“É UM SACRIFÍCIO SE LIVRAR DE MAUS HÁBITOS, MAS VALE MUITO A PENA”

Matéria publicada originalmente no Blog da Saúde, em 28/07/2019

“É um sacrifício sair de uma rotina de maus hábitos. Criar uma rotina saudável é mais difícil ainda, mas vale muito a pena. Eu pude ver isso depois de emagrecer e me sentir mais disposta”, a descrição é da médica veterinária Luiza Cysne, de 32 anos que chegou a pesar 122 quilos e hoje está com 59 quilos.

De fato, balancear o cardápio é uma tarefa difícil principalmente pela correria do dia a dia. Mas, cuidar da alimentação é fundamental para evitar doenças causadas por falta de nutrientes e combater e a obesidade.

Luiza fez uma reeducação alimentar após uma cirurgia devido ao peso, e conta que a alimentação adequada nessa época foi é importante para manter a saúde e para melhorar a vida. “Eu bebia muito refrigerante, só comia fritura, massas, hambúrgueres, esses alimentos faziam parte da minha rotina, o que me levou a ter problemas de saúde. Hoje eu tomo café da manhã, coisa que eu não fazia, troquei o refrigerante pelo suco e isso me ajudou muito a ter uma vida melhor, me sinto mais disposta”, fala.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda cinco porções diárias, pelo menos cinco dias da semana, de frutas, verduras e hortaliças. Atualmente, 23% da população brasileira faz o consumo recomendado pela organização.

Adotar um cardápio balanceado, com o consumo maior de frutas, legumes e verduras variadas, diminuição da quantidade de açúcar e sal e redução do consumo de alimentos processados e ultraprocessados, é essencial para regular o bom funcionamento do organismo e melhorar a disposição.

Isso porque, além de auxiliarem na imunidade do nosso organismo contra as infecções, contribuem para combater a obesidade, a hipertensão e o diabetes. Aumentar o consumo desse tipo de alimento nas refeições diárias, além de garantir saúde, permite maior ingestão de fontes de fibra fontes de vitaminas e minerais. “Eles contribuem para a prevenção de muitas doenças e agravos, dentre as vitaminas e os minerais. A gente pode citar, por exemplo, vitamina A, zinco, magnésio, entre outras”, comenta a diretora do Departamento de Promoção da Saúde da Secretaria Atenção Primária, do Ministério da Saúde, Lívia de Almeida Faller

A diretora ainda ressalta facilidade de encontrar esses alimentos no Brasil, um país que tem um clima favorável para esse consumo durante todo o ano. “Podemos consumir frutas em qualquer uma das refeições, café da manhã, almoço, jantar ou em pequenos lanches. Além disso, temos a vantagem de temos diferentes frutas o ano inteiro em diversas regiões no país”, reforça Lívia.

Pesquisa

Dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), em 2018, revelam que houve uma mudança significativa entre os hábitos alimentares dos brasileiros. Essa melhora foi de um aumento de 15,5% no consumo recomendado de frutas e hortaliças em comparação com 2008.

A pesquisa Vigitel apontou ainda que o consumo é mais frequente entre as mulheres, 27,2% do que entre os homens, 18,4%. Com o estudo, podemos observar que o consumo aumenta de acordo com o grau de escolaridade, em ambos os sexos: 33,3% das mulheres com 12 ou mais anos de escolaridade fazem consumo regular desses alimentos e 24,5% dos homens com 12 ou mais anos de escolaridade fazem consumo regular.

Para ajudar no consumo desses alimentos e prevenir e controlar doenças, como a obesidade, a hipertensão e o diabetes, o Ministério da Saúde, disponibiliza o Guia Alimentar para a População Brasileira, que traz informações e orientações para facilitar a adoção de escolhas alimentares mais adequadas e saudáveis pela população.

Também há o livro Alimentos regionais brasileiros, que traz uma imensa e variada lista de frutas, hortaliças, leguminosas, tubérculos, cereais, ervas, entre outros, existentes em nosso país, além de receitas culinárias, dicas de como cozinhar com mais saúde e uma lista de possíveis substituições para as preparações desenvolvidas, ressaltando nossa diversidade cultural. “O conhecimento e utilização desses alimentos no cotidiano estimula uma alimentação mais adequada, saudável e nutritiva para a população brasileira”, enfatizou a diretora.

A atividade física é outro ponto fundamental para a melhora e na saúde. Vale lembrar que as atividades físicas contribuem para a perda de peso, promovem melhoras na condição física, no funcionamento biológico, além de reduzir o estresse e melhorar o humor. A prática de atividade física no tempo livre, pelo menos 150 minutos na semana, aumentou 25,7% (de 2009 a 2018), saindo de 30,3%, em 2009, para 38,1% em 2018.

Para ler na íntegra, acesse: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/07/28/vale-a-pena-mudar-habitos-para-melhorar-a-saude.htm

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Tem interesse pelo assunto? Conheça os livros do médico Paulo Eiró Gonsalves, autor de várias obras sobre o tema:

MAUS HÁBITOS ALIMENTARES
Esclarecendo suas dúvidas
Coleção Guias Ágora
ÁGORA EDITORIAL

Às vezes sabemos que determinada coisa não é muito saudável, mas, na dúvida, continuamos a usá-la. Outras vezes, desconhecemos totalmente a composição do que ingerimos. Este livro vai ajudar a esclarecer todas as dúvidas sobre o teor dos “maus” alimentos, naturais ou manipulados, e será de grande ajuda para quem já percebeu que a boa saúde requer bons hábitos alimentares.

COMO EU COMO?
MG EDITORES

As pessoas, felizmente, têm se preocupado cada vez mais com o quê comem. Mas é preciso dar atenção também a como fazemos nossas refeições e este é o objetivo deste livro.
Aspectos como horário, ambiente, utensílios utilizados, aspecto visual e nossa escolhas de dietas são agregados aos sábios conselhos alimentares deste conceituado médico e escritor.

O QUE É BOM SABER
Sobre alimentos, exercícios, medicamentos naturais e terapias alternativas que previnem e curam doenças
MG EDITORES

A sabedoria popular não falha: remédios, plantas, verduras e frutas podem prevenir e curar uma série de enfermidades. E terapias alternativas e práticas corporais também ajudam a manter o organismo saudável. Este compêndio organizado pelo doutor Paulo Eiró traz informações úteis sobre recursos naturais acessíveis a qualquer um que busque qualidade de vida.

FRUTAS QUE CURAM
MG EDITORES


Há muito tempo são conhecidas as virtudes curativas das frutas, largamente empregadas no tratamento dos mais diversos males. Neste livro o Dr. Paulo Eiró apresenta as propriedades terapêuticas e o modo de emprego das frutas nas várias doenças. De forma extremamente prática, o leitor terá informações sobre as várias doenças, bem como sobre as frutas utilizadas para seu tratamento.

“MEU EX-PARCEIRO É GAY. HOJE, EU, ELE E NOSSOS MARIDOS ATÉ SAÍMOS JUNTOS”

Matéria de Jacqueline Elise, publicada originalmente no UOL Universa,
em 25/07/2019.

Milena Telles descobriu que o marido era gay quando eles já tinham uma filha

No episódio da novela “A Dona do Pedaço” que foi ao ar na última quarta (24), Lyris (Deborah Evelyn) foi à construtora de seu marido Agno (Malvino Salvador) para contar a todos o segredo dele e o motivo da separação do casal: Agno, na verdade, é gay.

A reação de Lyris é semelhante a que acontece na vida real, segundo a psicóloga e psicoterapeuta Vera Moris, coautora do livro “Coragem de ser: relatos de homens, pais e homossexuais” (Edições GLS). A maioria dos relacionamentos desfeitos quando um dos pares descobre que o cônjuge é gay acaba com uma briga feia e eles não costumam manter uma amizade depois disso.

Mas há pontos fora da curva. A gerontóloga Milena Telles Longhi, de São Paulo (SP), conta que descobriu, depois de quatro anos casada, que seu marido era gay. Eles conseguiram reconstruir a relação como amigos e costumam sair juntos, em casais: Milena, seu ex, e os companheiros de ambos. A história de Milena e de seu ex-marido fez parte do livro de Moris. Leia o relato:

“Eu e o João nos conhecemos em meados de 2011, num estande de venda de apartamentos. A gente trabalhava com educação infantil para uma amiga de minha mãe. Ela sempre dizia que ele era uma pessoa incrível, então ficamos amigos. Em julho daquele ano, eu estava solteira e fomos a uma festa juntos. Foi quando ficamos pela primeira vez.

Ele me pediu em namoro no Sesc Pompeia. A gente se dava tão bem, ele era muito engraçado e brincalhão. Conversávamos muito sobre sexualidade, até porque sou uma pessoa bem aberta para falar sobre isso. Eu mesma sou bissexual, e acho que esse foi um ponto muito importante da nossa história, para nos entendermos melhor.

Muitas pessoas me disseram que ‘já imaginavam’ que ele fosse gay, porque ele era mais delicado. Mas, na minha cabeça, isso não era um problema. Perguntei várias vezes se ele também era bi, se ele tinha interesse em homens, se já tinha ficado com algum, mas ele negava. Nunca tive dúvida de que ele me amava, porque sempre demonstrou isso. Ele me pediu em casamento em um avião, durante uma viagem nossa. Quando nossa filha Giovanna nasceu, em 2013, ele ficou muito emocionado. Ficamos juntos por quatro anos.

Não tinha nada estranho no nosso relacionamento. Mas sempre teve uma coisa da parte dele que me deixava com a pulga atrás da orelha. Sempre fui uma pessoa muito livre, nunca gostei de pertencer a alguém e nem acho que alguém tem de ser ‘meu’. E, justamente por ser assim, achava que não precisava mentir, que ele poderia me avisar se fosse sair com alguém. Mas ele sempre dizia que ‘estava trabalhando’, avisava tudo em cima da hora, me enrolava e às vezes não voltava para casa. Quando voltava, estava bêbado. Eu ficava puta. Ele não fazia isso todos os dias, mas eu ficava preocupada, porque ele tinha um irmão alcoólatra. Em relação à sexualidade, ele nunca tinha apresentado qualquer questão.

Eu estava em uma situação precária; nossa filha era muito pequena, morávamos em uma casa muito simples, em cima de um bar. Brigamos muito nessa época, tentei conversar várias vezes com ele, até que disse para ele fazer terapia logo, porque seria minha última tentativa de fazer aquilo dar certo. Foi quando ele começou a se abrir.

Uma vez, enquanto víamos TV, assistimos à propaganda de uma boneca. Ele comentou que a boneca era legal e eu comentei, de brincadeira: ‘Você não é gay, mas tem alvará, né?’. E aí ele abriu o jogo: ‘Meu terapeuta falou que eu precisava te contar isso. Já fiquei com homens’. Achei bom que ele já tivesse experimentado, de verdade, e fiquei mais feliz ainda por ele estar se abrindo. Até pedi detalhes, porque achei que isso tinha sido antes de nós ficarmos juntos.

Só que, algumas horas depois, minha ficha caiu. E eu perguntei se, quando ele saía e não voltava para casa, ele estava ficando com outros homens. Ele confessou que sim. Na hora não consegui demonstrar sentimento. Sofri calada, porque me machucou demais por dentro. Aquilo foi o começo do nosso fim como marido e mulher.

Não brigamos nem nada, apesar de ter doído demais. Lembro de ter passado por momentos no trabalho em que eu olhava para o nada, sem saber o que fazer. Eu amava aquele homem, mas sabia que eu não podia mais ficar com ele. Lidei com isso saindo com outras pessoas, meio que para ‘machucar’ meus sentimentos pelo João. No começo foi horrível, mas aos poucos foi ficando mais fácil. Nos separamos depois de quatro anos juntos e ‘nos reinventamos’ como amigos.

As pessoas diziam que eu estava sendo traída, mas não consigo enxergar como uma traição. Aquela era a forma de conseguir viver aquilo. Eu sabia que, se não fosse pela questão de ele ser homossexual, ele não faria isso comigo. Ele precisava viver essa questão interna. Tanto que hoje ele se casou com outro homem, eu também me casei com outra pessoa, e sei que ele não trai o novo marido dele.

Vejo que agora estamos muito melhor. Estaremos para sempre na vida um do outro, e acho que isso é muito bonito. Já nos ofendemos e brigamos, mas sempre voltamos ao normal porque nos amamos demais, agora como irmãos. Ele se casou com outro cara, e eu me casei com outra pessoa, o Neto, e tive outra filha.

Costumam me perguntar como é para Neto aceitar essa nossa dinâmica, mas desde que nos conhecemos eu fui muito honesta: ‘Prazer, sou a Milena, tenho uma filha pequena e meu ex-marido, pai dela, é gay. Amo o João, mas de outra forma’. Então, se ele me quisesse, teria que ser desse jeito.

Eles têm uma convivência ótima. Às vezes, o João vai lá em casa cuidar das meninas para que eu e meu marido possamos trabalhar e fazer outras coisas. Todo mundo se ajuda aqui, acho muito saudável e dá leveza para todos os lados. Tem dias que eu chego em casa tarde do trabalho e estão lá meu marido e João bebendo cerveja, batendo papo e comendo pizza.

Pra Giovanna foi mais complicado. Até pouco tempo atrás ela dizia que deixou de ser bebê quando a gente se divorciou. A princípio, quando nos separamos, morávamos perto e tínhamos guarda compartilhada. Mas ela chorava muito, foi bem difícil. Ela falava que queria nos ver juntos de novo. Agora, ela amadureceu, entendeu melhor a situação, fez terapia e ganhou uma irmã mais nova também, filha do Neto.

O sonho dela é que a gente tenha uma casa enorme para que possamos morar todos juntos: eu, Neto, a irmãzinha dela, o João, o marido dele e as filhas deles! Nós sempre saímos para jantar com eles, minhas filhas e as meninas do João têm uma relação ótima, frequentamos os aniversários uns dos outros. Estamos combinando de viajarmos juntos em breve. Foi um processo, mas hoje vejo que compensa demais”.

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2019/07/25/minha-historia-eu-meu-ex-marido-e-o-marido-dele.htm

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Conheça o livro “Coragem de ser”, mencionado na matéria:

CORAGEM DE SER
Relatos de homens, pais e homossexuais
Autores: Vera MorisFábio Paranhos
EDIÇÕES GLS

Contrariando o senso comum, estudo recente realizado na Universidade de Toronto, no Canadá, estimou que mais da metade dos pais homossexuais era composta por pais biológicos e não adotivos. De início, essa informação gera questionamentos do tipo: por que se casou e teve filhos se sabia ser gay? Por que escondeu o fato da família? Trata-se de um ato de covardia?

Este livro mostra que esse raciocínio, mais que incorreto, é preconceituoso. Esses homens se casaram com parceiras por quem estavam apaixonados e com elas tiveram filhos. Viveram, entre o namoro e o casamento, uma vida satisfatória. Para alguns, encontrar a mulher amada depois de uma infância e de uma adolescência problemáticas representava a possibilidade de constituir família. Porém, mais tarde, eles constataram aquilo que não conseguiam mais esconder: a inevitável atração – tanto sexual quanto afetiva – por pessoas do mesmo sexo.

Como agir diante de tal constatação? Que fazer quando se percebe que não se pode mais enganar a si mesmo? Como não machucar as pessoas que ama – pais, amigos, parentes próximos e, sobretudo, a esposa e os filhos?

Neste livro, Vera Moris e Fabio Paranhos apresentam 15 depoimentos de homens que assumiram a homossexualidade depois de ter formado uma família. A vergonha, a dor e a culpa aparecem nos relatos, assim como a esperança, a capacidade de superação e o amor incondicional pelos filhos.

‘FRANÇA PROÍBE PALMADAS E DISCUTE EQUILÍBRIO ENTRE RIGOR E TOLERÂNCIA’

Uns dizem que castigo físico não traz benefício; outros, que a autoridade dos pais está sendo minada

Matéria de Lucas Neves, publicada originalmente na Folha de S. Paulo,
em 15/07/2019

A aprovação da chamada “lei antipalmada” pelo Senado da França, no começo deste mês, reavivou o debate no país sobre o ponto de equilíbrio entre repressão violenta e tolerância excessiva na criação de filhos.

O texto, que entrou em vigor na última quinta (11), interdita as chamadas “violências educativas ordinárias”, estabelecendo que a autoridade dos pais deve ser exercida sem agressões físicas ou psicológicas. Esta última provisão passará a ser lida durante cerimônias de casamento civil celebradas nas prefeituras do país.

Trata-se de uma medida eminentemente simbólica. A lei não fixa punições para pais ou professores que continuem dando palmadas e tapas em crianças ou gritando com elas —é comum, nas ruas francesas, ver adultos repreendendo com veemência (dedo em riste e voz tonitruante) traquinagens ou manhas mirins. Já existiam, é claro, sanções para episódios de agressão grave e/ou continuada.

A França se tornou o 56º país a proscrever castigos físicos em crianças. O primeiro, em 1979, foi a Suécia, seguida pouco depois por vizinhos escandinavos. No Brasil, a legislação antipalmada data de 2014.

A sociedade francesa é conhecida pelo rigor em métodos e práticas educativas, um modelo esmiuçado em best-sellers como “Crianças Francesas Não Fazem Manha”, de Pamela Druckerman. Mas há quem defenda que é hora de rever esse paradigma.

“Saímos de uma concepção de educação que embutia uma violência inata, segundo a qual cabia aos pais ‘adestrar’ as crianças para a vida adulta”, diz a socióloga Christine Castelain-Meunier, da EHESS (Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais).

“Na Idade Média, a punição era bem-vista porque o corpo não contava. A ideia era usar os castigos físicos para domesticar a alma”, afirma a pesquisadora, que lança em setembro “L’instinct paternel” (o instinto paterno). “Ainda bem que saímos disso.”

A filósofa Anne-Sophie Chazaud não mostra o mesmo entusiasmo pela lei, ainda que pense ser inaceitável “o uso cotidiano da violência como instrumento de educação e disciplina”. Segundo ela, porém, “um tapinha ou palmada eventual não é grave, talvez seja até indispensável para avançar na vida”.

Na visão da analista, que prepara um livro sobre a liberdade de expressão, a lei marca uma intrusão na esfera privada e incrimina a priori os pais. “Ela interdita todos os subterfúgios a que sabemos que os pais recorrem para construir sua autoridade”, observa Chazaud. “E quem vai dizer o que configura violência? Há hoje pais que consideram que obrigar uma criança a dar bom dia ou a pedir desculpa é uma agressão.”

Na visão dela, “há muito angelismo e imaturidade” no debate sobre a criação infantil.

“Uma corrente da psicologia acha que tudo é negociável [na relação entre pais e filhos], que sociedade e família são a mesma coisa”, afirma. “Mas a família não é uma democracia. Não há simetria entre pais e filhos, uns são responsáveis pelos outros, sustentam-nos.”

Aí se toca no nervo, aponta a filósofa: a ideia de assimetria é inadmissível na pós-modernidade. “Educação não é só diversão, não é ser amigo da criança. Que bom que somos carinhosos, mas fazer o bem não significa não punir quando preciso.”

Chazaud se exaspera com a atenção dada ao assunto e “à moralização da vida privada”, em detrimento do combate aos “reais maus-tratos contra crianças abandonadas e mulheres, por exemplo”.

Ela culpa o que chama de “esquerdismo cultural” pela proeminência do debate em torno da palmada. “A criança, dentro dessa perspectiva, representa uma das minorias cujos direitos se deve proteger. Mas ela não é isso. A infância é transitória. A criança existe para ser progressivamente integrada à comunidade adulta por meio da educação.”

O resultado disso, na leitura da filósofa, é a imposição de uma tirania doméstica capitaneada pelos pequenos, que impõem a todos seu comportamento e seus caprichos.

A pertinência da imagem é contestada por Castelain-Meunier. “Dizemos que a criança virou rainha porque, na sociedade de consumo, pode escolher o que quer: o chocolate, a batata frita. Mas isso é ser um consumidor, não um monarca”, pondera.

A socióloga afirma que as expectativas e cobranças direcionadas à cria são significativas. “Pedimos muito a elas: ter boas notas, tocar bem instrumentos, mostrar aptidão para esportes.”

“Deveríamos lhes dar mais chances de desenvolver suas competências, adaptando o currículo escolar às características da pós-modernidade e incluindo, por exemplos, cursos de vídeo e histórias em quadrinhos [obsessão francesa] no currículo das crianças e aulas sobre como criar empresas no dos adolescentes.”

Para ler na íntegra (assinantes Folha de S. Paulo ou UOL), acesse: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2019/07/franca-proibe-palmadas-e-discute-equilibrio-entre-rigor-e-tolerancia.shtml

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Tem interesse pelo assunto? Conheça:

COMO EDUCAR SEM USAR A VIOLÊNCIA
Autora: Dora Lorch
SUMMUS EDITORIAL


Toda criança precisa compreender o mundo em que vive, e pais e educadores devem fornecer exemplos diários de boa conduta e agir de maneira coerente com o que dizem. Mas muitos optam pela violência e pela humilhação para “ensinar”. Agindo assim, criam seres humanos sem capacidade crítica e também violentos. Usando a psicologia para falar de birras, medos, mentiras, vergonha, inconsciente e brincadeiras, a autora constrói um singelo manual de boas maneiras – para os pais. Prefácio de Ruth Rocha.

‘DEPRESSÃO PÓS-PARTO: PORQUE MUITAS VEZES OS SINTOMAS SÃO MENOSPREZADOS’

Reproduzido do Blog do Luiz Sperry,
publicado em 15/07/2019.

Não tenho inveja da maternidade
Nem da lactação
Não tenho inveja da adiposidade
Nem da menstruação
Só tenho inveja da longevidade
E dos orgasmos múltiplos

Não foi à toa que Caetano cantou essa bola. A maternidade não é para qualquer um, muito menos para homens. Diversas mudanças que acontecem dia após dia, com um bebê dentro de você, te impondo de saída uma série de restrições antes mesmo de nascer. É sabido que gestantes são muito sensíveis. Mas eventualmente as coisas ficam piores.

Provavelmente por conta das gestantes serem consideradas sensíveis que os quadros de humor relacionados à gestação e ao pós-parto são complexos. Grande parte dos sintomas são menosprezados como se fosse esperado que a mulher sofresse em decorrência da gestação e, principalmente, das demandas do recém-nascido. Mas a depressão pós-parto, quando ocorre, pode ser devastadora.

Existe uma grande quantidade de fatores que estão relacionados com depressão pós-parto, como: baixo nível sócio-econômico, dificuldades durante a gestação e no parto, dificuldades de relação com familiares ou com o pai da criança, gravidez indesejada, antecedentes de depressão e outros. Somando-se a essas condições as demandas físicas do parto e pós-parto, as variações hormonais intensas causadas pela gestação e aleitamento, surgem os quadros de depressão.

Voltamos então para a velha questão de depressão não é tristeza, depressão não é cansaço. Existe um quadro, chamado de baby blues ou blues puerperal que ocorre em até 80% das mães. Existem alguns sintomas de depressão, como fadiga e/ou irritabilidade, mas não todos para se definir a depressão de fato. Esse quadros podem evoluir para a depressão, que é mais grave e pode impactar na relação mãe-bebê e levar a prejuízo no desenvolvimento da criança.

Por isso é importante estar atento e tratar. Os antidepressivos, apesar de passarem para o leite, são bastante seguros de uma maneira geral. Lembro uma vez, logo que saí da residência, fui trabalhar num posto. Assustado que era, tratei de proibir todas as mães que tomavam antidepressivo de amamentar. Não passou uma semana e as pediatras me esculacharam. Fui pego pelo braço e levado para uma sala onde elas falaram da dificuldade que era para elas conseguir convencer as mães a amamentarem seus rebentos. E eu estava botando tudo a perder. Botei o rabo entre as pernas e pedi desculpa. Ficou a lição de que antidepressivo não é motivo para, necessariamente, interromper a amamentação. E ficou um certo trauma também. Com pediatra não se brinca.

Bem recentemente foi lançado nos EUA a brexanolona, uma medição endovenosa específica para esses casos. Trata-se exatamente de um hormônio sintético, que viria e atenuar os efeitos da variação hormonal intensa após o parto; a ver.

Importante lembrar que talvez o melhor jeito de evitar a depressão na gravidez e pós-parto seja justamente cuidar da mãe e do bebê. Tem coisas que só a mãe pode fazer, mas tem coisas que não necessariamente. Estejamos atentos a isso.

Para ler na íntegra, acesse: https://luizsperry.blogosfera.uol.com.br/2019/07/15/depressao-pos-parto-porque-muitas-vezes-os-sintomas-sao-menosprezados/

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o volume da Coleção Guias Ágora que fala especificamente sobre o tema:

DEPRESSÃO PÓS-PARTO
Esclarecendo suas dúvidas
Autora: Erika Harvey
Coleção Guias Ágora
ÁGORA EDITORIAL

O livro mostra a diferença entre a depressão conhecida como “baby blues”, que afeta quase todas as mulheres após o parto, sem maiores conseqüências, e a depressão grave que requer intervenção de profissional capacitado. Saber identificar essa diferença, às vezes bastante sutil, cabe à própria mulher, aos familiares à sua volta e aos seus médicos, e esta leitura é de grande utilidade para todos.