‘OPÇÃO PELO TIPO DE ALFABETIZAÇÃO VAI ALÉM DA TEORIA’

Educadores e governo divergem sobre qual método deve ser utilizado no país

Reportagem de Ana Luiza Tieghi, publicada originalmente na
Folha de S. Paulo, em 07/09/2019.

Educadores brasileiros travam uma batalha há décadas para definir qual é o melhor método de alfabetização e se é preciso adotar um sistema único no país.

A discussão ganhou novo gás neste ano com o governo Bolsonaro. O ministro da educação, Abraham Weintraub, e seu secretário de alfabetização, Carlos Francisco de Paula Nadalim, creditaram os maus resultados brasileiros em indicadores às ideias de Paulo Freire (1921-1997), educador que desenvolveu um método de alfabetização para adultos baseado na vivência do aluno.

Segundo a mais recente Avaliação Nacional da Alfabetização, 54,7% dos estudantes no terceiro ano do ensino fundamental têm desempenho insuficiente em leitura —não conseguem identificar a finalidade de um texto e localizar uma informação explícita.

Em entrevista à Folha, em novembro de 2018, o escritor Olavo de Carvalho, conselheiro do atual governo e professor de Nadalim, afirmou que o “método sócio-construtivista só forma analfabetos”. Segundo ele, era necessário voltar ao sistema fônico, o “beabá, como era nos anos 1960, 1970”.

A metodologia mais comum nas escolas públicas do país é uma mistura de construtivismo com sistemas tradicionais, entre eles o uso de silabários, segundo Claudemir Belintane, professor da Faculdade de Educação da USP.

Em 15 de agosto, o MEC lançou sua nova Política Nacional de Alfabetização. Embora o ministério afirme que “não obriga a escolha prioritária de nenhum método”, educadores ouvidos pela reportagem apontam que há no documento uma preferência pelo modelo fônico.

A didática é aplicada por Nadalim em sua escola privada em Londrina (PR) e faz parte da mesma família do sistema adotado por cartilhas como a “Caminho Suave”, com as quais boa parte dos adultos de hoje foram alfabetizados.

Essas metodologias não são mais usadas em larga escala no Brasil por serem consideradas ultrapassadas pelos educadores. São didáticas que se baseiam na memorização das letras e sílabas. A criança aprende primeiro o que é a letra “b” e a letra “e”, depois que pode juntá-las na sílaba “be” e então formar a palavra “bebê”.

Para Belintane, esse sistema não é indicado porque trata os alunos de forma homogênea, sem respeitar o conhecimento que cada um já carrega.

Para Telma Weisz, coordenadora da pós-graduação em alfabetização do Instituto Vera Cruz, não é com uma nova forma de alfabetizar que o país vai melhorar seus indicadores. “Quem faz a escola é o professor. Os governos que querem que a escola vá bem investem nele.”

O método fônico é bem diferente da teoria construtivista, que se popularizou no país depois dos anos 1980.

Essa linha de pensamento consiste em assumir que a criança cria hipóteses sobre como se escreve antes de começar a alfabetização formal. As escolas usam essas suposições para ensinar. Por exemplo, é comum que a criança associe cada sílaba de uma palavra a uma letra. O professor atua a partir dessa ideia da criança.

A escola Anglo 21, no Alto da Boa Vista (zona sul de São Paulo), é uma das que apostam na teoria construtivista. “Não ensinamos letras e sílabas”, afirma Cíntia Simão, coordenadora de educação infantil do colégio.

Ela explica que há fases em que a criança pode escrever “caza” em vez de “casa”, e não há problema nisso, porque é algo provisório. Exercícios de ortografia são utilizados apenas quando ela já sabe ler e escrever com independência.

“Esperamos formar leitores e escritores melhores, que não conheçam só ortografia, mas que saibam redigir bons textos”, afirma Simão.

A mesma linha é adotada pela Escola Viva, na Vila Olímpia (zona sul da capital).

Daniela Munerato, coordenadora de educação infantil, acredita que esse tipo de trabalho forma alunos para lidar com diferentes tipos de texto, mas exige mais preparo do professor. “É mais fácil ter uma cartilha e mandar todo mundo abrir na mesma lição.”

No colégio Santa Maria, no Jardim Taquaral (zona sul), os professores usam uma mistura de métodos.

Para Sueli Gomes, orientadora pedagógica da escola, a teoria construtivista não funciona com todos.

“Nem toda criança vai aprender sozinha. Se você pede para ela escrever do jeito que ela pensa que é, muitas ficam desamparadas”, afirma.

A escola usa inclusive o sistema fônico, dependendo da necessidade da criança. “É um dos passos da alfabetização, mas o processo vai além disso.”

Com ensino bilíngue, a escola Brasil-Canadá, em Perdizes (zona oeste de São Paulo), aplica um método semelhante ao fônico para alfabetizar em inglês, mas prefere a linha sócio-interacionista para ensinar em português, explica Bruna Elias, diretora pedagógica da instituição.

Essa linha parte de textos para ensinar os sons e as formas das letras e sílabas, mas isso é feito em rodas de conversa e trabalhos em grupo.

Independentemente da metodologia adotada pela escola, os pais podem ajudar na alfabetização apresentando a leitura e a escrita para os filhos.

Na hora de escolher o colégio, Gomes diz que é bom os pais saberem que existem diferentes formas de alfabetizar, mas que “é mais importante descobrir se os professores estão interessados em ensinar o aluno da maneira que ele pode aprender”.

Como atualmente se usam metodologias diferentes daquelas que os pais vivenciaram quando crianças, pode causar estranhamento ver o filho escrevendo com letras trocadas. Ainda assim, não é indicado tentar ensinar a criança por conta própria.

“A primeira coisa que os pais devem fazer é legitimar a escola que eles escolheram”, diz Cíntia Simão, coordenadora de educação infantil do colégio Anglo 21. “Se nós damos espaços para as hipóteses da criança sobre a escrita, os pais têm que suportar isso.”

É melhor prestar atenção se a criança se mostra descontente por estar com o desenvolvimento atrasado em relação aos colegas, o que, segundo Gomes, poderia indicar uma falha na alfabetização.

Para ler na íntegra, acesse (assinantes Folha de S.Paulo e UOL): https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/09/opcao-pelo-tipo-de-alfabetizacao-vai-alem-da-teoria.shtml

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Tem interesse pelo assunto? Conheça alguns livros da Summus que falam sobre o tema:

ALFABETIZAçãO E LETRAMENTO: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Silvia M. Gasparian ColelloSérgio Antônio da Silva Leite

Neste livro, dois especialistas da Unicamp e da USP ampliam a compreensão do ensino da língua escrita. É possível alfabetizar sem retornar à cultura cartilhesca? Qual o papel da afetividade na alfabetização? Como sistematizar o trabalho pedagógico em sala de aula? Que paradigmas devem ser revistos no caso da aprendizagem escrita? Essas e outras perguntas são respondidas e debatidas nesta obra fundamental ao professor.

A ESCOLA QUE (NãO) ENSINA A ESCREVER
Autora: Silvia M. Gasparian Colello


A fim de repensar as concepções acerca da língua, do ensino, da aprendizagem e das práticas pedagógicas, este livro levanta diversos questionamentos sobre a alfabetização como é praticada hoje nas escolas. Depois de analisar diversas falhas didáticas e tendências pedagógicas viciadas, a autora oferece alternativas que subsidiem a construção de uma escola que efetivamente ensine a escrever.

A ESCOLA E A PRODUÇÃO TEXTUAL
Práticas interativas e tecnológicas
Autora: Silvia M. Gasparian Colello

Como as crianças entendem o papel da escola? Como o vínculo que estabelecem com ela afeta a aprendizagem? Por que os alunos têm tanta dificuldade de se alfabetizar? Como compreender o ensino da escrita no mundo tecnológico? Em um momento de tantas inovações, de que forma lidar com os desafios do ensino e renovar as práticas pedagógicas?
Na busca de um projeto educativo compatível com as demandas de nosso tempo e o perfil de nossos alunos, Silvia Colello discute aqui como as condições de trabalho na escola podem interferir na produção textual, favorecendo a aprendizagem da língua. Para tanto, lança mão da escrita como resolução de problemas em práticas tecnológicas e interativas. Conhecer as muitas variáveis desse processo é, indiscutivelmente, um importante aval para a construção de uma escola renovada. Afinal, é possível transformar a leitura e a escrita em uma aventura intelectual?

‘A DEPRESSÃO É POP’

Parte da reportagem especial Depressão em Xeque,
de Gabriela Ingrid, publicada originalmente no UOL VivaBem
em 13/09/2019.

Realmente, a discussão em torno da depressão é maior e mais complexa hoje. Várias celebridades expuseram que já lutaram uma batalha contra a doença, do youtuber Whindersson Nunes à cantora Adele, passando pelo ator Jim Carrey. “Antes a psicofobia, que é o preconceito contra as pessoas que têm transtornos e deficiências mentais, era maior”, diz Ana Paula Carvalho, psiquiatra e coordenadora da Liga da Depressão do HC da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Segundo a especialista, o fato de ter muita gente famosa revelando que luta contra a depressão tem impacto maior do que qualquer médico falar na TV ou em um livro sobre a doença.

Segundo a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), o estigma é um dos principais obstáculos ao tratamento adequado dos transtornos psiquiátricos. Muitas pessoas evitam procurar o psiquiatra, ou até mesmo custam a reconhecer os primeiros sinais de doenças como depressão e ansiedade, por causa do preconceito que ainda está relacionado à psiquiatria. Muitas vezes transtornos do tipo são associados à loucura ou até mesmo a coisas banais, que não necessitariam de um tratamento.

De acordo com uma pesquisa conduzida pelo Ibope em agosto desse ano, 53% das pessoas entre 18 e 24 anos acredita que a maioria dos antidepressivos não funciona ou não sabe opinar sobre isso. 57% dos brasileiros de todas as faixas etárias acha que o psicólogo é o profissional mais adequado para o quadro. Além disso, 44% das pessoas não falaria sobre a depressão no trabalho.

“Diminuiu-se o estigma, então a pessoa começa a buscar mais tratamento, conversa mais sobre o assunto, então a doença aparece mais. Estamos quebrando o preconceito em relação à saúde mental”
Fernando Fernandes

Segundo o livro “A Tristeza Perdida” (Editora Summus) escrito por Allan Horwits, professor de sociologia na Rutgers University, e Jerome Wakefield, professor de trabalho social na Universidade de Nova York, a taxa de transtornos depressivos na população não sofreu um aumento generalizado. O que mudou foi o crescente número de pessoas que buscam tratamento para essa condição, o aumento das prescrições de medicamentos antidepressivos, o número de artigos sobre o tema na mídia e literatura científica e a crescente presença da depressão como um fenômeno na cultura popular.

Para ler na íntegra, acesse: https://bit.ly/2lO8zTa

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Conheça o livro mencionado na matéria:

A TRISTEZA PERDIDA
Como a psiquiatria transformou a depressão em moda
Autores: Jerome C. WakefieldAllan V. Horwitz
SUMMUS EDITORIAL


Nos últimos anos, a depressão se transformou no distúrbio mais tratado por psiquiatras. Ao mesmo tempo, o consumo de antidepressivos aumentou significativamente. Neste livro, Horvitz e Wakefield criticam tal postura, mostrando que a tristeza, comum a todo ser humano, vem sendo tratada como doença – e expondo as implicações dessa prática para a saúde.




https://www.uol.com.br/vivabem/reportagens-especiais/depressao-realmente-e-o-mal-de-seculo-especialistas-buscam-responder-essa-questao/index.htm?utm_source=chrome&utm_medium=webalert&utm_campaign=uol#depressao-em-xeque

‘SUICÍDIO: PESSOAS PRÓXIMAS FALAM SOBRE DOR E DIFÍCIL RETORNO À ROTINA’

Chamadas de “sobreviventes suicidas”, as pessoas que estão sofrendo após o suicídio de alguém próximo enfrentam preconceito, incompreensão e o desafio de retomar a rotina

Texto parcial de reportagem de Fernando Mellis,
publicada originalmente no portal R7, em 10/09/2019.

Vergonha, culpa, dúvidas, raiva… esses são alguns dos sentimentos experimentados por aqueles que perdem algum ente querido por suicídio. O luto dessas pessoas envolve tabus, estigmas, preconceitos e muita desinformação, ingredientes que podem afetar a saúde mental dos que ficam.

Em suicidologia, o termo “sobrevivente suicida” se refere a uma pessoa que está sofrendo após o suicídio de alguém próximo e não a alguém que sobreviveu a uma tentativa de suicídio.

O ato solitário e de profundo desespero tem um efeito potencialmente devastador em quem fica. Um estudo coordenado pela pesquisadora Julie Cerel, da Universidade do Kentucky (EUA), mostrou que aproximadamente 135 pessoas são impactadas com um único suicídio. Além disso, estima-se que 25 pessoas próximas da vítima podem tentar se matar ou ter ideias suicidas.

Isso significa que diante dos 12.495 suicídios registrados no Brasil em 2017, segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 1,6 milhão de pessoas podem ter sido afetadas de alguma forma e, deste grupo, 300 mil podem vir a atentar contra a própria vida. O psicólogo norte-americano John R. Jordan, autor de diversos livros sobre o assunto e que trabalha há mais de 25 anos com sobreviventes suicidas, explica como isso se dá.

“As pessoas que conhecem alguém que morreu por suicídio têm 1,6 mais chance de ter ideias suicidas; 2,9 vezes mais chances de ter planos suicidas; e 3,7 vezes mais chances de tentar suicídio, em relação a outras pessoas que não conheciam.”

A morte por suicídio é normalmente violenta e repentina. Pode ser ainda que parentes e amigos tenham de lidar com investigações policiais e com a imprensa até que se tenha certeza do que aconteceu, o que adiciona ainda mais trauma a estas pessoas.

“Uma cena que até hoje me aterroriza”

“Tivemos um fim de semana normal com as nossas filhas e na segunda-feira encontrei meu marido morto, enforcado em casa”, conta Eliana* (nome trocado). “É uma cena que nunca vai sair da minha cabeça e até hoje me aterroriza.”

Foi o primeiro contato com o suicídio que a família teve, mas não seria o último. Dois anos depois, a filha mais velha do casal também tirou a própria vida, aos 18 anos. Mentalmente abalada após a morte do pai, a jovem entrou em um quadro depressivo que, apesar de ajuda especializada e medicamentos, agravou-se.

“É normal você se perguntar: ‘será que o suicídio do pai teve alguma influência na decisão dela?’ Eu nunca vou saber, tento não buscar muitas respostas porque sei que nunca vou encontrá-las. Meu objetivo hoje é me preservar e cuidar da minha outra filha, porque sei que precisamos uma da outra e é nela que busco forças para seguir.”

Tsunami existencial

“O suicídio para quem fica é um tsunami existencial. Mas o que você faz depois de um tsunami? Se reconstrói”, explica a psicóloga Karina Okajima Fukumitsu, autora de livros sobre o tema, incluindo Suicídio e luto: histórias de filhos sobreviventes; e Sobreviventes enlutados por suicídio – cuidados e intervenções, este último lançado neste mês.

Eliana relata a angústia de quando é perguntada sobre como perdeu o marido e a filha. “Falar de suicídio é para muita gente algo completamente inusitado. Tem quem me olha de cara feia, o que me deixa mal, porque eu não tenho culpa e não posso ter vergonha pelo que aconteceu.”

Uma das grandes dificuldades do sobrevivente é encontrar pessoas que não façam julgamentos.

“O que se matou não era corajoso, fraco, covarde… era uma pessoa que estava em intenso sofrimento. Quem sou eu para julgar quem estava em sofrimento? Quem está longe julga, quem está perto compreende”, diz Karina.

“Jamais vou fazer o que ele fez”

A jornalista Paula Fontenelle, autora do livro Suicídio: o futuro interrompido – guia para sobreviventes, e a irmã desenvolveram depressão após o pai se suicidar com um tiro, aos 58 anos, em 2005. Na publicação, ela relata a dificuldade de não ter sido um período de luto “normal”.

“As particularidades têm início logo cedo. Quando uma pessoa morre por motivos de doença, acidente, o que for, por mais desconfortável que seja, todos demonstram solidariedade imediata, querem saber dos detalhes, falam abertamente sobre a situação, oferecem conforto. No suicídio, não. O incômodo se expressa no silêncio, na ausência do que dizer, no inconformismo, na incredulidade. É como se as palavras fossem inúteis, como se nada pudesse amenizar a dor e essa reação vai alimentando, com o tempo, a nossa própria resistência em expor o que sentimos.”

Em entrevista, Paula conta que buscou respostas em livros após o suicídio do pai, mas como não achou no Brasil nada que pudesse ter as explicações que ela tentava achar, resolveu escrever o próprio livro, que agora está sendo relançado em inglês, nos Estados Unidos.

“Apesar de o livro ter me ajudado no longo prazo, enquanto eu escrevia, acabava revivendo muitas coisas e isso teve um impacto negativo. Comecei a sentir uma tristeza que vinha do nada, dores físicas, dificuldade de concentração.” Paula e a irmã foram diagnosticadas com depressão.

“A minha irmã teve depressão antes de mim. Ela passou por uma coisa que não passei, porque eu estava de férias nos Estados Unidos quando ele morreu. Ela viu meu pai um dia antes de ele se matar, percebeu que ele não estava bem. Então ela se sentiu muito culpada.”

Mesmo assim, a jornalista diz que as duas nunca pensaram em tirar a própria vida. “Lembro que ela me falou: ‘Eu jamais vou fazer o que ele fez, não vou fazer minha filha passar pelo que eu estou passando.”

Atualmente, Paula mantém um site no qual compartilha informações e orientações sobre o assunto.

Suicídios em alta no país

O número de pessoas mortas por suicídio no Brasil cresce ano após ano desde 2002. Apenas em 2017, a alta foi de 9,3%, na comparação com o ano anterior, segundo dados do Ministério da Saúde. A taxa é de 6 óbitos por 100 mil habitantes.

Mortes autoprovocadas intencionalmente são a terceira maior causa de óbito por causas externas (que não sejam doenças, por exemplo), com 12,4 mil casos no Brasil em 2017, atrás apenas de acidentes (68,5 mil) e agressões (63,7 mil).

A maior parte dos óbitos decorrentes de suicídio ocorre nas faixas etárias de 20 a 39 anos (5.009 casos, com aumento de 8,65% em 2017) e de 40 a 59 anos (4.195, alta de 7,67%). Entre os idosos, foram 2.210 suicídios (alta de 10,72%).

No entanto, o que chama atenção é o crescimento acima das demais idades nos suicídios no grupo com idades entre 10 e 19 anos: 1.047 casos — alta de 16,72%.

A Associação Brasileira de Psiquiatria estima que 17% dos brasileiros (35,5 milhões) já pensaram em suicídio. No entanto, entre pensar e planejar há uma diferença. Nem todos os que pensam em tirar a própria vida vão de fato levar a ideia adiante, observa a psicóloga Karina Fukumitsu. “O comportamento suicida envolve o pensamento, a ideação, o planejamento e o ato em si.”

O suicídio é um ato definitivo para um problema temporário.(Karina Fukumitsu)

Segundo ela, ao contrário do que muitos pensam, “o suicídio não é contagioso”. “O grande vilão que a gente tem que atacar é o sofrimento. É o sofrimento que provoca as pessoas a pensarem em se matar”, acrescenta.

Para ler a matéria completa, acesse:  https://estudio.r7.com/suicidio-a-dor-dos-que-ficam-10092019

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Para saber mais sobre o assunto, conheça os livros da psicóloga Karina Okajima Fukumitsu pela Summus Editorial, incluindo o recém-lançado focado em posvenção do suicídio:

SOBREVIVENTES ENLUTADOS POR SUICÍDIO
Cuidados e intervenções
Autora: Karina Okajima Fukumitsu

Segundo a Organização das Nações Unidas, a cada 40 segundos uma pessoa se suicida no planeta. São quase 800 mil casos de morte autoinfligida por ano. Esses dados alarmantes têm chamado a atenção de profissionais de saúde, educadores e responsáveis pela elaboração de políticas públicas. Porém, além de prevenir esse tipo de ocorrência, é preciso cuidar daqueles que enfrentam o suicídio de um ente querido: os sobreviventes.
Maior especialista brasileira no tema, Karina Okajima Fukumitsu reúne neste livro anos de pesquisa e de trabalho de campo com mães, pais, irmãos e amigos de pessoas que se suicidaram, desvendando o processo de choque, dor, agonia e tristeza pelo qual passam. Denominando posvenção o cuidado específico com esse público, a autora aborda os impactos do suicídio, detalha as dificuldades emocionais enfrentadas pelos sobreviventes, aponta caminhos para ressignificar a dor, apresenta propostas de prevenção e propõe políticas públicas para transformar a impotência individual em potência coletiva.

VIDA, MORTE E LUTO
Atualidades brasileiras
Organizadora: Karina Okajima Fukumitsu
Autor(es): Leo PessiniAna Catarina Tavares LoureiroAvimar Ferreira JuniorDaniel Neves ForteDaniela AchetteElaine Gomes dos Reis AlvesElaine Marques HojaijElvira Maria Ventura FilipeEmi ShimmaFernanda Cristina MarquettiGabriela CasellatoGilberto SafraGláucia Rezende TavaresKarina Okajima FukumitsuTeresa Vera GouveaMarcello Ferretti FanelliMarcos Emanoel PereiraMaria Carlota de Rezende CoelhoMaria Helena Pereira FrancoMaria Julia KovácsMaria Luiza Faria Nassar de OliveiraMayra Luciana GaglianiMonja Coen Roshi Monja Heishin Nely Aparecida Guernelli NucciPatrícia Carvalho MoreiraPedro Morales Tolentino LeiteProtásio Lemos da Luz

Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.

‘VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA: SAIBA COMO IDENTIFICAR SE SEU MARIDO FAZ ISSO’

Reportagem de Laura Reif, publicada na revista AzMina, publicada em 04/09/2019.

Esse tipo de agressão pode ser difícil de identificar, pois muitas vezes é mascarada como ciúmes e caracterizada por controle, ofensas e humilhações

Quando falamos em violência contra a mulher, a primeira coisa que vem à mente é um tapa, soco ou um empurrão. Mas não é apenas a agressão física que define um relacionamento violento. Uma forma mais subjetiva de violência é a psicológica. Se você se sente constantemente sem autoestima, é humilhada, diminuída, sofre ameaças verbais e tem medo de dar sua opinião, você pode estar sendo vítima de violência psicológica.

Esse tipo de agressão pode ser difícil de identificar, pois muitas vezes é mascarado como ciúmes e é caracterizado por controle, ofensas e humilhações. Boa parte das vezes, a vítima tem dificuldade em romper a relação, pois o abuso psicológico ocorre de maneira gradual, mas constante, minando a autoestima e anulando a pessoa.

A violência psicológica é bem comum. Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública com o Datafolha, a violência por meio de ofensas, xingamentos ou humilhação foi a mais comum no Brasil em 2018, atingindo 22% das mulheres. 

Esse tipo de violência normalmente precede a agressão física. Ao minar a autoestima da mulher, muitas vezes o (ou a) companheiro(a) faz com que a mulher acredite que aquela relação é a única possível e não tenha forças para sair, tornando-se mais suscetível a tolerar agressões. 

O que é

A Lei Maria da Penha classifica violência psicológica como qualquer conduta que cause dano emocional e à autoestima da mulher, que prejudiquem o seu pleno desenvolvimento, que vise degradar ou controlar suas ações comportamentos, crenças e decisões. O Instituto Maria da Penha lista algumas dessas condutas: 

  • ameaças
  • constrangimento
  • humilhação
  • manipulação
  • isolamento (proibir de estudar e viajar ou de falar com amigos e parentes)
  • vigilância constante
  • perseguição contumaz
  • insultos
  • chantagem
  • exploração
  • limitação do direito de ir e vir
  • ridicularização
  • tirar a liberdade de crença
  • distorcer e omitir fatos para deixar a mulher em dúvida sobre a sua memória e sanidade (gaslighting)

Alguns exemplos comuns desse tipo de abuso são o mansplaining ou gaslighting: comportamentos abusivos por meio dos quais é possível diminuir a mulher e minar sua auto confiança. 

“Quando você, mulher, tiver certeza do que está falando e mesmo assim o homem tenta mostrar para você – ou explicar de maneira banal – o que já é óbvio, ou dizer que você está errada, você está sofrendo esse tipo de abuso, de violência”, afirma a psicóloga especializada em traumas Daiane Daumichen. 

Ela diz que a mulher pode não se importar com essa atitude no momento, mas que ao longo do tempo se torna uma ferramenta para enfraquecê-la, tornando-a vulnerável e dependente. “Um homem que realmente quer orientar e dar suporte, não a faz sentir-se ‘burra’”, completa.

O abuso psicológico pode ocorrer nas mais diversas esferas da vida, até no trabalho. Um chefe que diminui uma funcionária por ser mulher e a trata como incapaz – mesmo que ela seja qualificada – e desmerece seu conhecimento, está fazendo abuso psicológico.

Como identificar

A terapeuta de relacionamentos Sabrina Costa chama a atenção os sinais que podem indicar que uma mulher está sendo vítima de violência psicológica:

  • – Se sentir incapaz de ter sucesso na vida;
  • Dúvidas sobre sua capacidade intelectual;
  • Se sentir inferior ao companheiro;
  • Se sentir oprimida;
  • Perda do ânimo diante da vida;
  • Sentir culpa pelas discussões e pelos problemas na relação;
  • Esconder de amigos e parentes ou justificar certos tipos de comportamentos do parceiro.
  • Leia mais: Você não está louca! Entenda como funciona o gaslighting
  • Um exemplo muito relatado por mulheres é de casos em que o companheiro faz críticas constantes à sua aparência e capacidade intelectual, concluindo que ninguém mais pode querer ficar com ela. 

Recuperando a autoestima

Às vezes a mulher só consegue perceber que sofreu esse tipo de abuso quando consegue sair da relação tóxica. “O que, infelizmente, é triste, pois o tempo em que foi submetida a essa situação pode deixar sequelas”, explica Daiane.

Para a terapeuta Sabrina, é importante a mulher tirar um tempo para si para se recuperar, fazendo algo que traga a sensação de que ela é útil e capaz. “Porém dependendo de como foi afetada psicologicamente, é necessário buscar ajuda de terapeutas e psicólogos”, diz.

É um caminho longo para se chegar ao resgate da autoestima, da identidade perdida, pois a consequência do abuso psicológico gera impactos difíceis de serem solucionados sozinhos. Daiane explica que em certos casos a vítima sofre as consequências do abuso psicológico mesmo longe do agressor, tempos após o rompimento da relação.

“É importante o acompanhamento de profissionais especializados para que a vítima possa identificar os danos causados, buscar sua cura e uma nova forma de se relacionar com os outros e consigo mesma”, completa Daiane.

Para ler na íntegra, acesse: https://azmina.com.br/reportagens/violencia-psicologica-saiba-como-identificar/

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Tem interesse pelo assunto? Conheça:

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA NAS RELAÇÕES CONJUGAIS
Pesquisa e intervenção clínica
Autora: Adelma Pimentel
SUMMUS EDITORIAL

A violência psicológica que permeia a convivência dos casais é o tema deste livro. Essa modalidade de agressão aparece nas relações conjugais com intensa incidência e sem que seja reconhecida pelos cônjuges, sobretudo pela mulher. Visando estudar e combater o fenômeno, Adelma Pimentel caracteriza a violência psicológica e propõe a nutrição psicológica, por meio da Gestalt-terapia, para o enfrentamento da violência que atinge o casal.

FERIDAS INVISÍVEIS
Abuso não-físico contra mulheres
Autora: Mary Susan Miller
SUMMUS EDITORIAL

Milhões de mulheres em todo o mundo sofrem uma violência não-física por parte de maridos e companheiros, nem sempre fácil de identificar e neutralizar: Intimidações, manipulação emocional e sexual, humilhações, chantagens financeiras, etc. Este livro expõe a existência do problema, oferece meios de identificá-lo e sugere alternativas para que a mulher possa fugir do pesadelo.

‘SETEMBRO AMARELO: AÇÕES CHAMAM A ATENÇÃO PARA O TRATAMENTO DA DEPRESSÃO’

Matéria de Flávia Albuquerque, da Agência Brasil, Publicada no UOL VivaBem em 02/09/2019.

Todas as manhãs o girassol parte em busca do sol, seguindo a luminosidade insistentemente, porque precisa dela para crescer e florescer. Mesmo quando o sol está escondido entre as nuvens, a flor gira persistente, apesar da dificuldade, em direção à luz. Em alusão a esse comportamento da natureza, o girassol foi escolhido como símbolo da campanha “Na Direção da Vida – Depressão sem Tabu”, iniciativa do movimento mundial Setembro Amarelo, que tem o objetivo de abrir o diálogo e alertar a sociedade sobre o tema.

A campanha conduzida pela Upjohn, uma das divisões de um laboratório farmacêutico focada em doenças crônicas não transmissíveis, em parceria com a Abrata (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos) e participação do CVV (Centro de Valorização à Vida), trará ações digitais e de rua para combater os estigmas da depressão. O trabalho tem ainda o apoio de músicos, esportistas e influenciadores digitais que já passaram ou passam pelo problema, dividindo suas experiências.

Os usuários de redes sociais serão convidados a postar o ícone do girassol para mostrar que estão dispostos a falar sobre o assunto #depressaosemtabu. Eles também poderão conhecer o site do projeto, que traz informações sobre o tema e orientações sobre a identificação de comportamentos de risco em pessoas próximas.

“Queremos levar informação às pessoas. Quem visitar o local será convidado a deixar uma mensagem de coragem e apoio aos pacientes. Ao final, essas flores serão recolhidas e doadas para uma organização não governamental, que as transformará em buquês para serem distribuídos a pessoas que estão em tratamento”, explicou a neurologista da Upjohn, Elizabeth Bilevicius.

Depressão e suicídio

Segundo Bilevicius, para tratar a depressão e evitar o suicídio, o primeiro passo é ver a doença como um problema que precisa ser tratado. “Precisamos criar uma atmosfera de confiança para o paciente se sentir à vontade para dizer que tem a doença e legitimar o que ele sente. Essa é uma forma de encorajar a busca por ajuda adequada, criando um ambiente social mais empático e melhor informado para ajudar essa pessoa”, disse.

De acordo com as informações da Upjohn, mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e transtornos do humor. A depressão é o diagnóstico mais frequente, aparecendo em 36% das vítimas. O aumento dos casos entre os mais novos e com prevalência entre os homens faz da depressão a quarta maior causa de suicídio entre jovens no país. Outras doenças que podem ser tratadas, como o alcoolismo, a esquizofrenia e transtornos de personalidade, também afetam esses pacientes e por isso afirma-se que o suicídio pode ser evitado na maioria das vezes.

De acordo com as informações da Upjohn, mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e transtornos do humor. A depressão é o diagnóstico mais frequente, aparecendo em 36% das vítimas. O aumento dos casos entre os mais novos e com prevalência entre os homens faz da depressão a quarta maior causa de suicídio entre jovens no país. Outras doenças que podem ser tratadas, como o alcoolismo, a esquizofrenia e transtornos de personalidade, também afetam esses pacientes e por isso afirma-se que o suicídio pode ser evitado na maioria das vezes.

Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que o Brasil é o país com maior percentual de depressão na América Latina, chegando a 5,8% da população, o que corresponde a 12 milhões de brasileiros. A taxa é maior do que o valor global, que é de 4,4%. Igualmente maior do que em outros países, a taxa de suicídio entre adolescentes de 10 a 19 anos aumentou 24% de 2006 a 2015. A cada 46 minutos alguém tira a própria vida no Brasil.

O psiquiatra Teng Chei Tung, coordenador dos Serviços de Pronto-Socorro e Interconsultas do IPq (Instituto de Psiquiatria) do HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e vice-coordenador da Comissão de Emergência Psiquiátrica da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), explicou que a alta incidência entre os jovens está ligada à grande expectativa externa e interna de que eles se comportem como adultos, mesmo sem ter ainda as habilidades de um adulto, e à pressão de que o adolescente seja pleno, potente, competente e reconhecido.

“Então ele faz as coisas, erra e se frustra. Nessas frustrações os jovens podem entrar na depressão. Os preconceitos são os mesmos e são agravados pela desinformação. Para o jovem existe a influência do pensamento de que a saúde mental é só uma questão social, existencial e psicológica”, afirmou.

Teng disse que sentir tristeza é normal e que a frustração sempre traz alguma tristeza passageira, mas é preciso que as pessoas próximas fiquem atentas para perceber quando esse estado já se tornou uma depressão. Segundo ele, a tristeza é algo que gera introspecção, provoca reflexão e crescimento, mas o deprimido fica introspectivo por vários dias e semanas.

“Um dos parâmetros é quando há sofrimento excessivo e quando começa a causar real prejuízo. Afeta as relações interpessoais, produtividade no trabalho, ou sofrimento individual, ou seja, a pessoa está sofrendo mais do que que precisaria naquela situação. Não é que não pode ter tristeza e emoção, mas isso não pode prejudicar a pessoa a ponto de afetá-la fisicamente”, destacou.

Para Teng, a melhor forma de falar sobre a depressão é deixar claro que ela é uma doença que apresenta alterações biológicas e fisiológicas, envolvendo fatores genéticos e estruturais, o que significa que a pessoa nasce com a tendência de desenvolver o quadro depressivo. O tratamento inclui, principalmente, melhorar o estilo de vida. “Quem tem depressão precisa se equilibrar e cuidar da saúde, para não ter de novo a doença”, disse o médico.

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/09/02/setembro-amarelo-acoes-chamam-a-atencao-para-o-tratamento-da-depressao.htm

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O psiquiatra Teng Chei Tung é autor da MG Editores. Conheça seu livro:

ENIGMA BIPOLAR
Conseqüências, diagnóstico e tratamento do transtorno bipolar
Autor:  Teng Chei Tung
MG EDITORES

O transtorno bipolar é uma patologia cada vez mais comum – e, infelizmente, ainda mal compreendida. Este livro, escrito por um psiquiatra, esclarece e desmistifica os sintomas da doença, suas fases, os sintomas, as estratégias de tratamento mais modernas e os tipos de medicamento disponíveis. Fala, ainda, da importância do apoio do médico e da família no bem-estar do paciente.

SUICÍDIO: ‘O GRANDE VILÃO DE TODA HISTÓRIA É O SOFRIMENTO’

O Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, foi o tema de ontem no Estúdio CBN. A psicóloga e suicidologista Karina Okajima Fukumitsu, pós-doutora pelo Instituto de Psicologia da USP e autora de Sobreviventes enlutados por suicídio e Vida, morte e luto, ambos da Summus Editorial, participou da conversa.

Ouça em http://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/273277/suicidio-o-grande-vilao-de-toda-historia-e-o-sofri.htm

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Conheça os livros da psicóloga Karina Fukumitsu, mencionados acima:

SOBREVIVENTES ENLUTADOS POR SUICÍDIO
Cuidados e intervenções

Segundo a Organização das Nações Unidas, a cada 40 segundos uma pessoa se suicida no planeta. São quase 800 mil casos de morte autoinfligida por ano. Esses dados alarmantes têm chamado a atenção de profissionais de saúde, educadores e responsáveis pela elaboração de políticas públicas. Porém, além de prevenir esse tipo de ocorrência, é preciso cuidar daqueles que enfrentam o suicídio de um ente querido: os sobreviventes.

Maior especialista brasileira no tema, Karina Okajima Fukumitsu reúne neste livro anos de pesquisa e de trabalho de campo com mães, pais, irmãos e amigos de pessoas que se suicidaram, desvendando o processo de choque, dor, agonia e tristeza pelo qual passam. Denominando posvenção o cuidado específico com esse público, a autora aborda os impactos do suicídio, detalha as dificuldades emocionais enfrentadas pelos sobreviventes, aponta caminhos para ressignificar a dor, apresenta propostas de prevenção e propõe políticas públicas para transformar a impotência individual em potência coletiva.

VIDA, MORTE E LUTO
Atualidades brasileiras

Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.

Para conhecer todos os livros da autora publicados pela Summus, acesse: https://www.gruposummus.com.br/gruposummus/autor//Karina+Okajima+Fukumitsu

SEU FILHO É O CENTRO DO SEU RELACIONAMENTO? ENTENDA POR QUE ISSO É TÃO RUIM



Matéria de Heloísa Noronha, publicada originalmente 
no Universa│UOL , em 27/08/2019.

Em seu livro “Mulheres Querem Sexo, Homens Sempre têm Dor de cabeça: Destruindo os Mitos Sobre Sexo e Relacionamentos Amorosos” (Ed. Cultrix), o terapeuta de casal alemão Christian Thiel afirma que as relações chamadas de child-centered (em tradução livre, centradas no filho) são um dos principais motivos para o afastamento de vários casais. De tão concentrados no filho, não só na fase de bebê, muitos se transformam em “sócios” na administração da casa e da vida em família e acabam se distanciando emocional e sexualmente. Nem sempre o desfecho é a separação: em alguns casos, a situação fica no piloto automático e as pessoas passam anos a fio convivendo nessas circunstâncias cômodas, mas infelizes. A boa notícia é que dá, sim, para reverter essa condição, mas primeiro é preciso compreender como os dois chegaram a esse ponto.

Ter um filho é, obviamente, uma experiência transformadora. E é lógico que nos primeiros meses pós-nascimento, por causa da nova rotina e dos cuidados essenciais, como a amamentação, a atenção dos pais fique 100% voltada ao bebê. Depois de um tempo é natural que o casal volte a se concentrar também na relação, mas isso depende de vários fatores que vão desde a possibilidade de contar com uma rede de apoio até o fato de o modelo familiar ser mais ou menos ansioso.

Na opinião da terapeuta de relacionamentos Rosangela Matos, que atua com atendimento online, após os primeiros seis meses de vida da criança os pais podem começar a dar pequenas “fugidinhas” para namorar. “Os familiares são importantes para dar um suporte. Aceitar ajuda é bom para todos: para o casal, que precisa fortalecer o vínculo homem-mulher; para a família, que se sente fazendo parte desse momento tão especial, e para o filho, que vai ter pais felizes ao seu lado”, comenta. “Porém, é importante que, antes disso, o casal separe alguns minutos para estar junto para falar do seu dia, trocar um abraço, um chamego e um sentir que o outro está ali”, completa Rosangela.

Já Triana Portal, psicóloga clínica e terapeuta de casal, de São Paulo (SP), observa que o casal consegue voltar ao “normal” por volta dos 3 anos de idade do filho, idade na qual já houve o desfralde, os pais não sofrem tanto com a privação de sono e a criança apresenta uma certa autonomia. “É uma fase em que o par realmente consegue ter mais intimidade e liberdade para passear e fazer pequenas viagens. Isso pode variar muito dependendo das características de cada família, mas os três primeiros anos costumam ser os mais desafiadores para qualquer casal. É, inclusive, uma fase em são registrados muitos divórcios”, fala.

Para Rosangela, um filho pode tanto unir quanto afastar um casal e um fator é determinante para isso: o alinhamento. “Muitos pais, especialmente os de primeira viagem, se preparam para a chegada do pequeno, assistem a filmes e documentários, fazem cursos, compram livros… Poucos, no entanto, procuram ajuda para se prepararem emocionalmente para a mudança na relação amorosa. O foco passa a ser o pequeno, os assuntos mudam. Dormir até tarde no fim de semana, passar uma tarde vendo filme agarradinho no sofá ou sair para se divertir nem sempre são possíveis. As mudanças são muitas e pegam o mais unido dos casais”, afirma.

Problema também para a criança

À medida que a criança cresce, o excesso de trabalho, o cansaço e a culpa por não dar tudo o que o filho precisa – principalmente tempo – acaba levando o casal a concentrar todas as suas energias na criança e a se descuidar dos papéis de homem e mulher. Com filhos, praticamente qualquer decisão deve levá-los em conta: do cardápio do jantar até a forma de gastar o dinheiro e o que a família vai fazer no fim de semana. No entanto, alguns pais e mães acabam superestimando essas resoluções, atribuindo poder à criança e desequilibrando a relação. “É o que chamo de ‘filiarcado’, ou seja, permitir que a criança decida tudo”, diz Elizabeth Monteiro, psicóloga e psicopedagoga, autora dos livros “Criando Filhos em Tempos Difíceis” e “Criando Adolescentes em Tempos Difíceis” (Summus Editorial).

Para Elizabeth, às vezes as pessoas simplesmente se entregam ao tipo de relação child-centered por puro desânimo. “Está todo mundo cansado demais. É mais fácil abrir mão de autoridade e, por comodismo, deixar a situação como está. Porém, essa não é a solução ideal para ninguém”, afirma. Um dos riscos é a criança se transformar num adulto mimado, já que sempre teve suas vontades atendidas. Vai comer o pão que o diabo amassou, claro, porque dificilmente alguém vai atender suas demandas como papai e mamãe faziam. Para o casal, uma das consequências é, quando o filho crescer e for embora de casa, enfrentar a chamada “síndrome do ninho vazio”. Como o filho possivelmente era o único elo forte que os unia, o que restará? Isso sem contar que, após tantos anos de afastamento, é possível que um sequer reconheça o outro como pessoa.

Segundo a psicóloga Renata de Azevedo, especialista em terapia de casal pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), alguns casais já estavam afastados antes mesmo de terem filhos. “Alguns, inclusive, acreditavam que o bebê salvaria a relação. Com o nascimento, os casais que estavam mal ficam pior ainda, pois o afastamento, o stress e alguns atritos são comuns nessa fase de adaptação. Outros casais colocam todo o seu afeto e a carência em cima do filho e não sobra tempo, espaço e energia para mais ninguém, inclusive o seu cônjuge. Dessa forma, a distância aumenta e passam a ser apenas pais”, observa. O filho passa a ser o centro e o único elo entre o casal durante anos.

Separar os papéis é fundamental

Um filho toma toma tempo, espaço, energia, pesa no orçamento, limita a intimidade. Resgatar ou manter a mesma relação de amor anterior à sua chegada é bem difícil. Com alguns ajustes no dia a dia e na forma de configurar as tarefas domésticas e as atividades em família, dá para o casal encontrar um equilíbrio saudável para lidar com tudo. “É possível reverter, mas a mudança precisa fazer sentido. Ambos devem estar cientes que a reversão de um padrão de comportamento ou rotina é um processo, leva tempo e exige paciência para adaptação do novo formato”, avisa Triana.

Uma conversa franca sobre o que mudou para cada um depois da chegada do filho, o que mais faz falta e o que pode ser feito diferente é o primeiro e mais importante passo, segundo Rosangela. Se o casal está vivendo essa situação é importante sentar e conversar sobre isso para que possam ir mudando seus comportamentos aos poucos.

Uma criança precisa que suas necessidades emocionais e físicas sejam supridas, mas também necessita que os pais estimulem sua segurança e autonomia. “Grande parte dos problemas da vida adulta são resultado da primeira infância, na melhor das intenções os pais vão se anulando e não percebem o quanto isso impacta nos filhos. Os pequenos devem ter limites e também aprender a conviver com a família e outras pessoas além dos pais. E precisam saber que os pais são um casal e que eles priorizam também essa relação”, diz a terapeuta.

Para Triana, os casais child-centered precisam se conscientizar de várias verdades. A primeira é que construir um “reinado” para o filho não é a melhor forma de educar. “E, em seguida, devem entender que se não estiverem inteiros nem felizes não conseguirão cuidar bem do filho. A relação conjugal precisa de constante manutenção, algo que dá trabalho e demanda atenção. Valorizar a intimidade, o sexo e os momentos de lazer sem os filhos, não os torna pais negligentes ou maus”, declara. Para isso, também é fundamental que cada um cuide bem de sua autoestima, assim ficam menos inseguros, têm mais clareza de pensamento e objetivos e levam a vida de forma mais assertiva.

“As pessoas também precisam compreender que têm o direito de ser homem e mulher, não precisam ser apenas pai e mãe pelo resto da vida. Dá para vivenciar todos os papéis sem negligenciar nenhum. Além disso, os filhos gostam de saber que os pais namoram, se curtem, saem, apreciam ficar juntos. Isso é benéfico para o desenvolvimento da criança, que cresce aprendendo um modelo saudável de relacionamento”, pontua a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Para ler na íntegra o texto publicado no UOL Universa, acesse: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2019/08/27/relacionamento-child-centered-voce-esta-vivendo-um.htm

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Conheça abaixo alguns livros das autoras Elizabeth Monteiro e Marina Vasconcellos. Outros podem ser encontrados no site do Grupo Editorial Summus.

CRIANDO FILHOS EM TEMPOS DIFÍCEIS
Atitudes e brincadeiras para uma infância feliz
Autora: Elizabeth Monteiro
SUMMUS EDITORIAL

Buscando aprimorar a interação entre pais e filhos, Betty Monteiro aborda neste livro os benefícios do brincar e explica as brincadeiras preferidas pelas crianças em cada fase do desenvolvimento. Fala ainda sobre a “criança difícil”– a que não come, a medrosa, a do contra etc. – e dá dicas para lidar com conflitos. Em linguagem simples e fluida, ela nos convida a voltar à infância e a aproveitar melhor o tempo com os pequenos.

 

CRIANDO ADOLESCENTES EM TEMPOS DIFÍCEIS
Autora: Elizabeth Monteiro
SUMMUS EDITORIAL

O amor parental não é estático: ele muda com o tempo e com os filhos. Por isso, os pais precisam atualizar seu modo de sentir e amar. Com uma linguagem direta e delicada, Elizabeth Monteiro fala sobre a necessidade de proteger os adolescentes de ameaças como as drogas e, ao mesmo tempo, de incentivar a autonomia deles. Sem fórmulas mágicas, a autora estabelece com pais e educadores um diálogo amplo e profícuo.

QUANDO A PSICOTERAPIA TRAVA
Como superar dificuldades
Organizadora: Marina da Costa Manso Vasconcellos
SUMMUS EDITORIAL

Buscando aprimorar a interação entre pais e filhos, Betty Monteiro aborda neste livro os benefícios do brincar e explica as brincadeiras preferidas pelas crianças em cada fase do desenvolvimento. Fala ainda sobre a “criança difícil”– a que não come, a medrosa, a do contra etc. – e dá dicas para lidar com conflitos. Em linguagem simples e fluida, ela nos convida a voltar à infância e a aproveitar melhor o tempo com os pequenos.



‘POR QUE USAR A AFETIVIDADE PARA MOBILIZAR ADOLESCENTES’

Estudantes nessa faixa etária precisam de adesão emocional e de acreditar que a escola se preocupa verdadeiramente com eles

Artigo de Jordana Balduino e Rosana Teixeira,
publicada na revista Nova Escola, em 22/08/2019

Quando pequenos, os estudantes, em geral, têm apreço à escola. Levam os pais pelos corredores mostrando a sala em que estudam, apontam para seus desenhos nas paredes e apresentam os coleguinhas. À medida em que vão crescendo, esses comportamentos muitas vezes dão lugar à apatia ou ao descaso. Às vezes, até à raiva do ambiente escolar. Por quê? O que se perde nesse processo?

Acreditamos que uma das explicações (não a única, claro) é que a escola muitas vezes deixa de prestar atenção no componente afetivo do processo educativo para focar somente nas experiências formais de aprendizagem. Para Vygotsky (1995), a aprendizagem, na verdade, se amplia à medida em que as redes de interações e vínculos também se ampliam, englobando aspectos não somente cognitivos, mas, também, afetivos.

Segundo o teórico do ensino, construir conhecimento é uma ação compartilhada, fundada nas trocas entre sujeitos – professores, alunos, família e equipe escolar. Isso porque não aprendemos somente dentro das quatro paredes da sala de aula, mas também trocando conhecimento com colegas, conversando sobre a matéria com os pais, contando algo para alguém da equipe escolar…. Quando falamos isso, não estamos pensando somente nos conteúdos didáticos, mas no desenvolvimento do (a) estudante como um todo. Ele ou ela é uma pessoa que, além de pensar, também sente, chora, se emociona, sonha. E quando entramos na escola, não deixamos as emoções do outro lado da porta – elas entram com a gente.

Dimensão afetiva da aprendizagem

Olhando especificamente para o Ensino Médio, temos um desafio gigantesco em termos de aprendizagem. O Ideb para a etapa, considerando apenas a rede pública, foi de apenas 3,5 pontos, em 2017. A meta para o país era de 4,7. O índice não tem evoluído como o esperado. Em 2009, 2011 e 2013, o Ideb do Ensino Médio da rede pública se manteve estável em 3,4. Em 2015, subiu para 3,5 e se manteve assim em 2017. Isso indica, entre outras coisas, que a escola não está se conectando com esse jovem, não está sabendo engajá-lo. Esse aspecto, muitas vezes, é negligenciado pelas escolas que não levam em consideração a dimensão afetiva da aprendizagem e do desenvolvimento.

Diferentes estudos vêm sendo desenvolvidos nas últimas décadas – por Fernandéz (1991), Dantas (1992), Snyders (1993), Pinheiro (1995), Almeida (1997), Pereira (1998) e Tassoni (2003) – defendendo que o afeto é indispensável na atividade de ensinar. De forma geral, todos entendem que as relações entre ensino e aprendizagem são movidas pela mediação do outro e que, portanto, é possível identificar as condições afetivas favoráveis que facilitam a construção do sujeito e do conhecimento.

Pensando na perspectiva de Vygotsky, se o desenvolvimento dos sujeitos é um processo construído pelos contextos histórico, cultural e social no qual estão inseridos, a escola exerce um papel fundante neste sentido. Tassoni (2000), em uma pesquisa com o objetivo de analisar os aspectos afetivos na interação em sala de aula, percebeu que estes influenciam diretamente no processo ensino-aprendizagem. Compreendendo que a Educação não se dá apenas na relação professor-aluno, mas é mediada por todos os integrantes da equipe escolar de maneira complementar, podemos pensar que é na rotina do colégio – e interação com todos – que os objetos do conhecimento ganham um contorno afetivo, gerando aproximação ou afastamento por parte do estudante.

Segundo Leite e cols. (2006, p. 17), a partir da notoriedade que o tema da afetividade vem alcançando no âmbito educacional nos últimos anos, o conceito de homem centrado apenas na sua dimensão racional, típico da visão cartesiana na escola, vem sendo revisto. A principal direção é de uma concepção de ser humano em que afetividade e cognição são interpretadas como dimensões indissociáveis do mesmo processo, não sendo mais aceitável analisá-las isoladamente.

Como usar a afetividade para engajar os alunos

É justamente pela afetividade que podemos trazer o jovem para mais perto da escola. Para convencê-lo a realizar alguma tarefa, precisamos não somente de uma aceitação e compreensão racional da situação por parte do estudante, mas também do componente afetivo, de uma adesão emocional à proposta. Para dar significado à experiência, precisamos de uma troca com nosso ambiente social – as conversas com professores, momentos compartilhados com os colegas, a convivência diária com a equipe escolar…. Todas essas pequenas interações, que muitas vezes são ignoradas ou até mesmo desencorajadas, são importantíssimas.

Para que os adolescentes se sintam acolhidos e dispostos a não só viverem as experiências proporcionadas pela escola, mas também a atuarem nela de forma ativa, eles precisam sentir que aquelas pessoas que compõem seu cenário escolar se importam verdadeiramente com eles. E mais: que suas ações fazem alguma diferença na escola, que eles não são mais um na multidão, e que são capazes de interagir e agir em seu meio e transformá-lo.

Isso é relativamente simples com estudantes que já são engajados, têm um “bom” desempenho acadêmico e constroem redes de relações com facilidade. Com os alunos considerados “problemáticos”, a criação do vínculo jovem-escola é um processo muito mais complexo. Estes já consideram o colégio um espaço de enfrentamento diário, de ataques à sua autoestima, de inúmeras possibilidades de falhar e de pouquíssima compreensão de seus esforços, que parecem inúteis frente ao grande caminho que parecem ter que percorrer para “chegar aos pés” de seus colegas de bom desempenho.

Assim, uma Educação que tem como objetivo romper os estigmas e como foco a formação integral, precisa possibilitar ao estudante seu reconhecimento como um sujeito autônomo, cujo futuro não está traçado e determinado, mas é possível de ser construído por ele ao longo do tempo. E construído de fato, com as próprias mãos. Falar é, claro, mais fácil do que executar, mas a escola precisa pensar em como dar protagonismo ao jovem. Esse protagonismo ou envolvimento pode ser feito de diferentes formas com estudantes adolescentes, por exemplo, contando com sua participação na organização e produção de eventos; estabelecendo espaços de expressão de suas individualidades e de diálogo entre eles, e entre eles e diferentes pessoas da equipe escolar.

Tais ações são fundamentais para dar voz e acolher cada jovem em sua singularidade, tornando a escola “para todos e para cada um” (Kupfer et al). Ao integrar o estudante no coletivo da escola e ao permitir que ele exerça seu protagonismo, a escola realiza sua função de construção de um verdadeiro sentimento de pertencimento que, por sua vez, deve implicar nos resultados de aprendizagem.

Jordana de Castro Balduino Paranahyba é psicóloga, com mestrado e doutorado em Educação e professora adjunta de Psicologia da Educação na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (FE/UFG). Rosana Ferrari Pandim Lisboa Teixeira é psicóloga, com atuação escolar, e mestranda em psicologia na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (FE/UFG).

Para saber mais

ALMEIDA, A. R. S. (1997) A emoção e o professor: um estudo à luz da teoria de Henri Wallon. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 13, n º 2, p. 239-249, mai/ago.
DANTAS, H. (1992) Afetividade e a construção do sujeito na psicogenética de Wallon, em La Taille, Y., Dantas, H., Oliveira, M. K. Piaget, Vygotsky e Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus Editorial Ltda.
FERNANDÉZ, A. (1991) A inteligência aprisionada. Porto Alegre: Artes Médicas.
LEITE, S. A. S. e cols. (2006). Afetividade e Práticas Pedagógicas. São Paulo: Casa do Psicólogo. 
OLIVEIRA, M. K. (1992) O problema da afetividade em Vygotsky, em La Taille, Y., Dantas, H., Oliveira, M. K. Piaget, Vygotsky e Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus Editorial Ltda.
PEREIRA, M. I. G. G. (1998) Emoções e conflitos: análise da dinâmica das interações numa classe de educação infantil. Tese de doutorado, Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo.
PINHEIRO, M. M. (1995) Emoção e afetividade no contexto da sala de aula: concepções de professores e direções para o ensino. Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica, São Paulo.
REGO, T. C. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. Petrópolis: Vozes, 1995.
SAVIANI, D. Pedagogia Histórico-Crítica. Campinas: Autores Associados, 2013.
SNYDERS, G. (1993) Alunos felizes. São Paulo: Paz e terra.
KUPFER, M. C. et al. A escola protagonista. Propostas LV para práticas inclusivas e transformadoras. In: KUPFER, M.C.; PATTO, M. H. S.;
OLTOLINI, R. (Orgs.) Práticas inclusivas em escolas transformadoras: acolhendo o aluno-sujeito. São Paulo: Escuta: Fapesp, 2017, p. 9-16.
TASSONI, E. C. M. Afetividade e aprendizagem: a relação professor-aluno. In: REUNIÃO ANUAL DA ANPEd, 23, 2000, Caxambu. Anais… Caxambu: ANPEd, 2000.
VYGOTSKY, L. S. A construção social do pensamento e da linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

Para ler na íntegra, acesse: https://novaescola.org.br/conteudo/18215/por-que-usar-a-afetividade-para-mobilizar-adolescentes

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Conheça a nova edição, lançada em 2019, do livro Piaget, Vigostski, Wallon, da Summus Editorial:

PIAGET, VIGOTSKI, WALLON – EDIÇÃO REVISTA
Teorias psicogenéticas em discussão
Autores: Yves de La TailleMarta Kohl de OliveiraHeloysa Dantas


Jean Piaget, Lev S. Vigotski e Henri Wallon são os três maiores teóricos estudados no universo da educação e da psicologia. Nesta edição revista de uma obra consagrada por crítica e público, Yves de La Taille, Marta Kohl de Oliveira e Heloysa Dantas traduzem para o leitor o pensamento vivo desses autores.

Analisando as ideias de Piaget, Yves de La Taille aborda conceitos como ser social, ética, autonomia, coerção versus colaboração e obediência versus justiça. Ao esclarecer os principais construtos da teoria construtivista, ele ressalta a importância da afetividade na educação.

Debruçando-se sobre os contrutos de Vigotski, Marta Kohl de Oliveira destaca tópicos como linguagem, formação de conceitos e metacognição. Partindo de uma abordagem holística do ser humano, a autora analisa a fundo a abordagem sócio-histórica e as implicações da afetividade para a cognição.

Já Heloysa Dantas dedica-se ao pensamento de Henry Wallon, destacando a emoção como instrumento típico da espécie humana e mostrando a interligação entre afetividade e inteligência – concluindo, como seus colegas, que a comunicação afetiva é fundamental para uma educação efetiva.

Trata-se, definitivamente, de um livro fundamental na área da pedagogia.

‘TDAH: TRANSTORNO APARECE NA INFÂNCIA E ACOMPANHA A PESSOA POR TODA A VIDA’

Matéria de Luíza Tiné, publicada originalmente
no Blog da Saúde│UOL VivaBem, em 14/08/2019.


Nem sempre os pais levam a sério quando escutam que o filho não se concentra na sala de aula. Mas você sabia que isso pode ser TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade)? Esse transtorno é neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a vida e se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.

Segundo a ABDA (Associação Brasileira de Déficit de Atenção), o distúrbio afeta de 3% a 5% das crianças em idade escolar e sua prevalência é maior entre os meninos. Uma das características mais fortes da síndrome é a dificuldade para manter o foco nas atividades e a agitação motora, o que podem prejudicar o aproveitamento escolar.

Na prática, isso significa “questões relacionadas à leitura e escrita, queixas escolares, dificuldades no reconhecimento de algumas palavras, em alguns casos, atraso de fala na compreensão e na decodificação das palavras. O desempenho acadêmico, por exemplo, não é equivalente a uma criança de sua idade e isso implica no seu desenvolvimento”, explica a fonoaudióloga Luiza Aline Monteiro, da Meic (Maternidade Escola Januário Cicco), vinculada à UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e à Rede Ebserh. “Dependendo do apoio que a criança ou adolescente recebe, eles terão mais, ou menos, problemas”, completa.

Se o TDAH for entendido como um transtorno do neurodesenvolvimento, é possível compreender que existem diferenças entre o cérebro de uma criança com TDAH e outra que não tem. “A incapacidade de resposta ao estímulo tem uma relação com circuitos neuronais, que é associado com o córtex pré-frontal, ou seja, muitas vezes a pessoa pode ter o quadro comportamental nítido, mas tem também esse impacto neurológico nesse transtorno”, afirma Rachel Schlindwein-Zanini, neuropsicóloga do Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina e vinculado à Rede Ebserh.

O córtex pré-frontal localizado em nosso cérebro tem maior impacto em crianças com TDAH. Essa é uma parte importante, que tem a função de autorregulação comportamental. É por meio dele que se desenvolve a concentração, controle de impulsos, memória operacional, planejamento, flexibilidade cognitiva, autorregularão emocional, tomada de decisão e conscientização. “Uma parte normal importante para o crescimento”, complementa a neuropsicóloga.

Para Monteiro, compreender o desenvolvimento do córtex pré-frontal contribui para o progresso das funções. A criança e o adolescente com esse distúrbio têm dificuldade de compreender as coisas, por isso, é preciso reforços de profissionais. “Quando a gente faz uma leitura, automaticamente a gente faz construção de imagem. Já a criança com TDHA tem essa dificuldade, por conta disso, uma consequência óbvia é que ela terá comprometimento de leitura e escrita” explica.

Diagnóstico

A neuropsicóloga conta que muitas pessoas não se atentam ao diagnóstico de TDHA por falta de informação. “De modo geral, o diagnóstico é multidisciplinar, a criança deve ser atendida por um neuropsicólogo, neurologista, psiquiatra ou psicólogo clínico, fonoaudiólogo e pode também ter uma colaboração outros profissionais”, explica.

Para efeito de diagnóstico, é preciso observar os sintomas que se manifestam ainda na infância, antes dos sete anos e em pelo menos em dois ambientes diferentes (casa, escola, lazer), durante, no mínimo, seis meses. Normalmente o problema fica claro nos primeiros anos de escola, apesar de estar presente desde o nascimento.

Tratamento

A intervenção nesses casos prevê uma atuação que envolva familiares, escola e criança. A multidisciplinariedade é prevista em casos de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, com o envolvimento de profissionais como psicólogo, médico, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional. Quando orientado, o tratamento deve ser medicamentoso, além de contar com a equipe da USF (Unidade de Saúde da Família), que poderá garantir melhores progressos no tratamento do paciente.

Schlindwein-Zanini explica que, quando se tem um atendimento multidisciplinar, os resultados surgem rapidamente. “Quando esse trabalho é feito, a comunicação melhora, a criança amplia seu vocabulário, suas possibilidades, além disso, melhora a organização de pensamento e da compreensão do transtorno”, conta.

Outro destaque é para a realização das atividades que devem ser feitas em um período curto. “É preciso promover jogos e atividades lúdicas, com atividades que gerem prazer para criança e não podem ser muito longas, justamente pela dificuldade de atenção à criança. Ela precisa compreender o seu transtorno”, reforça a especialista. Segundo ela, as essas atividades curtas ajudam as crianças a se organizar no tempo dela. “A organização também precisa ser trabalhada e as crianças respondem muito bem a isso com estímulo, é importante elogiar e mostrar que elas estão evoluindo”, finaliza.

Para ler na íntegra, acesse: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/08/14/tdah-transtorno-aparece-na-infancia-e-acompanha-a-pessoa-por-toda-a-vida.htm

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Tem interesse pelo assunto? Conheça:

TDAH E MEDICALIZAÇÃO
Implicações neurolinguísticas e educacionais do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade
Autoras: Rita SignorAna Paula Santana
PLEXUS EDITORA


Esta obra representa uma significativa contribuição a um debate que tem mobilizado pais, educadores, estudantes e profissionais de saúde: o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e a medicalização da educação. Medicalizar significa transformar aspectos de ordem social, pedagógica, cultural e afetiva em doença (transtorno, distúrbio). Partindo dessa realidade inquietante, Rita Signor e Ana Paula Santana mostram os problemas de deixar de lado o contexto social e a história de cada criança ao avaliá-la, apontando o papel da formação dos profissionais (de educação e saúde) na produção do chamado TDAH. Seguindo esse entendimento, as autoras questionam a qualidade do ensino no Brasil, o excesso de diagnósticos voltados ao campo educacional, os testes padronizados da área da saúde, o crescente consumo de medicamentos e as políticas públicas, entre outros fatores que legitimam o fenômeno da medicalização. Amparadas na perspectiva sócio-histórica, refletem sobre essas e outras questões neste livro corajoso e pioneiro, que conta também com dois estudos de caso que comprovam que a afetividade do educador e o trabalho interdisciplinar na escola podem mudar o futuro de muitos adolescentes e crianças.

‘A CIÊNCIA POR TRÁS DA TIMIDEZ’

Texto de Sarah Keating, da BBC, publicado no UOL em 13/08/2019.

A ideia de se enturmar em uma festa te tira a vontade de sair de casa? Ou só de pensar em fazer uma apresentação para uma sala cheia de pessoas te faz ficar angustiado dias antes deste evento de fato acontecer?

Se sim, então você não está sozinho.

Akindele Michael era um garoto tímido. Crescendo na Nigéria, ele passou muito tempo no interior da casa de seus pais. Estes, aliás, não são tímidos. Michael acredita que sua criação dentro de casa explica sua timidez. Ele está certo?

Está em parte, responde Thalia Eley, professora de genética do desenvolvimento e do comportamento no King’s College London.

“Pensamos na timidez como um traço de temperamento, e temperamento é uma espécie de precursor da personalidade”, explica. “Quando crianças muito pequenas começam a se envolver com outras pessoas, você percebe uma variação no conforto que sentem ao falar com um adulto desconhecido.”

Eley diz que apenas cerca de 30% da timidez como característica se deve à genética; o resto vem como uma resposta ao entorno.

A maior parte do que sabemos sobre a genética da timidez vem de estudos que compararam esta característica em gêmeos idênticos – cópias genéticas perfeitas um do outro – com gêmeos não-idênticos – que compartilham apenas metade dos mesmos genes.

Na última década, cientistas como Eley começaram a examinar o DNA em si para tentar encontrar variantes genéticas que possam afetar a personalidade e a saúde mental.

Cada variante genética individual tem um efeito minúsculo, mas quando você considera as milhares de combinações possíveis, o impacto começa a ser mais perceptível. Mesmo assim, a influência dos genes na timidez não pode ser tomada isoladamente.

“Não haverá um, dez ou cem genes envolvidos. Haverá milhares”, diz Eley. “Então, se você pensar em todo o genoma de ambos os pais [de uma criança], existem centenas de milhares de variantes genéticas relevantes”.

Assim, o ambiente é quase mais importante para desenvolver esses tipos de características, ela diz. E uma das coisas interessantes sobre genética é que isso nos leva a nos conectar com aspectos do ambiente que correspondem às nossas predisposições reais.

Por exemplo, uma criança tímida pode ser mais propensa a se isolar em um playground e assistir aos outros em vez de se envolver. Isso faz com que crianças assim se sintam mais confortáveis ??estando sozinhas, porque isso se torna sua experiência recorrente.

“Não é que seja um ou outro: são ambos [genética e ambiente] trabalhando juntos “, diz a pesquisadora. “É um sistema dinâmico. E por causa disso, é sempre possível mudá-lo através de terapias psicológicas.”

A timidez é necessariamente uma coisa ruim?

Chloe Foster, psicóloga clínica do Centro de Transtornos de Ansiedade e Trauma em Londres, diz que a timidez em si é bastante comum, normal e não causa problemas – a menos que se transforme em uma ansiedade social maior.

Foster diz que as pessoas que trata buscam ajuda quando “estão começando a evitar coisas que precisam fazer”, como falar com outras no trabalho, socializar ou estar em uma situação em que acham que serão julgadas.

Eley acredita que pode haver razões evolucionárias para as pessoas desenvolverem traços de personalidade tímidos.

“Era útil ter pessoas do grupo lá fora, explorando e participando de novas comunidades; mas também era útil ter pessoas mais avessas ao risco, conscientes das ameaças. Estas faziam um trabalho melhor protegendo os filhotes jovens, por exemplo”, diz Eley.

A pesquisadora avalia que a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a mais eficaz para pessoas com timidez e ansiedade social. Essa terapia, baseada em evidências, funciona tentando mudar padrões de pensamento e comportamento.

A TCC ajuda, por exemplo, a identificar pensamentos negativos ou comportamentos que acreditamos nos ajudar, mas na verdade podem estar gerando mais ansiedade social – como ensaiar com antecedência uma fala ou evitar o contato visual.

Às vezes, o problema é que pessoas tímidas que sofrem com situações como falar em público muitas vezes estabelecem padrões muito elevados para como essas situações devem se desenrolar, explica Foster.

“Elas podem achar que não podem tropeçar nas palavras… ou que têm que ser tão interessantes que todos devem ficar totalmente fascinados no que estão dizendo o tempo todo.”

Se estas pessoas forem capazes de aliviar um pouco da pressão sobre si mesmos, de fazer curtas pausas para respirar, a ansiedade pode ser um pouco aliviada.

Outra coisa que pode ajudar é se concentrar externamente no que está acontecendo ao redor, em vez de internamente em como a ansiedade está fazendo você se sentir fisicamente. Concentrar-se no público, em vez de em si mesmo, pode contribuir.

Desafiar-se a estar mais aberto a novas situações também pode ajudar: “Quanto mais você puder se envolver em situações sociais, mais confiante ficará. Mas lembre-se de abordar estas situações sociais de uma maneira nova também”.

Ou seja: é importante mudar o script (roteiro). Pergunte a si mesmo o que mais teme sobre situações sociais. Você está preocupado em parecer chato? Ou ficar sem coisas para dizer? Quanto mais você conhecer sua ansiedade, mais poderá começar a desafiá-la.

Qual é a diferença entre timidez e introversão?

Jessie Sun, doutoranda na Universidade da Califórnia em Davis que pesquisa a psicologia por trás da personalidade, destaca que a timidez e a introversão não são a mesma coisa.

Enquanto para muitas pessoas a introversão tem a ver com o interesse em explorar pensamentos, para os psicólogos ela faz parte de uma dimensão diferente da personalidade: a abertura a experiências.

Pessoas tímidas são comumente introvertidas, mas elas também podem ser extrovertidos cuja ansiedade atrapalhou a sociabilidade. E os introvertidos não-tímidos podem ser socialmente hábeis, mas que preferem a própria companhia.

Sun diz que “a personalidade é consistentemente um dos mais fortes indicadores da felicidade, e a extroversão tem associações especialmente consistentes com o bem-estar”.

“As pessoas que são extrovertidas tendem a experimentar mais sentimentos de entusiasmo e alegria, enquanto as introvertidas tendem a sentir essas coisas com menos frequência”, explica.

Mas os introvertidos poderiam absorver um pouco dessa alegria e entusiasmo simplesmente agindo de forma extrovertida?

Sun e seus colegas fizeram um experimento. Eles pediram para as pessoas agirem com extroversão por uma semana inteira – um tempo demorado para quem é tímido.

“Pedimos a elas que agissem de forma ousada, falante, ativa e assertiva o máximo possível”, lembra.

A equipe descobriu que, para pessoas normalmente extrovertidas, agir consistentemente desse jeito ao longo de uma semana significou que elas experimentaram mais emoções positivas e se sentiram mais “autênticas”.

Mas as mais introvertidas não experimentaram essa “injeção” de emoções positivas. Aquelas extremamente introvertidas chegaram a se sentir cansadas e experimentaram mais emoções negativas.

“Eu acho que a principal lição é: provavelmente é demais pedir a pessoas introvertidas ou muito tímidas que ajam de forma extrovertida por uma semana inteira. Mas elas podem considerar ‘atuar’ extrovertidamente em algumas poucas ocasiões”, diz Sun.

E a cultura?

Vimos como o ambiente desempenha um papel importante no fato de sermos tímidos ou não. Mas a cultura também pode influenciar?

Diz-se que os Estados Unidos valorizam o comportamento confiante e extrovertido em detrimento da introversão, enquanto estudos descobriram que em partes da Ásia, como no Japão e na China, é mais desejável ser quieto e reservado.

Atitudes em relação ao contato visual também variam enormemente de país para país.

Kris Rugsaken, professor aposentado de estudos asiáticos na Ball State University, diz que “enquanto um bom contato visual é esperado e valorizado no Ocidente, é visto como sinal de desrespeito e desafio em outras culturas, incluindo asiáticas e africanas”.

“Quanto menos contato visual esses grupos tiverem com um indivíduo, mais respeito eles demonstram.”

Apesar dessas diferenças culturais, Sun diz que a pesquisa parece mostrar que os extrovertidos tendem a ser mais felizes mesmo nos países onde a introversão é mais respeitada, mas o grau de felicidade é menos acentuado nesses lugares.

Assim, embora a pesquisa sugira que os extrovertidos acabam sendo mais felizes onde quer que estejam no mundo, ser introvertido não é necessariamente negativo – assim como ser extrovertido nem sempre é positivo.

“Não pense na introversão como algo a ser curado”, escreve Susan Cain em seu livro O poder dos quietos. “Há uma correlação zero entre ser o mais falante e ter as melhores ideias”.

Este artigo foi adaptado de “Why am I shy?”, um episódio do programa radiofônico CrowdScience, do serviço mundial da BBC, apresentado por Datshiane Navanayagam e produzido por Cathy Edwards. Para ouvir mais episódios do CrowdScience (em inglês), clique aqui.

Para ler na íntegra o texto publicado no UOL, acesse: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/bbc/2019/08/13/a-ciencia-por-tras-da-timidez.htm

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