Professor titular de História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desde 2007. Como pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), atualmente desenvolve pesquisa sobre o tráfico de escravizados na primeira metade do século XIX.
E‑mail: marcus.j.m.carvalho@gmail.com
Livros deste autor
Experiências religiosas
- André Chevitarese
- Daniel Brasil Justi
- Elizete da Silva
- e mais 12 autores
R$110,30
Durante muito tempo, a historiografia brasileira acerca do período escravista analisou a religiosidade dos cativos por duas óticas: a do catolicismo popular e a das religiões de matriz africana, como se fossem categorias estanques que não se relacionassem. Nos últimos anos, porém, diversos estudos apontaram a importância do protestantismo no debate, por exemplo, acerca da abolição. Outros, ainda, descortinaram estratégias de inserção da espiritualidade africana na realidade católica, fosse em igrejas, fazendas, povoados ou comunidades quilombolas espalhadas por todo o país. Em diversos capítulos, este livro ressalta a participação de sujeitos populares — escravizados, libertos e indivíduos subalternizados —, que, nos espaços menos visíveis da sociedade, confrontaram os últimos sustentáculos da ordem escravista. Pregadores messiânicos, irmandades católicas, líderes religiosos locais, santos e mártires aparecem ao longo da obra, oferecendo um rico panorama da história do nosso país.
Tráfico, biografias e diáspora (África‑Brasil), séculos XVII‑XIX
- Antonia da Silva Mota
- Cândido Domingues
- Daniele Santos de Souza
- e mais 9 autores
R$74,70
“Reunindo textos inéditos de 12 pesquisadores de distintas regiões do Brasil, esta obra reconstrói as experiências de personagens negros até então pouco conhecidos. Os autores são historiadores jovens e consagrados que compartilham o compromisso com a pesquisa empírica, lendo nas entrelinhas processos judiciais, contratos, registros paroquiais e correspondências oficiais para recuperar a agência histórica de homens e mulheres africanos e seus descendentes. Ao tratar da escravidão e da liberdade, os estudos aqui apresentados centram-se nos indivíduos, resgatando essas vidas do anonimato e demonstrando como a instituição da escravidão afetou a todos — escravizados, libertos e livres. Cada capítulo revela a riqueza de nossos arquivos e a sensibilidade dos autores, que, com base em fragmentos históricos, recompuseram com maestria a trama complexa dos laços que unem a África e o Brasil, procurando compreender como africanos e seus descendentes ultrapassaram as limitações e a violência do cativeiro desde o século XVII. O resultado é uma obra comprometida em revelar as raízes do racismo estrutural que caracteriza a sociedade brasileira e o papel da desigualdade e da violência racial na formação do país. Leitura fundamental para compreendermos a dívida histórica do Brasil para com os descendentes dos mais de 5,5 milhões de africanos escravizados que chegam aos portos brasileiros durante os mais de quatro séculos de existência do tráfico de almas.”
Texto de Mariana P. Candido, professora e pesquisadora do
Departamento de História da Universidade Emory (Atlanta, Estados Unidos)