‘MACHISMO, SEXISMO E MISOGINIA: QUAIS SÃO AS DIFERENÇAS?’

Matéria de Heloísa Noronha, publicada no Universa, do UOL, em 03/12/2018 .

Esses três conceitos podem estar relacionados, mas cada um deles tem especificidades importantes e, normalmente, são combatidos por quem defende as mulheres. É válido ressaltar que machismo, sexismo e até mesmo misoginia não são cultuados apenas pelo sexo masculino. Há muitas mulheres que acreditam que são inferiores aos homens em certos aspectos e que não devem ter os mesmos direitos que eles. Esses valores costumam ser perpetuados, principalmente, na família, e aprendidos logo na primeira infância.

Machismo

Tem como raiz uma palavra latina (macho) e trata-se, principalmente, do enaltecimento do sexo masculino sobre o feminino, expresso por comportamentos, opiniões e sentimentos que declaram a desigualdade de direitos entre os dois. Sendo assim, machista é toda pessoa que julga a mulher como inferior ao homem em aspectos físicos, culturais e intelectuais. Sabe aquelas piadinhas que dizem “lugar de mulher é na cozinha” ou “mulher só sabe pilotar fogão”? Pois é. O machismo desqualifica a mulher perante o homem e é a principal causa do feminicídio por perpetuar a crença de que, numa relação, o parceiro é o “dono” da parceira.

Misoginia

A origem da palavra misoginia vem do idioma grego e significa ódio à mulher. É diferente do machismo por envolver um forte conteúdo emocional à base de repulsa e aversão. Geralmente é decorrente da fase de construção da identidade masculina e costuma ser um resquício da dificuldade de elaboração dos sentimentos ambíguos de amor e ódio em relação às figuras parentais. Pode, ainda, indicar insegurança em relação à própria masculinidade, o que propicia o desejo de ser cruel com a mulher. Alguns estudiosos destacam que a misoginia só se aplica àquelas que não correspondem a um certo “ideal” do que significa ser mulher – por exemplo, ser uma boa mãe ou uma boa esposa. Quando a repulsa é destinada aos homens é chamada de misandria.

Sexismo

O sexismo, em princípio, se baseia na ideia de que o homem é melhor e mais competente do que a mulher, uma concepção que se assemelha ao machismo, mas vai além. Trata-se de uma atitude discriminatória que define quais usos e costumes devem ser respeitados por cada sexo, desde o modo de vestir até o comportamento social adequado. Ser sexista não é privilégio do grupo masculino, pois mulheres ou gays também podem adotar seu discurso. A sociedade, de maneira geral, é sexista e educa as crianças de forma a reproduzir modelos binários em que a tendência é de que um sexo deva ser complementar ao outro. Ter medo de que um menino “vire gay” por brincar com boneca é um pensamento sexista. Já a expressão “mulheres são de Marte e homens são de Vênus” é sexista por constranger os sexos a serem de uma determinada forma, tanto em relação ao seu comportamento quanto em relação ao seu caráter. Outro exemplo é colocar as mulheres sempre na condição de vítima, ideia que sinaliza uma condição de eterna submissão. Uma das consequências da cultura sexista é a homofobia e a desigualdade de poder, oportunidades e salários que homens e mulheres vivem no mundo profissional.

FONTES:
Ana Maria Fonseca Zampieri, sexóloga e autora do livro “Erotismo, Sexualidade, Casamento e Infidelidade (Ed. Ágora), e Malvina Muszkat, psicanalista e autora do livro “O Homem Subjugado – O dilema das masculinidades no mundo contemporâneo” (Ed. Summus)

Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2018/12/03/machismo-sexismo-e-misoginia-quais-sao-as-diferencas.htm

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Conheça os livros mencionados acima:

EROTISMO, SEXUALIDADE, CASAMENTO E INFIDELIDADE
Sexualidade Conjugal e Prevenção do HIV e da AIDS
Autora: Ana Maria Fonseca Zampieri
EDITORA ÁGORA

Este livro aborda temas tabus no cenário do casamento brasileiro heterossexual, colocando em evidência a questão da AIDS. Ele contém vários aspectos da visão do mundo, da ciência e das relações de gênero. É obra imprescindível aos profissionais que trabalham com seres humanos tanto do ponto de vista psicológico e clínico, como social. A vasta bibliografia é, em si, muito valiosa.

 

O HOMEM SUBJUGADO
O dilema das masculinidades no mundo contemporâneo
Autora: Malvina E. Muszkat
SUMMUS EDITORIAL

Neste livro, a autora Malvina Muszkat propõe que se repense o fenômeno da violência sob a perspectiva da subjetividade masculina na dinâmica dos relacionamentos, de forma a buscar maneiras mais eficientes de se promover o dialogo e evitar o confronto. Transitando por áreas como antropologia, sociologia, mitologia e psicanálise, Malvina mostra como a imagem da masculinidade foi construída ao longo dos séculos e de que forma os homens foram proibidos de demonstrar seus medos e fraquezas.
Talvez seja possível criar homens com comportamentos diferentes dos usualmente atribuídos a eles em nossa sociedade. Se não há apenas uma forma de ser mulher, por que haveria apenas uma forma de ser homem?

GUIA DE SOBREVIVÊNCIA À TRAIÇÃO

A edição de fevereiro da revista Women´s Health teve a participação da psicóloga Ana Maria Fonseca Zampieri, autora do livro Erotismo, sexualidade, casamento e infidelidade (Editora Ágora). Na reportagem, ela afirma que a infidelidade é uma decisão de quem trai. “Porém, de alguma maneria, ambos favoreceram para que o deslize acontecesse”. Leia  íntegra: http://goo.gl/k4cix8.

20871O que se lê em Erotismo, Sexualidade, Casamento e Infidelidade é resultado de uma vasta pesquisa realizada pela autora, durante mais de 10 anos, envolvendo casais de todas as classes sociais. “O objetivo é mostrar que a infidelidade sexual – com ou sem envolvimento afetivo – é um fenômeno complexo que sempre existiu e está ligado a várias formas de repressão sexual enfrentadas por mulheres e homens”, explica a autora. “Nossa cultura deseduca e desprepara as pessoas para uma vida erótica saudável no casamento. Ainda nos restringimos mais às técnicas de sexo reprodutivo e não as de sexo erótico”.

Ana Maria afirma, ainda, que muitas pessoas não se dão conta do potencial da própria sexualidade. “A autoestima sexual das mulheres ainda é muito baixa. Muitas não conseguem negociar o sexo seguro, seja com o amante ou com o marido. Ainda praticam um sexo que agrade aos homens e as autoconfirme como mulheres.”

Outra questão que a autora aborda  no livro é o alto nível de expectativa que a mulher tem com relação ao parceiro. “Ela espera que ele a ajude a descobrir sua própria capacidade orgásmica, quando ela mesma não se conhece. Os homens não foram educados a respeito das mulheres”, conta Ana. “Com isso, elas acabam se frustrando porque os maridos não são capazes de satisfazê-las. Os maridos, por sua vez, se frustram porque se sentem impotentes e se escondem desse fracasso, buscando a infidelidade para realizar seus desejos fora do casamento.”

A autora propõe aos casais formas de comunicação entre marido e mulher. Para o necessário autoconhecimento sexual, ela indica a autoexploração – a masturbação, que ainda hoje, é considerada tabu e frequentemente vinculada à ideia de solidão e não de parceria.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/853/Erotismo,+Sexualidade,+Casamento+e+Infidelidade