MORRE, AOS 83 ANOS, A PSICANALISTA ANNA VERONICA MAUTNER

Faleceu na tarde desta quarta-feira, dia 30 de janeiro de 2019, a psicanalista Anna Veronica Mautner por falência múltipla dos órgãos. Ela foi internada há cerca de duas semanas com infecção pulmonar, após passar por uma infecção urinária.

Anna Veronica nasceu em Budapeste, na Hungria, em 1935. Imigrou para o Brasil aos 3 anos de idade, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial. Criou-se em São Paulo, no bairro da Lapa. Durante a juventude, militou no Movimento Juvenil Sionista-Socialista (Dror) e estudou Ciências Sociais na Universidade de São Paulo.

Conviveu com toda uma geração de sociólogos e filósofos que marcaram a esquerda paulista. Também viveu a época áurea do Rio de Janeiro, onde atuou como jornalista no Última Hora e nos Diários Associados. Foi professora da USP e da Fundação Getulio Vargas e trabalhou em Nova York, em Londres e no Canadá.

Sua vida profissional começou muito cedo no salão de beleza dos pais. Lá ela tinha permissão para ficar, desde que quieta. E, assim, aprendeu a ouvir aos 5 anos. Aos 12, dava aulas de português aos estrangeiros que chegavam refugiados da guerra e ouvia suas histórias. Na juventude, levada por amigos mais velhos, circulou pelo Rio de Janeiro e conheceu os trotskistas da época: Mário Pedrosa, Bruno Giorgi, Alfredo Volpi, ministro Ribeiro da Costa, o poeta Dante Milano, o jornalista Medeiros Lima e tantos outros.  Também ouvia histórias de Clarice Lispector e Ligia Clark, antes da fama, e dos irmãos Oswaldo e Assis Chateaubriand.

Amiga de J. A. Gaiarsa, Anna atravessou a contracultura e fundou o curso de Psicoterapia Reichiana no Instituto Sedes Sapientiae. Formou-se psicanalista na Sociedade Brasileira de Psicanálise e clinicou por quase 50 anos.

Foi colunista do caderno Equilíbrio, da Folha, de 2000 a 2013, e, nos últimos tempos, colaborava escrevendo textos para a página de opinião do jornal.

Sua rica existência influenciou centenas de pessoas e formou várias gerações de terapeutas, entre elas Regina Favre, que em 2018 aceitou o desafio de mergulhar em seus textos e extrair um compilado que pudesse captar sua essência. O resultado está no livro Fragmentos de uma vida, lançado pela Editora Ágora, o último de Anna Veronica. Ela também escreveu O cotidiano nas entrelinhas (2001), Educação ou o quê? (2011) e Ninguém nasce sabendo (2013). Conheça-os:
https://www.gruposummus.com.br/gruposummus/autor//Anna+Veronica+Mautner

Anna Veronica deixa três filhos e cinco netos.

‘LUTO AFETA NÃO SÓ FAMILIARES, MAS TAMBÉM A SOCIEDADE, QUE SOFRE JUNTO’

Artigo publicado originalmente na coluna de Claudia Collucci
na Folha de S. Paulo, em 28/02/2019.

Nesses momentos, é comum emprestarmos um pouco da dor do luto coletivo para chorar as nossas próprias

Um grande sentimento de luto coletivo permeia o país desde a última sexta (25), quando uma barragem da mineradora Vale se rompeu em Brumadinho (MG), deixando um rastro de destruição na vida de moradores da região.

Até a tarde desta segunda (28), 65 corpos haviam sido encontrados. Há ainda quase 300 desaparecidos. Essa é uma experiência na qual nos vemos juntos, próximos, identificados a partir dessas perdas.

“Mesmo não tendo relação direta com os afetados, estamos abalados. Outra vez a perda de vidas em massa? Por que temos de passar por isso novamente? Dá uma sensação de que não estamos sendo bem tratados”, diz a psicóloga Maria Helena Franco, especializada em luto.

Também há uma identificação com essas mortes porque tendemos a nos colocar naquela situação. Na internet, várias pessoas relataram passeios que fizeram na região de Brumadinho, especialmente ao Instituto Inhotim.

Alguns estiveram hospedados na Pousada Nova Estância Inn, destruída na tragédia. Hóspedes e funcionários do lugar não sobreviveram.

Nesses momentos, é comum emprestarmos um pouco da dor do luto coletivo para chorar as nossas próprias. Por que precisamos disso? Porque muitas vezes não nos permitimos sentir e viver nossas perdas quando elas acontecem.

Para quem viveu a tragédia na pele, o luto tem diferentes facetas. Há aquele pela perda de parentes, amigos e colegas, que pode ser intensificado pelo fato de muitos corpos ainda não terem sido encontrados. Fazer o funeral é uma etapa fundamental para começar a elaborar o luto.

“Na falta dos corpos, fica um luto não concretizado, que não se materializa na vida das pessoas. Abre lugar para uma expectativa, uma esperança de que a pessoa poderá ser encontrada viva. Fica um luto ambíguo, que não se configura como verdadeiro”, diz a psicóloga.

Segundo ela, uma forma de ajudar as famílias enlutadas seria a realização de cerimônias em que os nomes das vítimas sejam ditos. “Os familiares precisam ser chamados a participar para que tenham muito clara a realidade do que está acontecendo.”

Além disso, existe também a dor pela perda da segurança, da estabilidade, do chão que literalmente foi embora.

Ainda hoje, muitas das vítimas da tragédia de Mariana seguem enlutadas. No maior desastre ambiental do Brasil causado pela ruptura da barragem do Fundão, em 2015, 19 pessoas morreram e ecossistemas foram contaminados com o vazamento de rejeitos de minério.

Segundo estudo da UFMG, 82,9% das crianças e jovens que presenciaram o desastre têm sinais de transtorno de estresse pós-traumático. Nos adultos, 12% tiveram esse diagnóstico. Pesadelos recorrentes relacionados são relatados por 19,5% dos entrevistados. Um quarto apresenta insônia, 46,3%, irritabilidade ou crises de raiva. Foram ouvidas 276 vítimas.

Entre os jovens, 39,1% têm sinais de depressão e 26,1%  apresentaram comportamento suicida. Entre os adultos, o risco de suicídio foi identificado em 16,4% das pessoas.

Há um claro sofrimento social, um luto, como pano de fundo disso tudo. Os moradores perderam parentes e amigos, foram obrigados a deixar casas, objetos pessoais de forma abrupta. O pouco que sobrou foi saqueado.

Eles perderam a sensação de pertencimento, diz Franco. São pessoas que nasceram na zona rural e foram realocadas desde então para a cidade.

Cerca de 60% dos atingidos dizem sofrer preconceito de outros moradores, já que muitos perderam o emprego por causa da paralisação das atividades da mineradora Samarco desde a tragédia. Ficam revoltados ao verem as vítimas recebendo um valor mensal como forma de ressarcimento.

Nem as crianças são poupadas. Muitas sofrem bullying nas escolas, sendo chamadas, por exemplo, de pés-de-lama. Isso mostra que o potencial de destruição dessa lama toda é muito maior, vai além das mortes. Pode continuar matando, de forma figurada, também aqueles que sobreviveram a ela.

Para ler na íntegra, acesse (restrito a assinantes): https://www1.folha.uol.com.br/colunas/claudiacollucci/2019/01/luto-afeta-nao-so-familiares-mas-tambem-a-sociedade-que-sofre-junto.shtml

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A psicóloga Maria Helena Pereira Franco é autora de vários livros que abordam o luto, todos publicados pela Summus Editorial. Conheça abaixo algumas de suas obras:

 

A INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA EM EMERGÊNCIAS
Fundamentos para a prática
Organizadora: Maria Helena Pereira Franco
Autores: Cristina Foloni Delduque da Costa, Karina Kunieda Polido, Julia Schmidt Maso, José Paulo da Fonseca, Isabela Garcia Rosa Hispagnol, Iara Boccato Alves, Gabriela Casellato, Ester Passos Affini, Eleonora Jabur, Lilian Godau dos Anjos Pereira Biasoto, Cristiane Corsini Prizanteli, Claudia Gregio Cukierman, Cibele Martins de Oliveira Marras, Ariana Oliveira, Ana Lucia Toledo, Adriana Silveira Cogo, Adriana Vilela Leite César, Viviane Cristina Torlai, Luciana Mazorra, Luiz Antonio Manzochi, Marcelo M. S. Gianini, Maria Angélica Ferreira Dias, Maria Helena Pereira Franco, Maria Inês Fernandez Rodriguez, Mariangela de Almeida, Priscila Diodato Torolho, Rachel Roso Righini, Reginandréa Gomes Vicente, Régis Siqueira Ramos, Samara Klug, Sandra Regina Borges dos Santos, Sandra Rodrigues de Oliveira, Suzana Padovan

Este livro reúne experiências e reflexões sobre um campo de atuação novo no Brasil: o atendimento psicológico a pessoas em situações de emergência e desastre. Diversos especialistas abordam a importância de cuidar dessas pessoas e os procedimentos e técnicas mais indicados em cada caso. A saúde mental do psicólogo e os efeitos do transtorno de estresse pós-traumático também são analisados.

 

FORMAÇÃO E ROMPIMENTO DE VÍNCULOS
O dilema das perdas na atualidade
Organizadora: Maria Helena Pereira Franco
Autores: Maria Cristina Lopes de Almeida Amazonas, Airle Miranda de Souza, Danielle do Socorro Castro Moura, Durval Luiz de Faria, Elizabeth Queiroz, Gabriela Golin, Geórgia Sibele Nogueira da Silva, Janari da Silva Pedroso, José Ricardo de Carvalho Mesquita Ayres, Maíra R. de Oliveira Negromonte, Vera Regina R. Ramires, Maria Helena Pereira Franco, Maria Julia Kovács, Maria Lucia C. de Mello e Silva, Maria Thereza de Alencar Lima, Roberta Albuquerque Ferreira, Rosane Mantilla de Souza, Silvia Pereira da Cruz Benetti, Soraia Schwan, Tereza Cristina C. Ferreira de Araújo

Este livro reúne grandes especialistas em formação e rompimento de vínculos. Entre os temas abordados estão os dilemas dos estudantes de medicina diante da morte, a questão das perdas em instituições de saúde, o atendimento ao enlutado, a morte no contexto escolar, as consequências psicológicas do abrigamento precoce, as possibilidades de intervenção com crianças deprimidas pela perda e a preservação dos vínculos na separação conjugal.

 

O RESGATE DA EMPATIA
Suporte psicológico ao luto não reconhecido
Organizadora: Gabriela Casellato
Autores: Valéria Tinoco, Sandra Rodrigues de Oliveira, Rosane Mantilla de Souza, Regina Szylit Bousso, Plínio de Almeida Maciel Jr, Maria Helena Pereira Franco, Gabriela Casellato, Déria de Oliveira, Daniela Reis e Silva, Cristiane Ferraz Prade, Ana Cristina Costa Figueiredo

O tema do luto não sancionado é pouco abordado na literatura clínica. Neste volume, profissionais da área de saúde preenchem essa lacuna tratando de temas como aborto espontâneo, infidelidade conjugal, aposentadoria, morte de animais de estimação, perda de familiares por suicídio e o luto de cuidadores profissionais. Estratégias para lidar com a perda e os transtornos psiquiátricos decorrentes dela também fazem parte da obra.

 

VIDA, MORTE E LUTO
Atualidades brasileiras
Organizadora: Karina Okajima Fukumitsu
Autores: Leo Pessini, Ana Catarina Tavares Loureiro, Avimar Ferreira Junior, Daniel Neves Forte, Daniela Achette, Elaine Gomes dos Reis Alves, Elaine Marques Hojaij, Elvira Maria Ventura Filipe, Emi Shimma, Fernanda Cristina Marquetti, Gabriela Casellato, Gilberto Safra, Gláucia Rezende Tavares, Karina Okajima Fukumitsu, Teresa Vera Gouvea, Marcello Ferretti Fanelli, Marcos Emanoel Pereira, Maria Carlota de Rezende Coelho, Maria Helena Pereira Franco, Maria Julia Kovács, Maria Luiza Faria Nassar de Oliveira, Mayra Luciana Gagliani, Monja Coen Roshi , Monja Heishin, Nely Aparecida Guernelli Nucci, Patrícia Carvalho Moreira, Pedro Morales Tolentino Leite, Protásio Lemos da Luz

Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.

‘BENEFÍCIOS FÍSICOS DA MEDITAÇÃO’

O médico Roberto Cardoso, autor de Medicina e meditação,da MG Editores, fala em seu novo vídeo sobre os benefícios da meditação para a saúde física. Assista.

Visite o site do autor: https://www.robertocardoso.net

Conheça o livro:

MEDICINA E MEDITAÇÃO
Um médico ensina a meditar

Médico há mais de vinte anos e meditador há mais tempo ainda, o autor mostra com precisão várias técnicas de meditação e os seus benefícios para a saúde. Sem qualquer orientação religiosa, filosófica ou moral, trata-se de uma obra para ler, aprender e praticar. Edição revista, atualizada e ampliada.

 

Assista aos vídeos anteriores:

‘Alguns desacertos conceituais com meditação’: https://www.gruposummus.com.br/blog/?p=7393
“O que é meditação”: http://www.gruposummus.com.br/blog/?p=7331
“O que não é meditação”: http://www.gruposummus.com.br/blog/?p=7280

‘ABORTO ESPONTÂNEO: A DOR DE PERDER UM BEBÊ E ESTAR ENTRE MÃES FELIZES’

Matéria de Jacqueline Elise, publicada originalmente no UOL Universa,
em 23/01/2019.

A designer gráfico Carolina Schmitz, de 39 anos, ainda chora ao lembrar de sua primeira gravidez. Em 2013, com quase três meses de gestação, ela foi realizar o primeiro ultrassom, mas encontrou só silêncio: o saco gestacional era muito pequeno e não havia batimentos cardíacos. Por conta do pouco tempo, pediram para que ela aguardasse mais dez dias para refazer o exame e ver se o feto teria batimentos da próxima vez.

Uma semana depois, Carolina teve um sangramento e voltou ao hospital. Lá, ela descobriu que tinha sofrido um aborto espontâneo. Não bastasse a notícia, ela foi atendida na ala da maternidade, dividindo espaço com outras mulheres que estavam lá para, enfim, ter seus bebês. “Passei o dia todo naquele lugar me sentindo sozinha, como se ninguém pudesse me ver”, relata.

O caso de Carolina é muito comum. Por se tratar de um procedimento obstétrico, o atendimento a mulheres em processo de abortamento é feito em hospitais que dispõem de maternidade, para que os especialistas cuidem dos casos. Mas pode acontecer de parturientes e gestantes sofrendo um aborto espontâneo serem atendidas na mesma área, sem separação de ambientes.

D. F.*, de 42 anos, também passou por isso, e mais de uma vez. O primeiro caso aconteceu aos 35 anos: ela perdeu seu filho, recomendaram que ela aguardasse o processo se concluir naturalmente, mas, no fim, precisou realizar a sucção dos restos embrionários, a curetagem — e na mesma ala em que também eram feitos os partos.

Na segunda vez, a situação se repetiu. “Das coisas mais doloridas na experiência da curetagem, me lembro do choro das crianças nascendo no centro cirúrgico ao lado, de passar pelos bebês recém-nascidos, de ser chamada de ‘cureta’ pela enfermagem”, diz.

Frieza no atendimento também afeta as mulheres

D. relata que, na primeira vez que sofreu um aborto espontâneo, o tratamento distante dos médicos não ajudou. “Eu sei que eles trabalham com um número grande de pessoas, mas não precisa desumanizar tanto”.

A artista plástica Ana Pires, 29 anos, de São Paulo (SP), estava em uma viagem à Bahia quando descobriu que estava grávida. Logo que voltou ao seu estado para iniciar o pré-natal, ela teve um sangramento. Ana estava em processo de abortamento espontâneo, mas foi aconselhada a esperar o feto “sair sozinho” em casa. Demorou uma semana até expelir tudo, e ela alega que o tratamento no hospital foi muito “frio”.

Hoje, as três mulheres tiveram filhos após as experiências de abortamento, mas todas acreditam que poderia ter sido menos traumático se tivessem acompanhamento humanizado e atendimento psicológico, especialmente porque foram aconselhadas a aguardar o abortamento acontecer naturalmente, em casa, e receberam conselhos que pouco ajudaram a apaziguar a dor. “Não ajuda ficar dizendo ‘é normal perder filho, a fulana perdeu oito vezes antes de vingar um'”, diz Carolina.

Atender na maternidade é necessário, mas pode haver alas divididas no hospital

Janaína Motta, ginecologista, obstetra e colposcopista de São Paulo (SP), explica que existem um caso é classificado como aborto espontâneo quando ele ocorre até a 20ª semana de gestação. Existem dois tipos de aborto: o ativo, no qual a mulher tem um sangramento indicando que o processo já está acontecendo; e o retido, no qual ela não tem sintomas explícitos e é necessário fazer a curetagem. Em ambos os casos, as pacientes precisam ser tratadas na ala obstétrica dos hospitais.

“Quando a mulher em abortamento é atendida numa área obstétrica, é necessário uma equipe médica multidisciplinar composta por ginecologistas e obstetras, enfermeiros, assistente social e psicólogos, para que ela possa ter um apoio”, explica a especialista. Ela afirma que, em geral, os hospitais separam as parturientes das pacientes tendo um aborto, mas reconhece que “em hospitais com estruturas menos adequadas, infelizmente elas estarão misturadas com outras mulheres que acabaram de ter seus bebês”.

Maria Eugênia de Santi, especialista em reprodução assistida e responsável pelo departamento de planejamento familiar do Hospital Pérola Byington, em São Paulo (SP), afirma que a separação de alas “não é sempre prioridade dentro da administração do hospital”. “Um hospital que só funciona como maternidade recebe também pessoas que estão fazendo cirurgias. Ele poderia privilegiar uma área não relacionada ao parto, onde mulheres que farão cirurgias ginecológicas, como retirada de miomas e histerectomia, e mulheres em abortamento poderiam ficar”, pensa.

Preciso de apoio: o que fazer?

Ambas as médicas já sofreram, também, um aborto espontâneo. Santi diz: “Quando você perde o bebê, mesmo que seja no comecinho, na sua imaginação, ele já é grande, tem um quarto, roupinhas. E quando você vai para o corredor onde todas as portas têm as plaquinhas com enfeites, e a sua porta indica uma situação de insucesso, é traumatizante”, relata.

Ela afirma que, no seu caso, foi aconselhada e ir para casa e esperar o aborto acontecer, mas se recusou. “A curetagem tem seus riscos, ela pode machucar o colo do útero, por isso recomendam que aguardem. Mas eu pedi para minha médica fazer a curetagem, porque eu não ia aguentar passar pela espera. Isso é uma opção, a paciente pode solicitar que o procedimento seja feito, sim”.

Motta também salienta que a mulher em abortamento pode solicitar atendimento psicológico para lidar com a situação e minimizar a dor. “O atendimento médico tem que ser o mais humanizado possível para que ela se sinta confortável e segura neste momento. O fundamental é este apoio psicológico e emocional por parte dos médicos e da assistência social, ou ala de Psicologia do hospital”. Caso a paciente sinta que foi prejudicada durante o atendimento, é recomendado que ela procure a ouvidoria.

Por fim, Santi afirma que compartilhar histórias e encontrar grupos de apoio é o melhor remédio para a dor emocional. “Tem a questão do luto gestacional, mas também há muito medo de engravidar e perder de novo, de descobrir algum problema de saúde. Por isso é importante conversar com quem passou por isso”, pensa.

Para ler na íntegra, acesse:
https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2019/01/23/aborto-espontaneo-a-tristeza-de-perder-um-filho-e-ficar-na-maternidade.htm

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Se você tem interesse pelo tema do luto gestacional, conheça os livros do Grupo Summus que falam sobre o assunto:

ABORTO ESPONTÂNEO
Guias Ágora – Esclarecendo suas dúvidas
Autora: Ursula Markham
EDITORA ÁGORA

A perda de um bebê em formação é uma experiência devastadora para a mulher. Ela não só terá de lidar com a dor e a frustração, mas também com a ansiedade em relação a uma futura gravidez. Este simpático guia oferece conforto, conselhos práticos, segurança nos próximos passos.

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MATERNIDADE INTERROMPIDA
O drama da perda gestacional
Autora: Maria Manuela Pontes
EDITORA ÁGORA

Por vezes o ciclo da vida inverte-se: morre-se antes de nascer. Estará a sociedade civil consciente da fragilidade da maternidade e do vigor desse sono eterno que nos desvincula da existência? Este livro denuncia os processos da dor e do luto em mulheres que enfrentaram o drama da perda gestacional. São testemunhos reais de uma dura realidade que, silenciosa, clama por ser ouvida.
Prefácio de Maria Helena Pereira Franco.

‘4 FORMAS INADEQUADAS DE LIDAR COM A RAIVA’

Artigo publicado originalmente no site A Mente é Maravilhosa,
em 13/01/2019.

A raiva não desaparece sozinha, nem por magia. Quando sentimos essa emoção invasiva, é muito importante expressá-la da maneira adequada. Caso contrário, podemos acabar ficando doentes.

Lidar com a raiva de maneira inadequada é um costume que pode provocar consequências desastrosas. A raiva é uma dessas emoções invasivas que, muitas vezes, nos leva a fazer besteiras. Acabamos falando ou fazendo alguma coisa que nos prejudica e/ou prejudica as pessoas que amamos.

Infelizmente, por vezes, a raiva é vista de forma mais ou menos positiva. O chefe que grita ou o pai rígido podem acreditar que suas explosões de humor são uma demonstração de seriedade ou compromisso.

No entanto, a raiva descontrolada dificilmente gera algo positivo. Pelo contrário, machuca, fere e acaba gerando mais raiva e ressentimento nos outros. Por isso é tão importante aprender a lidar com a raiva.

Não se trata de não senti-la, porque a raiva, assim como todas as emoções, é uma reação legítima em muitos casos. O importante é não deixar que assuma o controle. Ou seja, não deixar a emoção ditar o que é preciso fazer. A seguir, vamos apresentar quatro maneiras inadequadas de lidar com a raiva.

  1. A contenção absoluta, uma forma inadequada de lidar com a raiva

A contenção absoluta nunca é um caminho válido para lidar com a raiva, nem com outras emoções. Negar o que se sente, aprisionar, evitar ou tentar ignorar o que sentimos não é adequado. Nenhuma repressão é positiva.

Essa energia que pretendemos asfixiar dentro de nós mesmos sempre retorna em forma de outro sintoma físico ou psicológico. Assim, o melhor caminho não é morder os lábios e tentar seguir em frente como se nada tivesse acontecido.

O que podemos fazer é pensar em um primeiro momento para evitar que ocorra uma dessas explosões de raiva. Assim, evitamos que se voltem contra nós ou contra quem amamos. A serenidade dará lugar a um cenário mais propício para expressar a emoção.

  1. Descarregar a raiva sobre si mesmo

Uma das consequências de reprimir a energia que acompanha a raiva é que ela acaba explodindo dentro de nós. As emoções não se diluem, nem desaparecem sozinhas. Quando não as gerimos, acabam se transformando em algo indesejado. É comum que essa raiva que guardamos, posteriormente, se transforme em uma agressão contra nós mesmos.

A depressão muitas vezes encobre uma raiva reprimida. A raiva está aí, mas em vez de se dirigir a quem a causou, se volta contra nós. É nesse momento que aparecem as recriminações e o ressentimento.

Também é possível que surjam enxaquecas, vertigens e outros sintomas físicos. Não devemos perder de vista a fonte da raiva. O que fez com que esse sentimento aparecesse?

  1. Adotar atitudes passivo-agressivas

As atitudes passivo-agressivas são aquelas nas quais as palavras, os gestos ou os atos denotam raiva, mas esta não é expressada diretamente. Pelo contrário, é ocultada.

São colocados enfeites ou véus que amenizam a raiva, mas não a canalizam nem a solucionam. O exemplo mais típico são as indiretas. A pessoa diz, mas não diz.

Lidar com a raiva dessa maneira não é adequado porque gera confusão, tanto para você quanto para os outros. A pessoa não consegue manifestar abertamente o incômodo, mas também não fica completamente quieta.

O problema é que isso pode dar lugar a uma prorrogação desnecessária do conflito ou a novas fontes de problemas.

  1. Descontar a raiva em pessoas inocentes

A raiva, às vezes, gera redes de agressão que são completamente irracionais. Vamos supor que um chefe fique incomodado de alguma maneira com sua funcionária. Ela não responde, mas quando conversa com seu namorado, se mostra contrariada e o recrimina sem razão. O namorado não responde, mas guarda um certo incômodo dentro de si. Por isso, chega em casa e se mostra excessivamente intolerante com seu irmão mais novo, com quem acaba gritando. A criança não responde, mas brinca de forma brusca com o animal de estimação para atenuar a raiva que está sentindo.

Dessa maneira, forma-se um círculo de agressões, sem que em nenhum ponto o sentimento seja administrado de maneira adequada. Alguém completamente inocente pode acabar sofrendo as consequências de uma má gestão emocional. Como se pode ver, isso deteriora os vínculos sem nenhuma necessidade.

Aprender a lidar com a raiva é muito importante para criar ambientes saudáveis e relações mais construtivas. O adequado é sempre expressar nossos incômodos para a pessoa que os causou. Manifestar abertamente que repudiamos um tratamento injusto, sem consideração ou pouco respeitoso.

Fazer isso depois de ter recuperado a serenidade – se for impossível falar, coloque tudo no papel, sem filtros – é de grande ajuda.

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Para ler na íntegra, acesse:
https://amenteemaravilhosa.com.br/4-formas-inadequadas-lidar-com-a-raiva/

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Tem interesse pelo assunto? conheça:

QUANDO A RAIVA DÓI
Acalmando a tempestade interior
Autores: Peter D. Rogers, Matthew McKay e Judity Mckay
SUMMUS EDITORIAL

A raiva tem um preço alto, nem sempre justificado. As causas muitas vezes se diluem, restando apenas feridas e mágoas., distanciamento, amargura e profunda autodesvalorização. Este é um guia-prático para pessoas que queiram lidar com sua raiva, que se cansaram do desgaste físico e emocional que ela provoca, que buscam formas melhores de expressar suas insatisfações e problemas.

 

‘MACHISMO É DOENÇA, DIZ ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSICOLOGIA’

O assunto foi um dos temas de ontem do Em Pauta, da GloboNews. Assista em http://g1.globo.com/globo-news/globo-news-em-pauta/videos/t/todos-os-videos/v/machismo-e-doenca-diz-associacao-americana-de-psicologia/7299352/

Conheça o livro da psicanalista Malvina Muszkat, mencionado no programa:


O HOMEM SUBJUGADO

O dilema das masculinidades no mundo contemporâneo
Autora: Malvina E. Muszkat
SUMMUS EDITORIAL

Neste livro, a autora Malvina Muszkat, propõe que se repense o fenômeno da violência sob a perspectiva da subjetividade masculina na dinâmica dos relacionamentos, de forma a buscar maneiras mais eficientes de se promover o dialogo e evitar o confronto. Transitando por áreas como antropologia, sociologia, mitologia e psicanálise, Malvina mostra como a imagem da masculinidade foi construída ao longo dos séculos e de que forma os homens foram proibidos de demonstrar seus medos e fraquezas.

‘FAKE NEWS DAS ANTIGAS, MOVIMENTO ANTIVACINA SEGUE COM FORÇA NAS REDES SOCIAIS’

Matéria de  Matheus Alleoni publicada originalmente no iG Saúde, em 13/01/2019.

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Notícias falsas, medo de efeitos colaterais e luta por liberdade individual são motivações do grupo que ameaça a saúde de milhões de crianças pelo mundo

A onda de notícias falsas que invadiu os debates políticos nos últimos anos vai, aos poucos, proliferando-se para outras áreas. E a ciência não é exceção. Um dos maiores exemplos disso é o crescimento do movimento antivacina, que cada vez mais. conquista pais e mães mal informados ao redor do mundo.

O movimento antivacina , ou Anti-Vaxxers, como o grupo ficou conhecido nos Estados Unidos, é contra a imunização e reúne pessoas com diversas motivações para odiar as vacinas. Para alguns, a vacinação pode causar autismo e outras doenças. Outros rejeitam a vacinação por motivos religiosos. Também existem aqueles que acham que os ingredientes das injeções não são “naturais” o suficiente.

Pegando carona com as redes sociais e o clima político divisivo, o movimento voltou a crescer na última década, em especial no Estados Unidos. O resultado? O estado de Nova York já vive seu maior surto de sarampo desde 1990. Foram 170 casos reportados de setembro do ano passado até janeiro e, segundo o governo do estado, a culpa é dos Anti-Vaxxers .

Para entender o movimento, seus adeptos e a série de consequências que o fez tão relevante em pleno 2019, no entanto, é preciso explicar suas origens, suas principais influências e seus perigos. Leia, abaixo, tudo o que você precisa saber sobre os Anti-Vaxxers.

A primeira vacina catalogada no mundo foi inventada por Edward Jenner que, em 1796, criou um método de imunização para a varíola, primeiro em vacas e depois em seres humanos. Já no século XIX surgiram os primeiros céticos em relação à eficácia e aos possíveis efeitos colaterais da imunização.

A técnica ainda era experimental e causava dúvidas em muitos, inclusive em pessoas de dentro da comunidade científica. A inoculação (ato de injetar o vírus em algum organismo para desenvolver a vacina) era feita em humanos e o processo de coleta do vírus vinha diretamente de feridas de infectados. Nesse caso, o ceticismo fez bem e ajudou no avanço das técnicas de imunização.

Após a vacina de Jenner ser fundamental no combate ao surto de varíola do século XIX, o francês Louis Pasteur desenvolveu uma téncica para deixar os vírus atenuados enquanto criava a vacina antirábica em 1885.

Ainda assim, boa parte da sociedade ainda tinha dúvida em relação à imunização. Sempre empurrados pela desconfiança de parte da sociedade, os pesquisadores da área foram avançando. Primeiro, veio a aprovação da comunidade médica, que passou a reconhecer a imunologia como um braço da prática. A vacina BCG, de 1909, combateu o tuberculose. Já em 1940, cientistas brasileiros conseguiram desenvolver a vacina contra a febre amarela.

Em 1955, um dos maiores avanços da história da medicina: a invenção da vacina contra a poliomielite, que assolava recém-nascidos de todo o mundo. Hoje, a doença está praticamente erradicada . A desconfiança, no entanto, não acabou.

Surgiram, ainda no século XIX, as Anti-vaccination Leagues no Reino Unido. Na época, o país criou uma lei que tornava mandatória a imunização de crianças. Já nesse período, era possível ver que o grupo antivacina era bastante dividido: além daqueles que não acreditavam na imunização e temiam supostos efeitos colaterais, havia os que não queriam vacinar os filhos por motivos religiosos. A Igreja Católica chegou a se posicionar contra as vacinas

Os Anti-Vaxxers e as fake News

Depois de ficar dormente por algumas décadas, o movimento antivacina voltou a aparecer com força nos anos 70. Dessa vez, os religiosos fanáticos e aqueles que não acreditavam nos efeitos da imunização ganhavam a companhia de outro grupo: os adeptos dos produtos naturais. No auge do movimento hippie, muitos norte-americanos pararam de imunizar seus filhos pois consideravam o método artificial demais.

Outro fato que ajudou a esquentar o debate aconteceu na Inglaterra: 36 crianças acabaram tendo uma série de sequelas neurológicas após tomarem a vacina contra difteria, tétano e coqueluche. O caso foi bastante divulgado pela imprensa e rendeu até documentário. Alguns pais chegaram a processar o estado, mas acabaram perdendo na Justiça pois a relação entre as vacinas e as sequelas jamais foi confirmada.

Se um caso duvidoso já fez estrago nos anos 1970, foi em 1998, ainda antes do termo ‘fake news’ ser cunhado, que a indústria da imunização sofreu o seu mais duro golpe, que reverbera até os dias de hoje. Uma pesquisa publicada pelo Dr. Andrew Wakefield na  The Lancet , uma das mais respeitadas publicações sobre medicina do Reino Unido, tentava comprovar a relação entre a vacina para sarampo, rubéola e caxumba e casos de autismo em crianças.

Ao longo dos anos, a teoria do médico, que nunca foi aceita pelos colegas, foi exposta como fraudulenta. A Justiça tirou o diploma de Wakefield, considerando que ele agiu de má fé, no entanto, o artigo se espalhou e voltou a causar ceticismo na população em relação à imunização. Até hoje, Andrews é creditado pelo surto de sarampo na Inglaterra nos anos 1990. A doença era considerada erradicada no país.  Até hoje, Wakefield é um importante militante do movimento antivacinas. Em 2016, ele dirigiu o documentário “Vaxxed”, que volta a relacionar a imunização com o autismo.

Quem são os Anti-Vaxxers de hoje?

Nos dias de hoje, é possível dizer que Wakefield é o principal “influenciador” do movimento antivacina nos Estados Unidos, país onde o grupo tem mais força. No entanto, além das pessoas que acreditam que vacinas causam autismo e/ou outras doenças, os anti-vaxxers ainda contam com religiosos fanáticos, veganos e conspiracionistas.

Navegando por grupos antivacina nas redes sociais, no entanto, é possível perceber que a desinformação é a grande responsável pela crença da maioria dos adeptos desse movimento. Na internet, eles citam o artigo fraudulento de Wakefield como única fonte científica e também compartilham informações falsas e até memes contra as vacinas. Além disso, os integrantes frequentemente trocam histórias sobre como sofrem preconceito do resto da sociedade.

“Meus pais me julgam por não ter vacinado meus três filhos e meu irmão sempre tenta discutir sobre isso. Eu não quero discutir sobre nada, sinto vontade de chorar”, escreveu a participante de um desses grupos no Facebook. “Se vacinas fossem saudáveis, você poderia colocar numa colher e comer. Tente e você morrerá”, filosofou outra.

A histeria também é uma característica latente do grupo. “Meu marido vacinou minha filha sem a minha permissão, eu posso mandar prendê-lo ou processá-lo?”, perguntou uma mulher. “Meu médico quer que eu imunize as crianças e pare de utilizar óleos naturais. É claro que não vou fazer nenhum dos dois”, gabou-se outra.

O perfil geral é bastante homogêneo: mães, norte-americanas, na faixa dos 30 anos, suburbanas, de classe média-alta, donas de casa ou vendedoras em empresas de marketing multinível.

Famosos Anti-Vaxxers

Celebridades de Hollywood também têm grande responsabilidade pela força do movimento antivacina nos Estados Unidos. A mais vocal é a atriz Jenny McCarthy, que afirma que seu filho, Evan, “contraiu” autismo por conta das vacinas. O famoso ator e comediante Jim Carrey,  ex-companheiro de McCarthy e que foi padrasto de Evan, também milita contra as vacinas ao lado da ex.

A lista de famosos que se posicionaram publicamente contra as vacinas ainda conta com o comediante Charlie Sheen, as atrizes Alicia Silverstone e Selma Blair, a famosa ativista Erin Brockovich e o vencedor do Oscar Robert De Niro.

É claro que o atual presidente norte-americano, Donald Trump, não poderia ficar fora de mais essa polêmica. Em 2014, o hoje chefe de Estado relacionou vacinas com autismo em um tweet: “Uma criança saudável vai ao médico, leva uma injeção com muitas vacinas, não se sente bem e muda. AUTISMO. São muitos e muitos casos”, escreveu o republicano, que não fez nenhuma grande alteração no programa de imunização norte-americano desde que chegou à Casa Branca.

Debate sobre liberdade

Se quase todos os debates levantados pelos Anti-Vaxxers do século XXI são pautados por informações falsas, um ainda gera muita controvérsia mesmo fora da comunidade que não acredita nas vacinas: o da liberdade individual.

O argumento do movimento antivacina aprovado por grande parte da sociedade é o de que a vontade pessoal de cada pessoa ou dos pais deve ser soberana. Outros acreditam que a vacinação deve ser imposta pelo estado pelo bem da coletividade.

Nos Estados Unidos, muitas pessoas protestam contra a imunização obrigatória. Algumas delas não fazem parte de grupos antivacina, mas acreditam que os pais têm o direito constitucional de não imunizarem os filhos. Por lá, apenas três estados exigem a carteira de vacinação para que uma criança seja matricula numa escola pública: Califórnia, Virginia do Oeste e Mississippi. Nos demais, existem as chamadas restrições religiosas e/ou filosóficas.

No Brasil, é proibido por lei não imunizar as crianças por razões que não sejam médicas. A carteira da vacinação é obrigatória na hora de matricular os filhos nas escolas e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina que pais que falham em vacinar os filhos podem levar multas ou ser processados por negligência e maus tratos.

Imunologista pediátrica com mais de 30 anos de carreira, a Dra. Delva Longhi acredita que o estado deve obrigar a imunização das crianças. “Muitas vezes, os pais nem têm conhecimento da importância da vacina. Outros não querem ou não podem perder um dia de trabalho para levar os filhos. Se não houver nenhuma exigência, nossos níveis de imunização vão cair muito”, explica a médica.

Anti-Vaxxers no Brasil?

Sobre o movimento antivacina no Brasil , a médica conta que o grupo ainda é tímido. “Entre meus pacientes, acho que não chega a 1%”, conta a imunologista, que também traça um perfil do grupo. “São sempre pessoas com boa condição financeira, aparentemente esclarecidas e muito influenciadas pela cultura dos Estados Unidos”, diz.

Ainda que de forma tímida, os Anti-Vaxxers vão deixando sua marca no País. De acordo com o Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, a vacinação de crianças menores de um ano teve seu menor índice de cobertura nos últimos 16 anos em 2018.

Hoje, o Brasil vive dois grandes surtos de sarampo: um em Roraima e um no Amazonas. Foram 10.274 casos confirmados em apenas um ano.  No entanto, o Ministério de Saúde atribui a epidemia ao alto índice de imigração de venezuelanos para o País.

Os perigos de não imunizar

O debate sobre a vacinação vai além das liberdades individuais, uma vez que uma pessoa não imunizada pode representar riscos para os demais. “Pegando o exemplo de uma escola ou de um hospital, onde existem crianças de todas as idades. Um paciente de 5 anos que não está em dia com as vacinas pode contaminar uma criança mais nova que ainda não tem idade para determiandas vacinas”, explica a Dra. Longhi. “Isso pode ter consequências sérias para a saúde ou até mesmo causar a morte”, completa.

Sobre os efeitos colaterais, a médica admite que algumas vacinas podem causar mal-estar, mas diz que o “custo-benefício em se vacinar é muito maior”. O Ministério da Saúde, em seu site oficial, também fala sobre a importância da imunização. “Com respaldo técnico de equipes especializadas, o Ministério da Saúde garante que a vacinação é segura, sendo que seu resultado não se resume a evitar doenças. Vacinas salvam vidas”, diz o comunicado.

De olho no crescimento do  movimento antivacina  e outros grupos conspiracionistas, o Ministério da Saúde criou uma página apenas para desbancar notícias falsas espalhadas pelas redes socias. A iniciativa começou em agosto de 2018 e, apenas no primeiro mês, a pasta desmentiu seis fake news sobre imunização.

 

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://saude.ig.com.br/2019-01-13/movimento-antivacina-anti-vaxxers.html

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Para esclarecer todas as suas dúvidas sobre o assunto, conheça o livro:

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VACINAR, SIM OU NÃO?
Um guia fundamental
Autores: Monica LeviGuido Carlos LeviGabriel Oselka
MG EDITORES

Desde o surgimento da primeira vacina, no fim do século XVIII, centenas de milhares de mortes foram evitadas e dezenas de moléstias, combatidas. Estima-se que, nos últimos dois séculos, as vacinas proporcionaram um aumento de cerca de 30 anos em nossa expectativa de vida.

Porém, nos últimos anos, um grande movimento internacional contra as vacinas tem chamado a atenção de pais, profissionais de saúde e educadores. Partindo de informações contraditórias e de dados sem comprovação científica, seus membros alegam ter o direito de escolher vacinar ou não os filhos. No entanto, essa decisão, que de início parece individual, tem consequências coletivas, fazendo por vezes ressurgir epidemias que se consideravam erradicadas.

Escrito por dois pediatras e um infectologista, todos com vasta experiência em imunização, este livro apresenta:

  • um histórico do surgimento e da consolidação das vacinas;
  • os benefícios da imunização para a saúde individual e coletiva;
  • os mitos – pseudocientíficos e religiosos – associados a elas, como o de que a vacina tríplice viral provoca autismo;
  • as respostas da ciência a esses mitos;
  • as consequências da não vacinação para os indivíduos e a comunidade;
  • as reações adversas esperadas e como agir caso isso aconteça;
  • as implicações éticas e legais da vacinação compulsória.

‘A DESCOBERTA DE QUE NOSSO HEMISFÉRIO CEREBRAL ESQUERDO FALA POR NÓS’

Artigo de Luciano Melo, publicado originalmente em sua coluna
na Folha de S. Paulo, em 11/01/2019.

Cientista ajudou na superação da teoria de que todas as áreas cerebrais participam de todas atividades do órgão

Um senhor de meia-idade subitamente parou de falar normalmente. Ainda assim, conseguiu chamar a atenção de sua esposa. A mulher o levou ao hospital, porque estava claro que se tratava de algo sério. O atendimento foi rápido, e o médico responsável percebeu que o paciente compreendia tudo o que lhe era dito. A fala do enfermo era sofrível, monossilábica, lenta, sem frases e produzida com grande esforço. Trocava letras em sílabas, trocava sílabas em palavras. O paciente também não conseguia dar nome aos objetos que lhe eram sucessivamente apresentados. Sua escrita era tão deficiente quanto seu discurso.

Não foi difícil para o médico perceber que o homem estava com um problema conhecido como afasia de Broca. O termo afasia vem do grego e significa dificuldade em falar. O nome homenageia o antropólogo, anatomista e cirurgião francês Paul Pierre Broca.

Após avaliar um idoso que deixara de falar subitamente, Broca descreveu em 1861 o distúrbio de linguagem que levaria o seu nome. Ao avaliar o cérebro de seu paciente, notou a existência de lesão no lobo frontal do hemisfério esquerdo. Em outras necropsias que realizou em pacientes com os mesmos sintomas, viu danos nas mesmas regiões nos respectivos lobos frontais.

Assim, o anatomista, foi o primeiro a concluir que determinada parte do encéfalo possuía função específica para a linguagem. E disse que uma pequena parte do lobo frontal esquerdo era responsável por organizar frases, emitir palavras e dar fluência à fala. Assim, o médico anunciou: nós falamos com o hemisfério esquerdo!

A região do lobo frontal esquerdo que Broca se referiu foi batizada com seu nome.

O cientista auxiliou a medicina a superar a teoria holística cerebral, que afirmava que todas as áreas cerebrais participavam de todas as atividades do órgão. Dessa forma, uma lesão encefálica afetaria todas as funções cognitivas igualmente e cada região cerebral seria capaz de realizar todo e qualquer processo mental, desde o reconhecimento de um som específico à capacidade de saber que aquele borrão desenhado pelo seu filho é um tigre.

A hipótese holística imperava naquela época. Era a soma de conceitos que rejeitavam que a mente poderia ser reduzida à atividade encefálica, que o cérebro de qualquer pessoa poderia ser exercitado e treinado, que não existia alma física. Era defendida pelo clero e pela aristocracia europeia daquele século.

Broca promoveu um rompimento. E inaugurou a neuropsicologia, a ciência do processo mental, um campo de conhecimento que evoluiu e pelo qual podemos compreender funções cerebrais complexas por meio de exames, como ressonâncias funcionais. Assim, podemos estudar o cérebro vivo de forma segura.

Voltemos ao nosso paciente do parágrafo inicial, que foi submetido a ressonância de encéfalo. As imagens, porém, não revelaram problema algum em todo o cérebro, ainda que os sintomas persistissem.

Estaríamos diante de uma exceção a Broca?

A avaliação prosseguiu e revelou um tumor que comprimia a carótida esquerda, artéria que nutre a área de Broca, entre outras partes cerebrais. O sangue que chegava a essa região era escasso, por isso a disfunção da linguagem.

O motivo pelo qual outras funções cerebrais não foram afetadas, como seria o esperado, ficou como mistério não resolvido. O tumor era um linfoma, e o paciente foi tratado e curado. Sua fala se recuperou por completo. E os conceitos que vieram com Paul Pierre Broca ajudaram a resolver um grande problema.

Luciano Melo – Médico neurologista, escreve sobre o cérebro, seus comandos, seus dilemas e as doenças que o afetam.
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Para ler na íntegra, acesse https://www1.folha.uol.com.br/colunas/luciano-melo/2019/01/a-descoberta-de-que-nosso-hemisferio-cerebral-esquerdo-fala-por-nos.shtml

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça:

CÉREBRO ESQUERDO, CÉREBRO DIREITO
Autores: Sally P. Springer, Georg Deutsch
SUMMUS EDITORIAL

Já considerado um clássico no estudo das potencialidades cerebrais. Em uma edição atualizada, os autores apresentam as descobertas básicas na área da assimetria cerebral, procurando separar os fatos comprovados daquilo que é mera especulação. Escrito para um público amplo, apresenta conclusões científicas de forma clara para o leigo, sem comprometer a precisão e a complexidade dos tópicos analisados.

 

‘EDUCAÇÃO SEXUAL NAS ESCOLAS É NECESSÁRIA PARA QUE O SEXO NÃO SEJA REPRIMIDO’

Artigo de Regina Navarro publicado originalmente em seu blog no UOL Universa,
em 09/01/2019.

Pesquisa Datafolha, feita com 2077 pessoas em 130 municípios, perguntou aos brasileiros sobre dois temas: educação sexual e discussão política em sala de aula. A conclusão foi de que 54% concordam com educação sexual nas escolas e 71% acreditam que assuntos políticos devem ser abordados.

Escolhi o primeiro tema para tratar aqui. A educação sexual nas escolas é fundamental, na medida em que contribui para evitar gravidez precoce, DSTs, homofobia e violência contra a mulher. O debate com os alunos pode contribuir, e muito, para a diminuição dos preconceitos e a maior aceitação da diversidade.

Desde cedo as crianças aprendem que todas as ofensas e xingamentos estão ligados ao sexo. A partir daí concluir que sexo é algo sujo e perigoso é o caminho mais comum. A consequência na vida adulta é a grande quantidade de pessoas que sofrem com seus medos, culpas, dúvidas, frustrações e disfunções sexuais.

O psicoterapeuta e escritor José Ângelo Gaiarsa dizia que sexo reprimido é liberdade reprimida e acrescentava: “O sexo é responsável pela maior perseguição na área dos costumes humanos e o maior mistério diante do óbvio. Todas as forças repressoras de todas as épocas se voltaram sistematicamente contra a sexualidade humana”.

Um bom exemplo é o que ocorreu, há pouco mais de um ano, quando 150 pais indignados fizeram um abaixo-assinado e o entregaram ao Ministério Público de Rondônia. Eles queriam a retirada de um livro escolar da 8ª série que tem ilustrações de um pênis, autoexame de mama e do órgão reprodutor feminino, na cidade de Ji-Paraná (RO).

Sem ser percebida como tal, a repressão sexual vai se instalando e condiciona o surgimento de valores e regras para controlar a sexualidade das pessoas. Tudo isso passa a ser visto como natural, fazendo parte da vida, o que causa grandes prejuízos.

Para ler na íntegra, acesse: https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2019/01/09/educacao-sexual-nas-escolas-e-necessaria-para-que-o-sexo-nao-seja-reprimido/

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Conheça alguns dos livros do já falecido psicoterapeuta José Ângelo Gaiarsa, mencionado no artigo:

 

AMORES PERFEITOS

Para J. A. Gaiarsa, um dos maiores críticos da família e da hipocrisia social que a cerca, o conjunto de regras que obedecemos desde que nascemos – regras essas que transmitimos a nossos filhos mesmo tendo sofrido com elas – só serve a um propósito: o da opressão. Neste livro, ele mostra que o amor não pode ficar restrito a determinadas amarras. Prepare-se para rever todos os seus (pre)conceitos sobre fidelidade, família, relacionamentos e felicidade.

 

SEXO: TUDO QUE NINGUÉM FALA SOBRE O TEMA

Como o próprio título indica, e sendo o autor quem é, este livro fala sobre intimidades, em linguagem permitida apenas com o espelho ou pessoas muito íntimas. A intenção era essa mesmo: ajudar o leitor a despir suas máscaras sociais e refletir com honestidade sobre sua própria sexualidade, que inclui o corpo a corpo e a afetividade.

 

EDUCAÇÃO FAMILIAR E ESCOLAR PARA O TERCEIRO MILÊNIO

Gaiarsa combate aqui a idéia de que o indivíduo nasce com aptidões mínimas de aprendizado. Ao contrário, a revolução pedagógica proposta pelo autor fundamenta-se em que toda criança, ao nascer, é um gênio potencial; aprender vai muito além de palavras; durante a infância são incutidas no indivíduo grande parte das perturbações mentais, psiconeuróticas e psicossomáticas que conhecemos. Obra indicada para psicólogos, educadores e leigos.

 

SOBRE UMA ESCOLA PARA O NOVO HOMEM

Aqui o autor ajuda a questionar (e demolir!) o sistema educacional brasileiro, que, segundo ele, é arcaico e reacionário. Educar significa conduzir, diz ele, e a escola não está cumprindo seu papel. Além de críticas, o livro traz idéias e propostas para humanizar o ensino e ajudar as crianças a se prepararem para um mundo diferente.

 

A FAMÍLIA DE QUE SE FALA E A FAMÍLIA DE QUE SE SOFRE
O livro negro da família, do amor e do sexo

Ardoroso defensor da criança em estado puro – ou seja, sem a intervenção maléfica dos adultos –, José Angelo Gaiarsa analisa nesta obra, em edição revista, como transformamos um ser pleno de possibilidades em um indivíduo mesquinho, preconceituoso e frustrado.

A fim de inspirar novas leis sobre a família e provocar no leitor reflexões sobre seu modo de agir diante dos filhos e da vida, o autor propõe o resgate do prazer, da amorosidade e da espontaneidade para aprimorar os relacionamentos. Afinal, diz ele, “a finalidade primeira de qualquer civilização amante da vida é empenhar-se por inteiro para que a geração seguinte seja definitivamente melhor, oferecendo a todo ser humano recém-nascido tudo de que ele precisa e todos de que precisa”.

 

‘SINTOMAS FÍSICOS DA DEPRESSÃO: QUANDO SEU CORPO FALA’

 Artigo publicado originalmente no site A Mente é Maravilhosa em 09/01/2019.

Os sintomas físicos da depressão são acompanhados pelos psicológicos. No entanto, é comum que muitas pessoas prestem atenção em primeiro lugar às dores de cabeças ou nas costas, à insônia, ao cansaço, etc.

Os sintomas físicos da depressão são um modo através do qual nosso cérebro nos avisa que algo não está certo. Esse transtorno complexo não altera apenas o ânimo e os pensamentos.

Se há um aspecto comum, é o claro impacto que tem sobre nosso corpo, trazendo-nos dor, fadiga, inflamações, problemas de sono, etc. Poucas condições alteram de forma tão intensa todo o nosso ser.

A dor mental existe e é a verdadeira responsável por muitas de nossas doenças físicas. No entanto, parece mais fácil dizer que estamos com dor nas costas, na cabeça ou no estômago do que dizer em voz alta algo tão dramático quanto “estou com dor na vida”. Porque se existe algo que sabemos é que nossa realidade é, muitas vezes, bastante dolorosa.

Os fracassos, as perdas, as decepções, o não saber o que fazer ou como reagir perante algo traz sofrimento. E mais, é comum sentir uma profunda angústia emocional sem forma e sem origem específica, um mal-estar persistente ao qual não sabemos dar explicações ou um desencadeador específico.

A depressão, como vemos, tem mil formas e tantos relevos que é como se fosse uma impressão digital. Não existem duas iguais.

É comum, por exemplo, essa combinação tão desgastante na qual a ansiedade se mistura com a depressão. É então que os pacientes costumam definir esse estado como estar assustado e extremamente cansado ao mesmo tempo. Como querer ficar sozinho e temer a solidão ao mesmo tempo. Como ter vontade de fugir e se sentir paralisado ao mesmo tempo.

Viver com depressão ou qualquer outro transtorno não é fácil para ninguém. No entanto, aprofundar-nos na anatomia dessas condições é muito necessário para compreender melhor o que estamos enfrentando.

A depressão dói. Poderíamos defini-la de muitas formas: um estado paralisante, pensamentos negativos e, inclusive, prejudiciais, angústia, medo, tristeza, apatia, desânimo, etc.

No entanto, não é comum escutar na boca de ninguém essa definição que nos revela que a depressão é, acima de tudo, sentir dor. Uma dor na qual o sofrimento físico (além do emocional) é real.

Estudos como o realizado na Universidade de medicina do Texas, nos Estados Unidos, em 2004, confirmam essa mesma informação: os sintomas físicos são comuns na depressão e, de fato, toda essa sintomatologia aparece por meio da dor ou de alguma alteração orgânica.

De tal forma, assim como nos revela o doutor Madhukar H. Trivedi, responsável pelo trabalho citado, grande parte dos pacientes procuram os postos de saúde com dores na cabeça, nas costas ou problemas de sono ou digestivos sem saber que todas essas sensações são os sintomas físicos da depressão.

Vamos analisar a seguir quais são esses sintomas mais recorrentes.

Cansaço, sensação de peso e dor generalizada

Tudo pesa, tudo dói, o corpo se torna lento. É como viver no interior de um opressivo escafandro. Esta, sem dúvida, é uma das características que grande parte das pessoas com um transtorno depressivo sente.

Ao mesmo tempo, assim como nos explica em um estudo o doutor Steven Targum, diretor do Hospital de Boston, nos Estados Unidos, as pessoas deprimidas nem sequer se beneficiam de um sono reparador. Mesmo que durmam 12 horas, continuarão se sentindo exaustas.

Dores nas costas

Se tivéssemos que falar de uma dor clássica associada à depressão, as dores nas costas estariam presentes. Este incômodo supera, inclusive, as dores de cabeça. Agora, para responder sobre o porquê dessa relação, podemos citar um estudo da Universidade de Emory, nos Estados Unidos, realizado em 2016:

  • Há um vínculo entre as vias inflamatórias e os neurocircuitos do cérebro quando experimentamos sensações de alerta, medo ou angústia.
  • Ocorre uma reação, um enfraquecimento do sistema imunológico e uma resposta inflamatória que se localiza, sobretudo, na coluna vertebral, nos nervos e nas vértebras das costas.

Maior sensibilidade à dor

Outro dos sintomas físicos da depressão é nosso limite de dor. De repente, tudo fica doloroso, um arranhão, uma batida leve, as mudanças de temperatura, os diferentes tecidos de roupa, etc. A pele e nossos receptores ficam mais sensíveis. Dessa foram, sofremos mais.

Problemas digestivos

Com a depressão, é comum a ocorrência de alterações digestivas:

  • Cólicas.
  • Digestões lentas.
  • Cólon irritável.
  • Dor de estômago.
  • Sensação de ardor.

Assim como indica um trabalho da Universidade de Harvard, não podemos esquecer que existe uma íntima relação entre nosso cérebro e o sistema digestivo.

Fatores como o estresse, a ansiedade, os medos, as angústias e as tristezas provocam uma série de alterações que partem desde o esôfago e vão até o cólon.

Problemas oculares

Esse dado é curioso. Outro dos sintomas físicos da depressão é a percepção do contraste. Trata-se de uma pequena disfunção na vista na qual a pessoa tem dificuldade para focalizar as coisas. Além de a visão ficar mais embaçada, também há uma leve dificuldade para diferenciar o branco do preto.

Estudos como o realizado pela Universidade de Harvard nos indicam que quando alguém está deprimido, o mundo fica mais monocromático e, acima de tudo, as cores azul e cinza ficam mais fortes.

Trata-se de um dado muito interessante com o qual muitos pacientes que sofrem dessa condição psicológica concordam.

Para concluir, assim como pudemos verificar, os sintomas físicos da depressão são variados. No entanto, devemos nos lembrar de que essa série de incômodos ou particularidades devem ser relacionadas com uma série de alterações emocionais e cognitivas para poder constituir o quadro clínico de uma depressão.

A tipologia e o modo de enfrentar a doença é algo que o profissional da saúde deve decidir. Devemos nos lembrar, por sua vez, de que independentemente do tipo de depressão que temos, todas são tratáveis.

No momento em que se sente uma melhora, a maior parte desses sintomas físicos desaparece. É quando nossa mente fica em paz e nosso corpo para de gritar para se deixar levar em sintonia com nosso bem-estar emocional.

Para ler na íntegra, acesse: https://amenteemaravilhosa.com.br/sintomas-fisicos-da-depressao/

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Quer saber mais sobre depressão? Conheça os livros do Grupo Summus sobre o tema:

DEPRESSÃO
Esclarecendo suas dúvidas
Autor: Sue Breton
EDITORA ÁGORA

A depressão cobre uma vasta gama de emoções, desde o abatimento por um episódio do cotidiano até o forte impulso suicida. Este guia mostra os diferentes tipos de depressão e explica os sentimentos que os caracterizam, para ajudar os familiares e os profissionais a entender a pessoa em depressão. Ensina também como ajudar a si mesmo e a outros depressivos.

 

TRANSTORNOS DE ANSIEDADE, ESTRESSE E DEPRESSÕES
Conhecer e tratar
Autor:  Breno Serson
MG EDITORES

Insônia, falta ou excesso de apetite, falta de ar, tonturas, medos, aperto no peito, pensamentos angustiantes. Esses e outros sintomas físicos e mentais podem indicar um transtorno de ansiedade ou depressão, que atinge cada vez mais nossa sociedade contemporânea. Este livro objetiva partilhar conhecimento, em linguagem simples, sobre os transtornos ansiosos e depressivos e os tipos de tratamento disponíveis, refletindo sobretudo sobre a integração de tratamentos convencionais e de medidas gerais benéficas.

 

UNIVERSO DA DEPRESSÃO
Histórias e tratamentos pela psiquiatria e pelo psicodrama
Autora: Elisabeth Maria Sene-Costa
EDITORA ÁGORA

Este livro é o resultado de uma ousada proposta para obtenção do título de mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP. A autora, psicóloga, estudou com profundidade os aspectos fisiológicos e clínicos da depressão e em seguida desenvolveu um tratamento apoiado no psicodrama. Tese inovadora e muito bem embasada, útil para profissionais das áreas médica e psi.