Professor da Universidade Federal da Bahia e autor, entre outros livros, de A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX (1991); Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835 (2003); e Domingos Sodré, um sacerdote africano: escravidão, liberdade e candomblé na Bahia do século XIX (2008), todos publicados pela editora Companhia das Letras.
Livros deste autor
Experiências religiosas
- André Chevitarese
- Daniel Brasil Justi
- Elizete da Silva
- e mais 12 autores
R$110,30
Durante muito tempo, a historiografia brasileira acerca do período escravista analisou a religiosidade dos cativos por duas óticas: a do catolicismo popular e a das religiões de matriz africana, como se fossem categorias estanques que não se relacionassem. Nos últimos anos, porém, diversos estudos apontaram a importância do protestantismo no debate, por exemplo, acerca da abolição. Outros, ainda, descortinaram estratégias de inserção da espiritualidade africana na realidade católica, fosse em igrejas, fazendas, povoados ou comunidades quilombolas espalhadas por todo o país. Em diversos capítulos, este livro ressalta a participação de sujeitos populares — escravizados, libertos e indivíduos subalternizados —, que, nos espaços menos visíveis da sociedade, confrontaram os últimos sustentáculos da ordem escravista. Pregadores messiânicos, irmandades católicas, líderes religiosos locais, santos e mártires aparecem ao longo da obra, oferecendo um rico panorama da história do nosso país.
Da escravidão à pós-emancipação
- Adriano Bernardo Moraes Lima
- Cristiana Tramonte
- Flavio Gomes
- e mais 17 autores
R$120,90
Na historiografia brasileira, ainda são poucos os estudos que revelam em detalhe as práticas cotidianas, de invenção da cultura – também a material –, cobrindo todo o Brasil rural e urbano da escravidão e da pós-emancipação. O que acontecia no interior das senzalas, nas matas circunvizinhas das fazendas ou nos becos, casebres e zungus (como eram chamadas as moradas dos africanos e crioulos nas cidades)? Muita coisa a ser redescoberta, descrita e analisada. Entre os séculos XVII e XIX, as experiências religiosas, sobretudo as de origem africana, foram reinventadas e modificadas permanentemente em diversos espaços. Nesta coletânea, os organizadores reúnem pesquisas inéditas sobre as formações religiosas negras em cidades coloniais e pós-coloniais do Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, São Paulo, Paraíba, Sergipe, Maranhão, Alagoas, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Das devassas em torno dos calundus ao sincretismo com o catolicismo de monges beneditinos; da perseguição do Tribunal de Inquisição às santas africanas; do medo da feitiçaria à união entre religião e política; das batidas policiais que reprimiam e perseguiam as casas de dar fortuna, os cangerês e o candomblé às influências africanas sobre festas religiosas católicas. Assim, este livro mostra que, ao longo do tempo, experiências religiosas se inventaram e se renovaram, perdendo e ganhando sentidos, significados e símbolos. Em meio à intolerância – inclusive racial, social e cultural –, encontramos disputas pela memória, pela origem e pelos mercados da crença.