Meu filho não estuda”.

“Quando ela me chamou para montar a empresa foi um susto, ao mesmo gratificante e assustador”, diz Roberta. Deixou o frio na barriga de lado e pediu demissão do cargo que ocupava há dez anos. “Percebi que ela sentia segurança na minha experiência e eu nesse perfil empreendedor que ela tem”.

Desde outubro do ano passado, as duas tiram dúvidas de pais aflitos pelo site, que é gratuito, e em palestras e cursos, que são pagas. E qual é o pedido de socorro mais comum? O mesmo que Roberta teve que resolver quando a filha era pequena: o dilema entre a falta de tempo e a necessidade de acompanhar de perto Taís na escola.

“Eu sempre tive certeza: o mais importante era a qualidade e não quantidade do tempo que eu passava com ela. Quando estávamos juntas, nem que fosse só meia hora, eu ficava totalmente concentrada nela. E qualidade não era deixá-la fazer o que quisesse. Eu sabia que ela precisava que eu estabelecesse limites e que dissesse não algumas vezes”, diz.

Texto de Marcelle Souza, publicado originalmente no UOL em 08/05/2015. Para lê-lo na íntegra, acesse: http://educacao.uol.com.br/noticias/2015/05/08/profissao-professora-carreira-passa-e-de-mae-para-filha.htm

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Quer saber mais sobre a profissão? Conheça o livro:

10502PROFISSÃO DOCENTE: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Sonia Penin e Miquel Martínez
Summus Editorial

Partindo da premissa de que o trabalho docente se dá nos emaranhados de um contexto social e institucional, Sonia Penin, diretora da Faculdade de Educação da USP, e Miquel Martínez, diretor do Instituto de Ciências da Educação da Universidade de Barcelona, trazem elementos e perspectivas que enriquecem a análise da referida temática.

 

‘MÚSICA ALIVIA A DOR NO TRABALHO DE PARTO’

A dor e ansiedade, habitualmente, aumentam com a evolução do trabalho de parto. Um estudo turco avaliou se a música pode ter impacto positivo nestes parâmetros.

Muitas mulheres experimentam dor e ansiedade a medida que o trabalho de parto progride. Especialmente se elas estão na primeira gravidez. Admite-se que até 60% das mulheres experimentam uma dor intensa e que 50% das mulheres em trabalho de parto não ficam satisfeitas com o alívio da dor após receberem analgésicos. Claro que quanto maior a  ansiedade maior é a sensação de dor. Logo, a dor do parto pode ser modificada por meio de mecanismos psicológicos e fisiológicos. Será que isso inclui o uso de música no trabalho de parto?.

Foi exatamente isso o que fizeram pesquisadores da Turquia. Eles realizaram um ensaio clínico para avaliar o efeito da música no trabalho sobre a dor e ansiedade, hemodinâmica materna, parâmetros fetal-neonatal e demanda de analgésicos no pós-parto em mulheres que estavam dando a luz pela primeira vez. Foram incluídas 156 parturientes, sendo que elas foram distribuídas aleatoriamente para um grupo que receberam música ao longo do trabalho de parto ou um grupo controle, sem música. A intensidade da dor e nível de ansiedade foram medidas utilizando uma escala visual analógica. Quanto aos resultados, as mães no grupo de musicoterapia tiveram um menor nível de dor e ansiedade em todas as fases do trabalho de parto. Mesmo a pressão arterial e frequência cardíaca materna destas mulheres apresentaram comportamento mais adequado. E finalmente, elas pediram menos analgésicos no pós-parto. Uma curiosidade: todas as mulheres no grupo de música claramente manifestaram o desejo de continuar a terapia de música até o nascimento do bebê.

A conclusão do estudo é que musicoterapia pode ser clinicamente recomendada como uma alternativa, segura, fácil, não invasiva e não medicamentosa para aliviar a dor e melhorar o bem-estar materno-fetal. Pelo jeito é o tipo de procedimento que tem tudo para agradar as mães, os bebês e até os obstetras.

(SDimavli et al. Effect of Music on Labor Pain Relief, Anxiety Level and Postpartum Analgesic Requirement: A Randomized Controlled Clinical Trial. Gynecol Obstet Invest 2014;78:244–250)

Texto publicado originalmente no blod do Dr. Alexandre Faisal, no UOL, em  30/04/2015. Pa lê-lo na íntegra, acesse:
http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2015/04/30/musica-alivia-a-dor-no-trabalho-de-parto/

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Saiba mais sobre musicoterapia com os livros abaixo:

10054CAMINHOS DA MUSICOTERAPIA
Autora: Even Ruud

Este livro pretende esclarecer as relações entre a musicoterapia e os diferentes caminhos existentes na área da saúde mental e observar como estes diversos procedimentos estão vinculados a tendências filosóficas distintas.
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10058MÚSICA E SAÚDE
Autora: Even Ruud
Compilação de textos das conferências do Congresso de Musicoterapia (Oslo, 1985). Especialistas internacionais mostram as ligações entre a musicoterapia e outros campos do conhecimento, como a neurologia, a percepção corporal e a semiótica. O leitor encontra aqui reflexões e métodos sobre as diferentes formas de trabalhar com música em terapia.

10362O DESPERTAR PARA O OUTRO
Musicoterapia
Autora: Clarice Moura Costa
A partir de um embasamento teórico e de casos clínicos, a autora traça os objetivos e os limites da proposta psicoterápica apoiada na música. São mostradas as possibilidades de restauração dos processos de sociabilização e as reações dos pacientes.

10340TEORIA DA MUSICOTERAPIA
Contribuição ao conhecimento do contexto não-verbal
Autor: Rolando Benenzon
A musicoterapia é uma técnica que explora a relação entre emoções e música dentro de um processo terapêutico. Neste livro, o Dr. Benenzon esclarece os fundamentos teóricos da musicoterapia, contribuindo para a orientação na formação de musicoterapeutas em nível universitário.

PAULA PFEFER LANÇA SEU SEGUNDO LIVRO NO RIO DE JANEIRO

Paula Pfeifer recebeu convidados em animada noite de autógrafos do Novas crônicas da surdez, na Livraria da Travessa de Ipanema, no Rio de Janeiro. Veja abaixo alguns momentos:

Saiba mais sobre o livro lançado, acessando:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1410/Novas+cr%C3%B4nicas+da+Surdez

‘PEDAGOGIA DA DIFERENÇA’

A edição de abril da Revista Educação publicou ampla entrevista com a educadora Maria Teresa Eglér Mantoan, autora do livro Inclusão escolar – O que é? Por quê? Como fazer?, da Summus Editorial. Maria Teresa Mantoan Revista_EducaçãoUma das maiores especialistas em inclusão escolar no país, ela defende na reportagem uma ampla transformação das escolas regulares para atender a todos, indistintamente. Leia a íntegra: http://goo.gl/SwtEzF.

A ideia de educação inclusiva impulsionou, nas últimas décadas, mudanças significativas na educação e orientou a transformação nos sistemas de ensino no Brasil. Porém, os problemas históricos quanto à garantia do direito à educação aos estudantes com deficiência ainda não foram resolvidos. O que é inclusão escolar? Quais são as razões pelas quais ela tem sido proposta e quem são seus beneficiários? Como fazê-la acontecer nas salas de aula de todos os níveis de ensino? Maria Teresa responde a essas e outras perguntas no livro, que é o 10999terceiro volume da coleção Novas Arquiteturas Pedagógicas.

Baseando-se na legislação mundial e brasileira, a autora analisa em profundidade o caminho percorrido até aqui. Segundo ela, incluir é não deixar ninguém de fora da escola comum, ensinando todas as crianças, indistintamente. A pedagoga propõe um deslocamento da visão educacional que se sente ameaçada pela inclusão para uma perspectiva que se abre para outras formas de ensinar e avaliar a aprendizagem. Conhecendo o potencial teórico da educação inclusiva e sua implicação no campo da mobilização social, Maria Teresa mostra a importância da análise do contexto escolar, para entender as dificuldades de atender a estudantes com deficiência e outros e apontar o propósito da inclusão como objetivo primordial dos sistemas de ensino.

“A escola inclusiva brasileira tem sólidas fundações, na lei, no vanguardismo dos que se dispuseram expandi-la, verdadeiramente imbuídos do compromisso de transformá-la, para se adequar ao nosso tempo. Eles estão se multiplicando e surpreendendo, demonstrando a força desta ideia poderosa – que depende de uma expansão rápida dos projetos verdadeiramente imbuídos do compromisso de transformar a escola comum para se adequar aos novos tempos”, afirma a pedagoga.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1401/Inclus%C3%A3o+escolar