‘MARIA DA PENHA DE SP LUTOU DIA APÓS DIA CONTRA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA’

Matéria publicada no Catraca Livre, em 12/11/2019.

Vítima de violência doméstica, Maria da Penha Nascimento de Campos decidiu colocar seu então marido na cadeia quando descobriu que ele tentou abusar de uma das filhas do casal, que tinha apenas 4 anos de idade. Ao ver uma marca de sangue no lençol, a mulher, que era costureira na época, ficou desconfiada e decidiu investigar o que havia ocorrido.

Após o agressor ser preso, ela enfim se viu livre da violência que sofria diariamente e teve um novo propósito na vida: ajudar outras mulheres que passavam pelo mesmo. Em meio a seu envolvimento com projetos contra o racismo e a violência doméstica, Maria da Penha criou a Associação Fala Negão / Fala Mulher, em 1992, e se tornou referência como ativista na zona leste de São Paulo.

Assim como a Maria da Penha que dá nome à lei contra a violência doméstica (criada em 2006), a Maria da Penha da capital paulista também se destacou no enfrentamento deste problema. Ela faleceu em 2008, aos 58 anos, em decorrência de um câncer.

Em entrevista à Catraca Livre, sua filha, Ana Minuto, especialista em liderança feminina, conta que sua mãe se casou com seu pai sem o consentimento de ambas as famílias. “Eu era bem pequena e cheguei a ir ao casamento deles. Uma das minhas tias conta que meu pai era muito terrível e até meu avô falou que não era uma boa opção pra ela. Mas vivemos com ele até os meus 4 anos, quando ele tentou abusar de mim”, afirma ela, hoje aos 44 anos.

Segundo Ana, seu pai tinha um problema sério com bebida e, quando estava alcoolizado, ficava extremamente violento. “Não me lembro com clareza dessa questão da violência doméstica, mas recordo que minha mãe tinha muitas marcas pelo corpo, mesmo sem eu entender o que significava aquilo”, relata. Depois do abuso, Ana passou por exames e não sofreu nenhum impacto físico.

Contar com uma família estruturada como apoio foi essencial para que Maria da Penha e as três filhas tivessem estabilidade emocional para passar por esse doloroso processo. “Muitas mães vivem isso sem ter para onde ir. Minha mãe, graças a Deus, pôde voltar para a casa da minha avó que, junto com meu avô, tio e tia se organizaram para ajudá-la na nossa criação”, explica. “Então, minha infância foi muito positiva e muito feliz, apesar do ocorrido.”

A vida e o desenvolvimento de Ana Minuto e de suas irmãs foi atrelada ao mundo político. Desde crianças, ou melhor, desde quando estavam na barriga da mãe, elas participavam das atividades nas organizações. Na mesma época, Maria da Penha começou a frequentar escolas de samba, pois seu pai já era sambista, e virou rainha de bateria. Por causa da violência doméstica, ela começou a se envolver mais com a questão feminina e, a partir de então, ajudou a criar várias associações e projetos com foco no enfrentamento do machismo e do racismo, como a rede de combate à violência doméstica em Itaquera, na zona leste de São Paulo.

“Minha mãe desenvolveu esse trabalho para pensar em políticas públicas contra violência doméstica. Também foi uma das precursoras dessas casas que cuidam das vítimas de agressões. Fez, ainda, algumas viagens internacionais para debater essa questão, principalmente abordando a liberdade financeira. Mas ela só conseguiu sair dessa situação porque tinha alguém que a ajudaria. A maioria das mulheres se mantém no ciclo da violência, pois depende do marido e não tem uma família ou uma rede de apoio”, relata Ana.

Além do envolvimento com os projetos sociais, Maria da Penha teve um ativismo muito presente nos lugares onde o negro era (e ainda é) apagado, isso por meio da própria associação, do Carnaval e também em sua atuação política no núcleo das mulheres negras do PT (Partido dos Trabalhadores).

Associação Fala Negão / Fala Mulher

A ONG Fala Negão, Fala Mulher, localizada em Itaquera, zona leste da capital paulista, foi criada há 27 anos e, desde então, desenvolve projetos para promover a educação, a cidadania e o respeito à diversidade.

Entre as muitas iniciativas feitas pela instituição, é possível destacar os cursos de alfabetização, as oficinas de hip hop e balé, encontros para debater questões raciais, de gênero e de sexualidade, orientação jurídica a mulheres vítimas de violência doméstica e discriminação racial, passeios culturais, entre outras.

Ana Minuto chegou a ser diretora da associação quando a mãe faleceu, em 2008, cargo que ocupou por cerca de 6 anos. “Eu atuava na área de tecnologia, mas saí do meu trabalho para me dedicar ao projeto. Através dessa experiência eu resolvi, ainda, que não queria mais trabalhar registrada. Então, fiz um curso de coach, o qual me ajudou a entender como poderia mudar esse cenário.”

Hoje, a especialista não é mais responsável pela ONG, mas continua desenvolvendo trabalhos sociais e faz parte de projetos, inclusive como voluntária.

“Quando você está envolvida [na questão da violência] dificilmente consegue sair, e eu tentei, pois era muito doloroso, eram muitas histórias difíceis, mas estava no meu DNA. A nossa forma de fazer política hoje e a nossa forma de representatividade são diferentes. Eu sei que o conhecimento que adquiri com minha mãe e a partir dos meus trabalhos torna o mundo de algumas pessoas melhor, inclusive o meu”, relata.

Legado de Maria da Penha

Ao indagar sobre o legado deixado pela mãe, Maria da Penha, afirma que ele se deu em diferentes esferas. A primeira foi a de transmitir uma mensagem tão forte e verdadeira para as filhas, que até hoje atuam por um mundo melhor como ativista, cada uma da sua maneira.

Para além da influência sobre a família, ela deixou uma marca na sociedade, como referência de sua época. “Ela é um ícone na zona leste em relação a direitos humanos. Qualquer pessoa que já era adulta há 30 anos, principalmente se atuou nessa região, vai saber quem foi minha mãe e o legado que ela deixou.”

Violência doméstica

Para Ana Minuto, o maior desafio do combate à violência doméstica atualmente é o entendimento do que o problema significa, por causa da desinformação. “Eu fazia palestras em escolas e as professoras reclamavam muito que os meninos tinham uma tendência de ficar puxando o cabelo das meninas. Isso é violência. Então, quando eu ia falar no local que isso é uma violência, as meninas diziam: ‘Não, ele faz isso porque gosta de mim’”, explica.

É necessário desmistificar o que é violência doméstica, pois ela acontece de inúmeras formas, seja através de como o homem fala com a vítima, de como ele a trata na rua ou se não a deixa trabalhar, por exemplo. Até mesmo as mulheres, que vivem em uma sociedade machista, replicam esse tipo de pensamento, e, por isso, se acontecer algo do tipo em seus relacionamentos, elas acharão que é natural. “Tem meninas hoje de 20 e poucos anos que apanham todos os dias. As mães delas apanharam, as avós delas apanharam, então a violência é natural em suas vidas”, diz a especialista.

Segundo ela, a grande dificuldade é enxergar, dentro desta naturalização, o que é a violência, já ela não tem idade, etnia ou classe social. “A mulher mais pobre tem tendência maior a sofrer violência doméstica, mesmo porque existe uma questão dos corpos do nosso país, que vem de uma violência, a escravidão. A nossa baixa autoestima se deu a partir dessa questão de como nosso país foi colonizado. O maior desafio é eu, enquanto mulher preta, entender o que é a violência pra mim, uma vez que eu convivi com a violência a vida toda.”

Embora seja otimista ao refletir sobre o problema, a especialista em liderança afirma que há uma coisa específica sobre a qual as pessoas falam muito, porém, fica na falácia: o empoderamento feminino. “Não existe empoderamento feminino sem protagonismo. Empoderamento tem a ver com protagonismo, sobre o que eu tenho que fazer para sair de uma situação. Você se empoderar não é o suficiente para sair de uma situação de violência doméstica.”

Ana Minuto pontua que sua mãe foi protagonista, e, por isso, conseguiu colocar seu pai na cadeia, que era alguém que ela amava. “Ela sabia que se não fizesse nada as coisas não iam mudar. Esse é o desafio do nosso país: a gente sempre espera que alguém vai vir e salvar tudo. A violência doméstica tem que ser combatida todos os dias. Diversidade é o mesmo: não adianta fazer um encontro por mês, tem que viver a diversidade diariamente, senão nada muda.”

Tudo isso passa pela questão da emancipação financeira das mulheres, seja via empreendedorismo ou via emprego. “É preciso que as pessoas criem consciência e estabeleçam uma rede que fale sobre o assunto. Muita gente reclama que só se fala de diversidade e machismo agora. Só se fala porque é necessário. Se não precisasse, seria ótimo, pois não existiria”, finaliza.

Campanha #ElaNãoPediu

Nenhuma mulher “pede” para apanhar. A culpa nunca é da vítima. A campanha #ElaNãoPediu, da Catraca Livre, tem como objetivo fortalecer o enfrentamento da violência doméstica no Brasil, por meio de conteúdos e também ao facilitar o acesso à rede de apoio existente, potencializando iniciativas reconhecidas. Conheça a nossa plataforma exclusiva.

Para ler na íntegra, acesse: https://catracalivre.com.br/cidadania/maria-da-penha-de-sp-lutou-dia-apos-dia-contra-violencia-domestica/

***

Tem interesse pelo assunto e quer se aprofundar? Conheça:

O FIM DO SILÊNCIO NA VIOLÊNCIA FAMILIAR
Teoria e Prática
Organizadoras: Tereza Cristina Cruz VecinaDalka Chaves de Almeida Ferrari
SUMMUS EDITORIAL

Os artigos aqui reunidos foram escritos por profissionais de centro de referência às vítimas de violência – CNRVV. O livro aborda temas como a retrospectiva da questão da violência, o modo de funcionamento de uma sociedade e as intervenções possíveis. É uma obra de grande importância para todos que lidam com esse tema devastador, mostrando que há, sim, saídas possíveis.


‘CIRURGIA BARIÁTRICA É SEGURA, MAS TEM RISCO DE COMPLICAÇÕES’

A bariátrica costuma ser um procedimento seguro. Mas é preciso falar dos cuidados pós-cirurgia bariátrica que devem ser tomados para evitar complicações e efeitos colaterais.

Texto parcial de matéria de Rafael Machado, publicado originalmente
no Portal Drauzio Varella.

A cirurgia bariátrica é um procedimento indicado para reverter casos de obesidade grau 3. Ela ficou conhecida como “redução do estômago” porque muda a anatomia original do órgão e reduz sua capacidade de receber alimentos. No Brasil, são realizadas cerca de 65 mil cirurgias por ano, sendo 54 mil pela saúde suplementar (convênio) e 11 mil pelo sistema público de saúde.

Uma pessoa não operada tem espaço para consumir aproximadamente de 1 litro a 1,5 litro de alimentos. Já um estômago pós-bariátrica tem capacidade para 25 ml a 200 ml (equivalente a um copo americano). A cirurgia afeta ainda a produção do hormônio da saciedade, o GLP-1, o que diminui a vontade de comer, mas a redução da capacidade é mesmo a principal responsável pelo emagrecimento.

Cerca de 10% do peso é eliminado no primeiro mês, com uma perda que varia de 14% a 72% ao longo da vida. “Nos primeiros meses após a cirurgia, o paciente consegue comer apenas 200 g por refeição, o que faz com que ele perca peso expressivamente”, aponta o médico Marcos Leão Vilas Bôas, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). Uma pessoa não operada ingere entre 300 g e 500 g por refeição.

Em geral, a bariátrica é um procedimento seguro. A taxa de mortalidade fica entre 0,1% e 1%, de acordo com o tipo da cirurgia. A segurança e os resultados que proporciona contribuíram para que houvesse aumento de 84,73% no número de cirurgias realizadas no Brasil, passando de 34.6289 em 2011 para 63.969 em 2018. Somos o segundo país com maior número de procedimentos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Pouco se fala, porém, nos cuidados pós-cirúrgicos que devem ser tomados para evitar complicações e efeitos colaterais.

CUIDADOS IMEDIATOS APÓS A CIRURGIA BARIÁTRICA

Existem alguns critérios para passar pela cirurgia. Ela é recomendada para indivíduos obesos com IMC acima de 40 (para referência, é o caso de uma pessoa de 1,70 metro e 116 quilos), e pessoas que tenham IMC acima de 35 (como uma pessoa de 1,70 metro e 102 quilos) com doenças associadas, como diabetes, colesterol alto, hipertensão, hérnia de disco, esteatose hepática, entre outras.

Atualmente existem duas técnicas mais utilizadas. Sleeve ou manga é o método que retira parte do estômago sem alterar o intestino. Comumente é recomendada para pacientes que apresentem um quadro menos grave de obesidade. O outro método é chamado de bypass. Ele representa 70% das cirurgias realizadas no Brasil, sendo mais praticado no sistema público. Nesse caso, o estômago é reduzido com cortes ou grampos e é feita uma alteração no intestino para reconectá-lo à parte do estômago que irá permanecer funcional.

O que interfere mais no pós-cirúrgico é o modo como a cirurgia é realizada, que pode ser de duas formas: por laparoscopia — minimamente invasiva, por meio de uma pequena incisão no abdômen — ou aberta — através de um corte de 30 centímetros. Os cuidados são praticamente os mesmos, mas no caso do método aberto, por ser mais invasivo, o paciente deve ficar em repouso por mais tempo para que a cicatrização ocorra adequadamente. Quem fez a cirurgia por esse método também deve utilizar uma cinta ou faixa abdominal pelo período indicado pelo médico para evitar que os pontos se soltem.

PRIMEIROS DIAS APÓS A CIRURGIA BARIÁTRICA

 Nos primeiros dias, o maior desafio é conciliar nutrição e hidratação adequadas com um estômago cuja capacidade passou a ser muito reduzida. A quantidade de água recomendada tradicionalmente, de dois a três litros por dia, continua valendo, mas o paciente precisa fazer a ingestão em porções muito pequenas, tomadas várias vezes ao longo do dia. Há pacientes que são orientados a tomar quantidades da ordem de 50 ml a cada 30 minutos, por exemplo.

Quanto à alimentação, o paciente deve seguir dieta líquida durante 15 dias, passando para uma dieta pastosa ou branda até receber liberação para a dieta sólida. Em geral, essa fase demora 30 dias.

Durante seis semanas, o paciente também não deve fazer grandes esforços. Por outro lado, a recomendação não deve ser entendida como desculpa para não se movimentar. Pelo contrário, é essencial se manter ativo e fazer leves caminhadas.

O acompanhamento deve ser criterioso, principalmente no caso das mulheres, pois a alteração na absorção de nutrientes pode ser tanta que há risco de a perda de sangue da menstruação provocar anemia. O problema é agravado porque a cirurgia pode fazer com que o fluxo menstrual aumente. “Recomendamos que a paciente suspenda a menstruação com DIU ou anticoncepcional”, afirma Vilas Bôas, da SBCBM. Mas vale lembrar: o indicado é usar métodos como adesivos ou injeções, que não passam pelo estômago, pois a absorção no trato gástrico pode não ocorrer adequadamente. A suspensão é indicada mesmo para mulheres que queiram engravidar, pois pacientes pós-bariátrica devem aguardar pelo menos 15 meses e consultar seu médico antes de uma gestação.

O excesso de pele geralmente não oferece grandes riscos. Embora a sobrepele possa causar micoses e dermatites, esses são problemas que podem ser prevenidos ou evitados. De qualquer forma, costuma-se indicar cirurgia para retirá-la depois que o paciente se adéqua à nova rotina, pois ela contribui para melhorar a autoestima.

ESTADO EMOCIONAL APÓS CIRURGIA BARIÁTRICA

Com frequência, a saúde mental está envolvida de alguma forma na obesidade. O sobrepeso pode ser uma consequência de questões psicológicas anteriores, e fazer a cirurgia não é garantia de que elas irão desaparecer. O acompanhamento psicológico e psiquiátrico é essencial antes e depois do procedimento.

O impacto da mudança brusca na alimentação, peso e estilo de vida não pode ser subestimado. Pacientes que passaram pela cirurgia têm risco de automutilação aumentado em 50%, o que inclui traumas físicos, envenenamento e overdose de medicamentos e de álcool.

Amanda Aragão é  jornalista e professora, e passou por uma cirurgia bariátrica. Após recomendação médica e incentivo de amigos, a jornalista optou por fazer a bariátrica, mas afirma que a pressão social e estética tiveram papel fundamental na decisão. Na época, ela sofria de compulsão alimentar e tinha IMC acima de 40. “Após a cirurgia, eu internalizei que não podia seguir tendo compulsão, pois teria complicações.”

Ela eliminou 65 quilos no total, sendo 20 quilos só no primeiro mês. No seu caso, precisou ir somente duas vezes a consultas obrigatórias com psicólogo antes e duas vezes após a cirurgia. “Teria sido melhor se eu tivesse acompanhamento. Faltou ênfase médica sobre esse e outros cuidados”, relata Aragão. Ela afirma que um ano após a cirurgia quase chegou a ter depressão. “As pessoas começaram a me tratar melhor. Comecei a refletir sobre o meu valor: Ele sempre esteve ligado ao meu peso?” Atualmente ela conta com o apoio de terapia para auxiliá-la.

Embora a perda de peso seja rápida, há risco de o paciente recuperar o peso. Quem passou pelo procedimento tem dificuldade de comer excessivamente porque o estômago perde a capacidade de comportar grandes quantidades de alimentos, mas é necessário praticar exercícios e seguir um acompanhamento multidisciplinar com nutricionista, endocrinologista, gastroenterologista, psicólogo, entre outros profissionais.

(…)

Para ler na íntegra, acesse: https://drauziovarella.uol.com.br/obesidade/cirurgia-bariatrica-e-segura-mas-tem-risco-de-complicacoes/

***

Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o livro:

CIRURGIA BARIÁTRICA E PARA O DIABETES
Um guia completo
Autor: Marcos Giansante
MG EDITORES

A obesidade é fator de risco para diversas enfermidades, entre elas hipertensão, doenças cardiovasculares e, principalmente, o diabetes – que, em 2014, matou mais que o HIV. Hoje, a cirurgia bariátrica é um procedimento seguro e eficaz, e reduz sobremaneira o surgimento dessas doenças relacionadas.

Neste livro destinado a obesos e a seus amigos e familiares, o cirurgião Marcos Giansante expõe sua vasta experiência no tratamento da obesidade. Em linguagem clara e sem jargões técnicos – e de forma humana e integrativa –, ele responde às principais dúvidas relacionadas ao tratamento cirúrgico da doença, como:
• o papel da cirurgia bariátrica, principalmente na parte metabólica, como tratamento complementar de doenças como o diabetes;
• as principais técnicas cirúrgicas utilizadas e as mais indicadas para cada caso;
• o pré e pós-operatório;
• a importância da alimentação e de atividades físicas na qualidade de vida do obeso e pós-operado.

‘A HISTÓRIA DO CASTELO RÁ-TIM-BUM. E POR QUE SEU SUCESSO PERDURA’

Texto parcial de matéria de Cesar Gaglioni, publicada
no Nexo Jornal em 10/Nov/2019.

Programa infantil da TV Cultura estreou em 1994 e ainda conquista fãs. O ‘Nexo’ conversou com o jornalista Bruno Capelas, autor de livro que remonta a trajetória da produção e avalia o seu legado

Quem passasse pela Avenida Europa, uma das principais vias do bairro do Jardins, em São Paulo, entre os meses de julho de 2014 e janeiro de 2015 se depararia com uma grande fila, que se chegava a dar a volta em quarteirões. A espera não era para alguma uma casa de shows ou para ver celebridades, mas sim para visitar o MIS (Museu da Imagem e do Som). Entre esses meses, o espaço recebeu uma exposição focada nos bastidores do programa infantil “Castelo Rá-tim-bum”, exibido originalmente duas décadas antes — entre 1994 e 1997 — pela TV Cultura. Ao todo, mais de 400 mil pessoas visitaram a exposição, fazendo com que o MIS se tornasse o museu mais visitado da cidade em 2014.

  A trajetória de “Castelo Rá-tim-bum” é contada em “Raios e trovões”, livro publicado em novembro de 2019 pela editora Summus, assinado pelo jornalista Bruno Capelas. Nele, o autor traça uma cronologia dos bastidores do programa, entrevista figuras ligadas à produção e demonstra o impacto que o programa teve para a cultura pop nacional.

A origem do programa

O “Castelo Rá-tim-bum” teve sua origem em 1990, quando a TV Cultura produziu o programa infantil “Rá-tim-bum”. Seus quadros mais famosos eram as aulas de conhecimentos gerais com o professor Tibúrcio, interpretado por Marcelo Tas, e as histórias apresentadas no quadro “Senta que lá vem história”. Nomes importantes do audiovisual brasileiro passaram pelo programa, como o roteirista Flávio de Souza, o animador Flávio Del Carlo e os cineastas Fernando Meirelles e Paulo Morelli.

“Rá-tim-bum” foi um sucesso para a TV Cultura, tanto de audiência, como de crítica: o programa venceu, em 1995, o prêmio de Melhor Programa Infantil no Festival de Televisão de Nova York.

Dois anos depois da estreia, a TV Cultura decidiu produzir uma nova versão do programa. A empreitada ficou na mão de Flávio de Souza e do diretor Cao Hamburger, indicado para o programa por Fernando Meirelles.

Quando começaram a criar os conceitos para o programa, Hamburger e Souza tiveram tantas ideias que perceberam que o “Rá-tim-bum 2” seria uma empreitada nova e original.

Inicialmente batizado de “Mundo encantado”, o programa traria três crianças que usavam portais mágicos para viajar pelo mundo, com cada episódio mostrando o trio em um lugar diferente. A ideia foi apresentada à TV Cultura, que não aprovou a iniciativa pelo custo de produção, alto demais o canal.

Souza e Hamburger acharam uma solução: ambientar todas as aventuras em um único local. A primeira ideia, sugerida pela Cultura, era limitar os episódios a um ambiente escolar, com os alunos sendo interpretados por bonecos de espuma. Cao Hamburger não gostou da ideia. “Eu não queria fazer a ‘Escolinha do professor Raimundo’ com bonecos”, afirmou o cineasta em entrevista ao livro “Raios e trovões”.

Em um estalo, Hamburger teve a ideia de trazer alguns conceitos de “Mundo encantado” para dentro de um castelo mágico, cujo dono era um cientista chamado Dr. Victor, em referência ao Dr. Victor Frankenstein, do romance “Frankenstein”, de Mary Shelley. O título provisório dado ao projeto foi “Castelo encantado”.

Roberto Muylaert, à época presidente da Fundação Padre Anchieta, entidade que administra a TV Cultura, buscou a Fiesp, (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), em busca de patrocínio para a nova produção. Os executivos da entidade toparam investir, mas com uma condição: o título do programa precisava conter a palavra “Rá-tim-bum”. Assim surgiu o nome “Castelo Rá-tim-bum”.

No meio do processo, Flávio de Souza saiu do projeto, assinando contrato com o SBT. Entrou na jogada Anna Muylaert, roteirista e filha do presidente da Fundação Padre Anchieta. Meses antes do começo das filmagens o elenco principal foi escalado:

Cássio Scapin, ator conhecido dos palcos paulistanos foi escalado para viver o protagonista do “programa”: o aprendiz de feiticeiro Nino, uma criança de 300 anos de idade que morava no castelo com seus tios

Luciano Amaral, ator que já tinha feito sucesso na Cultura com o programa “Mundo da lua” interpretava Pedro, um dos amigos de Nino que visitava o castelo diariamente

Cinthya Rachel, atriz conhecida pela peça “A fuga do planeta Kiltran” foi escalada para viver Biba, amiga de Nino e visita diária no castelo

Fredy Allan, ator que contracenou com Rachel e Amaral em “A fuga do planeta Kiltran”, vivia Zequinha, o mais novo do trio de amigos de Nino

Sérgio Mamberti, ator que já tinha uma carreira consagrada nos palcos e na política como um dos fundadores do PT foi escalado para viver o Dr. Victor, tio de Nino, feiticeiro, inventor e um dos donos do castelo

Rosi Campos, atriz com carreira consagrada no cinema e na TV interpretava Morgana, tia-avó de Nino e uma feiticeira prestes a completar 6.000 anos de idade.

Além dos cinco atores principais, o “Castelo Rá-tim-bum” contava com a participação de personagens convidados, como o Dr. Abobrinha, vilão interpretado por Pascoal da Conceição, um especulador imobiliário que queria derrubar o castelo para construir um shopping center; e o extraterrestre Etevaldo (Wagner Bello), que ocasionalmente visitava Nino e seus amigos.

Criaturas mágicas também habitavam o castelo, sendo representadas em tela por bonecos de espuma — era o caso de Celeste, uma cobra cor-de-rosa que morava dentro de uma árvore no meio do castelo; e o Gato Pintado, um felino leitor que vivia na biblioteca do Dr. Victor.

O próprio castelo era um personagem. Com um visual inspirado nas construções projetadas pelo arquiteto espanhol Antoni Gaudí (1852-1926), o cenário trazia uma série de traquitanas e objetos de cena, que eram uma ponte para introduzir na trama principal os quadros educativos — como o famoso “Que som é esse?”, no qual o programa apresentava instrumentos musicais para as crianças.

As filmagens do “Castelo” começaram em maio de 1993, e se estenderam até o começo de 1994. Ao todo, 90 episódios e um especial foram gravados.

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2019/11/10/A-hist%C3%B3ria-do-Castelo-R%C3%A1-tim-bum.-E-por-que-seu-sucesso-perdura?utm_campaign=anexo&utm_source=anexo

***

Conheça o livro:

RAIOS E TROVÕES
A história do fenômeno Castelo Rá-Tim-Bum
Autor: Bruno Capelas
Summus Editorial

“Morcego, ratazana, baratinha e companhia: está na hora da feitiçaria!”. Lançado em 1994 pela TV Cultura, o Castelo Rá-Tim-Bum é até hoje a maior produção infantil já feita pela televisão brasileira. Nesse sentido, Raios e trovões dá a senha para os leitores que quiserem entrar nos bastidores do programa: dos detalhes de figurinos e cenários à rotina de gravações, passando pela criação dos roteiros e escolha do elenco. Baseado em mais de 30 entrevistas com quem viveu o Castelo, o livro mostra como a Cultura conseguiu, em meio a um dos piores momentos da economia brasileira, realizar um projeto que marcou gerações, unindo entretenimento, informação e educação. Para isso, Bruno Capelas faz um mergulho pela história da emissora, em uma trajetória que passa por antenas, incêndios, bonecos de espuma e muito bom humor. Raios e trovões também avança até os dias de hoje, contando por que personagens como Nino, Zequinha, Dr. Victor, Celeste, Bongô, Penélope e Etevaldo permanecem vivos no coração e na mente de crianças pequenas e de outras já bem crescidas – afinal, “porque sim não é resposta!”

‘DA MORTE AO DESEMPREGO: MAPA TRAZ EXTREMOS DA DESIGUALDADE DE SÃO PAULO’

Texto de Clara Cerioni, publicado na Exame.com em 05/112019.

A desigualdade que atinge a cidade de São Paulo faz com que um morador de Cidades Tiradentes, bairro do extremo leste, viva, em média, 23 anos a menos do que os habitantes de Moema, uma das regiões mais nobres da capital paulista.

Dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde mostram que a idade média de morte dos moradores da Cidades Tiradentes foi, no ano passado, de 57,31, ao passo que em Moema foi de 80,57. A média de São Paulo é de 68,7.

A estatística faz parte do Mapa da Desigualdade de 2019, divulgado nesta terça-feira (05) pela Rede Nossa São Paulo, organização dedicada a identificar desafios e propor políticas públicas para a capital paulista.

Neste ano, o levantamento conta com 53 indicadores que apontam as diferenças entre os 96 municípios da cidade. A análise dos números revela um abismo entre as regiões mais pobres e as mais ricas de São Paulo. Os dados contemplam áreas como habitação, meio ambiente, educação, cultura e segurança viária.

Na comparação entre Cidade Tiradentes e Moema — os dois extremos de menor e maior tempo de vida —, é possível identificar fatores que influenciam diretamente na idade média de vida dos moradores.

Enquanto a taxa de mortalidade infantil, que considera a proporção de óbitos para crianças menores de um ano para cada mil crianças nascidas nos distritos, é de 15,68 no extremo leste, na região nobre, o índice é 3,53. Já a taxa de mortalidade materna, que considera os óbitos de grávidas para cada dez mil crianças nascidas vivas, em Cidade Tiradentes chega a 5,5. Em Moema, o índice é zero.

Já em relação à disponibilidade de leitos hospitalares públicos ou privados disponíveis para cada mil habitantes, a desigualdade entre os dois bairros também é alta: a região do extremo leste tem índice de 0,77, ao passo que o bairro nobre registra 17,99.

Ainda nos aspectos relacionados à saúde, a estatística mais negativa de Moema é a proporção de mortes por câncer para cada cem mil habitantes. Enquanto o bairro nobre da capital paulista apresenta taxa de 148, Cidade Tiradentes tem 77,19. Uma das explicações para a diferença, é a quantidade de idosos que moram nas regiões.

“Ainda que o envelhecimento e a genética influenciem no desenvolvimento da doença, alguns fatores relacionados à vida urbana contribuem diretamente para seu surgimento. A exposição constante a poluentes, o sedentarismo, o estresse, a má qualidade do sono e o consumo de alimentos contaminados por agrotóxicos são alguns deles”, diz o Mapa da Desigualdade.

Em outros eixos também é possível verificar raízes para as diferenças entre a vida dos moradores das duas regiões: a taxa de emprego formal por dez habitantes com idade igual ou superior a quinze anos em Moema é de 9,40. Na Cidade Tiradentes, o índice despenca para 0,24.

O acesso à equipamentos públicos municipais de cultura para cada cem mil habitantes no bairro nobre da capital paulista é de 6,81. Já no extremo leste a proporção é de 2,63.

Feminicídio

Em relação a 2017, o homicídio de mulheres cresceu 167% em toda a cidade de São Paulo no ano passado. Já as ocorrências de violência contra a mulher subiram 51%.

Essa foi a primeira vez que o estudo trouxe dados comparativos sobre feminicídio. Apesar da relevância da estatística, não é possível afirmar com precisão que houve uma alta de morte de mulheres por serem mulheres. O mais provável é que, por ser uma lei recente, de 2015, as delegacias de polícia estejam tipificando com mais detalhes esses casos como feminicídio.

Os dados mostram que os distritos da Sé e Barra Funda concentram as maiores taxas nos dois indicadores. Na Sé, que lidera os casos de violência contra a mulher, foram registradas 8,4 ocorrências de feminicídio para cada 10 mil mulheres na faixa de 20 a 59. O número é 56 vezes maior que em outros 20 distritos da cidade. A violência contra a mulher também é maior nesse mesmo distrito, com 803,9 registros.

Veja na íntegra o Mapa da Desigualdade de 2019

(Com Estadão Conteúdo)

Para ler na íntegra: https://bit.ly/2Ci2T8T

***

Tem interesse no assunto? Conheça os livros abaixo, da Selo Negro Edições:

RACISMO, SEXISMO E DESIGUALDADE NO BRASIL
Coleção Consciência em Debate
Autora: Sueli Carneiro
SELO NEGRO EDIÇÕES

Entre 2001 e 2010, a ativista e feminista negra Sueli Carneiro produziu inúmeros artigos publicados na imprensa brasileira. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil reúne, pela primeira vez, os melhores textos desse período. Neles, a autora nos convida a refletir criticamente a sociedade brasileira, explicitando de forma contundente como o racismo e o sexismo têm estruturado as relações sociais, políticas e de gênero.

RELAÇÕES RACIAIS E DESIGUALDADE NO BRASIL
Coleção Consciência em Debate
Autora: Gevanilda Santos
SELO NEGRO EDIÇÕES

Este livro apresenta o ponto de vista histórico das relações raciais e das desigualdades no Brasil, começando no século XIX e chegando aos dias de hoje. A autora mostra novos caminhos para uma educação antirracista e, sobretudo, para estimular seus valores intrínsecos: a igualdade das relações sociais, a consciência política da diversidade histórica, o respeito às diferenças – caminhos esses que nos conduzem à cidadania plena.

‘RAIOS E TROVÕES’ FAZ LEITOR VIAJAR NO TEMPO

Matéria de Eliana Silva de Souza publicada originalmente no Caderno 2,
de O Estado de S. Paulo, em 6/11/2019.

Bruno Capelas, repórter do ‘Estado’, lança livro sobre ‘Castelo Rá-Tim-Bum’, sucesso da TV Cultura

Um livro que certamente vai atingir em cheio toda uma geração, proporcionando uma verdadeira viagem no tempo. Raios e Trovões – A História do Fenômeno Castelo Rá-Tim-Bum (Summus Editorial), do jornalista do Estado Bruno Capelas, surge da vivência do próprio autor, que é dessa turma que nasceu nos anos 1990 e acompanhou diariamente as aventuras de Nino, Pedro, Biba, Zeca e tantos outros personagens, que marcaram uma fase extremamente criativa e importante da TV Cultura. A obra, que trata da importância do programa infantil para a emissora e para as crianças, será lançada no dia 27, às 19h30, na Livraria da Vila.

Seguindo a trajetória dos infantis de sucesso da TV Cultura, como é o caso de O Mundo da Lua, Capelas tem como ponto de partida a incrível mostra com os cenários do icônico programa da TV Cultura Castelo RáTim-Bum – A Exposição, que ocupou as instalações do Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, em 2014, e que foi vista por mais de 400 mil pessoas. O sucesso foi tamanho que obrigou o museu a mexer em seus horários para poder atender todos os interessados. Na mesma linha, em 2017, o Memorial da América Latina sediou uma nova exposição, Rá-Tim-Bum, o Castelo, que atraiu um público de pelo menos 800 mil pessoas.

O mais relevante, no entanto, é que tudo isso se deu por se tratar de um programa que marcou a infância de muita gente, crianças e adultos. Todos queriam ver de perto o porteiro pedindo a senha para liberar a entrada, o quarto do Nino e a árvore no meio da sala. É esse um dos motivos que levaram Capelas a se debruçar sobre o tema e colocar tudo em formato de livro, que teve início como um trabalho de conclusão de curso na faculdade.

“Sou geração Cultura e, como outros que nasceram nos anos 1990, também cresci vendo esses programas, Castelo Rá-TimBum , Mundo da Lua , X-Tudo ”, conta o autor, explicando a razão de ter escolhido o tema. “Tinha

que ser sobre algo que eu quisesse muito falar, alguma coisa muito minha, daí pensei no Castelo, pois ninguém tinha escrito sobre ele”, completa.

Fã assumido dos inúmeros programas da Cultura, Capelas contou com uma boa parcela de sorte para sua pesquisa. “Parte dela eu fiz em 2014. O Castelo estava comemorando 20 anos quando a exposição foi montada, o que me ajudou muito a conseguir encontrar algumas pessoas, principalmente os profissionais que trabalharam por trás das câmeras”, revela Capelas, que afirma que quis dar espaço a esses profissionais que pouco aparecem.

Como destaca o jornalista, quando se fala em Castelo RáTim-Bum, sempre se tem em mente nomes como os criadores Cao Hamburger e Flávio de Souza ou de Anna Muylaert, coordenadora de textos. “Quis mostrar que o Castelo é uma construção de muita gente, como o Silvio Galvão, que fez a árvore, a maquete, o jardim”, afirma.

O que Capelas expõe no livro é fruto de mais de 30 entrevistas, muita pesquisa de acervo, horas debruçado em material recheado de curiosidades, com cada capítulo contando uma história diferente que ajuda a elucidar a trajetória bem-sucedida da atração. Aos poucos, ele vai revelando curiosidades, como o fato de a abertura ter sido feita de trás para frente ou como era rotina de gravações. “Certa vez, teve uma enchente no cenário e todo mundo ajudou, ficando de joelho no chão, a repintar tudo”, conta, emocionado, o escritor, que aos poucos vai detalhando a trajetória do Castelo.

“Entre tantas divertidas curiosidades, o leitor vai descobrir, por exemplo, que o quarto do Nino foi um improviso, pois, na verdade, era para ser um portal, que levaria para qualquer lugar do castelo”, explica.

Para o autor, o sucesso dos programas infantis da Cultura tem relação com quem produzia o material. “Era um monte de gente que se encontrou no Castelo. A trilha sonora era Grupo Rumo, do Karnak, o Flávio de Souza era do grupo de teatro Pod Minoga, o Cao tinha feito curta-metragem de massinha ECA.” Com o programa, a TV Cultura inovou, passou por cima das dificuldades, mas optou por não dar continuidade ao trabalho, conta Capelas. “O Roberto Muylaert, que montou essa estrutura na emissora, saiu e, na sequência, houve corte de verbas. Mas foi um momento muito rico.”

Para ler na íntegra (assinantes ou cadastrados no jornal O Estado de S. Paulo), acesse: https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,raios-e-trovoes-livro-de-bruno-capelas-faz-leitor-viajar-no-tempo,70003077244

***

Conheça o livro:

RAIOS E TROVÕES
A história do fenômeno Castelo Rá-Tim-Bum
Autor: Bruno Capelas
SUMMUS EDITORIAL

“Morcego, ratazana, baratinha e companhia: está na hora da feitiçaria!”. Lançado em 1994 pela TV Cultura, o Castelo Rá-Tim-Bum é até hoje a maior produção infantil já feita pela televisão brasileira. Nesse sentido, Raios e trovões dá a senha para os leitores que quiserem entrar nos bastidores do programa: dos detalhes de figurinos e cenários à rotina de gravações, passando pela criação dos roteiros e escolha do elenco. Baseado em mais de 30 entrevistas com quem viveu o Castelo, o livro mostra como a Cultura conseguiu, em meio a um dos piores momentos da economia brasileira, realizar um projeto que marcou gerações, unindo entretenimento, informação e educação. Para isso, Bruno Capelas faz um mergulho pela história da emissora, em uma trajetória que passa por antenas, incêndios, bonecos de espuma e muito bom humor. Raios e trovões também avança até os dias de hoje, contando por que personagens como Nino, Zequinha, Dr. Victor, Celeste, Bongô, Penélope e Etevaldo permanecem vivos no coração e na mente de crianças pequenas e de outras já bem crescidas – afinal, “porque sim não é resposta!”


‘ASSIM COMO EM “BOM SUCESSO”, QUAL A MELHOR FORMA DE SE PREPARAR PRA MORTE?’

Texto parcial de matéria de Heloísa Noronha,
publicada originalmente no UOL Universa, em 02/11/2019.

Logo nos primeiros capítulo de “Bom Sucesso”, novela da faixa das 19h da Rede Globo, o milionário Alberto (Antonio Fagundes) e a costureira Paloma (Grazi Massafera) têm seus exames trocados: ela recebe o diagnóstico de que sofre de uma doença fatal e que lhe restam cerca de seis meses de vida, mas na verdade o doente é ele.

Após o esclarecimento da confusão, os dois ficam muito amigos e decidem encarar a vida de um outro jeito. Enquanto a moça passa por um processo de refinamento, sendo estimulada a gostar de livros e arte, o ricaço tenta deixar de ser ranzinza, fazer as pazes com o passado e resgatar relacionamentos importantes.

A jornada de Alberto é, de acordo com especialistas, similar a de inúmeras pessoas que precisam enfrentar a realidade de que lhes sobra pouco tempo de vida. Todo mundo sabe que um dia vai morrer; no entanto, ao tomar consciência de uma espécie de “data” para isso, muita gente promove transformações profundas em seu comportamento. As reações mais comuns já foram bastante estudadas e listadas pela psiquiatra suíça Elizabeth Küler-Ross (1926-2004) em cinco estágios — negação, raiva, negociação, depressão e aceitação.

Embora nem sempre essas cinco etapas percorrem essa ordem, a aceitação configura o momento em que “as fichas costumam cair”. “Isso inclui a percepção de que não se tem a eternidade para consertar as relações. Assim, o valor das coisas e da existência podem ser completamente alterados e ressignificados diante do fim”, expõe, de forma sucinta, Mara Lúcia Madureira, psicóloga cognitivo-comportamento e MBA em Gestão Estratégica de Pessoas.

Para a psicóloga Nazaré Jacobucci, mestranda em Cuidados Paliativos na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, em Portugal, e administradora do site Perdas e Luto, provavelmente a “ficha” que provoca mais dor ao “cair” sejam a confrontação dos sonhos não realizados durante a vida e a reflexão sobre as razões pelas quais não se concretizaram.

“A recepção da notícia de que se tem poucos meses de vida faz com que a pessoa reflita sobre a restrição de tempo que tem para viver aquilo que é significativo e que faz sentido em sua vida”, comenta a psicóloga Karina Okajima Fukumitsu, pós-doutora em Psicologia pela USP (Universidade de São Paulo) e autora do livro “Vida, Morte e Luto – Atualidades Brasileiras” (Ed. Summus Editorial). “A morte tira todas as ilusões, não há mais tempo para se perder! Assim, a partir da consciência da finitude acontece a compreensão de que ainda há vida a ser vivida, o que pode ajudar a pessoa a priorizar e a escolher as ‘batalhas’ que quer enfrentar”, completa.

(…)

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2019/11/02/assim-como-em-bom-sucesso-qual-a-melhor-forma-de-se-preparar-pra-morte.htm

***

Quer saber mais sobre o assunto? Conheça alguns dos livros do Grupo Summus que abordam o tema, incluindo o de Karina Fukutmitsu, mencionado na matéria:


EXPERIÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS SOBRE A MORTE E O MORRER
O legado de Elisabeth Kübler-Ross para os nossos dias
Autores: Rodrigo Luz e Daniela Freitas Bastos
SUMMUS EDITORIAL

Neste livro, Rodrigo Luz e Daniela Freitas Bastos contam um pouco da trajetória pessoal e profissional de Elisabeth, aprofundam-se nos estudos que ela nos legou e reproduzem os seminários no contexto brasileiro. Por meio do depoimento dos pacientes-professores, eles nos permitem enfrentar de peito aberto o tabu da morte e entrar em contato com recursos que nos ajudem a lidar com os pacientes com empatia, respeito e compaixão.

VIDA, MORTE E LUTO
Atualidades brasileiras
Organizadora: Karina Okajima Fukumitsu
SUMMUS EDITORIAL

Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.

CUIDADOS PALIATIVOS
Diretrizes para melhores práticas
Organizadores: Ricardo CaponeroMarcella Tardeli Esteves Angioleti SantanaAna Lucia Coradazzi
MG EDITORES

O conhecimento do ser humano evolui continuamente em todas as áreas. Na medicina, porém, o avanço de uma ampla gama de tecnologias voltadas para o prolongamento da vida – desejo primitivo dos seres humanos – deu lugar à tecnocracia. Esse movimento iludiu leigos (e muitos profissionais) e criou mitos, sobretudo o de que a morte poderia ser vencida. O problema é que essa obstinação terapêutica é hoje, muitas vezes, fonte de sofrimento – e paradoxalmente pode resultar no abreviamento do tempo de vida.
Assim, é fundamental resgatar a qualidade do cuidar, não só do ponto de vista biológico, mas também mental e espiritual. Não se trata de abandonar o desenvolvimento tecnológico, mas de integrá-lo à visão plural de cuidado.
Partindo desse pressuposto, esta obra – escrita por uma equipe multidisciplinar – se baseia numa prática integrativa, na qual todas as áreas de conhecimento trabalham juntas na busca da melhor qualidade de vida e da dignidade humana. Dividida em 16 capítulos, ela oferece protocolos seguros e eficazes que aliviam os principais sintomas dos pacientes que demandam atenção paliativa e traz uma série de opções de tratamento. Também são abordados temas como plano avançado de cuidados e diretivas antecipadas de vontade, além dos cuidados de fim de vida. Trata-se de uma referência fundamental num campo que está em franco desenvolvimento.

VIVER O SEU MORRER
Autor: Stanley Keleman
SUMMUS EDITORIAL

Este livro é sobre o morrer, não sobre a morte. Estamos sempre morrendo um pouco, sempre perdendo alguém ou alguma coisa. São as nossas pequenas mortes, que nos ensinam o significado do morrer e nos oferecem condições de enfrentá-lo sem medo ou morbidez. É exatamente disso que trata este livro: estar pleno e inteiro para deparar-se com o morrer.