‘ATIVIDADE FÍSICA BEM DOSADA TRATA A DOR E EVITA QUE ELA SE TORNE CRÔNICA’

……………………….Matéria de Iara Biderman, publicada em 24/10/2018 no especial ………………………VIVER COM DOR, baseado no Seminário de mesmo nome organizado pela Folha de S. Paulo

Pesquisas recentes indicam exercícios como terapia eficaz para cortar desconforto do paciente
…..

Quando a dor se instala, é preciso se mexer logo. Alguns casos agudos —uma lesão por trauma, por exemplo— podem pedir um período de repouso imediatamente após o acidente, mas este deve ser o mais breve possível, afirma a fisiatra Lin Tchia Yeng, 55, responsável pela área de reabilitação do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas de São Paulo.

“O cérebro entende a falta de movimento como doença, e vai alimentando o circuito da dor”, diz Lin, para quem um período de mais de três dias de inatividade já causa efeitos indesejáveis.

Ficar mais de 15 dias sem se mexer pode iniciar a síndrome do imobilismo, cronificando as dores.

O uso da atividade física no tratamento da dor crônica é um consenso na medicina.

“Há vários estudos comprovando a eficácia de diferentes técnicas, só não há evidências para afirmar que determinada atividade dá mais resultado que as outras”, diz Victor Liggieri, fisioterapeuta e coordenador do grupo do HC.

No ano passado, a fundação Cochrane, rede global de cientistas independentes que investiga a efetividade de tratamentos a partir da revisão das melhores pesquisas disponíveis, analisou 381 estudos sobre os efeitos da atividade física na dor crônica de adultos.

Destes, 264 compararam tratamentos com e sem exercício físico em uma população de 20 mil pessoas. No total, o material analisado incluiu mais de 37 mil participantes.

As evidências indicam que o exercício é um tipo de intervenção terapêutica com pouco efeito adverso que pode melhorar o quadro de dor e as funções físicas, tendo como consequência a melhoria da qualidade de vida, conclui o trabalho da Cochrane.

A delegada aposentada Bertha Paschoalick, 56, chegou às evidências na prática. Há 30 anos ela sofre de dores causadas por hérnias nas regiões cervical e lombossacral, pinçamento do nervo ciático e artrose.

Várias vezes teve que ficar em repouso, mas, para ela, isso não funciona: “A médio prazo, a dor volta”.

Quando precisou fazer repouso absoluto, durante a gravidez, tomou injeções de anti-inflamatórios quase diariamente. Mas as dores na coluna só passaram depois que ela foi liberada para fazer exercícios e começou a ter aulas de ioga, conta.

“Já passei por situações em que nem opioides resolviam. Só melhora com exercício, uma droga natural e sem contra-indicações”, diz Bertha.

Para a ciência, a comparação com medicamentos psicoativos faz sentido. “Além dos efeitos nos sistemas músculo-esquelético e cardiovascular, a atividade física libera no cérebro substâncias com efeitos analgésicos, como as endorfinas”, explica a fisiatra Lin.

A substância e outros neurotransmissores produzidos durante os exercícios ajudam a modular o sistema nervoso central, diminuindo o nível de condução sensitiva das terminações nervosas até as regiões cerebrais que interpretam um estímulo como dolorido.

“O movimento evita a memória da dor e sua cronificação”, diz Liggieri. Outro efeito importante é a melhora do humor e da qualidade do sono. Depressão e noites mal dormidas são causas importantes de dores localizadas e difusas, de acordo com Lin.

Há também as questões mecânicas. Disfunções posturais, osteo-articulares e musculares estão relacionadas aos quadros de dor crônica, sejam como causas, ou como consequências.

Aí entra a adequação da técnica. Nos tratamentos, a genérica “atividade física” precisa ser personalizada a partir dos padrões de postura e de movimento de cada paciente. Fisioterapia e diferentes modalidades de exercícios podem ser usadas juntas ou sequencialmente, a partir da avaliação funcional de cada indivíduo.

“Se a pessoa tem dor lombar e foi observado encurtamento muscular, o alongamento é indicado; se há problema nos músculos estabilizadores da bacia, o fortalecimento da musculatura profunda com exercícios funcionais pode ser recomendado”, exemplifica Liggieri.

O que não pode é reforçar o mito de que algumas modalidades são as melhores para todos os casos e que não vão machucar ninguém.

A interpretação de que “quanto mais alongado, melhor”, é um desses mitos. Um dos temas debatidos atualmente é o da hipermobilidade causada por frouxidão ligamentar. “Muitos casos eram confundidos com fibromialgias e artroses”, conta Liggieri.

Quem tem esse problema pode conseguir colocar o pé atrás da cabeça como um mestre iogue, mas também sofre dores articulares e está mais propenso a lesões ao praticar exercícios para aumentar a amplitude dos movimentos. Nesses casos, o mais indicado é um programa de fortalecimento e estabilização da musculatura que protege as articulações.

Além da avaliação fisioterapêutica para definir os exercícios e orientar a prática, os princípios para iniciar qualquer atividade física devem ser respeitados: adaptação do corpo, progressão controlada de carga, periodização.

“Se a pessoa passar do seu limite, dá curto-circuito no sistema nervoso central e volta o quadro de dor”, diz Liggieri.

Tamara Roman, 64, sabe disso. A arquiteta paulista passou por duas cirurgias: uma para fixar articulações da coluna, em 2013, e outra para estabilizar a região do osso sacro-ilíaco, em 2015.

Por causa das operações, ela diz que nunca fica “cem por cento sem dor”. Mas um programa de musculação tem ajudado Tamara a reduzir os sintomas ao mínimo, com o cuidado de o treino jamais ultrapassar seu limites funcionais.

“Sou exagerada, quero resolver tudo logo, assim extrapolei na carga quando fazia o exercício de remada no aparelho”, diz a arquiteta. Por conta disso, foi obrigada a dar um tempo na academia até a situação se estabilizar. Enquanto isso, ela tem que se contentar com sessões de fisio e hidroterapia.

Amante das atividades físicas (“só não gosto de surfar, esquiar e de jogos coletivos com bola”), Tamara não vê a hora de retomar os treinos. “Quanto menos me mexo, mais doída eu fico.”

Para acessar na íntegra:
https://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2018/10/atividade-fisica-bem-dosada-trata-a-dor-e-evita-que-ela-se-torne-cronica.shtml

Veja outras matérias do especial VIVER COM DOR em https://www1.folha.uol.com.br/especial/2018/viver-com-dor/

***

O fisioterapeuta Victor Liggieri, que participa da matéria, é autor de dois livros, totalmente ilustrados, publicados pela Summus. Conheça-os:

 

ALONGAMENTO E POSTURA
Um guia prático
Autores: Victor LiggieriChristina Ribeiro

Disseminado em diferentes países e culturas, o alongamento tornou-se rotina para a maioria da população fisicamente ativa. Porém, posturas inadequadas têm gerado dores e lesões no sistema musculoesquelético. Aqui, os autores apresentam informações atualizadas sobre o tema e fotos com orientações de como realizar com segurança os ajustes posturais necessários aos exercícios de alongamento.

………………………………..

DE OLHO NA POSTURA
Cuide bem do seu corpo nas atividades do dia a dia
Autores: Victor LiggieriChristina Ribeiro

Hoje, quatro milhões de brasileiros são submetidos a tratamento devido a dores provocadas pela postura incorreta. Porém, com atitudes simples e consciência corporal é possível mudar tal realidade. Nesta obra didática, totalmente ilustrada com fotografias, o leitor aprenderá a desempenhar as tarefas do cotidiano – como sentar-se, digitar, dirigir, escovar os dentes, carregar objetos pesados, cuidar do bebê – sem prejudicar a coluna e as articulações.

‘MELHORAR A POSTURA EVITA ESTRESSE, DORES E ATÉ INTESTINO PRESO’

Enquanto lê esse texto, você está sentado “confortavelmente”, todo esparramado e com a coluna curvada? Então, antes de mais nada, ajeite-se na cadeira! Manter a postura correta no dia a dia – ou seja, sentar com as costas retas, apoiadas no encosto, as pernas paralelas e os pés no solo; manter a tela do computador na altura dos olhos; agachar para pegar coisas no chão em vez de dobrar o corpo; andar com o tronco reto etc. – evita não só dores nas costas, como também melhora vários aspectos da sua saúde.

“Como a coluna é nosso pilar de sustentação, a má postura sobrecarrega estruturas pelo corpo todo”, alerta Alexandre Fogaça Cristante, ortopedista do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Sim, aquela dor chata que você sente no calcanhar ou na cabeça podem estar relacionadas com a falta de alinhamento.

“O organismo funciona como um todo e, quando você não o posiciona da forma natural, ele faz compensações”, explica a fisioterapeuta Samira Poliseli, especialista em osteopatia pela Escola de Osteopatia de Madrid. A seguir, mostramos os benefícios que você vai ter ao deixar esse jeito relaxado de sentar –e de caminhar, malhar etc.

Reduz dores e lesões no treino

Quando você não se preocupa em manter uma postura adequada no dia a dia ou nos exercícios, há o encurtamento de músculos, tendões e ligamentos. Aí, um dos lados do corpo fica sobrecarregado. Isso gera desgaste nas articulações e, com o tempo, há risco de hérnias de disco, lesões no quadril e nos joelhos, tendinites e bursites nos ombros, fascite plantar entre outros problemas. “Para as mulheres, vale até repensar o uso diário do salto alto. Ele encurta a musculatura posterior da perna e aumenta a sobrecarga na região lombar”, explica o cirurgião ortopédico Edson Pudles, de Curitiba.

Minimiza a dor de cabeça

Na coluna cervical, entre as vértebras C1 e C2, há várias terminações nervosas importantes. Se elas forem constantemente pressionadas –como quando você fica muito tempo olhando para baixo ao digitar no smartphone — o resultado é uma inflamação. “Isso ativa um gânglio chamado trigeminal, um dos grandes responsáveis pela origem de dor de cabeça e até enxaqueca”, explica Aline Turbino, neurologista especialista em enxaquecas e dores cranianas pela Unifesp e médica da Casa de Saúde Santa Marcelina, em São Paulo.

 

Melhora a respiração e o fôlego

Manter os ombros sempre curvados para a frente diminui a expansão da caixa torácica e prejudica a entrada de ar no pulmão. “Aí, a pessoa precisa fazer mais esforço para respirar”, diz Fogaça.

 

Ajuda no funcionamento do intestino

A postura ruim “espreme” o órgão, que tem dificuldades em fazer os movimentos necessários para expulsar as fezes. Aliás, uma das melhores dicas para acabar com o sofrimento no banheiro é sentar de maneira adequada no trono: com os pés em um apoio para que os joelhos fiquem mais elevados que o quadril.

 

Reduz o estresse e evita a depressão

O organismo de quem sente dores constantes e intensas nas costas geralmente sofre um processo inflamatório permanente, que pode até modificar receptores cerebrais ligados ao bom humor e ao relaxamento. “Toda dor crônica pode causar mudanças neuroquímicas e gerar transtornos psiquiátricos como estresse, depressão e ansiedade”, alerta Aline Turbino.

 

Matéria de Manuela Biz publicada no VivaBem, do UOL, em 12/04/2018. Para lê-la na íntegra, acesse: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/04/12/beneficios-que-voce-tem-ao-melhorar-a-postura.htm

***

 

Tem interesse pelo assunto? Conheça os livros da Summus específicos sobre postura corporal:
…………………………

ALONGAMENTO E POSTURA
Um guia prático
Autores: Victor LiggieriChristina Ribeiro

Disseminado em diferentes países e culturas, o alongamento tornou-se rotina para a maioria da população fisicamente ativa. Porém, posturas inadequadas têm gerado dores e lesões no sistema musculoesquelético. Aqui, os autores apresentam informações atualizadas sobre o tema e fotos com orientações de como realizar com segurança os ajustes posturais necessários aos exercícios de alongamento.
…………………….

DE OLHO NA POSTURA
Cuide bem do seu corpo nas atividades do dia a dia
Autores: Victor LiggieriChristina Ribeiro

Hoje, quatro milhões de brasileiros são submetidos a tratamento devido a dores provocadas pela postura incorreta. Porém, com atitudes simples e consciência corporal é possível mudar tal realidade. Nesta obra didática, totalmente ilustrada com fotografias, o leitor aprenderá a desempenhar as tarefas do cotidiano – como sentar-se, digitar, dirigir, escovar os dentes, carregar objetos pesados, cuidar do bebê – sem prejudicar a coluna e as articulações.
………………..

DIAGNÓSTICO CLÍNICO POSTURAL
Um guia prático
Autora: Angela Santos

Um bom diagnóstico é fundamental para definir procedimentos que envolvam a postura do ser humano. Lançando mão da biomecânica, da osteopatia e de técnicas fisioterápicas, a autora apresenta uma linguagem diagnóstica única para os diversos ramos profissionais que lidam com o movimento humano, suas patologias, expressões e desenvolvimento.
…………….

POSTURA CORPORAL: UM GUIA PARA TODOS
Autora: Angela Santos

Aplicação prática dos conhecimentos de anatomia e fisiologia dos ossos, músculos e articulações em reabilitação postural. Contém informações preciosas para profissionais e orientação acessível aos leigos interessados na prevenção e no tratamento de desvios posturais.

RÁDIO CBN ENTREVISTA COAUTOR DE “FORÇA DINÂMICA”

10954O programa CBN Madrugada entrevistou Marcelo Semiatzh, fisioterapeuta especialista em reeducação postural e no estudo do movimento, e coautor do livro Força dinâmica – Postura em movimento, recém-lançado pela Summus. Ouça abaixo a entrevista, onde o autor fala sobre o inovador método da força dinâmica.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro//FOR%C3%87A+DIN%C3%82MICA