‘CRIANÇAS PRECISAM BRINCAR MAIS: INTERAÇÃO É ESSENCIAL PARA DESENVOLVIMENTO’

………………………………………………..Matéria de Perri Klass, do New York Times, publicada no UOL em 29/08/2018.

A mais famosa pintura de crianças brincando é “Jogos Infantis”, obra de 1560 de Pieter Bruegel, o Velho, mostrando a praça de uma cidade em que os pequenos, dos mais novinhos até os adolescentes (estudiosos contaram 246) estão brincando. Existem bonecas e bolas de gude, jogos com bola e de escalar (os estudiosos contaram cerca de 90). Só existem crianças na cidade, e suas atividades oferecem uma taxonomia da brincadeira.

Contudo, há quem se preocupe que nossa cultura atual seja menos amigável ao brincar e que as crianças talvez não explorem todas suas possibilidades. Para tentar abordar isso, a Academia Americana de Pediatria divulgou uma diretriz intitulada “O Poder do Brincar: O papel pediátrico para melhorar o desenvolvimento em crianças pequenas”.

O documento caracteriza a brincadeira como intrinsecamente motivado, envolvendo engajamento ativo e resultando em “descoberta feliz”. Ele sumariza extensa pesquisa desenvolvimental e neurológica sobre o tema e tenta trazer à tona algumas descobertas específicas no “achou” (jogos repetitivos oferecem “o prazer de ser capaz de prever o que acontecerá”) e “siga o mestre” (constrói o controle do impulso e função executiva). O texto também afirma que médicos deveriam estimular o aprendizado lúdico para pais e filhos, passando uma “receita de brincar” a toda consulta a uma criança sadia nos primeiros dois anos de vida.

É uma declaração de valores porque muitos que estudam o brincar se sentem sitiados, mesmo que novas pesquisas enfatizem sua importância no desenvolvimento.

“Estamos em um clima em que os pais sentem ter a necessidade de agendar atividades para todos os minutos do dia, e 30% dos jardins de infância não têm recreio”, afirma Michael Yogman, diretor do comitê de aspectos psicossociais da saúde familiar infantil da AAP e principal autor da declaração. Segundo ele, para alguns “brincar é considerado irrelevante e fora de moda”.

Benard Dreyer, diretor de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York e ex-presidente da Academia Americana de Pediatria, afirma: “Costuma-se dizer que o trabalho da criança é brincar. É por meio da brincadeira que elas aprendem e se desenvolvem. É importante compreender como todos nós, e especialmente os pais, podem incentivar a brincadeira”.

“As crianças desenvolvem habilidades do século 21 brincando”, afirma Yogman, chefe da divisão do ambulatório pediátrico do Hospital Mount Auburn, em Cambridge, Massachusetts. Entre elas estão capacidades sociais, emocionais e a função executiva, “habilidades fundamentais para adultos na nova economia, que as ajuda a colaborar e inovar”.

De acordo com ele, uma função fundamental no atendimento pediátrico é fortalecer a relação entre pais e filhos, e brincar também é importante nessa área. Para Yogman, “quando um bebê de três meses sorri e o pai corresponde ao sorriso, essas atividades alternadas estão longe de ser triviais”, sendo importantes para desenvolver a linguagem e as habilidades emocionais e sociais, como o revezamento.

As relações estáveis com pais e outros cuidadores, construídas por meio dessas interações, também são importantes para ajudar as crianças a lidar com o estresse, o trauma e impedir o que passamos a chamar de “estresse tóxico” de prejudicar o desenvolvimento infantil.

A diretriz entra em detalhes sobre pesquisa recente demonstrando que o brincar pode afetar o desenvolvimento do cérebro em sua estrutura básica e funcional, com alterações que podem ser ligadas à brincadeira em níveis molecular e celular e em termos de comportamento e função executiva.

“Acredito que existe um papel pediátrico real em assinalar a importância profunda do brincar em muitos níveis. Os pais nos procuram para saber o que fazer com o filho, em quantas atividades matriculá-lo. Estou encantando que a academia esteja disposta a apoiar a ideia de receitar a brincadeira”, declara Yogman.

“Não se trata de brinquedos chiques . A questão são os artigos comuns de casa que as crianças podem descobrir e explorar”, como colocar colheres e recipientes plásticos no chão “e bater neles para ver o que a criança faz com aquilo”. Os pais costumam lhe dizer: “Nossa, eu sempre acreditei nisso. Que bom que foi validado”, acrescenta.

“O objetivo não é fazer os pais se sentirem culpados ou passar por cima deles como um especialista”, afirma Yogman, mas procurar momentos durante uma consulta para poder conversar sobre como a criança se desenvolve –um imperativo básico do atendimento pediátrico.

A diretriz defende um curso equilibrado em pré-escolas que não ignorem o aprendizado lúdico e que não considere o período gasto no canto de brinquedos como algo irrelevante, defende Yogman. Aprendizado lúdico significa apoiar a motivação para aprender e descobrir, intrínseca da criança pequena, em vez de impor motivações extrínsecas como provas valendo nota.

Para Dreyer, o que os pais precisam fazer é estar presente para ajudar os filhos como “estrutura”. Isto é, “não se deve controlar a brincadeira, mas se vir que elas estão prontas para a próxima fase, dê suporte”.

Passei boa parte do meu tempo em pediatria pensando sobre como podemos incentivar os pais a ler com os filhos como parte dos cuidados pediátricos. E, recentemente, escrevi sobre as iniciativas de “receitar” brincadeiras em parques.

Mas será que podemos “receitar” com êxito ler, brincar, sair de casa e as outras partes essenciais de uma infância saudável e movimentada?

Temas cruciais conectam todas essas ideias diferentes: a importância de interagir com as crianças, reagir a suas deixas e perguntas, o valor do contato face a face à moda antiga e a importância de ajudá-las a achar experiências que não tenham nada a ver com telas.

“Uma ‘receita de brincar’ que posso dar aos pais ao final da consulta é apenas dizer que não tem problema se valer do bom senso quando você acha que pode compartilhar parte da alegria da descoberta do mundo com seu filho. O objetivo é validar a conclusão a que os pais podem chegar por conta própria, mas se sentem pressionados por uma cultura que diz não, que as crianças precisam de um jogo especial em um iPad ou ou que precisam ter todos os minutos do dia programados”, diz Yogman.

Para acessar na íntegra:
https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/08/29/criancas-precisam-brincar-mais-interacao-e-essencial-para-desenvolvimento.htm?cmpid=copiaecola

***

Tem interesse pelo tema? Conheça alguns livros da Summus que abordam o brincar e sua importância:

 

Este livro será lançado em breve

INFÂNCIA, LIBERDADE E ACOLHIMENTO
Experiências na educação infantil
Autoras: Tânia Campos Rezende e Vitória Regis Gabay de Sá 

Nos últimos anos, o tema da educação infantil ganhou destaque na mídia e na universidade. Cada vez mais se defende que a criança cresça num ambiente desafiador e, ao mesmo tempo, acolhedor e amoroso. Respaldadas por sua experiência de mais de 30 anos como educadoras, Tânia Rezende e Vitória Gabay de Sá apresentam neste livro a experiência vívida de uma escola baseada nesses princípios.

Em linguagem leve e acessível, as autoras conjugam teoria e prática utilizando uma ampla bibliografia, as leis nacionais mais atuais e relatos de casos.

Destinada a estudantes de Pedagogia, professores da educação infantil, pais e profissionais que lidam com a infância, a obra aborda temas fundamentais da área, como:

  • a medicalização indiscriminada das crianças pequenas;
  • a imposição cada vez maior de conteúdos em detrimento do tempo de brincadeira;
  • a dificuldade de lidar com alunos considerados difíceis;
  • os conflitos inerentes à relação entre pais e educadores;
  • os conceitos errôneos a respeito da inclusão de alunos com distúrbios físicos e/ou psíquicos.


VAMOS BRINCAR DE QUÊ?

Cuidado e educação no desenvolvimento infantil
Organizadores: Daniele Nunes Henrique SilvaFabrício Santos Dias de Abreu 
Autores: Silviane BarbatoMarina Teixeira Mendes de Souza CostaMaria Nazaré da CruzLavínia Lopes Salomão Magiolino Ivone Martins de OliveiraGabriela Sousa de Melo Mieto Fabrício Santos Dias de Abreu Daniele Nunes Henrique SilvaClícia Assumpção Martarello de ContiAnna Maria Lunardi Padilha

A obra foi estruturada com o objetivo de problematizar com docentes as ações do brincar que emergem no cotidiano escolar, e o seu papel essencial para o desenvolvimento da criança. A leitura organiza-se em um formato mais dinâmico, no qual, com base em uma proposta teórico-prática, busca-se fomentar nos professores um olhar mais sensível para a infância e suas produções. As análises tecidas pelos autores, tendo como eixo teórico a perspectiva histórico-cultural, buscam subsidiar a prática de professores no que tange às expressões infantis em que a imaginação e a criação estão, majoritariamente, presentes. Vale salientar que o livro traz sugestões de atividades que podem ser desenvolvidas na sala de aula. Prefácio de Ana Luiza Smolka, grande especialista em Vigotski.
………

DANÇA E EDUCAÇÃO
30 experiências lúdicas com crianças
Autora: Fernanda de Souza Almeida

A criança tem outro campo de percepção, sua curiosidade, sensibilidade e capacidade de produção simbólica são expressas em gestos e movimentos. Portanto, a valorização do movimento, do brincar, das relações e das interações, oferecendo diversas possibilidades para expandir suas potencialidades, é fundamental.

Em Dança e educação, Fernanda de Souza Almeida apresenta 30 sequências didáticas completas que almejam a expansão da criatividade, da sensibilidade, da expressividade e do conhecimento de si, do outro e do meio. Sem reduzir o processo a passos, repetições, elaborações de coreografias para datas festivas ou mímicas de letras de música, a autora inspira o docente a criar novas perspectivas em direção a um processo educacional infantil de qualidade.

MORRE O TERAPEUTA AMERICANO STANLEY KELEMAN

Lamentamos informar que faleceu no dia 11 de agosto de 2018, aos 86 anos, o terapeuta americano Stanley Keleman. Segundo informações de entidades dos Estados Unidos e da Europa, ele teria morrido pacificamente enquanto dormia. Deixou três filhos, seis netos e uma legião de amigos.

Keleman nasceu em 1931 no Brooklyn, em Nova York (EUA). Filho de imigrantes húngaros, graduou-se primeiro em Ciências Biológicas. Seu interesse pelo corpo sempre esteve presente em sua vida. Seguindo os passos do pai, reconhecido jogador de futebol americano, enveredou pelo atletismo na juventude. Em seguida, formou-se pelo Instituto Quiroprático de Nova York, em 1954.

Após iniciar sua prática clínica, Keleman começou a observar a relação existente entre conflitos emocionais e distorções da postura corporal. Aprendeu sobre os reflexos de contração e expansão do organismo e sobre os padrões de estresse vinculados a estes e sua relação com o surgimento das doenças. Ao trabalhar fisicamente com as pessoas, percebeu que a medida que organizava e desorganizava padrões musculares evocava respostas emocionais.

Keleman criou uma reputação profissional ligada à sua capacidade de reduzir o estresse e a tensão, contando com uma sólida prática clínica em Nova York formada especialmente por artistas da Broadway e da Metropolitan Opera.

Seguindo seus interesses, iniciou um programa de estudos e pesquisa sobre a vida do corpo. Em 1957, tornou-se membro do Instituto de Análise Bioenergética de Alexander Lowen, chegando a treinador sênior em 1970. Keleman teve uma relação próxima com Lowen, porém, sempre manteve-se independente no que se referia à maneira de pensar e de trabalhar metodologicamente.

Frequentou o Instituto Alfred Adler e seu pensamento foi profundamente afetado pelas ideias de Adler sobre os órgãos, sobre a vontade pelo poder e sobre o papel da sociedade no desenvolvimento da personalidade. Tomou contato com Freud e Jung e com a noção do inconsciente (o não-conhecido) como a base da energia psíquica, o que o tocou profundamente. Seus estudos no instituto balancearam as abordagens características de Freud, Reich e Lowen.

Simultaneamente, Keleman começou uma pesquisa com Nina Bull, uma neuro-fisióloga do Physicians and Surgeons Hospital da Columbia University. Nina estava interessada na relação entre o estresse emocional e os padrões de comportamento muscular ou padrões de ação em geral. Durante os seus 12 anos de convívio com ela, Keleman obteve grande conhecimento em neurofisiologia e sua relação com o comportamento humano. A filosofia social e o conhecimento neurológico de Nina Bull estabeleceram uma base para o modelo somático-neural das emoções e do comportamento desenvolvido pelo terapeuta.

Suas pesquisas o levaram à Europa em 1964, onde estudou psicologia existencial e fenomenológica durante três anos no Dasein Analytic Institute, em Zurique. Na Alemanha, associou-se ao professor Karlfried von Durckheim, no Centro para Estudos Religiosos. Keleman e Karlfried formaram uma grande amizade que duraria até a morte de Durkheim. Seu parceiro o apresentou uma psicologia profunda e religiosa que usava a forma humana para revelar a relação com o divino. Esses estudos propiciaram experiências fundamentais que confirmaram para Keleman o conceito do corpo enquanto o centro do self. Foram as sementes do que mais tarde seriam a Psicologia Formativa e a Metodologia Somático-emocional de Keleman.

Keleman sempre foi um pensador e desde cedo em sua vida buscava uma referência filosófica que pudesse balizar o seu caminho. No início, interessou-se pelo conceito do élan vital de H. Bergson. Após alguns anos, abraçou as ideias de intencionalidade e fenomenologia de Martin Heidegger como a base filosófica para sua visão do processo de vida.

Após retornar aos Estados Unidos em 1967, Keleman mudou-se para a Califórnia, onde trabalhou no Esalen Institute e tomou contato com a psicologia humanista. A interação com vários líderes da psicologia humanista – Carl Rogers, Fritz Perls, Virginia Satir e Alan Watts entre outros – constituiu um fórum para o desenvolvimento de seus pensamentos. Em Esalen, numa atmosfera de revolução cultural, Keleman estabeleceu sua forma de trabalhar com os conflitos emocionais. Em 1968 estabeleceu-se em Berkeley, Califórnia, onde fundou e dirigiu o Center for Energetic Studies, instituto onde desenvolve o trabalho formativo.

Na década de 1970, Keleman conheceu o mitólogo Joseph Campbell com quem teve uma grande amizade durante 15 anos. Nesse período coordenaram juntos workshops anuais no qual aprofundavam o conhecimento sobre as conexões entre mito e corpo.

Com suas múltiplas experiências, Keleman ofereceu ao mundo uma visão inclusiva e multidimensional do processo humano, cujo modelo teórico e metodológico está calcado em uma real integração de todos os aspectos da realidade humana.

Para registrar seu conhecimento, ele escreveu mais de 12 livros, vários deles publicados internacionalmente. Nove foram traduzidos para o português e publicados no Brasil pela Summus Editorial. Conheça-os em
https://www.gruposummus.com.br/gruposummus/autor//Stanley+Keleman

MARCOS MASETTO LANÇA O LIVRO “TRILHAS ABERTAS NA UNIVERSIDADE” NA LIVRARIA DA VILA, EM SÃO PAULO

A Summus Editorial e a Livraria da Vila (Shopping Pátio Higienópolis-SP) promovem no dia 29 de agosto, quarta-feira, das 18h30 às 21h30, o lançamento do livro Trilhas abertas na universidade – Renovação curricular, práticas pedagógicas e formação de professores. O autor Marcos T. Masetto receberá amigos e convidados para a noite de autógrafos na livraria, que fica no Shopping Higienópolis, piso Pacaembu (Av. Higienópolis, 618 – Piso Pacaembu, São Paulo).

Os inúmeros desafios que se apresentam para ensino superior no Brasil, no início deste novo milênio, estão marcados por grandes movimentos para transformar a educação superior no século 21. Na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina, cresce a insatisfação com os atuais currículos tradicionais de formação dos profissionais, incompatíveis com as necessidades urgentes nas sociedades. Esse cenário tem obrigado as instituições de ensino superior (IES), inclusive em nosso país, a se reinventar. Baseado em sua longa experiência na área, Masetto discute no livro Trilhas abertas na universidade formas efetivas de mudar esse cenário.

No livro, Masetto debate formas de pensar, inventar e construir inovações em currículos para a formação de novos profissionais; formar professores em novas competências e atitudes para uma docência com profissionalismo; construir caminhos que incentivem a mudança de atitudes dos alunos para um protagonismo diante de sua formação; descobrir e implantar práticas pedagógicas significativas com metodologias ativas, exploradas tempos e espaços inusitados e reconhecendo novas entidades parceiras para essa formação.

“Falamos em trilhas abertas porque estas constituem caminhos convergentes em alguns pontos essenciais para que se construam inovações, mas divergentes em outros porque procuram responder às necessidades e carências de seus respectivos contextos e a problemas reais e específicos de sua região”, afirma o professor. Segundo ele, caminhos que partem de contextos diferentes caminham paralelos, “se encontram e se entrecruzam em processos semelhantes em buscas conjuntas, integram-se em ações grupais e prosseguem juntos ou por caminhos diversos em direção aos próprios objetivos de formação profissional em nosso Brasil no século 21”.

Para saber mais, acesse:
https://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1500/9788532311078

Para conhecer o outro livro do autor, Competência pedagógica do professor universitário, também publicado pelaSummus, acesse:
https://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1299/9788532306418

‘SUICÍDIOS DE ESTUDANTES ACENDEM ALERTA EM ESCOLAS’

…………………………………..Matéria de Paula Ferreira e Clarissa Pains, publicada no jornal O Globo, em 19/08/2018

Especialistas afirmam que instituições de ensino devem se preparar para auxiliar alunos 
………………

RIO – No dia 14 de junho do ano passado, a rotina de uma família americana do estado de Nova Jersey foi interrompida bruscamente por uma tragédia. Aos 12 anos, a adolescente Mallory Grossman pôs fim à própria vida após ser vítima de bullying. Cerca de um ano depois do suicídio da jovem, seus pais decidiram mover uma ação judicial contra a Escola de Ensino Fundamental Copeland, por ter negligenciado seus alertas e não ter evitado a prática de bullying por parte dos colegas. A medida abriu uma discussão a respeito da responsabilidade das escolas no zelo pelo bem estar emocional e mental de seus alunos.

— Os sistemas escolares são 100% responsáveis pelo aprendizado emocional e acadêmico. Nós, pais, somos obrigados a mandar nossos filhos para a escola, temos direito a um ambiente de aprendizagem seguro e protegido. Eles precisam ser responsabilizados financeiramente pelo papel que desempenharam na morte de Mallory. Quando as escolas aprenderem que estão sob risco de serem processadas, começarão a implementar sistemas para proteger nossos filhos — disse Dianne Grossman, mãe de Mallory, em entrevista ao GLOBO.

A pressão por resultados exercida por muitas escolas acaba depositando uma carga de estresse nos estudantes, o que também pode ser prejudicial. No Brasil, a discussão ganhou força com relatos de casos trágicos desde o final de 2017, quando um estudante de 14 anos que seria vítima de bullying abriu fogo contra seus colegas em uma escola em Goiânia. Em abril deste ano, o suicídio de dois estudantes do Colégio Bandeirantes, um dos mais tradicionais de São Paulo, rendeu novos questionamentos sobre o papel das instituições de ensino nesses casos.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, entre 2011 e 2015 — últimos dados disponíveis —, a taxa de mortalidade de pessoas de 5 a 19 anos por suicídio foi de 1,7 a cada 100 mil habitantes. Em relação às tentativas de suicídio, o Sistema de Informação de Agravos e Notificação (Sinan) registrou 10.583 casos entre 2011 e 2016 cometidos por pessoas de 10 a 19 anos.

O pai de um estudante brasileiro de 16 anos que cometeu suicídio e pediu para não ser identificado defende maior atenção das escolas, mas diz que é errado eleger um “culpado”.

— A escola tem um papel fundamental, essas crianças passam até seis horas por dia lá dentro. É preciso ter um olhar cuidadoso. Meu filho reclamava de a escola ser puxada, de não olhar para o ser humano e dar sentido às provas que são feitas. Eu acho que isso fez parte do caldeirão de emoções que ele estava sentindo, mas não sei se foi algo definitivo. É um somatório de fatores. Eu tenho a dizer para os pais que prestem mais atenção, mas não tentem imputar isso à escola ou a outro ator. O problema é com o indivíduo .

A gravidade da questão entra aos poucos no radar das instituições de ensino. Pesquisadora da Unesp e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (Gepem), que trabalha na prevenção ao bullying e no acolhimento de jovens, Luciene Tognetta afirma que quem mais recorre ao grupo não são as escolas, mas sim os pais de crianças e adolescentes. Criado em 2005, o Gepem treinou 15 instituições no estado de São Paulo, incluindo o Colégio Bandeirantes, para lidar com o apoio a jovens em situação emocional vulnerável.

— Existem casos em que o colégio assume para si uma responsabilidade, que não lhe cabe sozinho, mas que lhe cabe também. Ainda há no Brasil, no entanto, muitas escolas que não sabem o que fazer e optam por negligenciar esse tipo de problema ou silenciá-lo — diz ela.

A voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV) Patrícia Fanteza conta que, desde que os casos de suicídio de estudantes começaram a chamar mais atenção, ao longo do último ano, a procura de escolas por palestras aumentou.

— Muitos colégios perceberam que não podem mais fingir que isso não acontece — comenta. — O que eu mais ouço dos educadores é que eles conseguem ver quando existe algo errado com o aluno, mas não sabem como agir. Em muitos casos, acham a situação pode piorar se tocarem no assunto, então fingem que nada está acontecendo e torcem para que o jovem melhore sozinho. Para cada suicídio que ocorre, estima-se que haja pelo menos 20 tentativas. Não é pouca coisa.

HABILIDADES EMOCIONAIS

Especialista em suicídios e membro da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (Abeps), Carlos Aragão Neto destaca que, no caso de jovens em idade escolar, os maiores fatores de risco para o suicídio são bullying, ciberbullying e ambiente de extrema pressão acadêmica. Aragão ressalta, porém, que nenhum suicídio é causado por apenas um aspecto.

— A grande característica do suicídio é ser multifatorial. Sem dúvida, o excesso de rigor em um colégio pode ser um fator de risco, e pode até ser um fator que chamamos de precipitante, que é a gota d’água. Mas, quando investigamos a fundo, vemos que houve uma longa história por trás daquele ato final (o suicídio). Nunca é um fator isolado, por isso acho grave apontar o dedo para uma instituição de ensino quando um suicídio acontece.

Mas, afinal, o que as escolas podem fazer? Para ele, é urgente inserir na matriz escolar métodos que desenvolvam habilidades sociais e emocionais, para que as crianças cresçam com mais resiliência para lidar com frustrações.

No Colégio Bandeirantes, após os dois suicídios do primeiro semestre, um grupo de alunos do ensino médio criou espontaneamente um grupo para acolher alunos com dificuldades. Eles participaram de treinamentos oferecidos pelo Gepem e se intitulam Comissão de Apoio Racional e Emocional (Care).

— Com o que aconteceu em abril, tivemos que contratar uma profissional em suicídio para que ela fizesse um trabalho que chama de posvenção, acolhendo os pais. Quanto à prevenção, já havíamos inserido aspectos de desenvolvimento emocional no colégio— conta Estela Zanini, coordenadora do programa do convivência do Colégio Bandeirantes.

Responsável pelo trabalho de posvenção no Bandeirantes, a psicóloga e pós-doutora pelo Instituto de Psicologia da USP, Karina Okajima Fukumitsu, diz que é preciso estabelecer uma relação de confiança entre escola e família:

— Cabe à escola orientar e informar aos pais quando houver uma mudança abrupta de comportamento. É necessário um pacto entre a escola e a família. A família, por sua vez, deve informar a escola caso o jovem tenha transtorno mental ou histórico de tentativas prévias de suicídio. É uma parceria.

Para ler a matéria na íntegra, acesse (restrito a assinantes e cadastrados):: https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/suicidios-de-estudantes-acendem-alerta-em-escolas-22990397

***

 

A psicóloga Karina Okajima Fukumitsu é organizadora e uma das coautoras do livro recém-lançado pela Summus, Vida morte e luto – Atualidades brasileiras. Conheça a obra:

 

VIDA, MORTE E LUTO
Atualidades brasileiras
Organizadora: Karina Okajima Fukumitsu
Autores: Leo PessiniAna Catarina Tavares LoureiroAvimar Ferreira JuniorDaniel Neves ForteDaniela AchetteElaine Gomes dos Reis AlvesElaine Marques HojaijElvira Maria Ventura FilipeEmi ShimmaFernanda Cristina MarquettiGabriela CasellatoGilberto SafraGláucia Rezende TavaresKarina Okajima FukumitsuTeresa Vera GouveaMarcello Ferretti FanelliMarcos Emanoel PereiraMaria Carlota de Rezende CoelhoMaria Helena Pereira FrancoMaria Julia KovácsMaria Luiza Faria Nassar de OliveiraMayra Luciana GaglianiMonja Coen Roshi Monja Heishin Nely Aparecida Guernelli NucciPatrícia Carvalho MoreiraPedro Morales Tolentino LeiteProtásio Lemos da Luz

Esta obra visa apresentar os principais cuidados e o manejo em situações-limite de adoecimento, suicídio e processo de luto, bem como reitera a visão de que, toda vez que falamos sobre a morte, precisamos também falar sobre a vida. Escrito por profissionais da saúde, este livro multidisciplinar atualiza os estudos sobre a morte, o morrer, a dor e o luto no Brasil. Destinado a psicólogos, médicos, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc., aborda temas como: espiritualidade, finitude humana, medicina e cuidados paliativos; cuidados e intervenções para pacientes cardíacos, oncológicos e portadores de doença renal crônica; intervenção na crise suicida; pesquisas e práticas sobre luto no Brasil e no exterior; luto não autorizado; as redes de apoio aos enlutados; a tanatologia na pós-graduação.

NOITE DE AUTÓGRAFOS DE “VIDA, MORTE E LUTO” LOTA LIVRARIA

Foi um sucesso a noite de autógrafos do livro Vida, morte e luto – Atualidades brasileiras, organizado por Karina Okajima Fukumitsu. O evento, que contou com a presença de vários dos autores, reuniu amigos e convidados na noite de 7 de agosto de 2018, na Livraria da Vila, no Shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo. Veja abaixo alguns momentos do lançamento (fotos: Karina Mendes).

Conheça a obra:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro//Vida,+morte+e+luto

‘A CULTURA DA BELEZA E SUAS CONEXÕES’

padrões de beleza………………………………Da coluna de Julio Abramczyk, publicada na Folha de S. Paulo, em 16/08/2018.


Cirurgia plástica estimula desejos de um consumidor marginal da economia de mercado

Os motivos para a intensa e desavisada demanda para o embelezamento corporal vêm sendo estudado há vários anos.

Na última edição da revista Jama Dermatology, Amanda Maisel e colegas de 13 clínicas dermatológicas americanas descrevem as motivações de 511 pacientes para se submeter a procedimentos cosméticos minimamente invasivos. Pouco mais de 86% eram do sexo feminino, 91,8% tinham nível universitário e a maior parte (56%) tinha mais de 45 anos.

Os pacientes procuraram o procedimento para adquirir aparência jovial e atrativa, além de possibilitar melhora na aparência física. Os pacientes abaixo dos 45 anos preocupavam-se mais em prevenir expressão de envelhecimento.

No Journal of Royal Anthropological Institute, Alexander Edmonds aborda a cultura da beleza com seu trabalho intitulado “O pobre tem o direito de ser bonito: cirurgia cosmética no Brasil liberal”.

Para Edmonds, a cirurgia plástica estimula desejos de um consumidor marginal da economia de mercado ao mobilizar o mito da beleza, no marketing e na prática clínica. Exemplifica: enquanto meninos pobres sonham tornar-se atletas profissionais, meninas carentes sonham transformar-se em modelos famosas.

O mercado de trabalho, por sua vez, valoriza a beleza de seus empregados e se beneficia dela —é o caso de uma loja, por exemplo, que busca tornar o atendimento aos clientes mais agradável ou glamoroso.

Edmonds refere ainda que os cirurgiões plásticos alegam apenas seguir o desejo do paciente. Esse desejo, explica, é mobilizado pela mística da medicina moderna, novas noções sobre saúde e as grandes mudanças nos relacionamentos sociais e sexuais.

Para ler na íntegra, acesse (restrito a assinantes e cadastrados):
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/julioabramczyk/2018/08/a-cultura-da-beleza-e-suas-conexoes.shtml

***

Tem interesse pelo assunto? Conheça:

A BELEZA IMPOSSÍVEL
Mulher, mídia e consumo
Autora: Rachel Moreno
EDITORA ÁGORA

A quem interessa vender uma beleza inalcançável? De que maneira a mídia manipula nossa consciência em nome dos interesses do mercado? Quais são as conseqüências para as adolescentes de hoje? Onde entram as “diferentes” – gordinhas, velhas, negras – nesse sistema? Rachel Moreno responde a estas e outras perguntas neste livro vigoroso e crítico, apontando caminhos para que possamos nos defender dessas armadilhas.

‘FIBROMIALGIA: NOVO TRATAMENTO REDUZ DOR DE PACIENTES’

………………………..Matéria da Agência FAPESP com o portal VivaBem, do UOL, publicada em 13/08/2018

Um novo equipamento, que permite a emissão conjugada de laser de baixa intensidade e ultrassom terapêutico, tem reduzido consideravelmente a dor de pacientes com fibromialgia.

Em vez de ser feita nos pontos de dor, a aplicação é realizada nas palmas das mãos, e está apresentando maior ação analgésica e anti-inflamatória. Como consequência da redução do mal-estar, os pacientes tiveram também melhora no sono, na capacidade de executar tarefas cotidianas e na qualidade de vida como um todo.

No artigo publicado no Journal of Novel Physiotherapies, pesquisadores do CEPOF (Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica) –um CEPID (Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão) apoiado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa  do Estado de São Paulo) — descrevem a aplicação concomitante de laser e ultrassom por três minutos na palma da mão de pacientes diagnosticados com fibromialgia, em um tratamento total de 10 sessões, duas vezes por semana.

No estudo, orientado por Vanderlei Salvador Bagnato, professor titular e diretor do IFSC-USP (Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo), 48 mulheres de 40 a 65 anos diagnosticadas com fibromialgia foram divididas em seis grupos de oito na Unidade de Pesquisa Clínica, parceria do IFSC com a Santa Casa de Misericórdia de São Carlos.

Três grupos receberam emissões de laser, ultrassom ou a conjugação de ultrassom e laser na região do músculo trapézio. Os outros três grupos tiveram como foco do tratamento as palmas das mãos.

Os resultados mostraram que o tratamento realizado nas mãos foi mais eficiente para os três tipos de técnicas, sendo que o tratamento com a combinação de laser e ultrassom ofereceu melhoras significativas aos pacientes.

“Os resultados da aplicação de ultrassom e laser conjugados nos pontos de dor, como o músculo trapézio, foram extremamente positivos, mas eles não conseguiam atingir as outras principais inervações afetadas pela doença. Já o tratamento na palma das mãos teve um resultado global, restabelecendo a qualidade de vida dos pacientes e, claro, eliminando a dor”, disse Juliana da Silva Amaral Bruno, fisioterapeuta e primeira autora do estudo.

De acordo com o estudo, a normalização de fluxo sanguíneo tanto periférico como cerebral a partir das áreas sensíveis das mãos promove, ao longo das sessões, a normalização do limiar de dor do paciente.

“É importante lembrar que isso não é uma cura, mas uma forma de tratamento em que não é necessário fazer uso de medicamentos”, disse Antônio Eduardo de Aquino Junior, pesquisador do IFSC-USP, um dos autores do artigo à Agência FAPESP.

………….

Para ler a matéria na íntegra, acesse:
https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/08/13/fibromialgia-novo-tratamento-reduz-dor-de-pacientes.htm

***

Quer saber mais sobre fibromialgia? Conheça
……………………..

FIBROMIALGIA SEM MISTÉRIO
Um guia para pacientes, familiares e médicos
Autor: Manuel Martínez-Lavín
MS EDITORES

Este livro esclarece vários aspectos de um problema de saúde polêmico e ainda não totalmente compreendido nem mesmo pela classe médica: a fibromialgia. Apresenta os principais sinais e sintomas dessa doença, explica por que seu diagnóstico é tão difícil e apresenta alguns conceitos importantes que explicam a provável causa e as possibilidades de tratamento do problema.

‘DEZ HÁBITOS QUE PREJUDICAM A SAÚDE DO SEU CORAÇÃO’

Matéria de Danielle Sanches, publicada no portal VivaBem, do UOL, em 31/07/2018.

Você sai de casa sem tomar café da manhã? Dorme mal a maior parte das noites durante a semana? Ou pratica exercícios físicos sem estar com uma garrafinha de água sempre à mão? Pois estes hábitos bastante comuns e aparentemente inocentes podem estar prejudicando a saúde do seu coração.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% das mortes por doenças cardiovasculares – considerada a causa número um de mortes em todo o mundo – foram provocadas por ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral (AVC). E a grande maioria desses problemas pode ser evitada com mudanças no comportamento, ou seja, nos hábitos de vida.

“Pela nossa experiência em consultório, notamos que os pacientes estão chegando cada vez mais jovens com esses problemas”, avalia o médico cardiologista Guilherme Sangirardi, membro da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP). “E a melhor forma de evitar essas doenças é realmente pela prevenção”, acredita o especialista.

Confira então 10 hábitos frequentes que podem fazer mal à saúde do seu coração:

  1. Colocar muito sal na comida

O excesso de cloreto de sódio – como é chamado o nosso sal – na alimentação está ligado ao aumento da pressão arterial – problema que acomete cerca de 24% da população brasileira, de acordo com o Ministério da Saúde. O órgão segue a recomendação da OMS e orienta que o consumo de sal não ultrapasse cinco gramas por dia. Porém, não é o que acontece.

“O brasileiro consome, em média, 10 gramas de sal por dia”, alerta o cardiologista Marcelo Cantarelli, diretor da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI). Segundo o especialista, se a pessoa já apresenta algum problema de aumento de pressão, o consumo deve ser de, no máximo, dois gramas por dia.

Além do sal nas refeições, Sangirardi chama a atenção para o sódio contido em alimentos industrializados, como embutidos e refrigerantes. “É preciso estar atento a esse consumo também para não jogar por água o esforço de cuidar do sal na alimentação do dia a dia”, explica o médico.

Vale lembrar que problemas renais estão associados ao aumento da pressão arterial, um dos principais fatores de risco para problemas do coração.

  1. Ingerir muito açúcar

Embora sejam fonte de energia, o alto consumo de qualquer tipo de açúcar – o que inclui tanto o refinado como a frutose ou o mel, por exemplo – tende a levar à obesidade. “Uma dieta rica em açúcar, especialmente a versão refinada, ainda pode levar ao aparecimento da diabetes tipo 2”, diz Cantarelli. A OMS recomenda que a quantidade do alimento ingerida diariamente não ultrapasse os 25 gramas (cerca de duas colheres de sopa); a entidade, no entanto, estima que, no Brasil, o consumo diário seja 50% maior do que o recomendado.

  1. Analgésicos em excesso

Um estudo recente publicado no British Medical Journal comprovou o que os médicos já alertam há anos: o uso de medicamentos anti-inflamatórios do tipo não-esteroides, muito utilizados para combater inflamações e dores, pode colocar a saúde do coração em risco. Remédios como o diclofenato, ibuprofeno e o naproxeno estariam associados a um aumento nos casos de ataques cardíacos a partir de uma semana de uso contínuo.

“Esse tipo de medicamento precisa ser usado com cuidado especialmente por idosos, já que há a possibilidade de ocorrerem sangramentos no estômago e insuficiência dos rins”, explica Cantarelli.

  1. Pular o café da manhã

Um estudo da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard (HSPH, em inglês), nos Estados Unidos, mostrou que homens que pulavam o café da manhã tinham 27% mais chances de sofrer um ataque cardíaco ou serem vítimas de alguma doença coronariana.

Mais: quem não tinha o hábito de fazer essa refeição geralmente tinham mais fome ao longo do dia e comiam mais de noite, provavelmente por mudanças metabólicas causadas pela falta do desjejum. “Pular o café da manhã significa privar o organismo de energia, prolongando o tempo de jejum”, diz Cantarelli. “Não é preciso ingerir uma refeição farta, mas comer um pouco já ajuda a manter o organismo preparado para as tarefas iniciais do dia”, explica o especialista.

  1. Não ingerir água durante o exercício físico

Parece simples, mas não se hidratar durante a prática de atividades físicas leva a uma queda da pressão arterial e aumento da viscosidade do sangue, tornando o trabalho do coração mais difícil. “Isso aumenta a frequência cardíaca durante o exercício e sobrecarrega o coração, que já trabalhando mais por conta do exercício”, explica Cantarelli.

  1. Noites mal dormidas

A lista dos problemas para o coração de quem não dorme a noite é enorme. Inúmeros estudos ligam a falta de uma boa noite de sono ao aumento da obesidade, da pressão arterial e ao risco de desenvolver diabetes – todas doenças que, indiretamente, afetam a saúde cardíaca. Diretamente, o risco também existe.

“Quando dormimos, nosso corpo relaxa, a pressão arterial é reduzida e a frequência cardíaca também cai. O coração, que nunca para, consegue descansar dessa dessa maneira”, afirma Sangirardi. Se isso não acontece, portanto, o órgão acaba sobrecarregado, aumentando os riscos de infarto.

Foi o que comprovaram os médicos da Universidade de Warwick, na Inglaterra, que realizaram uma pesquisa sobre o impacto que a privação de sono ou mesmo uma noite mal dormida tem na saúde humana. De acordo com o estudo, publicado no European Heart Journal, quem dorme menos de seis horas por dia pode ter até 48% mais chance de desenvolver doenças cardíacas.

  1. Excesso de bebidas alcoólicas

Cirrose hepática, insuficiência cardíaca e hipertensão arterial são os principais problemas de quem abusa do álcool no dia a dia. A única bebida alcoólica que tem a simpatia dos médicos é o vinho tinto, feito a partir da uva, já que a bebida é conhecida por ter flavonóides – substâncias antioxidantes e que fazem bem à saúde. O consumo, no entanto, só é benéfico quando feito de forma moderada, ou seja, até uma taça por dia para a mulher e duas taças por dia para o homem.

O vinho tinto também tem efeito vasodilatador, reduzindo a pressão arterial. Mas Cantarelli explica que não é preciso começar a beber para conseguir esses benefícios. “O consumo de frutas vermelhas ou mesmo da uva in natura ou sucos delas também apresenta efeitos positivos no organismo”, afirma.

  1. Alto consumo de carne vermelha

Em 2015, a OMS divulgou um comunicado afirmando que as carnes vermelhas – provindas de animais como boi e porco – seriam “provavelmente carcinogênicas” aos seres humanos. O alerta na restrição de consumo também vale para a prevenção de doenças cardíacas.

“A gordura da carne é uma grande fonte de colesterol”, avalia Cantarelli. “O problema não é o consumo dela, mas o excesso, aliado a frituras”, explica.

No mesmo comunicado, alimentos processados como linguiça, bacon, presunto e salsicha em excesso são apontados como causadores de câncer colorretal. Esse tipo de produto é rico em sódio, nitratos e gorduras saturadas, o que elevam as chances de desenvolver doenças coronarianas. “Não é preciso abolir da refeição, mas seria interessante escolher peças menos gordurosas, grelhadas e incluir legumes e verduras no prato”, aconselha o médico.

  1. Saúde dental frágil

Cuidar dos dentes, acredite, é fundamental para a saúde do coração. De acordo com Cantarelli, as bactérias encontradas em infecções dentárias ou gengivites podem causar infecções na membrana interna do coração. “A endocardite bacteriana pode, em casos mais graves, destruir a válvula cardíaca ou até levar a uma infecção generalizada”, explica.

A saúde bucal também pode avisar quando o resto do corpo tem problemas. Segundo a American Heart Association, pessoas com periodontite (como são chamadas as infecções na gengiva) frequentemente compartilham de alguns fatores de risco para doenças do coração, como consumo de cigarro, idade avançada e diabetes.

  1. Falta de tempo para a família e/ou para os amigos

O estresse causado pela solidão associado a fatores como fumo e pressão alta estão associados ao aumento no risco de desenvolver doenças cardíacas. É o que diz um estudo liderado pela University College London, do Reino Unido, e publicado na revista científica PLOS Medicine.

A análise envolveu indivíduos de três países da Europa Oriental – uma região em que as taxas de problemas cardíacos são consideradas extremamente altas. Os médicos descobriram que as doenças do coração eram mais comuns em pessoas que raramente encontravam os amigos e familiares, eram solteiros, desempregados e apresentavam sintomas de depressão.

A explicação é simples: encontrar os amigos ou a família faz com que o corpo libere hormônios responsáveis por sensações de prazer, amor e bem-estar – justamente os mesmos que ajudam a melhorar o sono, reduzir a pressão arterial e a frequência cardíaca. “Tudo isso colabora para a saúde do coração, reduzindo a ocorrência de hipertensão arterial e infartos”, diz Cantarelli.
…………………………….

Para acessar a matéria na íntegra: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/07/31/10-habitos-que-prejudicam-a-saude-do-seu-coracao.htm

***

 

Se você tem interesse pelo tema, conheça:

CORAÇÃO: MANUAL DO PROPRIETÁRIO
Tudo o que você precisa saber para viver bem
Autor: Dr. Mauricio Wajngarten
MG EDITORES

Neste livro do cardiologista Maurício Wajingarten, publicado com o apoio do Incor e da Jovem Pan, estão reunidas as informações que todos nós gostaríamos de saber sobre como funciona, como “quebra”, como se examina e como se conserta nossa preciosa máquina. Com fotos e ilustrações.