PROGRAMA ARTE 1 NO CINEMA EXIBE ENTREVISTA COM STEVAN LEKITSCH NESTA QUINTA-FEIRA

O jornalista Stevan Lekitsch, autor do livro Cine arco-íris – 100 anos de cinema LGBT nas telas brasileiras (Edições GLS), participa do programa Arte 1 no Cinema, nos canais 101 da Sky e 115 da Net, nesta quinta-feira, dia 28 de março, às 22h30.  Na reportagem, ele fala sobre as melhores produções cinematográficas que giram em torno de personagens lésbicas, gays, bissexuais e transexuais.

Tímida no início do século XX, profícua nos últimos anos, a produção de filmes com temática LGBT cresceu à medida que o preconceito diminuiu. Hoje, o público tem uma ampla gama de películas à disposição. Em Cine arco-íris – 100 anos de cinema LGBT nas telas brasileiras, Lekitsch apresenta uma seleção das melhores produções cinematográficas de cunho homo, bi ou transexual.

Fruto de mais de dez anos de pesquisa, o livro apresenta resenha, ficha técnica e curiosidades de bastidores de quase 300 filmes produzidos nos últimos 100 anos. “A ideia não era simplesmente fazer um compêndio de títulos. Procurei ir mais fundo, enfocando os filmes que tiveram importância histórica”, afirma Lekitsch. De clássicos como Morte em Veneza a filmes polêmicos como Transamérica, a obra traz o melhor da produção nacional e estrangeira.

O livro começa fazendo uma análise histórica do surgimento do cinema, em 1895, e chega até o fim da década de 1940 – época em que não havia tanta liberdade para abordar a temática LGBT. Ainda assim, encontram-se boas surpresas, como o sinistro Festim diabólico, de Alfred Hitchcock, em que a homossexualidade dos protagonistas fica apenas subentendida. Outro destaque é o drama histórico A rainha Cristina, estrelado por Greta Garbo, que faz o papel de uma monarca bissexual.

Nos anos 1950, com a relativa abertura vivenciada depois do fim da Segunda Guerra Mundial, os filmes começam a abordar a homo, a bi e a transexualidade de maneira mais ousada. É o caso, por exemplo, de Glen ou Glenda, do polêmico diretor Edward D. Wood Jr., que fala sobre travestismo e mudança de sexo – isso em 1953. Outro sucesso da época é A malvada, com Bette Davis no papel de uma atriz de Hollywood que mantém um relacionamento platônico com a secretária.

A partir da década de 1960, aumentam as produções de cunho LGBT, inclusive no Brasil, apesar da censura promovida pela ditadura militar instaurada em 1964. Um dos destaques mundiais é Satyricon, dirigido por Federico Fellini, que retrata as vicissitudes do reinado do imperador romano Nero. Na Itália, Pier Paolo Pasolini provoca escândalo com Teorema. Em terras brasileiras, Noite vazia, de Walter Hugo Khouri, está entre os destaques.

Mas é a partir dos anos 1970 que o cinema LGBT dá uma guinada. A liberação sexual faz que a produção aumente progressivamente, chegando a mais de 5 mil filmes por ano. No Brasil, as pornochanchadas atingem o auge, alcançando grande sucesso de público. Entre as muitas pérolas da época estão Calígula, de Tinto Brass, Um dia de cão, de Sidney Lumet – protagonizado por Al Pacino, excelente no papel de um homem que assalta um banco para pagar a operação de mudança de sexo do companheiro –, e As lágrimas amargas de Petra von Kant, dirigido por Fassbinder. No Brasil, O cortiço, de Francisco Ramalho Jr., e A casa assassinada, dirigido por Paulo Cesar Saraceni, rendem boas bilheterias.

De 2000 em diante, os filmes gays saem definitivamente das sombras e passam a concorrer de igual para igual com outras produções. Surgem películas engajadas, como Antes do anoitecer, que traz Javier Barden no papel do escritor cubano Reynaldo Arenas, e Milk – A voz da igualdade, que rendeu a Sean Penn o Oscar de melhor ator por sua atuação como o primeiro gay assumido a ocupar um cargo público nos Estados Unidos. Mas talvez o maior destaque da década seja O segredo de Brokeback Mountain. Estrelado por Heath Ledger (que morreria três anos depois de overdose) e Jake Gyllenhaal, o filme rendeu o Oscar de melhor diretor a Ang Lee e deixou na memória dos espectadores cenas belíssimas.

De acordo com o autor Stevan Lekitsch, o número de filmes com temática LGBT tende a aumentar. “Apesar do crescimento de manifestações homofóbicas ao redor do planeta, o cinema gay vai continuar produzindo ainda mais filmes que destoem da heteronormatividade”, acredita.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro//Cine+arco-%C3%ADris

 

 

 

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