‘ENSINO MÉDIO DEVE VISAR, MAIS QUE VESTIBULAR, O GOSTO PELO SABER, DIZ PESQUISADORA’

………………………..Texto de Lisandra Matias, publicado no Especial Escolha a Escola, da Folha de S. Paulo, em 08/09/2018

Silvia Colello afirma que formação de adolescentes não pode ser guiada apenas pela preparação para os exames

Mais do que preparar o estudante para o desafio do vestibular, escolas de ensino médio têm a missão de oferecer a ele formação humanística, para que possa se posicionar de modo ativo, ético e crítico no mundo.

Assim pensa a pedagoga Silvia Gasparian Colello, professora e pesquisadora da Faculdade de Educação da USP. Para ela, tão importante quanto ensinar é viabilizar o gosto pelo conhecimento, o prazer de aprender.

Qual o papel que o vestibular deve ter no ensino médio? A preparação para o vestibular é relevante, mas não pode ser a norteadora da formação dos adolescentes. A escola deve oferecer uma formação humanística e abrir a possibilidade para que o aluno seja produtor de conhecimento. Significa criar situações, como pesquisas e projetos, para que o conhecimento seja produto do trabalho intelectual e afetivo do estudante.

O que caracteriza esse aspecto humano e afetivo? O jovem tem que viver bem a etapa escolar em todos os seus aspectos —a aquisição de conhecimento, a organização do estudo, os relacionamentos interpessoais, os namoricos. Tudo isso responde ao aspecto da formação do humano, da constituição do sujeito que é social, aprendiz, pesquisador, afetivo e ético. Viver isso com intensidade é importante não só para a vida universitária e profissional, mas também para a constituição de si.

Qual o risco de um ensino focado demais no vestibular? Esse tipo de ensino se baseia na lógica do certo e do errado, como se o conhecimento fosse um pacote pronto. Mas sabemos que nenhuma ciência está acabada e que o conhecimento avança justamente pelas mentes brilhantes que têm uma postura inquisitiva frente ao mundo. Infelizmente, muitas vezes, as escolas abafam isso e impõem a cultura do silenciamento, do “cala a boca” e do ensino pré-formatado.

Mas isso também não ocorre devido à pressão dos pais, que desejam que seus filhos passem a todo custo? Sim, é o caso de escolas que se comportam como empresas e querem atender a demanda mais imediata do cliente. Confundir escola com empresa é descaracterizar a natureza do seu objetivo, que é a formação humanística.

Tenho visto jovens que entram na universidade, muitas vezes até bem colocados, mas que ingressam com falhas. Eles não sabem fazer pesquisa (estudaram com um método apostilado em que o conhecimento vinha pronto), têm dificuldades para trabalhar em grupo, dividir tarefas e de apresentar e defender suas ideias.

Muitas instituições preparam para o vestibular, mas não para a vida universitária, é isso? Sim, parece contradição. O ensino focado no vestibular tende a ser conteudista, feito na perspectiva do professor que detém o conhecimento e do aluno que não sabe. Mas, na universidade e na vida profissional, não vigora o saber doado, mas o construído, em que o estudante é o protagonista da sua formação.

Uma preocupação comum entre pais de adolescentes é o desinteresse dos filhos pelos conteúdos e até mesmo pelo colégio. Como reconquistá-los? Na adolescência, são muitos os fatores que atraem para uma vida extraescolar: a banda, a balada, a sexualidade, questões políticas etc. A escola tem, então, o desafio de recuperar seu sentido. Pode fazer isso abrindo espaço para que estudantes levem suas inquietações. Se esse jovem que está sendo atraído para o mundo chega à escola e a primeira coisa que ouve é sobre a proibição do celular ou da conversa entre alunos, a instituição está indo contra um aspecto muito importante para ele, mas que deveria ser compatível com a vida escolar.

Como ressignificar o vestibular para além das cobranças de sucesso? O vestibular pode funcionar como rito de passagem, momento para o estudante se perguntar o que quer da vida. Não só que curso vai seguir, mas quem quer ser e de que jeito quer viver. As escolas devem fornecer informações e ferramentas para ajudar nessa reflexão.

Qual o modelo ideal para concluir a educação básica? O papel da educação em geral, e do ensino médio em particular, é a formação do homem para a humanização e para o combate à barbárie.
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Silvia Gasparian Colello, 59
Formada em pedagogia com mestrado, doutorado e livre-docência pela Faculdade de Educação da USP, é professora e orientadora na pós da universidade, onde desenvolve pesquisas na área de ensino

 

Para ler na íntegra, acesse (para assinantes ou cadastrados) https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2018/09/ensino-medio-deve-visar-mais-que-vestibular-o-gosto-pelo-saber-diz-pesquisadora.shtml

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A pedagoga Silva Gasparian Colello tem quatro livros publicados pela Summus. Conheça suas obras:
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A ESCOLA E A PRODUÇÃO TEXTUAL
Práticas interativas e tecnológicas
Autora: Silvia M. Gasparian Colello

Como as crianças entendem o papel da escola? Como o vínculo que estabelecem com ela afeta a aprendizagem? Por que os alunos têm tanta dificuldade de se alfabetizar? Como compreender o ensino da escrita no mundo tecnológico? Em um momento de tantas inovações, de que forma lidar com os desafios do ensino e renovar as práticas pedagógicas?

Na busca de um projeto educativo compatível com as demandas de nosso tempo e o perfil de nossos alunos, Silvia Colello discute aqui como as condições de trabalho na escola podem interferir na produção textual, favorecendo a aprendizagem da língua. Para tanto, lança mão da escrita como resolução de problemas em práticas tecnológicas e interativas. Conhecer as muitas variáveis desse processo é, indiscutivelmente, um importante aval para a construção de uma escola renovada. Afinal, é possível transformar a leitura e a escrita em uma aventura intelectual?

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A ESCOLA QUE (NÃO) ENSINA A ESCREVER
Autora: Silvia M. Gasparian Colello

A fim de repensar as concepções acerca da língua, do ensino, da aprendizagem e das práticas pedagógicas, este livro levanta diversos questionamentos sobre a alfabetização como é praticada hoje nas escolas. Depois de analisar diversas falhas didáticas e tendências pedagógicas viciadas, a autora oferece alternativas que subsidiem a construção de uma escola que efetivamente ensine a escrever.

 

TEXTOS EM CONTEXTOS
Reflexões sobre o ensino da língua escrita
Organizadora: Silvia M. Gasparian Colello
Autores: Teresa Cristina Fernandes TeixeiraSilvia M. Gasparian ColelloNilma GuimarãesMárcia Martins CastaldoMartha Sirlene da SilvaMaria de Lurdes ValinoMaria Aparecida Vedovelo SarrafGláuci Helena Mora DiasÉrica de Faria DutraAndréa Luize

Com o objetivo de discutir a alfabetização em sua complexidade, esta obra usa o referencial socioconstrutivista para relacionar teoria e prática em diferentes abordagens: as concepções de ensino e de escrita, as trajetórias escolares na alfabetização de crianças e adultos, os processos cognitivos na aprendizagem da escrita, a produção textual na infância e adolescência, os desafios da transposição didática e a formação de professores alfabetizadores.

 

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: PONTOS E CONTRAPONTOS
Organizadora: Valéria Amorim Arantes
Autores: Silvia M. Gasparian ColelloSérgio Antônio da Silva Leite

Neste livro, dois especialistas da Unicamp e da USP ampliam a compreensão do ensino da língua escrita. É possível alfabetizar sem retornar à cultura cartilhesca? Qual o papel da afetividade na alfabetização? Como sistematizar o trabalho pedagógico em sala de aula? Que paradigmas devem ser revistos no caso da aprendizagem escrita? Essas e outras perguntas são respondidas e debatidas nesta obra fundamental ao professor.

O PAPEL DOS PAIS NA ESCOLHA PROFISSIONAL DOS FILHOS

Criar os filhos é uma tarefa que exige tempo, bom-senso e dedicação. Quer saber mais sobre qual é o papel dos pais na educação dos filhos? Confira abaixo o vídeo do programa Mulheres (TV Gazeta), com a participação da psicóloga Elizabeth Monteiro, autora do livro Criando adolescentes em tempos difíceis.


Elizabeth Monteiro iniciou sua carreira lecionando para crianças de ensino fundamental. Cursou Pedagogia e especializou-se em Psicopedagogia, tendo em seguida se formado psicóloga. Ao mesmo tempo que estudava e trabalhava, cuidava de sua família. É casada há mais de quarenta anos, tem quatro filhos e dois netos. É autora de Criando adolescentes em tempos difíceis (Summus Editorial, 2009), A culpa é da mãe (Summus, 2012), Criando filhos em tempos difíceis – Atitudes e brincadeiras para uma infância feliz (Summus, 2013), Cadê o pai dessa criança? (Summus, 2013) e Avós e sogras (Summus, 2014), e defende o respeito aos jovens e o resgate da dignidade humana. Hoje, dá cursos e palestras por todo o Brasil e atende crianças, adolescentes, adultos, famílias e escolas.

RÁDIO JOVEM PAN ENTREVISTA ANNA VERÔNICA MAUTNER, NESTE SÁBADO, 3 DE AGOSTO

O programa É Noite, Tudo se Sabe, da Rádio Jovem Pan, terá participação da psicanalista Anna Veronica Mautner, neste sábado, 3 de agosto, a partir das 20h. Ela falará sobre seu novo livro, Ninguém nasce sabendo (Summus Editorial). Acompanhe a entrevista na frequência 620 AM ou ainda pelo site www.jovempan.uol.com.br.

A tecnologia vai suplantar a aptidão física? Em que medida a escola de hoje, mais moderna, é melhor que a de ontem, mais humana? Em tempos de politicamente correto e das lutas por inclusão, é possível trabalhar a diversidade nas instituições escolares? Se aprender tabuada é chato, conseguiremos formar cidadãos capazes de cuidar das próprias finanças? A autoridade em classe é mesmo uma ameaça? Estamos preparados para acolher a infância em todas as suas nuanças ou preferimos delegar a tarefa a qualquer um que se proponha a nos tirar esse fardo dos ombros? Essas são algumas das perguntas que Anna Veronica lança aos leitores em seu novo livro.

A obra não traz receitas prontas ou respostas mágicas. A autora não diz como nem quando. Ao contrário, trava com o leitor uma conversa franca em que não faltam puxões de orelha. O objetivo é despertar a consciência para discutir com seriedade a educação que se pratica em nossas escolas e em nossas famílias.

Organizada em sete grandes seções, o título apresenta textos ricos em reflexões e questionamentos originalmente publicados na Revista Profissão Mestre e no caderno Equilíbrio, da Folha de S.Paulo. A partir dos temas “A escola hoje”, “O papel do professor”, “Corpo e sociedade”, “Família e escola”, “Informação, tecnologia e comunicação”, “Infância e adolescência” e “Depois da escola”, a autora analisa questões fundamentais para a educação como o bullying, o professor na berlinda, a terapia ocupacional na escola, a autoridade, a educação online e à margem da escola, entre outros.

“Esse sentimento de ser injustiçado que o malvado tem é um dos ingredientes das maldades que são feitas com os menos dotados ou os que não mostram suficiente força de vontade. É uma reação à percepção de injustiça que estaria ocorrendo no grupo”, afirma a autora ao falar sobre bullying. No artigo “Em defesa do período integral”, ela comenta sobre a sua experiência de aprendizagem e crescimento na escola. Ao refletir sobre a escola moderna e a escola à antiga, Anna Veronica lembra que a liberdade desprotegida pode ser massacrante para uns e palco de exibição de força para outros. “Não é o melhor ambiente para um desenvolvimento equilibrado”, complementa.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1340/Ningu%C3%A9m+nasce+sabendo

RÁDIO JOVEM PAN ENTREVISTA ANNA VERONICA MAUTNER

A rádio Jovem Pan exibiu em junho entrevista com a psicanalista Anna Veronica Mautner, que acaba de lançar Ninguém nasce sabendo (Summus Editorial). A autora falou sobre o novo livro com  Fernando Zamith, no programa Rádio Ao Vivo.  Ouça a entrevista:

Caso não consiga ouvir, acesse: http://jovempan.uol.com.br/programas/2013/06/literatura–ninguem-nasce-sabendo.html

A tecnologia vai suplantar a aptidão física? Em que medida a escola de hoje, mais moderna, é melhor que a de ontem, mais humana? Em tempos de politicamente correto e das lutas por inclusão, é possível trabalhar a diversidade nas instituições escolares? Se aprender tabuada é chato, conseguiremos formar cidadãos capazes de cuidar das próprias finanças? A autoridade em classe é mesmo uma ameaça? Estamos preparados para acolher a infância em todas as suas nuanças ou preferimos delegar a tarefa a qualquer um que se proponha a nos tirar esse fardo dos ombros? Essas são algumas das perguntas que Anna Veronica lança aos leitores em seu novo livro.

A obra não traz receitas prontas ou respostas mágicas. A autora não diz como nem quando. Ao contrário, trava com o leitor uma conversa franca em que não faltam puxões de orelha. O objetivo é despertar a consciência para discutir com seriedade a educação que se pratica em nossas escolas e em nossas famílias.

Organizada em sete grandes seções, o título apresenta textos ricos em reflexões e questionamentos originalmente publicados na Revista Profissão Mestre e no caderno Equilíbrio, da Folha de S.Paulo. A partir dos temas “A escola hoje”, “O papel do professor”, “Corpo e sociedade”, “Família e escola”, “Informação, tecnologia e comunicação”, “Infância e adolescência” e “Depois da escola”, a autora analisa questões fundamentais para a educação como o bullying, o professor na berlinda, a terapia ocupacional na escola, a autoridade, a educação online e à margem da escola, entre outros.

“Esse sentimento de ser injustiçado que o malvado tem é um dos ingredientes das maldades que são feitas com os menos dotados ou os que não mostram suficiente força de vontade. É uma reação à percepção de injustiça que estaria ocorrendo no grupo”, afirma a autora ao falar sobre bullying. No artigo “Em defesa do período integral”, ela comenta sobre a sua experiência de aprendizagem e crescimento na escola. Ao refletir sobre a escola moderna e a escola à antiga, Anna Veronica lembra que a liberdade desprotegida pode ser massacrante para uns e palco de exibição de força para outros. “Não é o melhor ambiente para um desenvolvimento equilibrado”, complementa.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1340/Ningu%C3%A9m+nasce+sabendo

REVISTA CARTA CAPITAL DESTACA O LIVRO “APRENDER A ESCRITA, APRENDER COM A ESCRITA”

A edição de maio da revista Carta Capital deu destaque para o livro Aprender a escrita, aprender com a escrita (Summus Editorial). A obra traz artigos de 11 especialistas que abordam os fatores que intervêm na produção e construção do discurso em diferentes momentos da vida da criança. Veja a nota: http://goo.gl/lwsai.

Como se caracterizam a escrita e a cultura escrita? Como se relacionam a cultura escrita e a escola? Que fatores atuam nessa relação? Como se aprende a escrever? Como podemos conceber, em termos críticos, práticas pedagógicas intimamente associadas com práticas sociais letradas?

O livro Aprender a escrita, aprender com a escrita apresenta reflexões sobre a prática de produção de textos em sala de aula, na perspectiva de um processo de ensino-aprendizagem complexo e contínuo.

Os especialistas partem da produção de crianças, jovens e adultos em diferentes momentos do processo de escolarização. Tendo como referência a teoria da enunciação do filósofo Mikhail Bakhtin, as autoras indicam que, desde os anos iniciais do ensino fundamental, se ensine e se aprenda a escrita em uso, ou seja, no processo de interação com os pares, professores e alunos, e no diálogo com conhecimentos de variadas origens.

Para as educadoras Cecília M. A. Goulart e Victoria Wilson, organizadoras da obra, o compromisso da escola de trabalhar por mudanças estruturais da sociedade continua sendo um desafio ético-político para os educadores neste país com tantas desigualdades.

Com uma abordagem inovadora, o livro mostra o processo de escrever na escola em perspectiva transversal, destacando diferentes aspectos desse método. “Ordenamos a sequência dos estudos de acordo com o segmento e ano escolar que abrangem”, complementam as organizadoras. Em oito capítulos, as autoras destacam os passos que levaram à produção dos textos pelos alunos e os métodos utilizados para compreender e superar as dificuldades e para encontrar soluções.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro//Aprender+a+escrita,+aprender+com+a+escrita

AUTORAS DE “APRENDER A ESCRITA, APRENDER COM A ESCRITA” AUTOGRAFAM NO RIO DE JANEIRO

A Summus Editorial e a Livraria Cultura – Cine Vitória (Rio de Janeiro) promovem no dia 7 de março, quinta-feira, das 18h30 às 20h30, a noite de autógrafos do livro Aprender a escrita, aprender com a escrita. As organizadoras da obra – as educadoras Cecília M. A. Goulart e Victoria Wilson – e as autoras vão receber os convidados na livraria, que fica na Rua Senador Dantas, 45 – Centro, Rio de Janeiro.

O livro apresenta reflexões sobre a prática de produção de textos em sala de aula, na perspectiva de um processo de ensino-aprendizagem complexo e contínuo. Onze especialistas partem da produção de crianças, jovens e adultos em diferentes momentos do processo de escolarização. Tendo como referência a teoria da enunciação do filósofo Mikhail Bakhtin, as autoras indicam que, desde os anos iniciais do ensino fundamental, se ensine e se aprenda a escrita em uso, ou seja, no processo de interação com os pares, professores e alunos, e no diálogo com conhecimentos de variadas origens.

Para Cecília e Victoria, o compromisso da escola de trabalhar por mudanças estruturais da sociedade continua sendo um desafio ético-político para os educadores neste país com tantas desigualdades.

Com uma abordagem inovadora, o livro mostra o processo de escrever na escola em perspectiva transversal, destacando diferentes aspectos desse método. “Ordenamos a sequência dos estudos de acordo com o segmento e ano escolar que abrangem”, complementam as organizadoras. Em oito capítulos, as autoras destacam os passos que levaram à produção dos textos pelos alunos e os métodos utilizados para compreender e superar as dificuldades e para encontrar soluções.

Para saber mais sobre o livro, acesse: http://bit.ly/Zhq0EU

 

CORPO, ATIVIDADES CRIADORAS E LETRAMENTO

A criança aprende a escrever bem antes de manusear o lápis para juntar as letras. O corpo é o grande protagonista nessa fase inicial de contato com o letramento e a alfabetização. Por meio dele, a criança narra, cria, brinca, desenha e, finalmente, escreve. Essa é a discussão central do livro Corpo, atividades criadoras e letramento, segundo volume da coleção Imaginar e Criar na Educação Infantil, lançamento da Summus Editorial. O objetivo das autoras – Marina Teixeira de Souza Costa, Daniele Nunes Henrique Silva e Flavia Faissal de Souza – é ampliar o debate sobre o papel do corpo nas atividades criadoras, mostrando que a aquisição da escrita não se restringe aos exercícios psicomotores.

“A obra auxilia o professor da educação infantil a melhor qualificar sua percepção acerca dos processos criativos correntes em sala de aula. As pesquisadoras indicam como o corpo da criança participa do processo de simbolização que antecede a escrita formal. Assim, por meio de sugestões de atividades, o docente pode criar situações pedagógicas que incluam o corpo, a escrita, o faz de conta, a narrativa e o desenho”, afirma Daniele, coordenadora da coleção, lembrando que episódios de sala de aula, sugestão de leituras e exercícios complementam o livro.

Dividido em seis capítulos, o livro trata da aquisição da escrita, fundamentado na perspectiva histórico-cultural, destacando o papel do corpo nas atividades criadoras infantis; as leituras e escritas de mundo que a criança realiza antes da escrita sistematizada.

Aspectos fundamentais para o desenvolvimento infantil são discutidos na obra, enfatizando a importância da criança vivenciar os processos simbólicos em diferentes atividades, em que o corpo se revela como protagonista. Assim, de uma pesquisa feita em uma escola de educação infantil, teoria e prática se entrelaçam para uma melhor compreensão dos processos simbólicos das crianças pequenas e sua relação com o corpo e o letramento.

“De modo geral, o debate que levantamos nessa investigação busca promover uma discussão sobre os processos simbólicos implicados nas atividades criadoras infantis e sua relação com as práticas de letramento e alfabetização”, afirmam as autoras. Para elas, brincar, narrar, desenhar e escrever são experiências essenciais para o desenvolvimento infantil e, portanto, não podem ser vistos de forma subalterna às ações de escrever e ler, como tradicionalmente tratou a escola. “Criar histórias, vivenciar personagens, produzir grafias, entre outras atividades, é escrever e ler o mundo circundante”, complementam.

O livro surge da dissertação de mestrado intitulada O papel do corpo nas práticas de letramento: um estudo sobre as atividades criadoras na infância, escrita por Marina Costa (1ª autora), defendida no Programa de Pós-Graduação em Processos de Desenvolvimento e Saúde (PG-PDS/Universidade de Brasília) e sem perder a profundidade acadêmica necessária à abordagem dos temas selecionados, mas ganhando uma dinamicidade na leitura, a obra inclui boxes explicativos, episódios de sala de aula e sugestão de atividades.

Ao longo dos capítulos, as autoras mostram os processos de apropriação da escrita na perspectiva cultural, apresentam as contribuições do teórico Henri Wallon sobre a importância central do movimento e da gestualidade para o desenvolvimento infantil, demonstram que a criança revela modos de compreender a realidade por meio das brincadeiras e narrativas que cria, identificam as semelhanças e as diferenças segundo as quais o corpo se expressa nas atividades não gráficas e gráficas de letramento e destacam a importância de favorecer espaços dentro do contexto escolar para que a criança expresse seus pensamentos e sentimentos, entre outras questões.

“É importante que os estudos acadêmicos acerca da aquisição da escrita estejam mais vinculados ao processo criativo característico da infância. A escrita não se limita ao aspecto cognoscitivo e motor, mas amplia-se em direção aos processos de simbolização dos quais o corpo é protagonista. Afinal, é o corpo que escreve”, concluem as autoras.

Coleção

A coleção “Imaginar e criar na educação infantil” tem como objetivo ampliar a discussão sobre as atividades criadoras da criança pequena e seus desdobramentos educacionais. Partindo, centralmente, da contribuição teórica da perspectiva histórico-cultural (Lev Seminovich Vygotsky e colaboradores), os textos que compõem a coleção buscam preencher uma lacuna nas publicações voltadas para educadores, profissionais de áreas afins e pais. Aqui, a brincadeira de faz de conta, a narrativa e o desenho, entre outros, são dimensões que caracterizam e qualificam a produção cultural da criança pequena e, por isso, merecem um olhar privilegiado e atenção especial.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1296/Imagina%C3%A7%C3%A3o,+crian%C3%A7a+e+escola

Para conhecer o livro “Imaginação, criança e escola”, também da coleçao, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1296/Imagina%C3%A7%C3%A3o,+crian%C3%A7a+e+escola

“APRENDER A ESCRITA, APRENDER COM A ESCRITA”

Como se caracterizam a escrita e a cultura escrita? Como se relacionam a cultura escrita e a escola? Que fatores atuam nessa relação? Como se aprende a escrever? Como podemos conceber, em termos críticos, práticas pedagógicas intimamente associadas com práticas sociais letradas? O livro Aprender a escrita, aprender com a escrita, lançamento da Summus Editorial, apresenta reflexões sobre a prática de produção de textos em sala de aula, na perspectiva de um processo de ensino-aprendizagem complexo e contínuo. Onze especialistas partem da produção de crianças, jovens e adultos em diferentes momentos do processo de escolarização. Tendo como referência a teoria da enunciação do filósofo Mikhail Bakhtin, as autoras indicam que, desde os anos iniciais do ensino fundamental, se ensine e se aprenda a escrita em uso, ou seja, no processo de interação com os pares, professores e alunos, e no diálogo com conhecimentos de variadas origens.

Para as educadoras Cecília M. A. Goulart e Victoria Wilson, organizadoras da obra, o compromisso da escola de trabalhar por mudanças estruturais da sociedade continua sendo um desafio ético-político para os educadores neste país com tantas desigualdades.

Com uma abordagem inovadora, o livro mostra o processo de escrever na escola em perspectiva transversal, destacando diferentes aspectos desse método. “Ordenamos a sequência dos estudos de acordo com o segmento e ano escolar que abrangem”, complementam as organizadoras. Em oito capítulos, as autoras destacam os passos que levaram à produção dos textos pelos alunos e os métodos utilizados para compreender e superar as dificuldades e para encontrar soluções.

No primeiro capítulo, “Aspectos semióticos da aprendizagem inicial da escrita”, as professoras Cecilia Goulart e Angela Vidal Gonçalves analisam textos de crianças dos primeiros anos do ensino fundamental de uma escola pública do Rio de Janeiro. O estudo evidencia estratégias semióticas utilizadas pelas crianças no processo de aprender a escrever, com base em conhecimentos de variadas naturezas que já possuem e que estão relacionados à construção de sistemas sociais de referência que vão sendo organizados como formas de representação do mundo.

“A apropriação enunciativa no processo de aquisição da linguagem escrita” é tema do segundo capítulo. A professora Cláudia Cristina dos Santos Andrade avalia textos narrativos de crianças do quarto ano do ensino fundamental. A tarefa solicitada foi a reescrita do conto “A moura torta”, que havia sido lido e discutido pelas crianças e pela professora. “O objetivo da reescrita é fazer que as crianças produzam um texto que já conheçam bem, a fim de que possam preocupar-se mais com o como vão escrever do que com o conteúdo propriamente dito”, afirmam as autoras.

Na sequência, a obra traz avaliações sobre “A escrita de registros de experiência científica por crianças do quarto ano de escolaridade: ‘Será que vai dar certo? ’”. As especialistas Eleonora Abílio e Vanêsa de Medeiros descrevem como essas crianças elaboram registros de experiências científicas feitas por colegas da turma e originadas da leitura de textos de divulgação científica para crianças. Segundo elas, os registros escritos das crianças expressam a importância da palavra dos que apresentam as experiências científicas.

No capítulo “A escrita da História nos cadernos escolares”, a professora Helenice Rocha trata dos usos de cadernos em aulas de História e das condições relativas aos textos e exercícios em duas escolas, uma pública e uma particular. O tema “A revisão de textos por alunos do nono ano do ensino fundamental”, de Solange Maria Pinto Tavares, visa compreender o sentido que os alunos atribuem à revisão de textos quando têm a oportunidade de refletir sobre eles.

A busca de sentidos em textos de alunos do ensino médio, em atividades de reescritura, é o foco do capítulo sobre “As relações dialógicas na produção de textos do ensino médio”, da professora Lídia Maria Ferreira de Oliveira. A autora parte do princípio de que a escola trabalha com um tipo de letramento que prepara tecnicamente o estudante para a atividade da escrita, sem se preocupar em ajudá-lo a construir um saber.

A análise que Inez Helena Muniz Garcia e Marta Lima de Souza fazem de respostas escritas de jovens e adultos a testes de avaliação se traduz no capítulo “Linguagem escrita de adultos: análise de avaliação e atividades didáticas”. As educadoras observam que os jovens e adultos escrevem tendo como ponto de partida o contexto específico de produção, ou seja, a própria experiência na elaboração dos enunciados esperados nas atividades propostas, considerados dentro da realidade ali criada.

No último capítulo, “A institucionalização da escrita no contexto acadêmico: tradição e ruptura”, a professora Victoria Wilson investiga textos produzidos por graduandos do curso de Letras de uma universidade pública do estado do Rio de Janeiro. “Trata-se de textos redigidos como trabalho final de avaliação de uma disciplina, cuja ementa está direcionada para a escrita de gêneros acadêmicos em linguagem formal na norma culta da língua”, explica a professora. “O objetivo dos estudos é contribuir para um trabalho com a linguagem na escola, em qualquer ano escolar, segmento e disciplina, que forme pessoas comprometidas socialmente com a liberdade de expressão e também responsáveis pela mesma expressão”, afirmam as organizadoras da obra.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1326/APRENDER+A+ESCRITA,+APRENDER+COM+A+ESCRITA

 


SILVIA COLELLO APRESENTA SEU LIVRO “A ESCOLA QUE (NÃO) ENSINA A ESCREVER”

A fim de repensar as concepções acerca da língua, do ensino, da aprendizagem e das práticas pedagógicas, A escola que (não) ensina a escrever levanta diversos questionamentos sobre a alfabetização como é praticada hoje nas escolas. Depois de analisar diversas falhas didáticas e tendências pedagógicas viciadas, a autora oferece alternativas que subsidiem a construção de uma escola que efetivamente ensine a escrever.

Silvia Colello é formada em Pedagogia pela Faculdade de Educação da USP (Feusp), fez mestrado e doutorado nessa mesma instituição e nela atua como docente nos cursos de graduação e de pós-graduação. Coordena o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Alfabetização e Letramento (Geal). Veja no vídeo a seguir o que ela diz sobre o assunto e a proposta de sua obra.

Para mais informações, acesse http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1313/Escola+que+(n%C3%A3o)+ensina+a+escrever,+A

“TEXTOS EM CONTEXTOS”, POR SILVIA COLELLO, ORGANIZADORA DA OBRA

Neste vídeo, Silvia Colello apresenta o livro Textos em contextos – Reflexões sobre o ensino da língua escrita.

Com o objetivo de discutir a alfabetização em sua complexidade, esta obra usa o referencial socioconstrutivista para relacionar teoria e prática em diferentes abordagens: as concepções de ensino e de escrita, as trajetórias escolares na alfabetização de crianças e adultos, os processos cognitivos na aprendizagem da escrita, a produção textual na infância e adolescência, os desafios da transposição didática e a formação de professores alfabetizadores.

Para saiber mais sobre o livro, acesse: http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro//Textos+em+contextos