‘ANSIEDADE NÃO É TUDO IGUAL: CONHEÇA 10 SUBTIPOS QUE PRECISAM DE TRATAMENTO’

Matéria de Giulia Granchi, publicada originalmente no UOL VivaBem,
em 13/12/2018.

De forma geral, a ansiedade, considerada um fenômeno biológico, é necessária para a sobrevivência dos seres humanos e alguns animais. Ela nos ajuda a reagir em situações de perigo, ficar vigilante e atingir metas.

Quando ficamos com frio na barriga antes de uma apresentação no trabalho, por exemplo, e a situação é isolada, a ansiedade é considerada normal. Mas se o sentimento toma conta da mente de forma exagerada e começa a atrapalhar nas atividades diárias, devemos nos preocupar. São sinais que o quadro se tornou patológico, chamado de transtorno de ansiedade, e um aconselhamento profissional é necessário.

Mas se engana quem pensa que todos que sofrem de ansiedade têm o mesmo transtorno. De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, feito pela Associação Americana de Psiquiatria, existem 9 subtipos da doença, cada um deles com diferentes sintomas. Confira abaixo:

  1. Transtorno de ansiedade generalizada

Esse é o tipo o mais comum e frequente. É caracterizado por ansiedade e preocupação excessivas frequentes causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes por pelo menos seis meses. Para que ocorra o diagnóstico, o quadro precisa estar associado com três ou mais dos seguintes seis sintomas: inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele, cansaço, falta de concentração, irritabilidade, tensão muscular e dificuldade para adormecer.

  1. Mutismo seletivo

Ao se encontrarem com outros indivíduos em interações sociais, as pessoas com mutismo seletivo não iniciam a conversa ou respondem reciprocamente quando os outros falam com elas. O quadro é mais comum em crianças, mas pode persistir na vida adulta. As situações de relacionamento interpessoal são marcadas por forte sensação de ansiedade e os indivíduos costumam ser prejudicados em suas relações pessoais e desempenho acadêmico ou no trabalho. A dificuldade na fala também pode interferir na comunicação social, embora as crianças com esse transtorno ocasionalmente usem meios não verbais, como usar as mãos para se comunicar.

  1. Transtorno de ansiedade de separação

Assim como o mutismo seletivo, este transtorno é mais comum em crianças, mas existem adultos com o problema também. Ele é caracterizado pelo medo ou ansiedade excessivo em relação à separação por apego, podendo ser com uma pessoa, animais com objetos e até lugares, como a mudança de casa.  Quando separadas das figuras importantes de apego, as crianças diagnosticadas podem apresentar dificuldade em socializar, apatia, tristeza ou dificuldade de concentração. Dependendo da idade, elas também podem criar medos excessivos de animais monstros, escuro, ladrões, acidentes e outras situações que lhes dão a percepção de perigo. Os indivíduos com o quadro limitam suas atividades independentes longe de casa ou das figuras de apego –muitas vezes não querem realizar tarefas básicas como ir à escola ou supermercado sozinhos.

  1. Transtorno de pânico

É caracterizado por episódios de ataques de pânico recorrentes, cuja característica principal é um surto abrupto de medo ou desconforto intenso que alcança um pico em minutos e costuma durar até meia hora. Os sintomas incluem taquicardia, sudoreses, tremores, falta de ar, sensação de asfixia, dores no peito, náusea, tontura, calafrios, parestesias (anestesia ou sensações de formigamento), desrealização (sensações de irrealidade), medo de perder o controle ou “enlouquecer” e medo de morrer.

Apesar de serem pontuais, os ataques podem se repetir sem gatilhos específicos, o que costuma gerar ansiedade e preocupação para sair de casa em pacientes que sofrem do quadro. Confira dicas para lidar com um ataque de pânico.

  1. Fobias específicas

É o medo excessivo em situações específicas, como entrar em um elevador, encontrar um rato, estar próximo de janelas altas… A resposta de medo, ansiedade e estresse é automática nesses casos, que se repetem toda vez que o paciente não consegue evitar a situação. Mas o que diferencia esse quadro do medo comum é a intensidade exagerada dos sintomas. Por exemplo, se a pessoa tem fobia de injeções, ela não conseguirá nem deixar que outra pessoa aplique uma vacina ou medicamento nela dessa forma, e já apresentará sintomas de pânico. Uma pessoa que tem um medo não patológico de agulhas consegue lidar com isso de forma um pouco melhor.

  1. Fobia social

É o nome dado ao medo ou ansiedade exagerados de ser exposto a possível avaliação por outras pessoas em situações sociais. O desconforto vai além da fala em público: pessoas com o diagnósticos se sentem constrangidas e humilhadas simplesmente ao serem observadas em atividades comuns, como comer, beber e escrever. O grau e o tipo de ansiedade podem variar em diferentes ocasiões.

  1. Agorafobia

É quando o indivíduo tem medo ou ansiedade de espaços que, em geral, não consideram seguros. Nesses casos, a insegurança é desproporcional ao perigo do que realmente pode acontecer. Pacientes com esse quadro sentem medo de serem atacados, não conseguirem sair do local em que estão ou não serem socorridos, e passam a evitar lugares ou pedirem companhia.

  1. Transtorno de ansiedade induzido pelo uso de substâncias

Acontece pelo uso excessivo de substâncias como drogas (maconha, ecstasy, cocaína…), excesso de cafeína, álcool, medicamentos como opioide e anfetamina. Os pacientes diagnosticados com este subtipo de ansiedade têm suas atividades diárias prejudicadas por preocupações excessivas e até ataques de pânico que acontecem junto ou separadamente do uso das substâncias.

  1. Transtorno de ansiedade devido a outra condição médica

O transtorno é desenvolvido por causa da descoberta (comprovada clinicamente) de uma condição de médica, incluindo diferentes doenças e alterações físicas. Os sinais podem incluir sintomas proeminentes de ansiedade ou ataques de pânico, que compromete o funcionamento social do indivíduo.

  1. Especificado e não especificado

Esta categoria é destinada aos casos que, apesar do sofrimento persistente e avassalador, não entram nos critérios das especificações dos subtipos acima, ou não acontecem a tempo suficiente para que ocorra o diagnóstico.

Fontes: Higor  Caldato, psiquiatra pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e  Luiz Vicente Figueira de Mello, médico supervisor do Programa Ansiedade do Instituto de Psiquiatria FMUSP e médico assistente pela Fundação Faculdade de Medicina.

Para ler na íntegra, acesse: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/12/13/ansiedade-nao-e-tudo-igual-conheca-9-subtipos-que-precisam-de-tratamento.htm

***

 

Tem interesse no assunto? Conheça o livro do psiquiatra e psicoterapeuta Breno Serson, especializado no tema:

TRANSTORNOS DE ANSIEDADE, ESTRESSE E DEPRESSÕES
Conhecer e tratar
Autor: Breno Serson
MG EDITORES

Insônia, falta ou excesso de apetite, falta de ar, tonturas, medos, aperto no peito, pensamentos angustiantes. Esses e outros sintomas físicos e mentais podem indicar um transtorno de ansiedade ou depressão, que atinge cada vez mais nossa sociedade contemporânea. Este livro objetiva partilhar conhecimento, em linguagem simples, sobre os transtornos ansiosos e depressivos e os tipos de tratamento disponíveis, refletindo sobretudo sobre a integração de tratamentos convencionais e de medidas gerais benéficas.

DOC COMPARATO: UMA AULA SOBRE PERSONAGENS – ÚLTIMA PARTE (6)

Uma aula sobre personagens, dividida em 6 partes, com o mestre Doc Comparato.
Parte 6 – Antagonista e Protagonista.

Conheça o novo Da criação ao roteiro – Teoria e Prática, à venda nas melhores livrarias físicas e virtuais do Brasil: https://www.gruposummus.com.br/summus/livro/9788532311139

Para assistir às partes anteriores (1 – O Roteiro e suas Etapas, 2 – Como criar um personagem3 – A Alma4 – O Batismo e 5 – A Composição), acesse:
https://www.youtube.com/playlist?list=PLWBZMIEw-unatnlK2tRTUqdrsqPzd8vCg

‘MACHISMO, SEXISMO E MISOGINIA: QUAIS SÃO AS DIFERENÇAS?’

Matéria de Heloísa Noronha, publicada no Universa, do UOL, em 03/12/2018 .

Esses três conceitos podem estar relacionados, mas cada um deles tem especificidades importantes e, normalmente, são combatidos por quem defende as mulheres. É válido ressaltar que machismo, sexismo e até mesmo misoginia não são cultuados apenas pelo sexo masculino. Há muitas mulheres que acreditam que são inferiores aos homens em certos aspectos e que não devem ter os mesmos direitos que eles. Esses valores costumam ser perpetuados, principalmente, na família, e aprendidos logo na primeira infância.

Machismo

Tem como raiz uma palavra latina (macho) e trata-se, principalmente, do enaltecimento do sexo masculino sobre o feminino, expresso por comportamentos, opiniões e sentimentos que declaram a desigualdade de direitos entre os dois. Sendo assim, machista é toda pessoa que julga a mulher como inferior ao homem em aspectos físicos, culturais e intelectuais. Sabe aquelas piadinhas que dizem “lugar de mulher é na cozinha” ou “mulher só sabe pilotar fogão”? Pois é. O machismo desqualifica a mulher perante o homem e é a principal causa do feminicídio por perpetuar a crença de que, numa relação, o parceiro é o “dono” da parceira.

Misoginia

A origem da palavra misoginia vem do idioma grego e significa ódio à mulher. É diferente do machismo por envolver um forte conteúdo emocional à base de repulsa e aversão. Geralmente é decorrente da fase de construção da identidade masculina e costuma ser um resquício da dificuldade de elaboração dos sentimentos ambíguos de amor e ódio em relação às figuras parentais. Pode, ainda, indicar insegurança em relação à própria masculinidade, o que propicia o desejo de ser cruel com a mulher. Alguns estudiosos destacam que a misoginia só se aplica àquelas que não correspondem a um certo “ideal” do que significa ser mulher – por exemplo, ser uma boa mãe ou uma boa esposa. Quando a repulsa é destinada aos homens é chamada de misandria.

Sexismo

O sexismo, em princípio, se baseia na ideia de que o homem é melhor e mais competente do que a mulher, uma concepção que se assemelha ao machismo, mas vai além. Trata-se de uma atitude discriminatória que define quais usos e costumes devem ser respeitados por cada sexo, desde o modo de vestir até o comportamento social adequado. Ser sexista não é privilégio do grupo masculino, pois mulheres ou gays também podem adotar seu discurso. A sociedade, de maneira geral, é sexista e educa as crianças de forma a reproduzir modelos binários em que a tendência é de que um sexo deva ser complementar ao outro. Ter medo de que um menino “vire gay” por brincar com boneca é um pensamento sexista. Já a expressão “mulheres são de Marte e homens são de Vênus” é sexista por constranger os sexos a serem de uma determinada forma, tanto em relação ao seu comportamento quanto em relação ao seu caráter. Outro exemplo é colocar as mulheres sempre na condição de vítima, ideia que sinaliza uma condição de eterna submissão. Uma das consequências da cultura sexista é a homofobia e a desigualdade de poder, oportunidades e salários que homens e mulheres vivem no mundo profissional.

FONTES:
Ana Maria Fonseca Zampieri, sexóloga e autora do livro “Erotismo, Sexualidade, Casamento e Infidelidade (Ed. Ágora), e Malvina Muszkat, psicanalista e autora do livro “O Homem Subjugado – O dilema das masculinidades no mundo contemporâneo” (Ed. Summus)

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2018/12/03/machismo-sexismo-e-misoginia-quais-sao-as-diferencas.htm

***

Conheça os livros mencionados acima:

EROTISMO, SEXUALIDADE, CASAMENTO E INFIDELIDADE
Sexualidade Conjugal e Prevenção do HIV e da AIDS
Autora: Ana Maria Fonseca Zampieri
EDITORA ÁGORA

Este livro aborda temas tabus no cenário do casamento brasileiro heterossexual, colocando em evidência a questão da AIDS. Ele contém vários aspectos da visão do mundo, da ciência e das relações de gênero. É obra imprescindível aos profissionais que trabalham com seres humanos tanto do ponto de vista psicológico e clínico, como social. A vasta bibliografia é, em si, muito valiosa.

 

O HOMEM SUBJUGADO
O dilema das masculinidades no mundo contemporâneo
Autora: Malvina E. Muszkat
SUMMUS EDITORIAL

Neste livro, a autora Malvina Muszkat propõe que se repense o fenômeno da violência sob a perspectiva da subjetividade masculina na dinâmica dos relacionamentos, de forma a buscar maneiras mais eficientes de se promover o dialogo e evitar o confronto. Transitando por áreas como antropologia, sociologia, mitologia e psicanálise, Malvina mostra como a imagem da masculinidade foi construída ao longo dos séculos e de que forma os homens foram proibidos de demonstrar seus medos e fraquezas.
Talvez seja possível criar homens com comportamentos diferentes dos usualmente atribuídos a eles em nossa sociedade. Se não há apenas uma forma de ser mulher, por que haveria apenas uma forma de ser homem?

‘LUTO: PRESSÃO PARA BUSCAR A FELICIDADE ATRAPALHA A SUPERAÇÃO DE UMA MORTE’

Matéria de Simone Cunha e Veridiana Mercatelli, publicada no Universa,
do UOL, em 02/12/2018.

.
“Após o enterro do meu pai, senti uma dor inexplicável, chorei por semanas. Ele era tudo para mim”, conta Priscila Janaína Pereira, 40 anos, auxiliar administrativo, que perdeu o pai em decorrência de um câncer, há 11 anos. Ela conta que, durante esse período, teve muitos momentos de revolta, pois o pai era seu alicerce. Mas precisou amadurecer na marra: “Tive uma gestação de risco, meu filho nasceu com insuficiência respiratória, sopro e hipoglicemia. Tive hemorragia e depois depressão pós-parto. Há três anos, passei por um outro problema e fui percebendo que uma dor supera a outra. Não esqueci o meu pai, mas saí do luto”.

De acordo com a psicóloga Sarah Vieira Carneiro, que estuda o luto há mais de dez anos, a dificuldade em lidar com a perda está ligada à rejeição a situações adversas. A ideia de que é preciso buscar a felicidade o tempo todo, tão comum na cultura ocidental, contribui para isso. “O enlutado é aquele a quem devemos evitar, não só porque não sabemos o que dizer a ele, mas porque ele nos remete às nossas mais profundas fragilidades”, avalia a especialista. Segundo Sarah, vivemos em uma sociedade incapaz de digerir pequenas frustrações: “É por isso que ficamos pasmados diante da morte e do luto e realizamos todas as manobras para mantê-los à distância”.

Há várias formas de vivenciar

Apesar de ser doloroso, é importante lembrar que o luto não é um obstáculo a ser superado. Para Maria Helena Pereira Franco, coordenadora do Laboratório de Luto (LELu) da PUC-SP, essa é uma vivência muito importante. “O luto precisa ser vivido, é uma experiência dolorosa, mas que possibilita uma construção de identidade e de significados importante”, explica.

A intensidade do sofrimento que a situação provoca depende de vários fatores, como a qualidade da relação mantida com a pessoa que se foi. “Além da dor, da falta, pode haver outras questões que não ficaram bem resolvidas, como arrependimentos”, comenta.

Um ponto bastante relevante é a condição em que se deu a separação: se houve uma morte violenta ou súbita, por exemplo, a superação pode ser mais difícil.

Para Andréa Copcinksi, 46 anos, chef confeiteira, a morte repentina do pai, há 21 anos, foi um trauma terrível. “Se não fosse minha mãe, acho que estaríamos perdidos. Ela juntou nosso medo de viver sem meu pai e transformou em força”, conta. Na época, Andréa não pensou em buscar ajuda para superar a perda, mas acredita que o processo poderia ter sido menos doloroso se houvesse agido de forma diferente: “Creio que um profissional teria nos auxiliado a viver os anos seguintes com menos ansiedade. Mas descobri que a gente aprende a conviver com a saudade, com a ausência, mas guarda no coração esse monte de amor que não pode mais dar”.

É preciso cuidado para não adoecer

Um luto que ocasiona muito sofrimento ou se prolonga pode levar à depressão em pessoas com predisposição à doença. A literatura acerca do tema sugere que o luto pode durar até dois anos. Porém, Sarah defende que, em um mundo com experiências tão diversas, pode ser um desrespeito ao enlutado impor-lhe um prazo para voltar a sorrir: “Não podemos acreditar que pessoas reajam às perdas de modo universal. Cada perda é única, com características e tempo próprios”.

De qualquer forma, quando o luto se torna um peso, impedindo que aquele que fica retome a própria vida, é essencial buscar ajuda. “Em princípio, a pessoa deveria ser avaliada por quem entende de luto. Algumas manifestações do luto são semelhantes às da depressão e o diagnóstico pode ser equivocado. Nem sempre o luto precisa ser medicado. Precisa ser entendido, avaliado, para se pensar a melhor conduta”, alerta a especialista da PUC.

Sandra Paton, 48, secretária executiva, perdeu o marido subitamente, com um infarto fulminante, há dois anos. “Tudo ficou escuro, perdeu o brilho e o sabor. Fiquei alguns dias em estado de choque. Muitos amigos por perto, mas não via nem ouvia direito”, fala. Reviver o assunto ainda causa muita dor, mas, para enfrentar a perda, ela decidiu buscar ajuda em um grupo religioso: “Encontrei a paz e o entendimento da morte. Percebi que estava superando o luto quando consegui contar a minha história sem chorar”.

Segundo a psicóloga, cercar-se de pessoas que entendem seu sentimento e respeitem o seu tempo e as suas reações é essencial. Poder falar é importante para transgredir a perda: “Quando a morte vem, desestabiliza tudo: não sabemos mais em quem acreditar, questionamos nossas relações, nossa fé, nossas crenças”. Ela diz que, nesse processo de ver tudo de ponta cabeça, podemos descobrir coisas únicas sobre o mundo, sobre as pessoas e sobre nós mesmos. “O crescimento não é uma regra, mas existe uma certa sabedoria no luto, aquele conhecimento que só tem quem colocou tudo em xeque, passou tudo a limpo e pode escolher ser diferente”, avalia Sarah.

Processo de aceitação também é singular

Falar sobre o luto com um pouco mais de naturalidade pode auxiliar no processo de aceitação. “Há coisas que não podemos controlar, estão fora da nossa linha de ação: a morte é a maior delas”, diz Sarah. Por isso, a ausência de sofrimento não significa falta de sentimento pela perda. “Perdi meu irmão em um assalto, com um tiro na cabeça. Não chorei, fiquei meio em choque. Sou de Manaus, mas estou em São Paulo há 15 anos e sempre imaginei que teria de fazer uma viagem para enterrar alguém, porém, jamais imaginei que pudesse ser meu irmão”, fala Adriana Chaves, 40 anos, editora de livros.

Ao retornar, ela mergulhou no trabalho. Como não convivia com o irmão há algum tempo, a ficha demorou a cair. Em São Paulo, a vida continuava na mesma rotina. “Certo dia, ouvi uma música que me lembrava muito ele, e me atentei que já fazia um ano que meu irmão havia partido. Fui para o banheiro e chorei sem parar. No dia seguinte, fiquei bem e acredito que foi o fim do meu luto”.

Maurício Serafim explica que o luto só termina, de fato, quando se aceita a perda. “No momento em que você volta a se amar, a cuidar de si, volta a viver”, garante. O cuidado com as outras pessoas que ficaram também é um sinal de superação. Mãe de gêmeas, a jornalista Marley Galvão, 47 anos, perdeu uma das filhas em 2011. “A Letícia apresentou uma grave infecção e não resistiu. A Isabela perdeu 80% do encéfalo e, hoje, faço de tudo para mantê-la bem. Creio que nunca me dei o direito ao luto pelo fato de a minha outra filha ter ficado com muitas sequelas. Tenho que seguir em frente, pois não consigo pensar em perdê-la também”, afirma.

Para ler na íntegra, acesse: https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2018/12/02/luto-e-processo-doloroso-mas-tambem-transformador.htm

 

Conheça os livros publicados pela Summus que têm a psicóloga Maria Helena Pereira Franco, uma das fontes da matéria, entre os autores:

 

FORMAÇÃO E ROMPIMENTO DE VÍNCULOS
O dilema das perdas na atualidade
Organizadora: Maria Helena Pereira Franco
Autores: Maria Cristina Lopes de Almeida AmazonasAirle Miranda de SouzaDanielle do Socorro Castro MouraDurval Luiz de FariaElizabeth QueirozGabriela GolinGeórgia Sibele Nogueira da SilvaJanari da Silva PedrosoJosé Ricardo de Carvalho Mesquita AyresMaíra R. de Oliveira NegromonteVera Regina R. RamiresMaria Helena Pereira FrancoMaria Julia KovácsMaria Lucia C. de Mello e SilvaMaria Thereza de Alencar LimaRoberta Albuquerque FerreiraRosane Mantilla de SouzaSilvia Pereira da Cruz BenettiSoraia SchwanTereza Cristina C. Ferreira de Araújo

Este livro reúne grandes especialistas em formação e rompimento de vínculos. Entre os temas abordados estão os dilemas dos estudantes de medicina diante da morte, a questão das perdas em instituições de saúde, o atendimento ao enlutado, a morte no contexto escolar, as consequências psicológicas do abrigamento precoce, as possibilidades de intervenção com crianças deprimidas pela perda e a preservação dos vínculos na separação conjugal.

A INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA EM EMERGÊNCIAS
Fundamentos para a prática
Organizadora: Maria Helena Pereira Franco
Autores: Cristina Foloni Delduque da CostaKarina Kunieda PolidoJulia Schmidt MasoJosé Paulo da FonsecaIsabela Garcia Rosa HispagnolIara Boccato AlvesGabriela CasellatoEster Passos AffiniEleonora JaburLilian Godau dos Anjos Pereira BiasotoCristiane Corsini PrizanteliClaudia Gregio CukiermanCibele Martins de Oliveira MarrasAriana OliveiraAna Lucia ToledoAdriana Silveira CogoAdriana Vilela Leite CésarViviane Cristina TorlaiLuciana MazorraLuiz Antonio ManzochiMarcelo M. S. GianiniMaria Angélica Ferreira DiasMaria Helena Pereira FrancoMaria Inês Fernandez RodriguezMariangela de AlmeidaPriscila Diodato TorolhoRachel Roso RighiniReginandréa Gomes VicenteRégis Siqueira RamosSamara KlugSandra Regina Borges dos SantosSandra Rodrigues de OliveiraSuzana Padovan

Este livro reúne experiências e reflexões sobre um campo de atuação novo no Brasil: o atendimento psicológico a pessoas em situações de emergência e desastre. Diversos especialistas abordam a importância de cuidar dessas pessoas e os procedimentos e técnicas mais indicados em cada caso. A saúde mental do psicólogo e os efeitos do transtorno de estresse pós-traumático também são analisados.

O RESGATE DA EMPATIA
Suporte psicológico ao luto não reconhecido
Organizadora: Gabriela Casellato
Autores: Valéria TinocoSandra Rodrigues de OliveiraRosane Mantilla de SouzaRegina Szylit BoussoPlínio de Almeida Maciel JrMaria Helena Pereira FrancoGabriela CasellatoDéria de OliveiraDaniela Reis e SilvaCristiane Ferraz PradeAna Cristina Costa Figueiredo

O tema do luto não sancionado é pouco abordado na literatura clínica. Neste volume, profissionais da área de saúde preenchem essa lacuna tratando de temas como aborto espontâneo, infidelidade conjugal, aposentadoria, morte de animais de estimação, perda de familiares por suicídio e o luto de cuidadores profissionais. Estratégias para lidar com a perda e os transtornos psiquiátricos decorrentes dela também fazem parte da obra.


VIDA, MORTE E LUTO
Atualidades brasileiras
Organizadora: Karina Okajima Fukumitsu
Autores: Leo PessiniAna Catarina Tavares LoureiroAvimar Ferreira JuniorDaniel Neves ForteDaniela AchetteElaine Gomes dos Reis AlvesElaine Marques HojaijElvira Maria Ventura FilipeEmi ShimmaFernanda Cristina MarquettiGabriela CasellatoGilberto SafraGláucia Rezende TavaresKarina Okajima FukumitsuTeresa Vera GouveaMarcello Ferretti FanelliMarcos Emanoel PereiraMaria Carlota de Rezende CoelhoMaria Helena Pereira FrancoMaria Julia KovácsMaria Luiza Faria Nassar de OliveiraMayra Luciana GaglianiMonja Coen Roshi Monja Heishin Nely Aparecida Guernelli NucciPatrícia Carvalho MoreiraPedro Morales Tolentino LeiteProtásio Lemos da Luz

Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.

DOC COMPARATO: UMA AULA SOBRE PERSONAGENS – PARTE 5

Uma aula sobre personagens, dividida em 6 partes, com o mestre Doc Comparato.
Parte 5 – A Composição.

Assista e não perca a última parte: na quinta-feira, 06/12, postaremos a Parte 6 – Antagonista e Protagonista.

Conheça o novo Da criação ao roteiro – Teoria e Prática, à venda nas melhores livrarias físicas e virtuais do Brasil: https://www.gruposummus.com.br/summus/livro/9788532311139

Para assistir às partes 1 – O Roteiro e suas Etapas, 2 – Como criar um personagem3 – A Alma 4 – O Batismo, acesse:
https://www.youtube.com/playlist?list=PLWBZMIEw-unatnlK2tRTUqdrsqPzd8vCg