Texto parcial de matéria de Leonardo Valle, publicada originalmente no VivaBem UOL, em 04/05/2020

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A linguagem cotidiana pode ser mais violenta do que aparenta. Julgamentos, comparações subjetivas, confundir fato com opinião, solicitações confusas e até traços de personalidade —como falar alto, por exemplo — causam ruídos na comunicação e despertam sentimentos negativos em quem recebe a mensagem. Para pacificar as relações, o psicólogo Marshall Bertram Rosenberg desenvolveu a Comunicação Não-Violenta (CNV), nos anos 60. A técnica diz que todos possuem as mesmas necessidades: ser amado, respeitado, ter segurança e apoio. Contudo, sem conseguir expressá-las com clareza, geram conflitos.

“A CNV reformula como reconhecemos, expressamos e lidamos com as nossas necessidades emocionais e as dos outros. Exige quatro etapas: o que observamos; sentimos; como identificamos nossas necessidades e realizamos os pedidos”, resume Luan Carvalho, psicólogo clínico pelo Beck Institute na Filadelfia e neuropsicólogo pelo Departamento de Neurologia da USP (Universidade de São Paulo).

Neurocientista da Casa do Saber e pós-doutora pela Universidade de Chicago, Claudia Feitosa-Santana lembra que CNV ganhou outras denominações ao longo do tempo, como comunicação sustentável, empática ou construtiva. “Mas todas compartilham do mesmo princípio: uma comunicação que não busca apenas se expressar, mas se conectar com o outro”.

Neurociência tenta explicar

Tanto as percepções de quem comunica quanto a forma como o interlocutor recebe a mensagem geram em seus cérebros reações emocionais, como medo e raiva. Para Feitosa-Santana, é difícil descobrir exatamente quais áreas cerebrais são ativadas. “Não existe uma impressão digital para cada emoção. Pode acontecer das mesmas regiões serem acionadas em sentimentos diferentes, como alegria e tristeza. Tudo depende de como a pessoa interpreta”, acrescenta.

Já Carvalho vê pistas. “Há novas evidências de alterações químicas no cérebro de quem pratica violência verbal, assim como aqueles que estão expostos a este tipo de interação. Neurotransmissores como acetilcolina, dopamina, ácido gama e escassez de serotonina estão correlacionados ao comportamento violento”, afirma. Para o receptor, quanto maior a exposição à violência, menor o uso de regiões cerebrais relacionadas à cognição social. “Há hiperatividade do girofusiforme, responsável pela identificação rápida de pessoas e objetos”, conta o pesquisador.

O que é consenso são os benefícios da técnica no ambiente corporativo: melhor interação entre diferentes áreas da empresa, redução de comportamentos inadequados e sensação de segurança, e participação nas decisões do grupo.

A tarefa, entretanto, não é fácil. Basicamente, exige entender que a forma que cada pessoa vê o mundo não é parâmetro para medir o comportamento dos outros. “É aceitar a vida e o outro como de fato são, superando o ‘deveria ser’. Ultrapassa o concordar ou discordar para praticar a empatia”, destaca Carvalho. A seguir, os neurocientistas indicam formas práticas de colocar a CNV em prática no trabalho:

Faça solicitações claras

A linguagem inespecífica ou com palavras de significados diversos atrapalha a comunicação. Ao fazer pedidos, vale também dar exemplos. “Em vez de dizer: ‘sintam-se confortáveis à partir de agora’, pode falar ‘quero que me digam o que posso fazer para que se sintam mais confortáveis diante deste novo desafio'”, diz Carvalho. Santana também recomenda não confundir pedidos com ordens. “O primeiro pode ser negado”, diferencia. Outro ponto é checar se todos entenderam ao pedido da mesma maneira. “O desafio é fazer isso sem parecer arrogante ou estar menosprezando a inteligência dos colegas?, adverte.

Pergunte em vez de julgar

Santana lembra que o hábito de julgar é uma herança da evolução do ser humano. “Em situações de perigo, precisávamos pensar e tomar decisões rápidas”, conta. Contudo, apesar do julgamento ser inato, também possuímos a capacidade de refletir sobre o que é pensando. “Como julgamos o outro a partir do nosso repertório pessoal, este pode estar equivocado. Assim, coloque-se sempre em dúvida”, indica Carvalho. A neurocientista recomenda perguntar antes de expressar o julgamento. “O funcionário que atrasa pode não ser lento, mas estar sobrecarregado ou com problema pessoal. Você só saberá perguntando”.

Troque adjetivos por fatos

Carvalho sugere separar emoções, pensamentos e fatos na hora de se expressar. “Ao observar as situações e pessoas como elas de fato são, detecte os sentimentos gerados por suas necessidades e necessidades do outro”, diz. Uma dica simples é trocar adjetivos por dados concretos. “Felipe é muito lerdo” vira “Felipe precisou de mais tempo do que eu esperava”. “Os banheiros estão um nojo” pode ser trocado por “Eu não vi a equipe da limpeza nos banheiros na última semana”.

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Para ler a matéria na íntegra, acesse: https://www.uol.com.br/vivabem/listas/7-maneiras-de-se-comunicar-sem-gerar-sentimentos-negativos-nos-colegas.htm

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Para saber mais sobre Comunicação Não-Violenta, conheça o livro de Marshall Rosemberg,

COMUNICAÇÃO NÃO-VIOLENTA
Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais
Autor: Marshall B. Rosenberg
EDITORA ÁGORA

Manual prático e didático que apresenta metodologia criada pelo autor, voltada para aprimorar os relacionamentos interpessoais e diminuir a violência no mundo. Aplicável em centenas de situações que exigem clareza na comunicação: em fábricas, escolas, comunidades carentes e até em graves conflitos políticos.

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