MEDITAÇÃO DA ‘ATENÇÃO PLENA’ MONOPOLIZA PESQUISAS SOBRE O TEMA

Talvez você já tenha se perguntado se meditação “funciona”, mas as questões que se seguem a essa são ainda mais capciosas. A primeira é como mensurar os benefícios desse tipo de prática.

A maior parte dos testes na área de saúde são feitos do seguinte modo: enquanto um grupo recebe o tratamento testado, um segundo grupo recebe um placebo.

Como o efeito placebo funciona em até 30% dos casos, é importante que os participantes não saibam se estão recebendo o tratamento real ou uma água com açúcar, assim os resultados podem ser comparados.

Mas como ministrar um placebo de meditação? Um estudo publicado neste mês na revista “Biological Psychiatry” buscava investigar os efeitos da meditação “mindfulness” (atenção plena, ou consciência plena) na redução de estresse.

Para isso, os pesquisadores recrutaram 35 pessoas desempregadas que estavam passando pelo estresse de buscar um novo trabalho.

O grupo foi para um retiro de três dias de meditação. Enquanto metade deles recebia aulas de mindfulness, a outra metade fazia sessões de relaxamento nas quais o instrutor inseria piadas e distrações em momentos-chave para impedir que os participantes de fato se concentrassem.

“Recrutamos pessoas que não tinham experiência prévia com meditação, de modo que não percebessem o truque”, explica David Creswell, psicólogo da universidade americana Carnegie Mellon que chefiou o estudo.

Quase todos os participantes afirmaram que se sentiam mais relaxados e que tinham desenvolvido respostas melhores ao estresse, mas ressonâncias magnéticas mostraram alterações significativas -como ativação de áreas cerebrais associadas à sensação de calma- apenas no grupo que meditou de verdade.

Quatro meses depois, um exame de sangue mostrou que o grupo da meditação real tinha níveis de inflamação consideravelmente menores que o grupo do relaxamento, ainda que poucas pessoas de ambos os grupos tivessem dado prosseguimento às práticas.

O tipo de meditação que Creswell utilizou em sua pesquisa tem raízes budistas e deu origem a um programa de redução de estresse criado pelo professor Jon Kabat-Zinn, da Faculdade de Medicina da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, na década de 1970.

Iniciado no budismo, Kabat-Zinn queria desenvolver um método que ajudasse pacientes crônicos a lidar com a doença, melhorando sua resposta aos tratamentos.

“Toda meditação busca a atenção plena, mas a particularidade do mindfulness é buscar estar no presente com curiosidade”, explica o físico e budista ordenado Stephen Little, diretor do Centro de Vivência em Atenção Plena e professor da sucursal brasileira da School of Life.

Nas aulas, os alunos devem prestar atenção à respiração e a sensações corporais, inclusive as desagradáveis.

Em parte por ter nascido em um ambiente acadêmico, a mindfulness tem se estabelecido como a modalidade queridinha dos médicos e monopoliza boa parte das pesquisas sobre meditação. No Brasil, a Unifesp, por exemplo, tem um centro dedicado a ela.

“Imagino que outros tipos de meditação tenham eficácia semelhante, mas como a maior parte das pesquisas recentes trabalha com mindfulness, ela acaba chamando atenção dos médicos. Já sabemos, por exemplo, que melhora o parâmetro imunológico e reduz a ansiedade”, diz a psiquiatra Valéria Melo, do hospital Emilio Ribas.

O treinamento de mindfulness costuma ser feito em dois meses, com sessões de 2h30 por semana, e inclui exercícios de respiração e postura, além de explicações científicas sobre a origem e os efeitos do estresse. Custa cerca de R$ 900, com aulas semanais de 2h30 de duração, mais material didático para praticar em casa.

Quem quiser se inteirar da técnica pode fazer workshops como o da School of Life (R$ 185, com encontro no dia 17/03) ou no Centro Cultural da Índia (de graça, dia 15/03), ambos em São Paulo.

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Texto de Juliana Cunha publicado na Folha de S. Paulo, em 01/03/2016. Para acessá-lo na íntegra: http://bit.ly/1QjF7cU

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Para saber mais sobre o assunto, conheça os livros do Grupo Summus:

10716VIVA BEM COM A DOR E A DOENÇA
O método da atenção plena
Autora: Vidyamala Burch
SUMMUS EDITORIAL

A dor crônica e a doença podem minar a qualidade de vida de quem sofre com elas. Visando orientar tais pessoas, Vidyamala Burch oferece neste livro um método revolucionário para aliviar o sofrimento causado por diversas enfermidades e pelo estresse. Baseada na atenção plena e na ideia de viver cada momento, ela apresenta técnicas de meditação e respiração profunda que combatem a dor e aumentam a sensação de bem-estar. Prefácio da edição brasileira de Stephen Little.
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50065MEDICINA E MEDITAÇÃO
Um médico ensina a meditar
Autor: Roberto Cardoso
MG EDITORES 

Médico há mais de vinte anos e meditador há mais tempo ainda, o autor mostra com precisão várias técnicas de meditação e os seus benefícios para a saúde. Sem qualquer orientação religiosa, filosófica ou moral, trata-se de uma obra para ler, aprender e praticar. Edição revista, atualizada e ampliada.