‘SUPREMO CONSIDERA ILEGAL A OPÇÃO PELO ENSINO DOMICILIAR, FORA DA ESCOLA’

……………………………………..Matéria de Reynaldo Turollo Jr. e Natália Cancian, publicada originalmente na Folha de S. Paulo, em 12/09/2018

Para a maioria dos ministros, é preciso que o Congresso regulamente antes essa modalidade

O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, nesta quarta-feira (12), que o ensino domiciliar, dado em casa, não pode ser considerado um meio lícito para que pais garantam aos filhos o acesso à educação, devido à falta de uma lei que o regulamente.

Somente o relator do processo, ministro Luís Roberto Barroso, votou pela legalidade do ensino domiciliar, conhecido como “homeschooling”, desde que submetido a condições que ele propôs fixar até que o Congresso legislasse sobre o tema.

Alexandre de Moraes abriu a divergência e foi acompanhado por sete ministros: Rosa Weber, Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Dias Toffoli e Cármen Lúcia. Eles consideraram que, para que a opção pelo ensino em casa fosse válida, teria de estar prevista em lei.

Desse grupo, Fux e Lewandowski foram além: para eles, o “homeschooling” seria inconstitucional mesmo que houvesse lei para regulamentá-lo. Já Edson Fachin divergiu parcialmente, e propôs dar um ano para o Congresso legislar sobre o assunto, mas foi vencido. Celso de Mello não participou da sessão.

A discussão no Supremo teve origem em uma ação que opôs o município de Canela, no Rio Grande do Sul, a pais que queriam educar a filha em casa. A família foi à Justiça após a Secretaria de Educação do município negar um pedido para que a menina, à época com 11 anos, tivesse aulas em casa.

Decisões nas instâncias inferiores foram contrárias ao ensino domiciliar, o que levou os pais a recorrerem ao Supremo em 2015. A corte reconheceu a repercussão geral do recurso, o que significa que o resultado do julgamento passa a valer para processos semelhantes em todo o país.

Desde novembro de 2016, todas as ações judiciais sobre educação domiciliar no país estão suspensas por determinação de Barroso. Agora, deverão ter desfecho desfavorável aos pais.

Em seu voto, proferido na última quinta (6), Barroso considerou que essa modalidade de ensino teria de atender a algumas condições. Por sua proposta, os pais teriam de notificar as secretarias municipais de Educação para que houvesse um cadastro das crianças que estudam em casa. E elas deveriam ser submetidas às mesmas avaliações a que se submetem os alunos de escolas públicas ou privadas.

Barroso disse, em resposta à Procuradoria-Geral da República, contrária ao recurso, que reconhecia a importância da escola na socialização, mas sustentou que crianças que estudam em casa não vivem apartadas do mundo —podem socializar no clube ou na igreja, por exemplo.

Além disso, segundo ele, pesquisas empíricas feitas em países onde a prática é comum não detectaram deficiência na formação delas.

Os colegas que sucederam o relator, porém, entenderam que não cabe ao Judiciário criar tal regulamentação, de alçada do Legislativo. “Nós teríamos que alocar professores para cuidar do ‘homeschooling’ quando faltam professores para as escolas. Isso não teria que ser uma decisão nossa [do Judiciário]”, disse Gilmar.

“A importação de experiências estrangeiras, distantes a mais não poder da realidade nacional, ao arrepio da legislação em pleno vigor, contradiz todo o esforço empreendido pela sociedade brasileira na busca progressiva pelo acesso à educação formal no país”, afirmou Marco Aurélio.

Lewandowski destacou a importância da escola para a convivência com a diversidade. “Quando se formam bolhas nas quais ecoam as mesmas ideias, o que é comum nas redes sociais, o entendimento mútuo se torna cada vez mais difícil, contribuindo para a fragmentação da sociedade, para a polarização e para o extremismo”, disse.

Favorável ao “homeschooling”, a Aned (Associação Nacional de Ensino Domiciliar) calcula que existam cerca de 60 processos sobre o tema em tribunais do país.

Uma estimativa da entidade feita com base em associados e processos aponta que cerca de 7.500 famílias adotam atualmente o modelo de ensino em casa. Em 2011, esse número era de 360. O tema, porém, gera polêmica e divide educadores.

O artigo 6º da lei de diretrizes e bases, que regula a educação, afirma que “é dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos quatro anos de idade”.

Já o artigo 205 da Constituição aponta que “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade”.

Os pais da menina que foram ao STF sustentaram no recurso que restringir a educação à instrução formal nas escolas equivale a ignorar as formas variadas de aprendizado, “além de significar uma afronta a um considerável número de garantias constitucionais”.

“Não somos anti-escola nem queremos o fim da escola. Queremos o direito da família”, diz Ricardo Dias, presidente da Aned, adepto do chamado “homeschooling” junto aos dois filhos há oito anos.

Segundo ele, entre os motivos que levam pais a aderirem ao ensino domiciliar estão a insatisfação com o ambiente escolar, devido a casos de bullying e a pressões sociais “inadequadas”, e a busca por educação personalizada e adaptada ao ritmo de aprendizado da criança.

ENTENDA O QUE É EDUCAÇÃO DOMICILIAR

O que é a educação domiciliar, ou ‘homeschooling’? É um modelo de ensino em que a educação das crianças e adolescentes acontece em casa, e não na escola. Geralmente, são os pais que assumem o papel de educá-los, mas pode haver professores particulares. É relativamente comum nos EUA, mas não é regulamentado no Brasil

Nesse modelo, a criança não estuda? As crianças estudam e têm aulas, mas em casa. Os pais podem decidir os horários, regras, conteúdos e sistemas de avaliação, por exemplo

O que decidiu o Supremo? Os ministros decidiram que a educação domiciliar não pode ser considerada legal. Os pais, portanto, devem matricular os filhos em escolas. Apenas o relator do processo, Luís Roberto Barroso, votou pela legalidade da educação domiciliar

Como surgiu a ação? O processo surgiu a partir de um mandado de segurança impetrado pelos pais de uma menina de 11 anos. Moradores de Canela, no interior do RS, eles queriam educá-la em casa. Em 2013, o casal fez a solicitação à Secretaria Municipal de Educação, que negou o pedido e recomendou que a garota fosse matriculada na rede regular de ensino. O recurso julgado no STF questionava as decisões da comarca de Canela e do TJ-RS, que haviam considerado válida a recomendação da secretaria

Quais os motivos que levam os pais a querer tirar os filhos da escola? Há diferentes razões. Alguns citam bullying sofrido pelas crianças, má qualidade do ensino ou medo da violência e presença de drogas nas escolas. Outros dizem que querem educar seus filhos de acordo com seus próprios valores morais e/ou religiosos, o que seria prejudicado pela educação tradicional

O que diz a lei? Não há uma lei que mencione especificamente o tema. O artigo 6º da Lei de Diretrizes e Bases, que regula a educação, afirma que “é dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos quatro anos de idade”. Já o artigo 205 da Constituição aponta que “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade”

O que dizem os defensores da educação domiciliar? A Associação Nacional de Educação Domiciliar defende que cada família tem direito a escolher como educar seus filhos. Outros pontos citados são a liberdade para estabelecer rotinas de ensino e a ampliação da convivência familiar

E o que dizem os críticos? Pedagogos afirmam que a educação domiciliar ignora outras funções da escola, como a socialização das crianças e o convívio com as diferenças. Também dizem que o ensino em casa priva o aluno do contato com outras visões de mundo e correntes de pensamento além daquelas que a família segue, o que seria prejudicial

Para acessar na íntegra (para assinantes ou cadastrados):
https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2018/09/supremo-considera-ilegal-a-opcao-pelo-ensino-domiciliar-fora-da-escola.shtml

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Tem interesse pelo assunto? Conheça:

EDUCAÇÃO FORMAL E NÃO-FORMAL: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Jaume TrillaElie Ghanem
SUMMUS EDITORIAL

Neste livro, os autores discorrem sobre os diferentes aspectos que contemplam essas duas perspectivas das práticas educativas, analisando seu aspecto histórico, social e político. Os pontos e contrapontos tecidos no diálogo estabelecido por Ghanem e Trilla sinalizam a importância da cooperação e da complementariedade entre a educação formal e a não formal, na busca de uma educação mais justa e mais democrática.

‘ENSINO MÉDIO DEVE VISAR, MAIS QUE VESTIBULAR, O GOSTO PELO SABER, DIZ PESQUISADORA’

………………………..Texto de Lisandra Matias, publicado no Especial Escolha a Escola, da Folha de S. Paulo, em 08/09/2018

Silvia Colello afirma que formação de adolescentes não pode ser guiada apenas pela preparação para os exames

Mais do que preparar o estudante para o desafio do vestibular, escolas de ensino médio têm a missão de oferecer a ele formação humanística, para que possa se posicionar de modo ativo, ético e crítico no mundo.

Assim pensa a pedagoga Silvia Gasparian Colello, professora e pesquisadora da Faculdade de Educação da USP. Para ela, tão importante quanto ensinar é viabilizar o gosto pelo conhecimento, o prazer de aprender.

Qual o papel que o vestibular deve ter no ensino médio? A preparação para o vestibular é relevante, mas não pode ser a norteadora da formação dos adolescentes. A escola deve oferecer uma formação humanística e abrir a possibilidade para que o aluno seja produtor de conhecimento. Significa criar situações, como pesquisas e projetos, para que o conhecimento seja produto do trabalho intelectual e afetivo do estudante.

O que caracteriza esse aspecto humano e afetivo? O jovem tem que viver bem a etapa escolar em todos os seus aspectos —a aquisição de conhecimento, a organização do estudo, os relacionamentos interpessoais, os namoricos. Tudo isso responde ao aspecto da formação do humano, da constituição do sujeito que é social, aprendiz, pesquisador, afetivo e ético. Viver isso com intensidade é importante não só para a vida universitária e profissional, mas também para a constituição de si.

Qual o risco de um ensino focado demais no vestibular? Esse tipo de ensino se baseia na lógica do certo e do errado, como se o conhecimento fosse um pacote pronto. Mas sabemos que nenhuma ciência está acabada e que o conhecimento avança justamente pelas mentes brilhantes que têm uma postura inquisitiva frente ao mundo. Infelizmente, muitas vezes, as escolas abafam isso e impõem a cultura do silenciamento, do “cala a boca” e do ensino pré-formatado.

Mas isso também não ocorre devido à pressão dos pais, que desejam que seus filhos passem a todo custo? Sim, é o caso de escolas que se comportam como empresas e querem atender a demanda mais imediata do cliente. Confundir escola com empresa é descaracterizar a natureza do seu objetivo, que é a formação humanística.

Tenho visto jovens que entram na universidade, muitas vezes até bem colocados, mas que ingressam com falhas. Eles não sabem fazer pesquisa (estudaram com um método apostilado em que o conhecimento vinha pronto), têm dificuldades para trabalhar em grupo, dividir tarefas e de apresentar e defender suas ideias.

Muitas instituições preparam para o vestibular, mas não para a vida universitária, é isso? Sim, parece contradição. O ensino focado no vestibular tende a ser conteudista, feito na perspectiva do professor que detém o conhecimento e do aluno que não sabe. Mas, na universidade e na vida profissional, não vigora o saber doado, mas o construído, em que o estudante é o protagonista da sua formação.

Uma preocupação comum entre pais de adolescentes é o desinteresse dos filhos pelos conteúdos e até mesmo pelo colégio. Como reconquistá-los? Na adolescência, são muitos os fatores que atraem para uma vida extraescolar: a banda, a balada, a sexualidade, questões políticas etc. A escola tem, então, o desafio de recuperar seu sentido. Pode fazer isso abrindo espaço para que estudantes levem suas inquietações. Se esse jovem que está sendo atraído para o mundo chega à escola e a primeira coisa que ouve é sobre a proibição do celular ou da conversa entre alunos, a instituição está indo contra um aspecto muito importante para ele, mas que deveria ser compatível com a vida escolar.

Como ressignificar o vestibular para além das cobranças de sucesso? O vestibular pode funcionar como rito de passagem, momento para o estudante se perguntar o que quer da vida. Não só que curso vai seguir, mas quem quer ser e de que jeito quer viver. As escolas devem fornecer informações e ferramentas para ajudar nessa reflexão.

Qual o modelo ideal para concluir a educação básica? O papel da educação em geral, e do ensino médio em particular, é a formação do homem para a humanização e para o combate à barbárie.
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Silvia Gasparian Colello, 59
Formada em pedagogia com mestrado, doutorado e livre-docência pela Faculdade de Educação da USP, é professora e orientadora na pós da universidade, onde desenvolve pesquisas na área de ensino

 

Para ler na íntegra, acesse (para assinantes ou cadastrados) https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2018/09/ensino-medio-deve-visar-mais-que-vestibular-o-gosto-pelo-saber-diz-pesquisadora.shtml

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A pedagoga Silva Gasparian Colello tem quatro livros publicados pela Summus. Conheça suas obras:
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A ESCOLA E A PRODUÇÃO TEXTUAL
Práticas interativas e tecnológicas
Autora: Silvia M. Gasparian Colello

Como as crianças entendem o papel da escola? Como o vínculo que estabelecem com ela afeta a aprendizagem? Por que os alunos têm tanta dificuldade de se alfabetizar? Como compreender o ensino da escrita no mundo tecnológico? Em um momento de tantas inovações, de que forma lidar com os desafios do ensino e renovar as práticas pedagógicas?

Na busca de um projeto educativo compatível com as demandas de nosso tempo e o perfil de nossos alunos, Silvia Colello discute aqui como as condições de trabalho na escola podem interferir na produção textual, favorecendo a aprendizagem da língua. Para tanto, lança mão da escrita como resolução de problemas em práticas tecnológicas e interativas. Conhecer as muitas variáveis desse processo é, indiscutivelmente, um importante aval para a construção de uma escola renovada. Afinal, é possível transformar a leitura e a escrita em uma aventura intelectual?

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A ESCOLA QUE (NÃO) ENSINA A ESCREVER
Autora: Silvia M. Gasparian Colello

A fim de repensar as concepções acerca da língua, do ensino, da aprendizagem e das práticas pedagógicas, este livro levanta diversos questionamentos sobre a alfabetização como é praticada hoje nas escolas. Depois de analisar diversas falhas didáticas e tendências pedagógicas viciadas, a autora oferece alternativas que subsidiem a construção de uma escola que efetivamente ensine a escrever.

 

TEXTOS EM CONTEXTOS
Reflexões sobre o ensino da língua escrita
Organizadora: Silvia M. Gasparian Colello
Autores: Teresa Cristina Fernandes TeixeiraSilvia M. Gasparian ColelloNilma GuimarãesMárcia Martins CastaldoMartha Sirlene da SilvaMaria de Lurdes ValinoMaria Aparecida Vedovelo SarrafGláuci Helena Mora DiasÉrica de Faria DutraAndréa Luize

Com o objetivo de discutir a alfabetização em sua complexidade, esta obra usa o referencial socioconstrutivista para relacionar teoria e prática em diferentes abordagens: as concepções de ensino e de escrita, as trajetórias escolares na alfabetização de crianças e adultos, os processos cognitivos na aprendizagem da escrita, a produção textual na infância e adolescência, os desafios da transposição didática e a formação de professores alfabetizadores.

 

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Silvia M. Gasparian ColelloSérgio Antônio da Silva Leite

Neste livro, dois especialistas da Unicamp e da USP ampliam a compreensão do ensino da língua escrita. É possível alfabetizar sem retornar à cultura cartilhesca? Qual o papel da afetividade na alfabetização? Como sistematizar o trabalho pedagógico em sala de aula? Que paradigmas devem ser revistos no caso da aprendizagem escrita? Essas e outras perguntas são respondidas e debatidas nesta obra fundamental ao professor.

‘UMA EDUCAÇÃO PARA O NOSSO TEMPO NÃO DEPENDE SÓ DE RECURSOS DIGITAIS, MAS SIM DE PRÁTICAS INOVADORAS’

Preocupados com a escassez e com o desperdício de água na cidade de Granja, no interior do Ceará, alunos de uma turma do terceiro ano do ensino médio da Escola Estadual de Educação Profissional Guilherme Teles Gouveia e seu professor, Marcos Deames Araújo Silva, assumiram o desafio de colocar a educação ambiental em prática. Aliando o conhecimento que construíram na escola, com tecnologias de uso cotidiano da população, criaram o aplicativo Consustime, para melhorar a gestão dos recursos hídricos residenciais.

A iniciativa é capaz de ajudar qualquer usuário de smartphone a monitorar o consumo e a economizar água nas mais diferentes atividades. Para isso, basta conectar ao chuveiro de uma residência, por exemplo, um dispositivo que se comunica com o celular via bluetooth para medir o fluxo de água e até programar seu desligamento automático quando o consumo atingir o volume de 50 litros, considerado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) mais do que suficiente para o banho. Os alunos ainda criaram uma página em redes sociais em que divulgam a iniciativa e promovem campanhas, concursos e outras atividades interativas entre os usuários do aplicativo.

Já em Belo Horizonte (MG), foi a proliferação do Aedes aegypti – mosquito responsável pela transmissão da dengue, febre chikungunya e do zika vírus – que mobilizou os alunos do terceiro ano do ensino médio do Colégio Técnico da Universidade Federal de Minas Gerais e o professor Humberto Honda a procurarem novas respostas para a identificação de criadouros e combate ao mosquito. Surgiu, assim, o projeto Airgainst Dengue, que consiste no uso de drones para realizar mapeamento fotográfico das áreas mais afetadas e, em seguida, o reconhecimento automático de focos de reprodução do mosquito por meio de machine learning – programação de computador capaz de automatizar processos analíticos.

Ambos os projetos podem ser considerados bons exemplos de como o uso de tecnologias no processo de ensino e aprendizagem pode trazer bons resultados pedagógicos e, ainda, contribuir com soluções inovadoras para problemas para problemas enfrentados pelas comunidades em que as escolas estão inseridas. Por isso, foram também premiados, respectivamente, como vencedor nacional e vencedor regional do Prêmio Respostas para o Amanhã, iniciativa da Samsung, com coordenação geral do CENPEC – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária.

Mas o que o desenvolvimento do Consustime, no Ceará, e do Airgainst Dengue, em Minas Gerais, têm em comum? O que ambos os projetos nos dizem sobre as potencialidades e limites do uso de tecnologias na educação? A complexidade da questão demandaria uma análise mais aprofundada, mas acredito ser oportuno compartilhar com os leitores algumas lições que podemos tirar a partir das experiências premiadas.

A primeira delas é que tanto na Escola Estadual de Educação Profissional Guilherme Teles Gouveia, quanto no Colégio Técnico da Universidade Federal de Minas Gerais a tecnologia por si só não é tomada como sinônimo de inovação. Ela vem acompanhada de um projeto pedagógico em que a inovação, a mobilização de interesses dos jovens, a possibilidade de construção colaborativa do conhecimento e a promoção do pensamento crítico, da autoria e do protagonismo dos alunos estão no centro do trabalho da escola.

Já passados quase vinte anos no século XXI, sabemos que a simples presença de dispositivos eletrônicos nas salas de aula não significam inovação e mobilização do interesse e envolvimento dos alunos, pois computadores, aplicativos e recursos digitais podem reproduzir velhas práticas de ensino que pouco ajudam os alunos a aprender. Podem, por exemplo, reforçar estratégias como repetição e memorização, que não ajudam a avançar no desenvolvimento do raciocínio lógico, das diferentes linguagens, do conhecimento científico ou da análise de acontecimentos sociais.

Fosse esse o caso, os alunos das duas escolas não seriam sequer capazes de identificar a dimensão e as causas da escassez de água ou da proliferação do Aedes aegypti e menos ainda de propor intervenções capazes de enfrentá-las a partir de seus conhecimentos nas áreas de tecnologia, ciências da natureza e matemática. Ao contrário, o desenvolvimento desses projetos pedagógicos permitiu aos alunos que se apropriassem de conceitos importantes para o desenvolvimento do pensamento científico e do raciocínio lógico e matemático e que avançassem no domínio da linguagem tecnológica, além de ampliarem sua capacidade de ler e compreender a realidade, analisá-la de forma crítica e propor soluções.

Outro ponto importante, que ambas as experiências revelam, é que os professores têm papel fundamental na inovação dos processos de aprendizagem. Apesar das inúmeras informações disponíveis na web sobre gestão de recursos hídricos e combate ao Aedes aegypti, tanto o professor Marcos, quanto o professor Humberto e seus colegas de equipe tiveram papel fundamental em orientar seus alunos e em desenvolver suas habilidades para selecionar, analisar, categorizar e checar a veracidade dessas informações, além de relacioná-las com os desafios e os contextos locais. Esse processo precisa ser mediado por um profissional com saberes específicos, por isso a ideia de que a tecnologia pode substituir o professor é um mito.

Uma terceira lição que as escolas de Granja e de Belo Horizonte nos ensinam é que a educação mais significativa quando considera o contexto de relações em que se constrói e seu papel na vida em sociedade. Assim, não só os projetos buscam responder às demandas das comunidades em que as escolas estão inseridas, como também só foram possíveis porque as escolas já trabalhavam a linguagem de programação como um conteúdo escolar, observando que vivemos em uma época em que as relações são fortemente mediadas pela cultura digital e pela comunicação social.

Por último, e não menos importante, o Consustime e o Airgainst Dengue também só foram possíveis porque as escolas em que foram criados contavam com uma infraestrutura mínima, com a disponibilidade de dispositivos, programas, ferramentas e conectividade à internet. Num país em que 20% das escolas de ensino médio não têm laboratório de informática, mais de 44% não têm laboratório de ciências e 20% não têm acesso à internet banda-larga, não é por acaso que esses projetos tenham surgido em colégios técnicos e de tempo integral, as ilhas de excelência da rede pública.

Enfim, o que essas experiências nos mostram é que, embora uma educação com tecnologias por si só não se traduza em inovação e na qualidade a que almejamos, os alunos e a comunidade têm muito a ganhar quando o cotidiano escolar se torna permeável a tecnologias capazes de garantir o direito à educação, de estimular novas formas de aprendizagem explorando as dimensões colaborativas da produção de conhecimento, de formar redes de aprendizagem, de conectar os conhecimentos escolares com os anseios e interesses das crianças, adolescentes e jovens e de trazer respostas para problemas concretos do mundo contemporâneo. Afinal, uma educação para o nosso tempo não depende só de recursos digitais, mas de práticas de ensino inovadoras que eles podem ajudar a construir.

Artigo de  Anna Helena Altenfelder, publicado no UOL Educação em 28/03/2018. Para acessá-lo na íntegra: https://educacao.uol.com.br/colunas/anna-altenfelder/2018/03/28/uma-educacao-para-o-nosso-tempo-nao-depende-so-de-recursos-digitais-mas-sim-de-praticas-inovadoras.htm

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Tem interesse pelo assunto? Conheça o livro:

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TEMAS TRANSVERSAIS, PEDAGOGIA DE PROJETOS E MUDANÇAS NA EDUCAÇÃO
Coleção Novas Arquiteturas Pedagógicas
Autor: Ulisses F. Araújo
SUMMUS EDITORIAL

Nas décadas recentes a sociedade vem passando por mudanças que impactam a sala de aula, o currículo das escolas e os próprios objetivos da educação. Este livro discute como os chamados temas transversais, articulados com a pedagogia de projetos e com os princípios de interdisciplinaridade, podem apontar caminhos inovadores para a educação formal e para uma ressignificação da prática docente.

Conheça outros volumes da coleção em: https://amzn.to/2IeHQVS

 

‘CONHEÇA PIAGET, BIÓLOGO QUE REVOLUCIONOU A PEDAGOGIA E INSPIROU O CONSTRUTIVISMO’

Em diversos campos do conhecimento, é comum encontrarmos importantes teóricos que não necessariamente faziam parte daquele meio. Na comunicação, por exemplo, Theodor Adorno é um nome muito conhecido e estudado, entretanto, o filósofo da Escola de Frankfurt não pode ser chamado de jornalista. Na pedagogia, por sua vez, a história se repete: o suíço Jean Piaget, nascido em 9 de agosto de 1896,  era formado em biologia, mas seus estudos influenciaram a criação de um renomado método educacional, o construtivismo.

Para entender as ideias de Jean Piaget, precisamos ter em mente a etimologia da palavra “aluno”. Pode não parecer, mas a linguagem é capaz de revelar sentidos muitas vezes implícitos na repetição exaustiva de expressão. No caso, a palavra “aluno”, do latim, a significa ausência, falta de; enquanto luno remete a “lumni”, que sugere “luz”. Ao pé da letra, o sentido da palavra é “aquele que não tem luz” e, assim, poderia ser “iluminado” pela ação do professor.

Durante muito tempo, as relações escolares estiveram baseadas nessa lógica, mas como explica Fernanda Batista dos Santos, formada em Letras e Pedagogia pela Universidade de São Paulo (USP), Piaget começou a compreender que “a criança não é uma ‘ tábula rasa ’, na qual apenas se depositam conhecimentos”, e que os processos de aprendizagem durante a infância são determinados por alguns fatores, ultrapassando a simples influência do professor sobre os estudantes.

Antes do biólogo suíço, as teorias sobre o conhecimento eram classificadas em racionalistas, pois defendiam que “o conhecimento humano vinha dele mesmo e de sua razão”, ou como empiristas, ou seja, relacionadas aos estudiosos que defendiam a aquisição do conhecimento através das experiências com o mundo, como salienta Luzia Estevão Garcia, formada em Letras e Pedagogia e mestre em Linguagem e Educação pela Faculdade de Educação da USP (FEUSP).

Por meio da observação do crescimento de seus filhos, desde o nascimento até meados da adolescência, Piaget encontrou novos caminhos ao questionar: “como o ser humano é capaz de aprender?”, assim, a partir dessa premissa, elaborou a chamada Epistemologia Genética. Segundo explica o argumento do teórico, com o propósito de analisar as etapas do desenvolvimento infantil, a criança aprenderia através de suas interações com o meio, em uma troca constante entre o indivíduo e as experiências pelas quais ele passa, portanto.

A Epistemologia Genética

“Piaget não desenvolveu um método de ensino”, enfatiza Luzia ao explicar que um dos principais pontos da obra do biólogo, a Epistemologia Genética, é um estudo sobre os mecanismos de aprendizagem dos seres humanos. Ao identificar as características do crescimento infantil, o suíço traçou um “mapa do desenvolvimento da criança”, como exemplifica a pedagoga e psicopedagoga Ismênia Ribeiro de Faria.

1ª Etapa: Sensório-motora
– Até o 24º mês
Ênfase para a incorporação de elementos externos e desenvolvimento de suas capacidades motoras, como engatinhar

2ª Etapa: Pré-operatória
– Dos 02 aos 07 anos
Domínio da linguagem, formação de imagens mentais e imitação da realidade; destaque para a importância do mundo e exemplos concretos

3ª Etapa: Operatório-concreta
– Dos 07 aos 12 anos
Pensamento lógico e início da capacidade de abstração, porém, o “concreto” ainda é muito presente

4ª Etapa: Operatório-formal
– A partir dos 12 anos
Pensamento hipotético-dedutivo, autonomia e consolidação da personalidade

Ao dividir a infância em quatro faixas etárias, o biólogo mostra como a aprendizagem depende das possibilidades de cada etapa, ou seja, não é possível forçar uma criança a aprender algo antes do seu tempo . Ismênia ainda explica que “alguns pais não entendem, mas nós [educadores] não podemos introduzir um conteúdo antes que a criança esteja apta a entendê-lo”.

A partir deste “mapa”, as análises do estudioso se tornaram matéria-prima para o surgimento de um método educacional, o construtivismo . De acordo com Luzia, quando a pedagogia compreende que são as experiências com o mundo que constroem o conhecimento da criança, esta ideia muda a lógica da sala de aula e propõe uma nova forma de lidar com os alunos. Agora, os professores não são mais os ditos “detentores” do conhecimento, mas facilitadores, que guiam o aluno em sua própria jornada de aprendizado.

O papel do professor na sala de aula

“Ela [a criança] interage com o meio e aprende”, segundo Fernanda. Esta é a síntese do construtivismo, que não espera que o aluno seja um depósito de informações, mas que ele construa o conhecimento a partir de experiências. Assim, o educador passa a apresentar diversas situações para as crianças, que observam e, depois, recebem uma contribuição teórica do professor.

De acordo com a pedagoga Rosangela Milani Paes, um famoso modelo são as pequenas experiência realizadas nas aulas de ciências. Plantar o feijão no algodão e fazer com que os alunos acompanhem seu crescimento para depois compreenderem, a partir do professor, o processo da fotossíntese, é um bom e simples exemplo.

Além disso, a utilização do Material Dourado nas aulas de matemática une dois conceitos piagetianos, segundo Rosangela: a experimentação por meio das peças e o uso do “concreto”, tão importante nas primeiras fases de desenvolvimento, para que pequenas operações matemáticas sejam compreendidas.

Acompanhando a presença do professor, um importante componente das salas de aula não pode ser deixado de lado: o material didático. Por mais que o construtivismo seja um método muito difundido no Brasil, alguns aspectos do sistema brasileiro de ensino – como o vestibular – ainda perpetuam a ideia do aluno como receptor de conhecimento, o que é refletido em diversos livros e apostilas escolares.

A elaboração de um livro com os conceitos de Jean Piaget, segundo Santos, precisa de elementos que coloquem o aluno como “atuante em seu processo de aprendizagem”, por exemplo, com mecanismos que possam instigar o interesse da criança pelo assunto abordado. Longe do tradicional modelo de aula, em que o professor expõe o conteúdo e espera que os estudantes guardem as informações passadas, tal material deve priorizar a ação da criança , colocando o professor como um “guia” do processo.

Editora de materiais para a Educação Infantil e Ensino Fundamental, Garcia explicou que a produção dos livros depende das exigências dos departamentos pedagógicos e comercial. “Este ano, por exemplo, encomendaram um livro para crianças de 2 anos, eu pensei logo em Piaget, em um livro cheio de texturas para o bebê explorar, sons diversos, nada de escrita. Mas eu ainda não sei como vai o livro ficar no final”, ilustrou.

Identificar o quanto a criança é inteligente e o seu papel de protagonismo durante a aprendizagem foi um dos grandes feitos de Jean Piaget, o que mostra a importância de sempre repensar as estratégias pedagógicas e as teorias que estão sendo colocadas em prática. Afinal, as transformações sociais e as novas descobertas acontecem a todo o momento, e assim, “o ato de ensinar deve ser reciclado, já que o mundo está em constante mudança ”, como explica Santos.

Artigo publicado no iG Educação em 09/08/2017. Para lê-lo na íntegra, acesse: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2017-08-09/aniversario-jean-piaget.html

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Saiba mais sobre Piaget, com as obras da Summus:


O JUÍZO MORAL NA CRIANÇA

Autor: Jean Piaget

Obra pioneira de um dos maiores pensadores do século. A partir de entrevistas com crianças, o autor analisa as regras do jogo social e a formação das representações infantis: os deveres morais e as idéias sobre mentira e justiça entre outras. Fundamentalmente para psicólogos e educadores.

 

DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM EM PIAGET E VIGOTSKI
A relevância do social
Autora: Isilda Campaner Palangana

Esta obra clássica, agora em edição revista, analisa os processos de aprendizagem e desenvolvimento humano à luz das teorias de Jean Piaget e Lev Semenovich Vigotski. Para tanto, Isilda Campaner Palangana examina os fundamentos metodológicos e as raízes epistemológicas dos postulados desses dois grandes mestres da psicologia da educação. Contribui, assim, para que se compreendam as convergências e divergências conceituais entre eles, sobretudo no que diz respeito ao papel da interação social na promoção da aprendizagem e do desenvolvimento das capacidades e funções psicológicas caracteristicamente humanas.

A CONSTRUÇÃO DO HOMEM SEGUNDO PIAGET
Uma teoria da educação
Autor: Lauro de Oliveira Lima

Este livro é uma leitura da obra de Jean Piaget do ponto de vista de sua aplicação ao processo educacional. O autor é o maior conhecedor e divulgador de Piaget entre nós, tendo difundido e posto em prática seus ensinamentos. Em 50 pequenos textos, são comentados os pressupostos de toda a visão de Piaget sobre a criança e a Educação, no esforço de construção de um adulto equilibrado, em condições de encontrar seu caminho na sociedade.


PIAGET, VYGOTSKY, WALLON

Teorias Psicogenéticas em discussão
Autores: Yves de La TailleMarta Kohl de OliveiraHeloysa Dantas

Três professores da Universidade de São Paulo, da área de psicologia do desenvolvimento e aprendizado, analisam substantivos em psicologia à luz das teorias de Piaget, Vygotsky e Wallon. Entre eles, os fatores biológicos e sociais no desenvolvimento psicológico e a questão da afetividade e da cognição.
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PIAGET PARA PRINCIPIANTES
Autor: Lauro de Oliveira Lima

O maior especialista em Piaget no Brasil remiu neste volume mais de 30 artigos e ensaios analisando em seus mínimos detalhes a obra do genial educador suíço em torno da criança, seu desenvolvimento e o adulto.

 

‘ENSINO DE MATEMÁTICA ENGATINHA ATÉ NAS ESCOLAS PRIVADAS DE ELITE DO PAÍS’

A enorme dificuldade do Brasil no ensino da matemática vai muito além do universo da rede pública.

O desempenho das escolas privadas de elite do país na disciplina só supera o obtido por alunos de nível socioeconômico inferior à média das nações desenvolvidas.

Quando comparadas a instituições de ensino que atendem alunos de renda elevada na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), as notas de escolas brasileiras com perfil socioeconômico equivalente são decepcionantes.

Os dados foram levantados pela Fundação Lemann com base no Pisa, exame internacional de aprendizagem.

No último teste, em 2015, alunos brasileiros de instituições privadas de elite tiveram uma média de 497,2 pontos em matemática, contra 541 pontos obtidos pelos estudantes de classe mais alta que frequentam todos os tipos de escolas na OCDE.

A distância de 43,8 pontos equivale, segundo a escala do Pisa, a um atraso na aprendizagem superior a um ano.

“É uma diferença muito significativa, considerando que se trata de uma classe socialmente privilegiada”, diz Ernesto Martins Faria, economista da Fundação Lemann, responsável pelo estudo.

O recorte do Pisa por nível socioeconômico revela que o desempenho das escolas brasileiras da classe super alta também perde para o obtido por instituições cujos alunos têm renda apenas um pouco acima da média na OCDE.

O nível socioeconômico tem forte correlação com o desempenho escolar. Alunos mais ricos contam com contexto cultural e social mais sólido para alcançar melhores resultados. Além disso, escolas privadas são, em geral, mais bem estruturadas.

As questões de matemática do Pisa buscam testar a capacidade de jovens de 15 anos de identificar padrões e resolver problemas da vida real. Assim, o raciocínio é mais importante que a memorização.

“Não ensinamos os alunos a raciocinar porque ainda prevalece a cultura de treinamento para provas”, afirma Antonio José Lopes, doutor em didática de matemática e autor de livros didáticos.

Lopes diz que nem o ensino da tabuada deveria se pautar apenas na memorização e ilustra com um exemplo:

“O aluno pode não se lembrar quanto é 7 vezes 9. Mas, se ele sabe raciocinar, vai se dar conta que 9 é próximo de dez. E é mais fácil multiplicar 7 por 10 e depois subtrair 7”.

CULTURAL

O problema do Brasil, dizem especialistas, envolve várias dimensões e que atingem todo tipo de escola. Passa por falta de apoio às escolas e deficiências na formação de professores. “Parece existir uma fragilidade na forma como ensinamos matemática”, diz Faria, da Lemann.

Existe, ainda, uma cultura familiar e social de aversão à matemática. “Começamos a incutir na cabeça das crianças desde muito cedo que matemática é difícil, é para poucos”, diz Ricardo Falzetta, gerente de conteúdo do Movimento Todos Pela Educação.

A OCDE divide a aprendizagem em seis patamares de proficiência. Entre as escolas privadas brasileiras, apenas 0,4% dos alunos se enquadra no nível 6, o mais elevado.

Nesse estágio, os jovens atingiram o que a organização chama de “pensamento e argumentação avançados”, conseguindo atacar novos problemas matemáticos.

A fatia de alunos da rede privada brasileira que não consegue atingir o nível 2 (capazes de empregar algoritmos básicos, fórmulas e convenções) é de 30%. Nas públicas, o cenário é pior. São 77%. No Chile, por exemplo, o percentual é de 14%. No Japão, 9%.

DIFICULDADE

Você recebe uma pergunta matemática e a primeira coisa que vem à cabeça não é a solução, mas sim: não sei matemática, vou errar. É o que se chama de “ansiedade matemática”, explica o professor Flavio Comin, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

“Essa sensação ocupa a memória de trabalho e é quase uma profecia autorrealizável”, completa Comin.

O pesquisador afirma que dificuldades dos alunos com o aprendizado de matemática tem uma relação forte com as famílias. “Os pais não sabem matemática e, a partir do 4º e 5º ano, começam a se desengajar no acompanhamento dos estudos dos filhos.”

A falta de estímulos para que os estudantes se interessem pela disciplina atinge todo tipo de aluno.

“Mas em um país com grande desigualdades, as crianças de classe média alta podem ter a impressão de que não precisam se esforçar, elas sabem o lugar onde estão”, diz o docente, que coordena estudos sobre o conhecimento matemático de adultos, em relação a outros países.

Diretor do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), Marcelo Viana também insiste na imagem negativa do tema. “O Brasil é de longe o país que tem menos contato com a matemática pura”, diz ele, que é colunista da Folha. “O discurso que a matemática é difícil, só para gênios, cria um álibi de que não é preciso aprender”, diz.

Ambos pesquisadores ressaltam o impacto da qualidade de professores.

“Todos os estudos mostram a importância do professor. E a dificuldade aqui do ponto de vista da gestão da sala de aula é que a formação ainda é muito teórica”, completa Comin, da UFRGS.

E o problema é mais grave. Em todo o país, 67,5% dos professores de matemática do ensino médio nem sequer têm formação na área.

A Base Nacional Comum Curricular é vista por especialistas como um potencial de mudança. Além de definir o que os alunos devem aprender a cada ano da educação básica, o documento –ainda em análise– deve impactar em alterações no modelo de formação docente no país.

Antonio José Lopes, especialista em didática para o ensino da matemática, não é tão otimista. “A base engessa o conteúdo por série. Não prevê que a aprendizagem da matemática evolua como um processo. Limita o ensino a tópicos fragmentados.”

O custo de o país ir mal em matemática se tornará, segundo estudos, cada vez mais alto. Sobretudo porque praticamente todo o desenvolvimento tecnológico tem forte ligação com a área.

Entre 1980 e 2012, ocupações que exigiam, ao mesmo tempo, elevadas habilidades matemáticas e características como a capacidade de trabalhar em grupo aumentaram 7,2 pontos percentuais em relação ao total da força de trabalho nos Estados Unidos, de acordo com pesquisa do economista David Deming, da Universidade Harvard (EUA).

OUTRAS ÁREAS

Além de matemática, o Pisa avalia, a cada três anos, a aprendizagem de alunos de 15 anos em ciências e leitura.

Nessas outras duas disciplinas, o déficit de aprendizagem entre as escolas privadas de elite do Brasil e as das nações ricas é menor do que em matemática. Em ciências, a nota de alunos brasileiros de nível socioeconômico mais alto é 27,3 pontos menor que dos alunos mais ricos da OCDE. Em leitura, a desfasagem do Brasil é de 25,3 pontos.

 

Matéria de Érica Fraga e Paulo Saldaña, publicada na Folha de S. Paulo em 09/07/2017. Para lê-la na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2017/07/1899625-ensino-de-matematica-engatinha-ate-nas-escolas-privadas-de-elite-do-pais.shtml

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Tem interesse pelo assunto? Conheça:

ENSINO DE MATEMÁTICA: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Ubiratan D’Ambrósio e Nilson José Machado
SUMMUS EDITORIAL

A análise sobre a teoria e a prática do ensino da matemática (bem como suas dificuldades) é o foco desta obra. Nela, os autores discorrem sobre diferentes aspectos do ensino da matemática, analisando questões históricas, epistemológicas, sociais e políticas. Esse profícuo diálogo nos conduz a uma disciplina concebida como meio para a formação pessoal e para o exercício da cidadania.

‘O QUE PENSAM E O QUE QUEREM OS JOVENS – DA ESCOLA E DO (NOSSO) FUTURO’

São tantos os clichês que ouvimos sobre os jovens que é até difícil enumerá-los – inclusive já falamos sobre eles aqui. Com certeza você já ouviu (ou mesmo falou) alguma coisa do tipo “essa juventude de hoje em dia não quer nada com nada” ou “no meu tempo, a gente queria mudar as coisas”.

Na tentativa de quebrar esses “pré-conceitos” e de entender o que realmente querem os nossos jovens, o Todos Pela Educação, com apoio do Itaú BBA e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e realização da Multifocus, lançou e publicou a pesquisa Repensar o Ensino Médio (saiba mais aqui). O estudo conta com a participação de 1.551 jovens entre 15 e 19 anos que opinaram sobre temas relativos aos professores, a participação social e a educação técnica.

Entre os dados revelados, gostaria de concentrar-me no que o jovem pensa e quer da escola, já que vivemos, desde o ano passado, um período de bastante discussão envolvendo a chamada reforma do Ensino Médio. Quando questionados sobre quais os aspectos mais importantes e menos satisfatórios em seus colégios, as respostas foram: segurança, atenção às pessoas com deficiência, professores presentes e boa infraestrutura.

Tal diagnóstico mostra como os jovens na verdade têm consciência das demandas reais do sistema de ensino, uma vez que os quatro itens citados ainda são grandes entraves para a educação brasileira. A questão da segurança é o exemplo mais palpável: em março, todos acompanhamos com grande pesar a morte da estudante Maria Eduarda, durante uma aula de educação física em sua escola, no Rio de Janeiro.

A pesquisa mostra que os jovens também sabem olhar para dentro da escola e para si mesmos. Isso porque eles apontam o próprio comprometimento e o comportamento escolar como fundamental, porém não veem a situação atual de forma satisfatória, o que mostra que têm consciência da educação como um compromisso de toda a comunidade escolar.

Os dados do estudo revelam ainda que 71,4% dos jovens entrevistados estão cursando o ensino médio com o objetivo de se prepararem para o vestibular. Ou seja: para a maioria, a etapa serve apenas como um caminho que leva à educação superior. Somente 10,2% veem esses três anos ao fim da educação básica como uma formação para a vida, e 16,6% os enxergam como um preparo básico para o mundo do trabalho.

Temos aí, porém, um problema. As consequências disso não são nada boas, uma vez que a mesma pesquisa mostra que 86% alegam encontrar dificuldades para seguir com os estudos, sendo que 42% dizem ter obstáculos financeiros, e 19%, problemas em conciliar o emprego com o estudo. Dessa maneira, para alguns deles, o ensino médio atual infelizmente acaba não servindo para nada.

Em suma, os dados nos mostram jovens brasileiros que têm clareza do mundo à sua volta, da escola de que dispõem e do que querem para o futuro, mesmo que esse futuro esteja cheio de percalços. Desde 2015, com as ocupações de escolas, eles vêm reivindicando com mais ênfase uma educação de qualidade, democrática e participativa, na ânsia de serem finalmente ouvidos. Que tal darmos uma chance para eles – e para o nosso próprio futuro?

*Com colaboração de Mariana Mandelli

Artigo de Priscila Cruz, publicado em sua coluna no UOL Educação, em 10/05/2017. Para acessá-lo na íntegra:  https://educacao.uol.com.br/colunas/priscila-cruz/2017/05/10/o-que-pensam-e-o-que-querem-os-jovens—da-escola-e-do-nosso-futuro.htm

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Tem interesse pelo tema? Conheça:

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10535O QUE O JOVEM QUER DA VIDA?
Como pais e professores podem orientar e motivar os adolescentes
Autor: William Damon
SUMMUS EDITORIAL

Por que muitos jovens, atualmente, não conseguem encontrar um objetivo de vida, ao passo que uns poucos sabem direitinho o que querem? Baseado em entrevistas e pesquisas, o autor oferece métodos simples para encorajar os jovens e orientá-los para uma vida produtiva e plena em todos os sentidos.

 

11066A ESCOLA E A PRODUÇÃO TEXTUAL
Práticas interativas e tecnológicas
Autora: Silvia M. Gasparian Colello
SUMMUS EDITORIAL

Como as crianças entendem o papel da escola? Como o vínculo que estabelecem com ela afeta a aprendizagem? Por que os alunos têm tanta dificuldade de se alfabetizar? Como compreender o ensino da escrita no mundo tecnológico? Em um momento de tantas inovações, de que forma lidar com os desafios do ensino e renovar as práticas pedagógicas?

Na busca de um projeto educativo compatível com as demandas de nosso tempo e o perfil de nossos alunos, Silvia Colello discute aqui como as condições de trabalho na escola podem interferir na produção textual, favorecendo a aprendizagem da língua. Para tanto, lança mão da escrita como resolução de problemas em práticas tecnológicas e interativas. Conhecer as muitas variáveis desse processo é, indiscutivelmente, um importante aval para a construção de uma escola renovada. Afinal, é possível transformar a leitura e a escrita em uma aventura intelectual?

‘A BASE E A EDUCAÇÃO PARA O PENSAMENTO CIENTÍFICO’

Com anos de atraso, finalmente o Brasil, nos moldes dos melhores sistemas de educação, criou a Base Nacional Comum Curricular, centrada em competências a serem desenvolvidas pelos alunos da educação infantil ao final do ensino médio. 

Já no ensino fundamental, aparece, na disciplina de ciências, uma ênfase em experimentação, condição necessária para que, de fato, os alunos aprendam a pensar cientificamente, e não apenas a decorar meia dúzia de fórmulas.

Na recente Marcha pela Ciência, motivada pelo reduzido interesse pelas ciências do atual governo americano (e pela precária fundamentação de decisões de políticas públicas em evidências científicas), pode-se verificar o importante elo entre o ensino de ciências nas escolas e o exercício de cidadania global.

O risco de ter o negacionismo das mudanças climáticas e a resistência a vacinas crescendo no mundo de pós-verdades merece atuação forte de cidadãos dentro e fora das escolas.

Lembrei-me, ao ler a base, de um esforço de implementação do currículo de ciências desenvolvido por cientistas no Chile. Com foco num processo de educação centrado em experimentação, iniciaram um programa de ciências em escolas em áreas vulneráveis do país, com forte investimento em formação de professores, material estruturado e kits para experimentos.

No Rio, quando fui secretária municipal de Educação, procuramos fazer o mesmo nas escolas localizadas em áreas conflagradas, num programa denominado Cientistas do Amanhã.

No programa chileno, depois estendido a grande número de escolas, algo de interessante aconteceu: ao trabalhar com experimentação, para além de um maior conhecimento dos alunos e da incorporação do eixo “competências de pensamento científico” no currículo nacional, ocorreu, de forma não totalmente intencional, o desenvolvimento nos alunos de competências socioemocionais associadas à prática em sala de aula.

Com uso intensivo de trabalho em equipe, o que demandava constante revisão e discussão de ideias para identificar e validar hipóteses de pesquisa, competências como colaboração, respeito e comunicação assertiva foram enfatizadas.

Da mesma maneira, ao registrar seu processo de pesquisa e fazer apresentações a seus colegas a partir de suas descobertas científicas, não apenas se desenvolviam competências associadas à comunicação formal como, colocando o aluno no centro da cena, fortaleciam-se sua autoconfiança, motivação e engajamento.

Há anos, cientistas brasileiros, como Mayana Zatz, lutam por um processo semelhante. Não seria o momento de trazê-los para a mesa de discussões?

Da coluna de Claudia Costin, publicada na Folha de S. Paulo em 05/05/2017.
Para acessá-la na íntegra: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/claudia-costin/2017/05/1881235-a-base-e-a-educacao-para-o-pensamento-cientifico.shtml 

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Saiba mais sobre o assunto com o livro:

10891ENSINO DE CIÊNCIAS: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Nélio BizzoAttico Chassot

Transitando entre história, filosofia e ensino de cências, esta obra aborda, entre outros temas, a origem das espécies e do homem, o papel da igreja na história da ciência, a dimensão dos conteúdos nas disciplinas científicas, as relações entre o saber popular e o saber científico, a interdisciplinaridade e a transversalidade. Livro fundamental para a formação de professores de ciência no contexto brasileiro.

 

‘ESCRITA É INCENTIVADA EM JOGO PRODUZIDO POR PESQUISADORA DA FEUSP’

Em um levantamento feito pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o Brasil tem 13 milhões de analfabetos. Mas a questão é mais complexa do que se imagina. Esse número pode ser ainda maior se forem considerados os chamados analfabetos funcionais, ou seja, aqueles que tem dificuldade de compreender textos simples. Com isso em mente, a pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), Silvia Colello, idealizou um jogo para estimular a prática da escrita.

O jogo chamado de “Escola: dá pra encarar?”, que conquistou o segundo lugar na categoria game no Prêmio ARede Educa, foi desenvolvido como parte da tese de Livre-Docência junto ao Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação da FEUSP e contou com a participação de crianças da ONG Instituto Franco Vive, de São Paulo (SP), da faixa etária de 6 a 10 anos, oriundas da rede pública de ensino.

“Enquanto os filhos de classes sociais mais privilegiadas tem pais que contam histórias e que usam a língua escrita e possuem livros em casa, as crianças da Ong não tem esse acesso. Então montei essa pesquisa para descobrir uma maneira de fazer com que essas crianças se envolvessem mais no aprendizado da escrita”

Que vocês resolvam o problema!

Em formato de tabuleiro, os estudantes só conseguem chegar ao final – e vencer o jogo – após uma série de resoluções de problemas relacionados à escola. Para Colello, esse tipo de atividade desperta nos alunos o senso de responsabilidade e a vontade de aprender. O jogo possui três vertentes de problemas: pedagógicos, relacionais e administrativos.

“Propus isso porque, apesar das crianças irem todo dia à escola, elas tem uma visão muito superficial sobre seu funcionamento. Então, na maioria das atividades, o que se ouvia eram coisas do tipo ‘tem que ir pra escola pra não ser burro’ ou ‘tem que ir pra escola pra ser alguém na vida’”, comenta.

A pesquisadora parte do princípio de que não podemos subestimar as crianças, apesar de muitas delas terem uma relação ruim com o conhecimento e com a escola. Ao trazer problemas concretos, pelo quais muitas delas passam, foi quando a experiência se intensificou. Um dos exemplos de problemas era quanto a um troféu que uma turma ganhou. Eles tinham que decidir em que sala esse troféu ficaria.

Com isso, ao longo do trajeto do tabuleiro, eles vão acumulando ou repassando problemas e ao final, é visto o saldo de problemas restantes; a partir deles os alunos produzem textos explicando como poderiam resolvê-los. “Fiquei impressionada com o impacto que esse jogo teve, ao gerar neles uma reflexão da cultura escolar”.

As fases do interesse

Colello observou também o impacto que tinha quando os convidava para jogar. De início, conta ela, os estudantes ficavam arredios e perguntavam, de longe. “o que que é isso aí?”. “Muitas crianças estão tão desencantadas do ambiente escolar que já chegam falando ‘ah, eu não quero fazer’, então eu as deixava só observando”, explica.

No segundo momento do jogo a pesquisadora explica que as coisas já mudavam. Aqueles que antes não queriam participar, começavam a interferir nas ideias dos colegas. O terceiro momento é o da tomada de atitude, com os alunos impondo seus pensamentos e suas ideias.

Colello afirma que a conclusão óbvia a que chegou foi que, sim, as crianças da periferia estão atrasadas. A conclusão não óbvia é que, pelo pouco que se faz, elas reagem muito. “Isso põe abaixo a ideia de que as crianças são apáticas, e que não querem se envolver na aprendizagem”.

“A ideia é que a escola pode mudar, ela deve mudar, se aproximar do lúdico. Deve provocar a criança com suas atividades, para elas saírem dessa condição de marasmo e se tornarem mais protagonistas do seu conhecimento”, afirma a pesquisadora.

Texto publicado originalmente no site da Faculdade de Educação da USP. Para acessá-lo na íntegra: http://www4.fe.usp.br/escrita-e-incentivada-em-jogo-produzido-por-pesquisadora-da-feusp

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Silvia Colello é autora da Summus Editorial. Conheça seus livros:

10657ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Silvia M. Gasparian Colello, Sérgio Antônio da Silva Leite

Neste livro, dois especialistas da Unicamp e da USP ampliam a compreensão do ensino da língua escrita. É possível alfabetizar sem retornar à cultura cartilhesca? Qual o papel da afetividade na alfabetização? Como sistematizar o trabalho pedagógico em sala de aula? Que paradigmas devem ser revistos no caso da aprendizagem escrita? Essas e outras perguntas são respondidas e debatidas nesta obra fundamental ao professor.
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10246A ESCOLA QUE (NÃO) ENSINA A ESCREVER
Autora: Silvia M. Gasparian Colello

A fim de repensar as concepções acerca da língua, do ensino, da aprendizagem e das práticas pedagógicas, este livro levanta diversos questionamentos sobre a alfabetização como é praticada hoje nas escolas. Depois de analisar diversas falhas didáticas e tendências pedagógicas viciadas, a autora oferece alternativas que subsidiem a construção de uma escola que efetivamente ensine a escrever.

 

10711TEXTOS EM CONTEXTOS
Reflexões sobre o ensino da língua escrita
Organizadora: Silvia M. Gasparian Colello
Autores: Teresa Cristina Fernandes Teixeira, Érica de Faria Dutra, Gláuci Helena Mora Dias, Maria Aparecida Vedovelo Sarraf, Maria de Lurdes Valino, Martha Sirlene da Silva, Márcia Martins Castaldo, Nilma Guimarães , Silvia M. Gasparian Colello, Andréa Luize

Com o objetivo de discutir a alfabetização em sua complexidade, esta obra usa o referencial socioconstrutivista para relacionar teoria e prática em diferentes abordagens: as concepções de ensino e de escrita, as trajetórias escolares na alfabetização de crianças e adultos, os processos cognitivos na aprendizagem da escrita, a produção textual na infância e adolescência, os desafios da transposição didática e a formação de professores alfabetizadores.

‘CÂMARA APROVA EXIGÊNCIA DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO’

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (13) uma emenda que altera a proposta de reforma do ensino médio e volta a tornar obrigatória a oferta de conteúdos de filosofia e sociologia nesta etapa de ensino.

As duas disciplinas, antes previstas pela Lei de Diretrizes e Bases, que rege a educação no país, haviam sido excluídas na medida provisória apresentada pelo governo em setembro deste ano.

Agora, a maioria dos deputados votou a favor de que o ensino de filosofia, sociologia, artes e educação física seja ofertado nesta etapa –foram 324 votos a favor e apenas cinco contrários.

O texto aprovado na Câmara, porém, não fala em disciplinas específicas, mas sim em “estudos e práticas” que devem ser inseridos na BNCC (base nacional comum curricular), documento que definirá quais os conteúdos comuns a todas as escolas do país.

Isso significa que esses estudos não necessariamente ocorrerão por meio de disciplinas separadas –caberá à base e às redes de ensino a definição desse modelo.

Atualmente, os conteúdos que deverão fazer parte da base nacional curricular estão em discussão no Conselho Nacional de Educação.

Antes da aprovação da emenda, o ensino de artes e educação física, também excluídos na MP, já haviam sido reintroduzidos no currículo do ensino médio por meio de parecer aprovado em uma comissão no Congresso.

Texto parcial de matéria publicada originalmente na Folha de S. Paulo. Por Natália Cancian E  Ranier Bragon. Para acessar na íntegra: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/12/1841196-camara-aprova-exigencia-de-filosofia-e-sociologia-no-ensino-medio.shtml

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Quer saber mais sobre o assunto? Conheça o livro:

10060A FILOSOFIA VAI À ESCOLA
Autor: Matthew Lipman
SUMMUS EDITORIAL

O ensino da filosofia nas escolas é aqui defendido como uma forma de oferecer às crianças e aos jovens a oportunidade de discutir conceitos universais e desenvolver um espírito crítico e investigativo. Publicação fundamental no contexto brasileiro, onde a inserção da filosofia nos currículos escolares ainda é uma questão controvertida.

‘ALUNO BRASILEIRO GOSTA DE CIÊNCIAS, MAS É MASSACRADO PELO CONTEÚDO’

Os resultados do exame internacional Pisa mostram uma esquizofrenia nacional. Os alunos por aqui gostam mais de ciências do que quem estuda em países desenvolvidos, mas, em comparação internacional, o desempenho brasileiro é bem menor.

De acordo com o Pisa, 40% dos estudantes do país declaram que querem seguir carreiras ligadas à ciência e à tecnologia –taxa maior do que a encontrada nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que é de 24%.

Mais: metade dos alunos brasileiros afirma ter interesse por ciências –foco do Pisa deste ano. Os estudantes por aqui disseram que até se divertem com conteúdos científicos.

O problema é, na hora da avaliação, quem estuda no Brasil acerta só 30,6% das questões de ciências. Para se ter uma ideia do que isso significa, na Finlândia, país referência na educação mundial, o índice de acerto nas mesmas questões chega a 56,4%.

Menos da metade de nossos estudantes sabe o básico de ciências. Em Estados como Alagoas, o pior do país no exame, os brasileirinhos erram três de cada quatro questões de ciências.

Estamos no final da fila na avaliação de ciências, em 63º lugar, de um total de 70 países. É basicamente um desastre.

Gostar de ciências, como declaram os estudantes brasileiros no Pisa, não é difícil. A ciência explica a vida em todas as suas formas e trata do mundo de uma escala milhares de vezes menor do que a espessura de um fio de cabelo até o tamanho do Universo.

Quem é curioso gosta de ciências. Jovens são curiosos.
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Texto de Sabine Righetti, publicado na Folha de S. Paulo, em 06/1’2/2016. Para ler a matéria na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/12/1838911-aluno-brasileiro-gosta-de-ciencias-mas-e-massacrado-pelo-conteudo.shtml

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10891ENSINO DE CIÊNCIAS: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Nélio Bizzo, Attico Chassot
SUMMUS EDITORIAL 

Transitando entre história, filosofia e ensino de ciências, esta obra aborda, entre outros temas, a origem das espécies e do homem, o papel da igreja na história da ciência, a dimensão dos conteúdos nas disciplinas científicas, as relações entre o saber popular e o saber científico, a interdisciplinaridade e a transversalidade. Livro fundamental para a formação de professores de ciência no contexto brasileiro.

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