‘O QUE CAUSA O TRANSTORNO DO PÂNICO?’

………………………………____Artigo publicado originalmente no Blog do Luiz Sperry, no Portal VivaBem, UOL, em 30/07/2018.

Junto com a depressão, o transtorno do pânico é a doença psiquiátrica mais emblemática da atualidade. Não é uma doença propriamente nova, já podemos encontrar relatos precisos de quadros muito parecidos com isso que hoje chamamos pânico há mais de 150 anos. Emil Kraepelin, o maior dos psiquiatras de seu tempo descreveu um quadro chamado por ele de “neurose de terror” (Schrekneurose). Freud, o pai de todos psicanalistas, também escreveu sobre o assunto, que chamou de “neurose de angústia”.

Pois bem, existem evidentemente pequenas diferenças entre essas descrições antigas e aquilo que hoje chega na nossa clínica com o nome de transtorno do pânico. Mas são bem pequenas.

De uma maneira geral, o paciente com pânico tem dois tipos de sintomas: os físicos e os psíquicos.

Os sintomas físicos são diversos, sempre exuberantes: taquicardia, sudorese, falta de ar, dores no peito, tremores, formigamentos, dores abdominais, tontura, entre outros. Já os sintomas psicológicos em geral são: medo de morrer, medo de ficar louco para sempre e um certo estranhamento, como se o paciente não reconhecesse a si nem ao entorno.

Esses sintomas aparecem de uma hora para outra, como diriam os americanos “out of the blue”. Rapidamente ficam muito intensos, de modo que não é raro o paciente ir parar no setor de emergência dos hospitais. Essa crise que eu acabei de descrever se chama ataque de pânico. Ela é a base do transtorno do pânico.

A partir do momento em que você passa a ter crises repetidas é comum acontecer uma certa evitação de certos comportamentos e lugares que podem desencadear essas crises, ou mesmo um medo intenso de se ter o ataque numa situação não haja ninguém por perto para ajudar. O desamparo aparece então como um elemento central do pânico. Os ataques repetidos associados a esses pensamentos e limitações são o tal transtorno do pânico.

Mas aí se impõe a pergunta inicial que dá título a esse texto. Como surge isso tudo? A psiquiatria não se debruça longamente sobre o assunto. Vai dizer que o organismo está funcionando normalmente, o que não deixa de ser surpreendente tendo em vista a quantidade enorme que sintomas físicos que surgem “out of the blue”, como dizem os americanos. Isso vai provocar também uma dificuldade de aceitação da doença, uma vez que as pessoas associam, erroneamente,  “nada físico” com “doença nenhuma”. Isso leva a conflitos desnecessários e a uma série de abandonos de tratamento que poderiam ser evitados com um diálogo mais elaborado.

Gosto mais de uma explicação psicodinâmica do pânico. Freud dizia a respeito da neurose de angústia que era uma neurose atual. Com isso ele queria dizer que era uma doença causada por um distúrbio na vida sexual do paciente, atual, em oposição a outras doenças que teriam a ver com traumas do passado. Pessoalmente discordo dessa etiologia ser estritamente sexual, mas enxergo o pânico como resultado de uma série de possíveis conflitos na vida atual da pessoa.

Às vezes está na cara. Um casamento falido, contas para pagar, impagáveis, familiares doentes, metas impossíveis no trabalho. Ou ainda, porque não, uma vida sexual inteira que poderia ter sido e não foi. Em outros momentos o conflito não vem de bandeja; é necessária uma investigação mais cuidadosa dos possíveis motivos do surgimento dos sintomas.

Mas de uma forma geral considero a crise um grande alerta. Algo dentro de nós gritando: o que você está fazendo da sua vida? Temos uma tendência enorme a seguir em frente sem refletir sobre as nossas decisões e isso muitas vezes cobra um preço.

Por isso que mesmo tendo uma resposta tão boa aos antidepressivos, o transtorno do pânico insiste em voltar. É uma doença com uma recorrência muito grande, justamente porque muitas vezes as condições que levaram a ela não foram descobertas ou mesmo investigadas. Aí é como adiar o alarme para dormir mais alguns minutos. Não resolve e muitas vezes perdemos a hora.

Para acessar na íntegra: https://luizsperry.blogosfera.uol.com.br/2018/07/30/o-que-causa-o-transtorno-do-panico/

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça:

 

 

ANSIEDADE, FOBIAS, SÍNDROME DO PÂNICO
Esclarecendo suas dúvidas
Coleção Guias Ágora
Autora: Elaine Sheehan
EDITORA ÁGORA

Milhares de pessoas sofrem de síndrome do pânico ou de alguma das 270 formas de fobias conhecidas. O livro aborda os diferentes tipos de ansiedade, fobias, suas causas e sintomas. Ensina meios práticos para ajudar a controlar o nível de ansiedade e orienta quanto à ajuda profissional quando necessária.

‘ANSIEDADE: SINTOMAS FÍSICOS E PSICOLÓGICOS VÃO DE TAQUICARDIA A INSÔNIA’

………………… Texto parcial de matéria de Tatiana Pronin, publicada no portal VivaBem em 17/07/2018.

Todo mundo já teve essa sensação de que algo ruim pode acontecer, muitas vezes acompanhada por “batedeira no peito”, suor ou “embrulho no estômago”. A ansiedade é um estado que se parece muito com o medo e tem uma função importantíssima para a sobrevivência e adaptação ao ambiente. É o que nos permite lutar ou fugir, por exemplo, diante de alguém que não respeita a lei ou de um motorista que não viu o sinal ficar vermelho.

Além de motivos concretos para se preocupar, como assaltos, trânsito caótico, desemprego e doenças, cada indivíduo tem suas ameaças pessoais, ou “encanações”, que podem até não fazer muito sentido quando analisadas à luz da razão: se o filho não come verdura, não significa que vai adoecer. Se o marido chega tarde, não significa que tem uma amante. Algumas pessoas ainda chegam a passar mal, ou reagem de forma “desadaptativa”, a situações ou objetos que os outros consideram comuns ou até divertidos, como shoppings lotados, eventos sociais, aviões ou pontes.

Quando a reação é tão intensa que nos impede de se proteger e lutar de forma eficaz, é desproporcional ao estímulo ou torna-se crônica, há enorme sofrimento e perdas – é quando a ansiedade vira doença. Além do chamado transtorno de ansiedade generalizada (TAG), existem outros, como pânico, fobias e ansiedade social. O estresse pós-traumático e o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) também são classificados como transtornos de ansiedade.

Prevalência

O Brasil ganhou o preocupante título de campeão de ansiedade no mais recente relatório sobre o tema publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS): 9,3% da população sofre com o problema de acordo com o documento, valor que é o triplo da média mundial, e supera de longe os Estados Unidos (6,3%). Assim como em outros continentes, as mulheres são as mais afetadas nas Américas: 7,7% sofrem de ansiedade, contra 3,6% dos homens.

Quando se considera o risco pessoal de sofrer com o problema, a proporção é mais alta: “Algo como 23% da população apresenta um transtorno de ansiedade ao longo da vida”, afirma Marcio Bernik, coordenador do programa de ansiedade (Amban) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPQ-HC/FMUSP). “Desses transtornos, os mais frequentes são as fobias, mais particularmente as específicas, que ocorrem muitas vezes na infância, como de insetos, altura e outras situações”, descreve. Em segundo lugar aparece a ansiedade (ou fobia) social, com quase 10%. Os transtornos de ansiedade generalizada (TAG) e de pânico têm prevalências menores.

Quais os sintomas de quem sofre de ansiedade?

As manifestações envolvem desde sensações subjetivas de medo e apreensão, além de pensamentos catastróficos e sintomas físicos. O corpo todo pode ser afetado pela liberação de substâncias como a noradrenalina e o cortisol, que ativam a atenção, aumentam a pressão sanguínea e os batimentos cardíacos para preparar o organismo para reagir. Sem perceber, a pessoa inala mais ar do que precisa (hiperventilação), o que piora tudo: “Diminui muito o nível de gás carbônico no sangue, acionando receptores que ficam nas carótidas e que mandam sinais equivocados ao cérebro”, relata Fernanda Sassi, médica do ambulatório de transtorno de personalidade e do impulso do IPQ – HC/FMUSP.

Sintomas psicológicos:

  • Apreensão
  • Medo
  • Angústia
  • Inquietação
  • Insônia
  • Dificuldade de concentração
  • Incapacidade de relaxar
  • Sensação de estar “no limite”
  • Preocupações com desgraças futuras
  • Pensamentos catastróficos, de ruína ou adoecimento

Sintomas físicos:

  • Sudorese
  • Falta de ar
  • Hiperventilação
  • Boca seca
  • Formigamento
  • Náusea
  • “Borboletas” no estômago
  • Ondas de calor
  • Calafrios
  • Tremores
  • Tensão muscular
  • Dor no peito
  • Taquicardia (coração acelerado)
  • Sensação de desmaio
  • Tonturas
  • Urgência para ir ao banheiro

Para ler a matéria completa, acesse: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/07/17/ansiedade-o-que-e-quais-os-tipos-os-sintomas-e-tratamentos-mais-eficazes.htm

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Tem interesse pelo assunto? Conheça o livro do psiquiatra especializado em transtornos de ansiedade e depressões, Breno Serson:

 

TRANSTORNOS DE ANSIEDADE, ESTRESSE E DEPRESSÕES
Conhecer e tratar
MG EDITORES

Insônia, falta ou excesso de apetite, falta de ar, tonturas, medos, aperto no peito, pensamentos angustiantes. Esses e outros sintomas físicos e mentais podem indicar um transtorno de ansiedade ou depressão, que atinge cada vez mais nossa sociedade contemporânea. Este livro objetiva partilhar conhecimento, em linguagem simples, sobre os transtornos ansiosos e depressivos e os tipos de tratamento disponíveis, refletindo sobretudo sobre a integração de tratamentos convencionais e de medidas gerais benéficas.

‘COMO CONTROLAR A ANSIEDADE? DE ONDE ELA VEM?’

O cérebro fica em uma espécie de estado de alerta com relação a situações que ainda não ocorreram

Quando estamos prestes a enfrentar acontecimentos importantes, como uma prova difícil, ou mesmo diante de eventos do dia a dia, como o medo do chefe por aquele trabalho atrasado ou o receio do trânsito na volta para casa, não é incomum ficarmos ansiosos.

Nesses casos, colocamos nosso cérebro em uma espécie de estado de alerta com relação a situações que ainda não ocorreram.

“São situações de ameaça, mas de ameaça não concretizada, algo que imaginamos”, diz o psicólogo Cristiano Nabuco, do Instituto de Psiquiatria da USP. “Costumo dizer que a depressão é um excesso de passado, ao passo que a ansiedade é um excesso de futuro.”

Quando o cérebro entende que estamos em uma situação de perigo, ele reage. Há liberações altas de neurotransmissores e do hormônio cortisol, envolvido na reação de estresse –a respiração fica mais curta, os músculos tensionam, o sangue flui da extremidades para o coração, que passa a bater mais rápido.

De acordo com Nabuco, a tecnologia, a despeito de seus benefícios, colabora para criar ou intensificar situação de ansiedade.

“Tudo se processa hoje de forma quase instantânea. Toda hora somos procurados, estimulados, incitados… Esse excesso de estimulação estressa o cérebro”, diz. O Brasil é o país com maior prevalência de ansiedade no mundo, segundo dados da OMS: 9,3% da população.

O psicólogo sugere algumas medidas para controlarmos a ansiedade:

  1. Faça apenas uma coisa de cada vez;
  2. Respeite o ritmo biológico e busque manter uma rotina diária e semanal;
  3. Pratique atividades físicas regularmente;
  4. Tente fazer exercícios de respiração;
  5. Experimente fazer alguns minutos de meditação diária.

Em situações em que a ansiedade se torna crônica e a pessoa perde o controle das emoções, é recomendável que ela procure um psicólogo ou um psiquiatra.

O tratamento normalmente envolve terapia e uso de remédios, incluindo ansiolíticos, antidepressivos e sedativos, que não devem ser utilizados sem acompanhamento médico.

Publicado na Folha de S. Paulo, em 17/05/2018. Para acessar na íntegra: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/05/como-controlar-a-ansiedade-de-onde-ela-vem.shtml

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‘SINAIS DA ANSIEDADE: COMO A DOENÇA AFETA O SEU CORPO’

Mais de 18 milhões de brasileiros vivem com algum transtorno de ansiedade (são 9 subtipos). Veja sinais comuns da ansiedade

Ansiedade é um processo do cérebro, desencadeado quando estamos diante de um desafio, como uma prova ou uma entrega do trabalho. O problema é quando, seja por estímulos estressantes constantes ou outros fatores, a angústia cresce sem parar. Veja sinais de que você está ansioso. Por Chloé Pinheiro, colaboração para o VivaBem*

Pavio curto

A pessoa fica mais irritadiça e nervosa, sente-se no limite, aborrecida e perde a paciência rapidamente, como se fosse explodir a qualquer momento. Não estamos falando de ficar bravo ou irritado toda segunda-feira ou quando uma reunião vai mal. Para que isso seja um sintoma, é preciso que esses sentimentos e emoções ocorram com frequência

Preocupação por nada

Eis um dos traços clássicos do TAG (transtorno de ansiedade generalizada): quando a preocupação deixa de ser pontual para virar angústia contínua e incontrolável em relação a eventos futuros que não deveriam ter tanto peso. Sentir medos irreais de que coisas horríveis aconteçam com você ou com os outros também é um sinal

Noites em claro

A insônia que dura dias e aparece por meses seguidos é um dos principais indícios de que a tensão talvez tenha virado doença. Com a mente acelerada, a cabeça não engrena no sono. Ao mesmo tempo, as poucas horas de descanso são facilitadoras da ansiedade

A mil por hora

O turbilhão de pensamentos faz da agitação uma constante: às vezes, é difícil até permanecer sentado por muito tempo. A dificuldade de concentração também pode aparecer, assim como o cansaço fácil

Comportamento mudado

Às vezes, estamos tão presos na teia de preocupações e angústias que não percebemos as mudanças no nosso próprio comportamento. Pessoas mais próximas podem comentar que você anda acelerado demais, grosso, ou muito tenso. Não deixe de escutar essas pessoas

O supertrabalhador

Pessoas que têm TAG costumam se dar bem empregos com muitas demandas. A mente inquieta se distrai com os afazeres múltiplos e, assim, elas parecem meros funcionários eficientes

Perdendo o controle

A falta de organização é uma característica da pessoa preocupada ao extremo. Nesse afã de dar conta de tudo, ela pode se atrapalhar no planejamento e acumular muitas tarefas para realizar ao mesmo tempo. Mais uma fonte de angústia

Quando o corpo sente

A apreensão cansa e bagunça não só o cérebro, mas o organismo todo. As dores de cabeça surgem, assim como outras dores musculares –principalmente nas costas– provocadas por tensão. Os anos de ansiedade não tratada também aumentam o risco de doenças cardíacas, como a hipertensão

Outros sintomas

Dor intensa no peito, dificuldade de respirar, tremedeiras, comportamentos compulsivos, medo extremo de morrer ou enlouquecer e outros podem ser sinais de outros transtornos da mesma família, que frequentemente coexistem na mesma pessoa. Vale fazer a diferenciação no médico, até mesmo porque eles têm tratamentos diferentes

* Matéria publicada no portal VivaBem, do UOL. Para acessá-la na íntegra: https://vivabem.uol.com.br/album/2018/04/09/sinais-da-ansiedade.htm?foto=1

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‘ANSIEDADE PODE VIRAR DOENÇA; SAIBA IDENTIFICAR E O QUE FAZER’

Parece uma ansiedade comum, mas não passa. É uma preocupação excessiva e difícil de controlar. E, sim, essa sensação vai atrapalhar a sua vida e pode desencadear uma depressão. As características descritas anteriormente dizem respeito ao TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada).

Segundo o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), é preciso que a inquietação dure pelo menos seis meses consecutivos e aconteça em relação a diferentes assuntos, como desempenho no trabalho e familiar, por exemplo, mas sem motivo aparente, como a possibilidade de uma demissão. O psiquiatra Lucas Gandarela, do Programa de Transtornos de Ansiedade do Ipq (Instituto de Psiquiatria da USP), diz que o TAG “toma conta da vida do indivíduo”.

“Mais frequente em mulheres, é um distúrbio recorrente em 5 a 7% da população mundial, que percebe o problema e procura um médico. Por mais contraditório que seja, ansiosos demoram para buscar ajuda, acham que vai passar e acabam desenvolvendo algo pior, como a depressão”, explica. De acordo com Gandarela, que faz parte da classe de médicos responsáveis por fazer esse diagnóstico, indivíduos com TAG são “intolerantes à incerteza”.

Mais sintomas

Além da própria ansiedade e outros sintomas psicológicos, como pensamentos negativos costumeiros, dificuldade de concentração e irritabilidade, o TAG tem sinais físicos. “O corpo vai dando sinais de que não está tudo bem e podem surgir inquietação, falta de ar, suor excessivo e fadiga”, afirma Marisa Graziela Morais, terapeuta cognitivo comportamental.

Os especialistas dizem que não existem evidências científicas que expliquem a maior incidência em mulheres, mas que este fato pode estar ligado a desequilíbrios hormonais, como na produção de serotonina e dopamina, conhecidos como hormônios da felicidade. Outro desencadeante, segundo Maria, é a baixa qualidade de vida que temos nos dias atuais.

“A sociedade está extremamente competitiva e ‘ansiogênica’ e as pessoas sofrem com isso. Crises políticas, econômicas, o desemprego, tudo isso gera ansiedade, que pode virar um distúrbio. Alguns conseguem lidar com isso de forma que não se agrave, mas outros não”.

Como tratar?

De acordo com Gandarela, ir ao psiquiatra ainda é um tabu, “as pessoas ainda são resistentes porque se sentem fracassadas”. Entretanto, o TAG é um um distúrbio crônico, difícil de tratar e precisa de acompanhamento medicamentoso, com antidepressivos, e psicológico, com terapia cognitivo comportamental.

“Essa linha é considerada a ideal porque utiliza técnicas de controle em relação a como o indivíduo pode lidar com esses sintomas de estresse, pensamentos disfuncionais e os comportamentos deles decorrentes. Com a terapia, desenvolvemos estratégias para controlar a ansiedade”, explica Mara Lúcia Madureira, especialista da área.

Mudança de hábito

Aliado aos medicamentos e à terapia, Gandarela afirma que é necessário uma mudança de estilo de vida. Por isso, um dos passos para tratar o TAG é olhar mais para si mesmo.

“Ter mais momentos de autocuidado, hobbies, que seja qualquer coisa que te faz bem pode ajudar. Além disso, cuidar da higiene do sono também faz parte dos aspectos importantes para fazer o tratamento funcionar.”
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Matéria de Thais Carvalho Diniz, publicada originalmente no UOl em 20/10/2017. Para acessá-la na íntegra:  https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2017/10/20/a-ansiedade-virou-doenca-entenda-o-que-e-o-tag.htm

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