“APRENDER A ESCRITA, APRENDER COM A ESCRITA”

Como se caracterizam a escrita e a cultura escrita? Como se relacionam a cultura escrita e a escola? Que fatores atuam nessa relação? Como se aprende a escrever? Como podemos conceber, em termos críticos, práticas pedagógicas intimamente associadas com práticas sociais letradas? O livro Aprender a escrita, aprender com a escrita, lançamento da Summus Editorial, apresenta reflexões sobre a prática de produção de textos em sala de aula, na perspectiva de um processo de ensino-aprendizagem complexo e contínuo. Onze especialistas partem da produção de crianças, jovens e adultos em diferentes momentos do processo de escolarização. Tendo como referência a teoria da enunciação do filósofo Mikhail Bakhtin, as autoras indicam que, desde os anos iniciais do ensino fundamental, se ensine e se aprenda a escrita em uso, ou seja, no processo de interação com os pares, professores e alunos, e no diálogo com conhecimentos de variadas origens.

Para as educadoras Cecília M. A. Goulart e Victoria Wilson, organizadoras da obra, o compromisso da escola de trabalhar por mudanças estruturais da sociedade continua sendo um desafio ético-político para os educadores neste país com tantas desigualdades.

Com uma abordagem inovadora, o livro mostra o processo de escrever na escola em perspectiva transversal, destacando diferentes aspectos desse método. “Ordenamos a sequência dos estudos de acordo com o segmento e ano escolar que abrangem”, complementam as organizadoras. Em oito capítulos, as autoras destacam os passos que levaram à produção dos textos pelos alunos e os métodos utilizados para compreender e superar as dificuldades e para encontrar soluções.

No primeiro capítulo, “Aspectos semióticos da aprendizagem inicial da escrita”, as professoras Cecilia Goulart e Angela Vidal Gonçalves analisam textos de crianças dos primeiros anos do ensino fundamental de uma escola pública do Rio de Janeiro. O estudo evidencia estratégias semióticas utilizadas pelas crianças no processo de aprender a escrever, com base em conhecimentos de variadas naturezas que já possuem e que estão relacionados à construção de sistemas sociais de referência que vão sendo organizados como formas de representação do mundo.

“A apropriação enunciativa no processo de aquisição da linguagem escrita” é tema do segundo capítulo. A professora Cláudia Cristina dos Santos Andrade avalia textos narrativos de crianças do quarto ano do ensino fundamental. A tarefa solicitada foi a reescrita do conto “A moura torta”, que havia sido lido e discutido pelas crianças e pela professora. “O objetivo da reescrita é fazer que as crianças produzam um texto que já conheçam bem, a fim de que possam preocupar-se mais com o como vão escrever do que com o conteúdo propriamente dito”, afirmam as autoras.

Na sequência, a obra traz avaliações sobre “A escrita de registros de experiência científica por crianças do quarto ano de escolaridade: ‘Será que vai dar certo? ’”. As especialistas Eleonora Abílio e Vanêsa de Medeiros descrevem como essas crianças elaboram registros de experiências científicas feitas por colegas da turma e originadas da leitura de textos de divulgação científica para crianças. Segundo elas, os registros escritos das crianças expressam a importância da palavra dos que apresentam as experiências científicas.

No capítulo “A escrita da História nos cadernos escolares”, a professora Helenice Rocha trata dos usos de cadernos em aulas de História e das condições relativas aos textos e exercícios em duas escolas, uma pública e uma particular. O tema “A revisão de textos por alunos do nono ano do ensino fundamental”, de Solange Maria Pinto Tavares, visa compreender o sentido que os alunos atribuem à revisão de textos quando têm a oportunidade de refletir sobre eles.

A busca de sentidos em textos de alunos do ensino médio, em atividades de reescritura, é o foco do capítulo sobre “As relações dialógicas na produção de textos do ensino médio”, da professora Lídia Maria Ferreira de Oliveira. A autora parte do princípio de que a escola trabalha com um tipo de letramento que prepara tecnicamente o estudante para a atividade da escrita, sem se preocupar em ajudá-lo a construir um saber.

A análise que Inez Helena Muniz Garcia e Marta Lima de Souza fazem de respostas escritas de jovens e adultos a testes de avaliação se traduz no capítulo “Linguagem escrita de adultos: análise de avaliação e atividades didáticas”. As educadoras observam que os jovens e adultos escrevem tendo como ponto de partida o contexto específico de produção, ou seja, a própria experiência na elaboração dos enunciados esperados nas atividades propostas, considerados dentro da realidade ali criada.

No último capítulo, “A institucionalização da escrita no contexto acadêmico: tradição e ruptura”, a professora Victoria Wilson investiga textos produzidos por graduandos do curso de Letras de uma universidade pública do estado do Rio de Janeiro. “Trata-se de textos redigidos como trabalho final de avaliação de uma disciplina, cuja ementa está direcionada para a escrita de gêneros acadêmicos em linguagem formal na norma culta da língua”, explica a professora. “O objetivo dos estudos é contribuir para um trabalho com a linguagem na escola, em qualquer ano escolar, segmento e disciplina, que forme pessoas comprometidas socialmente com a liberdade de expressão e também responsáveis pela mesma expressão”, afirmam as organizadoras da obra.

Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://www.gruposummus.com.br/gruposummus/livro/1326/APRENDER+A+ESCRITA,+APRENDER+COM+A+ESCRITA

 


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