29 DE SETEMBRO: DIA MUNDIAL DO CORAÇÃO

 

Criado no ano 2000 pela WHF – World Heart Federation, o Dia Mundial do Coração é comemorado neste sábado, 29 de setembro. Em 2018, a entidade está aumentando a conscientização sobre um fator de risco cada vez mais importante: a poluição do ar. Quase uma em cada cinco mortes por doenças cardiovasculares são causadas pela poluição do ar, um total de 3 milhões de mortes no mundo a cada ano.

Pesquisas revelam que 7 milhões de pessoas morrem prematuramente todos os anos por causa da poluição do ar: 1,4 milhão de acidente vascular cerebral e mais de 2 milhões por doenças cardíacas.

Uma pesquisa cientifica recente, publicada pela revista Nature, adverte que a exposição ao dióxido de nitrogênio e às partículas finas da poluição do ar está claramente ligada à mortalidade por doenças cardiovasculares. A má qualidade do ar também é classificada como a quarta causa de DALY (Disability Adjusted Life Years), ou seja, um ano de vida saudável perdida,  de acordo com o mais recente Estudo Global do Ônus das Doenças.

Para a WHD, a redução da exposição à poluição do ar tornou-se um desafio crucial que o mundo precisa enfrentar se quiser continuar avançando na meta de reduzir o impacto das doenças não transmissíveis, especialmente cardiovasculares.

Além de alertar a população sobre os riscos da poluição do ar, a celebração do Dia Mundial do Coração tem como objetivo reforçar junto ao público a importância de manter a boa saúde do coração. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 300 mil pessoas sofrem infarto agudo do miocárdio por ano. Infelizmente, para 30% delas, a doença é fatal.

Por isso, para os mais cuidadosos e preocupados com a manutenção desse órgão fundamental do corpo humano, o livro Coração, manual do proprietário: tudo o que você precisa saber para viver bem, escrito pelo cardiologista Mauricio Wajngarten, da MG Editores, explica tudo sobre o seu funcionamento. O livro é  um manual sobre o coração acessível a todos. Já no primeiro capítulo, o médico explica o funcionamento do órgão a partir de analogias e desenhos divertidos.

No capítulo Conversando com o seu ‘mecânico’, o cardiologista dá dicas de como o paciente e o médico devem se comportar durante a consulta, explica o que é anamnese, bateria de perguntas que o médico faz ao paciente, exame físico etc. As doenças que podem afetar o coração como arteriosclerose, angina, enfarto, derrame, entre outras, são descritas no capítulo Sinais de desgaste do equipamento.

Em Manutenção preventiva, ele explica como lidar com “fatores de risco controláveis” como diabetes, tabagismo, colesterol, triglicérides, estresse, depressão etc. e, também, com “fatores de risco incontroláveis” como herança genética, raça, sexo e idade. E o cardiologista ressalta que os fatores controláveis ou modificáveis são responsáveis por 70% das doenças do coração.

Apertando os parafusos mostra o que é possível fazer para consertar um coração meio entupido: angioplastia, ponte de safena, cirurgia das valvas; ou um coração que bate pouco: marcapasso, transplante de coração e ressuscitação cardiorrespiratória.

No livro, o cardiologista fala da necessidade de cuidar do coração nas diferentes fases da vida: infância, adolescência, maturidade e velhice. Também explica como cuidar do coração durante o sexo, no verão e no inverno. Quanto aos exercícios físicos, ele garante que basta caminhar meia hora por dia para manter o coração saudável.

Para saber mais, acesse: https://www.gruposummus.com.br/mg/livro/9788572550307

ASSISTA EM VÍDEO À PALESTRA DE JOSÉ OSVALDO DO AMARANTE NA UNIBES

“Queijos e vinhos do Brasil e do mundo” foi o tema do bate-papo com José Osvaldo Albano do Amarante, autor da Mescla, na Unibes Cultural. O evento, gratuito, ocorreu no final de agosto e contou com a participação de Airton Gianesi, proprietário da queijaria Serra das Antas. Assista abaixo a essa verdadeira aula.

Conheça todos os livros do autor publicados pela Mescla Editorial:

QUEIJOS DO BRASIL E DO MUNDO PARA INICIANTES E APRECIADORES

José Osvaldo Albano do Amarante, um dos maiores especialistas em vinhos do Brasil, dedica-se neste livro a outra de suas paixões: o queijo, tema sobre o qual ministra palestras em todo o país desde 1993. Viajante inveterado, foi colecionando observações sobre os queijos que consumiu e aprofundou suas pesquisas ao longo das últimas três décadas. O resultado é uma obra completa, com dados sobre produção, exportação e consumo dos principais queijos do Brasil e do mundo. Aqui, ele aborda os tipos de leite e os fatores que garantem sua qualidade, fala sobre a classificação do queijo de acordo com a espécie de massa, conta a história do queijo no Brasil e classifica- os por tipo: de vaca, de cabra, de ovelha e de búfala. Amarante dedica-se ainda a comentar a produção de países como França, Itália, Espanha, Portugal, Suíça, Áustria, Alemanha, Holanda, Bélgica, Inglaterra, Noruega, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Grécia e Estados Unidos, com dicas de viagem e dados sobre produtores. Entre os atrativos desta verdadeira obra de referência estão ainda informações sobre compra, armazenamento, serviço, consumo e uso na culinária, além de receitas famosas que levam o queijo como principal ingrediente.

 

OS SEGREDOS DO VINHO PARA INICIANTES E INICIADOS

Este é o mais completo livro sobre vinhos já escrito no Brasil. Além de fornecer ao leitor todas as dicas para que ele compre, armazene e consuma seus vinhos de forma correta, harmonizando-os com todos os tipos de comida, a obra – agora em edição revista, atualizada e ampliada – explica a arte da produção de vinhos e traz informações detalhadas sobre os principais países produtores. Inclui tabela das melhores safras do mundo.

 

OS SEGREDOS DO GIM

Única obra brasileira do gênero, Os segredos do gim inova em todos os aspectos. Do projeto gráfico arrojado às formas de consumo, passando pela história do surgimento da bebida, o livro aborda a legislação brasileira e europeia que regulamenta a produção da bebida, as principais ervas aromáticas utilizadas no preparo, o processo de destilação, os grandes líderes mundiais na fabricação do gim, as principais marcas brasileiras e, claro, os coquetéis mais consumidos – e os mais exóticos. Totalmente ilustrado, traz ainda os melhores bares de gim no Brasil e no mundo.

 

 

‘A DESCOBERTA DE UMA FRAUDE EM PESQUISA SOBRE AUTISMO’

………………………………………..Matéria de Fabiana Cambricoli, publicada no jornal O Estado de S.Paulo, em 17 Setembro 2018

Jornalista desmascarou médico que mentiu em estudo relacionando vacinação com ocorrência de autismo

Foi numa trivial entrevista com uma mãe ativista antivacinas que o jornalista britânico Brian Deer percebeu que havia alguma coisa errada no estudo científico publicado em 1998 que ligava a vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, rubéola e caxumba) à ocorrência de autismo.

Conduzida pelo médico britânico Andrew Wakefield e publicada na The Lancet, uma das revistas científicas mais renomadas do mundo, a pesquisa acompanhou 12 crianças que desenvolveram transtornos de desenvolvimento dias após serem vacinadas. Depois da divulgação do estudo, as taxas de cobertura dessa vacina no Reino Unido começaram a cair ano a ano, chegando ao seu nível mais baixo em 2003, com apenas 79% da população imunizada.

VACINAÇÃO

Foi nesse contexto que o então repórter do The Sunday Times, de Londres, resolveu investigar a controvérsia em torno da tríplice viral e descobriu uma das maiores fraudes da história da ciência mundial: o médico responsável pelo estudo havia manipulado dados dos paciente por interesses próprios.

“Quando entrevistei essa ativista, mãe de uma das crianças do estudo, vi que as informações que ela me passava não batiam com nenhum dos casos relatados na pesquisa. Achei estranho e fui procurar quem tinha financiado esse estudo. Foi então que descobri que Wakefield havia sido contratado por advogados para produzir dados contra a vacina para que eles pudessem ganhar dinheiro processando os fabricantes do produto”, resumiu Deer, em entrevista exclusiva ao Estado, concedida na semana passada, quando esteve em São Paulo para participar de um seminário do Instituto Butantã sobre os desafios da educação e da comunicação sobre vacinas.

Após a publicação da primeira reportagem sobre a fraude no estudo, em fevereiro de 2004, o jornalista continuou investigando Wakefield e descobriu outros conflitos de interesse. “Reunimos informações que mostravam que ele tinha registrado a patente da sua própria vacina contra o sarampo, que ele dizia ser mais segura.”

Até mesmo uma estratégia de Wakefield para negar as acusações acabou comprovando a fraude. “Ele resolveu me processar por causa das reportagens e, na ação, seus advogados de defesa anexaram os prontuários médicos dos pacientes que participaram do estudo. Nesses documentos, comprovamos que ele havia manipulado os dados. Em alguns casos, por exemplo, os pacientes relatavam que os sintomas de autismo tinham começado antes da vacinação e Wakefield falava no estudo que haviam começado dias depois da imunização”, diz o jornalista.

A série de matérias seguiu até 2010, quando o médico teve o registro profissional cassado e o periódico The Lancet revogou a publicação do artigo fraudulento.

Mesmo com tantas evidências de que o estudo foi manipulado e com diversas pesquisas posteriores demonstrando que o imunizante não causa autismo, movimentos antivacina no mundo, inclusive no Brasil, seguem disseminando a informação como verdade e acreditando em Wakefield – que hoje espalha suas ideias antivacina nos EUA.

Para Deer, essa crença permanece por três motivos: (1) as pessoas nem sempre têm condições de discernir a informação correta das chamadas fake news; (2) há uma crise de confiança em profissionais e instituições, o que faz os pacientes preferirem acreditar em dados divulgados em redes sociais do que nos seus médicos; (3) e os pais de crianças com transtornos de desenvolvimento que acreditam que o problema foi ocasionado pelas vacinas são constantemente usados por pessoas como Wakefield para comprovar suas teses.

Caminho

Para Deer, a busca pela informação séria e baseada em evidências é o melhor caminho contra as fake news que prejudicam a saúde pública. “Podemos comprovar isso vendo a situação do Reino Unido em meio ao surto atual de sarampo na Europa. As taxas da doença lá não são tão altas como as da Grécia e Itália justamente porque a fraude de Wakefield ficou muito conhecida e as pessoas voltaram a se vacinar. É o acesso à informação que leva a decisões acertadas.”

Para ler na íntegra (para assinantes ou cadastrados): https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,a-descoberta-de-uma-fraude-em-pesquisas,70002505464

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Quer saber mais sobre o assunto? Saiba tudo sobre vacinação com o livro recém-lançado pela MG Editores:
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VACINAR, SIM OU NÃO?
Um guia fundamental
Autores: Monica LeviGuido Carlos LeviGabriel Oselka

Desde o surgimento da primeira vacina, no fim do século XVIII, centenas de milhares de mortes foram evitadas e dezenas de moléstias, combatidas. Estima-se que, nos últimos dois séculos, as vacinas proporcionaram um aumento de cerca de 30 anos em nossa expectativa de vida.

Porém, nos últimos anos, um grande movimento internacional contra as vacinas tem chamado a atenção de pais, profissionais de saúde e educadores. Partindo de informações contraditórias e de dados sem comprovação científica, seus membros alegam ter o direito de escolher vacinar ou não os filhos. No entanto, essa decisão, que de início parece individual, tem consequências coletivas, fazendo por vezes ressurgir epidemias que se consideravam erradicadas.

Escrito por dois pediatras e um infectologista, todos com vasta experiência em imunização, este livro apresenta:

  • um histórico do surgimento e da consolidação das vacinas;
  • os benefícios da imunização para a saúde individual e coletiva;
  • os mitos – pseudocientíficos e religiosos – associados a elas, como o de que a vacina tríplice viral provoca autismo;
  • as respostas da ciência a esses mitos;
  • as consequências da não vacinação para os indivíduos e a comunidade;
  • as reações adversas esperadas e como agir caso isso aconteça;
  • as implicações éticas e legais da vacinação compulsória.

COBERTURA DO LANÇAMENTO DE “VIDA, MORTE E LUTO”

Saiba mais sobre o livro Vida, morte e luto – Atualidades brasileiras com a cobertura da noite de autógrafos feita pelo YouTuber Anderson Mendes. Na ocasião, Anderson conversou com a organizadora da obra, Karina Okajima Fukumtisu, e com vários dos autores presentes. O evento aconteceu no final de agosto na Livraria da Vila do Shopping Pátio Higienópolis.
Assista ao vídeo abaixo.
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Créditos: Anderson Mendes, Júnior Sanchez e Karina Mendes.

‘SUPREMO CONSIDERA ILEGAL A OPÇÃO PELO ENSINO DOMICILIAR, FORA DA ESCOLA’

……………………………………..Matéria de Reynaldo Turollo Jr. e Natália Cancian, publicada originalmente na Folha de S. Paulo, em 12/09/2018

Para a maioria dos ministros, é preciso que o Congresso regulamente antes essa modalidade

O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, nesta quarta-feira (12), que o ensino domiciliar, dado em casa, não pode ser considerado um meio lícito para que pais garantam aos filhos o acesso à educação, devido à falta de uma lei que o regulamente.

Somente o relator do processo, ministro Luís Roberto Barroso, votou pela legalidade do ensino domiciliar, conhecido como “homeschooling”, desde que submetido a condições que ele propôs fixar até que o Congresso legislasse sobre o tema.

Alexandre de Moraes abriu a divergência e foi acompanhado por sete ministros: Rosa Weber, Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Dias Toffoli e Cármen Lúcia. Eles consideraram que, para que a opção pelo ensino em casa fosse válida, teria de estar prevista em lei.

Desse grupo, Fux e Lewandowski foram além: para eles, o “homeschooling” seria inconstitucional mesmo que houvesse lei para regulamentá-lo. Já Edson Fachin divergiu parcialmente, e propôs dar um ano para o Congresso legislar sobre o assunto, mas foi vencido. Celso de Mello não participou da sessão.

A discussão no Supremo teve origem em uma ação que opôs o município de Canela, no Rio Grande do Sul, a pais que queriam educar a filha em casa. A família foi à Justiça após a Secretaria de Educação do município negar um pedido para que a menina, à época com 11 anos, tivesse aulas em casa.

Decisões nas instâncias inferiores foram contrárias ao ensino domiciliar, o que levou os pais a recorrerem ao Supremo em 2015. A corte reconheceu a repercussão geral do recurso, o que significa que o resultado do julgamento passa a valer para processos semelhantes em todo o país.

Desde novembro de 2016, todas as ações judiciais sobre educação domiciliar no país estão suspensas por determinação de Barroso. Agora, deverão ter desfecho desfavorável aos pais.

Em seu voto, proferido na última quinta (6), Barroso considerou que essa modalidade de ensino teria de atender a algumas condições. Por sua proposta, os pais teriam de notificar as secretarias municipais de Educação para que houvesse um cadastro das crianças que estudam em casa. E elas deveriam ser submetidas às mesmas avaliações a que se submetem os alunos de escolas públicas ou privadas.

Barroso disse, em resposta à Procuradoria-Geral da República, contrária ao recurso, que reconhecia a importância da escola na socialização, mas sustentou que crianças que estudam em casa não vivem apartadas do mundo —podem socializar no clube ou na igreja, por exemplo.

Além disso, segundo ele, pesquisas empíricas feitas em países onde a prática é comum não detectaram deficiência na formação delas.

Os colegas que sucederam o relator, porém, entenderam que não cabe ao Judiciário criar tal regulamentação, de alçada do Legislativo. “Nós teríamos que alocar professores para cuidar do ‘homeschooling’ quando faltam professores para as escolas. Isso não teria que ser uma decisão nossa [do Judiciário]”, disse Gilmar.

“A importação de experiências estrangeiras, distantes a mais não poder da realidade nacional, ao arrepio da legislação em pleno vigor, contradiz todo o esforço empreendido pela sociedade brasileira na busca progressiva pelo acesso à educação formal no país”, afirmou Marco Aurélio.

Lewandowski destacou a importância da escola para a convivência com a diversidade. “Quando se formam bolhas nas quais ecoam as mesmas ideias, o que é comum nas redes sociais, o entendimento mútuo se torna cada vez mais difícil, contribuindo para a fragmentação da sociedade, para a polarização e para o extremismo”, disse.

Favorável ao “homeschooling”, a Aned (Associação Nacional de Ensino Domiciliar) calcula que existam cerca de 60 processos sobre o tema em tribunais do país.

Uma estimativa da entidade feita com base em associados e processos aponta que cerca de 7.500 famílias adotam atualmente o modelo de ensino em casa. Em 2011, esse número era de 360. O tema, porém, gera polêmica e divide educadores.

O artigo 6º da lei de diretrizes e bases, que regula a educação, afirma que “é dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos quatro anos de idade”.

Já o artigo 205 da Constituição aponta que “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade”.

Os pais da menina que foram ao STF sustentaram no recurso que restringir a educação à instrução formal nas escolas equivale a ignorar as formas variadas de aprendizado, “além de significar uma afronta a um considerável número de garantias constitucionais”.

“Não somos anti-escola nem queremos o fim da escola. Queremos o direito da família”, diz Ricardo Dias, presidente da Aned, adepto do chamado “homeschooling” junto aos dois filhos há oito anos.

Segundo ele, entre os motivos que levam pais a aderirem ao ensino domiciliar estão a insatisfação com o ambiente escolar, devido a casos de bullying e a pressões sociais “inadequadas”, e a busca por educação personalizada e adaptada ao ritmo de aprendizado da criança.

ENTENDA O QUE É EDUCAÇÃO DOMICILIAR

O que é a educação domiciliar, ou ‘homeschooling’? É um modelo de ensino em que a educação das crianças e adolescentes acontece em casa, e não na escola. Geralmente, são os pais que assumem o papel de educá-los, mas pode haver professores particulares. É relativamente comum nos EUA, mas não é regulamentado no Brasil

Nesse modelo, a criança não estuda? As crianças estudam e têm aulas, mas em casa. Os pais podem decidir os horários, regras, conteúdos e sistemas de avaliação, por exemplo

O que decidiu o Supremo? Os ministros decidiram que a educação domiciliar não pode ser considerada legal. Os pais, portanto, devem matricular os filhos em escolas. Apenas o relator do processo, Luís Roberto Barroso, votou pela legalidade da educação domiciliar

Como surgiu a ação? O processo surgiu a partir de um mandado de segurança impetrado pelos pais de uma menina de 11 anos. Moradores de Canela, no interior do RS, eles queriam educá-la em casa. Em 2013, o casal fez a solicitação à Secretaria Municipal de Educação, que negou o pedido e recomendou que a garota fosse matriculada na rede regular de ensino. O recurso julgado no STF questionava as decisões da comarca de Canela e do TJ-RS, que haviam considerado válida a recomendação da secretaria

Quais os motivos que levam os pais a querer tirar os filhos da escola? Há diferentes razões. Alguns citam bullying sofrido pelas crianças, má qualidade do ensino ou medo da violência e presença de drogas nas escolas. Outros dizem que querem educar seus filhos de acordo com seus próprios valores morais e/ou religiosos, o que seria prejudicado pela educação tradicional

O que diz a lei? Não há uma lei que mencione especificamente o tema. O artigo 6º da Lei de Diretrizes e Bases, que regula a educação, afirma que “é dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos quatro anos de idade”. Já o artigo 205 da Constituição aponta que “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade”

O que dizem os defensores da educação domiciliar? A Associação Nacional de Educação Domiciliar defende que cada família tem direito a escolher como educar seus filhos. Outros pontos citados são a liberdade para estabelecer rotinas de ensino e a ampliação da convivência familiar

E o que dizem os críticos? Pedagogos afirmam que a educação domiciliar ignora outras funções da escola, como a socialização das crianças e o convívio com as diferenças. Também dizem que o ensino em casa priva o aluno do contato com outras visões de mundo e correntes de pensamento além daquelas que a família segue, o que seria prejudicial

Para acessar na íntegra (para assinantes ou cadastrados):
https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2018/09/supremo-considera-ilegal-a-opcao-pelo-ensino-domiciliar-fora-da-escola.shtml

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Tem interesse pelo assunto? Conheça:

EDUCAÇÃO FORMAL E NÃO-FORMAL: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Jaume TrillaElie Ghanem
SUMMUS EDITORIAL

Neste livro, os autores discorrem sobre os diferentes aspectos que contemplam essas duas perspectivas das práticas educativas, analisando seu aspecto histórico, social e político. Os pontos e contrapontos tecidos no diálogo estabelecido por Ghanem e Trilla sinalizam a importância da cooperação e da complementariedade entre a educação formal e a não formal, na busca de uma educação mais justa e mais democrática.

‘NINGUÉM PODE AJUDAR O SR. TEIXEIRA’

…………..Reprodução da coluna de Marcelo Coelho, publicada na Folha de S. Paulo, em 12/09/2018.

Enquanto o machismo agride as mulheres, a masculinidade oprime os homens

Acontece uma vez por ano, mais ou menos. Depois de uma noite calma e bem dormida, ele se levanta com alguma pressa, inclina-se para pegar as roupas que estavam jogadas no chão, e a casa inteira ouvirá seu grito.

Uma mão invisível parece ter trincado sua coluna vertebral como se fosse um palito de fósforo. O efeito seria o de um relâmpago, se um relâmpago tivesse o peso de um caminhão descendo a ladeira sem breque.

Impossível mudar de lugar. A mera ideia de tirar um pé do chão é descartada com terror. É preciso esperar alguns minutos para ter coragem de encetar qualquer movimento.

Vários dias irão seguir-se, com o relâmpago caindo várias vezes no mesmo lugar, ao menor descuido. Aos poucos, com a terapia adequada (mas qual será?), tudo irá retornando ao normal.

Depois de uma década ou duas dessa rotina, é seguro afirmar que a pior crise foi a primeira; com o tempo, todo mundo aprende a evitar os movimentos e posturas de maior perigo. Mas ninguém se acostuma. A família, muito menos.

Eis, ao pé da cama, encolhido como uma múmia de Machu Picchu, o paciente em plena crise de lombalgia. Chamemo-lo de Teixeira.

Ele acabou de gritar. “O que foi, Teixeira?”, pergunta a mulher. “Não foi nada”, responde ele, de mau humor.

Ela aparece na porta. “Coluna de novo?”. Conforme a personalidade de Teixeira, a resposta pode variar. Um sorriso: “É, mas logo passa”. Um sarcasmo: “O que acha?”. Palavra nenhuma: “Grnf”.

Não faz muita diferença, pois a mulher de Teixeira não irá alterar suas reações. “Quer que chame um médico?”

Não, Teixeira não quer um médico. Já foi a vários, nada adianta. Acupuntura, meditação, hidroginástica, homeopatia, eletrochoque, Teixeira já foi a tudo.

“Quer que eu faça uma massagem, querido?”

Não, ele não quer.

“Um chazinho?”

Teixeira também não quer.

A esposa fica mais angustiada. Ela precisa fazer alguma coisa pelo Teixeira. Um colete ortopédico? Uma bengala? Um copo d’água? Um cobertor?

Ele acabará aceitando alguma coisa, de preferência a mais neutra, a mais inócua. Por que essa opção pela ineficiência?

A razão é simples: ele irá curar-se sozinho. Não pode admitir que o ajudaram nisso. Não pode nem mesmo mostrar que precisa de ajuda.

Teixeira aguenta. Teixeira não está sentindo nada. A coisa com Teixeira não tem seriedade nenhuma.

Nenhuma mulher poderá ajudar Teixeira. Pois Teixeira, ora essa, é homem.

Escrevo estas linhas não só por me encontrar em plena crise lombar, mas porque um livro da psicanalista Malvina Muszkat, que recebi recentemente, destaca com muita sensibilidade o drama —e o ridículo— da masculinidade contemporânea.

Na capa de “O Homem Subjugado” (ed. Summus), a cartunista Laerte resume a melancolia da situação. Ao sair de uma enorme armadura de cavaleiro medieval, um homenzinho põe a mão no queixo, sem saber o que pensar.

Aquela carapaça de ataque e de defesa, do tamanho de um tanque de guerra, é pesada demais para o homenzinho. Terá ele coragem de sair, nu, a caminho de uma vida mais pacífica e de um convívio mais aberto com os seus semelhantes?

O livro de Malvina Muszkat acerta muito ao diagnosticar vários comportamentos “sem sentido” (isto é, historicamente condicionados) do macho comum. Sua resistência a falar dos próprios medos e de seus sentimentos, por exemplo. De onde vem esse silêncio?

A clássica incapacidade masculina para pedir informações no trânsito, provavelmente, tem a mesma origem.

Também faz parte da “masculinidade” (nem digo do “machismo”) o compromisso de não chorar, de não ter crises de nervos, e —em alguns casos— de nem mesmo se mostrar em dúvida ou capaz de mudar de ideia.
O Homem Subjugado” toma a defesa dos homens contra tudo o que o machismo e o sistema de gênero fizeram, ao longo de séculos, para sufocar sua sensibilidade e negar seu sofrimento.

Seria importante tentar uma abordagem mais sistemática e detalhada do tema, algo que não cabe no espírito ensaístico do livro.

Do ponto de vista mais estritamente psicanalítico, a autora destaca o momento, dramático como poucos, em que o menino se vê levado a rejeitar a mãe (seus cuidados, suas preocupações, seus carinhos) para se tornar “homem”. A “mãe-fada”, diz ela, se transforma em “mãe-bruxa”.

Coitada! É o momento em que seu principezinho se transforma em ogro. Com sorte, ele será mais um sr. Teixeira.

Marcelo Coelho
Membro do Conselho Editorial da Folha, autor dos romances “Jantando com Melvin” e “Noturno”. É mestre em sociologia pela USP.

 

Para ler na íntegra, acesse (para assinantes ou cadastrados): https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcelocoelho/2018/09/ninguem-pode-ajudar-o-sr-teixeira.shtml

 

Conheça o livro:

O HOMEM SUBJUGADO
O dilema das masculinidades no mundo contemporâneo
Autora: Malvina E. Muszkat
SUMMUS EDITORIAL

Neste livro, a autora Malvina Muszkat propõe que se repense o fenômeno da violência sob a perspectiva da subjetividade masculina na dinâmica dos relacionamentos, de forma a buscar maneiras mais eficientes de se promover o dialogo e evitar o confronto. Transitando por áreas como antropologia, sociologia, mitologia e psicanálise, Malvina mostra como a imagem da masculinidade foi construída ao longo dos séculos e de que forma os homens foram proibidos de demonstrar seus medos e fraquezas.
Talvez seja possível criar homens com comportamentos diferentes dos usualmente atribuídos a eles em nossa sociedade. Se não há apenas uma forma de ser mulher, por que haveria apenas uma forma de ser homem?

‘ENSINO MÉDIO DEVE VISAR, MAIS QUE VESTIBULAR, O GOSTO PELO SABER, DIZ PESQUISADORA’

………………………..Texto de Lisandra Matias, publicado no Especial Escolha a Escola, da Folha de S. Paulo, em 08/09/2018

Silvia Colello afirma que formação de adolescentes não pode ser guiada apenas pela preparação para os exames

Mais do que preparar o estudante para o desafio do vestibular, escolas de ensino médio têm a missão de oferecer a ele formação humanística, para que possa se posicionar de modo ativo, ético e crítico no mundo.

Assim pensa a pedagoga Silvia Gasparian Colello, professora e pesquisadora da Faculdade de Educação da USP. Para ela, tão importante quanto ensinar é viabilizar o gosto pelo conhecimento, o prazer de aprender.

Qual o papel que o vestibular deve ter no ensino médio? A preparação para o vestibular é relevante, mas não pode ser a norteadora da formação dos adolescentes. A escola deve oferecer uma formação humanística e abrir a possibilidade para que o aluno seja produtor de conhecimento. Significa criar situações, como pesquisas e projetos, para que o conhecimento seja produto do trabalho intelectual e afetivo do estudante.

O que caracteriza esse aspecto humano e afetivo? O jovem tem que viver bem a etapa escolar em todos os seus aspectos —a aquisição de conhecimento, a organização do estudo, os relacionamentos interpessoais, os namoricos. Tudo isso responde ao aspecto da formação do humano, da constituição do sujeito que é social, aprendiz, pesquisador, afetivo e ético. Viver isso com intensidade é importante não só para a vida universitária e profissional, mas também para a constituição de si.

Qual o risco de um ensino focado demais no vestibular? Esse tipo de ensino se baseia na lógica do certo e do errado, como se o conhecimento fosse um pacote pronto. Mas sabemos que nenhuma ciência está acabada e que o conhecimento avança justamente pelas mentes brilhantes que têm uma postura inquisitiva frente ao mundo. Infelizmente, muitas vezes, as escolas abafam isso e impõem a cultura do silenciamento, do “cala a boca” e do ensino pré-formatado.

Mas isso também não ocorre devido à pressão dos pais, que desejam que seus filhos passem a todo custo? Sim, é o caso de escolas que se comportam como empresas e querem atender a demanda mais imediata do cliente. Confundir escola com empresa é descaracterizar a natureza do seu objetivo, que é a formação humanística.

Tenho visto jovens que entram na universidade, muitas vezes até bem colocados, mas que ingressam com falhas. Eles não sabem fazer pesquisa (estudaram com um método apostilado em que o conhecimento vinha pronto), têm dificuldades para trabalhar em grupo, dividir tarefas e de apresentar e defender suas ideias.

Muitas instituições preparam para o vestibular, mas não para a vida universitária, é isso? Sim, parece contradição. O ensino focado no vestibular tende a ser conteudista, feito na perspectiva do professor que detém o conhecimento e do aluno que não sabe. Mas, na universidade e na vida profissional, não vigora o saber doado, mas o construído, em que o estudante é o protagonista da sua formação.

Uma preocupação comum entre pais de adolescentes é o desinteresse dos filhos pelos conteúdos e até mesmo pelo colégio. Como reconquistá-los? Na adolescência, são muitos os fatores que atraem para uma vida extraescolar: a banda, a balada, a sexualidade, questões políticas etc. A escola tem, então, o desafio de recuperar seu sentido. Pode fazer isso abrindo espaço para que estudantes levem suas inquietações. Se esse jovem que está sendo atraído para o mundo chega à escola e a primeira coisa que ouve é sobre a proibição do celular ou da conversa entre alunos, a instituição está indo contra um aspecto muito importante para ele, mas que deveria ser compatível com a vida escolar.

Como ressignificar o vestibular para além das cobranças de sucesso? O vestibular pode funcionar como rito de passagem, momento para o estudante se perguntar o que quer da vida. Não só que curso vai seguir, mas quem quer ser e de que jeito quer viver. As escolas devem fornecer informações e ferramentas para ajudar nessa reflexão.

Qual o modelo ideal para concluir a educação básica? O papel da educação em geral, e do ensino médio em particular, é a formação do homem para a humanização e para o combate à barbárie.
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Silvia Gasparian Colello, 59
Formada em pedagogia com mestrado, doutorado e livre-docência pela Faculdade de Educação da USP, é professora e orientadora na pós da universidade, onde desenvolve pesquisas na área de ensino

 

Para ler na íntegra, acesse (para assinantes ou cadastrados) https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2018/09/ensino-medio-deve-visar-mais-que-vestibular-o-gosto-pelo-saber-diz-pesquisadora.shtml

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A pedagoga Silva Gasparian Colello tem quatro livros publicados pela Summus. Conheça suas obras:
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A ESCOLA E A PRODUÇÃO TEXTUAL
Práticas interativas e tecnológicas
Autora: Silvia M. Gasparian Colello

Como as crianças entendem o papel da escola? Como o vínculo que estabelecem com ela afeta a aprendizagem? Por que os alunos têm tanta dificuldade de se alfabetizar? Como compreender o ensino da escrita no mundo tecnológico? Em um momento de tantas inovações, de que forma lidar com os desafios do ensino e renovar as práticas pedagógicas?

Na busca de um projeto educativo compatível com as demandas de nosso tempo e o perfil de nossos alunos, Silvia Colello discute aqui como as condições de trabalho na escola podem interferir na produção textual, favorecendo a aprendizagem da língua. Para tanto, lança mão da escrita como resolução de problemas em práticas tecnológicas e interativas. Conhecer as muitas variáveis desse processo é, indiscutivelmente, um importante aval para a construção de uma escola renovada. Afinal, é possível transformar a leitura e a escrita em uma aventura intelectual?

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A ESCOLA QUE (NÃO) ENSINA A ESCREVER
Autora: Silvia M. Gasparian Colello

A fim de repensar as concepções acerca da língua, do ensino, da aprendizagem e das práticas pedagógicas, este livro levanta diversos questionamentos sobre a alfabetização como é praticada hoje nas escolas. Depois de analisar diversas falhas didáticas e tendências pedagógicas viciadas, a autora oferece alternativas que subsidiem a construção de uma escola que efetivamente ensine a escrever.

 

TEXTOS EM CONTEXTOS
Reflexões sobre o ensino da língua escrita
Organizadora: Silvia M. Gasparian Colello
Autores: Teresa Cristina Fernandes TeixeiraSilvia M. Gasparian ColelloNilma GuimarãesMárcia Martins CastaldoMartha Sirlene da SilvaMaria de Lurdes ValinoMaria Aparecida Vedovelo SarrafGláuci Helena Mora DiasÉrica de Faria DutraAndréa Luize

Com o objetivo de discutir a alfabetização em sua complexidade, esta obra usa o referencial socioconstrutivista para relacionar teoria e prática em diferentes abordagens: as concepções de ensino e de escrita, as trajetórias escolares na alfabetização de crianças e adultos, os processos cognitivos na aprendizagem da escrita, a produção textual na infância e adolescência, os desafios da transposição didática e a formação de professores alfabetizadores.

 

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Silvia M. Gasparian ColelloSérgio Antônio da Silva Leite

Neste livro, dois especialistas da Unicamp e da USP ampliam a compreensão do ensino da língua escrita. É possível alfabetizar sem retornar à cultura cartilhesca? Qual o papel da afetividade na alfabetização? Como sistematizar o trabalho pedagógico em sala de aula? Que paradigmas devem ser revistos no caso da aprendizagem escrita? Essas e outras perguntas são respondidas e debatidas nesta obra fundamental ao professor.

‘MEDITAÇÃO PARA ANSIOSOS: VEJA OS BENEFÍCIOS E COMO FAZER’

………………….Matéria de Amanda Preto, publicada originalmente no portal VivaBem, do UOL, em 08/09/2018.

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Cada vez mais se fala em meditação e mindfulness (também conhecida como atenção plena). E dados os casos crescentes de ansiedade e estresse, não é de se estranhar: estudos já apontam como essas técnicas podem ajudar quem sofre com esse problema.

Estamos falando especificamente de uma revisão de estudos da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, que 47 pesquisas relacionamento meditação e saúde mental e perceberam que eles podem ajudar em casos de ansiedade, depressão e até dor. Apesar de ser uma redução moderada, ela abrange múltiplas dimensões negativas do problema.

A explicação é simples: o ansioso é aquele que está sempre no futuro tentando solucionar problemas que ainda não existem e que possivelmente nem existirão. “A meditação é uma forma de se colocar no aqui e agora, pois ajuda a tirar a mente das ocupações do futuro que são geradoras de ansiedade”, elucida Marcos Rojo, PhD em Ciência do Ioga e mestre pelo Departamento de Neurologia da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Duvida? Faça o teste

Dá para fazer o teste agora mesmo. Se você está se sentindo ansioso e sem foco, tente este exercício rápido para lhe trazer ao aqui e agora: enquanto lê este texto, preste atenção à sua respiração, ao modo como o ar entra e sai pelas suas narinas. Só o fato de respirar com consciência já lhe trará mais clareza e tranquilidade, benefícios que você também pode obter por meio da meditação.

Os níveis de desatenção no mundo atual são muito grandes, e os dados científicos nos indicam que em aproximadamente 47% do tempo não estamos atentos ao que estamos fazendo no momento, considera Marcelo Demarzo, médico, especialista em Medicina Preventiva e fundador e coordenador do Mente Aberta – Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde. “O estado de mindfulness seria então como um antídoto a viver desatento, no piloto automático, e reagindo sem consciência às situações”, explica o especialista.

O objetivo da meditação, portanto, é obter maior reconhecimento dos nossos estados internos, sensações corporais, emoções e impulsos. “A partir daí, podemos lidar melhor com o estresse do dia a dia, além de amenizar a ansiedade, depressão, dor crônica, e doenças crônicas em geral”, fala Demarzo.

Dicas para meditar mais facilmente

Meditar pode ser um pouco desagradável inicialmente a quem é ansioso. Limpar a mente dos pensamentos e focar no presente pode ser difícil para quem está condicionado a intercalar entre o passado e o futuro. Por isso, separamos algumas dicas dos especialistas:

  1. Não precisa demorar muito
    Meditação não tem relação com quantidade do tempo, mas sim com a qualidade. O mais simples e recomendado é começar observando a respiração, ainda que seja por apenas 5 minutos duas vezes ao dia, e ir aumentando gradativamente até 20 minutos, se for confortável
  1. Pratique sempre
    Escolha um horário do dia fixo para meditar. O mais recomendado é pela manhã, quando o corpo ainda está descansado e a mente mais tranquila e apta para relaxar. Mas qualquer momento em que você possa parar um pouco já ajuda.
  1. Escolha o lugar certo
    Medite em um lugar tranquilo e sem perturbações. Se ajudar, você pode até criar um “espacinho da tranquilidade”, com almofadas, incensos e elementos que lhe ajudem a entrar no clima.
  1. Cuide das expectativas
    Normalmente, a meditação é vista como uma experiência divina, em que você tem visões e revelações. Mas, na verdade, ela deve ser encarada como um momento de conexão com você, seu corpo e seus pensamentos. Apenas deixe que as sensações se aflorem e que a prática mostre o que você precisa.
  1. Não se preocupe com as divagações
    Para quem é ansioso, é normal que a mente se distraia. Do nada você pode se flagrar pensando em algum problema ou algo que precisa fazer depois, mesmo se estiver no seu local de tranquilidade para meditar. Na verdade, essa divagação da mente pode acontecer até com quem é mais tranquilo, pois a maioria das pessoas despende energia atenção e atenção em várias atividades ao mesmo tempo –o que favorece o mecanismo da ansiedade e da agitação. E tudo bem se isso acontecer!
  1. Não desista!
    Lembre-se de que a prática conduz ao aprimoramento. Nas primeiras vezes, pode ser difícil se concentrar e até respirar. O importante é estabelecer um curto período em sua rotina para que seu cérebro compreenda os efeitos da prática e peça por mais momentos assim.

Meditação simples em apenas três passos

Marcelo Demarzo ensina uma técnica de apenas três minutos de meditação mindfulness. “Faça antes ou depois de momentos estressantes, como uma reunião no trabalho ou alguma conversa difícil, pois ajuda a lhe tornar mais consciente e menos reativo em situações do tipo”, recomenda.

  1. Fique em uma posição confortável e deixe o corpo se acomodar. Aos poucos, leve a atenção para o seu corpo. Perceba as sensações físicas (contato com o chão ou cadeira; temperatura da pele, possíveis desconfortos ou pontos de tensão), como também o surgimento de pensamentos ou emoções presentes em sua experiência naquele momento;
  2. Comece a levar a atenção mais focada para as sensações e respiração –movimentos do tórax e do abdome na inspiração e expiração do ar; ou, ainda a sensação do ar entrando e saindo pelas narinas. É importante seguir o fluxo natural, sem tentar alterá-lo, apenas observando. Faça isso por um tempo;
  3. Antes de encerrar a sessão, atente-se de novo para tudo o que está sentindo. Sintonize sua atenção com os sons, a temperatura e outros elementos do ambiente. Encerre a prática devagar, abrindo os olhos com calma.

Para acessar na íntegra: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/09/08/meditacao-e-ansiedade-veja-os-beneficios-e-como-fazer.htm

 

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Tem interesse sobre o assunto? Conheça o livro:


MEDICINA E MEDITAÇÃO

Um médico ensina a meditar
Autor: Roberto Cardoso
MG EDITORES

Médico há mais de vinte anos e meditador há mais tempo ainda, o autor mostra com precisão várias técnicas de meditação e os seus benefícios para a saúde. Sem qualquer orientação religiosa, filosófica ou moral, trata-se de uma obra para ler, aprender e praticar. Edição revista, atualizada e ampliada.

‘BRASILEIRAS COM CALVÍCIE ENFRENTARAM MEDOS E PASSARAM A SE ACEITAR’

Texto parcial de matéria de Vinícius Lemos, de Cuiabá para a BBC News Brasil, publicada no UOL em 02/09/2018

 

Na manhã de 11 de junho de 2017, Fernanda de Freitas, de 26 anos, colocou um ponto final em uma luta que travava desde a infância. Ela pediu ao marido que raspasse os fios que restavam em sua cabeça. Ao ficar totalmente calva, olhou-se no espelho e sorriu.

“Foi uma libertação para mim. Não apenas do cabelo, mas de todo o peso que carreguei ao longo da vida”, diz.

Na infância, aos três anos, Fernanda foi diagnosticada com alopecia areata, doença que causa queda de cabelo e de pelos do corpo. A partir de então, passou a consumir remédios e produtos para cuidar dos fios. Durante um período, chegou a tomar, diariamente, seis cápsulas de medicamentos com corticoide. Os fármacos apenas reduziam a intensidade da queda capilar, mas não evitavam que o cabelo continuasse caindo.

“Quando notava, eles (fios) tinham desaparecido. De repente, havia uma nova falha no meu couro cabeludo”, relata. Seu cabelo era uma das primeiras coisas em que pensava ao acordar. “Sempre ia para o espelho olhar se ainda tinha cabelo em minha cabeça.”

O fator emocional intensificava o problema. “Se eu estava muito feliz, caía. A situação se repetia quando eu estava muito triste. Não tinha o que fazer.”

A alopecia é um dos motivos mais associados a problemas capilares. Ela atinge homens e mulheres e representa a perda de pelo em qualquer parte do corpo. O problema pode ser causado por influências genéticas, processos inflamatórios locais ou doenças sistêmicas.

Um dos tipos mais comuns de alopécia é a areata, que é uma doença autoimune – quando as células atacam o próprio organismo. Ela atinge aproximadamente 2% da população mundial, em diferentes níveis – pode afetar desde pequenas áreas do couro cabeludo até causar a completa ausência dos fios em todo o corpo.

Outro tipo comum da alopecia é a androgenética, que também é autoimune e causa o afinamento progressivo dos fios. Mais recorrente entre os homens, estima-se que atinja 5% das mulheres.

Conforme especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, há outros motivos que também causam a perda dos fios, como estresse, uso exagerado de processos químicos no cabelo, dietas, consumo de medicamentos e doenças que afetam outras áreas do corpo, como o hipotireoidismo.

Segundo a Sociedade Brasileira do Cabelo, 50% das mulheres têm alguma queixa sobre queda capilar.

De acordo com o médico tricologista Ademir Carvalho Leite Júnior, presidente da Academia Brasileira de Tricologia – área que se dedica a estudos do cabelo –, o número de mulheres com problemas capilares tem aumentado. “Hoje, ao menos 70% dos pacientes que atendo são mulheres. Não era assim quando comecei. Elas estão perdendo mais cabelo.”

Leite orienta que as mulheres procurem ajuda médica logo que perceberem os primeiros sinais de falhas no couro cabeludo.

No Sistema Único de Saúde (SUS) não há nenhum tipo de tratamento para pacientes que sofrem com a perda de cabelo.

Batalha de décadas

Desde a infância, Fernanda preferia esconder a doença de colegas e conhecidos. “Somente a minha família e amigos muito próximos sabiam. Para mim era inadmissível comentar sobre isso com outras pessoas”, relata.

Ela teve dificuldades para contar sobre a alopecia ao marido, com quem está há dez anos. “Nós estávamos no início do namoro e eu relutei, mas falei sobre o assunto. Ele me perguntou se a alopecia matava ou prejudicava algum órgão e respondi que não. Então, ele disse que eu não deveria dar tanta importância.”

Antes de decidir tornar-se calva, Fernanda tinha de lidar diariamente com a baixa autoestima ocasionada pela dificuldade em aceitar a perda de cabelo. “Para mim, era inadmissível uma mulher careca”, conta. Ela costumava passar horas em frente ao espelho antes de sair, para disfarçar as falhas no couro cabeludo. “Apesar disso, nunca me privei de pintá-lo ou deixá-lo maior. Eu tinha uma vida normal nesse aspecto.”

A psicóloga Rosane Granzotto explica que a dificuldade em aceitar a perda dos fios acontece em razão da relevância que as mulheres costumam atribuir ao cabelo. “Ele faz parte da imagem, do modelo estético que a cultura perpetua para a mulher. A perda dos fios é como a ausência de uma parte do corpo feminino e esse fato requer uma reconfiguração da autoimagem.”

Há três anos, Fernanda mudou os hábitos e passou a adotar uma rotina que considera mais saudável. Aprofundou-se em estudos sobre alimentação e começou a publicar vídeos no YouTube.

“Fui lendo sobre o assunto e percebi como os remédios eram prejudiciais para o meu organismo. Eu não comia alimentos industrializados, mas me entupia de medicamentos e decidi, há pouco mais de um ano, parar de consumi-los”, relata.

Mas, sem os remédios e com o estresse das provas da faculdade – ela cursa Nutrição -, os fios passaram a cair ainda mais e novas falhas apareceram. O cabelo ficou cada vez mais escasso.

“Eu já não conseguia mais disfarçar, mas tinha que gravar vídeos e atender meus clientes”, comenta Fernanda, que trabalha como life coach. Ela comprou uma peruca sob medida, com fios humanos. “O problema é que demoraria três meses para chegar, porque viria da China. Então não me restavam muitas opções, mas eu não cogitava voltar aos medicamentos.”

Diante da falta de opções, raspar os fios virou a melhor alternativa. “Eu chorei muito, mas não havia outra mas não havia outra saída”, diz. O marido apoiou a decisão da mulher. “Ele viu o meu sofrimento e me incentivou a ficar careca.”

Liberdade

Mas, ao se olhar no espelho, depois de raspar os fios, Fernanda teve a maior sensação de liberdade de sua vida. “Eu me enxerguei de verdade pela primeira vez. Parece que o cabelo me escondia”, conta. No mesmo dia, a jovem publicou uma foto mostrando o novo visual em suas redes sociais. “Contei toda a minha história com a alopecia areata. Muitas pessoas me elogiaram e me apoiaram. Foi muito lindo”, diz.

A jovem nunca chegou a utilizar a peruca comprada na China. “Quando ela chegou, usei algumas vezes por brincadeira, mas nunca para sair nas ruas ou algo do tipo. Hoje em dia me sinto mais bonita careca.”
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Para ler a matéria na completa, acesse:
https://universa.uol.com.br/noticias/bbc/2018/09/02/brasileiras-com-calvicie-enfrentaram-medos-e-se-aceitam.htm

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O médico tricologista presidente da ABT, dr. Ademir Carvalho Leite Júnior, é autor da MG Editores. Conheça seus livros:

 

É OUTONO PARA OS MEUS CABELOS
Histórias de mulheres que enfrentam a queda capilar

Embora grande número de mulheres sofra com a queda acentuada de cabelos, não há literatura a respeito. O assunto é tabu, mas o autor enfrentou o tema com a delicadeza que ele exige. O livro aborda os diversos problemas de queda, os exames, os tratamentos e as causas – sempre recorrendo a histórias verídicas de pacientes para ilustrar os casos.

 

TEM ALGUMA COISA ERRADA COMIGO…
Como detectar, entender e tratar a síndrome dos ovários policísticos

Este livro traz duas informações muito importantes para adolescentes e jovens do sexo feminino que apresentam um ou mais dos sintomas a seguir de forma persistente: acne, pêlos em excesso, problemas menstruais, obesidade, infertilidade e queda de cabelos.

A primeira informação, não muito agradável, é que isso pode indicar a presença de uma doença denominada síndrome dos ovários policísticos.

A segunda é boa: a doença é tratável e curável! Conheça tudo sobre a síndrome – a sop – nesta obra de um dermatologista com especialização no assunto. O Dr. Ademir Júnior elaborou um texto cuidadoso, informativo e de fácil compreensão para ser lido por profissionais e por leigos interessados no assunto, jovens e adolescentes em especial.
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SOCORRO, ESTOU FICANDO CARECA!

Quem não se lembra daquela famosa marchinha que diz “é dos carecas que elas gostam mais”? Verdade ou mentira, o fato é que a grande maioria dos homens fica bastante infeliz com os primeiros sinais de calvície, que podem aparecer ainda na juventude. Escrito por um médico que sentiu o problema na própria pele, ou melhor, na própria cabeça, este livro aborda o tema da calvície de maneira leve e descomplicada, ao mesmo tempo que oferece informações científicas e atualizadas ao leitor. O autor explica por que surge a calvície, como se desenvolve, os fatores que a agravam e os tratamentos mais modernos e eficazes para combatê-la e amenizá-la.